[Espanha] Contra o fascismo e o esquecimento

Não existe um fascismo abstrato, etéreo, de manual. O fascismo sempre teve nomes, sobrenomes, uniformes, igrejas cúmplices, juízes obedientes, falangistas disfarçados de policiais ou empresários beneficiados e vítimas perfeitamente identificáveis. O fascismo não é uma opinião incômoda nem um excesso do passado: é um regime criminoso, uma prática sistemática de terror, extermínio e saque, cuja marca continua viva onde quer que a justiça não tenha sido feita.

O fascismo espanhol não foi uma reação, foi uma agressão. A guerra civil de 1936 não foi uma guerra entre irmãos, foi uma guerra de classes iniciada por uma sublevação militar contra um regime democrático. Desde o primeiro dia, impôs-se a lógica do extermínio: fuzilamentos em massa, valas e poços, prisões, campos de concentração, exílio, roubo de bens, de dignidade e até de bebês. Não houve simetria possível. Houve vencedores armados que saciaram sua sede de vingança até a exaustão e vencidos indefesos e humilhados, destinados a ser vítimas, sem outra missão que o sofrimento.

Durante quarenta anos, o franquismo proibiu até o direito mais elementar: enterrar os mortos. Como na tragédia de Sófocles, o Estado arrogou-se a potestade de decidir quem merecia sepultura e quem devia apodrecer como exemplo. Essa proibição não foi apenas material, foi moral e política. A uma parte do país negou-se o luto, a memória e a palavra. Essa é a autêntica síndrome de Antígona: a condenação a viver sem verdade nem justiça.

A chamada Transição não rompeu com esse crime fundacional. Administrou-o. Consagrou a impunidade dos algozes e o silencioso medo das vítimas. Anistiou-se os criminosos e exigiu-se paciência às famílias dos assassinados. Os arquivos permaneceram fechados, os juízes viraram a página e os responsáveis morreram na cama, com honras, medalhas e funerais de Estado. Enquanto isso, os familiares dos fuzilados ou desaparecidos envelheciam sem saber onde estavam os ossos dos seus.

Dessa capitulação nasce a farsa da equidistância: a chamada “Terceira Espanha”. Uma ficção cômoda que pretende igualar vítimas e algozes, fascistas e antifascistas, aqueles que deram ordens de matar e aqueles que jazem ainda nas valas, poços e valetas. Não é neutralidade: é branqueamento. Não é reconciliação: é continuidade do crime por outros meios, sua permanência e institucionalização.

Não se pode colocar no mesmo saco quem defendia um governo legítimo e quem o destruiu a sangue e fogo. Não se pode falar de “excessos em ambos os lados” quando apenas um lado construiu um Estado baseado no terror… durante décadas, enquanto o outro lado sobrevivia no exílio ou foi submetido à brutal ditadura do tirano. Não se pode condenar a violência em abstrato para evitar apontar o fascismo e os executores fascistas em concreto, com seu nome e sobrenome. Isso não é rigor histórico, é covardia política.

O fascismo não terminou com a morte do ditador. Fraga assumiu a rua em Vitoria e ainda hoje sobrevive na estrutura do poder, na impunidade judicial, na corrupção herdada, nos monumentos de exaltação, nos discursos que criminalizam os vencidos e absolvem os vencedores. Sobrevive cada vez que se nega uma exumação, cada vez que se relativiza um crime, cada vez que se pede esquecimento. Sobrevive na cruz do Vale dos Caídos, porque essa cruz é uma suástica.

Não queremos monumentos vazios nem homenagens oficiais sem consequências. Queremos a verdade completa: todos os arquivos abertos, todas as valas exumadas, todos os nomes sobre a mesa. Queremos saber quem matou, quem ordenou, quem denunciou, quem enriqueceu. Queremos justiça, ainda que tarde, porque sem justiça não há nem o menor simulacro de democracia, apenas administração do passado criminoso.

O fascismo não se discute: combate-se. Combate-se com memória, com verdade, com justiça e com uma repulsa sem nuances. Não há meio-termo entre algozes e vítimas. Não há terceira via entre a barbárie e a dignidade. Enquanto restar um só desaparecido numa vala, num poço, numa valeta, numa cova e um só criminoso sem ser julgado, o combate continua.

Porque calar não é neutralidade. Calar é tomar partido pelo fascismo.

Que um criminoso de guerra, confesso e vitorioso, que um assassino de massas ocupasse a Chefia do Estado durante quarenta anos não se apaga facilmente, e suas sequelas são inúmeras e persistentes, mesmo cinquenta anos depois de sua morte na cama.

E os nostálgicos do tirano contam-se aos milhares, sobretudo entre jovens um tanto ingênuos e demasiado ignorantes que não viveram nem sofreram o franquismo.

No entanto, sempre nos restará o canalha do Bourbon nomeando a si próprio impulsor e protetor de uma reconciliação e uma transição fantasmagóricas. Como se reconciliação e transição não tivessem sido a impunidade definitiva e absoluta dos algozes fascistas por todos os seus crimes, desde 1936 até 1976.

O “tudo atado e bem atado” de Franco.

Agustín Guillamón

Barcelona, abril de 2026

Fonte: https://alasbarricadas.org/noticias/node/58941

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Gotas de vidro
Espelho da penumbra
Alívio da manhã.

José Feldman

[Chile] Santiago: 5ª Feira Do Livro em Resistência – 18 e 19 de Abril

Contra o mundo da mercadoria, contra a obediência e a resignação, levantamos novamente um espaço para a palavra livre e a insubmissão.
 
Nos dias 18 e 19 de abril nos encontramos na Feira do Livro em Resistência, uma jornada onde a tinta, o papel e as ideias se convertem em ferramentas de combate contra a ordem estabelecida.
 
Abandonamos a cultura domesticada pelo mercado. Aqui circulam ideias que incomodam o poder.
 
Anarquismo que nega toda autoridade.
Anticapitalismo que rechaça a exploração e a mercadoria.
Antifascismo que enfrenta toda forma de dominação.
 
Entre livros, panfletos, editoras e conversações sem hierarquias, buscamos algo mais que uma feira: um ponto de encontro entre individualidades rebeldes e vontades indóceis que não aceitam viver ajoelhadas ante o Estado, o capital nem a moral imposta.
 
Porque cada livro pode ser uma chispa.
Cada palavra, uma fenda na ordem existente.
Cada encontro, uma conspiração pela liberdade.
 
18 e 19 de abril
 
Que circulem os livros proibidos.
Que se escutem as vozes insubmissas.
Que se encontrem os que ainda creem na vida livre e sem amos.
 
Nos vemos na Feira do Livro em Resistência.
 
Saúde e Revolução Social.
 
Inscrições e cronograma:
 
https://ferialibro.sovsantiago.org/
 
Tradução > Sol de Abril
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
por entre os salgueiros
clarão sedoso das águas
enluaradas
 
Rogério Martins

[Itália] Obrigado, Claudio, não vamos te esquecer!

No dia 7 de abril, faleceu Claudio Strambi, destacado militante anarquista e anarcossindicalista italiano, ligado à Unione Sindacale Italiana (USI) e à Federazione Anarchica Italiana (FAI). Morreu repentinamente, após décadas de ativismo no sindicalismo de base e no movimento libertário em cidades como Pisa, Florença e Volterra. A seguir, palavras dos seus companheiros de Pisa e Volterra.

Perdemos um amigo e companheiro. Não temos palavras no momento, e poucas linhas não seriam suficientes para retroceder décadas de militância anarquista, sindicalismo de base e anarcossindicalista.

Agradecemos àqueles que se lembraram destes dias, com comunicações e mensagens pessoais. Agradecemos aos companheiros de Pisa, Toscana, e um pouco de toda a Itália que nos fizeram sentir sua proximidade.

Era conhecido como enfermeiro e organizador sindical em seu local de trabalho em Pisa, no hospital Santa Chiara, sua cidade natal, e em Florença, onde viveu muitos anos, contribuindo para as lutas sindicais, inclusive em Careggi. Era anarquista, comunista libertário, organizador político e sindical, ativo em lutas sociais, desde o direito à moradia até a defesa dos espaços sociais, bem como na luta antimilitarista, pela saúde pública, pela solidariedade internacionalista e em muitos outros campos de atuação. Seu compromisso sempre esteve na linha de frente, muitas vezes enfrentando a repressão estatal. Sempre participou do debate aberto, comprometido com a construção de caminhos unificados, livres de lógicas minoritárias, mas sempre fiel à sua perspectiva anarquista.

Participou de inúmeras atividades organizativas. Destacam-se sua contribuição para a revista Comunismo Libertário, a fundação do Kronstadt Anarchico Toscano e de sua revista homônima — que durante anos teve sua sede no clube Vicolo del Tidi, fruto de suas relações com companheiros de Volterra e outras localidades da Toscana —, bem como sua filiação à Federazione Anarchica Italianae à Unione Sindacale Italiana.

Nunca se contentou em seguir a corrente, trazendo suas análises originais e perspicazes para o debate e a reflexão, sempre se esforçando para ver o anarquismo como uma força política capaz de intervir em meio às contradições da sociedade. Colaborou com a imprensa do movimento, em particular com o Umanità Nova. Durante anos, realizou um estudo exaustivo sobre Camillo Berneri, a partir do qual publicou os três primeiros volumes de “L’inquieta attititudine”.

Quando voltou para Pisa há alguns anos, dedicou grande parte de sua energia ao Círculo Anarquista de Vicolo del Tidi. Intolerante com o ritualismo, conferiu ao movimento anarquista uma dimensão contemporânea e dinâmica. Por meio da criação de grupos, redes e relações libertárias de solidariedade, bem como da participação em assembleias, lutas e movimentos, sempre conferiu ao anarquismo um papel proativo, tanto na ação prática quanto na análise.

Sempre soube destacar a capacidade do anarquismo de servir como ponto de referência para os problemas mais atuais e aparentemente complexos, livre de dogmatismo e ilusões autoritárias, justamente porque estava muito distante de qualquer ideia de “tomada do poder”.

Também nos lembramos dele em momentos de alegria e camaradagem, em conversas em eventos ou na rua tomando uma cerveja, por seu humor irreverente, por sua maneira peculiar de se vestir e andar, pela música que o acompanhava e por suas canções.

Seus pensamentos e ações para mudar o mundo o caracterizaram profundamente, e essa tensão transformadora e ideal para a autoemancipação social, feita de humanidade e rara sensibilidade, permanece viva em sua memória para todos os seus companheiros.

Nossos pensamentos estão com sua família, seu filho e todos os seus entes queridos.

Obrigado, Claudio!

Círculo Anarquista de Vicolo del Tidi, Pisa

Espaço Libertário Pietro Gori – Kronstadt Volterra

agência de notícias anarquistas-ana

Grito da sineta
na última aula. Alegria.
Depois o silêncio.

Alexei Bueno

[Hungria] Feira do Livro Anarquista de Budapeste

No dia 18 de abril, realizaremos pela terceira vez a Feira do Livro Anarquista de Budapeste!

Como sempre, apresentaremos publicações, livros e panfletos tanto em húngaro quanto em inglês. Os livros e panfletos em inglês são da Active Distribution, e alguns panfletos novinhos em folha também estarão disponíveis.

Também prepararemos comida durante o dia!

Venha dar uma passada, dar uma olhada no Infoshop, ler e bater um papo conosco.

O Infoshop ficará aberto o dia todo!

Infoshop Hétvége [A] helyen!

Auróra utca 34

1084 Budapeste

agência de notícias anarquistas-ana

Fundo de quintal…

Silêncio. No velho muro,

uns cacos de sol…

Jorge Fonseca Jr.

[Grécia] Solidariedade com o povo de Cuba e nossos camaradas anarquistas

Desde o 13º Congresso da Internacional das Federações Anarquistas, realizado em Atenas (3 a 5 de abril de 2026), enviamos nosso apoio e solidariedade inabaláveis aos nossos camaradas anarquistas em Cuba, que não puderam viajar para participar dos trabalhos da IFA.
 
O embargo econômico contra Cuba está em vigor desde a década de 1960, mas nos últimos meses os EUA endureceram sua postura, impondo sanções a navios que transportam petróleo para a ilha e ameaçando aplicar tarifas contra os países que o fornecem.
 
A coerção punitiva de todo um povo a viver em condições extremas e devastadoras (sem eletricidade, essencial para o funcionamento da infraestrutura básica para a sobrevivência humana) constitui um crime contra a humanidade.
 
Nenhuma tolerância, nenhum silêncio diante do crime que os Estados Unidos estão cometendo contra o povo de Cuba e contra a guerra global que estão travando contra a humanidade — uma guerra que amanhã atingirá a todos nós, em todos os cantos da Terra.
 
Internacional das Federações Anarquistas (IFA-IAF)
3 a 5 de abril de 2026 – Atenas, Grécia
 
apo.squathost.com
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/30/internacionalistas-sempre-xiii-congresso-internacional-das-federacoes-anarquistas/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Rastros de vento,
escuridão de brasas,
um salto suave.
 
Soares Feitosa

[Alemanha] Pelxs nossxs companheirxs que morreram em defesa da vida

PELXS NOSSXS COMPANHEIRXS QUE MORRERAM EM DEFESA DA VIDA

PELXS COMPANHEIRXS QUE DECIDIRAM TOMAR O PRÓPRIO DESTINO NAS MÃOS

PELXS COMBATENTES QUE ESTAVAM DISPOSTXS A FAZER TUDO O QUE FOSSE NECESSÁRIO

PELXS REVOLUCIONÁRIXS QUE NÃO SE CONTENTAVAM COM NADA MENOS DO QUE TUDO

E PELAS PESSOAS QUE ERAM JOVENS COMO VOCÊ E EU

POR VOCÊ, KYRIAKOS

POR VOCÊ, SARA E SANDRO

POR TODXS AQUELES QUE DERAM A VIDA PARA DEFENDER A VIDA

Em 19 de março de 2026, xs companheirxs anarquistas Sara Ardizzone e Alessandro Mercogliano foram encontradxs mortxs após o desabamento de uma casa rural em Roma. A mídia fala de uma suposta detonação de um artefato explosivo. Embora as circunstâncias exatas permaneçam pouco claras, uma coisa é certa para nós: Sara e Sandro morreram em ação, morreram combatendo.

Recebemos essas notícias pouco antes do início do julgamento de Ampelokipi contra nossas companheiras anarquistas Marianna Manoura e Dimitra Zarafeta, bem como contra xs outrxs três réus. Marianna ficou gravemente ferida na explosão de um artefato em 31 de outubro de 2024 em Atenas e desde então está detida junto com Dimitra na prisão feminina de Korydallos.

Essa mesma explosão matou nosso companheiro Kyriakos Xymitiris.

Recordamos com dor aqueles primeiros dias após a morte dele: o vazio, a dor, a raiva. A tentativa de compreender o incompreensível, de entender a definitividade de um único ato. Somente juntxs podíamos enfrentar a realidade em que vivemos.

Choramos juntxs e gritamos juntxs. Sentamo-nos juntxs em silêncio. Discutimos, fizemos planos e agimos juntxs. Decidimos considerar a defesa da memória revolucionária como nossa responsabilidade e como a consequência lógica da nossa luta comum.

Axs amigxs, axs companheirxs e às famílias de Sara e Sandro: sentimos a sua dor, compartilhamos a sua raiva e estamos ao seu lado na defesa da memória dxs nossos companheirxs caídxs. Desejamos a vocês toda a força, todo o amor e toda a ternura de que precisamos para manter viva a chama da nossa luta comum. Desejamos a vocês momentos de descanso, para chorar e sofrer juntxs. Lutamos ao seu lado por momentos de insurgência, em que deixamos que nossa raiva se torne o fogo que mantém viva a memória dxs nossxs companheirxs.

Os corações revolucionários ardem para sempre!

De Roma a Atenas a Berlim: temos razão, venceremos!

Sara Ardizzone  Sempre ao nosso lado!

Alessandro Mercogliano  Sempre ao nosso lado!

Kyriakos Xymitiris  Sempre ao nosso lado!

-R94

Fonte: https://brughiere.noblogs.org/post/2026/04/09/per-lx-nostrx-compagnx-che-sono-mortx-in-difesa-della-vita/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

O vaga-lume à noite
acende sua luz.
Pisca-pisca.

Aprendiz

Agir hoje para não obedecer amanhã: a força cotidiana da autonomia

A autonomia não é uma promessa distante, uma miragem que surgirá no horizonte depois da revolução. Ela se faz no suor do agora, no gesto cotidiano de recusar as amarras que nos sufocam. Enquanto muitos se perdem na ilusão de que a transformação social é um evento futuro — uma grande noite em que, finalmente, tomaremos o poder —, nós, anarquistas, sabemos que o amanhã é moldado pelas mãos que ousam construir hoje. A autonomia não é herança que se recebe; é conquista que se tece na desobediência de cada instante. Esperar é consentir. Agir é existir.

A história nos mostra que as mudanças radicais nunca foram decretadas de cima para baixo, mas brotaram das trincheiras da vida real. As fábricas recuperadas, os hortos comunitários, as escolas livres, as redes de apoio mútuo: todas essas sementes de emancipação não aguardaram a permissão de um Estado ou a data marcada por uma vanguarda. Elas surgiram quando pessoas comuns, cansadas da espera, disseram “basta” e estenderam as mãos para construir o novo sob os escombros do velho. É nesse terreno — áspero, imediato, imperfeito — que a autonomia deixa de ser ideia e se torna força viva.

Dizer que agimos “enquanto esperamos” a grande transformação é um contrassenso perigoso. É justamente o contrário: são as práticas autônomas de hoje que forjam a subjetividade rebelde de amanhã. Se nos acostumamos a delegar, a obedecer, a adiar a nossa potência, estaremos apenas reproduzindo dentro do movimento a mesma lógica de dominação que dizemos combater. A autonomia não é um ponto de chegada; é um método. Cada vez que decidimos coletivamente sobre nossas vidas, cada vez que rompemos com a lógica do consumo e da hierarquia, estamos antecipando o mundo que queremos ver. E nessa antecipação, criamos as condições materiais e subjetivas que tornam a revolução não apenas possível, mas inevitável.

Acreditar que a liberdade plena só virá depois de uma “tomada do poder” é cair na armadilha do pensamento autoritário. Para o anarquismo, os meios e os fins são indissociáveis. Se usamos meios autoritários, hierárquicos ou adiamos a liberdade para um futuro incerto, jamais chegaremos a um resultado libertário. Por isso, a construção da autonomia é uma militância de todos os dias. É no presente que forjamos a confiança mútua, a solidariedade concreta e a capacidade de autogestão. É agora que ensaiamos, erramos, aprendemos e fortalacemos os laços que farão frente ao leviatã quando ele tremer.

Não há transformação social sem sujeitos transformados, e esses sujeitos não nascem da noite para o dia. Eles são forjados na prática incessante da autonomia: na vizinha que organiza com as outras a segurança do beco contra a violência policial, no coletivo que ocupa um prédio abandonado e decide em assembleia os rumos da moradia, nos trabalhadores que retomam os meios de produção sem pedir licença ao patrão. Cada ato de recusa e criação é uma célula do novo mundo. E quanto mais células formamos, mais o corpo social adoece de liberdade, até que a estrutura do poder já não tenha onde se sustentar.

Portanto, camaradas, deixemos de lado a ansiedade pelo “grande dia” e concentremos nossa fúria criadora no que podemos fazer com as mãos, agora, neste chão que pisamos. A autonomia não é um prêmio para os que souberem esperar; é uma ferramenta para os que se recusam a esperar. Cada hora vivida em autogestão é uma hora de revolução real. Cada laço horizontal que tecemos é uma derrota para a lógica da dominação. Não construímos autonomia para a revolução: construímos autonomia como a própria revolução em movimento. O amanhã que queremos já começou — e começa agora, na coragem de quem decide ser, hoje, o agente da sua própria vida.

Liberto Herrera.

Fonte: https://libertoherrera.noblogs.org/2026/04/10/agir-hoje-para-nao-obedecer-amanha-a-forca-cotidiana-da-autonomia/

agência de notícias anarquistas-ana

dois amigos na janela
a lua
encontra o pinheiro

Ricardo Portugal

[Reino Unido] Acadêmicos anarquistas chegam a Oxford

A Rede de Estudos Anarquistas organizou três sessões na Conferência da Associação de Estudos Políticos de 2026
 
– Coordenação da ASN
 
A Rede de Estudos Anarquistas, ou Anarchist Studies Network (ASN), organizou sua plataforma mais significativa até hoje na conferência da Political Studies Association (PSA), em Oxford, no fim de março. Como um dos quarenta e oito “grupos de interesse” ativos dentro da PSA, a ASN existe “para coordenar e promover a investigação do anarquismo como práxis social e política”.
 
Para a conferência deste ano, organizamos três sessões distintas, representando perspectivas políticas diversas e argumentos práticos. Houve uma mesa-redonda sobre a relevância contemporânea do pensamento anarquista, presidida por Shane Little, com a participação de Laurence Davis, Rhiannon Firth, Jim Donaghey e Jon Bigger, do próprio Freedom. O primeiro painel contou com falas de Elke Van dermijnsbrugge sobre “Max Stirner, políticas de identidade e coexistência multiespécie“; de Rhiannon Firth, intitulada “Comam os ricos: prefigurando a recomposição ecológica e social por meio da ajuda mútua e dos movimentos cooperativos de alimentação“; e de James Willis, intitulada “Criação de mundos e misticismos ferais: resistência como Via Negativa Política“.
 
O segundo painel contou com falas de Ray Di Marco Campbell, intitulada “Anarquismo em ação: cortes comunitários, refeições e conexão“; de Matti Eskelinen, intitulada “Propriedade, não liberdade! Desatando os nós entre anarquismo e libertarianismo em relação ao propertarianismo“; e de Ivan de Oliveira sobre a “Alianza Libertaria Argentina: contexto e criação de uma organização política anarquista nos anos 1920“.
 
Embora atuar em contextos acadêmicos implique uma multiplicidade de desafios práticos e éticos, os cargos que muitos de nós ocupamos em ambientes educacionais nos oferecem espaços altamente privilegiados nos quais podemos integrar, incorporar e alinhar nossas perspectivas anarquistas às nossas práticas. Assim como a plataforma da ASN na conferência da PSA permitiu que pessoas não familiarizadas com abordagens anarquistas e afins, intrigadas por elas ou mesmo abertamente hostis a elas, participassem dos espaços que organizamos, nossa posição nessas organizações às vezes também facilita o acesso a financiamento institucional, a ambientes de ensino nos quais podemos expor estudantes a ideias radicais para além dos currículos acadêmicos convencionais de nossas respectivas áreas, e a oportunidades de envolver públicos diversos em debates críticos.
 
Nenhum de nós entrou nessas instituições com ilusões sobre o que elas representam, como lucrar com estudantes pagantes, usar qualificações como barreiras de acesso aos tipos de trabalho que nossos estudantes desejam exercer, e assim por diante. Em vez disso, estamos buscando fortalecer nossas próprias redes para que, em nossos espaços dedicados, seja na PSA, em nossas próprias conferências ou em outros eventos, possamos continuar promovendo solidariedade, parcerias e colaboração dentro de uma cultura que frequentemente promove e até valoriza justamente o oposto.
 
Além de nossa próxima conferência em Manchester, organizamos um programa de atividades de dois dias para acadêmicos em início de carreira, incluindo pesquisadores, docentes e outras pessoas que atuam na academia, que ocorrerá nos dois dias imediatamente anteriores à conferência, na segunda-feira, 24 de agosto, e na terça-feira, 25 de agosto de 2026. Anarchademics, Unite! é aberto a estudantes de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado “cuja pesquisa dialoga com o anarquismo e que estejam considerando um futuro na academia ou para além dela”. Embora estejamos particularmente interessados em apoiar colegas que enfrentam barreiras adicionais para ingressar ou se estabelecer na academia, incluindo, mas não se limitando a, ideologia, classe, raça e pertencimento étnico, religião, gênero, sexualidade, status de residência, deficiência e todo tipo de intersecção, todas as pessoas interessadas são encorajadas a enviar uma manifestação de interesse. As sessões abordarão pedagogias radicais, propostas de financiamento de pesquisa, elaboração de programas de curso, publicação acadêmica e outras questões relacionadas.
 
Para melhorar a acessibilidade das oficinas, a rede comprometeu recursos para apoiar o deslocamento das pessoas selecionadas, com até 150 libras de reembolso para ida e volta, oferecerá duas noites de hospedagem, dará suporte alimentar com bebidas e lanches durante os dois dias de atividades e cobrirá o jantar da primeira noite do programa. As pessoas interessadas devem preencher um breve formulário explicando o que esperam obter com os eventos, com espaço também para ajudar a definir os focos das atividades ao detalhar desafios específicos que tenham enfrentado até agora. Também encorajamos as candidaturas a informar quaisquer adaptações que possamos fazer para facilitar melhor sua participação nesse espaço. O formulário pode ser encontrado em nosso site, aqui; as inscrições preenchidas devem ser enviadas até segunda-feira, 20 de abril. Pretendemos informar todas as pessoas candidatas sobre o resultado em até quatro semanas após o envio.
 
anarchiststudiesnetwork.org
 
Fonte: https://freedomnews.org.uk/2026/04/10/anarchademics-descend-on-oxford/  
 
Tradução > Contrafatual
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/05/reino-unido-9a-conferencia-internacional-da-rede-de-estudos-anarquistas-%e2%80%92-chamada-para-artigos/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
uma pétala caída
que torna a seu ramo
ah! é uma borboleta
 
Arakida Moritake

[Argentina] Patricia Olivier

Em 11 de abril de 1977 é assassinada em Buenos Aires a militante anarquista Patricia Silvia Olivier Testa, conhecida como Paíta. Havia nascido em 24 de dezembro de 1952 em Buenos Aires. Criou-se em Ituzaingó (Buenos Aires). Depois de realizar os estudos secundários, matriculou-se na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Buenos Aires (UBA).

Formou casal com o estudante anarquista Luis Esteban Matsuyama Goyeneche (El Chino) e ambos militaram na Resistência Estudantil pelo Socialismo (RES), grupo estudantil e sindicalista da organização libertária Línea Anarco-Comunista (LAC), organização que se dissolveu entre 1975 e 1976; parte de sua militância integrou-se na agrupação anarquista Resistência Libertária (RL).

O RL criou-se em La Plata (Buenos Aires), com vínculos com Buenos Aires e Córdoba, e da qual fizeram parte destacados anarquistas argentinos e uruguaios exilados, como Rufino Almeyda, Rita Artabe, Ether Biscayart de Tello Fernando López, Elsa Martínez, Elvi Mellino, Raúl Olivera, Hernán Ramírez Achinelli, Marcelo Tello, Pablo Tello, Rafael Tello, etc. Com Luis Matsuyama, a partir de 1975 trabalhou como desenhista técnica na empresa Techint e viviam no número 5.810 da Rua Corrientes, no bairro de Villa Crespo de Buenos Aires, lugar de reunião da militância.

Em consequência da detenção e assassinato em 8 de abril de 1977 da irmã de Luis, Norma Matsuyama (grávida), seu companheiro Eduardo Testa e Adriana Gatti Casal (grávida) no bairro de Agronomia de Buenos Aires, os três militantes do grupo Montoneros e da União de Estudantes do exército da ditadura cívico-militar pode saber seu endereço. Patricia Olivier e Luis Matsuyama foram sequestrados em 11 de abril de 1977 em seu domicílio de Buenos Aires e, após sofrer torturas na Escola de Mecânica de Armanda (ESMA), desaparecidos.

Em 27 de maio de 2017 colocou-se um azulejo comemorativo em sua recordação a poucos metros de sua residência em um ato organizado pelo grupo Barris pela Memória e Justiça de Villa Crespo.

ALEN

Fonte: https://pacosalud.blogspot.com/2026/04/patricia-olivier.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Em câmera lenta
preguiça na imbaubeira
passa a outro galho.

Anibal Beça

[México] Comunicado sobre o companheiro Iván Torres Urbina

México em 9 de abril de 2026.

É com pesar que nos dão a notícia lamentável sobre a perda sensível do companheiro e camarada Ivan.

Devemos dizer que durante longas horas resistimos a escrever esta carta, pois esperávamos que tudo fosse um boato. No entanto, constatamos por diversas fontes sobre a lamentável perda de Ivan.

Para nós que integramos a Federação Anarquista do México, lamentamos a perda muito sensível do companheiro Ivan Artion Torres Urbina. Companheiro com quem frequentamos não só barricadas, mas sonhos e alegrias.

Dos nossos lugares enviamos abraços calorosos e fraternais para seus companheiros mais queridos e claro para todas e todos os anarquistas que sentimos o peso da sua partida.

Que a terra te seja acolhedora e te abrace forte, companheiro.

Até sempre.

Fraternalmente: Federação Anarquista do México-IFA

federacionanarquistademexico.org

agência de notícias anarquistas-ana

peixes voadores
ao golpe do ouro solar
estala em farpas o vidro do mar

José Juan Tablada

Por uma educação pública e laica: religião fora da escola

Uma educação pública e laica fundamenta-se na autonomia do ensino em relação a qualquer autoridade clerical ou doutrina teológica. Nesse modelo, a formação religiosa é entendida como atribuição das famílias e das comunidades de fé, enquanto à escola cabe garantir o acesso a conhecimentos comuns, universais e verificáveis, fundamentados na razão, na ciência e no pensamento crítico. Assim, a escola laica não é um espaço “vazio” de valores, mas um ambiente de neutralidade institucional, comprometido com a liberdade de consciência e com a proteção de alunos e professores contra qualquer forma de doutrinação.

A defesa da religião fora da escola pública apoia-se em pilares consistentes. O primeiro é a autonomia do pensamento: educar não é catequizar, mas formar sujeitos capazes de questionar, argumentar e decidir com base em evidências. Substitui-se o dogma pelo debate qualificado, abrindo espaço para o pluralismo de ideias e para o desenvolvimento intelectual.

O segundo pilar é a proteção à pluralidade. Em sociedades marcadas pela diversidade religiosa e cultural, a neutralidade do ensino público é condição para evitar que crenças majoritárias se imponham sobre minorias — ou sobre aqueles que não professam fé alguma. A escola, nesse sentido, deve ser um espaço de convivência democrática, não de privilégio confessional.

O terceiro é a ética secular. Valores como solidariedade, dignidade e respeito mútuo não dependem de fundamentos religiosos para existir; podem ser construídos a partir do diálogo racional, da empatia e da experiência humana compartilhada. A escola pública, portanto, tem plenas condições de promover uma formação ética consistente sem recorrer a referenciais teológicos.

Apesar de sua importância, esse princípio enfrenta pressões crescentes. Movimentos inspirados por correntes como a chamada “Teologia do Domínio” e a estratégia dos “Sete Montes” defendem a ocupação de esferas sociais — entre elas, a educação — por agendas religiosas específicas. Soma-se a isso a expansão do ensino religioso confessional em redes públicas e a atuação de bancadas religiosas contra debates sobre gênero e diversidade. Para setores comprometidos com a laicidade, tais iniciativas representam não apenas um retrocesso institucional, mas uma ameaça à neutralidade do Estado e aos fundamentos de uma sociedade democrática plural.

Grupo de Estudos Alerta – Anticlerical

>> Mais infos: Centro de Cultura Social (CCS), Rua General Jardim, 253, sala 22, Vila Buarque – próximo ao Metrô República, Sâo Paulo-SP.
www.facebook.com/centrodeculturasocialSP/
@centro_de_cultura_social
ccssp@ccssp.com.br
www.ccssp.com.br

agência de notícias anarquistas-ana

No calor da tarde
Uma chuva refrescante.
Nasce o arco-íris.

Thiago Augusto Rodrigues

[Chile] Primeiro de Maio Anárquico no Parque La Bandera, Santiago

Um chamado a encontrar-nos fora das jaulas de costume.

Longe do espetáculo domesticado do sindicalismo oficial e seus desfiles vazios.

Este Primeiro de Maio não se mendiga dignidade: se exerce.

O Sindicato de Ofícios Vários convoca aos que não aceitam ajoelhar-se ante o trabalho assalariado nem ante as promessas do poder. Aos que entendem que a liberdade não se delega, que a vida não se negocia, que a rebeldia não se domestica. No Parque La Bandera levantaremos, uma vez mais, esse território efêmero, mas real onde a autoridade se dissolve e a fraternidade se torna prática concreta.

Haverá música, sim, mas não como espetáculo: como grito de protesto. Oficinas e palestras, não para ilustrar passivamente, mas para acender a consciência e afiar a ação. Feira libertária, não como consumo, mas como intercâmbio vivo de ideias, afetos e ferramentas para romper com a ordem estabelecida.

Que ninguém venha a observar. Aqui se vem para participar, para incomodar, para tensionar. A conspirar contra a obediência e a ensaiar, ainda que seja por umas horas, a vida que nos foi negada.

Porque não queremos reformas: vamos para o comunismo anárquico.

Saúde e Revolução Social.

Difunde, participa, traga tua feira!

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

No meio da grama,

Surge uma luz repentina.

Vaga-lume acorda.

Renata Paccola

[Itália] Roma: Fora Alfredo do 41bis [18 de abril]

Essas prisões são prisões de guerra. Fora Alfredo do 41bis!
 
A vida de Alfredo Cospito passa novamente pelas mãos do Ministro da Justiça, portanto do governo, pois nos primeiros dias de maio expiram os primeiros 4 anos em regime de 41bis. A partir desse momento, o prazo terá renovação a cada 2 anos. A história de Alfredo hoje é conhecida por amplos setores da sociedade que tomaram consciência da violência do 41bis graças à greve de fome de mais de 180 dias, que Alfredo realizou entre 2022 e 2023, e à forte mobilização nacional e internacional em sua solidariedade. Atualmente, as condições de detenção de Alfredo pioraram: ele não pode receber nenhum tipo de livro (mesmo aqueles sem conteúdo político), a censura nas cartas aumentou e ele não consegue nem mesmo farinha para fazer pão. Esse endurecimento adicional é uma clara represália após a sentença contra o Subsecretário da Justiça, Delmastro, condenado por revelação de segredos de Estado. O Subsecretário da Justiça havia transmitido a Donzelli, responsável do partido governista, documentos do DAP sobre conversas que Alfredo teve com outros detentos de sua seção durante a hora do ar livre.
 
A solidariedade com Alfredo nunca foi apenas uma luta por Alfredo. Como já foi dito várias vezes, um anarquista no 41bis hoje é um aviso para todos, pois essa extensão adicional desse regime prisional constitui uma das pontas mais avançadas da atual fase reacionária. O endurecimento contra ele, de fato, tem como principal explicação a vontade de encerrar a partida com qualquer forma de dissenso, desde as radicais até as permitidas.
 
O estado permanente de preparação para a guerra, no qual estamos imersos há quatro anos, é o resultado de uma adequação da agenda e da propaganda do Estado. Autoritarismo, cortes nos gastos públicos, militarização da sociedade, guerra aos pobres, patriarcado, leis racistas, detenção administrativa (CPR), mas, acima de tudo, a ferrenha celebração de tudo isso, representam a estrutura econômica e cultural à qual estão acostumando a população. Os pobres são indivíduos excedentes a serem confinados fora do convívio social. As pessoas dissidentes são inimigas a serem combatidas, o conflito social é terrorismo. O imperativo é lei e ordem, ou prisão.
 
E é por isso que é apropriado considerar as prisões como verdadeiras prisões de guerra e as pessoas detidas como verdadeiras prisioneiras de uma guerra que, embora ainda não tenha feito explodir bombas neste canto do mundo, impõe a necessidade preventiva de cerrar fileiras para desencorajar e desincentivar não apenas o conflito social, mas toda forma de oposição.
Essas prisões são prisões para Anan, condenado a 5 anos e 6 meses por ser palestino que participou da resistência contra a ocupação israelense; são prisões para Tarek Dridi, condenado por crime de resistência dentro da manifestação de 5 de outubro de 2024; são prisões para Ahmad Salem, em regime de Alta Segurança apenas por ter assistido a vídeos que qualquer um pode encontrar na web, mas considerados pelos investigadores como provas de preparação para o uso de explosivos para a prática de atos com finalidade terrorista.
 
Por Alfredo, pela abolição do 41bis, por todas as pessoas prisioneiras, pela deserção de toda guerra, pelo desmantelamento do aparato militar e da ideologia militarista e patriarcal, por todas as pessoas atingidas pela repressão por terem agido em solidariedade com a Palestina.

Fazemos um apelo àqueles que, há três anos, tomaram uma posição, àquela parte da sociedade que nestes anos foi às ruas pela Palestina e que, diante das injustiças, não costuma se calar.
 
No dia 18 de abril estaremos nas ruas de Roma por Alfredo.
 
Essas prisões são prisões de guerra
Fora Alfredo do 41bis
Liberdade para todos e todas
 
Fonte: https://brughiere.noblogs.org/post/2026/03/30/roma-fuori-alfredo-dal-41-bis-18-aprile/
 
Tradução > Liberto
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/11/italia-fora-alfredo-do-41-bis/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Sobre o telhado
flores de castanheiro
ignoradas.
 
Matsuo Bashô

[EUA] Anunciando o Banco de Dados de Infiltrados

O Projeto No Trace lançou uma nova ferramenta: o Banco de Dados de Infiltrados, um banco de dados de casos de infiltrados de longo prazo empregados pelas autoridades no século XXI, atualmente com referência a 74 casos de 12 países. O objetivo do banco de dados é ajudar anarquistas e outros rebeldes a entender melhor como os infiltrados operam. Para cada caso, fornecemos uma breve descrição, fontes para aprender mais, bem como o nome e fotos do infiltrado, se disponíveis.
 
Manteremos o banco de dados no futuro. Se você souber de algum caso que esteja faltando e que atenda aos nossos critérios de inclusão, sinta-se à vontade para nos informar.
 
Para obter mais informações sobre infiltrados e como se defender contra eles, recomendamos nosso banco de dados de recursos.
 
Tradução > Reno Moedor
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/09/29/espanha-as-voltas-com-os-infiltrados/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Lágrimas salgadas –
o mar permanece nos olhos
desde o princípio
 
Casimiro de Brito

[Colômbia] Nunca Policiais. Todos Os Porquinhos São Bonitos.

Nunca Tombos. All Cerditos Are Bonitos. 

Antes de compará-los, alguns dados:

Os porcos são tão inteligentes como os cães; aprendem truques, se reconhecem no espelho e recordam lugares por meses.

Amantes da limpeza: Ainda que as pessoas acreditem no contrário, são animais limpos. Separam onde dormem, comem e fazem suas necessidades se têm espaço.

Sociais e faladores: Se comunicam com mais de 20 sons diferentes e criam laços muito fortes com seu grupo.

Aprendem rápido: Podem correr até 17 km/h e até jogar vídeo jogos simples!

Cuidam de sua pele: Se revolvem no barro para refrescar-se e proteger-se do sol, como se fosse protetor solar natural.

De grande coração: Se afeiçoam com humanos e outros animais, e inclusive sonham quando dormem.

Conclusão, os porcos são demasiado bonitos, sociais e inteligentes para merecer semelhante comparação.

Xilografia por @fungitivo_jaimes.

La Candelaria, Bogotá

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

do orvalho
nunca esqueça
o branco gosto solitário

Matsuo Bashô

[Espanha] O apoio mútuo como ato revolucionário diante da sociedade do “viver rápido e sentir pouco”

Em um mundo cada vez mais hostil, sob um sistema que nos insensibiliza, nos separa, nos incentiva a competir e que prioriza o benefício individual sobre o coletivo. Um sistema que perpetua e fomenta a desigualdade social e que, de certa forma, nos iguala. Nos iguala a uma parte da sociedade como classe. A nós, como classe trabalhadora.

O apoio mútuo como ferramenta transformadora


O apoio mútuo se apresenta como uma ferramenta que representa tudo o contrário. Representa a solidariedade, a colaboração e a cooperação na qual o benefício é sempre coletivo. Na qual se oferece e se recebe apoio. Em definitivo, uma ferramenta de defesa comum que nos permite transitar pela vida de forma mais amável e humana.

Criação de espaços seguros


Criando espaços seguros onde poder ser, sentir e dar voz às nossas aventuras e desventuras cotidianas, “aqui escutamos, não julgamos e geralmente contribuímos”, procurando criar um oásis de calma e paz, onde cada integrante do grupo se sinta acolhido pelos demais.

Alcateia, horizontalidade e cuidado coletivo


Uma alcateia de lobas organizadas de maneira horizontal e assemblear, sempre cuidando todos de todos e não deixando ninguém para trás. Parafraseando uma canção que ainda perdura entre pessoas idosas e jovens, e que este ano completa 50 anos:

“Bidean anaia erortzen bazaik Lepoan hartu ta segi aurrera!”
(Se um irmão cair no caminho, carregue-o nas costas e siga em frente!)

Conclusão


Em definitivo… Se o apoio mútuo é um pequeno ato revolucionário, caminhemos juntes rumo à revolução!

Fonte: https://irunea.cnt.es/gam/apoyo-mutuo-acto-revolucionario/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

bambu quase quieto,
voltado para o poente,
filtra a luz da tarde

Alaor Chaves