[Grécia] Sinais de revolta desde Tessalônica

Noite de 28 de maio. Estão sendo finalizados os planos da Polícia Nacional para os próximos distúrbios que há dias se anunciam através dos meios de comunicação que acontecerão no interior da Universidade Aristóteles de Tessalônica (AUTH) por causa dos acontecimento contra a presença policial [no campi]. “Fortalecer a AUTH”, “O cordão ao redor da AUTH está sendo preparado”, são algumas das frases que se escutam ultimamente em um esforço de caráter comunicativo, cujo objetivo é intimidar e em seguida evitar os enfrentamentos. A polícia antidistúrbios, as motocicletas e os antidistúrbios foram colocados ao redor do perímetro da universidade. No interior, os pelotões estão postos nas faculdades de Ciências Sociais e de Biologia, enquanto que os guardas de segurança tomaram posições “estratégicas” para traçar um mapa das pessoas que provocarão os incidentes. “Posições estratégicas” que pudemos localizar e algumas delas foram perseguidas com exagerada facilidade, sem poder captura-las, já que só a ideia do que somos capazes lhes faz fugir.

O Estado tenta agora projetar a imagem de um mecanismo policial “perfeito” sem vulnerabilidades com um planejamento operativo “perfeito”. Um planejamento operativo “perfeito” que não parece sê-lo na prática. Surpreendemos os pelotões que custodiavam o risco biológico durante as 24 horas queimando-os já desde o primeiro ataque. Durante nossa reconstituição detectamos uma tentativa de represália por parte da equipe de detenção, que não chegou a acontecer, já que nos chamou a atenção e os atacamos com grande ferocidade, detendo-os. Quando os antidistúrbios viram que não podiam controlar a situação, começaram a retirar-se e ocultar-se detrás do carro lança águas. Cabe destacar que o carro lança águas não jogou água, já que nunca tentou aproximar-se de nós. O único movimento que o vimos fazer foi de 1 metro para adiante e 10 metros para trás. Os enfrentamentos duraram no total uns 45 minutos e foram protagonizados por 70 pessoas.

Chegados a este ponto, queremos assinalar algumas coisas sobre a violência estatal. O uso da força policial excessiva sempre foi uma ferramenta utilizada em circunstâncias nas quais o poder perdia terreno. Por muito que tentem convencer-nos da suave caricia do poder, nunca esqueceremos os assassinatos, as surras, as torturas nos centros de detenção. Nunca esqueceremos os disparos diretos desde uma distância de poucos metros e a ameaça de um policial antidistúrbios quando nos apontou com sua arma regulamentar durante um assalto ao consulado turco. E tudo isto é a ponta de um iceberg que às vezes é mais visível e outras menos. Estes acontecimentos nos fazem refletir sobre o planejamento operativo da polícia. Pensamentos que nos sussurram que os círculos dentro das forças policiais estão buscando sangue. Pensamentos que nos sussurram que querem morrer.

Enviamos um sinal de agressão desde Tessalônica à Atenas e a todas as demais cidades e anunciamos um novo ciclo de ataques. Nos alegramos dos atentados que aconteceram em Tessalônica, em Exarchia e em outras zonas nas últimas semanas, tanto os que se tornaram públicos como os que nunca se ouviram. Nos dão valor para o futuro. Com inteligência, valor e paciência, seguimos lutando. Com cérebro, coragem e sem paciência esperamos a polícia universitária para recebê-los com os braços abertos e flores.

PS: Liberação imediata do companheiro e grevista de fome Yiannis Michalidis.

Anarquistas

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619268/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Oh rã pequenina,
oh não se deixe vencer!
Issa está aqui.

Issa

[EUA] Florida: Clínica Anti-Aborto em Hollywood é coberta de pichações em apoio a Autonomia dos Corpos

Uma célula do grupo de anarquistas insurgentes pró-aborto, Janes Revenge, atacou uma clínica anti-aborto em Hollywood, chamada Respect Life, marcando as paredes do estabelecimento com pichações em apoio a autonomia dos corpos e outras mensagens políticas similares.

Janes Revenge é uma rede de anarquistas insurgentes dedicadas a defender os direitos reprodutivos e a autonomia dos corpos, seu nome vem do Jene Collective dos anos 1970, que fornecia aborto seguro para mulheres em Chicago, numa época em que a prática era ilegal. Janes Revenge veio a publico pela primeira vez com o ataque incendiário de uma clínica anti-aborto em Madison, Wisconsis, em 7 de maio de 2022.

Tradução > 1984

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agência de notícias anarquistas-ana

sobre os vidros
traços de nariz e dedos
olham ainda a chuva

André Duhaime

Memória | A voz feminina da revolução

Por Marcolino Jeremias

Elvira Fernandes (foto), costureira, nascida em Portugal, mas que militou no Rio de Janeiro. Escreveu para a imprensa operária e oficial. Discursou em comícios do Primeiro de Maio ao lado de militantes como Orlando Correa, Caralampio Trillas, Edgard Leuenroth (quando esteve no Rio de Janeiro, representando o jornal A Lanterna), Domingos Passos e outros.

Dedicou intensa atividade para organizar associações de mulheres operárias. Participou da União das Costureiras e Classes Anexas do Rio de Janeiro. Escreveu em solidariedade quando o anarquista José Romero foi preso injustamente. O mesmo deu-se quando a repressão invadiu e depredou as organizações operárias do Recife (PE), espancando e prendendo muitos trabalhadores: “Nós, um núcleo de mulheres anarquistas animadas pelas mesmas ideias, aliamo-nos a este protesto até onde as necessidades do meio de ação nos permitir. Se as grandes canalhices do Brasil, requerem os grandes gestos, podem esperar os perseguidores de nossos companheiros que não nos excluiremos, pois é tempo da mulher brasileira entregar-se à luta! Trabalhadores e mulheres proletárias: Se os atos selvagens exercidos contra os trabalhadores de Pernambuco pelos exploradores dali eletrizam o vosso íntimo e vos estimulam à revolta, vinde conosco, gritar bem alto: Basta de tiranias!“.

A intrépida costureira Elvira Fernandes defendia um projeto arrojado para que as mulheres operárias e a classe trabalhadora alcançasse a sua completa emancipação social: “Nada de política, nada de religiões, sejamos unidos contra todas essas mentiras em que nos tem mantido as classes dirigentes; não sirvamos de degraus para os nossos inimigos, que eles lá em cima não toleram a nossa propaganda pela nossa emancipação, para levarmos ao termo final de formarmos sobre as ruínas do presente, a verdadeira sociedade em que reine a solidariedade, o amor e a justiça. Caminhemos!“.

agência de notícias anarquistas-ana

Nuvens brancas
passam rapidamente —
Noitinha de outono.

Carlos Bueno

 

[Grécia] Volos: Informações sobre a mobilização em memória do anarquista Vasilios Mangos

Na terça-feira 13/6, 150 pessoas se reuniram no centro da cidade. Já se passaram dois anos desde a tortura e morte do companheiro Vasilios Mangos pelos bastardos uniformizados. A marcha atravessou o centro e terminou na casa de Vasilios, onde foram gritados slogans e espalhados folhetos.

NÓS NÃO ESQUECEMOS – NÓS NÃO PERDOAMOS!

CONTRA OS ASSASSINATOS DO ESTADO E O MECANISMO SISTEMÁTICO QUE OS PROTEGE.

MESMO QUE NUNCA GANHEMOS, SEMPRE LUTAREMOS. VASILIOS MANGOS SEMPRE PRESENTE, SEMPRE NA LUTA!

Okupação Mangos, Volos

>> Mais fotoshttps://athens.indymedia.org/post/1619299/

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agência de notícias anarquistas-ana

Vento cortante –
Se esconde em meio ao bambu
E desaparece.

Bashô

[Espanha] Atualizações sobre os companheiros anarquistas detidos em 27F

A luta continua até que caiam todos os muros. Liberdade para Pablo e Beppe!

QUE TREMAM OS PODEROSOS E OS INIMIGOS DA LIBERDADE

É com imensa alegria que anunciamos a libertação condicional e prévio abono da espantosa fiança de 35 mil euros, de Albo e Danilo.

Hoje, 07 de junho de 2022, às 19h30, sob os infames muros do cárcere/empresa de Brians 1, pudemos abraça-los depois de mais de 500 dias de cativeiro.

Nossos companheiros, em esplêndida forma se reintegram nas fileiras da luta social, ansiosos de recomeçar onde o deixaram.

É para nós um dia de festa ainda que ofuscado pela consciência de que a luta está longe de ser ganha.

Nosso pensamento vai para Pablo ainda preso no cárcere de Lleida e Beppe no de Brians 1, este último separado por 20 mil euros de fiança da liberdade.

Conseguir esta soma de dinheiro é nosso próximo objetivo, estamos ainda nas mãos da solidariedade.

Sabemos no caso de Beppe que o Estado está sendo particularmente vingativo e que além da “normal” privação da liberdade lhe impedem as comunicações por cartas e pessoais, sem justificar as razões.

O advogado recorreu destas medidas especiais, enquanto isso cabe a todos nós levar estas reivindicações à rua.

Em espera de ulteriores desenvolvimentos dos fatos, os convidamos a se manterem agitados.

Até que da última prisão não fique nem uma só pedra, 27F todos os dias.

Pablo livre.
Beppe livre.
Todos livres!

Assembleia 27F

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/07/01/espanha-prisao-brians-i-comunicado-dos-compas-presos-na-manifestacao-de-27-de-fevereiro/

agência de notícias anarquistas-ana

No beiral da casa
o entra e sai do passarinho –
Pardal no ninho.

Benedita de Azevedo

[Chile] “Chem Ka Rakiduam”: O pensamento e a ação da CAM em um livro, apresentado por suas próprias porta-vozes

Por Susanna de Guio

A primeira apresentação do livro Chem Ka Rakiduam aconteceu no dia 10 de junho em um salão muito cheio do centro cultural recuperado de Hermida, silencioso por causa da escuta atenta. Entre pães quentes e mate, os presentes escutaram atentamente as palavras de Hector Llaitul, porta-voz histórico da CAM, sobre o processo desta organização política do povo mapuche, atualmente sob os holofotes da grande mídia, juntamente com os nomes do lof Peleco Pidenko, Orfelina Alcamán, e do vencedor do prêmio nacional de história Jorge Pinto.

O livro, que aborda o pensamento e a ação da Coordenadora Arauco Malleco, foi lançado pela primeira vez em 2019, mas agora volta com uma edição nova e atualizada. Ela contém os fundamentos políticos e ideológicos do movimento de libertação nacional mapuche, tecidos juntamente com testemunhos, experiências de recuperação territorial e organização, e as práticas de luta que a CAM vem desenvolvendo há quase um quarto de século.

“Queremos que você possa lê-lo, esperançosamente estudá-lo, compreendê-lo e aproximar-se da causa mapuche”, começa Héctor Llaitul com o livro em suas mãos, explicando que se trata de uma história coletiva. O chamado para aprender sobre a CAM com sua própria voz, e compartilhar seu processo emancipatório para a autonomia do movimento mapuche, é ainda mais significativo na atual situação política, onde o novo governo progressista de Gabriel Boric continua a chamar para o diálogo com as comunidades mapuches, mas enquanto isso, em 18 de maio decretou um estado de emergência constitucional na macrozona sul, e o Subsecretário do Interior Monsalve já anunciou que solicitará sua prorrogação. “Como eles querem que dialoguemos com uma arma sobre a mesa”, continua Llaitul, que tem uma ação judicial pendente contra ele movida pela Renovación Nacional por ter declarado publicamente que a resistência armada será organizada em face do estado de emergência.

Entretanto, isto não é novidade, a CAM vem desenvolvendo há anos diferentes ferramentas para enfrentar a violência dos grupos florestais e empresariais que defendem seus interesses e destroem a natureza ancestral usurpada do povo mapuche, reproduzindo a opressão de um povo que historicamente conheceu o racismo, a despossessão e a segregação.

O livro Chem Ka Rakiduam é uma dessas ferramentas que a CAM construiu, onde explica porque a luta mapuche deve ser anticapitalista e seu horizonte é autonomia e território, duas palavras que o governo Bóric não pronuncia em seus discursos. Ela conta a história da origem dos Órgãos de Resistência Territorial (ORT), após o assassinato de Matías Catrileo, e explica porque a política de compra de terras pelo CONADI (que o atual governo retoma como se fosse a solução) se presta ao clientelismo e à especulação. As páginas do livro também contêm experiências como a do lof Pidenko, onde – Orfelina Alcamán conta com orgulho – o controle territorial tem sido exercido desde 2016, onde as raízes dos pinheiros deixados pela empresa florestal Arauco foram removidas uma a uma, e mais de 100 hectares estão atualmente plantados com trigo e aveia, que são capazes de alimentar toda a comunidade de Lumaco durante um ano inteiro.

Mais uma vez, nas últimas semanas, vimos a mídia e o Estado instalarem furiosamente uma narrativa que criminaliza a CAM por ser um ator político que enfrenta diretamente os interesses do grande capital, e que não se compromete com as regras do neoliberalismo. A ofensiva é evidente se considerarmos que em 31 de maio passado, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de resolução declarando a CAM como uma associação ilegal e terrorista, juntamente com outras organizações mapuches. Mas aqueles que participam deste projeto político armado nunca mataram uma única pessoa; por outro lado, entre suas fileiras, vários weychafe foram assassinados.

Na nova versão do livro há um espaço dedicado à morte em combate de Toño, o jovem Pablo Marchant Gutiérrez, que foi baleado na cabeça por um carabineiro no dia 9 de julho do ano passado. “Este evento marca um marco em nossa história como organização” se lê na análise do novo ciclo de dominação que se abre no Wallmapu, é um ponto de viragem “porque seu assassinato representa uma nova forma de operar por parte dos agentes do Estado criminoso e do paramilitarismo, ligados às empresas florestais instaladas no território ancestral em disputa”.

Dos setores organizados e mobilizados, que diariamente praticam a luta territorial e política no Wallmapu, fica claro que o atual governo não será uma contribuição no caminho para alcançar a autonomia do povo mapuche-nacional. Tampouco, deixam claro, é o caminho para um estado plurinacional ou intercultural, pois a questão em pauta não é a integração ou o reconhecimento cultural do povo mapuche, é a luta de um sujeito político por sua própria libertação e autonomia integral, o que não é compatível com o extrativismo, nem com a acumulação capitalista, nem com as instituições do Estado chileno a serviço dos interesses econômicos transnacionais. É por isso que a batalha é longa, os sinais da situação atual não são pacíficos e não indicam a resolução do conflito, é por isso que é hora de ouvir a mensagem da CAM, e ler seu livro.

Disponível diretamente na página de facebook do livro para solicitar cópias e envios para regiões em LIBRO CHEM KA RAKIDUAN (https://www.facebook.com/Libro-Chem-ka-Rakiduam-Pensamiento-y-acci%C3%B3n-de-la-CAM-376820529903010)

Amulepe taiñ weichan!

Fonte: https://radiokurruf.org/2022/06/11/chem-ka-rakiduam-el-pensamiento-y-accion-de-la-cam-en-un-libro-presentado-por-sus-propias-vocerias/#

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Ameixeiras brancas —
Assim a alva rompe as trevas
deste dia em diante.

Buson

[Espanha] Lançamento: “Negro como la tinta, rojo como el amor. Moral, cultura y sociabilidad ácrata en la España de los años 30”, de Alejandro Lora Medina.

Negro como la tinta, rojo como el amor... é uma compilação de textos que abordam vários aspectos-chave da cultura e sociabilidade libertárias no período anterior a 1939. A vivência do ideal anarquista pela militância da CNT, o papel que a leitura desempenhou no potencial emancipatório do movimento operário de inspiração anarquista e o rico debate em torno da sexualidade e das relações sentimentais são as principais linhas deste trabalho de pesquisa que nos permite abordar o imaginário coletivo e o rico universo cultural do anarquismo ibérico durante os anos 30 do século passado.

Alejandro Lora Medina (Sevilla, 1987). Graduado em História pela Universidade de Sevilha (US), local onde também fez sua tese de doutorado sobre a importância da cultura no anarquismo espanhol. Atualmente é professor de História Contemporânea na Universidade Pablo de Olavide (UPO). A partir da perspectiva da história cultural da sociedade e da política, sua obra aborda o papel das memórias na construção de identidades coletivas. Especificamente, sua pesquisa se concentra na análise da cultura, mentalidade e sociabilidade do anarquismo espanhol durante as primeiras décadas do século XX, especialmente na década de 1930. É autor de diversos artigos publicados em revistas como BrocarHispania NovaHispaniaPasado y MemoriaDynamisHistoria Contemporánea o Ayer.

Negro como la tinta, rojo como el amor. Moral, cultura y sociabilidad ácrata en la España de los años 30

Alejandro Lora Medina

Editora: Piedra Papel Libros

ISBN: 978-84-123840-5-5

Páginas: 180

Tamanho do livro: 210mm x 130mm

Preço: 16€

Site: https://piedrapapellibros.com/

Tradução > Mauricio Knup

agência de notícias anarquistas-ana

A chuva engrossa
Sem ter com que se preocupar
O gato só se coça

Alvaro Posselt

“Domesticados, conformados e conformistas”

lembranças infinitas

Escritores da contracultura (lembram-se dela?, sabem o que foi?) diziam que entre ser jovem ou de esquerda, preferiam ser jovens. Isso repercutiu no punk, no final dos anos 1970: não há futuro!. Vinha da nova emergência anarquista desde 68, supostamente enterrada pela esquerda, direita e democratas desde a tentativa de extermínio na Revolução Espanhola. Ser jovem era colocar em risco as formas de governo (não só de Estado, mas da família, da propriedade, das regiões, de si próprixs). Ser jovem estava para além de direitos e das transgressões consentidas. Entornaram os vasilhames, assustaram a família enclausurada e morta-viva e suas seguranças; transbordaram em sexo livre e solto, gozo com a natureza. Sabiam que eram gente constitutiva desta natureza com suas animalidades e razões para fazer presente sua experimentação libertária, uma heterotopia com revolta permanente. Naquela época vivia-se a ameaça contínua de soviéticos ou estadunidenses atirarem bombas sobre nós. Segunda parte da II Guerra Mundial (finalizada com bombas atômicas), conhecida como Guerra Fria. Se tudo estava por um fio, então era o momento de acontecerem reviravoltas.

para ultrapassar…

Hoje, domesticados, conformados e conformistas, não faltam jovens que sonham ser bilionários e não o serão. Vivem para restaurar a mesmice no presente; desprezam práticas e pensamentos livres; satisfazem-se como democratas de shopping e redes sociais digitais ou como autocratas de shopping e redes sociais digitais. Tomam anestésicos, estimulantes, antidepressivos, vestem grifes e identidades, choram por qualquer coisa (são emotivos, ecumênicos e sufocam a gula com dietas e direitos). Não estão entre os que morrem de fome, mas também estão entre os que morrem de fome (viram polícia, corpo de traficantes, estão prontos para matar e morrer, ser delator(a), infiltrado(a), tudo por uma grana, sicário(a), milícia). Estão nos condomínios e nos regulamentos. Têm adoração por proibir, punir, condenar, negociar, empreender; veneram celebridades, influencers, pastores. Não escolheram a política (são carne ralada para os/as políticos), nem ser jovem. É o exército da chamada transparência com fones nos ouvidos, dedos e olhos nas telas, inflacionando opiniões.

>> Para ler o Flecheira Libertária na íntegra, clique aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2022/06/flecheira675.pdf

Fonte: Flecheira Libertária, n. 675, 14 de junho de 2022. Ano XVI.

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Bem que me agasalho.
Galhos sem folhas lá fora
parecem ter frio.

Anibal Beça

[Uruguai] A ilusão estéril da mudança por cima

Por Raúl Zibechi | 07/06/2022

Colômbia, Equador e Chile nos mostram processos recentes relativamente similares. Governos de direita neoliberais confrontados com grandes e duradouras revoltas populares, que abriram brechas no domínio e colocaram a governabilidade em xeque. O sistema político respondeu canalizando a disputa para a arena institucional, com a aprovação e o entusiasmo da esquerda.

Durante as revoltas, as organizações de base foram fortalecidas e novas organizações foram criadas. Só no Chile, mais de 200 assembleias territoriais e mais de 500 cozinhas comunitárias em Santiago quando a pandemia foi declarada. No Equador, o Parlamento dos Movimentos Indígenas e Sociais, com mais de 200 organizações. Na Colômbia, dezenas de pontos de resistência, territórios livres onde as pessoas criam novas relações entre si.

Os resultados da opção institucional muitas vezes se tornam visíveis algum tempo depois, quando o poder das revoltas começa a se desvanecer e quase não há mais organizações de base. O parlamento indígena equatoriano não funciona mais. As assembleias chilenas enfraqueceram em número e participação. O mesmo está acontecendo na Colômbia.

O caso do Chile é o mais dramático, pois o poder total da revolta foi logo neutralizado com a assinatura de um acordo para uma nova constituição, embora saibamos que o objetivo final era tirar a população das ruas, pois é a principal ameaça ao domínio das elites econômicas e políticas.

O Chile é o único desses três países onde o processo eleitoral coroou alguém que afirmou representar a revolta, o atual presidente Gabriel Boric. O que mais se poderia pedir? Um jovem que foi ativo no protesto estudantil e que faz parte da nova esquerda agrupada em torno do Apruebo Dignidad (Aprovo Dignidade).

É a maior decepção imaginável, para aqueles que estavam apostando em uma mudança gerenciada de cima para baixo quando da ocorrência dos protestos. Foi Boric quem assinou o pacto com a direita e o centro, com a classe política elitista, para convocar a assembleia constituinte. Foi ele quem disse repetidamente que as coisas mudariam com seu governo e prometeu desmilitarizar o território mapuche, o Wall Mapu.

Dois meses após assumir a presidência, ele decidiu estabelecer um estado de emergência naquelas terras. Assim como Sebastián Piñera, o presidente de direita odiado pela metade do Chile. Assim como todos os governos anteriores, incluindo, é claro, o regime Pinochet.

O estado de emergência é dirigido contra o ativismo mapuche que recupera terras e sabota as empresas extrativistas que destroem a mãe terra. Em particular, ela visa a Resistência Mapuche Lavkenche (RML), a Coordenação Arauco-Malleco (CAM) e a Libertação Nacional Mapuche (LNM), bem como organizações autônomas de resistência territorial.

A ocupação militar da Araucanía responde às exigências dos caminhoneiros e proprietários de terras. Para Héctor Llaitul, líder do CAM, é a expressão plena da ditadura militar que nós, os mapuches, sempre sofremos; enquanto a RML considera que Boric deixou as novas políticas repressivas nas mãos do Partido Socialista, com o apoio do crime organizado.

Vale apenas acrescentar que a área econômica foi entregue a um dos mais proeminentes defensores do neoliberalismo e da ortodoxia econômica, Mario Marcel. Não haverá mudanças. Apenas maquiagem. A popularidade de Boric caiu: 57% desaprovam-no, apenas dois meses depois de tomar posse.

O Chile não é a exceção, mas a regra. Algo semelhante está acontecendo no Equador, embora a presidência tenha sido conquistada pelo direitista Guillermo Lasso. Na Colômbia, infelizmente, o movimento social foi apanhado nas urnas pela desorganização de seus próprios territórios urbanos. Algumas reflexões.

Primeiro: a política eleitoral depende muito mais do marketing do que de programas e propostas. Assim como o consumismo é uma mutação antropológica (Pasolini), o marketing eleitoral reformula os mapas políticos e o comportamento de cima para baixo.

Dois: o poder, o poder real, não nasce das urnas, nem nos parlamentos ou governos, mas está longe da visibilidade pública, no capital financeiro ultra-concentrado, no invisível 1% que controla a mídia, as forças armadas e a polícia, os governos em todos os níveis e, sobretudo, os grupos narco-paramilitares ilegais que remodelam o mundo.

Três: os governos eleitos não podem – no caso hipotético que eles tentam – tocar os interesses dos poderes reais e dos poderosos. Eles estão protegidos por trás de vários exércitos, estatais e privados, um sistema judicial opaco e os principais meios de comunicação.

Quatro: é uma questão de tomar outros caminhos, não insistir naqueles que já sabemos que só levam à re-legitimação do existente e ao enfraquecimento dos outros mundos que estão nascendo. Não se trata de disputar seu poder (nem sua saúde, nem seus meios, nem sua educação). Criar o nosso. E defendê-lo.

Raúl Zibechi é jornalista, escritor e ativista-pensador uruguaio, dedicado a trabalhar com movimentos sociais na América Latina.

Fonte: https://redlatinasinfronteras.wordpress.com/2022/06/07/raul-zibechi-la-esteril-ilusion-del-cambio-por-arriba/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

O vento cortante
Assim chega ao seu destino –
Barulho do mar.

Ikenishi Gonsui

[São Paulo-SP] 3° Anarquismo na Periferia | Política Além do Voto

Com muito prazer, nós da Frente Anarquista da Periferia (FAP) anunciamos mais um Anarquismo na Periferia.

Com o intuito de aproximar toda a comunidade dos ideais libertários e da luta política por fora do sistema, estamos divulgando esse evento que vai acontecer ao lado do Terminal Jardim Ângela, Zona Sul, no dia 26 de junho, a partir das 13h00.

Contamos com sua presença para não somente debater, mas construir uma luta política por fora das linhas eleitorais e provar que política se faz fora das urnas, com luta!

agência de notícias anarquistas-ana

A chuva passa
na rua, papel
que se amassa.

Robert Melançon

[Grécia] Atualização do estado de saúde do anarquista Yiannis Michalidis. O companheiro voltou à prisão

Hoje (14/06), no 23º dia da greve de fome do companheiro Yinnis Michalidis, seu quadro é o seguinte:

Oxigênio: 95

Pulso: 67

Pressão: 10 e 7

Açúcar no sangue: 61

Peso: 62,6 kilos (perda de 10% de seu peso corporal original)

O companheiro está atualmente (terça-feira 14/06, 23º dia da greve de fome) na prisão. No momento, ele não foi mantido no hospital. Ele está aguardando os resultados dos testes analíticos ainda hoje. É óbvio que a transferência de ontem foi prejudicial à sua saúde. Haverá uma atualização detalhada mais tarde com os resultados dos testes do hospital.

LIBERTAÇÃO IMEDIATA DO ANARQUISTA EM GREVE DE FOME YIANNIS MICHALIDIS

Assembleia de solidariedade com o anarquista em greve de fome Yiannis Michailidis

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619271/

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agência de notícias anarquistas-ana

Saudades da amada —
Caem flores de cerejeira
às primeiras luzes.

Kaya Shirao

[Chile] Santiago: Assumindo ação incendiária expedagógica na sexta-feira, 10 de junho

Aqueles que decidem se rebelar contra a miséria implantada ao nascer só conhecem dois destinos: a prisão e a morte, nós sussurramos uma terceira opção, O ATAQUE“.

Diante desta nova reestruturação do Estado-capital com uma cara progre, que só vem para continuar e aperfeiçoar o regime policial-militar-neoliberal-extrativista ao qual tentam nos submeter por todos os meios, consideramos necessário avançar na acumulação e coordenação de forças revolucionárias, que, desde múltiplas guerrilhas, estão dispostas de forma certeira a destruir este sistema de miséria e morte em suas raízes.

Desta vez, indivíduos irredutíveis se propuseram a distorcer a ordem estabelecida, confrontando diretamente seus capangas, inesperadamente brilhando em suas máquinas feias, a fim de contribuir para a guerra em curso, acrescentando este foco de confronto de rua com o objetivo de dificultar o fluxo da normalidade produtiva decadente de Santiago do Chile, numa sexta-feira, em coordenação com as diferentes manifestações e atividades que estavam acontecendo naquela hora na cidade.

Esta ação desta vez não nasce do mundo estudantil, mas germina desde a determinação de um grupo autônomo, anárquico, informal e territorial que faz uso e toma este local histórico de luta (Macul com Grecia) para testar nossos poderes, testar nossas armas, treinar e colocar em prática várias técnicas e táticas de combate de rua, a fim de afiar cada vez mais a prática e o objetivo anárquico revolucionário.

Agimos sem a necessidade de datas ou comemorações, apenas guiados por nosso escopo, capacidades e objetivos, no entanto, aproveitamos a oportunidade para mostrar solidariedade combativa com os prisioneiros Marcelo Villaroel, Felipe Ríos, Marius Mason, Mayo, Jalea, Kuyi, com os presos pelo ataque ao jornal El Clarín na Argentina, com os prisioneiros da revolta, anarquistas, mapuches e subversivos não arrependidos de todo o mundo.

Abraçamos com cumplicidade a luta anárquica secundarista, o weixan travado pelo pu weichafe em Wallmapu, bem como as diferentes expressões de luta, ataque e resistência revolucionária contra os Estados e o capital ao redor de Abya Yala e do mundo.

Com Mauricio Morales, Claudia López, Pablo Marchant, Emilia Baucis, Matías Catrileo, Cristian Valdebenito, Santiago Maldonado, Luisa Toledo presentes em cada ação.

A consolidação da guerrilha urbana é iminente.

GUERRA (A) SOCIAL CONTRA O ESTADO E O CAPITAL!

Célula Warriache Matías Catrileo

agência de notícias anarquistas-ana

O vento cortante
Assim chega ao seu destino –
Barulho do mar.

Ikenishi Gonsui

Pré-venda do novo livro sobre a Somaterapia

Um livro sobre Roberto Freire e a Soma – uma terapia e pedagogia anarquista do corpo!

Olá!

Primeiramente, dou um grande VIVA ao Roberto Freire, pela paixão e obra, coragem e despudor que inspirou a escrita deste livro. Esta é a campanha de financiamento coletivo para o lançamento do meu quarto livro, intitulado “Roberto Freire e a clínica na somaterapia: tesão, corpo, criação e política do cotidiano”, fruto de minha pesquisa de mestrado em Psicologia Clínica em Niterói – RJ (UFF).

A pré-venda deste livro sustenta dois importantes objetivos: o primeiro é custear todos os gastos básicos que tive na elaboração, revisão, diagramação, produção artística e impressão da obra; o segundo objetivo é criar uma “reunião de leitores” em torno deste livro que considero o melhor e o mais profissional, entre todos que escrevi até hoje!

O livro segue as pistas existenciais deixadas na biografia de Roberto Freire, analisando os percursos e percalços do anarquista brasileiro até a criação e desenvolvimento da Somaterapia. Uma terapia autenticamente brasileira, inventada no período da ditadura civil/militar que leva em consideração os problemas do corpo, do tesão, das terapias grupais e das políticas do cotidiano. Bigode era um terapeuta radical, criou uma terapia anarquista voltada aos militantes, libertários, revolucionários e contestadores que sofriam os impactos psíquicos e emocionais provenientes das perseguições e prisões no período ditatorial, ou reproduzidos nos autoritarismos da vida cotidiana. Assim, o presente estudo também evidencia a imprescindível relação entre Psicologia e Política. Por fim, esta pesquisa inaugura uma aproximação entre a Somaterapia e a perspectiva transdisciplinar e experimental da clínica, pensando as interfaces das práticas terapêuticas com outros saberes. Esta perspectiva rompe com o culto às histórias pessoais e a excessiva interiorização da existência, não privilegiando exclusivamente as ferramentas e teorias da Psicologia para pensar a subjetividade.

Me ajude a arcar com os custos desta publicação! Existem diferentes formas de ajudar e recompensas muito legais conforme as modalidades escolhidas.

Lembrando que compartilhar a campanha também ajuda bastante!

Obrigado,

Gabriel Serafim

Mais infos aqui:

https://www.catarse.me/somaterapia?fbclid=IwAR3hXjaE3S8uJRquLM8q5LUZc0jHTiK3gjL3hopyJdupp_H3o_Npa-XGYek

agência de notícias anarquistas-ana

um pé no degrau
um passo na escada
bate coração

Carlos Seabra

 

[Grécia] Atualização do estado de saúde do anarquista Yiannis Michalidis. Ele foi transferido para hospital

No domingo (12/06), 21º dia da greve de fome do companheiro Yinnis Michalidis, seu quadro é o seguinte:

Oxigênio: 95

Pulso: 68

Pressão: 9,5 e 6

Açúcar no sangue: 65

Peso: 63,4 kilos (perda de 10% de seu peso corporal original)

Yinnis foi (segunda-feira 13/06, dia 22 da greve de fome) transferido para o hospital. Qualquer novidade será atualizada em detalhes.

LIBERTAÇÃO IMEDIATA DO ANARQUISTA EM GREVE DE FOME YIANNIS MICHALIDIS

Assembleia de solidariedade com o anarquista em greve de fome Yiannis Michailidis

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619255/

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/06/10/grecia-atualizacao-do-estado-de-saude-do-anarquista-yiannis-michalidis-ha-15-dias-em-greve-de-fome/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/06/09/grecia-1o-dia-helenico-de-acao-para-o-anarquista-yiannis-michalidis/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/06/07/grecia-solidariedade-internacional-com-yiannis-michalidis/

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passarinho na cerca
enfeita o infinito
da colheita

Camila Jabur

[Grécia] Marcha noturna de contra-informação no bairro de Kypseli em apoio ao anarquista em greve fome Y. Michalidis

A “Assembleia de grupos e indivíduos anarquistas em solidariedade ao companheiro grevista de fome Y. Michalidis” em 11/06, interrompendo momentaneamente a normalidade da noite de sábado, realizou uma pequena marcha de contra-informação no movimentado bairro de Kypseli (Atenas). Mais de setenta companheiros e companheiras marcharam com faixas do Mercado Municipal de Kypseli, passando pela praça de St. George e pela rua Kypseli e acabando o ato na praça Kanari (praça Kypseli). Com nossas faixas, pichações, slogans, folhetos e cartazes espalhamos em nosso bairro a mensagem de solidariedade ao companheiro Yiannis Michalidis que está em greve de fome desde 23/05.

Assembleia de grupos e indivíduos anarquistas em solidariedade ao companheiro grevista de fome Y. Michalidis

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619239/

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/06/09/grecia-encontro-de-solidariedade-no-tribunal-de-apelacao-de-atenas-em-30-05-em-apoio-ao-grevista-de-fome-yiannis-michalidis/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/06/09/grecia-1o-dia-helenico-de-acao-para-o-anarquista-yiannis-michalidis/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/06/07/grecia-solidariedade-internacional-com-yiannis-michalidis/

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Em meio ao capim
de onde sopra o vendaval,
lua desta noite.

Miura Chora

Memória | O triste fim de José Gavronski

Por Marcolino Jeremias

José Gavronski (foto) foi um militante libertário que iniciou sua trajetória nos anos 20. Na década seguinte foi colaborador assíduo do coletivo editorial do periódico anticlerical A Lanterna. Segundo ele: “Os anarquistas eram pessoas corretas, criteriosas e cumpridora de seus deveres”. Foi muito próximo de militantes como Edgard Leuenroth, Affonso Schmidt, Maria Lacerda de Moura e Patrícia Galvão. Em sua chácara, em Guaianases, promoveu encontros libertários.

Nas páginas de A Lanterna, manteve intensa polêmica com o padre Leopoldo Aires que era diretor de um jornal religioso. O debate terminou com Gavronski persuadindo o clérigo, que acabou largando a batina e casando-se. Gavronski guardava com orgulho o recorte do jornal que noticiava o enlace. Em 1952, publicou seu livro ‘Hóstias Amargas’, cujo prefácio foi escrito justamente pelo poeta Affonso Schmidt. Um verdadeiro libelo contra o clericalismo.

Em 1935, foi preso pela polícia política da ditadura de Getúlio Vargas, acusado de pertencer a Aliança Nacional Libertadora (ANL), organização que ingressou atraído pelo lema “Pão, Terra e Liberdade”. Mesmo sem ter cometido crime algum, esteve nos presídios Maria Zélia e Paraíso durante 15 meses.

Lamentavelmente, o dentista aposentado, por dificuldades econômicas, teve que vender sua chácara e passou seus últimos anos vivendo em um Lar Evangélico, na Zona Noroeste em Santos. Em meados dos anos 80, aos 93 anos de idade, José Gavronski escreveu suas memórias que registravam, entre outras coisas, um amplo panorama do sistema carcerário ao qual eram submetidos os presos políticos, durante o Estado Novo. O livro nunca foi publicado, os originais ficaram com o autor, que guardava o texto em uma inseparável e antiga pasta marrom. A história brasileira perdeu um grande vulto das lutas sociais que não conseguiu registrar devidamente suas memórias. Fica aqui nossa homenagem ao companheiro!

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Os grilos cantam
Apenas do meu lado esquerdo –
Estou ficando velho.

Paulo Franchetti