[Espanha] Generismo de Estado

Não é minha intenção intervir na polêmica que está ganhando espaços nos meios de comunicação estes dias de novembro: me refiro à redução de penas para alguns agressores sexuais como consequência da entrada em vigor no mês passado da conhecida como “Lei do só sim é sim”. A Lei impulsionada por Irene Montero desde o Ministério de Igualdade propiciou estes dias silêncios e comentários diversos dentro e fora do Governo de coalizão e declarações da titular de Igualdade no sentido de que havia juízes que “estavam descumprindo a Lei por machismo”.

Surpreende que Montero diga algo tão óbvio como que os juízes e as juízas desprendem machismo (sim, as juízas também). O problema não é só o judiciário mas o conjunto do Estado, no que ela como ministra e seu partido estão integrados, e que está impregnado de generismo. Para entender o ocorrido com esta Lei, e outras muitas, há que pôr no centro do debate a norma heterossexual como regime político e econômico que propicia a divisão sexual do trabalho e por sua vez origina as desigualdades estruturais entre os gêneros que estão atravessados por especificidades de raça/etnia, classe, dissidência sexual, etc.

Portanto, falamos de masculinismo¹ ou generismo do Estado porque este tem umas características que dão significado, sancionam, sustentam e representam o poder masculino como forma de dominação. Esta dominação se expressa no judiciário, e em qualquer outra instituição do Estado, como o poder que tem de estabelecer a descrição e a direção do mundo nas mãos dos homens.

A demanda de proteção para as mulheres realizada pelo lobby político do feminismo institucional para o Estado é um contrassenso se não se questiona sua masculinidade, por isso o Estado é um instrumento essencialmente problemático para levar a cabo uma mudança político feminista. Os tratos com o Estado implicam um alto preço em troca da proteção política institucionalizada que implica sempre um grau de dependência e um compromisso de atuação dentro do marco de normas ditadas pelo protetor. Qualquer abertura impensada pode ser aproveitada, também para pôr em questão a Lei mais protetora que uma ministra possa pensar.

Ao longo da história, a ideia de que as mulheres necessitam a proteção de e por parte dos homens foi fundamental na hora de legitimar a exclusão das mulheres de certos âmbitos de trato e seu confinamento em outros. Da mesma forma, a vinculação da “feminilidade” com raças e classes privilegiadas podem acabar convertendo as normas protetoras em marcas e veículos dessas mesmas divisões entre as mulheres beneficiando as privilegiadas e intensificando a vulnerabilidade e a degradação daquelas que ficaram do lado da intempérie (mulheres pobres, racializadas, dissidentes sexuais, etc.)

O poder do Estado é, portanto, um conjunto desconexo e heterogêneo de relações de poder e um veículo massivo de dominação e, por isso, está problematicamente determinado pelo gênero. O feminismo anarquista deve colocar estas considerações e partir de uma repolitização crítica em contra ofensiva ao generismo e masculinismo do Estado assim como ao lobby político do feminismo institucional, no qual, apesar de tudo, está Irene Montero e Unidas Podemos.

Laura Vicente

[1] De “masculinismo” fala Wendy Brown em seu livro: Estados del agravio. Poder y libertad en la modernidad tardía e de “generismo” fala Sayak Valencia em “Trans-feminismos, necropolítica y política postmortem en las economías sexuais de la muerte“. Ambas leituras são esclarecedoras do papel do Estado nas lutas feministas.

Fonte: http://acracia.org/generismo-de-estado/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sombra de árvore –
Até mesmo a companhia de uma borboleta
É karma de uma vida anterior.

Issa

[Espanha] Alcoy acolherá o 28º Congresso da AIT: um século de luta obreira

A sede do sindicato de ofícios vários de Alcoy será o espaço de encontro de uma quinzena de seções da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT). A cidade, que já em 1873 foi a sede do Comitê Geral da Seção Espanhola da 1º Internacional Obreira, será a protagonista do 28º Congresso da AIT, coincidindo com o centenário de sua fundação em Berlim (de 25 de dezembro de 1922 a 2 de janeiro de 1923).

Durante 5 dias, de 6 a 10 de dezembro de 2022, se encontrarão as seções aderidas à AIT, países como: Austrália, Noruega, Colômbia, Suécia, Áustria, Rússia, Polônia, Brasil, Sérvia e Montenegro, França, Bangladesh, Reino Unido, Indonésia, Eslováquia e Espanha. Também estão convidadas as agrupações de Amigos da AIT, de países como, Bulgária, Filipinas, Índia, Chile, Paquistão e Estados Unidos.

A importância deste Congresso centra-se na comemoração de um século de solidariedade e companheirismo entre trabalhadoras e trabalhadores de todo o mundo que somaram forças e criaram a AIT como fórmula prévia para a consecução da melhora moral e material do proletariado mundial, de uma sociedade em liberdade sem exploração nem hierarquias de nenhum tipo.

A organização celebrará atos e diferentes atividades (teatros, concertos, palestras…) com o objetivo de comemorar o primeiro centenário de luta e resistência obreira da AIT.

Comissão Congressual CNT-AIT

>> Confira a programação completa aqui:

https://www.cnt-ait.org/alcoy-28-congreso-internacional-y-centenario-de-la-ait/

agência de notícias anarquistas-ana

No perfume das flores de ameixa,
O sol de súbito surge –
Ah, o caminho da montanha!

Matsuo Bashô

[Portugal] O cerco libertário dos pescadores em defesa do Sado

Há 100 anos atrás, na afamada “cidade anarquista” de Setúbal, os pescadores clamavam pela defesa do Sado contra os novos vapores de arrasto que “devastam os fundos, destruindo a criação”. Organizaram-se numa pujante Associação de Classe que, nas ruas, fez temer o poder republicano e os industriais das numerosas fábricas conserveiras que abriram o caminho à industrialização e proletarização da cidade.

O cruzamento da história das lutas dos pescadores com a vertente ambiental foi sublinhado por Paulo Guimarães, docente na Universidade de Évora. Na sua investigação sobre os movimentos sociais, os conflitos e a justiça ambiental, assinalou, na agitação operária e anarquista da cidade sadina conhecida nas primeiras décadas do século XX como a «Barcelona portuguesa», uma consciência social que imprimira às lutas de classe e laborais uma capacidade de análise bem mais vasta: já então os trabalhadores do mar estavam cientes dos custos dos avanços técnicos da pesca e da sobreexploração dos recursos marinhos.

Na segunda metade do século XIX, Setúbal tornara-se um dos principais portos de pesca portugueses para, nas palavras do jovem historiador Diogo Ferreira, abandonar “a inerente complementaridade deste centro piscatório ao mundo rural” ao transformar-se numa cidade industrial e operária, subsidiária porém de um único sector assente em dezenas de fábricas de conservas de peixe. No inquérito às Associações de Trabalhadores, no Boletim do Trabalho Industrial de 1909-10, os marítimos de Setúbal, quando questionados sobre “as transformações mecânicas, ou outras”, apontavam a pesca de arrasto como o factor chave da modificação das condições de produção. Tratava-se afinal de um ponto de viragem para uma orientação na pesca que não mais se alterou e que é hoje associada negativamente pela ecologia política a uma deriva extractivista. Um conflito ambiental, com a industrialização dos mares, que foi desde o seu início perceptível pelas comunidades piscatórias.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://memorialibertaria.blogs.sapo.pt/o-cerco-libertario-dos-pescadores-em-28106

agência de notícias anarquistas-ana

Quero ouvir na noite
os sapos que embalarão,
eternos, meu túmulo.

Alexei Bueno

[Espanha] 2 a 6 de dezembro. XII Congresso confederal da CNT

Desde 2 a 6 de dezembro se realizará o XII Congresso da Confederação Nacional do Trabalho (CNT). Tudo se encontra preparado já na localidade de Canovelles, município obreiro da comarca do Vallès Oriental (Barcelona). Trata-se do primeiro congresso que a CNT celebra na Catalunha desde 1983.

O congresso é o máximo órgão de decisão da CNT e se prevê uma participação de mais de 290 delegados e delegadas e mais de 50 observadores que representarão 51 sindicatos de todo o país. Completarão a participação ao evento mais de 30 representações de entidades, organizações e coletivos convidados como, por exemplo, outras centrais sindicais filiadas à Confederação Internacional do Trabalho (CIT), organizações sociais, pela moradia, ecologistas, ateneus e organizações do movimento libertário.

Durante o congresso anarcossindicalista se debaterá a situação de desigualdade, pobreza e de destruição do planeta à qual nos conduz o sistema capitalista e se proporão alternativas reais que não passem pelo regime político dominante, que segue estando em mãos dos mais poderosos. Os temas mais destacados e que serão protagonistas do evento serão a ação sindical e social, o feminismo, a cultura, a ecologia, o internacionalismo e a modernização da própria CNT, que deverá adaptar-se como organização aos objetivos dos tempos que se aproximam.

Finalmente a CNT organizou umas Jornadas Culturais que começarão esta quarta-feira, 30 de novembro, com diversas conferências com palestrantes internacionais e exposições.

Secretariado Permanente do Comitê Confederal

www.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

De manhã, a brisa
encrespa o igarapé
e penteia as águas.

Anibal Beça

[Cuba] O tribunal de Havana condena os manifestantes do 11J a até 13 anos de prisão

Seis manifestantes do 11J [11 de Julho] foram condenados a até 13 anos de prisão por “ataque, desrespeito e desordem pública” e um foi condenado a quatro anos de “trabalho correcional sem internação”.

Ao todo, os condenados totalizam 52 anos, com uma pena de prisão inferior a sete anos. A sentença, à qual a EFE [agência de notícias] teve acesso, é datada de 23 de setembro e não é definitiva.

Nela, o Tribunal Municipal Popular de Arroyo Naranjo condena os sete réus de participar de uma manifestação que passou pela popular Esquina de Toyo, uma área que produziu uma das imagens mais memoráveis daquele dia: a capotagem de um carro patrulha.

De acordo com os fatos comprovados, os envolvidos “juntaram-se a uma aglomeração de pessoas que, de forma organizada e agressiva, criaram uma situação de crise na cidade”.

Da mesma forma, o tribunal os acusa de terem convidado mais pessoas a participar “para criar uma atmosfera de não-conformidade generalizada e assim desestabilizar o Estado de Direito e a justiça social”.

Eles também “gritaram frases e slogans depreciativos e ofensivos contra a figura do Presidente da República de Cuba” e atiraram pedras na polícia.

Duas dessas punidas – Mariana Fernández León e Yaneris Redondo León, condenadas a 4 anos de trabalho correcional sem internação e 7 anos de prisão, respectivamente – chegaram no último fim de semana de jangada aos EUA, de acordo com a organização Justicia 11J.

Os julgamentos contra os manifestantes de 11 de julho de 2021 estão ocorrendo em Cuba desde o final de 2021, enquanto parentes dos condenados e das ONGs os criticaram por falta de garantias, fabricação de provas e as altas sentenças.

A mídia estrangeira não tem acesso aos julgamentos, nem organizações como a Anistia Internacional, que o solicitou, ou embaixadores de alguns países europeus que tentaram comparecer sem sucesso.

Por sua vez, a Suprema Corte cubana assegura que o devido processo foi observado em todos os casos abertos na sequência do 11J.

De acordo com a ONG Cubalex e o coletivo Justicia 11J, cerca de 600 sentenças foram proferidas na sequência dos protestos do ano passado, algumas delas por até 30 anos de prisão.

Desde julho deste ano, tem havido protestos em todo o país, particularmente nos últimos dias por causa dos frequentes apagões e da gestão dos efeitos do Furacão Ian sobre o sistema elétrico nacional.

O Observatório de Conflitos Cubanos (OCC), com sede em Miami, contou 589 protestos em outubro, cinco a mais do que registrou em julho de 2021.

A Procuradoria Geral de Cuba advertiu no início do mês passado que está investigando os recentes protestos e que os atos criminosos “receberão a resposta legal criminal correspondente”.

Fonte: agências de notícias

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Tangerina cai
e a casca ferida exala
gemidos de dor.

José N. Reis

[São Paulo-SP] Oficina de retrato de mulheres revolucionárias em cianotipia com Dani Léon

No dia 11 de dezembro, domingo, das 14h às 16h, a Tenda de Livros recebe a Oficina de retrato de mulheres revolucionárias em cianotipia, com  Dani Léon (artista, feminista, pesquisadora e arte-educadora atuante em projetos socioculturais nas áreas de educação e saúde).

Cada participante poderá produzir 2 marca páginas no tamanho 5×15 cm ou 1 imagem no tamanho 10×15 (papel aquarela 300 gr.) com o retrato de uma mulher revolucionária. Serão 2 horas de aula prática com introdução teórica. Vamos usar a área externa da casinha da Tenda de Livros (que emoção) no bairro do Ipiranga, perto do metrô Sacomã.

Inscrições:

As inscrições vão até dia 5 de dezembro e são apenas 15 vagas.todo material está incluso na taxa de inscrição que varia entre 80 e 120 reais, de acordo com a possibilidade financeira da pessoa participante. O pagamento é via pix.  

Sobre a imagem:

Caso a pessoa participante queira que seu marca página tenha uma mulher específica, deverá  enviar a imagem em formato digital e alta resolução, por e-mail até o dia 5 de dezembro para produção da matriz.

Sobre o processo:

A cianotipia é um processo artesanal de impressão fotográfica do século XIX e tem esse nome porque as imagens produzidas apresentam o resultado em tons azuis. O protagonismo feminino está presente nesse processo, sendo Anna Atkins considerada a primeira mulher fotógrafa que fez uso dessa técnica para publicar o primeiro livro ilustrado fotograficamente.

Venha fazer a oficina mesmo que não tenha uma imagem. A Tenda de Livros disponibilizará imagens de mulheres anarquistas, como  Maria Lacerda de Moura, Maria Antônia Soares, Margarita Ortéga Valdés e Juana Rouco Buela. Você pode levar um marca página de uma delas.

Local: Tenda de livros, Ipiranga, perto do metro Sacomã (endereço será passado às pessoas participantes)

Data: 11/12, domingo

Hora: das 14 as16 horas

Inscrições até o dia 05/12

Escolha um dos três valores: 80 reais (bom. cobrimos os custos); 100 (ótimo, dá para saldar um boleto), 120 (maravilhoso, dá para saldar dois boletos, eba)

Pagamento via pix: contato@tendadelivros.org

Após realizar o pix, manda um e-mail que passamos os detalhes.

Dani Leon nasceu e mora atualmente em São Paulo, é artista, feminista, pesquisadora e arte-educadora atuante em projetos socioculturais nas áreas de educação e saúde. Desenvolve pesquisas em processos históricos de fotografia e cultura visual latino-americana. Cursando MBA em Cultura Visual – Fotografia & Arte Latino-americana pela Universidade Católica de Pernambuco (2022). Atualmente realiza oficinas, projetos educacionais e cursos livres utilizando os processos da fotografia para trabalhar as temáticas de igualdade de gênero e saúde mental da mulher. Tem produção artística no campo experimental envolvendo o uso de tecnologias novas e antigas, processos analógicos e digitais.

Um abraço carinhoso e estou aqui disposta e disponível para tirar as suas dúvidas! 

contato@tendadelivros.org

>> Em destaque imagem de Maria Lacerda de Moura produzida por Dani León, a partir de retrato de Gioconda Rizzo.

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nenhuma flor resta
os troncos abatidos
nenhuma floresta

Núbia Parente

 

Ante os ataques nazifascistas

Terras Capixabas – 27/11/2022.

Nós da Federação Anarquista Capixaba (FACA) vimos, através desta, prestar toda nossa solidariedade às famílias de trabalhadoras da educação e estudantes vítimas da covardia cometida pelo filhote de nazista que puxou o gatilho contra diversos inocentes. Nossa solidariedade e sentimentos às três professoras e uma estudante de 12 anos que, até o momento, foram vítimas fatais do ataque a duas escolas na cidade de Aracruz (ES), na sexta-feira (25).

As professoras Maria da Penha de Melo Banhos, 48 anos, Cybelle Passos Bezerra Lara, 45, morreram na EEEFM (Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio) Primo Bitti, onde davam aula, assim como a estudante Thais Sagrillo Zucoloto, assassinada na escola particular Centro Educacional Praia de Coqueiral. Além delas no solidarizamos com a trabalhadora Flávia Amboss Merçon Leonardo, 38, que, enquanto escrevíamos esta, estava internada em estado grave, mas que infelizmente não resistiu, além das várias outras vítimas que seguem hospitalizadas lutando por suas vidas.

Há mais de 30 anos que nós, Anarquistas Punk Capixabas, vimos denunciando e combatendo a presença de grupos fascistas aqui no Espírito Santo, com táticas de Ação Direta. Particularmente, em 1992 na cidade de Cariacica, tais grupos realizaram um encontro estadual, ocasião em que nós interferimos e fizemos o enfrentamento físico referidos fascistas. Também fomos vitimados por organizações fascistas, quando um dos nossos acabou com uma perna quebrada e recheada de platina. Até hoje o estado capixaba segue infestado por tais células fascistoides. Alguns dos nazifascistas já foram detectados em instituições bancárias e na expropriação cultural do movimento underground, com a presença de grupos musicais conectados em linha direta com nazismo do velho continente.

Ataques a vários grupos minoritários são uma constante aqui no ES, onde agem via gangues de ideologia nazista, a exemplo de muitos moto-clubes, onde se encontram em maiores números, com ramificações interestaduais e até internacional, além da presença fascista dentro do próprio Estado dito de direito, onde se aninham muitos dos sádicos da ditadura ainda vivos em atividade e chocando seus ovos cheios de ódio racista.

Seguimos na luta, combatendo o neofascismo e neonazismo, sempre na linha frente, por uma sociedade livre das amarras do sistema, onde todas e todos podem viver de forma libertária.

FEDERAÇÃO ANARQUISTA CAPIXABA – FACA

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agência de notícias anarquistas-ana

Uma borboleta
Beija uma flor murcha
Sobre a lousa fria

Edson Kenji Iura

[Espanha] Mais sobre o corrupto mundo futebolístico

Deixarei claro, sem qualquer desejo de arranjar desculpas, que tenho pouco ou nenhum interesse pelo esporte do futebol. No entanto, algo que mantém inúmeros espectadores enfeitiçados torna necessário, se quisermos começar a cancelar toda a atividade alienígena, cavar um pouco em tudo isso. Especialmente quando a Copa do Mundo no Catar está na boca de todos, por várias razões. Só assisti a uma partida de futebol em uma ocasião e a série de barbaridades que ouvi lá ainda hoje me choca (não, não são meros apertos, é oposição à barbárie). Em primeiro lugar, e nenhum torcedor sensato pode negá-lo, o futebol transpira machismo dos quatro lados e há aqueles que apontam para ele como um modelo repulsivo de masculinidade prevalecente. Tanto é assim que futebolistas e árbitros que declararam uma orientação sexual diferente podem ser contados com os dedos de uma mão. E haverá aqueles que dizem, como um terreno fértil para a atitude mais repulsivamente hipócrita, que ninguém tem que reconhecer publicamente sua condição sexual; não, meu amigo, não se trata de reconhecer, trata-se de ser e agir normalmente, algo que não ocorre de forma alguma no universo do futebol. Parece que no esporte feminino há um pouco mais de visibilidade; as mulheres, como é frequentemente o caso, estão um pouco mais avançadas também nesta área. Voltemos agora à nauseante Copa do Mundo no Catar, um país onde o regime proíbe a sexualidade e a pune com vários anos de prisão.

Os poderosos xeques árabes, comprando vontades à esquerda e à direita em um mundo político e econômico absolutamente corrupto, entenderam que, se eles querem dominar o mundo, uma parte importante disto é controlar esta atividade alienante para as massas que é o futebol. A FIFA inclui em seus estatutos a defesa dos direitos humanos, bem como a luta contra a discriminação; a realidade é que é outra organização corrupta, que tem sua sede na Suíça para lavar dinheiro, que historicamente tem oferecido a organização da Copa do Mundo a regimes repulsivos e que se vende a si mesma ao maior licitante. O atual chefe desta federação, numa demonstração de hipocrisia sem igual, jogou nas mãos do regime do Catar ao sancionar os jogadores que usavam braçadeiras anti-homofobia com cartões amarelos. Recentemente, ao mostrar as evidências do que é todo o processo da Copa do Mundo do Catar, alguém me perguntou se eu participaria se eu fosse um treinador ou um jogador; uma pergunta que seria apropriada para responder se alguém tivesse uma vida diametralmente oposta, o que eu não desejo de forma alguma fazer. A verdade é que os gestos de protesto têm sido poucos e distantes, especialmente na gloriosa equipe espanhola; não surpreende nada, já que a grande maioria dos jogadores de alto nível são mercenários sem o mínimo de ética. Só isto explica porque tantos esportistas que se tornaram ídolos populares, depois de ganharem milhões, terminam suas carreiras em um destes regimes repugnantes para ganhar ainda mais dinheiro.

Aprendi também que alguns torcedores espanhóis da competição, bons para as pessoas decentes que gostam de futebol, tentaram exibir uma faixa boicotando a Copa do Mundo; a resposta da federação de futebol deste país inefável foi proibi-la com o argumento de que “manchou o futebol”, e a polícia logo a removeu. Aparentemente, os milhares de trabalhadores mortos na construção da infraestrutura do Catar não são uma mancha no jogo, eles simplesmente precisam ser jogados no chão. No próprio evento, as tentativas de protesto foram censuradas e banners foram banidos dos estádios. Meses atrás, o tal governo mais progressista da história deste país indescritível não hesitou em receber o emir do Catar com plenas honras. É claro que os negócios são reais e o capital do Catar é investido em grandes empresas nacionais e em setores como energia e companhias aéreas. O que podemos dizer sobre a Casa Real, que promove todos os tipos de relações lucrativas dos xeques árabes no Reino da Espanha, enquanto a televisão pública investe milhões para manter as massas coladas à idiota TV. A brancura da mídia, por outro lado, revolve as entranhas de qualquer pessoa com um mínimo de consciência. O mundo capitalista em que vivemos conspira com todos os tipos de regimes opressivos e pseudo-democráticos. Continuaremos a travar uma guerra!

Juan Cáspar

Fonte: http://acracia.org/mas-sobre-el-corrupto-mundo-balompedico/

Tradução > Liberto

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Seus cachos de seda
são borboletas douradas
brincando na brisa.

Humberto del Maestro

[Itália] Bolonha: 01/12 | Concentração no Tribunal de Vigilância em Solidariedade com Alfredo e Todos os Presos Revolucionários

Em 1º de dezembro se celebrará no Tribunal de Vigilância de Roma a vista sobre o recurso contra a aplicação do regime do 41 bis ao companheiro anarquista Alfredo Cospito. Sete meses desde seu translado a Bancali na província de Sassari. Quarenta e dois dias desde o início de sua greve de fome até o amargo final contra o 41 bis e a hostil cadeia perpétua.

Cada dia, nestas salas, homens respeitosos da lei decidem sobre a liberdade de outros, sobre a vida e a morte de milhares de pessoas que, por escolha ou por necessidade, escaparam às leis de um Estado que diariamente explora, mata de fome, envenena.

Em solidariedade com todos os que viveram e seguem vivendo a farsa deste estado democrático.

Em solidariedade com Alfredo e todos os presos revolucionários

Junto a Anna, Juan e Iván que se somaram à greve de fome

ALFREDO LIVRE! LIBERDADE A TODOS! O 41 BIS É UMA TORTURA!

QUINTA-FEIRA 1º DE DEZEMBRO, NO TRIBUNAL DE VIGILÂNCIA, 10 horas na Via Farini 1, Bolonha

agência de notícias anarquistas-ana

É ou não é
o sonho que esqueci antes
da estrela d’alva?

Jorge Luis Borges

[EUA] O Bilionário e os Anarquistas | Das raízes do Twitter como uma ferramenta de protesto até a sua compra por Elon Musk

Elon Musk se apossou do Twitter, alegando que o tornará “uma praça digital pública”. Que tipo de praça da cidade pertence a um único plutocrata? A praça em uma cidade corporativa— ou em uma monarquia. O que isso significará para as pessoas comuns que dependem de plataformas como o Twitter para se comunicar e se organizar na era digital?

Resolvendo tensões dentro da classe dominante

Os conflitos que ocorreram dentro da classe capitalista durante a presidência de Trump efetivamente colocaram uma coalizão de nacionalistas e capitalistas “old-money” (ligados a negócios tradicionais e lucrativos ao longo de gerações, como o lobby do petróleo) contra os partidários dos negócios neoliberais, representados pela grande maioria do Vale do Silício. Se não fossem esses conflitos intraclasses, o esforço de Trump para consolidar o controle do governo dos EUA por seu tipo particular de autoritarismo nacionalista já poderia ter sido bem-sucedido. Movimentos de base lideraram a resistência às políticas de Trump e ao apoio nas ruas, mas o Vale do Silício também tomou um lado, culminando com o Twitter expulsando Trump de sua plataforma após a tentativa de golpe fracassada no de 6 de janeiro de 2020. Isso ressaltou o que já estava claro desde o verão daquele ano: Trump não havia construído apoio suficiente entre a classe capitalista para manter seu controle do poder.

E se Trump tivesse conseguido encontrar uma causa comum com o grossa da massa de bilionários do Vale do Silício? As coisas teriam sido diferentes? Essa é uma questão importante, porque o conflito trilateral entre nacionalistas, neoliberais e movimentos sociais participativos não acabou.

Para colocar isso em termos dialéticos vulgares:

Tese: O esforço de Trump para consolidar um nacionalismo autoritário

Antítese: oposição de magnatas neoliberais no Vale do Silício

Síntese: Elon Musk compra o Twitter

Dito isso, a aquisição do Twitter por Musk não é apenas o capricho de um plutocrata individual – é também um passo para resolver algumas das contradições dentro da classe capitalista, para melhor estabelecer uma frente unificada contra os trabalhadores e todos os grupos violentados na base do sistema capitalista. Quaisquer que sejam as mudanças introduzidas por Musk, elas certamente refletirão seus interesses de classe como o homem mais rico do mundo.

De todos os gigantes da mídia social – e apesar da presença notória de Trump na plataforma – os administradores do Twitter foram sem dúvida menos acomodados à agenda de Trump do que os do Facebook ou Youtube. Enquanto Mark Zuckerberg se encontrou repetidamente com Trump e seus apoiadores de extrema-direita como Tucker Carlson, e Facebook e Instagram concederam demandas de extrema-direita para banir anarquistas e antifascistas de suas plataformas, o Twitter baniu fascistas pelo menos tão prontamente quanto baniu anarquistas e outros ativistas. Na época, especulamos que isso poderia ser porque o Twitter ainda estava efetivamente sob a gestão dos fundadores originais.

Aqui, rastrearemos o Twitter desde suas origens como ferramenta de protesto para ativistas até a aquisição de Musk, esboçando uma história da tomada capitalista da internet no microcosmo.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://pt.crimethinc.com/2022/11/26/the-billionaire-and-the-anarchists-tracing-twitter-from-its-roots-as-a-protest-tool-to-elon-musks-acquisition-1

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No embalo do vento
palmeiras se abraçam:
dois amantes?

Anibal Beça

“Natal – sem deuses, nem mestres”

O próximo encontro do Grupo de Estudos de Anarquismos, Feminismos e Masculinidades, do Centro de Cultura Social (CCS), será presencial, dia 03 de dezembro, sábado, das 16h às 18h.

Textos para a conversa:

1) Um guia anarquista para o Natal, de Ruth Kinna:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/12/19/reino-unido-um-guia-anarquista-para-o-natal-4/

2) Peter Kropotkin: bem-estar para todos e todas (p. 24), de Ruth Kinna:

 http://ccssp.com.br/arquivos/boletins/revista_ccs_2021_01.pdf

Como participar?

Os encontros do grupo são gratuitos e abertos para todas as pessoas interessadas. Em razão da vigência da epidemia de Covid-19, sugerimos que mantenha a máscara, traga sua garrafinha de água, e respeite o distanciamento e as orientações sanitárias de praxe. Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapitalismo e não partidarismo, não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade. Sugerimos a leitura dos textos para embasar nossas trocas. Teremos intérprete de Libras.

Histórico

O Grupo de Estudos sobre Anarquismos, Feminismos e Masculinidades é uma iniciativa do Centro de Cultura Social de São Paulo.

O Centro de Cultura Social de São Paulo foi fundado em 14 de janeiro de 1933 como remanescente das entidades culturais criadas pelo movimento anarco-sindicalista e libertário nas primeiras décadas do século XX e tem por finalidade estimular, apoiar e promover nos meios populares, o estudo dos problemas sociais, bem como pretende desenvolver o espírito de solidariedade, se opondo a todas as formas de opressão e de exploração que prejudicam as liberdades individuais e coletivas.

Objetivos

O Grupo tem o objetivo de estudar, refletir e debater textos sobre mulheres anarquistas ao longo da história e suas relações com a luta pela igualdade de gênero e libertação humana de toda forma de opressão.

A proposta do Grupo é dar visibilidade, principalmente, para as mulheres anarquistas, que foram esquecidas, tanto pela História oficial quanto pelos movimentos de esquerda. Dessa forma, pretendemos dar voz e vida a essas mulheres guerreiras, muito a frente de seu tempo, assim como a um movimento filosófico-político-econômico-social que sofreu dos dois lados da trincheira e sofreu um apagamento propositado para tentarem ocultar a ideia e a história revolucionária da humanidade.

Tanto a filosofia, quanto a prática do grupo estão orientadas pelos princípios do anarquismo, ou seja, autogestão, autonomia, cooperação, solidariedade, liberdade, igualdade, responsabilidade, anticapitalismo e não partidarismo.

Metodologia

Os encontros são abertos e contínuos. Então, pode participar de um ou de todos os encontros, mas não há obrigação, até porque não é um programa fechado, mas uma proposta flexível e em permanente construção cooperativa e autogestionária, que preza pela autonomia e participação das pessoas, incentivando, preservando e fortalecendo a liberdade e a igualdade.

As atividades do Grupo são divulgadas pela página do Instagram, Facebook e site do Centro de Cultura Social de São Paulo, bem como para as pessoas participantes, possuímos um grupo de Whatsapp para a divulgação de informações das atividades e outros assuntos relacionados.

Os textos são definidos pelas pessoas organizadoras, juntamente e/ou acolhendo sugestões de textos das demais pessoas participantes. Os textos selecionados estão sempre disponíveis online, os links são compartilhados via convite e divulgação nas redes sociais a fim de que seja efetiva a leitura, anotações e reflexões pessoais antes do próximo encontro.

Centro de Cultura Social

Rua General Jardim, 253, Sala 22 – Próximo ao metrô República — Vila Buarque – São Paulo – SP

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agência de notícias anarquistas-ana

Lâmpada vermelha
no umbral da taberna. O vento
diz que ela bebeu.

Alexei Bueno

 

[Grécia] Vídeo | Tessalônica: Marcha contra o despejo da okupação Mundo Nuevo

Mais de mil pessoas se manifestaram na noite desta segunda-feira (28/11) nas ruas centrais de Tessalônica em defesa da okupação Mundo Nuevo, que foi evacuada esta manhã pelas forças de repressão policial. Em geral, a presença policial foi muito intensa, com esquadrões do MAT (tropa de choque) cercando a marcha com um “cordão” desde o início.

Segundo as companheiras e os companheiros gregos: “O próximo período será muito crítico para o movimento de Tessalônica, que será chamado a dar sua própria resposta à repressão do Estado, paralelamente à luta contínua contra a pobreza, a miséria, o fascismo social e a violência sistêmica. O governo de Mitsotakis [atual primeiro-ministro da Grécia] acredita que pode mais uma vez transformar os anarquistas em um “bode expiatório” para servir a sua própria agenda nefasta, neoliberal e de extrema-direita. Mas o movimento anarquista organizado agora tem laços muito fortes com a classe trabalhadora e os oprimidos, sempre ao lado de grevistas, imigrantes, mulheres e todas as pessoas que lutam contra a injustiça. Nossa resposta será dada nas ruas. Nenhuma entrega, nenhuma trégua, na luta contra os planos repressivos do Estado. Defendamos os espaços okupados e autogestionados! Tirem as mãos das okupações e estruturas de luta! A okupação Mundo Nuevo vai ficar!”

>> Vídeo (01:48) da marcha:

https://www.youtube.com/watch?v=rAEkDKRcnG0

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No dedão vermelho
Lateja meu coração —
Ferrão de abelha

Neiva Pavesi

Manifesto de fundação da Federação Anarquista Capixaba – F.A.C.A.

Terras Capixabas – 11/09/2022

Nós, Anarquistas Capixabas, habitantes deste estado medieval carimbado por homens brancos colonizadores que nomearam nosso território de Espírito Santo – estes mesmos canibais do lucro, e do capitalismo.

No dia de hoje, 11/09/2022, nasce nossa Federação Anarquista Capixaba – F.A.C.A.

Esta organização nasce para a luta e resistência, no mar, no ar, nas fábricas, nos campos, nas periferias das cidades, nas matas, nos rios, sempre contra as indústrias mineradoras e poluidoras, petroleiras, agropecuárias, armamentistas, e tudo e todos que ferem o princípio do bem viver. Lutaremos contra o capitalismo, o Estado e seus tentáculos, para liquidar a exploração do homem pelo homem.

Lutaremos juntos lado a lado com os (as) indígenas e quilombolas e com os explorados e oprimidos para recuperação de seus territórios e direito à terra!

Nossa federação bebe na fonte antiautoritária e libertária, influenciando-se na indignação e na revolta, bem como na luta popular por melhores condições de vida.

Nossa organização surge através do ideal Anarquista com pilares baseados na solidariedade, apoio mútuo, autogestão e anticapitalismo, e também na luta por um território livre das amaras do famigerado modelo global capitalista.

E nesse contexto, registramos que a movimentação anarquista aqui, em terras capixabas, se iniciou no começo do século XX, através de operários e operárias trabalhadores da linha de ferro em Cachoeiro de Itapemirim, com greves e organizações anarcossindicalistas. As longas ditaduras brasileiras quase extinguiram o movimento. Porém, no final dos anos 1970 o anarquismo insiste em permear essa terra com um grito contra toda exploração e opressão e também contra a monotonia burguesa reinante no território do Espírito Santo.

Eis que os capixabas colocam o bloco na rua, e entre estudantes e punks o movimento cria novo corpo e se faz aflorar a necessidade de organização. São 40 anos de ações das mais diversas e até os dias de hoje continuamos a trilhar o caminho anarquista em busca de um território livre onde a vida seja valorizada. Ao longo de nossa trajetória realizamos greves, programas de rádio, produções de fanzines, jornais, livretos, poesias, artes plásticas, bandas musicais, encontros, grupos de estudos, intercâmbios, fóruns anarquistas, festas, manifestações, atos de protesto no Primeiro de Maio e Sete de Setembro, campanhas pelo voto nulo, grupos de teatro, cineclubes, oficinas, cursos de esperanto, participação em brigadas indígenas e lutas pelo território quilombola, ocupações urbanas, campanhas antirracistas, enfrentamento e combate ao fascismo, entre tantas outras frentes de lutas que travamos ao longo da nossa história.

Isso tudo nos faz refletir e agir; e hoje nesse dia 11/09/2022, dentro do Fórum Geral Anarquista, iniciamos a nossa mais nova ferramenta de organização e luta, a Federação Anarquista Capixaba (F.A.C.A). Cientes que estamos dispostos e prontos para resistir, somando forças com os que lutam por transformação social, quebrando paradigmas e dogmas burgueses, estatais, capitalistas e autoritários.

Assim, entendemos a necessidade de nos organizar no território brasileiro e mundial, portanto solicitamos neste ato adesão à Iniciativa Federalista Anarquista – IFA Brasil, associada à Internacional de Federações Anarquistas.

Com todas as pessoas exploradas, mulheres, crianças, idosos e minorias, caminharemos lado a lado com a bandeira negra empunhada para lutar.

Federação Anarquista Capixaba – FACA

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/28/5o-forum-geral-anarquista-brasil-cariacica-espirito-santo-08-a-11-de-setembro-de-2022/

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O frêmito cessou.
A árvore abre-se
para conter a lua.

Eugenia Faraon

Lançamento do Acervo Punk

Próximo sábado, 03 de dezembro, às 19 horas, temos encontro marcado com mais uma atividade da Punk Scholars Network Brasil. Receberemos nossos membros honorários e historiadores João Neves e Antônio Carlos Oliveira que farão o lançamento oficial do Acervo Punk, o maior arquivo de memórias sobre o punk nacional do país. A atividade será mediada pelo também historiador e professor da UEG Tiago Vieira. O papo vai acontecer no Canal da PSN – Brasil (link abaixo), no YouTube. Imperdível!

https://www.youtube.com/@punkscholarsnetworkbrasil8597

FB: https://www.facebook.com/punkscholarsbr/

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sussurro sem som
onde a gente se lembra
do que nunca soube

Guimarães Rosa

[Espanha] Despedida de Gelín Meana, histórico militante da CNT, em Oviedo

Anarquistas asturianos recordavam esta manhã (27/11) na “Plaza del Paraguas” o histórico militante da CNT Ángel Fernández Meana, que faleceu na segunda-feira em seu domicílio de Oviedo, onde havia nascido em 1952. Após iniciar seus estudos na Faculdade de Filosofia e Letras, participaria nos anos 70 na reconstrução da CNT após a ditadura franquista.

Meana, que também participou na greve da construção de 1977,  desempenhou vários cargos no sindicato e participou desde então em todas as lutas da CNT em Oviedo e nas Asturias, assim como em suas atividades e nas do “Ateneo Libertario de Oviedo”. Também participou no 15M e na “Radio QK”.

Fonte: https://www.lavozdeasturias.es/noticia/oviedo/2022/11/27/despedida-gelin-meanahistorico-militante-cnt-oviedo/00031669566637182319419.htm

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entre os vinte cimos nevados
nada movia a não ser
o olho do pássaro preto

Wallace Stevens

[Espanha] Futebol. Mundial do Catar 2022. Desliga o rádio ou a televisão.

É somente Futebol? Não, é lixo comercial que, por desgraça, atrai milhares de milhões de pessoas em todo o mundo, seja de suas casas ou em um bar tomando cervejas dessas que são restringidas aos turistas durante a competição. Em um Estado totalitário conduzido sob a sharia, um Catar hiper vigiado, com um nível de desperdício sem precedentes, que deixou uma cifra de 10.000 mortos (6.000 segundo fontes oficiais) trabalhadores migrantes da construção espremidos até a exaustão para que o povo “normal” desfrute vendo jogar – salvo algumas exceções de jogadores de seleções modestas – uma quadrilha de pirralhos vendidos ao melhor comprador, que vivem de fábulas e nadam na abundância. Sim! Porque quando a bola está no gramado, o entusiasmo popular perdoa tudo: o número de cadáveres, os salários de merda dos trabalhadores frente aos salários milionários dos jogadores, diretores ou organizadores, até o monólogo de anteontem do presidente da Fifa sobre violação de direitos. Que desgraça! Assim compram o tempo e gestionam o ócio. Apesar de tudo, bom para as pessoas que chamam ao boicote.

Sem entrar muito em profundidade, citar o tema dos patrocínios e corrupções, a fortuna que custou (talvez 220 milhões de euros?), o consentimento para alterar o calendário do campeonato ou o preço das entradas a 1.000 euros faz com que esta Copa do Mundo seja a mais exclusiva.

É indiscutível que o mundo do Futebol e o esporte de elite está podre faz tempo, portanto, e como há décadas, não penso dedicar-lhes um só minuto do meu tempo nem acompanhar a Copa. Entre outras coisas, porque quem ganhe ou perca, me importa uma merda.

(EX)PRESIÓN

Fonte: https://drive.google.com/file/d/1zvux8I8gD-g6L1DbrvCKYwKnAgSOsdOD/view

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/11/25/espanha-gol-no-campo-paz-na-terra/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/11/18/espanha-a-copa-do-mundo-do-catar-e-o-sangue-dos-trabalhadores/

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Dias que se alongam —
Cada vez mais distantes
Os tempos de outrora!

Buson