[São Paulo-SP] Lançamento do livro “Ferramentas para Autonomia” | 30 de abril

Um bate papo sobre diversas experiências rebeldes espalhadas pelo mundo, por Cultive Resistência.

Apresentação

Ferramentas para autonomia não é somente um livro. Em suas 320 páginas, impressas em papel reciclado, você encontrará um resgate de diversas experiências e ideias de resistência e liberdade que se espalharam pelo mundo.

Punks, anarquistas, feministas, indígenas, moradoras de espaços ocupados, pessoas, compartilham experiências de luta inspiradoras nestes pedaços de papel, elas mostram que, se o capitalismo tem suas armas, nós também temos as nossas: – Solidariedade, apoio mutuo, consenso, ocupações, ação direta, plantar nossa comida, cuidar dos nossos resíduos, boicotes, fazer nossa própria mídia, cuidar da nossa saúde, saber resolver nossos conflitos, são algumas delas.

Ferramentas para autonomia não tem a intenção de ser um manual de como fazer as coisas, pois isto cada pessoa pode desenvolver sozinha ou com sua comunidade. O que queremos aqui é mostrar que pessoas pelo mundo já fizeram ou fazem da sua vida algo rebelde e revolucionário, plantando sementes que se transformam em florestas pelo mundo inteiro.

Quando: sábado, 30 de abril de 2022 | Horário: 16 horas | Onde: Centro de Cultura Social (CCS) | Endereço: Rua General Jardim 253, sala 22. Praça da Republica, São Paulo (SP)

Centro de Cultura Social (CCS)

E-mail: ccssp@ccssp.com.br | Site: www.ccssp.com.br | FB: www.facebook.com/centrodeculturasocialSP

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agência de notícias anarquistas-ana

Joaninha caminha
no braço da menina.
Olhar encantado.

Renata Paccola

 

[Itália] Três chegadas ao panorama da imprensa libertária

Após um 2020 catastrófico para a imprensa anarquista com a trágica morte de Paolo Finzi e o consequente fechamento da “A-Rivista anarchica”, 2021 e este início de 2022 estão nos mostrando uma efervescência editorial encorajadora com o nascimento (ou renascimento) de três periódicos.

EMMA

Em março de 2021, vimos a primeira edição da revista semestral EMMA ser lançada. Culturas e Pensamentos Libertários. O título é uma homenagem declarada à anarquista Emma Goldman. Carlotta Pedrazzini no editorial “Resistindo ao deserto” traça o programa do novo projeto editorial: “abordar, por meio de amplas análises, os problemas de nosso tempo, mantendo elevada atenção crítica ao poder, às derivas autoritárias, às injustiças. Com o objetivo de tentar fornecer ferramentas para a interpretação de um contexto sociopolítico que rejeitamos e que queremos mudar”.

Os gráficos são de altíssimo padrão (nº 2 não falta uma história em quadrinhos), as páginas oscilam entre 82 da primeira edição e 118 da segunda (setembro), o preço – alto – é de 16 euros. Na escolha dos artigos, Carlotta volta a escrever: “é possível ver fios vermelhos percorrendo todas as contribuições. Apesar de sua diversidade, os escritos […] trazem à tona a dinâmica de exploração implementada pelas elites do poder e a vontade perene de governos e igrejas de punir, rejeitar, eliminar aqueles que não são considerados funcionais ou complacentes, bem como a crescente recorrendo ao controle social e ao centralismo para resolver crises e problemas“.

Entre as colunas “fixas” encontramos em cada número um “retrato” de uma mulher anarquista, até agora Louise Michel e Virgilia D’Andrea, mas esperamos ver em breve nomes menos conhecidos na Itália, como Amparo Poch y Gascón ou Teresa Mañé Miravet (mas como as mulheres anarquistas são realmente mimadas!), encontramos então um “glossário que analisa um conceito significativo (antimilitarismo e ecologia social), um conto de Paolo Pasi, a resenha de um livro significativo, a apresentação de uma experiência de autogestão (o Gato Preto na área baixa de Modena e o Scighera em Milão), a reconstrução de um evento histórico… Os artigos são curtos (mas não superficiais), em linguagem simples e em geral a revista é certamente útil para favorecer a difusão de ideias libertárias entre um público não militante.

Editora Prospero, assinatura anual de www.emmarivista.org 30,00 Euros (a terceira edição será lançada em breve).

Connections

Neste caso, não é uma novidade, mas um feliz retorno. Link para a Direct Class Organization é publicado (com várias interrupções) desde 1977. Desde 1983 adotou o título de “Wobbly Links”. Gato Soriano e Cosimo Scarinzi em refazendo, no n. 2, a história do periódico (a partir do boletim de mesmo nome que o precedeu de 1973) observa que em suas origens há “um trabalhista […] crítico de todas as formas de organização percebidas como externas à classe, tanto em termos de político que em sindical […] não é por acaso que as raízes desta hipótese são identificadas nos eventos da Primeira Guerra Mundial”, embora sejam “os camaradas que dão vida a esta experiência de liberdade formação em sentido amplo, é uma fundamentalmente diferente daquele típico do movimento anarquista, a ponto de, de certa forma, até ser considerado “estranho” aos mitos fundadores do movimento anarquista daqueles anos […]”. As lutas autônomas dos trabalhadores, o conflito de classes estão, portanto, desde o início no centro da elaboração: “É um ambiente que não se reconhece na oposição canônica marxismo-anarquismo, também porque o Marx referido é o comunista alemão-holandês de esquerda (Korsch, Pannekoek, Gorter, Mattick e a própria Rosa Luxemburgo), portanto o Marx dos concílios“.

Os editores, em sua maioria ativamente engajados nas diversas instâncias do sindicalismo de base, decidiram dar vida a uma nova série da revista pela “necessidade de uma reflexão mais profunda e sistemática do que a militância cotidiana”. Nesse caso, optamos por cortar custos focando em uma edição pdf que pode ser solicitada gratuitamente em connectionswobbly@gmail.com ou lida diretamente online [1]. Um número limitado de cópias é impresso, podendo ser obtido por pouco mais do que o custo de impressão.

Connections é semestral e em 2021 foram duas edições (além de um caderno especial sobre o México de Claudio Albertani e Fabiana Medina, a terceira edição está para breve) [2]. Os artigos são encorpados e explicitamente destinados a servir de ferramenta nas lutas cotidianas, aparecendo assim voltados para um público de militantes. Em cada número encontramos análises (o estado do conflito de classes, a destruição da liberdade sindical, o PNRR…), insights sobre as várias situações de luta italianas e estrangeiras (Alitalia, GKN, as cooperativas Nichelino, os cavaleiros, Amazon no Alabama, os mineiros na Ucrânia, a rebelião no Cazaquistão…), artigos históricos (Carlotta Orientale, a Câmara do Sindicato do Trabalho de Livorno 1920-22…), resenhas de livros e revistas.

SEMI SOTTO LA NEVE

Recém-saída da imprensa é a primeira edição da Semi Sotto la Neve (Sementes Sob a Neve), revista Libertária. Quadrimestral, formato livro, 106 páginas, um grafismo “branco” e limpo que lembra a neve do título, imagens lindas e essenciais. A redação escreveu: “com a expressão “sementes sob a neve” (cunhada por Ignazio Silone e retomada conceitualmente por Colin Ward) pretendemos oferecer aos nossos leitores uma renovada interpretação do pensamento anarquista, experiências libertárias e práticas mutualistas”; o objetivo é, portanto, “reforçar a dimensão construtiva, positiva e experimental de uma tradição social, política e cultural que reconhecemos como antiautoritária e solidária”, apresentando experiências práticas de organização libertária que, sem triunfalismo, podem prefigurar um modelo diferente de sociedade. O pensamento anarquista é, portanto, relido de forma crítica e autocrítica, comparando-o e contaminando-o “com outras expressões culturais que guardam um impulso propulsor na direção de uma efetiva emancipação social e humana”.

O primeiro número apresenta três dessas “sementes sob a neve”: uma experiência no ambiente escolar (Saltafossi, Bolonha), uma aldeia ecológica (Granara, Parma) e a Edícula 518 (Perugia). A estrutura da revista inclui então seções fixas de “Insights” (um espaço mais teórico mas sempre com uma vertente proativa, neste número lemos reflexões sobre liberdade e problemas de gênero agravados pela pandemia), “Internacional” (a tradução de artigos e ensaios, neste caso “Sobre o conceito de prefiguração no campo anarquista” de Tomás Ibáñez), “Conversas” (diálogos com pessoas ou grupos considerados relevante, neste número Paolo Cognetti, escritor e viajante), “Raízes” (perfis de pensadores, neste caso Kropotkin e Bookchin) e “Resenhas”.

Uma cópia custa 6 euros, a assinatura mínima é de 15,00 euros (30,00 ou mais recomendado), semisottolaneve@riseup.net  cada número estará disponível online gratuitamente após a publicação do próximo.

Neste contexto trágico, em que passamos sem problemas das políticas de segurança geradas pela gestão da pandemia para a guerra, são muito úteis e necessárias novas ferramentas de reflexão em diferentes frentes, pelo que desejamos o maior sucesso às novas revistas.

Mauro De Agostini

NOTA

[1] https://issuu.com/collegamentiwobbly

[2] Ver Mauro De Agostini, “Notas sobre o México. Quando e por que um país foi ferrado”, https://umanitanova.org/note-sul-messico-quando-e-perche-si-e-fottuto-un-paese/

Fonte: https://umanitanova.org/tre-arrivi-nel-panorama-della-stampa-libertaria/?fbclid=IwAR1obQ-MX93_u_mhao4FwmWavkXBYFKRweherL8_feLzTaySZkfzioXjik0

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

Mensagem no ar
Tributo à minha saudade —
Sabiá-laranjeira

Neiva Pavesi

[Espanha] Este Primeiro de Maio vão nos ouvir!

Aproxima-se o Primeiro de Maio após um ano muito difícil para a classe trabalhadora, no qual cada vez setores mais amplos da população estão tendo dificuldades para chegar ao final do mês. A crise que arrasta o sistema capitalista se agudiza e, como sempre, pagamos as mesmas. À precariedade laboral, o desemprego e as dificuldades para o acesso à moradia se somam a subida do custo de vida e os contínuos cortes. Isto se traduz em um aumento da dificuldade para o acesso da classe trabalhadora a recursos tão necessários como a energia ou a alimentação, mas também a saúde e a educação.

A pandemia por COVID provocou graves consequências econômicas e sociais, mas estas não se podem descontextualizar da crise que já arrastava o sistema capitalista. Sua constante necessidade de acumulação e consumo de recursos está gerando um tremendo impacto em um planeta, que está a tempos dando sinais alarmantes.

Ante esta grave conjuntura, os governos reagem como sempre o fizeram: aumentando o controle social, limitando as liberdades para a classe trabalhadora, militarizando a sociedade, cortando em gastos sociais e iniciando guerras; atuações que somente beneficiam as elites capitalistas e cujas consequências sempre às sofrem o proletariado de todo o mundo.

O Primeiro de Maio é uma data muito importante para o movimento obreiro, porque com sua dignidade e com sua vida os mártires de Chicago gravaram na história os melhores valores que moveram a classe trabalhadora. Eles e elas voltam a nos recordar hoje que, frente à exploração nossa resposta é o apoio mútuo e a organização coletiva; frente ao racismo, o imperialismo e a guerra, a única via é o internacionalismo proletário. Frente ao autoritarismo e o patriarcado nos oporemos com anarcossindicalismo, feminismo e assemblearismo.

Sem importar siglas, a esfera governante, uma vez mais, trai a classe trabalhadora.

Onde dizem ‘revogo’ significa ‘retoco’, para que pareça uma mudança, mas sem que as trabalhadoras e trabalhadores melhorem suas condições de vida, convertendo-se em uma manobra para reforçar as posições da patronal. Do mesmo modo, a chamada Lei Mordaça segue aí reprimindo qualquer protesto, e multidões de famílias continuam sendo desalojadas.

A partir de agora veremos que sim 40 % dos contratos indefinidos anteriores à reforma laboral durava menos de um ano, com a nova regulação a vigência média dos contratos indefinidos baixará mais. Também crescerá o número de demissões, e a precariedade ficará ‘maquiada’ pelos novos contratos fixos descontínuos. Seguimos esperando que as empregadas domésticas sejam trabalhadoras de primeira, como merecem; seja através do prometido Convênio 189 ou incluindo-as no Estatuto dos Trabalhadores, onde sempre deveriam ter ficado. Tampouco esquecemos a saúde laboral e os acidentes laborais, que não param de crescer e aparecem em novos setores. E as pensões: continuam voltando aos mecanismos que fazem com que cada vez estejam mais longe e menos asseguradas as pensões, já que se resgatam bancos e empresas, mas não os direitos adquiridos da classe trabalhadora.

Nestes momentos, um objetivo transcendental para o movimento obreiro é fazer-se ouvir, é tomar consciência de classe e combater a onda de movimentos nacionalistas, autoritários, racistas e patriarcais. Basta já de branqueamento por parte dos meios de comunicação e de pactos entre partidos políticos. Temos que nos organizar necessariamente à margem das instituições do estado; organizadas desde baixo, no bairro, no trabalho, no sindicato, pela Justiça Social, a divisão da riqueza e a abolição das fronteiras, para que ninguém fique para trás.

Este é o caminho que escolheu a CNT e, por este motivo, este Primeiro de Maio sairemos à rua. Este Primeiro de Maio vão nos ouvir!

cnt.es

agência de notícias anarquistas-ana

Dia grisalho
brotos brotam brutos
na ponta do galho

Danita Cotrim

[Itália] Ugo Fedeli, um anarquista em confinamento

Uma autoprodução sobre a história do antifascismo libertário para o 25 de abril

É recém-lançada na imprensa uma produção do Arquivo Histórico da FAI, das Cozinhas do Povo de Massenzatico e das edições de Bruno Alpini.

Para recebê-lo você deve escrever para bruno.alpini@libero.it

Foi realizada pela primeira vez a reunião de vários artigos sobre os anarquistas nas ilhas do confinamento fascista, suas histórias e suas lutas, escritos por Ugo Fedeli para o periódico ítalo-americano “L’Adunata dei Refrattari” entre 1960 e 1961.

Fedeli (1898-1964) foi uma figura importante como militante, historiador e arquivista do anarquismo internacional, cuja vida está intimamente ligada a outra militante de Milão, Clelia Premoli. Desertor da Primeira Guerra Mundial, ativo no biênio vermelho de dois anos, o advento do fascismo o fez andar por algum tempo “de terra em terra” em toda a Europa: Rússia, Alemanha, França. Ligado a Luigi Fabbri, ele compartilhou seu exílio primeiro em Paris e depois em Montevidéu. Em meados dos anos 30, foi deportado para a Itália, preso e repetidamente forçado ao exílio, até a libertação do nazismo-fascismo. No pós-guerra foi primeiro secretário e depois membro da Comissão de Correspondência da FAI. No início dos anos 50, junto com Clelia, ele se mudou para a região de Canavese e começou a trabalhar como bibliotecário na Olivetti, que era o local de desembarque de muitos libertários naquela época. Sua militância vai de mãos dadas com muitos estudos históricos sobre o anarquismo, dos quais ele pode ser considerado um pioneiro na Itália, e com a coleção de livros, periódicos e documentos que compõem um arquivo muito valioso, adquirido após sua morte pelo Instituto de História Social em Amsterdã e hoje disponível aos pesquisadores.

O livro analisa o confinamento dos anarquistas, o segundo maior grupo após os comunistas. Denuncia o assédio das milícias e dos carabinieri, mas, mais importante ainda, lança luz sobre as formas de organização e resistência que os libertários deram a si mesmos, assim como as numerosas lutas contra as imposições do regime e por seus direitos que eles levaram a cabo. Eis o que Fedeli escreve sobre isso, depois de notar a ferocidade e a mentalidade retrógrada dos guardas:

Mesmo os confinados eram duros. Havia dignidade e firmeza, e contra a firmeza dos confinados, o ministério e a direção sofreram duros golpes que lhes custaram longos meses de prisão, como em Ponza, em 1933 e 1935. Em Tremiti, por exemplo, foi feita uma tentativa de impor a saudação romana obrigatória, e os confinados, a maioria dos quais eram anarquistas, preferiram ir para a prisão por um ano em vez de ceder […]. Toda violência e toda nova prisão despertou cada vez mais vivo e profundo o vínculo de solidariedade que unia a todos, e uma sensibilidade aguçada levou todos esses homens forçados a viver sobre uma rocha, apesar das diferenças de ideais e métodos de luta e ação, cada um para defender o outro, porque ao fazê-lo cada um sabia defender a si mesmo e sua dignidade, o princípio de liberdade e justiça que os animava“.

Este, é o índice, para entender melhor o que está no texto: “Na luta contra o fascismo – Homens e partidos – As Cantinas, o estudo e seu papel político – Agitações dos confinados – Últimos meses em Ventotene – Figura dos anarquistas confinados“.

A publicação é completada por uma introdução de Antonio Senta – que a Ugo Fedeli e suas atividades militantes e históricas tem dedicado muitos estudos, incluindo o livro A testa alta! publicado pela Zero em Condotta em 2012, e que inventou o arquivo Fedeli no Instituto de História Social em Amsterdã – e um prefácio de Franco Schirone, a quem devemos muito deste trabalho, tendo tido a ideia de coletar pela primeira vez em volume estes artigos e profuso esforço para transcrevê-los.

Finalmente, a publicação é enriquecida por um cartão postal colorido com uma reprodução de um quadro de Ernesto Rossi, pintado em Ventotene em 1940, mostrando os confinados, inclusive vários anarquistas, em duas cenas: “o passeio” pela ilha e “o brinde”, ou seja, a cantina Giustizia e Libertà (Justiça e Liberdade).

A. Soto

Fonte: https://umanitanova.org/ugo-fedeli-anarchici-al-confino/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Jasmineiro em flor.
Ciranda o luar na varanda.
Cheiro de calor.

Guilherme de Almeida

[Chile] Santiago: V ciclo de oficinas. Ferramentas para a investigação e a ação anarquista – 2022

O grupo organizador do ciclo “Ferramentas para a investigação e a ação anarquista” tem o prazer em convidá-los, pelo quinto ano, a discutir diferentes matérias desde uma perspectiva libertária, ecologista, feminista e descolonizadora.

Em tempos atuais onde a nova normalidade vai dirimindo as novas formas que vai tomando a sociedade de controle após a revolta e a pandemia, segue sendo urgente discutir sobre nossas realidades desde perspectivas revolucionárias. Em tal sentido, o ciclo segue sendo uma possibilidade de debater em conjunto os caminhos de uma investigação e uma ação contra-sistêmicas, que gere conhecimentos em benefício das comunidades, vinculadas a suas lutas e que contribua para a autonomia e emancipação.

Frente à catástrofe capitalista e a crise civilizatória que vivem nossos territórios propomos o debate, encontro e a geração de redes para a aprendizagem. Convidamos a construir de forma coletiva uma prática investigativa e uma reflexão crítica que aponte a caminhos diferentes ao capitalismo, o patriarcado e as práticas coloniais. Sintam-se todos convidados!

Grupo organizador
Rimü 2022

VAGAS LIMITADAS
Inscrições em herramientas-ciclo@riseup.net

agência de notícias anarquistas-ana

Ao mirar o espelho,
Na primeira manhã de outono,
O rosto do pai.

Kijô

[Canadá] Um olhar sobre a ação de solidariedade com os despejados do squat autogerido

No sábado passado, 9 de abril, o Colletcif Anarchist Emma Goldman (Coletivo Anarquista Emma Goldman) realizou uma ação de solidariedade com as cerca de trinta pessoas que foram despejadas do squat autogerido do centro de Chicoutimi. Além da sopa e do pão gratuitos, foram distribuídos folhetos aos transeuntes para discutir a situação das pessoas mais pobres neste setor de Chicoutimi. Também montamos uma cama, cobertores e um sofá na antiga okupa, uma ação simbólica que tem como objetivo propor ajuda mútua e solidariedade em vez de repressão e estigmatização. Agentes repressivos certamente expulsarão esta instalação o mais rápido possível, pois os guardas de “segurança” estão vigiando o local 24 horas por dia para garantir que ninguém retorne a ele. E lá se vão milhares de dólares de dinheiro público para financiar a repressão aos mais vulneráveis. Um quadro longe de brilhar para a nova administração municipal, que continua na mesma linha de suas predecessoras.

Mireille Jean, a nova vereadora do distrito 8, que inclui o centro da cidade, está martelando a mensagem de segurança. Segurança para quem? Os lojistas e seus clientes? Mas e quanto à segurança dos sem-teto que são expulsos em tempo frio? Ela quer garantir a segurança das pessoas que estão apenas de passagem pelo centro da cidade. Aqueles que vêm para comer nos restaurantes e lojas ou trabalhar lá e depois voltam para suas áreas periféricas. A segurança de que as pessoas da Prefeitura estão falando não inclui as pessoas mais pobres que vivem nesta área, e que são apagadas. Entre o distrito “empresarial” que se tornou o distrito “digital” e o aumento da repressão, não é um bom lugar para se viver no centro da cidade para os pobres. Os políticos da prefeitura querem um bairro tranquilo onde as lojas, restaurantes e empresas digitais estilo Ubisoft dominam, enquanto os pobres são empurrados para os bairros vizinhos, como se fossem desaparecer. A pobreza só mudará de lugar, mas continuará a existir.

Finalmente, aqui está o texto do folheto que foi distribuído no evento:

Se há pessoas miseráveis na sociedade, pessoas sem asilo, sem roupas e sem pão, é porque a sociedade em que vivemos está mal organizada. Não é aceitável que ainda haja pessoas que passam fome enquanto outras têm milhões para gastar com a torpeza. É este pensamento que me revolta! – Anarquista Louise Michel (1830-1905)

Está tudo muito bem ter praças e navios de cruzeiro de estilo europeu desenvolvidos a grandes custos por sucessivas administrações em Ville Saguenay, mas por trás dessas ideias de grandeza está uma triste realidade. É uma realidade sombria onde a administração municipal, um nível supostamente local de governo, não é sequer capaz de suprir as necessidades básicas de todas as pessoas que vivem em seu território. De fato, a cidade luta para garantir que todos tenham um teto sobre suas cabeças e instalações sanitárias disponíveis independentemente de seus meios ou condições. Pior, parece o contrário quando confrontado com o problema, este até se amplia.

Portanto, não deve ser surpresa que quando os recursos são insuficientes ou não atendem às necessidades das pessoas, estas decidam se organizar e levar o que puderem encontrar por perto. Isto é algo que todos considerariam fazer na mesma situação. A ocupação da escadaria da estação ferroviária do Havre por cerca de trinta posseiros preencheu uma necessidade de acomodação perto dos vários serviços no centro da cidade (cozinhas populares de sopa, grupos comunitários, a Casa de Abrigo, etc.). Lembre-se de que as mulheres não têm acesso à Casa de Abrigo. Elas devem então ser alojadas em casas para mulheres vítimas de violência doméstica. Entretanto, estas últimas não aceitam mulheres sob os efeitos do uso de drogas (drogas, álcool, etc.), por isso muitas acabam na rua sem recursos. No entanto, a cidade prefere olhar para o outro lado e desviar o debate para a questão da segurança.

Vil Saguenay: Esconder os desabrigados antes de vê-los

Embora a cidade ainda não tenha liberado os fundos para repintar o local, encontrou rapidamente o orçamento para contratar uma agência de segurança privada para evitar o retorno dos ocupantes. Um pequeno detalhe que a nova administração Dufour não mencionou ao público durante sua operação de comunicação. Da mesma forma, admite que o problema dos sem-teto permanece sem solução e que a cidade não planeja solucioná-lo de forma alguma, exceto pela caça aos pobres no centro da cidade. Missão cumprida de acordo com a Câmara Municipal! Eles tranquilizaram os comerciantes e os consumidores sem dúvida felicitaram os burocratas municipais sentados confortavelmente atrás de suas mesas, assim como seu braço armado, a polícia de Saguenay.

Não nos enganemos, isto não é uma fatalidade, muito menos uma questão de meios, porque lembremos que no auge da pandemia da COVID-19, a cidade tinha aberto as portas de suas instalações no antigo porto de Chicoutimi para acomodar pessoas em uma situação de desabrigados. O recurso acabou, mas as necessidades permanecem tão grandes como sempre. Há uma enorme necessidade de moradias de qualidade e a preços acessíveis. Será que teremos que esperar pela grande campanha alimentar da mídia ou pelo frio do inverno para resolver o problema dos sem-teto e encontrar soluções? A cidade deve tratar disso agora para encontrar uma solução sustentável para que ninguém seja deixado para trás.

Isto poderia começar com a abertura de pontos quentes de inverno e um investimento maciço no desenvolvimento de moradias de qualidade e de baixo custo.

Fonte: http://ucl-saguenay.blogspot.com/2022/04/retour-sur-laction-de-solidarite-avec.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Admirável aquele
cuja vida é um contínuo
relâmpago

Bashô

 

[Espanha] Sentença de prisão ratificada para seis dos oito membros condenados da CNT no caso “La Suiza”.

O Tribunal Superior de Justiça das Astúrias ratificou ontem (17/04) a sentença de prisão para seis dos oito membros da Confederação Nacional do Trabalho (CNT) pelas escaramuças realizadas entre maio e agosto de 2017 aos proprietários da confeitaria La Suiza, na avenida Schulz. A sentença proferida no primeiro período pelo Tribunal Penal 1 de Gijón, chefiado pelo Juiz Lino Rubio Mayo, condenou as oito pessoas envolvidas a um total de 25,3 anos de prisão.

Cinco anos após os atos delitivos, a TSJA ratificou a condenação, mas absolveu dois dos envolvidos no caso dos delitos. A alta corte considera que os atos de protesto “não são cobertos nem pelo exercício da liberdade de expressão nem pela liberdade de associação”.

O sindicato já anunciou que recorrerá da decisão para a Suprema Corte. “Iremos tão longe quanto necessário para defender os direitos de nossos companheiros. A justiça está mais uma vez atacando o sindicalismo e a classe trabalhadora. É um ataque sem precedentes e não vamos parar até que se faça justiça”, explicam.

Fonte: https://www.elcomercio.es/gijon/ratifican-pena-prision-condenados-cnt-caso-suiza-20220418225706-nt.html

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

no canto da janela
nova linha do horizonte:
o fio da aranha.

Tânia Diniz

[Espanha] Comunicado internacional do Primeiro de Maio Global onde participa a CGT

À nível mundial, nós, os trabalhadores assalariados, estamos em competição para apoiar a produção de valor adicional. Sem importar onde vivamos, nosso gênero/sexo, nacionalidade, estamos entrelaçados em uma mesma luta, queiramos ou não. Os cortes orçamentários nos serviços sociais, a subcontratação, a queda dos salários, a privatização, o aumento do custo de vida e das matrículas e da destruição dos recursos naturais são só alguns dos sintomas do sistema econômico global. Um sistema que se baseia na exploração e na competição conduz à comercialização de todos os aspectos de nossas vidas. Sofremos uma pressão crescente para capitular, separação, assim como a alienação de nossas necessidades e das pessoas com as quais trabalhamos e convivemos. Seja no lugar de trabalho, na universidade ou, cada vez mais, inclusive durante a infância e a juventude.

A introdução de uma Renda Básica Universal à nível global pode ser um primeiro passo emancipatório para a superação das relações laborais assalariadas.

Não pretendemos simplesmente interromper; buscamos superar.

Este ano chamamos a atenção sobre a crise ecológica que todos enfrentamos. Uma crise provocada pela busca incessante de margens de lucro por parte dos interesses capitalistas. Uma crise que provocará guerras em todo o mundo, fazendo com que os mais pobres de nós sofram mais e mais depressa. Com os atuais modos de produção e práticas de trabalho controladas pela classe capitalista, é impossível superar esta crise. A crise ecológica global é um problema para a classe trabalhadora em todo o mundo. Não existe a Terra 2.0. Não há opção de reinício ou plano de fuga. Só existe o futuro. Temos que decidir, e está em nossas mãos como classe trabalhadora, se esse futuro será em algum lugar onde os humanos possam viver ou não.

Dada a natureza transnacional do sistema capitalista, é necessário que os trabalhadores se conectem à nível global.

Mediante a criação de redes através das fronteiras, as interconexões globais que dão forma a nossas condições locais possam tornar-se visíveis. Também, abre novas potencialidades e campos de ação na luta contra a exploração e as condições de trabalho e de vida precárias. O poder de negociação dos trabalhadores aumentaria enormemente se nos uníssemos dentro da mesma cadeia de valor agregado.

Especialmente em tempos de nacionalismo e racismo, buscamos a luta comum e resistimos a nos enfrentar entre nós.

Por uma vida melhor para todos, através de todas as fronteiras!

#globalmayday2022 #1world1luta

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

No frescor da sombra
Caldo pelos cotovelos —
Manga madura

Neiva Pavesi

[Chile] Santiago: Reivindicação de atentado incendiário contra dois ônibus do transantiago no povoado Simón Bolívar de Quinta Normal

Sábado, 16 de abril.

No contexto da 33ª comemoração da morte em combate de Erick Rodríguez e Iván Palacios no povoado Simón Bolívar em Quinta Normal. Junto a um grupo de individualidades nos dirigimos à zona de conflito usual que acontece todos os anos nesta clássica jornada.

Com as mochilas carregadas de acelerante e armados dispostos para o enfrentamento com a polícia bastarda. Esperamos pacientemente o cruzamento de algum veículo do sistema de transporte público. Apenas se deu a oportunidade, detivemos dois ônibus que vinham a media distância. Baixamos sem violência os choferes e os que vinham com eles. Posteriormente procedemos a borrifar ambas as máquinas com nosso líquido favorito, para assim, iluminar a escura noite na rua Radal.

Ambos os ônibus ficaram completa e graciosamente incinerados, com perda total para suas concessionárias; que trabalham para o Estado.

Frente a qualquer questionamento à ação, manifestamos sem papas na língua que odiamos a funcionalidade da cidade e não tememos nos enfrentar com a necessidade cidadã caracterizada na repulsiva paz social. Se afetamos colateralmente o esquema enfermo da população civil, não nos envergonhamos, de fato, sorrimos frente a qualquer ruptura. Ainda que pareça efêmera e egoísta.

Por último, sempre em nosso caminhar ilegal se encontramos guerreiros presos subversivos, anarquistas e de todas as tendências revolucionárias no $hile e no mundo. Nossa solidariedade combativa para eles.

Erick Rodríguez, Iván Palacios, Barry Horne, Mauricio Morales, Sebastián Oversluij, Javier Recabarren, Kevin Garrido, Luisa Toledo e todos os guerreiros mortos em conflito com o esquema de vida existente estão presentes em nosso definir de linhas para o futuro.

FOGO AOS CÁRCERES PARA HUMANOS E NÃO HUMANOS COM SEUS CARCEREIROS E COLABORADORES DENTRO!!

O PASSADO É UM FRACASSO, O FUTURO NÃO SE VÊ, MAS O PRESENTE…

É UM PRESENTE!!

ADIANTE GUERREIROS EM TODA SUA MULTIFORME INICIATIVA INCENDIÁRIA E DELITUAL!!

NADA ACABOU, TUDO CONTINUA!!

Animales refractarixs

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Que belo que é
não pensar ao ver um raio:
‘A vida é fugaz’.

Bashô

[França] Contra a guerra, pela solidariedade mundial

O Comitê de Relações da Internacional de Federações Anarquistas (CRIFA), reunido em Marselha nos dias 19 e 20 de Março, aprovou o comunicado que se segue:

Condenamos a criminosa agressão à Ucrânia promovida pelo governo russo, em conjunto com todos os militarismos, e solidarizamo-nos com os povos oprimidos de ambos os lados da fronteira, promovendo o apoio ativo às vitimas do conflito, aos refugiadxs, desertorxs e prisioneirxs dos dois bandos desta guerra e da sua potencial expansão. Nos contextos em que agem as nossas diferentes federações, devemos denunciar e opormo-nos ao papel da OTAN, dos Estados Unidos e da UE na criação, também, das condições prévias que permitiram ao Estado russo atacar o seu vizinho mais débil com a cumplicidade da sua marionete, a Bielorrússia. Denunciamos o crescimento do autoritarismo em todo o mundo nos últimos anos, em que se viu o papel crescente dos exércitos nas políticas públicas. Com a situação atual, destacamos especialmente a crescente militarização da sociedade, no contexto do aumento do rearmamento em toda a UE, entre apelos generalizados para a criação de um Exército Europeu em detrimento das despesas sociais.

Xs pobres e xs oprimidxs do mundo são sempre xs perdedorxs em todas as guerras. Convertem-se em carne para canhão e são tiradxs à força das suas casas, e deparam-se com a pobreza e a doença em consequência desta guerra. Ao mesmo tempo, os patrões globais continuam a movimentar-se para controlarem os recursos do planeta. Nós opomo-nos ao capitalismo global e ao nacionalismo que são as causas da guerra. Ao contrário, temos que promover a guerra de classes, contrariando a indústria bélica e a despesa pública na guerra, e toda a lógica da guerra, desenvolvendo mobilizações horizontais mais amplas por parte dxs trabalhadores e das coletividades.

Deste modo, insistimos no perigo de se cometer o erro de defendermos a “nossa” nação ou o “nosso” país, fazendo ressaltar as nossas posições anti-nacionalistas e de negação/recusa, já que o nosso inimigo está no “nosso” país e o estado nacional ou a burguesia nacional são “nossos”. Pelo contrário, pretendemos construir a solidariedade entre todxs xs proletarixs e destacar o caráter global dos estados capitalistas.

Confirmando os nossos valores históricos de internacionalismo, solidariedade e parentesco global, para além das fronteiras, reafirmamos a nossa oposição a todos os crimes e massacres perpetrados pelo capital e pelo Estado, desde o genocídio dos povos negros e indígenas que hoje continua no Brasil, na América Latina e em todo o Sul Global, até à destruição do meio-ambiente provocada pela lógica dos Estados, a ganância e os mercados que ameaçam a própria existência de vida no nosso planeta.

Comitê de Relações da Internacional de Federações Anarquistas (CRIFA)

Marselha, 20 de Março de 2022

i-f-a.org

agência de notícias anarquistas-ana

Dentro do grilo
Um grito verde
Desfolha-se.

Paulo Ciriaco

[EUA] Lançamento: “The Anarchist Inquisition | Assassins, Activists, and Martyrs in Spain and France”, de Mark Bray

The Anarchist Inquisition (A Inquisição Anarquista) explora as campanhas inovadoras de direitos humanos transnacionais que emergiram em resposta à onda brutal de repressão desencadeada pelo Estado espanhol para anular atividades anarquistas na virada do século XX. Mark Bray guia os leitores por essa era tumultuosa — de reuniões secretas em Paris e câmaras de tortura em Barcelona a conferências internacionais antiterroristas em Roma e manifestações por direitos humanos em Buenos Aires.

Bombardeios anarquistas em teatros e cafés na década de 1890 provocaram prisões em massa, a aprovação de duras leis anti-anarquistas e execuções na França e na Espanha. Ainda assim, longe de um fenômeno marginal, essa primeira ameaça terrorista internacional teve ramificações profundas no desenvolvimento mais amplo dos direitos humanos, bem como do policiamento moderno global e da legislação internacional em extradição e migração. Uma rede transnacional de jornalistas, advogados, ativistas sindicais, anarquistas e outros dissidentes relacionaram a tortura peninsular à supressão brutal das revoltas coloniais em Cuba e nas Filipinas pela Espanha para criar um movimento emergente por direitos humanos contra o “renascimento da inquisição.” Seus esforços definitivamente obrigavam a monarquia a aceder face a um criticismo global sem precedentes.

Bray apresenta vividamente os assassinos, ativistas, torturadores e mártires cujas lutas prepararam o terreno para uma era até então não examinada de mobilização pelos direitos humanos. Ao invés de assumir que lutas por direitos humanos e “terrorismo” são forças inerentemente contraditórias, The Anarchist Inquisition analisa como esses dois fenômenos políticos modernos trabalharam em conjunto para construir campanhas dinâmicas contra as atrocidades espanholas.

The Anarchist Inquisition
Assassins, Activists, and Martyrs in Spain and France
Mark Bray
ISBN13: 9781501761928
Data de publicação: 15/03/2022
Páginas: 344
Ilustrações: 18 p&b meio-tom, 2 mapas
Dimensões: 6 x 9 x 1.06 in
Cornell University Press
$36.95
cornellpress.cornell.edu

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

na verde colina
bem mais que o fruto me apraz
a flor pequenina 

Antônio Gonçalves Hudson

[Espanha] Emma Goldman: antimilitarismo e revolução

A oposição de Emma Goldman ao envolvimento dos EUA na Primeira Guerra Mundial personifica o antimilitarismo inerente ao pensamento anarquista. Ao mesmo tempo, ela nega que tal posição faça qualquer uso da violência de forma ilegítima.

Goldman chegou aos Estados Unidos em 1885, aos 16 anos de idade, e foi a tragédia dos mártires de Chicago que despertou seu interesse pelo anarquismo. A partir daquele momento, ela começou a frequentar círculos anarquistas e a se associar com figuras proeminentes do meio libertário como Johann Most e Alexander Berkman. Seu ativismo estava centrado na propaganda, tanto em panfletos e revistas quanto em palestras. Foi seu uso de “palavras como arma” que a levou a ser considerada “a mulher mais perigosa da América” pelas autoridades americanas.

Antimilitarismo diante da Primeira Guerra Mundial

Com o início da Primeira Guerra Mundial, Goldman juntou-se às denúncias antimilitares que o pensamento libertário sempre defendeu, e seu protesto aumentou quando os Estados Unidos, seu país anfitrião, decidiu participar diretamente do conflito armado. Esta postura levou a várias prisões, dois anos de prisão e finalmente sua deportação para a Rússia, de onde ela era originária, em dezembro de 1919.

Na véspera da Grande Guerra, Goldman já havia iniciado uma turnê de palestras interestaduais, que sempre contou com a participação de uma grande variedade de pessoas e muitas vezes foi sabotada pelas autoridades locais de cada município. Em uma de suas palestras, em São Francisco, na plateia, estava um particular: William Buwalda. Este soldado teve a “desfaçatez” de apertar a mão de Goldman no final de sua palestra, um ato que em teoria só poderia ser um gesto de respeito e tolerância, evidenciou o código moral disciplinar do exército.

William Buwalda, “por causa de sua crença tola de que alguém pode ser um soldado e exercer seus direitos como homem ao mesmo tempo” foi severamente punido pelas autoridades militares. Depois de servir quinze anos com uma postura impecável, ele foi condenado a três anos de prisão, embora inicialmente lhe tivesse sido pedido que cumprisse cinco. Este é um caso que Goldman traz à tona toda vez que fala sobre a guerra em seus vários ensaios.

O escândalo gerado pela sentença colocou em questão a obediência cega esperada ao alistar-se no exército. Uma obediência que não é conciliável com a liberdade de ação ou pensamento, uma característica essencial do ser humano e o valor mais importante da teoria anarquista que Goldman defendia. A lealdade exigida pelo militarismo, apesar das nuances positivas da própria palavra, leva ao oposto: traição a si mesmo. Em seu texto No Que Eu Acredito, com base neste exemplo, ele declara mais uma vez “que o militarismo, um exército e uma marinha permanentes em qualquer país, é indicativo da perda de liberdade e da destruição de tudo o que há de melhor e mais puro na nação”.

Por outro lado, a preparação para a Primeira Guerra Mundial também trouxe atritos e divisões dentro do próprio movimento anarquista. Em grande parte, tais discordâncias foram motivadas pela posição de Pyotr Kropotkin a favor da guerra. O fato de que uma figura tão renomada dentro das fileiras libertárias ocupava tal posição lançou dúvidas sobre muitos e feriu alguns outros. Goldman sentiu isso como uma facada nas costas; no entanto, ela sustentou que “nossa devoção ao nosso mestre e nosso afeto por ele não podiam alterar nossas convicções, nem mudar nossa atitude em relação à guerra como uma luta de interesses financeiros e econômicos alheios ao homem trabalhador”.

Os eventos que se seguiram apenas reforçaram sua tese, o que a levou a concentrar seus esforços na causa antimilitarista e a ampliar sua divulgação. A partir de sua própria revista, a Mother Earth (Mãe Terra), ela pediu aos camaradas de diferentes áreas que contribuíssem com suas ideias em vários artigos que seriam publicados na mesma. Foi esta campanha anti-recrutamento que a levou perante um juiz no dia exato do seu quadragésimo aniversário, e ela foi condenada a dois anos de prisão. Uma prisão da qual ela nunca seria libertada, mas deportada para a Rússia. Ela só voltaria a colocar os pés em seu país anfitrião depois de sua morte, sendo enterrada ao lado dos mártires de Chicago em 1940.

Rumo à sua análise teórica

Antes de tudo, deve-se notar que o antimilitarismo não é sinônimo de pacifismo, como às vezes é interpretado. Ou seja, protestar contra a guerra não é sinônimo de acreditar que a violência é inerentemente ilegítima em todos os seus contextos. O que o antiguerra destaca são os interesses que impulsionam esses conflitos nacionais ou internacionais, interesses econômicos e políticos perseguidos pelos escalões superiores dos Estados que nada têm a ver com o que é do interesse das classes média e baixa.

Goldman entendeu que “o maior baluarte do capitalismo é o militarismo”, como ela explicou corretamente em seu ensaio Patriotismo, uma ameaça à liberdade. Desta perspectiva, ela olhou para a palavra-chave que os estados usavam para atrair os cidadãos para o exército: patriotismo. Este conceito, que nada mais é do que uma “superstição criada e mantida através de uma teia de mentiras e falsidades” baseia-se na “presunção, arrogância e egoísmo”. Desta forma, as crianças são educadas para defender seu país, nutrindo a proteção da propriedade privada junto com o direito de protegê-la a todo custo.

O senso de pertencimento que vem do patriotismo e o senso de justiça que vem das honras de servir o próprio país são as ferramentas utilizadas para o alistamento. Ao encorajar a população a acreditar nisso, também se gera uma opinião pública que é favorável à produção e aquisição de mais armas militares. Este último é indispensável para manter o negócio da guerra: os custos devem ser amortecidos. Em outras palavras, existem excedentes militares que devem ser empregados para continuar alimentando o ciclo do mercado.

Entretanto, enquanto o patriotismo serve como um instrumento para as elites ganharem o apoio dos cidadãos, Goldman ressalta que “não é para aqueles que representam riqueza e poder”. Ela exemplifica este julgamento em como são as classes trabalhadoras que acabam em frentes militares, como as classes altas são chamadas de “cosmopolitas”, como estas últimas mostram e dão apoio a essas outras “pátrias” tanto para interesses políticos como econômicos através de declarações, enviando tropas ou vendendo armas.

Outro argumento para a justificativa do exército é a segurança. O argumento de que são necessários meios para se defender contra ataques estrangeiros e para manter a paz. Entretanto, “a afirmação de que a criação de um exército e de uma marinha é a maior segurança para a paz é tão lógica quanto à afirmação de que o cidadão mais pacífico é aquele que está fortemente armado”. Em uma de suas palestras sobre “Ação Preventiva”, Goldman argumentou que “em vez de garantir a paz, a “preparação” tem sido sempre e em todos os países um instrumento que tem acelerado o conflito armado”.

Goldman reconheceu o medo que as autoridades poderiam ter, mas colocou seu medo não em um perigo externo, mas no “medo do crescente descontentamento das massas e do espírito internacional dos trabalhadores”. Assim, sob a bandeira da proteção dos cidadãos, elementos de controle social como as forças de segurança do Estado e leis mais restritivas são multiplicados; hoje, as câmeras de vigilância de rua também poderiam ser adicionadas à lista.

Ao colocar a ameaça fora das fronteiras da nação, espera-se alcançar a unidade dentro delas. Um povo unido contra um inimigo comum. Um povo unido, sem nenhuma apreciação das diferenças entre aqueles que pagam o preço e aqueles que se beneficiam com ele. Uma das muitas consequências deste discurso acaba sendo o racismo e a xenofobia generalizados, que em certa medida irão apoiar e/ou encorajar conflitos futuros.

Por outro lado, as causas da guerra também devem ser abordadas. Como já foi salientado, não é realmente devido a uma defesa do país, pois não pode haver defesa onde não há ataque. Nesta base, Goldman revê em seu ensaio as razões dos conflitos anteriores, concluindo que em todos os casos eles respondem aos interesses das classes dirigentes, nos quais, ela reitera, os benefícios econômicos e imperiais dos Estados são primordiais.

Uma profecia ainda não cumprida

Apesar do contexto de guerra em que Goldman viveu, ela não deixou de ver um raio de luz. Ela tinha fé no movimento antimilitarista que estava despertando na consciência daqueles que sabiam cada vez mais sobre a guerra e o que a cercava:

“A centralização do poder trouxe consigo um sentimento de solidariedade entre as nações oprimidas do mundo; uma solidariedade que representa uma maior harmonia de interesses entre os trabalhadores da América e seus irmãos no exterior do que entre o mineiro americano e seu compatriota explorador”.

A esperança é projetada em um futuro no qual o povo, aqueles que historicamente forneceram os soldados e, portanto, os mortos, deixam de receber ordens de cima, deixam de servir aos interesses dos outros em contradição com os seus, deixam de matar uns aos outros. Goldman defendeu uma campanha de conscientização da realidade, que “significará no futuro a revolta de todos os oprimidos contra seus exploradores internacionais”.

Em conclusão, o slogan que vem à tona na forma de grafite nas paredes quando irrompem conflitos armados, “nenhuma luta entre os povos, nenhuma paz entre as classes”, resumiria tão bem sua posição que ela mesma poderia ter sido a pessoa a usar a lata de aerossol. Emma Goldman considerava a vida como a coisa mais preciosa, mas a vida em liberdade, sem hierarquias e para todos, o que ela acreditava firmemente que traria uma sociedade anarquista.

Silvia K. Döllerer

Graduada em Filosofia e Jornalismo. Autora de “Reflexiones anarcofeministas”. E. Goldman‘ (Calumnia, 2022)

Fonte: http://acracia.org/emma-goldman-antimilitarismo-y-revolucion/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Sinto no rosto
Um carinho natural
O vento soprou.

Ze de Bonifácio

[Espanha] Libertários? Não.

Como creio já ter comentado em mais de uma ocasião, que se tem o hábito oxigenador de olhar repetidamente para um horizonte libertário de aspirações inovadoras e o mais amplo possível. Isto é um tanto retórico, mas é assim. Isto me lembra o que um certo anarquista disse no passado, e mais uma vez devo pedir desculpas por minha pobre memória pelos nomes das citações, algo que tem sido colocado em demasia sobre os ombros do anarquismo. Isto é verdade, e não tenho medo de insistir se me lembro que o maior número de ignomínias tem sido amontoado sobre anarquistas, ou se você gosta de ideias libertárias. Não consigo esquecer como esta coluna está ficando lírica hoje. No entanto, a capacidade de apresentar o anarquismo de forma errada ainda tem a capacidade de me surpreender. Ouvindo os mais puros libertários, e pelo menos no nível teórico na Espanha há muitos deles, embora com uma certa tendência consanguínea, chega-se a uma confusão terminológica que nos dá arrepios na espinha.

O termo “libertário”, em espanhol ou castelhano, meus senhores, é sinônimo de anarquista. Este é tanto o caso que, embora exista um movimento chamado anarquista, essa palavra não tem ismo algum. Libertarismo, apesar da Wikipédia, não é de forma alguma um neologismo. Esclareçamos também, mesmo que seja um pouco embaraçoso dizê-lo, que o anarquismo visa à supressão de toda autoridade coercitiva e uma comunidade de homens livres e iguais, dois conceitos que caminham inequivocamente juntos. Estes liberais de toda a vida, que agora sem vergonha presumem ser libertários e até mesmo anarquistas, como qualquer pessoa com o menor conhecimento de política sabe, falam muito de liberdade, mas negam a igualdade identificando-a de forma grotesca e simplista com um regime totalitário. É curioso que a origem da palavra libertaire, em francês, tenha sido cunhada por um anarquista em meados do século XIX precisamente para criticar e se diferenciar do liberalismo econômico. Foi quase um século depois, bem no século 20, que o termo libertarian entrou em jogo em inglês, um termo de origem sem dúvida conservadora, como podemos ver pelas pessoas que o usam, para convidar à confusão em nosso idioma. Pouco tempo depois, as pessoas começaram a falar de um anarquismo de direita ou anarco-capitalismo ou o que quer que lhe chamem, e eu não acho que seja necessário explicar do que se trata.

A questão é que ao ouvir estes pseudo-libertários, cuja pequena contribuição para as ideias clássicas do liberalismo talvez os empurre para esta confusão terminológica, só se pode ficar indignado. Assim, eles falam depreciativamente de um anarquismo que consideram coletivista e de esquerda, e brincam com a falta de conhecimento da economia daqueles que, como eles, naturalmente, não carregam a verdade pura e revelada. É evidente que, apesar das minhas explosões habituais, acho que o debate e o confronto entre ideias em busca de um horizonte inovador e emancipatório o mais amplo possível é grande e digno de uma sociedade minimamente livre. Isso é uma coisa, mas é outra bem diferente, monopolizar termos que são, em grande medida, antagônicos. É verdade que existem abordagens sobrepostas para uma sociedade livre, mas o anarquismo já fez uma crítica inicial ao liberalismo econômico e um compromisso com a autogestão social em todas as esferas da vida. Insistiremos na ligação íntima entre os conceitos de liberdade e igualdade, com toda a complexidade que isso implica, e na erradicação de toda autoridade coercitiva, também no campo econômico. Também é verdade que em línguas há anfibologia e polissemia, que soam como doenças, mas é o significado ou significado diferente dos termos. Mas, neste caso, é uma inteligente mistificação etimológica por pessoas que estão simplesmente defendendo algo muito diferente que contribui para a falsidade do anarquismo autêntico (perdoe a expressão). Ufa, eu fiquei muito sério, mas é que a coisa toda me irrita muito.

Juan Caspar

Fonte: http://acracia.org/libertarios/

Tradução > Liberto

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marias-joaninhas
agora em folhas de amora
as pintas pretinhas

Débora Novaes de Castro

[República Tcheca] Dinheiro para anarquistas, colar para Lukashenko

Algum tempo atrás, tomou-se a decisão de arrecadar fundos para anarquistas sendo indiciados na assim-chamada Bielorrússia. Houve primeiro uma ação beneficente de tatuagens e, depois dela, uma publicação de um livro D.I.Y., o “Words Against Isolation or As Long As There Are Prisons, Let’s Write Letters.” Até agora, essas atividades arrecadaram 700 euros. Esse dinheiro dará suporte a cinco anarquistas condenados por sua disposição em resistir à ditadura. Nomeadamente: Nikola Dziadok (sentenciado a 6 anos), Sergei Romanov (sentenciado a 20 anos), Igor Olinevich (sentenciado a 20 anos), Dmitri Rezanovich (sentenciado a 19 anos) e Dmitri Dubovsky (sentenciado a 18 anos).

Alexander Lukashenko é o líder de uma ditadura que defende sua existência através da tortura e do encarceramento da oposição. É bom que não esqueçamos disso, o que foi o objetivo de criar esse ‘colar’ diferente para o Lukashenko. Foi apenas desenhado, mas talvez um dia alguém fará um de verdade.

Fonte: https://lukasborl.noblogs.org/money-for-anarchists-necklace-for-lukashenko/

Tradução > Sky

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/04/republica-tcheca-words-against-isolation-um-beneficio-para-anarquistas-reprimidos-na-bielorrussia/

agência de notícias anarquistas-ana

Flores no jardim.
Uma abelha pousa aqui
e depois se vai.

Sérgio Francisco Pichorim

[Itália] Guerra contra a guerra. Mobilização internacionalista em 25 de abril em Spoleto e 1º de maio em Carrara

GUERRA CONTRA A GUERRA

Carestia e licenciamentos, degradações nas prisões e nos postos de trabalho, crise energética e retorno da energia nuclear, tumultos e repressão. Esta é a guerra que o governo de Unidade Nacional declarou sobre os explorados. Esta é a guerra que somos chamados a combater. Nossa guerra é contra o Estado e o capital, em continuidade com as práticas de conflito e com os nossos prisioneiros no coração. Não vamos nos alistar na chamada da burguesia para as armas, não vamos lutar contra outras pessoas exploradas dentro e fora de nossas fronteiras.

Pela solidariedade internacionalista.

CONTRA À GUERRA, CONTRA A ENERGIA NUCLEAR, EM DEFESA DA IMPRENSA ANARQUISTA, EM SOLIDARIEDADE AOS REVOLUCIONÁRIOS PRESOS E ÀS PRÁTICAS DE QUE SÃO ACUSADOS.

VAMOS DESCARRILAR A UNIDADE NACIONAL

Manifestações internacionalistas:

Spoleto, 25 de abril de 2022, na Piazza Garibaldi às 15h00.

Carrara, 1° de maio de 2022, na piazza Alberica às 14h30.

Durante os dias: comícios, discursos, distribuição de publicações anarquistas.

Para contatos:

 Circolaccio Anarchico, viale della repubblica 1/A, Spoleto (e-mail: circolaccioanarchico@inventati.org).

 Circolo Culturale Anarchico “Gogliardo Fiaschi”, via Ulivi 8, Carrara (e-mail: gogliardofiaschi@gmail.com).

Fonte: https://ilrovescio.info/2022/03/26/guerra-alla-guerra-mobilitazione-internazionalista-il-25-aprile-a-spoleto-e-il-1-maggio-a-carrara/

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Sobre o mar do Anil
Despedida de andorinhas —
O céu escurece.

Benedita Silva de Azevedo

[Joinville-SC] VIII Sarau Primeiro de Maio: arte e a organização popular das rebeldias

Depois de dois anos de sarau online, é com alegre rebeldia que o Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN), integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), convida a todes a participarem do VIII Sarau Primeiro de Maio, cujo tema deste ano é: Arte e Organização Popular das Rebeldias.

Neste ano queremos refletir e discutir quantos artistas estão ao nosso redor, quantos artistas já passaram em nossas vidas e nem nos demos conta. Em um sistema em que nosso tempo é ditado pelo capitalismo, muitas vezes não temos tempo ou fazem-nos acreditar que só servimos para gerar lucro para os mais ricos.

Sabemos e acreditamos que a arte está em cada canto, feitas por nossas mãos, mentes e corações, e que transborda em nossos bairros, ruas, vizinhanças, famílias, escolas, nas favelas, aldeias, assentamentos, ocupações de moradia, dentro dos nossos movimentos sociais e organizações. Ela está ali, na esquina, nas praças, nos pés descalços de uma criança chutando uma bola.

Em momentos pandêmicos a arte não é apenas um respiro, um sorriso, uma lágrima, um desabafo, ela é necessária, faz parte da resistência assim como tantas outras ferramentas políticas cotidianas.

O primeiro de maio não é o dia do trabalho, é dia de quem trabalha. Venha fazer parte deste dia e relembrar a data histórica de luta da classe trabalhadora!

Quando: domingo, dia 1° de maio
Horário: 15:00 às 19:00 horas
Local: Associação de Moradores e Amigos do Bairro Itinga (AMORABI) – Rua dos esportistas, nº 510, Joinville – SC.
Se possível, traga um alimento para a partilha!

agência de notícias anarquistas-ana

folhas flutuam,
onda vai e onda vem
avançam o mar

Thiphany Satomy