[Espanha] Concha finalmente recupera seu pai, Claudio Doroteo Diéguez Loza, filiado à CNT

Por Grupo de Memória Histórica – Secretaria de Cultura do Comitê Confederal

Concha Diéguez, depois de ter ido a todas as instâncias oficiais e encontrar-se com um grande muro institucional, consegue dar a seu pai um enterro digno.

Claudio Doroteo Diéguez Loza, natural de San Asensio em La Rioja, trabalhou como foguista na ferrovia Miranda de Ebro. Ele havia solicitado uma transferência para Alsasua. Ele foi promovido a maquinista. “Naquele dia ele estava trabalhando em Miranda, onde o mandaram matar”, lembra-se sua filha.

Filiado à CNT, foi acusado de colocar cartazes em 1931 contra os assassinatos nas Astúrias, bem como de fazer campanha para o voto das mulheres nas eleições.

Segundo sua filha, Claudio Doroteo tinha acabado de chegar a Alsasua e estava sentado em um banco em um parque. Eles o levaram para a prefeitura para verificar seus documentos; como tudo estava em ordem, eles iam libertá-lo, quando alguns requetés o impediram com acusações e o transferiram para a prisão de Alsasua em 13 de setembro de 1936.

Nessa mesma noite, ele foi levado com outros três homens em um caminhão. Como ele não queria sair, atiraram nele bem ali. Enterrados gravemente feridos em uma cova em Sozarreta, segundo testemunhas, vários cães desenterraram os corpos e tiveram que ser enterrados de novo.  Anos mais tarde, quando a estrada foi ampliada, os trabalhadores encontraram restos humanos. Eles os depositaram à mesma altura que haviam sido encontrados e derramaram cascalho e asfalto sobre eles. Entretanto, esta hipótese foi desmentida quando os restos mortais de Claudio Doroteo foram identificados entre os restos mortais das vítimas jogados no abismo de Otsoportillo em Urbasa.

Finalmente, Concha Diéguez segura em suas mãos os restos mortais de seu pai. Da CNT, compartilhamos a alegria desta grande mulher que alcançou o que ela tanto anseia há anos.

Somos gratos por sua imensa perseverança, pois não só recuperou Claudio Doroteo, como também parte de nossa história, aquela história de homens e mulheres que enveredaram por um caminho marcado por ideais de justiça e pelos quais seguimos seus passos hoje.

>> Vídeo:

https://t.co/sPESNhhzcf

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/concha-recupera-por-fin-a-su-padre-claudio-doroteo-dieguez-loza-afiliado-a-cnt/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

serra nevada,
cumes tocam o céu –
nuvem furada

Carlos Seabra

[Porto Alegre-RS] Crônica Subversiva N. 6 | Primavera-Verão 2020

Para a grande maioria viver ficou reduzido a respirar, e o Inimigo bacteriano personificou o medo. E não é que não seja imprescindível respirar, é que viver, viver mesmo, precisa de mais. Ao final, a vida não é apenas biológica. Para viver, com tudo o que a vida significa, precisamos do sangue correndo nas veias pela emoção de estarmos ativos. Não é a toa que lutamos contra as prisões, contra a escravidão e contra a exploração, todas elas formas de roubar a vida das pessoas ainda que permitindo elas respirar.

Essa tensão entre sobreviver e viver, no entanto, foi apenas uma das viradas na “nova” normalidade imposta. A tergiversação de práticas subversivas como a solidariedade, que parecer estar sendo esvaziada do seu conteúdo subversivo, e a rapinagem sobre as revoltas que as conduz para o cenário estadista nos demandam algo mais.

Se a guerra como horizonte controla as populações e as ilude com a ideia de estar lutando “juntos” contra algo (no caso o Covid-19, a política humanitária evade o problema da desigualdade social e a “resolve” com a “ajuda” humanitária (filantropia, caridade, “solidariedade”) decepando, com essa jogada chave, o inconformismo com a “normalidade” em que uns possuem tudo e outros nada. Se amortece assim as possibilidades de rebelião, já que se provoca uma idéia falsa de unidade e de “agradecimento”, que conduz para um conformismo. Tratas-se de uma política altamente perigosa porque apazigua, mediante a suposta compaixão do opressor que ajuda ou “se solidariza” com aquele que oprime, quem fica, de alguma forma, “agradecido”, mas sobretudo dependente; e porque é uma política extremadamente hipócrita (os mesmos que oprimem fazem milionárias doações).

Deixamos claro que a solidariedade anárquica não tem nada a ver com isso, ela surgiu como a resposta rebelde diante das desigualdades sociais, das repressões e diante de chamados de afinidades para confrontar os dominadores, práticas antes que nada horizontais e que não evitam o conflito, muito pelo contrário o aguçam. Muito distante de “ajudar” alguém “mais vulnerável” e distante, (prática que já situa o “apoiador” num patamar “melhor” quando não “superior”), a solidariedade é estarmos uns pelos outros numa prática horizontal que nos aproxima em dignidade e cumplicidade.

“Não consigo respirar”…  Foram as palavras com as que morreu George Floyd asfixiado por um policial em Minneapolis e não pelo Covid-19, e filmado ao vivo por alguém que decidiu fixar sua morte nas redes “sociais” a maneira de denúncia. Também João Beto, em Porto Alegre, parou de respirar, asfixiado pelas Forças da Ordem. Dois assassinatos que escancararam que a vida tem inimigos permanentes que estão aí antes, durante e depois da pandemia. E que viver, contudo e respirar, depende fortemente da luta contra esses inimigos permanentes e não somente de atravessar uma doença.

Foi esse não puder respirar que ecoou pelo mundo e que não se referia apenas à vida biológica, mas a vida livre, o que detonou, mais uma vez, a beleza das revoltas, do fogo da vingança, da destruição da mercadoria, já que é em nome dessa mercadoria que muitos deixam de respirar: baleados, queimados, congelados, conformados a viver na servidão voluntária.

Nesses impulsos de contestação, a vida continua sendo essa caótica beleza imponderável, uma totalidade (social, política, cultural, territorial, significativa) irredutível às cifras e dados estatísticos, irredutível à existência apenas biológica. Anárquicos como somos não podemos esperar menos do que o fim da ordem imposta (a nova e todas suas versões) porque sabemos de sobra que o capitalismo mundializado e a artificialidade cada dia maior da vida, fazem impossível qualquer melhoria, qualquer reforma, paliativos que desviam as possibilidades da destruição das estruturas existentes.

Já nos lembra disso uma nova constituição no continente, que apagou e apaziguou uma revolta construída com afinco e permanente confrontação. O poder é abutre faminto procurando a carne morta dos rebeldes arrependidos que acreditam ingênuos na mudança social desde a máquina de dominação.

Na encruzilhada atual não se trata apenas de se posicionar contra o fascismo, frase clichê que longe de lutar contra os totalitarismos apenas procura tiranos com mais diplomacia, mas de decidir se queremos respirar ou viver, se nos conformamos com as regras da máscara e os novos experimentos sociais ou tomamos o capuz subversivo que nega a dominação antes durante e depois desta e de qualquer pandemia.

E foi nos protestos nos quais se respira o mesmo ar, cheio de gases, nos quais as mãos se juntaram se passando pedras, se ajudando a pular ou quebrar algum templo da mercadoria, nos quais todos bebem a mesma água e compartilham vinagre e bicarbonato, nos quais o olhar era de cumplicidade e não de medo, que a vida, essa vida que corre, e luta com ferocidade contra a dominação, que aqueles que amam a liberdade quebraram a imposição do isolamento “social”, e encapuzados!

Crônica Subversiva | Primavera, 2020.

C O N T E Ú D O:

PALAVRAS DE INÍCIO:

Entre o capuz e as máscaras

ARTIGOS:

– Covid-19: a Anarquia em tempos de pandemia. Gustavo Rodriguez desde algum lugar do planeta Terra.

– Reflexões sobre a Pandemia do Covid-19.  Coletivo Tapuru Punk , desde o Belém do Pará.

A revolta é Reproduzível e Contagiosa. Publicação Madre Tierra, desde Santiago do Chile

As revoltas em tempos de Pandemia. Uma breve cronologia

MEMÓRIA COMBATIVA:

Natalino Rodrigues: Anarquista de ação, um indomável, um padeiro agitadorArmando Guerra.

UMA FLAMEJANTE CLAREZA:

São Carlos: Fogo na liberdade plástica.

Cordisburgo. O pixador sem amnésia!

São Paulo. Fogo da Vingança

De ambos lados da cordilheira, o fogo das barricadas pelos que não recuam!

5G

Fogo nos racistas

PELA TERRA CONTRA O CAPITAL:

Atualização das retomadas:

Despejo do Quilombo Campo Grande

A luta dos Mapuche contra o Estado Chileno

É fogo!

Uruguai. Contra construtora do Trilho do Trem da UPM

RESENHAS:

Belém do Pará: Encontro Punk Amazônia Em Kaos

Como vivimos desde la Anarquía la lucha y los disturbios

por el poder en Bolívia

Foge Cara, Foge! Xosé Tarrío Gonzalez.

Amazônia em Kaos: relatos punks abaixo da Linha do Equador.

Jaddson Luiz S. Silva, Joker Índio, Johnny Hardcore Nihil, Marina Knup, Mauricio Remígio, Valo Velho

Das ruas

KATAKLISMA:

Mônica Caballero e Francisco Solar. Cara a cara com o inimigo mais uma vez

Gabriel Pombo da Silva

Atualizações: Indonésia, Bielorrússia, Rússia. Caso da Rede.  Ilya Romanov em Liberdade!

Rebeliões nos Presídios

Link para baixar a publicação:

https://mega.nz/folder/8jJm3RxI#7RICZPTHEadEpUXaqNYcAQ

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Também para as pulgas
A noite deve ser longa
E solitária.

Issa

[Argentina] Novo título de “Utopía Libertaria”: “Evolución, Revolución y el ideal anárquico”

Amigas, amigos, companheiras e companheiros:

Temos a alegria de comunicar a saída da gráfica de um novo título da coleção e cuja apresentação, realizada junto com Horacio Silva e a Biblioteca Popular José Ingenieros, pode-se ver no vídeo com o link que aqui copiamos:

https://www.youtube.com/watch?v=RzSSdybUE7E.

Se trata do clássico de Elisée Reclus Evolución, Revolución y el ideal anárquico

Nesta edição se utilizou as ilustrações e vinhetas da edição de I libri di Anarchia –publicada em italiano na Buenos Aires de 1930 – aos cuidados de Severino Di Giovanni. Também se conservou traduzido ao espanhol, o texto de Luigi Galleani, Impresioni e Ricordi, que fora publicado como obituário em Cronaca Sovversiva, de 15 a 29 de julho de 1905 e reproduzido, como introdução, em dita edição. Agradecemos as valiosas colaborações de Ángela Di Tulio, Frank Mintz, Aldo Brandani, Alberto Amoroso e Marina Legaz Bursuk, sem cujas diversas colaborações não teria sido possível levar este projeto a bom termo.

“Evolucionistas em todas as coisas, somos igualmente revolucionários em tudo, sabendo que a história mesma não é outra coisa que a série de realizações que sucedem as preparações. A grande evolução intelectual que emancipa os espíritos tem por consequência lógica a emancipação, de fato, dos indivíduos em todas as suas relações com os outros indivíduos. Assim, podemos dizer que a evolução e a revolução são dois atos sucessivos de um mesmo fenômeno; a evolução precedendo a revolução, e esta precedendo a uma nova evolução, mãe de revoluções futuras. Pode produzir-se uma mudança sem produzir um súbito deslocamento no equilíbrio da vida?

A revolução não deve suceder necessariamente a evolução, assim como que o ato sucede a vontade de atuar? Uma e outra não diferem mais que pela época de sua aparição. Um desmoronamento obstrui um rio, as águas se acumulam pouco a pouco detrás do obstáculo e, por uma lenta evolução, se forma um lago; logo, repentinamente, águas abaixo, se produz uma infiltração no dique e a queda de uma pedra decidirá o cataclismo. O obstáculo será arrastado violentamente e o lago esvaziado voltará a ser rio.

Assim haverá ocorrido uma pequena revolução terrestre”.

Élisée Reclus

Libros de Anarres

Avenida Rivadavia 3972

Cidade de Buenos Aires [4981-0288]

librosdeanarres.com.ar

Tradução > Sol de Abril

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O canto do rouxinol
E seu biquinho —
Aberto.

Buson

[França] A anarquista que agora faz parte do metrô de Paris

Revolucionária, feminista e ícone anarquista, Louise Michel é uma das únicas mulheres francesas com seu nome numa estação de metrô.

Louise Michel (1830-1905) foi uma importante figura na Comuna de Paris de 1871, uma milícia radical de esquerda que tomou o poder na capital e governou por dois meses.

Anarquista e feminista, Michel convocou as massas a pegarem em armas contra o governo.

A Comuna de Paris é reconhecida como um dos quatro grandes eventos que moldaram a França moderna. As mulheres desempenharam um papel central na Comuna, organizando, levantando barricadas e lutando.

Quando a Comuna foi derrotada, cerca de 20 mil participantes das revoltas foram executados.

Michel foi uma das que foi poupada e deportada, passando anos no território francês ultramarino da Nova Caledônia. Em 1880, o governo concedeu anistia a ela e a outros participantes da Comuna.

Ela retornou à França ainda cheia de paixão revolucionária, que ela continuou a espalhar até ser presa em 1890 e, em seguida, mudar-se para Londres.

Fora de suas atividades mais revolucionárias, Michel abriu uma escola em Paris, em 1865, a qual foi reconhecida por seus métodos progressistas.

Ela também se correspondeu com Victor Hugo, o famoso autor francês, e publicou algumas poesias.

Quando ela morreu, em 1905, seu funeral reuniu mais de 100 mil pessoas.

Michel foi a única mulher francesa a ter uma estação de metrô batizada com seu nome (embora Marie Curie, nascida na Polônia, tenha uma estação nomeada ao lado do marido Pierre; e Simone Veil também nomeie metade de uma estação).

Fonte: https://www.thelocal.fr/20201208/france-figures-louise-michel

Tradução > Erico Liberatti

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Uma quaresmeira
roxeia o cerrado.
Dói um coração.

Onofra

[França] Apoio às duas pessoas atacadas em 12 de dezembro em Lyon

Comunicado do grupo Graine d´Anar, membro da Federação Anarquista

O grupo “Graine d’Anar” da Federação Anarquista dá seu apoio às duas pessoas, membros da associação PESE (Pela Igualdade Social e Ecologia) e também membros do “Solidaires” de Rhône, covardemente atacados em 12 de dezembro em frente à Livraria “La Plume Noire” por um grupo de indivíduos aparentemente da extrema-direita de Lyon.

Neste período particular, em que o ódio, a delação, as ideias de extrema-direita estão em voga e banalizadas, este ataque em um local em que ocorria uma arrecadação de fundos para ajuda mútua solidária, em particular dirigida à famílias de exilados, é uma demonstração da impunidade com a qual contam hoje os bandidos fascistas.

Lembremos que Lyon é a capital francesa de pequenos grupos reacionários e que estes possuem, com o consentimento da Câmara Municipal e da sua polícia, instalações a partir das quais podem planejar e executar as suas brutalidades racistas e outras agressões a militantes revolucionários. Não cederemos ao medo que desejam instilar e permaneceremos unidos e mobilizados para lutar contra sua ideologia.

Estaremos sempre ao lado de quem luta passo a passo contra os ódios crescentes. Anarquistas, acreditamos que é através da solidariedade que vamos mudar o mundo e as relações entre os humanos.

O fascismo é como gangrena, ou você acaba com ele ou você morre! Vamos acabar com a tolerância criminosa aos abusos da extrema-direita em nossas ruas!

Grupo Graines d’Anar da Federação Anarquista

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/12/16/franca-solidariedade-com-nossos-camaradas-vitimas-de-agressao-e-violencia-fascista/

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Chuva de verão.
Os pingos batem
Nas cabeças das carpas.

Shiki

[EUA] Defesa Militante Contra Despejo e Polícia em Portland

Militantes em Portland, Oregon, atacaram bastardos [policiais] com pedras, usaram extintores contra eles e danificaram veículos policiais em defesa de uma família negra e indígena ameaçada de despejo.

A ação de defesa coletiva ocorreu enquanto milhares de pessoas em Oregon e em todo o país enfrentam o despejo com uma moratória sobre os despejos causados pela pandemia, que deve expirar dentro de semanas em Oregon. As proteções federais aos locatários também devem expirar em 31 de dezembro, uma vez que os políticos não fizeram nenhuma tentativa para impedir as pessoas de perderem suas casas, e os casos e mortes de COVID continuam aumentando.

Desde o início do levante de George Floyd, Portland tem sido local de militância quase contínua contra a polícia.

Um grupo de camaradas há meses defendeu a casa apelidada de “Casa Vermelha no Mississippi” porque fica na Avenida North Mississippi – a fim de se oporem à gentrificação e ao despejo da família negra e indígena em setembro.

A casa pertence à família Kinney desde a década de 1950, de acordo com o site do grupo Red House on Mississippi que se defende contra o despejo.

Os Kinneys pagaram sua casa, mas fizeram uma nova hipoteca para pagar os advogados de defesa depois que um membro da família foi preso em 2002, disse o grupo Red House on the Mississippi.

A casa teve a hipoteca executada e foi vendida a um investidor em um leilão de 2018, de acordo com o grupo.

A família argumentou no tribunal que a moratória de despejo em vigor até o Ano Novo deveria se aplicar ao caso, mas um juiz em setembro concluiu que não se aplicava porque seus problemas começaram antes da pandemia.

O proprietário reacionário da Casa Vermelha reclamou que as pessoas estavam invadindo e os bastardos apareceram antes do amanhecer e prenderam sete pessoas.

Após as prisões e os confrontos, os militantes na tarde de terça-feira usaram ferramentas elétricas para montar uma barricada com cercas de arame, entulho e paletes de madeira para bloquear o acesso da rua à casa. Os manifestantes também penduraram cartazes dizendo “Pare com as execuções hipotecárias” e “Sem jurisdição”.

Militantes atiraram pedras, balões cheios de tinta nos bastardos, quebraram a janela de um veículo da polícia e esvaziaram os pneus dos veículos.

Os bastardos deixaram a área por volta das 10h e, desde então, ela foi barricada e ocupada por cerca de 100 camaradas.

À medida que mais e mais pessoas em todo o país são ameaçadas de despejo, essa militância fornece um exemplo de defesa coletiva eficaz contra as forças de repressão do Estado.

Fonte: https://www.amwenglish.com/articles/eviction-stopped-by-militant-collective-defense-in-portland/

Tradução > A. Padalecki

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Ao perder as flores
Com o templo se confunde
A cerejeira.

Buson

[Espanha] O campo de batalha das ideias e das artes

Sua vida foi uma contínua andança, um ir e vir incessante no campo de batalha das ideias e das artes, sempre apaixonado e curioso, duas virtudes dos grandes homens.

As crônicas de ontem o definem como militante anarquista e anarcossindicalista e falam de seus primeiros passos na vida. De pais burgaleses muito humildes – seu pai era obreiro nos Altos Fornos –, teve cinco irmãos, estudou em um colégio de monjas, com os Salesianos e com os Irmãos da Doutrina Cristã até 1932. Depois se pôs a trabalhar de auxiliar um tempo até que foi despedido. Teve então mais tempo e depois de ler a Faure, Büchner, Ibarreta e as revistas anarquistas da época, abandonou as ideias religiosas e militou nas Juventudes Libertárias.

Em 1933 se filiou ao sindicato El Yunque, da Confederação Nacional do Trabalho (CNT) de Barakaldo. Nessa época, colhendo uvas na Rioja, conheceu os calabouços por fazer grafites abstencionistas, participou nos protestos dos desempregados que o levaram quatro meses à prisão em 1934, foi delegado do Grupo de Defesa Confederal Carabina e teve por mestre na ação o comandante Jesús Escauriaza, chefe do batalhão Malatesta na Guerra Civil.

Em 1935 fez parte do Comitê das Juventudes Libertárias de Bizkaia e em abril desse ano o encarceraram em Larrinaga por portar uma pistola. Em fevereiro de 1939 se exilou em Le Perthus na França e sofreu os estragos dos campos de Argelès e de Gurs. Em julho de 1947 foi membro do Subcomitê Nacional da CNT em Toulouse pela regional do Norte. Nesta época foi administrador e correspondente de España Libre até que em 1954 regressou a Bilbao.

Foi até então uma vida salpicada de estilhaço, fulgor e estrondo. A partir dos anos sessenta, já exerce como secretário da Associação Artística Vizcaina e mais tarde secretário, também, da Sociedade El Sitio, ambas entidades localizadas em Bilbao. Em abril de 1972 passou a trabalhar na qualidade de gerente na Livraria Herriak, aquele projeto cultural tão apaixonante do qual pôde considerar-se cofundador.

Em 1996 escreveu suas memórias, em um livro intitulado Un anarquista de salón. Narra em 219 páginas sobretudo suas peripécias idealistas. Junto com Elena Andrés, compartilhou aficção pelas coisas belas que lhes proporcionava a arte, a literatura, o cinema, a música, o teatro e outras artes até sua morte, em maio de 2007.

PROTAGONISTA: EMILIANO SERNA

Gesta: Foi membro destacado da CNT. Esteve prisioneiro nos cárceres franquistas e na França e foi secretário da Associação Artística Vizcaína e da sociedade El Sitio, além de cofundador e gerente da livraria Herriak a partir de abril de 1972 e tertuliano do café Mauri e de La Concordia.

Fonte: https://www.deia.eus/vivir-on/contando-historias/2020/11/14/campo-batalla-ideas-artes/1078511.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Entre as antenas
E as casas todas iguais –
Quaresmeiras!

Paulo Franchetti

 

[Chile] Bandeiras Antifascistas em promoção solidária

As e os antiautoritários, anarquistas e rebeldes que não acreditamos em hierarquias nunca tivemos por trás de um partido, de uma grande autoridade, de empresários ou a burguesia que financiem a revolta ou uma insurreição. Sempre fomos nós mesmos que na correria da solidariedade e do apoio mútuo buscamos as alternativas para continuar propagando as ideias ácratas e ajudar os nossos companheiros que precisam do nosso impulso.

Continuando com essa lógica decidimos realizar essas bandeiras antifascistas de 92×62 para gerar recursos para diversas instâncias solidárias e continuar ativando a propaganda horizontal.

Estaremos vendendo estas bandeiras a $3500 serigrafada a duas cores para continuar a manter viva a chama da revolta.

Para os companheiros que desejem contribuir para este projeto solidário e queiram adquirir estas belas bandeiras avisam-nos e coordenamos.

Saudações (A)

Bandeira Antifascista tamanho 92×62 cm

Serigrafada 2 cores (branco e vermelho)

Valor $3500

Fuego Editorial

agência de notícias anarquistas-ana

Seus cachos de seda
são borboletas douradas
brincando na brisa.

Humberto del Maestro

[Espanha] Luzes natalinas

Por Rosa Becerro

Me enche de raiva e indignação saber que as prefeituras de todas as cidades do Estado espanhol gastaram milhares de milhões de euros na iluminação natalina enquanto milhares de famílias não podem utilizar os abastecimentos básicos como são luz, água e calefação porque não podem pagar as abusivas faturas que gera seu uso. Algo que deveria estar garantido para todas as famílias, especialmente nas que há menores, pessoas doentes, anciãos ou com alguma deficiência. Como deveria estar garantido o direito a uma moradia digna, tal como marca o artigo 47 da Constituição Espanhola.

Me enche de raiva e indignação ver como alguns prefeitos competem para que sua cidade seja nomeada nos noticiários como a que mais gastou na iluminação natalina, enquanto milhões de meninos e meninas a única refeição que podem fazer ao dia é a que recebem no colégio e que, nos períodos de férias, perdem o direito a essa refeição.

Me enche de raiva e indignação que as astronômicas quantidades de euros desperdiçados na iluminação natalina não tenha sido investida em saúde, em educação, em pesquisa, em moradias dignas e acessíveis, em assegurar os abastecimentos básicos e essenciais para a saúde e a vida dos milhões de famílias em situação de risco, de exclusão social, em garantir alimentos necessários para as pessoas vulneráveis…

Me enche de raiva e indignação comprovar como a cidadania abarrota as ruas, apesar do frio, da chuva e da crise econômica, para deleitar-se com as luzes natalinas, mas não abarrota essas mesmas ruas para exigir a seus Governos, prefeitos e prefeitas, presidentas e presidentes de sua Comunidade que esse dinheiro de todos os contribuintes não se desperdice em luzes multicores que iluminem as ruas mais centrais e transitadas uns poucos dias ao ano enquanto milhares de famílias em suas casas se veem obrigadas a iluminar-se com velas, porque esses mesmos Governos, Prefeituras e Comunidades Autônomas permitiram que as companhias elétricas lhes cortassem o abastecimento de energia ao não poderem fazer frente às faturas, já que as receitas econômicas são escassas e inclusive inexistentes em milhares de milhões de lares.

Me enche de raiva e indignação que um punhado de luzes natalinas nos impeçam de ver que durante uns dias nossas cidades desfrutem de uma iluminação festiva e excessiva que incita ao consumismo mais absurdo e desnecessário enquanto milhares de casas, ruas, bairros e assentamentos carecem de qualquer iluminação, enquanto milhares de milhões de pessoas vão diariamente ao que se vem chamando “as filas da fome”, enquanto o número de “novos pobres” aumenta vertiginosamente, enquanto cada vez mais famílias são desalojadas incrementando o vergonhoso número de pessoas sem lar e sem recursos que vivem na rua.

Me enche de raiva e indignação que em um Estado laico como é o espanhol se festejem festas como o Natal com o que religiosamente significa e o que a respeito a consumo fomenta, e que se desumanize a sociedade ao ponto de recorrer as ruas elevando a vista para ver essa custosa e desnecessária iluminação natalina e não baixando o olhar para ver a essas pessoas que entre papelões sobrevivem diariamente.

Que as luzes natalinas não nos ceguem e sigamos lutando por esse “mundo novo que levamos em nossos corações”.

Fonte: Publicado originalmente no suplemento Addenda # 86, Madrid, dezembro 2020 (do periódico Rojo y Negro). Número completo do suplemento acessível em http://rojoynegro.info/sites/default/files/addenda%2086%20diciembre.pdf

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

decifrando códigos
o barco atravessa a tarde
na pele do tempo

Zemaria Pinto

[Grécia] Texto de solidariedade para com o camarada anarquista Errol

DEPORTAÇÃO IMEDIATA PARA POLICIAIS, JUÍZES E POLÍTICOS

6 de dezembro de 2020

No contexto dos encontros convocados para o dia de memória e de luta 12 anos após a insurreição de 2008 pelo assassinato estatal do anarquista Alexis Grigoropoulos pelas mãos armadas dos policiais Korkoneas e Saraliotis, um novo regime de gestão estatal com claras características totalitárias foi posto em marcha. A Grécia impõe a proibição total de reuniões e manifestações, votada alguns meses antes, sob o pretexto da gestão da pandemia do Covid-19. O bairro de Exarchia está sob o cerco das forças uniformizadas do Estado, que têm como objetivo erradicar qualquer possibilidade de confraternizações e manifestações. A decisão política do governo é proibir completamente o acesso ao local do memorial do assassinado Alexis para os coletivos, grupos políticos e assembleias que convocaram reuniões, bem como para qualquer indivíduo que queira se aproximar. Enquanto isso, desde a madrugada deste mesmo dia, o bairro foi transformado em uma zona militar em consequência da proibição e de sua aplicação.

Polícia em cada esquina 

As forças policiais estáticas (policiais disfarçados, guardas especiais e policiais de choque) verificam com extremo escrutínio as informações pessoais de quem se encontra na área. Ao mesmo tempo, unidades móveis do DELTA (policiais em motos) fazem incursões frequentes tentando criar uma cena e com o objetivo de apreender indivíduos que não estejam obedecendo à proibição, se recusando a deixar a grande área de Exarchia. Uma proibição que é imposta pelo regime e que suprime a escolha política de cada indivíduo de protestar e de existir no espaço público, bem como o significado do uso social do próprio espaço público. Em uma dessas incursões, o camarada anarquista Errol (de nacionalidade francesa) foi preso e levado para o GADA (principal quartel da polícia de Atenas). Depois de muitas horas de detenção e enquanto todos os outros detidos foram punidos com uma multa – em conformidade com a nova estratégia de busca de lucros ao estilo estatal-corporativista posta em prática “devido ao” Covid19 – ele foi informado sobre a decisão de sua deportação iminente e transferido para o inferno de Petrou Ralli (principal centro de detenção de Atenas).

As prisões de Petrou Ralli e Amygdaleza

A impunidade e vingança do Estado e seus mecanismos conduzem uma nova transferência do camarada para o centro de detenção de Amygdaleza em tempo mínimo, apenas um dia após uma intervenção solidária de seu forte protesto sobre as condições gerais da detenção. Do inferno de Petrou Ralli ao de Amygdaleza, o Estado continua a construir e administrar depósitos humanos que privam diariamente as pessoas até das necessidades mais autoexplicativas, como acesso a alimentos, tratamento médico, informação e contato com o mundo exterior. Nesses purgatórios brutais com longa história de abusos físicos e psicológicos contra os detentos, as condições desumanas em que as pessoas se encontram há muito tempo são o ponto de partida de lutas e demandas dentro e fora dos muros da prisão. Os detentos muitas vezes exigiram sua dignidade por meio de lutas coletivas, insurreições e greves de fome. Isso deve nos lembrar que eles, os oprimidos, sempre encontrarão formas de lutar e responder à degradação totalitária de seu status político e social.

A decisão da deportação do camarada Errol é abertamente política

E deve ser incluída como parte de uma tática vingativa consistente que os mecanismos governamentais de cada regime impõem contra os combatentes anarquistas e todos aqueles que lutam contra qualquer tipo de repressão. Cada inimigo político do poder terá que ser afastado e preso para incapacitá-lo e desarmá-lo. Na continuação fluida da repressão estatal, a detenção do camarada em Petrou Ralli é imediatamente transformada em política e executada em termos especiais. Previsivelmente, ele acaba sendo detido em isolamento a fim de separá-lo dos demais detentos e transferido brutalmente para outro lugar, o campo de Amydgaleza, onde permanece isolado. Assim, o Estado aspira a impedi-lo de incitar qualquer atividade política em seu interior e a forçar tanto seu isolamento político e físico quanto seu extermínio psicológico.

Alguns dias depois, a direção de Petrou Ralli publica oficialmente a decisão da deportação do camarada com uma proibição de 7 anos de entrar no território nacional com uma decisão subsidiária de deportação pela Segurança Nacional. O caso é montado com o argumento de que ele representa um perigo para a ordem pública e a segurança nacional.

É claro que essa deportação se baseia na identidade política do camarada como anarquista, sua postura combativa e participação ativa nas lutas sociais e políticas. Esta é mais uma condenação-decisão que se soma à longa lista de criminalizações dos combatentes; mais uma tentativa de exercer métodos de repressão política que o governo da Nova Democracia aplica como parte de seu dogma de “ordem-lei-segurança” – uma doutrina que visa dizimar e erradicar todos os sujeitos políticos combativos. Por meio desses métodos, se procura condenar quem opta por coletivizar e participar ativamente das resistências que se levantam contra o Estado e o capital, acendendo a chama da insurreição e abrindo o caminho para uma sociedade livre.

A prisão de Errol significa uma nova atualização da repressão do Estado, ao demonstrar que o processo por contravenções pode levar à prisão e à deportação de sujeitos políticos. O estado de paralisia e dizimação das resistências sociais deve ser rompido e a luta pela cessação do processo de nosso camarada é mais um passo nessa direção.

NENHUM CAMARADA SOZINHO NAS MÃOS DO ESTADO

LIBERDADE PARA O ANARQUISTA ERROL

FOGO NAS PRISÕES E TODAS AS CELAS-GAIOLAS

Assembleia solidária para com o camarada anarquista Errol

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1609139/

Tradução > A. Padalecki

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agência de notícias anarquistas-ana

O frêmito cessou.
A árvore abre-se
para conter a lua.

Eugenia Faraon

[Espanha] “Romancero Mujeres Libres”, de Lucía Sánchez Saornil

Hoje, 13 de dezembro, dia do nascimento de Lucia, vê a luz após 83 anos de sua publicação, a reedição do “Romancero de Mujeres Libres”, o único livro publicado em vida por Lucia Sanchez Saornil. Lucía Sánchez Saornil (Madri, 13 de dezembro de 1896 – Valência, 2 de junho de 1970).

Apresentar esta reedição do Romancero Mujeres Libres de Lucía Sánchez Saornil é uma verdadeira honra, já que estamos tratando de poemas de extraordinária altura poética, de inquestionável valor literário, versos que exalam o sopro mais essencial de uma mulher excepcional, singular como poetisa, jornalista, escritora, livre-pensadora e como anarquista feminista militante, pioneira de um humanismo integral que abraça mulheres e homens em igualdade para construir uma nova sociedade mais justa e humana, como Antonia Fontanillas Borrás e Pau Martínez Muñoz nos lembram em seu livro de 2014 Lucía Sánchez Saornil. Poeta, jornalista e fundadora de Mujeres Libres

A lágrima, a rebelião, a dor, a esperança, a epopeia, a força revolucionária… atingem sua máxima força expressiva nestes romances sublimes, pouco conhecidos e valorizados por ser mulher e anarcofeminista.

A escolha do romance como uma composição métrica com uma forte tradição épica e medieval não é por acaso, como Laura Vicente aponta em seu recente livro A Revolução das Palavras, de 2020. A revista Mujeres Libres (Mulheres Livres), responde ao desejo expresso de Lucía de encobrir e exaltar as vidas e os feitos heroicos e lendários de homens e mulheres que defenderam a liberdade e a justiça social com suas vidas contra a irracionalidade do fascismo.

Romances para cantar o amor, a lealdade, os ideais, a liberdade, o ser humano que sofre mas não se rende… essa é a lição magistral, cheia de sentimento e beleza, que Lucía nos dá neste romance. Todos estes sentimentos e emoções foram magistralmente capturados nas ilustrações originais que a militante anarcossindicalista Nuria Negro tem feito para cada um dos romances.

O 50º aniversário da morte de Lucía Sánchez Saornil se deu em 2 de junho de 2020, mas não foi possível comemorá-lo por causa da pandemia causada pelo Covid-19. Que este Romancero de Mujeres Libres sirva para lembrá-la sempre.

>> Vídeo (04:40):

https://www.youtube.com/watch?v=xZyBOYVEbbA&feature=emb_title

Fonte: http://rojoynegro.info/articulo/romancero-mujeres-libres-luc%C3%ADa-s%C3%A1nchez-saornil

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Parou de chover:
No ar lavado, as árvores
Parecem mais verdes.

Paulo Franchetti

[EUA] O que significa para explorados e excluídos que, agora, a classe dominante esteja se ajustando a um mundo sem Trump?

Na preparação para a eleição presidencial, foram propostas inúmeras teorias chocantes sobre as táticas que Trump poderia empregar para se manter no poder de forma ilegítima. Invocar o Decreto de Insurreição, eleitores infiéis, decisões espúrias da Suprema Corte e milícias armadas de extrema-direita atacando locais de votação foram todos citados como ameaças potenciais a uma transferência normal de poder caso Trump perdesse no voto.

No final, é claro, Trump perdeu e nada disso aconteceu. No momento em que escrevia este texto, apenas o próprio Trump e alguns de seus bajuladores mais iludidos ainda estavam tentando contestar os resultados. Até a Fox News e Jared Kushner pediram que ele cedesse com elegância. O Partido Republicano não mostrou interesse em ir até as últimas consequências para empurrar Trump para um segundo mandato – ou para atender ao desejo de guerra civil de seus seguidores mais extremistas.

Precisamos, então, fazer a pergunta: por que não? Por que um partido que passou a maior parte de sua existência tentando limitar o direito ao voto, cujos grupos se tornam mais desfavoráveis a cada ano, aceitaria a derrota de seu mais carismático líder desde Reagan, com tão pouca luta, por uma questão tão pequena como perder uma eleição justa? O que se segue é fácil de perceber agora, mas ainda vale a pena considerar, pois estamos tentando dar sentido a cenários políticos futuros. Algumas reflexões:

Primeiro, a classe dominante não tem problema algum com Joe Biden na Casa Branca. Eles podem ter sutis suspeitas em relação ao Partido Democrata como instituição, mas o próprio Biden é um porto seguro para eles. Um político que provavelmente seria republicano se não fosse de um estado fortemente democrata, Biden tem sido um fiel vassalo do setor bancário em toda sua carreira. Este é o cara que foi responsável pela “reforma” da falência, que transforma tantos devedores pobres em escravos dos gigantes das finanças; que habilmente auxiliou a administração Clinton na criminalização da pobreza e na expansão do complexo industrial da prisão; que consistentemente apoiou as guerras no Iraque e no Afeganistão; que escolheu uma ex-promotora cruel como companheira de chapa. Poderíamos ter visto uma resposta diferente se Bernie Sanders fosse o candidato democrata.

Segundo, a liderança de Biden era grande o suficiente para seriamente complicar qualquer tentativa de derrubá-la por meio de manobras legais desonestas. A eleição presidencial de 2000 veio abaixo por menos de 600 votos num único estado, onde os republicanos venceram na contagem inicial e precisaram apenas interromper a recontagem. Em 2020 os republicanos teriam de ganhar recontagens em pelo menos três estados, invalidando dezenas de milhares de votos no processo e preservando votos similares nos estados onde estavam à frente na contagem. Estas contorções legais necessárias para ser bem-sucedido prejudicariam seriamente a legitimidade da Suprema Corte, justamente quando eles finalmente tinham alcançado uma supermaioria conservadora. Não é muito surpreendente que o partido preferiu preservar a corte e se livrar de Trump.

Terceiro, o problema provou que eles não conseguem realizar uma mobilização nacional de modo efetivo. As várias tentativas de um “motim Brooks Brothers 2.0” [1] nunca chegaram perto de interromper qualquer contagem de votos. Na quinta-feira depois da eleição, os policiais da Filadélfia prenderam um casal de reacionários numa [picape] Hummer, que veio da Virgínia, com um fuzil de assalto e uma caixa com cédulas de votação falsas (não ficou claro qual era exatamente o plano). Isso gerou um previsível alvoroço na mídia, obscurecendo o fato de que seriam necessários centenas de caras como aquele, em cada cidade onde a votação estava perto, para fazer alguma diferença no resultado da eleição. A maior parte da extrema-direita foi para a cama, na terça-feira à noite, convencida de que Trump estava ganhando, sem saber do enorme acúmulo de votos não contados de áreas urbanas fortemente democratas. Quando Wisconsin ficou azul, eles foram pegos de surpresa e completamente despreparados, especialmente para não invadir cidades como Detroit e Filadélfia, onde Trump é amplamente detestado. A campanha de Trump poderia ter evitado esse problema com algum tipo de estratégia coordenada de ação reacionária, mas esse não é o tipo de coisa em que eles são bons e provavelmente teria sido impossível manter em segredo em qualquer caso.

Quarto, há a ameaça de uma revolta de massas. O levante de George Floyd deu às classes dirigentes uma viva prévia de seu pior pesadelo – fogo em delegacias, policiais subjugados, zonas autônomas livres de polícia no meio das maiores cidades. O nível de repressão necessária para esmagar os protestos resultantes de qualquer tentativa de derrubar a eleição não teria apenas assegurado mais quatro anos de Trump na presidência; teria significado efetivamente instalá-lo como ditador vitalício – uma perspectiva que nem mesmo a Fox News apreciaria. E esse é o melhor cenário deles. Não há garantia de que eles teriam vencido essa luta.

Depois de tudo que foi dito acima, faz muito mais sentido para os republicanos preservarem a fachada de democracia ao conceder a eleição e recuarem até sua comprovada estratégia de oposição, mais do que arriscar tudo numa tentativa de golpe em favor de um cara que muitos deles privadamente desprezam. Já vimos essa estratégia com frequência para termos uma boa ideia do que vem pela frente.

No caso bem provável de os republicanos pegarem pelo menos um assento no senado nas eleições de segundo turno da Geórgia, em janeiro, Mitch McConnell poderá novamente bloquear qualquer legislação ou nomeações que desejar. Espera-se que ele use esta influência para “forçar” Biden a aceitar o gabinete conservador neoliberal que Biden quer de qualquer forma, mas precisa de uma desculpa para nomear. Um significativo projeto de lei de estímulo, a revogação dos cortes feitos por Trump ou qualquer outra medida humana estarão fora de questão. Se os democratas conseguirem obter ambas as cadeiras do senado da Geórgia, os republicanos vão apelar para a estratégia “blue dog” [2], empregada em 2009 e 2010, recrutando senadores democratas conservadores para cruzar o corredor e bloquear uma legislação progressista.

Biden já está fazendo barulho sobre “curar a nação”. Ele provavelmente não perdoará Trump, mas não espere que o Departamento de Justiça será muito ativo em processar seu ex-comandante em chefe ou seus facilitadores. A desculpa, como sempre, será a da suposta necessidade de se aproximar dos republicanos moderados para ganhar a próxima eleição. Nas eleições do meado de 2022, muitos democratas ficarão bastante desapontados com a ineficácia estrategicamente direcionada de Biden, ficando em casa ou até mesmo se bandeando por desgosto para o lado republicano. O Partido Republicano será ajudado na Câmara por arranjos, pois acabou de obter controle em muitas legislaturas estaduais em um ano de recadastramento distrital.

Normalmente, esta seria uma receita para negócios políticos como de costume, na qual o partido que ganha a Casa Branca perde terreno no Congresso na próxima eleição. Dessa vez pode ser diferente. Para começar, os republicanos estão defendendo quase o dobro de cadeiras que os democratas têm no senado. Ambos os partidos terão um trabalho duro para mobilizar todos os eleitores que vieram apoiar ou se opor a Trump; mas os fãs de Trump estarão particularmente furiosos com o establishment republicano que eles acreditam ter abandonado o seu fascista laranja favorito. Os republicanos precisam, de algum modo, cooptar uma heterogênea variedade de seguidores do QAnon [3], “boogaloo bois” [4] e milícias reacionárias em um bloco eleitoral eficaz, e eles podem não conseguir isso, pelo menos não antes das eleições de meio de mandato. O próprio Trump poderia ser um elemento de peso se ele quisesse, mas neste ponto é difícil imaginá-lo incitando seus seguidores a votarem em candidatos republicanos establishment. Ainda assim, é mais provável que os democratas farão pouco melhor do que empatar, levando a mais dois anos de impasse.

Mas, como de costume, quando não há esperança na política eleitoreira, as ruas são outro papo. A fúria relacionada ao assassinato de George Floyd não se dissipou, mas está esperando para explodir novamente no próximo assassinato policial filmado ou em outro escândalo. Um cenário plausível é o de uma insurreição como a da Polônia se a Suprema Corte de Amy Coney Barrett revogar o caso Roe v. Wade [5]. Mesmo sem outro levante, uma economia deteriorada, uma pandemia esmagadora e um péssimo presidente nos proporcionam um terreno fértil para organizações de base e ação direta. Quando perceberem a realidade do “vencer” uma eleição entre dois racistas e multimilionários corruptos, as pessoas se tornarão mais receptivas a soluções por fora do espetáculo eleitoral.

Fonte: https://itsgoingdown.org/how-trump-lost-whats-coming-next/

Tradução > Erico Liberatti

Notas do tradutor:

[1] O motim Brooks Brothers (“Brooks Brothers riot”) ocorreu em novembro de 2000, no contexto das eleições presidenciais daquele ano, quando se confrontaram o republicano George W. Bush e o democrata Al Gore. Ver: https://www.newsweek.com/what-brooks-brothers-riot-stop-count-protests-draw-comparisons-november-2000-election-chaos-1544989

[2] A Coalizão “Blue Dog” é um grupo de políticos democratas que defendem posições conservadoras. Ver: https://bluedogcaucus-costa.house.gov/about

[3] Teoria da conspiração promovida por grupos de extrema-direita. Detalhes em: https://brasil.elpais.com/internacional/2020-09-17/qanon-a-nova-teoria-da-conspiracao-que-se-prepara-para-entrar-no-congresso-dos-eua.html

[4] Grupo de extrema-direita. Sobre: https://www.bbc.com/news/blogs-trending-53018201

[5] Caso em que Supremo Tribunal dos EUA decidiu, em 22 de janeiro de 1973, que era inconstitucional a regulamentação estatal indevidamente restritiva ao aborto. Ver: https://www.britannica.com/event/Roe-v-Wade

agência de notícias anarquistas-ana

No verde da praça
a rã salta, salta, salta
e assusta quem passa.

Nilton Manoel

[Chile] Contra o fascismo e a repressão

As últimas covardes ações e convocatórias de rua dos grupúsculos fascistas que desde a campanha pelo rechaço começaram a se suceder, são parte do desespero da extrema direita herdeira de Pinochet ante o levante popular que começou em outubro [de 2019] e que graças à integridade combativa de muitos jovens conseguiu sobreviver durante todo este tempo mais além da armadilha do plebiscito e sua falsa disputa.

Aproveitando o apoio de empresários, governo, polícia, o partido UDI, ex-uniformizados e a passividade dos setores social-democratas, os grupúsculos fascistas contam com blindagem e certa impunidade para fazer e desfazer nas ruas com suas bandeiras cheias de ódio, racismo, xenofobia e um doentio nacionalismo.

Ante as ações de roubo de faixas de edifícios vazios, encontro de murais, destruição de memoriais, propaganda e as ameaças pelas ruas que eles proclamam como “triunfantes” o chamado é a não se amedrontar e a estar alertas. É preciso ser ativo na luta contra estes inimigos que ainda não contam com um apoio popular, mas que se não constituímos uma contrapartida preparada, organizada e coordenada facilmente podem ir crescendo e chegar ao perigoso nível que alcançam em vários países europeus onde teve que ocorrer a luta de rua, armada e coordenada com mortes no movimento para conseguir varrê-los, como foi o caso do partido Aurora Dourada na Grécia.

É preciso pôr os esforços e as propostas em formar um antifascismo militante e ligado às lutas populares que tenha capacidade de resposta imediata e que realize a tarefa de contribuir com a formação de organização revolucionária para destruir este atual modelo de empobrecimento para criar assim novas formas de produção e de organização social sem partidos, nem hierarquias, de baixo para cima.

Devemos tirar o antifascismo da moda, dos bares, das drogas e das músicas.

Devemos identificar e rechaçar as posturas antifas da social-democracia que só buscam com discursos muitas vezes de confronto como o nosso as lutas contra grupos, não se propondo a destruição do capitalismo, mas que a longo prazo, maquiando-o e convivendo dentro dele.

O fascismo e a social-democracia são um perigo e uma trava para o movimento revolucionário que devemos levantar onde o antifascismo deve jogar um papel importante, propondo-se estratégias, táticas e objetivos, realizando propaganda de forma incessante, levantando trabalho territorial e contribuindo na construção de grupos de autodefesa popular e fomentando a formação política nas populações para que cada morador saiba defender-se de pacos, milicos, fachos e do intervencionismo nefasto dos partidos políticos.

CONTRA O FASCISMO E A REPRESSÃO SE ORGANIZA A POPULAÇÃO

A LEVANTAR GRUPOS AUTÔNOMOS DE AUTODEFESA POPULAR

Grupo de Propaganda Revolucionária – La Ruptura

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Os trigais maduros…
Escassas lanças doiradas
na guerra da fome.

Evandro Moreira

Procuradoria do Chile sobre projeto de indulto às presas e aos presos políticos da Revolta: “poderia constituir um gravíssimo sinal para a convivência social”

Através de um comunicado público, o organismo rejeitou o projeto de Lei que busca gerar um indulto às e aos presos políticos da “Revolta Social”, durante o mesmo dia em que o presidente em exercício, Sebastián Piñera, anunciou um veto presidencial em caso de que avance no Congresso.

Durante a tarde de ontem (14/12), o Conselho Geral de Procuradores deu a conhecer um comunicado público no qual apresentou a sua posição diante do projeto de Lei que conseguiria o indulto das e dos presos políticos da “Revolta Social”.

A posição da Procuradoria do Chile se deu a conhecer no mesmo dia em que o atual presidente comunicou que apresentará um veto “porque consideramos que é um mau projeto“, de acordo com a linha mantida desde o início quanto a matéria da perseguição política.

Nesse sentido, a Procuradoria Geral – como instituição – declarou que “as críticas ao estado processual das causas relativas ao contexto dos protestos, constituem uma generalização inaceitável, que demanda de seus autores a individualização das mesmas“, referindo-se, entre outras coisas, às críticas recebidas pela morosidade na formalização que mantém a centenas de pessoas com medidas cautelares e, mesmo assim, numa grande impunidade aos agentes do Estado.

Do mesmo modo, o comunicado do organismo “faz presente que um projeto de lei de indulto (…) poderia constituir um gravíssimo sinal para a convivência social”. Na mesma linha, “as pessoas sob a ação dos Tribunais de Justiça não estão na condição por seu pensamento ou por suas opiniões, mas sim por atos que são constitutivos de delitos“, mostrando sua posição diante do caráter político da prisão.

Fonte: https://resumen.cl/articulos/fiscalia-de-chile-sobre-proyecto-de-indulto-a-las-y-los-presos-politicos-el-estallido-podria-constituir-una-gravisima-senal-para-la-convivencia-social

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agência de notícias anarquistas-ana

É ou não é
o sonho que esqueci antes
da estrela d’alva?

Jorge Luis Borges

[EUA] Viva Mumia Abu-Jamal!

Nos Movendo!

VIVA A REVOLUÇÃO!

VIVA JOHN AFRICA!

Há 39 anos, em 9 de dezembro de 1981, agentes do governo tentaram  assassinar nosso irmão Mumia Abu-Jamal. Seu motivo para tentá-lo em 1981 e por seguir tentando fazê-lo em 2020 é simplesmente porque Mumia tem um compromisso com a verdade.

Mumia é conhecido como “A voz dos sem voz” porque naquela ocasião e agora ele levantou sua voz e defendeu as pessoas que não podem falar por si mesmas. Mumia sempre esteve comprometido com a verdade ainda quando enfrentou uma tentativa de pôr fim a sua vida em 9 de dezembro de 1981, e sempre terá esse compromisso. Depois que sobreviveu a sua condenação ao corredor da morte e a assinatura de duas ordens de morte contra ele, e depois de batalhar contra a Hepatite C, Mumia segue comprometido com a verdade e nunca deixou de lutar.

Ele nos dá um forte exemplo a seguir em nossa luta contra este sistema podre. Temos que permanecer juntos e unificados para levar nosso irmão Mumia para casa. Agora é o momento de trazê-lo para casa.

Queremos saudar a todos os nossos amigos e amigas que fazem este trabalho e enviar a cada um de vocês um forte abraço. Lhes dizemos: Adiante com o bom trabalho! É visível e Mumia o pode sentir.

Mantenham-se fortes!

Viva Mumia Abu-Jamal!

Liberdade para todas e todos os presos políticos!

Nos movendo!

Viva John Africa!

The MOVE Organization

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Sinto no rosto
Um carinho natural
O vento soprou.

Ze de Bonifácio

[Chile] Santiago: Barricadas a 10 anos do incêndio no cárcere de San Miguel e em solidariedade com as mobilizações dos presos

Encapuzados levantaram barricadas em Maipú a 10 anos do incêndio no cárcere de San Miguel onde morreram 81 presos. Recorda-se desta maneira a cada pessoa que perdeu a vida estando cativo, sendo os carcereiros e o Estado cúmplices e verdugos.

Por outro lado se destaca a faixa estendida, as atuais mobilizações nos diferentes cárceres do território, as quais têm como objetivo conseguir visitas dignas, como também exigir a revogação do decreto de lei 321 que regula a liberdade condicional, hoje aplicada de forma retroativa.

Durante as mobilizações se desenvolveram greves de fome, de fazenda, barrotazos e propaganda, também desde a rua o apoio e a agitação anticarcerária não se deteve.

Para hoje é o chamado à greve pelos presos políticos.

MEMÓRIA PELOS 81 MORTOS NO CÁRCERE DE SAN MIGUEL!

VISITAS DIGNAS AGORA!

FIM AO DECRETO DE LEI 321!

Frente Fotográfico

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agência de notícias anarquistas-ana

Vamo-nos, vejamos
a neve caindo
de fadiga. 

Matsuo Bashô