Anarquista morre em prisão russa após condenação por posição anti-guerra

Do Black Square (Instagram) | 27 de abril de 2026

Dmitry Kuznetsov (Vegano Khristolyub Bozhiy), um ativista russo anti-guerra, foi encontrado enforcado em uma cela de isolamento punitivo na Rússia em 17 de abril. Ele havia anteriormente feito greve de fome e alertado sobre o risco de ser morto sob custódia. Em fevereiro de 2025, foi condenado a três anos de prisão por declarações contra a guerra.

Kuznetsov se identificava como anarquista, vegano, pacifista, cosmopolita e cristão dissidente, além de criticar a Igreja Ortodoxa Russa. Ele se opunha abertamente à invasão da Ucrânia pela Rússia, classificando-a como fascista e referindo-se ao fascismo russo contemporâneo como “rashismo”. Chamava Putin de “Putler”, comparava o símbolo Z às insígnias da SS nazista e a propaganda russa aos métodos de Goebbels.

Antes de ser preso, foi detido após um protesto individual anti-guerra em Voronezh, segurando um cartaz com a frase “Sem Guerra”. Ele também deixou vídeos de despedida alertando que poderia ser morto na prisão.

No último mês, pelo menos cinco prisioneiros políticos teriam morrido na Rússia. As mortes sob custódia continuam sendo um problema sistêmico.

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

A pedra
nada pergunta ao rio
sobre água e tempo.

Yeda Prates Bernis

[Espanha] Crônica 1º de Maio – CNT-AIT Alacant

No 1º de Maio nos concentramos na plaza de la Pipa em uma jornada de reivindicação e fraternidade. Desde a primeira hora fomos dando forma ao espaço comum: montamos as barracas de materiais, o balcão com bebidas e petiscos, a cozinha onde se preparava a panela, a exposição de Mujeres Libres, o cenário, a equipe técnica, e penduramos nossas bandeiras e faixas por toda a praça.

Depois da comida popular, começou o microfone aberto. Leu-se o manifesto do 1º de Maio, acompanhado de discursos e reflexões libertárias que serviram para fixar ideias: a necessidade de organizar-nos, de manter a luta e a crítica no cotidiano, e de recordar os companheiros de Chicago assassinados, origem desta data.

Lançaram-se lemas de dignidade e resistência frente à precariedade e as injustiças que seguem marcando nossas vidas. Reivindicou-se que não nos conformamos com o mal menor nem com as migalhas que distribuem as instituições e os sindicatos de Estado, deixando claro que não queremos gestionar a desigualdade, mas construir uma sociedade verdadeiramente igualitária.

Desde a CNT-AIT nos reafirmamos como o único sindicato de classe que não se rebaixa ao reformismo nem à lógica institucional que termina domesticando a tantas organizações. Enquanto outros aceitam os limites do sistema e se integram em suas estruturas, nós mantemos uma posição independente, baseada na defesa real dos interesses da classe trabalhadora.

Durante a jornada se recordou figuras como Alexander Berkman, conectando essas ideias com o presente.

Os companheiros foram passando pelo microfone, com uma forte presença de reivindicação feminista, atravessando discursos, música e poesia. A música ao vivo, com grupos e cantautores, acompanhou toda a tarde sem interrupção. Inclusive as crianças do bairro se animaram a cantar.

O fechamento do microfone chegou com recitais de poesia, pondo um toque íntimo a uma grande jornada coletiva.

Uma jornada feita graças à organização de todos, onde a rua voltou a ser nossa. Porque seguiremos fazendo frente à resignação e construindo espaços de luta e encontro.

Nem Estado nem patrão: autogestão!

Viva a luta da classe obreira!

Anarquia e transformação. Viva a história da CNT-AIT de Alacant!

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

É quase noite –
As cigarras cantam
Nas folhas escuras.

Paulo Franchetti

[Porto Alegre-RS] Solidariedade Sem Fronteiras – O problema é sempre o mesmo: gentrificação e poder Okupa Kalissa + ESP(A)ÇO + Okupação Prosfygika

SOLIDARIEDADE SEM FRONTEIRAS – O problema é sempre o mesmo: gentrificação e poder
Okupa Kalissa + ESP(A)ÇO + Okupação Prosfygika
Dia 9 de Maio, abertura às 16h30. Início da atividade às 17h, no Esp(a)ço – Rua Barros Cassal, 316 – Porto Alegre
Contra o desalojo da maior e mais antiga okupação da Europa
 
O Estado grego está travando uma guerra contra os espaços auto-organizados. Há anos, vem reprimindo as comunidades de ocupantes e anarquistas em Exarchia. Agora, querem desocupar o maior prédio ocupado da Europa, o Oi Prosfygika, ou “O Prédio dos Refugiados”.
 
O Prosfygika não é apenas um prédio, mas uma alternativa viva ao Estado, ao mercado e ao isolamento social. Sua história começa na década de 1930, quando oito blocos de apartamentos na Avenida Alexandras foram construídos para abrigar refugiadys de territórios ocupados pela atual Turquia.  Durante a Segunda Guerra Mundial, Prosfygika foi um centro de resistência. A guerrilha lutou ali contra a burguesia grega e o imperialismo britânico. A história dessas batalhas pode ser lida nos buracos de bala e nas marcas de granadas marcadas nas fachadas dos prédios.
 
No final da década de 1990, havia planos para demolir os prédios e substituí-los por um shopping center. Moradores foram pressionadys com desapropriações, e muitas pessoas perderam suas casas por nada de dinheiro. Algumas pessoas se recusaram a sair e, em vez disso, tornaram-se ocupantes em seus próprios apartamentos.
 
A atual comunidade de ocupantes tomou forma em 2010, em meio à crise financeira grega. Nascida de assembleias públicas, Prosfygika tornou-se um espaço social, político e cultural, onde a vida cotidiana era administrada, não por autoridades ou proprietários, mas pela própria comunidade. Hoje, cerca de 400 pessoas vivem lá, em 228 apartamentos. Muitas moradoras são imigrantes. Algumas pessoas pagam aluguel, outras vivem como ocupantes individuais e cerca de 200 pertencem à ocupação organizada.
 
Prosfygika também abriga 22 iniciativas auto-organizadas, incluindo uma padaria, uma creche, um centro social e programas de saúde e nutrição. A comunidade oferece aulas de idiomas para adultos, acolhe coletivos culturais e artísticos, administra uma organização de mulheres e fornece alojamento para pacientes com câncer e seus familiares, em parceria com o Hospital vizinho, Agios Savvas.
 
Muitas das pessoas que moram em Prosfygika se inspiram no Confederalismo Democrático de Abdullah Öcalan, pela ideia de que a unidade pode ser alcançada sem sacrificar a diversidade.
 
Nesse modelo, diferentes identidades, grupos sociais e perspectivas políticas se expressam e tomam decisões por meio de conselhos, reuniões locais e assembleias. As comunidades se organizam por meio de unidades descentralizadas e autônomas, em vez de  de estados-nação centralizados. Para Prosfygika, isso não é uma teoria abstrata, mas uma realidade vivida.
 
A mensagem é clara: não é o Estado que deve “salvar” Prosfygika, pois o próprio Estado é uma das forças que buscam destruí-la.
 
Por causa disso, o Estado grego lançou múltiplos ataques contra a comunidade — em 2016, 2019, 2022 e 2024.
 
A ameaça é particularmente grave desta vez, porque em junho de 2025 o Governo Regional da Ática aprovou um contrato para uma suposta “renovação”, que na prática equivale a um despejo.
 
Como era de se esperar, isso está sendo vendido como revitalização da comunidade. “Regeneração”, neste caso, não significa proteger o bairro, mas destruí-lo. O governo pretende que a comunidade desapareça, para que seus edifícios históricos e sua localização central possam ser explorados com fins lucrativos.
 
A campanha #SaveProsfygika foi lançada para defender a comunidade ocupada de Prosfygika e sua memória coletiva. A campanha tem como objetivo ampliar o alcance social do projeto e estabelecer conexões mais amplas, tanto nacionais quanto internacionais. A comunidade não permitirá que sua história e sua função social sejam saqueadas sob o pretexto da gentrificação.
 
No dia 9 de maio vamos estar com es companheires da Okupa Prosfygika, pra nos situarmos da situação e buscar formas de visibilizar e apoiar esse movimento.
 
Vídeos históricos da Okupação serão passados, e debateremos o contexto atual, que em várias partes do mundo se dá de forma muito similar, a gentrificação, o capitalismo, o suposto desenvolvimento vem para desalojar espaços libertários e propostas alternativas ao Estado, querendo nos vender um sistema que na verdade sempre esteve e depende do colapso.
 
A solidariedade é nossa maior arma, e é necessário construir estratégias para lidar com o que está posto e o que está por vir.
 
NOSSA LINGUAGEM EM COMUM É A RESISTÊNCIA.
SOLIDARIEDADE É AÇÃO!
 
Atenção: Para garantir o conforto e segurança de todas as pessoas presentes, pedimos que se você possuir histórico ou denúncia por reproduzir comportamento abusivo ou opressivo, assédio, abuso ou outro tipo de violência, por favor, entre em contato conosco pelo nosso email ou redes sociais antes de comparecer. Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e será solicitado que se retire.
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
em vão espero
as desintegrações e os símbolos
que precedem ao sonho
 
Jorge Luis Borges

[Grécia] Greve de fome até à morte pela defesa da vida

Carta à sociedade, à minha família, aos meus amigos

Meu nome é Suzon Doppagne. Sou residente e membro da Comunidade Ocupada de Prosfygika, e hoje, 1º de maio, começo uma greve de fome até a morte, em defesa da vida.

Decidi ficar ao lado do meu camarada Aristotelis Chantzis, que hoje completa 86 dias em greve de fome.

Escolhi este dia de luta em homenagem aos mártires de Chicago em 1886 e aos 200 lutadores de Kaisariani.

O Estado grego e todas as suas instituições não responderam às nossas exigências. Eles escolheram o silêncio e deixaram Aristotelis Chatzis seguir o caminho da morte. A partir de agora, também serão responsáveis pela minha própria morte. Hoje, após 86 dias de greve de fome, ninguém pode alegar que não sabia.

A Comunidade Ocupada de Prosfygika é um exemplo vivo de que outra forma de vida é possível — em ruptura com o sistema capitalista e patriarcal dominante. Em tempos de crise global e de uma guerra mundial, a única maneira de nossas sociedades sobreviverem e criarem um paradigma diferente é através da construção do mundo da Comunidade, da auto-organização e da solidariedade. É por isso que Prosfygika está sob ataque.

Ao longo de todos esses anos, a Comunidade tem dado respostas tanto às necessidades sociais das pessoas quanto à repressão que enfrentou. Dessa forma, nossa força coletiva e nossos laços foram construídos.

Compartilho nossas palavras como estrutura feminina de Prosfygika, com a responsabilidade e o compromisso que tenho como membro dela:

“Essa camaradagem que está sendo construída, molda todo um sistema de valores e atitudes, expressos em tudo, desde como você fala com seu vizinho até como você se posiciona na rua, recusando deixar alguém para trás. Em essência, esses laços são nossa força coletiva — a ferramenta de nossa autodefesa”.

Prossigo com esta greve de fome até à morte com base na nossa decisão coletiva como Comunidade de levar esta luta até ao fim. Com respeito pela vida, e em defesa da Comunidade, de suas estruturas, de seu povo, de suas relações, da justiça e de nossa proposta social mais ampla.

Minha ingestão inclui:

Água, chá, 10–25 gramas de açúcar diariamente, 1,5 colheres de chá de sal diariamente, vitaminas B1, B6, B12, magnésio e potássio.

As exigências desta greve de fome são:

• CANCELAMENTO IMEDIATO DO CONTRATO PELA REGIÃO DA ATTICA
• TODOS OS RESIDENTES DE PROSFYGIKA DEVEM PERMANECER EM SUAS CASAS, NO LOCAL E ÁREA ONDE VIVEM E FORMARAM LAÇOS SOCIAIS, CULTURAIS E ORGÂNICOS
• GARANTIAS CONCRETAS PARA A RESTAURAÇÃO DE PROSFYGIKA PELA ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS “RESIDENTES E AMIGOS DOS PROSFYGIKA DA AVENIDA ALEXANDRAS N.P.C.C.” COM SEU PRÓPRIO FINANCIAMENTO! – NENHUM EURO DE DINHEIRO PÚBLICO PARA A “REDEVELOPMENTAÇÃO” DOS PROSFYGIKA!

Suzon Doppagne

Membro e residente da Comunidade Ocupada de Prosfygika, Avenida Alexandras

01/05/2026
 
Mail: prosfygika-hungerstrike@systemli.org
Instagram: @prosfygika_hungerstrike
Facebook: Prosfygika Hungerstrike
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/16/grecia-apoie-e-participe-da-defesa-da-comunidade-ocupada-de-prosfygika-em-atenas-e-da-restauracao-auto-organizada-do-bairro/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Livro de poesia
Caminha sobre as estrofes
Uma joaninha
 
Estela Bonini

[Espanha] Por um Primeiro de Maio operário, combativo e libertário em Burgos

O dia 1º de maio condensa uma história de greves, repressão, solidariedade e dignidade da classe trabalhadora. Seu significado permanece vivo na luta de classes, na resistência contra o capital e na rejeição das hierarquias patriarcais. Por todas essas razões, foi convocada uma manifestação libertária, que partirá da Plaza del Cid às 13h e percorrerá as ruas do centro de Burgos.

O 1º de maio nasceu como um dia de luta operária, um dia de memória e um chamado à organização de classe. Suas raízes não estão nos escritórios ou na benevolência dos governos, mas na luta daqueles que, diante de jornadas de trabalho exaustivas, salários de miséria e a brutal disciplina das fábricas, decidiram se opor ao capital; daqueles que, recusando-se a ser seus escravos assalariados, decidiram lutar por um mundo novo e pela emancipação social. Oito anarquistas pagaram por essa afronta com suas vidas.

Este ano, 2026, marca o 90º aniversário da Revolução Social de 1936, um marco na luta pela emancipação social dos trabalhadores, que demonstrou como a organização operária pode deter a reação fascista. Nestes tempos turbulentos, não devemos ignorar as inúmeras lições que ela nos ensinou; entre elas, que não podemos fazer pactos com a burguesia ou com os autoritários, pois tais pactos inevitavelmente levariam à derrota do ideal libertário e revolucionário. Como libertários e anarquistas, sabemos que a revolução deve visar o Estado e o capital desde o início.

Hoje, continuamos a viver em tempos em que a vida é esmagada pelo peso do sistema. Enquanto a riqueza se concentra nas mãos de poucos, as mulheres trabalhadoras sofrem condições cada vez mais precárias, sobrecarregadas com estresse, responsabilidades, abusos, exploração e injustiças diárias. Não somos apenas produtoras e consumidoras; somos reduzidas a números, a produção, a peças substituíveis. Ser trabalhadora não pode ser sinônimo de sacrifício, mas sim de consciência, organização e resistência. Somos a força que mantém cada fábrica, cada escritório, cada escola funcionando. Não aceitamos a precariedade como futuro, nem a exploração como norma.

Devemos apontar o sistema capitalista como a causa das crises, da inflação e da crescente desigualdade; e seus cúmplices (CCOO, UGT, CSIF, etc.) que traíram o movimento operário aos patrões e ao Estado, assinando acordos repugnantes e vergonhosos, tornando-se assim inimigos da classe trabalhadora. Enquanto os lucros se acumulam no topo, nós, que de fato produzimos a riqueza, vivemos em constante luta para sobreviver. Tudo isso é agravado pelo medo de perder o emprego e pela impossibilidade de vislumbrar um futuro digno.

Hoje, quando a precariedade muda de nome para se disfarçar de modernidade, o significado do Primeiro de Maio permanece totalmente relevante. A terceirização, o trabalho temporário, os acidentes e mortes no local de trabalho, a extensão oculta da jornada de trabalho, a disponibilidade total, o falso trabalho autônomo e a feminização e racialização dos empregos de menor remuneração mostram que a antiga questão social não desapareceu. É por isso que o Primeiro de Maio exige mais do que nostalgia. Exige organização dentro e fora do local de trabalho. Exige a reconstrução dos laços de solidariedade entre as forças de trabalho fragmentadas. Exige um sindicalismo combativo e uma perspectiva de classe feminista, capaz de reconhecer que nenhuma emancipação operária será completa se as hierarquias patriarcais permanecerem intactas.

Vale a pena enfatizar algo que o sindicalismo domesticado muitas vezes esquece: o Primeiro de Maio não foi concebido para pedir permissão, mas para testar a força. Na tradição libertária e anarcossindicalista, esta data não se refere a uma celebração vazia, mas a uma pedagogia da dignidade.

Seria vergonhoso não olhar além do nosso próprio umbigo e ignorar a realidade que nos cerca.

Num contexto global de guerra e desumanização, vemos como a apropriação forçada de recursos e territórios alheios nos remete a políticas belicistas e colonialistas, causando o deslocamento de milhões de pessoas, a destruição de infraestruturas de todos os tipos, o massacre de populações indefesas, o bombardeio de escolas, hospitais…

A guerra é uma característica indispensável e permanente do Estado e do sistema capitalista. Dependendo dos interesses da classe dominante, a guerra é travada de uma forma ou de outra. Seja dentro ou fora de nossos territórios, em formas coloniais, imperialistas e extrativistas, ou dentro de nossas fronteiras, ela agrava as condições de vida dos oprimidos para aumentar os lucros da classe dominante, precarizando ainda mais nossas vidas. O antimilitarismo anarquista deve estar presente na luta de classes, não como um elemento pacificador, mas como um catalisador para a mudança. Deve ser o ponto de partida para o confronto com o Estado militarista, os exércitos e as hierarquias, bem como com as soluções autoritárias. Porque a mudança social virá com a dissolução do poder em todas as suas formas.

Observamos como os movimentos sociais foram reduzidos a memes, as lutas e ideais revolucionários transformados em tweets, e como a artificialização da vida permeou os movimentos revolucionários e populares, transformando-os em parte do espetáculo democrático. Obcecada por curtidas, posturas e batalhas online, a luta e os ideais revolucionários foram mistificados. Está em nosso poder romper com esse ciclo, propor uma alternativa que destrua o sistema e nos conduza à vitória.

Acreditamos que devemos resgatar o potencial revolucionário da ação direta, do confronto e do radicalismo. Tantos anos de “coexistência democrática” acabaram por pacificar o movimento operário e transformá-lo em seu próprio algoz.

Basta de falsas promessas, basta de reformas e exigências por direitos respeitados, basta de implorar aos poderosos, basta de acreditar que a democracia e o sistema podem ser reformados e tornados justos. O capitalismo é nosso inimigo, e o Estado, seu braço armado; teremos que lutar por tudo, teremos que falar de revolução, nos organizar e arriscar nossos privilégios, porque quem não arrisca, não petisca.

1º de maio: classe trabalhadora, combativo e libertário!

CNT-CGT-Biblioteca Anarquista La Maldita

diariodevurgos.com

agência de notícias anarquistas-ana

No céu azulado
Borboletas a dançar
Campos enfeitados

Kellen Crovador

Imaginando a Anarquia

Amo a autonomia,

o autogoverno e a liberdade.

Pois sei que a vida

só é plena onde há anarquia,

onde existe ordem sem autoridade.

Por isso, aposto em um novo tipo de sociedade,

onde cada um sabe o limite do outro,

a necessidade de todos,

através da própria singularidade.

Imagino outros mundos,

outros modos de vida,

sem deuses, senhores e estados,

Sem violência, controle e castigos.

Carlos Pereira Júnior

agência de notícias anarquistas-ana

Andando sozinho
De repente uma companhia –
Borboleta azul

Clóvis Moreira Santos

[Austrália] Por que os líderes sindicais nos traem?

Em novembro de 1992, o estado de Victoria estava em choque. Um novo primeiro-ministro, Jeff Kennett, acabara de ser eleito e estava promovendo uma série de medidas drásticas. Centenas de escolas estavam sendo fechadas, hospitais, dezenas de milhares de funcionários públicos demitidos e acordos coletivos que protegiam os direitos dos trabalhadores simplesmente cancelados.

Mas então, algo incrível aconteceu. Uma greve geral de 24 horas foi convocada em todo o estado, e os trabalhadores responderam com uma fúria sem precedentes. Quase um milhão de pessoas abandonaram seus postos de trabalho. Tudo, de fábricas à coleta de lixo, de aeroportos a prédios de escritórios, foi paralisado. Dezenas de milhares foram às ruas, mesmo em pequenos centros regionais. 150 mil pessoas se manifestaram em Melbourne. Em frente ao parlamento estadual, que era guardado por fileiras de policiais, um jornalista do jornal The Age ouviu um grevista comentar: “Poderíamos tomar tudo em dez minutos, se quiséssemos”.

Governos e empregadores em todo o país ficaram atônitos. A batalha havia começado e parecia que os trabalhadores tinham uma chance real de vencer.

E então tudo acabou. Os líderes do Victorian Trades Hall e dos principais sindicatos, assustados com o espectro de uma guerra de classes generalizada que haviam desencadeado, suspenderam as greves e ofereceram ao governo uma “trégua de Natal”. As paralisações intermitentes em diversos setores foram sendo encerradas. Quando outra greve estadual foi organizada tardiamente, quase cinco meses depois, o ímpeto já havia se perdido e quase todas as políticas de Kennett haviam sido implementadas.

O que aconteceu? Por que a liderança dos sindicatos de Victoria, aparentemente no auge do seu poder, desistiu da luta e abandonou os trabalhadores à própria sorte? Mais importante ainda, por que os líderes sindicais parecem fazer isso repetidamente?

Entendendo os sindicatos

Para chegar ao fundo da questão, precisamos entender os líderes sindicais como uma camada social. Na Austrália, os diretores sindicais ganham entre 250 mil e 500 mil dólares por ano, o que os coloca entre os mais bem pagos do país. Eles presidem organizações com receitas anuais na casa das centenas de milhões de dólares e centenas de funcionários. Desfrutam de considerável influência política, negociam com algumas das maiores empresas da Austrália e muitos seguem para carreiras políticas e corporativas lucrativas.

Em outras palavras, os líderes sindicais assalariados têm todos os motivos para preservar seu sindicato como instituição e sua posição dentro dele.

Isso exige um delicado equilíbrio. Para gerar qualquer receita e forçar empregadores e governos a negociarem com eles, os sindicatos precisam de membros. Portanto, os dirigentes sindicais devem liderar campanhas por melhores salários e condições de trabalho, angariar membros, desenvolver ativistas e delegados no local de trabalho e garantir que os trabalhadores obtenham resultados. Caso contrário, não terão membros, não terão receita e não terão como obrigar os empregadores a negociarem com eles.

Mas há outro lado da moeda. Os dirigentes sindicais também precisam de patrões que explorem os trabalhadores. Caso contrário, não teriam luta para liderar nem membros em potencial para se inscreverem. Precisam de empresas lucrativas e bem-sucedidas, e precisam do capitalismo. Quando líderes sindicais como Sharon Burrows dizem coisas como: “A ideia de que os sindicatos de alguma forma queiram prejudicar as empresas é francamente absurda”, não é porque foram influenciados por ideologia de direita. É porque estão dizendo a verdade.

Os líderes sindicais jamais podem se dar ao luxo de se render completamente e trair os trabalhadores. Se seus membros estiverem insatisfeitos ou ameaçando deixar o sindicato, ou se os empregadores se recusarem a negociar, eles provavelmente organizarão greves e paralisações simplesmente para manter sua posição. Eles ainda precisam lutar. Mas lutarão apenas dentro de limites estreitos. Sempre evitarão ameaçar de fato os patrões ou sua relação com eles, e sempre evitarão ameaçar de fato o capitalismo. Os líderes sindicais, em última análise, dependem da nossa exploração como trabalhadores e simplesmente querem negociar os termos dessa exploração.

A tarefa para os trabalhadores

O que isso significa para nós é claro. Devemos nos filiar a sindicatos. Eles oferecem uma certa proteção legal e ainda são a principal fonte de organização dos trabalhadores. E devemos apoiar os dirigentes sindicais sempre que agirem em nosso benefício, porque eles jamais poderão ignorar completamente seus membros.

Mas precisamos estar preparados para agir de forma independente caso tentem nos conter e minar as coisas. Precisamos ter certeza de que somos os únicos capazes de organizar nossos locais de trabalho e conhecer nossos próprios interesses. Precisamos assumir a tarefa de organizar nossos colegas de trabalho, construir e conduzir nossas próprias assembleias gerais e desenvolver estruturas de democracia operária de base que não possam ser minadas por forças externas. Há enormes vantagens legais e organizacionais em se organizar dentro dos sindicatos, mas também existem limites muito reais. Precisamos entender claramente quais são esses limites e estar preparados para lidar com eles.

Inúmeras vezes, os trabalhadores demonstraram que são capazes disso — desde exemplos de pequena escala, como a greve organizada pelos funcionários do centro jurídico comunitário de Melbourne em prol da Palestina em 2025, até a greve geral nacional de milhões de trabalhadores em 1969, que desafiou a burocracia sindical. Os líderes sindicais podem nos levar até certo ponto, mas os únicos que podem nos levar até o fim, a um mundo sem exploração, são os próprios trabalhadores.

Fonte: https://ancomfed.org/2026/04/why-union-leaders-sell-us-out/

agência de notícias anarquistas-ana

No campo florido
A borboleta encantada
Descobre segredos

Daniel Pereira da Silva Pisati

[Espanha] 1º Maio 2026 – Contra o ódio e a pobreza, que seja justa a revolução

Hoje, 1º de maio, voltamos às ruas porque o ar que respiramos está carregado de ameaças. Nosso lema é claro e não admite meias tintas: Contra o ódio e a pobreza: que seja justa a revolução!

Não são palavras vazias. É o grito de quem vê como, enquanto nós dobramos as costas, o mundo se rompe pelas costuras do ódio e da cobiça.

A extrema direita avança com uma mão no algoritmo e outra na fratura social. Sua estratégia é clara: dividir-nos para que não possamos apontá-los.

Nos querem hipnotizados com o ruído das redes sociais, consumindo ódio em doses de 15 segundos e perdendo o tempo em batalhas culturais inventadas. É a anestesia digital: enquanto estamos ocupados odiando o vizinho ou discutindo o último boato viral, eles executam sua agenda real.

Utilizam o entretenimento e a tensão como uma cortina de fumaça para que não olhemos onde dói: nos cortes, na precariedade e na perda de direitos. Não são salvadores, são especialistas em distrações. É hora de levantar a vista do celular e voltar a assinalar os verdadeiros responsáveis.

Nos dizem que a economia vai bem, mas a realidade entra pela porta de nossas casas cada vez que chega o dia 1º do mês. O preço do aluguel nos está tornando cada vez mais pobres. Já não trabalhamos para viver, trabalhamos para pagar o direito a teto a um rentista ou a um fundo abutre. É uma transferência de riqueza massiva: do bolso da trabalhadora que madruga ao bolso do especulador que acumula. Não pode haver justiça se 70% ou mais de nosso salário vai para um aluguel abusivo. Não paramos de ver como desalojam nossas vizinhas, e é o povo o que paralisa cada desalojo. Cada um deles é uma lição para todas.

A organização do povo consegue frear a desesperança. Nos ensina que quando nos unimos, os que parecem invencíveis retrocedem. Esse é o caminho: converter a raiva em apoio mútuo e a impotência em vitória coletiva.

Lema: se tocam a uma, nos tocam a todas. Se tocam a uma, respondemos todas.

E logo estão os de cima, arriscando com nossas vidas. Estados Unidos com Israel, as ameaças ao Irã… se creem os donos do mundo. Enquanto eles jogam os soldadinhos, nós pagamos o pato.

Nos têm atadas a seus combustíveis fósseis, ao petróleo e ao gás, esses que contamos os centavos para poder pagar, para que eles sigam enchendo os bolsos e controlando tudo. Já está bem! Estamos fartas de que nossa fatura dependa de se um senhor da guerra resolva apertar um botão. Exigimos que deixem de queimar nosso futuro. Que se deixem de petróleo e de histórias e que invistam de uma vez em energias renováveis, que o sol e o vento são de todas e não de suas empresas de armamento. Queremos energia limpa para que baixe a fatura e para que deixem de ter desculpas para ir à guerra.

Nem vossas guerras, nem vosso petróleo, queremos ar limpo e não vosso monopólio.

bancamadrid.fesibac.org

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Olhando bem
O cafezal, na verdade,
São laranjeirinhas…

Paulo Franchetti

[Itália] Caso Cospito: Artigo 41bis renovado. 

O Ministério da Justiça renovou por mais dois anos o regime 41bis – o regime carcerário severo, ou seja, tortura estatal – para o anarquista Alfredo Cospito, detido na prisão de Cagliari e sujeito ao regime 41bis desde 2022. Há poucos dias, Cospito teve seu acesso a livros e CDs negado na prisão.
 
A sentença era esperada para 4 de maio, mas já foi comunicada hoje (30/04) ao advogado de defesa Flavio Rossi Albertini. Cospito cumpre pena de 23 anos. A defesa pode recorrer da decisão do Ministério Público ao Tribunal de Supervisão de Roma. Albertini visitará seu cliente nos próximos dias. 
 
Militante de longa data, Cospito cumpriu pena primeiro na prisão de Bancali, em Sassari, depois na prisão de Opera, em Milão, antes de retornar à prisão da Sardenha em junho de 2023. Após mais de 10 anos de encarceramento, ele iniciou uma greve de fome de seis meses em outubro de 2022 para protestar contra a aplicação do Artigo 41bis ao seu caso. 
 
O termo 41bis refere-se a um regime especial de detenção regido pelo Artigo 41bis, parágrafo 2, da Lei Penitenciária (Lei nº 354, de 26 de julho de 1975). É particularmente severo e, portanto, frequentemente denominado “prisão rígida”. O Artigo 41bis, parágrafo 2, estabelece que “o regime especial de detenção inclui as restrições necessárias para satisfazer as necessidades de ordem e segurança e para impedir vínculos com as organizações às quais o indivíduo pertence”.  
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/29/italia-mestre-as-ruas-contra-o-41bis/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
uma faúlha
ao sabor do vento?
um vaga-lume
 
Rogério Martins

Corrida armamentista global dispara com gastos recorde de US$ 2,9 trilhões; Brasil lidera crescimento militar na América Latina

A corrida armamentista global atingiu um novo patamar em 2025, consolidando um cenário de crescente tensão geopolítica e transformação estratégica entre as principais potências mundiais. Os gastos militares globais alcançaram o recorde de US$ 2,9 trilhões, o equivalente a 2,5% do PIB mundial, marcando o maior nível proporcional desde 2009 e o 11º ano consecutivo de crescimento.

A informação foi divulgada pelo Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) e repercutida pela Veja, conforme dados publicados no relatório anual Tendências nos Gastos Militares Mundiais, referência global no monitoramento de defesa e armamentos.

Esse avanço reflete, sobretudo, o impacto direto da Guerra na Ucrânia, além das crescentes tensões no Indo-Pacífico e da busca europeia por maior autonomia militar em relação aos Estados Unidos. Nesse sentido, o cenário internacional se mostra cada vez mais instável — e caro.

Europa lidera disparada e redefine estratégia de defesa

A Europa foi o epicentro da expansão militar em 2025. Os gastos no continente cresceram 14%, atingindo US$ 864 bilhões, o maior aumento regional registrado no período e o crescimento mais acelerado entre membros da OTAN desde 1953.

Esse movimento não ocorre por acaso. Por um lado, a continuidade da guerra no Leste Europeu exige reforço constante de capacidade militar. Por outro, há uma pressão crescente dos Estados Unidos para que aliados europeus assumam maior responsabilidade dentro da aliança.

Entre os países com maiores aumentos proporcionais estão:

• Bélgica: +59%

• Espanha: +50%

• Noruega: +49%

• Dinamarca: +46%

• Alemanha: +24%

• Polônia: +23%

• Canadá: +23%

A Alemanha, em especial, alcançou um marco histórico ao se tornar o quarto maior investidor militar do mundo, consolidando uma mudança significativa em sua política de defesa no pós-Segunda Guerra Mundial. Já a Espanha ultrapassou, pela primeira vez em décadas, o patamar de 2% do PIB em defesa, alinhando-se às metas da OTAN.

Guerra na Ucrânia impulsiona gastos extremos

A Ucrânia segue no centro da dinâmica global de defesa. Em 2025, o país destinou cerca de 40% do seu PIB para gastos militares — a maior proporção do mundo.

Com isso, Kiev passou a deter o 7º maior orçamento militar global, totalizando US$ 84,1 bilhões.

Já a Rússia ampliou seus gastos em 5,9%, direcionando 7,5% do PIB para suas Forças Armadas. Segundo o SIPRI, tanto Rússia quanto Ucrânia atingiram níveis históricos de comprometimento orçamentário com defesa — tendência que deve persistir caso o conflito se prolongue.

Ásia acelera modernização e rivalidade militar

Na região da Ásia-Oceania, os gastos cresceram 8,1%, somando US$ 681 bilhões — o maior aumento desde 2009.

A China, principal potência militar regional, ampliou seus investimentos em 7,4%, marcando o 31º ano consecutivo de crescimento e reforçando seu plano de modernização total das Forças Armadas até 2035.

Esse avanço, por sua vez, desencadeou uma reação em cadeia entre países vizinhos:

• Japão: +9,7% (US$ 62,2 bilhões; 1,4% do PIB — maior nível desde 1958)

• Taiwan: +14,2% (maior salto desde 1988)

• Austrália e Filipinas: aumentos significativos diante de incertezas sobre o apoio militar dos EUA

Portanto, a região se consolida como um dos principais focos de tensão estratégica global.

Oriente Médio, Índia e África mantêm expansão estratégica

No Oriente Médio, a Arábia Saudita liderou os gastos com US$ 83,2 bilhões, mantendo sua posição dominante na região.

Já Israel registrou queda de 4,9% após o cessar-fogo em Gaza em outubro de 2025, embora os níveis ainda permaneçam elevados.

O Irã apresentou números oficiais menores, mas especialistas indicam que inflação e receitas paralelas podem ocultar um crescimento real mais significativo.

Na Ásia Meridional, a Índia aumentou seus gastos em 8,9%, consolidando-se como a quinta maior potência militar do mundo.

Já na África, os investimentos cresceram 8,5%, com destaque para a Argélia, que lidera em proporção do PIB destinada à defesa.

Brasil lidera crescimento militar na América do Sul

Na América do Sul, os gastos militares aumentaram 3,4%, alcançando US$ 56,3 bilhões.

O Brasil manteve sua posição como principal potência militar regional, com despesas de US$ 23,9 bilhões, um crescimento de 13%, ocupando a 21ª posição no ranking global.

Além disso, a Guiana registrou aumento expressivo em seus investimentos, impulsionada por tensões territoriais com a Venezuela na região de Essequibo.

Tendência global aponta para expansão contínua até 2026

O cenário indica que a escalada armamentista está longe de desacelerar. A combinação de fatores — como a guerra prolongada no Leste Europeu, a rivalidade entre Estados Unidos e China, instabilidades no Oriente Médio e novas prioridades estratégicas — sugere que os gastos militares continuarão crescendo ao longo de 2026 e além.

Portanto, mais do que números recordes, o que se observa é uma transformação estrutural no equilíbrio de poder global — com impactos diretos na segurança internacional, na economia e nas decisões políticas de diversas nações.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

O circo partiu –
instalou-se na cidade
o vento de outono.

Mayuzumi Madoka

[Alemanha] Palestra: Da militarização ao serviço militar – Lições de resistência da sociedade civil israelense

Atualmente, o rumo da política alemã é claro: reintrodução do serviço militar obrigatório, gastos ilimitados com armamentos e discursos sobre “prontidão para a guerra”. Mas a resistência também está crescendo.

Em sua palestra “Da Militarização ao Serviço Militar – Lições de Resistência da Sociedade Civil Israelense”, Or, objetora de consciência e ativista da organização israelense New Profile, relata o que podemos aprender com aqueles que se opõem à militarização, ao recrutamento obrigatório e à guerra.

A New Profile é uma organização feminista e antimilitarista, membro da War Resisters International (WRI). Or é uma judia árabe, israelense e ativista pró-Palestina que luta há 20 anos pelos direitos humanos e dos animais, contra a ocupação e por uma paz justa.

Em seguida, a IDK e a FAU convidam você para uma cozinha comunitária (KüFa) e uma reunião aberta para discutir possibilidades de resistência contra a militarização.

A IDK (Internacional de Objetores de Consciência), assim como a New Profile, é uma seção da War Resisters International e apoia e aconselha objetores de consciência. Como um sindicato de base, queremos discutir com a IDK como a resistência ao serviço militar pode se manifestar, qual o papel do movimento sindical nesse processo e como podemos nos libertar coletivamente.

O quê: Palestra – “Da Militarização ao Serviço Militar: Lições de Resistência da Sociedade Civil Israelense”

Convidada: Or, uma ativista do grupo “New Profile”

Onde: KuZe (Sala de Teatro), Hermann-Elflein-Str. 10, 14467 Potsdam

Quando: 3 de maio de 2026, 14h

Idioma: Inglês

Em seguida: Cozinha comunitária e reunião aberta.

Organizadores: IDK e FAU.

Local: Café Madia, Lindenstraße 47, 14467 Potsdam.

Data: 3 de maio de 2026, 16h30.

berlin.fau.org

agência de notícias anarquistas-ana

Canta o bem-te-vi
no galho da goiabeira:
mesma saudação!

Ronaldo Bomfim

[Espanha] 1º de Maio | Não à guerra: menos gastos militares e mais direitos trabalhistas e sociais

Estamos vivenciando uma ofensiva global contra a classe trabalhadora. O capitalismo em crise responde com mais precariedade, mais autoritarismo, mais controle e mais guerras. Enquanto uma minoria concentra riqueza e poder, a maioria da sociedade vê suas condições de vida, seus direitos e seu futuro se deteriorarem.

A guerra tornou-se uma ferramenta política e econômica normalizada. O genocídio do povo palestino, o bloqueio a Cuba, os ataques à Venezuela e ao Irã, a prolongada guerra na Ucrânia e o aumento dos conflitos pelo controle de recursos demonstram um mundo governado pela violência e pelos interesses das grandes potências. O aumento dos gastos militares ocorre em detrimento da saúde, da educação, das aposentadorias e dos direitos sociais. O contexto internacional de guerra, rearmamento e tensões geopolíticas não é estranho à nossa realidade. Suas consequências são diretas: aumento do custo de vida, cortes nos serviços públicos, aumento dos gastos militares e enfraquecimento das políticas sociais. Enquanto bilhões são destinados à indústria militar, em Córdoba, os recursos para saúde, educação e serviços sociais são cortados. A classe trabalhadora sempre paga pela guerra, seja economicamente ou com suas vidas. Nossos jovens, os filhos e filhas da classe trabalhadora, são usados ​​como bucha de canhão em suas guerras imperialistas de pilhagem e dominação sobre as nações. Diante da guerra e do militarismo, defendemos a paz, a vida e a cooperação entre os povos.

A União Europeia, subserviente aos Estados Unidos, caminha para a militarização e a erosão dos direitos. A Espanha, com seu modelo de produção precário, sofre com a desindustrialização, uma crise habitacional, dependência energética e tecnológica e um custo de vida crescente que afeta particularmente a classe trabalhadora.

Neste Dia do Trabalhador, a classe trabalhadora de Córdoba volta às ruas, não como um ritual, mas como uma declaração de guerra social contra a precariedade, a exploração e o descaso institucional. Não há celebração possível quando, em nossa província, o trabalho não garante uma vida digna, quando os jovens são condenados a emigrar, quando as mulheres ocupam os piores empregos do sistema e quando a população migrante é usada como mão de obra descartável. Em Córdoba, não falta trabalho. Falta dignidade no trabalho.

O Governo da Junta da Andaluzia, presidido por Juanma Moreno Bonilla, transformou os serviços públicos num mercado aberto à privatização, à terceirização e aos interesses empresariais, seguindo o caminho já trilhado pelos sucessivos governos do PSOE [Partido Socialista Espanhol] na Junta.

Centros de saúde com filas de espera de dias ou semanas para atendimento primário; salas de emergência superlotadas, especialmente em horários de pico; profissionais de saúde denunciando sobrecarga estrutural e falta de substitutos; instituições de longa permanência com milhares de casos paralisados, onde famílias aguardam meses ou anos por serviços básicos; e educação pública com salas de aula superlotadas e falta de pessoal de apoio. Enquanto isso, o governo andaluz desvia cada vez mais recursos para a saúde privada e a gestão terceirizada de serviços essenciais. Isso não é ineficiência: é um modelo político de transferência de riqueza pública para interesses privados. Defender os serviços públicos em Córdoba hoje significa defender um direito arduamente conquistado contra um processo planejado de pilhagem.

As reformas trabalhistas consolidaram um modelo em que o trabalho já não garante estabilidade.

Em Córdoba, isso se traduz em: contratos de dias ou semanas na hotelaria e no comércio varejista, rotatividade constante na logística e em armazéns, e trabalho em tempo parcial imposto em setores feminizados.

A terceirização em cadeia nos setores de limpeza, serviços e manutenção, e a juventude presa em um ciclo de empregos sem futuro. A realidade para os jovens em Córdoba é clara: eles trabalham, sim, mas sem um plano de vida. A precariedade não é uma falha do sistema; é o seu funcionamento normal. Construiu-se um mercado de trabalho onde as empresas ganham flexibilidade e a classe trabalhadora perde direitos, renda e estabilidade.

Em Córdoba, recorrer aos tribunais do trabalho é um processo longo e frustrante para os trabalhadores. Os tribunais do trabalho sofrem com atrasos, os processos se arrastam por meses ou anos e, nesse ínterim, esses trabalhadores demitidos ou explorados ficam em um limbo. A empresa, por outro lado, tem a vantagem: demite os trabalhadores sabendo que o processo será lento.

Viola-se a legislação sabendo que a sanção virá tarde demais e exerce-se pressão sabendo que o sistema não responderá rapidamente. Isso cria impunidade estrutural e desmantela a única ferramenta que o sistema nos deixou, a classe trabalhadora, para nos defendermos dentro dele. A justiça trabalhista, como está atualmente concebida, não equilibra a relação de emprego; ela a inclina ainda mais a favor do capital.

Em nossa cidade, a repressão sindical nem sempre é visível nas manchetes, mas está presente no cotidiano dos locais de trabalho. Ela se manifesta em: demissões de trabalhadores sindicalizados em empresas de serviços; pressão sobre representantes sindicais nos setores de logística e distribuição; sanções internas contra quem denuncia condições abusivas; listas negras informais em setores com alta rotatividade; e até mesmo acusações criminais contra trabalhadores e sindicalizados por exercerem atividades sindicais. No tecido produtivo de Córdoba — hotelaria, agricultura, logística, limpeza — a organização tem consequências. Há uma tentativa de impor a ideia de que reivindicar direitos tem um custo pessoal. Mas toda tentativa de intimidação revela a mesma coisa: quando a classe trabalhadora se organiza, o poder econômico responde com repressão.

Por exemplo, estamos vendo o que está acontecendo na Hitachi, onde trabalhadores em greve foram punidos, ou onde o investimento foi cortado, levando à intervenção do governo estadual. Ou como a Construcor ameaçou um lockout na construção civil após uma greve de operadores de guindaste. Ou como o Grupo Duplach apresentou queixa-crime contra trabalhadores e sindicalistas por se sindicalizarem e denunciarem as péssimas condições de trabalho que enfrentavam. E, no entanto, a situação continua.

Na Andaluzia, e também em Córdoba, os índices de acidentes de trabalho permanecem entre os mais altos da Espanha. Isso não é coincidência. Na agricultura, a colheita continua a depender de cronogramas de trabalho intensivos e condições adversas; na construção civil, os riscos persistem devido à terceirização e à pressão por prazos; na logística e distribuição, os acidentes ligados a ritmos de trabalho impossíveis e longas jornadas estão em ascensão; e no setor de serviços, a falta de prevenção é sistêmica. Cada acidente de trabalho não é uma falha individual, mas sim o resultado de um sistema que prioriza a produção em detrimento da segurança.

Quando um trabalhador em Córdoba não volta para casa, não se trata de uma tragédia isolada; é uma responsabilidade política e corporativa direta. Não são mortes, são assassinatos; é terrorismo patronal.

Em muitos acordos coletivos de trabalho atuais, incluindo os de Córdoba, uma prática profundamente regressiva tornou-se normalizada: o salário-base é inferior ao salário mínimo, e o mínimo legal é atingido por meio de complementos. Isso representa uma grave degradação da negociação coletiva por três razões: o salário-base é artificialmente reduzido; os complementos podem desaparecer ou ser absorvidos; e o acordo perde sua capacidade real de promover melhorias salariais. Em outras palavras, a lei é ostensivamente cumprida, mas o direito é esvaziado de seu significado. Esta não é uma questão técnica; é política. É por isso que exigimos claramente: nenhum acordo coletivo de trabalho em Córdoba pode estabelecer salários-base abaixo do salário mínimo. O salário mínimo deve ser o verdadeiro ponto de partida para qualquer negociação, e não um teto superficial.

A precariedade em Córdoba não é um fenômeno isolado; é um modelo econômico. É sustentada pelo turismo sazonal de baixa remuneração; pela agricultura intensiva com mão de obra vulnerável; pelo comércio varejista com turnos divididos e baixos salários; por serviços terceirizados com altos níveis de trabalho temporário; e por uma juventude excluída do mercado de trabalho estável. O resultado é claro: Córdoba é uma província onde o trabalho não garante a permanência. Milhares de jovens emigram todos os anos, buscando em outros lugares o que lhes é negado aqui: dignidade.

As mulheres trabalhadoras em Córdoba continuam concentradas nos setores mais mal remunerados e instáveis: cuidados, limpeza, comércio, serviços, saúde e educação. Elas sofrem com a disparidade salarial entre gêneros; com o trabalho obrigatório em tempo parcial; com uma carga excessiva de trabalho de cuidado não remunerado; e com maior exposição ao emprego precário; e sustentam, por meio de seus esforços, um sistema que o governo abandona deliberadamente para favorecer empregadores que lhes concedem benefícios.

Os migrantes, por sua vez, são utilizados como mão de obra flexível, temporária e subcontratada, frequentemente em condições precárias e extremamente vulneráveis, como na agricultura, hotelaria, serviços terceirizados, limpeza, cuidados e serviços auxiliares.

Além disso, ambos os grupos são politicamente usados ​​como bodes expiatórios por discursos racistas e reacionários.

Em resposta, afirmamos: não existem trabalhadores de primeira e segunda classe. Existe apenas a classe trabalhadora. Uma classe, uma luta.

Este Dia do Trabalhador em Córdoba não é uma data simbólica. É um ponto de virada. Ou a classe trabalhadora se organiza em cada local de trabalho, em cada bairro, em cada setor, ou continuará sendo controlada, explorada e dividida.

Diante do Governo Regional da Andaluzia e seu modelo de privatização, diante de empregadores que criam condições de trabalho precárias, diante da repressão sindical, diante do racismo e do sexismo estrutural, diante do capitalismo que nos explora, só existe uma resposta possível: organização, conflito e luta de classes.

Porque em Córdoba não há muita gente. O que há demasiado é exploração. E a classe trabalhadora não veio para cá para sobreviver: veio para mudar tudo.

Viva o Primeiro de Maio e a luta da classe trabalhadora!!!

Viva a luta da classe trabalhadora!

cordoba.cnt.es

agência de notícias anarquistas-ana

entre velhas páginas
uma folha ainda verde
da casa antiga

Alice Ruiz

Vida precária, punho erguido: organizar ou morrer

Chega.

Chega de esperar o salvador de paletó, o sindicato de mãos dadas com o patrão, o político que vai nos dar a mão enquanto a outra nos apunhala pelas costas. Chega de assistir, de lamentar, de compartilhar artigo de opinião e achar que isso é luta. A passividade é o nosso verdadeiro algoz. Ela é a saliva que lubrifica a guilhotina.

Olhem ao redor. A precarização não é acidente, é projeto. Seu salário que não dá pra carne, seu aluguel que come três quartos do mês, seu tempo de vida trocado por migalhas e um atestado de burnout – tudo arquitetado. As guerras não são loucura de poucos: são negócio. Cada bomba que explode longe é financiada pelos mesmos bancos que te negam crédito, pelos mesmos fundos que compram sua dívida, pelos mesmos governos que nos chamam de “ameaça” quando pegamos numa bandeira negra.

E a decadência burguesa? Olhem para o espetáculo. Celebridades vendendo ansiedade como estilo de vida, influenciadores pregando resiliência pra quem não tem o que comer, uma cultura que transforma desespero em entretenimento. O inimigo não está apenas na fábrica, no quartel ou no palácio. Ele está dentro da nossa cabeça quando acreditamos que “não tem jeito”, que “é assim mesmo”, que o máximo que podemos fazer é votar e rezar.

Mentira.

A resposta não virá de cima. Nunca veio. Virá de nós, dos nossos punhos suados, das nossas costas doloridas, das nossas noites em claro costurando lona para barricada ou imprimindo panfleto na gráfica do companheiro que arrisca o couro. A resposta é luta. E luta sem organização é espasmo.

Por isso, para o Primeiro de Maio de 2026, não quero ver bandeira institucional hasteada por burocrata de gravata. Quero ver assembleia no bairro, piquete na porta do armazém que explora, greve geral começando às 6h da manhã. Quero ver o trabalho parado, a produção interrompida, o silêncio ensurdecedor das máquinas que só se calam quando nós mandamos. Quero ver os precarizados – entregadores, terceirizados, intermitentes, os “sem-direitos” – descobrindo que o poder está na rua, não no aplicativo.

Organização não é burocracia. É reconhecer o companheiro do lado, saber em quem confiar quando o gás lacrimogêneo descer. É ter um plano, um fundo de resistência, uma gráfica, um telégrafo humano. É aprender com os que vieram antes – os anarquistas que tombaram nas fábricas, nos campos, nas guerras civis – e aplicar ao nosso tempo. O inimigo tem inteligência artificial e satélite. Nós temos o que ele nunca terá: a certeza de que a terra é de quem nela põe os pés e o suor.

1º de Maio de 2026: vamos parar o mundo. Não com pedido, não com abaixo-assinado, não com marcha light autorizada pela prefeitura. Vamos parar com ação direta. O dia em que nenhum caminhão circular, nenhum lixo for coletado, nenhuma aula for dada, nenhum prato for lavado no restaurante. O dia em que a burguesia olhar pela janela e ouvir o silêncio da produção parada – o barulho mais aterrorizante que existe pra quem vive de explorar.

A precarização da vida só vence quando aceitamos migalhas em troca de sossego. As guerras só continuam enquanto a classe trabalhadora se mata entre si por bandeirinhas. A decadência só é suportável enquanto nos anestesiamos com consumo e futilidade.

Nosso grito não é por “inclusão” no sistema. Nosso grito é pelo fim do sistema.

Organizar ou ser aniquilado. Lutar ou apodrecer.

Dia 1º de Maio de 2026, a terra treme. E não será terremoto. Serão nossas botas no asfalto.

Vidas precárias, nenhum minuto a mais de passividade. Às ruas, companheiros. O futuro não espera – ele se toma.

Liberto Herrera.

libertoherrera.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

alta madrugada,
vaga-lumes no jardim
brincam de ciranda

Zemaria Pinto

[Espanha] 1º de maio | Só lutando conseguiremos uma vida melhor.

A manifestação do 1º de maio é celebrada este ano em meio à mais grave crise bélica desde a Segunda Guerra Mundial. O ataque contra o Irã colocou o mundo à beira de uma catástrofe que ameaça toda a humanidade e que só a classe trabalhadora pode deter.

Devemos transformar este 1º de maio num grito unânime contra a guerra, mas também por uma moradia digna e desmercantilizada, pois o mesmo fundo abutre que nos expulsa de nossas casas e bairros financia as guerras do capital. O mesmo sistema em que somos obrigados a sobreviver parece ter esgotado os recursos fósseis que o sustentavam. A crise que se aproxima será paga por apenas uma classe: a nossa. Na verdade, já a estamos pagando. Aí estão as filas da fome, a pobreza energética e a exclusão social rondando as famílias que vivem de trabalhos precários.

Não nos esquecemos das lutas das mulheres, que não nos deixam esquecer que dentro da mesma classe algumas sofrem ainda mais opressões, porque, embora as greves de mulheres tenham sido determinantes não só na luta pela igualdade, mas também na conquista de direitos trabalhistas para todos, elas continuam sendo vítimas de feminicídios nas guerras, da diferença salarial e da discriminação no âmbito laboral.

O imperialismo e o rentismo nos querem sozinhas e enfrentadas, mas estamos juntas e somos imparáveis. Devemos sê-lo contra o fascismo que trabalha para o capital; contra as empresas que nos exploram e contra os governos que legislam para elas.

Saiamos às ruas no 1º de maio e fiquemos lá. Lutemos a partir delas por nossas condições de trabalho, por nossos salários e por nossas vidas.

Não permitamos que continuem nos roubando. Só lutando conseguiremos uma vida melhor.

solidaridadeobrera.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

longa conversa
um grilo termina
o outro começa

Ricardo Silvestrin

[Itália] Primeiro de Maio Anarquista.

Paz entre os oprimidos, guerra aos opressores!

Primeiro de Maio Anarquista

Sexta-feira, 1º de maio

8h30

Praça Vittorio

Grupo antimilitarista

Contra todas as pátrias por um mundo sem fronteiras!

Nos últimos anos, os ricos ficaram ainda mais ricos, enquanto quem era pobre ficou ainda mais pobre. E a situação só piora.

Em toda parte, aumentam as fileiras de pessoas sem casa, sem renda, sem perspectivas. Para fechar as contas, muitos se adaptam a uma infinidade de trabalhos precários, mal pagos, informais, sem proteção.

Em toda parte, cresce a lista de mortos e mutilados no trabalho: não são acidentes, mas a lógica feroz do lucro que devora a vida e a saúde de tantos.

O preço do gás e da luz dobrou, muita gente está sendo despejada ou com a casa indo a leilão. Sem dinheiro para o aluguel e as contas, o acesso à saúde se torna uma mercadoria de luxo que poucos podem pagar.

O longo caminho de normalização das lutas sociais, iniciado em Turim em 1980 com a derrota da resistência operária na Fiat, está chegando ao seu epílogo.

A destruição das frágeis proteções conquistadas nos anos 1960 e 1970 caminha junto com uma repressão cada vez maior às lutas.

Hoje, os herdeiros diretos do fascismo estão no governo e estão restaurando o fascismo. Não é necessária a ditadura formal para cancelar os frágeis espaços de liberdade conquistados à custa de um século de lutas.

As questões sociais se tornaram uma questão de ordem pública para esmagar com violência policial qualquer sinal de insurgência social.

O conjunto de leis repressivas que este governo, em perfeita continuidade com os anteriores, tem promulgado pode enterrar na prisão companheiros e companheiras por episódios banais de luta. Hoje em dia, uma simples pichação, um bloqueio de rua, um piquete, uma ocupação, talvez combinados com um dos muitos crimes de associação, são tratados com extrema dureza.

Na véspera do 25 de abril, aprovaram a prisão preventiva para ativistas políticos incômodos ao governo.

Meloni como Mussolini: as leis especiais de 1926 se tornaram, passo a passo, as leis “normais” de 2026.

O governo condena à morte os migrantes com o bloqueio naval e coloca em confinamento (daspo, ordens de expulsão da cidade, vigilância especial, sequestro preventivo) os antifascistas.

As muitas medidas repressivas implementadas na última década para enquadrar os indesejáveis, os corpos excedentes, os subversivos não são suficientes para um governo que decidiu controlar toda a população.

Na periferia, a ocupação militar se tornou normal. Aliás! Cada dia está pior.

Áreas inteiras dos bairros pobres são colocadas sob cerco, com contínuas batidas policiais em pessoas sem documentos ou que vivem da economia informal.

Turim, de cidade do automóvel, está se transformando em cidade dos bombardeiros e vitrine para turistas. Uma vitrine que os pobres que passam horas nos jardins não devem sujar. A aspiração a uma sociabilidade não mercantilizada deve ser reprimida.

O governo, em todos os níveis, aponta o dedo para as pessoas mais pobres, racializadas, com a chantagem constante dos documentos, para esconder a guerra social que desencadeou contra todos os pobres, italianos e nascidos em outros lugares, alinhando-se ao lado dos patrões, grandes e pequenos.

O controle etnicamente direcionado do território visa reprimir pela raiz qualquer possível insurgência social. O CPR (Centro de Permanência para Repatriação), a prisão administrativa para sem documentos, é, assim como a cadeia, um depósito de lixo social.

O governo experimenta técnicas de controle social antes impensáveis, apenas para não gastar um centavo com moradia, saúde, transporte, escolas.

Os gastos militares estão em constante aumento, as missões no exterior das forças armadas italianas se multiplicaram.

Os militares passam seis meses em missões militares no exterior, seis meses nas ruas das nossas cidades.

A guerra pelo controle dos recursos energéticos caminha junto com a ofensiva contra as pessoas em viagem, para empurrá-las de volta para as prisões da Líbia, onde tortura, estupros e homicídios são fatos corriqueiros.

Hoje, querem todos recrutados, todos alinhados nas guerras em que nosso país está envolvido direta ou indiretamente. Nós não topamos.

Nós não nos alistamos, recusamos a retórica patriótica como elemento de legitimação de todos os Estados e de suas pretensões expansionistas.

O antimilitarismo, o internacionalismo, o derrotismo revolucionário foram centrais nas lutas do movimento dos trabalhadores e trabalhadoras desde suas origens.

Exploração e opressão atingem igualmente em todas as latitudes, o conflito contra os “nossos” patrões e contra os “nossos” governantes é a melhor maneira de se opor à violência estatal e à ferocidade do capitalismo em qualquer lugar.

Estamos ao lado das pessoas que, em todo o mundo, morrem sob as bombas; estamos ao lado daqueles que, em todo o mundo, sofrem prisão e repressão por terem se oposto ativamente à guerra.

Somos contra a economia de guerra aqui e em qualquer lugar.

Estamos ao lado daqueles que, em toda parte, desertam da guerra entre os estados, que disputam o domínio imperial sobre territórios, recursos, vidas de mulheres, homens e crianças.

Somos contra a guerra e contra quem a financia.

Somos desertores de toda guerra, partisanos contra todo estado.

Em um único dia, o governo gasta 104 milhões de euros: com o mesmo valor, seria possível equipar completamente um posto de saúde territorial.

Tente imaginar o quanto melhor seria a nossa vida se os bilhões usados para rejeitar homens, mulheres e crianças nos campos de concentração líbios, para garantir os interesses da ENI na África, para investir em armamentos, para pagar militares nas ruas das nossas periferias fossem usados para escola, saúde, transporte.

Mas imaginar não basta. É preciso mudar o paradigma.

São necessárias mudanças radicais. É inútil deleitar-se com a proposta de uma perspectiva welfare-state hoje inalcançável. A ilusão do welfare-state entrega um cheque em branco ao Estado, que hoje, quando está sob forte pressão, limita-se a esmolas.

Construamos assembleias territoriais, espaços, escolas, transportes, ambulatórios autogeridos. Contam-nos o conto de fadas de que uma sociedade complexa é ingovernável de baixo para cima, enquanto nos afogam no caos da gestão centralizada e burocrática das escolas, hospitais, transportes. A lógica é a do controle e dos negócios. É preciso rompê-la.

É urgente fazê-lo agora. Com a ação direta, construindo espaços políticos não estatais, multiplicando as experiências de autogestão, construindo redes sociais que saibam travar a máquina e tornar eficazes as greves e as lutas territoriais.

Um mundo sem explorados nem exploradores, sem servos nem patrões, um mundo de livres e iguais é possível.

Cabe a nós construí-lo.

Federação Anarquista Turinesa

Corso Palermo, 46 – reuniões todas as terças-feiras às 20h30

anarresinfo.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Na teia da aranha
nada fica preso à noite –
brilha a lua cheia.

Katayama Yumiko

[Espanha] Nasce a assembleia libertária da Cantábria

No dia 7 de março passado, foi apresentada a assembleia libertária da Cantábria em Santander. Após vários meses de assembleias e debates, queremos apresentar um novo projeto anarquista na Cantábria. Uma assembleia que pretende incidir sobre a realidade, cada vez mais hostil devido ao cenário bélico internacional, ao avanço do fascismo, às difíceis condições de vida que nos são impostas, à exploração do trabalho, entre muitas outras, e participar dos conflitos a partir da teoria e da prática anarquista. Um espaço onde confluam ideias e práticas baseadas na horizontalidade, no apoio mútuo, na autogestão e na ação direta.

O debate que temos está aberto; nele existem consensos e dissensos. Surge da inquietação por superar anos de declínio e dispersão política. É por isso que surge também de certas críticas aos movimentos sociais e, em particular, ao ambiente libertário do qual fazemos parte, reconhecendo também, com isso, os múltiplos acertos ao longo desses anos.

Guiaram-nos os valores anarquistas da horizontalidade, sem estabelecer nenhum tipo de hierarquia, relacionando-nos entre iguais, tomando decisões por consenso através da assembleia. A autogestão, sem receber nenhuma ajuda ou subsídio do Estado. O apoio mútuo entre iguais, ajudando-nos e solidarizando-nos entre exploradas e oprimidas. E a ação direta, a resolução de qualquer conflito sem intermediários. Também não queremos nada da classe política, não queremos delegar nossas vidas a ninguém, queremos tomá-las e decidir nós mesmas sobre elas.

A assembleia libertária da Cantábria nasce para dotar neste território o ambiente anarquista de uma pequena estrutura visível e pública onde se organizar. Esse é, no mínimo, nosso ponto de partida. Até agora, na Cantábria, o anarquismo permanece vivo desde a transição democrática até nossos dias por meio da participação de ativistas em movimentos sociais, sindicatos de classe e na gestão de projetos de autogestão e centros sociais. Propomos valorizar esse fato como positivo, já que não estaríamos propondo nada sem sua trajetória e legado, mas propomos também que isso é insuficiente e limitado.

No Estado espanhol, o que poderíamos chamar de movimento libertário encontra-se atualmente em um momento protagonizado por distintas correntes que, como sempre, conviveram ou simplesmente existiram, colocando em prática suas próprias ideias e métodos. Permanece a organização informal em grupos de afinidade sem siglas nem nomes, sob assembleias, gestão de centros sociais, grupos de ação direta, etc. Existe um setor anarcossindicalista que, apesar de seus distintos conflitos, também permanece com seu trabalho sindical em diferentes frentes. Existe também um ramo mais ligado ao ecologismo e à defesa do território, bem como à construção de uma alternativa política desde a ruralidade. Além disso, existe uma via plataformista e especifista que propõe a necessidade de criar organizações formais de massas. Sem entrar, nem superficial nem profundamente, na descrição dessas quatro categorias nas quais poderíamos classificar o anarquismo atual de forma ampla, sem negar que muitas pessoas podem coincidir em várias ao mesmo tempo, é verdade que todas influenciam de uma maneira ou de outra aqueles que tentam levar este projeto adiante, e nenhuma o define por completo. Mas não devemos esquecer que, no movimento libertário dos últimos anos, também existe outra realidade. A realidade do abandono da militância para outras forças políticas, ou simplesmente o abandono das militâncias em geral por cansaço, desídia, circunstâncias pessoais e pela precariedade sistêmica atual.

Aterrissando tudo isso em nosso contexto local, a verdade é que na Cantábria não podemos falar diretamente de movimento anarquista, mas sim de um ambiente que gira em torno dessa afinidade libertária. Trata-se de um ambiente muito diluído nas dinâmicas dos movimentos sociais e também muito centrado em criar estruturas internas de autogestão que dizem respeito apenas às próprias pessoas envolvidas, que muitas vezes chegam a conhecê-las por inquietude política e por amizade, mas não porque exista um trabalho político de divulgação e propaganda por trás.

Nesse sentido, a assembleia libertária da Cantábria não pretende ser mais uma mera tentativa de grupo anarquista para autocomplacência, mas sim uma estrutura visível e pública para dar a conhecer ao resto da sociedade e um exemplo de luta desejável para se estender e contagiar. É por isso que pretendemos sair de anos de passividade política, de dispersão e de declínio, que consideramos não ter afetado apenas “nós”, mas todos os movimentos, para propor um mínimo organizativo. Mas para isso não queremos reproduzir algumas dinâmicas que sempre tivemos e queremos experimentar outras coisas. Por exemplo, abandonar as dinâmicas onde amizade e afinidade se confundem, abandonar as dinâmicas de agir sem siglas nem nome. Abandonar as dinâmicas que nos levam a criar projetos que pretendem sair do capitalismo dentro do capitalismo, para propor conflitos sociais assumindo que estamos dentro do capitalismo e que não podemos escapar individualmente nem em pequenos grupos do mesmo, a não ser propondo uma luta social que deve se estender para acabar com a dominação.

Estender-se não significa necessariamente crescer como assembleia em número, mas sim contar que o anarquismo seja acessível a todos por meio de lutas como a autodefesa trabalhista, o antimilitarismo, a incidência em lutas sociais que existam ao nosso redor. As lutas que escolhermos dependerão da avaliação constante que fizermos de nossa prática. Para isso, precisamos de presencialidade, constância e levar em conta nossas limitações.

Dizemos isso porque esta iniciativa está sendo impulsionada por três pessoas, sabendo que poderia interessar a muitas outras. Refletimos sobre a idade que vamos tendo, sobre a dispersão geográfica que vivemos entre companheiras e a mudança no tempo que dispomos para as militâncias e consideramos essas questões como muito determinantes para podermos levar a cabo nossa atividade, para o bem ou para o mal. Também vemos a necessidade de promover não apenas o crescimento desta assembleia, mas o nascimento de outras e uma futura coordenação ou federação em nível da Cantábria como horizonte e sob uma perspectiva anarquista.

Além disso, pensamos em escolher dois eixos de atuação. Um deles, e por isso o convite passado às companheiras da rede de autodefesa trabalhista de Vallecas, seria a autodefesa trabalhista. O outro eixo é a atenção às lutas emergentes e aos problemas mais imediatos (antimilitarismo, antirracismo, moradia, etc.). Tudo isso dependerá das forças que tivermos e das mãos que contarmos. O fato de priorizar alguns eixos concretos não é porque consideremos umas lutas mais importantes que outras, mas porque as consideramos mais desassistidas sob uma perspectiva libertária do que outras e porque consideramos que são lutas que possibilitam pontes com o resto das pessoas exploradas. Queremos abandonar certas dinâmicas dos movimentos sociais muito ancoradas no lazer alternativo, no autoconsumo de palestras e atividades culturais e nas redes de amizade. Questões que vemos como necessárias, mas apenas se forem acompanhadas de um projeto político que pretenda superar seus próprios limites e transformar a sociedade.

Resumindo, pretendemos criar algo muito básico.

Uma assembleia pública e visível com reuniões periódicas, eixos de luta concretos, avaliações a cada certo tempo e tentativa de promover lutas, participar das que já existem e criar coordenações.

Vocês podem nos contatar em: asamblealibertaria_decantabria@riseup.net

Fonte: https://www.briega.org/es/noticias/nace-asamblea-libertaria-cantabria

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

sussurro um ruído
(farfalhar de qualquer folha
ao pé de um ouvido)

Bith