[Itália] Assembleia para o relançamento da solidariedade revolucionária

Em 25 de maio, está marcada uma audiência no Tribunal de Cassação (Apelação) em Roma, para o caso “Scripta Manent”, no qual alguns companheiros anarquistas estão sendo acusados de associação para fins de terrorismo e provocação de massacres que acarretam pesadas penas. Entre eles está Alfredo Cospito, que já cumpriu nove anos pelo ferimento de Roberto Adinolfi, diretor-gerente da Ansaldo Nuclear. Alguns dias antes da audiência, nosso companheiro foi transferido para o regime de segurança máxima 41 bis na prisão Terni. O 41 bis está sob um regime de tortura e aniquilação, uma dura prisão justificada com a luta contra a máfia.

O Estado italiano, responsável pela estratégia de tensão e massacres contínuos de inocentes, inverte a realidade ao acusar de massacrante aqueles que ousam identificar e atacar o inimigo de classe.

Anarquistas

agência de notícias anarquistas-ana

Outono –
uma folha úmida
cobriu o número da casa.

Constantin Abaluta

[Espanha] Despejo ilegal do CSOA La Leona, sem uma ordem judicial e pela força.

Após vários meses de trabalho coletivo e algumas semanas muito intensas preparando o espaço, ontem (19/05) finalmente era o momento de torná-lo público e abrir o espaço para qualquer pessoa que quisesse se aproximar e se envolver. Muitas pessoas vieram para mostrar seu apoio e alegria. Finalmente havia um Centro Social Okupado Autogestionado em Sevilha, depois de tantos anos.

Não perdemos a calma quando a polícia se aproximou, pois estávamos preparados para enfrentar a situação, com cerca de cem pessoas nas proximidades, com a assembleia bem organizada e unida, incluindo um mediador e um advogado. Dissemos à polícia que o prédio havia sido ocupado por nós há semanas, então eles precisariam de uma ordem judicial para nos despejar, o que eles obviamente não tinham.

Depois de ficar de pé por horas em frente às portas, por volta das 22 horas, um oficial pediu para falar com as companheiras lá dentro. Então a decepção ficou clara: a polícia colocou seus capacetes, mudou sua atitude e foi até a porta. Eles nos empurraram para trás sem pensar duas vezes, até que ficamos numa posição em que seria impossível ver o que eles estavam fazendo com as companheiras lá dentro. Assim, diante dos olhos das pessoas no pavimento e diante de nós, e diante de muitas câmeras de celular gravando e registrando tudo o que estava acontecendo, abriram a porta à força, com grande violência. Quando entraram, ameaçando-as com tasers, forçaram as companheiras a se deitarem no chão para mais tarde identificá-las e forçá-las a sair.

Para colocar a cereja no bolo da série de irregularidades cometidas, metade dos agentes não estava usando crachás de identificação, porque “se há um incêndio se queima” ou porque “eu o deixei cair”, entre outras lamentáveis desculpas. Eles se recusaram a se identificar, adiando o momento de nunca o fazer. Eles também disseram ao advogado que deveríamos esperar para receber o relatório da polícia, para nunca nos entregá-lo.

Assim, eles encerraram com um espaço que acabava de nascer, que havia sido abandonado por 9 anos e ao qual íamos dar uma nova vida, como você pode ler em nosso manifesto de abertura. Mas, como dissemos, eles despejam os espaços, mas nunca as ideias.

Embora a raiva e a frustração que sentimos diante desta situação seja enorme, tampouco estamos surpresos. Já é prática comum em nossa cidade, governe quem governe, que os poderosos e os agentes repressivos que os protegem, ignorem suas próprias leis. Muitos espaços já foram despejados ilegalmente, no calor do momento, sem ordem e de forma intimidante e violenta. Já sabemos que a propriedade privada é defendida acima de tudo e de todos.

Tudo isso só nos fortalece no que fazemos, no que pensamos e no que somos. Nunca esqueceremos o momento de desfraldar a faixa e ler o manifesto, nem as muitas horas que dezenas e dezenas de pessoas passaram defendendo nosso espaço, seu espaço. Vamos continuar okupando e resistindo. RETORNAMOS.

UM DESPEJO, OUTRA OKUPAÇÃO!

EU TERIA VERGONHA DE SER UM POLICIAL!

EM SUA CASA E EM SEU BAIRRO, FEMINISMO LIBERTÁRIO!

MORTE AO ESTADO E VIVA À ANARQUIA!

csoalaleona.wordpress.com

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O brilho da nuvem
sob a luz da Lua fria—
sombras pelo chão.

Benedita Azevedo

Chamada para organização da II Feira Anarquista Feminista de Porto Alegre-RS

Saudações Anárkicas!

Em dezembro de 2021, rolou a I Feira Anarquista Feminista de Porto Alegre! Foi um evento lindo, potente, conseguimos arrecadar o dinheiro para fazer ele acontecer graças ao apoio de todas as pessoas que se mobilizaram e apoiaram nossa arrecadação. Para essas e todas as pessoas que ajudaram de alguma forma, sendo estando presente no dia, sendo ajudando na vakinha, sendo enviando materiais para as mulheres e pessoas trans que estão privadas de liberdade, sendo compartilhando os nossos flyers e cartazes, agradecemos demais e dizemos que SOLIDARIEDADE é AÇÃO e nos enche o peito de pensar que juntas e juntes podemos fazer muitas coisas daora, podemos conspirar e inspirar a revolução.

Esse ano, queremos continuar com a feira, e queremos organizar a II Feira Anarquista Feminista de Porto Alegre. Por questões logísticas, continuaremos nos reunindo inicialmente no online, mas construindo sim também presencialmente, nessa nova etapa. Então, se tu és de outro território e gostaria de participar na organização, pode colar com a gente que viabilizamos e construímos uma forma em que todas e todes possam colar junto. =) Estamos abrindo então, essa chamada, para quem se identifica com o ideal anarcofeminista e gostaria de construir essa feira junto com a gente. Continuamos vendo necessidade em organizar-nos em nosso ideal, continuamos sentindo a necessidade de nos posicionarmos diante do cenário atual e os que virão.

Se tu tem interesse em somar junto com a gente, manda um email pra fafpoa@riseup.net, que nós entraremos em contato.

Essa chamada ficará aberta de 23/05 à 23/06

feiraanarquistafeminista.noblogs.org

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o pardal
foge do frio
no bolso do espantalho

Cláudio Feldman

[Chile] Ataque explosivo das “Células Revolucionárias Mauricio Morales”

Durante a noite de 20 de maio de 2022 uma forte explosão desperta os moradores da comuna de Ñuñoa. O ruído provinha da empresa Fullclean Security na Rua Román Díaz #2161.

A inocente empresa está em nome de Claudio Crespo, reconhecido policial que participou em uma série de mutilações oculares durante a revolta de 2019, entre elas a cegueira completa de Gustavo Gatica.

O artefato não causou danos estruturais nem ferimentos, e ao lugar rapidamente chegou o pessoal da OS-9 e Labocar, que encontraram partes de cabos, temporizadores e bateria. A Promotoria Sul, se encarregou do processo de investigação, sem que haja detidos até o momento.

A pouco tempo as Células Revolucionárias Mauricio Morales reivindicou o atentado, mediante correio eletrônico.

>> Reivindicação de atentado explosivo contra Fullclean Security <<

Atacamos com explosivos a empresa de segurança privada de Claudio Crespo Guzmán, ex-paco mutilador, viciado em cocaína e parte dos grupos de choque do fascismo no Chile!

A noite da sexta-feira, 20 de Maio Negro nos dirigimos a Fullclean Security na Rua Román Díaz #2161, Ñuñoa, para hostilizar este mercenário que, ao ver-se impossibilitado de continuar reprimindo com uniforme, montou uma empresa privada para exercer o poder e controle como meio de subsistência.

Neste lugar se evidencia que tanto o negócio da vigilância estatal como privada mantêm uma relação necessária para perpetuar seus privilégios e autoridade. As atividades repressivas são parte essencial de seu mecanismo de validação, consequentemente, não existe nem existirá um Estado que não encarcere, mutile ou assassine a quem se interponha em seu caminho de devastação e violência permanente. Estas ações correspondem à continuidade de uma política de estado que transcende governos de turno, sejam eles de direita, esquerda, plurinacionais ou convencionais. Não há necessidade de separar os líderes da máfia: toda autoridade é igualmente má.

Confrontando esta realidade repressiva nos solidarizamos combativamente com o prisioneiro subversivo Marcelo Villarroel que ainda se encontra encarcerado unicamente por condenações da justiça militar, herança do ditador Pinochet e perpetuada pelos governos e as gerências intelectuais da democracia, inclusive o que ficou do governo de Boric. Chamamos a agitar entre os dias 23 e 30 de maio pela liberdade de nosso companheiro.

Porque um poderoso fogo é só a continuação de uma pequena chispa, esta ação é em memória de nosso irmão e companheiro Mauricio Morales cujas ideias e práticas de liberdade seguem sendo uma bomba que contagia.

Saudamos os companheiros que em liceus e ruas mantêm vivo o combate pela liberdade desprezando a esperança institucional com fogo e desobediência.

Um abraço fraterno e revolucionário a Pato Gallardo, combatente incansável que faleceu durante estes dias, deixando uma comprometida história de luta na ditadura e democracia.

Saudações e liberdade para nossos presos.

Temos raiva e se esgota a nossa paciência, não digam que somos poucos, digam que estamos.

Enviamos saudações e força à La Negra Venganza, Grupo Autónomo Revolucionario del Maule, Grupo de Respuesta Animal, Fracción Autonómica Cristián Valdebenito, Células Revolucionarias Nicolás Neira, Célula Anticapitalista Simón Radowitzky e aos que persistem no ataque no mundo inteiro.

Nova Subversão

Liberdade ou Morte

Células Revolucionárias Mauricio Morales

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/20/chile-22-de-maio-dia-do-caos-3/

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Em solidão,
Como minha comida —
Vento de outono.

Issa

[EUA] Como Seria um Programa Anarquista? Um Exercício de Imaginação

A cada período eleitoral os partidos políticos lançam plataformas detalhando suas promessas passo a passo. Essas plataformas não são seguidas à risca — políticos raramente cumprem suas promessas e muitas vezes é até melhor que não as cumpram — mas oferecem um esboço da visão de mundo que cada partido diz representar. Anarquistas têm uma abordagem diferente: em vez de oferecer um projeto pré-fabricado, propomos trabalhar as coisas em coletivo, de forma dinâmica, em acordo com os princípios de autodeterminação, horizontalidade, apoio mútuo e solidariedade. Ainda assim, sempre que as pessoas têm contato com ideias anarquistas pela primeira vez, sempre tem alguém que quer ver um modelo claro. Para responder a isso, reunimos um exemplo de programa anarquista — um conjunto de propostas que poderiam ser colocadas em prática no decorrer de uma revolução — como um exercício imaginativo, para tornar mais fácil imaginar que tipo de mudanças práticas anarquistas podem querer aplicar aplicar.

Para deixar claro, este programa não representa nosso coletivo como um todo, nem o movimento anarquista internacional. Devem haver tantos programas quanto anarquistas no mundo. Ao ler isso, reflita sobre o que ressoa e o que não ressoa; pense sobre quais mudanças você deseja fazer no mundo e quais meios de mudança são consistentes com seus valores e desejos.

Como Usar Esse Programa

O que temos a seguir é o oposto de um programa político comum. Não está entalhado em pedra e não pretende representar uma vontade geral, o público, o povo ou qualquer abstração desse tipo.

Anarquistas entendem a liberdade como decorrente de um processo contínuo; é algo que criamos individualmente e em comunidade todos os dias de nossas vidas. Na nossa opinião, a liberdade não pode ser definida por um pedaço de papel em uma urna, nem concedido a nós por uma instituição que concentra todo o poder de decisão e implementação. Cada uma dessas práticas, na verdade, destrói a liberdade. Acreditamos também que definir e alcançar liberdade para nós mesmas é a melhor forma de garantir nosso bem-estar.

As análises anarquistas do capitalismo, do estado, do patriarcado e do colonialismo se mostram úteis em inúmeras lutas sociais nas últimas décadas, assim como nossas críticas ao reformismo, revolução autoritária e esquerda institucional. E, talvez o mais importante, assim mostraram nossas práticas de apoio mútuo e auto-organização. As formas anarquistas de luta também se mostraram compatíveis com uma série de outras lutas que deixaram sua marca no mundo, bem como influenciar e informar o anarquismo como um conceito vivo.

Não apresentamos um programa com a premissa de que podemos reivindicar uma verdade absoluta, nem de que esse programa possa abordar todas as visões de libertação com as quais atuamos solidariamente. Além de apresentar uma visão completa, ainda achamos a necessidade de expressar alguma visão, não importa quão parcial. A experiência recente mostrou que não podemos vencer uma revolução que nem sequer somos capazes de imaginar.

Esse é o principal propósito deste documento: ajudara a imaginar que mudanças começaríamos a trabalhar em se nós conseguíssemos abolir o governo ou criar uma zona autônoma. Nenhuma proposta aqui é uma verdade absoluta que queremos impor, forçando todo mundo a apoiar uma única visão do que é liberdade e revolução. Em vez disso, este documento oferece um jeito de ver princípios e objetivos que muitos de nós lutariam por, que inevitavelmente mudariam e cresceriam ao longo do caminho enquanto entramos em conflitos e diálogos com outras pessoas com outras visões. O ponto não é convencer todo mundo de que nossa visão de liberdade é a correta. Estaremos mais livres quando cada um de nós puder imaginar nosso melhor mundo possível a cada momento.

Nem as pessoas escrevendo, publicando e traduzindo acham que este documento é um programa político válido ou uma proposta completa. Nossa esperança é que isso servirá de um ponto de partida para discussão e debate, ajudando pessoas a articular visões semelhantes, conflitantes ou simplesmente diferentes. Quanto mais pessoas imaginarem o mundo dos seus sonhos e refletirem sobre como incontáveis tais mundos podem caber em um único mundo, rompendo com o projeto homogeneizador ocidental, maior será nossa inteligência coletiva.

Este programa lida com alguns tópicos doloridos que nenhum único coletivo tem o direito de decidir sobre. Nós concluímos que seria menos danoso abordar estes tópicos de forma imperfeita do que evitá-los completamente e fingir que eles não existem. Nós esperamos que nossas tentativas inadequadas irão inspirar outros a fazerem melhor. A incompletude deste programa expressa um princípio anarquista fundamental: ninguém nunca pode expressar as necessidades de todo mundo. O que quer que esteja faltando, cabe a você preencher, e a todos nós apoiar uns aos outros durante o processo de cumprirmos isso juntos.

No fim deste documento, existe um pequeno glossário que explica o que queremos dizer quando usamos certos termos.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://es.crimethinc.com/2022/05/20/como-seria-um-programa-anarquista-um-exercicio-de-imaginacao

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outono
outrora
era outro

Alonso Alvarez

[Chile] A Resistência Mapuche Lafkenche reivindica responsabilidade por ações no Quidico

Como RML, justificamos o ataque armado ao posto de controle da polícia em Quidico e a queima do hotel Curef localizado a 20 metros deste ponto policial, uma ação realizada simultaneamente por uma coluna de 40 weichave na madrugada de sexta-feira, 13 de maio.

Esta ação é uma resposta à militarização encoberta que o governo de Boric aumentou em Wallmapu após o fim do estado de emergência. Com isso também deixamos claro ao governo que não haverá agressão sem uma resposta, ainda mais quando ele se recusa sistematicamente a responder às exigências dos presos políticos mapuches e suas famílias, endossando a nova política de punição do judiciário, como o envio de nossos presos para prisões mais distantes de seus territórios. Como dissemos em declarações anteriores, o governo deve dar sinais claros se deseja tanto a paz e isso visa resolver as exigências dos PPMs atualmente mantidos em várias prisões em Wallmapu.

Sabemos que Boric deixou nas mãos do Partido Socialista a implementação das novas políticas repressivas sob o slogan do crime organizado, dirigido pelo subsecretário do Interior, Manuel Monsalve e em Arauco pelo novo delegado presidencial, Humberto Toro, o mesmo que foi responsável pela repressão no segundo governo Bachelet. Não esquecemos Toro, o mesmo que apoiou o ataque armado dos carabineros em 2014 em Huentelolen que deixou 11 membros da comunidade Mapuche feridos por balas na fazenda Rihue Alto, hoje recuperada e controlada pelos Lov Mapuche deste território.

Atacar o Hotel Curef também significou a expulsão definitiva de Fernando Fuentealba de nosso território. Este personagem anti-Mapuche tem se dedicado durante anos a denegrir a Resistência Mapuche e hoje tem uma carreira política como presidente da “Agrupación de Víctimas del Terrorismo” (Associação de Vítimas do Terrorismo). Lembramos que Quidico é terra mapuche, que houve aqui um forte militar durante a invasão chilena no século XIX, onde até antigos kiuvikecheyem foram sequestrados e desfilaram pela Europa como troféus de guerra, algemados e humilhados.

É por isso que nossas tralkas e kütral hoje fazem justiça mapuche com nossos ancestrais, avançando passo a passo na expulsão dos winkas racistas e usurpadores. Aos pobres e humildes habitantes de Quidico dizemos que nossa luta não é contra eles, mas contra aqueles que durante anos lucraram com nosso território.

Sabemos que a chegada dos militares é uma questão de dias. Seja através de um “estado intermediário” ou de um novo estado de emergência, pois os proprietários de terras, caminhoneiros e empresas florestais estão clamando por isso. É por isso que devemos continuar avançando em unidade, com uma linha clara e firme baseada em nosso kimun, rakiduam e feyentun e com weichan e controle territorial como método para consolidar a resistência e autonomia mapuche.

• Transferência imediata para a prisão de Lebu para Alex Manríquez Maril, Robinson Parra, Esteban Carrera e Yerko Maril.

• Nulidade, julgamento justo e liberdade para os PPMs da Elikura.

• Liberdade para todos os PPMs.

• Fora com as empresas florestais, Fuentealba e toda expressão capitalista em Wallmapu.

• Em memória de Lemuel Fernandez, Samy Llebul e todos os que caíram na weichan.

• Território e autonomia.

WALLMAPU AVANÇA EM DIREÇÃO À LIBERTAÇÃO

Resistência Mapuche Lavkenche (RML)

Lavkenmapu-Nahuelbuta

Franja Lavkenche

Segunda-feira, 16 de maio de 2022.

Fonte: https://radiokurruf.org/2022/05/17/comunicado-resistencia-mapuche-lafkenche-se-adjudica-acciones-en-quidico/

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/16/chile-nacao-mapuche-nao-ha-outra-maneira-senao-weychan-resistencia/

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Como que levada
pela brisa, a borboleta
vai de ramo em ramo.

Matsuo Bashô

[Grécia] Atenas: 4-11 de junho, semana de reconstrução do monumento Alexandros Grigoropoulos

A memória revolucionária não é uma carta em branco. Não se trata de um assunto de museu. Não é um ritual seco que se esgota nas recidivas dos aniversários. A memória revolucionária é o fio que liga o passado ao presente e lança as bases para um futuro que fará justiça àqueles que se sacrificaram por um mundo diferente. Um mundo onde ninguém vê o céu através do arame farpado, onde o corpo de ninguém é esmagado nas oficinas de exploração de classe, onde ninguém é assassinado nas fronteiras terrestres e marítimas, nas delegacias de polícia, nos guetos urbanos da metrópole. A memória revolucionária reúne aqueles que estão desaparecidos do nosso lado, tornando-os cúmplices dos nossos projetos e sonhos subversivos. A memória revolucionária, se lhe dermos o valor que merece, torna-se um projeto subversivo, um trampolim para a luta, uma fonte de inspiração e de prontidão na bela causa da liberdade. Porque serão palavras que formarão um quadro conceitual diferente do que é hoje pronunciado por políticos, economistas, analistas militares, industriais, os golden boys da bolsa de valores, jornalistas. Ou serão palavras armadas prontas para se tornarem uma energia impulsiva. Ou não serão nada.

As metrópoles são as modernas máquinas a vapor, as fábricas universais do capitalismo. As oficinas transparentes onde o domínio, controle e repressão do capital sobre as contradições explosivas que este produz são absolutamente institucionalizadas.

Os crimes do Estado e do capitalismo dentro das metrópoles tornam-se incidentes isolados. São registrados em narrativas fragmentárias pela ideologia burguesa que impõe a sua hegemonia. A nossa própria memória, que deveria realçá-los e transformá-los em consciência social, em percepção do nosso papel e posição, está constantemente ausente. Quando não está, está desfocada, incolor, inexistente, vazia de conteúdo. A censura fascista foi aqui substituída, por enquanto, por uma nova forma de censura ativa. A produção de um conhecimento incessantemente distorcido, a inversão metódica dos fatos, a sua substituição insidiosa. É o revisionismo que ataca as consciências, as memórias, a própria história das lutas.

A memória do poder ergue-se imponente à nossa volta para nos lembrar quem são os nossos “benfeitores” e “salvadores”. Estátuas, nomes de ruas, inscrições, monumentos, os responsáveis por todo o sangue derramado pelo povo nos séculos passados dominam todas as partes da metrópole. As coisas são simples: o controle da memória é a produção de uma guerra de sinais ideológicos, é uma guerra de classes, é o assassinato da nossa própria memória. Memória da subversão, memória da classe, memória da revolução.

A memória criada pela burguesia é uma memória aprisionada nas repetições do presente, é uma memória que é deliberadamente apresentada como coletiva mas determinada pela classe. É uma memória que codifica todos os comportamentos impostos e depois os impõe através da guerra de informação dos agentes de propaganda dominantes. É a memória que usa outra corrente, desta vez semiótica-ideológica, nos seus pés. É a memória do seu mundo feio e triste.

Os monumentos dos nossos próprios mortos são os nossos próprios símbolos que codificam períodos históricos de luta não arrependida, sacrifícios revolucionários, esperanças, desilusões e visões humanas. Vitórias e derrotas de um mundo que se apresenta sob a bandeira da luta para recuperar a sua vida. O seu cuidado, a sua proteção, a sua promoção é o dever político de guardar a nossa história. Mas é também muito mais do que isso, recuperar a sua existência territorial-material é uma guerra pela nossa memória e identidade. Uma guerra contra a alienação, degeneração, resignação, todas as características da memória criada pelo poder.

A decisão de restaurar o monumento ao estudante anarquista Alexandros Grigoropoulos é um passo decisivo nesta direção. Numa altura em que a rua pedestre de Messolonghi está a ser alvo de construção e capital turística, com a construção de apartamentos de luxo que ameaçam tanto o caráter militante da zona como a própria existência do monumento. O lugar que condensou espacialmente o ponto de partida da insurreição de Dezembro, a primeira insurreição que coincidiu com o início da crise capitalista em solo europeu, está abertamente ameaçado pelos apetites vorazes do capital.

Em um momento em que o governo da Nea Dimokratia (Nova Democracia) está tentando transformar Exarchia em uma área turística alternativa de entretenimento-consumidor, arrancando tudo que seja radical.

Numa época em que Exarchia é um campo de concentração para projetos de investimento mais amplos (metrô na praça Exarchia, reordenamento da colina Strefi, etc.) que, além de todos os fatores econômicos, é o último ataque frontal à história militante desta vizinhança.

Em um período desconhecido para os movimentos, é imperativo que lutemos com todas as nossas forças contra o esquecimento. O monumento do estudante anarquista Alexandros Grigoropoulos é um marco da luta contra os assassinatos do Estado e temos a responsabilidade de restaurá-lo contra o esforço sistemático de gentrificação da área que o ameaça. Assumimos a responsabilidade pela reconstrução do monumento e convocamos o povo da luta a apoiar os eventos comemorativos de 4 a 11 de junho na rua para pedestres de Mesolonghi. Esta é uma medida que está totalmente de acordo com os objetivos do movimento e a defesa de nossa memória e identidade.

P.S.: O programa detalhado dos eventos político-culturais será anunciado no próximo período de tempo.

A LUTA PELA REAPROPRIAÇÃO DA MEMÓRIA É AO MESMO TEMPO UMA LUTA PARA CRIAR NOVOS PONTOS DE ENCONTRO E PERSPECTIVA.

Iniciativa anarquista contra os assassinatos do Estado

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1618290/

Tradução > Liberto

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O silêncio é um campo
plantado de verdades
que aos poucos se fazem palavras.

Thiago de Mello

[Alemanha] Junto no amor e na fúria – Congresso para a revolta anarca-queerfeminista!

Carxs cúmplices

Após a tentativa de organizar o congresso “Feminismo Militante” há 2 anos e após meses de pandemia, queremos nos reunir novamente e elaborar perspectivas militantes. Para isso, convidamos você a ir a Berlim de 26.05.22 a 29.05.22.

A auto-organização de queers e FLINTAs tem potencial para autocapacitação e perspectivas revolucionárias. Grupos militantes antipatriarcais estão se tornando mais visíveis e reagem com contra-violência à opressão do patriarcado capitalista e à exploração colonial. Ao mesmo tempo, forças anti-feministas e autoritárias estão se formando para acabar com as paixões por uma sociedade libertada, por exemplo, através de reações conservadoras, o endurecimento das leis abortivas na Polônia – entre outros lugares, o número crescente de violência doméstica e sexual durante a pandemia, feminicídios em todo o mundo e perpetradores dentro de estruturas “emancipatórias”…

Mas as lutas e movimentos feministas estão resistindo: Mulheres curdas estão lutando em Rojava, grupos autônomos da FLINTA estão atacando, na Cidade do México, feministas estão atacando delegacias de polícia, em movimentos mundiais vozes queer e trans estão se tornando barulhentas e visíveis – para citar apenas alguns exemplos. Estes movimentos oferecem oportunidades para imaginar as sociedades de maneira diferente! Não queremos esconder as diferenças entre nós, mas, ao invés disso, construir pontes e desenhar potenciais a partir de diferentes perspectivas e experiências. Atacar o inimigo externo também significa atacar estruturas dentro de nós. Seja o domínio branco, estruturas capacitistas, sexistas ou classistas… Na consciência histórica das lutas revolucionárias queremos aprender com os movimentos de emancipação, com suas forças e seus conflitos. Para sermos melhores cúmplices, para superar mecanismos de opressão e para trabalhar a longo prazo em uma personalidade militante na qual rompemos repetidamente com o patriarcado capitalista e colonial que está embutido dentro de nós. Vamos construir perspectivas e redes internacionalistas e solidárias. Vamos nos tornar perigosxs juntxs.

O Congresso deve ser um espaço aberto para experimentar e discutir. Queremos trabalhar juntxs de forma prática e substantiva para desenvolver nossas posições. Questões que queremos trabalhar em conjunto: Como fortalecer as relações uns com os outros? Como pode ser a contra-violência feminista? Como encontramos um impulso? Haverá oficinas, painéis de discussão, debates, filmes, etc… Não queremos entrar nos dias com uma atitude consumista, mas participar nós mesmas, trabalhar o conteúdo de forma solidária e trocar ideias. O Congresso será aberto a todos os gêneros. Palestras/workshops serão realizados somente pela FLINTA (mulheres, lésbicas, inter, não-binárias, trans, A-gênero).

Para mais informações e atualizações, assim que estiverem disponíveis: militanztweiter.noblogs.org

Tradução > dezorta

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Num banco de praça
a sombra de um velho assombra
o vento que passa.

Luciano Maia

 

[Chile] Lançamento: “El tratado del Bosque”, de Jorge Enkis

Uma comunidade de animais da floresta se reúne para fazer um tratado para compartilhar os recursos da terra com os humanos. O tratado inesperadamente se encontra em perigo, pois a chegada da monarquia ameaça a liberdade de toda a comunidade da floresta, homens e animais livres devem unir forças para lutar contra o rei e todos os seus lacaios.

Uma floresta sem animais, é uma floresta

sem vida, um homem sem a floresta,

é um ser sem liberdade

Jorge Enkis

>> Download, Impressão e Divulgação:

https://editorialautodidacta.org/wp-content/uploads/2022/05/El-tratado-del-bosque-Jorge-Enkis.pdf

editorialautodidacta.org

agência de notícias anarquistas-ana

A cada minuto
o mundo muda de cor
— é fim de tarde

Marba Furtado

[Espanha] Chris Ealham, historiador: “Na Guerra Civil houveram anarquistas radicais que protegeram padres”

Nesta quinta-feira (05/05), juntamente com a historiadora Dolors Marín, o historiador apresentou na livraria Ramon Llull de Palma a reedição do livro “El eco de los pasos“.

Por Kike Oñate | 06/05/2022

Chris Ealham (Kent, 1965) é um hispanista especializado na história do anarquismo na Espanha. Discípulo de Paul Preston, assina o prólogo da reedição de O eco dos passos (Editorial Virus), livro de memórias com quase mil páginas do anarco-sindicalista e Ministro da Justiça durante a Guerra Civil, Joan García Oliver. Relatos de experiências que retratam um passado enterrado pelo exílio e escondido tanto pela direita quanto pela esquerda.

Por que as memórias são um “mal necessário”?

— É um livro essencial, de primeira linha e muito citado nos estudos sobre a Segunda República e os anos vinte. Recebi críticas pelo prólogo, mas é preciso questionar tudo. É muito ingênuo pensar que o que o livro conta é uma representação fiel da realidade que ele viveu.

Mesmo assim, você é atraído por este personagem.

Trabalhadores autodidatas me fascinam. García Oliver deixou a escola aos doze anos e tornou-se alguém com uma cultura enorme. No livro ele é mostrado como um grande escritor; existem pessoas que ainda hoje não atingem o seu nível. Defendia a Confederação Nacional do Trabalho (CNT) inclusive com um revólver, arriscando tudo. Ele foi corajoso. Foi garçom de profissão e sempre trabalhou em restaurantes e hotéis de luxo, se relacionou com pessoas da classe alta e ouvindo certas conversas, fortaleceu ao mesmo tempo seu nível cultural e seu ódio de classe.

Qual foi a maior contribuição dele como Ministro da Justiça?

— A criação de um novo sistema judiciário para tentar acabar com as demissões e com a repressão excessiva, esse é um legado importante. Havia anarquistas radicais que protegiam religiosos, incluindo padres e também pessoas de direita. Joan Peiró fazia parte de uma rede de fuga que se estendia ao longo da costa catalã até a França e em 1940, quando o regime de Franco o executou, muitos falangistas e religiosos o defenderam sem sucesso. A maior parte da repressão aos religiosos e pessoas de direita acontecia na rua e não há evidências de que o Comitê de Milícias Antifascistas ou o Ministério da Justiça estivessem envolvidos. Se ele poderia ter feito mais, eu não sei. Mas o anticlericalismo é muito anterior a García Oliver e o fato de a Igreja apoiar Franco não ajudou.

Que papel ele desempenhou na guerra?

Na defesa de Barcelona lutou nas barricadas de rua e mostrou sangue frio. Ele não se importou com sua segurança, mesmo quando seu amigo Francisco Ascaso morreu ao seu lado com um tiro na cabeça. Os anarquistas tinham seu projeto político, contra os patrões e o Estado, mas não visavam destruir a República. Eles se mobilizaram contra o golpe de Sanjurjo, em 1932, e depois em 1936. A CNT entendeu a necessidade do antifascismo ao ver como o nazismo avançava.

Por que a direita e a esquerda escondem o passado anarquista?

— A CNT foi o movimento anarco-sindicalista mais poderoso do mundo, mas sua história foi marginalizada. Com os Pactos de Moncloa houve uma confluência interessada em silenciá-la. Depois veio o caso Scala, que identificou a CNT com o terrorismo.

O que este livro nos traz hoje?

— Mostra que aqueles que lutaram por um mundo melhor eram pessoas comuns, com famílias. Contrasta com a lenda obscura do anarquismo. A fundação FAES patrocina historiadores midiáticos que continuam a desenvolver o conceito do anarquismo criminoso, ilegal, mas o livro mostra que não era assim, que o anarquismo era algo muito básico na vida de milhares de pessoas.

Fonte: https://www.ultimahora.es/noticias/local/2022/05/06/1730179/chris-ealham-historiador-guerra-civil-hubo-anarquistas-radicales-protegieron-curas

Tradução > Mauricio Knup

agência de notícias anarquistas-ana

ao pé da janela
dormimos no chão
eu e o luar

Rogério Martins

[Chile] Contra as sentenças proferidas pelo sistema de justiça militar e pela libertação imediata de Marcelo Villarroel

Por trás da quimera das mudanças sócio-políticas tocadas pelo atual governo, uma série de fatos já estão revelando que essas mudanças visam apenas garantir que tudo permaneça igual, que a continuidade do modelo persista, mesmo em suas formas repressivas e punitivas. Eles afirmam representar o marco histórico que fecharia a “transição política” deste país, mas escandalosamente escondem atrás dos muros o fato de que ainda há prisioneiros políticos cumprindo sentenças proferidas nos anos 90 pelo nefasto sistema de justiça militar, um claro herdeiro da ditadura de Pinochet e de sua ordem repressiva. Este é o caso de Marcelo Villarroel que, através desta aberração legal política, está sendo condenado a prisão perpétua em segredo.

Marcelo tem sido sem dúvida uma parte fundamental da história de subversão e resistência neste território. Ele foi preso e encarcerado pela primeira vez em 1987, aos 14 anos, após realizar uma ação de propaganda em uma escola secundária de Santiago em meio à ditadura, sendo classificado por organizações internacionais da época como o prisioneiro político mais jovem do Chile e da América Latina.

Em outubro de 1992, após dois anos de busca e captura porque foi acusado pelos agentes repressivos da Concertação como membro ativo do Mapu-Lautaro, ele foi preso, iniciando assim um longo período de prisão que continuaria ininterruptamente por 13 anos até dezembro de 2005, quando obteve o benefício da liberdade condicional, que é outra forma de cumprir sua pena.

Acusado de fazer parte do roubo do Banco de Segurança em outubro de 2007, e após uma investigação e julgamento que duraria mais de 4 anos, foi condenado em julho de 2014 a 14 anos de prisão por este ato, mas também para agravar sua punição, os tribunais e a gendarmeria apontaram que, tendo quebrado o benefício da liberdade condicional em meados de 2007, ele deveria cumprir toda a pena restante imposta pela Justiça Militar, acrescentando assim à sua pena mais de 40 anos de prisão, ou seja, com esta medida é aplicada a ele uma pena perpétua disfarçada.

Hoje, como ele está prestes a cumprir sua sentença por roubo, são as sentenças do sistema de justiça militar que projetam a perpetuidade da prisão de Marcelo Villarroel. Em si mesma, esta verdade é intolerável: atualmente, há camaradas que ainda cumprem sentenças proferidas por tribunais militares nos anos 90, ainda mais quando é do conhecimento público as injustiças, abusos e arbitrariedades que foram aplicadas àqueles que estavam sujeitos à sua jurisdição, especialmente quando eram civis.

Naqueles anos, o recentemente “ex-ditador” Pinochet foi comandante-chefe do exército chileno e a partir dessa posição de poder ele decidiu mudar as funções do então chefe da Diretoria Nacional de Inteligência do Exército (DINE) Hernán Ramírez Rurange para assumir o cargo de Juiz Militar de Santiago e a partir daí implementar todo o aberrante processo militar-legal que levou a sentenças irracionais e fora de linha com qualquer lógica processual legal-legislativa e criminal normal, em termos de padrões de imparcialidade e igualdade perante a lei. Ele terminou seus dias em 2015 cometendo suicídio antes de entrar na prisão de Punta Peuco para cumprir sua sentença por crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura militar.

Neste contexto, não é surpreendente que inúmeros testemunhos e relatórios mostrem que todas as “confissões” obtidas no início dos anos 90, e em consequência das quais grandes sentenças foram proferidas contra presos políticos, foram obtidas sob tortura.

Este é o cenário punitivo no qual Marcelo foi condenado por aqueles anos; é esta sentença que procura manter nosso camarada preso por toda a vida; é claro então a vingança política e institucional contra ele. É por isso que é imperativo se mobilizar com força para romper com as penas perpétuas e exigir a libertação imediata de nosso camarada Marcelo Villarroel.

Solidariedade ativa e combativa com prisioneiros anarquistas e subversivos!!!

Marcelo Villarroel às ruas!!!!

Até sua libertação total!

Coordinadora 18 de octubre.

Ciclo de Cine Anticarcelario Libertario.

Radio 31 de Enero.

Maio de 2022.

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Ao deixar o portão
Do templo zen,
Uma noite estrelada!

Shiki

A-ryhmä se opõe à adesão da Finlândia à OTAN

A maioria da elite finlandesa já apoia há muito tempo a ideia de a Finlândia aderir à OTAN. Após o ataque da Rússia à Ucrânia, o apoio à perspectiva aumentou em toda a população devido ao medo da guerra. A elite quer usar esta situação como uma oportunidade para apresentar um pedido de adesão à OTAN.

É compreensível que as políticas hostis de Putin causem medo e uma reação contrária, mas Putin não vai atacar a Finlândia. Putin já se imagina cercado de inimigos. Portanto, uma aliança militar que se oponha a ele se expandindo para a fronteira russa não é necessariamente uma punição, mas sim uma validação de sua visão de mundo iludida. Candidatar-se à adesão à OTAN envolve ameaças de longo prazo altamente teóricas, mas em um longo período de tempo, tudo pode acontecer. Por exemplo, os EUA podem se transformar em uma ditadura.

Como membro da UE, a Finlândia já faz parte de uma aliança militar. Se a Finlândia fosse atacada, todos os condados da UE estariam rapidamente em guerra e, através deles, também os países da OTAN. Assim, uma adesão à OTAN é principalmente sobre identidade. Justifica-se por “pertencer a uma esfera de valores ocidentais”, mas o turco Erdogan, por exemplo, não tem nada a ver com democracia ou direitos humanos. Erdogan ocupou militarmente o norte da Síria, destruindo a sociedade curda, bem como atacando continuamente o norte do Iraque em uma tentativa de esmagar as tentativas curdas de democracia. Esse comportamento não difere significativamente da Rússia de Putin.

Escolher entre dois males pode ser apropriado quando não há mais nada a ser feito, mas a Finlândia não enfrenta uma ameaça que torne essa escolha inevitável. A OTAN-Finlândia seria apenas um capitalista como a Finlândia sem a OTAN, mas a primeira seria mais favorável ao imperialismo. A adesão à OTAN seria uma escolha para apoiar a perseguição do povo curdo.

Não queremos um mundo onde todas as áreas devam fazer parte da esfera de influência de uma superpotência global, e não aceitamos tentativas de estabelecer uma posição na referida esfera de influência, exceto em caso de extrema emergência. A Finlândia já desistiu principalmente da imparcialidade ao aderir à UE, e jogar seus restos no lixo seria apenas uma aceitação de que qualquer imparcialidade é impossível, e o papel dos países menores é apenas escolher o mestre menos repulsivo.

Atacar e ocupar outros países têm sido uma parte inerente da política externa dos EUA nas últimas décadas. A adesão à OTAN não exige a adesão a esses ataques, mas um ataque não é defesa apenas enquanto a vítima do ataque não for capaz de atingir o atacante pelas costas. Não devemos presumir que nenhum dos alvos dos ataques dos EUA ou da Turquia jamais será capaz de revidar. Em teoria, a Finlândia pode se recusar a defender outros países membros da OTAN quando eles mesmos causaram seus problemas, mas na prática, no final, ninguém quer ajudar o cara que nunca oferece ajuda em troca. Se a Finlândia sempre anular a implantação do artigo 5, é improvável que a Finlândia receba qualquer ajuda enquanto estiver sob ataque.

De acordo com aqueles que apoiam a adesão à OTAN, é puramente uma aliança de defesa. Mas muitas vezes é impossível descobrir quem atirou primeiro. Os EUA e a Grã-Bretanha mentem sobre as armas de destruição em massa do Iraque e podem mentir novamente no futuro. Quando um aliado entra em uma guerra, é improvável que você comece a pedir provas e justificativas, mesmo que as razões para a guerra sejam questionáveis. Caso contrário, um aliado logo será um ex-aliado.

A OTAN é baseada em armas nucleares. Opomo-nos às armas nucleares e apoiamos o desarmamento nuclear multilateral.

Há situações em que a defesa não-violenta pode funcionar, mas não acreditamos que possa sempre substituir a autodefesa violenta. A-ryhmä apoia todas as formas de resistência ao imperialismo. Quando as comunidades devem se defender de atores autoritários, sugerimos organizações de defesa voluntárias em vez de um exército. Atualmente na Ucrânia, essa voluntariedade teve sucesso pelo menos em parte e em alguns lugares, porque houve mais defensores dispostos do que equipamentos.

Apoiamos especialmente os anarquistas ucranianos que se organizaram no Comitê de Resistência, e lutam ao lado das forças de defesa regionais da Ucrânia e outras unidades do exército. Além disso, apoiamos as ações não violentas e violentas dos anarquistas russos contra a guerra.

A-ryhmä

Você pode ler mais a fundo sobre a posição de A-ryhmä sobre o poder militarizado e armado no programa de princípios da Alusta, que A-ryhmä assina: http://alustaaloite.blogspot.com/2015/03/alustan-periaateohjelmaehdotus….

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Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

chuva constante
o guarda-roupa mudou
agora é varal

Eder Fogaça

[EUA] Grupo Antiaborto no Wisconsin é Atacado por Incendiários, Dizem as Autoridades

Por Luke Vander Ploeg e Addison Lathers

A sede de um grupo antiaborto de Madison, no Wisconsin, foi incendiado no domingo de manhã, em um ato de vandalismo que incluiu a tentativa de uso de coquetéis molotov e grafitagem que lia “If abortions aren’t safe, then you aren’t either” [Se abortos não estão seguros, vocês também não estão], de acordo com a polícia.

Ninguém do grupo Wisconsin Family Action estava no local na hora e não houve ferimentos reportados. Embora o coquetel molotov jogado por uma janela tenha falhado, o vândalo ou os vândalos iniciaram outro incêndio nas redondezas, afirmaram as autoridades. O incêndio queimou parte da parede.

O Departamento de Polícia de Madison não disse se efetuou alguma prisão ou se mais de uma pessoa estava envolvida.

“Nós informamos nossos parceiros federais deste incidente e estamos trabalhando com eles e com os Bombeiros de Madison na investigação deste incêndio criminoso,” afirma a declaração do departamento.

O ataque ocorreu quase uma semana após o vazamento de uma proposição da Suprema Corte que revogaria Roe v. Wade, a decisão histórica que estabeleceu o direito constitucional ao aborto. Wisconsin tem uma lei banindo abortos que precede a Roe por mais de um século, mas o Gov. Tony Evers, democrata, afirmou que bloquearia sua implementação. A Wisconsin Family Action é uma grupo político sem fins lucrativos que promove políticas conservadoras em muitas questões, incluindo aborto, dentro do governo do estado de Wisconsin.

“Fizemos nada que justificasse isso. Devemos ser capazes de discordar em questões sem temer por nossas vidas,” declarou Julaine Appling, a presidente da Wisconsin Family Action. “Se alguém estivesse no local, teria sido, no mínimo, ferido.”

Os Bombeiros de Madison receberam uma ligação sobre o incêndio por volta das 6 das horas da manhã no domingo. Bombeiros e policiais chegaram logo após no local e rapidamente controlaram o fogo. Appling declarou que ouviu sobre o ataque mais tarde naquela manhã, enquanto se preparava para um brunch do dia das mães da igreja em Watertown, no Wisconsin.

“Recebi uma ligação da administração do prédio dizendo que houve uma invasão e um incêndio,” afirmou Appling. Ela então se dirigiu ao local com um outro membro, onde encontraram “o caos e os danos à propriedade.”

Appling disse que seu escritório fora o alvo principal do ataque. Duas janelas foram quebradas e a água utilizada para apagar o fogo causou ainda mais danos. Appling afirmou que a grafitagem é particularmente perturbadora. “Enquanto dirigia para o escritório e a vi, minha reação imediata foi surpresa por quão ostensiva era a ameaça,” declarou. A grafitagem incluía um símbolo anarquista e os números 1312, uma abreviação de uma ofensa à polícia.

O Planned Parenthood de Wisconsin também condenou a violência em uma declaração. “Nosso trabalho para proteger o acesso contínuo ao cuidado reprodutivo é baseado no amor,” declarou a presidente do grupo, Tanya Atkinson. “Condenamos todas as formas de violência e ódio em nossas comunidades.”

Em uma declaração ao The New York Times, Tony Perkins, presidente do Family Research Council, que trabalha com a Wisconsin Family Action, atribuiu o ataque a extremistas esquerdistas que almejavam intimidar oponentes na questão do aborto e prometeu que não teriam sucesso. “Somos gratos pela liderança inabalável do Wisconsin Family Action e das dezenas de conselhos de política familiar pelo país que são comprometidos com a santidade de toda vida humana,” acrescentou.

Appling declarou que ela e outros na organização já receberam ameaças no passado e que ela sabia que algumas pessoas estariam com raiva após o vazamento da Suprema Corte.

“Sabia automaticamente que qualquer um que tomasse partido a favor de como a proposição foi escrita provavelmente deveria prestar mais atenção em sua segurança,” afirmou. Ainda, esse tipo de ataque direto foi chocante, e ela afirmou ter abalado sua sensação de segurança.

Disse também que trabalharia na implementação de novas medidas de segurança na sede.

Em uma declaração nesse domingo, o chefe da polícia de Madison Shon Barnes reconheceu as tensões acentuadas na comunidade após o vazamento e condenou o ataque.

“Nosso departamento continua a apoiar pessoas a serem capazes de falar livre e abertamente sobre o que acreditam,” diz a declaração, “mas sentimos que quaisquer atos de violência, incluindo a destruição de propriedade, não ajuda nenhum lado.”

Fonte: https://www.nytimes.com/2022/05/08/us/madison-anti-abortion-center-vandalized.html

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Canta alegre o sabiá
faz folia o bem-te-vi
— natureza assovia

Rogério Viana

[Chile] 22 de Maio – Dia do Caos

Na manhã de 22 de maio de 2009 nos levantamos com uma ferida incurável, nos golpeou gravemente a notícia da morte em ação de um rebelde. O coração Anárquico de Mauricio Morales havia deixado de bater, seu corpo sem vida jazia no meio da rua Ventura Lavalle em Santiago centro, só a poucos metros da escola de Gendarmeria [polícia] do Chile. O artefato explosivo com o qual pretendia atentar contra esse símbolo da sociedade carcerária detonou inesperadamente, causando sua morte e desatando uma tragédia. Uma bicicleta, um punhal e um revólver o acompanharam em seus últimos suspiros… nossas lágrimas o acompanharam quando seu corpo voltou à terra.

Este mês recordemos o “Punky Mauri”, com suas ideias/ações e também com todas as suas contradições, com sua vida inquieta e sua burlesca alegria. Hoje a 13 anos deste acontecimento levantemo-nos com um irredutível sorriso cúmplice, irmanando-nos com a urgente necessidade de ataque, intensificando nosso latente impulso de destruir esta sociedade, incendiando nossos apaixonados desejos de liberdade. Este maio de 2022 procuremos que viva a Anarquia…

22 de Maio – Dia do Caos!

NOSSA MEMÓRIA É NEGRA, NOSSO CORAÇÃO TAMBÉM!

agência de notícias anarquistas-ana

Todos dormem.
Eu nado na noite que
entra pela janela.

Robert Melançon

[Itália] O Germinal comemora… dez anos na Via del Bosco!

A última sexta (13/05) e sábado (14/05) foram dois dias inesquecíveis para nós. Centenas de pessoas participaram dos vários momentos de celebração, convívio e mobilização com que quisemos celebrar os primeiros dez anos da nossa sede na Via del Bosco 52@.

Da inauguração da exposição de cartazes históricos à apresentação da biblioteca, da procissão no bairro de San Giacomo às festas com DJ sets, todos os momentos tiveram uma grande e calorosa participação e tudo correu bem.

Aqui queremos agradecer a todos aqueles (e foram muitos) que contribuíram: dos que cozinharam aos que prepararam a exposição, dos que trabalharam na biblioteca aos que puseram a música para dançar, dos que fizeram os gráficos a quem fornecia as bebidas para quem ajudava a limpar e obviamente também aos companheiros e camaradas que vinham de outras cidades e também da Eslovênia.

Muito obrigado a todos! Nos vemos na Via del Bosco 52@ e nas praças. Sempre à frente!

Grupo Anarquista Germinal

Tradução   GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

Rua amarelada —
A lua passa em silêncio
prata no céu.

Carlos Bueno

[Espanha] “Emma Goldman” estreia em Astúrias pelas mãos da Escola de Arte Dramática

A peça de Zinn sobre a anarquista americana, que foi apresentada no sábado no La Laboral, voltará gratuitamente no domingo, dia 22, em La Felguera.

 Por David Sánchez Piñeiro | 15/05/2022

É incomum, pelo menos nas Astúrias, poder assistir gratuitamente a uma peça de teatro e encontrar, em uma noite de sábado, um grande auditório repleto de um público formado principalmente por adolescentes. A ocasião foi proporcionada pela apresentação da peça “Emma Goldman. A mulher mais perigosa da América”, criada pelo historiador americano Howard Zinn, pela turma de saída (2018-2022) dos alunos da Escola de Arte Dramática do Principado das Astúrias. Foi a segunda vez que a peça foi apresentada na Espanha e a primeira nas Astúrias.

Começando com o cartaz anunciando a apresentação – uma ilustração da anarquista americana nascido na Lituânia, ladeado pelos principais arranha-céus da grande cidade de Nova Iorque – e continuando com a encenação – equilibrada, precisa e muitas vezes cativante – o espetáculo parecia mais uma peça estabelecida, estrelada por atores profissionais e apresentada em um teatro de prestígio do que uma oficina de teatro por um grupo de estudantes recém-formados em uma escola formativa.

Com uma inusitada demonstração de talento artístico, as jovens atrizes e atores recriaram alguns dos episódios mais significativos da vida de Emma Goldman, uma verdadeira referência na luta pelos direitos trabalhistas e pela igualdade de gênero nos Estados Unidos no final do século XIX e início do século XX. Durante as mais de duas horas da peça, a plateia testemunhou jovens anarquistas discutindo Marx, Bakunin e Kropotkin em tabernas; participou de comícios políticos de massa com Goldman e seu grande carisma oratório; viu que o espírito vanguardista da “a mulher mais perigosa da América” não estava apenas confinado à sua atividade política, mas já estava presente em suas relações pessoais e em sua forma libertária de entender e viver o amor; ela testemunhou as complicadas contradições pessoais das mulheres anarquistas em uma época em que sua maneira de se relacionar com os homens não parecia ser inteiramente coerente com seus ideais igualitários; e ela foi capaz de perceber todos os dilemas morais e políticos decorrentes do uso da violência contra os opressores de classe que o movimento anarquista tinha que enfrentar.

Deliberadamente rompendo com a estrita separação entre um palco onde a ação acontece e um público que assiste silenciosa e passivamente das poltronas, os jovens protagonistas de “Emma Goldman” transformaram o auditório em uma extensão dinâmica do próprio palco e envolveram ativamente o público, que, através de aplausos e aclamações, entrou plenamente no intenso desenvolvimento da trama.

A peça será apresentada novamente no próximo domingo 22 de maio às 19h00 no Nuevo Teatro de La Felguera, que será uma nova oportunidade para testemunhar ao vivo e gratuitamente o grande talento presente e, sobretudo, o enorme potencial futuro que, com gerações de jovens como esta, as artes cênicas têm nas Astúrias.

Fonte: https://www.nortes.me/2022/05/15/emma-goldman-se-estrena-en-asturies-de-la-mano-de-la-escuela-de-arte-dramatico/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Bom é ser gato
Não precisa apagar a luz
Nem amarrar o sapato

Alvaro Posselt