Ante os ataques nazifascistas

Terras Capixabas – 27/11/2022.

Nós da Federação Anarquista Capixaba (FACA) vimos, através desta, prestar toda nossa solidariedade às famílias de trabalhadoras da educação e estudantes vítimas da covardia cometida pelo filhote de nazista que puxou o gatilho contra diversos inocentes. Nossa solidariedade e sentimentos às três professoras e uma estudante de 12 anos que, até o momento, foram vítimas fatais do ataque a duas escolas na cidade de Aracruz (ES), na sexta-feira (25).

As professoras Maria da Penha de Melo Banhos, 48 anos, Cybelle Passos Bezerra Lara, 45, morreram na EEEFM (Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio) Primo Bitti, onde davam aula, assim como a estudante Thais Sagrillo Zucoloto, assassinada na escola particular Centro Educacional Praia de Coqueiral. Além delas no solidarizamos com a trabalhadora Flávia Amboss Merçon Leonardo, 38, que, enquanto escrevíamos esta, estava internada em estado grave, mas que infelizmente não resistiu, além das várias outras vítimas que seguem hospitalizadas lutando por suas vidas.

Há mais de 30 anos que nós, Anarquistas Punk Capixabas, vimos denunciando e combatendo a presença de grupos fascistas aqui no Espírito Santo, com táticas de Ação Direta. Particularmente, em 1992 na cidade de Cariacica, tais grupos realizaram um encontro estadual, ocasião em que nós interferimos e fizemos o enfrentamento físico referidos fascistas. Também fomos vitimados por organizações fascistas, quando um dos nossos acabou com uma perna quebrada e recheada de platina. Até hoje o estado capixaba segue infestado por tais células fascistoides. Alguns dos nazifascistas já foram detectados em instituições bancárias e na expropriação cultural do movimento underground, com a presença de grupos musicais conectados em linha direta com nazismo do velho continente.

Ataques a vários grupos minoritários são uma constante aqui no ES, onde agem via gangues de ideologia nazista, a exemplo de muitos moto-clubes, onde se encontram em maiores números, com ramificações interestaduais e até internacional, além da presença fascista dentro do próprio Estado dito de direito, onde se aninham muitos dos sádicos da ditadura ainda vivos em atividade e chocando seus ovos cheios de ódio racista.

Seguimos na luta, combatendo o neofascismo e neonazismo, sempre na linha frente, por uma sociedade livre das amarras do sistema, onde todas e todos podem viver de forma libertária.

FEDERAÇÃO ANARQUISTA CAPIXABA – FACA

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Uma borboleta
Beija uma flor murcha
Sobre a lousa fria

Edson Kenji Iura

[Espanha] Mais sobre o corrupto mundo futebolístico

Deixarei claro, sem qualquer desejo de arranjar desculpas, que tenho pouco ou nenhum interesse pelo esporte do futebol. No entanto, algo que mantém inúmeros espectadores enfeitiçados torna necessário, se quisermos começar a cancelar toda a atividade alienígena, cavar um pouco em tudo isso. Especialmente quando a Copa do Mundo no Catar está na boca de todos, por várias razões. Só assisti a uma partida de futebol em uma ocasião e a série de barbaridades que ouvi lá ainda hoje me choca (não, não são meros apertos, é oposição à barbárie). Em primeiro lugar, e nenhum torcedor sensato pode negá-lo, o futebol transpira machismo dos quatro lados e há aqueles que apontam para ele como um modelo repulsivo de masculinidade prevalecente. Tanto é assim que futebolistas e árbitros que declararam uma orientação sexual diferente podem ser contados com os dedos de uma mão. E haverá aqueles que dizem, como um terreno fértil para a atitude mais repulsivamente hipócrita, que ninguém tem que reconhecer publicamente sua condição sexual; não, meu amigo, não se trata de reconhecer, trata-se de ser e agir normalmente, algo que não ocorre de forma alguma no universo do futebol. Parece que no esporte feminino há um pouco mais de visibilidade; as mulheres, como é frequentemente o caso, estão um pouco mais avançadas também nesta área. Voltemos agora à nauseante Copa do Mundo no Catar, um país onde o regime proíbe a sexualidade e a pune com vários anos de prisão.

Os poderosos xeques árabes, comprando vontades à esquerda e à direita em um mundo político e econômico absolutamente corrupto, entenderam que, se eles querem dominar o mundo, uma parte importante disto é controlar esta atividade alienante para as massas que é o futebol. A FIFA inclui em seus estatutos a defesa dos direitos humanos, bem como a luta contra a discriminação; a realidade é que é outra organização corrupta, que tem sua sede na Suíça para lavar dinheiro, que historicamente tem oferecido a organização da Copa do Mundo a regimes repulsivos e que se vende a si mesma ao maior licitante. O atual chefe desta federação, numa demonstração de hipocrisia sem igual, jogou nas mãos do regime do Catar ao sancionar os jogadores que usavam braçadeiras anti-homofobia com cartões amarelos. Recentemente, ao mostrar as evidências do que é todo o processo da Copa do Mundo do Catar, alguém me perguntou se eu participaria se eu fosse um treinador ou um jogador; uma pergunta que seria apropriada para responder se alguém tivesse uma vida diametralmente oposta, o que eu não desejo de forma alguma fazer. A verdade é que os gestos de protesto têm sido poucos e distantes, especialmente na gloriosa equipe espanhola; não surpreende nada, já que a grande maioria dos jogadores de alto nível são mercenários sem o mínimo de ética. Só isto explica porque tantos esportistas que se tornaram ídolos populares, depois de ganharem milhões, terminam suas carreiras em um destes regimes repugnantes para ganhar ainda mais dinheiro.

Aprendi também que alguns torcedores espanhóis da competição, bons para as pessoas decentes que gostam de futebol, tentaram exibir uma faixa boicotando a Copa do Mundo; a resposta da federação de futebol deste país inefável foi proibi-la com o argumento de que “manchou o futebol”, e a polícia logo a removeu. Aparentemente, os milhares de trabalhadores mortos na construção da infraestrutura do Catar não são uma mancha no jogo, eles simplesmente precisam ser jogados no chão. No próprio evento, as tentativas de protesto foram censuradas e banners foram banidos dos estádios. Meses atrás, o tal governo mais progressista da história deste país indescritível não hesitou em receber o emir do Catar com plenas honras. É claro que os negócios são reais e o capital do Catar é investido em grandes empresas nacionais e em setores como energia e companhias aéreas. O que podemos dizer sobre a Casa Real, que promove todos os tipos de relações lucrativas dos xeques árabes no Reino da Espanha, enquanto a televisão pública investe milhões para manter as massas coladas à idiota TV. A brancura da mídia, por outro lado, revolve as entranhas de qualquer pessoa com um mínimo de consciência. O mundo capitalista em que vivemos conspira com todos os tipos de regimes opressivos e pseudo-democráticos. Continuaremos a travar uma guerra!

Juan Cáspar

Fonte: http://acracia.org/mas-sobre-el-corrupto-mundo-balompedico/

Tradução > Liberto

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Seus cachos de seda
são borboletas douradas
brincando na brisa.

Humberto del Maestro

[Itália] Bolonha: 01/12 | Concentração no Tribunal de Vigilância em Solidariedade com Alfredo e Todos os Presos Revolucionários

Em 1º de dezembro se celebrará no Tribunal de Vigilância de Roma a vista sobre o recurso contra a aplicação do regime do 41 bis ao companheiro anarquista Alfredo Cospito. Sete meses desde seu translado a Bancali na província de Sassari. Quarenta e dois dias desde o início de sua greve de fome até o amargo final contra o 41 bis e a hostil cadeia perpétua.

Cada dia, nestas salas, homens respeitosos da lei decidem sobre a liberdade de outros, sobre a vida e a morte de milhares de pessoas que, por escolha ou por necessidade, escaparam às leis de um Estado que diariamente explora, mata de fome, envenena.

Em solidariedade com todos os que viveram e seguem vivendo a farsa deste estado democrático.

Em solidariedade com Alfredo e todos os presos revolucionários

Junto a Anna, Juan e Iván que se somaram à greve de fome

ALFREDO LIVRE! LIBERDADE A TODOS! O 41 BIS É UMA TORTURA!

QUINTA-FEIRA 1º DE DEZEMBRO, NO TRIBUNAL DE VIGILÂNCIA, 10 horas na Via Farini 1, Bolonha

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É ou não é
o sonho que esqueci antes
da estrela d’alva?

Jorge Luis Borges

[EUA] O Bilionário e os Anarquistas | Das raízes do Twitter como uma ferramenta de protesto até a sua compra por Elon Musk

Elon Musk se apossou do Twitter, alegando que o tornará “uma praça digital pública”. Que tipo de praça da cidade pertence a um único plutocrata? A praça em uma cidade corporativa— ou em uma monarquia. O que isso significará para as pessoas comuns que dependem de plataformas como o Twitter para se comunicar e se organizar na era digital?

Resolvendo tensões dentro da classe dominante

Os conflitos que ocorreram dentro da classe capitalista durante a presidência de Trump efetivamente colocaram uma coalizão de nacionalistas e capitalistas “old-money” (ligados a negócios tradicionais e lucrativos ao longo de gerações, como o lobby do petróleo) contra os partidários dos negócios neoliberais, representados pela grande maioria do Vale do Silício. Se não fossem esses conflitos intraclasses, o esforço de Trump para consolidar o controle do governo dos EUA por seu tipo particular de autoritarismo nacionalista já poderia ter sido bem-sucedido. Movimentos de base lideraram a resistência às políticas de Trump e ao apoio nas ruas, mas o Vale do Silício também tomou um lado, culminando com o Twitter expulsando Trump de sua plataforma após a tentativa de golpe fracassada no de 6 de janeiro de 2020. Isso ressaltou o que já estava claro desde o verão daquele ano: Trump não havia construído apoio suficiente entre a classe capitalista para manter seu controle do poder.

E se Trump tivesse conseguido encontrar uma causa comum com o grossa da massa de bilionários do Vale do Silício? As coisas teriam sido diferentes? Essa é uma questão importante, porque o conflito trilateral entre nacionalistas, neoliberais e movimentos sociais participativos não acabou.

Para colocar isso em termos dialéticos vulgares:

Tese: O esforço de Trump para consolidar um nacionalismo autoritário

Antítese: oposição de magnatas neoliberais no Vale do Silício

Síntese: Elon Musk compra o Twitter

Dito isso, a aquisição do Twitter por Musk não é apenas o capricho de um plutocrata individual – é também um passo para resolver algumas das contradições dentro da classe capitalista, para melhor estabelecer uma frente unificada contra os trabalhadores e todos os grupos violentados na base do sistema capitalista. Quaisquer que sejam as mudanças introduzidas por Musk, elas certamente refletirão seus interesses de classe como o homem mais rico do mundo.

De todos os gigantes da mídia social – e apesar da presença notória de Trump na plataforma – os administradores do Twitter foram sem dúvida menos acomodados à agenda de Trump do que os do Facebook ou Youtube. Enquanto Mark Zuckerberg se encontrou repetidamente com Trump e seus apoiadores de extrema-direita como Tucker Carlson, e Facebook e Instagram concederam demandas de extrema-direita para banir anarquistas e antifascistas de suas plataformas, o Twitter baniu fascistas pelo menos tão prontamente quanto baniu anarquistas e outros ativistas. Na época, especulamos que isso poderia ser porque o Twitter ainda estava efetivamente sob a gestão dos fundadores originais.

Aqui, rastrearemos o Twitter desde suas origens como ferramenta de protesto para ativistas até a aquisição de Musk, esboçando uma história da tomada capitalista da internet no microcosmo.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://pt.crimethinc.com/2022/11/26/the-billionaire-and-the-anarchists-tracing-twitter-from-its-roots-as-a-protest-tool-to-elon-musks-acquisition-1

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No embalo do vento
palmeiras se abraçam:
dois amantes?

Anibal Beça

“Natal – sem deuses, nem mestres”

O próximo encontro do Grupo de Estudos de Anarquismos, Feminismos e Masculinidades, do Centro de Cultura Social (CCS), será presencial, dia 03 de dezembro, sábado, das 16h às 18h.

Textos para a conversa:

1) Um guia anarquista para o Natal, de Ruth Kinna:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/12/19/reino-unido-um-guia-anarquista-para-o-natal-4/

2) Peter Kropotkin: bem-estar para todos e todas (p. 24), de Ruth Kinna:

 http://ccssp.com.br/arquivos/boletins/revista_ccs_2021_01.pdf

Como participar?

Os encontros do grupo são gratuitos e abertos para todas as pessoas interessadas. Em razão da vigência da epidemia de Covid-19, sugerimos que mantenha a máscara, traga sua garrafinha de água, e respeite o distanciamento e as orientações sanitárias de praxe. Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapitalismo e não partidarismo, não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade. Sugerimos a leitura dos textos para embasar nossas trocas. Teremos intérprete de Libras.

Histórico

O Grupo de Estudos sobre Anarquismos, Feminismos e Masculinidades é uma iniciativa do Centro de Cultura Social de São Paulo.

O Centro de Cultura Social de São Paulo foi fundado em 14 de janeiro de 1933 como remanescente das entidades culturais criadas pelo movimento anarco-sindicalista e libertário nas primeiras décadas do século XX e tem por finalidade estimular, apoiar e promover nos meios populares, o estudo dos problemas sociais, bem como pretende desenvolver o espírito de solidariedade, se opondo a todas as formas de opressão e de exploração que prejudicam as liberdades individuais e coletivas.

Objetivos

O Grupo tem o objetivo de estudar, refletir e debater textos sobre mulheres anarquistas ao longo da história e suas relações com a luta pela igualdade de gênero e libertação humana de toda forma de opressão.

A proposta do Grupo é dar visibilidade, principalmente, para as mulheres anarquistas, que foram esquecidas, tanto pela História oficial quanto pelos movimentos de esquerda. Dessa forma, pretendemos dar voz e vida a essas mulheres guerreiras, muito a frente de seu tempo, assim como a um movimento filosófico-político-econômico-social que sofreu dos dois lados da trincheira e sofreu um apagamento propositado para tentarem ocultar a ideia e a história revolucionária da humanidade.

Tanto a filosofia, quanto a prática do grupo estão orientadas pelos princípios do anarquismo, ou seja, autogestão, autonomia, cooperação, solidariedade, liberdade, igualdade, responsabilidade, anticapitalismo e não partidarismo.

Metodologia

Os encontros são abertos e contínuos. Então, pode participar de um ou de todos os encontros, mas não há obrigação, até porque não é um programa fechado, mas uma proposta flexível e em permanente construção cooperativa e autogestionária, que preza pela autonomia e participação das pessoas, incentivando, preservando e fortalecendo a liberdade e a igualdade.

As atividades do Grupo são divulgadas pela página do Instagram, Facebook e site do Centro de Cultura Social de São Paulo, bem como para as pessoas participantes, possuímos um grupo de Whatsapp para a divulgação de informações das atividades e outros assuntos relacionados.

Os textos são definidos pelas pessoas organizadoras, juntamente e/ou acolhendo sugestões de textos das demais pessoas participantes. Os textos selecionados estão sempre disponíveis online, os links são compartilhados via convite e divulgação nas redes sociais a fim de que seja efetiva a leitura, anotações e reflexões pessoais antes do próximo encontro.

Centro de Cultura Social

Rua General Jardim, 253, Sala 22 – Próximo ao metrô República — Vila Buarque – São Paulo – SP

E-mail CCS: ccssp@ccssp.com.br | E-mail do Grupo de Estudos: grupodeestudos_afm@ccssp.com.br | Site: www.ccssp.com.br | Facebook: www.facebook.com/centrodeculturasocialSP | Instagram: @centro_de_cultura_social

FB: https://www.facebook.com/events/1180278682616817/?ref=newsfeed

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Lâmpada vermelha
no umbral da taberna. O vento
diz que ela bebeu.

Alexei Bueno

 

[Grécia] Vídeo | Tessalônica: Marcha contra o despejo da okupação Mundo Nuevo

Mais de mil pessoas se manifestaram na noite desta segunda-feira (28/11) nas ruas centrais de Tessalônica em defesa da okupação Mundo Nuevo, que foi evacuada esta manhã pelas forças de repressão policial. Em geral, a presença policial foi muito intensa, com esquadrões do MAT (tropa de choque) cercando a marcha com um “cordão” desde o início.

Segundo as companheiras e os companheiros gregos: “O próximo período será muito crítico para o movimento de Tessalônica, que será chamado a dar sua própria resposta à repressão do Estado, paralelamente à luta contínua contra a pobreza, a miséria, o fascismo social e a violência sistêmica. O governo de Mitsotakis [atual primeiro-ministro da Grécia] acredita que pode mais uma vez transformar os anarquistas em um “bode expiatório” para servir a sua própria agenda nefasta, neoliberal e de extrema-direita. Mas o movimento anarquista organizado agora tem laços muito fortes com a classe trabalhadora e os oprimidos, sempre ao lado de grevistas, imigrantes, mulheres e todas as pessoas que lutam contra a injustiça. Nossa resposta será dada nas ruas. Nenhuma entrega, nenhuma trégua, na luta contra os planos repressivos do Estado. Defendamos os espaços okupados e autogestionados! Tirem as mãos das okupações e estruturas de luta! A okupação Mundo Nuevo vai ficar!”

>> Vídeo (01:48) da marcha:

https://www.youtube.com/watch?v=rAEkDKRcnG0

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No dedão vermelho
Lateja meu coração —
Ferrão de abelha

Neiva Pavesi

Manifesto de fundação da Federação Anarquista Capixaba – F.A.C.A.

Terras Capixabas – 11/09/2022

Nós, Anarquistas Capixabas, habitantes deste estado medieval carimbado por homens brancos colonizadores que nomearam nosso território de Espírito Santo – estes mesmos canibais do lucro, e do capitalismo.

No dia de hoje, 11/09/2022, nasce nossa Federação Anarquista Capixaba – F.A.C.A.

Esta organização nasce para a luta e resistência, no mar, no ar, nas fábricas, nos campos, nas periferias das cidades, nas matas, nos rios, sempre contra as indústrias mineradoras e poluidoras, petroleiras, agropecuárias, armamentistas, e tudo e todos que ferem o princípio do bem viver. Lutaremos contra o capitalismo, o Estado e seus tentáculos, para liquidar a exploração do homem pelo homem.

Lutaremos juntos lado a lado com os (as) indígenas e quilombolas e com os explorados e oprimidos para recuperação de seus territórios e direito à terra!

Nossa federação bebe na fonte antiautoritária e libertária, influenciando-se na indignação e na revolta, bem como na luta popular por melhores condições de vida.

Nossa organização surge através do ideal Anarquista com pilares baseados na solidariedade, apoio mútuo, autogestão e anticapitalismo, e também na luta por um território livre das amaras do famigerado modelo global capitalista.

E nesse contexto, registramos que a movimentação anarquista aqui, em terras capixabas, se iniciou no começo do século XX, através de operários e operárias trabalhadores da linha de ferro em Cachoeiro de Itapemirim, com greves e organizações anarcossindicalistas. As longas ditaduras brasileiras quase extinguiram o movimento. Porém, no final dos anos 1970 o anarquismo insiste em permear essa terra com um grito contra toda exploração e opressão e também contra a monotonia burguesa reinante no território do Espírito Santo.

Eis que os capixabas colocam o bloco na rua, e entre estudantes e punks o movimento cria novo corpo e se faz aflorar a necessidade de organização. São 40 anos de ações das mais diversas e até os dias de hoje continuamos a trilhar o caminho anarquista em busca de um território livre onde a vida seja valorizada. Ao longo de nossa trajetória realizamos greves, programas de rádio, produções de fanzines, jornais, livretos, poesias, artes plásticas, bandas musicais, encontros, grupos de estudos, intercâmbios, fóruns anarquistas, festas, manifestações, atos de protesto no Primeiro de Maio e Sete de Setembro, campanhas pelo voto nulo, grupos de teatro, cineclubes, oficinas, cursos de esperanto, participação em brigadas indígenas e lutas pelo território quilombola, ocupações urbanas, campanhas antirracistas, enfrentamento e combate ao fascismo, entre tantas outras frentes de lutas que travamos ao longo da nossa história.

Isso tudo nos faz refletir e agir; e hoje nesse dia 11/09/2022, dentro do Fórum Geral Anarquista, iniciamos a nossa mais nova ferramenta de organização e luta, a Federação Anarquista Capixaba (F.A.C.A). Cientes que estamos dispostos e prontos para resistir, somando forças com os que lutam por transformação social, quebrando paradigmas e dogmas burgueses, estatais, capitalistas e autoritários.

Assim, entendemos a necessidade de nos organizar no território brasileiro e mundial, portanto solicitamos neste ato adesão à Iniciativa Federalista Anarquista – IFA Brasil, associada à Internacional de Federações Anarquistas.

Com todas as pessoas exploradas, mulheres, crianças, idosos e minorias, caminharemos lado a lado com a bandeira negra empunhada para lutar.

Federação Anarquista Capixaba – FACA

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O frêmito cessou.
A árvore abre-se
para conter a lua.

Eugenia Faraon

Lançamento do Acervo Punk

Próximo sábado, 03 de dezembro, às 19 horas, temos encontro marcado com mais uma atividade da Punk Scholars Network Brasil. Receberemos nossos membros honorários e historiadores João Neves e Antônio Carlos Oliveira que farão o lançamento oficial do Acervo Punk, o maior arquivo de memórias sobre o punk nacional do país. A atividade será mediada pelo também historiador e professor da UEG Tiago Vieira. O papo vai acontecer no Canal da PSN – Brasil (link abaixo), no YouTube. Imperdível!

https://www.youtube.com/@punkscholarsnetworkbrasil8597

FB: https://www.facebook.com/punkscholarsbr/

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sussurro sem som
onde a gente se lembra
do que nunca soube

Guimarães Rosa

[Espanha] Despedida de Gelín Meana, histórico militante da CNT, em Oviedo

Anarquistas asturianos recordavam esta manhã (27/11) na “Plaza del Paraguas” o histórico militante da CNT Ángel Fernández Meana, que faleceu na segunda-feira em seu domicílio de Oviedo, onde havia nascido em 1952. Após iniciar seus estudos na Faculdade de Filosofia e Letras, participaria nos anos 70 na reconstrução da CNT após a ditadura franquista.

Meana, que também participou na greve da construção de 1977,  desempenhou vários cargos no sindicato e participou desde então em todas as lutas da CNT em Oviedo e nas Asturias, assim como em suas atividades e nas do “Ateneo Libertario de Oviedo”. Também participou no 15M e na “Radio QK”.

Fonte: https://www.lavozdeasturias.es/noticia/oviedo/2022/11/27/despedida-gelin-meanahistorico-militante-cnt-oviedo/00031669566637182319419.htm

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entre os vinte cimos nevados
nada movia a não ser
o olho do pássaro preto

Wallace Stevens

[Espanha] Futebol. Mundial do Catar 2022. Desliga o rádio ou a televisão.

É somente Futebol? Não, é lixo comercial que, por desgraça, atrai milhares de milhões de pessoas em todo o mundo, seja de suas casas ou em um bar tomando cervejas dessas que são restringidas aos turistas durante a competição. Em um Estado totalitário conduzido sob a sharia, um Catar hiper vigiado, com um nível de desperdício sem precedentes, que deixou uma cifra de 10.000 mortos (6.000 segundo fontes oficiais) trabalhadores migrantes da construção espremidos até a exaustão para que o povo “normal” desfrute vendo jogar – salvo algumas exceções de jogadores de seleções modestas – uma quadrilha de pirralhos vendidos ao melhor comprador, que vivem de fábulas e nadam na abundância. Sim! Porque quando a bola está no gramado, o entusiasmo popular perdoa tudo: o número de cadáveres, os salários de merda dos trabalhadores frente aos salários milionários dos jogadores, diretores ou organizadores, até o monólogo de anteontem do presidente da Fifa sobre violação de direitos. Que desgraça! Assim compram o tempo e gestionam o ócio. Apesar de tudo, bom para as pessoas que chamam ao boicote.

Sem entrar muito em profundidade, citar o tema dos patrocínios e corrupções, a fortuna que custou (talvez 220 milhões de euros?), o consentimento para alterar o calendário do campeonato ou o preço das entradas a 1.000 euros faz com que esta Copa do Mundo seja a mais exclusiva.

É indiscutível que o mundo do Futebol e o esporte de elite está podre faz tempo, portanto, e como há décadas, não penso dedicar-lhes um só minuto do meu tempo nem acompanhar a Copa. Entre outras coisas, porque quem ganhe ou perca, me importa uma merda.

(EX)PRESIÓN

Fonte: https://drive.google.com/file/d/1zvux8I8gD-g6L1DbrvCKYwKnAgSOsdOD/view

Tradução > Sol de Abril

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Dias que se alongam —
Cada vez mais distantes
Os tempos de outrora!

Buson

[Itália] Contra o 41 bis | Contra a repressão anti-anarquista | Por uma sociedade sem prisões

A prisão é uma instituição que é totalmente um produto de uma sociedade baseada na dominação e exploração. Longe de ser uma solução para problemas sociais, ela representa uma das muitas faces da violência estatal.

Na Itália, as condições prisionais têm piorado constantemente durante anos: a superlotação e o abuso físico e psicológico são a “normalidade” de uma situação cada vez mais intolerável, e o número crescente de suicídios atesta isso.

As condições de existência daqueles que se encontra no regime do 41 bis ou alta vigilância são ainda mais inaceitáveis. Nesses casos, pode-se falar de verdadeira tortura psicofísica devido às condições extremamente duras de isolamento e privação.

A prisão perpétua, assim como o artigo 41 bis, são horrores institucionalizados, indignos de qualquer sociedade. Além das proclamações pomposas sobre a necessidade de “recuperar” o prisioneiro e o detido para a vida social normal, estas punições infligidas revelam em que consideração as classes dirigentes mantêm aqueles que tropeçam nas redes de sua “justiça”: lixo para serem isolados na lixeira social que são as prisões.

Até a Corte Constitucional se deu conta disso, declarando estas medidas inconstitucionais já em 2021. O novo governo, continuando a prática dos anteriores, reafirmou, ao invés disso, sua aplicação ostensiva.

Durante anos, temos testemunhado a particular obstinação das instituições repressivas contra o movimento anarquista com teorias judiciais cada vez mais fantasiosas e sentenças cada vez mais pesadas até mesmo por episódios de conflito social normal. De fato, o “direito penal do inimigo” é aplicado contra o movimento anarquista, com base no qual se julga não tanto pelas ações cometidas, mas pelas próprias ideias.

Esta obstinação também reverbera contra os detentos que reivindicam seu ideal anarquista e que, cada vez mais, estão sujeitos aos regimes carcerários mais severos, mais recentemente os 41bis.

Há semanas, Alfredo Cospito está em greve de fome até o fim para ser retirado do regime 41bis, enquanto outros detentos também entraram em greve de fome em solidariedade.

Apoiamos sua luta, assim como todas as lutas realizadas pelos detentos em todas as prisões para exigir condições de existência menos opressivas, para o fechamento definitivo dos 41bis e outros regimes especiais de detenção.

Em nossa história conhecemos a barbárie das leis perversas, do confinamento, do exílio, da eliminação física; elas nunca tiveram êxito: a fome de liberdade e de justiça social é mais forte do que qualquer outra coisa.

20 de novembro de 2022

Federação Anarquista Italiana – FAI

(Comissão de Correspondência)

Fonte: https://umanitanova.org/contro-il-41bis-contro-la-repressione-antianarchica-per-una-societa-senza-galere/?

Tradução > Liberto

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Chuva de primavera —
Uma criança
Ensina o gato a dançar.

Issa

[Espanha] Reforma do Código Penal: mais amordaçamento contra qualquer movimento social

A reforma do Código Penal anunciada pelos partidos do governo PSOE e Unidas Podemos, que visa eliminar o crime de sedição (crime contra a ordem pública estabelecido no artigo 544 do CP, que pune aqueles que se levantam publicamente e tumultuosamente para impedir, pela força ou fora dos canais legais, a aplicação das leis), contém uma série de modificações adicionais.

Uma delas em particular nos parece muito séria, pois já entendemos que estende a repressão contra os métodos de protesto e manifestação. A reforma das infrações à ordem pública, contida nos artigos 557, 557 bis e 557 ter (com a reforma proposta este artigo desapareceria) do Código Penal, parece ter sido criada com o propósito de impor infrações penais às formas de protesto de numerosos grupos, inclusive organizações sindicais.

Esta repressão está basicamente contida na extensão de 557.1: “Aqueles que, agindo em grupo e com o objetivo de perturbar a paz pública, praticam atos de violência ou intimidação: a) contra pessoas ou coisas, ou b) obstruindo estradas públicas causando perigo à vida ou à saúde de pessoas, ou c) invadindo instalações ou edifícios, serão punidos com uma pena de prisão de seis meses a três anos”.

A interpretação deste texto pode permitir que sanções penais de seis meses a três anos de prisão sejam impostas a indivíduos e grupos que ocupam uma via pública, como pode acontecer em uma rota alternativa em uma manifestação, na paralisação de um despejo ou naquelas outras situações que envolvem a ocupação (ainda que temporária) de um banco, um reitorado ou uma empresa com a qual existe um conflito sindical (isto na verdade agora é punível sob o crime de usurpação no artigo 245.2 do Código Penal). Porque não escapa a ninguém que piquetes, paradas de despejo, protestos sindicais em frente à sede de uma empresa ou fábrica, etc. estão ameaçados de morte com um texto com estas características. Além disso, se a manifestação for de massa, estão previstas sanções ainda maiores, como uma pena de prisão de três a cinco anos quando cometida por uma multidão cujo número, organização e objetivo são de tal ordem pública que afetam seriamente a ordem pública.

Se formos ainda mais longe, na suposição do 557 ter anterior em um novo 557 bis, e como aparece na redação do rascunho da reforma atual, não seria necessário fornecer provas de violência ou intimidação. Esta prova, como já sabemos, está sujeita primeiro à interpretação da polícia e depois do juiz correspondente.

Este artigo, que acreditamos ser um ataque direto ao direito de protesto e manifestação, afirma que “aqueles que, sem usar violência ou intimidação e sem serem incluídos no artigo anterior, agindo em grupo, invadem ou ocupam contra a vontade de seu proprietário, o domicílio de uma pessoa jurídica pública ou privada, um escritório, um estabelecimento ou instalações, mesmo que aberto ao público”, também estabelece sanções abusivas de prisão de três a seis meses ou uma multa de seis a doze meses.

Na Confederação Geral do Trabalho (CGT) sabemos por experiência que os delitos de desordem pública têm sido a ameaça do regime contra todas as formas de protesto, especialmente as lutas sindicais, como greves e conflitos coletivos. Diferentes formas de protestos pacíficos realizados por movimentos sociais como o PAH, na paralisia de despejos, por exemplo, ou negociações para impedir despejos na sede do banco, estão sendo diretamente atacadas. Também procura criminalizar e punir os protestos estudantis que ocupam uma faculdade ou um reitorado. Qualquer manifestação que ocorra fora do horário ou rota estabelecidos pela Delegação do Governo em serviço enfrenta não apenas sanções administrativas, mas também processos por um crime contra a ordem pública.

Esta barbaridade é promovida por um governo “progressista” – que se diz o mais progressista da história democrática do Estado espanhol – num contexto de crescente agitação social causada pelo empobrecimento da classe trabalhadora, que vê seus salários perderem poder de compra enquanto as grandes empresas aumentam grotescamente seus lucros, aproveitando-se de uma crise global pela qual nós, o povo de sempre, vamos pagar. PSOE e Unidas Podemos, longe de revogar as leis repressivas existentes – como a Lei da Mordaça – como prometeram na campanha eleitoral, instalaram-se e acomodaram-se no poder burguês e estão mais uma vez traindo o povo que afirmam representar, impondo mais repressão e ameaçando nossos direitos e liberdades fundamentais.

Da CGT acreditamos que estamos em um momento crítico no qual estamos arriscando direitos que outros antes de nós até custaram suas vidas, e achamos implausível que precisamente esta involução esteja ocorrendo com uma coalizão de formações políticas de “esquerda”. A classe trabalhadora está vendo seu direito de protestar e se organizar contra tudo que ameace ou ponha em perigo sua sobrevivência. E diante deste lamentável panorama, na CGT temos uma visão muito clara e assumida do que teremos que enfrentar mais cedo ou mais tarde se esta reforma for adiante e as classes ricas conseguam o que querem (mais uma vez).

Por todas estas razões, na CGT reafirmamos nossa ideia de nos organizarmos fora dos partidos políticos, governos e empresas em defesa de tudo o que conseguimos ao longo das décadas através da luta sindical e social. As liberdades e direitos fundamentais serão defendidos a qualquer custo, e a CGT estará presente, juntamente com outras organizações sociais e sindicais e coletivos, garantindo resistência e resposta direta a qualquer medida do Executivo espanhol que nos obrigue a recuar ou renunciar a nossas conquistas como Classe Trabalhadora.

Secretaria Permanente do Comitê Confederal da CGT.

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/reforma-del-codigo-penal-mas-mordaza-contra-cualquier-movimiento-social/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Escorre pela folha
a tarde imensa,
pousada em gota d’água.

Yeda Prates Bernis

[México] Ricardo Flores Magón (1922-2022)

Levamos em nossa história um passado digno de ser aclamado como a maior façanha do povo e do anarquismo no México. Durante o período da oficialmente chamada “Revolução Mexicana”, as intenções democráticas burguesas enfrentaram uma ditadura que estabeleceu um progresso macroeconômico sobre a exploração e a miséria de milhões de pessoas, apenas para adaptar o governo a seus interesses. Entre todas as figuras destacadas pela história convencional deste período, um nome se levantaria, talvez o maior em nossa memória: Ricardo Flores Magón, e junto com ele seu irmão Enrique Flores Magón, Práxedis Gilberto Guerrero, Anselmo Figueroa, Librado Rivera, entre outros lutadores em ideias ou empunhando uma carabina. Da mesma forma, eles formaram o agrupamento que representava o espírito autêntico daquilo que em todas as suas letras pode ser chamado de revolução: o Partido Liberal Mexicano.

Desde sua primeira aparição como manifestantes em 1982, a criação do jornal Regeneración em 1900 e a fundação do Partido Liberal Mexicano em 1906, suas ideias, à frente do contexto nacional, foram um elemento que contrastava com o simples fato do “Sufrágio Efetivo, Sem Reeleição” de Francisco I. Madero. O que hoje conhecemos como “Magonismo” quebrou com todos os esquemas estabelecidos na política mexicana, logo se consolidará como uma força desligada dos interesses burgueses e destinada à emancipação do povo através da abolição do Estado e do capital. Essa razão fez com que se concentrasse em um movimento armado abrangente, que rejeitou meias-medidas, traições e causas incompletas.

As insurreições magonistas no norte e nordeste do país foram as primeiras do mundo cujas fundações anarquistas estavam postas sem dúvida, sempre se opondo, desde o início das atividades de Flores Magón, o Porfiriato, Maderismo, o regime Huerta e Carranza e, consequentemente, todas as formas de governo. Por esta razão, e com todo o acúmulo de ideias libertárias, ele recebeu apoio e reconhecimento de anarquistas americanos e catalães e mais tarde de muitos outros no mundo, observando nele o fato irrefutável de que Ricardo Flores Magón, seus companheiros, milicianos e simpatizantes foram a autêntica revolução, aquela que os livros de história reservam para uma pequena caixa com algumas breves linhas.

As ofertas de Madero para se juntar a suas fileiras e lhe dar um posto de vice-presidência não conseguiram apaziguar Ricardo e o PLM. Nem as prisões nos Estados Unidos o impediram. Enquanto isso, a luta pelo poder, mesmo após a queda de Díaz, sublinhou o aspecto anti-revolucionário de um movimento que não concedia liberdade ao povo e só mudava a carruagem sem mudar o motorista, ou seja, o capitalismo se moldando às suas necessidades. Dentro desta “Revolução Mexicana”, não há outro movimento autenticamente revolucionário com a ideia de destruir o poder e dar igualdade e dignidade a homens e mulheres como era o Magonismo. O fato de que todas as forças hostis à emancipação e ao estabelecimento de um regime favorável aos interesses americanos e capitalistas, como o de Carranza, sublinham uma revolução que, por ser estritamente um movimento de liberdade, foi perseguida e dizimada; é, naturalmente, uma verdadeira revolução. E hoje a passagem do tempo não tirou as ideias de Ricardo Flores Magón, de seus companheiros Pelemistas e de todo combatente que, na linha de frente da luta, nunca hesitou em sacrificar suas vidas pela causa da liberdade para o povo mexicano.

Bloque Negro México

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de primavera —
Todas as coisas
Parecem mais bonitas.

Chiyo-jo

[Espanha] XX Encontro do Livro Anarquista de Madrid

2, 3 e 4 de dezembro de 2022.

Contra um mundo que propõe apenas o consumo rápido e contínuo de coisas e pessoas e nos transforma a todos em objetos descartáveis, o 20º aniversário do Encontro do Livro Anarquista de Madrid é um compromisso de manter projetos fortes que avançam em direção à transformação social.

Com a mesma intenção que nasceu há duas décadas, a de construir relações e ser um ponto de referência para o pensamento revolucionário, voltamos. E convidamos você a propor, debater, participar e, é claro, assistir.

Nós o encorajamos a fomentar coletivamente uma cultura que descubra cada canto do poder e todas as formas de acabar com ele.

Nos vemos entre os livros.

encuentrodellibroanarquista.org

agência de notícias anarquistas-ana

A ponte é um pássaro
de certeiro vôo: sua sombra
perdura na lembrança.

Thiago de Mello

 

[Grécia] Vídeo | Rouvikonas: Intervenção na Loja Public do Metro Mall

Por mais um ano, os grandes tubarões do varejo organizam a tal Black Friday. A celebração do canibalismo do consumidor e da hipocrisia do empregador, com os trabalhadores mais uma vez pagando o pato.

Em uma indústria onde os salários já são bastante baixos e os trabalhadores são obrigados a cumprir o turno inteiro. As condições de trabalho durante a Black Friday tornam-se ainda mais exaustivas.

Os direitos trabalhistas estão em declínio e os trabalhadores lojistas estão sendo demitidos, enquanto empresas como o grupo Public desfrutam de lucros gigantescos.

A loja desta rede no Metro Mall de Agios Dimitrios é um bom exemplo, indicativo das condições vividas pelos trabalhadores durante este período particular, onde trabalham pelo menos 10 a 12 horas por dia a termos torturantes. Por isso decidimos fazer uma visita a essa loja, para lembrar aos patrões que trabalhadores não são máquinas de lucro e direitos trabalhistas não são latas de lixo.

BLACK FRIDAY NÃO É FERIADO – É UM NEGÓCIO MARAVILHOSO

PENSE COMO UM TRABALHADOR E NÃO COMO UM PATRÃO

Rouvikonas

>> Veja o vídeo (01:51) aqui:

https://www.youtube.com/watch?time_continue=5&v=5bNP1Mvn3R8&feature=emb_title

agência de notícias anarquistas-ana

Céu de primavera.
Nas açucenas floridas
dura mais o orvalho.

Anibal Beça

[Espanha] Gol no campo, Paz na Terra

Em 25 de janeiro de 1995, o futebol inglês viveu um dos eventos mais memoráveis das últimas décadas, um incidente que ficou marcado na história da Premier League. No terceiro minuto do segundo tempo da partida entre Crystal Palace e Manchester United no estádio Selhurst Park de Londres, o atacante francês Eric Cantona, do Manchester United, foi expulso por uma agressão ao zagueiro da equipe londrinense Richard Shaw.

Por Miguel Fadrique Sanz, Secretário Geral da CGT | 19/11/2022

Enquanto Cantona se dirigia ao túnel dos vestiários, o torcedor de extrema-direita Matthew Simmons, membro do grupo fascista “National Front”, lançou vários insultos racistas das arquibancadas, dirigidos a Eric. Todos sabemos como o atacante francês reagiu: ele deu um “chute voador” no “torcedor”, seguido de vários socos, até que vários jogadores e membros da segurança do estádio conseguiram controlar a raiva de Cantona e levá-lo ao vestiário do estádio.

Essa ação marcou um antes e um depois na vida esportiva e pessoal de Cantona, pois grande parte do mundo do futebol começou a vê-lo como uma pessoa violenta e agressiva, que para eles não justificavam de forma alguma essa ação. Essa “agressão” levou a uma proibição esportiva de nove meses que o impediu de jogar futebol por dezenas de partidas e uma sentença de 120 horas de serviço comunitário, bem como o pagamento de uma multa de 30.000 dólares.

Eric não ficou chateado nem entristecido para cumprir a sanção ou pagar a multa. De fato, anos mais tarde, no programa de TV Football Focus, o próprio Eric tinha isto a dizer quando perguntado qual tinha sido o melhor momento de sua carreira esportiva: “Foi quando eu dei um chute de kung fu a um hooligan, porque esse tipo de gente não tem nada a ver com um jogo. Acho que é um sonho para algumas pessoas chutar esse tipo de gente. Então eu fiz isso por eles, para fazê-los felizes… e eles seguem falando sobre isso. Já vi muitos jogadores marcando gols e todos eles sabem a sensação, mas este, pular e chutar um fascista, não é algo que se saboreia todos os dias”.

Eric foi uma das primeiras figuras públicas a afirmar claramente sua oposição à realização de um dos maiores eventos esportivos do mundo em um país onde os direitos humanos brilham por sua ausência, e onde a construção dos campos de futebol onde a Copa do Mundo será disputada esconde milhares de vítimas devido às deploráveis condições de trabalho da classe trabalhadora. Nos últimos dias, quando parece que parte da sociedade percebeu de repente o que está acontecendo no Catar, vieram à mente as palavras de Cantona de janeiro deste ano: “Não vou assistir à Copa do Mundo no Catar. Morreram pessoas construindo os estádios. Não é um país de futebol“.

Quando Eric disse isso, houve silêncio na mídia durante meses, e assim tem sido até algumas semanas atrás, com a aproximação da Copa do Mundo, numerosos meios de comunicação, figuras públicas, times de futebol, torcidas e até mesmo alguns políticos começaram a denunciar publicamente as deficiências do regime do Catar em matéria de direitos humanos e a violação sistemática e contínua dos direitos das mulheres, que são tratadas como se fossem pouco mais do que um móvel.

Diante desta situação, aqueles de nós que há décadas vêm denunciando o que está acontecendo no Catar e em outros países do mundo têm duas opções. Podemos ficar indignados com aqueles que durante anos se mantiveram calados e agora de repente são os campeões da defesa dos direitos humanos em geral e dos direitos das mulheres em particular, permitindo assim que a Copa do Mundo passe sem glória ou vergonha, boicotando-a e não assistindo a uma única partida. Mas também podemos aproveitar a ocasião e deixar que este enorme alto-falante midiático que este evento esportivo mundial representa sirva para garantir que estas denúncias vão além e não terminem em 18 de dezembro.

Se escolhermos a primeira opção, que por um lado é mais do que compreensível devido à repugnância de saber em que tipo de país tal evento está sendo disputado e tudo o que a concessão desta Copa do Mundo ao Catar certamente esconde; no dia 19 de dezembro, um dia após o término da Copa do Mundo, os holofotes da mídia se apagarão e com ela desaparecerão as denúncias públicas de violações dos direitos humanos, a exigência de igualdade de direitos entre homens e mulheres e qualquer tipo de exigência para o cumprimento dos direitos democráticos neste país.

Se optarmos pela segunda opção, aproveitaremos a vergonha de tal evento ser realizado neste país para denunciar publicamente tanto o regime do Catar quanto cada um dos países que sistematicamente violam os direitos humanos em cada momento, em cada partida, em cada resumo e em cada momento em que a Copa do Mundo dure. A Copa do Mundo de 1978 na Argentina aconteceu enquanto a poucas centenas de metros do estádio Monumental de Buenos Aires, na Escuela de Mecánica de la Armada, o regime de Videla torturava centenas de mulheres grávidas. Nada mudou, exceto a boa imagem dada ao mundo da ditadura militar argentina.

Sejamos honestos, os direitos das mulheres do Catar e os direitos humanos naquele país não vão melhorar porque “quatro pessoas irritadas” boicotam a Copa do Mundo e não assistem aos jogos. Primeiro, porque sabemos que isso não nos levará a lugar algum e, segundo, porque também sabemos muito bem que a maioria das pessoas que dizem não assistir a uma única partida acabará fazendo isso.

Se estamos procurando um grande triunfo nesta Copa do Mundo, não deve ser que uma ou outra seleção levante a Copa do Mundo no dia 18 de dezembro, o verdadeiro triunfo será que no dia seguinte à vitória de uma seleção nacional na Copa do Mundo, todas aquelas pessoas que ficaram coladas à TV durante cinco semanas continuem denunciando e exigindo que a comunidade internacional intervenha tanto no Catar quanto em todos os países do mundo onde os direitos humanos são violados, a começar pelo Estado espanhol.

O verdadeiro boicote ao Catar 2022 não tem que ser feito apenas em 2022, nem tem que ser limitado a não assistir a uma partida de futebol. O verdadeiro boicote da Copa do Mundo do Catar deveria ter começado em 2010, quando foi escolhido como o país anfitrião. Mas, como não o fizemos, vamos ser inteligentes e não deixar que esse boicote termine em 18 de dezembro.

E voltando ao início deste artigo, se um dia me perguntassem qual foi o melhor momento de minha “carreira”, minha resposta será quase certamente semelhante à de Cantona: “o momento em que chutei um fascista”, porque é disso que se trata nossa luta, não de discutir o fascismo, mas de combatê-lo.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/alkimia/gol-en-el-campo-paz-en-la-tierra

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/11/18/espanha-a-copa-do-mundo-do-catar-e-o-sangue-dos-trabalhadores/

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Chuva de primavera —
Todas as coisas
Parecem mais bonitas.

Chiyo-jo