[Espanha] A CGT lamenta que o Governo “mais progressista da história” finalmente consinta uma lei memorialista que não investiga nem esclarece episódios muito obscuros da ditadura e da transição espanhola

A organização anarcossindicalista denunciou faz meses que esta lei é insuficiente e infame para as vítimas e familiares do terror franquista

A CGT considera que a atitude do Estado segue sendo de covardia porque não aborda os fatos como aconteceram nem suas verdadeiras consequências para milhões de pessoas

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) voltou a lamentar que o Governo do PSOE-Unidas Podemos, finalmente, tenha aprovado uma modificação da Lei de Memória Democrática sem contemplar aspectos importantíssimos, assinalados pelos e pelas anarcossindicalistas anos antes, como o período ao qual se aplica esta lei, as origens da Guerra Civil, a não revogação da Lei de Anistia de 1977 da qual se aproveitaram os verdugos do regime franquista durante toda a transição e a democracia, ou a discriminação e distinção que se realiza das vítimas da repressão fascista.

A CGT considera que a atitude do Governo mais progressista da história democrática do Estado espanhol é covarde, porque deixou para trás de maneira consciente muitas emendas e modificações apresentadas por outras formações políticas, sobretudo as realizadas pelos coletivos e organizações memorialistas de vítimas da Guerra Civil e da transição espanhola, e que não poderão encontrar ainda “verdade, justiça, reparação nem garantias de não repetição”. Neste sentido, desde a CGT manifestaram que é assombroso e vergonhoso que precisamente sejam formações de “esquerdas”, como PSOE e Unidas Podemos, as que não tiveram a determinação de mudar as coisas desde as cadeiras e escritórios que prometeram ocupar para reverter o sistema. Igualmente, a CGT explica que esta segue sendo uma dívida pendente que se mantêm por parte do Estado espanhol, a de outorgar a paz a milhares de pessoas que continuam buscando seus familiares em valas, ou tentam esclarecer as circunstâncias de suas mortes ou desaparecimentos.

A CGT enfatizou que continuará trabalhando na linha que vem mantendo, colaborando e respaldando ações e projetos com outros coletivos e organizações memorialistas, convencidas de que esta lei não devolve a dignidade às vítimas que foram perseguidas, denunciadas, assinaladas, humilhadas, retaliadas e executadas pelo bando nacional, o bando ganhador de uma cruel guerra, que não esquecemos teve sua origem na avareza da burguesia, da aristocracia e do exército espanhol contra o povo organizado.

Fonte: https://cgt.org.es/cgt-lamenta-que-el-Governo-mas-progresista-de-la-historia-finalmente-consienta-una-ley-memorialista-que-no-investiga-ni-aclara-episodios-muy-oscuros-de-la-dictadura-y-la-transicion/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

manhã
me ilumino
de imensidão

Giuseppe Ungaretti

[Espanha] 23 de outubro. Paremos a guerra: Concentração em Jerez

Neste domingo, 23 de outubro, vamos para as ruas para gritar novamente (como fizemos há alguns anos em uma guerra diferente, mas basicamente igual): PAREMOS A GUERRA.

Diremos “Basta” para a escalada do militarismo, o aumento dos gastos militares e a utilização de armas nucleares.

Diante deste grave risco para a humanidade, consideramos essencial utilizar imediatamente todas as forças que pudermos para criar um movimento de massa com o objetivo de exigir a RETIRADA DA ESPANHA DA GUERRA, e sua NEUTRALIDADE NO CASO DA GUERRA ENTRE OS POTENCIAS NUCLEARES, bem como a DES-NUCLEARIZAÇÃO DA PENÍNSULA IBÉRICA E ESTREITO DE GIBRALTAR para evitar o grave risco de nos tornar um alvo para as armas nucleares, DENUNCIANDO A GRAVÍSSIMA E CRIMINAL RESPONSABILIDADE DO GOVERNO NA ESCALADA NUCLEAR QUE ESTÁ COLOCANDO EM PERIGO NOSSAS VIDAS.

Portanto, consideramos essencial agir o mais rápido possível para conseguir um movimento de massa que nos tire desta guerra criminosa que ameaça a humanidade, por isso, como sindicato, propomos CAMINHAR PARA A GREVE GERAL PARA TIRAR A ESPANHA DA GUERRA.

A concentração acontecerá no domingo, 23 de outubro, às 12h30, fora dos Claustros de Santo Domingo (Jerez de la Frontera).

Lembremo-nos: nas guerras, o povo sempre perde.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/23-de-octubre-paremos-la-guerra-concentracion-en-jerez/

agência de notícias anarquistas-ana

Rosa branca se diverte
Pétalas no vento
Imitam a neve.

Vinícius C. Rodrigues

[Colômbia] Protesto de indígenas desemboca em distúrbios no centro de Bogotá

Um protesto no centro de Bogotá de indígenas Emberas deslocados pelo conflito, que reclamam atenção e uma melhora de suas condições de vida, acabou esta quarta-feira (19/10) com fortes distúrbios com a polícia e um saldo de 24 feridos, 11 deles policiais.

O presidente colombiano esquerdista, Gustavo Petro, rechaçou os fatos, através do twitter, ao assinalar que “a ausência de diálogo sempre gera mais violência. Vários membros da Força Pública e civis ficaram feridos. Não é protesto agredir a um policial”.

Organizações de direitos humanos denunciaram que a polícia e o Esquadrão Móvel Antidistúrbios (Esmad) chegaram à frente do Edifício da Avianca, em pleno centro, quando havia mulheres grávidas, meninas e meninos que estavam se manifestando pacificamente por alimentos e uma moradia digna com luz e água.

O que pedem os indígenas na Colômbia?

Faz meio ano mais de mil indígenas que estavam a meses acampados no central Parque Nacional de Bogotá concordaram com uma realocação, mas as autoridades não lhes deram solução para os problemas de saúde, moradia e educação que encontraram neste novo destino.

Por isso, e ante incontáveis chamadas de atenção, alguns destes indígenas, que são deslocados de outras zonas da Colômbia pelo conflito, saíram hoje para protestar pelo centro da cidade.

“Somos vítimas vulneráveis, não temos subsídios, não temos nada”, dizia Rosmira Campo, líder indígena Embera deslocada desde o departamento de Risaralda.

Famílias inteiras, com crianças pequenas e mulheres grávidas, permaneceram oito meses no parque, vivendo entre improvisados toldos e barracas, em condições desumanas, onde o intempestivo clima de Bogotá provocou surtos de enfermidades e houve mais de um morto por atropelamentos nas ruas próximas e duas crianças que faleceram por problemas cardiorrespiratórios.

Depois desse tempo, o Governo de Bogotá lhes ofereceu uma realocação no bairro de La Rioja e outros periféricos, onde denunciaram super lotação, falta de acesso a água potável e eletricidade, assim como outras condições de insalubridade.

Fonte: agências de notícias

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Diamante. Vidraça.
Arisca, áspera asa risca
o ar. E brilha. E passa.

Guilherme de Almeida

[Itália] Sobre a ciência: racionalismo e anarquismo

Por Tiziano Antonelli

A crise pandêmica provocou, entre outras coisas, um debate sobre o tema da ciência dentro de temas políticos antagônicos e dentro do movimento anarquista, que muitas vezes assumiu os tons de aplausos dos estádios.

Normalmente aqueles que acompanham e admiram a pesquisa científica de fora têm mais fé em seus resultados do que aqueles que participam dela. Este fenômeno é amplificado pelo surgimento de lobbies cujo objetivo é vincular a pesquisa científica aos tomadores de decisão política e às instituições econômicas, de modo a garantir-lhe um fluxo contínuo de financiamento e evitar o surgimento de um debate aberto sobre a utilidade de certas linhas de pesquisa. Um exemplo é o Pacto Transversal para a Ciência, que está desempenhando um papel importante no debate público na Itália, com posições pró-governamentais, autoritárias e elitistas.

Sou apenas um amador em filosofia, mas é minha intenção contribuir para este debate, compartilhando algumas reflexões que desenvolvi ao ler o trabalho de Hans Reichebach “O Nascimento da Filosofia Científica”.

Hans Reichenbach (1891-1953) foi um dos expoentes mais conspícuos da filosofia da ciência e da filosofia empírica da primeira metade do século passado. Ele empreendeu pesquisas básicas sobre os princípios da relatividade de Einstein e a interpretação da geometria, os problemas de probabilidade e indução, os fundamentos da causalidade e da mecânica quântica, e também tratou extensivamente da lógica matemática e suas aplicações na análise do conhecimento científico.

O livro que trato representa sua última obra e é um manual de introdução ao estudo da filosofia da ciência até meados do século passado e uma visão geral das posições de Reichenbach.

Entre outras coisas, este livro representa uma posição vigorosa contra o racionalismo.

Contra o racionalismo

Reichenbach define o racionalismo como a corrente filosófica segundo a qual a razão em si é a fonte do conhecimento sobre o mundo físico; o adjetivo racionalista também está ligado a esta concepção. O substantivo e o adjetivo não devem, entretanto, ser confundidos com o atributo “racional”. Seguindo esta distinção, podemos afirmar que o conhecimento científico é racional, pois é alcançado através da aplicação da razão a dados sensatos, mas não é racionalista. Este termo se refere ao método filosófico segundo o qual o conhecimento sintético alcançado através da razão é independente de qualquer verificação empírica.

Reichenbach, para exemplificar as várias formas que o racionalismo assume, analisa os sistemas de certos filósofos, Platão, Descartes e Kant, observando como, embora sua abordagem tenha evoluído de mãos dadas com o conhecimento científico, eles têm em comum a busca de verdades absolutas, ‘sintéticas a priori’ como Kant as definiria, na linha daquelas em que se baseia a matemática e, em particular, a geometria euclidiana. A abordagem racionalista de Kant supera a de seus antecessores porque, em sua busca pela certeza, ele abandona tanto o fundamento místico da visão das ideias quanto o uso de proposições vazias. Kant baseou seu sistema na ciência de seu tempo como fonte de certeza: em seu pensamento, o conhecimento da natureza havia alcançado sua forma suprema com a física newtoniana, que ele idealizou ao traduzi-la em um sistema filosófico; assim ele acreditava ter chegado à racionalização completa do conhecimento. O sistema filosófico elaborado por Kant pode assim ser considerado uma superestrutura ideológica construída sobre teorias físicas baseadas no espaço absoluto, no tempo e no determinismo natural.

O colapso do modelo de Newton e sua física privou o sistema Kantiano de qualquer base científica, reduzindo-o a um documento de época, uma tentativa de satisfazer a necessidade de certeza.

Com o advento da física de Einstein e Planck, o pensamento de Kant perdeu toda a função na ciência.

O próprio exemplo de Kant nos mostra o risco permanente corrido pelo filósofo da ciência e em geral por aqueles que a seguem e admiram. Aos olhos de Reichenbach, o filósofo da ciência aparece como o discípulo mais fanático do profeta; neste papel, ele corre o risco de conceder ao conhecimento científico maior confiança do que a justificada por seus resultados, obtidos provisoriamente através da observação e da generalização.

Esta atitude é característica da era moderna, caracterizada pelo nascimento da nova ciência. A crença de que a ciência pode resolver todos os problemas se espalhou e se fortaleceu a tal ponto que a ciência acabou cumprindo a mesma função social uma vez desempenhada pela religião e pela Igreja: a função de dispensador de certezas. Neste sentido, a fé religiosa sobrevive como uma forma particular, na medida em que é compatível com a ciência.

O Iluminismo em particular, do qual Kant também fez parte, transformou a experiência religiosa no culto da razão; fez do deus cristão um matemático e cientista onisciente.

Ao mesmo tempo, matemáticos, físicos, biólogos, virologistas e todo tipo de cientistas eram considerados sacerdotes dotados de infalibilidade, e seus ensinamentos foram colocados na base de um autoritarismo crescente, seja ele democrático ou ditatorial.

Como diz Reichenbach: “Todos os perigos da teologia, seu dogmatismo e suas pretensões autoritárias ligadas a promessas de certeza, ressurgem nas filosofias que sustentam a infalibilidade da ciência”.

O racionalismo aplicado à questão social trouxe graves danos, luto e tragédia, como mostra a história do movimento operário.

Fonte: https://umanitanova.org/a-proposito-di-scienza-razionalismo-e-anarchismo/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Chapéu
divide a cabeça
do céu

Cláudio Fontalan

[Canadá] Para as classes populares e trabalhadoras, a crise já está aqui

Não se passa uma semana sem que as manchetes econômicas nos digam que uma recessão ou desaceleração econômica está prestes a acontecer. Contudo, para as classes trabalhadoras e populares, a catástrofe já está aqui. Podemos vê-lo nas ruas, nas agências de ajuda, nas caixas registradoras, etc. Tem um rosto: desarranjo. Tem um rosto: consternação, raiva, dor, revolta ou resignação. Tem um nome e é de todas as idades. Ela está lá, mas as pessoas acima fazem de tudo para torná-la invisível, para apagá-la das paisagens em cartões para os turistas.

O Coletivo Emma Goldman já havia denunciado o despejo, em março passado, de uma ocupação na estação de ônibus da Racine Street em Chicoutimi. Muito pateticamente, a vereadora Mireille Jean, que prometeu fazer de Saguenay uma “cidade inteligente” durante sua última campanha, alegou que ela havia chamado para esta repressão contra os sem-teto para trazer de volta “convívio” e “segurança” para a área. Lembramos que quando o coletivo realizou uma cozinha autogerida na Rua Racine para demonstrar sua oposição a este discurso orwelliano, a Sra. Jean disse à mídia que o coletivo não tinha nada a ver com isso, que a cidade estava fazendo muito pelos sem-teto. Com algumas poucas intervenções na mídia e milhares de dólares dados a uma empresa de segurança para monitorar a antiga ocupação 24 horas por dia, nossa “cidade inteligente” não mudou o problema. A crise habitacional que o deputado de Chicoutimi Andrée Laforest, que ironicamente foi Ministro de Assuntos Municipais e Habitação, se recusa a reconhecer, tem continuado a agravar-se para os menos afortunados. Proprietários exploradores e suas favelas são deixados sozinhos pelas autoridades públicas enquanto a destruição de moradias de baixo custo ou sua renovação é acompanhada pelo despejo de inquilinos e aumentos astronômicos do aluguel. Airbnb, onde as casas são transformadas em residências temporárias para turistas, também podem ser contadas às centenas na cidade de Saguenay, embora aquelas que respeitam os regulamentos municipais possam ser contadas com os dedos de uma mão. Sob a influência da gentrificação, a “cidade inteligente” é cada vez menos habitável. Enquanto isso, as necessidades das organizações comunitárias aumentaram, mas elas permanecem subfinanciadas para cumprir adequadamente sua missão.

Mireille está de novo na caça aos pobres. Sua última realização: o desmantelamento de três acampamentos de sem-teto em Chicoutimi no dia 20 de setembro (perto da fonte e ao lado do clube de iates no Porto Antigo e em uma área arborizada perto de Saint-Paul Boulevard). Desta vez os pobres foram expulsos sob o pretexto de proteger e limpar a área. A conselheira Mireille Jean deu as boas-vindas à intervenção policial. “Eles não estão lá durante o dia, nós o fizemos durante o dia, foi feito de uma maneira cordial”, disse ela. O mínimo que podemos dizer é que estas palavras não irradiam empatia para com os sem-teto! Vale notar que a cidade não estava com tanta pressa para agir quando os inquilinos tiveram que pagar aluguel a Jean-Guy Caron para morar em um prédio que estava em estado macabro (após um incêndio que causou a morte de Michael Labbé).

Na região, a cidade de Saguenay não tem mais direitos exclusivos para demonstrar desprezo pelos pobres e desabrigados. Mais acima em Lac St-Jean, em Roberval, a cidade também envia a polícia quando lojistas e condôminos na periferia dos bairros da classe trabalhadora expressam publicamente seus sentimentos de insegurança. Foi preciso uma jornada de protesto não autorizado, sob ameaças corajosas de repressão policial, para que a cidade tomasse consciência da necessidade de moradias e recursos acessíveis para os desabrigados.

As empresas da economia social, a versão neoliberal da comunidade, também estão se envolvendo na repressão aos pobres. Em um artigo publicado na semana passada, soubemos que a polícia interveio em relação a queixas de roubo apresentadas por certos centros de doações em Saguenay. Em Les fringues, no centro de Chicoutimi, um voluntário está agora encarregado de agir como segurança para monitorar os roubos de um desses espaços. Grandes somas de dinheiro também são gastas para “garantir” caixas de doação. Estas falsas soluções, que se pode facilmente imaginar que emanam de conselhos de administração desconectados, não são diferentes daquelas da administração burguesa da cidade. Eles são, de fato, idênticos aos proprietários de espaços de conveniência que ameaçam processar aqueles que roubam alimentos. O interior da cidade está faminto. Está mal alojado. Já ouvimos promessas suficientes e “espertas” da classe política. Os okupas, os pequenos ladrões, estão reivindicando direitos reais através de suas ações que não agradam à burguesia. A burguesia não hesita em nos roubar! A alienação capitalista tem levado muitas pessoas a colocar a defesa da propriedade privada acima da satisfação de necessidades básicas como alimentação e abrigo. Precisamos ficar juntos para nos ajudar mutuamente em táticas individuais de enfrentamento e, ao mesmo tempo, passar destas para respostas coletivas e organizadas contra aqueles que nos matam de fome, nos endividam, nos reprimem e arruínam nossas vidas.

Maurice Bélanger

Fonte: http://ucl-saguenay.blogspot.com/2022/10/pour-les-classes-populaires-et.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Mesmo um velho cavalo
é belo de manhã
sobre a neve

Matsuo Bashô

[Espanha] Estamos em alerta, por um fio, mas não nos rendemos

Passou quase um mês desde que milhares de companheiras e companheiros enchessem as ruas centrais de Madri pedindo a absolvição das 6 de Gijón e esperando que o recurso de cassação ao Tribunal Supremo fosse admitido, no dia de hoje está na sala de admissão do Tribunal Supremo, mas a promotoria emitiu um informe desfavorável para impedir que siga adiante, agora falta que o supremo resolva se o admite ou não.

Neste ponto, os prazos podem ser desde dias ou até dois meses, a situação das 6 companheiras de Gijón depende de se o Tribunal Supremo admite o recurso em trâmite, onde poderia esperar um ano para emitir uma decisão, favorável ou não.

No caso de não admiti-lo, a situação das 6 de Gijón se torna muito crítica, nossas companheiras voltariam a cair nas mãos do juiz e antiobreirista LINO RUBIO MAYO, a sentença seria firme e a acusação e a promotoria poderiam pedir a execução da sentença, pelo que o juiz teria um prazo para executá-la de 10 dias desde que se solicita.

As companheiras PODEM ENTRAR NO CÁRCERE EM QUESTÃO DE DIAS

A Promotoria em seu informe afirma que deve ser inadmitido por carência de fundamento e por ir contra os fatos provados.

Por isso se recorre, porque os fatos provados não correspondem à realidade.

Porque o único interesse ao começar o conflito sindical era e é a defesa dos direitos de uma trabalhadora. Mas os fatos provados são unicamente a versão do empresário, aludindo a que foi submetido a uma tremenda pressão que obrigou a fechar o negócio. Um negócio que estava anunciado em um portal imobiliário para sua venda muito antes do início do conflito.

Que pressão pode padecer uma pessoa com tantos contatos, que depois de cada manifestação enviava à polícia para identificar as participantes no protesto inclusive dias depois.

Quem crê que este empresário tenha se visto obrigado a um fechamento forçado e como consequência condenado a apresentar uma solicitação de declaração de falência voluntária, um empresário que contrata como advogado JAVIER GÓMEZ BERMÚDEZ, ex-presidente da Sala do Penal da Audiência Nacional.

Nossas companheiras foram mandatárias do sindicato, solicitaram uma reunião com um empresário, em uma negociação se solicitou a retirada de uma denúncia e ante a impossibilidade, se abandonou essa reclamação; de fato essa denúncia prosperou e foi julgada.

As concentrações foram em 90% comunicadas e aprovadas por delegação de governo e as que não se comunicaram tampouco foram ilegalizadas já que no total delas houve presença policial e nunca houve intervenção por sua parte.

Em uma região como Astúrias estamos acostumadas e acostumados a um sindicalismo para os homens para os setores onde são maioria, onde por cultura sempre se teve presença, setores como a mineração, o metal, o naval… Mas o sindicalismo também é nosso, das mulheres; as mulheres também nos defendemos e nos posicionamos e isto ao patriarcado e ao capitalismo dói muito, nos subestimaram mas as mulheres sempre estivemos aí, nas greves e nos cortes, mas nossos e nossas companheiras fizeram o que fariam qualquer obreira com apoio mútuo e organização mas que várias mulheres solicitem reunião e negociem em um conflito não se assumiu e se perseguiu.

Porque fazer sindicalismo, não é delito. Mas se esta condenação segue adiante, pode ser precedente. 3 anos e meio por pedir reunir-se com um empresário e segurar um cartaz.

Quantas vezes fizemos isso mesmo? Poderemos voltar a fazê-lo sem pisar o cárcere?

Agora mesmo, a liberdade das 6 de Gijón está por um fio. Não as deixaremos cair.

O sindicalismo, a ação direta e o apoio mútuo, não são delito.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/estamos-en-alerta-pendientes-de-un-hilo-pero-no-nos-rendimos/

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Ah, como é bonita!
Pela porta esburacada
surge a Via Láctea.

Issa

[Suíça] Idosa anarquista é absolvida por ataque com fogos de artifício ao consulado turco

Uma senhora de 72 anos, acusada de lançar fogos de artifício no consulado turco de Zurique, teve sua condenação anulada em recurso.

O tribunal de apelação considerou que não havia provas suficientes para condenar a anarquista Andrea Stauffacher de atacar o consulado em 2017.

No ano passado, Stauffacher foi condenada a 14 meses de prisão, mas a sentença do tribunal de apelação, publicada na segunda-feira (17/10), anulou essa condenação.

Stauffacher é membro do grupo Revolutionary Structure e foi considerada culpada de ataques anteriores com fogos de artifício.

Mas nesta ocasião, o tribunal de Zurique decidiu que vestígios de seu DNA em um fogo de artifício eram provas insuficientes para um veredito de culpa, apesar de sua oposição pública ao regime turco ter sido declarada.

Os juízes disseram que o DNA não provou que Stauffacher tinha jogado o fogo de artifício nos terrenos da missão diplomática.

O tribunal também observou que o Ministério Público tinha relutado em contestar o recurso, mas fora obrigado a fazê-lo por insistência do consulado turco.

Fonte: https://www.swissinfo.ch/eng/anarchist-pensioner-cleared-of-firework-attack-on-turkish-consulate/47985632

agência de notícias anarquistas-ana

notícias do sol –
os pássaros da manhã
cantam na varanda

Zemaria Pinto

[Espanha] O anarcossindicalismo internacional chama a realizar ações em solidariedade com os sindicalistas de La Suiza

O jornal do sindicato Industrial Workers of the World dedicou sua capa à manifestação em apoio aos cenetistas asturianos que aconteceu em Madri no final de setembro.

A manifestação celebrada em Madri em 24 de setembro passado em solidariedade com os cenetistas do caso La Suiza ocupou a capa do Direct Action, o boletim oficial da organização anarcossindicalista estadunidense Industrial Workers of the World (IWW).

Solidarity with the CNT Xixón six. Syndicalism is not a crime“, (Solidariedade com a CNT Xixón. Sindicalismo não é crime.) Se lê no jornal sobre uma foto do cabeçalho da manifestação. Milhares de pessoas percorreram o centro de Madri para pedir a absolvição das seis sindicalistas condenadas a penas de três anos de prisão pelo exercício da ação sindical no contexto do conflito entre o sindicato e a empresa La Suiza de Gijón/Xixón.

O texto da notícia é encabeçado por uma chamada “a ações de solidariedade internacional” em apoio dos perseguidos.

Fonte: https://www.nortes.me/2022/10/19/el-anarcosindicalismo-estadounidense-llama-a-realizar-acciones-en-solidaridad-con-los-sindicalistas-de-la-suiza/

Tradução > Sol de Abril

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[Espanha] Confeitaria La Suiza: Pedem para 6 militantes da CNT-Gijón 3 anos de prisão e 150.000 euros por exercerem o direito de protesto

agência de notícias anarquistas-ana

no vaso menor
um punhado de terra
violeta em flor

Ricardo Silvestrin

A escola onde os alunos se fazem anarquistas

Por Luís Pedro Cabral | 01/10/2022

Entram com 16 meses, saem com 16 anos. Entram livres, saem libertários. Entram de fraldas, saem com as vestes ideológicas da anarquia. Esta é a história de uma escola livre, autogestionária, em Mérida. Uma escola onde todos fazem tudo em partes iguais, onde é proibido proibir. Estão na forja novos anarquistas. Em nome da velha anarquia perdida. Que, nesta escola, nunca se perdeu.

Se há coisa que o capitalismo nos ensina, como naquela epístola do Leonard Cohen sobre o que toda a gente sabe, é que os pobres ficam cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos, que toda a gente quer da vida uma caixinha de chocolates, que neste mundo desigual até a alma tem um preço, que a providência raramente é cautelar e que há ideologias que os estados democráticos e até os autocráticos devem temer, mais ou menos como o diabo teme a cruz ou como um consumidor de electricidade com facturas em atraso teme a visita de um desligador.

É por isso que o anarquismo, que é uma ideologia relativamente moderna, foi remetida para a arqueologia das coisas, como um despojo tecnofóssil de uma civilização perdida em etimologias vagas e interpretações equívocas. Nos arredores de Mérida, cercado por todos os quadrantes pelo polígono industrial da capital da Extremadura espanhola, vive um pedaço dessa utopia.

A Escuela Libre Paideia é um colectivo libertário na mais pura acepção da palavra. A primeira visita que fiz a esta escola que, aliás, não gosta lá muito de abrir as suas portas a pessoas estranhas ao colectivo, foi em 2013. Uma década depois, só mudaram os alunos. O sítio é o mesmo, muitos dos professores são os mesmos, o método autogestionário é o mesmo, o espírito de liberdade o mesmo é, até o cão é o mesmo. Visto de fora, a sensação também é a mesma: parece um lugar habitado por seres em vias de extinção, invulgarmente felizes. Não há stress, competição. Os olhares e os gestos são tranquilos, de uma certa paz, num silêncio quase melódico. Não existe propriamente um regresso às aulas, como existe no ensino estatal ou no ensino privado, coisas que esta escola orgulhosamente renega, vincando bem os seus princípios anarquistas. Material altamente subversivo, avisa-se já.

Em redor do edifício da escola, nada parece bater certo. Neste sítio, não há utopia que valha a um horizonte em tons de cimento e terracota, onde os postes eléctricos se substituíram às árvores. Ao fundo, vê-se o Hospital de Mérida, como um paradigma suburbano que se ergue no Poligono Nueva Cuidad, onde o movimento é incessante, com lojas de tudo e mais alguma coisa, às moscas. A pandemia Covid 19 foi inclemente com os extremanhos.

A dado momento, já tinha a Extremadura espanhola mais vítimas mortais que Portugal por inteiro. Esta cidade, erigida ex nihilo no ano 25 a.C. por ordem do imperador romano Octávio Augusto, resistiu às mais mortíferas vagas da pandemia, mas parece dar sinais de pouca resistência à escalada de uma crise que se instalou no mundo com a guerra na Ucrânia, à qual Espanha, tal como Portugal, parecem ainda longe de conquistar imunidade. O corrupio é constante, mas os cafés, os restaurantes, o comércio estão na travessia de um deserto.

Lá ao fundo, na sua vida, sobrevive a anarquia numa casa campestre, onde não é permitida a entrada ao admirável mundo novo que deixou Espanha mergulhada numa crise profunda, que tudo fez estremecer e mais os valores inalienáveis. Parece que o tempo não passou por ali. Ou, então, parece que já passou e aquele é um ground-zero da globalização, um cenário pós-apocalíptico com roupa nos estendais. Oito mulheres e pouco mais de trinta crianças, o número nunca é estanque, formam um grupo de “perigosos” anarquistas, guardados por um cão demasiado velho para ladrar.

Na escola Paideia – Escuela Libre -, exemplar único na Península Ibérica, se não na Europa, ensina-se o anarquismo, na praxis de uma pedagogia libertária, antiautoritária, das 9h00 às 18h00. Não gostam de visitas. Usam roupas simples, falam de liberdade, de igualdade. Acreditam na individualidade e que é nisto que reside a harmonia de um grupo, uma família, uma comunidade, um pueblo, uma cidade, um país, um mundo melhor. Reclamam a sua quota do impossível, fazendo o que podem para o contrariar, naquele hectare de um sonho vasto.

São orgulhosamente sós, este conjunto de hermanos e hermanitos, mestres e aprendizes de uma estirpe rara de gauleses ibéricos, a viver no âmago da maior cidade da antiga Lusitânia.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.wort.lu/pt/sociedade/a-escola-onde-os-alunos-se-fazem-anarquistas-6337d500de135b92360b4ce5

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/12/28/espanha-paideia-40-anos-de-escola-libertaria/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/02/01/espanha-lancamento-paideia-25-anos-de-educacao-libertaria/

agência de notícias anarquistas-ana

A criança às costas
Bulindo com meus cabelos –
Ah, quanto calor!

Shiba Sonome

Bandeira negra – rediscutindo o anarquismo

Por Felipe Correa

Apresentação do autor à segunda edição do livro

Bandeira Negra (re)discute teoricamente o anarquismo, a partir de um conjunto amplo de autores e episódios. Constatando a problemática teórica e histórica dos livros de referência do tema, realizo uma “volta aos princípios”, escrevendo um novo e inovador “o que é o anarquismo”.

Além de discutir criticamente a bibliografia vigente, conceituo o anarquismo por meio de um método adequado, baseado em anarquistas clássicos e contemporâneos dos cinco continentes, reelaboro a discussão sobre as correntes, apontando os principais debates ocorridos entre os anarquistas, e reflito sobre o surgimento, a extensão e o impacto histórico do anarquismo.

Esta segunda edição do livro, publicada pela editora Autonomia Literária, conta com uma revisão em relação à primeira, e também com um novo posfácio, de mais de 60 páginas, escrito por Lucien van der Walt, pesquisador sul-africano, que considero o maior especialista contemporâneo do mundo em anarquismo. A seguir, destaco os principais argumentos desse livro.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://aterraeredonda.com.br/bandeira-negra-rediscutindo-o-anarquismo/

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Saudades da amada —
Caem flores de cerejeira
às primeiras luzes.

Kaya Shirao

[Itália] Sardenha: O anarquista Alfredo Cospito inicia uma greve de fome

Hoje, 20 de outubro de 2022, no Tribunal de Vigilância de Sassari, durante a audiência sobre a retenção da correspondência, o companheira anarquista Alfredo Cospito declarou o início de uma greve de fome contra o regime penitenciário do 41 bis para o qual foi transferido no dia 5 de maio. O companheiro não estava presente no tribunal, mas participou por videoconferência a partir da prisão de Bancali.

O 41bis é um regime de tortura, estabelecido para calar, isolar e obrigar à colaboração com as instituições: é necessário derrubá-lo junto com todos os cárceres.

Morte ao Estado, viva a anarquia!

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Os banhos agora
Num dia sim, noutro não –
Canto dos insetos.

Konishi Raizan

 

[Chile] Revolta cotidiana, até romper com tudo

A 3 anos da revolta de 18 de outubro, quando a raiva e a tristeza explodiu em gritos, barricadas, recuperações, saques, panelaços e assembleias territoriais, ações que temporariamente desestabilizaram a ordem do capital e nos mostraram possibilidades antagônicas a ele, e às quais o estado respondeu – como sempre – mediante a repressão exercida por ratis, pacos e milicos a serviço dos ricos, comemoramos a nossos compas assassinados, mutilados e sequestrados nas mãos das forças repressivas do estado chileno, os que lutaram e seguem lutando pela vida em liberdade.

Rememoramos e procuramos o desejo vivo que motivou a saída de milhares de pessoas às ruas, que longe de buscar respostas na deslegitimada institucionalidade – tal como querem nos fazer crer hoje na televisão e nas escolas – deram rédea solta a sua ira contra os símbolos do poder. No entanto e apesar da promessa de que o $hile seria a tumba do neoliberalismo, não foi sepultado o modelo mas que pelo contrário, com o pacto pela paz e o processo constituinte a social democracia fez sua jugada e nos introduziu no show eleitoral que finalmente só apaziguou os ânimos de revolta e nos deixou com um estado policial atualizado e uma ordem neoliberal ainda mais precarizada. Onde seguem havendo perseguições policiais em plena luz do dia, a super exploração das pessoas, seres vivos e da terra, sem vergonha continua. Onde cada dia sobe o preço do azeite, do pão, das coisas. Onde a saúde mental e pobreza seguem sendo um tema preocupante e que os culpados de nos mantermos enfermos e abatidos gozam de encher os bolsos. Seguimos dizendo já basta, já não ficamos calados e atuamos forte e claro.

A 3 anos da revolta apostamos por seguir tecendo comunidades de luta, onde o apoio mútuo, a desobediência e a ação insurreta nos abra o caminho a uma vida livre. A resposta segue estando nas ruas, nossos territórios e coletividades de modo a forjar outros modos de habitar e conviver.

A levantar a organização territorial!
Liberdade aos presos!
Esta vida urge desobedecê-la!
À rua até mudar nossa realidade!
Nos vemos no calor das ruas!

Chuchunko, 18 de outubro de 2022

Tradução > Sol de Abril

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A bola baila
o gato nem olha
salta e agarra 

Eugénia Tabosa

[Itália] Da frigideira ao fogo

Após a eleição. A Direita perde, a Direita ganha

A Direita está no poder! Por que, quem esteve lá até agora? Com isso não pretendemos certamente subestimar o significado político da vitória eleitoral de Giorgia Meloni e seu partido, os herdeiros oficiais do fascismo, apesar do fato de que há meses eles vêm se esforçando para se mostrar como conservadores moderados, fiéis à Aliança Atlântica, não mais inimigos da União Europeia, filhos arrependidos do Putinismo, garantes da ordem social e clerical e acima de tudo de nosso capitalismo para o qual juraram servidão e obsequiosidade, recebendo dinheiro e votos em troca.

Uma centro-direita a reboque do neofascismo é certamente capaz de acelerar os processos reacionários já em andamento no campo dos direitos, tributação, desigualdades sociais, como quando estava nas mãos da Liga (embora dividida entre governo e “oposição”). O fato é que a força da direita não está na fraqueza do centro-esquerda (uma democracia cristã revisada e nem mesmo corrigida), mas em sua aquiescência às políticas liberalistas, militaristas e clericais, que a veem como protagonista, há muitos anos e muitos governos, da destruição do bem-estar, da exacerbação das desigualdades, da gestão militar e repressiva das crises de saúde e econômicas, da obstinação racista em relação aos migrantes, e das políticas de militarização e guerra. Fatores que têm empurrado uma certa fatia eleitoral popular para a direita ao longo dos anos.

A Itália está há anos sob um governo de direita, que tem realizado programas e políticas de direita talvez melhores do que a própria direita (às custas da saúde, saqueada e privatizada, escolas imiscuídas, empregos arrasados e precários, renda cortada, e poderíamos continuar). O que mais há para roer para um governo de direita, liderado pelo Fratelli d’Italia (Irmãos da Itália), teremos que ver, também porque ainda não chegamos ao fundo do poço, mas eles certamente não estão longe disso.

É por isso que não somos daqueles que agora gritam “olhem os fascistas!”: arriscaríamos a distribuir patentes de antifascismo e progressismo às forças políticas e personalidades que melhor encarnaram os ditames do FMI, dos EUA e da OTAN, dos lobbies militares e do Vaticano, e vê-los talvez lado a lado nas praças gritando contra o governo liderado pela fascista Meloni, só porque eles perderam as eleições.

Vamos fazer um resumo, para não sermos mal compreendidos.

Os Irmãos da Itália venceram as eleições. Isto não foi uma surpresa, já que as pesquisas vinham anunciando o resultado há meses. Mas não houve uma mudança de votos em direção à direita tradicional, mas sim uma remodelação do consenso dentro do centro-direita. Mas houve um forte aumento da abstenção, o que reduz o consenso real da direita central para pouco mais de 25% do eleitorado, e o dos Irmãos da Itália para pouco mais de 13%. Sim, tudo bem, eles foram para o governo; mas vamos com calma falar sobre a mudança da Itália para a direita. O emagrecimento de Salvini, por outro lado, é um fato político considerável: o representante desenfreado da política reacionária está agora escanteado; talvez sua remodelação seja ainda mais venenosa, mas ele corre o risco de ter que se colocar à disposição dos vencedores ou desaparecer por completo.

Com esta maioria, podemos esperar que projetos, como a autonomia diferenciada, ou seja, o agravamento das diferenças entre as regiões ricas e as regiões do sul da Itália, desejadas pela direita, mas também pelo PD, possam ser acelerados: o aumento do subdesenvolvimento e a degradação do sul corresponderão a uma recompensa econômico-política para o norte rico e industrial, a privatização definitiva da saúde, educação e serviços essenciais, deixando o sul com um assistencialismo esfarrapado e de mera subsistência, e o papel histórico de uma bacia para a extração de mão-de-obra.

Será certamente no campo dos direitos (aborto e contracepção, eutanásia e suicídio assistido, adoções, casais de fato, identidade de gênero, ius soli e igualdade para migrantes, etc.) que Meloni e seu governo tentarão se enfurecer, apoiando-se no pior que o DP, as 5 Estrelas e companhia fizeram nos últimos anos, que em questões de subserviência aos desejos do Monarca de Roma não ficam atrás de ninguém. Sobre guerra e emigração, depois do Turco-Napolitano, Bossi-Fini, Minniti, Salvini e os decretos de segurança, será difícil para Meloni encontrar outra coisa; o “bloqueio naval”, que foi tocado, não ajudará a resolver um problema que marca uma época como a emigração, especialmente com o nível extremamente grave em que a emergência climática chegou. Tema, este último, sobre o qual duvidamos que Meloni e seu governo tenham receitas diferentes daquelas de seus mestres da Confindustria, a saber: continuar com o extrativismo dos combustíveis fósseis e a farsa do capitalismo verde.

Isso deixa o campo da ordem pública, a gestão dos conflitos sociais, a repressão de todos os fenômenos de protesto causados pela crescente pobreza da população. Aqui a direita será capaz de liberar toda sua vocação xerife e colocar em jogo novamente o que Matteo Salvini conseguiu em sua temporada como Ministro do Interior em detrimento dos imigrantes, trabalhadores, movimentos sociais. Sabemos que na força policial existe um forte consenso em relação à “primeira mulher primeira-ministra”; evidentemente eles esperam maior liberdade (com relativa impunidade) de cassetear, espancar, parar, abusar, prender, do que já tínhamos com os governos vermelho-amarelo, amarelo-esverdeado, rosa-pálido, cinzento-rato e assim por diante.

A respeito da guerra, a lealdade reafirmada ao mestre americano e à OTAN assegura a continuidade da política externa, o aumento anunciado das despesas militares e a disponibilidade para continuar participando do conflito na Ucrânia, talvez até indo mais longe.

Haverá, sem dúvida, uma pitada de retórica nacionalista e patriótica e algum vôo nostálgico (veremos no final do mês o centenário da marcha fascista sobre Roma), especialmente no que diz respeito à imagem (muitas outras ruas com o nome de Almirante e “heróis” do período dos anos vinte ou das estratégias de tensão).

O importante será não cair na armadilha de um perigo fascista que só surgiu depois de 25 de setembro. O fascismo rastejante e real foi imposto pelos D’Alema, Berlusconi, Monti, Renzi, Draghi e todos os governos liberalistas, belicistas, clericais e racistas que tivemos de suportar nos últimos vinte anos. O dia 25 de setembro trouxe apenas clareza. O antifascismo só pode ser anticapitalista, antimilitarista, ambientalista e possivelmente até mesmo antiparlamentar. A clareza na frente do inimigo de classe deve corresponder apenas à clareza na frente subversiva.

A votação na Sicília

Na Sicília, a ala direita governou e continuará a governar. Schifani substitui Musumeci, em uma ilha onde não mais de 50% dos eleitores elegíveis votam, e onde uma parte substancial daqueles que votam vagueia qualitativamente entre 5 Estrelas (ontem) e De Luca (hoje). Este último, um democrata-cristão de longa data, com uma hábil cavalgada de descontentes, um deputado durante anos sob vários disfarces, absorveu parte dos votos dos Grillo’s, que há cinco anos ganharam a votação, mas não conseguiu arranhar o núcleo do eleitorado que se manteve afastado da farsa eleitoral durante anos. Aqui, como em qualquer outro lugar, listas de independentistas ou “revolucionários” estão na margem da irrelevância.

Partir da abstenção, do mundo que não se reconhece nos partidos e na farsa parlamentar, é a verdadeira aposta. Do descrédito dos partidos e dos políticos pode surgir uma verdadeira oposição que não pretende mais delegar a outros a solução de seus problemas. Não é fácil, mas vale a pena gastar energia neste caminho em vez de dá-la ao sistema de engano dos eleitores.

Fonte: https://www.sicilialibertaria.it/2022/10/06/dalla-padella-alla-brace/

Tradução > Liberto

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Engoli migalhas
jogadas ao vento,
deixadas pelas gaivotas.

Rogério Viana

[Espanha] V Mostra do Livro Anarquista de Alacant

Caros companheiros e companheiras

Informamos que nos dias 21 e 22 celebraremos em Alicante a V Mostra do Livro Anarquista de Alacant.

Na sexta-feira, 21 de outubro, a partir das 19h00 no Ateneo Popular Pla-Carolines (C / Antonio Maura, 5), teremos a apresentação do projeto do 150º Aniversário da Revolució del Petroli em Alcoi pelo Col.lectiu Revolta 1873. E a partir das 21h00: DJ Hortera Lara estará tocando música “petarda”.

No dia seguinte, sábado 22, no Patrón de Quijano (Plaza de Santa Teresa), a Assembleia da Mostra do Livro Anarquista de Alacant organizará um encontro de autores, editores, distribuidores e coletivos em torno de ideias libertárias, com o seguinte programa:

10h00. Abertura da Mostra

11h00. Apresentação do livro “Anarquía relacional. La Revolución desde los vínculos”, a cargo de seu autor Juan Carlos Pérez Cortez.

11h30. Apresentação do livro “Venim de lluny: Història del Feminisme al País Valencià” por três de suas autoras Laura Bellver, Andrea Aguilar, Gemma Martínez.

17h00. Apresentação do livro “Ecofascismo. Uma introdução”, a cargo de seu autor Carlos Taibo.

19h00. Apresentação da HQ “Negras Tormentas, 1936-1939”, a cargo dos autores Rubén Uceda e Gabriel Cagliolo.

Web: https://mostrallibreanarquistaalacant.wordpress.com/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/10/23/espanha-ii-mostra-do-livro-anarquista-de-alicante/

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casa na neve
odores vindos de longe
o céu como teto

Célyne Fortin

[Chile] 18 de outubro de memória combativa

O 18 de outubro de 2019 foi uma data histórica e existencial que perturbou a circulação normal das mercadorias, alterou nossas relações sociais e colocou o Estado e aqueles que governam contra as cordas durante vários meses de maneira contínua. As semanas que se seguiram foram raivosas, criativas, selvagens e de confronto, e entre barricadas, assembleias, cacerolazos [panelaços] e apoio mútuo, a comunidade apareceu em seu estado mais enigmático e original, onde diante da adversidade torna-se necessário fortalecer laços de solidariedade e apoio mútuo para enfrentar esta realidade que não cessa de nos atingir todos os dias, em todas as dimensões de nossas vidas.

Não podemos esquecer esses dias de alegria e terror. Por um lado, pudemos experimentar a organização territorial, de vizinhança, direta e assemblearia como semente e potencia de uma maneira diferente de viver e resolver nossos problemas. Por outro lado, o Estado, através da polícia, dos militares e do PDI (Polícia de Investigações do Chile) empregou toda sua força para reprimir a dignidade da resistência do povo que tomou as ruas em insurreição, assassinando nossos companheiros e companheiras, prendendo nossos irmãos e irmãs, mutilando, torturando e espancando nossos amigos e vizinhos.

Três anos depois desse acontecimento histórico, o maior depois do “retorno à democracia”, recuperamos o elemento sensível da luta e jamais perdoaremos ou esqueceremos a violência vivida e como tudo começou: com evasões maciças de transporte público, com saques de grandes empresas, entregas coletivas, ataques a delegacias de polícia, propriedade privada e bancos em todo o país.

Três anos após a revolta, reivindicamos esta data como parte da história da resistência e acreditamos que é necessário continuar projetando a luta para além de qualquer tentativa de salvaguardar esta ordem social, além de qualquer governo, por fora e contra o Estado. Chamamos a fortalecer e criar organização e comunidades de luta até transformar radicalmente nossa vida cotidiana e destruir este mundo cheio de contradições e misérias.

Vamos toma tudo!

Vamos criar comunidades de luta!

Guerra social contra o Estado, o patriarcado e o capital!

Liberdade para os presos e presas!

18 de outubro de memória combativa.

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A ipoméia
Tomou-me o balde do poço –
Busco água no vizinho.

Kaga no Chiyoni

Podcast sobre o massacre do Carandiru

“Todos” é uma minissérie em áudio baseada no massacre do Carandiru, escrita por Danilo Heitor e narrada por Ariel Ayres. A arte é da Marília Carvalho.

A partir de uma viagem misteriosa da Casa de Detenção para uma São Paulo distópica, a trama navega entre desejos de vingança e a busca por justiça.

A primeira metade dos episódios saiu hoje e a segunda estará no ar na semana que vem.

A hospedagem é na Rádio Sens, uma rádio online anticapitalista, e a produção é d’O Anarresti em parceria com a Escambau.

>> Escute aqui:

https://senscast.org/todos/

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Fumaças vermelhas
da tempestade de pó
devoram o sol.

Masuda Goga