1M-2026: A gente ainda nem começou.

Por consenso, toda a UAF se articulou em torno da iniciativa proposta pela Federação Anarquista Capixaba (FACA) de realizar uma semana de propaganda e luta com a classe trabalhadora no nosso imenso território brasileiro neste primeiro de maio de 2026.

Procedemos a colagens, panfletagem, rodas de conversa. Relembramos a história do primeiro de maio, destacamos a atual destruição de postos de trabalho, a hiperexploração, o aniquilamento de parte da mão de obra por máquinas, robôs e inteligência artificial. Denunciamos firmemente a continuidade e avanço do fascismo no Brasil. Conversamos sobre a situação sindical e a necessidade de termos associações de trabalhadores que atendam aos interesses dos trabalhadores e não de elites sindicais ou partidos políticos.

Fruto da luta histórica dos trabalhadores e trabalhadoras, destacamos a necessidade da redução da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho, conquista de melhores salários e combate contra o assédio moral – hoje uma das ferramentas mais utilizadas para explorar e controlar a classe trabalhadora – seja no setor privado, seja no setor público.

Denunciamos o ódio difuso no Congresso Nacional, no Executivo e Judiciário brasileiros, nas escolas, nas redes sociais, associado ao legado autoritário e à tortura da Ditadura Militar no Brasil, que se soma à crescente militarização da sociedade. Notável na multiplicação de milícias paramilitares urbanas, do agronegócio, de evangélicas, neonazistas e narcotráfico. Tudo isso divulgado impunemente e massivamente pelas empresas de tecnologia. Apoiadoras do culto ao ódio, seja este transmitindo a tortura de animais ou a agressão a moradores de rua.

Nossa ginástica neste 1M-2026, realizada por mulheres e homens trabalhadores, levou esta mensagem de reflexão e ação ao Espírito Santo nas cidades de Vitória, Vargem Alta, Alegre, Piúma, Marataízes, Itapemirim, Cachoeiro de Itapemirim; em Minas Gerais nas cidades de Contagem e Lajinha; no Rio de Janeiro nas cidades de Bom Jesus do Itabapoana e Campos dos Goytacazes; e na Bahia para Mata de São João e Salvador.

A gente ainda nem começou. Pois não teve início em 01 de maio de 2026 e não terminou em 19 de julho de 1936. Continuaremos trabalhando para criar ferramentas que fortaleçam a classe trabalhadora para construir a libertação da superexploração capitalista, para que a educação promova a fraternidade e que a sociedade conquiste a igualdade.

Sem as pessoas trabalhadoras, sem a classe trabalhadora, a vida no planeta seguirá ameaçada em benefício das elites capitalistas.

União Anarquista Federalista
02 de maio de 2026.

>> Mais fotoshttps://uafbr.noblogs.org/post/2026/05/05/1m-2026-a-gente-ainda-nem-comecou/

agência de notícias anarquistas-ana

ave calada –
ninho em silêncio
na madrugada

Carlos Seabra

[País Basco] A Feira do Livro Anarquista volta ao Arenal bilbaíno

Um ano mais, a CNT organiza a Feira do Livro Anarquista de Bilbao, e este ano o fazemos celebrando uma data especial: a vigésima edição. Os dias 9 e 10 de maio, a Plaza del Arenal se converterá no ponto de encontro do pensamento libertário em Bizkaia, com onze postos onde editoras, coletivos e distribuidoras trarão livros, fanzines, camisetas e materiais de todo tipo vinculados ao anarquismo. Como sempre, a entrada é livre e gratuita.

Uma programação para o debate e a reflexão

Além dos postos, a feira contará com uma agenda carregada de conteúdo.

No sábado 9, às 12 horas, iniciamos com a apresentação do novo número da revista Estudios, que nesta ocasião aborda uma temática de plena atualidade: sindicalismo revolucionário, ecologia e planificação econômica. A apresentação correrá a cargo de Endika Alabort, membro do ICEA e militante da CNT.

Pela tarde, às 18 horas, o jornalista Danilo Albín, colaborador de Público e especialista na ascensão da ultra direita, conduzirá a palestra-debate “Normalização e justificativa do discurso ultra direitista”, uma conversação necessária no momento político que atravessamos. Para fechar a jornada do sábado, a banda de folk/punk Mozkor Alaiak colocará a música e o ambiente festivo que toda feira merece, a partir das 20 horas.

No domingo 10, às 12 horas, a investigadora Anna Pastor Roldán apresentará seu livro Solidaridad Internacional Antifascista, SIA, um trabalho que reconstrói, a partir de fontes de arquivo e evidências arqueológicas, a história da rede solidária SIA durante a Guerra Civil espanhola. Um exercício de memória histórica imprescindível para entender nossas raízes como movimento. A feira seguirá aberta até às 14 horas, momento no qual fechamos esta vigésima edição.

Quem estará nos postos

Este ano contamos com a participação das editoras Irrecuperables, Oveja Roja, Descontrol, Piedra Papel Libros, Volapük, Teresa Claramunt e Ekintza Zuzena, a distribuidora DDT Banaketak, o grupo anarco-feminista Mujeres Libres – Emakume Askeak e a seção cultural do Gaztetze Txarraska de Basauri. Onze espaços para descobrir, folhear e levar para casa tudo aquilo que o pensamento libertário tem que dizer.

Vinte edições são vinte razões para vir

A Feira do Livro Anarquista é, sem dúvida, o evento cultural de caráter libertário mais importante que a nossa cidade acolhe a cada ano. Duas décadas organizando este encontro são prova da vitalidade de nosso movimento e da capacidade de nossas organizações para gerar cultura, debate e comunidade. Os convidamos a se aproximarem do Arenal não só para comprar um livro, mas para conhecer de primeira mão o que somos e o que pensamos, longe dos preconceitos e estereótipos com os quais demasiadas vezes nos apresentam.

Animatu eta etorri / Anime-se a vir

cnt.es

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barro já seco
por pegadas de sapato
passeiam formigas

Jorge B. Rodríguez

[País Basco] No dia seguinte

No Primeiro de Maio passado, a CNT Iruñea voltou às ruas junto com outros sindicatos e organizações. Dentro de um contexto de crise capitalista que se materializa na crescente dificuldade da classe trabalhadora para fechar as contas no fim do mês, na precarização do trabalho, fechamento de empresas e aumento dos assassinatos laborais, quisemos destacar a necessidade de superar o modelo sindical hegemônico e, assim, fortalecer a organização nos locais de trabalho.

Para isso, apostamos em aprofundar a alternativa anarcossindicalista: um modelo sindical participativo baseado no apoio mútuo, na autogestão e na ação direta, e que não abandona seu horizonte revolucionário, onde a defesa dos nossos direitos é a escola para uma sociedade mais livre e justa.

Por sua vez, essa sociedade se constrói dia após dia, fazendo valer nossa posição frente às práticas de ódio que, nos últimos tempos, nos chegam dos setores mais conservadores e reacionários. Racismo, machismo e antifeminismo, fascismo e as violências despejadas sobre as comunidades transmaricabibollo* são exemplos dos discursos que atacam as partes mais vulneráveis da nossa classe.

Em nível mais global, devemos assinalar que assistimos a uma escalada bélica também ligada à crise capitalista e à superexploração dos bens naturais, e que o internacionalismo proletário é a única resposta possível para as organizações que querem defender os interesses da classe trabalhadora.

Com relação à coordenação com outros sindicatos e coletivos para esta mobilização, a avaliação é positiva. Consideramos necessário continuar trabalhando nessa confluência para que as diferentes lutas empreendidas pelas diferentes organizações tendam a romper o isolamento e a fragmentação. Para essa confluência, defendemos uma premissa simples: independência e autonomia frente ao Estado, às instituições e aos partidos políticos.

Para a CNT, o Primeiro de Maio é uma data importante, mas o trabalho realmente necessário se desenvolve dia a dia. Por isso, fazemos um chamado à militância, a nos organizarmos nos locais de trabalho, nos bairros, nos sindicatos e nas lutas cotidianas. É aí que você sempre poderá nos encontrar.

Corre, companheira! O velho mundo fica para trás de nós.

Fonte: https://irunea.cnt.es/sindical/en-el-dia-despues/

*Nota da tradução: “transmaricabibollo” é um termo político e identitário usado em espaços ativistas na Espanha e América Latina, que reúne pessoas trans, maricas, bichas, bolleras (lésbicas) e não-binárias, muitas vezes como forma de resistência ao cisheteropatriarcado. Optou-se por manter o termo original por sua especificidade política e cultural, acrescentando esta nota explicativa.

Tradução > Liberto

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A frágil libélula
repousando no capim —
Bailado do vento.

Fagner Roberto Sitta da Silva

Editora Ácrata, um projeto editorial independente

Origem e propósito
 
A Editora Ácrata é um projeto editorial independente dedicado à publicação de obras voltadas ao pensamento libertário e às tradições críticas que orbitam o anarquismo. Surgida em 2025 como iniciativa do Instituto de Estudos Libertários (IEL), a editora marca o seu início com a proposta de consolidar um espaço de publicação e circulação de ideias libertárias, articulando pesquisa, militância e produção intelectual que ofereça subsídios para o anarquismo e para a sua divulgação.
 
O Livro como Instrumento
 
Mais do que uma editora no sentido comercial estrito, a Ácrata se insere em uma tradição ampla de iniciativas editoriais libertárias, na qual o livro é entendido como instrumento de intervenção crítica sobre a história, a ideologia e a teoria. Nesse horizonte, a publicação não é apenas difusão de conhecimento, mas parte de um esforço de disputa intelectual e política, voltado à problematização das narrativas dominantes e à valorização de experiências históricas frequentemente marginalizadas, onde o pensamento e a história do anarquismo têm lugar privilegiado.
 
Conhecimento e Compromisso
 
Seus fundamentos dialogam com uma perspectiva que busca socializar o conhecimento histórico e tensionar os limites da produção acadêmica convencional — frequentemente marcada por hierarquias institucionais, barreiras de acesso e circuitos restritos de circulação. Essa orientação aproxima a editora de uma longa linhagem de produção libertária que procura articular produção qualitativa de conhecimento e compromisso político, sem subordinar a pesquisa às exigências do mercado mainstream.
 
>> Para acessar a Editora Ácrata, clique no link abaixo:
 
editoraacrata.base44.app
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/09/04/novidade-editorial-revolucao-crime-politico-e-loucuras-os-discursos-criminologicos-e-o-anarquismo-no-brasil-1890-1930/
 
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Pássaro ligeiro
Come o pêssego maduro
Antes de mim.
 
Roseli Inez Jagiello

[Alemanha] A FGWM Myanmar solicita adesão à CIT.

Há vários anos, nós da FAU, ou melhor, do Grupo de Trabalho Asiático da CIT (Confederação Internacional do Trabalho), temos colaborado repetidamente com a FGWM em campanhas.
 
Entre outras coisas, apoiamos com sucesso diversas lutas trabalhistas em fábricas onde marcas como H&M, Hunkemöller e Zara produzem seus produtos, por exemplo, no Dia do Trabalho ou no Dia Internacional da Mulher. Nossos camaradas em Mianmar enfrentam muitos desafios diferentes: não só a ditadura militar ameaça suas vidas diariamente, como também as consequências a longo prazo de desastres naturais e até mesmo da pandemia de COVID-19 dificultam seu cotidiano. A guerra em curso no Oriente Médio também está elevando os preços.
 
É com grande satisfação que anunciamos que, após os inúmeros projetos que concluímos com sucesso em conjunto nos últimos anos, a FGWM se tornará agora membro em igualdade de condições da nossa confederação internacional. No entanto, a votação correspondente das outras seções da CIT ainda está pendente.
 
Para apoiar a adesão da FGWM, viajamos à Tailândia como uma delegação da CIT no final de março. Lá, pudemos encontrar alguns camaradas pessoalmente, preparar sua adesão em diversas sessões plenárias e discutir possíveis ações conjuntas futuras.
 
Seis de nós passamos duas semanas, principalmente em Mae Sot e Chiang Mai, onde muitos ativistas de Myanmar vivem atualmente exilados. Durante nossa viagem, não apenas conversamos com membros do FGWM (Movimento pela Liberdade de Myanmar), mas também tentamos nos encontrar com o máximo de outros grupos possível para expandir nossa rede. No total, a delegação da CIT conseguiu trocar ideias com 17 iniciativas e organizações. Embora os rebeldes não tenham nada – munição, armas, comida e até água potável – eles não desistem e continuam recebendo apoio inabalável da população civil. Enquanto a junta militar recebe armas e dinheiro da Rússia, China e Irã, os grupos rebeldes são praticamente abandonados à própria sorte. Não há apoio internacional, sistemas de defesa e nem mesmo um sistema de alarme. Uma estação de rádio (Federal FM) cumpre parcialmente essa função: transmitindo da selva, ela veicula, entre outras coisas, alertas de ataques aéreos. A Federal FM é apenas um exemplo da criatividade e da cultura do “faça você mesmo” da resistência contra o regime em Myanmar. Tanto em Mae Sot quanto em Chiang Mai, existem muitas iniciativas que apoiam não apenas o movimento de resistência, mas também os refugiados.
 
Devido a inúmeros outros conflitos e crises internacionais, a guerra civil em Myanmar recebe pouca atenção em outros países. O fato de estarmos interessados ​​em suas histórias e em sua luta foi muito bem recebido. Os encontros foram especiais para ambos os lados: as pessoas que conhecemos estão ativamente envolvidas em uma revolução. Elas não apenas apoiam a luta contra uma ditadura militar e, portanto, contra o fascismo, mas também trabalham para construir uma nova sociedade. Para nós, os encontros e as histórias de nossos camaradas foram muito motivadores para continuar e intensificar nossa rede internacional: desde nossa última campanha conjunta, em 8 de março de 2025, por produtos menstruais e melhores condições sanitárias nas fábricas, mudanças duradouras de fato ocorreram. Na fábrica têxtil Hang Kei, na área industrial de Yangon, que emprega mais de 1.000 pessoas, a administração permanece comprometida em fornecer absorventes higiênicos para as trabalhadoras, manter os banheiros limpos regularmente e também disponibilizar áreas de descanso para gestantes e lactantes. Como nós, na Europa e nos EUA, nos beneficiamos de preços baixos de roupas, estamos todos interligados pela cadeia de produção global. A cooperação internacional nos permite assumir a responsabilidade e pressionar as marcas que terceirizam a produção para fábricas em Myanmar (e outros países do Sul e Sudeste Asiático) e lucram com a exploração. Juntos, podemos fazer a diferença; já provamos isso. Vale a pena! A solidariedade é a nossa arma!
 
asia@icl-cit.org | icl-cit.org
 
direktaktion.org
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/07/11/vaquinha-para-myanmar-distribuicao-nas-fabricas-comeca/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Na tarde chuvosa,
Sozinho, despreocupado,
Um pardal molhado
 
Edson Kenji Iura

[Espanha] Crônica do 1º de Maio: memória e dignidade laboral

Este 1º de Maio, Dia Internacional da Classe Trabalhadora, a CNT se mobilizou em Logroño com o lema “Dignidade Laboral” e várias mensagens claras e contundentes: frente à repressão e a exploração, desobediência, solidariedade e apoio mútuo; frente a suas guerras, paz, trabalho e revolução; frente ao pseudo-sindicalismo subvencionado e domesticado, anarcossindicalismo e autogestão.

Homenagem no Memorial do Cemitério de Logroño

A jornada começou com a Homenagem no Memorial do Cemitério de Logroño. Uma introdução sobre a importância da memória, exemplificando com as 400 pessoas assassinadas aqui, deu passagem a Cris e Mariola, que nos contaram seu interessante e necessário “De lo que me dices”. Trata-se de um projeto de investigação e divulgação transfeminista, financiado pela Associação de Memória Histórica La Barranca e que joga luz sobre as formas de resistência das mulheres de Villamediana desde 1936 até o pós-guerra. Leram uma carta escrita por Vicenta Martínez, presa na Industrial, dirigida a sua irmã, e que narra o assassinato de seu marido (entre outros), transladado ao cemitério de Logroño, e da dramática situação que ela, sua família e suas companheiras represaliadas estavam padecendo. Finalmente, lemos uns belos versos da escritora e poetisa Esther Novalgos. Apesar de que Esther não pode estar fisicamente presente na homenagem, como queria, sim a sentimos com o poema A vosotros, que escreveu por causa desta homenagem, sobre a memória, o sacrifício e a luta.

Manifestação

Às 12h00 partiu a Manifestação da CNT desde a Glorieta del Doctor Zubía de Logroño. Contra o forte vento e demais elementos naturais e humanos, levando a frente o cartaz “DIGNIDADE LABORAL. 1º de Maio. Conta com CNT”, acompanhando-a com o grito de nossos lemas e o ondular das bandeiras anarcossindicalistas e anarcofeministas. Após o começo, transitamos e entoamos nossa luta pela Avenida de La Paz, as ruas San Millán, Escuelas Pías, Cantabria e 8 de Marzo, com parada e leitura feminista nesta última. Prosseguimos pelas ruas Alcalde Emilio Francés e Ateneo Riojano, as Avenidas Doce Ligero de Artillería e de La Paz, rua Portales, Plaza de Amós Salvador e rua San Bartolomé, concluindo no número 4, a sede do Escritório Integral 01 da Segurança Social. Ali se comentou brevemente o significado burocrático real desse órgão, assim como a realidade sócio-laboral e as lutas que, por ação ou omissão deste, deve afrontar a classe trabalhadora. O término foi a leitura do manifesto 1º de Maio: Corre, companheira! O velho mundo fica atrás de nós, fundamentado em duas ideias: que não há futuro sem desobediência e que as guerras da classe político-empresarial se combatem com paz, trabalho e revolução. O comunicado relata como o velho mundo — o da hierarquia, da submissão e do medo— se rachava sob nossos pés. Não nos rebelamos por capricho, mas por necessidade. Cada jornada laboral precária, cada direito cortado, cada vida subordinada ao lucro de uns poucos, confirma que nenhuma reforma deste sistema pode extirpar seu caráter dominador.

Vermú música e comida

Às 13h30 se iniciou o vermú musical e às 15h00 a comida popular vegana: salada e cuscuz deliciosos. A chuva da tarde nos obrigou a nos abrigarmos sob a tenda. O entardecer com DJ protagonizou o fim da festa reivindicativa.

Agradecimentos às companheiras que puseram seu grão de areia para que tudo saísse. Saiu bem. Agradecimentos a todas as pessoas que participaram nesta jornada de memória, luta, diversão e convivência.

Viva o Primeiro de Maio!
Viva a luta da classe trabalhadora!
Pela autogestão e o apoio mútuo!

>> Mais fotoshttps://aragon-rioja.cnt.es/cronica-del-1o-de-Mayo-memoria-y-dignidad-laboral/

Tradução > Sol de Abril

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Vi de uma lagarta:
faço um casulo de lã
na noite gelada.

Anibal Beça

[Espanha] Jornadas antimilitarismo anarquista

Biblioteca La Maldita está organizando umas jornadas de antimilitarismo anarquista que acontecerão ao longo do mês de maio e incluirão palestras-debates e apresentações de livros por diversos palestrantes.

As jornadas terão início no sábado, 9 de maio, com uma sessão dupla. Às 12h, o coletivo Prometeo Ediciones conduzirá a palestra-debate “A Guerra Chegou“, com base no conteúdo do livro “A Transição para a Guerra em Casa“. Em seguida, às 18h, o Comitê Coordenador Anarquista em Defesa da Terra apresentará um debate intitulado “Guerras e Extrativismo“, refletindo sobre o potencial do militarismo de inspiração anarquista.

Por fim, no sábado, 23 de maio, às 19h, será apresentado o livro Contra a Guerra, Contra a Paz, publicado pela editorial Afilando nuestras vidas. A obra aborda a atual guerra entre a Rússia e a Ucrânia como um conflito que beneficia o sistema capitalista e as classes dominantes de ambos os territórios em conflito.

diariodevurgos.com

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as peninhas
tão leves, flutuam
no ar

Akemi Yamamoto Amorim

[Espanha] O 1° de Maio Interseccional e Combativo afirma em Madrid que “contra o imperialismo, unidade de classe”

As estimativas e cálculos de anos anteriores (3.000 manifestantes) ficaram aquém. Este ano, o 1° de Maio Interseccional e Combativo (a primeira vez que ambos os blocos convergiram) deixou imagens indeléveis gravadas na memória da vibrante cena social de Madrid. Uma Ponte de San Isidro lotada demonstrou que o que se reivindicava na linha de frente da marcha não era mais mera retórica. Contra o imperialismo, unidade de classe.

Neste 2026, a CNT de Madrid participou mais uma vez ao lado da CNT da Comarcal Sur e de outros sindicatos da nossa Confederação, bem como do resto das organizações (Adela, Bloque Bollero, CGT – MCLMEX, CoBas, Espacio Común 15M, Liza Plataforma Anarquista, Movimiento Marika Madrid, Observatorio de DDHH en Salud Mental, Plataforma Sindical de la EMT, RAL, Red de Sindicatos de Barrio, Sindicato de Inquilinas, Sindicato Otras, Sindicato San-Blas-Canillejas, Solidaridad Obrera, STEM, Trans en Lucha) em um 1° de Maio que começou em Marqués de Vadillo, desceu o Paseo de Pontones e percorreu toda a Ronda de Toledo até o Parque del Casino de la Reina em Lavapiés.

>> Mais fotoshttps://madrid.cnt.es/2026/05/04/el-1-de-mayo-interseccional-y-combativo-reivindica-en-madrid-que-frente-al-imperialismo-unidad-de-clase/

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No verde da praça
a rã salta, salta, salta
e assusta quem passa.

Nilton Manoel

Anarquistas negros em Belém: Almerinda Gama, José da Silva Gama e Bruno de Menezes (1910-1920)

Carlos Ferreira de Araújo Jr – Historiador | 03/05/2026

No Brasil, o movimento operário não foi feito apenas por estrangeiros europeus e brancos. Os primeiros historiadores e pesquisadores do mundo do trabalho privilegiaram determinados espaços, sul/sudeste, e determinados atores, imigrantes europeus ou nacionais brancos. Exceção foi Lima Barreto, cuja a militância socialista libertária foi fruto de alguns trabalhos acadêmicos.

Além de Lima Barreto, podemos destacar diversos anarquistas negros e pardos que não despertaram a “curiosidade” de sociólogos e historiadores: José Leandro dos Santos, Domingos Passos, Cândido Costa, Armando Gomes, Canellas, Octávio Brandão, José Lopes “Santa”, João da Costa Pimenta, Gilka Machado, Almerinda Farias Gama, Bruno de Menezes, etc.

Em Belém do Pará, durante as décadas de 1910 e 1920, operárias e operários negros e pardos se destacaram como lideranças: Bruno Menezes, Almerinda Gama e José da Silva Gama.

Almerinda Farias Gama (1899-1999) nasceu em Maceió e aos 8 anos de idade se mudou para Belém do Pará. Foi uma grande intelectual, advogada, escritora, atriz, poliglota, poeta e pianista de intensa produção em quase 100 anos de vida. Ela foi influenciada pelo anarquismo por conta do seu irmão, José da Silva Gama, um tipógrafo negro anarquista bastante ativo em Belém. Almerinda Gama proferia palestras libertárias nas reuniões dos operários tipógrafos que ocorriam na residência do seu irmão. No final da década de 1920, Almerinda Gama mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se tornou uma das mais importantes sufragistas do Brasil.

José da Silva Gama foi um tipógrafo libertário, nascido em 1892 em Maceió. Foi viver em Belém ainda criança. Na capital do Pará, Silva Gama se tornou um grande orador e militante libertário. Sua casa serviu muitas vezes como local para reuniões dos tipógrafos. O operário foi segundo-secretário da Associação Tipográfica, em 1918, e secretário-geral da Associação das Artes Gráficas, em 1920. Silva Gama fez parte de grupos de propaganda e atividades anarquistas de Belém, como os grupos Os Semeadores e Aurora Libertária, além de ter colaborada para a imprensa operária da capital nos periódicos O Semeador e A Voz do Trabalhador.

Durante o Terceiro Congresso Operário (1920) organizado pela C.O.B., no Rio de Janeiro, os operários do Pará foram representados por José da Silva Gama e por João Plácido de Albuquerque. Ao chegarem na capital, os dois anarquistas foram presos como indesejáveis e levados para uma delegacia. O operário cigarreiro João Plácido de Albuquerque, passou mal e foi enviado a enfermaria da prisão. Ele morreu horas depois. Silva Gama e os anarquistas reunidos no Rio de Janeiro denunciaram que Plácido de Albuquerque havia morrido por conta dos maus tratos e do ambiente degradante no qual o operário havia sido metido. José da Silva Gama deixou a militância na década de 1920.

Por fim, o escritor, operário, jornalista e professor anarquista Bruno de Menezes (1893-1963) nasceu em Belém do Pará. Seu nome completo: Bento Bruno de Menezes Costa. Nasceu e cresceu no bairro do Jurunas. Como escritor

foi membro da Academia Paraense de Letras. Fez parte de grupos de vanguarda literária na capital, como o Vândalos do Apocalipse e a Academia do Peixe Frito. Fundou e escreveu para revistas literárias, como a Belém Nova. Suas primeiras poesias narravam a vida dos operários de Belém. Nos anos de 1930, a africanidade foi o tema central de diversos livros seus como o Batuque (1931).

Bruno de Menezes trabalhou como encadernador e também como livreiro. O contato com livros e autores anarquistas/comunistas influenciou a militância e a poesia de Bruno de Menezes. Ele leu Gorki, Bakunin, Kropotkin, Marx, Proudhon e Tolstói. O escritor se tornou anarquista. Foi professor da Escola Racional Francisco de Ferrer fundada por libertários na capital do Pará. Como periodista, o poeta colaborou com os jornais operários O Semeador e A Voz do Trabalhador. Menezes também integrou o grupo de propaganda e ação libertária Os Semeadores.

REFERÊNCIAS:

BRAGA, Marcos Lucas Abreu. Trabalhadores de Belém, uni-vos: anarquismo e sindicalismo revolucionário no estado do Pará (1912-1932). Revista Faces de Clio | Dossiê Anarquismo(s) em Perspectiva. Universidade Federal de Juiz de Fora | e-ISSN: 2359-4489 | v. 11 n. 20 (2024).

De Belém do Pará ao Rio de Janeiro: trajetórias de militantes operários por meio dos jornais digitalizados. Revista de fontes, v. 10, n. 19– Guarulhos, dez. de 2023–ISSN 2359-2648131.

FIGUEIREDO, Aldrin Moura de. Rubra Poesia. Bruno de Menezes. Anarquista (1913- 1923).

FONTES, Edilza Joana Oliveira. Preferem-se portugues(as)” : trabalho, cultura e movimento social em Belém do Para (1885-1914). Campinas -SP. 2002. TESE.

GAMA, Almerinda Farias [85 anos]. [jun. 1984]. Entrevistadores: Angela Maria de Castro Gomes e Eduardo Stotz. Rio de Janeiro, RJ, 8 jun. 1984.

KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente: socialistas e libertários negros no Brasil durante a Primeira República. Ed. Monstro dos Mares. 2025.

Mini biografia do autor:

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Mora em Campina Grande-PB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo no youtube sobre o movimento punk no Norte e no Nordeste: ÔKO DO MUNDO! Tocou em bandas punks libertárias como AERO VENENA, NEKONI, ANGUSTIA NO! Fez parte da Okupação do Cine São José em 2012, na cidade de Campina Grande. O autor também escreve folhetos de cordel e Zines de temáticas libertárias e decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).

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Está chovendo? Não
bichos-da-seda comendo
as folhas, tão ávidos.

H. Masuda Goga

[EUA] Apoie a libertação de Marius Mason da prisão

A notícia animadora é que, após mais de 17 anos encarcerado, Marius Mason será libertado de uma prisão federal em maio de 2026. Esse momento coloca em primeiro plano as questões de apoio no período pós-prisão.

À medida que Marius retorna à vida fora do cárcere, estamos organizando apoio e arrecadando fundos para que essa transição ocorra com dignidade, cuidado e uma base sólida. Marius foi arrancado de sua comunidade há quase 20 anos. Foram duas décadas em que o mundo mudou politicamente, tecnologicamente e de outras formas. Vamos tornar esse retorno mais fácil para ele. Por isso, estamos solicitando doações de cartões-presente, em qualquer valor. Todos os cartões serão entregues diretamente a Marius após sua libertação, para uso próprio.

Foi criado um sistema para a compra de cartões-presente, como “Vanilla Gift”, que podem ser adquiridos utilizando as seguintes informações de contato: Moira Meltzer-Cohen, advogada, 277 Broadway, Suite 1501, Nova York, NY 10007. Para o número de telefone exigido com o endereço, use (212) 219-1919. Além disso, haverá uma conta fiduciária para receber doações diretas por meio da página de doações em supportmariusmason.org. Toda contribuição ajuda.

Ativista ambiental e pelos direitos dos animais, anarquista, escritor, artista e defensor trans, Marius foi condenado a quase 22 anos por danos materiais realizados em defesa do planeta em 2009, ações nas quais ninguém ficou ferido. Ainda assim, sua sentença foi agravada com um enquadramento por terrorismo, tornando-se a mais longa pena aplicada por um ato de sabotagem ambiental. Nós, que o amamos e apoiamos, estamos trabalhando para oferecer apoio mútuo consistente, ao mesmo tempo garantindo espaço para suas escolhas e ajudando com necessidades básicas.

Marius realizou muitas coisas durante o período na prisão, produzindo arte, poesia, resenhas de livros e outros textos para publicação. Ele fez cursos universitários por meio de várias instituições, obteve certificação como assistente jurídico, estudou para ser tutor de escrita e também direito migratório. Envolveu-se em atividades de mentoria dentro da prisão e aconselhou outras pessoas encarceradas. Agora é nossa vez de oferecer apoio enquanto ele retorna para casa e estabelece sua base com trabalho, moradia e comunidade.

Neste momento, ainda não sabemos quais restrições pós-libertação estarão em vigor, nem por quanto tempo. Reconhecemos as muitas pessoas que defenderam, apoiaram e trabalharam por esse resultado, e esperamos que você se junte a nós no apoio a Marius.

Contato: freemariusmason@gmail.com
 
Fonte: https://www.abcf.net/blog/support-marius-masons-release-from-prison/ 
 
Tradução > Contrafatual
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/10/eua-declaracao-de-marius-mason-sobre-sua-libertacao-em-maio-de-2026-vejo-voces-do-lado-de-fora/
 
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o pardal
foge do frio
no bolso do espantalho
 
Cláudio Feldman

[Espanha] O anarcossindicalismo toma as ruas de Valência em um novo Primeiro de Maio tingido de vermelho e preto.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) de Valência reuniu milhares de trabalhadoras numa manifestação histórica em que protestaram contra as guerras imperialistas e a exploração capitalista.

Milhares de trabalhadoras responderam ao apelo feito pela Federação Local da CGT Valência no dia 1º de Maio, dia internacional da classe trabalhadora. A mobilização da CGT, sob o lema “Contra as guerras e a exploração, por direitos e justiça social”, começou com uma performance que vinculou explicitamente as guerras e o trabalho precário. Esta manifestação, como já é tradição há mais de 15 anos, é uma alternativa às organizadas pela CC.OO e UGT “devido ao inevitável distanciamento que nos separa de um sindicalismo que, acordo após acordo, cedeu direitos coletivos em prol da proteção dos interesses patronais”, explicou Juan Miguel Font, secretário-geral da Federação Local da CGT Valência.

Durante a marcha, foram exibidos diversos manifestos que destacavam as várias lutas trabalhistas e sociais em que a Confederação esteve envolvida ao longo do último ano, como o movimento dos professores, o movimento das cuidadoras domiciliares ou Acordo Social Valenciano. A manifestação, que reuniu milhares de pessoas na Plaza de San Agustín e percorreu o centro histórico de Valência, terminou na Plaza Músico López Chávarri – no bairro El Carme, em Ciutat Vella – com discursos e um concerto com as bandas Navajazo por un Chándal, Orkesta Paraíso e Agua Bendita.

Também puderam participar organizações e grupos afins à convocatória da CGT València, como o Centro Social Okupat Anarquista (CSOA) l’Horta, Antimilitaristas MOC, BDS País Valencià, Benimaclet con Palestina, Futuro Vegetal, os Comitês Locais de Emergência e Reconstrução, a Koordinadora de Kolectius del Parke Alcosa, Nave Albal e PAH València.

“A justiça social está em grave perigo e devemos continuar lutando, com ainda mais força, contra a barbárie que impera no mundo. Neste novo Primeiro de Maio de 2026, a CGT voltou às ruas para exigir direitos e justiça social, para clamar por um mundo mais igualitário e justo, uma sociedade livre de guerras e exploração”, declarou a CGT Valência. E acrescentaram: “O capital, que devasta e destrói tudo, já ceifou a vida de milhares de trabalhadores, crianças e civis, que não são afetados pelas decisões puramente econômicas de egomaníacos, cínicos e pessoas maldosas que só pensam em seus próprios interesses. Nossa obrigação é continuar nos organizando, continuar lutando.”

>> Mais fotoshttps://www.cgtvalencia.org/el-anarcosindicalismo-toma-las-calles-de-valencia-en-un-nuevo-primero-de-mayo-tenido-de-rojo-y-negro/

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no aconchego da terra
a semente
vive a espera

Eugénia Tabosa

[Bélgica] A 22ª edição da Feira do Livro Anarquista de Ghent

O mundo da autoridade está mostrando sua face mais horrenda. É um tempo da mais crua política de poder, da pilhagem desenfreada da terra, da subjugação da vida à tecnologia, à digitalização e à eficiência econômica. Somos confrontados com a expressão máxima da brutalidade estatal: militarização universal e guerra.

Em vez de recuar por medo ou derrota, ou de escolher o mal menor, abraçamos plenamente nossas ideias anarquistas e nossa ética antiautoritária. Nada de se ajoelhar diante da política e do compromisso, mas sim a busca por nossas possibilidades de luta autônoma, tendo o desejo de liberdade como bússola. Em um mundo onde a violência estatal e o autoritarismo se espalham, nosso encontro de resistência analógica e solidariedade é mais necessário do que nunca.

Na Feira do Livro Anarquista, você encontrará uma ampla e diversa variedade de livros, publicações, camisetas, pôsteres e adesivos. Vasculhe romances antigos, clássicos revolucionários e novas edições de várias distribuidoras. De obras filosóficas a propostas de luta.

A Feira do Livro é mais do que apenas um lugar para satisfazer o impulso de colecionar livros. É um espaço de troca e discussão, onde ideias, indivíduos e coletivos podem se encontrar e se reconhecer por afinidade. Dessa forma, a Feira do Livro se torna um espaço onde chamados à luta, por meio de discussões e encontros informais, encontram nova inspiração e impulso.

Bem-vinda nos dias 9 e 10 de maio de 2026 na Feira do Livro. Até lá, viva a anarquia!

Contato: abgent(A)riseup.net


A Feira do Livro funciona apenas com dinheiro em espécie, a entrada é gratuita.

abgent.noblogs.org

Tradução > Contrafatual

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no olho da calma
o silêncio do encontro…
momento preciso

Gustavo Terra

[Espanha] CNT-AIT no Primeiro de Maio em Cádiz

A Anarcossindical de Cádiz junto às companheiras e companheiros da CNT-AIT de Huelva, Algeciras e Chiclana, participamos na manifestação que saía da rotatória de San Severiano e que percorreu os bairros obreiros de San Severiano, Guillén Moreno, Segunda Aguada, para finalizar no Cerro del Moro.

Foram entoados lemas reivindicando a Saúde pública e o direito à moradia, assim como em apoio aos companheiros Balber e Galván, que completam mais de três semanas içados pelo guindaste de Navantia San Fernando, reivindicando um posto de trabalho e em luta contra as listas negras.

Como sempre, recordamos neste dia de luta, a origem histórica do 1º de Maio onde companheiros anarquistas foram executados nos Estados Unidos por participar nas jornadas de luta pela conquista da jornada laboral de oito horas, após a greve iniciada em 1° de maio de 1886 e seu ponto alto três dias mais tarde, em 4 de maio, na Revolta de Haymarket.

A repressão que se desatou buscava impedir que as e os trabalhadores alcançassem suas reivindicações e, sobretudo, frear o avanço que as ideias anarquistas estavam experimentando no seio da classe obreira e de seu expoente organizativo: a Associação Internacional das e dos Trabalhadores.

Denunciamos neste dia reivindicativo, que o Fascismo e o Capital, são faces de uma mesma moeda, aos quais não vamos discutir, mas destruir, ao fazer-lhes frente, com as ferramentas de luta que dispomos os anarcossindicalistas e anarquistas da CNT-AIT.

Contra eles. Contra todos os Estados. Contra todas as guerras. Contra o fascismo e o Capital: o Anarcossindicalismo da CNT-AIT.

CNT-AIT de Cádiz

Tradução > Sol de Abril

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Sempre perseguido
o grilo fica tranqüilo
cantando escondido.

Luiz Bacellar

Novidade editorial: “História do anarquismo na ditadura militar brasileira (1964–1985)”, de Rafael Viana da Silva

Este livro discute a presença e a atividade anarquista durante a ditadura militar brasileira (1964-1985), um período ainda pouco estudado na história do anarquismo no Brasil. A partir da análise de diferentes fontes documentais — jornais, cartas, entrevistas e outros materiais —, o autor resgata a presença e a militância política dos anarquistas nesses anos, situando-as em um contexto marcado pela modernização capitalista, pelo autoritarismo estatal e pela emergência de novos sujeitos sociais e políticos.

A obra acompanha as discussões nacionais e transnacionais do anarquismo brasileiro diante do golpe militar de 1964, bem como a inserção dos anarquistas no movimento estudantil e a repressão que atingiu dezenas deles, levando-os a uma condição generalizada de semiclandestinidade. Com a distensão política, ela analisa o processo de reorganização pública e de reinserção dos anarquistas nas atividades do movimento estudantil, do movimento comunitário e do movimento sindical, além das polêmicas que atravessaram seus jornais.

Enfim, História do anarquismo na ditadura militar brasileira (1964– 1985) constitui uma referência indispensável para todos aqueles que buscam compreender mais profundamente não apenas o regime militar brasileiro e o anarquismo em geral, mas, sobretudo, a presença e a atuação do anarquismo nesse contexto ditatorial.

SUMÁRIO:

APRESENTAÇÃO A 1ª EDIÇÃO

INTRODUÇÃO

FONTES, HISTORIOGRAFIA, TEORIA E METODOLOGIA

Debate historiográfico

Teoria e Metodologia

CAPÍTULO I

OS DILEMAS DO ANARQUISMO NO BRASIL (1959-1964)

1.1 O anarquismo nas décadas de 40 e 50 no Brasil

CAPÍTULO II

O ANARQUISMO NA DITADURA MILITAR (1964-1972)

2.1. O encontro anarquista de 1963 e o anarquismo antes do golpe militar de 1964

2.2. O golpe de 1964 e o anarquismo

2.3. O “Nosso Sítio” e as práticas anarquistas com a terra

2.4. A Liga Libertária e o Centro Internacional de Pesquisas do Anarquismo no Brasil

CAPÍTULO III

IMAGINAÇÃO, AÇÃO E REPRESSÃO (1968-1974)

3.1. O Movimento Estudantil Libertário (MEL) e o Maio de 1968 brasileiro

3.2. A imaginação golpeada: a repressão ao MEL e ao CEPJO (1969-1971)

A Repressão no Rio de Janeiro

Repressão ao anarquismo no Rio Grande do Sul

Repressão ao anarquismo no Pará

Efeitos da repressão no anarquismo brasileiro

3.3. A resistência silenciosa (1973-1977)

CAPÍTULO IV

REORGANIZAÇÃO DO ANARQUISMO DURANTE A DITADURA

4.1. A reorganização do anarquismo brasileiro (1977-1978)

4.2. A ação estudantil do anarquismo nos anos 70: a Federação Livre Estudantil

4.3. Sindicalismo e anarquismo nos anos

4.4. Lutas contra as opressões: os inimigos dos inimigos do rei

4.5. As polêmicas internas: as duas “linhas” do Inimigo do Rei

CAPÍTULO V

OS BICHOS MAUS E A ABERTURA

5.1. O sindicalismo, a luta comunitária e o anarquismo na década de 80

5.2. A discussão transnacional do sindicalismo revolucionário e do anarcossindicalismo no Brasil

5.3 Problemas editoriais, vigilância e a dissolução do Inimigo do Rei

5.4. A transição pactuada e o “bicho das ruas” (1979-1983)

5.5. À guisa de conclusão: o anarquismo na abertura democrática

REFERÊNCIAS

Jornais consultados

Entrevistas

Arquivos consultados

História do anarquismo na ditadura militar brasileira (1964–1985)

Rafael Viana da Silva

Dimensões 16 × 23 cm

Páginas 230

Preço R$ 65,00

editorafaisca.net

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A lua, cansada,
adormeceu por instantes
no leito do rio.

Humberto del Maestro

[Itália] Primeiro de Maio anarquista em Carrara: centenas se reúnem na praça.

Carrara celebra o Primeiro de Maio como todos os anos desde 1945: com a passeata da Federação Anarquista Italiana (FAI), combinando história, memória e reivindicações.


Centenas de pessoas tomaram as ruas de Carrara para o tradicional Primeiro de Maio Anarquista, evento organizado pela Federação Anarquista Italiana (FAI), que, ininterruptamente desde 1945, transformou a cidade de mármore em uma encruzilhada do pensamento libertário. Vindo de toda a Itália, os participantes lotaram as praças e ruas do centro da cidade em uma passeata pontuada por bandeiras vermelhas e pretas e cânticos de protesto.


O dia começou com uma concentração na Piazza Fabrizio De André, que ficou lotada desde as primeiras horas. Entre os discursos que antecederam a passeata, uma voz resumiu o espírito da manifestação: “A participação direta não pode existir sem questionar o princípio da delegação; a defesa territorial não pode existir sem o controle cidadão efetivo; e a gestão de recursos não pode existir sem se opor ao sistema capitalista de produção.” Palavras que capturam uma visão consistente ao longo do tempo, fundamentada no controle popular e no anticapitalismo.


O ponto alto da celebração foi a passeata, uma jornada pelos símbolos da história anarquista e operária de Carrara. As paradas, como sempre, constituíam um ritual coletivo:


Piazza Alberica, onde também foi depositada uma coroa de flores vermelhas em homenagem a Francisco Ferrer, anarquista espanhol; Piazza delle Erbe, com uma homenagem a Belgrado Pedrini; Piazza del Duomo, onde se encontra o monumento a Giordano Bruno; Piazza Gramsci, com o monumento a Alberto Meschi, sindicalista anarquista; Piazza Sacco e Vanzetti, dedicada aos dois anarquistas italianos executados nos Estados Unidos em 1927; e Via Cucchiari, com uma homenagem ao monumento às revoltas de Carrara de 1894, próximo ao quartel Dogali.

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Almas gêmeas.
A minha geme e a
outra não se acalma.

Rogério Viana

[França] Para pôr fim às guerras entre Estados: insubordinação e sabotagem!

Na noite de 6 para 7 de abril, em Bourges e arredores, sabotamos a rede elétrica que abastece o “bastião da defesa terrestre nacional”, onde academias militares, a Direção Geral de Armamentos Terrestres e centros de formação técnica convivem com “o primeiro polo de concentração industrial de Defesa da Europa”: o fabricante de mísseis MBDA, o fabricante de canhões KNDS (Nexter), fornecedores de equipamentos como Roxel, Michelin, Mécachrome, Auxitrol Weston, ASB Aerospatiale, entre outros, e suas dezenas de subcontratadas.

As guerras são as certidões de nascimento dos Estados; seus arsenais e seus exércitos, sua saúde e seu cartão de visitas.

Para os Estados, a corrida pelo poder militar é uma questão de sobrevivência, na qual ataque e defesa se enfrentam, e é sempre a população que sofre. Exércitos não são produzidos para desfiles de 14 de julho [Festa Nacional Francesa], mas para vender e utilizar. Este país de merda é o segundo maior exportador de tecnologias de morte do mundo, fornecendo-as a cerca de sessenta Estados. Essa militarização conduz à obediência, à conquista, aos massacres, ao estupro, ao encarceramento e à destruição.

Guerra e Paz são falsas alternativas de uma continuidade estratégica de todos os poderes: escravizar e se apropriar de tudo o que puderem reduzir ao nível de recursos. Essa realidade brutal é diariamente encoberta por uma propaganda tão sutil quanto grosseira. Cada lado emprega os mesmos truques: “o outro é uma ameaça”, “o outro é um monstro”, “nossos valores e nossa causa são os únicos justos”, “estamos apenas respondendo a uma agressão”.

Somos daqueles que querem rasgar os mitos que fazem os oprimidos se solidarizarem com seus opressores. Da linha de frente aos bastidores, o esforço de guerra repousa sobre nossa adesão e mobilização em massa, como neste polo militar-industrial.

Aqui e em outros lugares, cada um, ativa ou passivamente, desempenha sua parte de responsabilidade naquilo que mantém a máquina de guerra em funcionamento.

No entanto, longe das hierarquias viris e de seu odor disciplinar, o que nos impede de nos lançarmos, um dia, numa luta de desgaste contra todas as guerras e suas causas, isto é, a dominação?

É sempre possível, e absolutamente necessário, se opor aos belicistas, então desertemos das fileiras e sigamos adiante!

Fonte: https://lille.indymedia.org/spip.php?article38073&lang=fr 

Tradução > Contrafatual

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A chuva parou –
Na voz do pássaro,
Que frio!

Paulo Franchetti