[Argentina] Anarquismo entre grades

Anarquismo entre rejas. Rupturas, mutaciones y líneas de fuga.

William Andrés Mesa Cárdenas | Livros de Anarres

Um esforço para se inserir por outra perspectiva no assunto carcerário e penitenciário do controle e do domínio dos seres humanos que habitam a prisão, para compreender a prisão como uma instituição de miniatura social, como máquina panóptica, como poder molar articulado a uma engrenagem repressiva estatal.

Estas palavras apresentam o livro Anarquismo entre rejas. Rupturas, mutaciones y líneas de fuga [Anarquismo entre grades. Rupturas, mutações e linhas de fuga], são de seu autor, William Mesa Cárdenas, e são os temas de onde se parte para compreender, a partir das experiências de movimentos de organização política de presos, como se podem identificar linhas de fuga (em uma concepção delleuziana) e as conexões possíveis entre as realidades da prisão e a ação externa de grupos de apoio. Mutações, rupturas, novos olhares, visões práticas e métodos de resistência formam parte deste trabalho de pesquisa que o autor leva adiante, e que Libros de Anarres publica na Argentina.

Compartilhamos alguns dos conceitos apresentados nas suas páginas:

É nítido que, diante o exercício de domínio efetuado pelo sistema carcerário, se forjam diferentes perspectivas de resistências e reconfigurações de relações de poder que as pessoas presas passam a gestionar, desde suas diferentes trincheiras ideológicas, práticas políticas e métodos de luta, como são as organizações sociais, sindicatos e formas cooperativas de produção… reconfigurando a individualidade, o coletivo, a autogestão e a resistência móvel e nômade na prisão, em função do desejo como impulso criativo, vital e enérgico: o próprio desejo da liberdade.

O livro nos relata, para chegar a compreender esses assuntos, o desenvolvimento dos processos de organização carcerária: a Coordenação de Pesos em Luta (Espanha, 1975) e o Kamina Libre (Chile, 1994), ambas organizações libertárias são referências necessárias para a compreensão das resistências contra o sistema carcerário.

Em Carabanchel (Espanha), uns 40 presos davam forma à organização da Coordenação de Presos em Luta, eles montaram uma gráfica clandestina rudimentar, com a qual editavam textos de maneira artesanal e os enviavam a prisões de todo o país, mediante os companheiros transferidos… essas peças gráficas eram panfletos minúsculos, escritos a mão com letra pequena, que eram escondidos nas dobras das calças e até nas dentaduras para, assim, não serem descobertos.

Algo sobre a letra K, a qual é muito usada nos movimentos anarquistas latino americanos…

Essa letra é uma consonante velar, explosiva e surda, é genuína do idioma Mapuche e soa muito forte guturalmente… no Mapuche não existem nem o C nem o Q espanhóis, é por isso que se utiliza como uma demonstração contracultural.

Em ambos casos (o exemplo espanhol e o chileno), os movimentos intracarcerários se organizavam de forma vertical, ao estilo dos partidos políticos tradicionais (tanto de esquerda como de direita), no qual se responde ao mandato do líder e à cadeia de mando; a particularidade é que nesses dois exemplos, os mesmos integrantes começaram a discordar dessa forma de obediência ao poder (poder intraorganização que replica tanto ao poder político quanto ao institucional, os quais sempre são, tanto no capitalismo como no comunismo, verticais). Dizia que chegam a discordar com esta forma de poder o que os leva a formular outras possíveis formas de organização, em que o horizontal e a assembleia substituirá ao estabelecido como norma, convertendo esses movimentos em exemplos muito bons de organizações anarquistas.

A partir deste novo paradigma, se chegou a discutir em profundidade sobre a exploração e o domínio dos seres humanos sobre seus iguais, pondo em foco não só o processo necessário para obter a liberdade, mas em como acabar com o capitalismo e as instituições do estado, que o cuidam e incentivam.

Em um contexto como o carcerário, onde a desconfiança, a intimidação e a violência são parte estrutural, prática e cultural (promovidas a partir do mesmo sistema de controle penitenciário), a empatia como um dos núcleos de associação, poderia se converter em um elemento para a práxis rebelde, em um elemento revolucionário.

Muitas ideias, muita vida, muito ar novo… este livro nos aproxima de outra visão, muito próxima ao que, talvez se necessita aplicar, não só dentro dos contextos de aprisionamento regionais, mas que no conjunto de nossa sociedade e na maneira de nos vincularmos com o poder: começando pelo sistema por dentro. Porque se esperamos que mude por fora, desde os circuitos próximos ao poder e à justiça (que protegem e consolidam ao capital), seguiremos nos devorando entre iguais, entre cordeiros, enquanto o lobo aproveita o banquete.

Mais sobre Anarquismo entre rejas. Rupturas, mutaciones y líneas de fuga neste link:

http://www.librosdeanarres.com.ar/#!/producto/83/

Fonte: https://pabellontextual.wordpress.com/2021/08/18/anarquismo-entre-rejas/?fbclid=IwAR2ocKuJQZjt_t_jult-7zgnx1vAs36wSCSfAksXG62xjl3Yky6KA5mfeC0

Tradução > Caninana

agência de notícias anarquistas-ana

Sem ter companhia,
E abandonada no campo,
A lua de inverno.

Roseki

[Grécia] Não perdoamos nada. A última palavra ainda não foi dita.

Pavlos Fyssas vive nas ruas, nas praças, em cada esquina onde uma barricada é erguida contra a xenofobia, a intolerância, o racismo. Nenhuma justiça civil, nenhuma lei vai esmagar a extrema direita, as agrupações neonazistas. O fascismo será esmagado por uma luta implacável, por meio de ações cotidianas que promovam a solidariedade, a igualdade e a liberdade. Num contexto social sufocante de proibições, vigilância, coerção, chantagem, o que temos para com o Estado e os tiranos desta terra são as nossas relações, que devemos cultivar com abnegação e apoio mútuo, com as nossas negações, a nossa resistência persistente. O poder semeia a morte, a resistência semeia a vida.

ESMAGAR O FASCISMO E O SISTEMA QUE O ENGENDRA E NUTRE.

NÃO PASSARÃO!

Anarquistas

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/09/17/grecia-pavlos-fyssas-vive-esmaguemos-os-nazis/

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Mais fria que a neve,
Sobre os meus cabelos brancos,
A lua de inverno.

Jôsô

[Espanha] Lançamento: “Leyenda Negra. La criminalización del anarquismo a través de la Historia”, de Ruymán Rodríguez

A imprensa constrói periodicamente um anarquismo imaginário, com numerosos grupos de revolucionários profissionais que se dedicam a viajar pelo mundo semeando distúrbios. E ainda há muitos companheiros anarquistas que compram a história. Ojalá fosse verdade. Mas a realidade é muito mais mundana: quando os Estados exageram deliberadamente o potencial subversivo dos anarquistas, eles não apenas procuram construir um bode expiatório, mas também desencadear uma repressão exemplar e desproporcional que de outra forma não poderiam justificar. O anarquismo é um alvo fácil e recorrente porque, como temos visto, uma verdadeira e infundada “lenda negra” foi construída em torno dele, enfiada com mil preconceitos e lugares comuns. É esta lenda que tornou possível que uma tortura em uma delegacia, uma morte na prisão, uma pena de 40 anos, seja menos alarmante se aqueles que os sofrem suportarem o “sinal de Caim” da anarquia.

Leyenda Negra. La criminalización del anarquismo a través de la Historia

Autor / es: Ruymán Rodríguez

Editorial: Ed. Calumnia

Páginas: 148

Tamanho do livro: 180 cm × 130 cm

Ano publicação: 2021

Preço: €8.00

calumnia-edicions.net

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Na noite escura
um mar de espuma
chama pela lua

Eugénia Tabosa

[Espanha] Revista Asturies Nº12 | Especial Kropotkin

Kropotkin geógrafo e economista , Kropotkin estudioso das ciências naturais, da história, da ecologia, da ética e da sociologia, Kropotkin revolucionário e agitador, Kropotkin sábio anarquista. Kropotkin como uma desculpa e um veículo para conhecer através de sua obra, sempre escrita em palavras simples, o anarquismo. Entrar naquelas ideias de progresso que pouco a pouco penetram como o orbayu até os ossos da sociedade, para mover o mundo em direção ao horizonte de justiça social que toda pessoa boa deseja. Seguir o caminho que outros tomaram em direção à emancipação total da humanidade. Por isso este ano são organizadas uma série de conferências, bom proveito e mais do que nunca Saúde e Anarquia!

>> Baixe-leia a revista aqui:

https://asturies.noblogs.org/files/2021/01/Asturies12.pdf

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/08/30/revista-do-centro-de-cultura-social-especial-kropotkin/

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apaga a luz
antes de amanhecer
um vagalume

Alice Ruiz

[Alemanha] Negros, as vítimas esquecidas da era nazista

Das 75 mil pedras comemorativas dedicadas às vítimas dos nazistas, apenas quatro são em memória de negros. Indícios de uma perseguição que foi, em grande parte, apagada.

Os negros são as vítimas esquecidas da Alemanha nazista, diz Marianne Bechhaus-Gerst, professora de Estudos Africanos na Universidade de Colônia. A perseguição deles sob os nazistas definitivamente “não é enfatizada o suficiente”, acrescenta.

É difícil estimar quantos negros viviam na Alemanha quando os nazistas tomaram o poder, em 1933. Embora alguns fossem originários do efêmero império colonial alemão na África (1884-1919), tratava-se, na verdade, de “uma população muito diversa e ainda assim consideravelmente móvel”, diz Robbie Aitken, professor da Sheffield Hallam University, na Inglaterra, e especializado em história da Alemanha negra. “E já por volta de 1933, diante da ascensão dos nazistas, alguns homens negros e suas famílias deixaram a Alemanha.”

Outro grupo importante de afro-alemães ficou conhecido como “Bastardos da Renânia”, rótulo racista e depreciativo dos nazistas para crianças, cujos pais se acreditava serem militares franceses de ascendência africana que estavam estacionados na Renânia após a Primeira Guerra Mundial.

“Se incluirmos as 600-900 crianças da Renânia, havia no máximo 1.500-2.000 pessoas que podemos chamar de residentes”, disse Aitken, acrescentando que muitos outros negros e negras também viviam temporariamente na Alemanha na época, trabalhando como artistas, desportistas ou diplomatas.

Memoriais para quatro indivíduos

Na Alemanha, assim como em alguns outros países europeus, existem mais de 75 mil Stolpersteine ​​comemorativas, ou “pedras de tropeço”. Trata-se de pequenas placas de latão instaladas na calçada para marcar os nomes e destinos de vítimas da perseguição nazista.

Até agora, contudo, a Alemanha tem apenas quatro dessas pedras de tropeço dedicadas às vítimas negras do regime de Adolf Hitler.

Esse pequeno número de negros homenageados com as Stolpersteine, na verdade, nada menos que dobrou recentemente: duas placas do tamanho de um bloco de paralelepípedo foram acrescentadas no final de agosto em Berlim, em memória de Martha Ndumbe e Ferdinand James Allen.

O ato cerimonial reuniu pessoas de diferentes movimentos negros e de descolonização.

Gunter Demnig, o artista que idealizou as pedras comemorativas, também participou da cerimônia, inserindo as placas cuidadosamente em frente ao último endereço de cada vítima antes de terem sido presas pelos nazistas.

Martha Ndumbe: morte no campo de concentração de Ravensbrück

O evento cerimonial começou na Max-Beer Strasse 24, em frente à casa onde Martha Ndumbe morava antes de ser presa.

Martha Ndumbe nasceu em 1902 em Berlim. Seu pai, Jacob Ndumbe, veio de Camarões (então um colônia alemã), enquanto sua mãe, Dorothea Grunwaldt, era alemã de Hamburgo.

O pai de Martha veio para a Alemanha como participante da Primeira Exposição Colonial Alemã em Berlim. Após o término da exposição, ele permaneceu na capital alemã, onde Martha nasceu.

Quando Martha era jovem, a situação social e econômica da maioria dos negros na Alemanha era precária devido à discriminação, tornando impossível para ela encontrar um emprego decente. “Ela se voltou então para a prostituição e pequenos crimes para sobreviver”, conta Robbie Aitken, que também documentou o caso desses dois indivíduos.

Os nazistas a prenderam, por fim, por ser uma “criminosa profissional associal”. Em 9 de junho de 1944, Martha foi enviada para o campo de concentração de Ravensbrück, onde morreu em 5 de fevereiro de 1945.

Ferdinand James Allen: vítima do programa de eutanásia

A segunda pedra foi inserida na Torstrasse 176-178, o último endereço de Ferdinand James Allen, nascido em 1898.

Seu pai, James Cornelius Allen, era um músico negro britânico natural do Caribe que morava em Berlim. Sua mãe, Lina Panzer, era alemã, e também vivia na capital.

Como negro, Ferdinand enfrentava dificuldades para sobreviver – e além disso, sofria de epilepsia.

Ele acabou sendo esterilizado conforme a Lei Nazista de 1933 para a Prevenção de Filhos com Doenças Hereditárias. De acordo com Aitken, também foi devido à sua saúde e condição biológica que ele foi morto no hospital psiquiátrico de Bernburg, em 14 de maio de 1941, como parte da campanha nazista de extermínio em massa por eutanásia involuntária, a chamada Ação T4.

Mahjub bin Adam Mohamed: fim no campo de concentração de Sachsenhausen

Com essas duas novas Stolpersteine ​​instaladas em 29 de agosto, Berlim possui atualmente três memoriais para vítimas negras da Alemanha nazista.

A primeira fora em 2007, em homenagem a Mahjub bin Adam Mohamed.

Mahjub bin Adam Mohamed nasceu em 1904 em Dar es Salaam, a atual capital financeira da Tanzânia. Na época, a cidade fazia parte da África Oriental Alemã, que incluía os atuais territórios de Tanzânia, Ruanda e Burundi. Lá, ele serviu como criança-soldado para o exército colonial alemão, mudando-se mais tarde para Berlim, em 1929, pouco antes de os nazistas tomarem o poder em 1933.

Com dificuldades financeiras devido à discriminação, Mahjub teve que aceitar diversos empregos, incluindo trabalhar como professor de suaíli, garçom em hotéis e ator em vários filmes coloniais.

Por seus casos amorosos com mulheres alemãs, os nazistas o acusaram de “transgressão das barreiras raciais”. Em 1941, Mahjub acabou sendo enviado ao campo de concentração de Sachsenhausen, onde morreu em 24 de novembro de 1944.

Sua pedra de tropeço pode ser encontrada na frente de sua última residência, na Brunnenstrasse 193, local onde foi detido.

Pedras comemorativas para vítimas negras

Essas três pedras comemorativas não estão distantes uma da outra, no bairro de Mitte, em Berlim, onde vivia a maioria dos berlinenses negros na época, segundo Robbie Aitken.

“Eram sobretudo comunidades negras pobres e, mesmo quando tinham dinheiro, não eram aceitas em outros bairros”, destaca o ativista tanzaniano Mnyaka Sururu Mboro, residente na capital alemã.

Além das três pedras de tropeço para vítimas negras da perseguição nazista em Berlim, há uma quarta em Frankfurt, na Marburgerstrasse 9.

Trata-se de uma homenagem a um sul-africano, Hagar Martin Brown, nascido em 1889 e trazido para a Alemanha para ser empregado de uma família aristocrática. Durante o Terceiro Reich, ele foi usado por médicos como cobaia de medicamentos, o que acabou levando à sua morte em 1940.

Uma pesquisa em andamento

O professor Robbie Aitken, que é coautor de um livro sobre o assunto – Black Germany: The Making and Unmaking of a Diaspora Community (Alemanha Negra: A construção e a desconstrução de uma comunidade da diáspora) – , desenvolve atualmente sua pesquisa sobre a experiência negra na Alemanha nazista para um trabalho futuro.

O historiador também conseguiu descobrir alguns casos esquecidos investigando reivindicações de indenizações feitas por vítimas negras no período pós-guerra.

“Espero que haja mais Stolpersteine no futuro”, disse ele. “Claramente, houve mais vítimas negras, mas a dificuldade está em encontrar evidências documentais concretas para provar a vitimização. A dificuldade reside na destruição dos registros pelos nazistas”. Além disso, acrescenta, os raros documentos remanescentes também são difíceis de localizar.

Fonte: https://www.dw.com/pt-br/negros-as-v%C3%ADtimas-esquecidas-da-era-nazista/a-59115536

agência de notícias anarquistas-ana

Eu limpo meus óculos
mas vejo que me enganei.
É lua nublada.

Neide Rocha Portugal

[Grécia] Pavlos Fyssas vive, esmaguemos os nazis!

Sábado, 18 de setembro de 2021, marca o oitavo aniversário do assassinato do rapper antifascista Pavlos Fyssas, conhecido por Killah P nos meios do hip-hop grego, esfaqueado por um grupo de neonazistas do partido Aurora Dourada em Atenas. Neste sábado, estão agendadas várias manifestações de rua na Grécia dedicadas à memória de Pavlos. Na ocasião, a seguir, reproduzimos o editorial do Atenas Indymedia.

Em 18 de setembro de 2013, o antifascista P. Fyssas foi assassinado por fascistas e membros do partido neonazista Aurora Dourada. Os assassinos do Aurora Dourada foram condenados e presos pela justiça civil, mas não nos esqueçamos que o fascismo se esmaga com a solidariedade e a luta constante nos bairros, na rua, todos os dias e momentos.

Nikos Michaloliakos e membros do seu partido podem estar na prisão, mas o fascismo vive no Estado usando terno e gravata (com a recente nomeação do Comandante Athanassios Plevris como Ministro da Saúde), fascistas nos bairros continuam atacando imigrantes, o Estado e a UE continuam matando refugiados na fronteira, os patrões não pararam de golpear os oprimidos, o patriarcado continua vivo oprimindo e matando mulheres todos os dias, a polícia está constantemente espancando pessoas que não se enquadram nos padrões.

O fascismo tem muitas formas e a única resposta é o antifascismo militante.

Por um mundo sem fronteiras, nações e pátrias.

athens.indymedia.org

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agência de notícias anarquistas-ana

pássaro tenor
afina a garganta
ao sol se pôr

Carlos Seabra

[EUA] Apoio para lançar HQ | “Durruti: Pessoa das sombras”

A verdadeira história da vida e da morte do anarquista Buenaventura Durruti – como contada pelo quadrinista indicado ao Ringo Award, Brenton Lengel

Nossa história 

E se Coração Valente fosse um pouco mais como V de Vingança e se passasse durante Guerra Civil Espanhola? E se a história girasse em torno do maior herói da classe trabalhadora: Um Robin Hood dos tempos modernos, com o futuro em seu coração e uma arma em cada um de seus bolsos? Um homem que combate as forças do mal: os poderosos, os ricos e os corruptos – em nome das pessoas pobres e inspirado pelos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade?

Coletivo Autônomo, Nova Iorque

Uma editora de livros e quadrinhos sediada em Nova Iorque sem líderes formais, estruturada com um modelo anarcossindicalista de baixo para cima que estimula a democracia direta e a colaboração entre indivíduos iguais. Coletivo Autônomo é a co-editora do Apocalipse Zumbi da Branca de Neve (Snow White Zombie Apocalypse) e a editora de Durruti: Pessoa das sombras (Durruti: Shadow of the People).

>> Vídeo promocional:

https://www.youtube.com/watch?time_continue=53&v=MH2UcwG4yvo&feature=emb_title

>> Para apoiar, mais infos, clique aqui:

https://www.kickstarter.com/projects/autonomouscollective/durruti-shadow-of-the-people?ref=checkout_rewards_page

Tradução > Mari

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Árvore amiga
enfeita meus cabelos
com flores amarelas

Rosalva

“Aqui Bakunin mostrou todos os poderes de seu gênio revolucionário”.

“Toda sua experiência anterior e uma troca amigável e próxima com os trabalhadores latinos fizeram de Bakunin o poderoso adversário do Estado e o feroz lutador revolucionário anarquista que ele se tornou nos últimos dez anos de sua vida.

Aqui Bakunin mostrou todos os poderes de seu gênio revolucionário. Não se pode ler seus escritos durante esses anos – em sua maioria panfletos que tratam de assuntos do dia, e ainda assim cheio de profundas visões da sociedade – sem ser inflamado pela força de suas convicções revolucionárias. Lendo estes escritos e seguindo sua vida, compreende-se porque ele inspirou tanto seus amigos com o fogo sagrado da revolta”.

Pyotr Kropotkin, Celebrando o aniversário de Bakunin, 1914.

agência de notícias anarquistas-ana

Tiê-sangue vermelho
como o fogo
uma rara beleza

Akemi Yamamoto Amorim

[França] Lançamento: “Expériences de vie communautaire anarchiste en France”, de Tony Legendre

Tony Legendre: Experiências de vida da comunidade anarquista na França: O ambiente livre de Vaux (Aisne) 1902-1907 e a colônia naturista e vegana de Bascon (Aisne) 1911-1951.

No início do Século XX, alguns anarquistas, duvidando da iminência de uma revolução social, decidiram criar “colônias libertárias” para praticar e viver o comunismo livre.

Assim, em 1902, em Vaux (Aisne), um pequeno grupo de camponeses e trabalhadores libertários fundou o primeiro meio livre de uma longa série. O experimento durará até 1907.

Foi assim, também, que em 1911, em Bascon (Aisne), alguns velhos de Vaux, não desanimados, se puseram a criar um novo ambiente livre que muito rapidamente se transformaria numa colônia naturista e vegana. O experimento durará desta vez até 1951.

Este livro nos conta a história desses dois círculos livres e seu desejo de mudar as coisas e a vida, aqui e agora.

Numa época de horizonte supostamente insuperável do capitalismo, esta é uma grande lufada de ar fresco.

Expériences de vie communautaire anarchiste en France

Tony Legendre

ISBN : 2-914980-33-7

165 pages – 15 €

editions-libertaires.org

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Manhã de geada.
O colibri insiste
nas plantas já murchas.

Matsuki

[Espanha] Lembramos Lucio Urtubia

Neste sábado 11 de setembro, nossa vila, Ruesta, testemunhou a admiração e a necessidade de seguir exemplos de vida que a afiliação da CGT e outros militantes libertários têm. E um desses exemplos a seguir é a vida de Lucio Urtubia. Uma pessoa que não devemos transformar em um personagem para que seu legado não permaneça uma vida em um filme, mas um verdadeiro ensinamento de que devemos fazer algo para mudar este mundo.

A CGT decidiu organizar um dia de homenagem e lembrança ao grande lutador anarquista que morreu em 18 de julho de 2020. Escolhemos o local da jornada em Ruesta porque Lucio estava lá em 2015 participando de uma reunião de conversas com jovens da região enquanto assistia à homenagem aos prisioneiros do regime de Franco em Alto de Igal. Era Lucio, com mais de 80 anos, viajando para homenagear aqueles que sofreram repressão e viajando alguns quilômetros a mais para estar perto dos jovens que querem lutar.

Começamos a jornada recebendo os participantes com os “Zopilotes Txirriaos” em homenagem a Lucio e que fizeram algumas camisetas em comemoração ao dia da homenagem. Após a inauguração da jornada, foi exibido o documentário “Lucio, quem é você?”, que inclui entrevistas com Lucio, sua companheira, sua filha e seu advogado, entre outras pessoas com as quais ele conta sua vida e seus pensamentos. Mas o que este documentário mostra é que Lucio continuou até os últimos dias de sua vida a lutar por um mundo melhor no qual todos nós possamos nos encontrar e desfrutar a vida com amor e liberdade.

Depois tivemos uma assembleia na qual todos disseram o que pensavam sobre a figura de Lucio e como vemos a luta que nos espera no presente e no futuro. Não conseguimos resolver como chegar à Revolução Social, mas falamos em nos preparar para ela e isso é fugir do capitalismo e do patriarcado, procurando uma nova sociedade em modelos que não os neoliberais.

Após o almoço voltamos às lutas e tomamos conhecimento da luta que está ocorrendo na área do reservatório Yesa para evitar a exploração de uma mina de potássio, a mina Muga, que poderia significar um desastre para o meio ambiente e para a segurança das pessoas que vivem na área. Os vilarejos da Sierra del Perdón e Cinco Villas são os mais afetados. Entretanto, as aldeias do reservatório Yesa até Zaragoza podem ser afetadas pelos danos que poderiam ser causados se o que os estudos técnicos indicam acontecer. Gostaríamos de agradecer aos companheiros Oscar Pueyo e Enrique Miranda da Plataforma Unitaria contra las minas de potasa en la Bal d’Onsella y la Sierra del Perdón, da qual a CGT é membro. Para encerrar as atividades de protesto, foi colocada uma faixa com o slogan “Não à mina de potássio”.

E depois desta conversa muito perturbadora, começou a parte festiva do dia de homenagem a Lucio Urtubia, com apresentações de La Chula Potra e do DJ Kaylf. Em um início muito emotivo, La Chula Potra nos contou como ela tinha uma grande harmonia com Lucio as vezes em que eles coincidiam em diferentes atos, como ele a impressionava e como ela sente falta dele. Com seus discursos chamando pela anarquia e rebelião e as canções cheias de mensagem fomos jantar para apreciar as canções revolucionárias de “Juanito Piquete y Los Solidarios” e com eles encerramos o dia de homenagem a Lucio Urtubia.

Mas além disso, durante todo o dia Manolito “Rastaman” estava desenhando uma imagem de Lúcio nas paredes para que sua memória permanecesse para sempre em Ruesta, aquela pequena aldeia que o recebeu um dia em 2015 para conversar com os jovens em protesto.

Resta-nos apenas agradecer àqueles que fizeram parte da organização desta jornada (Floren e Diego estavam encarregados de tudo), hospedagem, artistas, som, palestrantes, etc., porque graças a todos eles este evento foi adiante e nos encheu de satisfação e que pensamos que Lucio teria gostado.

Porque somente aqueles que são esquecidos morrem, Lucio sempre viverá em nossos corações.

memorialibertaria.org

Tradução > Liberto

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Sob a lua
a sombra que se alonga
é uma só.

Jorge Luis Borges

[Chile] O show do exército dos ricos, que eles mesmos paguem por isso e não o povo

O governo e o exército dos ricos organizam o desfile militar de 2021 em plena pandemia, sem público e com a justificativa de que é necessário mostrar o “poder” militar chileno.

Será que serve às pessoas empobrecidas esses shows e aparatos onde milhões de pesos e tributos fiscais são gastos? Claramente NÃO.

Este exército “sempre vitorioso e jamais derrotado” só lutou contra seu próprio povo, assassinando-os sempre que quiseram lutar por uma vida digna, as páginas sangrentas da história dos trabalhadores chilenos o comprovam.

48 anos após o golpe fascista e 2 anos após os assassinatos por parte de militares de Romario Velozo e Manuel Rebolledo e da repressão ao povo durante os dias da revolta de outubro, não esquecemos e nos manifestamos contra esta instituição que só existe para defender com armas os proprietários do país e o sistema capitalista que eles promovem com os recursos de todos os trabalhadores e do povo.

O SHOW DO EXÉRCITO DOS RICOS

QUE ELES MESMOS PAGUEM POR ISSO E NÃO O POVO.

Grupo de Propaganda Revolucionária – La Ruptura.

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O som do aguaceiro
nas folhas da bananeira —
de prender o fôlego.

Carlos Martins

[Suíça] “O Parlamento vai voar pelos ares este mês. Estremeçam!

Por Regula Bochsler | 28/01/2019

No dia 26 de janeiro de 1885, o então presidente suíço Karl Schenk ficou aterrorizado ao ler em sua correspondência uma carta avisando que anarquistas planejavam “explodir o Parlamento durante uma sessão plenária do Conselho Federal”.

Segundo a nota, dezessete homens teriam se prontificado para “realizar o serviço sujo”, dinamite e detonador de tempo já estariam na cidade e os explosivos seriam suficientes para “aniquilar completamente Berna”.

O autor, que assinou a nota como “Número 5”, parecia aflito com dor na consciência. Ele reiterou: “eu estremeço com a ideia de que sou confidente e colaborador neste crime terrível, e por pressão de minha amada esposa, faço esta confissão”. Ele encerrou com o conselho: “Vigiem o prédio do Parlamento dia e noite. Proíbam a entrada de estranhos; mas tenham cuidado pois todos os camaradas receberam armas e ácido sulfúrico”.

Mudar a sociedade à força

O presidente Schenk levou a carta a sério. Nos últimos anos haviam acontecido vários atentados contra potentados e monarcas na Europa. Os perpetradores eram principalmente partidários da chamada Propaganda pela Ação, uma corrente ideológica dentro do anarquismo que defende o uso da força para mudar a sociedade. Se no início os assassinos recorriam a facas e pistolas, eles passaram a utilizar cada vez mais bombas com dinamite, que fora patenteada por Alfred Nobel em 1867.

Em outubro de 1878, o rei espanhol Alfonso XII sofreu um atentado com arma de fogo. Um mês depois, o rei Umberto I da Itália sofreu ferimentos leves durante um ataque com faca, mas o czar Alexandre II sucumbiu em um ataque à bomba em 1881. O recordista era o Kaiser Wilhelm I, que foi vítima de três tentativas de assassinatos desde 1878. Ele sobreviveu ao último ataque apenas porque provavelmente um detonador úmido fez com que a bomba não explodisse. Nesse contexto, o presidente Schenk não poderia descartar que os anarquistas realmente planejavam um ataque contra o governo federal.

Refúgio para anarquistas estrangeiros

Embora a Suíça tivesse sido poupada de ataques até aquele momento, ela desempenhara um papel importante no terror anarquista. Graças à sua política liberal de asilo, a Suíça era um refúgio importante para perseguidos políticos vindos principalmente da Alemanha, França, Itália e Rússia. Estes exilados continuavam então sua luta política a partir do solo neutro da Suíça.

Organizados em pequenas células conspiratórias, os ativistas se valiam da liberdade de imprensa consagrada na constituição Suíça desde 1848 para imprimir panfletos e jornais que eram subsequentemente contrabandeados para seus países de origem.

Não é coincidência, portanto que os mais importantes porta-vozes do anarquismo militante, os jornais Freiheit e L’Avant-Garde, tenham sido fundados na Suíça. Ambos proclamavam a “necessidade da revolução” e divulgavam a violência como um meio legítimo contra a exploração, a opressão e a hipocrisia. “Enquanto tivermos uma casta de ociosos sustentados por nosso trabalho sob o pretexto de que são necessários para nos governar, esses ociosos continuarão sendo um antro empesteado na moral pública”, dizia L’Avant-Garde. “Temos uma praga na casa e temos que destruir sua causa. Mesmo que tenha que ser a ferro e fogo, não podemos vacilar.”

Devido à sua atitude liberal, a Suíça enfrentou dificuldades repetidamente. Quando L’Avant-Garde publicou um hino de louvor ao regicídio em 1878, Itália, Alemanha, Rússia e Espanha reagiram com pressão diplomática e exigiram a proibição do jornal. O governo suíço cedeu para não pôr em risco as relações com seus vizinhos europeus, e um tribunal sentenciou o autor do artigo a dois meses de prisão e expulsão do país por dez anos por incitação à violência contra chefes de estado estrangeiros.

“Os trabalhadores constroem os palácios e vivem em casebres miseráveis”

O momento em que o aviso anônimo chegou foi particularmente perturbador para o presidente Schenk. Há apenas um mês, o anarquista alemão Friedrich August Reinsdorf, mentor de uma tentativa de assassinato contra Wilhelm I, fora condenado à morte. Como defesa, ele argumentou perante o tribunal: “Os trabalhadores constroem palácios e vivem em casebres miseráveis; são eles quem produz tudo e mantém toda a máquina do estado. E ainda assim nada se faz por eles. Eles manufaturam todos os produtos industriais, e mesmo assim têm comida ruim e escassa. […] Isso vai realmente durar para sempre, não seria nosso dever realizar uma mudança?”.

Reinsdorf viveu por muitos anos na Suíça e era muito bem conectado na cena anarquista local. Consequentemente, a possibilidade de que seus camaradas vingassem a sentença de morte com a destruição do parlamento não poderia ser descartada.

O plano diabólico também poderia estar relacionado ao destino do alemão Hermann Stellmacher e do austríaco Anton Kammerer. Eles também viviam na Suíça antes de cometerem vários assassinatos políticos no exterior. Ambos foram sentenciados à morte em setembro de 1884 por um tribunal vienense e eram, desde então, glorificados por seus companheiros como “mártires da revolução social”.

O jornal Freiheit chegou a conclamar seus leitores explicitamente à vingança: “Muitos vilões ainda vão ter que ser abatidos com os punhais ou revólveres dos anarquistas. Aqueles que levaram Stellmacher ao cadafalso também não serão poupados”. Como Stellmacher abandonou sua residência no cantão de St. Gallen às pressas ao ser informado de que sua casa seria revistada, era também provável que seus companheiros quisessem se vingar da polícia suíça.

“A Suíça não vai poder nos escapar”

Seis dias mais tarde, o presidente recebeu uma segunda carta anônima. A primeira carta veio da cidade de St. Gallen, onde Stellmacher viveu. A segunda foi encontrada em Frauenfeld, tinha inconfundivelmente a mesma caligrafia e repetia o mesmo aviso da primeira.

Em 4 de fevereiro, uma carta de Winterthur chegou com a ameaça de que a “o Parlamento Federal será dinamitado sem falta neste mês”. Uma quarta nota foi então recebida com um aviso sobre a existência de outra carta dos conspiradores perto em uma agência de correios em Berna. A polícia encontrou no local indicado um mapa e instruções detalhadas sobre como a dinamite deveria ser contrabandeada para dentro do Parlamento.

Finalmente em 21 de fevereiro, a revista Freiheit, que era então impressa em Londres, publicou um aviso a todos “bandidos-mor do establishment dos vários países europeus”. Nele lia-se: “Na Inglaterra já estamos dinamitando para valer; a Suíça não vai poder nos escapar… Um por todos e todos por um! Nossa pátria é o mundo”. Onde ainda se encontra o Parlamento, os anarquistas disseram que logo iriam “salgar a e arar a terra”.

Onda de prisões

O governo federal decidiu em seguida abrir uma investigação criminal “sobre indivíduos que têm conclamado, a partir de solo suíço, pela execução de crimes comuns na Suíça ou no estrangeiro, ou que de alguma outra maneira tenham perturbado a ordem constitucional e a segurança interna do país”.

Ao raiar do sol no dia seguinte, sete anarquistas estrangeiros foram presos e tiveram suas casas revistadas em Berna e em St. Gallen. Mais prisões em outras cidades se seguiram e grandes quantidades de jornais, panfletos e correspondência privada foram confiscados.

Dica de Nova York

A série de cartas anônima não parou por aí. Primeiro veio uma carta com ameaças de Winterthur, pouco depois uma de Paris. “Podem cercar seu presidente com muitos guardas durante o tempo que quiserem. Ele vai morrer como um cão quando dinamitarmos seu palácio!”, lê-se na nota. Em uma carta anônima de Nova York recebida no dia 12 de março, o autor afirmou ter conhecimento de que um “alemão vestido como um cavalheiro, com barba e bigodes loiros, bastante corpulento e forte” estaria encarregado do atentado contra o parlamento. O terrorista traria o detonador em uma pequena bolsa “ou até debaixo de seu chapéu”. Dias depois, um autor anônimo afirmou que a Federação de Anarquistas da Suíça teria decidido “dinamitar para o inferno” todos os deputados, chefes do governo federal e senadores.

O responsável vai ser pego ou não?

A pista decisiva para a elucidação do caso veio de um caçador da área de St. Gallen. Ele pôde atribuir o texto de certas cartas ao cabeleireiro alemão Wilhelm Huft, que escrevia irregularmente para a imprensa anarquista.

Em 31 de março de 1885, Huft foi preso e interrogado. Ele afirmou sua inocência, mesmo depois do segundo e do terceiro interrogatórios. Depois de 44 dias sob custódia, ele se enforcou na cela com um lenço de seda.

O relatório final do juiz que instruiu o processo é devastador e sem atenuantes quanto à personalidade de Huft: “Vaidade, perfídia e baixeza, vaidade ilimitada e sede insaciável de escândalo, um mulherengo e um utopista com prazer em inventar coisas”.

Quanto à questão de como Huft organizou o envio de cartas anônimas de várias cidades suíças, bem como de Paris e Nova York, o relatório não soube dar uma resposta. O governo federal encerrou o caso com a expulsão de 21 anarquistas do país, embora nenhum ato criminoso pudesse ter sido comprovado.

Até hoje, não está claro se os anarquistas planejaram seriamente explodir o parlamento federal, ou se tudo foi produto da imaginação de um cabeleireiro anarquista. Seja como for, esta história bizarra acabou inspirando o compositor Mani Matter a fazer uma reflexão musical muito popular sobre a democracia suíça.

Confira aqui a música em uma versão do ano de 1992 com a banda “Züri West”, que canta em dialeto suíço:

https://www.youtube.com/watch?v=laWR4JKRSRM

Fonte: https://www.swissinfo.ch/por/politica/s%C3%A9rie–anarquistas-na-su%C3%AD%C3%A7a-_-o-parlamento-vai-voar-pelos-ares-este-m%C3%AAs–estreme%C3%A7am-/44705780

agência de notícias anarquistas-ana

Libélula voando
pára um instante e lança
sua sombra no chão

Masuda Goga

[Portugal] Feira Anarquista do Livro | Lisboa – 25 e 26 de Setembro de 2021

A p r e s e n t a ç ã o

Viva!

Desde este ponto geográfico cada vez mais perto da catástrofe total, fruto do terremoto turístico, do aparato fármaco-securitário e da normalização de tudo, voltamos a convidar-vos a todas e todos para um fim-de-semana de encontro entre resistentes, insubmissos e iconoclastas. Nos dias 25 e 26 de Setembro de 2021, a Feira Anarquista do Livro regressa a Lisboa, na Quinta do Ferro, uma “ilha” na cidade gentrificada. À violência continuada do processo pandêmico, que dissolveu laços sociais e hábitos de comunhão, respondemos com uma possibilidade de encontro.

Hoje como ontem, resistimos ao cerco do capital, da autoridade e do conformismo. A maioria resigna-se, nós não!

Saúde e Anarquia!

> Programação sábado (25):

https://feiranarquistadolivro.noblogs.org/programa/

> Programação domingo (26):

https://feiranarquistadolivro.noblogs.org/domingo/

Onde:

Na Quinta do Ferro, rua C, nº70 (paralela à rua Leite Vasconcelos), Lisboa

feiranarquistadolivro.noblogs.org

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greta no muro –
dois olhos ao fundo,
lá no escuro

Carlos Seabra

[EUA] Anarquismo Verde

Por Cindy Milstein | 10/08/2021

Meu caro amigo e mensch #MurrayBookchin se reviraria em seu túmulo se me ouvisse dizer isso, mas entre os incêndios capitalistas desse Verão, inundações, secas, ondas de calor, tornados e outras extremas e mortíferas catástrofes climáticas do “novo normal”, e o relatório de hoje do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU “atrasado para o fim do mundo”, precisamos de um novo #GreenAnarchism (#AnarquismoVerde).

Ou como um jovem e inteligente amigo anarquista colocou recentemente quando estávamos caminhando e falando de políticas radicais (incluindo o maquinário pesado arrancando árvores por um projeto de gentrificação “verde” em um local onde pessoas sem teto haviam sido despejadas há apenas um mês), nós precisamos reunir o melhor do anarcoprimitivismo (anti-civ) ou anarquia verde com o melhor da ecologia social, sem o azedume e caricaturas polêmicas entre as áreas.

Cada perspectiva, cada uma com sua própria multiplicidade de tendências, estratégias e práticas, está, essencialmente, preocupada com o quanto nós humanos fomos afastados do ecossistema do qual somos somente uma humilde parte. Isso, em retorno, tem nos afastado de nós mesmos e uns dos outros. E essa profunda alienação abriu as comportas, por assim dizer, para que os humanos no seu todo pensem que não só são superiores e/ou separados do mundo não humano (e agora do espaço), como também podem dominá-lo – ao ponto de “nós” humanos destruirmos a própria base da nossa vida como espécie: nosso lar, este planeta.

Talvez já estejamos vendo essa mistura generalizada nas numerosas ocupações contra diversas coisas, de oleodutos, fraturamento hidráulico (fracking), à extração de madeira antiga para a expansão de aeroportos e muito mais. Eles são capazes, por exemplo, de criticar formas pelas quais a “civilização”, tal como um disfarce do colonialismo, não é ecológica, além de oferecer visões de como os seres humanos poderiam viver em relativa harmonia ecológica e social dentro das comunidades autônomas que evoluem das primeiras ocupações em muitos casos.

Eu não estou sozinha na desesperança. Nenhum New Deal Verde ou plano da ONU vai nos salvar. Somente um anarquismo ecológico e social, verde e de cuidado e atenção coletiva, poderá, ao menos, oferecer vidas que valham a pena ser vividas no tempo que ainda nos resta.

#WeAreAllWeHave #GoogleMurrayBookchin #TryEcologicalAnarchismForLife

Fonte: https://cbmilstein.wordpress.com/2021/08/10/greening-anarchism/

Tradução > Mari

agência de notícias anarquistas-ana

Aconchegantes,
Os raios do sol de inverno —
Mas que frio!

Onitsura

[Chile] Fora fascismo das salas de aula e sua manipulação.

É durante esses dias que às crianças nas escolas são mostradas as “glórias” de uma pátria manchada com sangue mapuche e a admirar falsos heróis que nada mais são do que assassinos e corruptos.

As crianças não têm que seguir o exemplo de um exército, marinha e polícia que existem para defender os ricos e seus interesses de classe.

O patriotismo e a “liberdade” que o fascismo promove nada mais é do que manipulação e oportunismo para defender um sistema capitalista e um liberalismo econômico que nada tem a ver com a libertação dos explorados e uma vida digna.

FORA FASCISMO DAS SALAS DE AULA E SUA MANIPULAÇÃO.

Grupo de Propaganda Revolucionária – La Ruptura.

agência de notícias anarquistas-ana

no contorno do gato
um ponto negro no dorso
dorme –

Krzysztof Karwowski

[Espanha] Cádiz: Concentração em homenagem às vítimas do fascismo em Puerto Real

Em uma manhã quente, e após um ano em suspensão devido à pandemia, a Associação pela Recuperação da Memória Histórica Social e Política de Puerto Real, organizamos no último domingo 12/09, às 11h00, a XV Concentração-Homenagem aos assassinados da Guerra Civil em Puerto Real. Este evento foi iniciado pelo companheiro Paco Aragón, como porta-voz da Associação. Depois de recordar as inumações das duas pessoas que deram positivo na análise do DNA, e da situação atual das negociações para a construção dos columbários (onde serão colocados os restos – não positivos – dos corpos exumados da fossa), ele continuou explicando as atrocidades cometidas pela ditadura franquista.

Deixando claro que em Puerto Real, como em muitas outras cidades e vilas, não houve guerra, mas repressão, ele passou a dar um relato detalhado dos procedimentos repressivos exercidos pela ditadura: genocídio, fuzilamentos em massa, desaparecimentos sistemáticos, prisões igualmente em massa, campos de internação e trabalhos forçados, institucionalização da tortura, exílio interno e externo, decapitação das liberdades, etc. Em seguida, Pepe Gómez, após uma breve introdução dedicada à importância de dar voz aos assassinados, recitou um poema dedicado aos que ainda estão desaparecidos. O evento, que contou com uma nutrida assistência, culminou com a canção “Desaparecidos”, de Mario Benedetti e Daniel Viglietti, que tanto nos comove, e depois a oferenda de buquês de flores por parte dos familiares.

Puerto Real. Setembro 2021.

Fonte: https://www.cnt-ait.org/cadiz-concentracion-en-homenaje-a-las-victimas-del-fascismo-en-puerto-real/

agência de notícias anarquistas-ana

prosa de chuva
deságua em trova
trêmulo trovão

Luciana Bortoletto