[Grécia] Palavras de anarquistas na prisão se solidarizando com o grevista de fome Yinnis Michailidis

O mecanismo punitivo e a ilusão de seu caráter penitenciário se desmoronam ante a feroz resistência dos presos que decidem conscientemente levantar-se contra o conformismo, a disciplina e o compromisso que a dominação trata de impor.

O companheiro Yinnis Michailidis, sem renunciar a sua identidade política, sem assinar declarações de arrependimento, está levando uma longa e difícil luta por sua liberdade contra o regime especial de exceção estabelecido no processo judicial, da justiça burguesa. O cárcere é um mecanismo de coação, o último mecanismo de controle e registro, um sistema de vigilância e extermínio, de transformação forçada do caráter, mas Yinnis resistiu.

Não esqueceu, não foi derrubado, e agora luta, não só por sua liberdade pessoal, mas pela de todos os militantes encarcerados e não encarcerados que são perseguidos por motivos ideológicos e políticos. Um dos exemplos mais recentes é o indeferimento das solicitações de licenças ordinárias à companheira Pola Roupa em razão da publicação de seu livro, deixando assim claro para todos nós que qualquer um que defenda a ação subversiva e revolucionária será torturado em um peculiar regime de violência repressiva. A vingança do Estado não é nada nova. Por tudo isso nos solidarizaremos em tudo o que possamos com os que são reféns nas mãos do Estado.

Liberação imediata do anarquista em greve de fome do 23/05 Yinnis Michailidis.

Os infernos se derrubam, as consciências não.

Até que se derrube o último cárcere.

Fotis Daskalas

Vanggelis Stathopoulos

Haris Mantzouridis

Dimitris Chatzivasiliadis

Fonte: https://www.athens.indymedia.org/post/1619357/

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

A ipoméia
Tomou-me o balde do poço –
Busco água no vizinho.

Kaga no Chiyoni

Lançamento: “Relatos de um rapero ateu de quebrada”, de Rodrigo Ktarse

Novo livro da Editora Merda na Mão já está na gráfica: Obra do Rodrigo Ktarse, um dos membros do grupo de rap combativo Ktarse

Por Rodrigo Ktarse

Salve manxs, meu segundo livro “RELATOS DE UM RAPERO ATEU DE QUEBRADA“, se encontra na gráfica e está sendo impresso, daqui alguns dias o livro físico chegará aqui no barraco, para quem quiser adquirir e reservar um exemplar do livro, é só dá um salve pelo whatsapp 11-97282-9961 (Rodrigo Ktarse) ou pelo e-mail: editoramerdanamao@yahoo.com.

Valor do livro 25,00 + correio, e lembrando que esse livro foi feito e produzido de forma autônoma, no nós por nós, não temos vínculo com editoras mercenárias, com empresas, com governos ou qualquer oportunista capitalista. Fortaleça o corre da literatura de quebrada e insurgente do gueto!!

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agência de notícias anarquistas-ana

Ao fim da fogueira
Apenas cinco cachorros
Dormindo ao redor.

Miyoko Namikata

[Chile] Santiago: Concentração e marcha a um ano do assassinato de Pablo Marchant

Hoje, 9 de julho, por volta das 16h00, uma centena de pessoas reuniram-se no Cerro Welén para comemorar Pablo Marchant, weichafe da CAM [Coordenadora Arauco Malleco] que há um ano foi executado pelos pacos [policiais] após uma ação de sabotagem no fundo Santa Ana de la Florestal Mininco pertencente à família Matte, uma das maiores fortunas do Chile e que conta com um grande prontuário de ataques ao povo Mapuche e aos oprimidos e oprimidas do Chile.

No Cerro tomaram a palavra familiares e amigos de Pablo para posteriormente marchar pela Alameda rumo a La Moneda, onde se esteve alguns minutos e depois avançar até Los Heróes onde terminou a manifestação.

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agência de notícias anarquistas-ana

A libélula —
Sem conseguir se agarrar
A uma folha de capim.

Bashô

[Espanha] Progreso, o filho brasileiro de um anarquista fuzilado pelo franquismo em Valência, retorna ao local do crime

O filho do anarquista Bautista Vañó, enterrado no túmulo 21 no cemitério de Paterna desde 1939, atravessa o terreno para fazer testes de DNA.

Progreso Vañó nasceu em Bocairent em 17 de novembro de 1937. Seu pai, um sindicalista anarquista, foi fuzilado em 15 de julho de 1939 e enterrado nas valas comuns do cemitério de Paterna logo após a entrada das tropas de Franco em Valência. 85 anos depois, Progreso Vañó voltou do Brasil, o país para onde a família partiu em meio ao regime de Franco, ao local do crime. “Foi uma das coisas mais extraordinárias que me aconteceu”, diz o filho do tecelão anarquista que se apressa em seus últimos dias no País Valenciano entre reuniões familiares e visitas ao cemitério de Paterna e El Terrer, o lugar próximo ao campo onde mais de 2.000 pessoas foram fuziladas no período imediato do pós-guerra. Pilar Taberner, presidente da Asociación de Familiares de Personas Fusiladas en la fosa 21 del cementerio de Paterna, recorda a visita às obras de exumação da sepultura: “Foi um encontro muito emotivo e íntimo, muito necessário para fechar círculos”.

O homem vive em São Paulo “há 66 anos” e voltou à sua terra natal para fazer os testes de DNA e conhecer em primeira mão os responsáveis da associação que, há pouco mais de um ano, conseguiram localizar o descendente da primeira pessoa a ser fuzilada na leva de 15 de julho de 1939. “O primeiro objetivo era ir a Paterna e foi muito emocionante”, diz ele em perfeito valenciano com um leve toque brasileiro.

A presidente da Asociación de Familiares de Personas Fusiladas en la fosa 21 del cementerio de Paterna, com a ajuda de colaboradores, iniciou uma busca dos descendentes através dos registros civis, das páginas amarelas e das redes sociais. Foi assim que encontrou os bisnetos e depois os netos de Pogreso Vañó. “A busca de Progreso é um exemplo que mostra que quando todas as instituições, nossa associação, grupos de memória, colaboradores que nos ajudaram a buscar, se unem em um objetivo tão complexo, acaba sendo frutífero”, diz Taberner.

Durante o processo de localização, eles tiveram a ajuda do historiador bocairense Pep Molina e da prefeitura. “Com todos os dados fornecidos por Pep Molina, que nos deu uma genealogia maravilhosa, descobrimos que eles tinham tido quatro filhos e que, mais ou menos, quando Progreso tinha 16 anos, eles tinham que partir para o Brasil”, lembra Pilar Taberner.

A última carta: “Eles vão me executar”.

Eles começaram a puxar o fio: “Um de nossos colaboradores procurou o sobrenome Vañó nos cidadãos brasileiros através das redes sociais e acabou encontrando alguns bisnetos e me passou os contatos. Nós escrevemos com o tradutor indicando o motivo da busca, alguns deles não o eram. Eles nos transmitiram aos netos e, finalmente, ao Progreso”. Foi o trabalho de detetive que valeu a pena. “Foi uma grande alegria, lembro-me que era uma manhã de sábado com a diferença horária quando responderam, foi muito emocionante conversar com alguns dos netos. Eles me disseram que guardaram a última carta manuscrita, que conheciam a história toda. Assim como outras famílias não sabiam de nada, sua mãe se encarregou de lhes contar tudo”.

A carta enviada pouco antes do pelotão de fuzilamento (e guardada pela família como ouro) é recitada de memória por Progreso Vañó: “Com um punho sereno e uma consciência muito limpa, escrevo-lhes minhas últimas cartas porque em poucas horas deixarei de existir, eles vão me executar”. “Isso me deixa profundamente comovido”, diz Vañó.

A viúva foi para o Brasil com seus quatro filhos. O menino, chamado José Vañó na Espanha, quando pediu a documentação necessária, descobriu que o Registro Civil não havia alterado o nome dado a ele por seus pais. O fascismo não baixa nomes como “Progreso”. Em São Paulo ele foi secretário do Centro Democrático Espanhol, uma organização anti-franquista de exilados. Herdeiros do pensamento esquerdista de seu pai, que foi fuzilado, os quatro filhos viveram durante a ditadura militar brasileira, após o golpe de Estado de 1964 contra o governo democrático do presidente João Goulart. “Quatro décadas de ditadura em minha vida”, lamenta Progreso Vañó.

Em sua velhice, ele pôde visitar o trabalho de exumação, realizado pela associação especializada Arqueoantro, no túmulo 21 do cemitério de Paterna. Os arqueólogos localizaram apenas dois dos sacos: “Tudo parece indicar que eles são as 16 vítimas de 19 e 21 de julho, então supostamente o pai do Progreso não seria encontrado aqui”, explica Pilar Taberner. A associação de parentes está aguardando a exumação das áreas adjacentes da cova para localizar o resto dos corpos, aproximadamente 53.

“É um trabalho extraordinário apesar dos recursos limitados, são coisas necessárias e urgentes”, conclui Progreso Vañó.

Fonte: https://www.eldiario.es/comunitat-valenciana/memoria-democratica/progreso-hijo-brasileno-anarquista-fusilado-franquismo-valencia-vuelve-lugar-crimen_132_9092524.html

Tradução > Liberto

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Ah, lua de outono —
Andando em volta do lago
Passei toda a noite.

Bashô

[Espanha] Cafés da manhã solidários nas Ilhas Canárias: anarquismo de bairro e comunidades sociais fortes.

A Federação Anarquista das Canárias segue atuando a partir do anarquismo comunitário no noroeste da África, lugar onde ela está localizada geográfica e politicamente. A federação iniciou um programa de café da manhã gratuito inspirado na iniciativa desenvolvida pelo Partido dos Panteras Negras no final dos anos 1960, primeiro na cidade californiana de Oakland e depois em muitas outras cidades estadunidenses. De acordo com o coletivo das Canárias “Nós anarquistas temos que fazer coisas anarquistas. Criar comunidade, tecer laços desde a base, buscar saídas sem esperar nada das instituições. Apoio mútuo e ação direta não são slogans de outdoors. São metodologias úteis e práticas para usar todos os dias, em todas as relações.”

Esta iniciativa que lançaram não constitui uma ação alheia a uma luta de maior envergadura, mas contribui com um todo, promovendo a sensibilização e a mobilização social. Os cafés da manhã solidários estimulam a criação de comunidade nos bairros, é o melhor antídoto contra o capitalismo e o avanço do discurso de extrema-direita. As dinâmicas sociais não são aleatórias nem fluem de forma neutra, são determinadas pelo sistema social em que vivemos, ou seja, o neoliberalismo. Se olharmos com atenção, veremos que nossas relações sociais se dão nos termos que o capital decide, geralmente como consumidores de serviços e interesses que foram criados para enriquecer essa grande máquina. Criando formas de relacionamento e encontro social que não são atravessadas por essa lógica do capital, por exemplo, tomando café da manhã juntos em grupo, estamos promovendo novos espaços e imaginários a partir de onde surge a organização social.

O território das Canárias é alvo de gentrificação e exploração turística

As Ilhas Canárias são o território com a maior taxa de pobreza do Estado espanhol. Em apenas cinco anos, entre 2013 e 2018, a porcentagem da população das Canárias em extrema pobreza aumentou, passando de 10,7% para 15,7%.36,3% da população das Canárias estava em situação de exclusão social em 2020, e a situação socio-sanitária derivada do Covid-19 afetou ainda mais essas famílias que já sofriam com a desigualdade. Além disso, a renda aumentou nos municípios canários mais pobres e estagnou nos mais ricos, isso aconteceu especialmente devido aos processos de gentrificação. As empresas que fazem negócios com apartamentos colonizam as áreas mais centrais e turísticas, deslocando a população empobrecida para as periferias.

Ao contrário do que sempre se afirma, o turismo não gera riqueza e sim promove a desigualdade social e a fragilidade de uma comunidade. Todos os territórios que foram obrigados a basear sua economia no turismo são, em geral, mais pobres. As Ilhas Canárias são territórios essencialmente turísticos e ainda assim têm os salários mais baixos, uma precariedade avassaladora e a maior taxa de pobreza infantil. O impacto da crise social provocada pela Covid-19 determinou que, face a uma economia pouco diversificada e que se estruturou exclusivamente sob os interesses do capital, as condições de vida das famílias ficaram muito mais arruinadas. Essa consequência não se deve a um problema geográfico, humano ou político autóctone, pois o capital sempre tenta explicar a pobreza como um fator inerente a certas sociedades. O problema é de natureza colonial, pois toda a periferia do que é supervalorizado como cultural, política e economicamente correto para os interesses capitalistas é explorada e oprimida pelo rolo compressor do mercado.

Enfrentando a pobreza: organização social, sobrevivência e luta

Devido ao fato de que quase 8% da população canária não pode consumir uma refeição com níveis básicos de nutrição e que a única fonte de alimentação para muitas crianças vem das merendas escolares e bolsas de café da manhã, a Federação Anarquista de Gran Canaria lançou este programa de café da manhã solidário. Nos finais de semana ou feriados, muitas famílias não têm recursos para alimentar seus pequenos, então em junho, a federação começou a oferecer um café da manhã no território de La Isleta. Uma iniciativa que tem sido criticada pela extrema-direita das Canárias e por ONGs ultracatólicas, que pretendem que os pobres continuem a ser pobres e, além disso, fazê-los acreditar que a culpa da pobreza é de sua exclusiva responsabilidade. As companheiras das Canárias advertem-nos de forma realista “o que propomos pode ser nada mais do que uma política de sobrevivência. Mas é impossível mudar as condições sociais se não garantirmos primeiro a sobrevivência do nosso povo, da nossa classe e, principalmente, daqueles que representam o nosso futuro”.

Isso porque a Federação Anarquista de Gran Canaria atua há uma década em torno das necessidades básicas, seja através de projetos habitacionais ou de soberania alimentar. As comunidades sociais são fortalecidas quando aprendem a gerenciar e resolver os problemas que assumem como seus. As companheiras concluem que “Dada a inaptidão, incapacidade e desinteresse das instituições face a esta situação, agravada pelas consequências da pandemia e das guerras, lançamos esta iniciativa que pretende alimentar dezenas de crianças através de uma alimentação saudável e sem sofrimento animal”. As revoluções são feitas a partir da barricada, e com o estômago bem alimentado.

Fonte: ttps://www.todoporhacer.org/desayunos-canarias/

Tradução > Mauricio Knup

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vento nenhum
parou para ouvir
o silêncio da noite

Alexandre Brito

[Chile] Palavras da companheira anarquista Mónica Caballero Sepúlveda sequestrada pelo Estado no Cárcere de San Miguel.

A ditadura militar deixou grandes e profundas cicatrizes em uma parte dos habitantes do território dominado pelo Estado chileno, graças ao terrorismo estatal que não se limitou em esmagar a todos aqueles que pudessem obstaculizar a implantação do novo modelo neoliberal. Assim se conheceu a cara mais dura da repressão nos milhares de presos, torturados, assassinados e desaparecidos.

O medo e as feridas deixadas pelos agentes do Estado podem paralisar qualquer um, não posso nem pretendo julgar ou criticar a quem tenha optado por ficar em suas casas, depois de ter vivido a tortura e/ou a perda e/ou desaparecimento de um ser amado. Por outro lado há outros que cheios de cicatrizes eliminaram o temor e se levantaram sem vitimismos contra o sistema do terror e do esquecimento. Entre estas últimas estava Luisa.

Luisa pode ter vivido seu luto dentro de seu espaço, mas íntimo, mas preferiu que a morte de seus filhos semeasse a rebeldia de centenas de jovens (e não tão jovens) combatentes.

Recordo hoje a Luisa, não só por ser a mãe de Rafael, de Eduardo e de Pablo e que eles foram combatentes assassinados por agentes do Estado, também a recordo porque é parte viva da história de muitos que assim como seus filhos, decidiram enfrentar o domínio e construir por um mundo diferente.

Este primeiro aniversário de seu falecimento está cheio de nostalgia, para nós que nos emocionamos até a medula escutando-a ou que tivemos o prazer de receber um de seus afetuosos abraços.Também é um dia para recebermos um pouquinho da imensa força e resiliência que tanto caracterizava a companheira.

Neste mês também lembro a partida da incansável Herminia Concha, esta grande mulher que fez de sua vida um enfrentamento constante contra o imperialismo, o cárcere, etc.

Que por nossas avós não se acendam velas, mas chamas insurretas!!!!

Mónica Caballero Sepúlveda. Presa Anarquista. Julho 2022

Tradução > Sol de Abril

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Cerejeira silvestre –
Sobre o regato se move
Uma roda d’água.

Kawai Chigetsu

[Chile] Sobre a audiência de revisão de cálculo da pena de Marcelo Villarroel

Hoje, 5 de Julho, teve lugar a audiência de revisão do cálculo da sentença a favor de Marcelo Villarroel, perante a juíza Carolina Gajardo, do 7º Tribunal de Garantia de Santiago. Nesta audiência, a defesa de Marcelo denunciou perante o Tribunal a ilegalidade da ação da Gendarmeria de aumentar em 21 anos o tempo mínimo da sua pena efetiva para ser elegível para liberdade condicional, que, antes desta modificação, poderia ter solicitado a liberdade condicional em Dezembro de 2019. Esta ação, baseada na modificação do DL 321 pela lei 21.124 em Dezembro de 2019, viola uma série de garantias fundamentais, especialmente a não retroatividade do direito penal e o princípio de in dubio pro reo, estabelecido na Constituição (art. 19 n3), no Código Penal (art. 18) e numa série de tratados internacionais de direitos humanos ratificados e em vigor no Chile.

O Ministério Público também esteve presente, representado por Arturo Gómez, que argumentou que Marcelo ainda deve cumprir penas de mais de 30 anos, dadas as sentenças proferidas pelo Ministério Público Militar, e que este pedido da defesa já tinha sido rejeitado pelo Tribunal em várias ocasiões, razão pela qual deveria ser rejeitado (apesar de ser a primeira ação para o cálculo da pena).

Na fase das alegações, apareceu também o Instituto Nacional dos Direitos Humanos, cujo delegado se referiu à leitura das conclusões gerais de um relatório que elaboraram em 2021 sobre esta matéria, no qual apresentam as razões pelas quais esta modificação do Decreto-Lei 321 foi aplicada em violação das garantias fundamentais das pessoas privadas da sua liberdade. Contudo, na audiência, esta entidade não expressou a sua opinião em relação ao caso específico para o qual a sua assistência foi solicitada e que estava a ser debatido (apesar de este mesmo relatório se referir expressamente ao caso de Marcelo Villarroel), afirmando mesmo expressamente que esta questão deveria ser decidida pelo juiz quanto ao mérito.

Finalmente, a juíza Carolina Gajardo rejeitou o pedido, baseando a sua decisão no fato de esta discussão já ter sido resolvida anteriormente e em várias instâncias, e de não ser competente para decidir sobre as ações da Gendarmeria, deixando Marcelo sem proteção legal.

A equipa jurídica já está a preparar a apelação contra esta resolução, bem como as diferentes ações que continuarão a ser apresentadas até Marcelo ser libertado.

CONTRA A PERPETUIDADE DAS SENTENÇAS!

PELA ANULAÇÃO DAS SENTENÇAS DA JUSTIÇA MILITAR PARA O CAMARADA MARCELO VILLARROEL!!!

AGITAR, PROPAGAR, INSISTIR, PERSISTIR!!!

Equipe jurídica

Rede de Solidariedade Anti-Prisão com Juan e Marcelo (RSAJM)

5 de Julho de 2022.

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Ainda que tombe
Depois de tanto andar e andar –
Campo de lespedezas.

Kawai Sora

Notas sobre anarcofeminismo | Direitos reprodutivos, Estado e anticlericalismo

Atravessamos uma pandemia, mas nem por isso, há paz para meninas, mulheres e crianças. Quem leu o livro “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood, consegue perceber a assustadora semelhança de situações recorrentes, ao analisar a crescente onda da extrema direita fanática e religiosa que assombra o mundo.

Vimos em agosto de 2021, imagens de pessoas fugindo da capital do Afeganistão. Esta, há 20 anos, ocupada pelos Estados Unidos e agora, sendo tomada pelo Talibã. Neste contexto, centenas de mulheres afegãs contaram seus maiores temores: da segurança de suas vidas, do controle dos seus corpos, do cerceamento de seus direitos básicos de ir e vir, de estudar, de viver, e por fim, de não serem consideradas minimamente humanas.

Isso não significa, em hipótese nenhuma, que a ocupação era boa, e não é este o cerne da questão. Mas sim, de que independente do lugar do mundo, a capacidade de acabar com o mínimo de humanidade para mulheres, sejam cis ou trans é uma realidade tão latente que grita aos nossos olhos.

O capital anda lado a lado com o controle, seja ele através do medo, seja pela busca de uma salvação imediata às custas dos que não aceitam seu status quo. Patriarcado, religião e capitalismo fazem uma dança macabra em que as maiores vítimas não são homens.

No Brasil, em 2020, a Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves do governo Bolsonaro, interferiu em julgamento, afim de impedir o aborto de uma menina violentada e grávida de 10 anos. Não bastasse esse absurdo, em nosso país mulheres não podem colocar métodos contraceptivos como o DIU sem a autorização de seus parceiros ou seus pais. Enquanto nos horrorizamos com o que ocorre no Afeganistão, no Brasil aproximadamente 88 mil meninas e meninos com idades entre 10 e 14 anos estão em uniões civis e/ou religiosas. Somos o primeiro lugar na América Latina e o quarto lugar no mundo em incidência de casamento precoce.

Em Israel, mulheres e crianças palestinas são sistematicamente perseguidas e em 2016, o rabino – chefe do exército isralense Eyal Karim, defendeu o estupro de mulheres.

A religião tem como ponto de partida a opressão, e essa opressão é fortemente arraigada para o controle e submissão da mulher. Tanto o Talibã quanto o atual governo brasileiro são formados por fanáticos religiosos.

Não importa se o estado seja teocrático ou não, a existência desse controle é a forma direta de punição tratada para criar um eterno estado de medo e vigilância, e também de poder.

A onda neofascista vem colada ao evangelismo, com um forte apelo à submissão feminina e deturpação do termo feminismo. Enquanto a violência doméstica aumentou no Brasil e no mundo durante a pandemia, o discurso religioso é de manter a relação a todo custo, e aceitar a violência até o assassinato ocorrer. Damares e sua trupe não são aliadas na luta, são opressoras, e aceitam migalhas dentro do teatro dos horrores para se sentirem minimamente humanas.

Todas as religiões oprimem, o patriarcado é a fonte de toda essa verborragia que coloca a culpa dentro do corpo a partir do nosso nascimento. E não importa se ela está pautada em visões monoteístas. Emma Goldman tratava da importância das relações não se pautarem pela via religiosa, Maria de Lacerda Moura, denunciava sobre o horror do clero e sua ligação com o fascismo e versava sobre a importância do anticlericalismo em nossa sociedade, construída com o sangue da catequização.

Praticamente 100 anos depois, estamos nós, aqui, debatendo novamente os mesmos assuntos, porque estamos presas à dominação religiosa. É mais do que necessário lançar luz ao assunto para que possamos romper as correntes e exigir avanços reais sobre o direito aos nossos corpos. Enquanto Argentina e México aprovam a discriminalizam o aborto, nós andamos na contramão rumo à Gilead.

Para além da questão do aborto, a religião está intimamente ligada à recusa da ciência e pudemos ver na prática e sentir em nossas peles o que um estado guiado pela religião pode causar em meio a uma crise sanitária. As igrejas se mantiveram lotadas mesmo durante o pior momento da pandemia, contribuindo diretamente para o caos que se instalou. Se na teoria a religião diz pregar o amor, a compaixão e a solidariedade, os fatos podem provar que a prática é bem diferente.

Dos mais famosos casos de escândalo do Vaticano aos mais discretos casos de abuso sexual dentro de casa, faz-se de extrema urgência que nós, mulheres de luta, anarquistas, sigamos firmes utilizando nossos corpos para criar políticas contrárias e sejamos a mudança. Promovendo conversas sobre educação sexual com as meninas, meninos e mulheres ao nosso redor, agindo contra a escravidão moral e social enraizada em nossos comportamentos, vivendo nossos amores livremente, criando uma rede de apoio efetivamente livre da moral religiosa e, principalmente, combatendo a presença da Igreja no campo da educação e da formação de crianças e jovens.

O anticlericalismo é uma luta muito importante para nós anarquistas, tornando-se ainda mais urgente para nós mulheres. Somos nós os agentes da mudança e estamos certas de que a religião existe apenas para manter as pessoas mansas, a fim de serem mais facilmente exploradas, tanto no campo das ações quanto no campo das ideias. É não pactuar com os erros e os crimes sociais e governamentais históricos, sendo cúmplices da reação clerical e da superstição dogmática dos que apagam as mais tímidas fagulhas da chama da razão humana e sepultam toda e qualquer forma de questionamento que leve à livre expansão da consciência.

Por isso fazemos um chamado: não seja mansa, seja a mulher que a Igreja diz profana, diz maldita, seja bravia, seja indomesticável, SEJA INSUBMISSA.

CAFI – Coletiva Anarco Feminista Insubmissas

agência de notícias anarquistas-ana

Lua tão distante —
Paira por um só momento
sobre a rua torta

Mônica Monnerat

Vídeo: “Memórias De Um Exilado — Episódios De Uma Deportação” de Everardo Dias (1920)

Vídeo sobre a história narrada no livro “Memórias De Um Exilado — Episódios De Uma Deportação” de Everardo Dias, formato 14 x 21 cm, 136 páginas, publicado originalmente em 1920. Preço 40 reais, incluindo as despesas postais. Pagamento pelo pix (nelca@riseup.net). Após efetuar o pagamento, nos informar para qual endereço (com CEP) o livro deve ser enviado.

Narração e Produção do Vídeo: Cesar Antunha.

Texto: “Outubro de 1919, uma violenta repressão policial se impõe sobre o movimento operário brasileiro. Os trabalhadores tentam responder a violência estatal com a contra-violência revolucionária, porém, o patronato e as autoridades, com o monopólio do aparato repressivo, estão firmes em seus propósitos: querem saciar a sua sede de vingança pela greve geral de 1917, e pelo avanço da organização dos trabalhadores com o sangue dos militantes anarquistas mais ativos na luta social.

As associações sindicalistas mais combativas são invadidas, depredadas e assaltadas. Jornais anarquistas são apreendidos, suas redações são empasteladas pela polícia. Entidades que promoviam o estudo e o conhecimento nos meios populares, como a Escola Moderna, são fechadas acusadas de propagar o anarquismo… Militantes destacados como Gigi Damiani, Manoel Perdigão Saavedra, Miguel Garrido, Manuel Pérez Fernández, Alexandre Zanella, Ângelo Soave, Manoel Gama e muitos outros são presos…

Entre os presos está o militante socialista e anticlerical Everardo Dias, que havia iniciado sua militância social bastante influenciado pela ação da Liga Anticlerical de São Paulo e pelo jornal A Lanterna. Tamanho foi o impacto das ideias libertárias em sua trajetória que Everardo Dias fundou o periódico O Livre Pensador, participou da greve geral de 1917 e, no momento de sua prisão, era um assíduo colaborador do jornal anarquista A Plebe.

Everardo Dias foi preso no dia 27 de outubro de 1919, quando deixava o seu trabalho em São Paulo. Sem ter cometido crime algum foi preso, levado para a prisão da Vila Mathias em Santos, castigado com vinte e cinco chibatadas, deixado nú, sem alimentação e sem água por quatro dias, até ser deportado com outros vinte e dois libertários para a Europa. Muitas pessoas se manifestaram contra essa injustiça, como o poeta, nascido em Cubatão, Affonso Schmidt. O grupo que mais se dedicou na campanha pela libertação dos trabalhadores foi o Centro Feminino Jovens Idealistas, que distribuiu inúmeras listas para recolher recursos em favor dos presos e deportados, assim como de suas famílias.

O livro Memórias de Um Exilado – Episódios de Uma Deportação, escrito por Everardo Dias, como uma espécie de diário narra o cotidiano das prisões, a deportação dos sindicalistas revolucionários e o seu retorno ao Brasil, após mais de três meses. Porém, é muito mais do que isso, trata-se de um precioso documento de época, narrado na primeira pessoa, que testemunha a luta dos trabalhadores e a agitação social no final de década de 1910, especialmente em Santos, São Paulo e no Recife. Registra as arbitrariedades do governo brasileiro na repressão aos trabalhadores em greve (em especial aos anarquistas), a espionagem, as manobras policiais para burlar as próprias leis federais e prejudicar os habeas corpus em defesa dos prisioneiros.

O livro retrata, primordialmente, as horríveis condições carcerárias, o cotidiano das prisões: os regulamentos, as tensões, a linguagem usada pelos prisioneiros, os castigos e violências de toda espécie, as relações dos presos com as autoridades da cadeia, do carcereiro ao diretor, as condições (e falta) de alimentação, higiene pessoal e coletiva, alojamento, o estado físico e psicológico dos prisioneiros, as mudanças frequentes dos presídios.

Em poucas palavras: Memórias De Um Exilado é um quadro histórico emblemático que expressa o sistema penal, a sociedade de seu tempo e o esforço e a organização dos trabalhadores em busca da sua emancipação social. Leitura essencial para quem deseja conhecer mais a história das lutas sociais no Brasil e como foram desenvolvidas as condições carcerárias da atualidade”.

>> Confira o vídeo (03:38) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=x3CZ6WOPbN4

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O gato no cio
mia e remia
canta ao desafio

Eugénia Tabosa

[França] Comunicado: Apoio a Yinnis Michalidis

Libertem nosso camarada Yinnis Michalidis, anarquista grego em greve de fome

Ele é conhecido por apontar um arco e flecha contra o Parlamento durante uma manifestação em 23 de fevereiro de 2011, mas também por participar de vários assaltos a bancos para financiar lutas revolucionárias na Grécia.

Yinnis passou mais de 8 anos e meio na prisão, e foi até torturado. Apesar de ter cumprido suas sentenças, as autoridades se recusaram a liberá-lo por vários meses, sob o pretexto de que ele se recusa a renunciar a seus compromissos passados e a assinar uma promessa de nunca mais o fazer.

Após vários processos judiciais infrutíferos contra o Estado, Yinnis finalmente iniciou uma greve de fome no dia 23 de maio.

Muitas pessoas pensavam que o Estado iria ceder, porque Yinnis está dentro de seus direitos e também porque as manifestações em sua honra estavam crescendo. Mas o governo persiste e se recusa a liberá-lo. Seu último relatório de saúde menciona o risco de morte iminente.

A Federação Anarquista apoia Yinnis Michalidis e condena a implacabilidade do Estado e as sanções contra nossos camaradas gregos. Apelamos à solidariedade internacional.

Apoiamos todos os coletivos e todas as organizações que coordenam a luta para libertar Yinnis.

Morte às prisões, morte ao capitalismo.

Que morram todos os poderosos e os governantes deste mundo.

Federação Anarquista

8 de julho de 2022

federation-anarchiste.org

agência de notícias anarquistas-ana

Em meio ao capim
de onde sopra o vendaval,
lua desta noite.

Miura Chora

 

[Grécia] Ataque ao amanhecer contra a polícia e deputado do Nova Democracia

Na madrugada desta quinta-feira (07/07), um grupo de anarquistas atacou com molotovs uma tropa de choque da polícia em Exarchia, Atenas, e detonou um dispositivo incendiário na entrada do prédio onde mora o deputado do partido Nova Democracia Babis Papadimitriou.

O ataque foi assumido em solidariedade ao anarquista preso Yinnis Michalidis, que está em greve de fome desde 23/05. Ele ficou conhecido como o “Toxovolos tou Syntagmatos” (Arqueiro da Constituição) quando atacou o prédio do Parlamento durante os distúrbios de fevereiro de 2011 usando um arco e flecha.

Ele está cumprindo pena de prisão por assalto a banco à mão armada e tentativa de homicídio durante um conflito com policiais em Pefki, norte de Atenas.

Desde o início do ano, ele busca sua liberdade condicional depois de cumprir um terço da pena de 20 anos de prisão. Ele está em greve de fome há 45 dias, após duas decisões da promotoria que rejeitaram seus pedidos de libertação.

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Vento refrescante
que se contorcendo todo
chega até aqui.

Issa

[Grécia] Fixação de uma faixa gigante em solidariedade com o anarquista em greve de fome Yinnis Michalidis

Na terça-feira 05/07 uma faixa gigante foi afixada em solidariedade com o anarquista em greve de fome desde 23/05 Yinnis Michalidis, em um imóvel abandonado em Agia Paraskevi, na avenida Messogion.

Libertação imediata do companheiro.

A luta pela liberdade de um, é a luta pela liberdade de todos e todas.

Coletivo Anarquista/Antiautoritário,

em uma trajetória de conflito

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O rosto do filho –
Com a brancura do talco
o vento de outono.

Kuroyanagi Shôha

[Grécia] Informações sobre a intervenção no concerto do Lex

No domingo 03/07, fizemos uma intervenção solidária para o anarquista em greve de fome  Yinnis Michalidis, que entrou em greve de fome em 23/05, no concerto do Lex [cantor popular grego]. A intervenção ocorreu no estádio lotado de Nea Smyrni, onde cerca de 25.000 pessoas tinham vindo ao concerto. O texto produzido pela assembleia foi lido, as faixas foram abertas e prevaleceu uma atmosfera calorosa e comovente. A resposta do povo no concerto foi muito positiva e, às vezes, eles abraçaram a intervenção gritando slogans.

A intervenção foi realizada para divulgar a 4ª marcha Pan-helênica em solidariedade ao companheiro Yinnis Michalidis, que foi convocada para o sábado 09/07, às 18h00, na Praça Eleftherias, em Lamia. Na cidade onde nosso companheiro, um prisioneiro e grevista de fome, está sendo tratado “preventivamente”. Na mesma cidade onde se espera que o Conselho do Tribunal de apelação examine seu pedido de soltura. Na mesma cidade onde na quarta-feira 06/07 ele foi notificado de uma rejeição de proposta de soltura por um promotor.

TODOS PARA A MARCHA EM 09/07, 18h00, EM LAMIA

A LUTA PELA LIBERDADE DE UM É UMA LUTA PELA LIBERDADE DE TODOS E TODAS

LIBERTAÇÃO IMEDIATA DO COMPANHEIRO YINNIS MICHAILIDIS

Vídeo da intervenção: https://www.youtube.com/watch?v=QNsiZQUCKSQ

Assembleia de solidariedade com o anarquista em greve de fome Yinnis Michalidis

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De ponta-cabeça,
O rouxinol entoa
As primeiras notas.

Takarai Kikaku

[Grécia] Intervenção no Centro Cultural da Fundação Stavros Niarchos, em Atenas

No sábado 02/07, 41º dia da greve de fome do anarquista em prisão “preventiva” Yinnis Michalidis, realizamos uma intervenção no Centro Cultural da Fundação Stavros Niarchos [local onde fica a Biblioteca Nacional da Grécia e da Ópera Nacional Grega, além do Parque Stavros Niarchos]. O povo solidário da assembleia, cerca de 40 pessoas, realizou uma marcha fechada dentro das instalações da Fundação. Slogans foram gritados, folhetos foram espalhados e uma faixa gigante foi pendurada. Depois de permanecer na área por vários minutos, saímos com segurança e a intervenção foi concluída com sucesso.

A LUTA PELA LIBERDADE DE UM É UMA LUTA PELA LIBERDADE DE TODOS E TODAS
A DETENÇÃO POR TEMPO INDETERMINADO DO GREVISTA DE FOME DEVE TERMINAR IMEDIATAMENTE
LIBERTAÇÃO IMEDIATA DO ANARQUISTA YINNIS MICHALIDIS

Assembleia de solidariedade com o anarquista em greve de fome Yinnis Michalidis

Vídeo da intervenção: https://www.youtube.com/watch?v=4gEPOLpGygM

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O vento de outono
Atravessando a campina –
Rostos de pessoas.

Uejima Onitsura

Reivindicação de atentado explosivo contra Besalco S.A, Chile

Temos que mudar esta forma de vida pacífica, tranquila, simples, sem que não tenha nada, que seja uma rotina todos os dias. Tem que ter sobressalto para que seja vida, sobressalto permanente. Tem que ter alegria e dor, tem que ter raiva e ódio.” – Luisa Toledo.

Quando há muitos sem honra, sempre haverá outros que levam consigo mesmos a honra de muitos“.

Na noite de terça-feira, de 5 de julho, após as 23 horas,atacamos a empresa Besalco S.A, na esquina de Ebro com Encomenderos, na abastada comuna de Las Condes. A partir do ano de 2002 se iniciam as primeiras licitações para implementar o sistema concessionado de prisões no Chile, um total de 8 cárceres seriam distribuídos entre as empresas concorrentes para sua construção e administração. A empresa Besalco junto à Sociedade de Concessões do Chile e Sodexo Chile, formam o Grupo 1 e ficaram encarregadas das penitenciárias de Alto Hospicio, La Serena e Rancagua. O Grupo 2(Sodexo Chile) foi atribuída a concessão dos cárceres de Concepción e Antofagasta. Finalmente o Grupo 3 (Vinci Construction) administra as penitenciárias de Santiago 1, Valdivia e Puerto Montt.

O sistema concessionado funciona com as empresas exercendo serviços de asseio, alimentação e infraestrutura no interior das prisões, enquanto que o Estado através da Gendarmaria administra a custódia dos/as prisioneiras/os. O negócio é redondo para as empresas, a superpopulação não é um problema para estes miseráveis, já que por cada prisioneiro/a adicional ao máximo que estas mesmas empresas impõem, o Estado deve indenizá-las. Os gastos são reduzidos ao mínimo para que os lucros sejam maiores, por isso, as condições no interior das penitenciárias são deficientes.

Estes grupos empresariais não só participam no negócio dos cárceres no Chile, mas teceram com os anos um monopólio que se expande por todo o mundo, administrando prisões de diferentes países. A ação insurreta os encontra e consegue atacá-los, porque se desprezamos os guardiões servis da Gendarmaria, desprezamos também aos que encontram um negócio na superlotação, torturas e vexames.

No interior do cárcere de Rancagua, administrada pela nefasta empresa que atacamos, estão prisioneiros os companheiros Juan Aliste Vega, Marcelo Villarroel, Joaquín García e Francisco Solar, a quem enviamos uma anárquica saudação. Saudamos também a companheira Mónica Caballero, sequestrada no cárcere de San Miguel.

Faz um ano a companheira Luisa Toledo encontrou a morte após uma longa vida de combate, resistência e dignidade, deixando em sua história milhares de lições, ensinos e clareza para enfrentar a autoridade e o capital. Luisa detestava as posições mornas e cinzas, defensora da ação de rua, dos capuzes e da rua em chamas, por isso, nesta noite fria, recordamos a companheira mediante o estrondo. Levamos a ação em nosso sangue, que ferve para recordar a nossos mortos.

Saudamos aos companheiros Yiannis Michailidis, Giorgia Voulgari e Thanos Xatziagkelou, em greve de fome na prisão de Korydallos, Grécia.

Aos companheiros na Itália, Bielorrússia, Indonésia, México, Alemanha, Bélgica… que o ataque autônomo se expanda sem piedade contra o poder, em todas as direções.

Recordarmos o weichafe Pablo Marchant assassinado faz um ano nas mãos da polícia.

A nossos companheiros mortos em ação, Mauricio Morales, Sebastián Oversluij, Claudia López, Jony Cariqueo, longa vida a sua memória.

A todas as células de ação que atacaram durante os últimos tempos, toda nossa força e cumplicidade. Que o ataque não diminua, que se potencialize e encontre suas amplas expressões de destruição.

Nos solidarizamos com o companheiro Marcelo Villarroel, que resiste nos cárceres da democracia! Ante o rechaço de sua liberação, temos que estar na rua agitando por sua pronta saída.

A multiplicar o agir autônomo!!!

A dinamitar os bairros dos ricos e poderosos!!!

Nada acabou, a guerra com o poder continua!!!

Grupo de Acción 6 de Julio

Nueva Subversión

Tradução > Sol de Abril

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Parece gostosa
a neve que chega em flocos
tão suavemente.

Issa

Seminários Fronteiras de América – Zapatismo Contemporâneo

|| Terça-feira, 12 de julho – 18h30, hora de Brasília ||

Esta aula, apresentada pelo Prof. Cassio Brancaleone, da UFFS, Universidade Federal da Fronteira Sul, consiste no segundo encontro do Seminário Fronteiras de América, realizado como atividade aberta do Tópico em História da América – Pensamento social latino-americano, do curso de História da Unirio. Nela serão apresentados os modos de organização das comunidades zapatistas em Chiapas, México, os princípios de autogestão e de horizontalidade dos caracóis.

>> Transmissão pelo canal da Escola de História:

https://www.youtube.com/watch?v=XqlxMRHe9ig

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Viagem de anciões,
Cabelos brancos, bastões
– visita aos túmulos.

Matsuo Bashô