Devotos da moralidade

Ao elaborar reflexões acerca da pena capital, Albert Camus sugere análises irruptivas acerca dos desdobramentos relativos à devoção das pessoas aos juízos morais. Foi corajoso ao afirmar que as recorrentes repetições de repressões e de violências, como a própria pena de morte, derivam das divinizações produzidas pelos seres humanos em nome de pretensões redentoras.

São pretensões que “justificam” o sacrifício, a matança, as estigmatizações.

Os pontilhados libertários sugeridos por Camus, no entanto, não devem estar circunscritos ao tema abordado naquela ocasião: a pena capital.

Suas inquietações residiam na recusa às subordinações de cada ser às vontades absolutas de quaisquer pessoas, instituições ou grupos, cujas justificativas baseiam-se, de modo recorrente, em dicotomias como “bom” ou “mau”, “certo” ou “errado”, “legal” ou “ilegal”, “moral” ou “imoral”.

Nos marcos da contemporaneidade, os anseios voltados à moralização dos demais são visíveis nas diferentes esferas da vida, como nas redes sociais, nas escolas, nas universidades, no trabalho.

Foi, em certa medida, o período no qual as pretensões moralizadoras provinham, apenas, das autoridades superiores, como os governantes, o soberano da sala de aula, os pais, os sacerdotes.

Hoje, tais aspirações amplificaram-se e provêm dos vínculos “equivalentes” ou horizontais entre amigos, namorados, “companheiros” de ativismo, seguidores de redes sociais etc.

A norma da vez é ser democrático e, portanto, inclusivo, pluralista. Cada um deve estar adequado ao vocabulário das elites secundárias que, subordinadas às elites principais, participam proativamente da governança contemporânea.

Os termos, as condutas e os conteúdos compartilhados devem estar em consonância com as recomendações “sagradas” – e, portanto, morais – dos manuais democráticos. Desobediências às normas e às leis instituídas por meio da formalização de novos direitos de minorias são passíveis de punição.

Punições estas que podem ocorrer nos marcos do direito ou nos tribunais “informais”, como as redes sociais, grupos de amigos, famílias convertidas à lógica democrática.

Ocorre que, independentemente da face “simpática”, o progressista de plantão mostra-se um cidadão-polícia “eficiente”.

Seu crachá está condicionado ao monitoramento do cumprimento, por parte de seus pares, das recomendações proferidas pelos manuais comportamentais das elites secundárias – lideranças e ativistas feministas, ambientalistas, LGBTQIA+, antirracistas e, inclusive, muitas e muitos que se autointitulam antifascistas. Todos são adeptos da moral progressista.

E repetem-se, de maneiras distintas, as repreensões às condutas classificadas como moralmente incorretas, inclusive aos mortos.

“cancelamentos”, revisões e “correções”

Segundo o léxico, cancelar significa tornar (algo) nulo, sem efeito, sem valor. Eliminar ou riscar o que está escrito com a finalidade de dissolver seu efeito.

O termo “cancelamento” vem do latim cancellare (cobrir com barras, grades), verbo derivado de cancelli, diminutivo de cancri (barras), que possui a mesma raiz de carcer (prisão).

Além da palavra cancelar, cancelli é a raiz de outras palavras como cadeia, aprisionar e prisioneiro.

Vemos, com base na própria etimologia da palavra, que os “cancelamentos” não estão dissociados da linguagem e da cultura punitiva.

Perspectivas libertárias não devem estar voltadas à procura das supostas “origens” do que se convencionou chamar de cancelamento. Enfatiza-se, no entanto, que a adoção acentuada do termo remete ao ano de 2017, momento no qual o movimento #MeToo amplificou-se.

Essa campanha irrompeu nas plataformas digitais e repercutiu nas mídias tradicionais de grande parte do chamado Ocidente. Mulheres de diferentes lugares, lideradas por figuras da cena artística e cinematográfica estadunidense, passaram a relatar e compartilhar em redes sociais casos em que sofreram violências sexuais, notadamente em seus ambientes de trabalho.

O principal desdobramento desse movimento foi a série de denúncias contra o produtor de Hollywood Harvey Weinstein, que resultou em seu “cancelamento”.

Desde então, ocorreram “cancelamentos” das mais variadas formas e matizes, de modo que essas práticas punitivas advindas das redes sociais se desdobraram e recrudesceram em outras.

Constata-se que, ao menos desde 2020, a editora HarperCollins, responsável pela edição dos livros de Agatha Christie, está promovendo revisões de trechos redigidos pela escritora britânica.

Agatha Christie não foi o único alvo.

Recentemente, na comemoração dos 50 anos da vida e obra de Pablo Picasso, o pintor voltou a ser alvo de ativistas feministas e suas posturas de “cancelamento”. Em 2021, Picasso já havia sido mencionado pelo movimento #MeToo na França, que não tardou em recriminá-lo devido às suas relações com as mulheres.

Ativistas feministas o descreveram como um “minotauro” e um “gênio violento” que teria destruído a vida de suas companheiras.

Vale lembrar que, no final de 1971, galerias e livrarias que expuseram obras e retratos de Picasso em homenagem ao seu 90º aniversário foram atacadas pela extrema direita espanhola.

Devido às suas aspirações políticas e à obra Guernica, invenção artística de combate ao fascismo e que retrata o horror inerente à guerra, Picasso foi rechaçado constantemente pela ditadura franquista.

Nas redes sociais, onde os rótulos genéricos são frequentemente adotados, o artista Paul Gauguin também é alvo de acusações.

Com base na noção de “lugar de fala”, que visa, entre outras coisas, legitimar discursos de “cancelamento”, ativistas acusam Gauguin de promover o colonialismo e de objetificar e sexualizar os corpos das mulheres do Taiti presentes em suas obras.

Parecem ignorar, propositalmente ou não, toda a existência potente de Gauguin em vida, suas relações com outros artistas como Camille Pissaro e Vincent Van Gogh e, principalmente, com Flora Tristan, escritora, militante franco-peruana e sua avó. Ela foi uma das precursoras do movimento sindicalista e das perspectivas de liberdade das mulheres, cuja incidência sobre a existência de Gauguin foi significativa.

O escritor dândi e libertário Oscar Wilde, recusando quaisquer repreensões às invenções artísticas, afirmava que a obra de arte deve provocar inquietações no espectador.

Em sua obra A alma do homem sob o socialismo, livro no qual explicitou sua perspectiva anarquista, Wilde não hesitou em afirmar que “sempre que uma sociedade, ou governo de qualquer espécie, tenta impor ao artista o que ele deve fazer, a Arte desaparece por completo”. Para ele, uma obra de arte é “o resultado singular de um temperamento singular”.

Os anseios moralizadores dos humanitaristas contemporâneos ultrapassam, arbitrariamente, as linhas do tempo da História. Revisam e “corrigem” obras e criações que reproduzem noções, gestos e comportamentos atrelados a um momento determinado a partir das diretrizes politicamente corretas do momento.

Compreender cada momento significa, entre outras coisas, debruçar-se sobre as produções literárias, artísticas, embates históricos entre as forças sociais. Caso contrário, inviabiliza-se análises relativas aos costumes, às relações, crenças e práticas que preponderavam em momentos históricos anteriores.

A prepotência dos ativistas, pelo visto, adquire contornos a-históricos.

São condutas cujo odor remete ao stalinismo, ao fascismo e ao nacional-socialismo, que não tardaram em revisar, menosprezar e, censurar e destruir produções que não correspondiam à moral preponderante, seja a proletária ou a da “raça pura”. Não há moralismo que não asfixie o diferente, os “moralmente incorretos”. Não há cultura sem a troca. A identidade é mais do que uma estultice.

Fonte: hypomnemata 267, Boletim eletrônico mensal do Nu-Sol – Núcleo de Sociabilidade Libertária, do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP –  no. 267, maio de 2023 – www.nu-sol.org

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na rua deserta
brincadeira de roda
vento se sujando de terra

Alonso Alvarez

[República Tcheca] 10ª Feira do Livro Anarquista de Praga, 27 de maio

A 10ª Feira do Livro Anarquista de Praga acontecerá no sábado, dia 27 de maio, mais uma vez em Holešovice, no jardim do Cross Club (Plynární 1096) e também no espaço comunitário Zdena (Tusarova 41).

Como nas edições anteriores, editoras e distribuidoras de literatura anarquista tcheca e estrangeira comparecerão ao evento.

Reuniões com autores, autoras, editoras, diversas organizações, grupos e coletivos do movimento antiautoritário é uma parte importante do encontro.

A feira do livro é o lugar ideal para se encontrar, fazer amigos e amigas e iniciar alianças, colaborações e novos projetos.

>> Mais infos:

anarchistbookfaircz (A) riseup.net

anarchistbookfair.cz

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Hora do almoço.
Pela porta, com os raios de sol,
As sombras do outono.

Chora

O Brasil é um país conservador

Os mais de 500 anos de existência da região definida como Brasil, mantiveram os contornos conservadores de exploração e opressão.

De todas as possibilidades de desenvolvimento econômico, social e político. controle dos grupos dominantes, exploradores e opressores mantiveram uma constante, mesmo quando estiveram e estão em disputas internas pelo poder e controle dos destino de nossas riquezas, das quais pouca coisa fica para a população brasileira, que não tem suas necessidades básicas atendidas como educação e saúde.

Nesse ambiente conservador, os grupos políticos submetidos às regras institucionais, formam partidos políticos que em sua maioria não chegam a ser ou ter alguma base progressista. Sim, alguns em seu início tiveram alguma influência ou um esboço mais radical de inspiração do que seria uma esquerda, com alguma demanda popular, mas que não deixam de ser apenas estruturas populistas e demagógicas. Na medida que houve o crescimento e profissionalização desses partidos, perdem suas características populares e sociais, tornam-se organizações de legalização do Estado e de sua manutenção, com uma diferenciação muito pequena a ponto de poderem conviver nos ambientes parlamentares sem dificuldades.

As estruturas partidárias brasileiras giram de fato apenas no que podemos entender de direita girondina, uma vez que o conceito politico de direita e esquerda estão associados aos grupos políticos situados na assembleia francesa durante, durante sua revolução regicida.

Uma esquerda de vínculo mais profundo com as pessoas exploradas e oprimidas,  de luta direta para uma transformação mais radical e por isso, longe da esfera eleitoral partidária, se mantém ainda reprimida. Mesmo assim, em mais de uma vez, essas vozes discordantes foram às ruas e mostrou sua capacidade de contestação diante de uma sociedade refém dos grupos de poder opressores e exploradores.

Ainda nos resta revolta e radicalidade para não nos dobrarmos a essa submissão plena. Submissas, levantemos, só a luta nos torna dignas e livres!

anarkio.net

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voltando com amigos
o mesmo caminho
é mais curto

Alice Ruiz

[Itália] O matemático anarquista: a história de Renato Caccioppoli, neto de Bakunin

Poucas pessoas conhecem Renato Caccioppoli, exceto nas salas semiescuras da matemática. Ele foi um dos maiores matemáticos do século XX em nível internacional. Louco, com aquela loucura que só os matemáticos têm, tímido, melancólico, brilhante a ponto de ser considerado o Einstein italiano.

Mas Caccioppoli não era apenas um matemático talentoso, ele era neto do revolucionário russo Bakunin. Sua mãe era, na verdade, Giulia Sofija Bakunin, filha de Michail Bakunin. Sua mãe, Giulia, tornou-se a segunda italiana a se formar em matemática no final do século XIX, logo após sua irmã, Maria Bakunin, ter se formado em química; e ela foi a primeira mulher na Itália.

Como um filho da arte, Renato explorou a matemática pura. Em Nápoles, onde nasceu em 1904, recebeu o apelido de o’Genio. Seu campo era a análise matemática. Caccioppoli não gostava de arquivar e terminar o trabalho, mas preferia lidar constantemente com novos problemas e, com sua intuição genial, muitas vezes estava à frente de seu tempo, abrindo novos caminhos para o avanço da ciência. Seus trabalhos foram, portanto, de grande importância tanto pelos resultados alcançados quanto pela ampla contribuição de novas ideias e novas direções com as quais influenciaram profundamente a atividade científica de toda uma geração de analistas.

Para citar um de seus trabalhos, em 1932 ele provou um resultado muito importante (a analiticidade das soluções de equações elípticas com coeficientes de classe C^2) que conseguiu resolver o 19º problema de Hilbert. O problema também foi abordado e ampliado por John Nash (o matemático americano “louco” que ganhou as manchetes com o filme “Uma Mente Brilhante”, estrelado por Russell Crowe).

Libertário e refratário a qualquer restrição imposta, em 1938 ele fez um discurso contra Hitler e Mussolini, na ocasião da visita do ditador nazista a Nápoles; junto com sua companheira, Sara Mancuso, ele cantou a Marselhesa na versão anarquista em público, depois do que começou a falar contra o fascismo e o nazismo, infelizmente na presença de agentes infiltrados do OVRA (o serviço secreto fascista). E, por essa ação, ele foi preso em um asilo. Ele só foi liberado depois de alguns meses graças à sua tia Maria Bakunin, porque ela era considerada a maior química italiana.

Infelizmente, o asilo e a profunda depressão que se seguiu o levaram a um período de enorme desânimo. Renato Caccioppoli, o’Genio, deu um tiro na cabeça em 8 de maio de 1959, com apenas 55 anos. Assim morreu o neto de Bakunin, o grande matemático anarquista italiano esquecido nos livros de história.

Foi somente em 1992, graças ao filme do diretor Mario Martone “Morte di un matematico napoletano” (Morte de um matemático napolitano), que ele foi parcialmente reavaliado.

Fonte: https://frecceinversi.wordpress.com/2023/05/15/il-matematico-anarchico-storia-di-renato-caccioppoli-il-nipote-di-bakunin/

Tradução > Liberto

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Calor e chuva
Caminham pela janela
Lágrimas de outono

Yumi Kojima

[Grécia] 7ª Feira do Livro Anarquista de Patras, 25, 26 e 27 de maio de 2023

Os livros anarquistas são armas contra o totalitarismo moderno

A Feira do Livro Anarquista acontecerá em três dias, com debates, apresentações, exposições, atividades culturais… e, claro, com o fim de que se divulguem os livros e as edições do movimento anarquista. Todos os dias haverá uma exposição de cartazes políticos sobre vários momentos do movimento anarquista-antiautoritário, bem como distribuição de produções musicais do movimento.

O objetivo do festival é pôr em destaque a riqueza das ideias anarquistas, antiautoritárias e libertárias, a difusão das propostas anarquistas na sociedade e em particular entre os jovens da cidade, em uma época em que prevalece a propaganda estatal contra os que resistem de uma maneira auto-organizada e desde baixo, enquanto que o racismo, o canibalismo social e a fascistização parecem ser as únicas alternativas de uma sociedade em crise.

A feira do livro é organizada no Espaço Auto-Organizado Epi Ta Proso (c. Patreos, 87)

epitaprosw.espivblogs.net | anarchistbookfairpatras.wordpress.com

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gota na água
faz um furinho como
prego na tábua

Carlos Seabra

[Espanha] Homenagem em Madri a Melchor Rodríguez, “O Anjo Vermelho”

No último sábado, 20 de maio, no Sacramental de San Justo, o Movimento Libertário realizou um ato de homenagem a Melchor Rodríguez, o último prefeito da Segunda República Espanhola em Madri e um proeminente líder anarcossindicalista durante a Guerra Civil. O evento ocorreu no âmbito de uma conferência sobre sua figura, da qual a CGT participou juntamente com as organizações CNT e Solidaridad Obrera, a Fundação Salvador Seguí e a Fundação Anselmo Lorenzo, o Ateneu Libertário de Carabanchel-Latina e o Ateneu Libertário de Lavapiés. Uma demonstração de unidade que os presentes saudaram no contexto da Confluência Anarcossindicalista recentemente acordada pelas três forças anarcossindicalistas do estado espanhol.

Ao meio-dia, com um céu nublado que anunciava tempestades escuras que não cessavam, cerca de trinta pessoas das organizações organizadoras e alguns parentes se reuniram em frente ao túmulo do homem conhecido como o “Anjo Vermelho”, por sua defesa dos direitos dos prisioneiros após o levante militar contra o governo da República. O jornalista Alfonso Domingo, autor de um livro e de um documentário sobre a figura de Melchor Rodríguez, foi o primeiro a falar. Domingo lembrou que dentro do nicho está o cadáver envolto na bandeira vermelha e preta da CNT, como testemunha de um enterro “comovente” que ocorreu em 1972 em condições inéditas durante o regime de Franco. Ele também destacou que, embora a homenagem fosse “talvez tardia”, ele esperava que fosse uma oportunidade para divulgar as ideias de Melchor e seu “compromisso com a vida dentro da loucura que foi a Guerra Civil”. O próximo orador foi Miguel Ángel Pradera, da Fundação Anselmo Lorenzo. Ele destacou como Rodríguez “fez mais do que o excepcional” nos anos em que viveu e pediu que sua carreira fosse reivindicada para “as gerações futuras”. Em um tom semelhante, falou Miguel Gómez, da Fundação Salvador Seguí, que escolheu um fragmento do poema Palabras para Julia, de Rafael Alberti, para iniciar sua declaração. Gómez associou a figura de Melchor Rodríguez à de Salvador Seguí, que agora está comemorando o centenário de seu assassinato em Barcelona, para imaginar o que as duas figuras históricas pensariam sobre o que o Movimento Libertário alcançou até agora: “Eles não ficariam muito felizes. Portanto, como há pessoas aqui das três organizações, vamos trabalhar nisso (na confluência) e tenho certeza de que eles concordariam conosco”, disse ele para encerrar sua vez de falar.

Em seguida, falaram os representantes do Ateneu Libertário de Carabanchel e do Ateneu Libertário de Lavapiés. O primeiro enfatizou a ideia de Melchor Rodríguez como representante e inspirador do “humanismo anarquista” e do “ideal de humanidade acima de qualquer divisão”. O segundo mencionou a “honra” de ter um vizinho em Lavapiés como o líder anarquista e lembrou como o bairro na época de Melchor Rodríguez era um “território muito animado, com muitas pessoas que pensavam em construir um mundo melhor”. Depois deles, foi a vez de Juan Javier Herrera, da CNT, falar, que destacou a “coerência com suas ideias” do homenageado. “Ele acreditava em um mundo diferente, acreditava em um mundo em que a organização da sociedade fosse entre pessoas livres, entre iguais, e isso tinha que ser demonstrado e ele o demonstrou com suas ações”, disse o representante da CNT, acrescentando que Rodríguez “sabia ficar do lado dos prisioneiros, mesmo que fossem fascistas”. Por fim, como os demais presentes, ele fez um apelo à unidade anarcossindicalista: “Devemos trabalhar para que o Movimento Libertário volte a ser o que foi na Espanha. Esse seria o melhor tributo que poderíamos prestar a Melchor Rodríguez”. O próximo a falar foi Crescencio Carretero, do sindicato Solidaridad Obrera. Para Carretero, há três elementos que devem ser fundamentais para a atual unidade de ação: “Remar juntos, remar na mesma direção e remar no mesmo compasso. Essa é a única maneira de o anarquismo irradiar para o resto da sociedade”, e ele terminou enfaticamente com o grito “Viva Melchor Rodriguez e viva a anarquia”. Dentro do mesmo bloco de organizações, Carmen Arnaiz, Secretária de Ação Social da CGT, destacou que “os ideais anarcossindicalistas receberam uma excelente representação nessa pessoa, que nos deu um exemplo de vida, de honestidade e de viver como se pensa”. E acrescentou: “esse é o caminho certo a seguir nesses tempos de individualismo, para divulgar as ideias anarquistas e a beleza do anarquismo”.

As palavras finais do evento foram para os representantes da família. O primeiro a falar nessa última seção foi Rubén Buren, bisneto de Melchor Rodríguez, que lembrou que em casa “falavam baixo” quando se referiam ao ex-prefeito libertário de Madri. Ele também lembrou a figura de sua avó Amapola, filha do líder anarquista, e o poder da palavra como motor de mudança, mesmo que para isso “seja preciso falar com o inimigo”, porque, como ele ressaltou, “falar de Melchor é falar de humanismo”. Como todas as pessoas que participaram do evento, Rubén Buren também elogiou a confluência anarcossindicalista, “nós anarquistas nos caracterizamos por pensar, por refletir” e acrescentou: “vamos todos nos unir com suas variáveis”. No final de seu discurso, ele leu uma parte do poema que sua avó Amapola costumava lhe contar e que reproduzimos no final do artigo. Finalmente, Rosa Bustos, sobrinha-neta de Melchor Rodríguez, falou no final. Ela encerrou a jornada relembrando o bom humor de seu tio-avô e como “ele colocava todos nós, crianças, em seu bolso”. Ela também se lembrou de uma dúvida que não entendia quando era criança: “Por que falar tão baixinho sobre ele?”, e então ressaltou que sempre se gabava de seu tio-avô anarquista. O tributo terminou uma hora e meia depois de ter começado, com todos os presentes cantando A las barricadas.

E se um pária da terra

pergunta: o que é o anarquismo?

o que o anarquismo tem?

você mesmo lhe explicará

como indica sua doutrina;

Anarquia significa:

Amor, poesia, igualdade,

Fraternidade, Sentimento, Liberdade

Cultura, Arte, Harmonia,

Razão, guia supremo;

Ciência, a verdade exaltada,

Vida, Nobreza, Bondade,

contentamento e alegria.

Tudo isso é ANARQUIA

e anarquia HUMANIDADE.

Melchor Rodríguez (Sevilha 1893, Madri 1972)

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/homenaje-en-madrid-a-melchor-rodriguez-el-angel-rojo-2/

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/23/espanha-lancamento-el-angel-rojo-melchor-rodriguez-el-anarquista-que-salvo-a-sus-enemigos-de-alfonso-domingo/

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É quase noite –
As cigarras cantam
Nas folhas escuras.

Paulo Franchetti

Abaixo o ajuste fiscal do governo Lula-Alckmin

O governo Lula-Alckmin(PT-PSB) através do seu ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), levou ao congresso a chamada proposta de “Novo Arcabouço fiscal” – NAF. Esse projeto na prática é um novo teto de gasto, e na realidade a própria existência dele já demarca um ajuste fiscal permanente que penaliza as trabalhadoras e trabalhadores, sobretudo a população trabalhadora negra, principalmente as mulheres.

O fato é que não há nenhuma necessidade econômica para construção desse novo teto de gasto a não ser pressão política dos capitalistas de origem nacional e internacional, principalmente os que detém os títulos da dívida públicas e os grupos financeiros que comandam a economia global. A proposta chegou ao congresso e já foi aprovado, a pedido do Governo Lula, a urgência do projeto. O relator da proposta no congresso é o deputado federal Cláudio Cajado (PP-BA), que foi aliado do governo Bolsonaro e apadrinhado de Artur Lira (PP-Alagoas). O relator já fez alterações na proposta original e conseguiu deixar pior.

A eleição de Lula-Alckmin teve como ponto principal salvar a República de 1988, e salvar essa república é favorecer a classe dominante que controla a política econômica desde então. Nesse sentido, o NAF é só um desenvolvimento fiscal da “Regra de ouro”, da “Lei de Responsabilidade Fiscal” (de 2000) e da Emenda Constitucional 95 (“tetos de gastos”), que congelou por vinte anos, em 2016, os gastos sociais.

Neste sentido, o NAF está totalmente associado ao consenso de economia neoliberal que é a base dos planos de estabilização econômica, como é o Plano Real. Esse consenso entende que: 1) as políticas de estabilização são feitas para ganhar a confiança do mercado na manutenção de tal regime; 2) a política fiscal deveria ser conduzida com o objetivo de gerar um superávit primário necessário para o equilíbrio das contas públicas; 3) ganhar a confiança do mercado acerca desse propósito; 4)  à política monetária deve ter o objetivo único de manutenção da estabilidade de preços, por meio de metas de inflação pré-determinadas por um banco central independente e  5) caberia ao Estado garantir uma ambiente de negócios para favorecer os capitalistas. Nesse sentido, os gastos estatais devem ser direcionados para a manutenção da ordem, da segurança pública e das fronteiras; o cumprimento das leis e contratos; a proteção à propriedade privada e aos direitos de propriedade.

A social-democracia e seu reformismo degenerado é incapaz de sequer fazer o mínimo, que é apresentar as trabalhadoras e trabalhadores brasileiros uma proposta econômica que diminua a desigualdade social e melhores as condições de vida do povo. Muito pelo contrário, as forças políticas socialdemocratas que sustentam o governo Lula estão amarradas ao pacto de conciliação de classe e temem de medo diante de qualquer possibilidade de alguma mobilização ou levante popular. São hoje defensores incontentáveis da ordem burguesa, dos patrões.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://lutafob.org/9778/

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por uma só fresta
entra toda a vida
que o sol empresta

Alice Ruiz

“Violência e Educação: Perspectivas Anarquistas”

Diante dos recentes e inúmeros ataques que professores, alunos e a comunidade escolar estão sofrendo: como enfrentar essa situação? Quais são as propostas anarquistas para a questão educacional?

Venha participar desse debate público na Biblioteca Municipal Alberto Sousa, em Santos (SP), no dia 03 de junho, sábado, às 15 horas, com a presença do companheiro Rodrigo Rosa, professor e membro da Biblioteca Terra Livre de São Paulo (SP).

  • Data: Sábado, 03 de Junho de 2023, às 15 horas
  • Local: Biblioteca Municipal Alberto Sousa
  • Endereço: Praça José Bonifácio, número 58, Centro – Santos (SP)

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dou de comer ao gato:
o ronrom
estridula sem cessar

Ross Clark

[Espanha] Vídeo | Em época de eleições…

Em época de eleições, não se deixe enganar por fumaça.

Desde a CGT, pedimos aos trabalhadores que não se deixem enganar por políticos profissionais, que se organizem em um sindicato solidário, honesto, participativo e autogestionado a margem de qualquer partido político, poder ou religião.

Organizem-se na CGT e deem-lhes fogo!

>> Clique aqui para ver o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=BhmoZU1X5LA

O sufrágio universal é a expressão mais ampla, enquanto mais refinado, charlatanismo político do Estado, é, sem dúvida, um instrumento perigoso, que exige que aqueles que usam a grande habilidade e competência, mas, ao mesmo tempo, se estas pessoas aprender a usá-lo, pode se tornar o caminho mais seguro para fazer as massas cooperar na construção de sua própria prisão.” Mikhail Bakunin

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/05/22/galicia-voce-quer-uma-mudanca-nao-vote-neles-jogue-os-fora/

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Lua cheia.
Me dá, me dá!
Chora a criança.

Issa

A Primeira Jornada de Pesquisa sobre Mulheres Anarquistas será realizada no México

• Organizada pela Rede de Pesquisadoras sobre Mulheres Anarquistas, em aliança com o Instituto Nacional de Antropologia e História, e Mora

• Decorrerá de 22 a 26 de maio no Instituto Mora e no Departamento de Estudos Históricos do INAH.

Neste século, a historiografia sobre a participação das mulheres no movimento anarquista vem crescendo, como uma onda cuja crista se ergue e traz à tona biografias submersas no esquecimento. Esse boom pode ser visto na Primeira Jornada no México de Pesquisa sobre Mulheres Anarquistas, que acontecerá em dois locais.

O encontro acadêmico é organizado pela Rede de Pesquisadoras sobre Mulheres Anarquistas, com o apoio do Ministério da Cultura federal, por meio do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH), e do Instituto de Pesquisas Dr. José María Luis Mora. Neste último, localizado na Plaza Valentín Gómez Farías nº 12, bairro San Juan Mixcoac, será realizado nos dias 22, 23 e 25 de maio de 2023, enquanto a Direção de Estudos Históricos do INAH (Allende 171, bairro Tlalpan Centro), nos dias 24 e 26.

A programação inclui 45 conferências, quatro delas magistrais, que acontecerão das 12h às 18h, e também serão transmitidas no canal da Coordenação Nacional de Antropologia no YouTube (youtube.com/@antropologiacnan), e no perfil do Facebook Institutomora (https://www.facebook.com/Institutomora/?locale=pt_BR).

Como expressou o vice-diretor de História Contemporânea do DEH, Alejandro de la Torre Hernández, “considerando que o anarquismo é um movimento e uma filosofia política que contempla a emancipação dos oprimidos de todos os seus jugos, um dos pontos-chave de sua agenda do século XIX tem sido a libertação das mulheres, a luta pela emancipação feminina. Isso dá muita força a essas investigações”.

“São quatro dias para três séculos”, comenta, já que as apresentações abordarão vários períodos desde o século 19 até o presente, regiões e problemas que cercam os anarquistas, fornecendo material valioso para reconstruir sua história e sua participação, muitas vezes silenciadas.

“Há uma galeria de ‘personagens’, algumas famosas como Luisa Michel, Emma Goldman, Margarita Ortega Valdés, Juana Belén Gutiérrez de Mendoza, Francisca J. Mendoza, até Flora Tristán, remontando à pré-história do socialismo latino-americano; mas outros precisam ir além do anonimato porque foram fundamentais na projeção e reprodução das lutas por meio de seu trabalho de propaganda”, sustenta o historiador.

Nesse sentido, destacou, no caso mexicano, a publicação de Gabriela González Phillips, Anarquistas mexicanas. Escritoras no alvorecer do século XX e a biografia de Ethel Duffy Turner (1885-1969). Uma existência no limite, movida pela Revolução, na qual Margarita Vásquez Montaño reconstrói uma trajetória complexa, repleta de contradições e lugares, ações e interações desde a esquerda, além da figura de seu marido, John Kenneth Turner, autor de México Bárbaro.

Ela também mencionou as contribuições à etno-história das mulheres anarquistas na Argentina, feitas por Laura Fernández Cordero, que abrirá o dia com a apresentação magistral Da história das mulheres aos estudos de gênero. Uma releitura crítica do anarquismo.

As outras conferências são: Posições políticas na trajetória de vida de Juana Belén Gutiérrez de MendozaA caneta como arma: um contraponto intelectual entre Blanca de Moncaleano e Luisa Capetillo e Mulheres anarquistas na Revolução Mexicana, das especialistas Ana Lau Jaiven, Jorell Meléndez e Ana Ribera Carbó, respectivamente.

Além disso, será apresentado o livro Revolucionárias, Rebeldes e Anarquistas: Mulheres no Partido Liberal Mexicano, coordenado por Luis F. Olvera Maldonado.

As conferências serão dadas em onze mesas temáticas que, a partir da ação das mulheres, “darão um panorama do anarquismo na América, indo dos Estados Unidos ao Caribe e, claro, ao México, onde contribuiu com táticas, discursos e a radicalização da Revolução. Da mesma forma, na América do Sul, especificamente no Río de la Plata, na Argentina, houve uma implantação muito forte do anarquismo nos movimentos operários, a partir do recrutamento de mão de obra migrante”, concluiu De la Torre Hernández.

Fonte: https://www.inah.gob.mx/boletines/se-llevara-a-cabo-la-primera-jornada-en-mexico-de-investigacion-sobre-mujeres-anarquistas

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se andava no jardim
que cheiro de jasmim
tão branca do luar

Camilo Pessanha

[EUA] Mais uma edição da Feira do Livro Anarquista da Carolina

Another Carolina Anarchist Bookfair (ACAB) está de volta do hiato do COVID e será realizada em Asheville, NC, de 11 a 13 de agosto. Este ano estaremos trabalhando mais uma vez com nossos camaradas do Pansy Collective, que complementarão os dias de workshops e mesas com noites de música e festas queer. É um ano especial também, já que ajudaremos nossa livraria anarquista local de propriedade coletiva a inaugurar seu novo local como um centro para a feira de livros.

Sejamos honestos, desde a última vez que ocupamos um espaço juntos, as coisas pioraram. Uma pandemia em curso matou milhões e revelou o abandono organizado que o Estado e o Capital reservam para a maioria de nós. Embora tenhamos visto a maior revolta nos Estados Unidos, que trouxe novas táticas e novas pessoas para o nosso movimento, além de promover as ideias da abolição para novos ouvidos, também vimos um esforço conjunto para consolidar o policiamento e continuar a canalizar todo o financiamento público para o braço armado do Estado. Depois de uma campanha de cinquenta anos pela direita, Roe v. Wade (uma decisão histórica da Suprema Corte dos Estados Unidos, na qual o Tribunal decidiu que a Constituição dos Estados Unidos protege a liberdade de uma mulher grávida de escolher fazer um aborto) foi finalmente anulada, lembrando-nos que qualquer direito que pensamos ter sob o Estado pode ser retirado por um capricho. Essa situação faz parte de uma varredura mais ampla de ataques da supremacia branca/cristofascista às comunidades, para forçar o nascimento (e impedir “a grande substituição”), apagar a história da escravidão e do racismo da educação e erradicar as pessoas trans, começando com crianças. Milícias armadas protestam em shows de drags, livros são proibidos, tudo se inclina cada vez mais para o fascismo aberto, sem álibis. Enquanto isso, enfrentamos um colapso iminente através da destruição ambiental do capitalismo, com o ponto de não retorno de mudanças chocantes se aproximando cada vez mais. Isso é apenas um pouco do que enfrentamos.

Um sinalizador no movimento, Stop Cop City/Defend the Atlanta Forest, colocou muitas dessas frentes em foco como lutas correlatas, tornando-se uma das expressões mais ousadas de nossa força na resistência, criando espaços onde podemos nos encontrar, viver e enfrentar os poderes que querem nos destruir. Inspirou apoio em todo o mundo, com pessoas agindo em solidariedade, seja perto ou longe. Mas também, em sua força, trouxe a mão violenta do Estado. Estamos em um momento crucial, com um camarada assassinado e dezenas de pessoas enfrentando acusações intensificadas para tentar diluir nosso momento e nos impedir de revidar. Esta será uma longa luta que exigirá nossas energias e emoções, e exigirá novas formas de solidariedade para mostrar às pessoas que enfrentam essas acusações que as apoiamos, que não seremos silenciadas.

Ao longo desses três anos, amamos e lutamos juntos, nos unimos e nos separamos; nossas vidas mudaram completamente com tanta dor e tristeza, junto com os momentos brilhantes de alegria que marcam nossa rebelião, das ruas às nossas mesas de jantar. Grupos e ações vêm e vão, novos relacionamentos florescem, antigos desaparecem e nos fortalecemos ao ver o que nos ajuda em nossa luta e o que não nos serve mais. A Feira do Livro Anarquista convida você a participar de um espaço para compartilhar sentimentos, raiva e tristeza, alegria e cuidado, e tudo o que aprendemos neste momento crucial de luta. Queremos pensar juntos, compartilhar táticas e ideias, fazer conexões para ações mais ousadas e encontrar o amor entre os camaradas. Serão dois dias de mesas, três noites de workshops e palestrantes e duas noites de festas. Tantos lugares para se conectar, para escolher o que mais lhe agrada e para se encontrarem do outro lado da sala. As feiras do livro são um espaço ritual anarquista, um encontro intencional para aprender com os nossos antepassados e anciãos e jovens, celebrar com camaradas espalhados por todo o mundo e praticar novas formas de devoção no nosso esforço diário para construir mundos melhores aqui e agora. Junte-se a nós! Convidamos você para nos ajudar a tornar este espaço algo que nunca esqueceremos!

As inscrições estão abertas para fornecedores e apresentadores e permanecerão abertas até 15 de junho. Convidamos editoras radicais, pequenas distros, zinemakers e artistas a se inscreverem. Acolhemos propostas de oficinas, painéis, palestras e capacitações rumo a um horizonte libertador. Para se inscrever, visite nosso site ACABookfair.noblogs.org. Para entrar em contato conosco, envie um e-mail para ACABookfair@riseup.net e promova este evento seguindo nossas mídias sociais ou imprimindo nossos panfletos e distribuindo-os em sua comunidade.

Workshop/Palestrante: https://cryptpad.fr/form/#/2/form/view/z78BZJZAgnNcLWaMzg-UcuS4XGWwhN0PhSwj7IHTykA/

Fornecedores: https://cryptpad.fr/form/#/2/form/view/Rz1Mx9OKur2kq2yi-pRiJ9i70gDo8tYjB5fZTArsMM8/

Instagram: @ACABookfair

Soli,

Coletivo ACAB

https://acabookfair.noblogs.org/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

Aqui e ali,
Sobre os campos florescem
As quaresmeiras.

Paulo Franchetti

[Espanha] Nem feira de armas nem criminalização de protestos

De 17 a 19 de maio de 2023, a Feira Internacional de Defesa e Segurança da Espanha FEINDEF 2023 foi realizada em Madri. Trata-se de uma feira bianual realizada pela terceira vez na capital espanhola.

Uma feira de armas com 40.000 m2 de espaço de exposição onde mais de 450 expositores puderam vender suas inovações para mais de 100 delegações estrangeiras, assinando contratos milionários para fazer negócios com destruição e morte, com o controle de fronteiras e populações. E, mais uma vez, o movimento antimilitarista convocou diferentes mobilizações durante esses dias em protesto contra a celebração da nova edição da FEINDEF, organizada pela Desarma Madrid.

Por esse motivo, no dia 18 de maio, aproximadamente às 11h, um grupo de ativistas realizou uma ação de protesto pacífica e não violenta nos portões do recinto de feiras IFEMA em Madri, onde estava sendo realizada a Feira de Armas FEINDEF 2023. Cerca de vinte pessoas, com idades entre 20 e 70 anos, tentaram exibir painéis de madeira onde se lia “STOP Arms Sales” (Pare a venda de armas) com logotipos antimilitaristas. A entrada da IFEMA foi isolada por uma forte presença policial, composta por três vans com policiais fortemente armados.

A ação policial resultante foi absolutamente desproporcional, atacando duramente desde o primeiro momento as pessoas que estavam reunidas no local. Isso impediu que os painéis de madeira fossem exibidos. Mas foi possível exibir uma faixa com o slogan “A guerra começa aqui, pare-a aqui”. A ação policial causou ferimentos de diferentes graus em várias pessoas. Uma delas sofreu um corte grave em um dedo e teve de ser levada ao pronto-socorro do Hospital de La Paz, em Madri. Ela está se recuperando favoravelmente do ferimento.

O protesto durou pouco menos de uma hora, durante a qual foram entoadas palavras de ordem como “Não à guerra”, “A guerra começa aqui, vamos pará-la aqui” e “Senhores da guerra não são bem-vindos”. Em seguida, 18 pessoas foram levadas para a delegacia de polícia de Hortaleza. Após as buscas e identificações correspondentes, elas foram liberadas. O relatório recebido indicou que 16 delas haviam sido levadas à delegacia para uma proposta de sanção e 4 delas para a prevenção do cometimento de um crime.

Enquanto o protesto ocorria nos portões do IFEMA, o embaixador dos EUA e o ministro do Interior, Fernando Grande Marlaska, estavam dentro da Feira de Armas. Presumivelmente, essa ação não foi do agrado deles, o que explicaria em grande parte a ação desproporcional da polícia.

Entre os companheiros reprimidos estavam ativistas e militantes da Assembleia Antimilitarista de Madri, MOC Bilbao, Alternativa Antimilitarista MOC Canarias, Mujeres de Negro Madrid, Yayoflautas Madrid, Ecologistas en Acción Madrid, Desarma Madrid, CSO La Enredadera, CNT Comarcal Sur e CGT Zona Sur. Um dos detidos foi o Secretário de Ação Social da CGT do MCLMEX.

Da parte da CGT, queremos transmitir nosso total apoio e solidariedade a todos os companheiros antimilitaristas reprimidos na ação de protesto contra a Feira de Armas FEINDEF23 e transmitir nosso desejo de rápida recuperação ao companheiro ferido pela ação policial. Gostaríamos também de nos unir a todas as ações que o Movimento Antimilitarista convoca em resposta a essa agressão desproporcional contra o direito de protesto.

Em um contexto internacional de guerra, crise econômica e aumento dos orçamentos militares em toda a Europa e no Estado espanhol em particular, ações como as do dia 18 de maio em frente à aberrante Feira de Armas da FEINDEF são uma importante demonstração de compromisso com a paz, contra todas as guerras, contra todos os blocos, contra o negócio da morte.

Fora senhores da guerra!

A guerra começa aqui, vamos pará-la aqui!

Sua repressão não nos intimida, a história é escrita com desobediência!

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/ni-feria-de-armas-ni-criminalizacion-de-la-protesta/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Janela fechada:
borboleta na vidraça
dá cor ao meu dia.

Anibal Beça

[Nova Zelândia] Feira de livros anarquistas – três anos em construção

Uma feira de livros anarquista foi revivida na semana passada em Tāmaki Makaurau, após uma pausa de 50 anos.

A Tamaki Anarchist Bookfair foi originalmente agendada para março de 2020, mas enfrentou uma série de atrasos graves.

Um organizador, Mikesh Patel, diz que embora o escopo do evento tenha mudado, ainda há muito entusiasmo para isso.

Patel diz que espera que o evento crie um espaço acessível para as pessoas aprenderem sobre ideias novas e forneça uma oportunidade de conexão com aqueles que já estão envolvidos em movimentos políticos semelhantes.

O evento foi aberto na noite de sexta-feira com palestras do ativista e profissional de saúde Te Ao Pritchard, ao lado do parlamentar do Partido Verde Teanau Tuiono. Essas conversas enfocaram a interseção de Tino Rangatiratanga e movimentos sócio-políticos mais amplos, como o anarquismo.

Apesar de ser deputado, Tuiono afirmou a necessidade de os movimentos políticos se manterem independentes dos partidos políticos.

O evento principal aconteceu no sábado, com 17 barracas oferecendo de livros a utensílios domésticos gratuitos. Participantes vieram de várias partes da Nova Zelândia para Auckland, e alguns vieram da Austrália.

Os organizadores da feira de livros também realizaram 13 oficinas e discussões ao longo do dia, abordando temas que vão desde a crise imobiliária até o tricô.

Membro do Tāmaki Renters Union, Bernard Marsh, diz que o evento foi importante por fornecer um espaço prático para conexões práticas, mas também emocional para se conectar com pessoas que enfrentam problemas semelhantes.

“No contexto da moderna Aotearoa, esses dois pontos são especialmente verdadeiros porque a ‘esquerda’ é bastante fragmentada, então todas as chances que temos de nos unir são importantes.”

Marsh diz que o número de membros do Tāmaki Renters Union quase dobrou depois que eles compareceram ao evento de sábado.

Fonte: https://tewahanui.nz/culture/anarchist-bookfair-three-years-in-the-making

Tradução > Contrafatual

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Chuva no lago
cada gota
um lago novo

Alice Ruiz

[França] Festival de Cinema de Cannes: ação contra as mordomias dos ricos

AÇÕES EM PLENO FESTIVAL DE CINEMA DE CANNES, APESAR DE SER UMA CIDADE BUNKERIZADA E DE TODAS AS MANIFESTAÇÕES PROIBIDAS.

>> 20 de maio: ação contra iates. No porto de Cannes, dezenas de iates de luxo estão atracados. Alguns de seus proprietários vêm ao festival de cinema. Uma grande faixa foi desfraldada em frente a este estacionamento para barcos de luxo: “Não deixe que os ultra-ricos destruam o planeta”. Um ativista ambiental foi levado à delegacia por mais de duas horas por participar da ação.

Entre os iates, um tem 78 m de comprimento e consome 800 litros de diesel por hora de navegação. 41 iates de luxo foram vistos no porto. Consumo estimado em 32.000 litros de diesel por hora. Durante 1 hora de navegação, um iate produz a quantidade de gases de efeito estufa correspondente ao que cada habitante do planeta deveria emitir em um ano para permanecer em um planeta habitável.

>> 19 de maio: em frente ao luxuoso hotel Le Carlton, onde ficam as estrelas e patrões do cinema, foi colocada uma faixa contra a reforma da previdência. Além da questão das pensões, a CGT denuncia “as condições de trabalho de uma centena de funcionários do Carlton, num total de 600, privados de luz natural no subsolo”. O estabelecimento está classificado com cinco estrelas e uma única noite neste hotel custa vários milhares de euros.

>> Domingo, 21 de maio, ocorreu uma manifestação de vários sindicatos fora do perímetro proibido.

Fonte: https://contre-attaque.net/2023/05/21/festival-de-cannes-action-contre-les-nuisances-des-riches/

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lâmpada queimada
onde está a luz
que ali brilhava

Alexandre Brito

[Espanha] Burgos | Café-tertúlia: na democracia, você não decide

A Biblioteca Anarquista La Maldita estará realizando na quinta-feira, 25 de maio, a partir das 19 horas, um café-tertúlia sob o título Na democracia, você não decide, que tem como objetivo levantar um debate coletivo sobre a abstenção eleitoral e outras questões.

Votar significa formar traidores, fomentar o pior tipo de deslealdade. Certamente os eleitores acreditam na honestidade dos candidatos e isto perdura enquanto durar o fervor e a paixão pela disputa. Todo dia tem seu amanhã. Da mesma forma que as condições se modificam, o homem também se modifica. Hoje seu candidato se curva à sua presença; amanhã ele o esnoba. Aquele que vivia pedindo votos transforma-se em seu senhor. Como pode um trabalhador, que você colocou na classe dirigente, ser o mesmo que era antes já que agora ele fala de igual para igual com os opressores? Repare na subserviência tão evidente em cada um deles depois que visitam um importante industrial, ou mesmo o Rei em sua ante-sala na corte! A atmosfera do governo não é de harmonia, mas de corrupção. Se um de nós for enviado para um lugar tão sujo, não será surpreendente regressarmos em condições deploráveis.” Élisée Reclus (1830-1905)

NOTA: Em 28 de maio acontecem eleições regionais e municipais na Espanha.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/05/22/galicia-voce-quer-uma-mudanca-nao-vote-neles-jogue-os-fora/

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Quietude –
O barulho do pássaro
Pisando as folhas secas.

Ryushi

[Grécia] Atenas: reivindicação de responsabilidade por ataque explosivo a uma concessionária Volkswagen

A futura distopia de uma vida totalmente controlada por cidades inteligentes, 5G, onde sua geladeira se comunica com seu smartphone ou com uma luminária, e os supermercados oferecem tudo o que você quer nas (anti)redes sociais já está aqui. Tudo está cada vez mais conectado e tudo sendo monitorado. É um futuro onde as pessoas serão controladas pela inteligência artificial do grande capital – big data e aprendizado de máquina. Qualquer informação coletada pelo capital é compartilhada com o Estado. Tecnologia significa repressão, chantagem e controle social total.

Ao mesmo tempo, a guerra ecológica por recursos plutocráticos chamados de energia verde nada mais é do que uma nova forma de escravidão em outros continentes, permitindo que o capitalismo ocidental seja o mais independente possível dos países russos produtores de gás ou petróleo. Tudo isso é outra nova grande etapa do capitalismo – o capitalismo verde. É a exploração da crise climática e da extinção biológica pelo capital e pelo Estado.

Quando o governo da Nova Democracia chegou ao poder, iniciou uma atualização sem precedentes do aparato repressivo em quantidade e em equipamentos técnicos. A polícia é usada como solução para todos os “problemas”: a pandemia, as universidades, as manifestações e protestos de todo tipo, a gentrificação de Atenas. A polícia é o remédio número um para tudo.

Tudo isso está condensado no memorando de entendimento entre o governo da Nova Democracia e a Volkswagen com o objetivo de transformar Astypalaia na primeira ilha inteligente, um laboratório que leva os habitantes a se tornarem cobaias do futuro distópico. O contrato teve início em setembro de 2021, e visa a substituição gradual dos veículos convencionais da ilha por veículos elétricos. O projeto está sendo retratado pela grande mídia como um salto tecnológico que beneficiará o meio ambiente e os moradores. Na realidade, é claro, o memorando de entendimento nada mais é do que outra forma de aumentar a lucratividade e a repressão à custa do meio ambiente natural e dos habitantes. A VW poderá testar veículos autônomos na ilha fora da estrita legislação da UE, ganhando vantagem contra a concorrência. Ao mesmo tempo, fala-se em instalar centenas de turbinas eólicas na ilha, transformando-a em um centro de geração de eletricidade e destruindo completamente o meio ambiente natural. Por fim, um dos primeiros movimentos do projeto foi a doação de veículos elétricos da VW para os batalhões de assalto assassinos da polícia e da guarda costeira.

A cooperação entre o sanguinário governo da Nova Democracia e a VW não é inédita. A VW tem uma longa história de apoio a regimes fascistas e opressores. Da Alemanha nazista na década de 1930, às ditaduras militares no Brasil e na Argentina, até a Espanha de Franco, a VW sempre esteve e continua na vanguarda do lucro do capital em cima da dura opressão.

Por tudo isso, na madrugada do dia 10 de maio, visitamos a concessionária VW na Avenida Alexandras. A nossa intervenção resultou na destruição de vários veículos elétricos novos e na destruição da fachada do concessionário, sem pôr em perigo transeuntes ou residentes da zona. Consideramos parte integrante da anarquia reconhecer aqueles que lucram com a opressão, a miséria e a exploração e é nosso dever retribuir a violência que eles causam.

Dedicamos nossa ação aos presos da guerra social, Fotis, Iasona, Panos e Lambros, que estão sendo processados pelo ataque à polícia de trânsito do Pireu.

Solidariedade com nossos camaradas feridos Boris e Serge da militância de defesa ecológica nos territórios do Estado francês.

Solidariedade a Mónica Caballero e Francisco Solar cujo julgamento começa em poucos dias.

Por um Maio Negro, em memória do camarada Mauricio Morales, que caiu em batalha há 14 anos.

anarquistas

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1625173/

Tradução > Contrafatual

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Tens frio nos meus braços
Queres que eu aqueça
O vento

Jeanne Painchaud