[EUA] Memória | Outro típico exemplo de montagem incriminadora contra o movimento obreiro com o caso de Joe Hill em Utah

Em 1914 aconteceu outro típico exemplo de montagem incriminadora contra o movimento obreiro com o caso de Joe Hill em Utah”. A greve contra a Utah Construction Company em Bingham Canyon tinha sido, como quase todas as preparadas pelos ‘wobblies’, um êxito para os trabalhadores.

 O cantautor Joe Hill, principal encarregado dos trabalhos de agitação e organização da mesma, foi detido em Salt Lake City, acusado de assassinar um lojista do qual nem sequer tinha ouvido falar antes. Foi julgado e condenado. Apelou e perdeu. Começou então um período de intensa atividade propagandística em sua defesa, não muito diferente do que mais tarde acontecerá com o caso de Sacco e Vanzetti. As cartas e telegramas inundavam a residência do governador, embaixadores estrangeiros e inclusive o mesmo presidente Wilson interviram no caso pedindo clemência. As manifestações de protesto se sucediam por todo o mundo, mas nenhum destes esforços serviu para nada. Em 19 de novembro de 1915, Joe Hill enfrentou o pelotão de fuzilamento no pátio da penitenciária de Utah. “Seu corpo foi enviado a Chicago e o funeral foi quase tão concorrido, ainda que talvez não tão impressionante, como o dos anarquistas de Haymarket“.

Fragmento do livro “Dinamita. Historia de la violencia de clases en Estados Unidos“, do famoso jornalista Louis Adamic. La linterna sorda.

Em destaque, fotografia da ficha policial de Joe Hill (1879-1915), compositor e cantor de protesto obreiro. Ativista do sindicato Industrial Workers of de World, conhecido como os “wobblies”. Sua música deu origem à canção de protesto norteamericana da década de 1970. Pete Seeger, Utah Phillips, Phil Ochs, Ani Di Franco, fizeram versão de seus temas: (Therebel girl, The white slave, Workers of the world, awaken…) e cantaram para ele, junto com Ry Cooder, Woody Guthrie, Paul Robeson, Bruce Springsteen ou Joan Baez que lhe dedicou o tema “Joe Hill” em Woodstock,1969.

Solidariedade sempre!

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agência de notícias anarquistas-ana

O coração da aranha
se desfaz em geometria
de seda e mandala.

Yeda Prates Bernis

[Espanha] Lançamento: “Una cita con la anarquía. Fragmentos de pensamiento libertario”

“Una cita con la anarquía. Fragmentos de pensamiento libertario” (Um encontro com a anarquia. Fragmentos de pensamentos libertários) é o décimo sexto título da coleção “Lmentales” de “La Neurosis o Las Barricadas Ed.”. Este trabalho coordenado por Patricia Lobo é uma compilação de citações que funciona como um quebra cabeça de ideias anarquistas frente ao sistema de dominação. Assim, este título nos oferece diferentes perspectivas sobre a justiça, o patriarcado, a democracia, a educação e outros muitos temas que, curiosamente, conseguem esboçar um completo retrato das ideias libertárias a partir de pinceladas aparentemente desconexas. A diversidade tipográfica deste texto parece um lúdico convite aos que não sabem nada sobre anarquismo e aos que o conhecem profundamente: ninguém sairá desapontado porque cada página é um delicado convite a pensar mais além do estabelecido, para rebelar-se no agora, cuja degradação, nunca deixa de nos surpreender:

Este livro que tens entre tuas mãos, como se pode deduzir do título, é uma compilação de breves contribuições ao pensamento político e social que bem poderia ser um manual “deshilvanado” para a crítica das instituições que sustentam o sistema de dominação: patriarcado, capital e Estado. Nele podemos encontrar contribuições de personalidades tão lúcidas como Emma Goldman, Ricardo Flores Magón, Mijail Bakunin, Ricardo Mella ou pondo o olhar em nosso presente, María Galindo. Suas palavras, veremos que é um fértil adubo com inumeráveis potencialidades. Suas críticas ao sistema penal, ao parlamentarismo, às desigualdades econômicas e de gênero, etc., nos mostram a necessidade de arrancar a máscara desta sociedade para deixar descoberto seu verdadeiro rosto.

Una cita con la anarquía. Fragmentos de pensamiento libertario

Año publicación: 2022

Autor / es: Patricia Lobo (Ed.)

Editorial: La Neurosis o Las Barricadas Ed.

Páginas: 224

Tamaño del libro: 15×12,5 cm.

Web: laneurosis.net

Tradução > Sol de Abril

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Não tenho certeza,
mas acho que os grilos gostam
da minha janela.

Humberto del Maestro

[Espanha] Inauguração da nova sede da CNT de Utrera e apresentação do Ateneo Cultural Libertario Salvador Seguí

Inauguração da nova sede da CNT de Utrera e apresentação do Ateneo Cultural Libertario Salvador Seguí. As atividades começarão a partir das 17h00 de sábado, 4 de junho de 2022.

A cerimônia de abertura será apresentada por: Antonio Moragues, Secretário Geral da CNT de Sevilha e Lorenzo Morales (El Noi del Sucre), representando o Ateneo Cultural Libertario Salvador Seguí e o Núcleo Confederal da CNT de Utrera. Você está convidado.

Atividades:

17h00 – Abertura e boas-vindas.

17h45 – Tributo floral e colocação de placa no monumento dedicado à memória histórica localizado no Parque Libertad, em Utrera.

18h45 – Tributo floral no monumento dedicado a Carmen Luna Alcázar no Mirador de la Luna. El Muro Park (ao lado da nova sede da CNT).

19h15 – Inauguração da nova sede e apresentação do Ateneo Cultural Libertario Salvador Seguí.

19h45 – Homenagem póstuma a Antonio Oviedo Cadierno e apresentação de sua autobiografia “Memorias de un campesino” por Sonia Turon, representando a Fundação Anselmo Lorenzo, editora do livro.

agência de notícias anarquistas-ana

Pássaro curioso
na janela.
Bem-te-vi.

Aprendiz

 

[Espanha] Cultura libertária se encontra em Madri

O bairro de Embajadores se vestiu de gala para receber a primeira Bienal Anarquista de Madri. O projeto é irmão da Feira do Livro Anarquista.

Pode ser que a cidade não esteja coberta com o misticismo anarquista que Barcelona tem, la rosa de foc. Nem dela saíram tantos nomes fundamentais para o movimento como no caso de Aragão. Mas tudo isso é secundário: por quatro dias, Madri se tornou a capital do anarquismo.

Os ativistas vieram de todos os pontos do país. Alguns com as costas carregadas de jornais, fanzines ou livros de suas editoras; outros com o microfone trazido diretamente das rádios livres; alguns, com os nervos de quem tem que fazer uma apresentação. Não importa qual fosse sua tarefa, a mente de todos era fazer da primeira Bienal Anarquista de Madri um evento para lembrar e, acima de tudo, para repetir.

Apoiando-se em princípios clássicos como autogestão ou apoio mútuo, o encontro quis ser um local de divulgação para “levar para as ruas teorias e práticas libertárias, sair de nossos espaços e apresentar alternativas reais nestes momentos de desmobilização”.

O local escolhido foi a rua central de Peñuelas, no bairro de Embajadores. Especificamente, os dois locais foram a Fundação Anselmo Lorenzo, um espaço de estudo do histórico sindicato CNT, e o Ateneo La Maliciosa, ponto de encontro da editora autogerida Traficantes de Sueños.

Um download não é uma venda perdida

Tudo em La Maliciosa ainda cheira a novo. Normal, suas portas abriram há menos de três meses. Entre suas estantes de madeira arrumadas há centenas de livros que contam, entre outras coisas, a história dos movimentos sociais ao redor do globo. De um lado há uma área de recreação para as crianças, com publicações do estilo “El pequeño Durruti”.

Na entrada há um modesto cartaz anunciando a Bienal. Nele, uma seta manuscrita nos direciona para o interior, onde está localizada a feira do livro, com barracas no mais puro estilo Sant Jordi. Ali mesmo, Beatriz García, ativista de bairro com décadas de experiência e integrante do grupo que administra Traficantes de Sueños, atende a esse meio. Entendem que “a cultura é produzida pela sociedade como um todo”, então decidem publicar com licenças gratuitas como forma de “devolver essas produções à sociedade e ao tecido social para que possam alimentar outras”.

Na mesma direção apontam as edições da Ochodoscuatro. Como sinal de protesto, a empresa leva o nome do número de milhões de animais consumidos em um ano dentro do Estado espanhol. Seus livros falam sobre veganismo, libertação animal e luta contra toda opressão.

Ao abrir as páginas de qualquer um deles, aparece um aviso que diz: a divulgação total ou parcial desta obra é estritamente recomendada. Ressaltam que seu principal objetivo é a divulgação e o debate dessas ideias, por isso a utilização de licenças gratuitas é a forma mais consistente de publicação: “o conhecimento nunca é um produto individual, nem qualquer processo de produção”, comentam.

Virus é uma das editoras anarquistas com a história mais longa. Entre as páginas de suas edições aparecem os escritos de um elenco privilegiado de marcas libertárias, entre as quais estão, entre outros, Kropotkin, Goldman ou Graeber. Está agora em sua terceira década de atividade usando, de forma consistente, a licença Creative Commons. Héctor, membro da Virus, diz que esta decisão tem um pano de fundo político para que, na medida do possível, todos possam ter acesso ao seu conteúdo.

Se você quiser usar uma obra de alguma dessas editoras, basta acessar o site deles e procurar o livro em PDF ou, como aponta Ochodoscuatro, fazer algumas fotocópias como sempre fez. Embora nem tudo possa ser positivo. As três editoras coincidem em apontar o mesmo problema: a recusa recebida por alguns autores ou agências que não aceitam essas condições.

Tudo isso ocorre em um mercado muito difícil e polarizado. Desde Traficantes de Sueños lembram a enorme desigualdade entre grandes e pequenas editoras, a exemplo da fusão entre Planeta e Penguin Random House, que respondem por 50% das vendas. Por isso, o fato de estar na internet é considerado o primeiro passo para que o livro seja comprado, pois “antes de tudo, as pessoas têm que saber que ele existe”.

Os meios de comunicação sempre presente

De jornais como Tierra y Libertad ou Mundo Obrero a estações de rádio como La Pirenaica. A esquerda e o movimento trabalhista sempre souberam da necessidade de ter uma mídia própria dedicada a mudar o foco das notícias.

Apesar dos recursos limitados, Todo por Hacer mantém sua publicação anarquista mensal há mais de uma década. Resistem desde todas as frentes, pois continuam apostando em uma publicação escrita que é distribuída gratuitamente e que, por não responder a critérios econômicos, pode se permitir analisar as questões sem pressa.

Eles comentam que a principal dificuldade vem desse mesmo aspecto econômico. Desde o início, eles tiveram a autogestão entre as sobrancelhas, então criaram um sistema de assinatura para alcançá-la. Mesmo com todos os esforços envolvidos, vale a pena “servir de porta-voz dos movimentos sociais e contar suas pequenas vitórias como exemplo para outros territórios”. Eles sempre fizeram isso pensando em “alvejar não apenas o gueto político, mas também pessoas que não são necessariamente anarquistas”.

Em outro canto de La Maliciosa era hora de ficar quieto. A luz vermelha estava acesa porque os membros de várias estações de rádios livres transmitiram ao vivo por mais de quatro horas. Algumas foram tão importantes quanto La Linterna de Diógenes, com mais de 50.000 ouvintes mensais.

Juanfran participa da Agora Sol Radio, que nasceu na capital no calor do movimento 15M. Era um instrumento para comunicar à sociedade o que acontecia nas assembleias, mas foi refundado como rádio livre. Também se estabelecem fora dos meios de comunicação convencionais e das rádios piratas, já que as livres “insistem no não financiamento e dizem respeito a políticas específicas de bairro”. Eles têm suas raízes na década de 1980, então o movimento de cultura livre não é adotado desde o início. No entanto, atualmente “alguns projetos políticos querem excluir o conteúdo protegido por direitos autorais”.

Satisfação e desejo

Em um momento em que a pandemia está sendo vista pelo retrovisor, todas as partes concordam com a alegria de poder se reunir para compartilhar experiências depois de tanto tempo. Granada, Manresa, Gran Canaria ou Euskal Herria são alguns dos territórios que vieram explicar diferentes realidades, desde a crise climática ao sindicalismo, passando pela pedagogia alternativa ou pelo movimento habitacional.

O sentimento geral era de que “era necessário”. O lema escolhido para a Bienal pertence ao ativista antiprisão galego Xosé Tarrío (1968-2005), e lê-se “face à adversidade, rebeldia e amizade”. Antes do final da jornada, Beatriz García se aproximou com o livro “Cultura libre de Estado”, editado por Traficantes de Sueños. A conversa girou em torno disso, então eles decidiram nos dar. Claro, pode-se dizer que os participantes do evento são coerentes com o que promulgam.

Fonte: https://www.mediomultimedia.es/la-cultura-libertaria-se-da-cita-en-madrid/

Tradução > GTR@Leibowitz__

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/03/22/espanha-primeira-bienal-anarquista-de-madrid/

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Choveu de manhã:
as lagartas abrem trilhas
na folha de urtiga

Luiz Bacellar

Gato preto: Entenda como o animal ganhou a injusta fama de maldito

Conhecido como símbolo de maldição na Idade Média, esse pequeno animal tem sido ressignificado através dos tempos

Por Joseane Pereira

A origem macabra está na Idade Média, quando a cor do animal era associada às trevas, e seus hábitos noturnos levavam à crença de que eles tinham pacto com o demônio. Essa fama também esteve relacionada com as bruxas, que segundo a crença medieval, se transformavam em gatos para realizar suas saídas durante a noite.

Missão Espacial

Em 1984, quando a missão norte-americana do ônibus espacial STS-13 foi cancelada, a empreitada foi renumerada como STS-41-C. Isso levou a tripulação a incluir um gato preto e um número 13 em seu patch oficial, como uma referência humorística ao mito sobre o azarado número 13 e sobre a desgraça trazida pelos gatos pretos. No entanto, a missão foi bem sucedida, e eles surpreendentemente aterrisaram em uma sexta feira, no dia 13 de abril daquele ano.

Por outro lado, a visão sobre esse pequeno felino nem sempre foi de azar.

Bom ou ruim?

Embora considerado um presságio de infortúnio em muitas culturas, a população do Japão e da Grã-Bretanha vê o gato preto como sinal de boa sorte. Os escoceses até acreditam que a chegada desse felino em casa pressagia prosperidade. E isso também ocorria no Egito Antigo: para os egípcios, hospedar um gato preto em casa favoreceria sua relação com Bastet, a deusa dos gatos.

No século 18, o mito do gato preto ficou bem consolidado entre os marinheiros. Para eles, ter esse animal na embarcação traria boa sorte às viagens, e até as esposas dos pescadores mantinham esse felino em casa, acreditando que ele tinha influência em proteger seus maridos no mar.

Com o surgimento do anarquismo na Europa, o símbolo do gato preto passou a fazer parte dessa ideologia política. Tanto que um logotipo foi produzido com sua imagem: criado por Ralph Chaplin, da organização internacional “Trabalhadores Industriais do Mundo”, o símbolo fazia referência às greves de gato-selvagem, comuns no início do século 20, onde manifestantes revidavam a violência exercida pela polícia em pé de igualdade.

Portanto, ao avistar um gato preto pela rua, vale a pena lembrar das outras conotações historicamente dadas a ele: para além de um símbolo de mau presságio, esse pequeno animal também pode simbolizar boa sorte, proteção e, até, resistência política.

Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/como-o-mito-do-gato-preto-mudou-atraves-da-historia.phtml

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2011/06/15/o-gato-negro-no-anarquismo/

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Entre arranhões e lambidas
para cuidar de tanto gato
precisarei de sete vidas

Alvaro Posselt

Justiça para Alex Recarte Vasques Lopes!

Alex Recarte Vasques Lopes, da etnia Guarani Kaiowá, de 18 anos, foi assassinado por um fazendeiro não identificado da fazenda vizinha à terra indígena Taquaperi. O jovem saiu com outros dois jovens da mesma etnia em busca de lenha nos arredores da reserva, no último sábado (21/05).

Ao se distanciar para buscar lenha, o jovem teve o seu corpo almejado por tiros, sendo posteriormente levado, já sem vida, para o lado uruguaio, que fica a menos de 10 km dos limites da reserva.

Em fotos do corpo enviadas por lideranças da comunidade ao Conselho Indigenista Missionário Regional Mato Grosso do Sul (CIMI), é possível identificar ao menos 5 orifícios, ao que tudo indica, compatíveis com projéteis de armas de fogo, no corpo do jovem. Cabe ressaltar que no município de Coronel Sapucaia, que faz fronteira com Capitán Bado (Paraguai), registra um longo histórico de conflitos entre fazendeiros e lideranças indígenas do povo Guarani Kaiowá. Desde 2007, somam 4 o número de pessoas da família Lopes assassinadas na região devido à briga pela terra.

“Mataram um rapaz de 18 anos, é triste. Aqui na Aldeia Taquaperi nunca acontecem retomadas, é a primeira vez que acontece isso. Já perdemos muitos parentes na estrada, atropelados. Dessa vez, tomamos a decisão [de retomar]. Chega de perder nossos parentes, é dor para nós”, salientou a liderança ao CIMI. Os indígenas dizem não confiar nas forças de segurança do Estado e clamam proteção urgente aos membros da comunidade, pois temem ataque.

Enquanto socialistas libertários, nos solidarizamos à sua luta e apoiamos a retomada das populações indígenas. A solidariedade não deve se resumir a palavras de apoio. Devido à distância geográfica, buscaremos meios de fortalecer a luta, somando às lutas dos parentes em nossa região. Só haverá justiça quando o povo se rebelar.

Terra, liberdade e autogestão!

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Seu olhar segue
o voo do pássaro –
será que desce?

Eugénia Tabosa

[EUA] Novidade editorial | “O Guia de Viagem do Anarquista: um manual para futuros caroneiros e outros viajantes desajustados”, de Matthew Derrick

Você sonha com largar tudo para adotar um estilo de vida minimalista e explorar o mundo, mas não sabe por onde começar? Este livro de instruções lhe mostrará como se juntar às viagens clandestinas; um mundo de caroneiros, andarilhos, punks migrantes e outros viajantes desajustados que não se encaixam no molde padrão. Nestas páginas, você descobrirá como sobreviver com quase nada ao se livrar de aluguéis e outras despesas, recursos para encontrar trabalho temporário e conselhos para economizar dinheiro o suficiente para durar durante sua próxima viagem. Continua com um guia básico para quase todo estilo de vida da viagem underground, incluindo caronas, pular em trens, morar em vans, turismo de bicicleta e velejar. Você encontrará até algumas dicas para sobreviver a formas tradicionais de viagem, como ônibus e avião. Cada capítulo inclui uma lista de livros, websites e outros recursos para expandir seu conhecimento para além do básico. Se você já quis se unir a um mundo de andarilhos como você, este guia é a maneira perfeita para largar tudo, trabalhar menos e experimentar o mundo ao seu redor de uma perspectiva completamente diferente.

Sobre o autor:

Matthew Derrick teve seu primeiro gostinho de viagens em 1998, assim que se formou no Ensino Médio. Ele passou quase todos os anos desde então explorando os Estados Unidos com uma renda média anual de cerca de $3,000. Quando não está viajando, é gamer, desenvolvedor e explorador urbano. Turismo de bicicleta continua sendo uma de suas atividades favoritas e ainda consegue pular em alguns trens de vez em quando, por diversão. Para entrar em contato com ele, construiu uma comunidade de underground travelling, squattheplanet.com.

The Anarchist’s Guide to Travel: A manual for future hitchhikers, hobos, and other misfit wanderers.

Matthew Derrick

Preço $9.99

Editora Sunnyslope Press

Páginas 244

Dimensões 5.98 X 0.51 X 9.02 polegadas | 0.73 libras

Idioma Inglês

sunnyslopepress.com

Tradução > Sky

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deitado na rede
solitário vaga-lume
apaga sua chama

Ricardo Akira Kokado

Das línguas livres

“Sem juízo e também sem nunca me tornar juiz”, assim se encerra o poema “Anarchy”, de John Henry Mackay, publicado em 1888. O poema foi escrito somente um ano após a sua leitura de O Único e sua propriedade, livro de Max Stirner.

Mackay, impactado pelas considerações de Stirner, na ultrapassagem da década, passa a produzir incessantemente a partir de questões libertárias e se aproxima de anarquistas como o proudhoniano editor anarquista estadunidense Benjamin Tucker.

Nos anos 1890, torna-se um dos principais colaboradores do jornal anarco-individualista, der eigene. O periódico, no início de 1930, antes da tomada do Estado pelo nazismo, transformou-se também em um espaço de publicação gay com ampla repercussão na Alemanha.

Pouco se sabe sobre a existência de Mackay, até mesmo entre anarquistas. Para além de ter sido o responsável por divulgar novamente a obra de Stirner em um momento decisivo para os anarquismos na Europa, entre o massacre da Comuna de Paris e a irrupção da chamada “propaganda pela ação”, no início do século, Mackay foi um dos primeiros militantistas a afirmar a liberação do sexo gay.

Em meados de 1900, pouco tempo depois da condenação do também anarquista Oscar Wilde, acusado de “indecência grosseira”, em um momento em que a prática do sexo gay era crime, Mackay (utilizando o pseudônimo de Sagitta) publicou inúmeros poemas sobre “o amor que não ousa dizer o nome”, como havia definido Wilde.

Perseguido duplamente, por experimentar o anarquismo e o sexo, o libertário não se calou. Enfrentou diretamente juízes, policiais que de tempos em tempos invadiam sua casa e psiquiatras como Krafft Ebing.

Mackay morreu em Berlim, em 16 de maio de 1933, dez dias depois da queima de livros por nazistas no Institut fur Sexualwissenschaft. Em 1934, outro libertário, Han Ryner, na vizinha França, disse: “várias legislações condenam o amor homossexual, que é recebido com zombaria ou severidade pela opinião pública (…). Hoje não usam mais fogueiras. Por vezes ainda se mata sorrateiramente”.

Apesar de poucas pesquisas relacionadas a Mackay, uma busca mais minuciosa no google sobre as procedências do queer indica um pouco da sua história e das singulares lutas anarquistas relacionadas à liberação do sexo.

Na década de 1930, na Europa, ainda irromperiam as Mujeres Libres; nos anos 1940 e 1950, Paul Goodman nos Estados Unidos da América; nos 1960, Daniel Guérin, após o rompimento com o marxismo. E daí em diante libertários do sexo não cessam, seja afirmando existências livres ou contestando a vida gay heteronormatizada e a criminalização da conduta gay em Estados autocratas. São tantas vidas outras, muitas delas desconhecidas, mas, intensas e vibrantes.

No Brasil, impossível não lembrar da equipe do jornal O Inimigo do Rei, que entre 1977 e 1988, simultaneamente às resistências à ditadura civil-militar, avacalhava com a direita e a suposta moral esquerdista superior propondo “Prática sexual ampla, geral e irrestrita”, ou “Você pode fumar baseado desde que não seja trotskista”.

Apesar de pouco conhecido e mencionado, Mackay teve alguns de seus poemas musicados por Richard Strauss e Arnold Schoenberg. O artista anarquista John Cage tomou aulas com Schoenberg durante um certo período. Não é possível saber se ele, por acaso, leu os poemas de Mackay. Mas, ambos nomearam ao menos uma de suas obras de Anarchy.

Cage, durante anos viveu seu amor livre com o coreógrafo Merce Cunningham. Em um célebre texto, “o futuro da música”, publicado em 1975, defendeu o que chamou de “desmilitarização da linguagem”, algo que, segundo ele, é uma prática própria de amantes.

As lutas anarquistas relacionadas à liberação do sexo são antimilitares. São também antipolíticas: não anseiam por regulamentação ou qualquer autoridade.

E, 1994, sessenta anos depois da morte de Mackay, na Alemanha, foi abolido o parágrafo 175 e a chamada homossexualidade foi retirada do Código Penal. A eliminação do parágrafo certamente foi o efeito direto de muitas lutas vitais.

Contudo, o mesmo direito, o mesmo tribunal e a mesmíssima justiça seguem condenando e destruindo, agora balizados em novos parágrafos, em reformas das palavras, em palavras-sentinelas.

Ainda vibra forte o poema de Mackay.

Fonte: Hypomnemata 256 – Boletim eletrônico mensal do Nu-Sol – Núcleo de Sociabilidade Libertária do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP – no. 256, maio de 2022. nu-sol.org

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no canto da janela
nova linha do horizonte:
o fio da aranha.

Tânia Diniz

 

[EUA] Anarquismo e pós-esquerda?

Ainda há um grande número de anarquistas que continuam a se identificar estreitamente com a esquerda política de uma forma ou de outra, mas há um número crescente que está disposto a abandonar grande parte do peso morto associado com a tradição da esquerda. As páginas deste texto são dedicadas a iniciar uma nova exploração do que está em jogo ao considerar se há algum ganho em se identificar com a esquerda política como anarquista.

Durante a maior parte de sua existência nos últimos dois séculos, ativistas, teóricos, grupos e movimentos conscientemente anarquistas habitaram uma posição minoritária no mundo eclético dos aspirantes a revolucionários de esquerda. Na maioria das insurreições e revoluções que definem o mundo – aquelas em que suas vitórias tiveram alguma permanência significativa – os rebeldes autoritários foram geralmente uma maioria óbvia entre os revolucionários ativos. Mesmo quando não o eram, estes rebeldes autoritários ganharam a vantagem por outros meios. Sejam eles liberais, socialdemocratas, nacionalistas, socialistas ou comunistas, eles permaneceram parte de uma corrente dominante dentro da esquerda política explicitamente comprometida com toda uma constelação de posições autoritárias. Junto com uma admirável dedicação a ideais como justiça e igualdade, esta corrente dominante favoreceu uma organização hierárquica, uma liderança profissional (e também ofensiva), ideologias dogmáticas (especialmente notáveis em suas muitas variantes marxistas), um moralismo auto-realista e uma repulsa geral à liberdade social e à comunidade autêntica e não-hierárquica.

Especialmente após sua expulsão da Primeira Internacional, os anarquistas geralmente se viram confrontados com uma escolha difícil. Ou eles poderiam localizar suas críticas em algum lugar dentro da esquerda política – embora apenas dentro de suas margens – ou, por outro lado, poderiam rejeitar completamente a “cultura de oposição dominante” e correr o risco de serem isolados e ignorados por esses grupos políticos de esquerda.

Enquanto muitos, se não a maioria, ativistas anarquistas deixaram a esquerda através da desilusão com sua cultura autoritária, a contra-opção de se agarrar a suas franjas e tentar adaptar seus temas em uma direção mais libertária tem permanecido uma atração constante ao longo dos séculos. O anarco-sindicalismo pode ser o melhor exemplo deste tipo de anarquismo. Tem permitido aos anarquistas usar ideologias e métodos de esquerda para trabalhar por uma visão de esquerda de justiça social, mas com um compromisso simultâneo com temas anarquistas como ação direta, autogestão e certos valores culturais libertários (muito limitados). O anarco-esquerdismo ecológico de Murray Bookchin, seja no rótulo do municipalismo libertário ou da ecologia social, é outro exemplo. Distingue-se por seu persistente fracasso em tentar ganhar apoio ou aderentes para a causa em qualquer lugar, mesmo em seu terreno privilegiado de política verde. Outro exemplo, o mais invisível (e numeroso?) de todos os tipos de anarco-esquerdismo, é a escolha que muitos anarquistas fazem de mergulhar dentro de organizações de esquerda que têm pouco ou nenhum valor libertário, simplesmente por causa de sua incapacidade de trabalhar diretamente com outros anarquistas (que muitas vezes estão igualmente escondidos, submergidos, imersos em outras organizações de esquerda).

Talvez seja hora, agora que as ruínas da esquerda política continuam a implodir, de os anarquistas considerarem emergir em massa de sua sombra em constante desaparecimento. De fato, ainda existe a possibilidade de que se um número suficiente de anarquistas se dissociasse dos inúmeros fracassos, purgas e “traições” da esquerda, é provável que os anarquistas pudessem agir por conta própria.

Além de conseguirem se definir em seus próprios termos, os anarquistas poderiam novamente inspirar uma nova geração de rebeldes, que desta vez podem estar menos dispostos a comprometer sua resistência às ideologias de esquerda nas tentativas de manter uma frente comum com a esquerda política que historicamente se opôs à comunidade livre, onde quer que ela tenha aparecido. As provas são irrefutáveis. Aos revolucionários libertários de qualquer tipo foi sistematicamente negada a presença na grande maioria das organizações de esquerda (desde o desmembramento da Internacional); forçados ao silêncio em muitas organizações a que foram autorizados a aderir (por exemplo, “os anarco-bolcheviques”[1]); perseguidos, presos, assassinados ou torturados por qualquer esquerdista que tenha obtido o poder político ou os recursos organizacionais necessários para fazê-lo[2].

Por que existe uma história tão longa de conflito e inimizade entre anarquistas e a esquerda?[3] É porque, embora qualquer grupo ou movimento em particular sempre inclua elementos contraditórios, existem duas visões fundamentalmente diferentes de mudança social encarnadas no leque de suas respectivas críticas e práticas. Em sua forma mais simples, os anarquistas – especialmente os anarquistas que se identificam menos com a esquerda – tendem a se engajar na prática que se recusa a constituir uma liderança política da sociedade, rejeita a inevitável hierarquização e as manipulações envolvidas na criação de organizações de massa e refuta a hegemonia de uma única ideologia dogmática. A esquerda, por outro lado, tem se engajado comumente na prática substitutiva e representativa na qual as organizações de massa estão sujeitas à liderança elitista de ideólogos intelectuais e políticos oportunistas. Nesta prática, o partido é substituído pelo movimento de massa, e a liderança do partido é substituída pelo partido.

Historicamente a principal função da esquerda tem sido recuperar todas as lutas sociais capazes de enfrentar diretamente o capital e o Estado, de modo que na melhor das hipóteses é apenas uma representação substitutiva da vitória alcançada, sempre escondendo o segredo público da continuação da acumulação de capital, da escravidão do trabalho[4], da contínua hierarquização e das habituais políticas estatais sob uma retórica insubstancial de resistência e revolução, liberdade e justiça social.

A questão mais importante é: os anarquistas podem fazer melhor enfrentando a esquerda a partir de uma posição crítica explícita e intransigente, do que escolhendo mergulhar na esquerda e mudá-la a partir de dentro?

Jason McQuinn

Notas

[1] Uma referência aos anarquistas que decidiram aderir à revolução bolchevique e que mais tarde se desiludiram ao encontrar sua autonomia individual e grupal sujeita a slogans bolcheviques. [N. do T.]

[2] Por exemplo, o massacre dos camponeses, trabalhadores e marinheiros de Kronstadt às mãos de Trotsky e do Exército Vermelho. [N. do T.]

[3] Pelo menos desde as disputas entre Marx e Bakunin e a dissolução da Primeira Internacional. [N. do T.]

[4] A troca perpétua de serviços e salários que surge da coabitação de súditos autorizados com o poder de comandar e, por outro lado, de súditos submissos com apenas o poder de servir. [N. do T.]

Fonte: https://es.theanarchistlibrary.org/library/jason-mcquinn-anarquia-post-izquierda

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

cai, riscando um leve
traço dourado no azu
uma flor de ipê!

Hidekazu Masuda

“Luta contra o capacitismo: anarquismo e capacitismo”

O próximo encontro do Grupo de Estudos de Anarquismos, Feminismos e Masculinidades, do Centro de Cultura Social (CCS), será presencial, dia 04 de junho, sábado, das 16h às 18h. A leitura para a conversa será “Luta contra o capacitismo: anarquismo e capacitismo”, escrito por Itxi Guerra e publicado pela Terra Sem Amos (@tsa.editora).

Na obra, a autora parte de sua vivência para teorizar sobre as violências impostas aos corpos deficientes pelo capacitismo, envolvendo este debate com questões de gênero, antiespecismo e o sistema carcerário. Como reflexão para a destruição do sistema capacitista, aponta sua possibilidade no rompimento com as estruturas capitalistas e estatistas, tendo como ferramenta política de transformação criativa o anarquismo.

A versão online está disponível em tinyurl.com/GE4622.

Os encontros do grupo são gratuitos e abertos para todas as pessoas interessadas. Teremos intérprete de Libras.

Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapitalismo e não partidarismo, não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

* Em razão da vigência da epidemia de Covid-19, somente pessoas vacinadas podem participar do encontro. Pedimos que mantenha a máscara, traga sua garrafinha de água, e respeite o distanciamento e as orientações sanitárias de praxe. Estará disponível álcool em gel e pia para lavar as mãos.

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com mãos de hera
enlaço teu corpo
oferto em espera

Eugénia Tabosa

[Reino Unido] Declaração do prisioneiro anarquista Toby Shone (10.05.2022)

Agradeço a todos que vieram expressar sua raiva e solidariedade na Corte de Briston Crown na sexta-feira. Após 15 meses de um confinamento solitário, foi o maior número de camaradas que eu vi em muito tempo. A força e o calor de vocês ficaram guardados em meu coração.

Essa é uma grande derrota e uma humilhação para os promotores e policiais, mas não devemos descansar. O Estado criou uma metodologia que sempre que puder irá usar para atacar outros que pertencem a espaços anarquistas. A Operação Adream também não foi encerrada, então devemos permanecer preparados. Existem muitas lições para serem aprendidas aqui, e uma análise mais completa virá no futuro.

A minha libertação está prevista para o final de Dezembro e estará em licença até Novembro de 2024. A Offender Management Unit (OMU) me confirmou que as unidades antiterrorismo pretendem me manter sob vigilância após minha libertação. Tenho certeza que tentarão se vingar de mim, mas com amor e cumplicidade de todos os camaradas nós não vamos recuar. Liberdade e discórdia são a mesma coisa.

Nunca arrependido, sempre anarquista.

Nada acabou, tudo continua.

Toby Shone

Tradução > 1984

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/02/reino-unido-justica-para-o-preso-anarquista-toby-shone/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/02/reino-unido-sentenca-de-primeiro-grau-para-o-companheiro-anarquista-toby-shone/

agência de notícias anarquistas-ana

Na velha roseira,
entre as folhas e os espinhos,
uma aranha tece.

 Humberto del Maestro

[Espanha] Salvemos a vida de Mohamed!!!

Comunicado da CNT sobre a condenação à morte de Mohamed, ativista argelino pró-direitos humanos

O preço a pagar pelo apoio à política marroquina sobre o Sáhara já sabemos qual é: a vida de um homem.

Mohamed Benhalima foi deportado à Argélia em 24 de março passado, apesar de que havia solicitado asilo político e inclusive amparo ao presidente do governo. Em seguida foi condenado à morte e agora mesmo se encontra à espera de sua execução.

Para a CNT, é imprescindível sua libertação imediata e a abertura de uma investigação independente que elucide o papel jogado pela Presidência de Governo da Espanha ante violações gravíssimas dos direitos humanos perpetradas no norte da África e Oriente Médio, tais como o assassinato planejado de Mohamed e os crimes contra a humanidade que perpetram Marrocos, Israel e Arábia Saudita, ante o PSOE.

Pedro Sánchez, como responsável último de uma decisão de seu governo que possibilita a condenação à morte de um ativista de direitos humanos, violou flagrantemente o artigo 14 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, apesar de estar informado pública e reiteradamente por numerosas organizações de Direitos Humanos – de reconhecido prestígio – que advertiram qual seria a sorte de Benhalima se fosse deportado.

Ante isto perguntamos…

Quantas pessoas mais vão assassinar para que as empresas doIbex 35 no Magreb continuem a ganhar dinheiro?

Quantos ativistas de Direitos Humanos ainda vai enviar o Governo de Pedro Sánchez à uma morte segura?

A CNT condena rotundamente este assassinato planejado, anima sua militância à mobilização e manda uma mensagem de ânimo e de esperança aos companheiros do Iraque presos tanto na Argélia como no Marrocos.

Liberdade  imediata para Mohamed, salvemos sua vida!

Pela abertura de uma investigação independente sobre as circunstâncias de sua deportação!

www.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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nadam no vento
como carpas douradas
folhas de bambu

Akatonbo

[Espanha] Tatu Circus Valência: 3, 4 e 5 de Junho

No primeiro fim de semana de junho (3, 4 e 5) acontecerá o 1º TATU CIRCUS VALÊNCIA dentro da ocupa do CSOA L’Horta (C/Diógenes López Mechó).

Durante esses 3 dias acontecerão: palestras, espetáculos, rifas, comidas, distribuidoras de materiais, piercings, tatuagens, cabeleireiros e possivelmente mais coisas. Tudo o que é necessário para poder financiar a luta anticarcerária e para imaginar mais facilmente um mundo sem prisões, sem estado e sem nenhum tipo de autoridade ou dominação.

Como em qualquer outro Tatto Circus, toda a arrecadação é direcionada para a luta contra as prisões e para questões anti-repressiva em geral, ninguém lucra sob este tipo de eventos e se participa na qualidade de militante e solidária. A essência mesma do evento não tem que ver tanto com a cultura da tatuagem, dos piercings e demais, mas fazer um evento social de grande escala com o qual fazer divulgação libertária e gerar os laços necessários para uma solidariedade revolucionária.

Correio: tatucircusvalencia@riseup.net

Instagram: https://www.instagram.com/tatucircusvalencia/

TINTA PRÓ-PRESOS

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e um vaga-lume
lanterneiro que riscou
um psiu de luz

Guimarães Rosa

[Portugal] O cemitério da globalização à procura do seu coveiro

Ao ouvir estes relatos [da guerra], a minha mãe dizia já não reconhecer o rosto familiar do nosso povo; e não sabíamos chegar a outra conclusão senão esta: que para o soldado cada terra conquistada era inimiga, até a sua“, A Entrada na Guerra, Italo Calvino

Ninguém é herói por partir nem patriota por ficar!” Dias y noches de amor y guerra, Eduardo Galeano

No mundo contemporâneo, todas as guerras geram as suas próprias narrativas dominantes. A brutal invasão da Ucrânia pelo Governo russo deu origem à produção de uma absolutização discursiva raramente vista, excludente de abordagens não-hegemônicas e um obstáculo à compreensão do mundo em que vivemos de forma crítica. Uma análise da ideologia e da história da modernidade também nos ensina que todas as guerras operam sob o domínio da persistente chantagem do nacionalismo e da coação do cidadão anônimo pela ordem estabelecida no quadro do mito do Estado-nação.

Se a vida é um labirinto de contradições, a iminência da morte multiplica o eco desesperado das dinâmicas do absurdo. E nisto opera um desconhecido impulso não de vida, mas de sobrevivência e morte. Razão bastante para admitirmos: não nos podemos colocar realmente na pele de quem é cercado pelo nada de toda a moral enquanto escuta o assobio cego dos obuses. Desde logo, este conjunto de posicionamentos não se pode substituir aos motivos de quem ontem se manteve combativo, crítico ou mesmo neutral, contra a ruína dos governos russo e ucraniano, e hoje se vê forçado pelas circunstâncias a combater as tropas russas face à esmagadora opressão do governo de Putin. E não se pode substituir mesmo quando as razões aqui formuladas se encontrem nos antípodas do belicismo.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.jornalmapa.pt/2022/05/17/o-cemiterio-da-globalizacao-a-procura-do-seu-coveiro/

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Calor e chuva
Caminham pela janela
Lágrimas de outono

Yumi Kojima

 

[Espanha] A Prefeitura Municipal de Adra tenta sancionar a CNT por promover um mural comemorativo do 8M

Desde a CNT de Adra estamos perplexos com a abertura de um expediente de sanções pela Prefeitura com o qual pretende sancionar a CNT por promover há alguns meses um mural comemorativo do 8M.

Parece que o Consistório, governado pelo Partido Popular, ignora que o prédio onde este mural foi feito, não é propriedade municipal, é propriedade do Ministério do Trabalho e da CNT, juntamente com outras centrais, que tem a transferência legal de parte da propriedade para desenvolver atividades sindicais e sociais que lhe são próprias. É aqui que este mural comemorativo de uma data associada à luta das mulheres, ontem e hoje, por seus direitos trabalhistas e sociais, deve ser enquadrado.

Para a CNT, o pretexto da Prefeitura de aludir a uma autorização expressa, pelo Consistório, para que a central anarcossindicalista realize ou não um mural nas instalações que possui é surreal, estranho e intolerável. Sem dúvida, é um exemplo do mau uso da Portaria Municipal de Coexistência Cidadã para punir o trabalho da CNT. Um passo que a central anarcossindicalista não consentirá, pois é um enfraquecimento da liberdade sindical e da liberdade de expressão, uma vez que a Prefeitura está tentando, grosseiramente, se constituir como supervisora de nossas atividades, que são protegidas, além do mais, por um amplo marco legal, tanto a nível estatal quanto da UE.

Desde já, a CNT está trabalhando com seu departamento jurídico para arquivar este caso, que esperamos seja o resultado de um lapso pontual e não o sintoma de uma mudança para posições mais conservadoras em relação a tudo relacionado à luta do feminismo por uma sociedade mais igualitária entre homens e mulheres, bem como as demandas específicas das mulheres no local de trabalho.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/el-ayto-de-adra-intenta-sancionar-a-cnt-por-promover-un-mural-conmemorativo-del-8m/

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Ao cair da tarde
surge a lua-desta-noite.
Um cachorro late.

Cyro Mascarenhas

Lançamento: “Trabalhadores construindo sua escola”, de Marinice da Silva Fortunato

Este livro apresenta a experiência da Escola Moderna Número 1, acontecida no Brasil (1900-1920), escola que objetivava formar indivíduos capazes de autogerirem sua própria vida e de construírem uma sociedade ácrata. Significava a negação do autoritarismo no ensino, do estatismo e do confessionismo, rumo a uma educação livre, moderna, não privada e não estatal. Na verdade, o livro é uma síntese da tese de mestrado apresentada na PUC-SP (1992) e pretende, no momento, ser um convite para uma reflexão sobre educação, sobre escola, convite feito a toda a população que tem filhos na escola pública estatal, aos professores e estudantes, militantes ou não de sindicatos, na esperança de se ver efetivada a construção, quem sabe, de uma escola pública autogerida segundo os interesses de todos os cidadãos – escola que tenha como preocupação a construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária. Estimulemos a autogestão pedagógica no caminho da autogestão social.

>> Marinice da Silva Fortunato nasceu em Regente Feijó (SP) em 1944. Trabalhou na rede escolar pública do estado de São Paulo, desde 1962, como professora, coordenadora pedagógica, e se aposentou como supervisora de ensino. Sua tese de Mestrado (Uma Experiência Educacional de Autogestão. A Escola Moderna N. 1 na Sua Gênese – 1992) e de Doutorado (A Categoria Solidariedade Humana no Pensamento de Kropotkin – 1998), ambas apresentadas na PUC-SP, buscavam respostas para sua grande preocupação: a integração escola-comunidade-sociedade. Lecionou na Universidade ABC (São Caetano do Sul) e na Faculdade Ciências e Letras de Ribeirão Pires. Participa, desde 1965, do movimento internacional em defesa da escola pública, laica e gratuita (Equipe Docente).

Trabalhadores Construindo Sua Escola (Brasil, 1900-1920)

Marinice da Silva Fortunato

Scortecci Editora

Educação

ISBN 978-65-5529-832-1

Formato 14 x 21 cm

140 páginas

40,00

www.scortecci.com.br

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Um dia nublado
no beiral do mar sem fim:
tudo está grisalho

O Livreiro