[Espanha] Recuperam os corpos de 21 presos anarquistas fuzilados pelo franquismo em Navarra

• O Governo de Navarra trata agora de localizar possíveis familiares destes presos do Forte de San Cristóbal para entregar-lhes seus restos

Por Rodrigo Saiz | 10/04/2022

Durante a ditadura franquista o Forte de San Cristóbal, um complexo militar situado no município de Berrioplano, na comarca de Pamplona, se converteu em um cárcere para presos políticos de toda Espanha. Por ele passaram até 7.000 pessoas e morreram umas 800, mais de 200 fuziladas após uma fuga que protagonizaram 795 presos em 1938, deles que tão somente três conseguiram cruzar a fronteira francesa. Entre os falecidos neste Forte se encontram os 21 presos cujos corpos foram recentemente exumados no cemitério de Berriozar pela Sociedade de Ciências Aranzadi.

Os restos correspondem a uns presos anarquistas de diferentes regiões da Espanha que foram fuzilados pelo franquismo em 1º de novembro de 1936. Dá-se a circunstância de que todos eles ingressaram no forte antes de 18 de julho de 1936, dia em que Francisco Franco deu o Golpe de Estado. Segundo relata Koldo Pla, da Associação Txinparta, tratava-se de um grupo de pessoas que já tinham sido detidas anteriormente, algumas delas em 1934, e que não foram considerados como presos políticos na anistia de fevereiro de 1936. Receberam o tratamento de presos comuns ao ter cometido em muitos casos outro tipo de delitos como roubos ou assaltos a entidades bancárias e, após ter protagonizado alguns conflitos em suas correspondentes prisões, os transladaram ao Forte de San Cristóbal.

“Foram fuzilados pela lei de fugas após terem sido acusados de tentativa de fuga do Forte”, assinala Koldo Pla, que acrescenta que não há constância de uma tentativa de fuga nessas datas. “É possível que se tratasse de uma represália”, observa. Nas atas de falecimentos figura como causa da morte “traumatismo”, embora após a recuperação dos corpos se pudesse comprovar que todos eles foram executados com arma de fogo. “Todos tem ferida de bala e se encontraram vários projéteis”, observa Lourdes Herrasti, diretora da escavação.

Os 21 corpos puderam ser recuperados graças ao trabalho da Associação de memória Txinparta, que desde 1988 está investigando o forte que coroa o monte San Cristóbal / Ezkaba. Após estudar o registro civil e o diocesano dos 12 povoados que formavam a Cendea de Ansoian, antigo município formado pelos 10 povoados que hoje formam Berrioplano, Berriozar e Ansoáin, onde se enterraram os corpos dos presos do Forte até 1938, descobriram que no cemitério de Berriozar jaziam os corpos de 47 presos deste cárcere franquista, dos quais 21 haviam sido mortos no mesmo dia. “Estávamos certos de que eram os presos anarquistas, mas agora temos a prova de que estávamos certos, pelas feridas de bala que confirmam que são eles”.

De todos se conhece seu nome e sobrenome, assim como seu lugar de procedência e idade em que faleceram. Ainda assim, será muito complicado identificar os corpos encontrados porque para isso é necessária uma prova de DNA de algum de seus familiares que queira entrega-la ao banco do Governo de Navarra e dos 21 apenas três tinham mais de 30 anos quando foram executados, o que dificulta a localização de familiares. Contudo, a Associação Txinparta já contatou com quatro delas, as quais havia localizado previamente, e dois já entraram em contato com o Executivo foral para cotejar as mostras de DNA. O Governo de Navarra anima a qualquer pessoa que seja familiar ou conheça alguém que possa ter parentesco com alguns dos corpos localizados para que se ponha em contato com o Instituto Navarro da Memória através do correio inm@navarra.es para poder devolver os restos a seus seres queridos.

Foi esta mesma associação quem se pôs em contato com o Instituto de Memória do Governo de Navarra para propor a prospecção do cemitério após conhecer por testemunhos de vários moradores que os corpos se encontravam no fundo do antigo recinto e comprovar que na zona não se haviam realizado novos sepultamentos desde então. “Estavam enterrados nessa zona e tal e como nos haviam dito: empilhados em caixas uns em cima dos outros”, aponta Koldo Pla.

Ao longo dos próximos meses o Instituto Navarro da Memória continuará com os trabalhos de prospecção em diferentes lugares da comunidade foral, seguindo o plano de exumações que foi aprovado no começo do ano. Para 2022 estão contempladas vinte e três prospecções em diferentes lugares da geografia navarra. Este programa permitiu recuperar até a data mais de 140 corpos de vítimas da ditadura franquista, dos quais alguns deles puderam ser entregues a suas famílias.

Fonte: https://www.eldiario.es/navarra/recuperan-corpos-21-presos-anarquistas-fuzilados-franquismo-navarra

Tradução > Sol de Abril

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Pés desprotegidos
pisam pedras
por onde eu trilho.

Anfrangil

[Espanha] Aurora Dourada: “Un Asunto Personal” (2016) e “Un Asunto Público” (2021)

Diretora: Angélique Kourounis. Roteiro: Angélique Kourounis e Thomas Iacobi. Anmato Productions.

Em 2016, a diretora Angélique Kourounis lançou o documentário Aurora Dourada: “Un Asunto Personal”. Este foi o fruto de uma investigação que durou mais de cinco anos sobre o partido fascista – deve-se notar que, ao contrário de outras formações de extrema-direita na Europa, o Aurora Dourada nunca escondeu sua ideologia nazista – cujas origens remontam à criação de uma força colaboracionista durante a ocupação alemã da Grécia na Segunda Guerra Mundial.

O documentário retrata as obsessões da diretora, uma jornalista de profissão, que, com o passar dos anos, se vê cada vez mais surpresa com o sucesso de um partido que em muito pouco tempo passou de 0,02% dos votos para ser o terceiro partido mais votado. Como se fosse uma pergunta pessoal, ela tenta entender o que passa pela mente de um eleitor do Aurora Dourada.

Kourounis explica o sucesso deste partido neonazista com base na crise econômica e na instabilidade política de 2008, mas também o nacionalismo grego promovido pela Igreja Ortodoxa Grega, a mídia e o sistema político. Tudo isso levou ao crescimento desta organização, que espalhou o terror e a violência contra minorias na Grécia.

Cinco anos depois, em 2021, Kourounis divulgou a segunda parte de sua investigação, “Aurora Dourada: Un Asunto Público. Este segundo documentário é um relato aprofundado do julgamento realizado contra o Aurora Dourada, que resultou em uma decisão de que era considerada uma organização criminosa e proibida.

Este novo documentário é muito menos íntimo do que o primeiro, que mostrou como o sucesso do grupo de extrema-direita estava afetando a protagonista e até mesmo suas relações familiares. Começa com o assassinato do rapper antifascista Pavlos Fyssas nas mãos de militantes do partido – o evento que desencadeou a investigação que eventualmente levou à ilegalização do partido – e não mostra mais o espanto da primeira parte, mas a determinação de que o fascismo deve e pode ser destruído.

Amanecer Dorado: Un Asunto Personal” está disponível no Youtube e pode ser visto clicando aqui: https://video.omniatv.com/videos/embed/961b4716-a8a2-445d-b9da-4345671f9f29. A segunda parte ainda não está disponível para visualização gratuita.

Fonte: https://www.todoporhacer.org/documentales-amanecer-dorado/

Tradução > Liberto

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Entrada do templo
As flores da sakura
Na cabeça do Buda

Antonio Malta Mitori

[Rússia] Belomestnoye: Ataque incendiário à uma antena de transmissão

Recebemos um relatório de um ataque incendiário a uma antena de transmissão em Belomestnoye, Belgorod Oblast¹, na noite de 17-18 de abril de 2022. A ação foi planejada e realizada pelo grupo BOAK-Slobozhanshchyna (Organização de Combate Anarco-Comunista – Slobozhanshchyna).

A reivindicação:

Os cabos que operam a antena foram embrulhados com trapos, molhados com líquido inflamável e ateados fogo.

Os ataques a estações de base em áreas de fronteira não só causam geralmente danos econômicos à Federação Russa (particularmente evidente devido às sanções e dificuldades na compra de novos equipamentos), mas também perturbam as comunicações policiais e militares.

Desde a guerra de agosto de 2008 na Geórgia (quando uma coluna de tanques em direção à cidade de Gori foi parada, até que um 4×4 com um oficial que tinha um telefone celular conseguiu alcançá-la, porque as comunicações militares não estavam funcionando), não é segredo que, devido ao saque implacável dos orçamentos militares (além de tudo o mais), a polícia e o exército muitas vezes têm que contar com estruturas civis.

Houve algumas dificuldades, especialmente em tirar fotos e filmar vídeos. A preparação e execução da ação foi analisada e as decisões foram tomadas a fim de melhorar a eficiência das ações futuras. Fique atento, haverá mais :)

Gostaríamos também de salientar que a ação foi realizada enquanto um alerta terrorista amarelo estava em vigor no Oblast de Belgorod, o que não impediu os guerrilheiros.

Nota:

[1] Oblast é uma unidade administrativa da Federação Russa, mais ou menos correspondente a uma região; Belgorod Oblast está na fronteira com a Ucrânia.

Fonte: https://attaque.noblogs.org/post/2022/04/23/belomestnoye-russie-attaque-incendiaire-dune-antenne-relais/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Caneta gira
ao reflexo do sol
gira gira girassol

Lucas Eduardo

 

Uma velha violência: o voto obrigatório

devotos do voto

Brasil, março de 2022.

Em cima dos palcos, na boca de artistas diante de milhares de pessoas em festivais de música como o Lollapalooza, ou nas redes digitais como Twitter, Facebook, Instagram e Tik Tok, conquistando inúmeros views, a combinação das palavras “jovem” e “eleitor” circula pelos mais variados lugares.

A manifestação que reuniu desde a cantora Anitta, passando pela também agora cantora e ex-BBB Juliette, até o ator estadunidense Mark Ruffalo (o Hulk dos filmes da Marvel!), pretendia ser espontânea, mas ocorreu dez dias depois da “Semana do Jovem Eleitor”, organizada pelos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e juízes dos TREs.

Como era de se esperar, a campanha dos descolados artistas, mais do que a do tribunal com suas velhas togas, decolou nas redes, sites, portais de notícias, jornais impressos, nos intervalos comerciais das principais emissoras de TV. Comparando as eleições com um show ou “festa da democracia”, o ministro, a principal autoridade do momento no TSE, agradeceu efusivamente o apoio popstar.

No rastro de Anitta & Cia chegaram inúmeros grupos, convocando ao alistamento eleitoral. A movimentação de artistas, influencers, juízes, ministros, ativistas, tem como alvo arregimentar, em especial, de jovens de 16 e 17 anos, a parcela que juntamente à dos idosos acima de 70 anos não são obrigadas constitucionalmente a votar.

Segundo variadas pesquisas, desde o início dos anos 1990, com a chamada redemocratização, o índice de jovens eleitores pertencentes a esta faixa diminui acentuadamente. Nos últimos quatro anos, caiu quase pela metade, de 1,4 milhão para pouco mais de 800 mil.

Desta maneira, às vésperas do encerramento do prazo, em 4 de maio, para jovens se alistarem na Justiça Eleitoral — reparem no termo militar tantas vezes utilizado por autoridades em comunicados oficiais — adolescentes de 16 e 17 anos tornaram-se o alvo principal dos mais avançadinhos e engajados devotos do voto obrigatório. Contudo, apesar de pouco comentada, a campanha up-to-date e democrática desvelou um velho e antigo ranço autoritário.

o novo que já cresce velho

Em 1932, há noventa anos, o então presidente Getúlio Vargas promulgou o primeiro Código Eleitoral do Brasil.

O código foi o responsável pela instituição do Tribunal Eleitoral, sediado na então capital da República, a cidade do Rio de Janeiro. Entre as novidades do texto: o voto feminino, o voto secreto e a obrigatoriedade do voto.

Logo no início da denominada Era Vargas, os anarquistas combateram diretamente o que foi apresentado como “avanço político” em variadas áreas. Maria Lacerda de Moura problematizou o sufrágio feminino como algo distinto e distante da efetiva emancipação das mulheres. Inúmeros militantes atacaram a criação do Ministério do Trabalho e sua inspiração nitidamente fascista.

Mais uma vez a história das lutas expôs o discernimento singular dos anarquistas. Poucos anos depois, em 1937, com o chamado Estado Novo, o mesmo Vargas, sob o pretexto de proteger o país de uma suposta ameaça comunista, instituiu uma ditadura com quase uma década de duração.

De 1937 a 1946, o tão louvado Getúlio, responsável, entre outras coisas, pelo voto obrigatório, aboliu os partidos políticos e a Justiça Eleitoral. Censurou, perseguiu, prendeu e, pelas mãos de Filinto Muller, seu chefe de polícia, torturou sistematicamente mulheres e homens acusados de subversão.

É sempre bom lembrar! Com o fim do Estado Novo, Muller, o torturador, foi eleito democraticamente repetidas vezes. Na segunda metade dos anos 1940, consolidou-se como um dos fundadores do PSD, partido pelo qual tornou-se, pelo voto, senador da República de 1947 a 1962.

Algumas décadas depois, durante a ditadura civil-militar (1964-1985), somado à influência sobre uma geração mais nova de torturadores empregados regularmente como funcionários do Estado, o delegado Filinto Muller, tornou-se presidente do Arena, partido diretamente ligado à violência sistemática dos militares.

Com Filinto Muller e tantos outros agentes da violência entre os seus quadros, em julho do ano seguinte, a ditadura no governo de Castelo Branco promoveu pequenas alterações no Código Eleitoral de 1932. O voto obrigatório, como era o óbvio em um regime autoritário, foi mantido. Para além da compulsoriedade, o texto de 1965 estipulou, pela primeira vez, uma multa aplicada ao cidadão que não comparecesse ao pleito. Além da multa — que compõe os milhões de reais do Fundo Partidário eleitoral distribuído entre os partidos — encontra-se a necessidade de comprovar a regularização do título de eleitor para emitir/renovar o passaporte.

E depois de vinte anos de terríveis violências, enfim, com o ocaso da ditadura, o que foi feito dessa criação do autoritário Vargas e referendado pelos militares? Efeito de acertos, permutas, mobilizações distintas, negócios, coalizões, a Constituição de 1988, não ousou enfrentar e abolir a questão.

A partir de um “novo” texto relacionado ao voto, com argumentos velhos e velhacos, a Constituição definiu e define ainda hoje as atribuições do cidadão no ritual eleitoral, com o mesmo ranço. Desde 1988, o voto estabeleceu-se como obrigatório para os maiores de 18 anos e os menores de 70; facultativo para os maiores de 70, pessoas entre 16 e os 18 e os analfabetos.

Como afirmou um anarquista na virada do século: “Getúlio Vargas — o déspota que se disse pai dos pobres, se transvestiu de democrata e se matou pretendendo ser herói —, permanece o principal fantasma a habitar a política brasileira. Mas com o fim da ditadura militar ele ganhou uma nova companhia, a do voto obrigatório” (Ver em http://www.nu-sol.org/blog/voto-obrigatorio-e-a-ditadura-da-maioria-edson-passetti/).

Capitaneada, sobretudo, por artistas, a campanha atual pelo alistamento de jovens mantém o fantasma em cena. O engajamento em likes e views, ficou explícito, fortalecendo ainda mais proprietários e conservadores planeta afora, Brasil adentro.

No Brasil NUNCA houve voto facultativo!

Assim como a obrigatoriedade do voto, o engajamento ativista atual faz parte de uma sintaxe política, da linguagem devota e antitransformadora.

Se quisermos algo inédito e livre, é preciso, antes de tudo, abolir esse e outros visíveis fantasmas.

Fonte: hypomnemata 255 | Boletim eletrônico mensal do Nu-Sol – Núcleo de Sociabilidade Libertária do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP | no. 255, abril de 2022.

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Balanço de rede
Ao longe um rádio ligado —
Tarde modorrenta

Neiva Pavesi

[República Tcheca] Feira do Livro Anarquista de Praga, 28 de Maio

Gostaríamos de convidar para a 9ª Feira do Livro Anarquista de Praga, que acontecerá no sábado, dia 28 de maio, mais uma vez em Holešovice, no jardim do Cross Club (Plynární 1096, Prague 7) e também no espaço comunitário Zdena (Tusarova 41).

Como nas edições anteriores, editoras e distribuidoras de literatura anarquista tcheca e estrangeira comparecerão ao evento.

Reuniões com autores, autoras, editoras, diversas organizações, grupos e coletivos do movimento antiautoritário é uma parte importante do encontro.

A feira do livro é o lugar ideal para se encontrar, fazer amigos e amigas e iniciar alianças, colaborações e novos projetos.

Mais informações em breve.

anarchistbookfair.cz

Tradução > Sky

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Outono –
as folhas caem
de sono

Cláudio Fontalan

[São Paulo-SP] Lançamento do livro “Ferramentas para Autonomia” | 30 de abril

Um bate papo sobre diversas experiências rebeldes espalhadas pelo mundo, por Cultive Resistência.

Apresentação

Ferramentas para autonomia não é somente um livro. Em suas 320 páginas, impressas em papel reciclado, você encontrará um resgate de diversas experiências e ideias de resistência e liberdade que se espalharam pelo mundo.

Punks, anarquistas, feministas, indígenas, moradoras de espaços ocupados, pessoas, compartilham experiências de luta inspiradoras nestes pedaços de papel, elas mostram que, se o capitalismo tem suas armas, nós também temos as nossas: – Solidariedade, apoio mutuo, consenso, ocupações, ação direta, plantar nossa comida, cuidar dos nossos resíduos, boicotes, fazer nossa própria mídia, cuidar da nossa saúde, saber resolver nossos conflitos, são algumas delas.

Ferramentas para autonomia não tem a intenção de ser um manual de como fazer as coisas, pois isto cada pessoa pode desenvolver sozinha ou com sua comunidade. O que queremos aqui é mostrar que pessoas pelo mundo já fizeram ou fazem da sua vida algo rebelde e revolucionário, plantando sementes que se transformam em florestas pelo mundo inteiro.

Quando: sábado, 30 de abril de 2022 | Horário: 16 horas | Onde: Centro de Cultura Social (CCS) | Endereço: Rua General Jardim 253, sala 22. Praça da Republica, São Paulo (SP)

Centro de Cultura Social (CCS)

E-mail: ccssp@ccssp.com.br | Site: www.ccssp.com.br | FB: www.facebook.com/centrodeculturasocialSP

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/03/lancamento-ferramentas-para-autonomia-por-cultive-resistencia/

agência de notícias anarquistas-ana

Joaninha caminha
no braço da menina.
Olhar encantado.

Renata Paccola

 

[Itália] Três chegadas ao panorama da imprensa libertária

Após um 2020 catastrófico para a imprensa anarquista com a trágica morte de Paolo Finzi e o consequente fechamento da “A-Rivista anarchica”, 2021 e este início de 2022 estão nos mostrando uma efervescência editorial encorajadora com o nascimento (ou renascimento) de três periódicos.

EMMA

Em março de 2021, vimos a primeira edição da revista semestral EMMA ser lançada. Culturas e Pensamentos Libertários. O título é uma homenagem declarada à anarquista Emma Goldman. Carlotta Pedrazzini no editorial “Resistindo ao deserto” traça o programa do novo projeto editorial: “abordar, por meio de amplas análises, os problemas de nosso tempo, mantendo elevada atenção crítica ao poder, às derivas autoritárias, às injustiças. Com o objetivo de tentar fornecer ferramentas para a interpretação de um contexto sociopolítico que rejeitamos e que queremos mudar”.

Os gráficos são de altíssimo padrão (nº 2 não falta uma história em quadrinhos), as páginas oscilam entre 82 da primeira edição e 118 da segunda (setembro), o preço – alto – é de 16 euros. Na escolha dos artigos, Carlotta volta a escrever: “é possível ver fios vermelhos percorrendo todas as contribuições. Apesar de sua diversidade, os escritos […] trazem à tona a dinâmica de exploração implementada pelas elites do poder e a vontade perene de governos e igrejas de punir, rejeitar, eliminar aqueles que não são considerados funcionais ou complacentes, bem como a crescente recorrendo ao controle social e ao centralismo para resolver crises e problemas“.

Entre as colunas “fixas” encontramos em cada número um “retrato” de uma mulher anarquista, até agora Louise Michel e Virgilia D’Andrea, mas esperamos ver em breve nomes menos conhecidos na Itália, como Amparo Poch y Gascón ou Teresa Mañé Miravet (mas como as mulheres anarquistas são realmente mimadas!), encontramos então um “glossário que analisa um conceito significativo (antimilitarismo e ecologia social), um conto de Paolo Pasi, a resenha de um livro significativo, a apresentação de uma experiência de autogestão (o Gato Preto na área baixa de Modena e o Scighera em Milão), a reconstrução de um evento histórico… Os artigos são curtos (mas não superficiais), em linguagem simples e em geral a revista é certamente útil para favorecer a difusão de ideias libertárias entre um público não militante.

Editora Prospero, assinatura anual de www.emmarivista.org 30,00 Euros (a terceira edição será lançada em breve).

Connections

Neste caso, não é uma novidade, mas um feliz retorno. Link para a Direct Class Organization é publicado (com várias interrupções) desde 1977. Desde 1983 adotou o título de “Wobbly Links”. Gato Soriano e Cosimo Scarinzi em refazendo, no n. 2, a história do periódico (a partir do boletim de mesmo nome que o precedeu de 1973) observa que em suas origens há “um trabalhista […] crítico de todas as formas de organização percebidas como externas à classe, tanto em termos de político que em sindical […] não é por acaso que as raízes desta hipótese são identificadas nos eventos da Primeira Guerra Mundial”, embora sejam “os camaradas que dão vida a esta experiência de liberdade formação em sentido amplo, é uma fundamentalmente diferente daquele típico do movimento anarquista, a ponto de, de certa forma, até ser considerado “estranho” aos mitos fundadores do movimento anarquista daqueles anos […]”. As lutas autônomas dos trabalhadores, o conflito de classes estão, portanto, desde o início no centro da elaboração: “É um ambiente que não se reconhece na oposição canônica marxismo-anarquismo, também porque o Marx referido é o comunista alemão-holandês de esquerda (Korsch, Pannekoek, Gorter, Mattick e a própria Rosa Luxemburgo), portanto o Marx dos concílios“.

Os editores, em sua maioria ativamente engajados nas diversas instâncias do sindicalismo de base, decidiram dar vida a uma nova série da revista pela “necessidade de uma reflexão mais profunda e sistemática do que a militância cotidiana”. Nesse caso, optamos por cortar custos focando em uma edição pdf que pode ser solicitada gratuitamente em connectionswobbly@gmail.com ou lida diretamente online [1]. Um número limitado de cópias é impresso, podendo ser obtido por pouco mais do que o custo de impressão.

Connections é semestral e em 2021 foram duas edições (além de um caderno especial sobre o México de Claudio Albertani e Fabiana Medina, a terceira edição está para breve) [2]. Os artigos são encorpados e explicitamente destinados a servir de ferramenta nas lutas cotidianas, aparecendo assim voltados para um público de militantes. Em cada número encontramos análises (o estado do conflito de classes, a destruição da liberdade sindical, o PNRR…), insights sobre as várias situações de luta italianas e estrangeiras (Alitalia, GKN, as cooperativas Nichelino, os cavaleiros, Amazon no Alabama, os mineiros na Ucrânia, a rebelião no Cazaquistão…), artigos históricos (Carlotta Orientale, a Câmara do Sindicato do Trabalho de Livorno 1920-22…), resenhas de livros e revistas.

SEMI SOTTO LA NEVE

Recém-saída da imprensa é a primeira edição da Semi Sotto la Neve (Sementes Sob a Neve), revista Libertária. Quadrimestral, formato livro, 106 páginas, um grafismo “branco” e limpo que lembra a neve do título, imagens lindas e essenciais. A redação escreveu: “com a expressão “sementes sob a neve” (cunhada por Ignazio Silone e retomada conceitualmente por Colin Ward) pretendemos oferecer aos nossos leitores uma renovada interpretação do pensamento anarquista, experiências libertárias e práticas mutualistas”; o objetivo é, portanto, “reforçar a dimensão construtiva, positiva e experimental de uma tradição social, política e cultural que reconhecemos como antiautoritária e solidária”, apresentando experiências práticas de organização libertária que, sem triunfalismo, podem prefigurar um modelo diferente de sociedade. O pensamento anarquista é, portanto, relido de forma crítica e autocrítica, comparando-o e contaminando-o “com outras expressões culturais que guardam um impulso propulsor na direção de uma efetiva emancipação social e humana”.

O primeiro número apresenta três dessas “sementes sob a neve”: uma experiência no ambiente escolar (Saltafossi, Bolonha), uma aldeia ecológica (Granara, Parma) e a Edícula 518 (Perugia). A estrutura da revista inclui então seções fixas de “Insights” (um espaço mais teórico mas sempre com uma vertente proativa, neste número lemos reflexões sobre liberdade e problemas de gênero agravados pela pandemia), “Internacional” (a tradução de artigos e ensaios, neste caso “Sobre o conceito de prefiguração no campo anarquista” de Tomás Ibáñez), “Conversas” (diálogos com pessoas ou grupos considerados relevante, neste número Paolo Cognetti, escritor e viajante), “Raízes” (perfis de pensadores, neste caso Kropotkin e Bookchin) e “Resenhas”.

Uma cópia custa 6 euros, a assinatura mínima é de 15,00 euros (30,00 ou mais recomendado), semisottolaneve@riseup.net  cada número estará disponível online gratuitamente após a publicação do próximo.

Neste contexto trágico, em que passamos sem problemas das políticas de segurança geradas pela gestão da pandemia para a guerra, são muito úteis e necessárias novas ferramentas de reflexão em diferentes frentes, pelo que desejamos o maior sucesso às novas revistas.

Mauro De Agostini

NOTA

[1] https://issuu.com/collegamentiwobbly

[2] Ver Mauro De Agostini, “Notas sobre o México. Quando e por que um país foi ferrado”, https://umanitanova.org/note-sul-messico-quando-e-perche-si-e-fottuto-un-paese/

Fonte: https://umanitanova.org/tre-arrivi-nel-panorama-della-stampa-libertaria/?fbclid=IwAR1obQ-MX93_u_mhao4FwmWavkXBYFKRweherL8_feLzTaySZkfzioXjik0

Tradução > GTR@Leibowitz__

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Mensagem no ar
Tributo à minha saudade —
Sabiá-laranjeira

Neiva Pavesi

[Espanha] Este Primeiro de Maio vão nos ouvir!

Aproxima-se o Primeiro de Maio após um ano muito difícil para a classe trabalhadora, no qual cada vez setores mais amplos da população estão tendo dificuldades para chegar ao final do mês. A crise que arrasta o sistema capitalista se agudiza e, como sempre, pagamos as mesmas. À precariedade laboral, o desemprego e as dificuldades para o acesso à moradia se somam a subida do custo de vida e os contínuos cortes. Isto se traduz em um aumento da dificuldade para o acesso da classe trabalhadora a recursos tão necessários como a energia ou a alimentação, mas também a saúde e a educação.

A pandemia por COVID provocou graves consequências econômicas e sociais, mas estas não se podem descontextualizar da crise que já arrastava o sistema capitalista. Sua constante necessidade de acumulação e consumo de recursos está gerando um tremendo impacto em um planeta, que está a tempos dando sinais alarmantes.

Ante esta grave conjuntura, os governos reagem como sempre o fizeram: aumentando o controle social, limitando as liberdades para a classe trabalhadora, militarizando a sociedade, cortando em gastos sociais e iniciando guerras; atuações que somente beneficiam as elites capitalistas e cujas consequências sempre às sofrem o proletariado de todo o mundo.

O Primeiro de Maio é uma data muito importante para o movimento obreiro, porque com sua dignidade e com sua vida os mártires de Chicago gravaram na história os melhores valores que moveram a classe trabalhadora. Eles e elas voltam a nos recordar hoje que, frente à exploração nossa resposta é o apoio mútuo e a organização coletiva; frente ao racismo, o imperialismo e a guerra, a única via é o internacionalismo proletário. Frente ao autoritarismo e o patriarcado nos oporemos com anarcossindicalismo, feminismo e assemblearismo.

Sem importar siglas, a esfera governante, uma vez mais, trai a classe trabalhadora.

Onde dizem ‘revogo’ significa ‘retoco’, para que pareça uma mudança, mas sem que as trabalhadoras e trabalhadores melhorem suas condições de vida, convertendo-se em uma manobra para reforçar as posições da patronal. Do mesmo modo, a chamada Lei Mordaça segue aí reprimindo qualquer protesto, e multidões de famílias continuam sendo desalojadas.

A partir de agora veremos que sim 40 % dos contratos indefinidos anteriores à reforma laboral durava menos de um ano, com a nova regulação a vigência média dos contratos indefinidos baixará mais. Também crescerá o número de demissões, e a precariedade ficará ‘maquiada’ pelos novos contratos fixos descontínuos. Seguimos esperando que as empregadas domésticas sejam trabalhadoras de primeira, como merecem; seja através do prometido Convênio 189 ou incluindo-as no Estatuto dos Trabalhadores, onde sempre deveriam ter ficado. Tampouco esquecemos a saúde laboral e os acidentes laborais, que não param de crescer e aparecem em novos setores. E as pensões: continuam voltando aos mecanismos que fazem com que cada vez estejam mais longe e menos asseguradas as pensões, já que se resgatam bancos e empresas, mas não os direitos adquiridos da classe trabalhadora.

Nestes momentos, um objetivo transcendental para o movimento obreiro é fazer-se ouvir, é tomar consciência de classe e combater a onda de movimentos nacionalistas, autoritários, racistas e patriarcais. Basta já de branqueamento por parte dos meios de comunicação e de pactos entre partidos políticos. Temos que nos organizar necessariamente à margem das instituições do estado; organizadas desde baixo, no bairro, no trabalho, no sindicato, pela Justiça Social, a divisão da riqueza e a abolição das fronteiras, para que ninguém fique para trás.

Este é o caminho que escolheu a CNT e, por este motivo, este Primeiro de Maio sairemos à rua. Este Primeiro de Maio vão nos ouvir!

cnt.es

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Dia grisalho
brotos brotam brutos
na ponta do galho

Danita Cotrim

[Itália] Ugo Fedeli, um anarquista em confinamento

Uma autoprodução sobre a história do antifascismo libertário para o 25 de abril

É recém-lançada na imprensa uma produção do Arquivo Histórico da FAI, das Cozinhas do Povo de Massenzatico e das edições de Bruno Alpini.

Para recebê-lo você deve escrever para bruno.alpini@libero.it

Foi realizada pela primeira vez a reunião de vários artigos sobre os anarquistas nas ilhas do confinamento fascista, suas histórias e suas lutas, escritos por Ugo Fedeli para o periódico ítalo-americano “L’Adunata dei Refrattari” entre 1960 e 1961.

Fedeli (1898-1964) foi uma figura importante como militante, historiador e arquivista do anarquismo internacional, cuja vida está intimamente ligada a outra militante de Milão, Clelia Premoli. Desertor da Primeira Guerra Mundial, ativo no biênio vermelho de dois anos, o advento do fascismo o fez andar por algum tempo “de terra em terra” em toda a Europa: Rússia, Alemanha, França. Ligado a Luigi Fabbri, ele compartilhou seu exílio primeiro em Paris e depois em Montevidéu. Em meados dos anos 30, foi deportado para a Itália, preso e repetidamente forçado ao exílio, até a libertação do nazismo-fascismo. No pós-guerra foi primeiro secretário e depois membro da Comissão de Correspondência da FAI. No início dos anos 50, junto com Clelia, ele se mudou para a região de Canavese e começou a trabalhar como bibliotecário na Olivetti, que era o local de desembarque de muitos libertários naquela época. Sua militância vai de mãos dadas com muitos estudos históricos sobre o anarquismo, dos quais ele pode ser considerado um pioneiro na Itália, e com a coleção de livros, periódicos e documentos que compõem um arquivo muito valioso, adquirido após sua morte pelo Instituto de História Social em Amsterdã e hoje disponível aos pesquisadores.

O livro analisa o confinamento dos anarquistas, o segundo maior grupo após os comunistas. Denuncia o assédio das milícias e dos carabinieri, mas, mais importante ainda, lança luz sobre as formas de organização e resistência que os libertários deram a si mesmos, assim como as numerosas lutas contra as imposições do regime e por seus direitos que eles levaram a cabo. Eis o que Fedeli escreve sobre isso, depois de notar a ferocidade e a mentalidade retrógrada dos guardas:

Mesmo os confinados eram duros. Havia dignidade e firmeza, e contra a firmeza dos confinados, o ministério e a direção sofreram duros golpes que lhes custaram longos meses de prisão, como em Ponza, em 1933 e 1935. Em Tremiti, por exemplo, foi feita uma tentativa de impor a saudação romana obrigatória, e os confinados, a maioria dos quais eram anarquistas, preferiram ir para a prisão por um ano em vez de ceder […]. Toda violência e toda nova prisão despertou cada vez mais vivo e profundo o vínculo de solidariedade que unia a todos, e uma sensibilidade aguçada levou todos esses homens forçados a viver sobre uma rocha, apesar das diferenças de ideais e métodos de luta e ação, cada um para defender o outro, porque ao fazê-lo cada um sabia defender a si mesmo e sua dignidade, o princípio de liberdade e justiça que os animava“.

Este, é o índice, para entender melhor o que está no texto: “Na luta contra o fascismo – Homens e partidos – As Cantinas, o estudo e seu papel político – Agitações dos confinados – Últimos meses em Ventotene – Figura dos anarquistas confinados“.

A publicação é completada por uma introdução de Antonio Senta – que a Ugo Fedeli e suas atividades militantes e históricas tem dedicado muitos estudos, incluindo o livro A testa alta! publicado pela Zero em Condotta em 2012, e que inventou o arquivo Fedeli no Instituto de História Social em Amsterdã – e um prefácio de Franco Schirone, a quem devemos muito deste trabalho, tendo tido a ideia de coletar pela primeira vez em volume estes artigos e profuso esforço para transcrevê-los.

Finalmente, a publicação é enriquecida por um cartão postal colorido com uma reprodução de um quadro de Ernesto Rossi, pintado em Ventotene em 1940, mostrando os confinados, inclusive vários anarquistas, em duas cenas: “o passeio” pela ilha e “o brinde”, ou seja, a cantina Giustizia e Libertà (Justiça e Liberdade).

A. Soto

Fonte: https://umanitanova.org/ugo-fedeli-anarchici-al-confino/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Jasmineiro em flor.
Ciranda o luar na varanda.
Cheiro de calor.

Guilherme de Almeida

[Chile] Santiago: V ciclo de oficinas. Ferramentas para a investigação e a ação anarquista – 2022

O grupo organizador do ciclo “Ferramentas para a investigação e a ação anarquista” tem o prazer em convidá-los, pelo quinto ano, a discutir diferentes matérias desde uma perspectiva libertária, ecologista, feminista e descolonizadora.

Em tempos atuais onde a nova normalidade vai dirimindo as novas formas que vai tomando a sociedade de controle após a revolta e a pandemia, segue sendo urgente discutir sobre nossas realidades desde perspectivas revolucionárias. Em tal sentido, o ciclo segue sendo uma possibilidade de debater em conjunto os caminhos de uma investigação e uma ação contra-sistêmicas, que gere conhecimentos em benefício das comunidades, vinculadas a suas lutas e que contribua para a autonomia e emancipação.

Frente à catástrofe capitalista e a crise civilizatória que vivem nossos territórios propomos o debate, encontro e a geração de redes para a aprendizagem. Convidamos a construir de forma coletiva uma prática investigativa e uma reflexão crítica que aponte a caminhos diferentes ao capitalismo, o patriarcado e as práticas coloniais. Sintam-se todos convidados!

Grupo organizador
Rimü 2022

VAGAS LIMITADAS
Inscrições em herramientas-ciclo@riseup.net

agência de notícias anarquistas-ana

Ao mirar o espelho,
Na primeira manhã de outono,
O rosto do pai.

Kijô

[Canadá] Um olhar sobre a ação de solidariedade com os despejados do squat autogerido

No sábado passado, 9 de abril, o Colletcif Anarchist Emma Goldman (Coletivo Anarquista Emma Goldman) realizou uma ação de solidariedade com as cerca de trinta pessoas que foram despejadas do squat autogerido do centro de Chicoutimi. Além da sopa e do pão gratuitos, foram distribuídos folhetos aos transeuntes para discutir a situação das pessoas mais pobres neste setor de Chicoutimi. Também montamos uma cama, cobertores e um sofá na antiga okupa, uma ação simbólica que tem como objetivo propor ajuda mútua e solidariedade em vez de repressão e estigmatização. Agentes repressivos certamente expulsarão esta instalação o mais rápido possível, pois os guardas de “segurança” estão vigiando o local 24 horas por dia para garantir que ninguém retorne a ele. E lá se vão milhares de dólares de dinheiro público para financiar a repressão aos mais vulneráveis. Um quadro longe de brilhar para a nova administração municipal, que continua na mesma linha de suas predecessoras.

Mireille Jean, a nova vereadora do distrito 8, que inclui o centro da cidade, está martelando a mensagem de segurança. Segurança para quem? Os lojistas e seus clientes? Mas e quanto à segurança dos sem-teto que são expulsos em tempo frio? Ela quer garantir a segurança das pessoas que estão apenas de passagem pelo centro da cidade. Aqueles que vêm para comer nos restaurantes e lojas ou trabalhar lá e depois voltam para suas áreas periféricas. A segurança de que as pessoas da Prefeitura estão falando não inclui as pessoas mais pobres que vivem nesta área, e que são apagadas. Entre o distrito “empresarial” que se tornou o distrito “digital” e o aumento da repressão, não é um bom lugar para se viver no centro da cidade para os pobres. Os políticos da prefeitura querem um bairro tranquilo onde as lojas, restaurantes e empresas digitais estilo Ubisoft dominam, enquanto os pobres são empurrados para os bairros vizinhos, como se fossem desaparecer. A pobreza só mudará de lugar, mas continuará a existir.

Finalmente, aqui está o texto do folheto que foi distribuído no evento:

Se há pessoas miseráveis na sociedade, pessoas sem asilo, sem roupas e sem pão, é porque a sociedade em que vivemos está mal organizada. Não é aceitável que ainda haja pessoas que passam fome enquanto outras têm milhões para gastar com a torpeza. É este pensamento que me revolta! – Anarquista Louise Michel (1830-1905)

Está tudo muito bem ter praças e navios de cruzeiro de estilo europeu desenvolvidos a grandes custos por sucessivas administrações em Ville Saguenay, mas por trás dessas ideias de grandeza está uma triste realidade. É uma realidade sombria onde a administração municipal, um nível supostamente local de governo, não é sequer capaz de suprir as necessidades básicas de todas as pessoas que vivem em seu território. De fato, a cidade luta para garantir que todos tenham um teto sobre suas cabeças e instalações sanitárias disponíveis independentemente de seus meios ou condições. Pior, parece o contrário quando confrontado com o problema, este até se amplia.

Portanto, não deve ser surpresa que quando os recursos são insuficientes ou não atendem às necessidades das pessoas, estas decidam se organizar e levar o que puderem encontrar por perto. Isto é algo que todos considerariam fazer na mesma situação. A ocupação da escadaria da estação ferroviária do Havre por cerca de trinta posseiros preencheu uma necessidade de acomodação perto dos vários serviços no centro da cidade (cozinhas populares de sopa, grupos comunitários, a Casa de Abrigo, etc.). Lembre-se de que as mulheres não têm acesso à Casa de Abrigo. Elas devem então ser alojadas em casas para mulheres vítimas de violência doméstica. Entretanto, estas últimas não aceitam mulheres sob os efeitos do uso de drogas (drogas, álcool, etc.), por isso muitas acabam na rua sem recursos. No entanto, a cidade prefere olhar para o outro lado e desviar o debate para a questão da segurança.

Vil Saguenay: Esconder os desabrigados antes de vê-los

Embora a cidade ainda não tenha liberado os fundos para repintar o local, encontrou rapidamente o orçamento para contratar uma agência de segurança privada para evitar o retorno dos ocupantes. Um pequeno detalhe que a nova administração Dufour não mencionou ao público durante sua operação de comunicação. Da mesma forma, admite que o problema dos sem-teto permanece sem solução e que a cidade não planeja solucioná-lo de forma alguma, exceto pela caça aos pobres no centro da cidade. Missão cumprida de acordo com a Câmara Municipal! Eles tranquilizaram os comerciantes e os consumidores sem dúvida felicitaram os burocratas municipais sentados confortavelmente atrás de suas mesas, assim como seu braço armado, a polícia de Saguenay.

Não nos enganemos, isto não é uma fatalidade, muito menos uma questão de meios, porque lembremos que no auge da pandemia da COVID-19, a cidade tinha aberto as portas de suas instalações no antigo porto de Chicoutimi para acomodar pessoas em uma situação de desabrigados. O recurso acabou, mas as necessidades permanecem tão grandes como sempre. Há uma enorme necessidade de moradias de qualidade e a preços acessíveis. Será que teremos que esperar pela grande campanha alimentar da mídia ou pelo frio do inverno para resolver o problema dos sem-teto e encontrar soluções? A cidade deve tratar disso agora para encontrar uma solução sustentável para que ninguém seja deixado para trás.

Isto poderia começar com a abertura de pontos quentes de inverno e um investimento maciço no desenvolvimento de moradias de qualidade e de baixo custo.

Fonte: http://ucl-saguenay.blogspot.com/2022/04/retour-sur-laction-de-solidarite-avec.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Admirável aquele
cuja vida é um contínuo
relâmpago

Bashô

 

[Espanha] Sentença de prisão ratificada para seis dos oito membros condenados da CNT no caso “La Suiza”.

O Tribunal Superior de Justiça das Astúrias ratificou ontem (17/04) a sentença de prisão para seis dos oito membros da Confederação Nacional do Trabalho (CNT) pelas escaramuças realizadas entre maio e agosto de 2017 aos proprietários da confeitaria La Suiza, na avenida Schulz. A sentença proferida no primeiro período pelo Tribunal Penal 1 de Gijón, chefiado pelo Juiz Lino Rubio Mayo, condenou as oito pessoas envolvidas a um total de 25,3 anos de prisão.

Cinco anos após os atos delitivos, a TSJA ratificou a condenação, mas absolveu dois dos envolvidos no caso dos delitos. A alta corte considera que os atos de protesto “não são cobertos nem pelo exercício da liberdade de expressão nem pela liberdade de associação”.

O sindicato já anunciou que recorrerá da decisão para a Suprema Corte. “Iremos tão longe quanto necessário para defender os direitos de nossos companheiros. A justiça está mais uma vez atacando o sindicalismo e a classe trabalhadora. É um ataque sem precedentes e não vamos parar até que se faça justiça”, explicam.

Fonte: https://www.elcomercio.es/gijon/ratifican-pena-prision-condenados-cnt-caso-suiza-20220418225706-nt.html

Tradução > Liberto

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no canto da janela
nova linha do horizonte:
o fio da aranha.

Tânia Diniz

[Espanha] Comunicado internacional do Primeiro de Maio Global onde participa a CGT

À nível mundial, nós, os trabalhadores assalariados, estamos em competição para apoiar a produção de valor adicional. Sem importar onde vivamos, nosso gênero/sexo, nacionalidade, estamos entrelaçados em uma mesma luta, queiramos ou não. Os cortes orçamentários nos serviços sociais, a subcontratação, a queda dos salários, a privatização, o aumento do custo de vida e das matrículas e da destruição dos recursos naturais são só alguns dos sintomas do sistema econômico global. Um sistema que se baseia na exploração e na competição conduz à comercialização de todos os aspectos de nossas vidas. Sofremos uma pressão crescente para capitular, separação, assim como a alienação de nossas necessidades e das pessoas com as quais trabalhamos e convivemos. Seja no lugar de trabalho, na universidade ou, cada vez mais, inclusive durante a infância e a juventude.

A introdução de uma Renda Básica Universal à nível global pode ser um primeiro passo emancipatório para a superação das relações laborais assalariadas.

Não pretendemos simplesmente interromper; buscamos superar.

Este ano chamamos a atenção sobre a crise ecológica que todos enfrentamos. Uma crise provocada pela busca incessante de margens de lucro por parte dos interesses capitalistas. Uma crise que provocará guerras em todo o mundo, fazendo com que os mais pobres de nós sofram mais e mais depressa. Com os atuais modos de produção e práticas de trabalho controladas pela classe capitalista, é impossível superar esta crise. A crise ecológica global é um problema para a classe trabalhadora em todo o mundo. Não existe a Terra 2.0. Não há opção de reinício ou plano de fuga. Só existe o futuro. Temos que decidir, e está em nossas mãos como classe trabalhadora, se esse futuro será em algum lugar onde os humanos possam viver ou não.

Dada a natureza transnacional do sistema capitalista, é necessário que os trabalhadores se conectem à nível global.

Mediante a criação de redes através das fronteiras, as interconexões globais que dão forma a nossas condições locais possam tornar-se visíveis. Também, abre novas potencialidades e campos de ação na luta contra a exploração e as condições de trabalho e de vida precárias. O poder de negociação dos trabalhadores aumentaria enormemente se nos uníssemos dentro da mesma cadeia de valor agregado.

Especialmente em tempos de nacionalismo e racismo, buscamos a luta comum e resistimos a nos enfrentar entre nós.

Por uma vida melhor para todos, através de todas as fronteiras!

#globalmayday2022 #1world1luta

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

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No frescor da sombra
Caldo pelos cotovelos —
Manga madura

Neiva Pavesi

[Chile] Santiago: Reivindicação de atentado incendiário contra dois ônibus do transantiago no povoado Simón Bolívar de Quinta Normal

Sábado, 16 de abril.

No contexto da 33ª comemoração da morte em combate de Erick Rodríguez e Iván Palacios no povoado Simón Bolívar em Quinta Normal. Junto a um grupo de individualidades nos dirigimos à zona de conflito usual que acontece todos os anos nesta clássica jornada.

Com as mochilas carregadas de acelerante e armados dispostos para o enfrentamento com a polícia bastarda. Esperamos pacientemente o cruzamento de algum veículo do sistema de transporte público. Apenas se deu a oportunidade, detivemos dois ônibus que vinham a media distância. Baixamos sem violência os choferes e os que vinham com eles. Posteriormente procedemos a borrifar ambas as máquinas com nosso líquido favorito, para assim, iluminar a escura noite na rua Radal.

Ambos os ônibus ficaram completa e graciosamente incinerados, com perda total para suas concessionárias; que trabalham para o Estado.

Frente a qualquer questionamento à ação, manifestamos sem papas na língua que odiamos a funcionalidade da cidade e não tememos nos enfrentar com a necessidade cidadã caracterizada na repulsiva paz social. Se afetamos colateralmente o esquema enfermo da população civil, não nos envergonhamos, de fato, sorrimos frente a qualquer ruptura. Ainda que pareça efêmera e egoísta.

Por último, sempre em nosso caminhar ilegal se encontramos guerreiros presos subversivos, anarquistas e de todas as tendências revolucionárias no $hile e no mundo. Nossa solidariedade combativa para eles.

Erick Rodríguez, Iván Palacios, Barry Horne, Mauricio Morales, Sebastián Oversluij, Javier Recabarren, Kevin Garrido, Luisa Toledo e todos os guerreiros mortos em conflito com o esquema de vida existente estão presentes em nosso definir de linhas para o futuro.

FOGO AOS CÁRCERES PARA HUMANOS E NÃO HUMANOS COM SEUS CARCEREIROS E COLABORADORES DENTRO!!

O PASSADO É UM FRACASSO, O FUTURO NÃO SE VÊ, MAS O PRESENTE…

É UM PRESENTE!!

ADIANTE GUERREIROS EM TODA SUA MULTIFORME INICIATIVA INCENDIÁRIA E DELITUAL!!

NADA ACABOU, TUDO CONTINUA!!

Animales refractarixs

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Que belo que é
não pensar ao ver um raio:
‘A vida é fugaz’.

Bashô

[França] Contra a guerra, pela solidariedade mundial

O Comitê de Relações da Internacional de Federações Anarquistas (CRIFA), reunido em Marselha nos dias 19 e 20 de Março, aprovou o comunicado que se segue:

Condenamos a criminosa agressão à Ucrânia promovida pelo governo russo, em conjunto com todos os militarismos, e solidarizamo-nos com os povos oprimidos de ambos os lados da fronteira, promovendo o apoio ativo às vitimas do conflito, aos refugiadxs, desertorxs e prisioneirxs dos dois bandos desta guerra e da sua potencial expansão. Nos contextos em que agem as nossas diferentes federações, devemos denunciar e opormo-nos ao papel da OTAN, dos Estados Unidos e da UE na criação, também, das condições prévias que permitiram ao Estado russo atacar o seu vizinho mais débil com a cumplicidade da sua marionete, a Bielorrússia. Denunciamos o crescimento do autoritarismo em todo o mundo nos últimos anos, em que se viu o papel crescente dos exércitos nas políticas públicas. Com a situação atual, destacamos especialmente a crescente militarização da sociedade, no contexto do aumento do rearmamento em toda a UE, entre apelos generalizados para a criação de um Exército Europeu em detrimento das despesas sociais.

Xs pobres e xs oprimidxs do mundo são sempre xs perdedorxs em todas as guerras. Convertem-se em carne para canhão e são tiradxs à força das suas casas, e deparam-se com a pobreza e a doença em consequência desta guerra. Ao mesmo tempo, os patrões globais continuam a movimentar-se para controlarem os recursos do planeta. Nós opomo-nos ao capitalismo global e ao nacionalismo que são as causas da guerra. Ao contrário, temos que promover a guerra de classes, contrariando a indústria bélica e a despesa pública na guerra, e toda a lógica da guerra, desenvolvendo mobilizações horizontais mais amplas por parte dxs trabalhadores e das coletividades.

Deste modo, insistimos no perigo de se cometer o erro de defendermos a “nossa” nação ou o “nosso” país, fazendo ressaltar as nossas posições anti-nacionalistas e de negação/recusa, já que o nosso inimigo está no “nosso” país e o estado nacional ou a burguesia nacional são “nossos”. Pelo contrário, pretendemos construir a solidariedade entre todxs xs proletarixs e destacar o caráter global dos estados capitalistas.

Confirmando os nossos valores históricos de internacionalismo, solidariedade e parentesco global, para além das fronteiras, reafirmamos a nossa oposição a todos os crimes e massacres perpetrados pelo capital e pelo Estado, desde o genocídio dos povos negros e indígenas que hoje continua no Brasil, na América Latina e em todo o Sul Global, até à destruição do meio-ambiente provocada pela lógica dos Estados, a ganância e os mercados que ameaçam a própria existência de vida no nosso planeta.

Comitê de Relações da Internacional de Federações Anarquistas (CRIFA)

Marselha, 20 de Março de 2022

i-f-a.org

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Dentro do grilo
Um grito verde
Desfolha-se.

Paulo Ciriaco

[EUA] Lançamento: “The Anarchist Inquisition | Assassins, Activists, and Martyrs in Spain and France”, de Mark Bray

The Anarchist Inquisition (A Inquisição Anarquista) explora as campanhas inovadoras de direitos humanos transnacionais que emergiram em resposta à onda brutal de repressão desencadeada pelo Estado espanhol para anular atividades anarquistas na virada do século XX. Mark Bray guia os leitores por essa era tumultuosa — de reuniões secretas em Paris e câmaras de tortura em Barcelona a conferências internacionais antiterroristas em Roma e manifestações por direitos humanos em Buenos Aires.

Bombardeios anarquistas em teatros e cafés na década de 1890 provocaram prisões em massa, a aprovação de duras leis anti-anarquistas e execuções na França e na Espanha. Ainda assim, longe de um fenômeno marginal, essa primeira ameaça terrorista internacional teve ramificações profundas no desenvolvimento mais amplo dos direitos humanos, bem como do policiamento moderno global e da legislação internacional em extradição e migração. Uma rede transnacional de jornalistas, advogados, ativistas sindicais, anarquistas e outros dissidentes relacionaram a tortura peninsular à supressão brutal das revoltas coloniais em Cuba e nas Filipinas pela Espanha para criar um movimento emergente por direitos humanos contra o “renascimento da inquisição.” Seus esforços definitivamente obrigavam a monarquia a aceder face a um criticismo global sem precedentes.

Bray apresenta vividamente os assassinos, ativistas, torturadores e mártires cujas lutas prepararam o terreno para uma era até então não examinada de mobilização pelos direitos humanos. Ao invés de assumir que lutas por direitos humanos e “terrorismo” são forças inerentemente contraditórias, The Anarchist Inquisition analisa como esses dois fenômenos políticos modernos trabalharam em conjunto para construir campanhas dinâmicas contra as atrocidades espanholas.

The Anarchist Inquisition
Assassins, Activists, and Martyrs in Spain and France
Mark Bray
ISBN13: 9781501761928
Data de publicação: 15/03/2022
Páginas: 344
Ilustrações: 18 p&b meio-tom, 2 mapas
Dimensões: 6 x 9 x 1.06 in
Cornell University Press
$36.95
cornellpress.cornell.edu

Tradução > Sky

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na verde colina
bem mais que o fruto me apraz
a flor pequenina 

Antônio Gonçalves Hudson