Medo e propaganda em Cuba contra o descontentamento social

Por Amir Valle | 11/07/2022

No aniversário dos protestos populares de julho de 2021, triunfalismo, propaganda internacional e repressão de dissidências tentam impingir ao mundo uma imagem de Cuba que nada tem a ver com a realidade.

Viver em Cuba é uma festa inenarrável, disse alguns dias atrás o presidente Miguel Díaz-Canel, parafraseando um conhecido poema do escritor José Lezama Lima, um dos maiores intelectuais cubanos de todos os tempos. Uma frase que, nas circunstâncias políticas atuais, a oposição e boa parte do povo sentem carregada, ao mesmo tempo, de falsidade e cinismo.

Quando Lezama Lima escreveu esse poema em 1941, Cuba era uma das nações mais ricas da América Latina e, segundo informes das Nações Unidas, líder mundial em muitos aspectos do desenvolvimento financeiro, econômico e social. Um contexto bem diferente do que se vê agora pelas ruas da ilha.

Um ano depois dos maciços e surpreendentes protestos populares de 11 de julho de 2021, o panorama em Cuba é simplesmente desolador. Diante de sua incompetência financeira, o governo teve que renegociar os pagamentos da dívida pública com todos os credores. Já em novembro, devido ao “reordenamento econômico e financeiro”, a inflação alcançava 69,5%, segundo cifras do próprio governo, colocando Cuba entre os sete países de maior inflação.

Miséria, repressão e êxodo

O desabastecimento de produtos alimentícios e medicamentos é cada vez maior. Todo o sistema energético nacional está em bancarrota, trazendo de volta os assim chamados alumbrones (“acendões) – pois os cubanos passam a maior parte do tempo sem energia elétrica.

Tudo se complica mais com a prolongada crise da Venezuela, que obrigou o presidente Nicolás Maduro a diminuir a cota diária de petróleo comprometida com Cuba; com a contração econômica mundial provocada pela invasão russa (que Díaz-Canel e a propaganda do regime denominam “operação especial na Ucrânia”, como Vladimir Putin ordenou a seus aliados); e com as limitações de gestão internacional derivadas do embargo financeiro pelos Estados Unidos.

Socialmente, a repressão contra qualquer tipo de descontentamento se estabeleceu em lei com um novo Código Penal criminalizando até mesmo as opiniões em redes sociais. São mais estruturadas e fortes do que em outras épocas as detenções arbitrárias; os processos legais sem garantias judiciais; a proibição de saída do país como castigo para todo tipo de dissidência, sob o rótulo de “regulação migratória”; assim como as aniquilações midiáticas, através dos meios de imprensa estatais, das mais importantes figuras da oposição, inclusive gente simples do povo, que recorreu às redes sociais para expressar seu desespero.

Portanto ninguém deveria estranhar que essa situação haja provocado uma onda de emigração que supera os maiores êxodos históricos de Cuba (Camarioca nos anos 1960, Mariel em 1980, o Maleconazo em 1994). Segundo dados das autoridades de migração americanas, desde outubro de 2021 até agora chegaram 146.389 cubanos aos EUA. E note-se que o êxodo também se dá para outras nações da América Latina e da Europa, resultando numa cifra real consideravelmente maior.

Triunfalismo x descontentamento social

A ineficácia governamental em cumprir as promessas feitas ao povo e o descomunal erro do presidente de reprimir abertamente as manifestações de descontentamento popular provocaram uma mudança radical da consciência social dos cubanos, na ilha e no exílio.

Quando, em 11 de julho de 2021, eles demonstraram ter perdido o medo de levantar a voz contra um sistema político que demostrara sua inoperância ao longo de seis décadas, só restou ao governo de Díaz Canel e Raúl Castro a opção de tratar com mão de ferro quem se opusesse.

Assim, encarcerou com condenações irracionais centenas de jovens que participaram desses protestos, chegando-se a 1.235 presos políticos, segundo a ONG Prisoners Defenders; obrigou a emigrarem os novos nomes da oposição política ou intelectual (o dramaturgo Yunior García, líder da plataforma oposicionista Archipiélago, a jornalista Mónica Baró, a ativista Saily González, a poeta Katherine Bisquet, o artista plástico Hamlet Lavastida, entre outros).

Além disso, Canel e Castro impediram o ingresso em Cuba e condenaram ao exílio forçado opositores destacados, como a jornalista Karla Pérez, a curadora de arte e ativista Anamely Ramos ou, há apenas alguns dias, a acadêmica Omara Ruiz Urquiola, lançando uma campanha nacional para desacreditar todas essas figuras, fabricando falsidades como apresentá-las como mercenárias pagas por Washington.

Lamentavelmente, tais campanhas são ecoadas internacionalmente, no assim chamado “mundo livre”, por numerosas instituições, órgãos, associações e personalidades de um setor extremista da esquerda que defende ditaduras como as de Cuba, Venezuela e Nicarágua.

Tampouco os organismos internacionais responsáveis pela defesa dos direitos humanos mostram firmeza perante o triunfalismo e a manipulação da propaganda de Havana sobre o inquestionável desastre nacional. Diante do Escritório da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, em Bruxelas, o ativista e cientista cubano Ariel Ruiz Urquiola mantém uma greve de fome e sede, exigindo que a instituição se pronuncie sobre as numerosas violações perpetradas pelo governo contra ele, sua irmã Omara Ruiz Urquiola e dezenas de oposicionistas.

Até onde o povo cubano aguentará?

A morte, alguns dias atrás, de Luis Alberto Rodríguez López-Callejas, considerado o “czar militar” da ditadura e gestor do poderoso monopólio financeiro Gaesa, convenientemente concentra agora mais poder econômico em umas poucas mãos, todas militares e próximas à família de Raúl Castro. Curiosamente, após essa morte repentina, aos apenas 62 anos, o governo passa a anunciar o desaparecimento de estruturas econômicas e de comércio internacional que impediam essa concentração de poder no país insular.

E diversos analistas se espantam com o anúncio de que importantes negócios, zonas turísticas e estruturas econômicas vão ser quase totalmente geridos por empresas estrangeiras. Esse é o caso do polo turístico de Cayo Largo que, a partir desta temporada de inverno, estará em mãos da cadeia Blue Diamond Resorts, em conjunto com o grupo hoteleiro cubano Gran Caribe, também gerenciado pela cúpula militar raulista.

As perguntas chovem: serão essas cessões um sinal de admissão da incompetência governamental para gerir esses negócios? Até que ponto as riquezas obtidas beneficiarão o povo? O país estará sendo vendido, como sucedeu em épocas anteriores com outras ditaduras da América Latina?

E a mais importante de todas as perguntas, que é justamente a que mais parece preocupar Díaz-Canel, a julgar pelos preparativos das forças militares repressivas às vésperas deste 11 de julho: o povo cubano seguirá suportando tanta fome, repressão, falta de liberdade e desesperança?

Fonte: https://www.dw.com/pt-br/medo-e-propaganda-em-cuba-contra-o-descontentamento-social/a-62436155

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/04/cuba-ve-oposicao-fragmentada-apos-condenados-por-atos/

agência de notícias anarquistas-ana

A cada manhã
No céu sobre o meu telhado
A mesma cotovia?

Jôsô

Memória | Cecília Meireles e A Liga Anticlerical

Por Marcolino Jeremias

Em destaque, foto da Cecília Meireles ao lado de José Oiticica e Lins de Vasconcelos, durante uma conferência na sede da Liga Anticlerical do Rio de Janeiro, localizada na rua Theofilo Ottoni, número 148, 2º Andar, no centro da cidade, em 26 de dezembro de 1931.

Na ocasião, diante de um numeroso auditório, a notável escritora, poetisa, jornalista e professora, com a sua peculiar firmeza de conceitos, segurança de análise e amplitude de visão, falou sobre a laicidade do ensino, dentro do tema: “Por Que A Escola Deve Ser Leiga?”. Falaram ainda José Oiticica (pela Liga Anticlerical), Edgard Sussekind, Lins de Vasconcelos (pela Coligação Brasileira Pró-Estado Leigo) e Nina Flores que, com palavras entusiasmadas, exaltou o papel da mulher na renovação do mundo.

Por que a escola deve ser leiga? Porque é a escola da fraternidade e da sinceridade – onde todos procuram ser melhores e todos se consideram iguais. Porque é a escola verdadeiramente única: onde todos partem do princípio da vida, e onde todos vão para o fim da vida sem privilégios, sem garantias especiais, sem vantagens senão a do seu esforço, da sua independência, do seu trabalho e das qualidades que em si conseguirem despertar ou manter.

Porque é a escola única e a única escola. A que, não tendo a pretensão de ensinar nada positivamente, ensina tudo: ensina a vida, que é uma renovação de todos os dias, que é uma atenção permanente para um movimento sem fim, e em que todos somos como um operário diante da máquina: se não a vencermos com inteligência, ela, de certo, nos vencerá por fatalidade“.

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva cinzenta:
hoje é um dia feliz
mesmo com o Fuji invisível

Matsuo Bashô

[Chile] Lançamento da revista “Acontratiempo” N°4

LANÇAMENTO DA REVISTA “ACONTRATIEMPO” N°4 EM BIOBÍO

Todas e todos estão convidados a se juntar a nós para o lançamento da quarta edição da revista “Acontratiempo”, um projeto editorial do Arquivo Histórico La Revuelta (Santiago), que nos visita para falar sobre seu trabalho e o conteúdo desta edição.

Esta edição apresenta pesquisas monográficas sobre diálogos anarcofeministas na região chilena, a história do anarquismo e um retrato de Luisa Toledo, entre outros trabalhos.

Esperamos por você em San Martín 4535, entre El Peral e Los Encinos, Valle de la Piedra 2, Chiguayante.

Este sábado, 16 de julho, das 17h00 às 19h30.

Saúde e anarquia!

agência de notícias anarquistas-ana

De seguir o viajante
pousou no telhado,
exausta, a lua.

Yeda Prates Bernis

 

[Grécia] 25 de julho, nova data para revisar a libertação do companheiro Yinnis Michailidis

Hoje, terça-feira, 12/07, se marcou o conselho para a libertação do anarquista em greve de fome Yinnis Michailidis, que está sem comer desde 23/05. A proposta do promotor foi rechaçada, pelo que fica pendente que o conselho de Lamia se reúna em 25 de julho, 64º dia da greve de fome de nosso companheiro.

Não há dúvida. O poder judiciário está torturando e tentando eliminar completamente nosso companheiro. Yinnis tem direito a sua liberdade desde alguns meses, já que cumpre as condições formais, mas está preso “preventivamente” porque os malditos do complexo judiciário estatal consideram que “há risco de que cometa novos delitos”. Agora querem causar um dano irreparável à saúde do companheiro, com problemas irreparáveis que o acompanharão o resto de sua vida.

Não nos tenhamos ilusões. A justiça que pôs em liberdade a assassinos e violadores (Eph. Korkoneas, P. Filippides, Ath. Hortarias, Leventis) nos últimos dias. É a voz do Estado e da sociedade capitalista, que teme as pessoas como Yinnis, porque em seu rosto leva a dignidade e a intransigência de um homem que luta e mantém sempre a cabeça erguida. Em seu rosto leva a perspectiva da derrocada revolucionária do mundo da escravidão assalariada e do poder.

Permanecemos de todo coração ao lado de nosso companheiro até o final.

YINNIS LUTA PELA LIBERDADE

Força aos grevistas de fome em solidariedade com Y. Michailidis, Dimitris Chatzivasileiadis (desde 06/07), DinosGiagtzoglou (07/07)

A LUTA PELA LIBERDADE DE UM É UMA LUTA PELA LIBERDADE DE TODOS E TODAS

LIBERTAÇÃO IMEDIATA DO ANARQUISTA YINNIS MICHAILIDIS

TODOS E CADA UM NA 5ª MARCHA PAN-HELÊNICA EM SOLIDARIEDADE COM O ANARQUISTA YINNIS MICHAILIDIS QUINTA-FEIRA 14/07 às 19H00, SYNTAGMA, ATENAS

TODOS NO TRIBUNAL DE APELAÇÃO DE LAMIA NA SEGUNDA-FEIRA 25 DE JULHO

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619834/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Em qualquer lugar
Onde se deixem as coisas
As sombras do outono.

Kyoshi

[Grécia] Atenas: Assumindo responsabilidade | Solidariedade com Yinnis Michalidis

Em solidariedade com o anarquista em greve de fome (desde 23/05) Yinnis Michalidis, realizamos ataques com martelos aos seguintes alvos.

1 caixa eletrônico na Avenida Atenas

2 caixas eletrônicos na rua Panagi Tsaldari em Peristeri

1 caixa eletrônico na rua Eftychidou em Pagrati

1 caixa eletrônico na rua Michalakopoulou

1 agência bancária em Alimos

SOLIDARIEDADE AO GREVISTA DE FOME YINNIS MICHALIDIS

A JUSTIÇA SERÁ JULGADA NAS RUAS

Companheiros e companheiras

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619864/

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agência de notícias anarquistas-ana

Varria o chão
Até que não dei mais conta –
Estas folhas secas.

Taigi

[Grécia] Pichações nas paredes de Kypseli para o anarquista em greve de fome Yinnis Michalidis

Pichações com tinta spray nas paredes de Kypseli [bairro no centro de Atenas] para o anarquista em greve de fome Yinnis Michalidis desde 23/05 e a marcha na quinta-feira, 14 de julho, às 19h00, na Praça Sintagma.

LIBERDADE PARA YINNIS MICHALIDIS

TODAS E TODOS À 5ª MARCHA PAN-HELÊNICA DE SOLIDARIEDADE COM O ANARQUISTA EM GREVE DE FOME YINNIS MICHALIDIS EM 14/07 ÀS 19:00, PRAÇA SINTAGMA

TODOS NA CORTE DE APELAÇÃO DE LAMIA NA SEGUNDA-FEIRA, 25 DE JULHO

>> Mais fotoshttps://athens.indymedia.org/post/1619865/

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Brilha até de dia
O relógio fluorescente –
Estação chuvosa.

Keizan Kayano

O neoliberalismo explodiu no Equador

Desde que Guillermo Lasso tomou posse em 24 de maio de 2021, previa-se que sua administração traria sérios problemas para o povo equatoriano devido aos programas neoliberais que o banqueiro bilionário faria passar.

As suspeitas eram precisas: nos primeiros sete meses ele desmantelou a Seguros Sucre, a principal seguradora do estado, e dividiu o mercado de seguros entre seus parceiros financeiros; ele criou um sistema para comercializar hidrocarbonetos e aumentar os preços dos combustíveis para beneficiar investidores privados, para que os importadores de hidrocarbonetos pudessem utilizar a infraestrutura estatal da Petroecuador sem pagar nada por isso.

Ele impôs, sem passar pelo Congresso, várias regulamentações para fomentar um mercado de distribuição de eletricidade e transferiu direitos e capacidades de controle para empresas privadas.

Em sua obsessão particular, no último trimestre de 2021 ele enviou à Assembleia Nacional um projeto de lei com mais de 400 artigos reformando mais de 30 leis, incluindo leis trabalhistas, no qual foi proposto que quando um trabalhador fosse demitido de forma inoportuna, deveria ser o trabalhador a compensar o empregador. Também autorizou o trabalho infantil, mas, como esperado, o texto foi rejeitado pela Assembleia.

A chuva de leis neoliberais não parou e no final de 2021 o regime enviou outro pacote que propunha a privatização do banco público de desenvolvimento, novos impostos para a classe média e regulamentos para contratos de petróleo, entre outros.

No final de 2021, explodiram os chamados Pandora’s Papers, uma investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos que ligava a Lasso a 14 empresas offshore (paraísos fiscais) estabelecidas no Panamá, Estados Unidos e Canadá que haviam financiado sua campanha presidencial.

Embora a análise do crime tenha sido levada à Assembleia, o presidente não foi destituído por causa do apoio dado pelo movimento Pachakutik, um partido político da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), que tinha desentendimentos com o governo de Rafael Correa. Isto levou o Pachakutik a se aliar inicialmente à Lasso, que lhe ofereceu alguns benefícios, que ele não conseguiu cumprir.

A taça ficou mais cheia quando a profunda crise política, econômica e financeira deixada por seu antecessor, Lenin Moreno, foi agravada pelas prejudiciais medidas neoliberais de Lasso em seu primeiro ano de mandato. Sua popularidade atual não ultrapassa 20 %.

Como consequência dos dois últimos desgovernos, os de Lenin Moreno e Guillermo Lasso, o povo equatoriano sofreu enormes reveses.

O quadro no Equador é caótico: a pobreza atinge 35% (nas áreas rurais 47%) e a extrema pobreza 15,2%; mais de 5,6 milhões de equatorianos sobrevivem com menos de 84 dólares por mês. A desnutrição afeta 26% das crianças de 0-5 anos, subindo para 40% nas áreas rurais.

De cada 10 pessoas aptas a trabalhar, apenas 3 são empregadas. O investimento público em saúde, educação e inclusão social caiu para seus piores níveis desde décadas atrás. Para cumprir com as dívidas do FMI, Lasso a reduziu para 1,8 bilhões de dólares em 2022 (sua média era de 4 bilhões de dólares) e no primeiro trimestre do ano ele havia entregue apenas 67 milhões de dólares.

Sem ouvir as exigências que a CONAIE fez ao governo em várias conversas, o movimento indígena, liderado por Leonidas Iza, decidiu entrar em greve geral, acompanhado por estudantes, trabalhadores e grupos sociais.

Desde o início, a CONAIE exigiu 10 pontos:

Congelamento dos preços dos combustíveis; alívio econômico para pequenos devedores no sistema bancário e financeiro; preços justos para produtos rurais; políticas de emprego e direitos trabalhistas; uma moratória na fronteira extrativa; respeito aos direitos coletivos; evitar a privatização de setores estratégicos e, em particular, do banco público de desenvolvimento; políticas de controle de preços para necessidades básicas; um orçamento para saúde e educação e livre entrada de jovens no sistema universitário; políticas públicas eficazes contra o crime, os sicários e a violência.

Lasso respondeu como sempre fazem os regimes de direita, com o máximo de repressão, que em 18 dias de greve deixou seis mortos, mais de 350 feridos e quase duzentos presos. Mas diante da decisão da CONAIE de continuar os protestos, o governo teve que ceder, e através da Confederação Episcopal conseguiu voltar às negociações e terminar temporariamente a greve.

Com o acordo, o governo reduziu os preços dos combustíveis em um total de 15 centavos de dólar por galão (anteriormente tinha reduzido os preços dos combustíveis em 10 centavos).

O regime também prometeu intensificar as operações para evitar e controlar a especulação de preços; uma declaração de emergência no setor da saúde; a concessão de créditos com uma taxa de juros de 1% por 30 anos e um subsídio de 50% sobre o preço da uréia, entre outros.

O presidente da CONAIE, Leonidas Iza, declarou que embora não estejam satisfeitos com algumas questões, suspenderão a greve e continuarão a discutir outra série de aspectos que, se não forem atendidos dentro de 90 dias, levarão a uma retomada das demandas de rua em todo o país.

A realidade é que o neoliberalismo explodiu na face de Lasso, cujo governo de direita foi deixado à deriva.

Hedelberto López Blanch, jornalista, escritor e pesquisador cubano.

Fonte: https://rebelion.org/el-neoliberalismo-exploto-en-ecuador/

Tradução > Liberto

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Grito de araponga –
É ela mesma que entrou
No mercado de flores!

Keijô Miyano

[São Paulo-SP] Lançamentos: livro Memórias de um exilado, do Nelca e da Zine Insubmissas da CAFI

O Centro de Cultura Social (CCS) convida todos e todas para os lançamentos do livro Memórias de um exilado de Everardo Dias do Nelca e da Zine Insubmissas nº 3 da CAFI. No lançamento o Nelca e a CAFI comentarão suas publicações e depois haverá um bate papo.

Dia 16 de julho, às 16h00 | Rua General Jardim, 253, sala 22. Condomínio Edifício Nora. Vilas Buarque. Próximo ao metrô Praça da Republica.

‘Memórias de um Exilado’ de Everardo Dias, formato 14 x 21 cm, 136 páginas, lançado originalmente em 1920. “O livro trata da história da expulsão de 23 anarquistas de Santos, São Paulo e do Rio de Janeiro que aconteceu em 1919. Vingança direta das autoridades constituídas contra a greve geral de 1917 e ações similares do movimento operário de inspiração anarquista. A leitura é essencial para se compreender a trajetória do sindicalismo revolucionário, assim como, a história do sistema penal brasileiro”

>> Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri (NELCA)

https://www.facebook.com/BibliotecaCarloAldegheri,

“Essa publicação foi construída de forma colaborativa, onde juntas propusemos repensarmos questões urgentes aos tempos em que vivemos, como o combate ao Clero e ao Estado e a luta por nossos direitos reprodutivos rifados pela direita (mas também pela dita esquerda institucional em nome do capital). Repensarmos a educação, trazendo o pensamento anarquista para contextualizar e discutir uma educação libertária possível como alternativa ao sistema educacional liberal. Repensarmos a maternidade e também nossas relações afetivas. Isso e muito mais!”

>> Coletiva Anarcafeminista Insubmissas (CAFI)

https://www.facebook.com/cafinsubmissas,

>> Centro de Cultura Social (CCS)

Email: ccssp@ccssp.com.br – Site: www.ccssp.com.br – Facebook:

https://www.facebook.com/events/1052431962312908/?ref=newsfeed

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Tangerina cai
e a casca ferida exala
gemidos de dor.

José N. Reis

[Espanha] CNT freia a contratação pela ETT e promove a liberdade de associação na RELEM

A seção sindical da CNT Vallès Oriental consegue converter para trabalhadores fixos todo o pessoal disponibilizado por várias ETTs na empresa “Construcciones y Tubos Metálicos RELEM” da Granollers e subsidiária do Grup Paver, enquanto a Inspetoria do Trabalho propõe uma sanção muito séria contra a empresa por violação do direito fundamental à liberdade de associação.

Recentemente, a seção sindical da CNT Vallès Oriental pôde confirmar que todo o pessoal temporário da RELEM disponibilizado pelas agências de trabalho temporário MARLEX e RANDSTARD passou a fazer parte do pessoal fixo da empresa principal como pessoal direto com contratos permanentes.

Durante as negociações entre a seção sindical da CNT e a empresa no ano passado, a empresa se recusou a chegar a um acordo sobre o pessoal temporário. A central anarcossindicalista propôs a eliminação da contratação de pessoal através de agências de trabalho temporário, criando uma bolsa de trabalho com participação sindical que poderia incluir a figura de contratos permanentes para aqueles períodos com produção extraordinária na empresa, uma proposta que já estava avançada em 2021 na última reforma trabalhista.

A recusa da direção da empresa em negociar qualquer acordo que significasse um verdadeiro avanço nos direitos da força de trabalho levou às queixas correspondentes à Inspetoria do Trabalho, que finalmente determinou que todo o pessoal contratado pela ETT passaria a fazer parte da força permanente de trabalho da empresa com contratos permanentes, considerando que “os contratos de prestação de serviços eram utilizados sucessivamente para cobrir necessidades permanentes”, como denunciou o sindicato.

A CNT saúda o resultado da ação da Inspetoria do Trabalho, e manteremos perante a direção da RELEM a necessidade de eliminar definitivamente o uso de agências de trabalho temporário na empresa, e a criação de uma bolsa de trabalho que promova o recrutamento em termos de necessidades produtivas reais e respeite o meio ambiente, priorizando o recrutamento local.

Liberdade sindical

Por outro lado, a Inspetoria do Trabalho também observou vários eventos ocorridos no período anterior à negociação com a empresa que são considerados “falta muito grave por violação da liberdade de associação” e propõe uma sanção para a empresa por esta violação. Os serviços jurídicos do sindicato CNT estão analisando o relatório e não descartam a possibilidade de levar o caso à Magistratura, pelo que é considerado “conduta anti-sindical” que não pode ser repetida.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/cnt-frena-la-contratacion-por-ett-e-impulsa-la-libertad-sindical-en-relem/

Tradução > Liberto

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Ameixeira em flor –
De botão em botão
Os dias esquentam.

Hattori Ransetsu

[Grécia] Uma carta da cela especial do Hospital de Lamia – Yinnis Michailidis

O escorpião é um inseto que pouco difere de sua espécie ancestral, que esteve entre os primeiros animais a caminhar na terra há centenas de milhões de anos. Observou-se que indivíduos desta espécie, quando presos em chamas sem rota de fuga visível, fazem uma coisa extraordinária: picam-se a si mesmos e cometem suicídio! Um comportamento que não oferece nenhuma vantagem evolutiva, já que na pequena chance do fogo ser extinto, os animais sobreviventes poderiam continuar a se reproduzir. Este comportamento contradiz a teoria de que os insetos são robôs biológicos porque apresentam um comportamento padronizado.

A maneira mais simples de explicar este comportamento é que a evolução da vida não constrói robôs, mas cria sistemas neurais para o processamento de informações e tomada de decisões. Os padrões recorrentes de comportamento surgem do complexo funcionamento dos circuitos neurais auto-organizados, que na maioria dos casos realmente favorecem o máximo potencial reprodutivo. Assim, estes pequenos sistemas nervosos, com várias ordens de magnitude menos sinapses neurais do que nossos cérebros, produzem comportamentos que facultam seu funcionamento interno:

  1. Estes animais experimentam a dor, ou seja, a dor como um estímulo que o animal tenta eliminar.
  2. Estes animais experimentam o medo, ou seja, o medo como uma projeção mental interna de uma situação futura.
  3. Eles sabem que possuem uma ferramenta assassina com a qual matam suas presas e se defendem contra os predadores: o ferrão.
  4. Eles associam a sensação de dor com seu corpo enquanto apontam o ferrão para si mesmos.
  5. A associação da dor com a autoconsciência, já que a dor é uma forma elementar de estado mental, e a consciência é pensada sobre o pensamento, constitui uma forma primitiva de consciência. Portanto, a dor é, em certo sentido, consciente.

Como o antropocentrismo da maioria de nossa sociedade atribui os atributos mentais acima exclusivamente aos humanos, eu provavelmente serei acusado de antropomorfismo (diga-me de que você foi acusado, isso o incomodou?). Entretanto, não atribuo a escorpiões características que não são deduzidas de seu comportamento, como o pensamento racional. É encorajador que pesquisas neurocientíficas recentes sugiram que a arquitetura dos circuitos neurais associados à função da consciência em humanos e outros mamíferos possa até mesmo ser rastreada nos cérebros de insetos.

Como isso se relaciona com a situação atual? Algumas centenas de milhões de anos após o surgimento dos escorpiões, caminhou pela terra um ser que construiu estruturas de cercas permanentes para outros seres vivos, incluindo sua própria espécie: gaiolas e guardas.

Muitos animais inteligentes em cativeiro deixam de comer e são condenados à morte (por exemplo, dos golfinhos capturados, poucos sobrevivem). Inúmeras pessoas em cativeiro (há tanto tempo que o início foi apagado) passaram por greves de fome nas prisões para ganhar sua liberdade ou dignidade. Isto equivale ao autocentrismo por parte de seres inteligentes o suficiente para tentar encontrar uma saída para o impasse. É por isso que, hoje, a greve de fome é um meio de luta histórica e internacionalmente reconhecido, especialmente para os prisioneiros.

Nas circunstâncias gregas (onde até a junta dos coronéis recuou nas greves de fome) os juízes e promotores modernos são guiados por uma perspectiva diferente. A maioria é movida por visões ultra-conservadoras e, tendo causado dores incalculáveis a dezenas de milhares de prisioneiros privados de sua liberdade de longo prazo, eles trabalham para uma indústria de tortura que prospera em mentiras óbvias como o correcionalismo. Como trabalhadores de matadouros, ou como pilotos de caça bombardeando cidades inimigas, eles mataram qualquer vestígio de empatia em si mesmos e podem almoçar convencidos de que estão fazendo algo útil. É por isso que eles veem a greve de fome como um meio de desafiar sua onipotência e mostrar tolerância zero.

De que outra forma interpretar o que os juízes e promotores escrevem, até o 46º dia da minha greve de fome, quando a proposta do procurador da corte de apelação para a minha libertação foi emitida?

Fui precedido por dois conselhos nos quais fui julgado pelo que os juízes pensam que farei e mantido em prisão preventiva como “risco de cometer novos crimes”. Na segunda, mesmo a deles, eles não me fizeram uma única pergunta, nem mesmo sobre os caras e apenas emitiram uma decisão pré-determinada após 40 dias (30 deles já em greve de fome). Sem sequer uma justificativa, eles levaram 40 dias para escrever “de acordo com a proposta do promotor, para evitar repetições desnecessárias”. Fui tratado com indiferença desafiadora.

Diante desta miséria, entrei em greve de fome. E no anúncio de sua abertura, listei tanto a arbitrariedade cometida contra mim como numerosos exemplos em que os juízes abriram as portas de par em par quando se tratava dos filhos do sistema (policiais – assassinos, carcereiros – torturadores, fascistas, grandes capitalistas).

Enquanto isso, no meio da minha greve, o assassino de Alexandros, um dos assassinos de Zack, que cumpriu tanto tempo na prisão quanto eu em greve de fome, e o estuprador Filippidis foram libertados antecipadamente com o improvável argumento de que as possíveis vítimas não estão em perigo, pois agora ele é conhecido por seus atos e eles o evitarão. E eu, que cumpri 3/5 da minha sentença há 7 meses, “ainda não fui corrigido porque até o presente não passou tempo suficiente”, de acordo com o raciocínio da acusação! Os assassinos não arrependidos estão aproveitando o que eu tenho lutado para ganhar durante 50 dias, correndo risco de vida, ao que eu tenho direito há 7 meses, a liberdade.

Aparentemente não relacionado, mas relevante, é o assassinato do chimpanzé que escapou da prisão de animais selvagens de Jean-Jacques Leshwar. Será que a “justiça” grega vai lidar com um assassino em série e torturador de animais selvagens? Demasiado dinheiro…

De qualquer forma, neste momento, minha própria picada já perfurou meu corpo e está espalhando veneno destruindo meus órgãos vitais, provavelmente de forma irreversível. No entanto, ela irá inevitavelmente furar, ainda que apenas temporariamente, a ordem assassina que sustenta este sistema de escravização e exploração generalizada da natureza (humana ou não)…

A ÚNICA LUTA DERROTADA É AQUELA QUE NÃO FOI DADA

LIBERDADE OU MORTE

11/07/2022,

Yinnis Michailidis

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619832/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/07/grecia-extra-proposta-do-ministerio-publico-ao-conselho-de-justica-para-a-libertacao-de-yinnis-michalidis-e-rejeitada/

agência de notícias anarquistas-ana

Os pardais voam
De espantalho para
Espantalho

Sazanami

[Grécia] Reivindicação do ataque aos Escritórios de Administração Fiscal de Maroussi

Em 07/07/2022 às 4h00 realizamos um atentado simbólico com dois quilos de material explosivo nos Escritórios de Administração Fiscal de Maroussi em solidariedade com o anarquista em greve de fome Yinnis Michailidis, que se encontra em greve de fome desde 23/05/2022. No entanto, também há silêncio sobre este tema, com muito poucos informes. O fato de que a “oposição” e o “jornalismo” sigam ordens e cumpram acordos alcançou um novo nível nos últimos anos, com a ocultação deliberada de fatos ou sua distorção. O silêncio que prevalece no discurso público é, por um lado, um requisito para tratar com dureza a pessoa em greve de fome e, por outro, nos obriga a melhorar nossos meios.

O companheiro corre agora o risco de sofrer danos irreparáveis em sua saúde, lutando só com sua vida como arma pelo bem máximo, a liberdade. O momento do atentado é especialmente significativo, já que no dia anterior se anunciou a recomendação negativa da promotoria sobre sua petição de liberdade, à qual tem direito segundo suas leis. As leis que aplicam seletivamente segundo os critérios de soberania, com exemplos recentes como a liberação do policial assassino Korkoneas, o violador Filippidis, o caso Zac Kostopoulos, etc.

Numerosas intervenções e ações de solidariedade aconteceram e continuarão. Este atentado pretende dar valor e uma promessa a Yinnis de que seguiremos lutando, mas também uma mensagem a todo tipo de governantes de que nada ficará sem resposta.

Na prática, os anarquistas solidários.

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619762/

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/12/grecia-heraklion-assumindo-a-responsabilidade/

agência de notícias anarquistas-ana

Gosto de ficar
Olhando as cores do céu –
Os dias se alongam.

Hisae Enoki

[França] Carta de Ivan, “A solidariedade é o ataque!”

Carta de Ivan da prisão de Villepinte. Ele está em prisão preventiva por incêndios de carros, muitas vezes reivindicados em solidariedade com prisioneiros anarquistas.

15.06. 2022

Meu nome é Ivan, sou anarquista.

Fui preso pela SDAT [subdiretoria antiterrorista] no sábado, 11 de junho, por volta das 3h30, não muito longe da minha casa, quando voltava.

Sou acusado de seis incêndios de veículos ocorridos em Paris e Montreuil entre janeiro e junho, muitas vezes reivindicados em solidariedade a prisioneiros anarquistas (o último, um carro da embaixada foi incendiado na noite da minha prisão, no dia 17).

Durante meses, os policiais montaram equipamentos, escutas telefônicas, instalaram uma câmera na entrada do meu prédio, interceptaram meu correio (em particular as cartas de compas na prisão) e olharam minha conta bancária.

Outra pessoa (só nos conhecemos de vista, mas tem todo o meu respeito) foi seguida, ouvida, etc., também, mas não questionado. Coragem, velho!

A investigação do SDAT começou em fevereiro de 2022 por ordem da promotora Laure-Anne Boulanger, da promotoria de Bobigny.

Também tiraram das gavetas outra investigação, classificada, que havia sido realizada por outros policiais, sobre cerca de cinquenta incêndios de veículos, reivindicados pelos anarquistas, em Paris e arredores, entre junho de 2017 e 2021. O SDAT “Combinou as duas investigações, mas o juiz de instrução (Stéphanie Lahaye do tribunal de Bobigny) reteve apenas as últimas seis ações. Para os outros, sou uma “testemunha assistida”.

Além da “destruição por meios perigosos”, há também acusações de colocar em risco a vida de terceiros, a recusa de identificação (fotos, DNA, impressões digitais, não as tiraram de mim à força, apesar das ameaças), a recusa de dar as chaves de criptografia para meus computadores e as senhas para os telefones.

No momento, estou em prisão preventiva na Maison d’Arrêt de Villepinte. Estou em boa forma, estou bem, mesmo sentindo muitas saudades dos meus entes queridos.

Normal, é a cadeia, e você tem que levar isso em conta, quando você é um inimigo desta sociedade.

Voltar de uma caminhada é o momento mais difícil aqui. É quando a porta fecha até o dia seguinte. Mas eu me viro para a janela e olho para fora. Ali, em algum lugar, os companheiros continuam lutando. Nada acabou.

Assim que tiver mais informações sobre este caso, escreverei mais (não tenho muito mais o que fazer!).

Meus pensamentos vão para os anarquistas na prisão, em todo o mundo: para Damien (preso em Draguignan), para Alfredo, para Anna, para Juan, para Toby, para Yinnis Michailidis em greve de fome… e para todos vocês… lá fora!

Solidariedade é o ataque!

Viva a anarquia!

Ivan

Fonte: https://anarchistburecross.noblogs.org/post/2022/06/27/lettre-divan-la-solidarite-cest-lattaque/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

todos aos abrigos:
a avó de novo
com o mata-moscas

Elizabeth St. Jacques

[Espanha] Fluxos migratórios

ias após a cúpula da OTAN na capital do reino, ainda nos envergonhamos do nível de subordinação e genuflexão dos políticos desse país inefável. Como é bem sabido, a força atlântica, longe de se dissolver como uma organização terrorista armada, como deveria ter feito décadas atrás, estabeleceu sua linha de ação para os próximos dez anos. Entre seus objetivos, para o orgulho da direita mais extrema, e como não poderia deixar de ser, está a defesa da integridade territorial de cada um de seus membros; explicitamente, desta vez, os fluxos migratórios são aludidos. É claro que Pedro Sánchez, à frente do autoproclamado governo de coalizão mais progressista da história, demonstrou sua total satisfação por ter servido como sede dos gerentes do império. Com uma crise após outra, à beira do colapso econômico devido ao sistema capitalista e com uma democracia representativa, que assegura o controle das elites políticas e econômicas, a força atlanticista, como porta-estandarte da civilização ocidental, está se movendo em seu desejo de buscar ardentemente inimigos entre os quais estão os miseráveis do mundo em busca de uma vida melhor. Ninguém esperava mais, afinal já estamos esquecendo em nossa sociedade midiática sem cérebro os recentes assassinatos na fronteira marroquina pelas forças sacrossantas da lei e da ordem.

Parece incrível que continuemos com nossas vidas cinzentas em meio à (grande) crise de uma modernidade teimosa para falar, sem o menor sinal de vergonha, de “progresso” e “desenvolvimento”. Se alguém esperava, após a pandemia de Covid também ter afetado o primeiro mundo, que aprendêssemos a ser mais solidários e conscientes de um mundo desigual, estava errado. Afinal, o capitalismo provou ser muito mais inovador e mutável do que o velho Marx previu; no que diz respeito à política, os governantes de todas as matizes estão razoavelmente calmos desde que nós cidadãos não entremos numa fase de maturidade para aprender como criar nossas próprias ferramentas de gestão direta. Sim, diremos novamente, a invasão da Ucrânia pelo executivo russo é repulsiva, mas logo esquecemos que as guerras parecem fazer parte do código genético do capitalismo e que em nenhum momento nenhum Estado ou nenhuma força militar da qual faça parte realmente trabalhou pela paz, muito menos pela justiça social. Mas, continuemos com o iníquo “controle dos fluxos migratórios”.

Vale a pena lembrar àqueles que ainda retêm qualquer réstia de fé em um governo “progressista” que cada um deles manteve sua política de conter a migração para garantir que o sistema capitalista continue funcionando bem, transformando as pessoas em apenas mais uma mercadoria. Sim, quando a migração é “indesejável” a força repressiva mais óbvia opera, leia-se Ceuta e Melilla, mas a hipocrisia do sistema é tal que a legalidade estabelecerá adequadamente quais pessoas são adequadas de acordo com as necessidades do mercado de trabalho. Esses acordos para decidir quais migrantes estão aptos a serem explorados, enquanto outros são cruelmente reprimidos, são obviamente o resultado de acordos entre governos com a bênção de todo tipo de agências de desenvolvimento e ONGs de assistência social, que compõem e sustentam o mundo em que vivemos; não é coincidência que pouco antes da ação desenfreada da polícia marroquina, em perfeita conivência com as forças de ordem espanholas, Pedro Sánchez mostrou sua satisfação em ter negociado satisfatoriamente, podemos adivinhar o que, com o déspota marroquino. Em meio a crises globais de todo tipo, a migração, que é precisamente o resultado dos muitos conflitos de guerra, injustiça econômica e opressão política, deveria ser um dos campos para demonstrar que um mundo livre e unido, sem fronteiras de qualquer tipo, é possível. Isto, apesar da enésima reorganização armada das elites iníquas do mundo, que esperançosamente mostrarão seu último suspiro.

Juan Cáspar

Fonte: https://acracia.org/flujos-migratorios/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Insetos que cantam
parecem adivinhar
minha solidão…

Teruko Oda

[Espanha] Solidariedade com as processadas em Plasencia

A CNT e duas de suas afiliadxs foram denunciadas pela empresa FORMANORTEX da Plasencia, e isto se deve a uma reivindicação legítima por horas extras e condições de trabalho. A companheira, que foi contratada como professora, tem trabalhado em feiras por até 12 horas, e essas horas não foram pagas pelo empregador. A companheira foi demitida assim que ela tentou reivindicar seus direitos.

A primeira queixa do empregador foi indeferida há um ano, pois o Judiciário considerou que não havia evidência de crime. A empresa acusa o sindicato de extorsão, de apelar para a inspeção do trabalho e de realizar um comício às portas de uma feira comercial. Após a primeira rejeição, o empregador voltou à acusação apelando da decisão judicial na Corte Provincial de Cáceres, onde o novo recurso foi aceito.

A CNT considera este caso, no qual uma trabalhadora precária e vários sindicalistas estão em julgamento por expor práticas comerciais fraudulentas, como sendo extremamente grave. É inaceitável, num estado democrático, que a exigência de cumprimento das leis trabalhistas possa levar a consequências judiciais para o denunciante sindical.

Da CNT destacamos mais uma vez a impunidade com que muitos empregadores agem, sabendo que não há recursos suficientes na Inspetoria do Trabalho. Também é vergonhoso que, mais uma vez, a insegurança no trabalho esteja tentando ser normalizada e tenha o rosto de uma mulher.

Por todas estas razões, pedimos sua solidariedade no comício sindical a ser realizado no dia 1º de julho, às 11h00, em frente aos tribunais de Plasencia.

O SINDICALISMO NÃO É UM CRIME!

Venha para o comício em apoio ao trabalhador.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/solidaridad-con-las-encausadas-de-plasencia/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Atrás do portão
um latido afoito
chegamos junto com a noite

Winston

Os anarquismos não são um negócio

Desde que os neoliberais sugaram a palavra libertária para recobrir o libertarianismo estadunidense; que a democracia passou a ser uma prática que sobe e desce da família à empresa e ao Estado; que o Estado de direito virou o escudo das esquerdas; que as esquerdas repaginadas pretendem repor o que perderam sem deixar sua devoção à estadolatria; que certos neoliberais aceitam a esquerda; que a direita e a ultradireita passaram a ser sinônimos pejorativos de neoliberalismo; que a ecopolítica cada vez mais se fortalece com seus esperados procedimentos, protocolos diplomáticos e retórica; que o ativismo cresce como negócio sustentável, político e até mesmo micropolítico; que o abolicionismo penal vem sendo sugado pelos teóricos da justiça restaurativa e malabaristas do pastorado de minorias; que cresce a fé em mercado e democracia para monitorar liberdades; que resistências foram abocanhadas pelas resiliências; que os protagonismos sufocam os anarquismos; que não faltam pastores nem cidadãos-polícia … desde quase tudo isso e o mais que isso, também não há negócio com os anarquismos. De repente, eles irrompem do tremor da terra, das lavas, dos raios, nos temporais sob o sol e as constelações, em passos inaudíveis. Não cessam.

>> Para ler o Flecheira Libertária na íntegra, clique aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2022/07/flecheira679.pdf

Fonte: Flecheira Libertária, n. 679, 12 de julho de 2022. Ano XVI.

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Parada do trem –
Com o vendedor de flores
Vêm as borboletas.

Sôshi Nakajima

[Grécia] Heraklion – Assumindo a responsabilidade

A questão não é se vamos conseguir o Anarquismo hoje, amanhã ou em dez séculos, mas que caminhemos para o anarquismo hoje, amanhã e sempre.” – Errico Malatesta

Em 23/05 o companheiro Yinnis Michalidis inicia uma greve de fome exigindo sua libertação da prisão. Tendo cumprido 3/5 de sua sentença, sob as leis da justiça civil ele deveria estar livre dos grilhões do Estado.

Este ataque a Michalidis não é um ataque isolado, mas faz parte de um ataque generalizado do Estado aos presos políticos e militantes que se desviam da estrutura que ele impõe.

Após 49 dias de greve de fome, a saúde do companheiro chegou a um momento perigoso. Os culpados por qualquer possível dano sofrido por Michalidis são o governo do Nova República, bem como as autoridades judiciais que por duas vezes rejeitaram seu pedido de libertação.

Pelas razões acima, escolhemos atacar na sexta-feira 08/07 ao amanhecer os escritórios do Nova Democracia com tintas e pedras, bem como o prédio de auditoria do Ministério da Justiça com marretas, mostrando assim nossa solidariedade prática com o companheiro Michalidis.

LIBERTAÇÃO IMEDIATA DO COMPANHEIRO YINNIS MICHALIDIS
ESTADO E CAPITAL SÃO OS ÚNICOS TERRORISTAS
A SOLIDARIEDADE É NOSSA ARMA
SOLIDARIEDADE COM OS PRESOS POLÍTICOS QUE INICIARAM UMA GREVE DE FOME COMO SINAL DE SOLIDARIEDADE COM O COMPANHEIRO MICHALIDIS

Companheiros e companheiras do Sul

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619812/

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O ar tremeluz –
A areia sobre o rochedo
Vai caindo aos poucos.

Hattori Tohô