[EUA] O Assassinato de Daunte Wright: Cooptação e Revolta | Um ano após a revolta de George Floyd, o que mudou?

No dia 11 de abril de 2021, uma policial do Departamento de Polícia Brooklyn Center no subúrbio de Twin Cities parou Daunte Wright, um homem negro de 20 anos,supostamente por ter seu registro de veículo vencido. Ocorrendo simultaneamente ao julgamento do policial que assassinou George Floyd em Minneapolis em maio do ano passado, esse assassinato mostra que a situações para a população negra ameaçada pela violência policial praticamente não mudou desde maio de 2020. Há conclusões importantes a serem tomadas.

Kim Potter, a policial que assassinou Dante Wright, era presidente da Associação de Policiais do Brooklyn Center; ela trabalhou para o departamento por quase 25 anos. Embora o prefeito de Brooklyn Center tenha tentado absolver o assassinato alegando acidente, nos vídeos da câmera de corpo ela pode ser vista segurando sua arma por vários segundos antes de atirar. O assassinato de Daunte Write não é resulto de falta de treinamento, experiência protocolos adequados. É o resultado previsível de soltar mercenários armados para aterrorizar com impunidade.

A policial Kim Potter e o chefe de polícia do Brooklyn Center Tim Gannon renunciaram a seus cargos dia 13 de abril, mas isso nada adianta a diminuir a possibilidade de tais assassinatos se repetirem. Esse não é o caso de algumas maçãs podres.

O portal de notícias anarquistas, It’s Going Down oferece uma visão geral de demonstrações de solidariedade que ocorreram por todo o país em resposta ao assassinato de Daunte Wright. Por mais que as condições imediatas que causaram dezenas de milhares a entrarem na luta contra a polícia em maio e junho de 2020 tenham mudado com o fim da administração Trump e o recuo da pandemia, a abordagem de confronto empregadas pela população no verão passado se normalizou e a quantidade de táticas que são extensivamente consideradas legítimas aumentou. Isso representa um novo patamar para a luta contra a supremacia branca e violência policial daqui em diante.

No relato a seguir, de Minneapolis, revisamos os eventos das últimas 48 horas, incluindo a vigília em memória de Daunte Wright.

As manifestações contra os assassinatos pela polícia do verão passado foram, no final das contas, neutralizadas em parte pelas promessas de políticos de cortar os fundos dos departamentos de polícia. Hoje, aqueles que se opõem às matanças policiais precisam reconhecer que o precedente instrutivo dos movimentos de 2020 foi a destruição de fato do Terceiro Distrito Policial por esforços de base, e não dos esforços reformistas que se seguiram. A abolição da polícia não acontecerá pelos mesmos canais que mantêm a polícia em primeiro lugar.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://pt.crimethinc.com/2021/04/19/o-assassinato-de-daunte-wright-cooptacao-e-revolta-um-ano-apos-a-revolta-de-george-floyd-o-que-mudou

agência de notícias anarquistas-ana

mamãe passarinho chocando,
papai trouxe a comida
festa na copa das árvores

Akemi Yamamoto Amorim

[EUA] Vídeo | Ritual de descolonização da Amazônia em frente à Bolsa de Valores de Nova Iorque

Na sexta-feira, 23 de abril, a ANARKOARTLAB realizou uma performance em frente ao prédio da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Local onde as corporações de várias partes do mundo estão ativamente movimentando milhões de dólares e são responsáveis de estarem na Amazônia e fazerem parte do processo de destruição da floresta e assassinato dos povos originários.

A Bolsa de Valores de Nova Iorque é um lugar extremamente vigiado, policiado e armado. Por isso resolvemos fazer o ritual em silêncio e com as pessoas que estavam ali. Fizemos tudo em 7 minutos por motivos de segurança.

Na frente do prédio da Bolsa de Valores está a escultura da menina que parece desafiar o sistema monetário e político do imperialismo americano. Lá desenrolamos na frente dela um tapete vermelho com os nomes de algumas das corporações que estão na Amazônia e Mato Grosso do Sul.

Estes nomes estavam também escritos em balões transparentes com o sangue simbólico dos indígenas e das florestas. No final do tapete, confrontando o prédio da Bolsa de Valores foi escrito AMAZÔNIA que se abstraiu em sangue.

No final, entre muito sangue na frente do edifício, foi feito um ritual de limpeza deste sangue.

>> Veja o vídeo (07:04) aqui:

https://youtu.be/9gu-z8PMCGM

agência de notícias anarquistas-ana

De terninho preto
Lá se vai a andorinha —
Viajante dos trópicos

Tony Marques

[Uruguay] Embaixada do $hile em Montevidéu é alvo de protesto em solidariedade com xs companheirxs em greve de fome

C o m u n i c a d o

Na última quinta-feira, 22 de abril, um mês após o início da greve de fome dxs presxs irredutíveis no território ocupado pelo Estado do $hile, um grupo de vontades anárquicas esteve presente na Embaixada do Chile em Montevidéu para materializar a solidariedade internacionalista, desprezando os Estados Nação que tentam, sem sucesso, minar a vontade de nossxs companheirxs presxs em luta através de diferentes mecanismos de tortura legal, como o isolamento e as sentenças perpétuas.

Cumplicidade com xs companheirxs em greve de fome!

Marcelo Villarroel para a rua!

Até o último bastião da sociedade penitenciária ser destruído!

(A)

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/24/chile-segundo-comunicado-publico-32-dias-de-greve-de-fome/

agência de notícias anarquistas-ana

Se afasta a lanterna
Sumindo na escuridão —
O canto do cuco.

Shiki

Vídeo | Racismo e Antirracismo em Porto Alegre (RS)

Dia 21 de abril de 2021, manifestantes bolsonaristas realizaram [uma] ação contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o comunismo, no Parque Moinhos de Vento, em um dos bairros mais caros de Porto Alegre (RS). Ali, um “carrasco” com roupa muito similar à usada pela organização supremacista Ku Klux Klan (KKK) gritava palavras de ordem em frente a corpos enforcados em uma árvore.

Em resposta, o Movimento Negro chamou um protesto que tomou as ruas do bairro contra o racismo, contra o fascismo e contra Bolsonaro.

>> Veja o vídeo (01:10) aqui:

https://kolektiva.media/videos/watch/b9f30907-bbe0-42c4-9fbe-91ee5a82089a

agência de notícias anarquistas-ana

Venta. Folhas correm.
Fico preocupado e penso
na volta pra casa.

Thiago Souza

[Portugal] Entrevista com Luís Bernardes | “Houve muitos anos de silêncios em que a tradição anarquista ficou adormecida e só foi reatada depois do 25 de abril”

Sobre a atividade clandestina anarquista nos anos 60/70…

Luís Bernardes > Sei apenas o que me contaram pessoas que na época do 25 de Abril eram ativas. Eu no 25 de abril tinha 17 anos, portanto a minha militância era muito pouca. Durante um ano ou dois juntávamos algumas pessoas em Lisboa, líamos alguns livros mais ligados à história do movimento operário. Uma coleção que a Afrontamento tinha com livros de um historiador que era o César de Oliveira, que ia buscar os velhos jornais da Batalha, ia buscar a história da CGT e a partir daí íamos contactando com o que tinha sido o movimento anarquista. Na década de 60 e 70 houve muito pouca atividade especificamente anarquista, pelo que julgo saber. A partir do Maio de 68, com os ecos que vinham da França, começou a haver alguns textos mais ligados à Internacional Situacionista, houve algum interesse dos exilados políticos na França. Uma série de gente que veio a entrar no grupo Ação Direta e noutros grupos anarquistas formados a seguir ao 25 de abril, muita gente que estava ligado ao PCP e a grupos maoistas que estavam na França e que contactaram com as ideias libertárias, mas não de uma forma organizada. Aqui em Portugal a atividade clandestina era muito pequena. A repressão nos anos 40 e 50 foi tão grande e [de] tal forma que desarticulou completamente toda a gente que havia aqui em Portugal. Os mais velhos como o Emídio Santana, o Moisés Silva Ramos, e uma série de outra gente juntou-se à Associação dos Inquilinos Lisbonenses e as outras associações deste tipo, desenvolvendo uma atuação que não era especificamente anarquista, mas que visava princípios cooperativos, autogestionários e que iam fazendo um pouco a sua atividade e propaganda. Mas os anos 60 e 70 foram dos anos mais fracos do século XX.

Como é que entrou no movimento anarquista? Era fácil encontrar literatura anarquista?

Luís Bernardes > Eu era um jovem com 15 anos e, com gente da mesma idade. começamos a contactar com a história da guerra civil espanhola, havia alguma literatura. Depois com os textos do César de Oliveira que já falei. Era um bocado os textos que havia, não havia muito mais. Antes do 25 de abril nunca contactei com nenhum velho anarquista, sabia alguns nomes porque vinham nos livros, mas fazia parte de um grupo em Beja e não tínhamos contatos com ninguém. Íamos desenvolvendo a nossa atividade. Em 73 vim para Lisboa e conheci algumas pessoas que tinham ligação ao movimento libertário. Era uma memória que se tinha perdido, porque a repressão tinha sido tão grande e os anos de prisão no Tarrafal de uma série de gente tinha sido tão dura que eles perderam todos os contatos com as novas gerações. As novas gerações tiveram de retomar tudo de novo. Esse contacto só ocorreu depois do 25 de abril. Na manifestação do 1º de Maio de 1974 a gente mais nova, no meio daquelas centenas de milhares de pessoas, lá localizou um grupo de velhos anarquistas com a bandeira do sindicato dos metalúrgicos encabeçados por gente que tinha estado no Tarrafal. Foi a primeira vez que contactamos com eles e começamos a organizarmo-nos. Depois abriu a sede da Batalha e começou a juntar-se muita gente aí e a história do anarquismo e do que tinha sido a história do movimento operário começou a vir um bocado mais à luz do dia. Porque antes do 25 de abril eram muito poucos os livros editados e contatos, houve muitos anos de silêncios em que a tradição anarquista ficou adormecida e só foi reatada depois do 25 de abril.

Esses livros eram censurados?

Luís Bernardes > Os livros eram editados. Havia muitos livros marxistas editados, que começaram a ser editados no final dos anos 60. Em Portugal havia uma censura posterior à sua publicação, não era uma censura prévia, isto é, os livros eram editados e publicados e depois e eram proibidos. A PIDE apreendia os livros, mas havia sempre muitas centenas de livros que eram vendidos por debaixo das mesas e que eram circulados. Havia muitos livros de Daniel Guérin sobre o anarquismo, muito na tradição saída do Maio de 68. Havia uma série de livros que eram publicados e circulavam, embora posteriormente fossem proibidos.

>> Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui:

http://uniaolibertaria.pt/entrevista-com-luis-bernardes-sobre-a-atividade-clandestina-anarquista-nos-anos-60-70/

agência de notícias anarquistas-ana

árvore morta
no galho seco
uma orquídea

Alexandre Brito

[Chile] La Kolmena, supermercado cooperativo

Quem somos?

Somos parte da comunidade da Escola Cooperativa de Permacultura, um espaço que construímos para levantar trabalho cooperativo, apoio mútuo e autogestão comunitária, e onde logo depois de começar “Monte sua Caixa Vegana” (uma Rede de Abastecimento e Produção Popular na pandemia) queremos dar o passo seguinte e…

O que faremos?

…levantar “LA KOLMENA” [A Kolmeia, em tradução do nome] o primeiro SUPERMERCADO COOPERATIVO, VEGANO, a GRANEL e onde, além disso, poderemos funcionar com a BANKA DO TEMPO em Santiago (um sistema de troca comunitária, onde trocaremos saberes, produtos e serviços na base da troca do tempo, e não em dinheiro), sistema através do qual, faremos turnos para baratear custos, e assim, manter a escola e outras iniciativas que estejam no caminho da autogestão comunitária.

O que temos e o que nos faz falta?

Com a experiência da “Caixa Vegana” trabalhamos estreitamente com redes de abastecimento e produtores agroecológicos, e já estamos ampliando a variedade de produtos e alimentos da Escola Cooperativa de Permacultura, onde produzimos sem exploração animal e levantamos constantemente com organização comunitária; jornadas de autogestão, cooperativas de trabalho, práticas abertas, oficinas e ciclos educativos desde as 7 áreas da permacultura, compartilhando e desenvolvendo alternativas energéticas sustentáveis, de saúde, alimentação, construção, bioconstrução, educação, cultura, ajudando também em hortas comunitárias, refeições comunitárias e sendo uma alternativa de organização na cidade.

Você pode olhar aqui mais desse trabalho comunitário:

https://www.facebook.com/escuelacooperativapermacultura ou https://www.instagram.com/permaculturacooperativa/

Já estamos habilitando a antiga fábrica de tecidos do bairro Franklin (em Santiago, muito perto da Escola), e o que nos falta para poder abrir são os refrigeradores, estantes, caixas registradoras, balanças, fornos, implementar a cozinha e terminar a infraestrutura.

La Kolmena, por ser uma rede de distribuição e troca de produtos elaborados por nossa própria comunidade, gera uma economia local e cooperativa, aumentando o acesso a alimentos livres de pesticidas, como os morangos hidropônicos de nossa querida @huerto_agroecologico_alma  parte da comunidade de trabalho da Escola.

Te convidamos a formar parte deste lugar de encontro e comunidade, momentos que nos permitem buscar uma alternativa em conjunto a esse sistema, nos entregando a outras formas de viver, de nos organizar, de trabalhar, de produzir, de redistribuir o que hoje vai aos grande conglomerados, para que nos canalizemos a projetos comunitários como a Escola e outras iniciativas que vão no mesmo caminho da autonomia, da soberania alimentar e do cuidado do ecossistema que habitamos.

Necessitamos de cada ajuda e de todas as mãos, para que sigamos em comunidade, construindo o caminho até o “bem viver”, até formas mais sadias de nos alimentarmos, formas mais conscientes de gestionar nossos resíduos, de construir uma economia livre de exploração animal e de qualquer tipo (e de quebra, amenizar os grandes danos que esta indústria gera em nossa saúde e no ecossistema que habitamos), e desta maneira, tirar os animais desta economia que os considera como coisas e objetos de consumo, e começar a considerá-los como sujeitos de direito, seres sencientes que – como nossa espécie – não merecem nem merecemos a exploração de nenhum tipo.

Como posso ajudar?

Você pode ajudar se somando a La Kolmena, comprando os produtos e alimentos que produzimos na Escola (e que chegarão assim que alcancemos a meta desta campanha), ou realizando uma doação através das outras recompensas de Catapúltame.

APOIE. COMPARTILHE. DIFUNDA!

#SumateaLaKolmena

Nos procure pelas redes como @permaculturacooperativa ou por @la.kolmena!

Aqui segue algumas das experiências que levantamos na Escola!

1ª Vendimia Urbana y Comunitaria:

https://www.youtube.com/watch?v=i5TYiU8vliU&feature=emb_title

Um dia na Escola:

https://www.youtube.com/watch?v=AET4UwRjAmE

>> Para colaborar financeiramente, clique aqui:

https://www.catapulta.me/campaigns/la-kolmena-supermercado-cooperativo?fbclid=IwAR10Wmozm_bcjpySuc1px3ZdVsBcj-Q9YCQmH7-HT-6iETW3mXmBS4JpY8w

Tradução > Caninana

agência de notícias anarquistas-ana

Poucos vaga-lumes!
e a costureira não pôde
Enfiar a agulha.

Abel Pereira

[Espanha] Primeiro de Maio. CNT: Dignidade e sindicalismo

É evidente que o COVID-19 marcou o último ano para toda a humanidade. Mas após a crise sanitária se manifestou com uma gravidade sem precedentes os piores males de nossa sociedade. As desigualdades sociais e econômicas afloraram com tal virulência que nos mostrou a pior cara do atual sistema econômico no qual vivemos.

Pudemos comprovar, apesar da propaganda do Governo, que as medidas sociais para proteger a classe trabalhadora foram insuficientes. Desde os primeiros momentos do confinamento no ano passado, quando a economia parou, vimos como milhares de pessoas perdiam seus trabalhos precários, ou simplesmente nem sequer puderam ter  acesso à economia paralela na qual milhares de famílias subsistem neste país. Os serviços sociais dos municípios, os sindicatos ou muitas outras entidades sociais já não recebiam consultas ou chamadas para solicitar ajudas econômicas; as pessoas pediam comida.

Ante essa situação se ativaram bancos de alimentos, redes vicinais de apoio, sindicatos colaborando para abastecer necessidades básicas. Uma vez mais, o apoio mútuo e a solidariedade deram soluções muito mais efetivas de parte do povo.

Nos centros de trabalho, ao contrário, se evidenciou uma vez mais a avareza sem fim dos capitalistas. Apesar das novas leis do Governo para aplicar ERTEs [mecanismo que garante parte do salário a trabalhadores afastados] que deviam salvar os postos de trabalho, tivemos que combater os diversos abusos e fraudes de muitas empresas: equipes as quais se exigia trabalhar desde casa apesar de estar de ERTE, coações e pressões para abandonar os postos de trabalho durante os ERTE, quando não diretamente demissões sem nenhum tipo de vergonha.

Podemos dizer que a crise sanitária serviu para acelerar e começar já uma crise econômica que aconteceria em poucos anos. Assim, grandes empresas e multinacionais de toda índole aceleraram as demissões massivas destruindo emprego e acelerando a desindustrialização de nossa economia. Ao contrário, em outro tipo de indústrias se incrementa a subcontratação, aplicando piores condições à mão de obra, com o beneplácito de comitês de empresa.

Ante essa situação desde a CNT reivindicamos uma ação sindical que devolva a dignidade à Classe Trabalhadora deste país. Reivindicamos o papel de um sindicalismo que defenda aumentos salariais reais, que melhorem o poder aquisitivo das pessoas, que defenda a igualdade real nas empresas. Não queremos maquiar convênios, queremos que as pessoas se organizem e lutem para conquistar mais direitos, mais dignidade. E cremos firmemente que o sindicalismo de ação direta o qual integramos na CNT representa os melhores valores da humanidade, o apoio mútuo e a solidariedade. Viva o Primeiro de Maio!

cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Plena madrugada
somente eu a contemplar…
Lua de outono.

Jô Marcondes

[Itália] Por um autêntico antifascismo

O dia 25 de abril deste ano verá apenas de forma reduzida as muitas iniciativas geralmente organizadas de baixo para celebrar a revolta popular que libertou a Itália há muitos anos do fascismo e da guerra. Nos últimos anos, os antifascistas legalistas e institucionais espalharam uma atitude de medo em relação ao fascismo, não uma oposição real.

O medo do fascismo presta um mau serviço ao antifascismo: os antifascistas legalistas e institucionais acabam aceitando todas as escolhas dos governos, inclusive aquelas liberticidas, belicistas e antipopulares. É o medo do fascismo que levou o DP e o Movimento 5 Estrelas a uma aliança que parecia impossível, é o medo do fascismo que permitiu que figuras questionáveis como Bonacini e Giani se tornassem presidentes de suas respectivas regiões, Emilia-Romagna e Toscana. É também o medo do fascismo que levou a esquerda e centro-esquerda a aceitar qualquer coisa para evitar eleições, a ponto de criar o governo Draghi, com uma maioria composta de forças que até ontem eram apontadas como capazes de tudo para conseguir mais alguns votos.

Não adianta, então, ficar surpreso se os fascistas exploram o descontentamento em relação ao governo. Os mesmos componentes antagônicos mantêm uma atitude moderada em relação a Draghi e à maioria, iludindo-se de que podem obter alguma forma de renda universal jogando ao lado dos vários matizes da esquerda parlamentar e das administrações locais, a fim de arrebatar algum paliativo para as situações mais marcantes de dificuldade graças aos fundos europeus, aceitando implicitamente a presidência do Conselho de Ministros de Mario Draghi, que é o garantidor da chegada de tais fundos.

O mecanismo é simples: um protesto irrompe, os fascistas, mesmo que não estejam presentes, o apoiam, a mídia os apresenta como organizadores e referentes políticos do protesto popular, as forças políticas da esquerda ficam presas entre o perigo de legitimar os fascistas e a impossibilidade de dar uma voz autônoma ao protesto popular. Desta forma, o antifascismo é apresentado com militarização, desemprego e miséria, todas características do fascismo histórico que se abateu sobre grande parte do proletariado.

O fascismo é historicamente um produto do medo: a monarquia, a Igreja, as classes privilegiadas temiam o crescimento do movimento revolucionário proletário; em particular, o rei Victor Emmanuel III tinha um motivo pessoal de vingança contra o anarquismo. Após a Primeira Guerra Mundial, o fascismo foi a arma utilizada pelas classes privilegiadas para combater o anarquismo como manifestação proletária e revolucionária, um movimento de emancipação humana com critérios igualitários e libertários e visa, ao mesmo tempo, combater a anarquia como uma verdadeira teoria de revolução, uma vez que os mecanismos de acumulação capitalista haviam bloqueado e os métodos do Estado liberal eram incapazes de manter as massas revolucionárias sob controle.

O fascismo, porém, não era apenas isso: era uma nova forma de Estado em comparação com o Estado liberal anterior: caracterizava-se pela integração dos sindicatos no Estado (corporativismo); pela intervenção do Estado na economia, através do controle do sistema bancário, da propriedade ou copropriedade dos setores industriais mais importantes, no todo ou em parte. O fascismo também se apresenta com o envolvimento na mobilização política dessas massas que o modelo anterior de governo queria manter fora do debate, com a política agressiva fora, com a repressão da oposição, com a substância racista latente na cultura italiana e em suas raízes clássicas. Para muitos, o fascismo representa a forma adequada do Estado ao capitalismo na fase do capitalismo monopolista do Estado e do imperialismo.

Se, entretanto, o fascismo contém todos esses elementos inovadores em relação à forma anterior de Estado, de onde vem o caráter reacionário reconhecido e reivindicado pelo próprio fascismo? A ascensão da burguesia “tirou de suas aparências sagradas todas as atividades até então honradas e consideradas com piedosa humildade”. Transformou o médico, o jurista, o padre, o poeta, o homem da ciência em seus funcionários. (…) Rasgou das relações familiares seu véu sentimental tocante e os reduziu a uma pura questão de dinheiro”. (K. Marx-F. Engels. O manifesto do partido comunista).

Em outras palavras, o advento da burguesia transformou a relação de subordinação pessoal que ligava servo e senhor na relação monetária que liga o trabalhador ao capitalista; é uma mudança de forma, mas a substância da relação de dominação permanece inalterada: os dominados são forçados a trabalhar para manter os dominadores. Quando, devido à rebelião dos dominados ou por causa das contradições do sistema, a relação monetária torna-se incapaz de manter os dominados em seu estado de sujeição e de garantir aos dominadores uma fatia crescente da riqueza social, a relação de dominação se manifesta em toda sua violência intrínseca, material e cultural. É então que os corifeus da democracia apelam para os “valores tradicionais”, para as “raízes culturais”, para o “interesse nacional”, para a evolução e seleção, a fim de justificar a violência desencadeada contra as classes populares. Desta forma, toda relação social, que dentro de sociedades antagônicas é uma relação de dominação, perde a máscara da liberdade e da igualdade e revela sua essência violenta: a contraposição de gênero, a contraposição étnica, a contraposição de classe, a contraposição entre cidade e campo, revelam seu caráter de terreno de confronto entre dominadores e dominados.

Neste choque, a ideologia burguesa perde a máscara revolucionária com que havia imposto a relação monetária como vínculo da sociedade e recupera aqueles componentes ideológicos que de uma forma ou de outra justificam a subordinação social; o suprematismo, o machismo, o racismo são novamente veiculados para construir um consenso social instável. Este processo é a substância do fascismo; quando este processo não pode ser implementado diretamente pelo aparato estatal, mas as classes privilegiadas são forçadas a recorrer a milícias privadas, a mercenários, nós temos o fascismo propriamente dito.

Este 25 de abril cai em uma situação muito difícil para as classes dirigentes: em todo o mundo a longa depressão continua com altos e baixos e não mostra sinais de fim; governos e instituições financeiras, nacionais e supranacionais, estão enfrentando um impasse: se em algum momento não puserem um fim ao dinheiro fácil para as empresas, a inflação poderá aumentar, o que consumirá receitas reais e aumentará os custos da dívida, tanto pública quanto privada. Se os governos e as instituições financeiras agirem para conter a inflação, no entanto, isto pode causar um colapso do mercado acionário e falências corporativas.

A única saída que as instituições têm é tirar a riqueza das classes trabalhadoras e colocar parte dela em investimentos, parte na renda das classes privilegiadas – tudo isso enquanto as classes exploradas ainda sofrem as consequências da pandemia. Tudo isso só pode ser feito transformando a questão social em um problema de ordem pública, ou seja, aumentando a violência das instituições, aumentando o fascismo.

Entretanto, o caminho para a violência não é tão fácil para as classes dirigentes: os Estados Unidos nos dão um exemplo. Diante da crise do aparelho econômico e do aparelho político, cabe ao aparelho militar se encarregar da manutenção da ordem social e econômica constituída no Estado, e nos Estados Unidos as forças armadas são em grande parte constituídas por não-brancos. Esta é uma das razões que levou os chefes de pessoal da União a se manifestar a favor de Joe Biden na véspera de seu juramento e a negar o apoio das forças armadas a Donald Trump na repressão violenta das manifestações antirracistas primeiro, e depois no questionamento do resultado das eleições.

Em vez do aspecto violento da segregação, a liderança das forças armadas preferiu uma abordagem “suave”, a da integração. As Forças Armadas americanas são um exemplo de integração: as minorias têm espaço nas Forças Armadas e alguns de seus membros podem ascender às fileiras mais altas desde que aceitem a ideologia do “sonho americano” e se tornem seus defensores.

Assim, a integração é um meio de difundir a hegemonia da ideologia das classes dominantes entre as classes exploradas e as minorias. As diversas formas de “quotas cor-de-rosa”, “direitos civis” etc. se movem dentro da aceitação da lógica do sistema, onde há os que comandam e os que obedecem, os que exploram e os que são explorados, os que vencem e os que são vencidos. As lógicas da competitividade e do mérito são a base da luta e, dada a luta, os mais fortes, os mais afortunados ou os mais desonestos devem vencer e oprimir os derrotados, se não se organizarem e não se oporem à solidariedade e ao apoio mútuo à luta.

Os anos que se passaram desde 25 de abril de 1945 deveriam ter nos ensinado que o fascismo é combatido não apenas militarmente, mas combatendo interseccional todas as formas violentas e conflituosas desta sociedade, desde as baseadas no gênero até as baseadas na classe até as baseadas na etnia. Se pudermos construir relações libertárias e federais entre os vários movimentos de luta, o domínio não poderá mais nos fechar em alguma “minoria” e o medo mudará de signo.

Tiziano Antonelli

Fonte: https://umanitanova.org/?p=13975

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Ploc… E Ploc…
O milho aquecido
Vira pipoca

Ze de Bonifácio

[Uruguay] Montevidéu: Em tempos duros a comunidade de luta se torna mais forte

Frente à constante atomização dos valores do egoísmo, da competição e do lucro as pessoas ficam desamparadas. Hoje (19/04), enquanto os filhos dos poderosos têm as melhores condições, os dos bairros populares carecem de materiais, conexão e acompanhamento. A falta de aulas hoje provocará ainda mais o aumento da brecha entre pobres e ricos.

É por isso que no [bairro] Cordón se decidiu intervir nestes tempos difíceis onde o capital golpeia mais duro. Hoje começaram as aulas gratuitas como uma ação direta contra a negligência e a falsa ideia de impotência. Durante todo o mês, pelo menos, estarão dando aulas de apoio escolar para todas as matérias apoiando-se na solidariedade, na aprendizagem em comum e na responsabilidade.

Em um bairro auto-organizado ninguém está só.

Jornal Anarquía

>> A imagem que ilustra este texto é do Centro Social Cordón Norte no primeiro dia de aulas de apoio escolar.

agência de notícias anarquistas-ana

cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença

Paulo Leminski

[Espanha] A companheira Lisa obteve a liberdade condicional

Nossa companheira Lisa foi detida e encarcerada em 13 de abril de 2016 acusada de assaltar um banco na cidade alemã de Aachen. Em junho de 2017 foi condenada a 7 anos e 6 meses de prisão. Depois de cumprir a primeira parte da pena na Alemanha, em dezembro de 2018 foi extraditada a Madrid e posteriormente a Catalunha (Brians I) por vínculo familiar. Em novembro de 2019 lhe foi concedido o terceiro grau (seção aberta de Wad Ras, Barcelona) o promotor da Audiência Nacional recorreu. Apesar disso, no verão de 2020 se confirmou o terceiro grau.

Depois de 3 anos e meio em regime fechado e 1 ano e meio na chamada “semi liberdade”, esta segunda-feira, 19 de abril de 2021, com 2/3 da condenação cumprida, lhe deram liberdade condicional, uma medida que pode ser revogada ou suspensa a qualquer momento em que as autoridades decidam que não se cumprem os requisitos.

Queremos agradecer a todos os que durante este tempo mostraram sua solidariedade e apoio para a companheira, mas não esquecemos que até que sigam existindo os cárceres, ninguém será livre!

A luta segue!

Força e solidariedade para todos os que lutam dentro e fora dos cárceres!

(A)

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/03/27/espanha-a-presa-anarquista-lisa-e-transferida-para-prisao-na-catalunha/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/07/26/alemanha-carta-da-companheira-presa-em-koln-a-luta-sempre-continuara/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/07/21/espanha-solidaritat-rebel-apesar-da-condenacao-a-solidariedade-continuara-ativa-em-suas-multiplas-formas/

agência de notícias anarquistas-ana

Nem sequer três dias
Este mundo vê passar –
Cerejeira em flor!

Ôshima Ryôta

Mesmo com pandemia, mundo registra alta em gastos militares em 2020

Nem a pior crise econômica em décadas ou a perdas de 3 milhões de vidas por uma pandemia que deixou o mundo de joelhos conseguiram impactar os gastos militares das maiores potências.

Dados publicados neste domingo pelo Instituto Internacional de Pesquisas da Paz (Suécia) e que serve de referência global para o tema revelam que quase 2 trilhões de dólares foram gastos em 2020, um aumento de 2,6% em termos reais em comparação a 2019.

Os cinco maiores investidores em 2020, que juntos representaram 62% das despesas militares globais, foram os Estados Unidos, China, Índia, Rússia e o Reino Unido. Os gastos militares da China cresceram pelo 26° ano consecutivo.

O aumento se contrasta com uma queda do PIB mundial de 4,4%. Como resultado, os gastos militares como parte do PIB, atingiram uma média global de 2,4% em 2020, acima dos 2,2% em 2019. Este foi o maior aumento anual desde a crise financeira e econômica global em 2009.

O instituto, porém, destaca que se os gastos militares aumentaram globalmente, alguns países reavaliaram parte de seus gastos militares planejados diante da pandemia, como o Chile e a Coreia do Sul.

Despesas no Brasil sofrem queda

Na América do Sul, a redução de gastos militares foi de 2,1%, com o Brasil contraindo seus gastos em 3,1%. Como resultado, o Brasil passou a representar apenas 1% dos gastos militares do mundo e caiu duas posições no ranking dos governos que mais destinam recursos aos militares. Em 2019, o Brasil era o 13° colocado. Agora, é o 15°, com US$ 19,7 bilhões ao setor.

“Os custos econômicos da pandemia parecem ter tido um impacto”, diz o estudo. De acordo com o Instituto, os militares no Brasil receberam apenas 88% dos recursos que tinham sido originalmente previstos no orçamento.

Na média global, porém, os gastos continuaram elevados. “Podemos dizer com alguma certeza que a pandemia não teve um impacto significativo nos gastos militares globais em 2020”, disse Diego Lopes da Silva, Pesquisador do Programa de Armas e Despesas Militares do Instituto. “Resta saber se os países manterão este nível de gastos militares durante um segundo ano da pandemia”, questiona.

A alta, de uma forma geral, ocorreu por conta dos gastos ainda elevados nos EUA e China. “Em 2020, as despesas militares dos EUA atingiram um valor estimado em 778 bilhões de dólares, o que representa um aumento de 4,4% em relação a 2019”, disse.

“Como o maior gastador militar do mundo, os EUA foram responsáveis por 39 por cento do total das despesas militares em 2020. Este foi o terceiro ano consecutivo de crescimento dos gastos militares dos EUA, após sete anos de reduções contínuas”, explicou.

“Os recentes aumentos nos gastos militares dos EUA podem ser atribuídos principalmente a investimentos em pesquisa e desenvolvimento, e vários projetos de longo prazo, como a modernização do arsenal nuclear dos EUA e a aquisição de armas em larga escala”, disse Alexandra Marksteiner, pesquisadora do Programa de Armas e Despesas Militares do Instituto.

“Isto reflete a crescente preocupação com as ameaças percebidas de concorrentes estratégicos como a China e a Rússia, bem como o esforço da administração Trump para reforçar o que ela via como um exército americano enfraquecido”. constatou.

Mas o levantamento também destaca que despesas militares da China, a segunda maior do mundo, tenham totalizado 252 bilhões de dólares em 2020. “Isto representa um aumento de 1,9% em relação a 2019 e de 76% durante a década de 2011-20”, destacou.

“Os gastos da China aumentaram por 26 anos consecutivos, a série mais longa de aumentos ininterruptos de qualquer país.

Nan Tian, pesquisador do Instituto, aponta que o crescimento contínuo dos gastos chineses deve-se em parte aos planos de modernização e expansão militar de longo prazo do país, em linha com o desejo declarado de alcançar outras potências militares líderes”.

Fonte: https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2021/04/25/mesmo-com-pandemia-mundo-registra-alta-em-gastos-militares-em-2020.htm

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/23/internacional-chamado-vamos-reduzir-o-gasto-militar-defendamos-as-pessoas-e-o-planeta/

agência de notícias anarquistas-ana

Um antigo lago em silêncio…
Um sapo pula na lagoa,
splash! Silêncio novamente.

Bashô

O novo acervo digital sobre a ditadura militar brasileira

Por Aline Pellegrini

Memorial da Resistência oferece acesso a seu arquivo, o mais completo registro da história do período

Marcado pelo golpe de 1964 que mergulhou o país em uma violenta ditadura (1964-1985), o dia 31 de março pode ser encarado como um lembrete da importância da preservação da memória do país. Dedicado a essa conservação e também à divulgação da história das reações à repressão política, o Memorial da Resistência de São Paulo hospeda um acervo único.

O prédio, que até 1983 abrigou o Deops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social), cuja função era assegurar as regras militares no país tomado pela ditadura, passou a maior parte de 2020 com as portas fechadas e com seus documentos inacessíveis por causa da pandemia do novo coronavírus. Assim, a coordenação do museu buscou uma nova forma de disponibilizar o acervo do local (memorialdaresistenciasp.org.br): digitalizou seus materiais e elaborou um novo site.

O endereço virtual foi lançado em 24 de março de 2021, data em que se comemora o Dia Internacional do Direito à Verdade. A plataforma reúne fontes materiais, documentais e bibliográficas, com fotos, vídeos e textos, referentes ao período autoritário do Brasil.

Os depoimentos das vítimas

Entre as pesquisas disponíveis estão a do Programa Coleta Regular de Testemunhos, que contém 155 vídeos curtos de depoimentos de pessoas envolvidas na ditadura, como ex-presos e perseguidos políticos, e o Programa Lugares da Memória, que identificou e inventariou 186 locais vinculados a eventos de resistência e de repressão políticas do estado de São Paulo.

As conversas foram gravadas em vídeo, alguns com uma ou duas horas de duração. Por enquanto, o site só disponibilizou trechos de até cinco minutos.

Entre eles está o depoimento do ator Celso Frateschi, que conta as artimanhas de companhias de teatro para burlar a censura. Frateschi, que foi preso algumas vezes pelo regime militar, integrava um grupo de jovens atores que trabalhava com uma proposta desenvolvida pelo diretor Augusto Boal em 1964 de teatralizar notícias de jornal que denunciavam questões como a violência do regime.

O acervo também conta com um vídeo da ex-presidente Dilma Rousseff, que, nos anos 1970, passou um tempo presa onde hoje é o Memorial. Na entrevista, realizada em 2018, Rousseff refletiu sobre a conjuntura política e social que possibilitou o golpe de 1964.

Ex-secretário de Justiça do Estado de São Paulo, Belisário dos Santos Junior fala em sua entrevista ao acervo sobre sua relação com o prédio que atualmente abriga o Memorial, que ele frequentava regularmente na condição de advogado de presos políticos.

“O Deops, de início, tinha uma importância única, e depois se tornou uma instância de passagem ainda que aqui [no prédio] se cometesse tortura”, afirmou o advogado. No depoimento, ao mencionar a violência dos militares, relembra a morte de Eduardo Leite, conhecido como Bacuri.

Aos 25 anos, Bacuri foi brutalmente torturado na sede do Deops até perder o movimento das pernas. Ele foi visto pela última vez em 1970 por sua mulher, que também tinha sido presa e estava grávida na época. Bacuri soube que seria morto quando os militares lhe mostraram os jornais com notícias de sua fuga, que nunca aconteceu. Após 109 dias de tortura, ele foi assassinado pelos militares.

Fonte: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2021/03/31/O-novo-acervo-digital-sobre-a-ditadura-militar-brasileira

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O tempo virou
Apressam o passo as saúvas
Onde o guarda-chuva?

Chico Pascoal

[Rússia] Cidade Kropotkin comemora seu centenário

Como parte da celebração da data, a população da cidade inaugurou um monumento ao cientista em cuja homenagem a cidade foi batizada

Em 14 de abril de 2021, aconteceu a grande inauguração do monumento ao famoso cientista e geógrafo Peter Alekseevich Kropotkin na cidade de mesmo nome.

O evento foi programado para coincidir com o 100º aniversário da transformação da fazenda Romanovsky na cidade de Kropotkin – a capital da região do Cáucaso. O monumento foi erguido no parque Voroshilov.

O evento foi acompanhado por um flash mob brilhante, colocando flores no monumento e recompensando os moradores da cidade com várias realizações.

Referência: Peter Kropotkin é um grande cientista, revolucionário e filósofo. Fevereiro de 2021 marca o 100º aniversário de sua morte. Peter Alekseevich fez uma contribuição a vários ramos da ciência relacionados ao estudo da Terra e da sociedade. Foi em sua homenagem que a cidade de Kropotkin no Território de Krasnodar foi nomeada. Agora Kropotkin é uma cidade com uma população de quase 78 mil habitantes.

Foi em homenagem a ele que a cidade de Kropotkin no Território Krasnodar foi nomeada. É considerado um dos assentamentos mais confortáveis ​​do Kuban e, em termos de área de espaços verdes, ocupa o segundo lugar na região, depois da Anapa. Os habitantes da cidade estão especialmente orgulhosos da pitoresca estação ferroviária de Kavkazskaya.

Fonte: https://ustlabinfo.ru/news/2021-04-15-gorod-kropotkin-otprazdnoval-100-letie/

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Folhas do ciclame
ao vento pra lá e pra cá –
um coração pulsa.

Anibal Beça

[EUA] 25 Anos de Anarquismo

O anarquismo emergiu do movimento socialista como uma política distinta no século XIX. Afirmou que é necessário e possível derrubar as relações sociais coercitivas e exploradoras, e substituí-las por formas sociais igualitárias, autogestionárias e cooperativas. O anarquismo deu assim uma nova profundidade à longa luta pela liberdade.

A principal preocupação dos anarquistas clássicos era a oposição ao Estado e ao capitalismo. Isso foi complementado por uma política de associação voluntária, apoio mútuo e descentralização. Desde a virada do século XX e especialmente na década de 1960, a crítica anarquista se ampliou em uma condenação mais generalizada da dominação e da hierarquia. Isso tornou possível entender e desafiar uma variedade de relações sociais – como o patriarcado, o racismo, e a devastação da natureza, para mencionar alguns – ao mesmo tempo em que confronta hierarquias políticas e econômicas. Diante disso, o ideal de uma sociedade livre se expandiu para incluir libertação sexual, diversidade cultural e harmonia ecológica, assim como instituições de democracia direta.

A grande recusa do anarquismo a todas as formas de dominação o torna historicamente flexível, politicamente abrangente, e consistentemente crítico – como evidenciado por seu ressurgimento no movimento anticapitalista global atual. Ainda assim, o anarquismo ainda não adquiriu o rigor e a complexidade necessários para compreender e transformar o presente.

O Instituto para Estudos Anarquistas (IAS, na sigla em inglês) foi criado em 1996 para apoiar o desenvolvimento do anarquismo. Começou como uma organização de doação para escritores e tradutores radicais de todo o mundo. Até o momento, o IAS financiou centenas de projetos de autores de países ao redor do mundo. Em 1997 começamos a publicar Perspectives on Anarchist Theory (Perspectivas sobre a Teoria Anarquista) como um boletim informativo organizacional. Depois Perspectives (Perspectivas) se fundiu com The New Formulation: An Antiauthoritarian Review of Books (A Nova Formulação: Uma Revisão Antiautoritária dos Livros) e em 2009 um novo coletivo assumiu sua publicação dando sua forma atual.

Em 2010 o IAS começou a publicar a série de livros Anarchist Interventions (Intervenções Anarquistas) em colaboração com a AK Press e Justseeds Artists’ Cooperative. Na época do movimento Occupy nós publicamos a série de panfletos Lexicon, uma série de cinco panfletos, 30.000 dos quais nós distribuímos gratuitamente pelos vários acampamentos do Occupy e de movimentos sociais.

Com nossa publicação de Octavia’s BroodScience Fiction Stories from Social Justice Movements, co-editado por Walidah Imarisha e Adrienne Maree Brown em 2015, começamos uma nova série de publicações com a AK Press que também produziu Angels with Dirty Faces: Three Stories of Crime, Prison, and Redemption de Walidah Imarisha – que venceu o Oregon Book Award – e o Guerillas of Desire: Notes on Everyday Resistance and Organizing to Make a Revolution Possible de Kevin Van Meter, com ainda mais por vir.

Em nossos vinte e cinco anos o IAS tem consistentemente organizado eventos educacionais, tais como a série de conferências Renewing the Anarchist Tradition (Renovando a Tradição Anarquista) realizada na Nova Inglaterra, eventos para palestrantes em Portland, Oregon e participação em conferências radicais pela América do Norte, e também mantemos uma banca de palestrantes.

O IAS é parte de um movimento maior para transformar radicalmente a sociedade. Somos internamente democráticos e trabalhamos em solidariedade com pessoas de todo o mundo que compartilham nossos valores.

Neste 25º ano, renovaremos nosso projeto de doação, expandindo o que financiamos para incluir as expressões em vídeo e áudio, além da palavra escrita. O prazo de inscrição para as bolsas do IAS de 2021 já passou, mas estamos ansiosos para revisar as muitas solicitações que recebemos e anunciar os beneficiários das doações nesta primavera.

Você pode nos escrever em: IAS, PO Box 90454, Portland, OR 97290

Ou nos enviar um email em: info@anarchiststudies.org

anarchiststudies.org

Tradução > Brulego

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/10/16/eua-perspectives-on-anarchist-theory-pede-por-contribuicoes-alem-da-crise/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/05/13/eua-a-nova-edicao-da-perspectives-on-anarchist-theory-sobre-o-tema-do-anarco-feminismo-esta-disponivel-na-ak-press/

agência de notícias anarquistas-ana

dos ramos altos no rio
caem suavemente
farrapos do sol poente

Rogério Martins

[Canadá] Montreal, Quebec: Relatório do Protesto Contra o Toque de Recolher de 18 de abril

Montreal. Quebec. Obrigado a todos por participarem do protesto de ontem (18/04) à noite! Muitas centenas de nós saímos às ruas para denunciar a imposição do toque de recolher, medida que atenta contra a nossa liberdade e as nossas relações e aspirações de solidariedade.

Juntos, pudemos apresentar uma mensagem clara que rejeita as falsas soluções do governo de Legault [primeiro-ministro do Quebec] e da cidade de Montreal. Denunciamos o toque de recolher e qualquer uso da polícia para lidar com a crise de saúde, destacando seus impactos cruéis sobre os sem-teto, profissionais do sexo, usuários de drogas, trabalhadores sem documentos e tantos outros.

A luta contra o toque de recolher e as soluções falsas e autoritárias para a pandemia continua e ganha força. Permanecemos firmes na vontade de recusar a dicotomia entre a obediência cega ao governo e as manipulações tolas dos teóricos da conspiração, que são exploradas pela extrema direita.

Assim como marchamos contra o estado policial, a SPVM [Serviço de Polícia de la Ville de Montreal] se dedicou a dar uma demonstração clara disso. Apesar da mobilização de centenas de policiais, saímos às ruas, cantando e atirando fogos de artifício, por mais de uma hora! As coisas esquentaram quando a tropa de choque forçou a entrada na multidão para pegar um camarada. Apesar dos esforços da multidão para ajudar os camaradas alvos da polícia, não conseguimos libertá-los. É responsabilidade de todos nós desenvolvermos práticas para que tais situações não voltem a acontecer.

Muitos de vocês expressaram sua vontade de continuar a luta. Saiba que não temos a intenção de desistir. Nosso principal objetivo é ajudar a mobilizar. Sinta-se à vontade para se auto-organizar, planejar ações; não hesitaremos em usar nossa plataforma para apoiá-lo com o melhor de nossas habilidades. Em particular, encorajamos nossos camaradas a se juntarem às reuniões mais espontâneas organizadas pelos jovens montrealenses que têm agido com base em sua raiva legítima nos últimos dias; vamos circular chamadas relevantes em nossas plataformas. Fiquem ligados!

Um agradecimento especial à AQPSUD com quem tivemos a sorte de lutar desde o início das mobilizações contra o toque de recolher. Obrigado pela sua presença e por todo o trabalho que realiza no dia a dia.

Se você recebeu um tíquete por violar o toque de recolher, escreva para wewontpay@riseup.net para participar de um esforço de ajuda mútua para contestar a multa.

Vamos ficar juntos diante da repressão policial, vamos aprender a não deixar ninguém para trás.

E acima de tudo, nunca vamos parar de lutar.

Fonte: https://enoughisenough14.org/2021/04/21/montreal-quebec-report-back-from-the-protest-against-the-curfew-of-april-18th/

Tradução > Da Vinci

agência de notícias anarquistas-ana

A lua da montanha
Gentilmente ilumina
O ladrão de flores.

Issa

[Espanha] O Secretário-Geral da CIT, Mahmoud Homsy: “Se você diz ser um revolucionário, as pessoas se perguntam em que planeta você vive”

Por Betanzos (Galiza) | Ilustrado por: La Rara | Extraído do CNT nº 425.

▶ Durante o Congresso Inaugural da CIT (Confederação Internacional dos Trabalhadores) de 2018, realizado em Parma (Itália), as seções concordaram que a Secretaria Geral da CIT teria uma duração de dois anos. No mesmo congresso, foi decidido que a anarco sindical alemã, FAU, se tornaria a próxima seção, após a CNT, a assumir o bastão da Secretaria Geral.

▶ O novo secretário da CIT, Mahmoud Homsy, é membro da FAU Berlim. Ele tem sido ativo na área de trabalho internacional da FAU por anos e fez parte da fundação da nova confederação internacional.

Antes de mais nada, Mahmoud, obrigado por nos dar seu tempo para os leitores de nosso jornal confederal.

Pergunta: Como você enfrenta esta nova responsabilidade em nível pessoal?

Resposta: Conhecendo a longa história da Internacional, só posso me sentir honrado por ter sido encarregado desta posição, mas me sinto sobrecarregado. Já tenho muitos compromissos não diretamente relacionados a este secretariado e vejo a infinidade de tarefas que devo agora atender se quiser cumprir meus compromissos com a CIT da melhor forma possível. Imagino que esses nervos sejam normais diante de tanta responsabilidade.

P.- Embora as seções existam há muitos anos, a CIT é muito recente. Quão saudável é nossa Internacional e quais são, na sua opinião, nossas prioridades organizacionais hoje?

R.- Miguel, meu predecessor, da CNT de Madri, lançou com sucesso as bases para o desenvolvimento da CIT. Todos os canais de comunicação já estão instalados (o web site, as redes sociais), assim como as finanças (seção de anuidades) que são a base econômica de nossos orçamentos. Mas ainda há muito a fazer antes de podermos realmente começar a trabalhar. A prioridade óbvia é a implementação das áreas de trabalho adotadas no congresso. No momento, há cerca de 20 pessoas ajudando ativamente o comitê de comunicação e o secretariado, mas este número terá que crescer se quisermos atingir os objetivos que nos propusemos.

P.- Nossa abordagem e nosso modelo são claramente diferentes dos do sindicalismo oficial. Nosso modelo é válido e eficaz? Você acha que ele será bem recebido pelos trabalhadores?

R.- Posso dizer-lhe com mais segurança o que vejo na Alemanha. É muito difícil para nosso modelo sindical ganhar uma posição em um país ocidental como a Alemanha. Há tanto privilégio aqui. Há muito trabalho porque os mercados financeiros investem na Alemanha porque é vista como tendo uma economia segura e estável e a rede de segurança social é mais ou menos intacta. As pessoas pensam que o mercado e o Estado se encarregarão das coisas. Se você diz que é um revolucionário, eles se perguntam em que planeta você vive. Se você reclama de seu trabalho de má qualidade, eles lhe dizem que você é ingrato ou que você deveria trabalhar mais para conseguir um emprego melhor. As pessoas se perguntam se os sindicatos em geral são válidos. Assim, nesse ambiente, às vezes me pergunto se nossos princípios básicos de solidariedade, ajuda mútua, ação direta e de base e revolução não estarão fechados em uma sociedade como esta.

No final, estas dúvidas só me reafirmam em nossas ideias. A satisfação de ajudar as pessoas a falar em um conflito, o prazer de colaborar com pessoas que pensam da mesma maneira, não tem preço.

Não posso dizer se, em geral, os trabalhadores acolherão nosso modelo sindical. Tenho experimentado que fomos bem recebidos aqui e ali pelos trabalhadores nos conflitos em que nos apresentamos. Só posso esperar que eles o lembrem, acreditem nele e o pratiquem no futuro.

Mas as pessoas estão ocupadas, suas prioridades mudam, elas ficam frustradas com nossas estruturas ineficazes, por isso deixam de ser ativas. É por isso que é importante fortalecer nossas Organizações. Para ser eficaz.

Seja como for, o fato é que continuamos a lutar e há um claro crescimento no número de membros.

P.- A nível internacional, onde você espera que novas seções se candidatem à adesão a CIT?

R.- A IWW na Europa provavelmente se candidatará a membro da CIT dentro de pouco tempo (agora a IWW dos EUA e Canadá já estão), e isto significará que, por exemplo, na Alemanha, duas organizações diferentes poderão fazer parte da mesma Internacional.

No Brasil, esperamos que a FOB também venha a aderir.

Como parte de nossa estratégia de expansão, que foi uma das áreas de trabalho adotadas no último congresso, formamos grupos de trabalho regionais para a Ásia e as Américas, que estão se aproximando e trabalhando em rede com diferentes sindicatos e iniciativas sindicais. Veremos se, desta forma, despertaremos o interesse de qualquer organização em se tornar um novo membro.

O que espero é que no futuro sejam formados mais grupos de trabalho regionais deste tipo para estender estes esforços às regiões do mundo onde não temos presença…

P.- Como você acha que podemos aprofundar a relação com outros sindicatos alternativos e revolucionários à medida que a Internacional cresce em número e se estabelece em novos países?

R.- Em nível internacional, vejo nossos princípios de solidariedade e ajuda mútua como boas ferramentas para tornar a CIT conhecida e respeitada.

Nas últimas semanas aderimos à campanha da GWTUC contra o Dragon Sweater, deixando de lado as diferenças ideológicas, e estamos oferecendo nossa solidariedade aos nossos camaradas de todo o mundo. Estas atividades atrairão a atenção de outros sindicatos que verão a CIT como um ponto de referência.

Outra área de trabalho que adotamos no último congresso e que nos servirá como uma ferramenta de expansão é o treinamento. Propusemos coletar documentação sobre organização sindical e ação industrial das seções e utilizá-la para produzir novo material de treinamento que seja relevante em todo o mundo. Se pudéssemos apresentar este material a sindicatos de diferentes países, seria uma excelente maneira de apresentá-los a nossas ideias e de construir relações. No entanto, ainda há muito trabalho a ser feito a este respeito, pois não esqueçamos que somos uma organização muito jovem.

P.- E uma palavra final que você gostaria de enviar aos nossos militantes…

R.- Espero que todos os camaradas continuem saudáveis para este outono e inverno! Meus pensamentos estão com todos vocês.

Da CNT, desejamos a você todo o sucesso em sua tarefa para os próximos dois anos.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/mahmoud-homsy-secretario-general-de-la-cit-si-dices-que-eres-revolucionario-se-preguntan-en-que-planeta-vives/

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/05/14/italia-fundacao-da-confederacao-internacional-do-trabalho-cit-em-parma/

agência de notícias anarquistas-ana

nuvem que passa,
o sol dorme um pouco –
a sombra descansa

Carlos Seabra