[Espanha] O anarquista italiano Alfredo Cospito está em greve de fome há dois meses

Hoje 20 de dezembro completam dois meses desde que o anarquista italiano Alfredo Cóspito iniciou uma greve de fome.

Durante a celebração da audiência que aconteceu no Tribunal de vigilância de Sassari anunciou que iniciava uma greve de fome contra o regime carcerário do 41 bis no qual se encontra atualmente e contra a prisão perpétua sem possibilidade de revisão.

Alfredo é um anarquista que está desde os anos 80 na primeira linha de luta, no final desta época foi encarcerado por insubmissão ao serviço militar obrigatório. Em 2012 foi detido e durante o julgamento reivindicou o disparo na perna contra o dirigente da Ansaldo Nucleare Roberto Adinolfi, ação realizada pelo Núcleo Olga/Federação Anarquista Informal- Frente Revolucionária Internacional em 7 de maio do mesmo ano em Gênova.

Alfredo transcorreu ininterruptamente seus últimos 10 anos no cárcere nas seções de Alta Segurança até seu translado ao 41 bis. O 41 bis é um regime carcerário destinado à aniquilação do preso, enquanto está estudado para provocar danos físicos e mentais através da técnica de privação sensorial; se trata de uma condenação à morte política e social, que busca romper cada forma de contato com o exterior. Em 2016 esteve envolvido na operação Scripta Manent, acusado de associação subversiva com finalidade de terrorismo e de múltiplos ataques explosivos. Na sentença definitiva emitida pela Corte de Cassação em julho do presente ano, se reformulou a condenação para Alfredo e Anna Beniamino a “massacre político”, delito que prevê unicamente a pena de prisão perpétua. O Estado italiano, que sempre protegeu os fascistas perpetradores de verdadeiras matanças (como os massacres de Bolonha ou de Piazza Fontana), agora quer condenar por massacre a dois anarquistas por um ataque que não provocou nem vítimas nem feridos.

Essa privação de comunicação leva a justiça a impedir a difusão de sua declaração em 20 de outubro, o silenciaram quando começou a falar e impedem seus familiares e amigos de entrar na audiência.

Itália é o berço do fascismo, faz uns meses vimos como a ultradireita ganhou as eleições e ainda que pensemos em uma sociedade livre e democrática, não fazemos mais que ver como os poderes fáticos e a justiça burguesa atacam uma e outra vez os movimentos libertários.

Desde a CGT denunciamos e denunciaremos como já o fizemos com Giannis Michailidis, as injustiças da justiça, a corrupção dos governos, a hipocrisia da imprensa comprada pelos grandes lobbies e definitivamente os abusos de poder contra qualquer luta justa e livre.

LIBERDADE SEMPRE, luta COMPROMETIDA E IDEAIS DE luta ANARQUISTA!

Secretariado Permanente do Comitê Confederal

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

nuvem grávida
ao entardecer
primeira chuva de verão

Alonso Alvarez

[Espanha] Gráfica anarquista: dois meses de memória viva do fotojornalismo ácrata

Esta semana terminamos a desmontagem da exposição Gráfica anarquista: Fotografia e Revolução Social, 1936-1939; as peças originais da mostra regressam ao arquivo da Fundação e as reproduções fotográficas vão de volta ao Arquivo Fotográfico de Barcelona (AFB).

Atrás ficam quase dois meses de mostra… Inaugurada em 6 de outubro, as petições de prorrogação do público assistente nos fizeram prolongar o período de visita até o dia 2 de dezembro. Em todo esse tempo, foram numerosas as pessoas, muitas delas organizadas em grupos, que passaram pela sede madrilenha da Fundação para não perder a mostra que homenageava o trabalho gráfico de fotojornalistas da dimensão de Pérez de Rozas, Antoni Campañà, Margaret Michaelis ou Kati Horna; nomes próprios que, como explicamos na mesa redonda sobre anarquismo e criação gráfica, são só uma pequena mostra do enorme potencial criativo do movimento libertário de ontem e hoje.

A mostra também serviu para pôr sobre a mesa o trabalho colaborativo dos investigadores, investigadoras, grupos de memória e organizações como a FAL — a fundação da CNT — em prol da recuperação da fecunda história do anarquismo ibérico; uma história que não servirá de objeto de museu, mas de memória viva e semente de aprendizagem para as lutas de hoje.

Agora o rumo da exposição, co-organizada pela FAL, o Arquivo Fotográfico de Barcelona, OVQ e o Ateneu Enciclopédico Popular, prossegue seu curso por outros caminhos. Chegue aonde chegar, não percas a oportunidade de visitá-la.

fal.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

O rio de verão —
Que alegria atravessá-lo
De sandálias à mão.

Buson

[Espanha] CNT aprova a criação de uma caixa de resistência confederal

A caixa de resistência confederal permitirá priorizar greves ofensivas e o secretariado deverá armá-la segundo os critérios aprovados no XII Congresso, celebrado em Granollers.

A CNT aprovou em seu XII Congresso, celebrado no primeiro fim de semana de dezembro, a criação de uma caixa de resistência confederal. A central anarcossindicalista dotará a caixa de um fundo inicial e financiará com uma parte da quota mensal da filiação e colaborações do sindicato. Até agora, a CNT se organizou constituindo caixas de resistência para conflitos concretos, caixas que são mais fácil de nutrir em greves mais midiáticas — as que afetam a um maior número de trabalhadoras — e mais difícil nas que passam desapercebidas da opinião pública.

A caixa de resistência confederal permitirá priorizar greves ofensivas e o secretariado deverá armá-la segundo os critérios aprovados. Após UGT e USO, a CNT será o terceiro sindicato de implantação estatal com caixa confederal própria.

Esta é uma das novidades de um congresso que não se celebrava desde 2015 e ao qual se apresentaram mais de 180 propostas. Após uns dias de descanso, dele fica um agradável sabor de boca: “Como organizadores, gostaríamos de destacar que foi um congresso de consenso no qual quase todas as propostas foram aprovadas por unanimidade ou com maiorias muito amplas, muitas propostas foram reformuladas e praticamente não houve votos particulares”, assinala Genís Ferrero, secretário de ação sindical na Catalunha e Vallès Oriental. O congresso se celebrou em Granollers.

Entre as decisões adotadas em ação sindical, destaca o reforço e a consolidação do gabinete técnico confederal, a proposta aprovada de prevenção de riscos e seguimento da sinistralidade laboral e a necessidade de reivindicar a liberdade sindical, uma reivindicação que afeta profundamente a CNT desde que na Transição se decidiu primar a representatividade sindical através de eleições sindicais em vez da representação direta.

Na ação social, o congresso aprovou reforçar a Fundação Anselmo Lorenzo e realizar um plano integral de formação a vários anos vista para a militância, o qual se espera que aporte estabilidade e uma estrutura mais sólida ao sindicato. Ao mesmo tempo, destaca a “decisão agenda 2036”, que consistirá em elaborar um marco teórico sobre as mudanças de tendência de ciclo, na qual prevem que a crise climática seja mais acusada e que os estados e o neoliberalismo abandonem a mais partes da população. O marco teórico serviria de base ou passo prévio para vinculá-la às propostas laborais e políticas adotadas pela CNT, como o decrescimento.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/laboral/cnt-aprova-creacion-caixa-resistência-confederal

Tradução > Sol de Abril

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cerveja gelada
amigos no boteco
palavra molhada

Carlos Seabra

[Espanha] O regime iraniano continua condenando à morte as pessoas que lutam pelos direitos humanos

Nestes últimos dias, enquanto mais de meio mundo seguia através de uma tela a celebração do mundial de futebol no Catar, país em que os direitos humanos e os direitos das mulheres brilham por sua ausência; o regime iraniano, novamente, ditava várias sentenças de morte contra pessoas que lutam por estes direitos.

No primeiro caso, o cidadão Curdo Mohammad Mahdi Karami, foi detido durante os protestos pelo assassinato da jovem de 20 anos Hadis Najafi en Karaj, acusando o detido de ‘moharebeh’ (inimizade com Deus), sendo submetido a graves torturas físicas e psicológicas durante sua detenção.

No segundo caso, muito mas midiático que o anterior, o governo iraniano pretende executar ao menos 20 pessoas, entre as quais se encontra o jogador de futebol profissional Amir Na sr Azadani, estas pessoas foram detidas durante os protestos que estouraram no país após a morte da jovem Mahsa Amini, aos quais também acusam de ‘moharebeh’ e uma falsa participação, da qual não existe prova alguma, em participar na morte de 3 agentes de segurança em 16 de novembro passado.

Desde a CGT exigimos a intervenção imediata do Ministério do Interior em ambos assuntos, e que este, através da União Europeia ou de qualquer outro estamento necessário, interceda para paralisar estas condenações. O Ministério do Interior tem que servir para algo mais que passear pelo mundo e fazer fotos com seus homólogos, e este é o momento de demonstrá-lo.

Do mesmo modo, desde a CGT fazemos um chamado a toda a sociedade para que participe nos protestos que se realizam por estes dois temas. Não podemos olhar para o outro lado enquanto haja um só lugar no mundo no qual se vulnerem os direitos humanos.

Secretariado Permanente do Comitê Confederal

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/el-regimen-irani-continua-condenando-a-morte-a-las-pessoas-que-lutam-por-los-direitos-humanos/

Tradução > Sol de Abril

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Frases compostas
no sol que passeia
sob minha caneta.

Jocelyne Villeneuve

Podcast | Antinomia #79: Já pode criticar? Governo de transição e anarquismo

Ao longo dos últimos meses o cenário político foi intenso, eleições, fake news, pedidos por intervenção militar e finalmente o famigerado governo de transição. Frente a uma esquerda que nem assumiu o mandato e já se desintegra, analisamos alguns dos eventos recentes e refletimos para as consequências mais imediatas do novo mandato da chapa Lula-Alckmin. Mas como nem tudo é só política eleitoral, também trazemos no quadro, Vamos falar de Anarquia, um pouco do que rolou no 3 Congresso Internacional de Pesquisa sobre Anarquismo e na XII Feira Anarquista de São Paulo. Quer saber mais? Dá play! 

>> Aqui:

https://open.spotify.com/episode/4Ekyyw5QnYAAuZMAMXBAhl?si=_n1pBuQ9TnqhG9IuBYZaCQ&fbclid=IwAR3u8NRCBiiiSmoVCbpVHFeR6EG0_6cB7-yo1wf65k7zhynJ01q48Wwe2OA&nd=1

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velhinha na janela
todo mundo que passa
é visita pra ela

Ricardo Silvestrin

[Peru] Apoie o Centro Social Manuel Gonzalez Prada de Lima

O Centro Social Anarquista Manuel González Prada foi inaugurado e apresentado em 17 de setembro de 2022. É um fato histórico estruturar e dar vida a um local destas características, pois se trata de um espaço amplo com várias salas, onde principalmente haverá uma Biblioteca “Emilio López”, Hemeroteca, Videoteca e Arquivo Histórico do anarquismo na região peruana. O Centro Social também conta com um espaço para crianças recentemente inaugurado “Educar en Libertad” e uma Sala para palestras, apresentações, conferências e vídeos. O arquivo foi implementado em grande parte pelo acervo do Centro de Investigações Libertárias, com bastante material para ser catalogado e divulgado.

A importância de um Espaço deste tipo se reforça mais justamente com o caráter de Centro Social Cultural, o qual busca integrar o bairro circundante com as atividades educativas, culturais e sociais que se brindarão gratuitamente. Os/as que participamos do Centro Social temos vasta experiência em múltiplas iniciativas ácratas: Jornadas, Encontros, Marchas, Jornais, Coletivos, Editoras, etc., e buscamos, como ideia transcendental, difundir os ideais libertários de Manuel González Prada, por isso nosso local leva seu nome.

Somos anarquistas e nos sentimos honrados de que o Centro Social (ou Ateneu Anarquista) leve o nome de tão ilustre companheiro, mas sabemos que o que precisa é um árduo trabalho de difusão política à altura das circunstâncias. Desde muitos anos, como libertários, que não tínhamos a materialidade de um espaço e isto implica uma grande responsabilidade que se verá plasmada no que faremos no futuro. É um desafio e uma satisfação real montar passo a passo, prateleira por prateleira, livro por livro… todos os nossos sonhos e ideais, pois isto é só o começo do que queremos organizar.

As tarefas que urgem implementar em nosso CSMGP são:

  • Terminar a implementação de nossa biblioteca anarquista “Emilio Lopez” com a compra de mesas, estantes, mobiliário, luzes, e um computador. A hemeroteca e a videoteca que é abundante terão um espaço próprio em nosso CS. Contamos com mil livros específicos em classificação.
  • A compra de 4 mesas pequenas e suas respectivas cadeiras para nosso espaço para crianças “Educar en Libertad”. Estantes para a biblioteca e andar de recreação. Materiais para as diversas oficinas. Além de jogos didáticos.
  • A implementação da sala de eventos. A mesma que servirá para recitais de poesia, conferências, ciclos de cine, oficinas, e demais atos culturais. Para isto necessitamos comprar 30 cadeiras para o público, um projetor, uma tela.
  • Acondicionamento do quarto de hóspedes. Reparar as paredes, tetos e pintá-las.
  • A compra de material para cobrir a parte traseira do CS.
  • Acondicionamento da livraria, compra de estantes e demais materiais.

Todos vocês sejam bem-vindos ao novo Centro Social Manuel González Prada (Palca 228, Cercado de Lima).

>> Apoie clicando aqui:

https://www.gofundme.com/f/Apoio-centro-social-manuel-gonzalez-prada-de-lima?

Tradução > Sol de Abril

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Eu limpo meus óculos
mas vejo que me enganei.
É lua nublada.

Neide Rocha Portugal

[Espanha] Anarquismo e revolução negra

Na palestra apresentada por Lluis Guix, gerente do restaurante e da livraria Anonims, ele nos apresentou o palestrante Williams C. Anderson, um escritor estadunidense ligado ao movimento anarquista, com tradução simultânea do inglês para o espanhol. Williams logo começou a mergulhar na história do movimento revolucionário e do partido dos Panteras Negras nos Estados Unidos, que desafiou a brutalidade policial. Ao mesmo tempo, ele destacou duas figuras fundamentais que influenciaram muito seu trabalho como escritor, de um lado Martin Sostre, ativista e advogado reconhecido por sua luta no movimento pelos direitos dos presos e sua influência na melhoria e retificação do sistema prisional; e do outro, a figura de Lorenzo Kom`Boa, escritor e anarquista, um ex-militante dos Panteras Negras que atualmente é líder e organizador comunitário.

Esta influência leva o escritor Williams C. Anderson a entender as ideias anarquistas como uma possibilidade de ruptura que oferece uma análise racial diferente rejeitando a violência do estado, tornando-se uma ferramenta transformadora relevante contra estados que reprimem as pessoas e ameaçam a vida e a natureza.

William relata a vida daqueles marginalizados pelo poder (ou cidadãos de segunda classe) que têm experiências de organização, sobrevivência e autogestão, e que explicam alguns dos novos paradigmas do presente com uma longa visão do futuro. Ao mesmo tempo, gera novas teorias para resolver certos problemas atuais e a situação política nos EUA, buscando a beleza do coletivo, emergindo do individual.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/anarquismo-y-revolucion-negra/

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os raios de sol
iluminam de manhã
o velho farol

Carlos Seabra

[Portugal] Está nas ruas mais uma edição do Jornal MAPA (edição 36 – Dez/Fev)

Para terminar 2022, fomos de encontro aos novos trilhos do cooperativismo e da economia solidária a propósito do 1.º Fórum das Cooperativas Integrais, o que levou a revisitar o comunitarismo do nosso mundo rural, em torno das “conversas com gentes da terra” nas aldeias e baldios da Serra d’Arga. Uma vez mais ecoa nas nossas páginas o exasperar migrante com o relato de uma médica portuguesa, na fronteira da Sérvia com a Hungria. E no que igualmente toca aos direitos humanos, insistimos em publicar na primeira pessoa cartas de presas das cárceres portuguesas. E porque a habitação é um campo de batalha, falamos da resistência aos despejos no bairro do 2º Torrão (Almada) e dos movimentos em Lisboa pelo direito à habitação.

Das ruas da capital conta-se ainda a história das “Manas”, pessoas utilizadoras de drogas, migrantes, trabalhadoras sexuais ou moradoras de rua, que se reúnem em coletivo rompendo contra a sua invisibilidade. De outras temáticas se faz ainda este MAPA, escrevendo Joana Martins, enquanto antropóloga, feminista, pagã e bruxa, sobre o neopaganismo em Portugal. Há ainda espaço para uma crônica sobre o delírio e as ilusões coletivas da mais recente edição do Web Summit e para os testemunhos da guerra e da migração recolhidos num encontro de ativistas europeus. Entre propostas de leituras diversas, assinalamos o documentário “As Brigadas Revolucionárias na Luta Contra a Ditadura (1971-1974)”. Sem deixar de fora apontamentos às escolas ocupadas em Novembro reivindicando o fim dos combustíveis fósseis, entre outras matérias mais que poderão ser lidas nesta edição do Jornal MAPA.

Esta edição encerra uma década de Jornal MAPA, um projeto de informação crítica que nasceu em 2012 durante o ciclo de crise social e econômica iniciado em 2008 e se mostra pronto para novamente ligar pontos no mapa durante a próxima crise que se avizinha.

Como não podia deixar de ser necessitamos de todo o apoio para cá continuarmos e, concretamente, da vossa assinatura. Basta ir a https://www.jornalmapa.pt/assinatura-do-jornal/

www.jornalmapa.pt

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tomando banho só
no riacho escondido –
cantos de bem-te-vis

Rosa Clement

A vingança das crianças

Por Ari Soares

Neste fim de ano eu gostaria que ninguém perdoasse ninguém a menos que merecesse.

Neste fim de ano eu gostaria que ninguém sentasse à mesa com alguém que não gostasse.

Neste fim de ano eu gostaria que ninguém presenteasse ninguém com presentes artificiais.

Eu realmente gostaria que este clima falso não estivesse pesando sob as mentes das pessoas que não se deixam enganar por momentos tramados e passageiros.

Este fim de ano eu gostaria que as crianças sequestrassem Papai Noel e o espancassem. Depois libertassem as renas do jugo desse capitalista. E que lhes enviassem uma carta bomba, caso ele consiga fugir, quem sabe libertado por aqueles malditos duendes que se deixam escravizar pelo tirano Noel.

Gostaria que seu saco de presentes capitalistas, que corrompe a mente ingênua das crianças, fosse roubado por “crianças de rua” e que os presentes, produtos de furto, fossem distribuídos pelas favelas deste mundo.

Basta apenas querer enxergar para ver quantos cifrões se escondem por detrás daquela pança e daquela barba de maldito bom velhinho risonho.

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Vamo-nos, vejamos
a neve caindo
de fadiga.

Matsuo Bashô

 

 

[Chile] Companheira Claudia Lopez, Presente!!!

Com sua Dança Rebelde, entre pedras e barricadas, você dançou aquele 11 de setembro de 1998 em La Pincoya.

Cada movimento se misturava com os versos de sua poesia subversiva.

Naquela noite, enquanto sua dança estava se transformando em fogo e esperança, sua vida foi tirada, um tiro covarde nas costas, das mãos da yuta [polícia] bastarda.

Querida Claudia, nunca nos conhecemos nesta vida, mas graças às histórias de sua amiga Paz, hoje sei um pouco mais sobre você, sua ternura, seu amor e sua força.

Sou grata pelo olhar sincero e pelos abraços de Paz, eles me transportaram até você, ao seu amor pela vida e ao mesmo tempo à sua raiva pelas injustiças pelas quais continuamos a lutar hoje.

Hoje comemoramos você Companheira, modelando na parede sua bela dança com seus queridos gatinhos: Lechuza, Preciosa e Paty.

Você também nos oferece lindas frésias amarelas, suas flores favoritas, para que nos lembremos de você para sempre.

Em nossos corações negros será sempre aceso o fogo de sua Dança, em nossa memória sua poesia e em cada ação direta sua convicção, subversão e rebeldia.

Companheira Claudia Lopez, Presente!!!

(A)

Naty Kaleida Blue

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Neste bosque urbano
árvore feita em concreto
– meu corpo estremece.

Eolo Yberê Libera

[Espanha] Gratidão e reconhecimento pelo último congresso da CNT

Diante das narrativas do fim do mundo e da impotência política, este congresso traz imaginação e planos para realizar, abandonando posições defensivas e passando à ofensiva sindical.

Sou um dos milhares de afiliados da CNT que nestes dias estão começando a receber notícias do congresso que terminou em Canovelles no dia 6 de dezembro. O trabalho das pessoas que fizeram parte das delegações e da organização tem tido seu preço e agora elas devem um merecido descanso. Mas isto não deve nos impedir de começar a avaliar o cenário que se abre após este congresso.

A primeira coisa é ressaltar que a importância deste congresso da CNT transcende os contornos de sua organização e, creio, é de interesse para o resto do espaço sindical combativo, para o movimento libertário e, por que não, para o resto das famílias socialistas.

Começo com o que é mais específico da CNT: seu compromisso com seu próprio modelo sindical. A prática sindical da CNT tem sido uma raridade durante décadas. Mas por sermos aparentemente maximalistas, ideologizados e caprichosos, nos tornamos uma proposta original, independente e pró-ativa. Em resumo, a linha é desenvolver uma luta pela liberdade sindical colocando todo o protagonismo nas próprias instituições da classe trabalhadora: os sindicatos.

Cabe a eles tomar a iniciativa de defender os direitos trabalhistas e políticos da classe trabalhadora, não ao legislador ou às mesas de negociação e ao diálogo social. Isto, que pode ser uma afirmação compartilhada por amplos setores, tem uma tradução prática na CNT que não tem em outras organizações: colocar nossa força militante à disposição de uma ofensiva sindical para ampliar o alcance do que é possível através da ação sindical direta. O exemplo mais recente está na Galiza, com a greve do consórcio IeB, na qual centenas de trabalhadores da Xunta retrataram a representação unitária como uma máscara oca para a organização independente da força de trabalho no contexto geral das estabilizações no setor público. É claro que também vemos exemplos desta luta nos reveses, como as sentenças do caso La Suiza, que visa punir a ação sindical da CNT.

Construindo o novo sindicalismo

O congresso reforça esta linha de trabalho, abandonando posições defensivas e passando à ofensiva sindical. Neste sentido, o congresso da CNT é mais uma vez uma raridade, mas porque longe de se limitar à lamentação ou reclamação, ele propõe mecanismos de luta ofensiva para estender os direitos e liberdades políticas da classe trabalhadora. Diante das narrativas do fim do mundo e da impotência política, este congresso traz imaginação e planos para realizar.

Uma agenda própria

A trajetória da CNT após os pactos de Moncloa de 78 é relativamente bem conhecida: de ser um sindicato de centenas de milhares de membros a ser reduzida ao mínimo de expressão após várias cisões, rupturas e saídas massivas de militantes. A trajetória mudou há pouco mais de uma década, quando a CNT retomou o crescimento e a projeção que lhe permitiria tornar-se um sindicato relevante mais uma vez.

Mas esta mudança de trajetória não mudou a natureza independente do sindicato. Para uma organização marginal ser independente é natural por causa de seu pequeno tamanho. Mas para que um sindicato com milhares de membros seja uma estrutura autogerida e autônoma é outra raridade. E a CNT está sendo capaz de manter aquela autonomia organizacional que, e isto é o que é importante, lhe permite reunir os interesses da classe em seu meio sem a mediação de outros tipos de tendências: as pessoas não estão aderindo por causa de afinidade ideológica ou recomendação partidária, mas por causa de seu puro interesse de classe.

Isto não significa que a CNT seja um farol de luz imaculada, ou que seja o graal de uma nova força proletária. Talvez o oposto seja verdade. Talvez esta impermeabilidade a outras tendências torne a CNT especialmente sensível à espontaneidade e à interferência das correntes políticas que permeiam a sociedade. Mas é justamente aqui que reside a importância da soberania organizacional de que estamos falando. A agenda própria não significa isolamento ou auto-referencialidade, embora possam ser confundidas. Sua própria agenda é quando age sobre uma realidade que impõe tendências do exterior. Esse é o verdadeiro mérito.

O que tudo isso significa? Que a CNT é, hoje, um exemplo do que significa ter uma agenda própria e a capacidade de defini-la de forma autônoma. Uma raridade. Por exemplo: há 7 anos, em seu congresso anterior, a CNT escolheu definir-se como feminista e adotou um conjunto de acordos sobre as trabalhadoras que pode ser explicado pela ascensão do movimento feminista na última década. Esta orientação foi a chave para chegar às greves feministas de 2018 e 2019 com seu trabalho de casa feito, em contraste com outras organizações e correntes políticas que tiveram que debater entre o seguidismo e a indiferença (ou a birra impotente).

Nestes tempos de volatilidade e dispersão, quando todos os dias há novas notícias e posições políticas se tornam como palhetas meteorológicas, a CNT mantém uma surpreendente coerência interna com seus eixos fundamentais. Aí, manter sua própria agenda independente é a principal explicação.

Consenso, coesão e cordialidade

Uma organização é um ninho de vespas. Um congresso de uma grande organização é uma caixa de bombas. As situações não são confortáveis. Há camarilhas, há corredores, há aparato(s). E existem porque há poderes em disputa, porque uma organização com milhares de membros tem recursos e capacidades que são em si mesmas uma potência social, em sua própria escala. Negar é tolice, ignorá-lo é imprudente. Mas também não podemos afirmar a existência de tensões para chafurdar nelas: devemos encontrar uma forma de coexistir com as tensões, de mediar conflitos e institucionalizar as instâncias de poder interno para que o consenso seja possível, a coesão sobreviva e a cordialidade seja a condição para a possibilidade de cuidado.

O congresso da CNT não tem sido uma balsa, mas demonstrou várias coisas que outras organizações e espaços políticos talvez devessem tomar nota. Debateu questões que agora são viscerais para todos nós sem explodir a organização, tais como prostituição ou direitos trans. Construir consenso diante do ruído externo: sim, isso pode ser feito. As diferenças ideológicas foram postas de lado, em muitos casos profundas e decisivas, para construir o mesmo projeto organizacional porque, diante da insanidade das redes sociais, isto pode ser feito. Abordamos questões espinhosas que são uma característica crônica das grandes organizações sindicais, como a distribuição da representação territorial ou mecanismos de recrutamento, e o fizemos com calma, sensatez e sem deixar as diferenças arrastarem o resultado.

O futuro da CNT depende de si mesma. Veremos ao longo dos próximos anos. O que é claro é que o que a CNT mostra é que é possível agir independentemente, estabelecer nossa própria agenda e construir grandes organizações de trabalhadores a partir destas coordenadas. Não se contentar com a marginalidade ou domesticação.

Naturalmente, não gostaria de fechar estas linhas sem a devida gratidão e reconhecimento às centenas de pessoas que formaram delegações e representaram o resto dos membros. Para aqueles que chegaram a um consenso. Para aqueles que trabalhavam nos cuidados, manutenção, informática, limpeza, cozinha ou limpeza. Àqueles que organizaram o congresso. Em resumo, gratidão à classe trabalhadora organizada por mostrar do que ela é capaz.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/opinion/gratitud-reconocimiento-ultimo-congreso-cnt

Tradução > Liberto

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pequenos dedos
das gotas de chuva
massageiam a terra

Carlos Seabra

[Itália] Notícias de Alfredo Cospito

Alfredo está em boas condições, está muito lúcido e esperava uma rejeição por parte do tribunal de vigilância em Roma. Ele não perde a esperança e ainda acredita que seja bem sucedido em sua luta. Em todo caso, ele deixa saber que pretende continuar seu movimento até a morte. Como a perspectiva de prisão perpétua foi evitada – pelo menos adiada – por enquanto com a decisão do tribunal de apelação de Turim em cinco de dezembro, Alfredo reitera que só terminará sua greve de fome se for desclassificado do 41 bis.

Ele está ciente da mobilização através de reportagens, quando ações e iniciativas impõem este nível de cobertura à mídia do regime. Os jornais, por outro lado, chegam até ele com páginas recortadas, buracos que se tornaram cada vez mais frequentes nas últimas semanas.

No momento, algumas cartas, telegramas e cartões postais parecem passar, ao contrário dos meses que antecederam sua luta, quando tudo o que lhe foi escrito acabou sendo confiscado. Particularmente com relação aos telegramas, que parecem ser as comunicações que mais frequentemente passam as malhas dos censores, é importante lembrar que estes devem ser individuais e devem conter o nome e o endereço do remetente.

Aqui novamente o endereço:

Alfredo Cospito

1. C. “G. Bacchiddu”

strada provinciale 56 n. 4

Località Bancali

07100 Sassari – Itália

Vamos fazê-los sentir nosso apoio!!!

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agência de notícias anarquistas-ana

surgidos do escuro,
somem na moita, na noite:
amores de um gato

Issa

[Espanha] Alguém sabe o que diabos aconteceu no Peru?

A questão na manchete deste blog longe de ser modesta é (quase) retórica, dada a impossibilidade de acessar um mínimo de verdade devido à avalanche de intoxicação de informações. Não sei se isto se deve ao princípio de incerteza de Heisenberg, mas não creio, acho que é pura e simples manipulação da mídia por todos os tipos de canalhas. Lembro que no ano passado, o Prêmio Nobel peruano Vargas Llosa, tão talentoso em assuntos literários quanto iníquo em assuntos econômicos e políticos, fez alusão às “pessoas que não votam bem”. Não é necessário um grande estudo intelectual (ou moral) para entender que o que este sujeito quis dizer foi que as eleições em seu país, realizadas pouco antes, haviam sido ganhas por aqueles que não eram de sua espécie. O fato é que, de fato, um professor rural ganhou a presidência no país e a esquerda (parlamentar) deste país inefável se parabenizou por isso. O mesmo cara, chamado Pedro Castillo, há apenas alguns dias, acabou dissolvendo o Congresso, criando um governo de exceção e dando origem a nada menos do que um toque de recolher para convocar eleições constitutivas alguns meses depois. Certos meios de comunicação insistiram que as ações de Castillo equivaliam a um golpe de Estado completo; não estou nada contente em concordar com a grande maioria deles, mas parece-me que tudo isso foi um puro e simples autoritarismo. Também foi dito que o golpe ou a dissolução, ou o que quer que se queira chamar, foi devido à ameaça de demissão imediata, graças a uma moção de censura, do agora ex-presidente.

Também tem sido insistido que tudo isso foi porque Castillo foi assolado por inúmeros casos de corrupção, mas outros afirmaram que esta é uma mentira podre. Isto já aconteceu com outros líderes (supostamente) de esquerda da América Latina, processados por corrupção que outros negam (o contrário do que acontece neste país indescritível, chamado Reino da Espanha, onde os que estão no topo são intocáveis diante de enredos flagrantes de corrupção). Da mesma forma, como não poderia deixar de ser, a tentativa de golpe (ou dissolução) foi comparada ao que aconteceu três décadas atrás, naquela ocasião com outro presidente de memória infame, Fujimori. Um dos pontos mais perplexos é que alguns, por exemplo, Juan Carlos Monedero, ex-líder do Podemos e agora estrela da mídia, apontou em tom um tanto exculpatório para Castillo a fraqueza das instituições peruanas; entretanto, outros meios de comunicação que não são abertamente reacionários, como eldiario.es, indicaram exatamente o contrário, a solidez democrática daquele país, o que explica por que as ações do ex-presidente permaneceram apenas uma letra morta e o indivíduo acabou na prisão acusado de rebelião e conspiração. Aparentemente, o resto do poder executivo, as forças armadas, a polícia, a Corte Constitucional, o procurador da república e até mesmo, creio, a sursum corda declararam em termos inequívocos que não tolerariam qualquer alteração da ordem constitucional (ou algo do gênero). Que coisa!

Por outro lado, algumas personalidades mais de direita da mídia, bastante tendenciosas e um tanto repulsivas, insistiram que a esquerda, em geral, reagiu tarde e mal a um homem que apoiavam e que acabou se tornando um líder do golpe. Quer estejam ou não parcialmente certos ou não, o que é certo é que alguns deles, embora reconheçam que o que Castillo fez não é certo e até mesmo apontem sua inépcia por certas coisas, parecem ter buscado um tom justificador aludindo ao grande número de poderes que não toleram o menor indício de comunismo (sic), aos numerosos interesses em jogo, à iniquidade da direita peruana e até mesmo, creio, mencionando os Estados Unidos (cuja comprovada promoção de ditaduras na América Latina o faria suspeitar de quase tudo). Por outro lado, a tradicional separação teórica dos poderes do liberalismo, na qual quase ninguém jamais acreditou, provoca um novo caso curioso sobre o que aconteceu no Peru; enquanto alguns apontam que o que Castillo fez foi tentar concentrar malevolamente e tiranicamente todos os poderes em suas mãos, outros argumentam que tal divisão nunca existiu no país. No final, nunca saberemos a verdade rigorosa e, o mais terrível de tudo, podemos aplicar isto à enorme e intolerável intoxicação de informação que é produzida diariamente sobre tudo. Mas, além disso, há uma leitura óbvia que devemos tirar de tudo isso da perspectiva, é claro, de querer mudar as coisas para melhor nas esferas política e econômica. E isto é, quer aqueles que acabam dirigindo o governo sejam ou não mais ou menos honestos na origem, as chances de transformar qualquer coisa são uma ou nenhuma. Se realmente queremos um mundo mais livre e mais unido, a coisa não é conquistar o poder, que acaba conquistando ou corrompendo seus conquistadores, mas continuar trabalhando horizontalmente, praticando verdadeiramente o apoio mútuo. Um pouco solene, mas aí está!

Juan Caspar

Fonte: http://acracia.org/alguien-sabe-que-diablos-ha-pasado-en-peru/

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/12/17/peru-um-novo-crime-foi-perpetrado/

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pinga torneira
tic tac do relógio
luz com poeira

Carlos Seabra

[França] Macron no Qatar: 501.000€ e 480 toneladas de CO2

AS VIAGENS DE IDA E VOLTA DE EMMANUEL MACRON AO QATAR PARA O MUNDIAL DE FUTEBOL CUSTARAM AO CONTRIBUINTE FRANCÊS CERCA DE 501 MIL EUROS, OU 31 ANOS DE SALÁRIO MÍNIMO. E LANÇARAM 480 TONELADAS DE CO2 NA ATMOSFERA, OU 53 ANOS DE PEGADA DE CARBONO PARA UM FRANCÊS.

No dia 13 de dezembro, o A330 presidencial, avião da Airbus com capacidade para 375 assentos com o logotipo da “República Francesa”, partiu de sua base em Évreux para se pré-posicionar em Orly, antes de decolar para Doha no dia seguinte. Era para a semifinal.

No dia 16 de dezembro, para a final, o avião presidencial foi pré-posicionado em Paris, para decolar no dia 17 de dezembro com destino a Doha. Em cada viagem, o Airbus é acompanhado por um Falcon 7X, um jato particular que acompanha a viagem para servir de reserva. Um avião e um jato para apenas um presidente e sua equipe.

Mais de 500.000 euros e milhares de litros de querosene para poder mostrar na tela, durante os jogos, a cara de Macron a gritar após cada ação dos Blues. É caro o golpe publicitário, principalmente em tempos de “sobriedade”.

Porque é propaganda. Segundo o jornalista Nils Wilcke, “o presidente quer surfar no efeito Copa do Mundo”, confirma um ex-assessor. Não tinha conseguido aproveitar em 2018 por causa do caso Benalla”. Ele esperava uma vitória para aprovar a reforma da previdência em janeiro? Falhou.

Nós sabíamos, Macron dá azar.

Fonte: https://contre-attaque.net/2022/12/18/macron-au-qatar-501000-et-480-tonnes-de-co2/

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ninho de toutinegra
num alcatruz
que sede!

Rogério Martins

[Reino Unido] Um guia anarquista para o natal

por Ruth Kinna

Não é surpresa alguma descobrir que o teórico anarquista Kropotkin era interessado pelo Natal. Na cultura Russa, São Nicolau (Николай Чудотворец) é reverenciado como defensor dos oprimidos, dos fracos e dos desamparados. Kropotkin compartilhava desses sentimentos.

Mas há também uma ligação familiar. Como todo mundo sabe, Kropotkin poderia rastrear sua ancestralidade a antiga dinastia Rurjk que governou a Rússia antes do advento dos Romanovs e que, a partir do século I dC, controlavam as rotas comerciais entre Moscou e o Império Bizantino. O ramo da família de Nicolau foi enviado para patrulhar o Mar Negro. Mas Nicolau era um homem espiritual e procurou fugir da pirataria e banditismo pela qual sua família viking russa era famosa. Então, ele se estabeleceu com um novo nome nas terras do sul do Império, hoje a Grécia, e decidiu usar a riqueza que ele tinha acumulado de sua vida de crime para aliviar os sofrimentos dos pobres.

Fontes de arquivos não publicados descobertos recentemente em Moscou revelam que Kropotkin era fascinado por este laço familiar e da semelhança física marcante entre ele e a figura do Papai Noel, popularizada pela publicação de “Uma visita de São Nicolau” (mais conhecido como “A noite antes do Natal”) em 1823.

Kropotkin não era tão corpulento como Papai Noel, mas com uma almofada de pelúcia a rechear sua túnica, ele sentiu que poderia passar. Seu amigo Elisée Reclus aconselhou-o a largar a guarnição da pele sobre a roupa. Essa foi uma boa ideia, pois também lhe permitiria usar um pouco mais de preto com o vermelho. Ele decidiu seguir o conselho de Elisée nas renas, também, e de usar um trenó conduzido a mão. Kropotkin não era normalmente dado a fantasiar-se. Mas explorar a semelhança para espalhar a mensagem anarquista era uma excelente propaganda pela ação.

Antecipando “V”, Kropotkin pensou que todos poderiam se passar por Papai Noel. Na margem de uma página Kropotkin escreve: “Infiltrem-se nas lojas, distribuam os brinquedos!”

Restos rasurados na parte de trás de um cartão postal se lê:

Na noite antes do Natal, todos nós vamos estar prontos

Enquanto as pessoas estão dormindo, vamos realizar a nossa influência

Nós vamos expropriar bens das lojas, porque é justo

E distribuí-los amplamente, para aqueles que mais precisam.

Suas notas sobre este projeto também revelam alguns valiosos insights a propósito de suas ideias sobre características anarquistas do Natal e de seu pensamento sobre as formas e quais os rituais do Natal Vitoriano deveriam ser adaptados.

“Todos nós sabemos”, escreveu ele, “que as grandes lojas – John Lewis, Harrods e Selfridges – estão começando a explorar o potencial de vendas do Natal, criando cavernas mágicas, grutas e terras encantadas fantásticas para atrair nossos filhos e pressionar-nos para comprar presentes que não queremos e não podemos pagar”.

“Se você é um de nós”, continuou, “você vai perceber que a magia do Natal depende do sistema de produção do Papai Natal, não das tentativas das lojas para seduzi-lo ao consumo de inúteis bens de luxo”. Kropotkin descreveu as oficinas espalhadas pelo Pólo Norte, onde os elfos trabalham felizes durante todo o ano, porque eles sabiam que estavam produzindo para o prazer de outras pessoas. Observando que essas oficinas eram estritamente sem fins lucrativos, a base de mão-de-obra artesanal e funcionando em modelos comunais, Kropotkin tratou-as como protótipos para as fábricas do futuro (delineadas em “Campos, Fábricas e Oficinas”).

Algumas pessoas, ele sentia, pensavam que o Papai Noel sonhava em ver que todos haviam recebido presentes no dia do Natal, era quixotesco. Mas ele poderia ser realizado. Na verdade, a extensão das oficinas – que eram muito caras para manter no Ártico – facilitaria a generalização da produção pautada pelas necessidades e a transformação da troca ocasional de presentes em partilha regular. “Precisamos dizer às pessoas”, Kropotkin escreveu, “que oficinas comunais podem ser estabelecidas em qualquer lugar, e que podemos combinar nossos recursos para assegurar que todos tenham suas necessidades satisfeitas!”

Uma das questões que mais incomodou Kropotkin sobre o Natal foi a forma pela qual o papel inspirador que Nicolau desempenhou evocando mitos do Natal, confundido a ética do Natal. Nicolau foi erroneamente representado como um homem caridoso e benevolente: santo, porque ele era beneficente. Absorvido na figura do Papai Noel, as motivações de Nicolau para as doações se tornaram ainda mais distorcidas pela fixação vitoriana por crianças.

Kropotkin realmente não entendia as ligações, mas sentia que refletia uma tentativa de moralizar a infância através de um conceito de pureza que foi simbolizado no nascimento de Jesus. Naturalmente, ele não poderia imaginar a criação do Grande Irmão Papai Noel, que sabe quando as crianças estão dormindo ou acordadas e vem para a cidade, aparentemente sabendo quais entre elas se atreveram a chorar ou fazer birra.

Mas, cedo ou tarde, ele avisou, esta ideia de pureza seria usada para distinguir crianças más e boas, e apenas aquelas do segundo grupo que seriam recompensadas com presentes.

Seja qual for o caso, era importante recuperar deste quiproquó confuso tanto o princípio da compaixão de Nicolau quanto as origens folclóricas de Papai Noel. Nicolau deu porque era torturado pela sua consciência das privações de outras pessoas. Embora ele não fosse um assassino (até onde Kropotkin soubesse), ele compartilhou da mesma ética de Sofia Petrovskaya. E ainda que fosse obviamente importante se preocupar com o bem-estar das crianças, o princípio anarquista era tomar em conta o sofrimento de todos.

Da mesma forma, a prática da doação foi erroneamente compreendida, como se necessitasse da implementação de um plano centralmente dirigido, supervisionado por um administrador onisciente. Tudo isto estava completamente errado: Papai Noel veio da imaginação do povo (basta considerar a gama de nomes locais que Nicolau tinha acumulado – Sinterklaas, Tomte, de Kerstman). E o espraiamento da alegria – através da festividade – foi organizado de baixo para cima.

Enterrado sob o Natal, argumentou Kropotkin, estava o princípio solidário do apoio mútuo.

Kropotkin apreciou o significado do ritual e o valor real que os indivíduos e as comunidades associavam ao carnaval, aos atos de lembrança e comemoração. Ele não queria abolir o Natal, nem tampouco queria vê-lo republicanizado através de alguma reorganização burocrática obstinada do calendário.

Era importante, no entanto, separar a ética que o Natal apresentava da singularidade da sua celebração. Dar uma festa era apenas isso; a extensão do princípio do apoio mútuo e da compaixão à vida cotidiana era outra coisa. Na sociedade capitalista, o Natal abria espaço para bons comportamentos. Enquanto era possível ser cristão uma vez ao ano, o anarquismo era para toda a vida.

Kropotkin percebeu que sua propaganda teria mais chance de sucesso se ele pudesse mostrar como a mensagem anarquista também estava incorporada na cultura mainstream. Suas anotações revelam que ele se inspirou particularmente no “Conto de Natal”, de Dickens, para encontrar um veículo para suas ideias. O livro foi amplamente creditado com consolidadas ideias de amor, alegria e boa vontade no Natal. Kropotkin encontrou a genialidade do livro em sua estrutura. Que outra coisa seria a história do encontro de Scrooge com os espíritos dos natais passados, presentes e futuros além de um relato prefigurativo da mudança?

Ao ver o seu presente através de seu passado, Scrooge teve a oportunidade de alterar seus modos avarentos e remoldar o seu futuro e o futuro da família Cratchit. Mesmo que isso só seja lembrado uma vez por ano, Kropotkin pensou, o livro de Dickens emprestou aos anarquistas um veículo perfeito para ensinar esta lição: alterando o que fazemos hoje, modelando os nossos comportamentos segundo o de Nicolau, podemos ajudar a construir um futuro que é como o Natal!

>> Ruth Kinna é editora da revista Estudos Anarquistas (“Anarchist Studies”) e professora de Teoria Política na Universidade de Loughborough.

Fonte: http://strikemag.org/anarchist-guide-christmas/

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Não esqueças nunca
o gosto solitário
do orvalho

Matsuo Bashô

[Itália] Comunicado sobre os últimos acontecimentos relativos à greve de fome do anarquista Alfredo Cospito

Saiu hoje, 19 de dezembro de 2022, a resposta ao recurso apresentado por Alfredo Cospito ao Tribunal de Sorveglianza. A audiência foi realizada no dia primeiro de dezembro em Roma. A resposta foi negativa, ou seja, a possibilidade de desclassificar Alfredo do 41 bis foi rejeitada. Assim, permanecerá em 41 bis pelo menos durante os próximos quatro anos, época em que a continuação da aplicação do regime 41 bis ao Alfredo será novamente discutida.

Ainda não sabemos as razões para a rejeição. Alfredo está hoje no 61º dia da greve de fome, ele fez saber que vai continuar a greve de fome, que seu objetivo é sair do regime 41 bis. O que também sabemos é que continuaremos a apoiar sua luta, e que além da situação de Alfredo, a luta contra a prisão e a sociedade capitalista que a alimenta continua.

Esta notícia pesa sobre nós como uma montanha, mesmo assim temos que manter nosso espírito para cima e não deixar que ela nos abata, nunca tivemos esperança na justiça, então agora mais do que nunca é importante lutar pela libertação de Alfredo e de todos aqueles sequestrados pelo Estado.

Ao lado de Alfredo, pela conflitualidade anarquista e destrutiva.
Morte ao Estado e viva à anarquia!

agência de notícias anarquistas-ana

No campo queimado
ainda uma leve fumaça
Tronco resistindo

Eunice Arruda