1º de Maio Global – Um Mundo – Uma Luta

UMA SEMANA DE AÇÃO DE 27 DE ABRIL A 4 DE MAIO

A nível mundial, nós, os trabalhadores assalariados, somos colocados em concorrência para apoiar a produção de valor adicional. Independentemente de onde vivemos, do nosso gênero/sexo, nacionalidade, estamos entrelaçados na mesma luta, querendo ou não. Cortes orçamentais nos serviços sociais, externalização, salários deprimentes, privatização, aumento dos custos de vida e a destruição dos recursos naturais são apenas alguns dos sintomas do sistema econômico global. Um sistema baseado na exploração e competição conduz à comercialização de todos os aspectos das nossas vidas. Sofremos uma pressão crescente para realização de um trabalho que nos aliena das nossas necessidades e pessoas com quem gostaríamos de compartilhar a vida. Seja no local de trabalho, na universidade ou, cada vez mais, mesmo durante a infância e juventude. A lógica da economia de mercado e as estruturas correspondentes do Estado-nação exigem que a adaptação ao ditame da competitividade e a produção de valor tenham prioridade sobre o desenvolvimento das capacidades emancipatórias.

A introdução de um Rendimento Básico Universal a nível global pode ser um primeiro passo emancipatório na superação das relações laborais salariais.

Não pretendemos simplesmente perturbar; procuramos ultrapassar.

Este ano, chamamos a atenção para a crise ecológica que todos enfrentamos. Uma crise provocada pela busca interminável de margens de lucro por parte dos interesses capitalistas. Uma crise que verá guerras a assolar o mundo inteiro, fazendo com que os mais pobres de nós sofram o mais cedo e o mais depressa possível. Com os atuais modos de produção e práticas de trabalho controlados pela classe capitalista a ultrapassar esta crise, é impossível. A crise ecológica global é um problema para a classe trabalhadora de todo o mundo. Não há Terra 2.0. Não há opção de reiniciar ou plano de fuga. Há apenas o futuro. Temos de decidir, e está nas nossas mãos como a classe trabalhadora, se esse futuro estará em algum lugar onde os humanos possam viver ou não.

Dada a natureza transnacional do sistema capitalista, é necessário que os trabalhadores se liguem a nível global.

Através da ligação em rede através das fronteiras, as interligações globais que moldam as nossas condições locais podem ser tornadas visíveis. Além disso, abre novas potencialidades e âmbitos de ação no âmbito da luta contra a exploração, bem como condições de trabalho e de vida precárias. O poder de negociação dos trabalhadores aumentaria tremendamente, se nos uníssemos dentro da mesma cadeia de valor acrescentado.

Especialmente em tempos de nacionalismo e racismo, procuramos a luta comum e resistimos a ser jogados uns contra os outros.

Por uma vida melhor para todos – através de todas as fronteiras!

#globalmayday2022 #1world1struggle

Nota extra sobre destruição ambiental e luta de classes

A extração de combustíveis fósseis e a exploração dos recursos naturais da terra têm sido fundamentais para sustentar a frenética busca de um crescimento capitalista sem fim.

Desmatamento, seca, fome, deslocamento, doenças, pobreza, são todas consequências da dinâmica imperialista e colonial de expropriação de terras, dando prioridade aos interesses das corporações sobre as pessoas e os ecossistemas, e uma militarização global em larga escala para o controlo dos recursos primários.

Tal devastação está a ter um impacto prejudicial sobre o planeta e sobre a vida de milhões de trabalhadores em todo o mundo.

Milhares de pessoas perderam o seu modo de vida ancestral, milhares de trabalhadores precisam de migrar para ganhar a vida nas condições mais precárias, e milhares sofrem de doenças durante toda a vida devido às extrações mineiras, condições de trabalho e poluição. Isto tem tido um efeito mais profundo nas economias dos trabalhadores indígenas e agrícolas do Sul Global, com um aumento da percentagem de mulheres afetadas. Olhando para o contexto patriarcal, as mulheres não têm igual acesso a recursos como a educação, terra, água e cuidados médicos. São mais dependentes dos recursos naturais para a sua sobrevivência, e são frequentemente responsáveis pelo fornecimento de alimentos às suas famílias, tendo geralmente de caminhar quilômetros por água, tendo um risco acrescido para a sua saúde e de sofrer violência sexual.

O capitalismo está a arruinar o planeta, os nossos meios de subsistência e os nossos meios de existência. A ideia neoliberal de um Novo Acordo Verde de ‘transições ecológicas alternativas’ não se baseia no fato de que os recursos do planeta são finitos. Em vez disso, ajuda a branquear todo o sistema econômico.

É uma emergência que exige que os trabalhadores se organizem globalmente e lutem contra os interesses capitalistas que lideram esta crise climática. Uma crise que tem um impacto discriminatório de fatores socioeconômicos como a pobreza, e racismo sistemático, sobre os mais desfavorecidos social e economicamente, com acesso limitado aos recursos, comunidades de cor, imigrantes, e trabalhadores de baixos rendimentos.

Os sindicatos de base e revolucionários são fundamentais na organização de uma estratégia baseada nos trabalhadores para reduzir o impacto negativo das indústrias que afetam desproporcionadamente as comunidades de classe trabalhadora, que eles defendem e representam.

Para combater o modelo fóssil de produção econômica é necessário recuperar a terra, a nossa subsistência, e restabelecer um equilíbrio entre a atividade humana e o ambiente natural com base numa transição justa para um futuro sem carbono.

Uma vez que a dependência e a escassez de matérias-primas e de recursos energéticos se desdobrarão inevitavelmente em guerras e conflitos, a classe trabalhadora, armada com o poder de retirar o seu trabalho e parar a produção numa greve global, deve organizar-se numa postura internacionalista, anti-militarista e de solidariedade de classe para superar o capitalismo e avançar coletivamente no sentido de assegurar a justiça climática e a soberania alimentar para todos, colocando o nosso futuro e bem-estar nas nossas mãos.

lutafob.org

agência de notícias anarquistas-ana

estou meio tonto
descobri, ontem, dormindo
que morre-se e pronto

Bith

[França] Uma câmera de vigilância encontrada no exterior em Sevreau

Uma câmera de vigilância foi encontrada na entrada da vila, apontada para a casa de um ativista ambiental. A câmera, pouco acima do solo, estava coberta de silvas e grama. Foi conectado a um roteador Pepwave e a duas caixas contendo baterias de lítio de alta tecnologia com o selo Accuwatt, escondido em uma vala sob uma lona e uma rede de camuflagem.

O item foi adicionado à nossa lista de dispositivos, que pode ser baixada aqui (https://earsandeyes.noblogs.org/fr/telechargements/).

Seguem as fotos do dispositivo recuperado: https://earsandeyes.noblogs.org/fr/post/2022/03/21/une-camera-de-surveillance-trouvee-en-exterieur-a-sevreau-france/

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/04/28/franca-dispositivo-de-vigilancia-de-audio-encontrado-na-biblioteca-anarquista-libertad-em-paris/

agência de notícias anarquistas-ana

chegado para ver as flores,
sobre elas dormirei
sem sentir o tempo

Buson

[Portugal] Lisboa: Anarquistas convocados pela União Libertária desfilaram em bloco na manifestação do 25 de Abril

Por União Libertária

Neste 25 de abril os anarquistas saíram a rua para relembrar a história do movimento popular dos trabalhadores, estudantes e moradores na luta contra o estado fascista e os coveiros destes movimentos.

Nem Estado, Nem Patrão. Queremos Anarquia e Comunismo.

Fascismo nunca mais!

>> Mais fotos aqui:

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/04/27/lisboa-anarquistas-convocados-pela-uniao-libertaria-desfilaram-em-bloco-na-manifestacao-do-25-de-abril/

agência de notícias anarquistas-ana

Velha lagoa
um sapo mergulha
barulho d’água.

Matsuo Bashô

 

[Espanha] Burgos: Por um 1º de Maio que nos leve à Greve Geral

No próximo domingo 1º de Maio acontecerá uma manifestação libertária organizada pela CNT, CGT e a Biblioteca La Maldita. Publicamos em seguida o texto que está sendo divulgado pelos convocadores da iniciativa e com o qual se chama à mobilização social.

Por um 1º de Maio que nos leve à Greve Geral, uma Greve Geral indefinida de trabalhadores e trabalhadoras que freie o sistema capitalista. Uma Greve contra as guerras, os estados e seus exércitos, as pátrias, os nacionalismos, o militarismo… Uma Greve contra a carestia da vida, uma Greve contra a morte.

Uma Greve Geral indefinida para nos encontrarmos, pensarmos, reconhecer-nos e lutar. Uma Greve para devolver os golpes desferidos e avançar para a emancipação social. Uma Greve pela vida.

É urgente recuperar a dignidade nos trabalhos.

Basta de exploração! Gritavam em 1887 na revolta do Haymarket. Os mártires de Chicago pagaram o preço mais alto, vários morreram para conseguir a jornada de 8 horas. É obsceno considerar o 1º de Maio como um dia de festa, o 1º de Maio é um dia de luta, de orgulho e de recordação.

Basta de exploração! Gritamos hoje em 2022. Desde então, só a decoração mudou e pouco, o fundo segue sendo o mesmo; o poder e o capital se mantêm em uns poucos. Os acidentes de trabalho subiram em 2021 13,2% e as pessoas falecidas por terrorismo patronal foram 705. A cifra de invalidez, amputações e sequelas é muito maior, somada às enfermidades laborais, a sangria para a classe trabalhadora não parou. Demissões, ERTES, ERES, o IPC… os despejos, as pensões, a saúde, o encarecimento dos produtos de primeira necessidade… e a roda segue girando, o capitalismo vai nos tragando com uma voracidade imensa.

Por cada passo que retrocedemos, os poderosos avançam dez. Os meios de produção seguem nas mesmas mãos, e as organizações obreiras e coletivos sociais devemos redobrar os esforços para potencializar e fortalecer a consciência de classe, garantia esta de uma possível e desejada mudança social que freie essa tendência.

O sistema usou a pandemia para aumentar o controle social, cortar em direitos e liberdades, fechar as fronteiras e justificar os ajustes econômicos com a desculpa de um mal maior. O quarto poder, os meios de comunicação, nos bombardeiam diariamente com mensagens manipuladoras, totalitárias, racistas, classistas e competitivas. Condicionando-nos, doutrinando-nos para assim anular o livre pensamento e o senso crítico.

O ressurgir do fascismo e os totalitarismos põem em risco nossa própria sobrevivência. É o momento de sair às ruas, de organizar-se, de redobrar esforços para manter viva a ideia. É o momento de calar o fascismo antes que se faça mais forte. A democracia oprime o livre pensamento, encarcera e reprime a quem luta por um mundo justo. Quando não, deixa passagem ao fascismo e os totalitarismos em épocas de crise.

Não vamos nos deixar enganar com falsas promessas eleitorais, a via parlamentar e a participação nas instituições são caminhos mortos, à vista de todos ficou demonstrado. Acaso revogaram as reformas laborais de 2010 e 2012? Revogaram a lei mordaça? Queimadores de ilusões, fogueiras da honestidade, geram um descontentamento profundo que deslegitima as ideias e práticas de mudança e emancipação que perseguimos.

Do poderoso não vai chegar a solução que sirva ao oprimido, a solução passa pela auto-organização dos trabalhadores e trabalhadoras, passa pela revolução social dos oprimidos contra os opressores.

Passa por arrebatar e coletivizar os meios de produção dos poderosos e organizar a sociedade de maneira horizontal, equitativa, justa e igualitária.

Basta de calar-se! Basta de resignar-se! Os tempos exigem coragem! Estejamos à altura dos tempos que nos coube viver.

Por um 1º de Maio revolucionário. Por um 1º de Maio digno onde arrebatemos ao poder a versão oficial de 1º de Maio. Por um 1º de Maio onde se honre a memória dos companheiros caídos e presos. Por um 1º de Maio que nos aproxime da Greve Geral indefinida e da emancipação.

Fonte: https://diariodevurgos.com/dvwps/por-un-1o-de-Maio-que-nos-lleve-a-la-Greve-Geral.php

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

café-da-manhã,
bem-te-vis gritando:
que bom acordar!

Valdir Peyceré

[Chile] Santiago: Rumo a um novo 1° de Maio – 30 de abril

Na véspera de um novo 1° de Maio, como Assembleia Libertária de Santiago, aproveitamos a oportunidade para voltar às atividades no espaço público. Desta vez deixamos vocês convidados para esta jornada que acontecerá na praça, localizada ao lado dos Jogos Dianas e em frente à saída do metrô Parque Almagro.

Será uma jornada de reflexão e discussão teórica assim como de relaxamento, contaremos também com a presença dos compas de “Vamos hacia la vida” e também de “La rebelión del Matico” para retomar as atividades no espaço público.

Se você tem um projeto editorial, nós o convidamos a trazer seu trabalho neste dia. Esperamos vê-los no dia 30 de abril a partir das 16h, saúde!

Assembleia Libertária de Santiago

agência de notícias anarquistas-ana

o vôo dos pombos
interrompe
o jogo das crianças

Ion Codrescu

[Canadá] Reivindicação territorial Kanehsatake

Por Mídia Sem Fronteiras
 
Os defensores das terras aborígenes na comunidade de Kanehsatake plantaram a bandeira da Confederação Haudenosaunee em terras em disputa para que o público soubesse que a terra será recuperada.
A ação ocorreu na manhã de 27 de abril em um terreno de 200 acres no meio de Kanehsatake, perto de Little Tree Gas. Esta terra tem sido objeto de controvérsia durante os últimos seis ou sete anos, especialmente desde que pelo menos um acre de mato foi cortado.
O terreno deveria ter sido vendido ao Conselho Mohawk de Kanehsatake (MCK), mas essa venda nunca ocorreu, e os membros da comunidade souberam que o terreno havia sido vendido a uma empresa privada: Vegibec Inc.
A colocação da bandeira e a presença de membros da comunidade é uma mensagem para o público de que a terra será recuperada. Por enquanto, os membros da comunidade estão monitorando a situação, mas um apelo à solidariedade externa poderá ser feito num futuro próximo.
Reportado por @NoBordersMedia, com base em informações de primeira mão de um membro da comunidade local no terreno. Veja o feed do Twitter para mais fotos.

Fonte: https://mtlcontreinfo.org/reclamation-territoriale-a-kanehsatake/

Tradução > Liberto
 

agência de notícias anarquistas-ana

tantos outonos
em uma paisagem
chuva nos pinheiros
Alice Ruiz

[Rússia] Coquetéis molotov jogados no Escritório de Registro e Alistamento Militar em Mordovia

Na noite de 18 de abril, 22 pessoas desconhecidas atacaram o “Comissariado Militar dos distritos Zubovo-Polyansky e Torbeevsky”, localizado na aldeia de Zubova Polyana, a 2,5 horas de carro de Saransk. Por volta das 3 da manhã, o vigilante local sentiu o cheiro de fumaça no prédio, correu para fora e viu as salas do primeiro andar, que estavam envoltas em chamas. As salas (40 m²) onde foram mantidos os dados dos recrutas foram danificadas, vários computadores foram destruídos, um dos escritórios queimou até o chão.

Mais tarde, quatro coquetéis molotov foram encontrados no local. Os atacantes não deixaram vestígios (não há câmeras ou sistemas de alarme no escritório de alistamento militar).

Um caso criminal foi iniciado sob a Parte 2 do Artigo 167 do Código Penal (destruição intencional ou danos à propriedade). Ainda não foi feita nenhuma declaração oficial. Esperamos que os guerreiros permaneçam em liberdade.

Fonte: https://anarquia.info/rusia-lanzamiento-de-cocteles-molotov-contra-la-oficina-de-registro-y-alistamiento-militar-en-mordovia/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

À sombra, num banco,
folha cai suave
sobre meu cabelo branco

Winston

[Canadá] Caminhando em Westmount

Nos últimos dois meses, as pessoas que estão mantendo viva a luta contra a CGL [Coastal GasLi] no Yintah e no acampamento no km 44 no território do Clã Gidimt’en têm sido submetidas a contínuas perseguições e intimidações por parte da RCMP [Royal Canadian Mounted Police]. Nos últimos dias, a polícia decidiu prender alguém no acampamento sob o pretexto de “ausência de identificação”.

Acreditamos que a solidariedade ativa é sempre necessária e ainda mais quando a repressão atinge nossos camaradas. Esta solidariedade pode ser expressa através de ataques fáceis, a fim de quebrar o isolamento e o medo em que o Estado tenta nos prender. Nem sempre é fácil, mas pensamos que alguns de nossos inimigos são facilmente identificáveis. Normalmente eles têm casas grandes e um pouco de paz que procuram manter a salvo da guerra social que os envolve.

Com isto em mente, e com nossa raiva, decidimos tomar as ruas de Westmount na última quarta-feira à noite. Usando um extintor cheio de tinta, nos divertimos vandalizando a frente da casa (localizada na 734 Upper Lansdowne Avenue) da presidente da BC Royal Bank’s Quebec, Nadine Renaud-Tinker.

Solidariedade com os Wet’suwet’en (povo indígena local) e todos aqueles que defendem o Yintah contra a CGL. Solidariedade com os camaradas no KM 44!

Foda-se o RCMP, a RBC e a CGL!

Anarquistas

Fonte: https://mtlcontreinfo.org/promenade-a-westmount/

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/23/canada-wetsuweten-despejam-a-coastal-gaslink-do-campo-de-perfuracao-coyote-camp-e-restabelecido/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/03/canadian-tire-fire-21-atualizacao-da-repressao-solidariedade-aos-wetsuweten/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/01/canada-apoiadores-dos-wetsuweten-fecham-terminal-shell-em-hamilton/

agência de notícias anarquistas-ana

o sol inclinado
leva até minha parede
o gato do telhado

José Santos

[França] Dispositivo de vigilância de áudio encontrado na biblioteca anarquista Libertad em Paris

Um dispositivo de vigilância de áudio foi encontrado na biblioteca anarquista Libertad em Paris. O dispositivo estava escondido dentro da impressora-copiadora da biblioteca. Consistia de dois microfones, uma antena, um transformador, uma bateria, uma caixa contendo um cartão eletrônico, um cartão SD de 64 GB e um cartão SIM da operadora de telefonia móvel Orange.

Segundo o comunicado à imprensa anunciando a descoberta do dispositivo, tratava-se de um dispositivo de vigilância RB800 comercializado pela empresa italiana Innova. A ficha do produto para o dispositivo RB800 pode ser baixada aqui em inglês (https://earsandeyes.noblogs.org/files/2022/04/RB800-en.pdf), e uma tradução francesa da folha de produto pode ser baixada aqui (https://earsandeyes.noblogs.org/files/2022/04/RB800-fr.pdf).

O artefato foi adicionado à nossa lista de dispositivos, que pode ser baixada aqui (https://earsandeyes.noblogs.org/fr/telechargements/).

Fotos do dispositivo encontrado aqui: https://earsandeyes.noblogs.org/fr/post/2022/04/02/un-dispositif-de-surveillance-audio-retrouve-a-la-bibliotheque-anarchiste-libertad-a-paris-france/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Onde começa, onde acaba
a cabeça, a cauda
da serpente do mar?

Kyorai

[Espanha] O “Manifesto Anarcafeminista” por Chiara Bottici | Laura Vicente: minha leitura pessoal

A leitura deste Manifesto de Chiara Bottici [1], no final de 2021, foi uma lufada de ar fresco no panorama do feminismo anarquista carente de ideias, muito menos de construção de movimentos sociais, neste país. Não subestimo, longe disso, todos os esforços que são feitos para construir uma proposta feminista a partir do anarquismo, tudo é útil, e ainda mais nestes tempos. No entanto, temos que reconhecer como é difícil e lento fazê-lo: às vezes por falta de ideias, às vezes porque o ativismo em outros campos deixa pouco tempo para a criação de sólidos grupos anarco(a)feministas com continuidade no tempo e, finalmente, muitas vezes porque os confrontos dominam o espaço feminista e anarquista e o tempo e a energia são desperdiçados neles.

Além da leitura do Manifesto, participei de uma conferência em Barcelona (em 7 de março de 2022) na qual a autora sintetizou suas ideias, o que ela explica em um livro [2] que acaba de sair e que estou lendo atualmente.

Por que um Manifesto? A necessidade de um Manifesto aqui e agora é dada pela existência de órgãos de gênero que são explorados e dominados em todo o mundo, não porque seja proposto como um plano que pode ser dado de uma vez por todas e aplicado em todos os contextos. Este último estaria em flagrante contradição com o anarquismo que permeia este Manifesto e que deve estar aberto e em constante desenvolvimento, como diz a autora.

Por que Anarcafeminista? O anarquismo significa que não há arquétipo (que não há lei, nenhum princípio único que explique a opressão da mulher) e o conceito anarcA é feminizado para dar visibilidade à faceta especificamente feminista dentro da teoria e prática anarquista.

Conteúdo do Manifesto (de acordo com a ideia de que o Manifesto está aberto e em constante desenvolvimento, deve ficar claro que este não é um resumo do Manifesto, eu o fiz meu e o cortei a meu gosto).

A autora parte da existência de uma androcracia global. Embora o patriarcado, que significa a lei do chefe de família masculino, tenha sido derrubado em muitos contextos, o poder dos homens sobre o “segundo sexo” (um termo que ela toma emprestado de O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir [3]) é mantido através da morte, do Estado, do capital e do imaginário. A estes quatro instrumentos da androcracia Bottici dedica sete dos nove capítulos que compõem o seu Manifesto.

Em relação à morte (capítulo 1), a autora aponta a existência de um verdadeiro generocídio global contra pessoas percebidas como mulheres.

O segundo instrumento da androcracia é o Estado (capítulos 2 e 3) e sua dimensão de gênero. O Estado sempre foi uma ferramenta de uma minoria (onde quase não há mulheres) que governa a maioria.

O capital (capítulo 4) é o terceiro instrumento da androcracia, precisa da divisão de trabalho por gênero, para que possa obter a extração de mais-valia do trabalho assalariado produtivo e também do trabalho reprodutivo não remunerado. Ela é sustentada pela expansão do lucro e, portanto, o capitalismo também precisa extrair recursos naturais livres do meio ambiente. Para este fim, ocupou terras estrangeiras através do colonialismo e dividiu a população mundial em diferentes raças, dando à raça branca o papel de suprema.

O imaginário (capítulos 5, 6 e 7) [4] é o quarto e mais filosófico instrumento da androcracia, e um que ainda tenho que digerir. A autora assinala que “mulheres” não é nem uma essência eterna nem um objeto predestinado. As mulheres não são objetos, mas processos (o lugar de se tornar); elas não são coisas, mas relações sociais. Partindo de ideias da filosofia da transindividualidade, a autora argumenta que os corpos nunca são processos completos que sempre excedem os limites individuais: não existe uma individualidade que não seja ao mesmo tempo uma transindividualidade, ou seja, um processo de individuação que ocorre em três níveis:

  • inter (os corpos nascem de um encontro interindividual, como o de um esperma e de um óvulo).
  • supra (os corpos são moldados por forças supra individuais, tais como sua localização geográfica no capitalismo global racializado).
  • intra (os corpos são construídos por elementos interindividuais, tais como o ar que respiramos e os hormônios que ingerimos quando comemos).

Os corpos das mulheres, como todos os corpos, são corpos no plural porque são processos, processos constituídos por mecanismos de afetação e associações que ocorrem nos três níveis mencionados acima. Moléculas que inalamos, átomos que comemos, bactérias e outros indivíduos que habitam nosso corpo, são parte de nosso ser trans-individual (isto não significa o abandono do indivíduo ou de distinções).

O trans-individual é um prisma através do qual se pode compreender a individualidade da mulher:

1) Ecologia e feminismo não são separados, uma vez que o meio ambiente é constitutivo de nossa individualidade.

2) As construções do imaginário coletivo, como gênero, raça e classe, são conceitualizadas desde o início como constitutivas de nossa individualidade. O aparato imaginário que sustenta a androcracia global infiltrou-se até mesmo no próprio processo de se tornar uma mulher. Os corpos das mulheres estão sujeitos a um processo de disciplina, cujo objetivo é: governar os corpos e incutir em nós a ideia de que nossos corpos precisam ser governados.

3) Quando os corpos das mulheres são teorizados como processos transindividuais, podemos falar de “mulheres” sem incorrer em essencialismos ou culturalismos. Não há lugar para a oposição sexo (natureza) e gênero (cultura). Além disso, esta abordagem nos permitiria incluir todos os tipos de mulheres, não apenas as mulheres cis.

Imagens e rituais de saúde, beleza e cuidados são um dos enclaves mais poderosos para o exercício das “tecnologias androcráticas do eu” [5]. Eles criam sujeitos dóceis tanto através de regras do exterior quanto através da participação voluntária na submissão.

Embora transindividualidade não signifique transgênero, no entanto, o processo de transgenerização é uma das formas possíveis de individuação e individuação e não uma anomalia.

O que o anarcafeminismo levanta? (Capítulos 8 e 9 e trechos dos capítulos anteriores).

A autora assume que o anarquismo é um método, não um plano que pode ser dado de uma vez por todas e aplicado em todos os contextos. Isto não significa que não possa haver programas limitados no tempo e para locais específicos. Nesta base, analisemos as contribuições do anarquismo ao feminismo, ou em outras palavras, o que se entende por anarcafeminismo.

O anarquismo não é a ausência de ordem, mas a busca de uma ordem social sem um ordenador e, portanto, desenvolve um feminismo sem arquétipo, ou seja, sem hierarquias ou governantes. Deste ponto de vista, o anarcafeminismo questiona processos de normalização que levam à exclusão e ao estabelecimento de hierarquias, inclusive aquelas baseadas no gênero e no sexo.

Não é possível combater uma forma de opressão sem combatê-las todas ao mesmo tempo, isto leva a uma interseccionalidade, pois todas as formas de opressão habitam a mesma casa, que é a crença de que algumas pessoas se consideram superiores a outras, e esta superioridade justifica sua dominação.

A liberdade é o fim e é uma contradição pensar em alcançá-la através de qualquer outra coisa que não seja a própria liberdade. A liberdade é indivisível e, portanto, o feminismo significa a libertação de todos os gêneros, desta perspectiva a luta é por um mundo além da oposição entre homens e mulheres, além do feminismo.

Pense globalmente, aja localmente. A luta, que tem que ser global, tem que enfrentar o legado do colonialismo e do sistema racial na produção do conhecimento (conteúdo decolonial).

O anarcafeminismo é ecofeminista, é ecoafetividade (ecologia como co-afetividade). É a capacidade de afetar e ser afetado por cada ser, o que põe em questão qualquer hierarquia entre os seres, assim como os limites que os separam. A noção de afeto é central para uma “política de renaturalização”, onde a natureza é trazida de volta ao centro do pensamento e da ação política. Uma abordagem anarcafeminista da ecologia é “sem” natureza em sua forma alienante, mas “através” da natureza, no sentido de uma única substância transindividual infinita.

A partir destas abordagens…

Comece sua revolução agora, exerça seu poder hoje. Tomar o poder do Estado é reproduzir a estrutura de poder a ser desafiada, então basta fazê-lo: nenhuma rebelião é pequena demais e as revoltas não são exclusivas. Ser um “pirata de gênero” [6]: resistir às normas de gênero, brincar com elas, deixar de cumpri-las, desobedecer, boicotar, combater o capitalismo… Estas ações são a prefiguração de um mundo diferente.

Laura Vicente

[1] Chiara Bottici (2021): Manifiesto Anarcafeminista. NED Ediciones, Espanha.

[2] Chiara Bottici (2022): Anarcafeminismo. NED Ediciones, Espanha.

[3] Entretanto, ela entende por “segundo sexo” todos aqueles excluídos do “primeiro sexo”, basicamente homens cisgêneros.

[4] Imaginário (ou Imaginal, no original) é entendido como o caráter das sociedades contemporâneas que, no primeiro aspecto, são vivenciadas na vida cotidiana com base nas singularidades estéticas dos vínculos entre os indivíduos e, em segundo lugar, são responsáveis por uma indistinção entre as imagens e o que se pode chamar propriamente de social. E. Marcos Dipaola (2019): “Producciones imaginales: lazo social y subjetivación en una sociedad entre imágenes”. Ediciones Complutense. https://revistas.ucm.es/index.php/ARIS/article/view/59483

[5] “Tecnologias do eu” é o título de um seminário dado por Michel Foucault no qual ele descreve as tecnologias do eu como aquelas que “permitem aos indivíduos realizar, por seus próprios meios ou com a ajuda de outros, um certo número de operações em seu próprio corpo e alma, pensamentos, comportamento e forma de ser, a fim de se transformarem com o objetivo de alcançar um certo estado de felicidade, pureza, sabedoria, perfeição ou imortalidade”. Citado por Chiara Bottici, Manifesto Anarquafeminista, p.64.

[6] Paul B. Preciado (2020): Testo yonqui. Sexo, drogas e biopolítica. Anagrama, Barcelona, p. 55.

Fonte: http://pensarenelmargen.blogspot.com/2022/04/el-manifiesto-anarcafeminista-de-chiara.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

sol em plenitude
uma rã pula — em versos
barulho de Vida

Roséli

[São Paulo-SP] Sarau Anarquista do 1° de Maio

Quando:  Domingo, 1° de Maio | Horário: 15 horas | Onde: Minhocão, acesso ao lado metrô Santa Cecília.

O dia 1° de maio é conhecido internacionalmente como “o dia do trabalhador”.

A data foi escolhida em memória dos cinco anarquistas que foram condenados à forca, injustamente acusados de terem atirado uma bomba em uma das manifestações públicas durante a greve geral pela redução da jornada de trabalho, realizada em Chicago, no ano de 1886.

O enforcamento se deu em novembro de 1887.

Mas a morte desses anarquistas não foi em vão. Em solidariedade combativa, trabalhadores e trabalhadoras pararam a produção. Em 1890 a jornada de trabalho, que chegava a 16 horas por dia, foi reduzida para 8 horas, em Chicago e em outros cantos.

Em 1893, o governador de Illinois declarou a inocência dos sentenciados e o procedimento parcial do juiz e do júri.

Nesse dia de luto e de luta, nós, anarquistas, queremos manifestar nosso repúdio a todos aqueles que vivem da exploração do trabalho alheio e a todos os que dizem representar os trabalhadores nas instâncias de poder, domesticando a revolta e apartando o atrito entre o patrão e quem trabalha. Lembramos que a luta organizada da classe trabalhadora, sem a mediação de dirigências sindicais e de representantes políticos é a única capaz de transformar o mundo.

Mais de 100 anos depois da luta e morte dos trabalhadores de Chicago, permanecemos ainda sob o jugo da exploração capitalista. Entretanto, nos dias atuais, encaramos a nova máscara dessa exploração: a tecnologia que, sequestrada pelo capital, ao invés de garantir o ócio bom,  vem eliminando empregos e direitos conquistados pela organização de trabalhadores e trabalhadoras.

Impõe-se urgentemente retomar o processo associativo em torno de sindicatos, associações e cooperativas que não sejam correias de transmissão dos interesses de partidos políticos.  Além disso, criar territórios de luta e de cultura, baseados na ação direta e na solidariedade, exercendo a liberdade coletiva e revolta.

CANÇÃO DO PRIMEIRO DE MAIO

(Grupo Organizado de Teatro Aguacero – GOTA)

Dia primeiro de maio não é dia do trabalho / Dia primeiro de maio é dia de quem trabalha / Não é dia de serão, hoje é dia de sarau / Vou levar meu violão, pega lá teu berimbau / Dia primeiro de maio não é dia do trabalho / Dia primeiro de maio é dia de quem trabalha / Mais do que um dia de luto, mais do que um feriado / Esse é um dia de luta contra o capital e o Estado / Dia primeiro de maio não é dia do trabalho / Dia primeiro de maio é dia de quem trabalha / Dia de erguer a cabeça, de mostrar sangue nos zóio / É dia da resistência socialista libertária / Dia primeiro de maio não é dia do trabalho / Dia primeiro de maio é dia de quem trabalha / Dia de organização, vamo lá companheirada / Fecha o punho e ergue a mão, sai cantando pela estrada / Dia primeiro de maio não é dia do trabalho / Dia primeiro de maio é dia de quem trabalha

E agora a todos eu digo: Não vacile. Desnudar as desigualdades do capitalismo; expor a escravidão da lei; proclamar a tirania do governo; denunciar a ganância, a crueldade, as abominações da classe privilegiada que se revoltam e se deleitam com o trabalho de seus escravos assalariados.” – Albert Parsons, dias antes do seu enforcamento.

Centro de Cultura Social (CCS) de São Paulo

Rua Gal. Jardim, 253 – Sala 22, Vl. Buarque – São Paulo (SP)

E-mail: ccssp@ccssp.com.br

Site: www.ccssp.com.br

FB: www.facebook.com/centrodeculturasocialSP

agência de notícias anarquistas-ana

folhas ao vento
é outono
pássaros perseguem as folhas

Sérvio Lima

[Espanha] 1º de Maio de 2022: Os direitos se conquistam lutando

Nem nos farão acreditar, nem nos farão calar

O que se prometia como a solução para os problemas da classe trabalhadora não supôs mais do que um novo e enorme fiasco; a nova reforma supõe a definitiva legitimação e consagração, por parte do autodenominado governo mais progressista da história, daqueles aspectos mais lesivos que já se avançaram nas reformas laborais de 2010 (governo Zapatero) e de 2012 (governo Rajoy).

Entre outras questões, ficam os mecanismos que facilitavam as demissões (não se recuperam indenizações nem os salários de tramitação), ficam as razões intangíveis das previsões econômicas (perdas previstas ou futuras) para poder levar a cabo demissões coletivas, ou a não intervenção da autoridade laboral nos ERE.

Dos convênios de empresa, unicamente se garante a igualdade salarial, mas não o restante. E em matéria de subcontratação, terão que conquista-la nos tribunais sem sombra de dúvidas, já que não se dá uma solução clara aos que realizam igual trabalho, mas não recebem igual salário.

Enquanto isso, o custo de vida segue aumentando a toda velocidade, sem que as rendas da classe trabalhadora cresçam ao mesmo ritmo. Em uns casos, com a cumplicidade ativa dos sindicatos majoritários. Em outros, por culpa de uma estudada passividade por parte dos que governam. Bens de primeira necessidade aumentam seu preço recorde um mês após o outro. Nem os salários nem as rendas básicas têm uma atualização que se equipare ao encarecimento do custo de vida. Em todas as frentes podemos observar o mesmo: pensões que não se revalorizam, convênios que ficam congelados…

Agora, ademais, quando apenas começamos a pagar as consequências da crise do Covid-19, se avizinham as da guerra da Ucrânia. O sistema capitalista já pôs a funcionar sua maquinaria para que de novo sejamos as trabalhadoras e trabalhadores que assumamos os sacrifíciose o vão fazer como sempre, com a cumplicidade dos sindicatos majoritários, que sem dúvida vão nos vender uma vez mais, como já o fizeram com as reformas laborais, com o chamado Pacto de Rendas.

À CGT nem a farão acreditar nem a farão calar, por mais operações propagandísticas que levem a cabo os que prometiam assaltar os céus. As conquistas sociais se conseguem na rua não nas urnas. As verdadeiras conquistas sociais, as que supõem uma verdadeira transformação, jamais surgiram de um pacto entre oligarquias.

Os direitos se conquistam lutando.

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Excesso de chuvas
a desequilibrar a árvore
raízes se afogam.

Haruko

[Espanha] Videoclipe | O assassinato do libertário Salvador Seguí através da Lumpen Klass Blues

Salvador Seguí, mais conhecido como “El Noi del Sucre”, foi um dos anarcossindicalistas mais destacados na Barcelona de começos do século XX. Seu assassinato nas mãos de pistoleiros da patronal é o argumento do videoclipe realizado pela Lumpen Klass Blues, banda burgalesa que aborda temas sociais e com consciência de classe.

Através de um videoclipe a Lumpen Klass Blues recria a trágica história de Salvador Seguí, um dos membros mais destacados da CNT dos anos 20, cujo assassinato é narrado de forma teatralizada por um obreiro condenado ao garrote vil. Uma forma de execução especialmente cruel que esteve vigente na Espanha até o final da ditadura franquista.

>> Veja o videoclipe (04:10) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=r4DNkRPolGQ&t=2s

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agência de notícias anarquistas-ana

de momento em momento
tudo que eu digo
se choca com o vento

Camila Jabur

[França] Wallers (Nord): O container dos caçadores queimou

Por volta das 16h30, caminhantes subindo a estrada Hérin que liga Wallers-Arenberg a Bellaing nos campos, chamaram os bombeiros para denunciar um incêndio.

Seis bombeiros do quartel de bombeiros de Anzin intervieram para conter o incêndio, o que foi feito em cerca de dez minutos com uma única mangueira pequena. O container que pegou fogo foi um recipiente de metal que os caçadores do Moulin des Fourches usavam como uma espécie de espaço para descansar e comer durante suas viagens de caça.

O container foi completamente destruído, assim como os móveis no interior: mesa, cadeiras, sofá, fogão a gás. De acordo com os bombeiros, o incêndio foi claramente intencional.

Christophe Demarque, o ex-jogador, que esteve presente no local, confirma que esta não é a primeira vez que atos de incivilidade são cometidos contra as instalações. Ironicamente, o container deveria ser movido em julho.

“Agora é só uma questão de desfazer-se dele”, diz ele.

Fonte: https://attaque.noblogs.org/post/2022/04/24/wallers-nord-le-container-des-chasserus-incendie/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

nadam no vento
como carpas douradas
folhas de bambu

Akatonbo

 

[Alemanha] Colocando o sistema de propriedade em perigo – Bloco Anarquista revolucionário da demonstração de May Day de 2022 em Berlim

A mudança que está chegando só virá por meio da revolução porque a classe proprietária não permitirá que aconteça uma mudança pacífica, e ainda assim estamos dispostos a trabalhar pela paz a qualquer custo, exceto pelo preço da liberdade.” – Lucy Parsons

Estamos carregando um novo mundo em nossos corações, e esse mundo está crescendo aqui e agora.” – Durruti

O que o olho vê, a mão toca. O material inflamável da propriedade explode com a chama da revolução.” – Stirner

Com muita frequência afirmamos facilmente ser contra o capitalismo, mas às vezes nos falta pensar verdadeiramente sobre o que o capitalismo significa. Perdidos na luta abstrata contra a fera insaciável, nós nos esquecemos o quão real ela é.

Por eras, a arrogância dos ricos e das pessoas no poder de proclamar dominância exclusiva sobre nossas vidas tem aumentado. Ao controlar nosso tempo através do trabalho, querem apropriar nossas emoções e relações sociais. O cansaço não é mais uma parte de nós, mas o dever de nossas horas semanais; a mesma contagem de horas que apaga nosso desejo por tempo de lazer com amigos, amigas e pessoas que amamos. É esse dever que empurra nossos corpos e, com eles, nosso primeiro espaço de enunciação para as mãos capitalistas do Estado e de seus servos, conectando nossas vidas em suas construções mais íntimas com a propriedade e estabelecendo a prisão do binarismo como uma verdade absoluta ao classificar alguns corpos e comportamentos como mais valiosos que outros.

A propriedade privada como a conhecemos, a que conhecemos no sistema capitalista no qual nascemos e fomos criados e que, por conseguinte, é percebida como algo quase “natural”, na verdade teve início há alguns séculos. Foi apenas desde as propriedades comunitárias do século XVII que a propriedade se tornou algo natural e um direito inviolável de todo cidadão. Hoje, a propriedade privada é considerada em todos os países um verdadeiro direito sagrado e natural, absoluto e inalienável, necessário e inviolável, digno de ser protegido pela força das ideias e pela força das armas. A riqueza se transformou em um produto absoluto e, o capitalismo, no melhor mundo possível.

A propriedade é necessária para o Estado, para os ricos e para os poderosos, para que mantenham sua hegemonia, e não é de forma alguma necessária para a felicidade. O que ganhamos ao ter mais do que os outros? Por que isso deveria nos trazer felicidade? Não é a posse de algo que nos faz feliz, mas ter esse algo disponível. Então por que não podemos disponibilizar o que precisamos juntos, coletivamente, ao invés de guardar tudo para nós mesmos? Há uma grande diferença entre ser capaz de utilizar um bem coletivamente, seja da mesma forma ou da maneira que os indivíduos precisam, e tê-lo só para si. Posses e propriedade concedem poder. Poder sobre quando, como e quem pode ter acesso àquilo. Até os itens mais básicos que são necessários para viver, como moradia, alimentação, saúde, mobilidade, conhecimento…, são propriedade privada de umas poucas pessoas ricas, de empresas, ou do Estado, que decidem a que preço e em quais condições podem ser disponibilizados a nós. Isso cria uma extorsão contínua, uma coleira apertada em volta do pescoço, sendo afrouxada e apertada dependendo dos conceitos de quem a segura.

O Estado e aqueles no poder precisam defender sua hegemonia e propriedade privada; precisam de leis, checar se são obedecidas e, consequentemente, colocar em voga um corpo opressivo de controle, representado pela polícia e pelas prisões.

Essas duas instituições, prisão e polícia, são estruturadas para reforçar a desigualdade social já presente na sociedade e proteger hierarquias e poder.

Não é uma coincidência que os grupos de ofensas com os maiores números de casos registrados são roubo, fraude e dano à propriedade, o que constitui até 62% do número total de registros criminais na Alemanha (fonte: Polizeiliche Kriminalstatistik 2018).

Outro passo na direção da propriedade privada é a monopolização dos meios de produção por aqueles que detêm o capital. O sistema de hoje requer um ritmo de produção furioso para alimentar o capitalismo. Não importa o que é produzido e a que custo, o mais importante é produzir para aqueles que podem consumir.

A indústria bélica é um exemplo claro de produção exclusiva, o que requer grandes quantidades de recursos e move grandes quantidades de capital, mas quem precisa dela e quem realmente quer que ela exista? Nós certamente não a queremos. Armas que funcionam como meio de globalização, colocando a nação como uma forma única e absoluta de consolidação social, criando fronteiras que apenas quando sob o poder dessas armas e de seus servos se tornam visíveis aos olhos daqueles que as habitam. Encontram na guerra um recurso imperial para consolidar seus sistemas centralizadores de poder através do monopólio da violência.

É a mentira eterna da classe dominante mudar as vestes da dominação colonial; dominação essa que, com desculpas de supremacia branca, estupra, escraviza e assassina populações inteiras ao pintar qualquer sentimento coletivo que não se conforma à sua democracia moderna como bárbaro e perigoso, tudo com o objetivo de se apropriar dos recursos naturais e extraí-los pela força para o benefício de alguns poucos do Norte global. É essa a promessa dormente da democracia ocidental que se torna uma arma contra todos os movimentos de libertação do Sul global.

Da dominação colonial à apropriação de nossos corpos, a tarefa mais difícil é nos forçar a não ver o mundo através dos olhos daqueles que nos dominam, não se aliar àqueles que nos oprimem e, assim, não oprimir aqueles que foram posicionados um degrau abaixo de nós no mundo.

A felicidade só pode existir com a liberdade, e só podemos falar em liberdade quando todos e todas são livres.

Estamos cansados de suportar debates sobre a pobreza e nos falarem que deveríamos esperar pacientemente até recebermos os benefícios do sistema capitalista. Estamos cansados de ser peões nos seus jogos de poder, de sermos explorados e exploradores, mais ou menos diretamente, por esse mundo abusado de todas as formas, cansados de viver na mentira dos Estados democráticos e do capitalismo. Não queremos servir nem sermos servidos: rejeitamos todas as formas de hierarquia e autoritarismo.

Não podemos continuar inertes e passivos, nossas ideias devem ser espalhadas e tomar forma em práticas por uma libertação total, tanto nossa quanto de todas as coletividades subjugadas e exploradas, para que o poder, acompanhado por todos os seus componentes – autoridade, hierarquia, opressão e propriedade privada – e em todas as suas formas – o Estado e suas estruturas, hierarquias religiosas, patriarcado, colonialismo, capacitismo e especismo – sobre apenas como uma memória distante.

Como um bloco anarquista, somos a união de diferentes experiências de vida e ideais. É o amor pela liberdade e a convicção para lutar contra o capitalismo que nos une e nos permite transformar nossas diferenças em uma luta conjunta contra a opressão. Reconhecemos a necessidade de todos nós trabalharmos juntos rumo à aceitação de tais diferenças. Não estamos chamando você para se juntar a nós, mas divulgando um convite aberto para construir juntos, para aprofundar nosso diálogo, para lutarmos juntos.

Expropriação, ocupação e trapaças contra o Estado e contra a burguesia são alguns exemplos de ação direta contra a propriedade privada, o que afirmamos e lançamos como um ato de libertação das correntes do capitalismo para retomar as posses do que nos fora tirado.

A reapropriação não pretende ser um fim em si mesma, não é suficiente que tenhamos para nós o que conseguirmos retomar, queremos dividir o que vier. Vamos destruir o sistema de propriedade privada e colocar a solidariedade na prática, tornando os recursos comuns a todos e todas.

Não queremos um pedaço do bolo, queremos a padaria inteira!

Uma vida sem o capitalismo é possível.

Por uma sabotagem coletiva!

Fonte: https://enoughisenough14.org/2022/04/18/putting-the-system-of-property-in-danger-anarchist-block-revolutionary-mayday-demo-2022-berlin/

Tradução > Sky

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/04/18/alemanha-junte-se-ao-bloco-anarquista/

agência de notícias anarquistas-ana

Toda a beleza
do muro verde da montanha
traz saudade

David Rodrigues

[Reino Unido] Adios, Amigo. (Brian Bamford, 12/14/40 – 2/18/22)

Embora eu estivesse esperando, ainda é uma notícia muito triste de ouvir a morte de Brian Bamford, aos 81 anos. Ele morreu em casa nas primeiras horas da manhã da última sexta-feira (18 de fevereiro), após uma longa doença. Ele era um bom amigo e camarada e eu sentirei muita falta dele. É estranho não ouvir sua voz ao telefone, pois ele me ligou muitas vezes por semana durante anos. Embora discutíssemos frequentemente um com o outro sobre um ou outro assunto, eu gostava muito dele e o respeitava. Entretanto, tínhamos muito em comum e acho que conseguimos algo através de nossa amizade e colaboração.

Brian era um personagem único. Ele tinha uma natureza generosa e vivia e respirava política. Ele certamente não faltava quando se tratava de ter coragem e ele sempre liderava de frente. Ele era um homem que ia para a cadeia em vez de pagar uma multa e tinha sido frequentemente preso por suas atividades políticas. Às vezes eu lhe dizia em tom de brincadeira que ele tinha comido mais mingau do que os três ursos. Mas, como anarquista, Brian não estava interessado em cargos políticos ou no caminho parlamentar para o socialismo. Ele era mais um militante industrial e jornalista.

Em 2003, um grupo de nós, incluindo anarquistas como Brian, havia fundado a revista Northern Voices após uma reunião no bar Buffet em Stalybridge. Brian foi eleito o editor. Nosso objetivo era produzir uma publicação regional dedicada a notícias locais e questões culturais no norte da Inglaterra. A revista foi vendida em toda a Grande Manchester, assim como em partes de Yorkshire e Lancashire. Foi até vendida na Livraria Houseman em Londres e na Livraria Freedom Bookshop, em Whitechapel, no East End de Londres. Também vendemos a revista na livraria Hydra Bookshop em Bristol. A última edição da revista Northern Voices foi em 2015. Já tínhamos entrado online e tanto eu quanto Brian nos tornamos editores conjuntos do blog Northern Voices.

Como editores conjuntos do blog Northern Voices, lutamos contra pelo menos quatro ações de difamação ameaçadas ou contra nós. A mais grave, foi uma ação contra nós, o jornal Guardian, o Morning Star, o sindicato GMB, e um website chamado Union Solidarity International, por um ex-policial disfarçado chamado Gordon Mills, que tinha trabalhado para uma unidade secreta de polícia chamada NETCU. Também escrevemos sobre a Mills em um livreto que escrevemos chamado “Boys on the Blacklist” (Meninos na Lista Negra). Com a ajuda de Dave Smith e do Blacklist Support Group (BSG), e Unite the Union, resistimos com sucesso a esta ação e não pedimos desculpas nem pagamos um centavo a Gordon Mills.

Brian era membro do Unite e era o secretário do Setor de Enterro do Unite. Ele também foi secretário do Conselho Sindical do Tameside Tradeside. Ao longo de sua vida, Brian esteve envolvido em muitas disputas industriais. No início dos anos 60, ele esteve envolvido na greve nacional de aprendizes de engenharia. Ele também tinha tido algum envolvimento na greve de Roberts Arundel em Stockport e foi preso durante uma greve na Arrow Mill, em Rochdale, onde ele trabalhava e era o representante do sindicato. Muitos dos grevistas eram trabalhadores asiáticos. Nós dois também estávamos envolvidos na greve dos trabalhadores de Tameside Careworkers. Ele fez campanha vigorosa contra a lista negra na indústria da construção, e apoiou Steve Acheson e os outros eletricistas, que haviam sido demitidos com base no falso motivo de demissão pelo empreiteiro, DAF electrical. Brian descobriu por Ricky Tomlinson, que ele também estava na lista negra da Liga Econômica.

Tanto Brian como eu fomos membros da Federação Sindicalista dos Trabalhadores (SWF), e fomos muito influenciados pelo anarco-sindicalismo espanhol da CNT. Em sua juventude, Brian tinha sido um Jovem Liberal. Acho que uma vez ele me disse que o que o atraiu para a política anarquista foi um livro do anarquista russo, o príncipe Piotr Kropotkin, chamado “An Appeal to the Young” (Um Apelo aos Jovens), que havia sido distribuído pelos Jovens Liberais. Ele admirava muito tanto George Orwell quanto o escritor italiano Ignazio Silone, que escreveu o romance antifascista ‘Fontamara‘ e ‘A Escola para Ditadores‘. Um romance que ele gostava particularmente era Nostromo, de Joseph Conrad.

Durante os anos 60, Brian e sua primeira esposa Joan, haviam trabalhado e vivido na Espanha sob a Ditadura do General Franco. Ele falava espanhol e podia argumentar e amaldiçoar em espanhol. Ele uma vez foi preso pela polícia na Estação Ferroviária de Victoria em Manchester porque ele não retirava sua cabra do trem que levava para os veterinários perto de Bolton. Quando o policial o arrastou do trem, Brian pôde ser ouvido gritando – “Cabron”, “Cabron”, um insulto espanhol que significa “cu, filho da puta, bastardo e bode macho”. Ele passou o resto do dia trancado na delegacia de polícia de Boodle Street. Escrevi um relatório para o Freedom Press sobre seus dois julgamentos no Tribunal de Magistrados da cidade e no Tribunal da Coroa que ouviu seu recurso. Posso assegurar-lhes que o processo foi hilário. Ficamos todos muito entretidos.

Brian foi uma grande influência para mim e eu aprendi muito com ele. Eu o conhecia desde meus vinte e poucos anos e colaboramos estreitamente por mais de quarenta anos. Lembrarei dele sempre com o mais profundo afeto. Adios, Amigo. RIP.

Derek Pattison,
Vozes do Norte.

Fonte: http://northernvoicesmag.blogspot.com/2022/02/adios-amigo-brian-bamford-born-14121940.html

Tradução > dezorta

agência de notícias anarquistas-ana

Pé de ipê!
Dá dó de varrer
o tapete lilás.

Cumbuka