[Espanha] Lançamento: “Os Amigos de Durruti na Revolução Espanhola”, de Miguel Amorós

Os Amigos de Durruti foram uma das pontas de lança da Revolução Espanhola de 1936-1939. Nascidos no coração da Coluna Durruti, eles eram uma associação formada por militantes da CNT e da FAI que foi formada com objetivos claros: promover a resistência à militarização, questionar a colaboração com o governo, promover a revolução e deter a contrarrevolução. E coube a eles denunciar incessantemente a entrada de anarquistas no governo, a perda do poder dos sindicatos e agrupamentos e a repressão e prisão de trabalhadores revolucionários.

Suas opiniões fizeram deles o grupo mais avançado e lúcido da época e desempenharam um papel fundamental nos eventos de maio de 37. Difamados, censurados e proibidos pelas autoridades, suas publicações – principalmente El Amigo del Pueblo – que também sofreram perseguição e censura, desempenharam um papel crucial e ainda hoje são essenciais para a compreensão desse momento histórico.

Com seu rigor e meticulosidade característicos, Miquel Amorós reconstrói, com base nos escritos de Los Amigos de Durruti, a história deste grupo que apostou tudo para ganhar a guerra sem perder de vista por um momento o triunfo da revolução. Apesar da abundante bibliografia disponível, este ensaio histórico – no qual os protagonistas têm voz – é um dos livros mais completos disponíveis sobre o processo revolucionário e contrarrevolucionário na Espanha em 1936.

Los Amigos de Durruti en la Revolución Española

Miguel Amorós

ISBN 978-84-18998-07-2

312 pp., 24×17 cms.

Preço: 21,40 euros.

www.pepitas.net

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

um tufo de algodão
flutuando na água
uma nuvem

Rogério Martins

[Espanha] 28 de junho – Dia Internacional dos Direitos das Pessoas LGTBIQ+

Após mais de dois anos de pandemia, durante esses dias, as ruas de diferentes cidades estarão repletas de cores para reivindicar os direitos das pessoas LGTBIQ+.

Estas mobilizações, que enchem as ruas de música, cor, performances, a reivindicação da diversidade, dissidência e vida, tornaram-se uma das mobilizações sociais mais importantes do ano, embora a verdadeira mensagem que querem transmitir seja muitas vezes distorcida.

Da CGT incentivamos todos os membros e a sociedade em geral a participar das diferentes mobilizações em defesa das pessoas LGTBIQ+, e a fazê-lo de forma festiva, lúdica e solidária, mas sem esquecer que estas mobilizações não são apenas uma forma de defender as pessoas LGTBIQ+, mas também uma forma de mostrar solidariedade com elas.

Solidariedade, mas sem esquecer que estas mobilizações também devem servir para denunciar a situação que nossos camaradas LGTBIQ+ continuam vivendo na Espanha, onde as agressões contra este grupo aumentaram nos últimos anos e onde a extrema direita está tentando estigmatizar estas pessoas. Esta estigmatização da diversidade afeta todas as pessoas da classe trabalhadora, toda a humanidade.

É por isso que, da CGT, desejamos que estas exigências não permaneçam nos atos que são celebrados esta semana, mas que diariamente, em nossos bairros, em nossas cidades, em nossos locais de trabalho… reivindicamos com orgulho os direitos do povo LGTBIQ+.

ORGULHO DE CLASSE

Fonte: https://cgt.org.es/panel/28-de-junio-dia-internacional-por-los-derechos-de-las-personas-lgtbiq/

agência de notícias anarquistas-ana

Neblina? ou vidraça
que o quente alento da gente,
que olha a rua, embaça?

Guilherme de Almeida

Fotos: colônia no Paraná foi primeiro registro de comunidade anarquista na América Latina

Episódio 92 do PodParaná reconta a história da comunidade formada por imigrantes italianos, idealizada por Giovanni Rossi e que existiu entre 1890 e 1894.

A Colônia Cecília, comunidade anarquista construída em Palmeira, cidade a 80 km de Curitiba, foi idealizada pelo italiano Giovanni Rossi, juntamente com outros cinco conterrâneos.

O episódio 92 do PodParaná reconta a história da comunidade formada por imigrantes italianos que existiu entre 1890 e 1894 no Paraná.

Para conhecer melhor essa história ouça aqui o episódio. Abaixo, g1 preparou algumas fotos históricas de fatos que marcaram a comunidade e também do memorial construído na cidade de Palmeira que relembra o fato histórico.

Fonte: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2022/08/19/fotos-colonia-no-parana-foi-primeiro-registro-de-comunidade-anarquista-na-america-latina.ghtml

agência de notícias anarquistas-ana

Será mais bela a noite acesa?
sussurra a voz dela
prolongando o crepúsculo.

Etsujin

[Portugal] Contra os gigantes da energia, auto-defesa e auto-organização eco-feminista

Os governos neoliberais confiam a solução da crise energética aos mesmos senhores que a provocaram. As eco-feministas e defensoras da terra põem a nu as contradições de uma transição energética corporativa e desenvolvimentista que, se é que renova alguma coisa, é o conflito capital-vida.

Este artigo começou a ser escrito na semana em que entrou em vigor no Reino de Espanha o novo sistema de tarifas da luz, que obriga os e as cidadãs a usar eletrodomésticos em horas de descanso se não quiserem que a sua factura dispare. O Governo defendeu esta mudança como chave para fomentar a poupança energética, a eficiência, o auto-consumo e o desenvolvimento dos veículos elétricos. Isto é, responsabiliza as e os pequenos consumidores por tudo isso em vez das grandes empresas. A jornalista Maria Ángeles Fenández critica numa análise na revista Pikara a falta de perspectiva de gênero na medida: “A nova facturação vai afetar o trabalho doméstico e de cuidados, em muitos casos alargando as jornadas [de trabalho] já por si infinitas”.

Questionada sobre este assunto numa entrevista radiofônica, a vice-presidenta Carmen Calvo saiu-se com feminismo descafeinado: “A grande questão não é quando se põe a máquina a lavar mas sim quem a põe”. A grande questão é que a maioria das pessoas que convivem com a pobreza energética são mulheres. Como Rosa, a idosa viúva de Reus que morreu num incêndio porque iluminava a sua casa com velas desde que a empresa Gás Natural Fenosa (hoje Naturgy) lhe cortou a luz por falta de pagamento. O Supremo Tribunal de Justiça da Catalunha, aliás, anulou a multa de 500.000 euros que a Generalitat [Governo da Catalunha] impôs à Naturgia, como denuncia a Aliança contra a Pobreza Energética. Não é por acaso que esta organização é liderada por mulheres, tal como o são as plataformas contra os despejos. Rosa é um dos rostos da pobreza energética; o outro é o de uma mulher migrante, dedicada ao trabalho doméstico (fora e dentro de sua casa), chefe de uma família monoparental. Às dores de cabeça pelos cortes de energia, pelas temperaturas inadequadas e pelas dívidas, soma-se agora um fardo mental ainda maior.

Encontramos o reverso dessa vulnerabilidade interseccional nos conselhos de administração das multinacionais da energia: os homens acumulam cerca de 85 por cento dos postos diretivos na Repsol, Endesa, Naturgy e Red Eléctrica de España. No setor da energia eólica, os números superam os 90 por cento.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.jornalmapa.pt/2022/10/19/contra-os-gigantes-da-energia-auto-defesa-e-auto-organizacao-eco-feminista/

agência de notícias anarquistas-ana

na boca da fornalha
labaredas
dançam Falla

Eugénia Tabosa

 

Dilemas sobre os revolucionários e a participação eleitoral

Por Jack Diniz | 24/10/2022

Ao considerar o histórico da militância operária e socialista no Brasil, do qual o anarquismo foi o pioneiro e também primeira força com expressão de massas, se detecta que desde o começo do século XX já existia o debate sobre a participação eleitoral, na época de hegemonia anarquista. Além da questão principialista do abstencionismo anarquista, outros fatores históricos como exclusão do processo eleitoral de analfabetos, mulheres e imigrantes retiram a importância dessa questão na luta operária da época, pois a via da ação direta era a única alternativa.

A partir da criação do PCB, em 1922, o debate sobre a participação eleitoral da classe trabalhadora ganhou um novo fôlego com surgimento do partido, desde sua criação ele priorizou a disputa democrático-burguesa, o símbolo dessa virada histórica foi a criação do BOC (Bloco Operário e Camponês), sendo a primeira experiência de ”candidaturas operárias” a disputar as eleições de 1927 e 1930 e depois dissolvido na ditadura varguista.

O que se seguiu, na experiência eleitoral do PCB, foi uma série de experiências históricas contraditórias, e malsucedidas, de alianças com a burguesia nacional que levaram a nenhum avanço revolucionário, muito menos democrático burguês, pois todas as táticas de alianças em momentos decisivos esbarraram em traição ou golpismo, mas o principalmente sem poder de mobilização de massas. O PCB que foi reprimido e dissolvido pelo Varguismo, foi o mesmo que apoiou posteriormente Getúlio até sua queda, tudo em prol da “unidade pelo desenvolvimento nacional” e da “luta anti-imperialista”. O PCB, que achou que apoiando os políticos progressistas iria frear o golpe de 1964, se viu novamente na ilegalidade e cumprindo o papel de bombeiro contra a resistência armada até a reabertura do regime militar, os mesmo militares que hoje retornam à arena eleitoral.

Mesmo após a redemocratização e a suposta ruptura com a estratégia de unidade com burguesia nacional, as contradições do partido continuaram, como por exemplo, o apoio ao pilantra Anthony Garotinho em 1998, até chegada do atual momento onde o PCB e toda “esquerda socialista” como UP, PSTU e PSOL, ou até setores autônomos e anarquistas (por comprarem as narrativas petistas de “golpe” ou “fascismo”), estão apoiando acriticamente a chapa Lula/Alckmin em prol da defesa da democracia burguesa e contra um fascismo imaginário. Assim a “esquerda socialista” mostra nas suas ações e história que a sua aposta maior não é em ir ao povo e mobilizar as massas, como repetem no seu discurso, mas sim, apostar nas urnas. Se isso é a estratégia de construção por “todos os meios possíveis”, fica evidente qual é o meio mais privilegiado dentro desta estratégia.

Muito se fala do voto em Lula ser ” conjuntural ” para derrotar o fascismo e para defender a democracia, ou para escolher um “mal menor”, mas no fundo isso mostra o grave processo de degeneração da chamada “esquerda socialista” que está muito aquém da socialdemocracia histórica, a qual cumpria um papel positivo de construir um movimento de massas reivindicativos e também de crítica às mazelas do capitalismo. Mesmo no primeiro governo do PT, alguns setores do reformismo tiveram algum “papel positivo” como a criação de um polo anti-governista e anti-petista, como o PSTU, quando gestou a Conlutas, a qual foi liquidada pelo próprio partido.

Hoje os partidos reformistas parecem não ter nenhuma estratégia além da via eleitoral, e ainda cumprem o papel de linha auxiliar do petismo sem ganharem nada além de esperança. O que era “tático” virou “estratégico” e chegaram ao ápice do oportunismo ao boicotarem as mobilizações e lutas contra o governo fraco e débil de Bolsonaro para “deixar o governo sangrar” até as eleições. A “esquerda” optou por inúmeras passeatas inúteis ao invés da construção de greves nacionais, não por erro tático, mas porque sua grande aposta para tirar Bolsonaro do poder sempre foi a via eleitoral.

O ABSTENCIONISMO COMO LINHA AUXILIAR DO “FASCISMO”

A defesa da democracia burguesa une conservadores, liberais, reformistas, mercado e empresas, todos fazendo campanhas contra a abstenção eleitoral e chegando em alguns casos, de esquerdistas reformistas, a dizerem que o abstencionismo é uma linha auxiliar do “fascismo”, descontextualizando que foi a própria farsa da democracia burguesa que levou Bolsonaro até o poder, mas também ofuscando que todos erros, colaborações e traições de classe do reformismo do PT que fizeram gestar no Brasil o seu irmão siamês, à direita, o bolsonarismo.

Outra questão, é a análise feita pela militância de forma geral de que a abstenção seria menor devido a polarização eleitoral, a qual se mostrou equivocada. O olhar da militância, seja ela reformista ou revolucionária, é muito limitado às suas respectivas bolhas de atuação, nos poucos locais que têm atuação, universidades federais ou outros setores do funcionalismo público, existe um abismo que distancia a maior parte da militância da realidade do povo. Por esse motivo, o campo de visão de uma militância que ainda é hegemonizada pelo pequeno-burguês, mesmo que por instinto, tem um grau de alcance muito mais curto e leva a erros de análise, além de práticas muito mais moderadas que as do próprio povo.

Dentro das massas populares, seja o setor que vota ou o que não vota, desenvolveram uma repulsa à política parlamentar devido sua longa experiência histórica cheia de desilusões e traições, por isso nas estatísticas a maior percentagem de abstenção eleitoral se concentra nas classes mais populares, o mesmo o setor do povo que vota tanto à direita e também à esquerda, pois o povo trata o voto de maneira muito mais pragmática e menos “idealista” que setor da militância que é oriundo da pequeno-burguês.

Para o segundo turno, os mesmos que apostaram que a polarização iria ter impacto nas abstenções, apostam que a liberação de ônibus surtirá efeito redutivo, ou seja, entendem que ideologicamente o povo quer participar do teatro eleitoral, mas que não tem condições materiais para isso. Os que analisam dessa forma não olham com atenção nem mesmo para caso específico brasileiro e muito menos para as tendências internacionais. Um elemento indispensável da conjuntura nacional é que desde a “reabertura democrática” a militância política no Brasil (à esquerda e a direita) é hegemonizada pelos extratos médios da sociedade e seus interesses, o mesmo extrato social que tem apreço pela democracia burguesa, pois goza de seguridade social nela. Por outro lado, a maior parte do povo brasileiro é composta de uma massa trabalhadora que está à margem de qualquer direito e que não tem apreço algum pela democracia, pois já vive em estado de exceção permanente antes mesmo da instituição da primeira república. Por fim deve-se levar em consideração que a crise da democracia burguesa é internacional e que o abstencionismo, ou seja, a descrença na democracia burguesa é crescente em todos os continentes.

As Defesas do Voto em Lula: Para Barrar o Fascismo e a pobreza

Principalmente dentro da militância socialista, um dos argumentos que justifica o voto em Lula é que uma questão conjuntural, assim como usam exemplos históricos para justificar o seu oportunismo, desde o combate ao fascismo ao combate à pobreza.

Primeiro é preciso não banalizar conceitos históricos, o fascismo histórico é bem distinto do que é o governo Bolsonaro, ou o bolsonarismo, primeiro porque os fascistas são anti-liberais, tem um programa de nação claro e privilegiam a tomada do poder ou sua manutenção pela força. Por outro lado, não dá para negar o avanço do reacionarismo-conservadorismo no Brasil, porém o mesmo cresceu justamente devido às estratégias de conciliação e traição de classe do reformismo petista.

O PT plantou anos de desmobilização, de regressão de consciência e desorganização dos trabalhadores, anos de traições, de acordos e conchavos com a direita, reestruturação de repressão, criação de leis como lei das drogas, lei antiterrorista, criou a UPP, colocou a bancada evangélica e ruralista no governo, e a esquerda queria que fosse colhido o quê?

Bolsonaro vai ter ‘”que comer muito feijão com arroz” para chegar no nível de repressão que existiu nos governos do PT, vale lembrar das UPP nos morros do RJ, as operações militares no Haiti, as prisões nos protestos de junho de 2013, na Copa do Mundo e a já citada “Lei Antiterrorista”. Ou seja, antes de ser uma solução para derrotar o tal “fascismo”  o PT é parte do problema. Para se derrotar o bolsonarismo também é necessário derrotar o lulismo, a única maneira de se derrotar um fascismo seja o institucional que é real, ou seja, histórico, é organizando a classe trabalhadora numa linha de massa e  combativa, não temos caminhos fáceis e a curto prazo.

Sobre o combate à pobreza, fome, as análises da militância socialista colaboracionista jogam no lixo método de análise materialista, primeiro que a fome nunca acabou nos governos do PT, nenhum governo do mundo resolve todos problemas do povo, pois os mesmo são estruturais e o próprio Estado existe para garantir os privilégios e a exploração das massas populares. Mas os “pequenos avanços sociais” que aconteceram nos governo do PT se devem a uma particularidade da linha desenvolvimentista do PT de colaboração de classe, e principalmente, ao contexto econômico do país que permitia certas concessões às massas pobres, mas nada muito além do que já era previsto  previstos nas cartilhas neoliberais do FMI, recomendações de natureza anticíclicas e anti-revoltas populares por meio de políticas assistenciais.

Porém, em um provável novo governo do PT será difícil reproduzir o contexto dos primeiros mandatos do PT, principalmente devido ao contexto econômico mundial e também pela provável dificuldade de governabilidade em um governo petista, sabendo disso o PT já vem dialogando com nomes do mercado como Henrique Meirelles e Pérsio Arida e se aproximando do centrão, deixando claro que vai continuar seguindo as imposições do mercado.

ABANDONAR A ESQUERDA COM SUAS ILUSÕES E RETORNAR AO POVO

É necessário aos revolucionários terem autocrítica sobre os erros tomados nessas últimas décadas, ao seguirem a estratégia da militância reformista centrando forças na disputa de bases e sindicatos das universidades públicas e do funcionalismo público, desse modo, aos poucos as organizações revolucionárias foram se “aburguesando”, se moderando de acordo com o ambiente, e assim sendo contaminados pelas práticas e valores presentes nesses meios, o que causou degeneração em nossas fileiras. Existe uma confusão do que é tática e o que é estratégica, ou há falta de ambas, não há diferenciação entre espaços ideológicos de minorias-ativas e os espaços de massa, falta clareza revolucionária e existem vários outros desafios que temos a superar.

Porém uma certeza podemos extrair da opção pela via eleitoral, ela só aprofunda o reformismo e as degenerações. O caminho eficaz para libertação do povo será longo e penoso, mas os primeiros passos que devem ser dados é ir ao povo, à massa popular dos sem seguridade social, e nos inserirmos nela, aprendermos com ela, sempre respeitando a sua experiência histórica, sem sectarismo ou doutrinarismo. O objetivo deve ser construir uma via autônoma daqueles trabalhadores, que desprezam tanto a chamada esquerda, como a direita, sem vícios acadêmicos, sem idealismo abstratos, assim deve começar o grande trabalho de reorganização a classe trabalhadora numa via autônoma e combativa de baixo para cima, para que no futuro tenhamos força real e viva para lutarmos em aliança junto a grande massa popular, nos garantindo somente na força do povo, sem mais ilusões eleitorais.

agência de notícias anarquistas-ana

Trégua de vidro:
o canto da cigarra
perfura rochas.

Matsuo Bashô

[Chile] A Urgência requer contundência: Tiremos Alfredo Cospito do isolamento. Palavras do companheiro Francisco Solar

A greve de fome como ferramenta de luta é o último recurso que tem o preso para combater a asfixiante vida na prisão. É uma medida extrema onde se põe o corpo como última trincheira de combate. A urgência determina a decisão de levar adiante uma luta destas características. Urgência que, sem dúvida, apresenta hoje a situação do companheiro Alfredo Cóspito a quem o Poder tenta silenciar sob um isolamento insano.

Perceberam suas ações como duros golpes que, de serem replicados e multiplicados, poriam em dificuldades a ordem imposta.

Viram em seus escritos e propostas importantes contribuições às ideias e práticas sediciosas que constituem um perigo para qualquer expressão de autoridade. E não se equivocam.

Por esses motivos decidiram aplicar o 41 bis a Alfredo. Ante esta arremetida não nos resta mais que responder com força, com decisão, tendo claro que esta é uma luta por Alfredo e por todos os que nos posicionamos contra o Poder. Entendendo a importância que significa dar esta batalha, percebendo-a como uma oportunidade para estreitar laços e cumplicidades em um internacionalismo de ação.

Não é momento para a reflexão nem para o debate. É momento para a guerra, para a irrupção violenta, para dar vida e potencializar essa solidariedade revolucionária que constitui parte de nosso arsenal prático que sabemos utilizar.

Nutramo-nos de nossas experiências passadas para tirar o melhor do nosso e quebremos esta normalidade cidadã com contundentes golpes que demonstrem a periculosidade da solidariedade anárquica.

Deixemos de lado os discursos vitimistas e ataquemos o Poder ali onde se encontre, já que essa é a única maneira que temos para tirar Alfredo do isolamento e terminar com o 41 bis. E quanto mais contundentes sejam estes ataques seu impacto será maior e, portanto, sua capacidade de incidência e irrupção aumentará, o que certamente fortalecerá as expressões de solidariedade anárquica.

Tiremos Alfredo Cóspito do isolamento!
Terminemos com o 41 bis!
Viva a Anarquia!

Fracisco Solar
Cárcere La Gonzalina – Rancagua
Outubro 2022

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/10/21/italia-sardenha-o-anarquista-alfredo-cospito-inicia-uma-greve-de-fome/

agência de notícias anarquistas-ana

Até o barreleiro
Já parou de gotejar –
O canto do grilo.

Nozawa Bonchô

[México] Encapuzadas queimam bandeira mexicana na Ciudad Universitaria

Um grupo de manifestantes causou alguns danos à Torre da Reitoria da UNAM para exigir justiça.

Um grupo de manifestantes conseguiu retirar a bandeira monumental de um dos mastros da Ciudad Universitaria e queimá-la como protesto e exigir justiça após um caso de abuso sexual ocorrido há uma semana na Faculdade de Ciências e Humanidades (CCH Sur).

Em vídeos que circulam nas redes sociais, algumas mulheres do que é conhecido como o Bloco Negro podem ser vistos quando elas conseguiram baixar a bandeira.

Elas também conseguiram subir o edifício da Torre da Reitoria para vandalizar o mural de David Alfaro Siqueiros.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

Até mesmo a névoa
Rajada a se levantar –
É o ano do tigre.

Matsunaga Teitoku

[Espanha] Ecologismo Integral e a necessidade de novas instituições

Pedro A. Moreno apresentou neste fim de semana seu novo livro em Malatesta Kultur Lubakia, em Bilbao, “nuevas Institucionalidades”. A aposta organizativa do ecologismo integral, na qual combina anarquismo, ecologismo, feminismo, confederalismo democrático e outros conceitos, com uma proposta concreta de transformação de nosso território.

Nos últimos anos a necessidade de organização é cada vez mais evidente. Está ocorrendo em torno das ideias marxistas, mas também em torno do anarquismo. A longa crise econômica, a expansão do capitalismo a todos os aspectos da vida, a radicalização da direita, a confirmação das piores perspectivas a respeito da mudança climática, o auge do militarismo, os limites do Estado-Nação para gestionar a situação, a tentativa de solução parlamentar e municipalista e seu fracasso, mas também experiências contemporâneas em outros territórios, debates e propostas no Sul Global, a expansão do feminismo, entre outros, são elementos que estão acelerando o debate organizativo e propositivo.

A proposta de Pedro A. Moreno se baseia na ecologia social, denominando-a ecologismo integral (que já havia trabalhado em seu anterior livro, Ecologismo Integral). Escolher este caminho, o ecologismo, não é uma frivolidade. Quando fala do ecologismo integral diz que, sim o planeta não tem futuro e que, portanto, é uma abordagem que deve influir em nosso entorno sociopolítico e meio ambiental. Por isso, o ecologismo integral que propõe é uma difusão teórica do pensamento libertário, o qual põe no centro do discurso a importância de defender o território e suas espécies, uma tradição libertária que, desde uma perspectiva pragmática, se combina nesta proposta política com outras tradições como as lutas obreiras, a autogestão, o feminismo e a história do movimento ecologista.

No livro se explica a proposta de ecologismo integral. Conhecer em profundidade de que trata o deixo nas mãos da leitora. Eu, em meu caso, fico com um elemento: a necessidade de novas instituições. No anarquismo vulgar costuma confundir-se as instituições com a administração pública ou com o Estado. Uma instituição, ao contrário, é uma prática que alcançou um amplo grau de aceitação social, são as normas de funcionamento da sociedade. Por isso, se queremos buscar e promover a transformação social, é imprescindível construir novas instituições. Isto o tinham claro os anarquistas clássicos, um dos quais é exemplos era Malatesta:

“A revolução é a criação de novas instituições, de novos agrupamentos, de novas relações sociais, a revolução é a destruição dos privilégios e dos monopólios; é um novo espírito de justiça, de fraternidade, de liberdade, que deve renovar toda a vida social, elevar o nível moral e as condições materiais das massas chamando-as a prover com seu trabalho direto e consciente a determinação de seus próprios destinos”. –Errico Malatesta, Pensiero e Volontá, 15/06/1924

Seguindo este caminho, Pedro A. Moreno faz uma proposta valente, enfatizando a importância das novas instituições. A colaboração é precisa, não cai no academicismo, mas que está feita para pô-la em prática na realidade do dia a dia. Toma como base o ecologismo, mas não qualquer tipo de ecologismo: um que o capitalismo não pode assimilar. Os projetos estatistas e reformistas do capitalismo estão neutralizando as propostas para tentar fazer frente à mudança climática, ao desastre ecológico e o decrescimento, em benefício deles mesmos. As propostas para um Green New Deal que fazem alguns partidos políticos mantêm a hegemonia neocolonial sobre o Sul. O Ecologismo Integral luta explicitamente contra isso. Por isso, neste contexto demolidor, propõe que os ecologistas sociais devem aceitar um roteiro pragmático, com a ajuda do decrescimento, como elemento vertebral para criar alternativas plurais e inovadoras. A que busca desprofissionalizar a política, a que vincula a autogestão a um novo tipo de cooperativismo, a que pretende garantir a participação efetiva das pessoas nas decisões que lhes afetam. Uma proposta que se centra em territórios concretos, nas bio regiões. proposta que combate com o nacionalismo estatista mediante o federalismo.

Para finalizar, “Nuevas Institucionalidades” é um ensaio que trata de propor como, onde e com quem trabalhar. Como enfatiza o autor, provavelmente muitas das respostas que se oferecem não sejam de todo satisfatórias e requeiram uma reflexão coletiva. Um processo no qual diferentes agentes sociais e pessoas deverão analisar o trabalho a realizar para aproximar-se ao maior consenso coletivo possível. Um livro escrito longe da ortodoxia ideológica que trata de unir pragmatismo e coerência.

 ICEA

Fonte: http://www.iceautogestion.org/index.php/es/noticias-pagina/ecologismo-integral-y-la-necesidad-de-novas-instituições

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/26/espanha-crowdfunding-ecologismo-integral-identidades-justicia-social-y-decrecimiento/

agência de notícias anarquistas-ana

a casa
a lua o sol
nem sempre só

Estrela Ruiz Leminski

Atribuição de atentado explosivo contra Sercor S.A dependente de AntarChile

Na noite de 19 de outubro, a três anos da revolta atacamos com dinamite a empresa SerCor situada na comuna de Las Condes, especificamente no edifício 150 da Av. El Golf.

SerCor S.A é uma empresa do centro corporativo do Grupo Angelini que oferece assessorias e apoio a diretorias de empresas para o desenvolvimento administrativo de seus negócios capitalistas. SerCor está sob o controle de AntarChile que é uma sociedade maior de investidores, também pertencente ao Grupo Angelini, e que gestiona ativos por mais de 20.000 milhões de dólares.

AntarChile é proprietária de mais de 70% das ações da florestal Arauco, empresa com 1.6 milhões de hectares de mono cultivo responsável pela degradação e devastação dos solos e que repercute severamente contra as condições mínimas que necessita uma comunidade para viver; como, por exemplo, o acesso à água e terras cultiváveis. Além disso, o projeto MAPA impulsionado por Arauco planeja modernizar a indústria de celulose no sul do Chile reforçando o extrativismo transnacional na Argentina, Brasil, Peru, Equador, Colômbia, Uruguai, Canadá, Estados Unidos, Panamá, entre outros países.

Antar também é proprietária das empresas pesqueiras da Corpesca, Igemar e Orizon com um controle em ativos de mais de 80%. Há que recordar que a empresa pesqueira Corpesca subornou pagando mais de 200 milhões ao ex senador Jaime Orpis (UDI) e a ex deputada Marta Isasi (ex UDI) para que defendessem os interesses industriais pesqueiros no congresso. Longueira, foi outro dos que tirou proveito nesta trama; conhecida é a “Lei de Pesca” ou “Lei Longueira”, a qual beneficiava a grande indústria pesqueira em detrimento do pescador autônomo. Através de diversos provedores, este político recebeu uma soma de 730 milhões de pesos entre setembro de 2009 e março de 2015 provenientes da empresa Corpesca. Dito suborno buscava influenciar a que o projeto de Lei fosse favorável às grandes empresas industriais da pesca.

Como se fosse pouco, Antar é proprietária de 90% das empresas de distribuição de combustível e gás como Copec, Abastible, Metrogas e Agesa, e outros negócios das mineradoras de Camino Nevado e Alxar. A grande maioria das empresas antes mencionadas têm um andar em particular no edifício que atacamos. Representam agências chaves para a consolidação do sistema neoliberal e extrativista, desde antes da ditadura até a atualidade.

Hoje vemos como o governo de Boric está sendo cúmplice da ratificação do Tratado Integral e Progressista da Associação Transpacífico (TPP-11), que sem dúvida lhes entrega maiores atribuições legais às empresas da AntarChile. Este governo é parte de alianças estabelecidas por FA, PS, PPD, PC, que, em seu momento em conjunto com a direita, lhe fizeram uma barreira de segurança à revolta de outubro com a abertura a um pacto constitucional, e que agora está voltando ao mesmo curso, com um novo processo constituinte entre os grupos dominantes em acordo. Negamos deste processo que partiu e culminou sendo um fracasso, centralizando as lutas a níveis de discussão burocratizantes no qual a espera e a reacomodação econômica é o doce mais saboroso.

Aos companheiros de ação, que continuaram coerentes e persistentes no novo caminho insurrecional aberto após a revolta; nossas saudações e incondicional apoio.

Aos que “entendem” o voto de “anarquistas” convertidos, que optaram por camuflar a guerra social em boas práticas e discursos, nada! Nenhum Estado Pluri Policial destruirá nossas perspectivas para um novo mundo, e com isso a revolta continua recarregada junto aos que não se cegaram no oásis constitucional erguido sobre o sangue de nossos mortos e finalmente arrematado com a traição da saída do plebiscito.

Esclarecemos que não somos “lobos solitários” como costuma assinalar a imprensa hegemônica aos ataques explosivos dos últimos tempos. Tal designação se encontra carregada de integrismos e fanatismos religiosos que imprimem um selo de vanguarda ou heroísmo que não compartilhamos em absoluto. Nossa ação, seja individual ou coletiva, tem um sentido iconoclasta. Desta vez não atuamos sós. Somos muitos e cada vez seremos mais.

Solidariedade revolucionária com Juan Aliste, Marcelo Villarroel, Mónica Caballero, Francisco Solar, Joaquín García, Mawünhko, Tomás, Mattias Jordano, Lechuga, Felipe Ríos e os presos Mapuche!

Pela destruição da modernização capitalista, companheiro só falta tu, a multiplicar o acionar autônomo!

Fracción Autonómica Cristian Valdebenito – Nueva Subversión

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Olha o velho lago –
Após o salto da rã
O barulho da água.

Matsuo Bashô

A Mensagem Continua Atual: Contra A Carestia De Vida!

Por Marcolino Jeremias

Em junho de 1912, mais de um século atrás, os anarquistas convidavam a população santista para participar de uma manifestação: “O Comitê Popular Contra A Carestia de Vida convida a todos os contribuintes, a todos os inquilinos, a todos os trabalhadores, a todo o povo santista a comparecer ao grande comício popular que se realizará na Praça da República. Não somente os homens devem fazer ato de presença nessa manifestação popular: as mulheres devem também comparecer acompanhadas de sua prole porque são igualmente ou mais ainda vítimas da crítica situação que assola as classes pobres”.

Um dos anarquistas que organizaram essas manifestações foi Manoel Perdigão Saavedra. Acabamos de reeditar o seu livro “Memórias Do Exílo”, formato 14 x 21 cm, 154 páginas, lançado originalmente em 1921. Nessa versão, além do livro original, adicionamos 10 textos em anexo (inclusive uma carta escrita de dentro da cadeia de Santos) + uma biografia detalhada sobre o autor.

Preço promocional 35 reais, não paga frete. Desconto válido até o dia 11 de novembro. Para adquirir é simples: após efetuar o pagamento, nos informe para qual endereço (com CEP) o livro deve ser enviado.

Pagamento pelo pix: nelca@riseup.net

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/202210/24/promocao-de-lancamento-do-livro-memorias-do-exilio/

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Até o barreleiro
Já parou de gotejar –
O canto do grilo.

 

Nozawa Bonchô

 

Podcasts | Já estão no ar os três episódios finais de “Todos”

E se o 112° assassinado do Carandiru tivesse escapado da morte e ido parar numa São Paulo distópica e militarizada? E se ele descobrisse uma chance pra se vingar?

Já estão no ar os três episódios finais de “Todos”, uma minissérie em áudio de Danilo Heitor narrada por Ariel Ayres.

Disponível no Spotify: https://open.spotify.com/show/5WbUB3haomLkT4pqSuYBjf

No Deezer: https://www.deezer.com/br/show/5285837

E no Google Podcasts: https://podcasts.google.com/feed/aHR0cHM6Ly9zZW5zY2FzdC5vcmcvY2F0L3BvZGNhc3QvdG9kb3MvZmVlZC8

Se você preferir, dá pra assinar o feed na Rádio Sens, uma rádio online anticapitalista: https://senscast.org/todos/

Além dos episódios, teremos uma live de encerramento da minissérie, com a presença de Gil Luiz Mendes, jornalista da Ponte e diretor do documentário “Massacre do Carandiru: 30 anos de impunidade”, Maurício Monteiro, sobrevivente do massacre e produtor do canal Prisioneiro 84.901, Moacir Fio, escritor e editora da Escambau Editora, e Danilo Heitor, professor, escritor e autor da minissérie.

Será na quinta, 27/10, às 20h, no canal d’O Anarresti: https://youtu.be/uddJAeIdgO0

Clica no sininho pra não perder!

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/10/19/podcast-sobre-o-massacre-do-carandiru/

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Sobre o telhado
flores de castanheiro
ignoradas.

Matsuo Bashô

[Rio de Janeiro-RJ] Introdução ao fascismo histórico (minicurso presencial)

Apresentação

Este minicurso tem como objetivo, uma análise histórica e teórica sobre o fenômeno do fascismo. O objeto do minicurso é a formação e ascensão do fascismo italiano e alemão, em seu respectivo contexto histórico e os debates historiográficos pertinentes.

Objetivos

O combate ao fascismo passa por uma compreensão correta deste fenômeno. O minicurso focará principalmente no momento de emergência dos movimentos fascistas e a consolidação dessa ideologia autoritária em seus respectivos países. A análise dos regimes fascistas, principalmente durante a II Guerra Mundial será periférica no presente minicurso. Interessa-nos a consolidação desses movimentos e sua ascensão política diante a aguda crise das primeiras décadas do século XX e em menor grau, a análise da militância anarquista que presenciou e combateu a ascensão do fascismo.

Programação: Os temas da aula são os seguintes: 1) Introdução ao tema, 2) contexto histórico de emergência do fascismo, 3) a formação dos movimentos fascistas, 4) o caso italiano, 5) o caso alemão, 6) as interpretações historiográficas sobre o fascismo, 7) a compreensão do anarquismo sobre o fascismo.

Público: O curso é voltado a trabalhadores, militantes de movimentos populares, professores/as, estudantes e não-especialistas no tema em geral. Fascistas e simpatizantes do fascismo não são bem-vindos/as.

>> Mais infoshttps://ithanarquista.wordpress.com/2022/10/17/introducao-ao-fascismo-historico-minicurso-presencial-rj/

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Ah! Oh! É tudo
O que se pode dizer —
Monte Yoshino em flor.

Yasuhara Teishitsu

“Anarquia e Álcool”

O próximo encontro do Grupo de Estudos de Anarquismos, Feminismos e Masculinidades, do Centro de Cultura Social (CCS), será online, no dia 05 de novembro, sábado, das 16h às 18h. O texto base para a conversa será “Anarquia e Álcool”, da CrimethInc. Para acessá-lo e também se inscrever (até dia 03/11) para receber o link da sala virtual, entre no link disponível na bio. Os encontros do grupo são livres para todas as pessoas e não são gravados.

Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapitalismo e não partidarismo. Não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

Obs.: Para esse encontro infelizmente não conseguimos intérprete de Libras.

FB: https://www.facebook.com/events/592554212555165/?ref=newsfeed

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Cerejeira silvestre –
Sobre o regato se move
Uma roda d’água.

Kawai Chigetsu

 

Pelo fim imediato deste mundo!!!

Vivi pra ver uma extrema direita asquerosa, fascista, picareta e doentia, se organizar e ensaiar insurgências contra a ordem política vigente, diante de uma esquerda liberal, conservadora, bunda suja e populista, que de tão eleitoreira se afastou das ruas por amor ao poder.

Vivi pra ver a apoteose da servidão voluntária em tempos de crises e precariedades, incertezas e abismos.

Precisamos todos urgentemente rejuvenescer, reinventar a vida, para dançar novas lutas e revoltas.

Pelo fim imediato deste mundo!!!

…Antes que seja tarde demais.

CPJ

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Junco ressequido
dia após dia se quebra
para o rio levar

Takakuwa Rankô

[Espanha] Juan Pablo Calero: “O teatro anarquista era esteticamente vanguardista sem deixar de ser popular”.

Entrevista com Juan Pablo Calero | Extraído do CNT nº 431

Entrevistamos Juan Pablo Calero Delso, historiador e doutor em História, que publicou recentemente o livro Antologia do teatro anarquista (1882-1931). Um estudo fundamental para compreender a importância do drama na mídia e a disseminação de ideias anarquistas na Espanha.

Pergunta: Por que um livro sobre teatro anarquista?

Resposta: Comecei a pesquisar um pouco por acaso, mas logo percebi que era um assunto interessante; por um lado, porque ajudou a quebrar o mito do anarquismo analfabeto, insurrecional e milenar que ainda nos é transmitido e, por outro lado, porque ajudou a compreender o extraordinário desenvolvimento do anarquismo na Espanha. Também deve ser dito que existem excelentes obras sobre teatro e anarquismo na França, Itália, Argentina e outros países, mas muito pouco havia sido publicado aqui.

P: O que os anarquistas contribuíram para o pensamento libertário através do teatro?

R: A difusão da ideia; um papel semelhante ao da música na propagação do anarquismo nas últimas décadas, dos cantores-compositores ao punk. Trabalhadores sem instrução, sem recursos e sem tempo livre, para os quais poderia ser difícil entender a ideologia anarquista, abordaram o anarquismo através dele, e aqueles trabalhadores que já tinham uma educação e uma identidade libertária foram fortalecidos ao verem seus anseios realizados no palco. É impossível ter hoje uma ideia da importância do teatro na sociedade do século 19 e nas primeiras décadas do século 20, e como os anarquistas animaram seu próprio circuito de autores e grupos amadores, fora dos teatros comerciais, que se espalharam por todo o país com surpreendente sucesso. Há um autor, José Fola Igurbide, totalmente desconhecido hoje, que estreou uma peça todos os anos, e suas peças continuaram a ser apresentadas mesmo no exílio libertário em Toulouse.

P: Qual é a diferença entre o teatro anarquista e o teatro social?

R: O teatro anarquista faz parte do teatro social que, por sua vez, faz parte do teatro político. No livro há referências a um teatro social a serviço dos patrões já em 1863 e a um teatro social de orientação católica, republicana ou socialista. Além das diferentes abordagens ideológicas, destacaria o desejo do teatro anarquista de não ser integrado ao teatro comercial, ao contrário de alguns socialistas que se queixaram de serem discriminados neste campo por causa de sua militância, e a importância dada ao caráter coletivo do teatro, aquela comunidade formada por atores e espectadores que tornou possível a utopia libertária pela simples vontade do autor. Elisée Reclus o expressou muito bem: “Com profunda simpatia, com ansiedade palpitante, todos eles olharam para a realidade anarquista, tão diferente, pelo menos em seus sonhos, das mudanças infecciosas ou do calabouço tirânico em que a vida desta sociedade é consumida; todos eles elevaram seu ideal para uma sociedade decente e honesta, e quanto mais elevadas e dignas as palavras que ouviam, melhor pareciam entendê-las. Durante algumas horas, os burgueses, os exaustos, os medulosos, jogaram fora seus cuidados obsoletos e sua moral ultrapassada; eles jogaram fora o velho homem”.

P: De todas as peças anarquistas em que você trabalhou, quais foram as que mais o impressionaram e por quê?

R: Bem, para este livro eu li e trabalhei com cerca de uma centena de peças, das quais só consegui incluir nove na Antologia. Eu gostaria de lembrar que anarquistas militantes como Teresa Claramunt, Federico Urales, Loiuse Michel, Errico Malatesta, Pietro Gori, Charles Malato, Ricardo Flores Magón ou Mauro Bajatierra escreveram peças e que escritores como Octave Mirbeau ou Eduardo Marquina têm peças de inspiração anarquista. Mas meus favoritos são aqueles escritos por um grupo de escritores que se firmaram na Espanha e na América no século XX: Carlos Germán Amézaga, Florencio Sánchez, Valentín de Pedro e Rodolfo González Pacheco. Com eles, o teatro anarquista era esteticamente vanguardista sem deixar de ser popular, algo nem sempre fácil com a qualidade com que o faziam.

P: A cultura foi a verdadeira força motriz por trás da expansão do anarquismo?

R: O motor da expansão do anarquismo na Espanha, e sua diferença em relação a outros países, foi a sociabilidade de seus militantes. Eles fugiram de todo sectarismo em suas relações diárias, foram tão pragmáticos em suas estratégias quanto intransigentes em seus princípios, e estavam tão plenamente convencidos da viabilidade da sociedade libertária que tentaram colocá-la em prática apesar das dificuldades. Os anarquistas na Espanha administravam sua educação com escolas seculares e antenas libertárias, sua saúde com a difusão do higienismo e naturismo, sua economia com cooperativas e comissariados, seu lazer com grupos teatrais, sociedades corais ou sociedades excursionistas… Onde quer que você vivesse e quaisquer que fossem suas preocupações, havia um espaço de sociabilidade anarquista para desenvolvê-las; a alternativa libertária foi tentada para ser vivida diariamente, tendo o sindicato como espinha dorsal, mas indo além das simples exigências trabalhistas. E a cultura, em seu sentido mais amplo, foi a protagonista.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/juan-pablo-calero-el-teatro-anarquista-fue-esteticamente-vanguardista-sin-dejar-de-ser-popular/

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/03/18/espanha-lancamento-antologia-del-teatro-anarquista-1882-1931-de-juan-pablo-calero/

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inútil, inútil
a forte chuva
mergulha no mar

Jack Kerouac

Promoção de lançamento do livro ‘Memórias Do Exílio’

O Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri (NELCA) orgulhosamente acaba de publicar o livro ‘Memórias Do Exílio’ do anarquista santista Manoel Perdigão Saavedra, formato 14 x 21 cm, 154 páginas, lançado originalmente em 1921.

Preço promocional 35 reais, não paga frete. Desconto válido até o dia 11 de novembro. Para adquirir é simples: após efetuar o pagamento, nos informe para qual endereço (com CEP) o livro deve ser enviado.

Pagamento pelo pix: nelca@riseup.net

O livro ‘Memórias Do Exílio’ trata da história da expulsão de 23 anarquistas de Santos, São Paulo e do Rio de Janeiro que aconteceu em 1919. Vingança direta das autoridades constituídas contra a greve geral de 1917 e ações similares do movimento operário de inspiração anarquista. A leitura é essencial para se compreender a trajetória do sindicalismo revolucionário, assim como, a história do sistema penal brasileiro.

# Atenção: nessa promoção adquirindo junto o livro ‘Memórias de um Exilado’ de Everardo Dias (formato 14 x 21 cm, 136 páginas, lançado originalmente em 1920), sobre o mesmo episódio histórico, os 2 livros ficam por apenas 60 reais, com frete grátis!

A venda desses livros ajudará na manutenção da Biblioteca Carlo Aldegheri e na publicação, em breve, de outros livros! Fortaleçam a Cultura Libertária!!! Ajudem a compartilhar!

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Chuva cinzenta:
hoje é um dia feliz
mesmo com o Fuji invisível

Matsuo Bashô