[Itália] Matteo Guarnaccia nos deixou

Perdemos um amigo próximo que sempre trabalhou generosamente com as realidades contraculturais do movimento.

Perdemos um companheiro libertário disposto a colaborar em vários níveis com a F.A.I. Reggiana e com a Cucine del Popolo criando alguns cartazes extraordinários.

Participou com paixão em muitas das nossas iniciativas apresentando os seus livros dedicados à contracultura. Foram inúmeros os compromissos que construímos juntos a começar pelo festival dedicado ao “Verão da Contracultura” organizado em 2007.

Nossos encontros variavam de acontecimentos e xamãs, provos e gnomos, bicicletas brancas e sonhos molhados, ervas exóticas e carícias psicodélicas… e muito mais.

Matteo foi uma figura de referência fundamental da arte visionária contemporânea, um dos representantes mais significativos do movimento underground dos anos 70, um dos poucos artistas que demonstrou uma capacidade indiscutível de saber atualizar o imaginário psicodélico, criando ícones que sintetizam os aspectos mais essenciais de uma mitologia visionária.

Sua jornada humana e artística investigou três décadas de explorações no campo da poesia, liberdade e amor.

Ativo no mundo do design, música e moda. Foi escritor, pintor, historiador, performer, uma verdadeira autoridade criativa e libertária, autor de vários livros fundamentais sobre história da arte, figurino e contracultura.

Queremos lembrá-lo com seu esplêndido cartaz criado para o XXVI Congresso da Federação Anarquista Italiana realizado em Reggio Emilia em 2008.

Olá Matteo! Sempre levaremos vocês em nossos corações.

CUCINE DEL POPOLO – F.A.I. REGGIANA

Reggio Emilia, 15/05/2022

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

na noite, o vento
vindo cheiroso de ver
madressilvas.

Alaor Chaves

 

[Reino Unido] O SCPO do camarada anarquista Toby Shone foi rejeitado pelo tribunal!

Para as celebrações selvagens na galeria pública, o juiz presidente rejeitou o pedido de Ordem de Prevenção de Crimes Graves (SCPO) do camarada anarquista Toby Shone, declarando que não havia fundamento para que fosse aplicado nas circunstâncias. Gritos de “Nem um passo atrás!” foram respondidos com Toby gritando “A Revolução é inevitável!”

O resultado do tribunal significa que o camarada Toby agora será libertado o mais tardar em agosto deste ano, sem as condições extremas de vigilância e controle que o teriam levado a ser afastado não apenas de seus companheiros; mas de sua família, amigos e parceiros. Teria restringido seu modo de vida, sua capacidade de funcionar como anarquista, com muitas condições que já foram elencadas anteriormente, como o uso de aparelhos eletrônicos para ele ter que declarar quem visita sua residência. Teria durado 5 anos e poderia ter sido renovado. Se tivesse sido quebrado por Toby, isso o levaria a cumprir 10 anos nos buracos do sistema prisional do Reino Unido.

O SCPO foi um ataque direto a Toby como um anarquista, seu modo alternativo de viver e suas conexões com aqueles de quem ele é próximo. Estava claramente ligado aos policiais antiterroristas que tentavam aplicar medidas repressivas nele depois que as acusações de terrorismo em seu julgamento original anterior foram retiradas.

A ação dos policiais antiterroristas cria um novo ambiente repressivo nesta ilha-prisão, que agora, assim como em outros países europeus, como vimos com as muitas operações repressivas contra camaradas na Itália e na Grécia, que anarquistas são considerados terroristas pelo Estado, que qualquer um que ousar lutar contra a autoridade estará sujeito a tal repressão. Também está claro que o estado britânico quer atacar as conexões; as afinidades, as amizades, até o amor, daqueles que querem punir. Esta é uma tática vingativa semelhante que vimos ser usada em outros países também, como o direcionamento de parceiros e familiares da organização revolucionária Conspiração das Células de Fogo dos membros na Grécia.

A ‘Operação Sonho’, o ataque repressivo a Toby, em 325 [blog], é também um ataque aos círculos anarquistas e aos estilos de vida alternativos como um todo. Os anos de prisão estão se acumulando para aqueles que ousaram se rebelar durante o protesto Kill The Bill no ano passado, que foi atacado por policiais e levou a um motim. Aqueles que vivem “fora da rede”; de ciganos e viajantes irlandeses a moradores de vans, caravanas ou barcos, juntamente com os ocupantes sem teto, também estão sentindo toda a força do estado britânico, os conservadores Boris Johnson e Priti Patel da formação repressiva da direita racista “Build Back Better” GB.

Há de fato uma “tempestade chegando no horizonte” como o camarada Toby mencionou, é hora de todos nós que a sentimos avançarmos em direção a ela, nos revoltarmos contra a destruição de nossas vidas, nossa própria existência.

Este é apenas o começo, “Nada acabou, o conflito continua!”

Alguns anarquistas em solidariedade com o camarada anarquista Toby Shone

Fonte: https://darknights.noblogs.org/post/2022/05/06/bristol-uk-anarchist-comrade-toby-shones-scpo-was-rejected-by-the-court/

Tradução > GTR@Leibowitz__

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/02/reino-unido-justica-para-o-preso-anarquista-toby-shone/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/02/reino-unido-sentenca-de-primeiro-grau-para-o-companheiro-anarquista-toby-shone/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/10/29/reino-unido-atualizacao-sobre-a-situacao-do-companheiro-anarquista-toby-shone/

agência de notícias anarquistas-ana

abelha na flor
a brisa nas árvores
eu com teu sabor

Carlos Seabra

[Alemanha] Leipzig: Antena de retransmissão da Deutsche Bahn queimada – Atacar o militarismo!

Atacamos a Deutsche Bahn (DB) como parte da logística da guerra na Europa. Não esquecemos que esta empresa está envolvida em entregas de armas há anos (mesmo que no momento esteja tentando limpar sua imagem com entregas “humanitárias” à Ucrânia). Em particular, todos os dias nossos amigos de Rojava são mortos com armas entregues pela DB. Há uma estreita cooperação entre a DB e o regime fascista de Erdogan.

Assim, na noite de 28-29 de abril, incendiamos uma antena da DB em Markkleeberg [cidade nos subúrbios do sul de Leipzig]. A linha onde a antena está localizada era e ainda é usada para entrega de armas. Estamos tentando nos opor à lógica de guerra atual com nossos meios e queremos que os danos materiais sejam os maiores possíveis. Quando esta linha não é usada para transportar veículos militares, ela é usada para enviar carros, carvão e outras matérias primas devastadoras para todo o mundo.

O que também nos motiva é a tentativa de finalmente sair do desamparo que existe pelo menos desde a epidemia de Covid-19. A sabotagem de materiais de guerra não parece ser uma prática comum e, além disso, é desacreditada pelo discurso habitual da esquerda burguesa (a la “Claro que a Ucrânia deve receber armas – o mundo livre é defendido lá!”).

Não acreditamos na “vanguarda”, mas se pudéssemos motivar outras pessoas a realizar a sabotagem, isso obviamente nos daria alegria.

Que a fumaça de nosso incêndio se projete para Munique, onde uma investigação por conspiração criminal [contra anarquistas] foi lançada [Artigo §129 do Código Penal Alemão], incluindo um mandado de busca.

Vamos atacar o militarismo!

Pela anarquia!

[Ingredientes e instruções: Garrafa de um litro, com 2/3 de óleo de motor e 1/3 de gasolina. Uma garrafa de um litro de gasolina. Acendemos tudo isso com uma garrafa de meio litro de gasolina, à qual foram fixados arrancadores de fogo, com abraçadeiras plásticas para cabos. Colocamos tudo isso nos feixes de cabos que vão do gabinete de controle até a torre. Dito isto: se você estiver em uma área ocupada, use motores de partida com retardo].

Fonte: https://darknights.noblogs.org/post/2022/05/09/leipzig-germany-db-relay-antenna-burned-down-attack-militarism/

Tradução > dezorta

agência de notícias anarquistas-ana

Num galho seco,
Um corvo pousado.
Tarde de outono.

Bashô

 

 

[Espanha] ‘La maleta’, um livro para recuperar a memória do anarco-sindicalismo e das lutas dos trabalhadores

Josep Pimentel mistura realidade e ficção em ‘La maleta’, através da qual percorre a revolucionária Barcelona de 1936, a Frente Aragão e as coletivizações.

Por Candela Canales | 16/04/2022

Eliseo é um trabalhador, filho de migrantes do sul da Espanha, que se mudou com sua família para Barcelona no primeiro terço do século XX, primeiro no bairro chinês e depois no bairro da classe trabalhadora de Poblenou. Ele é “um exemplo de um anarco-sindicalista que se tornou um anarco-sindicalista através das lutas dos trabalhadores na fábrica”.

Sua história não é uma história verdadeira como tal, é um compêndio de histórias de diferentes pessoas que Josep Pimentel fundiu para falar sobre o anarco-sindicalismo e as lutas dos trabalhadores.

A viagem de Eliseo vai da fábrica de Barcelona, onde ele começou a luta obreira, até a frente de Aragão, onde chegou como parte da Coluna Ortiz. “Eu não queria fazer guerra, eu queria participar da construção da revolução. Eu sabia que para fazer isso era necessário esmagar o fascismo e é por isso que decidi juntar-me à Coluna Ortiz com a intenção de participar dos coletivos agrários”, relata Pimentel no livro.

Ele também destaca a coletivização, que foi “muito importante” em Aragão, “especialmente nas áreas que aparecem no livro”. Eu me concentrei em Oliete, Hijar, Alacón e Albalate porque eles têm sido áreas um tanto esquecidas e eu queria dar-lhes a importância que merecem”.

“Sua história, seu nascimento e sua história familiar é inspirada por Pedro García Martínez, que é uma pessoa que viveu eventos similares aos vividos por Eliseo. Sua personalidade e parte da história que ele explica é inspirada por outras pessoas ou situações nas quais Pedro não participou, e também por documentos de arquivo. Ela tem algo de minha mãe, que morreu de câncer pancreático, uma doença de que Eliseo sofre. E também tem um pouco de muitas das histórias pessoais que conheci e li ao longo de minha vida, daqueles trabalhadores que lutaram por um mundo melhor e o conseguiram, mesmo que tenha sido por um pequeno período de suas vidas”, explica Pimentel.

“O objetivo do livro era reconstruir a história do anarco-sindicalismo e das lutas dos trabalhadores, tudo através de vários personagens que caracterizam algumas das figuras ou correntes que compõem o movimento operário e mostrar a versão dos “esquecidos pela história, para dar voz àqueles que não a tiveram”.

Pimentel enfatiza o quanto a recuperação da memória histórica está se mostrando cara no campo do anarco-sindicalismo. “A parte republicana ligada aos partidos políticos havia sido recuperada, mas a parte ligada ao anarco-sindicalismo havia sido muito menos tocada, tendo em mente que o movimento da CNT havia sido o movimento de trabalhadores mais poderoso da Europa”.

“Todos temos histórias e muitas delas foram armazenadas em malas velhas, que se perderam no decorrer da história. Chamar o livro ‘A Mala’ é uma forma de falar do esquecimento, do silêncio, do fato de muitas pessoas terem sido silenciadas por causa da repressão e do silêncio”, explica o autor.

Pessoas comuns

Para isso, Pimentel concentra seus estudos nas pessoas de base, “que não tiveram a oportunidade de compartilhar sua voz, que é outro dos objetivos, de fazer das pessoas comuns os protagonistas da história”.

Não apenas a história de Eliseo, Pimentel cria três personagens que encarnam os principais perfis dos trabalhadores combatentes da época. Flora é de origem aragonesa, ela é de uma família de campo que se estabelece em outro bairro de Barcelona e seus pais e família estão ideologicamente envolvidos através dos grupos excursionistas ou das escolas.

Também faz parte da história Sebastián, uma pessoa de classe média alta originária do interior de Tarragona que, em nome dos ideais, decide renunciar aos privilégios de sua família.

Aparece outra figura, Karl, um brigadista internacional que vem à Espanha para lutar contra o fascismo, encarna muitos dos lutadores pela liberdade e contra o fascismo, o idealista romântico que vem pelas ideias e que quer participar da revolução para deter o fascismo. “Foi uma geração única e irrepetível de homens e mulheres. Eles eram nossos irmãos. Eles entenderam que uma batalha crucial estava sendo travada contra o fascismo no anel peninsular e que tinha que ser travada”, diz Pimentel.

Fonte: https://www.eldiario.es/aragon/cultura/maleta-libro-recuperar-memoria-anarcosindicalismo-luchas-obreras_1_8917693.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Olhando bem
O cafezal, na verdade,
São laranjeirinhas…

Paulo Franchetti

[São Paulo-SP] Relato da manifestação em solidariedade aos yanomami

PEQUENO REGISTRO DA MANIFESTAÇÃO EM SOLIDARIEDADE AO POVO YANOMAMI E CONTRA O GARIMPO

Na última segunda-feira, dia 9 de maio de 2022, ocorreu em São Paulo (SP), junto com Porto Alegre (RS), manifestação em solidariedade ao povo yanomami, que vem sendo mais uma vez alvo de ataques de garimpeiros. Santos (SP) e Brasília (DF) haviam realizado manifestações dias antes. Em um momento no qual a discussão sobre eleições que se aproximam impregna de maneira rançosa o ar – monopolizando as discussões, produzindo um falatório sem fim em defesa deste ou daquele candidato como salvação para os problemas – os povos indígenas seguem sangrando.

Neste contexto, a manifestação em São Paulo reuniu centenas de pessoas atrás de uma faixa que dizia “Bra$il é terra indígena! – FORA GARIMPO!”, sem carro de som ou aparelhamento partidário, interrompendo o fluxo da maior avenida da cidade de São Paulo, símbolo do capitalismo e do domínio urbano sobre a terra. Se para muitxs pode parecer sem sentido a realização de uma manifestação dessa em meio à uma glamourosa avenida de uma grande cidade, sinal do progresso econômico e civilizatório, para nós não haveria lugar mais simbólico: esta e todas as cidades são um imenso símbolo de destruição, de violência CONTRA esta terra e aos povos que a habitavam e a habitam, violência colonial, e, portanto, nada mais preciso do que lembrar que tudo aqui é terra indígena.

A manifestação reuniu pessoas de diferentes povos e apoiadorxs solidárixs que saíram às ruas frente ao intolerável da situação em que vivemos. Como nós anarquistas reafirmamos há mais de um século, solidariedade é mais do que palavra escrita; não começa e nem morre nas telas de um computador ou celular. Diversas falas reiteraram que a violência aos yanomami ou aos demais povos originários não é algo novo: é parte de um processo colonial em curso desde 1500, quando esta terra foi invadida pelas caravelas européias.

Varias falas durante o ato reafirmaram que enquanto a maioria espera uma suposta salvação que ocorreria em outubro nas urnas, o duplo capitalismo-estado, indissociável um do outro, segue expandido seu projeto de devastação e extermínio. Na terra, monocultivo e latifúndio; no modo de vida, dominação e uniformização, padronização com base no modelo de cidadão democrático, à espera de um líder que nos salvará. E pra quem escapa desse modelo ou é um obstáculo à sua expansão, sobra a violência, o ataque, a denúncia, a agressão, o silenciamento, a morte.

Ao caminharmos, foi impossível não lembrar que no entorno de todos aqueles gigantes de pedra e aço correm rios; embaixo dos prédios e das calçadas brotam plantas que, com suas raízes, seguem criando rachaduras permanentes no cimento. E aqui não há metáfora, idealização ou romantização. Basta ver. Não há nada mais concreto. Apesar de uma aparente estabilidade, este sistema, esta cidade, esta forma de vida chamada de civilizada, não são eternos e vão ruir.

Tudo aqui é terra indígena!

NÃO AO GARIMPO!

Solidariedade aos povos em luta!

furiosxs em algum canto da cidade,

12 de maio de 2022.

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2022/05/12/video-e-relato-de-ato-em-solidariedade-ao-povo-yanomami-e-contra-o-garimpo/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/06/sao-paulo-sp-ato-em-solidariedade-aos-yanomani-09-de-maio/

agência de notícias anarquistas-ana

A libélula,
Sem conseguir se agarrar
A uma folha de capim.

Bashô

[EUA] Janes Revenge – Grupo reivindica ataque incendiário contra organização anti-aborto em primeiro comunicado [10.05.2022]

“Nós estamos na sua cidade. Nós estamos em todas as cidades.”

Nos Estado Unidos o fascismo avança a passos largos. Nas últimas semanas, mulheres e a juventude trans, têm sofrido duros ataques em forma de manobras legais, que não tem outro objetivo além de perseguir e facilitar o extermínio, judicial ou extrajudicial, de todes que resistam ao projeto de poder do cristofascismo.

Nesse cenário, com a extrema direita se preparando para revogar o direito ao aborto em vários estados, e o acirramento da violência contra clínicas e profissionais de saúde, um grupo chamado Janes Revenge surge reivindicando o ataque incendiário contra a sede de um grupo anti-aborto de Ohio.

“Primeiro Comunicado.

Essa não é uma declaração de guerra. A guerra está sob nossas cabeças há décadas. Uma guerra que nós não queremos, e não provocamos. Há muito temos sido atacadas por reivindicar o mais básico tratamento médico. Há muito temos sido alvo de balas e bombas, forçadas a parir.

Isso foi apenas um aviso. Nós exigimos o desmantelamento de todos os estabelecimentos anti-escolha, as clínicas falsas [1], e os violentos grupos anti-escolha dentro dos próximos trinta dias. Essa não é uma mera “diferença de opinião” como alguns tem dito. Nós estamos literalmente lutando por nossas vidas. Nós não vamos aguardar sentadas enquanto somos assassinadas e forçadas a servidão. Nos sobra pouca paciência ou misericórdia por aqueles que querem nos arrancar o pouco de autonomia que nos resta. Enquanto vocês seguirem bombardeando clínicas e assassinando médicos impunemente, nós também devemos adotar táticas mais extremas para manter a liberdade de nossos corpos.

Nós somos forçados a adotar uma condição militar mínima para a luta política. Novamente, esse foi apenas um aviso. Na próxima vez a infraestrutura dos escravagistas será posta abaixo. O imperialismo médico não vai encontrar um inimigo passivo. Wisconsin é o ponto de partida, mas nós estamos em todos os cantos dos Estados Unidos, e não haverá mais avisos.

E nós não iremos parar, nós não vamos recuar, nem vamos hesitar em atacar até que o inalienável direito de decidir sobre nossa própria saúde nos tenha retornado.

Nós não somos um grupo, mas muitos. Nós estamos na sua cidade. Nós estamos em todas as cidades. Sua repressão apenas fortalece nossa cumplicidade e nossa vontade.

– Janes Revenge

[1] Diversos grupos anti-aborto tem criado clínicas que cooptam a linguagem das clínicas de planejamento familiar, para confundir as mulheres e convencê-las a não abortar.

A História de Jane – O nome do grupo militante, é uma referência direta ao Janes Collective, um grupo clandestino de mulheres que aturaram em Chicago, nos anos 70, quando o aborto ainda era ilegal. Elas ajudavam outras mulheres, especialmente as mais pobres, que precisassem interromper a gestação. Tinham uma infraestrutura de apoio emocional para as pacientes e familiares. Foram 11.000 mulheres atendidas e apenas uma morte, de uma moça que já havia chegado até elas, após tentar métodos abortivos em casa. Para saber mais sobre a história do Coletivo, ouça o Cool People Who Did Cool Stuff.

Fonte: https://hiperobjeto.substack.com/p/eua-janes-revenge-grupo-reivindica?s=w

agência de notícias anarquistas-ana

Em solidão,
Como minha comida —
Vento de outono.

Issa

Pré-venda do livro “Memórias de um Exilado”, de Everardo Dias

O Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri (NELCA) está publicando e fazendo uma campanha de pré-venda do livro “Memórias de um Exilado” de Everardo Dias, formato 14 x 21 cm, 136 páginas, lançado originalmente em 1920.

Preço promocional 30 reais, não paga frete. Desconto válido até o dia 3 de junho. Vamos enviar o livro pelo correio até início do próximo mês (junho). Após efetuar o pagamento, nos informar para qual endereço (com CEP) o livro deve ser enviado.

Pagamento pelo pix: nelca@riseup.net

O livro “Memórias de um Exilado” trata da história da expulsão de 23 anarquistas de Santos, São Paulo e do Rio de Janeiro que aconteceu em 1919. Vingança direta das autoridades constituídas contra a greve geral de 1917 e ações similares do movimento operário de inspiração anarquista. A leitura é essencial para se compreender a trajetória do sindicalismo revolucionário, assim como, a história do sistema penal brasileiro.

A venda desse livro ajudará na manutenção da Biblioteca Carlo Aldegheri e na publicação, em breve, de outros livros.

Fortaleçam a Cultura Libertária!!!

FB: BibliotecaCarloAldegheri

agência de notícias anarquistas-ana

o crisântemo branco
ainda que pisado
é crisântemo branco

Sérvio Lima

[Recife-PE] Chamado em Solidariedade a Ropi, artista argentina presa ilegalmente pela polícia brasileira

Ropi é uma artista de rua argentina, presa de forma brutal e ilegal pela polícia brasileira, no Recife (PE).

Apoie a lua de amigxs e familiares que estão tendo custos, para poderem devolver a liberdade da Ropi, roubada pelas mãos sangrentas do Estado.

Nota via: Festival de Cine A

“La Ropi é uma viajera, há poucos dias estava dormindo em um prédio abandonado e foi acordada a golpes.

Quando se é mulher, se está sozinha e és agredida por um homem, sabes que isso não vai ter um final feliz, ou apareces morta por aí ou não apareces nunca mais… Infelizmente quando és uma mulher e está sozinha se acostuma a caminhar olhando mais pra trás, pra ver se ninguém te segue, a caminhar por onde tem casas por que se alguma coisa nos acontecer, alguém pode nos socorrer, se acostuma a ter medo, a carregar um spray de pimenta ou uma faca no bolso…

La Ropi usou essa faca, era sua vida e sua integridade física que estavam em jogo… O homem que a golpeou se identificou como policial só depois que ela se defendeu! Nunca vamos saber quais eram suas reais intenções, mas não eram boas… La Ropi está ferida e encarcerada em uma penitenciária feminina em Recife, acusada de tentativa de homicídio, apenas por tentar se defender… Nós, amigxs e familiares estamos aqui do lado de fora, ansiosos e tristes, furiosos com esse sistema patriarcal que segue nos condenando…

Ela está sofrendo lá dentro, e nós aqui fora também, mas é importante mencionar que se ela não tivesse se defendido talvez a história hoje fosse outra, poderíamos estar chorando por nossa amiga em um caixão ou procurando-a desesperadamente.

Pra mim não fica explicado por qual motivo um policial decide atacar uma mulher que está dormindo sozinha e que dedica não se identificar antes de agir… La Ropi se defendeu de um possível feminicídio, estupro ou sequestro, a Ropi está encarcerada mas está viva, POIS SE DEFENDEU!

Quando se é mulher e se está sozinha é preciso ter medo, acostumar-se a estar constantemente alerta e ainda ter o cuidado de não se defender, por que vais presa! La Ropi me representa e representa todas aquelas mulheres que pra além de quaisquer perigos, nos arriscamos a viver a vida, representa a todas aquelas guerreiras que não vamos partir desse mundo sem lutar, aquelas que estão cansadas de ser vítimas, e também representa a todas aquelas que lutaram por suas vidas e ainda assim, foram mortas pelo machismo…”

agência de notícias anarquistas-ana

Hora do almoço.
Pela porta, com os raios de sol,
As sombras do outono.

Chora

[Chile] Santiago: Conferência “Educação libertária. Anarquismo e educação desde o sul do mundo”

Maio Anarquista 2022

Ciclo de Oficinas, Artesanatos e Conferências.

Nesta ocasião:

“Educação Libertária. Reflexões, tensões e desafios”

Quarta-feira, 18 de maio, desde as 18h00

Contribuição: ferramentas e materiais educativos.

Teremos Brincadeiras para crianças, Feira Libertária e Venda de comida Vegana. OS ESPERAMOS!!

Existem duas correntes de pensamento que se referem às teorias anarquistas em educação libertária: a que segue Rousseau, encarnada por Ricardo Mella, e a que, baseada nos princípios básicos anarquistas de antiautoritarismo, se opõe à absoluta permissividade. Estas últimas, que encontram sua raiz teórica na educação integral libertária, formulada por Bakunin, postulam que as crianças necessitam ser educadas para a liberdade, e não em absoluta liberdade. A diferença está centrada em, ou respeitar o direito da criança a educar-se a partir dela ou elas mesmas, que queiram, que pensam, que sentem e que atuam, enquanto os invadem os princípios da sociedade conservadora, autoritária e patriarcal, embora se combatam esses princípios e se ensine os que a Anarquia defende como melhores.

agência de notícias anarquistas-ana

Margeando riacho
Tenras folhinhas brotam
No campo queimado.

Mary Leiko Fukai Terada

[EUA] Reportagem do May Day Festival em Olympia, WA

Relatório de Maio do Festival em Olympia, Washington. Originalmente postado em Puget Sound Anarchists.

A luta anarquista ocorre em muitos terrenos diferentes – físico, (anti)econômico, (anti)político, etc. – mas o mais esquecido é o social. O terreno social – as maneiras pelas quais nos relacionamos com nós mesmos e uns com os outros e com estranhos. É nesse terreno que diferentes hierarquias – raciais, nacionais, de gênero, deficientes etc. – são reforçadas ou quebradas, dando espaço para o florescimento de novas relações. O terreno social é o terreno de nossa vida cotidiana e a base da reprodução das relações sociais.

Começo com isso para contextualizar este relatório – muitas vezes reservado para manifestações e ataques – e por que acho que o festival Anarchist May Day foi importante. Não é segredo que anarquistas em todo o país, mas talvez especialmente no PNW, estão passando por um momento difícil – entre a (necessária) decomposição do movimento pós-revolta, isolamento do COVID, aluguel mais alto, mais trabalho e trabalho mais perigoso devido ao COVID. Tem sido difícil fazer qualquer coisa além de apenas sobreviver – e apenas mal conseguindo, estamos muito ocupados para estar na vida um do outro, para analisar nossas condições, para atacar. É por isso que acho que este festival foi tão importante para Olympia porque – aos meus olhos – constituiu um ataque não insignificante ao isolamento e à alienação que tomou conta de muitos de nós.

Um dia antes do evento acontecer, o evento foi notado por uma personalidade da mídia de direita em particular que havia inspirado vários tiroteios em massa, e dois streamers de direita que estavam na cidade com o “Freedom Comvoy” declararam publicamente sua intenção de interromper o evento. Isso foi obviamente alarmante e as pessoas vieram para falar sobre as opções sobre o evento. “Segurança”, acessibilidade e a necessidade de poder realizar eventos públicos foram ponderados juntos. Digo “segurança” entre aspas porque, como anarquistas, temos inimigos e nossos inimigos levam o que fazemos a sério – enquanto estamos acostumados a planejar para a polícia, também temos que planejar ativamente a ruptura da extrema-direita. Esta é uma luta de três vias afinal. As pessoas decidiram continuar com o evento como planejado – não havia informações suficientes sobre os planos e a capacidade dos direitistas e não poderíamos ficar assustados aos olhos do público pela simples ameaça de interrupção, porque se perdermos a capacidade de fazermos eventos públicos só ficaremos menores e mais fracos. Com isso em mente, as pessoas fizeram planos diferentes para diferentes cenários e vieram preparadas com suprimentos médicos.

Chegou o dia do evento e nem um único nacionalista apareceu! Até a presença da polícia era surpreendentemente pequena e fora do caminho. O que muitas pessoas temiam que seria um show de merda acabou sendo um dia incrivelmente rejuvenescedor. Cerca de 50 pessoas passaram, o que é mais do que eu vi aparecer em Olympia desde 2020! As crianças do parque de skate local vieram e saíram um pouco, e algumas pessoas aleatórias que estavam no parque e morando nos apartamentos atrás dele vieram e conversaram por um tempo também. Não foi apenas uma união de “nós”, mas também um ato importante de aparecer na vida dos outros também.

Alimentos e assados ​​foram compartilhados, distribuições vieram com zines, livros, adesivos, marcadores, maconha, hormônios e outros produtos, as pessoas trouxeram mudas de plantas e roupas grátis. Conectando-nos à nossa história de luta foi um alter para anarquistas caídos e outros mortos pelo Estado, e uma pinata do tribunal federal de Seattle que foi esmagada em 2012 foi feita (e cheia de doces, preservativos, fósforos e outras coisas) e esmagado para comemorar o aniversário de 10 anos do esmagamento e sobrevivendo à repressão e ao grande júri que se seguiram.

Foi um enorme sucesso e depois de dois anos exaustivos e isolados em particular, uma lufada de ar fresco e – se quisermos o suficiente – um sinal da primavera e do verão que estão por vir. Esses momentos de união são cruciais para lembrar que não somos soldados cujo dever é a revolução, mas pessoas tentando viver nossas vidas e é no dia a dia convivendo e interagindo uns com os outros que a maior parte de qualquer atividade revolucionária é construída. Mas para que qualquer coisa seja construída, precisamos criar o tempo e o espaço para estarmos uns com os outros, para ver e conversar uns com os outros, para tramar, esquematizar e planejar juntos. O primeiro passo é sempre “encontrar um ao outro”, e essa descoberta – essa busca – é um processo contínuo.

Que mil novas amizades e cumplicidades floresçam na primavera da anarquia!

Viva a anarquia! Viva o dia de maio!

Fonte: https://itsgoingdown.org/reportback-from-may-day-festival-in-olympia-wa/

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

Fiapos nos dentes
o rosto todo amarelo
É tempo de manga

Eunice Arruda

[Internacional] 11 de Junho de 2022 | Chamado em Solidariedade aos Presos Anarquistas de Penas Longas

Conforme avança o tempo e as estações mudam, nos aproximamos mais uma vez do Dia Internacional de Solidariedade a Marius Mason e todos os presos anarquistas de penas longas. Mais um ano se passou e muitos de nossos queridos companheiros seguem aprisionados pelo Estado, submetidos a seus abusos, isolamento e brutalidade diária. O 11 de Junho é um momento para deter o passo cada vez mais rápido de nossas vidas e recordar.

Recordar nossos companheiros encarcerados. Recordar nossas próprias histórias de rebelião. Relembrar da chama – às vezes enfraquecida, às vezes ardente – do anarquismo.

TODOS SOMOS PRISIONEIROS EM POTENCIAL

Com o 11 de Junho, desejamos aprofundar uma crítica a prisão que desafie a distinção entre presos e companheiros. Para nós, estas diferenças são condicionais: nós, como anarquistas, nos vemos como potenciais prisioneiros. Alguns de nós já fomos, outros seremos. Este é o fundamento da nossa solidariedade, um reconhecimento de nós mesmos na situação de presos.

Se observarmos os exemplos de companheiros encarcerados e ex-presos, percebemos que é tênue a diferença entre presos e companheiros de luta: A atividade de Marius Mason com a Cruz Negra Anarquista, Bill Dunne libertando um preso anarquista, a tentativa de resgatar prisioneiros anarquistas de helicóptero de Pola Roupa , as ações de Claudio Lavazza para libertar presos. As conexões se aprofundam quando percebemos que inúmeros presos anarquistas estão encarcerados por ataques a instituições carcerárias, judiciais e policiais; e que outros nos conectam com rebeliões de presos desde a Califórnia e o Alabama até a Grécia e Itália.

A SOLIDARIEDADE SIGNIFICA…

Sempre dissemos que “solidariedade significa ataque”, mas devemos reconhecer que os slogans não nos oferecem um caminho para avançarmos em nossas lutas. Se o “ataque” se limita a um conjunto restritivo de ações, nos isolamos de uma visão mais ampla da luta anarquista. Se formos além da simples repetição de ações fetichizadas, que possibilidades se abre para nós? Sim, a solidariedade significa atacar, mas o que mais significa?

Nesse sentido, gostaríamos de oferecer uma sugestão: ao invés de fazer o que sempre faz no 11 de Junho, invente algo novo. Se normalmente te dedicas a oferecer ajuda material aos presos, faça uma ação contra algum tentáculo do sistema penitenciário da sua cidade. Se costuma sair à noite e atacar, tente fazer algo para apoiar diretamente um preso anarquista. Não se trata de reforçar a falsa diferença entre ação direta e trabalho assistencial, mas desafiar nossos papéis enrijecidos. Ao experimentar coisas novas, podemos compreender que os muros que separam companheiro e sabotador dedicado, sempre foram ilusórios, que nossa imaginação é mais ampla que pensávamos, e que individual e coletivamente somos capazes de mais do que nos damos crédito.

Para nosso entendimento de solidariedade é fundamental manter os laços que nos conectam com nossos companheiros que estão entre grades. Devemos manter vivos os projetos, as lutas e movimentos pelos que sacrificaram tanto de si mesmo. Nossas ligações com os presos anarquistas partem de um ponto comum: compartilhamos o desejo de transformar diretamente o mundo em uma direção libertadora e igualitária. Pra tanto, nossa solidariedade deve se enraizar trazendo os presos para os nossos projetos e nos inserindo nos seus. Queremos que os anarquistas libertos saiam para um mundo de vibrante debate, colaboração e ação; e queremos fomentar isso de todas as maneiras possíveis, inclusive dentro dos muros das prisões. Isso pode ser tão simples quanto enviar notícias das lutas locais a um preso ou imprimir as declarações dos presos para lê-las nas atividades. Como qualquer outro aspecto da solidariedade, estamos limitados apenas por nossa imaginação e compromisso.

Quando acontecem, devemos apoiar as lutas nas prisões, mas precisamos ter cuidado para não deixar que o peso da luta contra o sistema carcerário caia somente sobre os presos. Os que estão na prisão – ao estar em condições de controle, vigilância e restrição extrema – são em muitos sentidos os menos capazes de conduzir ativamente batalhas capazes de serem ganhas, contra as instituições penitenciárias. Nós, que vivemos em relativa liberdade temos que pensar estrategicamente em que ações e lugares de luta teriam um impacto mais positivo nas vidas das pessoas aprisionadas e melhor serviriam para desmantelar o sistema penitenciário. Como a prisão esta inexoravelmente conectada a numerosas instituições corporativas e estatais, os inimigos estatais em todas as partes: onde podemos ganhar?

Apoiar os presos também é uma forma de unir diferentes lutas, como temos aprendido na última década. Desde o Exército Negro de Libertação até a Frente de Libertação da Terra, passando pelos que resistiram ao Grande Jurado, os acusados de motim policial e os protetores da terra e da água, todas as lutas por libertação deságuam necessariamente na repressão estatal e no encarceramento. Ao construir uma infraestrutura e uma cultura de apoio, ao fazer da prisão um isolamento e um distanciamento menos completos, reforçamos todos os aspectos de desafio a esta sociedade. Também nos encontramos, aprendemos uns com os outros, nos enriquecemos.

ATUALIZAÇÕES SOBRE OS PRESOS

Marius Mason conseguiu sua tão aguardada transferência a uma prisão masculina, sendo o primeiro homem trans a conquistar essa transferência no sistema penitenciário federal.

Os administradores da prisão italiana começaram a censurar a correspondência de Alfredo Cospito em Outubro. As autoridades o acusaram de incitação a crimes, citando seus escritos no periódico anarquista Vetriolo. Essa repressão faz parte da Operação Sibilla, em que a polícia italiana tem feito incursões em vários espaços anarquistas e fechado sites na internet que repercutem o Vetriolo para impedir a publicação e difusão de suas ideias subversivas.

Mario Seisidis esteve no tribunal em Julho para apelar às acusações que o imputam, apoiado pelos anarquistas compareceram ao tribunal em solidariedade.

Claudio Levazza recebeu uma redução de cinco anos em sua pena de vinte e cinco anos. Seu apoio legal está tentando avançar a data para sua liberdade condicional.

Eric King compareceu ao tribunal federal por conta da situação em que foi atacado e torturado pela equipe da prisão em 2018. O júri o declarou inocente e sua equipe legal está apresentando uma acusação contra a administração da prisão. No momento que se escreve esse artigo, Eric está em processo de ser transferido e segue sendo alvo de um sistema penitenciário vingativo.

Michael Kimble foi agredido por um funcionário da prisão em Junho e logo foi enviado para o isolamento antes de ser transferido. Mais uma vez negaram sua prisão condicional, os motivos apresentados foram sua recusa em trabalhar e o desentendimento com um funcionário.

Também recusaram a liberdade condicional de Sean Swain, o que segundo ele é uma represália da equipe da prisão pelos comentários e demandas civis que apresentou contra eles. Desde então, foi transportado da Virginia para a OSP Youngstown, em Ohio. Seus companheiros suspeitam que em breve será novamente realocado.

Cada vez mais investigados pelo levante de 2020 estão sendo condenados, alguns tem sido postos em liberdade e outros vão cumprir suas penas. Alguns seguem em prisão preventiva e enfrentam longas penas. Os efeitos dessa repressão seguirão sendo sentidos por muitos anos. Que o calor do nosso apoio a estes acusados nos torne mais fortes que antes.

No Chile, o anarquista Joaquin Garcia foi transportado junto de vários presos subversivos para a prisão de segurança máxima de Rencagua, no último Junho. Em Outubro, junto de outros 20 presos, foi agredido por uns 50 guardas, logo após sendo posto em isolamento por 24 horas. Isso aconteceu após sua declaração de apoio a Pablo “Oso” Ortiz, que enfrentava acusações por porte de armas e explosivos, e que posteriormente foi condenado a 15 anos. Francisco Solar, outro anarquista encerrado em Rencagua, foi hospitalizado no Outono passado devido ao avanço de uma diabetes não diagnosticada. Ele e Mónica Caballero foram acusados de múltiplos atentados, depois que seu DNA foi recolhido de forma secreta durante uma detenção por pixação, e têm estado em prisão preventiva desde Julho de 2020. Em Dezembro de 2021 aceitou a responsabilidade de um ataque à bomba as estruturas policiais, em solidariedade com as revoltas iniciadas em 2019 e os agredidos e assassinados pela polícia, pois “não esquecemos nada, nem ninguém”. Dias depois, Mônica protagonizou uma briga com uma outra presa, o que sua família classificou como uma provocação montada pelos funcionários da prisão. Até o momento que se escrevia esse informe, não há informações sobre a sentença ou a data de liberação desses anarquistas.

Siarhei Ramanau, Ihar Alinevich, Dzmitry Rezanovich e Dzmitry Dubousky foram condenados no começo do ano, entre 18 e 20 anos de prisão cada um, por ações diretas contra objetivos do governo bielorrusso, após terem sido mantidos em prisão preventiva dede 2019. Depois da sentença foi revelado que foram torturados pelos guardas, para que produzissem a confissão. Como o anarquismo foi criminalizado sob a ditadura atual, ao menos outros dois grupos enfrentam vários anos de isolamento, cada um por suas próprias ações.

As autoridades russas condenaram o anarquista adolescente Nikita Uvarov há cinco anos por uma conspiração para atacar a sede do Serviço Federal de Segurança (FSB) no Minecraft (sim, o jogo de computador) e por confeccionar pequenos fogos de artifício. Dois de seus companheiros receberam sentenças de liberdade condicional por seus supostos delitos, cometidos quando tinham 14 anos. A Cruz Negra Anarquista de Moscou informou que a repressão aumentou (ainda não haja novos processos contra anarquistas e antifascistas) e têm reorientado seus recursos e esforços para esforços humanitários enquanto a Rússia continua sua invasão assassina na Ucrânia.

A Cruz Negra Anarquista de Dresden também se reorientou para dar apoio aos que lutam e fogem da Ucrânia. Esta reimaginação de seu apoio significa ajudar a financiar forças de solidariedade como o “Quartel General Negro”, que reuniu voluntários para opor-se as forças russas e também para tentar forjar um espaço autônomo em oposição ao próprio Estado ucraniano. Sob a bandeira negra, os anarquistas e antiautoritários dos Bálcãs se unem contra os conceitos de guerra e paz dos Estados-nação. Cabe apontar que em 1918, na Ucrânia, se criaram os primeiros grupos da Cruz Negra Anarquista, como apoio ao Exército Negro que lutava contra as forças soviéticas e czaristas que invadiam vindos da Rússia.

Na Inglaterra, Toby Shone foi condenado a quase quatro anos por posse de drogas psicodélicas (descobertas durante uma série de batidas a sedes de coletivos anarquistas) depois que as acusações de terrorismo por supostamente manter o site de contrainformação 325, não avançaram. Apesar do governo não ter atribuído sua participação ao coletivo 325, a Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional, a Frente de Libertação pela Terra e Animal, ou a participação em incêndios ou mesmo textos relacionadas, ainda assim precisa lutar contra uma Ordem de Prevenção da Delinquência Organizada Grave, que o submeteria a uma prisão domiciliar de cinco anos fortemente vigiado, o que demonstra a evolução do encarceramento por parte de um aparato estatal cada vez mais digitalizado.

O QUE VIRÁ…

A expansão das prisões domiciliares e da vigilância não é nova, mas segue em crescimento, a medida que a sociedade penitenciaria invade mais e mais nosso cotidiano através de avanços tecnológicos. A guerra também se torna cada vez mais digital, desde os ataques contra drones até a pirataria informática, enquanto o assassinato sancionado pelo governo continua em prática. Talvez nos faltem detalhes sobre os anarquistas executados ou encarcerados em suas buscas por liberdade no Sudão, Afeganistão e Síria, mas esses também movem nossos pensamentos e ações. Enquanto o Estado insiste em toda sua perdição punitiva, matando e encarcerando, nós encontramos em um terreno comum com aqueles que lutam em um esforço de fazer crescer nossas capacidades e desestabilizar aqueles que buscam nos controlar – levando os caídos e os encarcerados juntos de nós, em nossas relações com eles e através de um conflito persistente com o que está posto.

Para ter ideias de possíveis atividades, consulte nosso blog, onde encontrará anos de informes arquivados. Os que buscam por materiais para imprimir e compartilhar podem encontrá-los na página de Recursos. E, o mais importante: uma lista de presos anarquistas para os quais podem escrever.

Esperamos ansiosamente os eventos, ações, declarações e outras contribuições ao 11 de Junho deste ano.

Pela anarquia!

june11.noblogs.org
Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

sob a folhagem amarela
o mundo repousa enterrado…
exceto o Fuji

Buson

Lançamento: “Louise Michel: pertenço à Revolução Social”, de Samantha Lodi

Louise Michel foi uma das militantes mais combativas do século XIX. Educadora, poetisa, dramaturga, communarde e anarquista. Ao longo de sua vida manteve uma relação intensa com o mundo da literatura e da luta social. Amiga íntima de Victor Hugo, se dedicou, assim como este, a uma literatura social, assumindo, contudo, uma escrita e prática mais radical que este.

Foi durante o evento da Comuna de Paris que se integrou ao fronte de batalha e pegou em armas para lutar pela liberdade de Paris. Nos momentos em que não estava no fronte articulou espaços educacionais e de saúde, sua atuação somava-se a de centenas de mulheres que tiveram um papel central na construção e defesa da Comuna.

Este livro de Samantha Lodi, com um lindo prefácio de Margareth Rago, apresenta ao público a primeira biografia de Louise Michel em português. Se os eventos da Comuna foram fundamentais para sua biografia, não foram os únicos. A obra de Samantha apresenta detalhadamente a história de Louise antes de sua luta nas ruas de Paris e tem o mérito de percorrer sua vida no exílio pós Comuna apresentando toda sua vinculação à luta social em defesa dos ideias anarquistas.

Louise Michel: pertenço à Revolução Social

Samantha Lodi

Editora Entremares

Número de páginas 160

Preço R$30,00

editoraentremares.minhalojanouol.com.br

agência de notícias anarquistas-ana

um gato no telhado
para os pardais novos
que alvoroço!

Rogério Martins

Opinião | Sobre a Recente Declaração Pública de Voto de João Gordo (“Rato de Porão”) em Lula

Esse cara não tem postura punk DIY de fato: se tivesse, não tinha se vendido para grandes gravadoras, como exemplifica, por exemplo, a postura da banda anarcopunk Discarga Violenta (considerada uma das maiores referências no meio anarcopunk internacional), que ainda nos anos noventa recebeu um convite da gravadora Banguela, dos Titãs, e rejeitou sem pestanejar.

A rejeição anarquista à política eleitoral não é uma postura meramente circunstancial, é uma afirmação prática da compreensão profunda de que, por dentro do sistema, as de baixo continuarão sempre à mercê dos caprichos das de cima, sem nenhum poder de intervenção de fato sobre suas vidas coletivas, a não ser a doce ilusão de que participar de rituais sufragistas periódicos lhes confere algum espaço decisório quando, na verdade, quem define realmente o jogo é o grande poder econômico, que detém força midiática suficiente para formar a opinião pública (não é à toa que Walter Clark, em seu livro sobre a história secreta da Rede Globo, revela que Roberto Marinho costumava bradar nos corredores das empresas Globo: “quem escolhe o presidente do Brasil sou eu!”).

A postura anarquista coerente de fato, neste momento, será aquela expressa pela frase “vença quem vencer, as ganhadoras serão as mesmas: bancos, grandes empreiteiras, agronegócio, indústria bélica, indústria farmacêutica.”

Não deve ser por “analfabetismo político” que o comportamento eleitoral (demonstrando pelos números da participação em eleições durante as últimas décadas) das sociedades de boa parte dos países europeus “mais democráticos do mundo” vem demonstrando uma tendência inequívoca de queda progressiva e exponencial da participação do eleitorado nos rituais sufragistas periódicos (conforme atestam pesquisas sobre os índices de confiabilidade das instituições ditas “democráticas” do mundo, tal como algumas realizadas pela Transparência Internacional): a longa experiência daquelas sociedades com governos de todas as orientações políticas tem lhes demonstrado na prática que, “vença quem vencer.”

Para citar artistas brasileiros verdadeiramente anarquistas: como disse Belchior em uma famosa entrevista para a Revista “Música”, “o ser humano moderno está submetido a estruturas de poder que o infantilizam, e o poder é avarento por natureza, corrompe, não quero fazer parte de nenhum partido político”; e (para arrematar) Raul Seixas declarou (também em uma famosa entrevista para a televisão) “eu não voto, eu sou anarquista.”

O sistema está em rota de tragédia em nível globalizado (aquecimento global irreversível, tendência irrefreável ao desemprego universalizado pela crescente automação do mundo do trabalho, processo acelerado de esgotamento dos recursos naturais etc.), e essa tragédia que bate às nossas portas é fruto da própria “natureza” do sistema – do modo de funcionamento próprio do caráter concentrador de poderes do capitalismo e do Estado, e de sua lógica produtivista e consumista, que é a “ideologia” comum a todos os governos – e não será revertida pela mera mudança de governos.

Pensar resolver pela mera mudança de governos as questões críticas pelas quais – não apenas o Brasil, mas o mundo globalizado – passamos neste momento histórico, só poderá produzir, no máximo, um curto lapso temporal de uma ilusão de mudança, que se desmanchará rapidamente, tal como se desmanchou repentinamente a ilusória bolha de consumismo criada durante os governos do PT no Brasil, cumprindo assim o danoso papel de perpetuação do sistema pela manipulação social via polarização dos sentimentos do medo X esperança.

Como disse Raul: “tem gente que passa a vida travando a inútil luta contra os galhos, sem saber que é na raiz que está o coringa do baralho.”

Epílogo:

Resposta a um “comentário crítico” publicado por alguém na página de facebook “Anarquismo em Foco”, abaixo deste meu texto de crítica ao peleguismo de João Gordo (os argumentos do “comentário crítico” podem ser deduzidos a partir dos meus argumentos de resposta a ele):

1 – São todos genocidas: ou você não sabe do ecogenocídio cometido pelos governos do PT contra milhares de moradores de comunidades tradicionais (indígenas e ribeirinhos) que viviam na região do Rio Xingu, expulsos de suas casas à base de incêndios para abrir caminho para a construção da mega hidrelétrica de Belo Monte; não sabe sobre a cruel repressão promovida pelos governos do PT contra os Guaranis Kaiowas no MS, com direito a envio de equipes de três forças federais e tiros contra mulheres e crianças; não sabe sobre o recrudescimento da violência nas favelas promovido pelas políticas de militarização das periferias durante os governos petistas via UPP’s e ocupações de forças militares para “garantia da segurança” dos mega eventos (copa da FIFA, Olimpíadas) etc.?

2 – O que acontece nesses países onde muita gente não vota não é uma revolução ainda (mas o primeiro passo para isto já está dado: a crescente perda de credibilidade do sistema) porque pseudo anarquistas como você (caso você não se identifique como anarquista, então o que faz numa página como esta?) ficam tentando resgatar a credibilidade dos políticos e promovendo esse discursinho marxista aí de que anarquismo é “utopia”;

3 – Se votar mudasse realmente algo, então as alegadas “mudanças” promovidas pelos governos do PT teriam sido de fato permanentes, e não teriam simplesmente se desmanchado no ar tão repentinamente quanto uma bolha estoura ante uma mínima mudança de pressão: a postura anarquista coerente pode ao menos alertar às de baixo para o caráter falacioso das “mudanças” propostas pela via desse “vai e vem” de governos que, igual a couro de p…, no final só dá em gozada na cara do povo.

Mas, para quem gosta disto…

V.C.C.O.

agência de notícias anarquistas-ana

em rincões e esquinas
frios cadáveres:
flores de ameixeira

Buson

 

[EUA] Uma reforma do Estado não é suficiente. Nossa realidade exige o anarquismo preto

Para muitos que são marginalizados, o Estado apenas os prejudica. Reparação é o poder diretamente nas mãos das pessoas

Por William C. Anderson

Atualmente, o mundo está em um impasse. Isso pode significar apenas uma coisa: não que não haja uma saída, mas que chegou a hora de abandonar todos os costumes que nos levaram a fraude, tirania e assassinato. – Aimé Césaire

Não estou aqui para explicar o anarquismo preto porque ele é uma explicação em si mesmo. Os tempos que estamos vivendo demonstram sua relevância. Políticas que podem conceber a libertação apenas através do aparato do Estado-nação não pode verdadeiramente servir ao povo que está sempre além das suas considerações.

Aqueles que são os mais marginalizados não são libertados por formas do Estado que apenas os matou, excluiu e prejudicou. Pessoas pobres, sem Estado, migrantes e oprimidas de todos os tipos são declaradas descartáveis pelas classes dominantes.

Uma transformação radical significa o poder diretamente nas mãos das próprias pessoas, sem minimizar a diversidade em nome de fronteiras, cidadanias e identidades nacionais homogeneizantes.

O que significaria as pessoas se representarem diretamente, ao invés das administrações dos Estados-nações, políticos e classes dominantes falando por elas? Nos Estados Unidos, durante a era dos direitos civis e Black Power, essa questão levou ao desenvolvimento do(s) anarquismo(s) preto(s) e da autonomia preta, através do trabalho de pretos radicais que se voltaram ao socialismo sem Estado e mais.

Lucy Parsons, uma mulher preta ex-escravizada, foi uma das primeiras anarquistas pretas identificáveis. Fundamental ao movimento trabalhista da década de 1920 e conhecida como uma poderosa oradora, ela foi descrita pelo Chicago Police Department como “mais perigosa do que cem amotinados”. Parsons teve uma relação complicada com sua identidade radical, a qual é parte de sua história longa e dinâmica.

Parsons antecede o reformismo da era dos direitos civis e das políticas estadistas da era do Black Power e representa o anarquismo preto. O coorte estadunidense responsável por esse desenvolvimento inclui, mas não se limita a, radicais como: Martin Sostre, Lorenzo Kom’boa Ervin, Kuwasi Balagoon, Jo Nina Ervin, Ojore Lutalo e Ashanti Alston.

Sostre, que faleceu em 2015, foi autodescrito como “preso politizado” internacionalmente conhecido que transformou quase sozinho o sistema prisional através dos seus processos. Ele foi educador da comunidade e conquistou vitórias para os direitos das pessoas encarceradas, de liberdades políticas e religiosas à restrição do uso da solitária, e à contestação da censura da literatura nas prisões.

Lorenzo Kom’boa Ervin, que teve Sostre como mentor, foi ativista dos Panteras Negras e pelo Student Nonviolent Coordinating Committee, uma organização central no movimento de direitos civis estadunidense. Nina Ervin, que eventualmente se casou com Lorenzo, também fez parte dos Panteras Negras e foi a última editora do jornal dos Panteras Negras.

Alston, Lutalo e Balagoon fizeram parte dos Panteras Negras e do Black Liberation Army. Lutalo foi apresentado ao anarquismo por Kuwasi, que trouxe sua própria perspectiva única como anarquista New Afrikan.

Esses são apenas alguns dos revolucionários pretos e pretas que, ao invés de escolherem nova representação, nova reforma e novos mestres, decidiram por não ter mais mestre algum.

Cheguei ao anarquismo preto há mais de dez anos e o deixei silenciado nos espaços dominantes dos movimentos de esquerda socialistas nos quais não se encaixava. Observei o anarquismo em geral ser pintado como utópico, caótico, branco e inviável, enquanto as pessoas regurgitavam antigas máximas políticas sobre construir um Estado reformado ou revolucionário. Um dia compartilhei muitas dessas mesmas visões sobre a construção do Estado e sua reforma, antes de entender o anarquismo em seus próprios termos, sem se basear em equívocos populares ou individuais.

A história do anarquismo preto foi completamente negligenciada e, em retrospectiva, consigo ver por que tinha que ser assim. O anarquismo é uma ameaça com a qual muitos podem concordar. Não fazer das populações um apêndice do Estado-nação apresenta um grande perigo à ordem do mundo que conhecemos. O fato de que facções estadistas tanto de esquerda quanto de direita utilizam o bicho-papão anarquista como um alvo é crucial. Aqueles preocupados com a conquista ou o uso do poder do Estado em benefício próprio regularmente se sentirão ameaçados por aqueles que não veem o Estado como o único augúrio da libertação.

O anarquismo preto rejeita a autoridade coercitiva e hierarquias opressivas na forma como existem no espectro político inteiro. Não finge que alguém que diz (ou dizia) ser um libertário, falando pelas massas, não pode cometer atrocidades e admite que reconhecer isso, ao invés de negar, é como movimentos mais fortes crescerão.

Em meu novo livro, ‘The Nation on No Map’, amplio meu raciocínio ‘o anarquismo da negritude’ como apareceu por meio da condição sem-Estado de pessoas pretas pela diáspora africana. Isso não é apenas teorização. O que destaco é a realidade da migração do povo preto (forçada ou não) e da escravização. Isso ocorre porque, no meu livro, defendo como a história do anarquismo preto pode ser atraente para um movimento abolicionista agora revigorado, entre outras coisas.

As vidas de muitos dos anarquistas pretos historicamente relevantes que mencionei traçam um caminho familiar de crescimento e desenvolvimento. Muitos atravessaram do movimento de direitos civis aos movimentos de nacionalismo preto e Black Power [poder preto] antes de chegar ao anarquismo. Eles de forma nenhuma são uma coisa só e deveriam ser concedidos sua diversidade. Há muitos anarquismos pretos, autonomias pretas e tendências anarquistas nos movimentos pretos. O que fizeram com o anarquismo quando chegaram foi tão multifacetado quanto são os anarquismos históricos clássicos. Uma quantidade comparável de pessoas compartilham uma rejeição que Sostre chamou de “the wooden party line”. Ele rejeitou “algumas linhas políticas ou ideologias abstratas” em favor da luta por “seres humanos com vidas a serem vividas”.

Sostre é uma das razões pelas quais vejo o anarquismo preto como uma parte da política e da história que não é tão nebulosa que se torna incoerente. Ao invés disso, é realista o suficiente para sustentar a pesada verdade que regularmente se perdeu na história da disposição de líderes individuais afirmando representar ‘o povo’. O povo é as pessoas, não uma bola de futebol retórica para qualquer um que pretenda fazer uso. Somos todos e todas uma parte ‘do povo’.

Estamos lutando por uma existência na qual não haja Estados para deportar, expropriar, assassinar, deter, aprisionar, poluir e controlar as pessoas em benefício da elite dominante do mundo. Estamos falando sobre destruir a máquina de opressão, não a renomear e dar novo propósito para que possa ser utilizada para oprimir novamente. Esse é o motivo pelo qual, para mim, o anarquismo preto significa se afastar de e transcender todos os esquerdismos inundados pelos binarismos simplistas sectários. Lutamos por algo muito maior.

Há uma saída. Aponto aqui uma placa a indicando – não se detenha em olhar para o meu dedo.

Fonte: https://www.opendemocracy.net/en/oureconomy/black-anarchism-politics-left-united-states-redress/

Tradução > Sky

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agência de notícias anarquistas-ana

o sol inclinado
leva até minha parede
o gato do telhado

José Santos

[Chile] Nação Mapuche. “Não há outra maneira senão weychan (resistência)”.

O projeto político e burocrático reciclado para enfrentar o conflito com a nação Mapuche está condenado ao fracasso. Se insistirá na teoria dos “caminhos”, que serve para reforçar uma institucionalidade opressiva com um discurso que criminaliza antecipadamente as expressões de resistência.

Declaração da Coordenadora Arauco Malleco (CAM) sobre as novas táticas de assimilação e indigenismo das elites e Gabriel Boric:

Em nossa opinião, a eleição de Boric é parte de um contexto marcado pela reciclagem de uma antiga institucionalidade assimiladora que falhou no Wallmapu.

A presença indígena na assembléia constituinte e a suposta aspiração plurinacional do novo governo, ambos fatores com claras limitações políticas e ideológicas, indicam que o objetivo institucional não é transformar a correlação de forças entre as duas nações, uma questão que forçaria a questão da despossessão territorial e os interesses do grande capital que opera em Wallmapu, mas legitimar um discurso progressista sobre questões indígenas em nível nacional e internacional que cega os amantes deste novo governo “progressista” e de “boas vibrações”.

Neste contexto, certos setores mapuches que vêem uma oportunidade na institucionalidade Winka aparecem e se reorganizam, seja para benefícios pessoais ou porque demonstram, agora sem problemas e dançando alegres no palácio de La Moneda, que sua luta tem mais a ver com o preenchimento de formulários no CONADI ou na Forestal Arauco do que com a recuperação de nosso território. Como já dissemos antes, esta abertura institucional deve ser lida como um rearranjo das formas de legitimidade e hegemonia colonial que o grande capital estabelece no Wallmapu para encurralar e sufocar as expressões revolucionárias da resistência mapuche e não como um sinal de vontade política para resolver o conflito histórico.

É assim que podemos entender o papel que os históricos Yanakonas, como Santos Reinao e Galvarino Reiman, entre outros personagens com o sobrenome Mapuche, estão desempenhando em servidão às empresas florestais.

A tal ponto que este rearranjo é funcional ao sistema capitalista neoliberal que setores da ultra-direita, empresários, colonos e grupos paramilitares que existem em nosso território ancestral, promovidos por organizações como a APRA e indivíduos como Gloria Naveillan e Miguel Mellado, firmemente anti-Mapuche, têm apoiado publicamente personagens como Galvarino Reiman, Aucan Huilcamán ou Norín como atores relevantes no problema Mapuche.

Portanto, não deve ser surpresa que setores supostamente progressistas identifiquem as mesmas pessoas como interlocutores “válidos” para supostos diálogos. O que o governo procura não é fazer progressos na resolução do conflito, mas legitimar seu aparato assimilador a todo custo, principalmente com setores Mapuche cooptados e servis.

Ao mesmo tempo, os chamados “acadêmicos” e “intelectuais” mapuches que, após ganharem dinheiro às custas do movimento revolucionário autonomista, fingindo ser especialistas no assunto a fim de conseguir empregos no sistema, se posicionaram como porta-vozes de uma democracia plurinacional que está apenas em suas mentes nostálgicas, estão mais uma vez aparecendo.

Aqueles que antes pretendiam ser “intelectuais do movimento mapuche” tomaram agora sua posição nas Universidades, Centros de Pesquisa e órgãos públicos para elaborar a engenharia para legitimar este rearranjo colonial, mesmo utilizando as mais sofisticadas elaborações teóricas, historiográficas e artísticas para cumprir seus fins institucionais.

Estes chamados intelectuais, após suas piruetas analíticas e conselhos aos novos gabinetes, acabam ignorando o fato de que o legado do weychan é atualmente uma prática viva, uma questão já demonstrada nas diversas zonas de conflito e processos de recuperação territorial que as organizações mais consistentes empreenderam na luta pela reconstrução nacional mapuche.

É por causa do exposto acima que prevemos que o projeto político e burocrático reciclado para lidar com o conflito com a nação mapuche está condenado ao fracasso. Insistirá na teoria dos “caminhos”, que serve para reforçar uma institucionalidade opressiva com um discurso que criminaliza antecipadamente as expressões de resistência.

Eles procurarão cooptar o número máximo de pessoas que pertenceram ao movimento Mapuche; haverá setores e lonko histórico do weychan que se deixarão seduzir por negociações leves e trocarão princípios por esmolas lamentáveis. Apesar disso, existem expressões comprometidas em continuar no caminho da libertação nacional weychan e Mapuche, um espaço onde assumimos um compromisso como CAM, sem concessões, e seguindo os princípios legados por nosso futa keche kuifi.

É por esta razão que nos definimos como Mapuche revolucionários e lutamos durante anos contra as expressões territoriais do Estado capitalista e colonial. É pela mesma razão que nossas ações continuarão a atacar a reprodução do grande capital que opera com sangue e fogo em nossa Wallmapu e fortaleceremos o controle territorial como a plataforma básica e única para transformar a realidade criada pelo extrativismo genocida.

Como CAM, não dialogaremos com aqueles cujo objetivo final é a aniquilação de nosso povo, como Monsalve e companhia.

Em meio a tanta confusão, reafirmamos nosso caminho político-militar do weychan como fizeram Leftraru, Pelontraro e nosso weychafe caído em combate em seu tempo, que não está focado em obter migalhas burocráticas do inimigo, mas em lançar as bases de nossa proposta de libertação nacional mapuche, para a qual é necessária a expulsão de toda expressão capitalista e colonial do Wallmapu.

“Chumkawürme famentu kunulayayiñ taiñ rüf chumkunurpuel zungu taiñ kuifike cheyem”…

“Furi trekawlayiñ, chew ñi witrum mollfüñ, chew ñi fenteñma kutrankawmum fentren ke cheyem taiñ wiño kisu ngunetuafel”…

“Femechi mu llemay, pu Lonko, pu Machi, pu wewpife, kuifike Koyawtufe, ka pu Weichafe, eluwlaymün tañi wewngeal tüfachi Weichan mu”…

“Taiñ pu trananagchi weichafeyem mew amuleay taiñ weichan”…

” Inayafiyiñ tüfachi kiñe rüpü müten, taiñ ka antü kizungunewtual, eluwlayiñ welu trapümnerpuayiñ tañi Mapuche newen”.

Weuwaiñ!

Marrichiweu!

Comissão Política, CAM.

Fonte: https://prensaopal.cl/2022/04/04/nacion-mapuche-no-hay-mas-camino-que-el-weychan-resistencia/?fbclid=IwAR2cKoTi_IjQJcpMeQB_nFH4wp04oj6Mn4VGjL-hlHG7OUycIZe0W1b6qrM

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Solidão no ninho
O pássaro se assusta
No eco do trovão

Rodrigo de Almeida Siqueira

[México] 1° Jornada Anarquista Pela Memória do PLM

|| Quinta-feira, 19 de maio, CSL Ricardo Flores Magón, C. Donceles, N°10, Centro Histórico, Cidade do México ||

É um prazer convidá-lo para este próximo evento, esperamos que você possa se juntar a nós e desfrutar tanto quanto nós destas interessantes participações. Esperamos vê-lo a partir das 17h.

Pela reivindicação histórica do anarquismo!

Apresentação dos livros:

La Revolución Social en el norte de México y Las Comunas anarquistas del Partido Liberal Mexicano“, apresentado por Luis Maldonado.

La poesía de la revolución. Vida y obra de Práxedis G. Guerrero en el anarquismo mexicano, apresentado por Erick Benítez Martínez.

Las magonistas, apresentado por Nayeli Morquecho.

Federación Anarquista de México (FAM) – Internacional de Federações Anarquistas (IFA)

agência de notícias anarquistas-ana

a lua se foi
meu rouxinol se calou
acabou-se a noi-

Issa