[Porto Alegre-RS] A luta indígena é pela terra, contra o Estado e o capital

Mais uma vez ocorre o chamado pra somar forças com os povos originários. As terras da Tekoa Pindó Poty, no extremo sul de Porto Alegre (RS) estão sendo invadidas por posseiros. Há tempos se sabe do assédio de grupos empresariais (máfias) do bairro Lami naquelas terras que, ao total, são 100 hectares para que as famílias Mbya Guarani possam levar sua vida da maneira tradicional.

Um grande grupo detentor de mercados, imobiliárias, lotéricas e famoso por lucrar com terrenos saqueados coloca famílias pobres pra dentro do terreno da aldeia, buscando agregar elementos para dificultar as ações de proteção ao território indígena.

Diante de tudo isso a denúncia foi feita e no simbólico dia 22 de Abril, quando nestas terras dominadas pelo estado brasileiro se “celebra” a farsa do descobrimento, quando na verdade encobre a história de genocídio e aculturamento dos povos que aqui já viviam, foi feita uma reunião em que estavam presentes lideranças Mbya Guarani, da Frente Quilombola entre outras entidades e individualidades para encaminhar como responder aos ataques da especulação imobiliária.

Nas falas das lideranças Mbya ficou evidente o caráter anárquico de sua luta histórica. A implantação do domínio de um reino, a transformação do seu lar em “colônia” é o início de seu pesadelo. A mão branca do estado arrancando seus recursos para transformar em capital lhes arrancou o sangue. Apesar da violência desses primeiros embates, invisibilizada através de fábulas que tentam passar a ideia de “trocas” entre os povos, as nações indígenas sobrevivem pra acompanhar as mudanças de forma do estado e do capital. Vivem pra ver a Democracia e as promessas de melhores dias. Tudo mentira, mesmo que no papel saiam meia dúzia de palavras nunca receberam o que lhes era devido. Pelo contrário, a ganância só cresceu, agora o inimigo assume formas diversas, muitas vezes estendendo uma mão para roubar sua cultura com a outra ou simplesmente transformar em consumo étnico.

Vemos isso bem no mercado das medicinas tradicionais, que já faltam nas aldeias, mas é fácil comprar pela internet. Marcante em todas as falas também é a consciência de qual é a necessidade real, a terra, o espaço pra viver e criar, não algum trocado que possa ser aportado em algum momento, por algum governo. A pergunta mais ouvida é “por que tanta terra?” Na Pindó Poty vivem atualmente sete famílias, que crescem, criam relações, se expandem e essa terra pode ser a única que terão como garantia em décadas, então se responde, essa terra é seu presente e seu futuro. Isso que chamam Brasil é todo TERRA INDÍGENA e a luta desses povos é a nossa também.

>> Link para nota da Comissão Yvyrupa sobre as invasões:

http://bit.ly/RespeitaGuarani

agência de notícias anarquistas-ana

Partem os barcos –
Como ficam distantes
Os dias de outono!

Buson

[Grécia] Veículo estatal e carro de segurança incendiados em Komotini em solidariedade a prisioneiros anarquistas no Chile

Komotini: Para a continuação da tradição incendiária.

“Há pessoas que são balas de armas que desapareceram ou ainda não foram descobertas. Outros são facas e reconhecem como bainha apenas o coração. E outras são flores que desabrocham em cimento. O resto poderia ou não existir.”

A partir de 22 de março, presos políticos em Santiago, Chile, iniciaram uma greve de fome. Os pedidos dos lutadores são pela revogação do artigo 9 e restituição do artigo 1 do decreto de lei 321. Uma lei que visa matar presos políticos, pois reduz significativamente a liberdade condicional. Também lutam pela libertação de prisioneiros anarquistas e subversivos, prisioneiros da Revolta e presos pela luta mapuche. Um exemplo típico de modificação mediada da lei contra os inimigos do poder é o do camarada Marcelo Villaroel, que está preso há 25 anos por ataques contra o Estado e o capital. Com base nessa lei, ele não terá direito a um pedido de liberdade condicional até 2036.

Querendo mostrar nossa solidariedade aos camaradas anarquistas chilenos, queimamos um veículo estatal da Região da Macedônia Oriental e Trácia e um veículo de segurança no sábado, 17 de abril. Quando vimos os veículos brilharem, um largo sorriso se formou em nossos rostos, vendo nossa ação concluída com sucesso.

Mandamos um sinal de guerrilha aos camaradas do Chile que lutam nas ruas com raiva e consciência contra o poder e seus defensores. Batalhas que mantêm vivas e atuais a aposta da rebelião anarquista duradoura conduzida com armas, fogo, chumbo e paixão pela destruição do existente.

Ao monitorar o renascimento do movimento anarquista na Grécia por ocasião da greve de fome e sede de Dimitris Kubontinas, vimos a dinâmica e os efeitos da luta multiforme anarquista com os caminhos das massas, conflitos com forças de supressão, intervenções de todos os tipos, também como uma onda impressionante de múltiplas ofensivas anarquistas com centenas de ataques de guerrilha e sabotagem, transferindo assim o medo e a guerra para o campo inimigo. A chama da rebelião anarquista permanece viva na Grécia. O ressurgimento da guerrilha na Grécia já começou.

Conspiração Anarquista pela Difusão da Revolta “Sebastian Oversluij Seguel”

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1612160/

Tradução > Da Vinci

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agência de notícias anarquistas-ana

Um solzinho fraco
Ilumina
O campo seco.

Bakusui

[Chile] Segundo comunicado público: 32 dias de greve de fome

Aos povos, indivíduos, comunidades e territórios em luta e resistência.

A quem se rebela frente a este presente de opressão e miséria.

Às nossas manadas, famílias, amigxs, cumplicidades, companheirxs e amores espalhados pelo mundo.

A todxs!!

Nós, prisioneirxs anarquistas e subversivxs da guerra social, Mónica Sepúlveda na cárcere feminina de San Miguel, Marcelo Villarroel Sepúlveda, Juan Flores Riquelme e Joaquín García Chanks na cárcere de Alta Segurança (C.A.S.), Francisco Solar Domínguez na Seção de Segurança Máxima, Pablo Bahamondes Ortiz no Módulo 2 na cárcere-empresa Santiago 1 e Juan Aliste Vega na C.A.S. (aderindo, mas não em greve por razões médicas): declaramos nossa total insistência na decisão de continuar nesta justa mobilização na qual transitamos há 31 dias, desde que 9 companheirxs, sequestradxs em diferentes momentos nas prisões chilenas, decidimos dar início a esta mobilização com características de greve de fome líquida e indefinida, ativando assim uma exigência no mundo da prisão e juntando diferentes gerações de companheirxs como evidencia da continuidade inevitável do conflito com o Estado, com a prisão e com o capital em um contexto inegável de Guerra Social.

Aos 17 e 18 dias deste trajeto de ter o corpo como arma de luta, os companheiros Tomás, José e Gonzalo, detidos no contexto da revolta permanente e hoje prisioneiros na cárcere-empresa Santiago 1 – módulo 3, depuseram o movimento por “razões de saúde e falta de experiência”. Porém, nós que continuamos mobilizadxs damos conta da clara vontade expressada pelos companheiros de dar este passo necessário na luta coletiva e lhes saudamos na aprendizagem cotidiana de viver a resistência milimétrica no dia-a-dia do confinamento prisional. Por outro lado, em um laço indestrutível de cumplicidade insurrecta, desde o isolamento de alta segurança na prisão de Terni, Itália, em 12 de abril, o companheiro anarquista espanhol Juan Sorroche Fernández anuncia uma greve de fome em solidariedade às nossas exigências, fazendo tangível a beleza da irmandade antiautoritária internacionalista.

Abraçamos seu gesto cúmplice e o fazemos nosso convidando-o a transitar nestes territórios de luta e resistência.

O caminho traçado neste tempo intenso de luta é a cristalização da palavra transformada em ação. Desde as prisões chilenas nosso grito de guerra novamente percorre o mundo fazendo universal o nosso chamado subversivo e anárquico.

No transcurso deste novo tempo de luta, que atravessa o uso repressivo da pandemia em todo o planeta e apesar de todas as limitações e controle, nós vimos e assistimos a todos e cada um dos múltiplos e belos gestos de ação solidária que se expressam a cada momento em qualquer lugar e por onde nos encontramos com irmãxs, companheirxs e cúmplices, ativando no mesmo impulso do conflito: palavras, panfletos, pixações, cartazes, textos, faixas, bandeiras, adesivos, áudios e transmissões ao vivo e transmissões de rádio, fóruns, reuniões, barricadas, conspiração, fogo e ataque, solidariedade, música, bicicletada e criatividade constante para solidarizar são parte dos tantos gestos e atos que nos unem com todxs aquelxs que hoje nos acompanham neste caminho.

Assim como a ação conjunta de diferentes redes, coordenações, coletivos e espaços organizados no presente da luta anticarcerária permitiram a correta e necessária amplificação da voz prisioneira e sua ênfase, fazendo de muitxs a urgência que hoje nos guiam. Convocando e desempoeirando as experiências oxidadas da prisão política de antigamente, visibilizando a situação de todos os casos da revolta permanente de hoje e dando conta, com clareza e sem ambiguidade, de nossa resistência autônoma, subversiva e anárquica nas prisões da democracia chilena durante os últimos 12 anos de maneira ininterrupta.

Hoje se entende com mais força e clareza que a prisão política no Chile nunca deixou de existir como consequência real e possível dentro de uma opção de luta subversiva, rebelde e insurrecta. Mesmo assim, é explícita a necessidade de ampliar a faixa anticarcerária ativa e cúmplice com quem luta neste momento álgido da repressão estatal.

De 1990 até hoje a prisão política continua trancando quem se rebela contra a ordem existente e passa da palavra para a ação através das múltiplas práticas ilegais. Antes foram os grupos armados de esquerda, logo núcleos autônomos e informais de ação e individualidades anárquicas, assim como a digna Resistência Mapuche, para chegar até xs chamadxs presxs da Revolta, para quem sempre houve leis especiais, julgamentos viciados, tratamentos jurídicos penitenciários, policiais e jornalísticos diferenciados. Toda uma trama preparada para castigar aquelxs que passam à ofensiva e para mantê-lxs sequestradxs sob a razão de estado.

A noção de sequestro se faz tangível em nossos casos quando, através do tempo e de maneira sistemática, o Estado, passando por cima de sua própria legalidade, nos mantém presxs com processos infestados de irregularidades e com a manifesta animadversão de todo seu aparato; alterando nossas condenações, falseando dados e documentos, criminalizando nossas famílias e filhxs, sustentando uma continuidade especial do castigo e satanização pública que busca o extermínio de nossas práticas e histórias de luta. Mas não têm conseguido.

Uma vez mais, com o punho erguido, nos levantamos e nos atrevemos, contra todo prognóstico, com o corpo cansado mas repletxs de orgulho e newen intacto. Com a energia vital de todxs xs nossxs irmãxs caídxs na luta subversiva, revolucionária e anárquica. Com clara convicção antagônica que se nutre, alimenta e resiste nos calabouços mais tóxicos das prisões da democracia chilena que hoje se blinda com um forte cerco midiático para invisibilizar nossa mobilização, que é urgente e necessária.

“A liberdade florescerá sobre as ruínas das prisões”

Nosso grito de hoje é forte e claro:

Revogação do artigo 9 e restituição do artigo 1 do decreto de lei 321!!!!

De modo simples, é que não haja retroatividade na modificação da lei que regula a “liberdade condicional”.

E que ela volte a ser um direito adquirido da pessoa presa e não um benefício.

Liberdade para Marcelo Villaroel!!

Sua situação jurídica não resiste a análises.

Altas penas que hoje chegam a 46 anos emanados desde a justiça militar por fatos ocorridos há 29 anos. Alteração dos tempos de postulação pela modificação do D.L. 321, estendendo por mais de 16 anos. Viveu mais de 25 anos na prisão, divididos em 3 momentos. Em sua situação jurídico-política se cristalizam os elementos próprios do sequestro de estado a quem é consideradx um inimigo por seu explícito e radical posicionamento antiautoritário e antiestatal.

– Pela extensão da solidariedade ativa com xs presxs subversivxs, anarquistas, da revolta e da liberação mapuche!!

– Pelo fim da prisão preventiva como ferramenta de castigo!!

– Acompanhamos a demanda mapuche de aplicar o Convênio 169 da OIT para a situação dos peñi e lamngen presxs por lutar.

– Pelo fim das condenações da justiça militar contra Juan e Marcelo!!

Aqui estão expressos o que nos guia no dia a dia do confinamento da prisão. Preocupações comuns de companheirxs em luta e em resistência desde diferentes labirintos penitenciários.

Da mesma forma, pudemos constatar que, simultaneamente, em diferentes presídios deste território, são realizadas várias greves de fome com diferentes exigências e abrangências. Saudamos a todxs aquelxs que decidiram romper com os tempos mortos do confinamento e se ativam partir de dentro para tornar visíveis as suas situações.

Expressamos também nossa preocupação constante com a precarização da vida, com o uso militar-policial da pandemia em um contexto de repressão permanente e com a deterioração generalizada da vida dxs oprimidxs e exploradxs enquanto xs poderosxs ficam mais ricxs, asfixiando toda a vida em função de suas enormes ganâncias. Por isso, a justeza do transbordamento e da manifestação, de se organizar e lutar, da ação direta pela liberação total.

“Eu sou a partidária da violência! Absolutamente partidária da violência. Se não eles vão nos golpear outra vez e vão nos matar outra vez e vão nos prender outra vez e vão desaparecer com nós outra vez” – Luisa Toledo Sepúlveda.

Em uma profunda conexão com diversos territórios em guerra e conflito pela liberação da terra e contra o capital.

Saudamos a todxs que se manifestaram no sábado, 17 de abril, por meio da propaganda, da agitação e da ação multiforme.

Estreitando o laço insurrecto com todxs xs irmãxs do planeta, com que, a partir de distintos idiomas, falamos a mesma linguagem de fraternidade internacionalista revolucionária.

COM NOSSXS MORTXS NA MEMÓRIA!!

COM DECISÃO DE LUTA ETERNA!!

ENQUANTO EXISTIR MISÉRIA, HAVERÁ REBELIÃO!!

MORTE AO ESTADO E QUE VIVA A ANARQUIA!!

TECENDO REDES E MULTIPLICANDO A CUMPLICIDADE AVANÇA A OFENSIVA INSURRECTA E SUBVERSIVA!!

NEM CULPADXS E NEM INOCENTES, INSURREIÇÃO PERMANENTE!!

CONTRA TODA AUTORIDADE, AUTODEFESA E SOLIDARIEDADE!!

PELA EXTENSÃO DA SOLIDARIEDADE COM XS PRESXS DA GUERRA SOCIAL, DA REVOLTA E DA LIBERAÇÃO MAPUCHE!!

QUE AS PRISÕES EXPLODAM!!

PELA REVOGAÇÃO DO ART. 9 E A RESTITUIÇÃO DO ART. 1 DO DECRETO DE LEI 321!!!

LIBERDADE PARA MARCELO VILLARROEL E TODXS XS PRESXS SUBVERSIVXS, ANARQUISTAS, DA REVOLTA E DA LIBERAÇÃO MAPUCHE!!

Mónica Caballero Sepúlveda
Marcelo Villarroel Sepúlveda
Joaquín Garcia Chanks
Juan Flores Riquelme
Francisco Solar Domínguez
Pablo Bahamondes Ortiz
Juan Aliste Veja

Até destruir o último bastião da sociedade carcerária!
Até a liberação total!!
Quinta-feira, 22 de abril 2021.
Santiago, Chile.

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/21/07-de-abril-de-2021-desde-o-ultimo-comunicado-sobre-o-nosso-companheiro-difundido-publicamente-na-internet-em-julho-do-ano-passado-nao-houve-nenhuma-mudanca-substancial-na-sua-situacao-mas-ocor/

agência de notícias anarquistas-ana

Hora da comida –
Pela porta,
O pôr de sol outono.

Chora

[Alemanha] Ataque Contra Fornecedor de Equipamentos da Polícia Grega e Patrulhas de Fronteira em Berlim

No Border No Nation – Incêndio em uma empresa de defesa em Berlim

A Nissan é uma das maiores fabricantes internacionais de veículos de operação para forças policiais, empresas de segurança privada e militares. No momento, as vans e veículos off-road do grupo japonês são produtos que enfrentam a concorrência do mercado.

Por exemplo, a Polícia Grega anunciou recentemente que faria do Nissan Qashqai o novo modelo principal de sua frota de veículos. 790 desses jipes foram encomendados à Nissan¹. Serão usados especialmente para proteção de fronteiras em áreas rurais, mas também para unidades especiais como “OPKE”. Além disso, o regime [do partido] da ND (Nova Democracia) encomendou à Nissan furgões novos e menores para mostrar mais presença nas ruas sinuosas das cidades, onde a caça às pessoas não é menos intensa.

Nesses veículos está o sangue de inúmeras pessoas, às quais a UE e o Estado grego não oferecem nada além de prisão e morte em suas rotas de fuga. Também o sangue dos nossos camaradas, que resistem à nova Junta. E assim o sangue também está nas mãos dos responsáveis da Nissan. Faremos com que eles paguem caro por isso.

Na Alemanha, também, a guerra contra os migrantes continua inabalável. Na última quarta-feira, centenas de pessoas foram deportadas para o Afeganistão via Berlim. Para um país cuja população foi levada a um conflito sangrento após o outro, que custou a vida a inúmeras pessoas, não apenas desde 11 de setembro de 2001. Não estamos interessados em saber se um país é “seguro” ou “inseguro”; rejeitamos a ideia de suas fronteiras e tudo o que as acompanha.

Portanto, nas primeiras horas de 14 de abril de 2021, entramos nas instalações da base da Nissan na Wendenschloss Street em Berlin-Köpenick e causamos um incêndio que incapacitou ou destruiu vinte novos veículos, principalmente SUVs.

Saudações a todos os que tentam quebrar as fronteiras europeias.

A todos aqueles que há meses saem às ruas contra os métodos fascistas da Nova Democracia.

Aos bloqueadores do aeroporto de Schönefeld e a todos os determinados como os de Hannover², que fazem as autoridades de deportação pagarem caro.

Grupos Autônomos

N o t a s

[1] https://www.ekathimerini.com/260249/article/ekathimerini/news/elas-select-nissan-to-provide-new-police-cars

A propósito, o governo grego está gastando um total de 31 milhões de euros no programa de aquisições mais extenso para sua força policial em anos, para o qual a UE está contribuindo com pouco menos de 6 milhões de euros:  https://www.iefimerida.gr/ellada/programma-31-ekat-gia-elas-gileka-peripolika

[2] Nota do tradutor: https://chronik.blackblogs.org/?p=13816

Fonte: https://de.indymedia.org/node/146997

Tradução > Da Vinci

agência de notícias anarquistas-ana

Nos olhos da libélula
Refletem-se
Montanhas distantes.

Issa

[Espanha] Emma Goldman e a Revolução (russa)

Por Laura Vicente | 09/04/2021

No início da década de 1920, a esquerda na Europa e nos Estados Unidos apoiou a Revolução Russa. No entanto, Emma Goldman decidiu não ficar calada e denunciou o totalitarismo e a burocratização que haviam ocorrido com Lênin à frente do Partido Bolchevique.

Uma leitura do trabalho de Emma Goldman mostra a relevância para ela da luta pela autonomia pessoal na qual ela embarcou desde a adolescência. Em sua compreensão do anarquismo, ela sempre deu grande valor ao componente existencial, ou “emancipação interna”, que tinha que interagir com a mudança social.

A chave da autonomia era que ela tomasse em suas próprias mãos cada detalhe de sua existência, por menor que fosse, “porque o pequeno é também o domínio do poder” (Conselho noturno: Uma morada mais forte que a metrópole, p. 81). O objetivo que foi estabelecido era que o fazer deveria sempre permanecer autônomo em relação a qualquer forma de poder e formar um “nós” que ressoasse quando dissesse “eu”. Assim, a autonomia significava constituir um modo de vida. Sua posição crítica com relação às duas revoluções que teve a oportunidade de experimentar não foi exceção: a Revolução Russa (1917), na qual vamos nos concentrar, e a Revolução na Espanha (1936).

Sua chegada à Rússia e suas primeiras dúvidas

Emma Goldman foi descrita pelo FBI como “a mulher mais perigosa da América”; seu pecado para merecer este rótulo foram suas palestras, comícios, conferências, escritos e sua dedicação à luta que causou suas constantes proibições, prisões e prisões nos Estados Unidos.

Duas campanhas, especialmente a segunda, foram consideradas perigosas para o governo americano: a primeira foi a favor do controle de natalidade com informações sobre métodos contraceptivos e a segunda, contra a intervenção dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial, defendendo posições claramente antimilitaristas. Esta segunda campanha e as ações realizadas levaram à suspensão da liberdade de expressão oral e escrita em todo o país. Em seu caso, ela foi detida, julgada e presa por dois anos entre 1917 e 1919.

Quando ela foi libertada da prisão, descobriu que estava destruído tudo o que tinha construído lentamente ao longo dos anos junto com um pequeno grupo de anarquistas, incluindo Alexander Berkman (seu parceiro de vida, apenas brevemente seu marido). Mas isso não foi tudo, pois um processo de expulsão do país e perda da cidadania por motivos políticos foi iniciado contra ela, Berkman, e centenas de homens e mulheres que haviam se mobilizado contra a guerra.

Quando foi deportada para a Rússia, seu país de origem, dos Estados Unidos em dezembro de 1919, Goldman chegou entusiasmada e determinada a colaborar com a Revolução. Sua ânsia era tão grande que ela adotou uma posição de extrema cautela ao julgar o que viu: “Devo esperar”. Devo estudar a situação. Devo conhecer os fatos. Acima de tudo, devo ter a oportunidade de ver o bolchevismo em ação por mim mesmo” (Emma Goldman: Minha desilusão na Rússia, Barcelona).

Na verdade, ela procurou ter sua própria ideia da Revolução coletando informações e conversando com trabalhadores, camponeses e mulheres nos mercados. Suas dúvidas estavam relacionadas à preocupação e desconfiança geradas pelo destaque do Partido Bolchevique e pela personalidade de seu líder, Vladimir I. Lênin.

Ela aprendeu rapidamente a diferenciar entre Bolcheviques e Revolução. Percebeu que os dois eram opostos e antagônicos em seu objetivo e propósito e que os bolcheviques eram os coveiros da Revolução. Em junho/julho de 1920 ela já havia tirado as principais conclusões sobre o caráter da Revolução Bolchevique. O próprio Kropotkin, nas duas entrevistas que teve com Goldman (especialmente na segunda, em julho de 1920), transmitiu-lhe sua percepção de que a Revolução inicial trouxe o povo a alturas espirituais e profundas transformações sociais, mas o bolchevismo com sua política de opressão, perseguição e assédio tinha causado o seu fracasso.

Sua impressão de Lênin era negativa, ela percebeu um líder cuja abordagem ao povo era meramente utilitária, dependendo do uso que ele pudesse fazer deles para seu projeto. A liberdade de expressão e de imprensa, que Goldman sempre defendeu, não significava nada para ele.

Críticas e concepção da Revolução

Goldman e Kropotkin estavam cientes de que o anarquismo russo não havia conseguido dar respostas na fase construtiva da Revolução e propor a reorganização da vida em uma base libertária. Eles sabiam que a Revolução Bolchevique não era anarquista, pois tinha que provocar uma transformação existencial que era impossível de ser realizada após “séculos de despotismo e submissão”. Entretanto, o que ela conheceu da Revolução a desiludiu profundamente, pois observou a pouca relevância que o bolchevismo deu ao componente vital, algo tão importante para o anarquismo que renunciar a ele foi renunciar à forma como ele entendia a revolução.

O pensamento de Emma Goldman era global, já que todos os aspectos eram elementos que formavam um todo no qual havia uma fusão entre opções políticas e opções de vida. O anarquismo para ela era “uma forma de ser”, uma experiência vital, um compromisso existencial e ético, em vez de uma doutrina cuidadosamente acabada.

Não é surpreendente, portanto, que, embora ela se diferenciasse nitidamente do programa econômico, político, social e cultural que está sendo desenvolvido pelo bolchevismo, Goldman insistiu nos aspectos humanos. Para ela, a grande missão da revolução foi uma transferência fundamental de valores. Uma transferência de valores sociais e humanos, considerando estes últimos como os mais importantes, já que constituíram a base de todos os valores sociais. Se as condições econômicas ou políticas fossem alteradas, mas as ideias e valores subjacentes fossem deixados intactos, a transformação seria superficial, não substancial. Os valores que implicaram uma mudança profunda foram o “senso de justiça, o amor à liberdade e à fraternidade entre os humanos, (….) a santidade da vida”.

Para Goldman, os novos valores, que deveriam ser a chave da Revolução, deveriam transformar as relações básicas entre os seres humanos e entre os seres humanos e a sociedade. Ela acreditava em um novo conceito de vida que poderia regenerar a mente e o espírito. O objetivo era estabelecer a importância da vida, a dignidade dos seres humanos e seu direito à liberdade e ao bem-estar. É desnecessário dizer, pois sua liberdade era um dos valores humanos fundamentais para vetar a tirania e a centralização do poder.

A Revolução tinha que ser o resultado do gênio criativo do povo, ela tinha plena confiança na espontaneidade e na cooperação, que “o interesse comum é a máxima de todo esforço revolucionário”. Enquanto o estado bolchevique era institucional e estático: ” (….) a natureza da revolução é, ao contrário, crescer, ampliar e expandir-se em círculos cada vez mais amplos (…); a revolução é fluida, dinâmica”.

As críticas de Goldman à Revolução Bolchevique foram diversas: a manutenção do Estado, o que para ela significou a derrota da Revolução, o foco excessivo no aspecto econômico, a repressão da criatividade e autonomia do povo em quem ela confiava plenamente, a repressão das opiniões pelas quais ela havia pago com prisão nos Estados Unidos e muitos outros aspectos.

Mas se algo pervertia todos os valores éticos fundamentais de sua concepção revolucionária, era o slogan que o fim justificava os meios. A experiência ensinou que os meios e métodos não podiam ser separados do objetivo final e que este último tinha que ser construído com o mesmo material que a vida que se persegue: “despojar os próprios métodos de seu componente ético equivale a mergulhar nas profundezas do amoralismo mais absoluto”.

Por trás deste slogan vieram mentiras, engano, hipocrisia, traição e assassinato.

Ela perguntou a si mesma a partir da dor causada pela violência: “Se a Revolução realmente tinha que se alinhar com tal brutalidade e crimes, qual era o propósito da Revolução? E não foi que ela partiu da inocência que a revolução não implicou em violência, mas teve que ter limites muito precisos que os bolcheviques não estavam respeitando:

“Nunca neguei que a violência é inevitável, e não vou dizer o contrário agora. Mas uma coisa é usar a violência em combate como um meio de defesa. É muito diferente fazer do terrorismo um princípio, institucionalizá-lo, dar-lhe a posição mais importante na luta social. Este terrorismo engendra a contrarrevolução e, com o tempo, torna-se contrarrevolucionário por si só”.

A violência, um fator inevitável na turbulência revolucionária, tornou-se na Rússia um hábito estabelecido, um hábito que era insuportável para ela.

Naturalmente, para o Partido Bolchevique qualquer sugestão sobre o valor da vida humana ou a importância da integridade revolucionária foi repudiada como “sentimentalismo burguês”. Em resumo, Emma Goldman percebeu que para o bolchevismo tudo era legítimo se servia à sua abordagem da Revolução, qualquer outra política era acusada de ser fraca, sentimental e traiçoeira à Revolução. Eles eram verdadeiros “puritanos sociais”, no sentido de que acreditavam que somente eles eram os escolhidos para salvar a humanidade.

Para este puritanismo bolchevique, a ênfase de Goldman de que não havia fóruns de debate, nem clubes, nem locais de reunião, nem restaurantes, nem mesmo salões de dança, deve ter sido escandalosamente perigosa. Quando ela contou a um amigo bolchevique (Zorin), ele respondeu: “Os salões de dança são locais de encontro de contrarrevolucionários. Nós os fechamos”. Foi provavelmente daqui que surgiu a frase frequentemente repetida de Goldman: “Se eu não posso dançar, não estou interessada na sua revolução”. A dança era um sintoma de uma vida cheia de alegria e vitalidade, enquanto que ela via a vida que o bolchevismo promovia como uma vida dura e intimidadora, uma vida sem cor ou calor, uma vida de repressão.

Kropotkin e Goldman decidiram em 1920 não denunciar a perversão totalitária da Revolução Russa; as razões: o assédio da Rússia pelos Aliados, mas também a inexistência de qualquer meio de expressão dentro do país. Kropotkin morreu em 8 de fevereiro de 1921 e manteve este silêncio. Goldman achou insuportável permanecer na Rússia: “Senti a obrigação de falar, por isso decidi deixar o país”. Em 1º de dezembro de 1921 ela deixou a Rússia na companhia de Alexander Berkman e Alexander Shapiro, com a ideia de denunciar os crimes cometidos em nome da Revolução. “Eu deveria me fazer ouvir sem ter em conta amigo ou inimigo”, escreveu ela em Minha Desilusão na Rússia, publicado em 1923.

Sobre a autora:

Laura Vicente é doutora em História pela Universidade de Zaragoza e professora do ensino médio. Seus livros incluem “Historia del anarquismo en España”. Utopía y realidad (Catarata, 2013), Mujeres libertarias de Zaragoza. El feminismo anarquista en la transición (Calumnia, 2017) e seu título mais recente, La revolución de las palabras. La revista Mujeres Libres (Comares, 2020).

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/el-rumor-de-las-multitudes/emma-goldman-revolucion-rusa

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Girando em cores
Sobe a bolha de sabão
– Gritos também sobem.

Mary Leiko Fukai Terada

[França] Lançamento: May Picqueray | May La Réfractaire | 85 anos de Anarquia

May Picqueray (1898-1983) é uma anarquista que não faltou a nenhum dos grandes eventos da história do século XX. Em 1921, ela enviou uma carta-bomba ao embaixador dos Estados Unidos em Paris, para protestar contra a execução da pena de morte de Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti.

Em novembro de 1922, ela é enviada pela Fédération des Métaux (Federação Metalúrgica francesa) – que era associada à Confédération Générale du Travail Unitaire (CGTU) – ao congresso internacional do Sindicato Vermelho, em Moscou. Lá, ela sobe na mesa e denuncia que, enquanto todos estão “enchendo a pança” no congresso, os trabalhadores russos estão passando fome. No final da refeição, ela canta Le Triomphe de l’anarchie (O Triunfo da Anarquia). Ainda na Rússia, ela se recusa a apertar a mão de Trotsky, a quem veio exigir a libertação dos anarquistas mahknovitas, que foram traídos pelo mesmo.

Durante a guerra civil espanhola, ela fabricou falsos documentos para transportar órfãos refugiados. Depois se envolveu nas mobilizações de Larzac e Creys-Malville trabalhando a favor dos “objetores de consciência” (movimento que, entre muitas coisas, são contra o serviço militar).

Além disso, nada impediu a esta pequena bretã, que começou a trabalhar aos 11 anos, em se tornar revisora do famosíssimo jornal satírico francês Le Canard Enchaîné (criado em 1915 e que segue nas atualidades), trabalhando lado a lado com Sébastien Faure, Nestor Makhno, Emma Goldman, Alexandre Berkman, Marius Jacob…

É um livro sobre uma réfractaire a todas as injustiças e que nos estimula a não perder a esperança sobre os seres humanos.

MAY PICQUERAY | MAY LA RÉFRACTAIRE | 85 ans d’anarchie

336 páginas — 10 €

editionslibertalia.com

Tradução > Ligeirinho

agência de notícias anarquistas-ana

O ar. A folha. A fuga.
No lago, um círculo vago.
No rosto, uma ruga.

Guilherme de Almeida

[Reino Unido] O projeto do livro Anarquismo e Punk

Por Jim Donaghey em Ballymoney, Irlanda do Norte, Reino Unido

Porque Anarquismo e Punk?

Punk e anarquismo tem estado entrelaçados desde que o punk explodiu pela primeira vez no consciente do público geral uns 45 anos atrás, e embora a relação seja complicada (e nem sempre universal), o anarquismo tem sido identificado como a “companhia política primária” do punk (Worley 2017).

Mas, faltam investigações mais minuciosas das conexões entre anarquismo e punk. Foi sempre tomado como óbvio, ou perambula pelos fundos de outros assuntos de análise, ou é ignorado completamente. Nós vamos mudar isso, com a publicação de quatro livros sobre vários aspectos da relação entre punk e anarquismo.

Nossa “chamada pelos capítulos” no final de 2020 foi um grande sucesso, agora temos 96 colaboradores de todas partes do mundo trabalhando em capítulos para esses livros neste momento.

Porque precisamos de sua ajuda

• Custos de tradução

O alcance internacional deste projeto é crucial. Escrever sobre punk é ainda incrivelmente voltado para os contextos anglo-americanos, apesar da ampla proliferação do punk através do mundo. No espírito do internacionalismo e inclusão, muitos dos nossos colaboradores estão escrevendo nas suas línguas nativas (incluindo francês, português, espanhol, indonésio). Necessitamos de dinheiro para pagar pelas traduções destes capítulos para o inglês antes da publicação.

• Livros para nossos contribuidores

Nem os editores nem os escritores colaboradores estão recebendo dinheiro por este projeto, é um trabalho de amor (e raiva). Nós queremos enviar a cada autor uma cópia do livro que tem contribuído para criar – hoje em dia poucos projetos de publicações se dão o trabalho de fazê-lo. Temos 96 contribuidores espalhados por 5 continentes, precisamos de dinheiro para levar estes livros até as mãos destes autores.

• Subvenção de custos de publicação

Se não é barato não é punk! A cultura punk reconhece a importância de manter as coisas acessíveis. Active Distribution, como editora anarquista de raízes punk, segue esta lógica nas práticas editoriais. Mas quanto mais dinheiro arrecadarmos mais barato poderemos distribuir estes livros. Precisamos de dinheiro para fazer estes livros punk baratos.

Recompensas

Temos um monte de pacotes de contribuição, mas todos que doarem um mínimo de £5 terão seu nome impresso em cada livro. Você será famosx (um pouco).

Outras recompensas incluem livros sobre punk e anarquismo (fornecido pela Active Distribution), posters, acesso exclusivo a um podcast anarco-punk feito pelos editores do livro, e cópias grátis da nova série de livros Anarquismo e Punk.

Plano de publicação

Rascunhos de capítulos já estão chegando, porém deverão ser apresentados em Junho de 2021. Depois da avaliação, revisão, edição, formatação e correção, publicaremos os quatro livros em intervalos regulares, começando no final de 2021. Os títulos/temas dos livros são:

• Anarco-punk como uma cultura de resistência

• Anarquismo e punk em ação– iteração, prefiguração, e politização

• Engajamento crítico entre punk anarquismo e outras práticas políticas radicais

• Punks Anarquistas fazendo juntos – Produção cultural, espaços autônomos, DIY (faça você mesmo)

Outras formas de ajudar

Se você não pode contribuir, não se preocupe, pode nos ajudar contando para seus amigos (ricos) sobre o projeto.

>> Para colaborar, clique aqui:

https://www.crowdfunder.co.uk/the-anarchism-and-punk-book-project

Tradução > Diego Severo

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/11/27/reino-unido-anarquismo-e-movimento-punk-chamada-de-contribuicoes/

agência de notícias anarquistas-ana

Dentro da mata –
Até a queda da folha
Parece viva.

Paulo Franchetti

[Alemanha] Manifestação: Pela liberdade – pela vida!

Mumia Abu-Jamal faz 67 anos: Liberdade para Mumia – Liberdade para todos!

Manifestação em Berlim pelo 67º aniversário do Mumia. No 24 de abril, Mumia Abu-Jamal faz 67 anos. Durante 40 anos de prisão, ele tem sobrevivido a duas ordens de execução e numerosas tentativas de assassinato por negligência médica.

Nesse dia, queremos nos reunir, para preparar passos práticos para Mumia e todos os outros prisioneiros em luta por um lado, e por outro, para intercambiar nossas experiências nas várias lutas contra o racismo, o fascismo, a violência policial e a exploração (no trabalho e nos aluguéis).

Desde seus primeiros anos de juventude, Mumia tem lutado contra o racismo, a opressão, e a repressão do estado; no começo militando no partido dos Panteras Negras pela auto-defesa das comunidades afro-americanas contra uma violência policial que era tão mortal naqueles dias quanto o é agora, depois na auto-administração da educação e saúde nos bairros pobres de pessoas de cor, e posteriormente como jornalista reportando a corrupção das autoridades e repetidas vezes a brutalidade policial.

Mumia sempre tem feito seu trabalho desde a perspectiva do oprimido, o que lhe ganhou o apelido de “A voz dos sem voz”. Durante sua vida ele tem se aderido à essa perspectiva mesmo sob as mais adversas condições – nossa luta é por uma sociedade libertada para todos.

O estado da Pennsylvania, que tem encarcerado Mumia pelos últimos 40 anos em condições brutais e que tem torturado ele por anos com deficiência de atenção médica, é no entorno de 10.000 km daqui. Mas aqui também nos organizamos para terminar com a exploração de pessoas pelas mãos de pessoas e a destruição de nossa subsistência.

Embora estejamos sofrendo retrocessos e repressão no percurso desta luta, também chegamos a conhecer novas pessoas cheias de vida e idéias, e estamos enxergando constantemente que outro mundo é possível. Isto nos conecta com as lutas ao redor do mundo e também com Mumia.

Junte-se a nós no sábado 24 de abril de 2021 às 15 horas no Kiez. Rally na rua Weisestrasse entre “Lunte” e o “Sindikat” vivente!

Pela Liberdade – Pela Vida!
Liberdade para Mumia – Liberdade para todos!

freiheit-fuer-mumia.de

Tradução > Diego Severo

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/16/eua-saiamos-a-rua-por-mumia-abu-jamal/

agência de notícias anarquistas-ana

Estrelas no lago –
E então novamente o ruído
Da chuva fina que cai.

Hokushi

[Chile] Ação direta permanente

Nos últimos meses, o centro estético da urbe se converteu no epicentro da Revolta, isso teve como resposta do Estado, encabeçado nesse momento por Sebastián Piñera e “companhia”, a dar cada vez mais poder (mediante a lei burguesa), a Carabineros de Chile [policiais] e o G.O.P.E [Grupo de Operações Policiais Especiais]; dando-lhes a faculdade fática de transgredir nossa liberdade em todas suas formas, e inclusive nos privar dela sem nenhuma razão. Não são poucxs companheirxs privadxs de liberdade com motivo da Revolta, sua prisão é um lamentável recordatório de que ainda não temos justiça nem verdade, temos visto como o “governo” fez o impensado para nos afastar de nossa luta: tortura, mutilação, cárcere e morte é a resposta que de cima dão a nossas demandas, e sem dúvida na ditadura atual, temos que ser estratégicxs, observar que devemos buscar e brigar pela dignidade em todas as partes. Que nesses momentos surjam as organizações territoriais é algo indispensável, não só porque sócio-economicamente estamos em uma crise, e o apoio mútuo deve revestir todo lugar, senão que também porque devemos nos unir para dar golpes certeiros, e para nos unir, primeiro devemos estar organizadxs.

O protesto e a greve efetiva ao longo da história são a ferramenta mais eficaz que a classe trabalhadora usou no momento de exigir suas demandas, é por isso que durante o entardecer de hoje e dos próximos dias, as SEXTAS-FEIRAS SEJAM O DIA DA AÇÃO DIRETA PERMANENTE, chamamos a desobediência civil estratégica e solidária, não só confrontando o toque de recolher e as medidas de controle social, mas que nos solidarizando com nossxs vizinhxs, expandindo a cultura da Revolta nos territórios, nas periferias, exercer nosso direito legítimo de organizar o lugar onde vivemos, defender nosso território, e ir na mira de expulsar as forças repressivas do Estado.

Que a organização autônoma prolifere, e que geremos uma alternativa material contra o Estado, é nossa tarefa.

Temos que dar continuidade à Revolta, os processos de mudança são longos historicamente, é tarefa do povo seguir lutando!

Liberdade a nossxs companheirxs presxs por lutar!

Sindicato Ofícios Vários Santiago

Tradução > Caninana

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Pardas gotas de mel
Voando em torno de uma rosa
Abelhas

Luís Aranha

[Internacional] Chamado: Vamos reduzir o gasto militar • Defendamos as pessoas e o planeta

O mundo gastou 1,92 trilhões de dólares no militar em 2019, um aumento de 3,6% com relação ao ano anterior e a cifra mais alta desde o final da Guerra Fria. As cada vez maiores capacidades militares de nossos governos, em nome da segurança nacional, demonstraram ser completamente inúteis para defender a população frente à pandemia do COVID-19, e tampouco podem nos manter a salvo frente a outras emergências globais como a mudança climática. Ademais, como podem atestar as vítimas das guerras do Afeganistão, Iraque, Síria, Iêmen e outros muitos países, longe de resolver os conflitos, o militarismo só os agrava.

Os níveis atuais de gasto militar não só não proporcionam verdadeira segurança, mas que, de fato, obstaculizam qualquer solução justa e global aos problemas que reclamam com urgência nossa atenção. De fato, o poder militar com o qual nossos governantes estão tão comprometidos contribui para criar e manter as mesmas emergências, tensões e injustiças das quais se supõe que estes protegem a suas populações.

Portanto, exigimos que os governos de todo o mundo reduzam drasticamente seus gastos militares, especialmente aqueles que representam a maior parte do gasto total mundial, e que destinem os recursos liberados a setores orientados à segurança humana e comum, especialmente para fazer frente a pandemia do coronavírus e ao colapso eco social ao qual nos enfrentamos.

É o momento de reajustar nossas prioridades como sociedades e de adotar um novo paradigma de defesa e segurança que situe as necessidades humanas e ambientais no centro das políticas e dos orçamentos.

Temos que deixar de investir no militar se o que queremos é defender as pessoas e o planeta.

Une-te a nós no período de ação da GDAMS (Global Days of Action on Military Spending) de 10 de abril a 17 de maio!

demilitarize.org

Tradução > Sol de Abril

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livro aberto gelado
o norte geme no vento
sobre a página branca

Lisa Carducci

[Mianmar] “Estamos fazendo o que acreditamos e acreditamos no que fazemos”

O Food Not Bombs forneceu arroz e roupa para mais de 200 lares em Okkala do norte (região de Yangon).

Durante este tempo, muitos lares estão se enfrentando com problemas econômicos difíceis e é importante que nos apoiemos uns aos outros.

Mostrar unidade, apoio, amor e empatia entre todos e cada um de nós é uma arma espiritual vital. Com esta arma podemos construir uma nova sociedade e um mundo novo como desejamos, arrancando o sistema dos fascistas pela raiz.

Eu acredito que nossa revolução vai alcançar a vitória se todos cooperamos com as habilidades que temos.

Por outro lado, podemos preencher as necessidades dos lares com dificuldades enquanto estamos revolucionando.

Nós estamos fazendo o que acreditamos e acreditamos no que fazemos.

O sistema fascista deve cair.

Food Not Bombs Mianmar

#Solidarity #NotCharity #NotAuthority

Tradução > Diego Severo

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Num só cobertor
Órfãos num canto da rua
– Menino e gatinho.

Mary Leiko Fukai Terada

Anarquista, pioneira e revolucionária: Raio-x de Frederica Montseny, a primeira-ministra da história da Espanha

A jornalista Ariadna García Chas revisita em laSexta Clave a vida e a obra de Montseny, uma anarco-sindicalista que chegou ao Ministério da Saúde em 1936, durante a Guerra Civil. Ela propôs medidas tão revolucionárias, como o primeiro projeto de lei sobre o aborto na Espanha.

Na semana do 90º aniversário da proclamação da Segunda República, o informativo laSexta Clave fixa o olhar em Frederica Montseny. Há 90 anos, seu exemplo mudou a história da Espanha: ela foi uma líder anarquista e uma das principais figuras do movimento operário e, em 1936, durante o governo de Largo Caballero, tornou-se a primeira mulher ministra da Espanha: Ministra da Saúde e Assistência Social. Ela aguentou meio ano dirigindo o portfólio, em plena Guerra Civil.

Montseny cresceu em uma família anarco-sindicalista e isso teve influência na sua personalidade. No entanto, alguns anos antes de morrer, ela confessou em uma entrevista que houve outro acontecimento histórico que marcou essa veia ativista: a grande greve das mulheres de 1918 em Barcelona. Por duas semanas as mulheres paralisaram a cidade: fábricas, lojas e negócios. Tudo para protestar contra o aumento dos preços de produtos básicos após a Primeira Guerra Mundial.

Na época, Montseny tinha 13 anos. Aos 15 já era uma ativista “praticante”, e alguns anos depois ingressou na CNT, tornando-se uma figura muito relevante e visível na organização. Tanto que as crianças a chamavam de “a mulher que fala”. Ela também contou em entrevista realizada em 1991: “Os meninos, quando entramos nas aldeias, começaram a gritar: lá vai ela, lá vai a mulher que fala e o homem que a acompanha! Que foi um companheiro que veio comigo”. Em 1936, durante a Guerra Civil, Largo Caballero a nomeou ministra. Como você passou a ocupar essa carteira como anarquista?

Foi uma decisão difícil. Na verdade, ela não queria aceitar o cargo, a princípio. Seus pais também se opuseram, afirmando que estava virando as costas para seu passado anarquista. Mas um setor da CNT a convenceu, assim que ela mesma afirmou: “Supere todas as resistências íntimas e familiares e aceite dizer o que sempre me disse Mariano Vásquez, que era o secretário da CNT que substituiu Horacio Prieto: ‘Assuma o comando que você está mobilizada’. Em vez de ir para a frente, você vai para o Ministério”.

Foi assim que Montseny se tornou uma das líderes da Espanha por meio ano. E por seis meses ela tentou reformas muito relevantes e revolucionárias do Ministério. Por exemplo, “os liberatórios da prostituição”, que eram abrigos para mulheres que queriam largar a profissão para procurar outro emprego. Ela também tentou desenvolver o primeiro projeto de lei sobre o aborto da história da Espanha. Ela o escreveu, embora o Conselho de Ministros não o tenha aprovado. Na verdade, ela mesma admitiu não ser a favor, mas entendeu que se tratava de um “mal menor”.

“Largo Caballero, entre outros ministros, foi adverso à prática do aborto. Eu também fui adversa, mas aceitamos o aborto como um mal menor, nos casos em que levar a gravidez a termo representava um problema social, médico ou pessoal para a mulher que foi vítima dessa situação, de fato”, argumentou Montseny naquela entrevista de 1991. Deve-se notar que durante a guerra, ela optou pela evacuação de milhares de crianças da Espanha para a França, México ou União Soviética. Fazia parte do seu trabalho, mas também foi um grande arrependimento.

Ela o fez junto a outros líderes com a intenção de salvar as crianças da guerra, mas com a perspectiva dos anos percebeu que havia mandado muitas delas para a orfandade, e de muitas nunca mais se soube nada. Quando Franco e os conspiradores do golpe vencem na Guerra Civil, Montseny acaba no exílio, como centenas de milhares de republicanos. Ela cruzou a fronteira com a França acompanhada de sua mãe, que estava doente e foi transportada em uma maca, embora finalmente tenha morrido alguns dias após sua chegada. Alguns anos depois, quando os nazistas entraram na França, ela foi presa por ordem do regime de Franco.

Fonte: https://www.lasexta.com/programas/lasexta-clave/anarquista-pionera-revolucionaria-radiografia-federica-montseny-primera-ministra-historia-espana_202104156078a906339d990001594ae1.html

Tradução > Bellatrix Anarchy

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agência de notícias anarquistas-ana

chuva fina
o boi sobre o campo
sobre o boi o pássaro

João Angelo Salvadori

[Espanha] Lançamento | Documentário | “Durruti: Hijo del pueblo”

Sobre o documentário

“Durruti: Hijo del pueblo”, aborda a vida do libertário leonês Buenaventura Durruti do qual existe numerosa bibliografia mas escassas produções audiovisuais.

Através de diferentes recursos como recriações, animações, entrevistas a seus familiares, testemunhos de historiadores nos adentraremos em uma trama histórica que vai desde a greve de 1917 até a revolução social de 1936 passando pelo auge da CNT, os anos do pistoleirismo patronal, a ditadura de Primo de Rivera, a II República e a Guerra Civil.

>> Assista ao teaser (04:37) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=GdSvABTVZOY&t=5s

Título original: Durruti: Hijo del pueblo

Ano: 2021

Duração: 94 min.

País: Espanha

Direção: Gonzalo Mateos

Música: Sergi Fábregas, Xavi Nota

Distribuição: Documental

Produtora: ACATS

Gênero: Documentário | Biográfico

ACATS, Associação Coletiva Audiovisual pela Transformação Social, é uma produtora audiovisual autogestionada que reúne várias criadoras do mundo do documentário para compartilhar recursos e gerar conteúdo livre de censura. Seus sinais de identidade são a desobediência cultural, solidariedade e microfinanciamento.

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Não tenho dinheiro no banco,
Porém,
Meu jardim está cheio de rosas.

Carlos Drummond de Andrade

[Rússia] Um evento comemorativo dedicado ao 100º aniversário da morte de Kropotkin será realizado em Dmitrov

8 de fevereiro de 2021 marca o 100º aniversário da morte de Pyotr Alekseevich Kropotkin, o grande anarquista, cientista, revolucionário, filósofo. Durante este tempo, muitos pesquisadores avaliaram a contribuição de Kropotkin para vários campos da ciência relacionados ao estudo da Terra, apresentaram sua doutrina da futura comunidade de pessoas livres e iguais vivendo de acordo com seus princípios, sua interpretação da Revolução de Outubro e inevitavelmente aqueles eventos subsequentes.

Compreendendo que longe de tudo que foi falado sobre Kropotkin, que seu legado continua a despertar grande interesse, o Museum-Reserve Dmitrov Kremlin está realizando um ato comemorativo no dia 23 de abril de 2021 na cidade onde ele passou seus últimos anos de vida.

No âmbito do evento, está previsto:

• Conferência Científica Internacional “Olhe para a Terra como um Todo Vivo”.

• Excursão aos locais de Kropotkin na cidade de Dmitrov, com colocação de flores no monumento à P.A. Kropotkin.

• Tour da exposição da casa P.A. Kropotkin “Período Dmitrov da vida de P.A. Kropotkin”.

As inscrições para participação como ouvintes são aceitas até 20/04/2021 no endereço de e-mail:  kropotkin@dmmuseum.ru

dmmuseum.ru

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Lanternas quebradas
pirilampos precavidos
não vagam na noite.

Urhacy Faustino

[Internacional] “Radical May” para transformar o mundo

“Radical May” (Maio Radical) traz autores e editoras de todos os continentes para um programa inspirador e multilinguístico em mesas redondas, conversas e debates com alguns dos maiores pensadores radicais.

Com eventos ocorrendo em diferentes zonas de tempo e em diferentes línguas, falamos com uma audiência de pessoas e organizações do mundo todo, esses desejam desafiar os sistemas sociais e econômicos para a organização de um futuro radical e melhor.

A nova crise no capitalismo causada pela pandemia do Covid-19 tem afetado profundamente nossa sociedade. Hoje, a necessidade de um pensamento de esquerda e crítico é mais importante que nunca para combater tanto a ascensão da extrema direita quanto a crise da pandemia.

>> Mais infos: radicalmay.com

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na poça da rua
o vira-lata
lambe a lua

Millôr Fernandes

[Grécia] Contra a censura da arte

Por União dos Verdes Libertários

No mundo inteiro, autoridades, quer fossem chefes de Estado ou líderes religiosos, tentaram – e conseguiram – muitas vezes censurar a arte. Nos dias sombrios da história, na época dos regimes de extrema direita, a arte foi um dos primeiros alvos dos governos. Pois, como disse Ronald Harwood, “só as tiranias percebem o poder da arte”.

Na Grécia, durante o fascismo, um dos critérios “proibitivos” era a presença de nudez nas pinturas, que eram quer proibidas de exposições (como os nus de Dekoulakos que eram consideradas em 1973 como ofensas à decência pública pelos visitantes e pela polícia), quer destruídas (como as de Hatzinikos que foi condenado em 88). Além disso, as cenas eróticas ou de nudez eram consideradas ofensivas e, portanto, proibidas mesmo nos filmes dos anos 70.

Durante a ditadura, livros de autores como Dostoievski, entre outros, e o ensino do Epitáfio de Péricles de Thucydide, da República de Platão e do Antígono de Sófocles foram proibidos por causa de suas ideias subversivas. Os livros considerados uma afronta à religião ou à pátria deixaram de ser publicados e seus autores foram presos. Além disso, as canções de Theodorakis tiveram sua difusão proibida, porque eram vistas como “perigosas”, assim como outras – com letra revolucionária ou anarquista/de esquerda – como as obras do poeta Ritsos. Nos anos 80, filmes com conteúdo político foram censurados, como “O Homem com o Cravo”, sobre Belogiannis, ou outros que ofendiam a religião, como “A Última Tentação” de Kazantzakis.

Agora, em 2021, nossas autoridades decidiram, seguindo uma diretiva europeia, restabelecer a censura na arte com uma nova lei que proíbe de publicar na Internet qualquer material de um criador(a)-artista ou qualquer usuário(a), se “incluir incitação à violência ou ao ódio e incitação pública a um crime terrorista, caso contrário ele ou ela será processado.”

Quem decidirá o que constitui incitação à violência, uma vez que artistas já foram presos na Europa por forças especiais por letras que diziam “Não conseguirão me dobrar”, porque viram isso como incitação ao terrorismo? Isto lembra bastante a proibição, durante a Junta, de músicas por letras perigosas ou referências à polícia. Além disso, críticas às políticas de outros países fizeram com que vários(as) artistas fossem processados por expressarem “ódio político” contra aqueles países. É óbvio que esta lei é suficientemente vaga para que possam censurar qualquer coisa que vá contra a ideologia do Estado e a propaganda de países seguros com democracia policial e cidadãos pacíficos.

Chegarão ao ponto de dizer novamente que palavras, pinturas, filmes, literatura são perigosos? Que incitam e seduzem? Que podem inspirar? Pois é o que fazem. Toda arte foi, é e será perigosa. Porque tem o poder de trazer mudanças. Uma ideia se tornar discurso, poesia, pintura, livro, filme. E pode, por sua vez, alimentar a esperança, gerar raiva, revolução, criar liberdade. Porque a arte é a forma mais sincera de pensamento humano que pode falar profundamente aos corações e mentes de toda a sociedade. A arte pode invadir sem armas, sem violência, sem política e sem retórica, porque é uma das armas mais perigosas. E todas e todos os artistas sabem disso. Assim como os líderes. Se têm medo da arte, vamos mostrar-lhes o quanto estão certos.

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1610332/

Tradução > Alainf_13

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ipê amarelo
até a calçada
floresce

Ricardo Silvestrin