[Espanha] Estátuas e reação

Enquanto a direita e a ultradireita neste país indescritível, que são muito semelhantes, dedicam-se a remover estátuas, e todo tipo de símbolos, de personalidades da esquerda, o nacionalismo espanhol vem crescendo há muito tempo na direção oposta. A diferença é que Largo Caballero ou Indalecio Prieto, sem eu compartilhar sua ideologia, embora pudéssemos ter estado na mesma barricada em outra vida, eram pelo menos líderes em um contexto democrático, e me perdoe mais uma vez por apontar o óbvio. Vá em frente e diga que não sou amigo de dedicar monumentos a figuras políticas, nem mesmo, é claro, àqueles com quem mais posso simpatizar. Talvez eu esteja mais inclinado a dedicá-los a personalidades culturais ou científicas, embora isso sempre possa ser controverso, já que às vezes chamamos qualquer coisa de cultura.

Além disso, que é sempre discutível, a história contemporânea deste país indizível chamado Espanha é o que é, e a direita simplesmente sofre de uma certa tradição liberal e democrática, que deveria ser característica de qualquer história contemporânea digna desse nome, que a empurra de uma forma ou de outra, por ação ou omissão, para aceitar o horror de Franco. Caso contrário, de uma forma mais direta, Franco e seus capangas são considerados os salvadores da tradição cristã contra a conspiração maçônica e comunista (juro que ainda ouço este argumento destes personagens inefáveis).

A fachada, eu digo, é muito adulta. Como se isso não fosse suficiente, Madrid é inundada de bandeiras espanholas, cujo tamanho é inversamente proporcional à massa cinza desses governantes. Neste mesmo ano, embora pareça incrível, um monumento é dedicado na capital aos chamados “Heróis de Baler”, em outras palavras, aqueles mais conhecidos como os “últimos das Filipinas”. O evento foi, naturalmente, apimentado por uma multidão de bandeiras vermelhas e brancas, presidido pelo prefeito de Pepero, juntamente com o Exército e com a assistência dos abertamente fascistas do Vox. Acho que os aplausos para a Espanha poderiam ser ouvidos em centenas de metros ao redor. A montagem da estátua, ao que parece, foi uma promessa eleitoral de Martínez Almeida, que rivaliza com o eleitorado de ultradireita, e é inestimável observar a obra de arte em questão.

Sem esconder seus elogios ao espírito militar, mesmo que agora ele esteja no formato “defensivo”, o tenente Martin Cerezo parece heroico em sua mão. Acredito que no início pensou-se, por causa da compensação, em colocar ao lado de outra estátua do também herói Rizal, esta da independência filipina, fuzilado dois anos antes dos eventos de Baler pela Espanha, mas no final foi decidido colocá-la em outro lugar. Este ato de nacionalismo espanhol, leia-se fascista, não é isolado. O levantar irrisório de bandeiras sem fim, estes símbolos, quaisquer que sejam suas cores, de opressão política, de alienação coletiva ou a conversão de jovens em forragem de canhão em nome de não sei que ideais, é unido pela ereção de outros monumentos, como o dedicado a Blas de Lezo, que acredito ser pelo mesmo escultor patriótico que este dos heróis de Baler.

Nada de novo por parte dos reacionários, já que o franquismo usou o mito do último das Filipinas sobre o celuloide, como outro exemplo da “gloriosa” tradição imperial espanhola, com noções irritantes como virilidade ou sacrifício agora encarnadas em uma figura escultórica. Curiosamente, há um remake desse filme, “1898: o último das Filipinas”, talvez não de qualidade excessiva, mas pelo menos com um certo espírito crítico longe desses irritantes mitos patrióticos. Em resumo, a aparência inspira respeito e temos que sofrer estes clichês do nacionalismo espanhol, tão prejudicial como qualquer outro que impeça a superação de barreiras de todo tipo para a humanidade, embora não esqueçamos, além disso, que no contexto de um país onde triunfou uma certa forma de fascismo (a exacerbação do mito alienante da nação). Em qualquer caso, a história da humanidade como um todo está cheia de conquistas, dominações e massacres, realizados em nome de religiões e bandeiras. Vamos parar com as exaltações mitomaníacas e tentar encontrar algo melhor.

Juan Cáspar

Fonte: https://acracia.org/estatuas-y-reaccion/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

uma pétala caída
que torna a seu ramo
ah! é uma borboleta

Arakida Moritake

[Itália] Trieste: Comício anárquico contra o Estado e seus massacres

Por que deveríamos confiar nos que mentem?

Por que massacres como Piazza Fontana, Ustica, Ponte Morandi, ThyssenKroupp, não evidenciam as atrocidades do Estado?

Por que o Estado faz com que suas ações pesem sobre a vida e sobre a liberdade de todos os explorados e exploradas sem resolver as questões sociais?

Por que o Estado condena como massacrador a quem luta pela mudança radical da sociedade?

Enquanto nós anarquistas cremos que podemos viver sem Estado!

TRIESTE, sexta-feira, 18 de dezembro – Via San Lazzaro (atrás da igreja de Sant’Antonio)

Hora 16h – 20h: Exposição

Hora 17h: Comícios anarquistas de A.M. Bonanno e de L.D.

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casa na neve
odores vindos de longe
o céu como teto

Célyne Fortin

[Venezuela] Humberto Decarli, membro do El Libertario, faleceu

Com profunda tristeza informamos do falecimento de Humberto, advogado trabalhista e militante social de reconhecida atividade, escritor prolífico, que por quase duas décadas integrou o Coletivo El Libertario.

Estamos apenas assimilando o forte impacto que uma perda tão dolorosa significou para aqueles de nós que fazemos parte deste Coletivo, por isso, por enquanto, só temos ânimo para dar a notícia, com o entendimento de que mais tarde apresentaremos algum texto glosando o que foi a trajetória de tão querido companheiro e amigo, bem como no que se refere ao seu legado escrito, cuja divulgação no blog El Libertario foi tão clara ao longo dos anos.

Temos a certeza de que a lembrança e o exemplo de Humberto Decarli (1952-2020) ficarão na memória e na ação de tantos que pudemos partilhar de perto o seu percurso de vida. Que a terra seja leve para um homem livre!

periodicoellibertario.blogspot.com

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A chuva passou.
A noite um instante volta
A ser fim-de-tarde.

Paulo Franchetti

[Chile] Valparaíso: Anarquismo aqui e agora | Inauguração de espaço anarquista

A 1 ano da primeira Assembleia Anarquista Autoconvocada de Valparaíso, nascida no calor da revolta e das alegrias e inquietudes coletivas e a 100 anos do ataque das forças repressivas contra o local do sindicato anarquista da IWW neste mesmo território, os convidamos a nos reconhecer e nos encontrar para conversar e construir novas cumplicidades e alianças coletivas, abertas e diversas na inauguração deste novo espaço anarquista que chamamos Flora, com nossos ancestrais e futuros brotos no pensamento e na ação.

Propomos compartilhar em um espaço comunitário uma conversa aberta em torno do anarquismo que imaginamos e construímos aqui e agora, em nossos territórios e comunidades e quais foram nossas experiências, reflexões e imaginações ao longo deste ano de nos encontrarmos.

Os esperamos esta sexta-feira (18/12) às 17 horas (em ponto!) no escritório 9 do edifício situado em Serrano 591.

Assembleia Anarquista Autoconvocada Valparaíso

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/10/06/chile-assembleia-anarquista-autoconvocada-valparaiso-07-de-outubro/

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Anoitece
Atrás da colina
O sol adormece

RôBrusch

[Chile] Chuchunco City: Boletim da Assembleia Libertaria Chuchunco #3, dezembro de 2020

Editorial: Capítulos fechados, história aberta.

Após as votações de 25 de outubro, a revolta teve uma diminuição evidente e uma configuração interna. A esmagadora vitória da “aprovação” mostrou nos números a polarização que existe na sociedade, ao mesmo tempo em que parecia “fechar” a etapa de luta que se abriu em 18 de outubro. O triunfo da “aprovação” é certamente uma vitória, mas é apenas uma vitória simbólica, e aí é que está o perigo; nada garante que depois de 25 de outubro as coisas vão melhorar, muito menos que nossas necessidades serão verdadeiramente resolvidas. O fantasma de Jaime Guzmán e seu neoliberal “Chip” continua a assombrar a constituição atual, seus defensores e seus falsos críticos (todos aqueles que com um falso sorriso saltaram para o vagão da vitória). Os obstáculos e truques constitucionais que existem na “eleição dos eleitores” nos fazem desconfiar daqueles que governam e olhar para todo o processo institucional com profunda incerteza. Seja como for, se há algo que podemos aprender com o plebiscito de 1988, é que não devemos relaxar, não devemos acreditar neles, não devemos deixar a rua de lado ou deixar o confronto de lado. Alimentar a rebelião de todas as maneiras possíveis é indispensável e fundamental para manter o Estado nas cordas e aplicar pressão, intensificando a luta e reconhecendo nossos objetivos. Foi assim que alcançamos “pequenas vitórias”.

Após a votação de 25 de outubro, a revolta foi reconfigurada e, pelo menos aqui em Santiago, o cenário dos confrontos se deslocou para as proximidades do metrô da Universidade do Chile para tentar chegar à La Moneda em desafio. Nas ruas há raiva e indignação; ouve-se alto “Fora Piñera”, “abolição da polícia”, “abaixo o SENAME” e “liberdade para os prisioneiros da revolta”, sendo este último digno de nota já que o grito de libertação dos camaradas se espalha rapidamente por toda a população. Neste sentido, as jornadas de protesto são articuladas em diferentes territórios buscando chamar, sensibilizar e manter viva a chama da revolta, registrando também distúrbios na comuna da Estação Central.

O momento em que nos encontramos é algo difuso; a presença na rua é mantida (menos do que antes) e são configuradas novas e mais iniciativas organizacionais, além de renovar (ou desaparecer) aquelas que já existiam. A revolta resiste à morte. A partir disto, é necessário tirar conclusões e identificar os problemas de raiz, buscando sempre ir mais longe.

Apelamos para que as pessoas continuem se organizando, cuidando de si mesmas, informando-se e construindo na prática novas maneiras de resolver suas necessidades e recuperar a vida que estes assassinos estão roubando deles. Também lhes damos as boas-vindas a este terceiro número do boletim da Assembleia Libertaria de Chuchunco, que além de amor, fogo, afeto e anarquia, contém reflexões da Assembleia um ano após a revolta, TPP-11 e o perigo de nossa autonomia alimentar, palavras da companheira anarquista Mónica Caballero, atualização dos restaurantes comunitários que continuam funcionando no setor, poemas, desenhos e muito mais…

Um abraço para todxs. Sinta-se livre para ler, espalhar, compartilhar e falar…

Para a rua todxs xs presxs da revolta!

Pela destruição de todas as formas de autoridade!

Solidariedade e apoio mútuo!

Assembleia Libertária Chuchunco

Vale do Mapocho [Est. Central, Santiago]

Primavera, 2020

>> Baixar:

https://lapeste.org/wp-content/uploads/2020/12/boletin_03_alch.pdf

Tradução > Liberto

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É quase noite –
As cigarras cantam
Nas folhas escuras.

Paulo Franchetti

[França] Os capitalistas da Big Tech não podem censurar arbitrariamente discursos que os incomodam

Embora o Facebook e o Twitter tivessem conseguido nos acostumar a uma certa atitude de laissez-faire em suas redes, permitindo que todos os tipos de opiniões – desde as mais respeitáveis até as mais sujas – se expressassem, as regras mudaram recentemente.

Desde 2016 e as acusações de interferência russa nas eleições presidenciais americanas, esses dois gigantes das redes sociais têm se esforçado para provar que agora podem ser confiáveis e que as notícias falsas e a interferência estrangeira acabaram.

Em outras palavras, estas redes estão começando a censurar seus usuários. E dado o lugar desordenado que estes gigantes ocupam na Web de 2020, podemos ir ao ponto de dizer que estas redes estão simplesmente começando a censurar seus usuários.

A Union Communiste Libertaire (União Comunista Libertária) defende a liberdade de expressão, mas com uma concepção não individualista da liberdade: quando uma pessoa age ou diz algo que viola os direitos fundamentais dos outros, ela não está agindo em liberdade. Não existe liberdade para matar, nem liberdade para proferir palavras que violem a dignidade de outras pessoas. Por exemplo, apoiamos resolutamente qualquer iniciativa militante para silenciar os fascistas e denunciamos suas tentativas de se defenderem invocando a liberdade de expressão.

Mas será bem-vindo que só o Facebook e o Twitter decidam apagar o discurso de extrema-direita em sua plataforma? Que estas empresas, após terem servido a sopa às piores teorias da conspiração e sentindo que o vento está mudando, estão se redimindo com a consciência limpa? Que outras empresas Big Tech, como Youtube e Zoom, por exemplo, se apressam a seguir seus passos nesta implementação de uma vasta censura arbitrária controlada por uns poucos bilionários que nunca são responsáveis?

Mais longe dos holofotes da mídia, outros estão pagando o preço por esta censura política.

Embora os exemplos sejam abundantes e não sejam novos, aqui estão três exemplos muito recentes. A mídia independente Rapport de force, uma mídia de qualidade que se compromete a seguir os movimentos sociais e dar voz aos atores desses movimentos, foi completamente apagada do Facebook no final de outubro [1]. No final de setembro, uma reunião de apoio à Palestina ocupada foi censurada, também sem aviso prévio, pelo Facebook, Youtube e Zoom [2]. E quando os organizadores desta reunião tentaram organizar uma segunda para denunciar esta censura, ela voltou a atacar [3].

Não sejamos tolos: se a extrema-direita é o alvo principal hoje, principalmente através da demagogia, amanhã todas as forças “perturbadoras” serão alvo. E se a extrema-direita é de fato cada vez menos perturbadora, discursos anticapitalistas como o que estamos usando são e serão ainda mais perturbadores à medida que nosso público cresce.

A União Comunista Libertária apela para que os diversos componentes do movimento social se engajem rapidamente em uma reflexão sobre a liberdade de expressão e sua dependência das ferramentas informáticas desenvolvidas pelo capitalismo de vigilância; existem alternativas livres e descentralizadas [4], mas elas ainda precisam ser apreendidas e promovidas.

União Comunista Libertária, 25 de novembro de 2020.

[1] Notre éviction de Facebook pourrait signer la fin prochaine de Rapports de force, Rapports de force le 22 octobre 2020.

[2] Des organisations de la société civile appellent Zoom à préserver l’espace laissé à la liberté d’expression, Association France Palestine Solidarité le 8 octobre 2020.

[3] Zoom censure un évènement qui devait évoquer sa censure, NextInpact le 26 octobre 2020.

[4] Refusez les programmes de surveillance des données comme PRISM, XKeyscore et Tempora, PRISM BREAK le 18 avril 2020

Fonte: https://www.unioncommunistelibertaire.org/?Les-capitalistes-de-la-Big-Tech-n-ont-pas-a-censurer-arbitrairement-des

Tradução > Liberto

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Recordo uma
língua, abrindo-lhe
passagem ao amor.

María Pilar Alberdi

Lançamento virtual do livro “Escritores e textos libertários”

Na próxima sexta-feira, dia 18/12, às 19h, a Editora Ayran promoverá o lançamento virtual do livro “Escritores e textos libertários”, organizado por mim, Angela Roberti, pesquisadora do anarquismo.

O livro “Escritores e textos libertários” é o resultado de pesquisas que se voltam para o campo da cultura no interior do movimento anarquista. Nele se encontram reunidos sete artigos, especialmente produzidos por pesquisadores que transitam pelos processos culturais implementados pelos anarquistas nas primeiras décadas do século XX, no Brasil e na Argentina.

Será uma conversa bem legal com as/os autoras/autores. Segue o link do canal do YouTube para acompanhar o lançamento virtual:

https://www.youtube.com/channel/UC8SqDNnaBPlbE5OPkMYk-tg

Em breve informaremos os meios para aquisição do livro.

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No entardecer
O azul celeste
Manchado é pelo arranha-céu

Dalva Sanae Baba

[França] Solidariedade com nossos camaradas vítimas de agressão e violência fascista!

Solidariedade com os militantes sindicais e libertários vítimas de agressão da extrema direita no sábado, 12 de dezembro, após coleta de roupas e brinquedos organizada por uma associação para famílias carentes nas dependências da livraria anarquista La Plume Noire.

A União Departamental 69 dos sindicatos CNT (Confederação Nacional do Trabalho) deseja apoiar nossos camaradas sindicalistas do “Solidaires” e ativistas libertários da UCL (União Comunista Libertária) que foram agredidos e espancados por militantes de extrema direita.

Neste sábado, 12 de dezembro de 2020, enquanto dois deles fechavam a livraria La Plume Noire, na rue Diderot 8 do 1º arrondissement, foram violentamente atacados por uma dezena de fascistas, a ponto de se requerer então a intervenção dos bombeiros e a transferência destes dois camaradas para o hospital.

É importante notar que este atentado ocorreu ao final de uma jornada de recolhimento de roupas e brinquedos organizada por uma associação de famílias carentes nas dependências da Plume Noir.

Esta agressão mostra mais uma vez o sentimento de impunidade com que os militantes da extrema direita têm agido há vários anos, em particular aumentando o número de ações violentas nas redondezas da Croix-Rousse. Este sentimento é o resultado do estabelecimento de muitos grupos fascistas que possuem ou já possuíram instalações, especialmente no bairro de Saint Jean. Estas instalações servem como vitrines, mas também como locais de emulação e retaguarda para a realização de ações violentas, como já foi o caso, por exemplo, durante o ataque a La Plume Noire e à Rádio Canut em 2016 ou mesmo nossas próprias instalações, rue Burdeau, em 2018.

Se a prefeitura de Lyon foi informada muitas vezes dos abusos desses grupos de extrema direita, é claro que, por enquanto, nada está sendo feito para impedir suas ações, apesar da mudança da maioria municipal. Além disso, a passividade e até a complacência das autoridades policiais parecem óbvias.

Se esses pequenos grupos se permitiram por algum tempo atuar com violência e total impunidade, é porque sucessivos governos, banalizando discursos e até práticas racistas e destruindo direitos sociais, fizeram o leito de suas ideias.

Diante disso, a união departamental dos sindicatos CNT reafirma sua vontade de lutar contra o fascismo e as ideias odiosas que ele transmite, sua vontade de lutar nas lutas sociais por uma sociedade mais justa, emancipatória, anticapitalista e antifascista.

A UD CNT 69 afirma a sua solidariedade para com os nossos camaradas vítimas de agressão e continuará a sua luta contra o fascismo e todas as intolerâncias a ele associadas.

União dos sindicatos CNT du Rhône

44 rue Burdeau, 69001 LYON

Mail : ud69@cnt-f.org

Site : www.cnt69.org

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Em toda a longa viagem,
Só agora encontrei
Um cafezal!

Paulo Franchetti

[Indonésia] Fundo Palang Hitam Anarkis para um espaço urgente para aqueles que estão em fuga

Visto que há cada vez mais indivíduos buscando refúgio ou abrigo para evitar a prisão pelo Estado, mais do que nunca precisamos de um espaço seguro para os indivíduos caçados pelo Estado por conta de suas atividades políticas ou simplesmente por ser um anarquista, Palang Hitam. A recente caça às bruxas contra os anarquistas e o sensacionalismo da mídia tornam mais difícil para as pessoas que desejam aceitar indivíduos que eles consideram anarquistas e militantes.

É vital que tenhamos um espaço seguro para podermos abrigar aqueles que estão sendo caçados pelo Estado.

Nossa meta é de € 880 (R$ 5,400) e pagaremos o contrato de uma casa segura por 1 ano completo

H i s t ó r i c o

Nossas principais atividades como Palang Hitam Anarkis são defender anarquistas e militantes que são perseguidos e presos por suas atividades políticas radicais, fornecendo e garantindo que eles tenham acesso a advogados, ajuda legal, apoio moral e também criar um apelo à solidariedade nacional e internacional. Quando temos sorte, geralmente cooperamos com os advogados dos réus para podermos copiar os registros das investigações para saber se existem delatores ou quais nomes são mencionados. Esta verificação cruzada dos registros de investigação também é crucial para a práxis anti-opressão. Também ajudamos aqueles que estão fugindo por conta de suas atividades políticas, seja financeiramente ou apenas dando informações onde eles podem se esconder em cidades ou áreas específicas.

ABC-Indonésia ou Palang Hitam Anarkis foi iniciado para ajudar nossos camaradas, especialmente o camarada Ucil que não era um estudante e estava tendo seu apoio jurídico negado, após o motim no primeiro de maio de 2018 em Yogyakarta (M1 – 1° de Maio). Ou o que foi chamado de “Marcha Contra o Feudalismo”.

Palang Hitam foi iniciado por aqueles que estão sendo caçados ou estão na lista de pessoas procuradas. Alguns de nós estiveram e ainda estão fugindo do Estado. Palang Hitam não é necessariamente o único ABC para prisioneiros anarquistas / revolucionários e aqueles que estão em fuga, mas certamente fomos os primeiros. Existem vários ABC que estão começando o que é fantástico.

Estamos localizados em Java, alguns de nossos membros estão na clandestinidade, o que significa que eles ainda têm questões legais não resolvidas. A crescente repressão nacional continua como de costume desde 2018 até 2020, especialmente após o protesto anti-Omnibus há alguns meses.

Como em 2019, houve uma caça às bruxas contra anarquistas em todo o país, provocada pela marcha de mil anarquistas durante o comício do Primeiro de Maio em Bandung em que centenas foram presos.

Mas como o Palang Hitam Anarkis não pode mais dar apoio financeiro devido ao uso indevido de fundos no passado, desde dezembro de 2018 decidimos não pedir financiamento e nos concentrarmos apenas em fornecer assistência jurídica e solidariedade.

E é também porque o Front Anti Fasis Bandung não quer pedir dinheiro a ninguém, embora camaradas no exterior ofereçam algum dinheiro em solidariedade nós não aceitamos, simplesmente demos a eles o contato para outros coletivos de confiança no manejo do dinheiro para os presos anarquistas em todo o país.

Em 2019, o Estado e a polícia prenderam “ilegalmente” indivíduos apenas por causa de suas convicções políticas. Felizmente, há um enorme esforço unitário para expor isso e alguns dos detentos foram liberados. Também ajudamos algumas equipes da ABC em East Borneo e Pinrang, South Sulawesi.

Quando o Corona nos atingiu, três indivíduos foram presos acusados de vandalismo e de incitamento a saques em escala nacional, isso atraiu muita atenção da mídia e causou muito sensacionalismo. Ajudamos e pressionamos por assistência jurídica, embora houvesse uma restrição sobre viagens nos primeiros meses da fuga da Covid.

No mês passado, todos os três foram soltos. Existem muitas outras atividades que desenvolvemos com a rede nacional e internacional.

Até agora, o Estado e a polícia rotularam todos os manifestantes como anarquistas ou o que eles chamam de “anarko”. Não queremos representar todas as organizações anarquistas, mas aqueles que são filiados a nós e precisam de ajuda.

Desde a caça às bruxas anarquistas de 2018 até agora, em relação ao protesto em massa contra a lei Omnibus e outros projetos anarquistas, mais do que nunca precisamos de um local para abrigar aqueles que estão em fuga. É triste cada vez que indivíduos vêm atrás de nós, mas não podemos pagar por abrigo e lugar seguro para eles – nosso único objetivo é ajudar os camaradas que precisam de segurança e questões legais relativas à ação e outras opressões políticas.

Antes de 2018, haviam anarquistas presos por destruição de propriedade com graves acusações de terrorismo, incêndio de delegacias de polícia, tentamos aprender com eles e criar uma infraestrutura de contra-opressão e forte voz de solidariedade. Este clima de repressão constante contra anarquistas e projetos anarquistas torna ainda mais significativo termos locais seguros.

O dinheiro será usado para alugar uma casa por um ano e também funcionará como um espaço seguro para os membros do Palang Hitam fazerem seus trabalhos.

>> Colabore aqui:

https://www.firefund.net/safehouse

Tradução > A. Padalecki

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agência de notícias anarquistas-ana

no contorno do gato
um ponto negro no dorso
dorme –

Krzysztof Karwowski

Memória Combativa | Natalino Rodrigues: Anarquista de ação, um indomável, um padeiro agitador.

Que este escrito salte destas folhas impressas, se some com vontades insubmissas e vire ação no aqui e agora. As expressões por busca da anarquia perduram no curso do tempo, por momentos com maiores e múltiplas expressões, em outros, após “desmatamentos e queimadas” atravessa uma “seca”, e de tanto em tanto, rebrotam iniciativas, agitações, pessoas, comunidades em luta. Os tempos mudam a exploração e a sede por liberdade permanece. A atualidade constante do ideal e práticas anarquistas provoca que surja gente, inspirada no apego a liberdade, a odiarem toda dominação combatendo-a com suas energias sempre debaixo de condições adversas e em desvantagem.

Não temos dados biográficos precisos do anarquista Natalino Rodrigues, da sua tempestiva existência em permanente estado de conflito com tudo que tiraniza a vida: governos, patrões, policiais, fascistas/integralistas e seus bajuladores, prisões, manicômios, controle estatal. Encontramos sobre seus feitos, seu agir, suas andanças, agitações e perseguições que foi alvo, nas páginas do jornal anarquista A Plebe, gritando por sua vida e ideias em franca cumplicidade. As páginas dos jornais¹ de grande circulação destacam titulares de suas inúmeras prisões sempre fazendo o papel de demonizá-lo em sintonia com os policiais da ordem política e social (a mídia aponta a polícia dispara, o cidadão, súdito do estado, aplaude), tornando-o inimigo público. Natalino é tido como sujeito perigoso e nocivo para a paz social dos senhores do poder, seus passos são rastreados por agentes do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (DEOPS/SP). Sua ficha na polícia política (Prontuário nº 1286) é extensa e detalhada no curso da “Era Vargas”. Nasceu em 25 de dezembro de 1912, provavelmente o motivo de seu nome, em São João da Boa Vista, viveu por Santos e São Paulo, se fez anarquista e padeiro se tornando nos anos 30 uma pedra no sapato, um grão de areia no olho dos patrões, dos pelegos e fura greves, dos policiais e dos fascistas.

Padeiros e suas raízes combativas.

E sempre ouve gente e gente de fato. E gente dura de roer.”

O Trabalhador 1º Set 1931²

No calor do forno, no segredo da mistura dos ingredientes e seu ponto, na lida, amassando a massa, paciência, delicadeza, firmeza, padeiros de um século atrás compartilharam mais do que um ofício, viveram o amargor da exploração fazendo pães e doces, desafiando seus patrões, a polícia, o estado-capital, suas formas de controle e punição. Marcaram em momentos distintos por sua atuação destemida, pela ação direta e combativa, pela solidariedade ativa.

Na Argentina anarquistas padeiros deixaram sua marca também de ironia e protesto, no nome de quitutes das padarias que seguem hoje: “cañones”, “bombas”, “vigilantes”, “bolas de fraile”, “sacramentos”, “jesuíta” . Nestas bandas do Rio da Prata conflitivos anarquistas padeiros têm raízes profundas que remontam a Sociedad de Resistencia de Obreros Panaderos fundada em 1887 em Buenos Aires. Também na outra margem do Rio da Prata, em Montevidéu, os padeiros marcaram sua passagem na história com suas atitudes aguerridas na defesa de seus interesses e inspirações ácratas.

Frente à exploração em todas suas faces, que é o pão do dia a dia, em sua trajetória os padeiros em São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, responderam com ação direta como forma de luta no conflito com os patrões, não delegando nada a ninguém, tomando as ações por suas próprias mãos, agitando sabotagens diversas e greves. A paralisação do fornecimento de pão pelas padarias dava um choque no ritmo “normal” da cidade, a ruptura com a normalidade é regra básica para aqueles que buscam subverter a imposição da exploração e romper com sua continuidade. E pra fazer paralisar tem que pelejar.

Nas palavras do anarquista Cecílio Vilar, escrevendo desde Porto Alegre em 1914, em um artigo escrito no jornal “A Voz do Trabalhador” intitulado “Cartas Riograndenses” retrata a agitação dos padeiros durante uma extensa greve, que foi ganha pelos padeiros, defendendo o descanso semanal: “A sabotagem tem sido usada em larga escala. Diversos são os processos químicos empregados para seus imediatos resultados.” E continua: “A dias foram incendiadas duas carroças que conduziam pão.”

Nestas lutas contra os patrões, contra as forças da ordem e as humilhações da lei, também os fura-greves, conhecidos como carneiros, que atendiam a necessidade capitalista dos patrões de não parar de lucrar eram violentamente combatidos. Os padeiros se faziam famosos por esta postura ativa contra fura greves, além da sabotagem de fornos e farinha, uso de artefatos explosivos “machinas infernais”  contra padarias e ataque a distribuição de pão. Por esta virtude estes aguerridos eram perseguidos e punidos pelas mãos policiais, condenações judiciais e as grades das prisões.

Notas:

[1] Correio Paulistano 26 out 1934, 1 e 2 dez 1934, 30 jan 1935, 8 set 1935, 20 fev 1937, 25 jan 1942, Correio de São Paulo 9 mar 1936, Diário Nacional 17 maio 1932, A Gazeta 17 maio 1932, todos  de São Paulo,  e também em Gazeta de Notícias 28 dez 1935, 25 jan 1942, A Noite 9 mar 1936, 20 fev 1937 e Diário de Notícias 25 jan 1942, 16 dez 1944 estes do Rio de Janeiro.

[2] O Trabalhador setembro de 1931 ano 1 nº 1, expressão impressa da luta dos sindicatos autônomos de inspiração anarquista de São Paulo, elaborado sob a responsabilidade do anarquista Hermínio Marcos, expulso do Brasil por ser o que era, um agitador. Nestas páginas desafiando o prefeito e os patões os padeiros se auto declaram assim: “Gente dura de roer”.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://mega.nz/folder/smZikZSJ#YB8p4Bp3g0NrJp7CLgEQAQ

agência de notícias anarquistas-ana

Saio do cinema:
a nuvem de primavera
é outra sessão.

Fernando Sérgio Lyra

[EUA] Documentário | “Justice on Trial”, o caso Mumia Abu-Jamal

Hoje, 9 de dezembro de 2020, marca o 39º ano desde que Mumia Abu-Jamal foi baleado, espancado, quase morto e então incriminado e ilegalmente condenado à morte.

“Justice on Trial” (Justiça em Julgamento) explica toda a história.

“Justice on Trial” é um documentário de Kouross Esmaeli da Big Noise Films e da professora Johanna Fernandez que “navega a tempestade do julgamento de Abu-Jamal, revisando os fatos conhecidos do caso. Demonstrando que as principais violações no caso de Abu-Jamal – preconceito judicial, má conduta do Ministério Público, discriminação racial na seleção do júri, corrupção policial e adulteração de provas para obter uma condenação – não são exclusivas a este caso. Em vez disso, são comumente praticadas no sistema de justiça criminal e são responsáveis pelo encarceramento desproporcional de afro-americanos e latinos nos Estados Unidos. O caso de Mumia Abu-Jamal é um dos maiores problemas no sistema de justiça criminal nos Estados Unidos hoje em dia. A atenção que suas muitas violações receberam torna o caso de Abu-Jamal um dos mais importantes casos de direitos civis do nosso tempo” – Big Noise Films

>> Veja “Justice on Trial” (1:07:59) aqui:

https://vimeo.com/173713381?fbclid=IwAR20uVLgjE4IE3PzjFwjptTFj6VcoGWe40Pe32y9urxDIigEz5Km_dapwS8

Tradução > A. Padalecki

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Uma borboleta
Na minha pequena rua
Uma floricultura

Suemi Arai

A Espanha não atinge suas metas e o número de trabalhadores pobres agora é de 12,7%.

Um relatório dos sindicatos europeus conclui que a Espanha não conseguiu cumprir suas metas de redução da pobreza no trabalho. A Confederação Europeia de Sindicatos pede uma reforma tributária e sugere que o debate sobre a inadimplência da dívida seja retomado para enfrentar a atual crise econômica.

Por Pablo Erloduy | 11/12/2020

“Somos todos keynesianos se estivermos em uma toca de raposa”. A frase, com um alto grau de sarcasmo, é do economista neoclássico Robert Lucas Jr. É também um guia para reconhecer o sentido que a economia internacional está tendo neste 2020, após uma pandemia que deixa pequena a “grande recessão” que explodiu no Ocidente em 2008. A questão é quanto tempo o capital permanecerá nessa trincheira?

Doze anos após a primeira crise do século XXI e as políticas de austeridade que a seguiram, as instituições europeias tomaram medidas na direção oposta: a expansão dos gastos é a regra e ninguém ousa pronunciar em voz alta a palavra austeridade. Isto é reconhecido pela Confederação Europeia de Sindicatos em seu relatório comparativo anual sobre o trabalho na UE (Benchmarking Working Europe 2020). Uma análise que não esquece as condições pré-crise em todo o continente e as tarefas que não foram feitas na década, quando ninguém era keynesiano ou algo parecido.

A Espanha parte de uma situação complexa, agravada pela crise, dado que suas taxas de desemprego são as mais altas do continente, só ultrapassadas pela Grécia, e a taxa de trabalhadores pobres é alta, a terceira em toda a UE, atrás apenas da Romênia e Luxemburgo, um microestado tremendamente desigual que, em grande parte devido ao alto preço do aluguel, aprovou esta semana um aumento de 2,8% no Salário Mínimo.

A porcentagem de trabalhadores na linha de pobreza aumentou em toda a UE para 9,4 em relação ao nível de 2010, mas na Espanha o aumento tem sido ainda maior. No início da década, 10,9% da força de trabalho se encontrava nesta situação. No ano passado, foi de 12,7%.

A Espanha também não conseguiu atingir suas metas de redução da exclusão social. É um dos dez países nos quais a exclusão social tem aumentado durante a década.

A pandemia da covid-19 não pinta um quadro de esperança. “As evidências preliminares sugerem que os trabalhadores que já estão em posições precárias e com salários baixos também correm maior risco de ter que reduzir as horas de trabalho ou perder completamente seus empregos, de modo que a desigualdade continuará a aumentar e as chances de atingir as metas da Europa 2020 serão ainda mais reduzidas”, escreve Sotiria Theodoropoulou, editora do relatório sobre o mercado de trabalho e as metas de desenvolvimento.

Um dos aspectos-chave desta proliferação de empregos relacionados à pobreza é a prevalência nos países do sul da Europa (Itália, Croácia, Portugal e Espanha) de empregos temporários “involuntários” para trabalhadores que procuram e não encontram empregos estáveis em tempo integral.

O relatório de Theodoropoulou especifica que o risco de trabalho em risco de pobreza é maior para os jovens do que para os trabalhadores mais velhos, mas a lacuna tem diminuído na última década. A população migrante, especialmente a de fora da UE, está em maior risco de pobreza.

Alerta Europeu

As centrais integradas na Confederação Europeia de Sindicatos defendem a política expansiva adotada até agora pela Comissão Europeia e advertem que “neste momento, uma nova onda de austeridade não só prejudicaria a recuperação pós-Covid, mas também poderia minar fundamentalmente o projeto de integração social e econômica europeia”.

Esquemas como o kurzarbeit alemão, mais conhecido na Espanha pelo acrônimo de Expedientes de Regulação Temporária de Emprego, salvaram cerca de 42 milhões de empregos. E é significativo, diz esta pesquisadora, que a primeira medida de emergência lançada pela UE foi o Programa de Apoio à Atenuação dos Riscos de Desemprego em uma Emergência (SURE), inicialmente dotado de mais de cem mil milhões de euros. “Desta vez a reação imediata dos governos nacionais e das instituições supranacionais foi a de resgatar a capacidade de produção de suas economias (reais) como um todo (incluindo capital físico e humano), e não apenas de bancos e instituições financeiras”, afirma o relatório do sindicato europeu.

Para seus autores, o problema da dívida é o próximo marco na disputa política sobre o significado da UE. Nesse sentido, o conselho editorial do jornal econômico Financial Times expôs esta semana em um artigo os movimentos no debate sobre os inadimplentes da dívida. Um debate que terminou com um estrondoso golpe após a crise de 2008, mas que terá que ser reaberto, segundo os sindicatos europeus: “É claro que os níveis substanciais de dívida e déficit público que [os países] precisarão incorrer no curto prazo deixarão um legado substancial de endividamento”, apontam, mas nenhum dos acordos alcançados até agora deixa claro o que deve ser feito “para enfrentar o problema da dívida no longo prazo”.

O Benchmarking Working Europe 2020 introduz a reforma tributária como o “elefante na sala” da saída europeia da crise. É necessário “repensar substancialmente” o paradigma econômico e social, “reconhecendo e tributando adequadamente a renda de uma pequena minoria de indivíduos e multinacionais”. Em segundo lugar, acrescentam, “é essencial reconhecer o papel redistributivo das condições de trabalho e salários justos”. Uma função que foi “esquecida” na década anterior, quando o keynesianismo era anátema nos centros de poder europeus.

Os sindicatos consideram positivo o projeto de diretiva sobre salários mínimos adequados, mas ainda é insuficiente e, sem melhoria, “é muito provável que se torne uma oportunidade perdida”, dizem eles.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/crisis-economica/espana-incumple-sus-objetivos-y-el-numero-de-trabajadores-pobres-se-incrementa-casi-un-2percent-en-diez-anos

 

Tradução > Liberto

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Disseram-me algo
a tarde e a montanha.
Já não lembro mais.

Jorge Luis Borges

[EUA] Chamada internacional para manifestações de ruído fora das prisões na véspera de Ano Novo

Chamada internacional da Cruz Negra Anarquista de NYC para fazer manifestações de solidariedade fora dos cárceres, prisões e centros de detenção na véspera de Ano Novo

Este é um chamado a uma noite de forte solidariedade com os companheiros sequestrados pelo Estado. Historicamente, a véspera de Ano Novo é uma das noites mas ruidosas do ano.

Este ano, a maior parte do qual foi consumido por uma pandemia mundial, animamos as pessoas a tomar as medidas necessárias para assegurar o bem estar individual e comunitário, em resposta tanto ao vírus como ao Estado, entendendo o equilíbrio que cada um de nós deve encontrar por si mesmo. Dada nossa realidade atual, na véspera de Ano Novo reúne teus compas, coletivo, comunidade, organização ou simplesmente a ti mesmo para armar um alvoroço e recordar os que estão dentro das prisões que não estão sós.

A nível internacional, as manifestações de ruído fora das prisões são uma forma de recordar os que estão sequestrados pelo Estado e uma maneira de mostrar solidariedade com os compas e seres queridos encarcerados. Nos unimos para romper a solidão e o isolamento.

Sabemos que a prisão não pode ser reformada e que deve ser completamente abolida. É um mecanismo de repressão utilizado pelo Estado para manter uma ordem social baseada na supremacia branca, no patriarcado e na heteronormatividade. Reunir-se fora dos lugares de repressão é também desafiar o que representam.

A lógica do Estado e do capital, da pena e do encarceramento, deve ser substituída por um rechaço à opressão e à exploração. Este chamamento é um passo nessa direção.

Onde quer que estejam, reúnam-se na véspera de Ano Novo nas prisões, cárceres e centros de detenção, sejam fortes em solidariedade com os encarcerados e impulsionem a ideia de um mundo livre de dominação.

Enviamos este chamado à solidariedade para aqueles que desafiam a repressão estatal da dissidência em grande escala: desde os levantes de George Floyd até a rebeldia contínua na Grécia por parte daqueles que enfrentam a repressão como anarquistas, e todos aqueles nos espaços intermídias.

Queremos um mundo sem muros nem fronteiras.

Lutaremos juntos até que todos sejam livres!

Cruz Negra Anarquista de Nova York

nycabc.wordpress.com

Tradução > Sol de Abril

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O grito do faisão –
Que saudade imensa
De meu pai e minha mãe.

Matsuo Bashô

Pré-venda do Jornal de Borda 10

O último Borda será em grande formato (54x40cm), no tamanho que remete ao jornal A Plebe, que saiu como fac-símile no Borda 04. Apoie e divulgue por aí, o objetivo é ter 5 mil periódicos sobre Arte e Anarquismo.

Abaixo o texto manifesto coletivo construído para a divulgação

Não se exima. Venha conhecer o nosso texto-bomba. Você que transita pela arte e ativismo já cogitou uma ação-direta pela valorização de um impresso?

Somos artistas, historiadores, pesquisadores, anarquistas cujo tempo também é capturado pelo mercado. Apesar disso, acreditamos no processo de construção coletiva, no artesanato de novos laços entre ética e estética. Desejamos você nesse processo de deseducação. As palavras não são dadas em uma natureza inerte, mas articuladas por mim e você. Nossos posicionamentos são políticos.

Foi um ano de lives, mas que tal apoiar uma publicação impressa? Por afetos que também circulem pela escrita e imagem. O histórico do Borda 10 transborda por registros tecidos por muitas vozes, memórias, empenhos de subjetividades. Esse trabalho de costura atravessa temporalidades e circuitos. Ter esse exemplar é desvelar narrativas cotidianas que frequentemente saem de cena por conta do anestesiamento do mundo.

Um ponto final nesse desprendimento de gestos criativos seria muito fácil. Mas não deleguemos essa desvalorização ao contexto atroz. Façamos desse fim um meio.

Apoie a pré-venda e possibilite que 5 mil exemplares sejam impressos. Previsão de envio: janeiro de 2021.

>> Mais infos:

https://tendadelivros.org/loja/produto/pre-venda-jornal-de-borda-10/?utm_source=Tenda+de+Livros&utm_campaign=c4a1ccc329-EMAIL_CAMPAIGN_2020_12_10_10_19&utm_medium=email&utm_term=0_405f96049f-c4a1ccc329-107009934

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/07/ultimos-cem-dias-do-jornal-de-borda/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/07/31/os-cinco-anos-de-existencia-do-borda-foram-muito-bonitos-e-sou-muito-grata/

agência de notícias anarquistas-ana

Pardal orfãozinho
vem brincar
comigo

Cláudio Fontalan

[Colômbia] Avaliação das mobilizações de 19 e 21 de novembro de 2020

Nos dias 19 e 21 de novembro, foram apresentados dois dias de mobilização e protesto nacional, que consideramos importantes para rever e analisar. Primeiro, na quinta-feira 19 de novembro, quando o Comitê Nacional do Desemprego procurou concentrar suas forças, foram convocadas marchas em pelo menos 22 cidades do país. Naquele dia, em Bogotá, uma mobilização sindical clássica foi apresentada do parque nacional à praça Bolívar, a partir da manhã, com cerca de 7.000 participantes. A participação da CUT é notável, com os trabalhadores da saúde da ANTHOC, Sintraiss e a coordenadora sindical de saúde desempregados deste setor, os professores da Ade e uma pequena coluna da Adec, as empresas petrolíferas da USO, os funcionários bancários da UNEB ou Anebre, trabalhadores universitários como Sintraupn, assim como delegações de trabalhadores públicos da CGT e do CTC.

Além disso, uma caravana de ativistas sindicais se uniu à mobilização, assim como habitantes de bairros populares e associações de trabalhadores da reciclagem, enquanto uma pequena concentração para a liberdade dos presos políticos foi apresentada no centro da cidade. Participamos do dia com uma pequena delegação de ativistas vermelhos e pretos e roxos e negros do Grupo Libertário Via Libre junto com os camaradas da Coordenação de Processos de Educação Popular (CPEP) em Luta.

Com demandas centradas em medidas sociais contra a atual crise sócio-sanitária e seu impacto econômico, e o cumprimento da difusa lista nacional de demandas, mais uma vez o único setor que entrou em greve, parcial e diminuído, foi o dos professores do Estado, e embora seja possível que tenha havido baixos níveis de anormalidade trabalhista em algumas instituições estatais e no sistema judiciário, não houve uma paralisação real da atividade econômica geral.

Dois dias depois, no sábado 21 do mesmo mês, pelo menos 15 atividades de mobilização foram convocadas por um grupo mais desarticulado de organizações sociais e políticas, concentradas principalmente em Bogotá, a maioria das quais não foram realizadas ou foram apresentadas em dimensões muito limitadas.

Naquele dia na capital, onde a estratégia do governo combinando militarização com a presença de soldados e polícia militar no centro da cidade e dias de desconto com a febre consumista do terceiro dia sem IVA, um evento cultural muito diminuído foi apresentado na Praça Bolívar que deveria reunir os participantes de mais 4 atividades e um concerto no Parque dos Hippies, com uma forte desconexão do resto do dia.

Da mesma forma, houve pequenas marchas com dezenas de participantes na Universidade Nacional que se tornaram um choque com a polícia, assim como a Plaza de la Hoja no centro e o setor de Los Héroes no norte. No final da tarde, algumas centenas de pessoas se mobilizaram do Parque Nacional para a Rua 19 em frente à placa comemorativa da Dilan Cruz. À tarde, uma marcha de bairro mais interessante aconteceu em Ciudad Bolivar e Bosa à noite, que se concluiu com um evento cultural.

Elementos de equilíbrio

As atividades em 19 e 21 de novembro de 2020, um ano antes do grande dia de protesto nacional de 2019, mostram um refluxo considerável e uma relativa derrota política do movimento popular. O que deveria ser a segunda greve geral do ano e o sétimo movimento deste tipo durante o governo de Iván Duque após a escassa convocação em 2018 e a flutuação de quatro dias convocada em 2019, mostrou resultados escassos, e ainda mais limitados do que os das convocações anteriores ao mês de novembro do ano passado.

Embora o segundo semestre deste ano tenha mostrado uma reativação dos níveis de mobilização, é claro que devido a vários fatores que devemos investigar em profundidade e que podem passar pelo esgotamento físico e político, a pandemia e a crise econômica, a repressão contra certos setores políticos, ou os efeitos da revolta de 9 e 10 de setembro, não houve continuidade com o movimento do ano passado e os setores da juventude popular que surgiram nos últimos dois meses de 2019 foram fragmentados e retirados. O vigésimo primeiro, ou seja, o chamado ritual de mobilização a cada 21 do mês na esperança de manter vivo o movimento novembro-dezembro de 2019, que começou sua dinâmica ritual em janeiro deste ano e foi instalado em agosto, terminou, como ficou evidente no início, com um claro fracasso.

As mobilizações de 19 e 21 de novembro deste ano, a segunda muito mais dramática do que a primeira, foram claramente menores do que o protesto de 21 de outubro passado, que conseguiu o atendimento de setores sociais mais diversos e uma maior presença das bases sindicais. Além disso, várias das organizações que supostamente organizaram o protesto, tais como a burocracia estudantil da ACRES ou as confederações de pensionistas, tiveram um comparecimento menos que simbólico. Por outro lado, simplesmente não há comparação com a massiva mobilização sindical e popular no centro da capital que ocorreu no contexto da greve nacional de 21 de novembro de 2019.

Embora não se trate de um fenômeno novo, o movimento sindical mostrou seus problemas interligados de burocratização e fragmentação, nos quais, por um lado, a maioria dos pequenos sindicatos não conseguiu convocar uma marcha para sua diretoria com permissão sindical e, por outro lado, as organizações de porte médio incorporaram um grande número de jovens pagos para carregar bandeiras e estandartes, cuja presença às vezes excedia o número de membros, e onde os artistas contratados para energizar se revelaram centrais, apesar de seus escassos elementos vingativos.

Em parte devido ao grave impacto da pandemia e às medidas de distanciamento social, o trabalho social de base que tínhamos apontado como vital para recompor o movimento que emergiu dos dias de protesto nacional de 2019, foi enfraquecido ou paralisado. Abordar esta tarefa permanece indefectível do ponto de vista socialista libertário, embora seja claramente necessário enfrentá-la sob as novas circunstâncias da relativa retirada do movimento.

Arriba los que luchan!

Grupo Libertário Via Libre

Fonte: https://grupovialibre.org/2020/12/01/balance-de-las-movilizaciones-del-19-y-el-21-de-noviembre-de-2020/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Na noite escura
um mar de espuma
chama pela lua

Eugénia Tabosa

Vídeo | O Fim das Prisões

Centenas de milhares de pessoas ocupam as celas e galerias das prisões brasileiras e, no entanto a insegurança continua sendo uma das principais preocupações da população em geral. Será então que as prisões podem contribuir para um mundo mais seguro, ou será que são parte do problema?

Agradecimentos: Acácio Augusto, Facção Fictícia, Franklin López, subMedia e Allpower.

>> Veja o vídeo (15:38) aqui:

https://kolektiva.media/videos/watch/2df9979d-d118-44bd-a3e5-c1c416d636f9

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Nem uma brisa:
o gosto de sol quente
nas framboesas

Betty Drevniok