[Bielorrússia] Mãe de Fugitivo Anarquista Bielorrusso Sentenciada por Acusação de Perturbação da Ordem Social

Um tribunal de Minsk sentenciou a mãe de um fugitivo anarquista bielorrusso a três anos em regime aberto por participar de protestos ilegais contra o regime do governante autoritário Alyaksandr Lukashenko.

O tribunal do distrito Frunze da capital bielorrussa sentenciou a mulher de 57 anos de idade, Hayane Akhtiyan, no dia 12 de abril, após condená-la por participar de atividades que perturbam a ordem social, como declarou o centro de direitos humanos baseado em Minsk Vyasna (Primavera).

O sistema aberto de cárcere é conhecido através da antiga União Soviética como “khimiya” (química), um nome que remete ao final da década de 1940, quando os condenados eram enviados para trabalhar em locais de risco, geralmente em indústrias químicas, e era permitido que morassem em dormitórios especiais ao invés do encarceramento em penitenciárias.

Hoje em dia, uma sentença “khimiya” significa que o condenado ficará em um dormitório não muito longe de seu endereço permanente e trabalhará em seu emprego, como de costume, ou em alguma entidade do Estado definida pelo serviço penitenciário.

Akhtiyan foi presa em novembro, após uma busca da polícia na sua casa. Fora então sentenciada a 10 dias na cadeia sob acusação de desobediência.

Não foi solta após servir o termo de 10 dias; ao invés disso, recebeu uma nova acusação de participar de atividades que perturbam a paz social como resultado de sua participação em um protesto ilegal antigoverno.

Na época, canais apoiadores do governo do Telegram mostravam Akhtiyan ajoelhada em frente a policiais, declarando-se culpada. Uma legenda acompanhando a postagem dizia: “pais são responsáveis por seus filhos.”

O filho de Akhtiyan, o anarquista conhecido Raman Khalilau, deixou a Bielorrússia em 2019, temendo por sua segurança. As autoridades bielorrussas iniciaram duas investigações contra ele e vários outros anarquistas no ano passado, acusando-os de extremismo.

Os casos criminais estavam ligados às atividades do Khalilau e seus colegas no estrangeiro, que são críticos a Lukashenko e ao seu governo.

Fonte: https://www.rferl.org/a/belarus-anarchist-khalilau-mother-sentenced/31801644.html

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Tarde de outono
Perseguindo folhas ao vento
O gato dançarino

Camila Jabur

[Espanha] Nem Putin, nem OTAN, nem guerras imperialistas

Alguma pessoa pode ser tão estúpida como para pensar que aos altos cargos políticos e aos grandes capitalistas, que são os que criam e decidem sobre as guerras, as sanções econômicas, as restrições nos serviços sociais ou sobre o gasto em armas letais e ações militares, isto vai afetá-los? Tudo ao contrário, aproveitando-se disso e da inflação que produzem especulando com os preços, se tornarão mais ricos e multiplicarão suas fortunas durante a guerra e posteriormente, durante a reconstrução do destruído por suas absurdas decisões. Da qual se beneficiarão políticos, empresários, construtores e potentados burgueses de ambos os bandos.

A alguém pode passar pela cabeça que lhes afetará a subida do preço dos combustíveis aos que utilizam aviões e carros oficiais, cujo importe do gasto sai dos impostos do povo, ou a essas fortunas milionárias a quem sobra o dinheiro acumulado com a exploração e o roubo do produto do trabalho de outras pessoas? Alguém pensa que quando exista escassez de produtos esta burguesia vai carecer deles ao mesmo nível de quem já não tem, nem terão depois para comer?

Com estes simples exemplos deve ficar claro que nas guerras entre capitalistas e imperialistas, a grande prejudicada sempre é a classe trabalhadora. Tanto a nível econômico como militar, pois as pessoas mencionadas nunca estão nas frentes de batalha, nem onde existem os verdadeiros riscos de perder suas vidas. Só lhes interessa a dominação e o controle geoestratégico, econômico e comercial, o que lhes impulsiona a criar estes enfrentamentos em que se ganhe ou se perca a contenda, a população e a classe obreira em seu conjunto é utilizada como carne de canhão. Ainda que pretendam nos vender seus interesses como os nossos, é mentira, isso nunca será assim. Portanto, beneficiados são e serão os capitalistas de ambos os lados e seu sistema, no qual, se ganhe ou se perca, seguirão explorando e dominando aos e as trabalhadoras sobreviventes.

É hora de refletirmos e começarmos a nos dar conta de que tudo isto é para o que também se lhes outorga os votos. Para que tenham a capacidade de envolver-nos em guerras, para que façam o que queiram com o povo e em nome do mesmo sem nem sequer consultá-lo, e sobretudo, quando o que pretendem é que outros defendam com suas vidas e seus sacrifícios os interesses e privilégios contrapostos daquelas pessoas que manejam os estados e as grandes corporações econômicas.

Temos de ter em conta que neste tipo de guerras montadas pelo capitalismo, o que interessa sempre é o interesse e o domínio de um ou outro bando com os usuais matizes nacionalistas. Nunca os interesses da classe trabalhadora que é a que morre e sofre as brutais consequências do desastre. Acaso alguém pode pensar que uma vez acabado este conflito bélico deixaremos de ser utilizados e explorados pelos capitalistas através do trabalho assalariado, que são os que a originaram?

Deve ficar claro que o que tem que defender a classe trabalhadora neste e qualquer outro conflito internacional, é o direito a conservar suas vidas. Nossa classe deve lutar contra a dominação capitalista e seus protagonistas que nos exploram em qualquer território, pois sua classe atua igual em qualquer parte do mundo, com guerras ou sem elas.

A classe trabalhadora deve responder com a desobediência aos mandos político e militar estatais. Se os capitalistas querem guerra que vão eles!

Assim como também com a desobediência fiscal. Se os capitalistas e seus governos são os interessados na guerra, que a paguem com seu dinheiro e não com o de nossos impostos! Se são eles que declaram e criam as guerras que sejam eles e seus políticos que se sacrifiquem e sofram suas consequências.

Nem um só euro dos e das trabalhadoras para a guerra dos capitalistas. Nem uma só vida do povo para defender interesses capitalistas.

CONTRA A GUERRA DO CAPITAL

GUERRA SOCIAL!

Comitê de Solidariedade dos Trabalhadores (Valladolid)

Março 2022

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Árvore curvada
tentando catar folhinhas
caídas no chão.

Lena Jesus Ponte

[Chile] Santiago: Luta sindical. A tensão organizativa dos trabalhadores no Chile atual

Às vésperas de começar o Maio Negro e Libertário, damos início a uma série de atividades começando com esta palestra educativa sobre a “Luta Sindical, a tensão organizativa dos trabalhadores” que levaremos a cabo na quarta-feira, 27 de abril.

Também contaremos com um espaço para crianças, feira libertária, música ao vivo e venda de comida vegana desde as 18:00 horas para começar com a palestra às 19:30 horas pontual.

Os convidamos a manterem-se atentos a nossas redes sociais, onde iremos informando todas as atividades que temos preparadas para comemorar e reivindicar este Maio Negro Libertário 2022.

agência de notícias anarquistas-ana

As campânulas
Se espalham pelo terreno —
Casa abandonada.

Shiki

[EUA] Apoie o Institute for Advanced Troublemaking!

Este agosto (2022) marcará a quarta Anarchist Summer School [Escola de Verão Anarquista] do Institute for Advanced Troublemaking (IAT) [Instituto dos Desordeiros Avançados], uma escola de verão imersiva de oito dias de teoria e ação anarquistas para pessoas adultas de todas as idades. O IAT é um projeto humilde, co-criado por uma equipe de voluntários que acreditam profundamente no poder transformativo da educação popular. De fato, nossa escola de verão enfatiza políticas prefigurativas que exploram formas de liberdade como contrárias e, espera-se, como um crescente substituto das formas de dominação e hierarquia.

Mentorias assim, multigeracionais, quase que por definição, são bem mais lentas do que os tipos urgentes de organização que são necessários aos muitos tipos de violência sistêmica que encaramos, seja pela colonização ou pelo capitalismo, pelo Estado, patriarcado ou supremacia branca, para citar alguns. Mas acreditamos que uma visão a longo prazo seja crucial para imaginar, bem como para implementar, um mundo baseado nessa ética e na dignidade e apoio mútuo, liberdade coletiva e solidariedade.

Nos primeiros três anos da nossa Anarchist Summer School, cerca de noventa participantes por toda Turtle Island foram capazes de cultivar uma compreensão mais forte e uma práxis da organização anarquista, teoria crítica e pensamento inovador, e até mesmo desenvolver habilidades. Também fizeram tudo isso de uma forma a aprenderem juntos, com facilitadores que praticam o tipo de cuidado DIY [faça você mesmo] comunitário necessário para sustentar espaços e movimentos anarquistas a longo prazo. Aprenderam a levar o aprendizado conjunto às suas comunidades, como inspiração gerativa por outra infraestrutura, organização e projetos prefigurativos igualitários. E formaram conexões sólidas uns com os outros, agora colaborando com outros e outras campistas em vários outros esforços educativos e políticos.

A Anarchist Summer School do IAT e outros projetos de educação popular são feitos com orçamento apertado, em sua maioria por nossas taxas móveis pelo programa. Para que o próprio IAT seja sustentável, precisamos do terreno firme de algum apoio financeiro adicional, seja na forma de uma única doação ou, ainda melhor, uma contribuição mensal. Ajude-nos a continuar a co-criação do que um aluno do IAT chama de “um espaço lindo e iluminado, …imaginado com intenção, amor e cuidado,” ou, como coloca outro aluno, “não creio que tive uma outra experiência na vida em que me senti tão seguro e cuidado, mental, física e espiritualmente ao mesmo tempo”!

Doe Hoje! (E convença seus amigos e amigas anarquistas a doarem também!)

(arte de momo cat)

>> Doe aqui:

https://www.gofundme.com/f/aid-the-institute-for-advanced-troublemaking?utm_source=customer&utm_medium=copy_link&utm_campaign

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Eu acordo
contando as sílabas;
o haikai ri

Manuela Miga

[Espanha] Luta pelo território e conjuntura política no Peru | Análise desde uma perspectiva anticapitalista.

Desde a CNT Comarcal Sur, seguindo com nosso trabalho internacionalista, organizamos este ato com um companheiro peruano onde repassaremos a história do movimento libertário e a atualidade dos conflitos sociais.

Nestes últimos trinta anos, o Peru teve grandes convulsões sociais, que abalaram a mais de um governo e a todas as camadas do país.

Podemos mencionar o início da guerra interna nos anos 80, que deixou um saldo de mais de 70 mil mortos e desaparecidos, e que hoje em dia não se encerrou como capítulo traumático. Nos 90 o início da ditadura fujimorista, que implementou o neoliberalismo no Peru, e a consequente eliminação das melhorias sociais, como a jornada de 8 horas que foram um triunfo da histórica FORP (Federación Obrera Regional Peruana), de orientação anarcossindicalista, da perseguição e eliminação dos sindicatos, dos comedores populares, organizações estudantis, o jornalismo independente, e demais organizações civis que se viram perseguidas, até seu total desmantelamento, com muitos de seus líderes assassinados ou exilados.

Também vale mencionar a assinatura dos Tratados de Livre Comércio, e sua concretização na exploração mineira e petroleira em prejuízo das comunidades nativas e camponesas. É aqui um dos focos das nascentes convulsões sociais. Porque devemos ressaltar que as grandes Lutas que se dão na atualidade no território peruano são precisamente as que se originam em defesa do território e contra a contaminação. Hoje em dia há pouco mais de 200 conflitos deste tipo no Peru.

Por outro lado cabe destacar que o mundo laboral formal se reduz a tão somente a 20% da população total, a grande maioria de peruanos pratica uma economia de subsistência. As desigualdades sociais aumentaram a despeito dos burocratas que aplaudiram a bonança econômica dos 2000. Os bolsões de pobreza e extrema pobreza podem ser vistos rodeando as cidades onde a cada ano centenas de crianças morrem em consequência do frio e da anemia.

Se pode avaliar o inconformismo da população das cidades que ganham salários de miséria com um salário médio no Peru de 285 dólares mensais. Dinheiro que não cobre as necessidades básicas de uma pessoa e esta é uma das razões dos últimos protestos à nível nacional. Tudo isto somado a uma educação paupérrima, a privatização do ensino público universitário, as nulas políticas de saúde, a grande corrupção que carcome a base moral da nação e os bandos delinquentes que tomaram de assalto todos os estamentos estatais, fazem do Peru um país em permanente crise.

Resumindo podemos dizer que a população está farta do discurso político e dos políticos tanto de esquerda como de direita. Sob este panorama adverso, a propaganda anarquista esteve presente ininterruptamente nestes últimos 15 anos, em forma de jornais, como o Desobediencia, Vitamina A, Sabot e outros, também em conferências, atos culturais, em manifestações, em grupos de afinidade.

Devemos dizer que há uma resposta positiva a nossos ideais, sobretudo em círculos de estudantes universitários e em jovens que buscam uma alternativa por fora das podres estruturas partidárias. No último grande protesto de 15 de novembro de 2020, onde houve 4 assassinatos nas mãos da polícia, se podia escutar em todos os bairros de Lima e do Peru o lema: que se vão todos!

Uma de nossas últimas propostas organizativas de propaganda foi a Furia del Libro Anarquista que está em sua terceira edição. A primeira foi como Feira Do Livro Anarquista. A edição de uma nova imprensa “Acracia”, a implementação de uma editoria “Anarcrítica” e nosso grande sonho é contar com um ateneu ou centro social.

Em conclusão podemos dizer sem nos equivocarmos e sem sermos voluntaristas que o programa e o discurso anarquista é bem recebido nas diversas regiões do Peru. Fica por fazer um longo e incansável trabalho para levar a revolução social a bom termo.

Os esperamos em 20 de abril às 19 horas na Fundación Anselmo Lorenzo.

Fonte: https://comarcalsur.cnt.es/Luta-territorio-coyuntura-politica-peru/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Velho no farol
vendendo buquês de rosa
O sorriso é brinde.

Marcelino Lima (Suzumê)

Lançamento: “Memórias de um partisano makhnovista”, de Ossip Tsébry

É com prazer que lançamos hoje a obra “Memórias de um partisano makhnovista“, de Ossip Tsébry. O livro registra a experiência vivida pelo autor junto de sua família e comunidade durante a revolução russa e a participação do exército insurgente makhnovista em sua região. O livro conta ainda com uma pequena biografia de Ossip Tsébry feita por Nick Heath.

Memórias de um partisano makhnovista” possui 40 páginas no tamanho A6, e reforça nossa “Coleção textos essenciais”. A obra custa 5$ na compra de quaisquer outros livros que não façam parte da coleção. Durante o período de lançamento, os 20 primeiros pedidos acompanharão o pôster “lema makhnovista”.

Encomendas em nossa loja virtual, pelo link: https://linktr.ee/tsa.editora

agência de notícias anarquistas-ana

Arco-íris no céu,
chega ao fim o temporal:
tobogã de gnomos.

Ronaldo Bomfim

[Espanha] Guerra à guerra do capital

Existem guerras barulhentas, como a da Ucrânia, que ainda assim também esqueceremos um dia. Existem outras que, pelo contrário, ignoramos, pois são silenciadas pelos meios de comunicação, calamos porque são cuidadosamente ignoradas. Ainda assim, estas também alimentam as feras belicistas cujos filhos não morrem nas linhas de frente ou nas trincheiras. Mas há uma guerra diária que não podemos ignorar porque nos afeta totalmente, é a do agravamento das condições fundamentais de vida da maioria da população enquanto as de uma minoria melhoram.

Não estamos interessados em lutas que estejam além da conquista do pão de cada dia ou da eliminação de privilégios. Não queremos abordar mais conflitos do que aquele entre quem sofre a opressão e aqueles que a exercem. Não queremos embarcar em guerras que só roubam teto, sono, sonhos e pão de quem não escolheu a guerra enquanto melhoram o teto, sono e pão de quem vende armas. Não precisamos de guerras que levem para linha de frente aqueles que nunca gozarão dos privilégios que quem levantar a bandeira triunfante desfrutará. Não encontramos motivos para defender nenhuma fronteira porque nos guiamos pela convicção de sua inutilidade ou prejuízo para a classe trabalhadora. Esta guerra é um negócio, como todas as outras, e não queremos colaborar. Esta guerra não é da nossa conta e não queremos participar.

Somente lutando com firmeza e solidariedade contra esse absurdo insustentável e contra as injustiças podemos reivindicar outro mundo, em nossa luta há um denominador comum, uma única vontade e uma única arma útil: a liberdade coletiva, materializada no apoio mútuo e na justiça para a classe trabalhadora.

O LUCRO DELES, NOSSA MISÉRIA!!!
SEUS PRIVILÉGIOS, NOSSA POBREZA!!!
NEM GUERRA ENTRE OS POVOS, NEM PAZ ENTRE AS CLASSES!!!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/

Tradução > Mauricio Knup

agência de notícias anarquistas-ana

Pequena flor
Sol contido na cor
Ipê amarelo

Luciana Bortoletto

[Grécia] Intervenção solidária para o companheiro V. Stathopoulos em Atenas

No sábado, 9 de abril, companheiras e companheiros intervieram em solidariedade com Vangelis Stathopoulos [1] no teatro Gloria durante a apresentação do espetáculo teatral “Morte Acidental de um Anarquista” de Dario Fo. Foram gritados slogans de solidariedade, um texto foi lido informando a audiência sobre o caso e o tribunal de apelação em 18 de maio, onde os anarquistas V. Stathopoulos e Dimitris Atzivassiliadis estarão sendo julgados.

A solidariedade é nossa arma.

Ninguém sozinho nas mãos do Estado.

Tribunal de Apelação 18 de maio. Todas e todos lá!

>> Mais fotos: https://athens.indymedia.org/post/1618147/

[1] Em 8 de novembro de 2019, o anarquista Vangelis Stathopoulos foi preso pelo Serviço Anti-terrorista grego com a desculpa de que ele havia participado de um roubo em Holargos, cidade da periferia de Atenas, em 21 de outubro do mesmo ano. No dia seguinte à sua prisão, com uma crescente reação de terror e histeria, foi repentinamente anunciado que ele também é acusado de participar da organização “Auto-Defesa Revolucionária”. Em 23 de abril de 2021 Vangelis e Dimitris foram condenados a 19 e 16 anos de prisão respectivamente.

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Mar agitado —
Estende-se até a ilha de Sado
A Via-láctea.

Bashô

[Espanha] Gasto militar e de controle social executado no estado espanhol em 2021: Mais de 36.000 milhões

Mais de 27.000 milhões se orçamentam fora do Ministério de Defesa.

Hoje, 6 de abril de 2021, começa a nova campanha de imposto de renda no estado espanhol e, com ela, a de Objeção Fiscal ao Gasto Militar.

No grupo Tortuga começamos com a publicação da estimativa de gasto militar e de controle social no estado espanhol em 2021.

Não podemos saber com exatidão quanto gasta o estado nestas questões. Suas artimanhas para esconder as cifras são variadas: ocultação dos dispêndios fora do ministério de Defesa, falta de transparência na apresentação de orçamentos, descentralização de alguns gastos…

O que sim podemos dizer é que, fazendo um cálculo conservador, o estado espanhol destinou ao menos 36.902,52 milhões de euros a questões militares e de controle social (mais de 28.000 milhões a assuntos estritamente militares). Falamos de 778 euros por habitante.

Estes dados superam muito ao orçado em Defesa.

Aqui tens detalhada a estimativa que fizemos (Baixar arquivo PDF]:

https://www.grupotortuga.com/IMG/pdf/estimaciaA_n_gasto_militar_y_control_social_2021.pdf

Grupo Antimilitarista Tortuga

Fonte: https://www.grupotortuga.com/Mas-de-36-000-millones-de-gasto

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Lentos dias se acumulam –
Como vão longe
Os tempos de outrora.

Buson

[EUA] 24 de abril de 2022, 68° aniversário de Mumia Abu-Jamal

Mumia Abu-Jamal está a 40 anos, 4 meses e 15 dias encarcerado nas prisões estadunidenses. Acusado da morte de um policial e condenado a morte em 1982, em 2011 sua pena foi comutada para prisão perpétua sem acesso à liberdade condicional.

Um lutador incansável desde dentro pela abolição das prisões, uma referência inegável de dignidade e temperância nas mais terríveis condições de encarceramento e isolamento.

Nossa opção de luta anticarcerária nos mantêm sempre atentos à sua vida de luta e resistência nas prisões do pior império que a humanidade registrou ao longo de sua história.

Surpreendentemente, as prisões pioraram com o passar do tempo, não melhoraram. E agora o sistema carcerário é maior do que jamais teríamos imaginado. Por isso, nos fazem falta mais movimentos para mudar as condições nas prisões, não menos. E a abolição das prisões têm que estar sobre a mesa. Queremos liberdade. Queremos liberdade. Queremos liberdade. O dizemos todas e todos.” – Mumia Abu-Jamal

Resiste!

agência de notícias anarquistas-ana

Hora do almoço.
Pela porta, com os raios de sol,
As sombras do outono.

Chora

[Alemanha] Junte-se ao Bloco Anarquista!

No 1º de maio de 2021, as ruas de Berlin-Neukölln mandaram uma mensagem: ao invés de antecedentes e orientações diversas, podemos conectar nossas lutas com sucesso contra toda autoridade e opressão.

Ganhamos energia, aprendemos uns com os outros e reforçamos nossas esperanças para lutas futuras. A reação nervosa do Estado e os ataques da polícia nas manifestações mostram que essa esperança não é injustificada.

Este ano queremos construir em cima dessa energia e chamar para um Bloco Anarquista diverso, expressivo e rebelde como parte da Revolucionária Manifestação do 1º de Maio.

Houveram muitas discussões nos últimos anos (e décadas) sobre a ritualização do 1º de maio. Concordamos que esse dia específico não é melhor ou pior do que qualquer outro para lutar por um mundo sem autoridade, mas também pensamos que o dia nos conecta com uma longa história de luta rebelde da qual não devemos abrir mão facilmente.

O 1º de maio pertence a ninguém exceto às pessoas que levam sua luta às ruas no dia para lutar por solidariedade e autodeterminação e contra todas as formas de dominação e opressão. Cabe a nós encher esse dia com conteúdo e iniciativa e assegurar que todos iremos deixar a manifestação com um sorriso coletivo sob nossas máscaras.

Estejam preparados! Junte-se ao Bloco Anarquista!

Manifestação Revolucionária do 1º de Maio de Berlim

Início: 18h00, Herztbergplatz Anarchist Block

Mais informações em breve

Fonte: https://enoughisenough14.org/2022/03/23/r1mb-join-the-anarchist-block-berlin/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Por aqui passou
uma traça esfomeada:
livro de receitas.

Francisco Handa

 

[Itália] Vídeo do cortejo antimilitarista no dia 2 de abril em Milão

Sábado (02/04) à tarde em Milão, nosso cortejo contra as guerras e os que armam e as políticas belicistas da ENI [empresa de energia italiana] desfilou como planejado da Piazza Affari à Piazza Cordusio, onde se juntou à de “Milão Contra a Guerra”, para terminar na Piazza Fontana. Muitos slogans, discursos ao microfone e bombas de fumaça caracterizaram nossa presença.

A performance teatral realizada na praça de negócios também foi significativa.

Nossa posição sobre a guerra em curso na Ucrânia também foi claramente afirmada: nem com Putin nem com a OTAN e solidariedade com todos os desertores!

Além dos camaradas da região de Milão, havia delegações de muitas cidades, inclusive da Sicília e da Eslovênia. Mais uma etapa de sucesso da nossa jornada que continuará nos próximos meses.

Assembleia Antimilitarista

>> Veja o vídeo (07:47) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=LEGQ3w7LyxM

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

Ao deixar o portão
o templo zen,
Uma noite estrelada!

Shiki

[Portugal] A guerra, o cinismo e a covardia

Por M. Ricardo de Sousa | 13/04/2022

É já um lugar comum dizer que esta guerra na Ucrânia vai reconfigurar a política europeia e mundial. Mesmo não sendo bruxo, tudo aponta para isso. O rearmamento da Alemanha, o aumento da coesão e poder da OTAN, uma nova corrida armamentista, o reforço dos investimentos em energia nuclear, serão desde logo algumas consequências da invasão da Ucrânia pelo Estado Russo. Por tudo isso o capitalismo liberal terá um dia de agradecer a Putin ter desencadeado este imprevisível impulso agregador.

Haverá também consequências duradouras entre os que se declaram anticapitalistas, pois a fractura resultante do apoio implícito, e explícito, de vários setores à agressão desencadeada por Putin, não me parece que sejam fáceis de ultrapassar no futuro. São visões de mundo antagônicas a dos que apoiam um agressor e a dos que apoiam as vítimas.

Até na velha extrema-esquerda, teoricamente internacionalista, o alinhamento com as teses do Estado russo não deixa de surpreender tanto mais que a natureza da oligarquia russa, o nacionalismo reacionário de Putin e a sua política imperial, não dão margem para as ilusões que pudessem ainda existir quando da invasão da Hungria e da Checoslováquia pela desaparecida URSS, justificadas pela desestabilização imperialista do “campo socialista”. E, mesmo nessa época, os libertários, e muitos comunistas, manifestaram-se contra o imperialismo russo.

O trágico, ou cômico, é que a reprodução dos argumentos do Estado russo, incluindo de peças da sua campanha de manipulação e desinformação, se faça em nome do “anti-imperialismo”, um anti-imperialismo que faz até que, em alguns países, setores delirantes da extrema-esquerda considerem o Irã e o Daesh “objetivamente anti-imperialistas”. Serão delírios da velhice ou cinismo sinistro da velha tradição stalinista?

A posição dos anarquistas, pelo menos as que conheço, neste caso, foram corretas e não levou a nenhum alinhamento com a retórica política do Estado Ucraniano, mantendo-se no objetivo claro de oposição ao invasor e de apoiar a autodefesa do povo ucraniano, pelos meios que decidir e entender, mesmo sabendo que a lógica do Estado tende a impor-se em situações de guerra, mas essa é uma disputa permanente entre os povos e a suas classes dominantes e o Estado nacional.

Sabemos que no passado, nas duas guerras mundiais, houve uma fractura no movimento anarquista entre os defensores do alinhamento com um dos campos do conflito, mas mesmo nessa situação crítica nunca houve setores libertários que defendessem o campo do agressor. Ou seja, na I e na II Guerra Mundial o debate foi se se deveria apoiar o campo dos Aliados contra os Estados agressores e autoritários ou apelar aos trabalhadores à não participação na guerra.

Por isso é que espanta que, também entre os libertários, surjam alguns que se dedicam implicitamente, outros sub-repticiamente, a defender o Estado Russo com os seus argumentos e justificações, evocando razões geo-estratégicas ou fatos e guerras passadas comprometedores do campo imperialista, EUA e Reino Unido. Como se a invasão do Iraque, Afeganistão, Líbia, ou a ocupação da Palestina, etc., legitimasse a agressão russa. É difícil saber se esse tipo de discurso resulta do velho complexo que fazia com que, antes de cair a URSS, muitos não criticassem o que acontecia lá para não serem acusados de “anticomunismo” ou é um mero acompanhar do ativismo digital da velha extrema-esquerda pelas dificuldades de manter uma posição coerente e radical neste debate virtual viciado… A maioria dos referidos libertários, e que são poucos, situa-se, no entanto, no campo de uma ambiguidade cínica, e apenas dois ou três, que já andaram pelos meios libertários, são explicitamente e delirantemente, pró-Putin.

Não me parece que a visão do mundo dos libertários seja compatível com a covardia, pragmatismo e cinismo das correntes políticas da velha esquerda, mesmo da que se reivindicava do anticapitalismo e internacionalismo e agora cedeu ao nacionalismo imperial e beligerante de Putin. Nesse sentido podemos tentar entender a origem dos conflitos e o que está em jogo na disputa entre estados, mas nunca alinharemos com a agressão, os invasores e os que despoletam a guerra. A posição libertária não é cômoda, nem popular, nos tempos que correm, mas é a que está de acordo com os nossos princípios e história.

Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/04/13/a-guerra-o-cinismo-e-a-cobardia/

agência de notícias anarquistas-ana

Apesar do sol
Ardendo sem compaixão,
O vento de outono.

Bashô

[Espanha] Rádio Klara: 40 anos de utopia libertária nas ondas do rádio.

A histórica rádio autogestionária faz aniversário, um projeto consolidado que atualmente tem nas mudanças geracionais seu principal desafio.

Por Joan Canela | 04/04/2022

O final dos anos 70 foi turbulento. Os anos que se seguiram à queda da ditadura foram marcados por uma explosão de lutas e criatividade: greves e protestos, mas também fanzines e contracultura. Uma realidade que, muitas vezes, a mídia não quis captar ou, se o fez, foi com o objetivo de ridicularizar e criminalizar. “Era necessário criar nossos próprios meios de comunicação”, explica Manolo Gallego, um dos fundadores da Rádio Klara. A decisão foi tomada no final de 1979, em um encontro cultural realizado no extinto cinema Alameda e organizada por uma das seções da recém dividida CNT.

O projeto foi cuidadosamente elaborado. “Passamos quase três anos analisando, escrevendo documentos, estatutos e levantando recursos econômicos”, continua Gallego, mas finalmente, em março de 1982, a Rádio Klara levantou sua antena no telhado de uma casa particular em Montcada (município ao norte de Valência) e assim iniciou suas transmissões.

O começo não foi fácil. Eles sofreram três fechamentos, o primeiro ainda no governo da UCD e os outros dois já com o PSOE. “Depois eles viram que isso era inútil, porque mesmo que eles confiscassem ou selassem nossos equipamentos, nós voltávamos a transmitir. No fim das contas, eles nos tomaram por indomáveis e acabaram nos tolerando”, lembra Gallego.

Outro dos fundadores, Aniceto Arias, destaca que “Rádio Klara não nasceu com vocação para a marginalidade já que conscientes do papel dos meios de comunicação nas sociedades modernas e a serviço de quem estãoela pretendia ser uma alternativa de comunicação projetada para o futuro”.

E eles realmente cumpriram isso. Desde o início, Rádio Klara não se tornou só a voz dos grupos libertários e de protesto valencianos, como por ex o Grupo Ecologista Libertário, o Movimiento de Objeción de Conciencia ou a Casa de la Dona, além da própria CNT, mas foi também o canal de divulgação da rica vida contracultural de uma cidade que vivia sua própria “movida”. De fato, a rádio se sustentava organizando shows sob o nome de Movida Musical Rádio Klara, que teve a participação de bandas como La Resistencia ou Carmina Burana.

“Tudo isso mobilizou muita gente ao mesmo tempo que foi desprezado pelos demais meios de comunicação. O programa Al loro por la cara dava destaque a esses grupos e alcançou uma grande audiência”, continua Gallego.

O mundo literário ou artístico também usava frequentemente os microfones de rádio, que transmitiam ao vivo os encontros literários da livraria Cavallers de Neu, que assim como o cinema Alameda, também desapareceu. “Para fazê-lo, tivemos que montar a antena no telhado da casa, que se despedaçou e quase afundou”, lembra o histórico ativista.

Rádio Klara também transmitiu um dos primeiros programas com temática LGTBQIA+ quando nem se chamava assim-: a pinta rebelde, apresentado por alguns dos ativistas gays mais históricos da cidade. Desde então, a Rádio Klara não parou de transmitir toda a atividade alternativa, social ou cultural, valenciana: a explosão punk, a campanha contra a OTAN, a rebeldia, os primeiros grupos musicais em dialeto valenciano, chegando até ao 15M e a primavera valenciana.

“É fundamental reconhecer a importância do público, principalmente aquele que, com sua ajuda, contribuiu definitivamente para o sustento econômico da Rádio Klara durante esses 40 anos”, afirma Aniceto Arias.

Com a consolidação do projeto, e superadas as tentativas de fechamento, passou a ser cogitada sua regularização. “Insistimos na regulamentação. Reclamamos tanto que no final ficamos amigos dos funcionários que trataram do assunto”, explica Galego.

Finalmente, conseguiram arrancar do governo de Joan Lerma – que tinha o então jovem Ximo Puig como assessor de políticas de comunicação – uma lei que criava uma licença para “rádios culturais”.

Os beneficiários dessa lei foram três, sendo uma rádio por província. Rádio Escavia, em Segorbe, que era uma estação sem fundo político; uma rádio educativa dos Jesuítas em Ibi, e a  Ràdio Klara em Valência. “Era uma forma de disfarçar porque eles não queria admitir que estavam dando licenças para anarquistas”, relata Gallego se divertindo. Uma legislação que é a mais avançada do Estado na matéria e que nunca foi replicada em nenhum outro território.

Juventude e rádio, o desafio pendente.

Na era do boom do podcast, Rádio Klara está perdendo vozes jovens. “Esta é nossa principal urgência agora”, reconhece Manolo Totxa, uma das pessoas mais ativas no projeto hoje. E não é por falta de adaptação às novas tecnologias. De fato, a Rádio Klara foi uma das primeiras emissoras da Espanha a transmitir ao vivo e online e mantém atividade constante nas redes, onde divulga a maioria de seus programas.

“O problema não é tanto o podcast -continua Totxa- que nos permite obter conteúdo de altíssima qualidade, mas o modelo organizacional. Muitas pessoas preferem fazer seu programa de forma autônoma, e então todo o espírito comunitário que a rádio oferece se perde”.

Essa falta de jovens também se reflete no público. Com cerca de 100.000 ouvintes regulares na FM, seus números são muito bons. Além disso, o número se multiplica em momentos de tensão informativa, como por exemplo com a guerra na Ucrânia, e ainda mais em tempos de conflito local, como durantea revolta estudantil conhecida como Primavera Valenciana.

“As pessoas nos ligaram e nos explicaram o que estava acontecendo ao vivo. O rádio é um meio muito dinâmico e permite uma cobertura muito ágil e imediata”. Mesmo assim, reflete Totxa”, se a maioria dos programas for feita por pessoas muito idosas, seu público tenderá a ser da mesma idade, pelos temas, pela linguagem e pelos interesses que transmitem”.

Fonte: https://www.publico.es/culturas/radio-klara-40-anos-utopia-libertaria-ondas.html

Tradução > Mauricio Knup

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/04/11/espanha-radio-klara-completa-40-anos/

agência de notícias anarquistas-ana

Minha voz
Torna-se vento —
Coleta de cogumelos.

Shiki

[Chile] 1º de Maio Negro Anarquista

Devemos considerar que todas as formas antagônicas que se opõem ao estabelecido são válidas, mas não podemos nem devemos chegar a nos enganar considerando que o que fazemos é de todo útil, devemos objetivar nossas ações, nunca minimizar as do poder e levar a batalha da melhor maneira que podemos, mas nunca abandonar, nunca deixar o campo livre. Já que entre tudo o que podemos fazer, a retirada é precisamente a única opção que os defensores da Anarquia nunca devemos assumir.

[Breve mais detalhes da Jornada]

Em Santiago, território dominado pelo E$tado Chileno

agência de notícias anarquistas-ana

Em qualquer lugar
Onde se deixem as coisas,
As sombras do outono.

Kyoshi

[Espanha] Meios de desinformação

Antes de entrar no tema de hoje, gostaria de fazer uma breve reflexão sobre o amplo uso político do conceito de “esquerda”; os primeiros a fazê-lo são líderes tão peculiares como Pablo Iglesias, ex-vice-presidente do governo, agora estrela de um programa de rádio (leia-se: podcast, de acordo com o jargão tecnológico atual). Bem, não sei bem o que diabos é a esquerda hoje, por assim dizer, mas por uma questão de argumentação vou fingir que eu mesmo pertenço a esse universo. A questão é que, diante da agressão militar do executivo russo contra o país da Ucrânia, há quem assinale que a “esquerda” parece passar grande parte de seu tempo falando sobre a OTAN sem condenar fortemente o déspota russo; acho que o que se quer dizer, e isto não é de forma alguma uma nova acusação, é que parece que se os Estados Unidos não são claramente culpados por um conflito, os progressistas não estão suficientemente mobilizados para usar o maniqueísmo mais atroz. Deve ficar claro, e novamente especificamente na atual guerra em solo ucraniano, a feroz campanha de desinformação que está sendo conduzida pela grande mídia, censurando opiniões que contradizem uma versão oficial baseada na loucura genocida do déspota Putin. É compreensível, portanto, que muitos de nós insistamos que a OTAN e o Ocidente são responsáveis pelas guerras aumentando suas bases militares durante anos na Europa Central e Oriental; devemos lembrar a tensão produzida durante anos por este zelo expansionista, e precisamente nas fronteiras da Federação Russa.

Parece que também é necessário apontar repetidamente que me repugna tanto as agressões imperialistas russas quanto pelo imperialismo ianque. Neste sentido, não sei se a mídia pode ser mais surpreendente, mas ouvir o iníquo e patético José María Aznar condenando a invasão da Ucrânia na Rádio Nacional de Espanha parece ser uma piada de mau gosto. Outro movimento ridículo da mídia é apresentar Putin como uma espécie de novo Hitler e o regime político ucraniano como uma democracia liberal modelo, cuja oligarquia pode na verdade não diferir muito da Rússia; aqui entramos plenamente no que se pretende apresentar como uma espécie de guerra ideológica, já que o próprio presidente russo justificou a invasão ao querer “desnazificar” o país vizinho. O antifascismo parece ser um tema muito interessante na luta da mídia de ambos os lados, mas deveria ser risível se tivéssemos alguma cultura política e procurássemos um mínimo de rigor informativo; parece verdade que a extrema direita tem alguma força na Ucrânia, mas descrever este país como nazista ou fascista é uma simplificação grosseira, que esperamos não tenha pegado entre a população russa.

Por outro lado, buscar uma ligação entre Putin e o atual sistema russo e o comunismo, algo em que certos meios de comunicação também insistem explícita ou implicitamente, é outra loucura; sem ter qualquer simpatia pela ex-URSS, hoje falamos da Rússia como uma oligarquia repulsiva, atormentada pelas desigualdades sociais e impregnada de nacionalismo ultra-conservador. Tendo apontado toda essa enorme desinformação, sim, falamos muito sobre a OTAN em conflitos militares, porque os conflitos não aparecem da noite para o dia pela graça de um louco que apenas precisa ser derrubado; desde a queda do comunismo, precisamente, tem havido muitos anos de mentiras ocidentais, interesses econômicos e geoestratégicos, bem como a busca de novos inimigos para justificar toda essa política. Recordemos, mais uma vez, que não faz muito tempo a Rússia de Putin era aliada dos Estados Unidos; logicamente, a Federação Russa não recebeu o que esperava e o conflito explodiu. Mesmo que se chegue a um acordo para acabar com a guerra na Ucrânia, e esperemos que ele seja alcançado o mais rápido possível, o futuro não parece brilhante a nível global com estes atores em jogo. Entretanto, se toda essa manipulação grotesca, temperada por esses personagens indescritíveis chamados “formadores de opinião”, tiver alguma utilidade, é para despertar mais consciências. Vamos ver se os seres humanos finalmente se dão conta de quão terríveis idiotas eles são com demasiada frequência.

Juan Cáspar

Fonte: http://acracia.org/medios-de-desinformacion/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Lua cheia!
Por mais que caminhe,
O céu é de outro lugar.

Chiyo-jo