Nem faz o L, nem faz Arminha! Aqui pra vocês!!!

[Hungria] Ilaria Salis continua na prisão. Para o Tribunal de Budapeste “ainda existe risco de fuga”

O Tribunal de Budapeste rejeitou nesta quinta-feira (28/03) um pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa da anarquista e professora italiana Ilaria Salis, que está detida desde fevereiro de 2023 por uma suposta agressão contra dois militantes neonazistas.

A docente de 39 anos apareceu na corte novamente com as mãos algemadas e correntes nos tornozelos, repetindo imagens que já haviam causado indignação na Itália em uma audiência em janeiro passado. Além disso, Salis foi conduzida por um policial como se estivesse em uma coleira.

“As circunstâncias não mudaram”, disse o juiz Jozsef Sós, acrescentando que existe “risco de fuga” da italiana.

O pai da professora, Roberto Salis, afirmou que a rejeição do recurso representa a “enésima prova de força do governo” do premiê de extrema direita Viktor Orbán.

“As correntes não dependem do juiz, mas do sistema carcerário, então o governo italiano pode e deve fazer algo para que minha filha não seja tratada como um cão”, acrescentou.

Salis arrisca ser condenada a 24 anos de prisão por supostamente ter atacado militantes neonazistas com cassetete durante uma manifestação de extrema direita na Hungria, cuja Justiça também quer processar outro italiano envolvido no caso, Gabriele Marchesi..

Ele chegou a ser preso em Milão em novembro passado, com base em um mandado de captura europeu, mas um tribunal da capital da Lombardia rejeitou um pedido de extradição feito por Budapeste e determinou sua soltura nesta quinta-feira.

Fonte: agências de notícias

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agência de notícias anarquistas-ana

A jabuticabeira.
Através de líquida cortina
olhos negros espiam.

Yeda Prates Bernis

[França] Vamos apagar a chama dos Jogos Olímpicos!

Um chamado para os maliciosos, os brincalhões práticos e outros hereges do Sport Business

Os males causados pelos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos (JOP) não precisam mais ser demonstrados, pois já são bem conhecidos: delírios de segurança, legislação antiterrorista, má gestão financeira e desvio de verbas, aumentos descarados nas tarifas de metrô, despejo dos sem-teto, despejo dos estudantes de seus alojamentos etc. etc.

A lista é muito longa e agora óbvia.

Os Jogos Olímpicos também estão sendo promovidos por meio da Chama Olímpica, que iniciará sua jornada pela França em Marselha no dia 8 de maio (trajeto completo em
https://www.paris2024.org/fr/parcours-relais-flamme-olympique/).

Para denunciar os Jogos Olímpicos, estamos organizando uma grande competição “Vamos apagar a chama”.

Estamos convocando todos os indivíduos, grupos, organizações e outras entidades que se reconhecem nesse apelo a se organizarem para apagar a chama olímpica quando ela passar pela cidade mais próxima: peguem seus extintores de incêndio, secadores de cabelo, ventiladores, nebulizadores e outras coisas! Use sua imaginação!

A primeira pessoa ou grupo a realizar esse feito esportivo e salutar receberá uma medalha. Provavelmente não de ouro, mas de algum tipo de metal, talvez ferro fundido ou zinco, ou até mesmo chumbo…

“Vamos apagar a chama”, o pior exemplo para nossos jovens: uma chama ao ar livre em uma época de secas e outros mega incêndios!

“Vamos apagar a chama”, compartilhar, alimentar e transformar esse chamado!

JOPpose@riseup.net

saccage2024.noblogs.org

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Flor esta
De pura sensação
Floresta.

Kleber Costa

[Alemanha] 7ª Feira do Livro Anarquista de Mannheim, de 9 a 12 de maio de 2024

Pela sétima vez, uma feira do livro é organizada em Mannheim pelo Anarchistische Gruppe Mannheim. Além das banquinhas de editoras e grupos, haverá uma extensa programação de eventos.

É uma maldição viver em tempos interessantes.” –  Hanna Arendt

A 7ª Feira do Livro Anarquista de Mannheim acontecerá no Fórum do Centro de Cultura Juvenil de 9 a 12 de maio de 2024. Depois de a extensão da feira para quatro dias, há dois anos, ter sido recebida de forma muito positiva, desta vez decidimos novamente por um fim de semana mais longo.

Começa na quinta-feira à noite com um evento de abertura, que será seguido por três dias de funcionamento da feira e um extenso programa de acompanhamento de sexta a domingo. Estamos satisfeitos que numerosos editores e distribuidores libertários exponham conosco novamente em 2024 e apresentem a amplitude do jornalismo anarquista. Além disso, 26 palestras e workshops oferecerão a oportunidade para conversas e discussões.

Com a feira do livro queremos representar a diversidade do anarquismo, oferecer um local de troca para o movimento libertário e ao mesmo tempo oferecer a um público amplo a oportunidade de conhecer as posições anarquistas. Especialmente nestes tempos em que estamos perturbados pelas mudanças climáticas, pela ascensão de partidos autoritários, de direita e fascistas e por uma situação mundial cada vez mais caracterizada pela guerra e pela violência, queremos fazer ouvir as vozes anarquistas. Porque estamos convencidos de que é necessário um movimento de solidariedade e liberdade desde baixo para superar estas ameaças – e vemos isto concretizado no anarquismo.

Como sempre, a feira é praticamente livre de barreiras. Café de comércio justo e deliciosos pratos veganos também serão oferecidos. Como de costume, o alojamento durante a noite estará disponível para dormir. A entrada na feira do livro é obviamente gratuita.

Como a feira é financiada principalmente por doações, distribuímos uma caixa de doações em cada evento – mas isso não significa que seja esperada uma doação para cada evento participado. Além disso, o coletivo de cozinha Le Sabot também é financiado por meio de doações. Além disso, Le Sabot e nós estamos felizes em receber apoio financeiro e ativo. Se quiser picar legumes, vender bebidas ou algo semelhante, contacte-nos.

Esperamos você na feira do livro!

Liberdade e felicidade!

Anarchistische Gruppe Mannheim – Grupo Anarquista Mannheim

buchmesse.anarchie-mannheim.de

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Uma voz mais forte
Sai do ruído do dia.
Vida de cigarra.

Bernard Waldman

[Chile] Poder Judiciário ratifica prisão do companheiro anarquista Francisco Solar

Em 27 de março de 2024, o tribunal de apelações revisou a condenação do companheiro anarquista Francisco Solar.

Finalmente, o poder judiciário ratificou a sentença de 86 anos de prisão por ataques explosivos contra pessoas poderosas, repressores e o bairro dos ricos, rejeitando o pedido da defesa.

Na prática, essa sentença continua sendo uma prisão perpétua disfarçada. Reiteramos o chamado para superar a impotência e a frustração diante da ratificação desse ataque estatal, entendendo a condenação como um golpe contra todo o movimento anarquista.

Nossa solidariedade legitima o ataque e defende os companheiros em ação anárquica e informal.

Solidariedade com aqueles que atacam os poderosos e repressores!

Francisco Solar às ruas!

Fonte: Buskando La Kalle

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Lua cheia!
Por mais que caminhe,
O céu é de outro lugar.

Chiyo-jo

Não a PLP 12/2024! Organizar a base com autonomia e conquistar ganhos reais para os trabalhadores de aplicativo

Comunicado Nacional da FOB | 28 de março de 2024

No início de março, o governo Lula enviou ao congresso um Projeto de Lei Complementar (PLP) que regulamenta o trabalho dos motoristas de aplicativo que transportam pessoas com veículos de 4 rodas. O PLP 12/2024 é uma farsa, pois está sendo apresentado como uma conquista dos trabalhadores sem ser. Ele é um retrocesso para a categoria e também um laboratório cruel que os governos e patrões estão experimentando novas formas de explorar ainda mais toda classe trabalhadora. Para superar isso, não adianta trocar o político A pelo político B, mas construir um processo de organização da categoria pela base. A ação direta dos trabalhadores pode derrubar qualquer ataque contra seus direitos e conquistar ganhos reais.

Por que o PLP 12/2024 é ruim?

O PLP coloca os motoristas de aplicativo em uma nova categoria: autônomo plataformizado. Isso é uma aberração que coloca mais deveres para o trabalhador, não garante direitos relevantes e ainda protege as plataformas de processos trabalhistas.

O salário mínimo é o primeiro que morre nesta história. Pelo projeto, o trabalhador vai poder trabalhar até 12 horas por aplicativo e receberá 32 reais por hora. Mas atenção, somente irão contar as horas que estiver realizando corrida. O tempo de espera, em que o trabalhador esta disponível, não será contado. Imagine se o supermercado pagasse os caixas somente pelas horas que estão atendendo o cliente, imagine se os frentistas fossem pagos somente pelo momento em que estão abastecendo os carros. Seria um absurdo. Porém, é o que está posto.

Dos 32 reais, apenas 8 serão destinados para remuneração direta do trabalhador, enquanto o resto será destinado para os gastos de manutenção do veículo e combustível. Contraditoriamente, o que era para ser o piso salarial, vai ser o teto de salário por conta que permitirá que as plataformas mantenham o valor das corridas o mais próximo possível destes números através de seu algoritmo.

Inclusive o cálculo para esta remuneração deveria estar vinculado aos preços de combustíveis, porém não é o que temos. O principal insumo para os motoristas pode subir o quanto for, que não haverá correspondência com sua remuneração. Ou seja, se o custo subir de repente, como é comum da variação dos preços de combustíveis, o trabalhador pode chegar a ter que pagar para trabalhar.

Se muitos trabalhadores questionavam a CLT, aqui o negócio ficou é muito mais precário. É o pior dos dois mundos. Nem CLT, nem informal: trabalhar até passar mal.

Cartas marcadas, não tinha como ser diferente.

Uma semente de milho vai dá um pé de milho. Uma sente de feijão vai dá um pé de feijão. Um Grupo de Trabalho Tripartite de patrões (UBER/99), governo (Lula) e centrais sindicais vendidas, não vai dar coisa boa para o trabalhador. Ou seja, este PLP foi gestado e concebido para defender os interesses de quem explora e não de quem trabalha. Os que estavam lá mentindo que representavam os interesses dos trabalhadores não passam de centrais sindicais que representam os interesses dos governos e patrões! Vamos dá nome: Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical (FS), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) e a União Geral dos Trabalhadores (UGT).

Não à toa, o projeto de lei regulamenta a representação sindical oficial da categoria. Algo que sem dúvidas entre estas centrais esta sendo disputado com unhas e dentes atrás da carta sindical para garantir sua estrutura burocrática.

Agora, não podemos jogar a água do banho com o menino dentro. O sindicato é nada mais nada menos que os trabalhadores organizados lutando pelo seu direito. Muitas vezes, temos isso com outros nomes: Associações, União, Liga, Organização. O problema é que desde 1931, o povo brasileiro sofre com um modelo de sindicalismo controlado pelo Estado, onde é o Ministério do Trabalho que reconhece qual sindicato vai representar qual categoria em qual base territorial. Isto é chamado de unicidade sindical, algo que só existe em pouco países do mundo. Por isso cada vez mais os sindicatos estão burocratizados e encastelados em sua torre de marfim.

Por isso, concordamos com a revolta dos trabalhadores contra estes sindicatos oficiais, em geral, filiados à Federação Nacional dos Sindicatos dos Motoristas de Aplicativos (FENASMAPP). Contudo, afirmamos sem dúvidas que um outro sindicalismo é possível e que seja sobre nome de associação, sindicato ou união, devemos nos organizar no nosso local de trabalho com autonomia e em aliança com toda a classe trabalhadora.

Superar o projeto dos dois lados políticos

Em resposta ao péssimo PLP 12/2024, parlamentares como: Daniel Agrobom – PL/GO, Silvia Waiãpi – PL/AP, Dayany Bittencourt – UNIÃO/CE, Capitão Alden – PL/BA, Delegado Caveira – PL/PA, Felipe Saliba – PRD/MG, propuseram o PL 536/2024. Propor um PLP melhor que o do governo Lula não deve ser um critério, pois isso é muito fácil. Isso é somente a dinâmica de oposição clássica dos políticos no seu jogo das cadeiras.

Ao invés de propor a regulamentação por hora trabalhada, este PLP propõe por km rodado e minutos ativo após o aceite da corrida, porém sem tarifa mínima nas corridas. Continua a problemática do tempo que o trabalhador fica disponível esperando uma corrida. Além disso, a remuneração mínima de 1,80 por km rodado e 0,40 por minuto em corrida não é suficiente para garantir dignidade para a categoria.

Este lado político sofre do mesmo problema do outro lado: seus interesses vêm primeiro que os interesses dos trabalhadores. Não duvide que isto seja que nem motor de fusca, que só tem arranque. Afinal, não é da caminhada destes parlamentares estarem junto aos trabalhadores em seus enfrentamentos, greves, bloqueios e paralisações. Sua participação é sempre seletiva e estratégica para garantir seus projetos de poder. É tanto, que o partido União, que assina este projeto, recebeu cargos do governo Lula. E o PL sempre faz o espetáculo da oposição, mas quando entra no governo reproduz as mesmas práticas dos coronéis.

Barrar o PLP 12/2024 e construir outra regulamentação a partir da base!

É um dever da classe trabalhadora participar da mobilização nacional de 2 de abril pelo fim do PLP 12/2024. Porém, não podemos dar palco para políticos oportunistas, como a turma do PL, UNIÃO e PRD, que nunca estiveram do lado dos trabalhadores e querem mais é se projetar.

É importante que estas mobilizações produzam outro jeito da categoria se organizar com autonomia e caminhe para uma grande greve geral dos trabalhadores dos transportes. É somente quando pega no bolso que a classe patronal e o governo vão abrir mão dos direitos do povo que estão roubando.

Assim, reivindicamos:

  1. Ganhos reais para os trabalhadores de aplicativo.
  2. Responsabilizar as empresas pelos custos que estão só nas costas dos motoristas.
  3. Segurança para o trabalhador contra o controle arbitrário das plataformas que o desligam sem nem o direito de se defender.
  4. Garantia de uma jornada de trabalho digna que não prejudique sua saúde, sua vida social e nem ponha em risco a vida.
  5. Seguridade previdência com qualidade.

Unir todos os trabalhadores do setor de transportes em uma federação de sindicatos autônomos!

Para combater os oportunistas da esquerda e da direta, convocamos aos motoristas de aplicativo a se organizar na FOB para construir, em todo Brasil, sindicatos autônomos do ramo de transportes. Sem depender políticos partidários ou empresários. Sem depender de nem 1 centavo de imposto sindical ou carta sindical do governo.

Estes sindicatos deverão se organizar nas localidades, na base, construindo um processo de baixo para cima. Até chegar o ponto de construir uma Federação Autônoma de Trabalhadores do Transporte do Brasil. Envolvendo não só os motoristas de aplicativos, mas todos os trabalhadores que transportam pessoas e mercadorias neste país, seja de moto, carro ou caminhão.

Sem fazer acordos de gabinete, este movimento forçará as negociações a partir da ação direta da categoria, trazendo resultados muito mais palpáveis do que estas federações fantasmas.

Acesse e preencha o formulário em lutafob.org/organize-se ! Temos um grande trabalho a fazer.

BARRAR O PLP 12/2024!

CONSTRUIR UMA REGULAMENTAÇÃO DOS MOTORISTAS DE APLICATIVO A PARTIR DA BASE!

ORGANIZAR A GREVE GERAL DO SETOR DE TRANSPORTES PARA ARRANCAR DIREITOS E GANHOS REAIS!

lutafob.org

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Disseram-me algo
a tarde e a montanha.
Já não lembro mais.

Jorge Luis Borges

[Espanha] A primeira oficina lançada pela Escola Livre da FAL chega ao fim

No último fim de semana, comemoramos a última sessão da primeira oficina da Escola Livre, a marca registrada da Fundação Anselmo Lorenzo para crianças. Queríamos começar com força esse novo trabalho da fundação e conseguimos.

O interesse pela oficina que desenvolvemos com base no livro de Michael Ende, em colaboração com artistas e professores da Escola de Expressão, superou nossas expectativas. Todas as vagas foram preenchidas, criou-se um grupo entre crianças e adultos, e as famílias participantes já nos pediram novas atividades.

Nós temos isso em mente. A Escola Livre quer se tornar uma referência para crianças e famílias. Neste mundo de reinado absoluto do neoliberalismo, de indivíduos solitários em frente à tela, de legiões de bots fascistas e de intermináveis scrolls tristes, não é fácil gerar espaços de encontro e reflexão em que a generosidade, a solidariedade, a igualdade, a justiça e a capacidade crítica sejam os pilares sobre os quais se desenvolver como pessoa.

“Um grão não faz um celeiro, mas ajuda um companheiro”, diziam nossas avós. Pois bem, aqui está a Escola Livre para dar uma mãozinha na construção de alternativas. Sabemos que nossas capacidades são limitadas e que o enorme trabalho necessário para preparar cada atividade ou oficina infantil é apenas uma gota no oceano das centenas de milhões investidos pela extrema direita internacional para vencer a narrativa social. Mas também sabemos que cada novo espaço gera novos ecos possíveis. Não queremos uma Escola Livre, queremos dez, cem, mil, novos espaços onde possamos nos encontrar e conspirar juntos.

Diante do mundo de egoísmo, medo e individualismo da Securitas Direct, semeamos confiança e generosidade em nossos iguais. Para banir o medo do outro e voltar a confiar na força coletiva. Esse é o nosso objetivo. É aqui que nos encontraremos. Esperamos que mais cedo do que tarde.

fal.cnt.es

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Pernilongo no quarto
Zumbindo sem parar
Não me deixa dormir!

Ana Carolina C. S. Jesus

[Grécia] Campanha de apoio financeiro para cobrir despesas legais de militantes perseguidos

Nos últimos anos, e especialmente após a mudança no poder político da social democracia do SYRIZA – que levou os movimentos a retroceder e regredir – para o governo neoliberal e de extrema-direita do Nova Democracia, a repressão tornou-se uma questão central na agenda política. Para implementar os planos anti-trabalho e anti-sociais do Estado e do capital, foi estabelecido como condição prévia esmagar a resistência de classe social, dissolver frentes e espaços de luta, atacar todas as formas de organização e ação política, social e sindical, e reverter séculos de conquistas dos trabalhadores.

O governo do Nova Democracia, após sua reeleição, visa intensificar ainda mais suas políticas de extrema-direita e neoliberal. Ele continua na mesma direção, atacando a maioria da sociedade com uma nova rodada de reestruturação, mais uma vez visando aspectos essenciais da vida diária das pessoas e da vida social.

Em particular, nos últimos meses, esse ataque tornou-se ainda mais nítido, implementando lentamente, mas de forma constante, um planejamento estratégico de décadas por parte da classe dominante e do Estado, especialmente em setores onde anteriormente era impossível, devido a conflitos de classe ferozes que estavam ocorrendo. A profundidade e a extensão da natureza estratégica-histórica do ataque também podem ser vistas através da série de projetos de lei que foram aprovados recentemente ou estão sendo lançados. O estado grego está avançando com medidas reacionárias, tentando validar legalmente as relações de classe social existentes, fortalecendo ainda mais suas políticas.

Nesse contexto, o acossamento a militantes e a tentativa de erradicá-los através de perseguições não podem ser vistos separadamente do ataque mais amplo à comunidade de luta. Uma posição proeminente na agenda do Estado é a tentativa de impor um silêncio como de cemitério na sociedade e exterminar o que define como o “inimigo interno”.

Na cidade de Patras, a expressão de forte resistência de classe social e política em várias frentes, já desde o período da pandemia de covid-19, e da tentativa de impor políticas proibitivas pelo Estado, levou a inúmeras prisões e perseguições de militantes, entre os quais também membros de nosso grupo anarquista, colocando-os em um estado permanente de refém pela polícia e pelos mecanismos judiciais e criando necessidades financeiras cada vez mais prementes para cobrir as despesas excessivas exigidas pelos julgamentos programados para o futuro próximo. Ao mesmo tempo, há uma perseguição de nossos camaradas pela mídia local visando ao descrédito social mais amplo de nossas ações, bem como os perseguindo até em seus locais de trabalho, uma tática que, obviamente, em combinação com os outros métodos repressivos do Estado, visa criar um quadro sufocante em torno dos militantes sociais que poderia até afetar sua maneira de ganhar a vida, com o objetivo final de sua aniquilação política, moral e material.

Abaixo mencionamos os casos pelos quais os membros de nosso coletivo estão sendo processados, seja individualmente ou junto com outros ativistas:

– As 9 prisões durante a ocupação dos escritórios políticos do partido governante do Nova Democracia em solidariedade à greve de fome do preso político, membro da Organização Revolucionária 17 de Novembro, Dimitris Koufodinas.

– As prisões de 3 ativistas e os processos de outros 8 que participaram de uma marcha em solidariedade a Koufodinas, que foi proibida pela polícia e entraram em confronto com a polícia do lado de fora da ocupação de Parartima.

– Os processos de 3 ativistas após um ataque com tinta vermelha nos escritórios políticos do Nova Democracia como sinal de solidariedade à ocupação “Ntougrou”, em Larissa, que foi evacuada pela polícia no mesmo dia.

– Os processos de 17 ativistas durante mobilizações contra a instalação de turbinas eólicas nas montanhas Agrafa.

– Os processos de 2 ativistas por sua participação em uma mobilização em Tympa contra a instalação de turbinas eólicas.

– O processo de um camarada por escrever um slogan em uma van da tropa de choque em frente à estação de trem de Patras durante um protesto condenando o crime estatal-capitalista em Tempi, que resultou na morte de 57 passageiros de trem.

– A prisão de dois ativistas durante a marcha deste ano em comemoração ao 50º aniversário do levante da Politécnica de 1973.

– A prisão de um camarada durante um protesto contra o projeto de lei do governo sobre universidades privadas. Neste caso, os métodos policiais e judiciais são especialmente notáveis por inflar as acusações com um crime grave baseado em evidências falsas e não comprovadas fornecidas pela polícia.

Avaliando que a repressão se intensificará no próximo período, dado que o Estado será chamado a administrar as consequências criminais da reestruturação que impõe, e a resistência social se intensificará, as necessidades de nosso grupo, bem como do movimento mais amplo, aumentarão materialmente, pois vários ativistas já estão sobrecarregados com despesas legais exorbitantes de mais de 5 mil euros. Isso ocorre junto com as necessidades diárias decorrentes da defesa política de nossas estruturas e lutas.

Por esse motivo, apelamos ao apoio da comunidade de luta tanto em escalas local quanto internacional, a fim de lidar com os encargos adicionais impostos pela repressão estatal.

A solidariedade é nossa arma!

Grupo anarquista “Dysínios Íppos”

Patras, março de 2024

>> Apoie financeiramente aqui:

https://www.firefund.net/patrasolidarity

Tradução > fernanda k.

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Lua cheia.
Me dá, me dá!
Chora a criança.

Issa

[Uruguai] Comunicado Anarquistas de Cordón (Montevidéu) frente ao desalojo do local e a continuidade da luta

“Seguimos construindo sonhos sobre ruínas”

Em Cordón viemos trabalhando desde há muitos anos, antes de ocuparmos La Solidaria, desalojada pelo Estado em 2017, na auto-organização que se converteu em uma marca do bairro. Quando esse local foi desalojado, já trabalhávamos no novo, Cordón Norte, aberto à auto-organização local. O projeto de solidariedade organizada, contínua e séria, de todos estes anos, nos fez o que somos. Aprendemos a não temer as incertezas, a lutar pelo que é justo e a confiar no exemplo, acima de tudo. Cremos, porque experimentamos até o cansaço, nas potências coletivas, na força da solidariedade e na construção da liberdade.

Cordón foi e seguirá sendo uma referência de luta auto-organizada e de experimentação social. Imperfeita, por sorte, para seguir desenvolvendo-se, situada em nossa realidade específica, obstinada, contra todo domínio, e baseada na potência das relações livres. Sob um projeto que não tem temor em sujar as mãos, pusemos uma vez ou outra, nossas energias em confiar no que somos e podemos ser.

Hoje deixamos o local de Daniel Muñoz, onde sonhamos e fizemos tanto, onde centenas de pessoas aprendemos juntas que a horizontalidade, o mútuo apoio e o respeito generalizados são possíveis, onde nos equivocamos, aprendemos e voltamos a tentar mil vezes. Onde jamais nos rendemos à desesperança e onde sempre enfrentamos as forças da quietude, da impotência e da resignação.

Hoje nossa luta passa a um novo momento e pomos em prática nosso novo foco, várias de nossas oficinas se relocalizarão, forçados pelo desalojo imposto ao espaço, enquanto que nossa forma interna se reestrutura para poder incidir mais e melhor. A comunidade de luta do Cordón, nossa proposta concreta anárquica de auto-organização, buscará novas dinâmicas e fortalecimento. Montevidéu mudou, o centro da cidade está mudado e devemos transformar-nos também. Nem tudo é escolhido, mas abraçamos as dificuldades sem nos entristecermos e buscando nos potencializar através de nossa ética relacional e afirmativa.

Cordón Antiautoritário buscará ser uma resposta à crescente desigualdade, solidão capitalista e entrega do bairro à especulação. Tentará ser uma resposta anarquista e revolucionária a tanto desassossego social, a tanto derrotismo e falta de projetos. Em todos estes anos, muitos autoritarismos impotentes quiseram nos quebrar, não é a primeira vez tampouco que passamos pelos tribunais, mas sempre a convicção e a solidariedade nos tornaram fortes, não estamos para nos render.

Seguimos com a mesma fúria e convicção, sabemos que em um bairro auto-organizado, ninguém está só e cremos que é hora de ampliar as forças sociais. Nem um passo atrás.

Assembleia de Cordón Norte / Anarquistas de Cordón

Tradução > Sol de Abril

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Mar agitado —
Estende-se até a ilha de Sado
A Via-láctea.

Bashô

[Espanha] Lançamento: “Un círculo y una A. Anarquismo para jóvenes y adolescentes”, de Héctor C. García

Un círculo y una A. Anarquismo para jóvenes y adolescentes” é o décimo oitavo título da coleção central de La Neurosis o Las Barricadas Ed. Este trabalho de Héctor C. García é uma introdução simples, mas rigorosa às ideias e práticas do anarquismo. Ao longo das páginas desta obra se resolvem as típicas dúvidas sobre a visão que tem o movimento anarquista em relação aos problemas do meio ambiente, da postura ao redor da justiça, do modo de entender a liberdade, das diferenças com outras correntes políticas, dos debates sobre a violência, sobre as críticas à democracia, etc. Tudo escrito de uma maneira que permite uma leitura ágil, sobretudo, às leitoras e leitores mais jovens:

“Un círculo y una A” é uma explicação das ideias básicas do anarquismo. Uma introdução na qual se expõem de maneira clara as críticas ao mundo atual e as propostas para uma sociedade justa, assim como as bases de tal pensamento, desde sua radical defesa da liberdade e da igualdade até a proposta ética.

Não pretende ser o manual definitivo, mas sim uma primeira aproximação para adolescentes e jovens que, como o resto da sociedade, se vêem bombardeados pela propaganda de um sistema, o capitalismo democrático, apresentado como inevitável e sem possibilidade de alternativas.

Ademais, o texto é uma chamada à ação. Uma chamada à auto-organização, sem paternalismos, sem considerar os adolescentes pessoas incapazes, falando-lhes de maneira informal.

Um livro imprescindível para mentes inquietas, para jovens rebeldes, para quem não quer se conformar com a destruição social e ambiental que geram dia após dia o mercado e os governos a seu serviço.

Un círculo y una A. Anarquismo para jóvenes y adolescentes

Héctor C. García

Editorial: La Neurosis o Las Barricadas Ed.

Páginas: 158

Tamaño del libro: 18*14 cm.

Preço: 7 Euros

laneurosis.net

Tradução > Sol de Abril

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árvore morta
no galho seco
uma orquídea

Alexandre Brito

Solidariedade com o povo de Mimoso do Sul!

A Federação Anarquista Capixaba – FACA – se solidariza com a população da cidade de Mimoso do Sul, no sul do Espírito Santo, atingida por uma violenta enchente no último final de semana (22 e 23 de março de 2024). Quase vinte pessoas, até o momento, perderam a vida em razão do ocorrido. Um fato terrível e que mais uma vez demonstra a incapacidade do Estado para gerir as nossas vidas, já que a região afetada é conhecida pela tendência à inundações e deslizamentos, sendo certo que o Estado nada fez para evitar o pior.

Clamamos aos companheiros e companheiras que transformem a palavra solidariedade em ação, doando itens de primeira necessidade nos diversos pontos espalhados no território capixaba, bem como contribuindo com os afetados e afetadas de todas as formas possíveis!

A FACA empenha seus braços e corações com o povo mimosense!

SÓ O POVO SALVA O POVO!

Federação Anarquista Capixaba – FACA

federacaocapixaba.noblogs.org

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Laranjais em flor.
Ah! que perfume tenuíssimo…
Esperei por ti…

Fanny Dupré

Pré-venda camiseta ‘não nascemos para viver em jaulas’

Camiseta preta 100% algodão, estampada em serigrafia 2 cores frente e costas.

Tamanhos P, M, G, GG e XG.

R$65

ENTREGA GRATUITA NA REGIÃO CENTRAL DE $ÃO PAULO OU EM ESTAÇÕES DE METRÔ.

ENVIO POR CORREIO PARA OUTROS TERRITÓRIOS A COMBINAR.

**** as camisetas são serigrafadas sob demanda de acordo com o tamanho e as quantidades. o pagamento é via pix.****

Medidas

P 70 x 50 / M 72 x 52 / G 74 x 54 / GG 76 x 56 / XG 82 x 60

Baby look

P 57 x 38 / M 59 x 40 / G 61 x 43 / GG 63 x 43

edicoesinsurrectas.noblogs.org

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Névoa da manhã
primeiro raio de sol
gotas d’água na janela

Rodrigo de Almeida

[Espanha] Podcast | Recebemos a Fundação Salvador Seguí em “Los Mundos de Utopía”

No centenário do assassinato de Salvador Seguí pelas mãos de pistoleiros pagos pelos sindicatos patronais, entrevistamos Nines, Carlos e Miguel, membros da Fundação que nos atualizam sobre sua figura, seu pensamento e sua luta através do anarcossindicalismo fundando a Confederação Nacional do Trabalho, nos contam sobre as atividades e projetos em torno do arquivo histórico que possuem e que se propõem a compartilhar como ferramenta de cultura, memória e educação na luta do Movimento Libertário, você pode ouvir o que eles nos disseram neste link:

https://www.radioutopia.org.es/recibimos-a-la-fundacion-salvador-segui-en-los-mundos-de-utopia/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/23/espanha-lancamento-salvador-segui-y-la-actualidad-de-su-pensamiento-de-francisco-romero/

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serra nevada,
cumes tocam o céu –
nuvem furada

Carlos Seabra

Petróleo ameaça onças e maior manguezal do mundo na Amazônia

Por Nádia Pontes | 26/03/2024

Ibama analisa pedido para exploração do combustível fóssil na costa da Foz do Amazonas. Especialistas alertam para riscos e catástrofe em caso de vazamento nesta região ainda pouca conhecida.

Chegadas e partidas da ilha de Maracá, na costa do Amapá, são complexas. Só os barqueiros mais experientes sabem o momento de atracar neste espaço de terra no Atlântico, influenciado por marés que sobem e descem até 12 metros duas vezes ao dia.

Eram 22h quando a reportagem se aproximou da margem, cruzando o igarapé Inferno, acompanhando servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A ilha é uma unidade de proteção integral, chamada de Estação Ecológica Maracá-Jipioca.

O trajeto naquela noite passaria pelo igarapé Purgatório. A expectativa era avistar os únicos moradores carnívoros permanentes da ilha: onças pintadas. Na escuridão, os olhos de coruja, jacaré e arapapá refletiam a luz da lanterna lançada na mata. Na água, algas bioluminescentes brilhavam como um pisca-pisca quando encontravam o casco do barco.

A ilha localizada na bacia marítima da Foz do Amazonas tem uma das maiores concentrações de onça pintada do mundo. Cerca de 175 quilômetros mar adentro, a indústria do petróleo aguarda liberação para abrir uma nova fronteira de exploração.

A situação preocupa quem vive, cuida e pesquisa a região, que tem as correntes marítimas mais fortes do país. Ainda não se sabe, por exemplo, qual seria o impacto na costa amazônica em caso de um vazamento de petróleo.

“Não existem estudos suficientes, nem embarcação apropriada. Um derramamento coincidindo com a maré cheia vai atingir os manguezais, os lagos, os campos inundados, seria impossível retirar este óleo”, diz Iranildo da Silva Coutinho, analista ambiental do ICMBio e chefe da Estação Ecológica Maracá-Jipioca.

Medo do impacto

O pedido para perfurar poços de petróleo na bacia marítima da Foz do Amazonas, também chamada de Margem Equatorial, está em análise. A brasileira Petrobrás tenta destravar a licença junto ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), depois da última negativa que recebeu, em maio de 2023.

O plano da petroleira prevê um investimento de 3,1 bilhões de dólares na região até 2028 e abertura de 16 poços – a começar pelo o FZA-M-59. Em 2018, a francesa Total, que também estava na corrida, desistiu da empreitada após a negativa do Ibama, na sequência da descoberta de um recife de corais até então desconhecido pela ciência.

Em Oiapoque, o município mais ao Norte do país, Luene Karipuna é a principal fonte de informação para seu povo sobre todo esse processo. Os moradores da Terra Indígena Juminá são os que estão mais próximos do bloco 59, a cerca de 140 a 150 quilômetros de distância do projeto.

“Há pouca informação. A propaganda diz que o empreendimento seria a salvação para todos os problemas, mas a gente não acredita. Temos medo de como seremos impactados, isso traz muita traz insegurança e dúvida para o território e para nossa costa”, diz Luene à DW, às margens do rio Flexal, na cidade de Amapá, base para acessar a ilha de Maracá.

Um mergulho no desconhecido

Luene acabara de desembarcar de uma expedição pela costa quando conversou com a DW. Ela passou dias a bordo do veleiro Witness, do Greenpeace, que navega por pontos estratégicos colhendo dados científicos e depoimentos dos moradores sobre esta região ainda desconhecida.

Luís Roberto Takiyama, pesquisador do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) também passou dias embarcado. Para investigar as correntes marítimas da região, ele soltou derivadores no mar, ou seja, boias de 20 centímetros que ficam na superfície e simulam a dispersão de poluentes.

“Já se sabe que há a possibilidade de um vazamento de petróleo chegar na costa. A ilha de Maracá, que é isolada, recebe muito lixo que vem do mundo todo, trazidos pelos ventos e correntes. Temos muita preocupação com esta área costeira, que tem as maiores marés do Brasil e a maior área contínua de manguezal do mundo”, explica Takiyama. “Nossa intenção é contribuir para aumentar o conhecimento”, adiciona.

A geóloga Valdenira Ferreira dos Santos foi uma das primeiras a apontar a alta sensibilidade da costa amazônica ao derramamento de petróleo. Em 2011, ela coordenou um esforço para localizar as áreas ecologicamente sensíveis à poluição num projeto chamado de Cartas de Sensibilidade a Derramamentos de Óleo (Cartas SAO).

“A costa é baixa, tem o cinturão de mangue e é marcada pela macromaré. A sensibilidade é alta não só no Amapá, mas em toda a costa da foz do Amazonas. Isso significa que, se o petróleo chegar ali, é quase impossível de limpar”, afirma Santos.

O perigo de um desastre, diz a geóloga, já ronda a região antes mesmo da abertura dos poços. É que o tráfego de embarcações transportando petróleo já é intenso. “O risco é real e não estamos prestando atenção. Com uma possível exploração, o tráfego de navios vai aumentar ainda mais. Não há planos de contingência para a região em caso de vazamento”, alerta Santos. “A gente teve muito medo de aquele vazamento que aconteceu na costa do Nordeste em 2019 chegar aqui”, revela.

O que diz a Petrobras

A Petrobras, no entanto, afastou o risco de vazamentos caso a exploração do poço 59 seja autorizada pelo Ibama. “Hoje, com todo o sistema de segurança operacional, com todos os procedimentos operacionais, com todos os equipamentos que são o estado da arte para a perfuração de poços, a probabilidade de termos vazamento que gere dano ambiental é remotíssima”, afirmou a gerente de Licenciamento e Meio Ambiente da Petrobras, Daniela Lomba, à DW.

Neste momento do projeto, afirma a Petrobras, os povos indígenas que moram na costa não serão consultados. O projeto em análise pelo Ibama, diz Lomba, trata da perfuração de poço em fase de pesquisa exploratória, para avaliar se existe ou não petróleo ou gás.

“Quando a gente olha as características do nosso projeto, que é a perfuração de um poço distante da costa em que a gente não está trazendo nenhuma infraestrutura nova, como porto ou aeroporto, não se aplica consulta prévia aos povos indígenas”, diz Lomba. A Petrobras alega que o momento adequado para a consulta prévia às comunidades sobre a atividade seria após as descobertas de óleo e gás, na fase de desenvolvimento da produção, caso a atividade traga impactos diretos.

A Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê que povos indígenas e comunidades tradicionais sejam consultados sempre que alguma obra, ação, política ou programa afete essas populações – independentemente de se tratar de iniciativa pública ou privada. É a chamada consulta livre, prévia e informada, adotada no país na forma do decreto 10.088, de 05 de novembro de 2009.

Em 2015, uma portaria interministerial estabeleceu que a necessidade da consulta prévia tem que ser apresentada no momento inicial do processo de licenciamento ambiental pelos órgãos que emitem a licença, o que não foi o caso no processo atual. Consultado, o Ibama não respondeu até o fechamento desta reportagem.

Estudo falho

O oceanógrafo Nils Edvin Asp Neto, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), passou quase um ano decifrando as cerca de 5 mil páginas referentes ao Estudo de Impacto Ambiental que a Petrobras apresentou ao Ibama. A empresa brasileira “herdou” o estudo da britânica BP, que havia pedido anteriormente autorização para explorar o mesmo bloco 59.

“O estudo de impacto ambiental, e mesmo o atual conhecimento científico da região, é bastante limitado. A simulação de eventuais vazamentos feita diz que o petróleo não chegaria na costa, mas com a ação das ondas e fortes marés na região isso é possível e até mesmo provável”, diz Asp.

Segundo a avaliação técnica do especialista, essa falha é suficiente para o veto ao licenciamento. “Quando se diz que o petróleo não chega na costa, a empresa não precisa, por exemplo, oferecer planos de contingência para os ecossistemas daquela região em caso de vazamento”, explica o oceanógrafo.

O consenso entre os pesquisadores que atuam no Norte do país é que há muitas lacunas de conhecimento sobre a costa amazônica. O financiamento de pesquisas nesta parte do país é baixo. Ciente desta brecha, a Petrobras, ao mesmo tempo em que busca autorização para extrair petróleo, planeja uma série de editais para patrocinar pesquisas científicas.

“Petróleo não combina com a Amazônia”

O veleiro Witness, do Greenpeace, também quer contribuir para a coleta de dados científicos sobre as correntes oceânicas superficiais. A organização, fundada em 1971, não aceita dinheiro de empresas e se financia com doações de pessoas físicas.

“Estamos num momento de transição energética, devemos investir em energias renováveis. É um contrassenso o presidente Lula assumir esse discurso nas conferências do clima e, ao mesmo tempo, apoiar um projeto de exploração de petróleo numa região tão sensível como essa”, pontua Enrico Marone, porta-voz de oceanos do Greenpeace, a bordo do veleiro.

Iranildo da Silva Coutinho, chefe da Estação Ecológica Maracá-Jipioca, defende que a área seja melhor conhecida antes de qualquer passo. “É preciso saber os valores que ela tem: sentimental, ecológico, econômico. Temos que entender como funcionam os serviços ambientais e como eles podem ser valorados e trazer benefícios para a região sem necessariamente gerar o efeito drástico que a exploração de petróleo pode trazer”, diz.

Loene Karipuna diz saber que muitos são a favor da chegada da indústria petroleira na região com a expectativa de que haverá emprego e mais dinheiro circulando. Mas para ela e seu povo, o petróleo não é bem-vindo.

“O petróleo não combina com o nosso modo de vida, com a biodiversidade, não combina com tudo o que vem acontecendo no Brasil e no mundo em relação às mudanças climáticas”, explica a sua oposição, lembrando que a queima de combustível fóssil é a principal fonte de gases de efeito estufa, que aquecem o planeta e aceleram as mudanças climáticas.

Fonte: https://www.dw.com/pt-br/petr%C3%B3leo-amea%C3%A7a-on%C3%A7as-e-maior-manguezal-do-mundo-na-amaz

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Uma voz mais forte
Sai do ruído do dia.
Vida de cigarra.

Bernard Waldman

[Espanha] Camarada Putin?

O triunfo de Vladimir Putin nas eleições russas estava tão cantado que até o questionado CIS (Centro de Investigação Sociológica) espanhol, que não costuma acertar com frequência suas previsões, poderia ter acertado.

Por Antonio Pérez Collado | 24/03/2024

Com este novo mandato o antigo oficial de inteligência exterior da KGB, onde conseguiu ascender à categoria de tenente coronel, pode chegar como líder máximo e inquestionável ao ano de 2030; bem, é certo que somando suas etapas como primeiro ministro, Putin está desde 1999 no mais alto cargo do poder, pelo que terá superado Stalin como o mais duradouro inquilino do Kremlin.

Mas apesar de ter se formado no seio do PCUS (Partido Comunista da Federação Russa) e de compartilhar ambos dirigentes os mesmos métodos para ficar sem rivais na luta pelo poder, o certo é que Putin está muito mais próximo do czarismo que da extinta ditadura do proletariado; ainda que haja um vetusto setor da esquerda ocidental que se nega a aceitá-lo.

Do que não há dúvidas é de que em 1989 se produziu a queda do Muro de Berlim e só dois anos depois se dissolvia a URSS, deixando os partidos comunistas ocidentais sem seu tradicional ponto de referência como alternativa ao capitalismo. Não obstante, o modelo que se apresentava como a sociedade sem classes havia muito tempo que tinha dado sinais de parecer-se demasiado ao sistema ao qual supostamente vinha substituir.

Na Rússia soviética e no resto de países do bloco do Leste os obreiros decidiam cada vez menos e eram os hierarcas do partido, muito especialmente os poderosos membros do Politburo do Comitê Central, os que marcavam não só o rumo do PCUS, mas do governo e da economia da imensa União Soviética, além de influir decisivamente na vida de todos os povos situados atrás da chamada Cortina de Ferro.

Para muitos intelectuais e ativistas políticos do mundo ocidental não foi necessário esperar para ver exemplos de ditadura e repressão na pátria do proletariado tais como a queda e assassinato de Trotsky, a prisão de destacados militantes comunistas acusados de desviacionismo em campos de concentração da Sibéria ou a entrada dos tanques russos em Budapeste e do Pacto de Varsóvia em Praga para reprimir as revoltas populares.

O escritor George Orwell se serviu de uma espécie de conto com animais, “Rebelião dos bichos”, para denunciar o stalinismo, pelo que foi acusado de traidor, reformista e inimigo da revolução. Algo parecido ocorreu depois ao escritor chileno Jorge Edwars por contar em seu livro “Persona non grata” o retrocesso do processo revolucionário cubano sob a férrea batuta de Fidel Castro.

No entanto, seria Ángel Pestaña, enviado em 1930 pela CNT à URSS com a incumbência de comunicar o acordo do congresso anarcossindicalista de adesão à III Internacional, que regressou desiludido com a forma como o povo russo foi novamente submetido e recomendou ao sindicato que se abstivesse de apoiar a internacional comunista.

Putin não só mudou a constituição russa para poder amarrar indefinidamente os mandatos de seis anos que antes estavam limitados a dois, mas que se desfez de seus críticos e competidores de forma expeditiva; acidentes, envenenamentos, atentados e outras imprevistas formas de morrer acabaram com jornalistas críticos, colaboradores caídos em desgraça, políticos da oposição e mercenários desobedientes. Tampouco foram muito respeitosos com os direitos humanos os métodos empregados pelas forças armadas russas na guerra da Chechênia ou no assalto ao teatro Dubrovka de Moscou onde guerrilheiros chechenos tinham 850 pessoas sequestradas.

Conhecendo como se conhece a este déspota é difícil entender a postura de certa militância marxista ocidental que justifica os ultrajes de Vladimir Putin contra as liberdades de seu próprio povo e seu apoio a dirigentes tão pouco apresentáveis como o aiatolá Khomeini do Irã, o presidente Bashar al-Assad da Síria ou o líder supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-un, simplesmente porque esses ditadores se declaram inimigos dos Estados Unidos, o que no  julgamento destes nostálgicos do estalinismo os converte automaticamente em aliados e defensores dos oprimidos.

Se analisamos desapaixonadamente a linha política e as propostas econômicas de Putin veremos que seu ideário está muito mais próximo de Trump ou Biden do que de Lênin ou Marx. No entanto, parece que há aqueles a quem esta evidência não entra na cabeça, assim é que entre o antigo comunismo que segue acreditando no bloco soviético e a nova social democracia trufada de capitalismo temos umas esquerdas que não conseguem inspirar a descomposta e desorientada classe trabalhadora.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/alkimia/camarada-putin

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Sobre os meus pés
Caem reluzentes
As últimas faíscas do sol.

Leandro Feitosa Andrade

[Espanha] Não queremos nenhuma guerra

Nas últimas semanas, diante dos fracassos militares do lado ucraniano, testemunhamos líderes da OTAN e da União Europeia elevando o tom belicista, aumentando o perigo de uma escalada que acarretaria riscos extremamente graves para os cidadãos do nosso Estado.

São muito perigosas as declarações de Margarita Robles, ministra da Guerra da Espanha, na qual ela afirmou que “estamos em guerra com a Rússia”, garantindo que a Espanha continuará enviando toda a ajuda militar necessária, ou as declarações de Emmanuel Macron, presidente do governo francês, insinuando que, se a Rússia continuar avançando na frente, ele enviará tropas regulares do exército francês.

Também é preocupante que, em meio a essa situação bélica tão crítica, o primeiro-ministro Pedro Sánchez esteja se reunindo com as principais empresas de armamentos, que estão se aproveitando do genocídio na Palestina ou da guerra na Ucrânia para fazer negócios, demonstrando publicamente seu apoio e justificando sua atividade.

A retórica usada por esses líderes irresponsáveis não é espontânea, mas pré-orquestrada e tem como objetivo medir o grau de aceitação da sociedade europeia no caso de um confronto direto da OTAN com a Rússia. As consequências de uma escalada militar serão catastróficas: recrutamento forçado da população civil, provável uso de armas nucleares, milhões de mortes e um futuro incerto para as próximas gerações.

Essa estratégia de comunicação tem sido usada pelo menos desde 2022, quando os países da OTAN começaram a enviar armas para apoiar a Ucrânia no conflito. Primeiro eles nos disseram que não enviariam armamento letal, depois disseram que só enviariam armamento defensivo, depois enviaram tanques e jatos de combate… Agora só faltam as tropas em terra!

Não se trata de discernir se essa é uma guerra justa ou não, pois nenhuma delas é. Eles querem demonizar um lado e beatificar o outro, como se os atores envolvidos nesse conflito não tivessem responsabilidade por ele. Eles não consultaram a população para nos envolver nesse conflito e não nos consultarão nem para enviar tropas, nem para declarar estado de sítio, nem para recrutar pessoas para serem enviadas ao moedor de carne.

A situação se torna mais dantesca quando essas mesmas pessoas e instituições, que se permitem dar lições, são as mesmas que bombardearam ilegalmente a cidade de Belgrado, as mesmas que assassinaram mais de um milhão de iraquianos e que estão permitindo outras guerras em todo o mundo, como o genocídio palestino, o conflito no Iêmen ou na República Democrática do Congo, com milhões de pessoas deslocadas à força e mortas, geradas principalmente por grupos armados financiados pelo Ocidente para continuar controlando a exploração de coltan e outros recursos necessários para as empresas transnacionais.

É por isso que devemos informar ao governo da Espanha que não queremos nenhuma guerra, que não suportaremos as mortes e que não queremos sofrer as consequências de seus delírios, não sacrificaremos nossa juventude lutando em uma guerra impossível a serviço de interesses estrangeiros. A guerra na Ucrânia não é uma guerra convencional, é uma guerra mundial subsidiária em que ucranianos e russos estão morrendo, mas também em que o futuro da ordem global está sendo decidido.

Tampouco podemos esquecer o que está acontecendo na Palestina, onde o governo israelense está cometendo um genocídio no qual as vítimas já são contadas em dezenas de milhares, grande parte delas crianças, enquanto vemos como os diferentes governos do Ocidente fazem declarações mornas de condenação, muito distantes da posição contundente que têm sobre a guerra na Ucrânia, deixando claro que para eles há vítimas de primeira e de segunda classe.

A CGT não quer guerras em nenhum lugar do mundo, sob nenhuma circunstância. A CGT quer a paz entre os povos, entre as classes trabalhadoras dos diferentes países, e quer a dissolução da OTAN e o fim de todas as guerras. Exigimos que nossos governos deem uma guinada de 180 graus nessas políticas que estão nos levando ao abismo e, da mesma forma, exigimos que o governo pare de apoiar pública e economicamente as empresas de armamentos, apostando em uma reconversão industrial nesse setor.

OTAN NÃO, BASES FORA

Secretaria Permanente do Comitê Confederal

Fonte: Secretariado Permanente del Comité Confederal de la CGT

agência de notícias anarquistas-ana

barro já seco
por pegadas de sapato
passeiam formigas

Jorge B. Rodríguez