A escola onde os alunos se fazem anarquistas

Por Luís Pedro Cabral | 01/10/2022

Entram com 16 meses, saem com 16 anos. Entram livres, saem libertários. Entram de fraldas, saem com as vestes ideológicas da anarquia. Esta é a história de uma escola livre, autogestionária, em Mérida. Uma escola onde todos fazem tudo em partes iguais, onde é proibido proibir. Estão na forja novos anarquistas. Em nome da velha anarquia perdida. Que, nesta escola, nunca se perdeu.

Se há coisa que o capitalismo nos ensina, como naquela epístola do Leonard Cohen sobre o que toda a gente sabe, é que os pobres ficam cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos, que toda a gente quer da vida uma caixinha de chocolates, que neste mundo desigual até a alma tem um preço, que a providência raramente é cautelar e que há ideologias que os estados democráticos e até os autocráticos devem temer, mais ou menos como o diabo teme a cruz ou como um consumidor de electricidade com facturas em atraso teme a visita de um desligador.

É por isso que o anarquismo, que é uma ideologia relativamente moderna, foi remetida para a arqueologia das coisas, como um despojo tecnofóssil de uma civilização perdida em etimologias vagas e interpretações equívocas. Nos arredores de Mérida, cercado por todos os quadrantes pelo polígono industrial da capital da Extremadura espanhola, vive um pedaço dessa utopia.

A Escuela Libre Paideia é um colectivo libertário na mais pura acepção da palavra. A primeira visita que fiz a esta escola que, aliás, não gosta lá muito de abrir as suas portas a pessoas estranhas ao colectivo, foi em 2013. Uma década depois, só mudaram os alunos. O sítio é o mesmo, muitos dos professores são os mesmos, o método autogestionário é o mesmo, o espírito de liberdade o mesmo é, até o cão é o mesmo. Visto de fora, a sensação também é a mesma: parece um lugar habitado por seres em vias de extinção, invulgarmente felizes. Não há stress, competição. Os olhares e os gestos são tranquilos, de uma certa paz, num silêncio quase melódico. Não existe propriamente um regresso às aulas, como existe no ensino estatal ou no ensino privado, coisas que esta escola orgulhosamente renega, vincando bem os seus princípios anarquistas. Material altamente subversivo, avisa-se já.

Em redor do edifício da escola, nada parece bater certo. Neste sítio, não há utopia que valha a um horizonte em tons de cimento e terracota, onde os postes eléctricos se substituíram às árvores. Ao fundo, vê-se o Hospital de Mérida, como um paradigma suburbano que se ergue no Poligono Nueva Cuidad, onde o movimento é incessante, com lojas de tudo e mais alguma coisa, às moscas. A pandemia Covid 19 foi inclemente com os extremanhos.

A dado momento, já tinha a Extremadura espanhola mais vítimas mortais que Portugal por inteiro. Esta cidade, erigida ex nihilo no ano 25 a.C. por ordem do imperador romano Octávio Augusto, resistiu às mais mortíferas vagas da pandemia, mas parece dar sinais de pouca resistência à escalada de uma crise que se instalou no mundo com a guerra na Ucrânia, à qual Espanha, tal como Portugal, parecem ainda longe de conquistar imunidade. O corrupio é constante, mas os cafés, os restaurantes, o comércio estão na travessia de um deserto.

Lá ao fundo, na sua vida, sobrevive a anarquia numa casa campestre, onde não é permitida a entrada ao admirável mundo novo que deixou Espanha mergulhada numa crise profunda, que tudo fez estremecer e mais os valores inalienáveis. Parece que o tempo não passou por ali. Ou, então, parece que já passou e aquele é um ground-zero da globalização, um cenário pós-apocalíptico com roupa nos estendais. Oito mulheres e pouco mais de trinta crianças, o número nunca é estanque, formam um grupo de “perigosos” anarquistas, guardados por um cão demasiado velho para ladrar.

Na escola Paideia – Escuela Libre -, exemplar único na Península Ibérica, se não na Europa, ensina-se o anarquismo, na praxis de uma pedagogia libertária, antiautoritária, das 9h00 às 18h00. Não gostam de visitas. Usam roupas simples, falam de liberdade, de igualdade. Acreditam na individualidade e que é nisto que reside a harmonia de um grupo, uma família, uma comunidade, um pueblo, uma cidade, um país, um mundo melhor. Reclamam a sua quota do impossível, fazendo o que podem para o contrariar, naquele hectare de um sonho vasto.

São orgulhosamente sós, este conjunto de hermanos e hermanitos, mestres e aprendizes de uma estirpe rara de gauleses ibéricos, a viver no âmago da maior cidade da antiga Lusitânia.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.wort.lu/pt/sociedade/a-escola-onde-os-alunos-se-fazem-anarquistas-6337d500de135b92360b4ce5

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agência de notícias anarquistas-ana

A criança às costas
Bulindo com meus cabelos –
Ah, quanto calor!

Shiba Sonome

Bandeira negra – rediscutindo o anarquismo

Por Felipe Correa

Apresentação do autor à segunda edição do livro

Bandeira Negra (re)discute teoricamente o anarquismo, a partir de um conjunto amplo de autores e episódios. Constatando a problemática teórica e histórica dos livros de referência do tema, realizo uma “volta aos princípios”, escrevendo um novo e inovador “o que é o anarquismo”.

Além de discutir criticamente a bibliografia vigente, conceituo o anarquismo por meio de um método adequado, baseado em anarquistas clássicos e contemporâneos dos cinco continentes, reelaboro a discussão sobre as correntes, apontando os principais debates ocorridos entre os anarquistas, e reflito sobre o surgimento, a extensão e o impacto histórico do anarquismo.

Esta segunda edição do livro, publicada pela editora Autonomia Literária, conta com uma revisão em relação à primeira, e também com um novo posfácio, de mais de 60 páginas, escrito por Lucien van der Walt, pesquisador sul-africano, que considero o maior especialista contemporâneo do mundo em anarquismo. A seguir, destaco os principais argumentos desse livro.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://aterraeredonda.com.br/bandeira-negra-rediscutindo-o-anarquismo/

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Saudades da amada —
Caem flores de cerejeira
às primeiras luzes.

Kaya Shirao

[Itália] Sardenha: O anarquista Alfredo Cospito inicia uma greve de fome

Hoje, 20 de outubro de 2022, no Tribunal de Vigilância de Sassari, durante a audiência sobre a retenção da correspondência, o companheira anarquista Alfredo Cospito declarou o início de uma greve de fome contra o regime penitenciário do 41 bis para o qual foi transferido no dia 5 de maio. O companheiro não estava presente no tribunal, mas participou por videoconferência a partir da prisão de Bancali.

O 41bis é um regime de tortura, estabelecido para calar, isolar e obrigar à colaboração com as instituições: é necessário derrubá-lo junto com todos os cárceres.

Morte ao Estado, viva a anarquia!

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Os banhos agora
Num dia sim, noutro não –
Canto dos insetos.

Konishi Raizan

 

[Chile] Revolta cotidiana, até romper com tudo

A 3 anos da revolta de 18 de outubro, quando a raiva e a tristeza explodiu em gritos, barricadas, recuperações, saques, panelaços e assembleias territoriais, ações que temporariamente desestabilizaram a ordem do capital e nos mostraram possibilidades antagônicas a ele, e às quais o estado respondeu – como sempre – mediante a repressão exercida por ratis, pacos e milicos a serviço dos ricos, comemoramos a nossos compas assassinados, mutilados e sequestrados nas mãos das forças repressivas do estado chileno, os que lutaram e seguem lutando pela vida em liberdade.

Rememoramos e procuramos o desejo vivo que motivou a saída de milhares de pessoas às ruas, que longe de buscar respostas na deslegitimada institucionalidade – tal como querem nos fazer crer hoje na televisão e nas escolas – deram rédea solta a sua ira contra os símbolos do poder. No entanto e apesar da promessa de que o $hile seria a tumba do neoliberalismo, não foi sepultado o modelo mas que pelo contrário, com o pacto pela paz e o processo constituinte a social democracia fez sua jugada e nos introduziu no show eleitoral que finalmente só apaziguou os ânimos de revolta e nos deixou com um estado policial atualizado e uma ordem neoliberal ainda mais precarizada. Onde seguem havendo perseguições policiais em plena luz do dia, a super exploração das pessoas, seres vivos e da terra, sem vergonha continua. Onde cada dia sobe o preço do azeite, do pão, das coisas. Onde a saúde mental e pobreza seguem sendo um tema preocupante e que os culpados de nos mantermos enfermos e abatidos gozam de encher os bolsos. Seguimos dizendo já basta, já não ficamos calados e atuamos forte e claro.

A 3 anos da revolta apostamos por seguir tecendo comunidades de luta, onde o apoio mútuo, a desobediência e a ação insurreta nos abra o caminho a uma vida livre. A resposta segue estando nas ruas, nossos territórios e coletividades de modo a forjar outros modos de habitar e conviver.

A levantar a organização territorial!
Liberdade aos presos!
Esta vida urge desobedecê-la!
À rua até mudar nossa realidade!
Nos vemos no calor das ruas!

Chuchunko, 18 de outubro de 2022

Tradução > Sol de Abril

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A bola baila
o gato nem olha
salta e agarra 

Eugénia Tabosa

[Itália] Da frigideira ao fogo

Após a eleição. A Direita perde, a Direita ganha

A Direita está no poder! Por que, quem esteve lá até agora? Com isso não pretendemos certamente subestimar o significado político da vitória eleitoral de Giorgia Meloni e seu partido, os herdeiros oficiais do fascismo, apesar do fato de que há meses eles vêm se esforçando para se mostrar como conservadores moderados, fiéis à Aliança Atlântica, não mais inimigos da União Europeia, filhos arrependidos do Putinismo, garantes da ordem social e clerical e acima de tudo de nosso capitalismo para o qual juraram servidão e obsequiosidade, recebendo dinheiro e votos em troca.

Uma centro-direita a reboque do neofascismo é certamente capaz de acelerar os processos reacionários já em andamento no campo dos direitos, tributação, desigualdades sociais, como quando estava nas mãos da Liga (embora dividida entre governo e “oposição”). O fato é que a força da direita não está na fraqueza do centro-esquerda (uma democracia cristã revisada e nem mesmo corrigida), mas em sua aquiescência às políticas liberalistas, militaristas e clericais, que a veem como protagonista, há muitos anos e muitos governos, da destruição do bem-estar, da exacerbação das desigualdades, da gestão militar e repressiva das crises de saúde e econômicas, da obstinação racista em relação aos migrantes, e das políticas de militarização e guerra. Fatores que têm empurrado uma certa fatia eleitoral popular para a direita ao longo dos anos.

A Itália está há anos sob um governo de direita, que tem realizado programas e políticas de direita talvez melhores do que a própria direita (às custas da saúde, saqueada e privatizada, escolas imiscuídas, empregos arrasados e precários, renda cortada, e poderíamos continuar). O que mais há para roer para um governo de direita, liderado pelo Fratelli d’Italia (Irmãos da Itália), teremos que ver, também porque ainda não chegamos ao fundo do poço, mas eles certamente não estão longe disso.

É por isso que não somos daqueles que agora gritam “olhem os fascistas!”: arriscaríamos a distribuir patentes de antifascismo e progressismo às forças políticas e personalidades que melhor encarnaram os ditames do FMI, dos EUA e da OTAN, dos lobbies militares e do Vaticano, e vê-los talvez lado a lado nas praças gritando contra o governo liderado pela fascista Meloni, só porque eles perderam as eleições.

Vamos fazer um resumo, para não sermos mal compreendidos.

Os Irmãos da Itália venceram as eleições. Isto não foi uma surpresa, já que as pesquisas vinham anunciando o resultado há meses. Mas não houve uma mudança de votos em direção à direita tradicional, mas sim uma remodelação do consenso dentro do centro-direita. Mas houve um forte aumento da abstenção, o que reduz o consenso real da direita central para pouco mais de 25% do eleitorado, e o dos Irmãos da Itália para pouco mais de 13%. Sim, tudo bem, eles foram para o governo; mas vamos com calma falar sobre a mudança da Itália para a direita. O emagrecimento de Salvini, por outro lado, é um fato político considerável: o representante desenfreado da política reacionária está agora escanteado; talvez sua remodelação seja ainda mais venenosa, mas ele corre o risco de ter que se colocar à disposição dos vencedores ou desaparecer por completo.

Com esta maioria, podemos esperar que projetos, como a autonomia diferenciada, ou seja, o agravamento das diferenças entre as regiões ricas e as regiões do sul da Itália, desejadas pela direita, mas também pelo PD, possam ser acelerados: o aumento do subdesenvolvimento e a degradação do sul corresponderão a uma recompensa econômico-política para o norte rico e industrial, a privatização definitiva da saúde, educação e serviços essenciais, deixando o sul com um assistencialismo esfarrapado e de mera subsistência, e o papel histórico de uma bacia para a extração de mão-de-obra.

Será certamente no campo dos direitos (aborto e contracepção, eutanásia e suicídio assistido, adoções, casais de fato, identidade de gênero, ius soli e igualdade para migrantes, etc.) que Meloni e seu governo tentarão se enfurecer, apoiando-se no pior que o DP, as 5 Estrelas e companhia fizeram nos últimos anos, que em questões de subserviência aos desejos do Monarca de Roma não ficam atrás de ninguém. Sobre guerra e emigração, depois do Turco-Napolitano, Bossi-Fini, Minniti, Salvini e os decretos de segurança, será difícil para Meloni encontrar outra coisa; o “bloqueio naval”, que foi tocado, não ajudará a resolver um problema que marca uma época como a emigração, especialmente com o nível extremamente grave em que a emergência climática chegou. Tema, este último, sobre o qual duvidamos que Meloni e seu governo tenham receitas diferentes daquelas de seus mestres da Confindustria, a saber: continuar com o extrativismo dos combustíveis fósseis e a farsa do capitalismo verde.

Isso deixa o campo da ordem pública, a gestão dos conflitos sociais, a repressão de todos os fenômenos de protesto causados pela crescente pobreza da população. Aqui a direita será capaz de liberar toda sua vocação xerife e colocar em jogo novamente o que Matteo Salvini conseguiu em sua temporada como Ministro do Interior em detrimento dos imigrantes, trabalhadores, movimentos sociais. Sabemos que na força policial existe um forte consenso em relação à “primeira mulher primeira-ministra”; evidentemente eles esperam maior liberdade (com relativa impunidade) de cassetear, espancar, parar, abusar, prender, do que já tínhamos com os governos vermelho-amarelo, amarelo-esverdeado, rosa-pálido, cinzento-rato e assim por diante.

A respeito da guerra, a lealdade reafirmada ao mestre americano e à OTAN assegura a continuidade da política externa, o aumento anunciado das despesas militares e a disponibilidade para continuar participando do conflito na Ucrânia, talvez até indo mais longe.

Haverá, sem dúvida, uma pitada de retórica nacionalista e patriótica e algum vôo nostálgico (veremos no final do mês o centenário da marcha fascista sobre Roma), especialmente no que diz respeito à imagem (muitas outras ruas com o nome de Almirante e “heróis” do período dos anos vinte ou das estratégias de tensão).

O importante será não cair na armadilha de um perigo fascista que só surgiu depois de 25 de setembro. O fascismo rastejante e real foi imposto pelos D’Alema, Berlusconi, Monti, Renzi, Draghi e todos os governos liberalistas, belicistas, clericais e racistas que tivemos de suportar nos últimos vinte anos. O dia 25 de setembro trouxe apenas clareza. O antifascismo só pode ser anticapitalista, antimilitarista, ambientalista e possivelmente até mesmo antiparlamentar. A clareza na frente do inimigo de classe deve corresponder apenas à clareza na frente subversiva.

A votação na Sicília

Na Sicília, a ala direita governou e continuará a governar. Schifani substitui Musumeci, em uma ilha onde não mais de 50% dos eleitores elegíveis votam, e onde uma parte substancial daqueles que votam vagueia qualitativamente entre 5 Estrelas (ontem) e De Luca (hoje). Este último, um democrata-cristão de longa data, com uma hábil cavalgada de descontentes, um deputado durante anos sob vários disfarces, absorveu parte dos votos dos Grillo’s, que há cinco anos ganharam a votação, mas não conseguiu arranhar o núcleo do eleitorado que se manteve afastado da farsa eleitoral durante anos. Aqui, como em qualquer outro lugar, listas de independentistas ou “revolucionários” estão na margem da irrelevância.

Partir da abstenção, do mundo que não se reconhece nos partidos e na farsa parlamentar, é a verdadeira aposta. Do descrédito dos partidos e dos políticos pode surgir uma verdadeira oposição que não pretende mais delegar a outros a solução de seus problemas. Não é fácil, mas vale a pena gastar energia neste caminho em vez de dá-la ao sistema de engano dos eleitores.

Fonte: https://www.sicilialibertaria.it/2022/10/06/dalla-padella-alla-brace/

Tradução > Liberto

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Engoli migalhas
jogadas ao vento,
deixadas pelas gaivotas.

Rogério Viana

[Espanha] V Mostra do Livro Anarquista de Alacant

Caros companheiros e companheiras

Informamos que nos dias 21 e 22 celebraremos em Alicante a V Mostra do Livro Anarquista de Alacant.

Na sexta-feira, 21 de outubro, a partir das 19h00 no Ateneo Popular Pla-Carolines (C / Antonio Maura, 5), teremos a apresentação do projeto do 150º Aniversário da Revolució del Petroli em Alcoi pelo Col.lectiu Revolta 1873. E a partir das 21h00: DJ Hortera Lara estará tocando música “petarda”.

No dia seguinte, sábado 22, no Patrón de Quijano (Plaza de Santa Teresa), a Assembleia da Mostra do Livro Anarquista de Alacant organizará um encontro de autores, editores, distribuidores e coletivos em torno de ideias libertárias, com o seguinte programa:

10h00. Abertura da Mostra

11h00. Apresentação do livro “Anarquía relacional. La Revolución desde los vínculos”, a cargo de seu autor Juan Carlos Pérez Cortez.

11h30. Apresentação do livro “Venim de lluny: Història del Feminisme al País Valencià” por três de suas autoras Laura Bellver, Andrea Aguilar, Gemma Martínez.

17h00. Apresentação do livro “Ecofascismo. Uma introdução”, a cargo de seu autor Carlos Taibo.

19h00. Apresentação da HQ “Negras Tormentas, 1936-1939”, a cargo dos autores Rubén Uceda e Gabriel Cagliolo.

Web: https://mostrallibreanarquistaalacant.wordpress.com/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/10/23/espanha-ii-mostra-do-livro-anarquista-de-alicante/

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casa na neve
odores vindos de longe
o céu como teto

Célyne Fortin

[Chile] 18 de outubro de memória combativa

O 18 de outubro de 2019 foi uma data histórica e existencial que perturbou a circulação normal das mercadorias, alterou nossas relações sociais e colocou o Estado e aqueles que governam contra as cordas durante vários meses de maneira contínua. As semanas que se seguiram foram raivosas, criativas, selvagens e de confronto, e entre barricadas, assembleias, cacerolazos [panelaços] e apoio mútuo, a comunidade apareceu em seu estado mais enigmático e original, onde diante da adversidade torna-se necessário fortalecer laços de solidariedade e apoio mútuo para enfrentar esta realidade que não cessa de nos atingir todos os dias, em todas as dimensões de nossas vidas.

Não podemos esquecer esses dias de alegria e terror. Por um lado, pudemos experimentar a organização territorial, de vizinhança, direta e assemblearia como semente e potencia de uma maneira diferente de viver e resolver nossos problemas. Por outro lado, o Estado, através da polícia, dos militares e do PDI (Polícia de Investigações do Chile) empregou toda sua força para reprimir a dignidade da resistência do povo que tomou as ruas em insurreição, assassinando nossos companheiros e companheiras, prendendo nossos irmãos e irmãs, mutilando, torturando e espancando nossos amigos e vizinhos.

Três anos depois desse acontecimento histórico, o maior depois do “retorno à democracia”, recuperamos o elemento sensível da luta e jamais perdoaremos ou esqueceremos a violência vivida e como tudo começou: com evasões maciças de transporte público, com saques de grandes empresas, entregas coletivas, ataques a delegacias de polícia, propriedade privada e bancos em todo o país.

Três anos após a revolta, reivindicamos esta data como parte da história da resistência e acreditamos que é necessário continuar projetando a luta para além de qualquer tentativa de salvaguardar esta ordem social, além de qualquer governo, por fora e contra o Estado. Chamamos a fortalecer e criar organização e comunidades de luta até transformar radicalmente nossa vida cotidiana e destruir este mundo cheio de contradições e misérias.

Vamos toma tudo!

Vamos criar comunidades de luta!

Guerra social contra o Estado, o patriarcado e o capital!

Liberdade para os presos e presas!

18 de outubro de memória combativa.

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A ipoméia
Tomou-me o balde do poço –
Busco água no vizinho.

Kaga no Chiyoni

Podcast sobre o massacre do Carandiru

“Todos” é uma minissérie em áudio baseada no massacre do Carandiru, escrita por Danilo Heitor e narrada por Ariel Ayres. A arte é da Marília Carvalho.

A partir de uma viagem misteriosa da Casa de Detenção para uma São Paulo distópica, a trama navega entre desejos de vingança e a busca por justiça.

A primeira metade dos episódios saiu hoje e a segunda estará no ar na semana que vem.

A hospedagem é na Rádio Sens, uma rádio online anticapitalista, e a produção é d’O Anarresti em parceria com a Escambau.

>> Escute aqui:

https://senscast.org/todos/

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Fumaças vermelhas
da tempestade de pó
devoram o sol.

Masuda Goga

[Espanha] E agora, seguir lutando

Ontem (15/10), as ruas de Madri se encheram de dignidade. Milhares de pessoas vindas desde todo o Estado espanhol encheram a capital para manifestar-se por suas ruas em defesa de umas pensões e uns salários dignos, exigindo seu aumento com o IPC real.

A jornada de luta de ontem marca – sem dúvida alguma – o início de um outono de lutas e reivindicações. Deixando claro que a unidade da classe trabalhadora e a unidade das organizações de classe e combativas é o caminho para que mobilizações como a de ontem, se repitam em mais ocasiões e assim poder estabelecer um caminho de luta para exigir melhoras nas condições laborais e sociais de todas as pessoas. Desde a CGT, a resposta que demos à mobilização de ontem foi massiva. Milhares de militantes se deslocaram até Madri para participar na manifestação, e o bloco da CGT aglutinou vários milhares de pessoas, algo que não se via em uma manifestação desde a histórica mobilização das marchas da dignidade em março de 2014.

Entendemos que este tem que ser o caminho, o de que desde a militância e desde todo o conjunto de nossa organização se façam os esforços necessários para que mobilizações como a de ontem se repitam e sejam um êxito. Nos fica pela frente um outono–inverno muito conflitivo e mobilizador; começando pelas mobilizações descentralizadas que se realizarão junto com o movimento pensionista dentro de um mês.

A CGT, tanto nestas como em todas aquelas que decidamos convocar ou apoiar, tem que demonstrar o nível de compromisso e de luta que levamos em nosso DNA, assim como a capacidade de mobilização que como sindicato combativo e de classe temos.

Agradecemos a todas e cada uma das pessoas que ontem se manifestaram pelas ruas de Madri, agradecemos a todas as organizações que, junto à CGT, conseguiram uma mobilização histórica na luta por umas pensões e uns salários dignos, e sobretudo, agradecemos a toda a militância da CGT que ontem pôs seu grão de areia para que esta mobilização sirva de impulso para tomar força e enfrentar o que nos vem pela frente.

VIVA A LUTA DA CLASSE OBREIRA!

Secretariado Permanente do Comitê Confederal

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/10/14/espanha-a-cgt-apela-para-mobilizacao-em-15-de-outubro-em-defesa-das-pensoes-e-salarios-dignos/

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Ao sol da manhã,
Imóvel como se dormisse,
A coruja no fio.

Paulo Franchetti

Memoriais continuam para crianças vítimas de massacres em 1923 no Japão

Por Toru Horiguchi | 29/09/2022

Nagoya – Um memorial para um menino de 6 anos assassinado pela polícia militar japonesa há quase 100 anos no que ficou conhecido como o “Incidente Amakasu” tem sido realizado anualmente por quase meio século em sua lápide em Nagoya.

Em meio ao tumulto na sequência do devastador Grande Terremoto de Kanto que atingiu Tóquio e as prefeituras vizinhas em 1º de setembro de 1923, um esquadrão de policiais militares liderado pelo capitão Masahiko Amakasu prendeu e assassinou o anarquista Sakae Osugi, o ativista de libertação de mulheres Noe Ito e o jovem sobrinho de Osugi, Munekazu Tachibana.

A cerimônia deste ano para Munekazu foi realizada em 11 de setembro, com cerca de 60 pessoas se reunindo para queimar incenso e lamentar a morte do menino enquanto um monge recitava um sutra. “O mesmo erro nunca deve ser repetido”, foi o refrão comum.

De acordo com o grupo voluntário local que preserva a lápide do menino, Munekazu era filho de um comerciante, que nasceu na Prefeitura de Aichi e emigrou para os Estados Unidos, e irmã mais nova de Osugi.

Em 16 de setembro de 1923, Osugi, um conhecido anarquista que havia sido marcado como dissidente do estado e estava em Tóquio junto com Ito, que morava com ele, e Munekazu, foram levados por Amakasu e seus subordinados e espancados até a morte. Seus corpos foram supostamente jogados em um poço abandonado. O incidente ocorreu enquanto a lei marcial foi imposta para manter a ordem pública após o terremoto.

O jovem foi morto para “manter a boca fechada”, disse Hirokazu Takeuchi, 81 anos, chefe do grupo de voluntários.

A lápide foi instalada pelo pai de Munekazu em 1927 no complexo de um templo budista chamado Nittaiji na Ala Chikusa de Nagoya. Na parte de trás da laje vertical escura estão inscritas as palavras “brutalmente assassinado por cachorros de colo.”

“Naquela época, o Japão estava mudando para o militarismo e as pessoas estavam achando cada vez mais difícil dizer o que queriam”, disse Takeuchi. Essas palavras expressaram a indignação do pai e “prova de seu protesto” contra a vitimização de seu filho em um ato tão insensível por parte das autoridades japonesas, embora “ele teria sido severamente punido se a polícia tivesse descoberto”, acrescentou.

A lápide estava há muito esquecida até 1972, quando uma mulher que morava no bairro a encontrou em uma área gramada de Nittaiji enquanto passeava. Tornou-se de conhecimento público depois que ela escreveu sobre isso em uma carta a um jornal. Os serviços fúnebres do grupo ocorrem anualmente desde 1975.

Takashi Yamada, 49 anos, pedreiro local, limpou a lápide em agosto antes da cerimônia. Yamada, que assumiu o lugar de seu pai para ajudar nos serviços fúnebres de Munekazu, disse: “Minha esperança é que a lápide continue a ser apreciada.”

No dia do culto, muitos participantes que se aproximaram para ler a inscrição no epitáfio mostraram sua tristeza pelo pai que havia perdido o menino para tal violência.

Após o serviço, Yutaka Osugi, filho do irmão mais novo de Sakae, que agora tem 83 anos, falou sobre as ideias de seu tio em um discurso na frente dos participantes.

“Agradeço já que muitas pessoas ainda estão interessadas e participam desse serviço. É uma reunião significativa que nos lembra de nunca esquecer a tirania da autoridade”, disse ele.

Após a reação pública, Amakasu foi levado à corte marcial e condenado a 10 anos de prisão, mas foi libertado em liberdade condicional em 1926. Depois, viajou para o nordeste da China e diz-se que esteve envolvido na fundação da Manchúria sob o comando do Exército Imperial Japonês. Ele se matou depois que o Japão se rendeu na Segunda Guerra Mundial.

O Incidente de Amakasu foi um dos exemplos mais proeminentes de autoridades japonesas que usaram a situação caótica após o terremoto catastrófico para matar anarquistas e socialistas e outras minorias, incluindo coreanos étnicos, no que mais tarde foi rotulado de Massacre de Kanto.

Takeuchi é o único sobrevivente das 14 pessoas que fundaram o grupo voluntário para preservar a lápide de Munekazu. Não há como dizer quanto tempo o grupo pode permanecer ativo, pois muitos membros são idosos.

“Espero que possamos continuar o serviço até o 100º aniversário do incidente (Amakasu) em 2023”, disse Takeuchi.

Fonte: https://www.japantimes.co.jp/news/2022/09/29/national/history/amakasu-incident-memorial/

Tradução > abobrinha

agência de notícias anarquistas-ana

Brisa ligeira
A sombra da glicínia
estremece

Matsuo Bashô

Lançamento do filme “Nossos Passos Seguirão os Seus”, de Uilton Oliveira

Apagado da história oficial do movimento operário brasileiro, Domingos Passos, um aguerrido militante anarquista, sai das sombras em direção à eternidade

O curta metragem Nossos Passos Seguirão os Seus…, com roteiro e direção de Uilton Oliveira, é um documentário experimental baseado na história do operário brasileiro, Domingos Passos, militante anarquista que enfrentou a violência estatal durante a Primeira República.

“Acredito que a maior inspiração para o filme foi a atuação de Domingos Passos no movimento operário. Ativo sindicalista do ramo da construção civil, referência política de destaque, um dos mais influentes e respeitados militantes anarquistas do Rio de Janeiro e São Paulo. Alvo constante da repressão estatal ao movimento operário, foi encarcerado diversas vezes. Mesmo diante de tamanha perseguição, fruto de sua atuação combativa e do racismo estruturante da sociedade, Domingos Passos permaneceu firme com seu ideal de transformação radical do mundo em que viveu”, destaca Uilton Oliveira.

agência de notícias anarquistas-ana

janela que se abre
o gato não sabe
se vai ou voa

Alice Ruiz

[Espanha] Lançamento: “Ética, anarquismo y sexualidad. Amparo Poch y Gascón”, de Concepción Gómez Cadenas

Amparo Poch y Gascón (Zaragoza, 1902 – Toulouse, 1968), uma das primeiras mulheres que exerceu a medicina na Espanha, foi cofundadora da revista e organização anarcofeminista Mujeres Libres, militou no Partido Sindicalista, foi conselheira de Assistência Social no Ministério da Saúde com Federica Montseny e promoveu os lares infantis, os liberatórios de prostituição e a educação e formação das mulheres em temas relacionados com a saúde e sobretudo com sua sexualidade. Como médica trabalhou até seus últimos dias em consultas especiais para obreiros. Desde a bioética, este livro delibera sobre sua atitude como médica vocacional e sobre aspectos vinculados com os confins da vida humana que surgem em sua biografia.

Ética, anarquismo y sexualidad. Amparo Poch y Gascón

Concepción Gómez Cadenas

Nº páginas: 414

ISBN: 978-84-1340-397-7

25,00 €

puz.unizar.es

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Sobre o telhado
um gato se perfila:
lua cheia!

Maria Santamarina

[México] “Funeral Popular”

Em meus vinte e nove anos de luta pela liberdade, perdi tudo e todas as oportunidades de me tornar rico e famoso; passei muitos anos de minha vida nas prisões; experimentei o caminho do vagabundo e do pária; encontrei-me desmaiando de fome; minha vida esteve em perigo muitas vezes; perdi minha saúde; em suma, perdi tudo, exceto uma coisa, uma única coisa, que fomento, acarinho e preservo quase com zelo fanático, e essa coisa é minha honra como lutador.

Carta escrita por Ricardo Flores Magón a Nicolás T. Bernal desde a prisão de Leavenworth, em 1920

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nenhum pio
depois do trovão
apenas uma fragrância

Alonso Alvarez

[México] “Não sentimos vergonha ou arrependimento por nossa causa”

A Secretaria da Defesa Nacional (Sedena) identificou a maioria dos grupos anarquistas, dissidentes, coletivos feministas, ativistas…. Queremos expressar que embora isto não seja novidade em toda a história do anarquismo e que não nos surpreenda no regime [esquerdista] atual, procuramos enfatizar a responsabilidade do Estado pelo o que possa acontecer com nossos companheiros e companheiras. Incluindo a nós mesmos.

Ricardo Flores Magón foi perseguido, preso e até o momento de seu assassinato ele nunca recuou em suas ideias. Ele disse com toda razão: “Ninguém poderá colocar sobre minha sepultura ‘aqui jaz um covarde'”. Que exemplo maior temos neste país do que o verdadeiro revolucionário? E, é claro, todos os anarquistas ao redor do mundo mortos apenas por lutarem pela emancipação dos oprimidos.

Nós sabemos que vocês nos leem, vocês tem a senha de muitas coisas. Queremos apenas expressar que não sentimos vergonha ou arrependimento por nossa causa e que aqueles que carregam o desprezo e a desonra são os paladinos do Estado, seus baluartes e proeminentes. A legalidade e sua inteligência policial e militar só dão a razão de que este sistema funciona para manter opressores e oprimidos, punindo e perseguindo todas as formas de dissidência.

Enquanto os poderes procuram perpetuar as condições de escravidão de milhões, queremos abolir a maquinaria que causa esta miséria para tantas pessoas.

Levamos um mundo novo em nossos corações.

Bloque Negro

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/10/12/mexico-o-exercito-vigia-coletivos-feministas-e-os-classifica-como-organizacoes-subversivas/

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A felicidade
nem de mais e nem de menos –
Minha primavera.

Issa

[Chile] Três anos após a revolta popular de 2019, as conclusões são claras.

Os pactos e acordos de poder e o processo constituinte resultante para uma nova constituição (acordado por todas as partes) fracassaram.

O governo progressista da esquerda social-democrata (FA/PC) vacila e cede a cada golpe de mesa da direita e das Forças Armadas e reprime impiedosamente aqueles que continuam a lutar (estudantes secundaristas).

Os setores do neofascismo liberal e os nostálgicos de Pinochet que eternamente recusam mudanças fortaleceram seu discurso oportunista, posicionando-se pouco a pouco como a oposição ao governo.

Os setores revolucionários não conseguiram capitalizar um projeto político de luta e foram diluídos entre aqueles que postularam que era necessário votar e continuar a luta e aqueles que continuaram a apostar no conflito de rua com o consequente isolamento do discurso e da prática. Nem um nem outro estão em uma boa posição hoje, numa época em que o povo, após uma revolta e uma longa pandemia, quer paz, segurança e soluções rápidas do Estado e um retorno à velha normalidade anterior a 2019.

A derrota da aprovação é um sinal claro de que o progressivismo social-democrata dominante e suas ideias e discursos nascidos da intelligentsia pós-moderna e não da conexão popular, não conseguiram encantar as maiorias e assim enterraram a ilusão de mudança na qual muitos estavam apostando. Nem as mudanças nasceriam desta rota para estrangular a revolta e desviar a atenção das exigências centrais que se chocavam diretamente com os fundamentos do modelo econômico dominante, e era óbvio que acabaria sendo esboçada nas costas do povo. Em outras palavras, este processo nasceu um fracasso para o povo e uma vitória para os poderosos.

O anticomunismo, bombardeado e financiado pela direita e pelo fascismo através das redes sociais e nas ruas, conseguiu penetrar em importantes setores da população, difamando este conceito. Diante disso, os setores antiautoritários, anarquistas e antifascistas ainda têm a oportunidade de assumir sua posição histórica ao lado das lutas exploradas e dos trabalhadores para se tornarem, a longo prazo, aqueles que fortalecem a consciência, a auto-organização, a solidariedade e a autonomia que o povo precisa para se radicalizar e lutar.

A luta foi sem representantes, urnas eleitorais, pactos ou acordos e essa é a ênfase que devemos colocar sobre a mesa durante este mês. Vamos abandonar a nostalgia do mês de outubro e continuar a luta.

Grupo de Propaganda Revolucionária – La Ruptura.

Tradução > Liberto

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Ameixeiras brancas —
Assim a alva rompe as trevas
deste dia em diante.

Yosa Buson

[Espanha] O “jogo sujo” das casas de apostas: até cinco anos de cárcere por mobilizar-se

A problemática em torno da proliferação das casas de apostas e o jogo patológico voltam a ser protagonistas de mobilizações e iniciativas sociais. Cinco moradores de Burgos enfrentam cinco anos de cárcere por protestar contra a abertura de uma nova casa de apostas em Gamonal.

Desde alguns anos a problemática do jogo patológico e a proliferação de casas de apostas nos bairros de nossas cidades se converteu em uma realidade massacrante. A adesão ao jogo é, em palavras das pessoas especialistas na matéria, “uma autêntica pandemia inserida na juventude como pode ser a heroína nos anos 80”. A localização deste tipo de casas de apostas e cassinos em bairros com rendas mais baixas não é sem importância. Tudo parece indicar que nos encontramos frente a uma estratégia da patronal do jogo para situar este tipo de negócios em áreas urbanas com um componente social mais vulnerável e tornar assim mais rentável sua atividade.

A partir da primavera de 2018 se iniciou em Burgos, com especial incidência no bairro de Gamonal, uma campanha de mobilização de moradores com a qual se denunciava o crescimento exponencial deste tipo de locais que fomentam o vício do jogo. A mobilização fez especial ênfase no rechaço ante a abertura de uma nova casa de apostas na avenida Derechos Humanos de Gamonal.

Embora é certo que, por um lado, o desenvolvimento desta mobilização de moradores fez  com que as instituições locais se vissem obrigadas a tomar medidas concretas, entre elas a proibição da publicidade de casas de apostas nos ônibus urbanos, ou a modificação do Plano Geral de Ordenação Urbana para que não se abrissem mais casas de apostas em zonas residenciais (medida que foi recorrida pela patronal do jogo e a Junta de Castilla y León); por outro, também houve pessoas que sofreram em suas próprias carnes o jogo sujo das casas de apostas em forma de criminalização.

Na atualidade cinco moradores se encontram processados por sua participação nas mobilizações contra a abertura da casa de apostas C4SINO da avenida Derechos Humanos em Gamonal. Foram acusados de supostos danos, ameaças e coações e enfrentam uma petição fiscal que poderia supor uma multa de milhares de euros e 24 meses de prisão. Por outra parte, a acusação particular, exercida pela casa de apostas, solicita até 5 anos de cárcere para cada um deles pretendendo aplicar um castigo exemplar aos que se mobilizaram. Estes moradores enfrentam um julgamento que se celebrará nos dias 20 e 21 de dezembro de 2022 no qual terão que demonstrar as incoerências de uma acusação particular que busca amedrontar o movimento de moradores que protesta contra a extensão do vício do jogo.

O jogo sujo das casas de apostas manifesta o caráter perverso deste tipo de negócios que, não só fomenta o vício do jogo, mas que pretende que se castigue com prisão aos moradores que protestaram contra a extensão de uma praga que se nutre do sofrimento e adesão das pessoas. Por tudo isso, fazemos um chamado a retomar a mobilização e denúncia frente a cassinos e casas de apostas que degradam nossos bairros participando nas atividades programadas nas jornadas Fora as calas de apostas de nossos bairros que iniciarão no próximo 14 de outubro, assim como na concentração de apoio que acontecerá no sábado 5 de novembro às 12:30 horas na Plaza Santiago de Gamonal.

Aposta POR TEU bairro!!

SOLIDARIEDADE COM OS MORADORES PROCESSADOS!!

Asamblea Vecinal contra las Salas de apostas

Fonte: https://diariodevurgos.com/dvwps/el-jogo-sucio-de-las-salas-de-apostas-hasta-cinco-anos-de-carcel-por-mobilizar-se.php

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

chegado para ver as flores,
sobre elas dormirei
sem sentir o tempo

Buson