[Hungria] Depois de aparecer acorrentada no tribunal, processo contra anarquista italiana é adiado

Foi aberto e adiado para 24 de maio o processo que corre em Budapeste contra Ilaria Salis, anarquista e antifascista italiana acusada de ter agredido dois extremistas de direita na capital húngara durante as comemorações do Dia de Honra da Hungria.

Todos os anos, no dia 11 de fevereiro, centenas de neonazistas homenageiam a tentativa fracassada de fuga das forças nazistas e dos soldados húngaros para fora de Budapeste durante o cerco da cidade pelo Exército Vermelho em 1945. Também nesta data acontecem protestos de manifestantes antifascistas.

A militante anarquista de 39 anos se declarou não culpada nesta segunda-feira (29/01) na primeira audiência do caso. Se Salis for condenada, os promotores solicitaram 11 anos de prisão para ela.

Ela foi levada ao tribunal acorrentada, com algemas nos pulsos e os pés presos por tiras de couro com cadeados, mas entrou no plenário sorrindo, sendo puxada por uma agente de segurança através de uma corrente.

“Foi chocante, uma imagem enlouquecedora. Ela nos disse que sempre era transferida nessas condições, mas vê-la chocou muito. Puxada como um cachorro, com algemas presas em um cinturão de onde saia uma corrente até os pés. Ficou assim por três horas e meia”, relatou Eugenio Losco, um dos advogados italianos de Salis.

“É uma grave violação das normas europeias. A Itália precisa acabar com essa situação agora”, acrescentou, acompanhado do pai dela.

O representante legal também explicou que a professora milanesa estava sorrindo porque viu amigos e familiares, com quem pôde falar pela primeira vez sem um vidro ou uma tela: “Depois também falei com ela após a audiência, e é claro que em uma situação como essa não é possível ser otimista”.

Um funcionário da embaixada da Itália também estava presente, e nesta terça-feira (06/02) os advogados e o pai de Ilaria Salis se encontrarão com o embaixador italiano em Budapeste, segundo Fusco: “O Estado italiano não pode continuar ignorando uma situação carcerária e processual que viola nossas leis”.

“Além disso, Ilaria se declarou não culpada mas explicou que nunca pôde ler os autos, que nunca foram traduzidos, e nunca viu as imagens sobre as quais se baseia a acusação. Essa situação precisa acabar, ela precisa ser transferida para a Itália”, disse o advogado.

Um cidadão alemão, acusado no mesmo processo, foi condenado a três anos de prisão. O julgamento foi imediato porque o homem se declarou culpado.

Fonte: agências de notícias

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Abriu-se a papoula
E ao vento do mesmo dia
Ela veio ao chão.

Shiki

[Grécia] “Ouçam com atenção o que os estudantes dizem, nunca vão criar universidades privadas”

Nas ruas desta quinta-feira (01/02), estudantes secundaristas, universitários, professores e apoiantes protestaram pela quarta semana contra os planos do governo de estabelecer universidades privadas. Grandes protestos estudantis foram realizados em Atenas, Tessalônica , Patras, Heraklion, Ioannina  e outras cidades do país.

Em Atenas, milhares de pessoas marcharam pelo centro da cidade. Pouco antes das 15 horas. a tensão aumentou fora do Parlamento e as forças policiais lançaram pesadamente produtos químicos contra os estudantes, numa tentativa de romper os blocos, criando uma atmosfera sufocante. Pouco depois das 15 horas, a tensão continuava nas ruas estreitas em redor do Politécnico (Universidade Técnica de Atenas).

“Ensino gratuito, os estudantes não são clientes”, “os estudantes não são criminosos, estão lutando pelo ensino público e gratuito”, “ouçam com atenção o que os estudantes dizem, nunca vão criar universidades privadas”, “Os estudantes unidos vencerão”, foi alguns dos slogans que foram ouvidos no dinâmico protesto.

Mais de 250 departamentos de ensino estão atualmente ocupados em todo o país, aguardando novas assembleias gerais que determinarão a continuação das mobilizações.

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aquecer as mãos
requentar as noites
esquecer os dias

Goulart Gomes

[México] Novo fanzine sobre o caso do anarquista Miguel Peralta Betanzos

Compilação de escritos, cartas, comunicados, reflexões, notícias e ações na luta contra a perseguição política e pela liberdade absoluta de Miguel Peralta Betanzos, indígena Mazateca e anarquista da comunidade de Eloxochitlán de Flores Magón, Oaxaca.

Apresentação

Este fanzine é o produto do trabalho e da solidariedade de uma rede de indivíduos e coletividades que colocaram em prática, ao longo dos anos, o apoio, o acompanhamento e a cumplicidade na luta contínua pela liberdade do indígena mazateca e anarquista Miguel Peralta Betanzos e do povo de Eloxochitlán de Flores Magón, Oaxaca.

É também uma expressão das relações de apoio mútuo, amizade e afinidade que se consolidam entre prisioneiros, pessoas perseguidas e aqueles que os acompanham nos processos de luta antiautoritária contra a prisão e a perseguição. A prisão e a perseguição não nos destroem, mas fortalecem nossa solidariedade e cumplicidade.

Finalmente, é um pequeno gesto de solidariedade anarquista com Eloxochitlán de Flores Magón e com os povos indígenas de todo o mundo, que estão constantemente enfrentando o ataque do Estado e do capital.

Que este fanzine sirva como uma ferramenta de reflexão, discussão, debate e ação.

Convidamos todos a divulgá-lo ampla e livremente.

Fogo para a prisão e para a sociedade que precisa dela!

Solidariedade com Miguel Peralta e o povo de Eloxochitlán de Flores Magón!

>> Baixar:

http://www.anticarcelaria.org/wp-content/uploads/2024/01/MP_Fanzine_3_Final_Leer.pdf

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Choveu há pouco –
O sol baixa das nuvens
Finas cortinas de névoa.

Paulo Franchetti

A defesa dos direitos humanos em Cuba segue sob assédio

No marco do Dia dos Direitos Humanos e da celebração do 75º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, manifestamos nossa profunda preocupação porque em Cuba se continua detendo arbitrariamente, se persegue e intimidam as pessoas defensoras dos direitos humanos, jornalistas e artistas.

Apesar de que o Estado cubano nega ante instâncias internacionais que no país haja pessoas privadas de liberdade por motivos políticos ou por seu trabalho de defesa dos direitos humanos, seguimos documentando detenções arbitrárias, intimidação e inclusive, tortura e maus tratos contra pessoas defensoras dos direitos humanos que se encontram em prisão.

Em particular, nos encontramos profundamente indignadas porque em 19 de novembro passado, Luis Barrios Díaz de 37 anos de idade, faleceu na prisão 1580 de La Habana por causa de falta de atenção médica, enquanto cumpria uma condenação de seis anos de privação de liberdade por ter participado nos protestos de 11 de julho de 2021.

O caso de Luis é um reflexo das mortes em custódia que não são investigadas pelo Estado e que, pelo contrário, são encobertas. Tão somente durante 2023, se documentaram 12 mortes de pessoas privadas da liberdade em centros de reclusão. Ante esta grave situação, o Comitê contra a Tortura das Nações Unidas, assim como a comunidade internacional no marco do Exame Periódico Universal, chamou o Estado cubano a ratificar o Protocolo Facultativo da Convenção contra a Tortura o qual tem por objetivo estabelecer um sistema de visitas periódicas a cargo de órgãos internacionais e nacionais independentes aos lugares em que se encontrem pessoas privadas de sua liberdade, com o fim de prevenir a tortura e os maus tratos.

Igualmente, no marco do 75º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos e conforme as recomendações emitidas pelo Comitê contra a Tortura e do Mecanismo do Exame Periódico Universal, chamamos o Estado cubano a tomar todas as medidas necessárias para proteger as pessoas defensoras dos direitos humanos, jornalistas, artistas e suas famílias, contra as ameaças, a perseguição e as interferências indevidas no exercício de seus direitos à liberdade de opinião, expressão, defesa de direitos humanos e de associação. O Estado cubano deve também velar para que ditos delitos sejam investigados de forma expedita, independente e exaustiva e em particular as denúncias de uso excessivo da força e maus tratos perpetrados por agentes do Estado no marco dos protestos de 11 de julho de 2021.

É urgente que Cuba cumpra com suas obrigações internacionais em matéria de direitos humanos, erradique e proíba a tortura, e garanta à população um entorno seguro e propício para a defesa dos direitos humanos, da liberdade de expressão e o direito de associação.

Organizações signatárias

– Organización Mundial Contra la Tortura

– Instituto sobre Raza, Igualdad y direitos Humanos

– Cubalex

– Justicia 11J

– Centro de Documentación de Prisiones Cubanas

– Artículo 19

– Centre for Civil and Political Rights (CCPR)

Fonte: https://justicia11j.org/la-defesa-de-direitos-humanos-en-cuba-segue-sob-assedio/

Tradução > Sol de Abril

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pinta no nariz –
era uma pulga que
fugiu por um triz

Carlos Seabra

Novo som do Ktarse: “Kissinger (100 anos de um facínora)”

Ktarse – Kissinger (100 anos de um facínora) participação Igor C.D.O (Vídeo Lyric Produção Thiago Augusto)

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Cem anos de um facínora sangrento / Sedento por atrocidades, bombardeios / Kissinger emigrou para Estado Unidos / De família judia fugindo do nazismo

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Em mil novecentos e trinta e oito / Refugia no território norte-americano / Após cinco anos se torna naturalizado / Cidadão americano e professor catedrático

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Em Harvard orbitando os liberais / Dirigiu o centro de estudos internacionais / E programas de estudos de defesa dos insanos / Belicistas imperialistas norte-americanos

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Conselheiro de segurança nacional / Serviu a vários governos na função oficial / De Nixon, Ford, Reagan,  vai vendo / Serviçal desgraçado desses excrementos

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Cientista político defendia  convictamente / Establishment da política estadunidense / Legitimou uma pá de guerras do tio Sam / Genocídio em Laos, Camboja, Vietnã

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Arquitetou o despejo contra os vietnamitas / De 8 bilhões de litros de herbicida / Agente Laranja como é conhecido / Causando efeitos tenebrosos e sinistros

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Os impactos das bombas desfolhantes / Descarregadas contra a guerrilha vietcongue / Afetou milhares de civis, crimes de guerra / Cinquenta e dois anos depois as sequelas

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Câncer, malformação física e mentais / Irreversíveis desastres ambientais / Kissinger com seu livro de merda / Armas nucleares e politicas externas

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Disfarça seu lado assassino e cruento / De boa intenção o inferno está cheio / No qual Kissinger  propõem  o conceito / De guerra nuclear limitada, vai vendo

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Dizia ser uso tático e racional / Substituir o conceito de guerra nuclear total / Engenharia da necropolítica / Kissinger assassino, genocida

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REFRÃO

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Henry Kissinger criminoso de guerra / Verme do caralho só fez peso na terra / É lastimável para a história da humanidade / Um genocida viver até os cem anos de idade

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Inúmeras atrocidades do século vinte / Foi arquitetada pelo facínora Kissinger / Articulador de mortes sem precedentes / Como o assassinato de salvador Allende

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Kissinger mentor de ditaduras na América / Assassinatos e torturas nos guetos e favelas / Golpes no Uruguai, Argentina, Brasil / Militares matando civis a sangue frio

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O Estado e capitalismo engrenagens do terror / Estude e pesquise operação condor / Policiais estrangeiros com a conveniência / De governos locais e sua subserviência

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Ao imperialismo estadunidense que financia / Ditaduras cruentas na América latina / Contrainsurgência, oficiais capachos / Assassinaram militantes exilados

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Criminoso de Guerra, reincidente / Infinitas violências em prol do ocidente / É impossível descrevê-las nessa letra /Mais vale ressaltar a ditadura chilena

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Uma das mais cruéis na história do Chile / Que teve influência ideológica de Kissinger / Apoiador do golpe militar e de Pinochet / Ditador que fez muito sangue escorrer

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A ganância capitalista é sinistra / 4 mil pessoas mortas e desaparecidas / O sadismo dos agentes de Estado / 38 mil presos e torturados

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É o resultado do golpe militar no Chile / Orquestrado pelo facínora Kissinger / Sádico imperialista, arquiteto da violência / Um dos maiores criminosos do planeta

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REFRÃO

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Henry Kissinger criminoso de guerra / Verme do caralho só fez peso na terra / É lastimável para a história da humanidade / Um genocida viver até os cem anos de idade

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Dias antes de morrer, o facínora / Criticou os protestos pro-palestina / Principalmente na região da Alemanha ? Fez uma par de declaração insana

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Disse que foi um erro o governo de Berlim / Aceitar e permitir a entrada em seu país / De imigrantes com religiões diferentes / Que não seguem a cultura do ocidente

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Kissinger fascista, sádico, criminoso / Maldito, verme, parasita, asqueroso / Disse que Berlim deveria dar / Todo apoio belicista e militar

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Ao Estado nazisionista / E reprimir os protestos pro-palestina / Mostrando novamente antes de morrer / Ser um mentecapto sedento pelo poder

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Vampirista social, não se farta / Em sugar o sangue das quebradas / Kissinger trás em seu DNA assassino / Os interesses atroz do imperialismo

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A morte de Kissinger é revoltante / Em todos os sentidos repugnante, / Um Facínora morrer com 100 anos de idade / Fazendo apologia a violência e crueldade

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Cometendo crimes de guerra e carnificina / Gozando de impunidade com ousadia / Deixando para seus herdeiros riquezas / Banhada em genocídio, miséria, violência

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Morticínio, extermínio e guerras cruentas / Arquitetadas por Henry em todo planeta / Kissinger é símbolo do império capitalista / Uma memória sombria, sádica e facínora

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REFRÃO

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Henry Kissinger criminoso de guerra / Verme do caralho só fez peso na terra / É lastimável para a história da humanidade / Um genocida viver até os cem anos de idade

>> Clique aqui para escutar:

https://www.youtube.com/watch?v=zqI0QH8QYLI

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Num atalho da montanha
Sorrindo
uma violeta

Matsuo Bashô

[Grécia] Assumindo a responsabilidade pelo ataque a bomba contra o Banco Nacional em Petralona

No momento em que a economia “liberal” é imposta pelo sistema capitalista, sendo a base do programa de direita, tanto na Grécia como na maioria dos países do mundo, os bancos são a joia da coroa.

O tirano legal que intervém e influencia as nossas vidas em nome do dinheiro, empobrecendo o povo e enriquecendo os asseclas e capangas do governo.

Não é por acaso que os gigantes do setor privado, banqueiros e governos, são os principais beneficiários da crise permanente que atinge este país há anos. Privatizam todos os serviços públicos que pertencem ao povo, assegurando o seu dinheiro nos bancos a taxas de juros exorbitantes, ficando cada vez mais ricos. Eles desempenham um papel fundamental nos leilões, apoderando-se das casas das pessoas o mais rapidamente possível, sem qualquer consideração pelas pessoas que sofrem há anos por causa deles.

Os exemplos são inúmeros: idosos com problemas de saúde, desempregados e tantos outros que simplesmente não pertencem ao círculo corrupto dos verdadeiros bandidos – predadores do governo, grandes armadores e banqueiros. Nem é preciso dizer que contam com o apoio e a ajuda dos canalhas uniformizados da polícia, que como conhecidos fantoches dos ricos correm para cumprir a “missão” do despejo, recebendo propinas dos grandes agiotas.

Poderíamos dizer muito mais, mas todos conhecemos o papel miserável dos bancos. Então voltaremos a isso depois do nosso próximo golpe.

A principal razão pela qual escolhemos atacar, num contexto de solidariedade prática, este banco específico, na rua Trion Ierachon 115, no bairro de Petralona, é a audiência de recurso do companheiro anarquista Fotis Tziotzis¹, que terá lugar no dia 02 de fevereiro de 2024.

Este banco foi o primeiro objetivo financeiro da sua ação, com o objetivo de continuar o caminho consciente de ilegalidade que escolheu ao não respeitar a sua saída da prisão de Larissa, porque não regressou à detenção, mas escolheu com dignidade continuar a trilhar os caminhos da liberdade e da luta armada.

Nenhum bastardo do Estado pode impedir a liberdade.

Nada ficará sem resposta, juízes, procuradores, polícias que alegremente levam prisioneiros para os tribunais, lembrem-se que ninguém está sozinho.

Tudo continua…

O coletivo assume a responsabilidade

Conspiração da Vingança

Nota da ANA:

[1] Fotis foi preso em 2015, acusado de roubo e tentativa de homicídio de policiais. Após sete anos de prisão, ele não voltou da licença, mas infelizmente foi preso pouco depois.

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Se afasta a lanterna
Sumindo na escuridão —
O canto do cuco.

Shiki

[EUA] Lembrando Tortuguita em Atlanta: Uma Vigília por uma Abolicionista Assassinada

O Coletivo de Imprensa Comunitária de Atlanta relata a reunião da comunidade e a lembrança da anarquista e defensora da floresta assassinada, Tortuguita.

por Nolan Huber-Rhoades

foto: @micahinATL

Enquanto o sol se punha abaixo do horizonte de Atlanta na quinta-feira, mais de 100 apoiadores do movimento Stop Cop City percorreram as ruas do leste de Atlanta em uma procissão solene de carros e bicicletas, buzinando alto e cantando apaixonadamente “Viva Viva Tortuguita”.

A quinta-feira marcou o aniversário de um ano da trágica morte de Manuel Esteban Paez Terán, ativista do clima indígena-venezuelano queer de 26 anos e abolicionista da polícia conhecido como “Tortuguita”, que foi morta pela equipe da SWAT da Patrulha do Estado da Geórgia. Uma autópsia independente revelou detalhes perturbadores do incidente, concluindo que os soldados atiraram em Terán pelo menos 14 vezes, deixando 57 ferimentos de bala em seu corpo. A autópsia também sugeriu que Terán provavelmente estava em uma posição sentada, com as pernas cruzadas e os braços levantados quando foi morta. Em fevereiro, o Departamento de Polícia de Atlanta divulgou imagens de câmeras usadas no corpo de vários de seus policiais que estavam próximos à cena do assassinato de Terán. Em um dos vídeos, um policial da APD disse: “Você ferrou seu próprio colega”.

Terán tem a trágica distinção de ser a primeira ativista do clima morta pela polícia em solo americano.

Em uma demonstração de união, o comboio de carros e motos chegou ao Gresham Park para se juntar a uma assembleia diversificada de membros da comunidade para uma vigília à luz de velas em homenagem à memória da ativista morta. Os participantes, segurando velas bruxuleantes, compartilharam histórias comoventes sobre o impacto de Tortuguita, criando uma atmosfera de reflexão e solidariedade. A vigília, marcada por música, celebração e reverência silenciosa, ressaltou o legado da ativista e o compromisso contínuo da comunidade com a causa pela qual Terán morreu.

Assim como muitos entes queridos afetados pela violência policial no país, a família e os amigos de Terán aguardam justiça enquanto trabalham para disseminar a conscientização sobre o impacto generalizado que tiveram sobre comunidades e vidas. A página da web Memories of Tort captura um pouco da profundidade de sua influência.

Por mais de uma hora, os amigos, a família, os camaradas e um ex-companheiro de Tortuguita compartilharam histórias que lembram a abolicionista como um ser humano multifacetado e uma revolucionária corajosa que se empenhou em aproveitar a vida que os policiais do Estado da Geórgia lhe tiraram.

A coragem delu, compartilhada por um orador anônimo, foi fundamentada por uma citação de um dos livros favoritos de Terán, “Dune”, um romance de ficção científica de Frank Herbert, de 1965.

“Não devo temer. O medo é o assassino de mentes. O medo é a pequena morte que traz a obliteração total. Vou enfrentar meu medo. Permitirei que ele passe por cima de mim e através de mim. E quando ele tiver passado, voltarei o olho interno para ver seu caminho. Onde o medo tiver ido, não haverá nada. Somente eu permanecerei”.

Outra pessoa, também falando anonimamente, contou que Tortuguita uma vez a ajudou a lidar com seu medo. Certa noite, durante a ocupação da floresta, o contador de histórias estava sentado com Tortuguita ao redor de uma fogueira, enquanto o contador de histórias expressava seus temores sobre batidas policiais, infiltração do FBI e a repressão política que certamente se seguiria a qualquer tentativa bem-sucedida de parar ou atrasar a construção de Cop City. O contador de histórias lembrou que “Tort olhou para mim, apontou para a têmpora e disse: ‘O medo é o assassino de mentes'”.

A coragem e o compromisso de Terán com a mudança revolucionária estavam enraizados em um profundo amor e desejo de que todas as comunidades oprimidas possuíssem o poder necessário para remodelar a sociedade e melhorar suas circunstâncias materiais. Vários participantes da vigília contaram que suas experiências com Tortuguita envolveram buscá-los na ocupação da floresta para distribuir alimentos gratuitos ou defender drag queens de neonazistas. Belkis Terán, mãe de Tortuguita, disse que uma vez eles pediram a ela que os ensinasse a cozinhar para que pudessem fazer comida para um grupo de idosos de sua comunidade enquanto moravam no Panamá.

Terán apoiou a sindicalização dos trabalhadores por meio da Industrial Workers of the World (IWW). Enquanto cursava a graduação na Universidade Estadual da Flórida, em Tallahassee, Flórida, Terán ajudou a fundar a Live Oak Radical Ecology, onde estudava plantas e cultivava alimentos para distribuir gratuitamente aos membros da comunidade. Um participante da vigília que conheceu Tortuguita enquanto viviam na floresta de Atlanta compartilhou: “[Tortuguita era] uma pessoa foda que fez da floresta um espaço mais habitável para pessoas de cor”, acrescentando: “ele foi uma pessoa muito gentil comigo quando eu realmente precisei”.

Os participantes que conheciam Terán lembraram à plateia que, embora Tortuguita estivesse comprometide com a organização revolucionária, elu também falava muito sobre tirar um tempo para descansar e se divertir. Vários participantes contaram histórias sobre Tortuguita oferecendo-se para compartilhar sua erva ao conhecer alguém pela primeira vez. Belkis Terán foi recebida com risos quando disse: “Manuel teve muitos amantes. Sim. Muitos e muitos amantes”. Mais tarde, um ex-parceiro de Tortuguita lembrou que a abolicionista frequentemente passava um tempo longe de outros defensores da floresta para relaxar em uma rede e postar memes na Internet.

A coleção de histórias compartilhadas durante a noite lembrou Tortuguita como uma revolucionária corajosa, amante, pensadora brilhante, uma força terrível em prol da justiça, alguém que se recusava a fugir de conflitos ou debates sobre ideias importantes e uma pessoa que sabia exatamente quais ervas ou fungos oferecer quando era hora de desescalar o conflito ou conhecer alguém novo.

“As lutas contra a Cop City e outros projetos de morte persistem”, disse um dos organizadores da vigília. “A reunião de ontem serviu como um momento pungente de lembrança dos mártires. Ao lamentarmos os que partiram, defendemos ferozmente os vivos.”

Fonte: https://itsgoingdown.org/remembering-tortuguita-in-atlanta-a-vigil-for-the-slain-abolitionist/

Tradução > Contrafatual

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Em minha cabana
É só assobiar
Que vêm os mosquitos!

Issa

[França] O Terror sob Lênin

Em 1975, Jacques Baynac publicou La terreur sous Lénine (O Terror sob Lênin), que se tornou uma obra de referência sobre a natureza policial e totalitária do regime estabelecido após a Revolução Russa de 1917. Não é obviamente por acaso que o L’Échappée decidiu republicar este texto em 2024, ano do centenário da morte do líder bolchevique.

Um século depois de sua morte, em 21 de janeiro de 1924, o que resta de Lênin? Fundador e teórico do bolchevismo, tornou-se, após o golpe de Estado de outubro de 1917, o principal líder do partido único no poder. Embora hoje alguns trabalhem para reabilitá-lo, é necessário voltar às raízes desse regime que, em dezembro de 1917, criou uma terrível polícia política: a Tcheka, que se tornou a GPU em 1922, depois a NKVD em 1934, à frente do Gulag.

Esta coletânea de textos lança uma luz dura sobre a natureza de um sistema político baseado no terror. Para Lênin: “Um bom comunista também é um bom tchekista”.

Esta nova edição, necessária em si mesma, é tanto mais interessante quanto é complementada por numerosos textos que giram em torno do terror e da repressão na União Soviética, em particular textos oficiais sobre a Tcheka, um texto do nosso saudoso amigo Alexander Skirda sobre o contraterrorismo revolucionário, textos de W. Woïtinsky, Martov, David Charachidsé, Raymond Duguet, Isaac Stenberg, Michel Heller.

Acrescentemos que esta nova edição do texto de Jacques Baynac nos permite ter acesso, finalmente, a um documento de excepcional interesse, A Repressão do Anarquismo na Rússia Soviética, escrito em 1922 e publicado no ano seguinte pelo “grupo de anarquistas russos exilados na Alemanha” formado por sobreviventes do sistema policial soviético. É um aviso ao movimento operário ocidental, para informá-lo da guinada contrarrevolucionária que os acontecimentos estavam tomando na Rússia soviética. Este texto essencial foi publicado online em 2011 no monde-nouveau.net (http://monde-nouveau.net/spip.php?article361)

Berlim era então um centro para todos aqueles que iam e vinham da Rússia. Muitos sindicalistas revolucionários e ativistas anarcossindicalistas se encontraram aqui pela primeira vez: em 1920, Augustin Souchy conheceu Rudolf Rocker e Fritz Kater. Borghi e Pestaña haviam parado em Berlim no caminho de volta e se reuniram com os principais líderes sindicalistas revolucionários alemães. Gaston Leval também fez uma pausa em Berlim. A maioria dos ativistas russos que conseguiram escapar ou foram deportados inevitavelmente acabaram em Berlim. Não surpreende, portanto, que intensos debates tenham ocorrido na capital alemã.

A introdução de André Colomer dirige-se diretamente aos militantes sindicalistas revolucionários franceses que tinham acabado de apoiar a adesão da CGTU à Internacional Sindical Vermelha:

“Este livro foi dedicado aos trabalhadores revolucionários franceses cuja organização sindical – a CGTU – acabara de se colocar sob a tutela do governo bolchevique através de sua adesão à Internacional Sindical Vermelha. Nossos camaradas, que, segundo Trotsky e Zinoviev, ainda têm tantos preconceitos federalistas e autonomistas, verão, ao ler estas páginas, o destino que lhes será reservado quando pretenderem ocupar-se com a organização do trabalho após a tomada do poder pelos “comunistas”.”

A Repressão do Anarquismo na Rússia Soviética, publicada, recordemos, em 1923, mostra, sem sombra de dúvida, que o regime de terror cujos mecanismos Jacques Baynac descreve tinha sido muito rapidamente denunciado nos primeiros anos da Revolução Russa e que aqueles militantes sindicalistas revolucionários, como Pierre Monatte, que continuaram a apoiar os líderes comunistas russos não podiam simplesmente ignorar que estes últimos tinham sufocado todas as vozes independentes no país, destrói todas as instituições autônomas do proletariado, reduz os sovietes a câmaras para registrar as decisões daqueles que monopolizaram o poder, prenderam e massacraram centenas de milhares de militantes e trabalhadores, impuseram a toda a sociedade um regime de terror até então totalmente sem precedentes. Os trabalhadores militantes que apoiaram este regime, os dos sindicalistas revolucionários militantes que lhe deram o seu apoio, não podiam ignorar que estavam a apoiar assassinos em massa.

A republicação de O Terror sob Lênin e a publicação dos textos a ele anexados vem no momento certo para evitar o esquecimento da natureza do regime do qual o líder bolchevique foi o principal fundador.

René Berthier

Terror sob Lênin

Jacques BAYNAC

Edição revista e ampliada por Charles Jacquier,

384 páginas

Éditions l’Échappée,

14 euros

lechappee.org

Quem foi Jacques Baynac?

Jacques Baynac, nascido em 1939 em Agen, é historiador, romancista, documentarista e roteirista. Estudou história na École pratique des hautes études. Em 1960, recusando-se a lutar na Argélia, foi para o exterior por seis anos. Deste período, durante o qual, segundo as suas próprias palavras, viu “sete países em três continentes”, regressou “inoculado contra a revolução no modelo leninista”. Ele era próximo do comunismo de conselho

De volta à França em 1966, trabalhou por dois anos (1966-1968) na livraria La Vieille Taupe, de Pierre Guillaume, e participou do grupo político informal de mesmo nome, rompendo definitivamente em 1969 com Guillaume. Em outubro de 1980, esteve na origem de “la gangrene“, artigo publicado em outubro de 1981 no Libération, co-assinado por ex-membros do Vieille Taupe, que denunciava a deriva tendencialmente negacionista do novo pequeno grupo reconstituído por Guillaume com esse nome.

Autor de vários livros, Jacques Baynac morreu em 3 de janeiro de 2023, no momento em que a nova edição de O Terror sob Lênin estava prestes a ser lançada.

Fonte: https://monde-libertaire.net/?articlen=7654&article=LA_TERREUR_SOUS_LENINE

agência de notícias anarquistas-ana

Pequena flor
Sol contido na cor
Ipê amarelo

Luciana Bortoletto

[Rio de Janeiro-RJ] Combater o G20 | Uma necessidade da luta contra a dominação

Atividade na Aldeia Maracanã.

Sábado 3 de fevereiro de 2024, 16 horas.

Em dezembro de 2024 o Brasil sediará a reunião dos 20 países com maior economia do mundo, o G20, e cada uma das decisões que emerjam desse encontro afetarão nossas vidas, a vida da Terra e das linhas de ação dos Estados.

Como anarquistas temos nos caracterizado ao longo dos tempos e circunstâncias por lutar contra todo tipo de opressões e contra aqueles que querem dominar.

Desde que surgiram esses encontros, alianças dos poderosos chamados G8 ou G20, nós Anarquistas estivemos na iniciativa e na linha de frente das lutas contra esses pactos que servem somente para salvar o sistema. Assim foi desde as lutas contra o G8 em Seattle em 1999, contra o G20 em Génova em 2001 até o Wellcome to Hell dado ao G20 em Hamburgo em 2017.

Nesse ano, o Brasil sediará o G20 para se apresentar como potência para o mundo, tentando esquecer das inequidades internas e de que o capitalismo é insustentável, e ainda introduzindo o G20 Social que propõe uma “participação” que no fundo, nada decide.

É urgente transcender esses engenhosos truques do sistema para combate-lo efetivamente.

Cientes de que as palavras não mudam o mundo nem acabam com as opressões, nessa troca de ideias esperamos sobretudo construir horizontes, formas e estratégias de luta contra o G20. Porque não podemos ficar na indiferença.

Viva a Anarquia.

agência de notícias anarquistas-ana

Um aguaceiro —
Os pardais da aldeia
Se agarram ao capim.

Buson

[Portugal] Pirataria Pedagógica e a arte de navegar: conversas sobre educação, anarquia e cultura política

Pirataria Pedagógica e a arte de navegar / Conversas sobre educação, anarquia e cultura política / Com Fernando Bomfim Mariana (prof. e investigador da Univ. de Brasília)

2 de Fevereiro (sexta-feira)

20h00 Jantar

20h30 Roda de conversa

“Para navegar nos mares da educação precisamos de recuperar os nossos mecanismos para atravessar o infinito. Se a educação aqui é entendida como as águas infinitas de um mar aberto, a cultura política anti-capitalista é a nossa bússola por caminhos inóspitos e impensáveis.

Desprovido de bandeiras nacionais, o nosso navio segue sem fronteiras, e as únicas bandeiras que poderemos levantar serão as da nova pirataria insurgente contra as relações de trabalho alienadas e contra as hierarquias sociais – apelando a uma outra forma de estar entre os humanos e todas as formas de vida neste planeta. E noutros.

A pirataria pedagógica luta para afundar os navios de guerra dos Estados e das corporações financeiras – assim como os seus princípios autoritários que aprisionam a condição humana sob a forma de “cidadãos-consumidores”. Uma navegabilidade que tenta aproximar-se da arte de viver e, por isso, oferece nuances de alquimia entre a arte e o mar.

Para além de partir ao assalto de utopias renovadas e proclamar a arte de viver, tal pirataria pedagógica segue outro código fundamental: a coragem de lutar contra os dispositivos escolares que nos oprimem, nos domesticam, nos uniformizam e massacram os nossos pensamentos livres.”

* Excerto da apresentação de Pedagogical piracy and the art of sailing: writings on education and political culture de Fernando Bomfim Mariana (Brasília: Universidade de Brasília, 2023)

culturalibertaria.blogspot.com

agência de notícias anarquistas-ana

folhas escuras
tremem na brisa
à contra-lua

Rogério Martins

CCLA, um espaço anarquista no coração da Amazônia brasileira

O Centro de Cultura Libertária da Amazônia – CCLA é fruto de um longo processo de maturação e de desdobramentos do anarquismo organizado em terras cabanas, no coração da Amazônia brasileira. No entanto, sua história no coração do centro da capital paraense, a dois passos da Praça da República, é bastante recente.

Fundado, enquanto tal, ano passado no dia da comemoração do levante revolucionário da Cabanagem (7 de janeiro de 1835), ele é filho de uma história que remonta aos anos 80-90 quando se chamava CCL (cf. https://cclamazonia.noblogs.org/historia-e-memorias-do-movimento-libertario-paraense/) e era o local de encontro da cena anarquista belenense atuando na CBB (Comissão dos Bairros de Belém). Depois, começou a atuar sob outra forma muito perto do atual CCLA, na década de 2010-2020, enquanto Biblioteca Libertária Maxwell Ferreira – BLMF.

O tempo passou, militantes foram, outros se juntaram, muitos permaneceram e assim o anarquismo organizado ficou enraizado fortemente em solo amazônico. Mesmo quando a pandemia aconteceu e que o movimento teve grandes dificuldades em se levantar de novo para retomar suas atividades, ele nunca perdeu de vista seu papel no âmbito das lutas populares e sua função de transmissão de uma tradição libertária correspondente ao modelo do ateneu anarquista clássico.

Alguns anos depois, assim que o movimento pôde olhar mais para frente e planejar seu futuro imediato, um local central na cidade das mangueiras foi escolhido para poder, a partir daí, irradiar a metrópole inteira e um nome que trouxesse seu passado à tona lhe foi dado: CCLA.

Hoje, o CCLA, apesar de sua tenra idade, já está se tornando um ponto de referência de uma cena libertária amazônica que mostra, dia após dia, sua vitalidade: cine-debates, eventos culturais musicais, teatrais, poéticos, ações solidárias com as pessoas em situação de rua, festas com shows em apoio à comunidade LGBTQIA+, refeições veganas, banquinhas nos domingos na principal praça da cidade (venda de nosso material de propaganda anarquista), traduções de obras anarquistas atuais, atividades de educação popular, sessões de formação aos grandes temas do anarquismo contemporâneo (em parceria com a organização específica anarquista FACa), debates de conjuntura sobre as situações de outros países da América latina (também com a FACa), participação da rede internacional FICEDL (Federação Internacional dos Centros de Estudos e Documentação Libertários) ao lado de entidades internacionais famosas como o CIRA de Lausanne, o CSL Giuseppe Pinelli de Milão, mas também a Biblioteca Terra Livre, o CELIP, etc.

Nós do CCLA já atuamos juntos com os povos indígenas da região, levando nosso apoio aos warao caçados da Venezuela, aos ka’apor do Maranhão, e temos também com objetivo descentralizar nossas atividades em diversos bairros mais periféricos de Belém do Pará para chamar as populações invisibilizadas e precarizadas a desempenhar um papel de relevância na resistência às opressões e explorações de todo tipo: queremos, dessa forma, retomar também o trabalho de disseminação do pensamento e das práticas libertárias não apenas no centro da capital paraense, mas sobretudo em bairros onde as lutas são ainda mais profundas e necessárias.

No entanto, se já fazemos muita coisa, ainda temos muito para realizar. Entre outros projetos, almejamos fundar nossa própria editora para dar visibilidade a nossas produções e àquelas de todos os libertários do Norte do país: brochuras, livros, etc.

Também, enquanto militantes comprometidos com o futuro, queremos ressaltar o fato de que daqui a menos de dois anos, Belém do Pará será palco do que é uma das maiores palhaçadas entre as cimeiras internacionais que decidem do futuro de nosso planeta: a COP. A 30ª edição do que deveria ser um encontro grave e comprometido para resolver as urgências ambientais e climáticas que ameaçam diretamente as populações mundiais (entre as quais nossos povos amazônicos são uns dos mais atingidos pelas mudanças) acontecerá em nossa cidade.

E se as COPs se tornaram simples megashows de empresas “verdes” vendendo suas quimeras nocivas a governos incapazes de tomar medidas à altura dos desafios, o CCLA quer demonstrar que o anarquismo organizado leva a sério as problemáticas deste mundo.

Nessa ocasião, nós do CCLA, queremos convidar o movimento libertário do país (e, claro, além) para organizar eventos e atividades com o objetivo de denunciar essa farsa ambientalista, que visa o lucro econômico e o poder político contra os interesses da vida humana, vegetal e animal. Informações sobre a organização dessas atividades serão difundidas ao longo dos meses que nos separam do início dessa grande reunião dos hipócritas.

Claro, contamos com a participação ativa e concreta do movimento libertário para transformar o banquete dos poderosos num momento inesquecível em que o povo em luta mostrará que suas demandas, definitivamente não cabem nas urnas, ainda menos nas cimeiras… e se vocês quiserem começar a nos ajudar nesse objetivo, podem nos escrever (https://cclamazonia.noblogs.org/contato/) ou participar de nossa vaquinha (PIX: 4167302@vakinha.com.br).

Assim, está clara a vontade do CCLA de ser um agente importante nas lutas populares em prol de uma autonomia concreta para com à política partidária e para construir um anarquismo organizado atuando ombro a ombro com um povo forte. E não serão ataques como aquele que sofremos dia 14/01/2024 que irão nos intimidar em nossa caminhada: não está morto quem peleia!

agência de notícias anarquistas-ana

Dia grisalho
brotos brotam brutos
na ponta do galho

Danita Cotrim

O Centro de Cultura Libertária da Amazônia é alvo de ataque fascista no Pará

No último dia 14 de janeiro, no início da noite, um grupo de fascistas/neonazistas promoveu um atentado no término de uma atividade do Centro de Cultura Libertária da Amazônia (CCLA) no centro da cidade de Belém do Pará. Munidos de fogos de artifícios, em um carro preto com placas protegidas por papelão, jogaram bombas sobre nossa sede. A ação foi rápida, calculada e precisa demonstrando, assim, o grau de planejamento e desprezo pela vida das pessoas.

Contudo, é preciso ressaltar que esse mesmo lugar atacado com fogos de artifício promove atividades pedagógicas com crianças através de metodologias de educação popular, com meninos e meninas. No momento da ação a atividade que ocorria era de adultos. Se fosse outro dia e horário essas crianças correriam um sério risco de ficar com sequelas psicológicas e físicas por conta dos traumas provocados por um ataque desse tipo.

Atacar um espaço desse é, portanto, mais uma prova da falta de respeito pela integridade e até pela vida alheia por parte daqueles que apoiam princípios baseados no ódio, seja este motivado por diferença ideológica ou por discriminação racial, de gênero, de etnia ou de classe: pessoas pertencentes a setores minoritários politicamente da sociedade, negros, indígenas, pessoas trans, mulheres e tudo o que foge ao padrão fascista (macho, branco, cristão, de classe privilegiada, etc.) são alvos permanentes dessas formas de violência que o CCLA sofreu no dia 14/01.

A atual conjuntura das lutas de classes e seu recrudescimento através do avanço de ideologias fascistas/neonazistas pelo mundo inteiro, manejadas por grupos ultraliberais, de extrema direita e conservadores de plantão continuam sua escalada de ódio e violência contra organizações políticas, movimentos sociais, ativistas e toda uma constelação de lutadores e lutadoras sociais que jamais se amedrontarão diante desse cenário.

Em Belém, esse bloco fascista e ultraliberal se articula entorno de setores da milícia capitaneada por um ex-delegado e, hoje, deputado federal. Ávidos em tomar o poder local municipal e fazer o novo prefeito do município, intensificarão práticas como essas atacando primeiramente os anarquistas para depois ampliar atingindo outros setores políticos da sociedade. Fiquemos alertas. Alertas anti-fascistas.

De fato, nós somos e sempre seremos a primeira linha de combate às ideias perigosas deles, mas depois dos anarquistas, os nossos companheiros de outras organizações podem muito facilmente se tornar alvo dos ataques fascistas: todos os setores que compartilham pautas de luta antifascista têm que sentir-se atacados através de nós, pois os fascistas só esperam uma falha nas nossas “frentes” para aproveitar dessa fraqueza.

Outro aspecto que destacamos deste lamentável fato é a sua possibilidade de atuar num cenário que engloba múltiplas escalas. Do global ao regional/local, a ação política do fascismo não é fruto apenas de uma conjuntura específica ou pontual, ele é vinculado às engrenagens do colonialismo que tem uma de suas expressões baseados nas grandes potências mundiais e seus conglomerados econômico-bélicos, que cresceram e se beneficiaram com o capitalismo. Individualismo, consumismo e tipos modernos de escravidão/servidão se conjugam com práticas ancoradas na exclusão e na sociabilidade perversa, meritocrata e competitiva, que repudia a diversidade e a pluralidade para perpetuar seu domínio e promover a homogeneização e/ou o genocídio de povos que se expressam através de territórios comuns, coletivos.

Reivindicamos princípios como autodefesa, resistência, apoio mútuo e solidariedade que se convertem em ferramentas fundamentais para a situação atual. Não se trata de uma visão de mundo, esses grupos fascistas/neonazistas atuam de forma similar e têm como um de seus objetivos a homogeneização do humano e das sociedades: toda forma de expressão e existências, inclusive da natureza, contrária aos seus sistemas machista, patriarcal, monoteísta, racista e plutocrático são alvos de seus ataques.

É neste cenário que vemos o Brasil e as Amazônias envolvidos. Mergulhados numa crise que envolve múltiplos tempos, escalas e lugares, tanto no campo como na cidade, de norte a sul, em todos os quadrantes deste território são produzidas e reproduzidas a lógica da colonização e da colonialidade. Lógica muitas vezes esquecidas na interpretação das lutas de classes no sistema capitalista. Mas que mantém a mesma lógica do privilégio das classes dominantes. As mesmas donas dos meios de produção, dos grandes latifúndios e das grandes fortunas.

Nas Amazônias, a brutalidade da classe dominante e dos seus aliados fascistas contra os povos do campo, das florestas e das águas permanece numa espiral crescente. Utilizando tudo que estiver ao alcance para desenvolver o seu processo de expropriação dos bens da natureza e na exploração da força de trabalho de nosso povo. No cenário estadual, o Governo Helder coopta a maioria dos setores da esquerda. Tudo isso contribuindo para uma política de morte, uma necro-política confirmada pelos dados produzidos pela CPT que aponta no ano de 2022 a Amazônia legal como a região de maior conflito com mortes no campo.

Finalizamos dizendo que o CCLA é fruto de um longo processo de enraizamento do anarquismo no solo dos trópicos úmidos brasileiro. Uma construção organizativa que começa no fim da ditadura militar brasileira, constituída e forjada na cultura de luta e de resistência que emana da classe trabalhadora e de todos setores subalternizados da sociedade. De uma região que tem na rebeldia dos cabanos, o gás necessário para suas lutas cotidianas. Esse posicionamento político incomoda e, assim, continuaremos a incomodar, pois não nos ajustaremos e sucumbiremos a essa política de morte e medo apresentada pelo projeto fascista.

Viva ao Anarquismo!

Viva à Amazônia livre e em luta!

Ao fascismo, nem água!

Fonte: https://cclamazonia.noblogs.org/post/2024/01/17/o-centro-de-cultura-libertaria-da-amazonia-e-alvo-de-ataque-fascista-no-para/

agência de notícias anarquistas-ana

Na tarde sem sol
folhas secas projetando
sombras em minh’alma.

Teruko Oda

Apoio ao prisioneiro anarquista Yevhen Karakashev da Ucrânia

Olá!

Somos Chorny Kvit – uma iniciativa anônima libertária de direitos humanos e contra-repressão da Ucrânia e estamos lançando nossa primeira campanha de solidariedade. Pedimos seu apoio a nós e a nossos companheiros por meio da mídia e de todas as formas possíveis dentro das suas condições!

Você pode encontrar informações sobre nós aqui: linktr.ee/chornykvit

E abaixo está um texto da campanha para nosso companheiro.

Estamos lançando nossa primeira campanha em apoio ao prisioneiro anarquista Yevhen Karakashev!

Yevhen é um anarquista da Crimeia. Ele participou de ações ambientais e de protesto, ocupação e desenvolvimento do centro comunitário ocupado “Autonomia” em Kharkiv. Desde 1º de fevereiro de 2018, ele está preso pelo regime de ocupação russo sob a acusação de “apelos públicos ao terrorismo” – ele nega sua culpa. Em nossa opinião, foram as crenças e ações políticas de Yevhen que levaram à sua perseguição.

Yevhen foi condenado a 6 anos em uma colônia de regime geral (205.2, p.1, 205.2, p.2). Ele passou quase todo o período nas condições do tipo cela única como um “violador malicioso do regime”. Ele tem 51 violações disciplinares, que se tornaram o motivo de sua transferência para o regime prisional. Por duas vezes, Yevhen cortou os pulsos para protestar contra as ações da administração da prisão.

Em 2022, as autoridades russas tentaram levar Yevhen à responsabilidade administrativa por “desacreditar” as forças armadas russas e, recentemente, ele foi condenado a 8 anos de supervisão administrativa. Isso significa uma proibição de sair de casa das 22h às 6h, supervisão externa e visitas obrigatórias à polícia duas vezes por mês.

Em 1º de fevereiro de 2024, Yevhen será libertado! Queremos ajudar a arrecadar algum dinheiro para ele. Ele tem pais idosos e precisa de dinheiro para viver e se adaptar às condições civis. Ele também precisa de tratamento médico, pois sua prisão piorou muito sua saúde. O companehiro está esperando por exames, tratamento neurológico, cirúrgico e odontológico, cirurgia e reabilitação.

Estamos fazendo essa campanha para atender ao nosso pedido de solidariedade aos companheiros estrangeiros!

A ideia é ajudar a arrecadar fundos para Yevhen e enviá-los por meio do grupo de apoio russo. Os links para as contas de doação podem ser encontrados AQUI (pelo link no início do texto). Relatórios regulares sobre a campanha (cripto-carteiras) estarão em nossas mídias. A ABC-Moscou é responsável pela conta do PayPal.

Também podemos responder a quaisquer perguntas dos companheiros – basta entrar em contato conosco via @chornykvit_bot (Telegram) ou qualquer opção adequada listada em nossas mídias.

Pedimos que você participe da arrecadação de fundos o máximo possível: compartilhe materiais adicionados no Instagram ou em outras mídias, doe dinheiro, organize um evento para arrecadar fundos para nosso companheiro ou faça o que puder. Toda ajuda é bem-vinda!

A solidariedade é uma arma!

Chorny Kvit

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de verão.
Os pingos batem
Nas cabeças das carpas.

Shiki

[Grécia] Contra a reestruturação da educação!

Juntamente com a degradação geral de nossas vidas, o Estado e o capital estão com planos de criação de universidades privadas. As universidades estão na mira da reestruturação educacional mais uma vez. A comercialização da educação obedece fielmente às regras capitalistas neoliberais e é por isso que ela tem estado no centro dos objetivos dos governantes ao longo do tempo. A resposta à reestruturação é dada pelos movimentos estudantis, que, como em 2006-07, estão frustrando militantemente os planos dos governantes por meio de ocupações, manifestações e confrontos. Historicamente, o movimento anarquista e antiautoritário tem estado nas ruas ao lado dos movimentos estudantis, promovendo a radicalização das lutas estudantis. Levantar novamente nossa resistência à reestruturação educacional e lutar por nossas necessidades.

Bloquear a nova lei universitária!

Manifestação | Quinta-feira, 1º de fevereiro, Propileu, 12h00, Atenas

agência de notícias anarquistas-ana

No coração da noite
gemidos & sussurros
humanizando os postes.

Simão Pessoa

Lançamento: Qual a solução para o problema do Brasil?

Autor: Edgard Leuenroth

Organização e notas: Christina Roquette Lopreato e Cláudia Tolentino.

Apresentação

O material da obra inacabada intitulada Qual a solução para o problema do Brasil?, escrita pelo anarquista brasileiro Edgard Frederico Brito Leuenroth (1881-1968), estava sob a guarda do Círculo Alfa de Estudos e foi cedido por Parmênides Cuberos, sobrinho de Jaime Cuberos, companheiro de militância de Leuenroth. A composição dos fragmentos agora se torna livro. Na pesquisa de longa duração para elaborar o livro, ao cotejar manuscritos e textos datilografados – inicialmente considerados inéditos – com artigos de domínio público, as organizadoras detectaram a publicação de parte dos escritos no jornal O libertário, que circulou em São Paulo durante o período de 1961 a 1964. No processo de junção dos textos optou-se por manter a organização original com atualização ortográfica. […] indica trecho inelegível e o negrito complementa o texto com excertos extraídos do citado jornal.

Qual a solução para o problema do Brasil?

Formato: 14×21

Número de páginas: 116

ISBN: 978-65-5380-153-0

Preço: R$ 35,00

editoracancioneiro.com.br

Sobre o autor

Edgard Frederico Leuenroth foi um tipógrafo, jornalista, arquivista e propagandista, um dos mais notáveis anarquistas do período da Primeira República brasileira.

agência de notícias anarquistas-ana

Ilhotas boiando.
Sob um céu vasto e sereno
este mar tranqüilo.

Fanny Dupré

[Curitiba-PR] 21 anos de ocupação. 16 anos de “Squatt 13 de janeiro”

São dezesseis anos consecutivos de invasão, ocupação e fundação do Centro de Cultura Anarquista Squatt 13 de janeiro.

A primeira fase de invasão teve início em 2003 juntamente com indivíduos ligados a “Regional Ativista de Curitiba” e do coletivo “Esforços da Mudança” (Vegan Straight Edge Punk) na época ligado a “Casa da Ponte”.

Indivíduos desses dois coletivos participaram do primeiro Fórum Social Mundial em Porto Alegre (RS) e estiveram presentes na fundação do Movimento Passe Livre, no mesmo ano.

A fundação do centro de cultura se deu no sábado, 13 de janeiro de 2007. Participaram desse momento três garotas e dois garotos. A partir desse ato foi experienciado inúmeras formas de se organizar independentemente e permitindo ampla liberdade coletiva e individual dos participantes. A ocupação gerou o nascimento do GEAC (Grupo de Estudos Anarquista de Curitiba), da ELA (Estudos pela Libertação Animal), do CLATH (Coletivo Libertação Animal da Terra e Humana), do GERAE (Grupo de Experimento Rural e Agroecológico), do NAC (Núcleo Anarquista de Curitiba), da FAAF (Frente de Ação Anarcafeminista) e da Biblioteca Maria Lacerda de Moura. Essa última ainda presente. Abrigou o CMI-Curitiba bem como foi sede do MPL-Curitiba.

A partir de 2007 até meados de 2018 o porão abrigou ensaios de bandas e teatros, cinema, encontros e debates. Foi palco de shows locais, nacionais e internacionais. O espaço foi gerido coletivamente por distintos grupos e indivíduos em diferentes épocas.

A casa foi invadida e ocupada numa época que o bairro em Curitiba estava abandonado e sem vida. Hoje em dia exatamente na quadra onde está a J13, é o local com mais intensa movimentação de bares e casas noturnas. São recorrentes as ameaças pela especulação imobiliária devido ao fato da revitalização que sofre o bairro e valorização do metro quadrado da região. Mesmo assim resistimos ilegalmente com nosso acervo anarquista e mantemos os mesmos princípios Anarco Punk Vegan Straight Edge.

Só caminha para a emancipação quem se coloca fora da lei, fora dos prejuízos, dos dogmas, dos preconceitos religiosos e sociais- para se conhecer-se, para realizar-se” – Maria Lacerda de Moura

estudosanarquistadecuritiba.blogspot.com

agência de notícias anarquistas-ana

a chuva no charco
traça círculos
sem compasso

Eugénia Tabosa