[Itália] Sardenha: Passeata em solidariedade com Alfredo e sua luta para sair do 41bis

Ontem (31/10) à tarde, anarquistas organizaram uma passeata em solidariedade com Alfredo Cospito e sua luta para sair do regime 41bis. O protesto começou após uma concentração no Hemiciclo, atravessando o centro da cidade. Vários jovens picharam as paredes e algumas vitrines com tinta spray preta.

“A repressão também é conhecida e experimentada pelos separatistas ou outros membros da extrema esquerda, e nós sabemos como definir este clima e esta repressão policial: é de fato um ataque político que o Estado está dirigindo contra a ala antagonista, é uma guerra de classes preventiva do Estado italiano”, disse Cristian Augusto Grosso, um dos participantes do ato.

Vamos tirar Alfredo Cospito do isolamento!

Vamos pôr um fim ao 41 bis!

Viva a Anarquia!

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Pó de serragem
Contra o enxame de mosquitos –
Anoitece agora.

Nishiyama Sôin

Manoel Saavedra e O Anarquismo Na Bulgária: Uma Conexão!

Por Marcolino Jeremias

No final de setembro o Supremo Tribunal Federal decidiu pela repatriação de Manoel Perdigão, que após 14 meses de exílio pode retornar ao Brasil. Na sua viagem de retorno ele teve contato com anarquistas búlgaros: “Os companheiros de viagem não deixavam nada a desejar. Entre eles travei conhecimento com vários camaradas de causa, particularmente com quatro búlgaros, partidários acérrimos da escola de Piotr Kropotkin, dizendo-se anarquistas comunistas federalistas. Por eles fiquei ciente do estado de luta social naquela região dos Balcãs. Durante a noite discutíamos e trocávamos ideias sobre os vários assuntos que agitam atualmente o mundo revolucionário, notando nestes camaradas uma pronunciada antipatia pela política seguida por Lenine e o companheiro Trotsky”. Trecho do livro “Memórias do Exílio”.

Acabamos de reeditar o livro “Memórias Do Exílio”, de Manoel Perdigão Saavedra, formato 14 x 21 cm, 154 páginas, lançado originalmente em 1921. Nessa versão, além do livro original, adicionamos 10 textos em anexo (inclusive uma carta escrita de dentro da cadeia de Santos) + uma biografia detalhada sobre o autor.

Preço promocional 35 reais, não paga frete. Desconto válido até o dia 11 de novembro. Para adquirir é simples: após efetuar o pagamento, nos informe para qual endereço (com CEP) o livro deve ser enviado.

Pagamento pelo pix: nelca@riseup.net

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uma lua
e um lago gelado
refletem-se um ao outro

Hashimoto Takako

[Rússia] Casal anarquista russo condenado por vandalismo por criticar o Serviço Federal de Segurança (FSB)

CHELYABINSK – Um tribunal russo condenou um casal de autodeclarados anarquistas a 21 meses em uma colônia de trabalho por criticar o Serviço de Segurança Federal (FSB) ao desfraldar uma faixa de protesto na sede da agência em 2018.

Uma colônia de trabalho é uma penitenciária semelhante a um dormitório localizada perto de uma instalação industrial onde os condenados trabalham ao lado de funcionários regulares.

Pavel Chikov, da organização de defesa legal Agora, escreveu no Telegram que o tribunal distrital central na cidade de Urais de Chelyabinsk condenou Dmitry Tsibukovsky e Anastasia Safonova em 19 de setembro depois de considerá-los culpados de “vandalismo motivado pelo ódio político”.

Tsibukovsky disse anteriormente que ele e Safonova foram torturados enquanto estavam sob custódia. Os promotores queriam cinco anos de prisão por cada réu.

Tsibukovsky e Safonova foram inicialmente presos em 2018 depois de colocarem a bandeira anti-FSB para expressar solidariedade com um grupo de ativistas presos em 2017-18 por supostamente criarem um grupo terrorista chamado Set (Rede), com células em Moscou, São Petersburgo, Penza e Omsk, bem como na vizinha Bielorrússia.

Em setembro de 2021, o tribunal condenou Tsibukovsky a dois anos e meio e Safonova a dois anos de prisão pela mesma ação, mas um tribunal de apelações anulou as sentenças em novembro e enviou o caso de volta aos investigadores.

Antes disso, o caso contra Tsibukovsky e Safonova foi descartado duas vezes depois que os investigadores não conseguiram provar elementos de crime nas ações do casal.

Fonte: https://www.rferl.org/a/russian-anarchist-couple-convicted-hooliganism-fsb/32041059.html

Tradução > abobrinha

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Até o barreleiro
Já parou de gotejar –
O canto do grilo.

Nozawa Bonchô

[Alemanha] Hamburgo: Faixa em solidariedade ao companheiro anarquista Juan Sorroche Fernández

Solidariedade com os detentos, ataques a quem se beneficia das prisões e ao consulado italiano

Em Hamburgo, a polícia relatou ataques ao consulado e aos escritórios italianos e aos carros dos exploradores da prisão “Chubb” e “SPIE”.

Na semana passada, tinta foi jogada no consulado italiano.

Na mesma semana, os escritórios da SPIE foram atacados com tinta e pedras.

A SPIE está envolvida há anos na construção de prisões, usinas nucleares e outros negócios sujos.

Também nesta semana, um carro da Chubb foi incendiado.

A Chubb é responsável pela arquitetura de segurança das prisões de Hamburgo.

Durante o Schanzenfest, uma festa de bairro rebelde, foram levantados fundos para os prisioneiros e uma grande faixa de solidariedade com Juan foi colocada na rua.

Apesar de ter sido um dia chuvoso, muitas pessoas apareceram, as pessoas foram para as ruas, bandas tocaram e a informação foi espalhada. Depois da festa, houve uma manifestação selvagem para aqueles que enfrentam a repressão e para aqueles que lutam contra o fascismo e o poder.

A faixa diz: “A luta contra o Estado e o fascismo é internacional! Solidariedade com o anarquista Juan, que está preso pelo Estado italiano por causa dos ataques à fascista Liga Norte. Liberdade para todos os prisioneiros!

Fonte: //ilrovescio.info/2022/10/20/per-alfredo-e-per-gli-altri-raccolta-di-contributi-contro-il-carcere-il-41-bis-la-repressione-in-continuo-aggiornamento/

Tradução > Liberto

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Lua cheia!
Por mais que caminhe,
O céu é de outro lugar.

Chiyo-jo

[França] Declaração do início de greve de fome do anarquista Ivan Alocco em solidariedade com Alfredo Cospito

Final de outubro, 2022, território dominado pelo estado francês.

Desde alguns dias, na Itália, o companheiro anarquista Alfredo Cospito está em greve de fome contra o fato de ter sido submetido ao 41 bis, a “prisão especial”.

Uma vez mais, Alfredo também está lutando por todos nós. Para que não nos resignemos à crescente repressão como uma fatalidade.

Ainda que minha situação esteja longe de ser comparável à sua, estou a seu lado.

Ao estar encarcerado, minha margem de manobra é limitada. Na quinta-feira 27 de outubro começo uma greve de fome em solidariedade com sua luta.

Sou consciente de que meu gesto é só simbólico e não sei quanto tempo poderei manter. Mas espero que este pequeno gesto lhe ajude em sua determinação.

E que a determinação de todos nós se transforme em ação.

Cabeças erguidas!

Viva a anarquia!

Iván Alocco

28 de outubro de 2022

Para escrever-lhe:

Iván Alocco

N. d’écrou 46355

M. A. de villepinte

93420 Sena-Saint-Denis

França

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Vento de primavera:
Sobre uma antena, um pardal
Trina e defeca

Edson Kenji Iura

 

Ajude na realização da II Feira Anarquista Feminista de Porto Alegre (RS)

SOLIDARIEDADE É (A)ÇÃO!

Saudações anárkicas!

Vai acontecer a II Feira Anarquista & Feminista de Porto Alegre (FAF – POA)! Estamos muito felizes com o resultado da última feira, foi um momento potente de construção e compartilhamento entre coletivos e individualidades.

Em 2022, a FAF – POA vai acontecer nos dias 10 e 11 de dezembro. Salva a data, e cola junto com a gente!

Continuamos com vontade de movimentar ideais anarcofeministas – inclusive, no nosso blog já estão abertas as inscrições tanto para bancas quanto para propostas de atividades, como rodas de conversa, apresentações, artes, enfim… o que tu quiser compartilhar.

Pra isso acontecer, precisamos arrecadar um mínimo para arcar com as despesas que existem para a construção dessa feira e estamos com três formas de financiamento:

  • financiamento coletivo com recompensas pelo apoia-se:

https://apoia.se/fafpoa2?utm_medium=social&utm_source=heylink.me

  • vendas de camisetas da feira pelo instagram:

www.instagram.com/faf.poa

  • contribuições livres através da chave pix: fafpoa@riseup.com

Todas as ajudas são bem-vindas para que possamos realizar a II FAF – POA e arcar com os custos materiais, que envolvem:

– infraestrutura

– ajudas de custo a participantes

– alimentação

– transportes

– equipamentos

– produtos de higiene e limpeza

– apoio ao espaço de realização da feira

[…] entre outras coisinhas que sempre surgem pelo caminho.

Para mais informações, acesse o nosso blog: https://feiraanarquistafeminista.noblogs.org/

SALUD Y ANARKIA!

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caminho mundo…
a treva negra
envolve tudo…

Luís Aranha

[Espanha] Lançamento “13 Caminando por el Raval. Seis recorridos libertarios”

Este livro percorre os diversos pontos que foram documentados, visitados e explicados nos percursos compreendidos entre os anos 2013 e 2019 nas definidas como Rotas Libertárias que se celebram anualmente na ocasião das festas Alternativas do Raval.

Não se trata de percursos com matizes de exotismo, vestígios nostálgicos e menos de incentivo turístico. Pelo contrário eles nos levam a reconhecer e recordar pessoas, grupos e lugares que foram protagonistas das longas lutas sustentadas para conseguir uma sociedade mais justa e solidária.

Nasceram as rotas libertárias do Raval com o propósito e o compromisso de recuperar a memória das lutas do bairro. As memórias das pessoas e organizações das quais se dotou o movimento obreiro para resistir e combater por seus direitos ao mesmo tempo que construir mundos novos.

Anarquistas ou libertários, vegetarianos, livre pensadores, partidários da ação direta, mestres, todos eles frequentando locais construídos e mantidos com o esforço dos parias. Greves de mulheres pela manutenção das subsistências, contra o aumento do preço dos aluguéis, pela jornada das 8 horas, pela liberdade dos presos. Barricadas, caixas de resistência, e sempre a repressão, muitas vezes sangrenta, com tantos presos e presas como consequência, sem que isso nunca fosse um obstáculo para continuar rebelando-se contra as injustiças.

De tudo isso fala este livro, de percursos traçados caminhando pelo bairro para descobrir em cada esquina, em cada pedra, a história da gente comum e corrente, rebelde e revolucionária que lutou toda sua vida, organizando-se diariamente para defender suas dignidades e sua liberdade, que era e é a de todas.

13 Caminando por el Raval. Seis recorridos libertarios

Páginas 148

€ 5,00

Editorial El lokal

botiga.ellokal.org

Tradução > Sol de Abril

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Ainda que morrendo
o canto das cigarras
nada revela!

Matsuo Bashô

[México] Rompendo o consenso da maioria!

Todos os preços estão subindo rapidamente. Um quilo de tortilhas passou de 13 para 20 pesos. A telera passou de 1 peso para 2. O limão, o abacate, etc. Todos podem explicar em detalhes quantos preços estão subindo. O povo está com raiva e tudo continua a subir. Por que as pessoas reclamam amargamente dos preços altos e não fazem nada? Por que se resignam a ficar pior a cada dia? Por que as pessoas reclamam do governo, mas continuam a votar a favor?

O povo quer mudanças, mas desistiu da luta. Eles foram enganados por Morena, o PRI e o PAN. Todos eles se atacam, falam mal dos outros partidos e pedem a votação para mudar o México. Como os 1% (os políticos e a burguesia) exploram e controlam os 99% (todas as pessoas que trabalham)?

A resposta não está no vento. Está no Consenso. Consenso é que todas as pessoas concordam em algo. Como diz o ditado: “Aquele que está calado, consente”. A maioria está resignada. Embora em palavras critiquem o governo, o sistema capitalista, o machismo, a religião ou as drogas; em ações, não fazem nada para mudá-lo. Eles o deixaram passar. Eles estão em um marasmo depressivo. Eles perderam a piada da vida. Eles não se importam com nada. Eles passam seu tempo assistindo TV. Eles vão ao baile, ao jogo, depois chupam, ouvem narcocorridos e depois gritam sobre suas frustrações. A maioria deles é controlada. Em 2018, dos quase 90 milhões registrados no IFE, 60 milhões não votaram no AMLO [Andrés Manuel López Obrador, atual presidente do México]. Essa é a verdadeira maioria. E a minoria, os outros 30 milhões do AMLO, votaram pela mudança; mas eles não lutam por ela.

Para controlar a população, eles primeiro nos fazem acreditar que lutar é inútil, que eles sempre vencerão. Que agora, sim, Obrador vai mudar as coisas. Mas tudo fica pior. Ele fala de uma mudança pacífica. Mas a insegurança e o crime organizado estão crescendo; jornalistas, ambientalistas e ativistas estão sendo mortos. Enquanto o Narco, com a ponta da metralhadora, controla as principais cidades, Obrador diz que estamos indo bem. E as pessoas o suportam. É por isso que devemos quebrar o consenso social da maioria. Devemos atacar a ideia venenosa de que nada pode ser feito. E a luta pode mostrar que a mudança virá do povo, não do governo.

Mas como conseguir mudanças? Devemos tomar medidas: contra o conformismo, a rebelião. Contra o silêncio, a palavra viva. Contra desprendimento, intervenção, envolvimento. Contra o sistema capitalista, a autogestão popular. Aqui é importante chegar a acordos e dar consentimento a uma luta para mudar o México, aqui e agora. Temos que construir um novo consenso: é melhor lutar de pé do que viver de joelhos.

Contra os preços altos: podemos formar cooperativas de consumo, reunir-nos com a família e amigos para fazer compras juntos onde melhor nos convém: com os produtores diretos. Se todos nos apoiamos uns aos outros, combatemos o egoísmo e o isolamento. Podemos fazer ligações, unir-nos e organizar-nos. Mas temos que partir da base. O povo pode trazer mudanças, sem os políticos parasitas.

M.F.M

Tradução > Liberto

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Insetos que cantam
parecem adivinhar
minha solidão…

Teruko Oda

 

[Itália] Não permitamos o assassinato de Alfredo Cospito em greve de fome desde 20 de outubro: Chamada para uma mobilização internacional

Em 20 de outubro passado o anarquista Alfredo Cospito, durante a audiência que aconteceu no Tribunal de vigilância de Sassari, tentou ler uma articulada declaração na qual anunciava que começou uma greve de fome contra o regime carcerário do 41 bis no qual se encontra atualmente e contra a prisão perpétua sem possibilidade de ser revisada. Uma batalha que Alfredo não tem intenção de parar, até sua morte.

O companheiro, que se encontra no 41 bis desde 5 de maio passado por um decreto assinado por quem naquela ocasião era a ministra de justiça, Marta Cartabia, está atualmente encarcerado no cárcere de Bancali, Sardenha.

Alfredo Cospito é um anarquista que esteve sempre na primeira linha de luta, jamais disposto a pactuar ou render-se. Um companheiro que luta desde finais dos anos oitenta, período no qual foi encarcerado por insubmissão ao serviço militar obrigatório e que, depois de ser detido em 2012, durante o julgamento que seguiu, reivindicou o disparo na perna contra o dirigente de Ansaldo Nucleare Roberto Adinolfi, ação realizada pelo Núcleo Olga/Federação Anarquista Informal – Frente Revolucionária Internacional em 7 de maio do mesmo ano em Gênova.

Alfredo sempre esteve ativo na defesa dos companheiros golpeados pela repressão, em cada esquina do mundo. Sua luta afeta objetivamente a todos os presos, entre eles e a quem recordamos em particular modo, os três militantes das Brigadas Vermelhas pela construção do Partido Comunista Combatente presos há mais de 17 anos em regime de 41 bis (Nadia Lioce, Roberto Morandi, Marco Mezzasalma). Em 2009 a companheira Diana Blefari, da mesma organização, tirou a própria vida, depois da permanência neste duro regime carcerário.

Alfredo transcorreu ininterruptamente seus últimos 10 anos no cárcere nas seções de Alta Segurança até seu translado ao 41 bis. Em 2016 esteve envolvido na operação Scripta Manent, acusado de associação subversiva com finalidade de terrorismo e de múltiplos ataques explosivos. Depois da sentença definitiva emitida pela Corte de Cassação em julho do presente ano, se reformulou a condenação para Alfredo e Anna Beniamino a “massacre político”, delito que prevê unicamente a pena de prisão perpétua. O Estado italiano, que sempre protegeu os fascistas perpetradores de verdadeiras matanças [como os massacres de Bolonha ou de Piazza Fontana], agora quer condenar por massacre a dois anarquistas por um ataque que não provocou nem vítimas nem feridos.

Alfredo há anos contribui com artigos, projetos editoriais e propostas ao debate anarquista internacional. Por esta razão, mais de uma vez foi objeto de censura em sua correspondência e lhe proibiram a comunicação com o exterior, sendo condenado pela publicação do texto anarquista revolucionário “KNO3” e a última edição de “Croce Nera Anarchica” e estando atualmente investigado pela publicação do jornal anarquista “Vetriolo”. Depois destas disposições legislativas, durante o mês de maio passado lhe aplicaram o regime de 41 bis e foi sucessivamente transladado desde o cárcere de Terni ao de Bancali, em Sassari. Desta maneira lhe negaram qualquer tipo de contato com o exterior.

O 41 bis serve para isolar completamente o preso. Esta medida se aplica e renova cada 4 anos, mas de fato a única maneira para poder sair desta situação é a de arrepender-se e colaborar com as forças repressivas. Em outras palavras, o 41 bis é tortura, enquanto está planejado para induzir sofrimento com a intencionalidade de extorquir confissões ou declarações.

Este regime carcerário implica em uma hora de visita por mês através de um vidro, com vigilância eletrônica e a gravação de áudio e vídeo. Se os familiares não têm a possibilidade de fazer a visita mensal, como possibilidade alternativa está prevista uma Chamada mensal de 10 minutos, mas para efetuá-la o familiar do preso tem que deslocar-se a uma delegacia dos carabinieri ou ao interior de um cárcere. Também, só é permitida uma hora de pátio e outra só de socialidade no interno do módulo, que se fazem em grupo de um mínimo de dois e um máximo de quatro presos: a divisão dos grupos de presos que estão juntos durante esta hora se decide diretamente desde os escritórios dos burocratas em Roma e tarda alguns meses.

O 41 bis é um regime carcerário destinado à aniquilação do preso, enquanto está estudado para provocar danos físicos e mentais através da técnica de privação sensorial; trata-se de uma condenação à morte política e social, que busca romper cada forma de contato com o exterior. O trato reservado para Alfredo nos recorda as palavras atribuídas a Benito Mussolini sobre Gramsci: é necessário impedir de funcionar este cérebro por vinte anos.

Exemplo do agulheiro negro no qual se termina uma vez se entra ao 41 bis é justo o que ocorreu em 20 de outubro passado durante a audiência no Tribunal de Vigilância de Sassari. Se impediu a entrada na sala dos solidários, o companheiro estava conectado em videoconferência desde o cárcere como prevê a normativa do 41 bis e quando tentou ler sua própria declaração lhe tiraram a voz apertando um botão. A declaração está fechada pelos juízes e não pode ser publicada, se os advogados a difundissem se arriscariam a uma pesada condenação penal.

O que está acontecendo com o companheiro Alfredo Cospito se entrelaça com um clima repressivo sempre mais obscuro neste país. Mais além do movimento anarquista, assistimos a uma repressão sempre mais opressiva contra obreiros, estudantes e movimentos sociais.

Mencionamos o caso mais chamativo: este verão a promotoria de Piacenza abriu uma investigação contra alguns sindicalistas acusando-os de “extorsão” porque pediam, mediante uma luta “radical” (piquetes e cortes de estradas), um aumento de salário ao chefe.

Queremos que se entenda também no exterior que o avanço repressivo que está tomando o Estado italiano afeta a todo o mundo em primeira pessoa, já que um precedente desta magnitude no coração da Europa poderia ser o presságio de novos saltos repressivos em outras latitudes. Tudo isto ocorre enquanto a crise social e a crise militar internacional se agravam dia a dia. Sabemos que estes são os contextos ideais para os giros autoritários dos governos.

Temos umas semanas para salvar a vida de Alfredo Cospito, para evitar seu assassinato, mas sobretudo para dar um sinal de contra ataque ao que está ocorrendo. Tornemos responsável o Estado pela vida e a saúde de nosso companheiro.

Mobilizemo-nos em todo o mundo, pressionemos o Estado italiano para que Alfredo possa sair do 41 bis.

Companheiros e companheiras

25 outubro 2022

Tradução > Sol de Abril

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Em morosa andança
Ao léu com meu ordenança —
Contemplação das flores.

Kitamura Kigin

[Itália] L38 Squat sob ameaça de reintegração

A revitalização é o poder, a autogestão é a possibilidade.

Há anos escutamos rumores sobre um mega-projeto de revitalização de nosso bairro Laurentino 38 na zona sul de Roma, Itália. Mas desta vez, com dinheiro à disposição, o projeto se fez urgente, em decorrência de uma agenda marcada pelas campanhas eleitorais.

Qualquer pessoa que conhece essa região, sabe que o bairro, abandonado pelas instituições há décadas, é algo “fora de lugar”. As chamadas “Pontes” são corredores de exclusão entre os polo comerciais de uma cidade que se expande continuamente, empurrando sempre para mais longe seus habitantes mais pobres. Somos uma ótima mão de obra para os centros comerciais, mas cada vez mais ajoelhados pelo alto custo de vida.

Deixamos bem claro que o L38 Squat (centro social ocupado desde 1992) não negociou nenhuma realocação, como mencionado no jornal Roma Today no dia 18 de agosto. Aqui estamos e aqui ficamos, por muitas razões. 31 anos de ocupação significam a autoconstrução de cada centímetro deste centro social, baseado nas necessidades e paixões de pessoas do todo o mundo, que passaram por nosso espaço. Para levar 31 anos de autogestão, necessitaríamos outros 31 anos para desmontar tudo. Ocupar uma boa parte da Sexta Ponte significou cuidar do espaço com nossos esforços, em acordo mútuo com outras realidades presentes, apesar da ausência do IACP e do ATER (Institutos públicos de habitação popular). Cada problema nos custou meses de reuniões, discussões, eventos de arrecadação de fundos e a materialidade do trabalho. Nunca nos consideramos proprietários. Aqui se cuida do edifício para nos dar a possibilidade de viver melhor que o previsto pelo sistema de exploração e para deixar essa possibilidade ao próximo. Escolhemos não ser proprietários, mas o ATER, com sede de negócios, não tem direito algum de reivindicar o espaço, depois de anos de abandono.

Os projetos de jovens arquitetos que nos substituiriam se chamam “Co-housing” com “book corner”, residências universitárias ou apartamentos para uma pessoa, modelos habitacionais de uma sociedade pulverizadora e violenta. Nosso sangue já começa a ferver! No bairro, pessoas se vem obrigadas a morar com outras pessoas para ter dinheiro suficiente para sobreviver. Quem seriam aqueles que viveriam num apartamento para uma só pessoa? Aqui não estamos entre artistas como no bairro de Pigneto ou na cool Porta Veneza de Milão. O projeto de remodelação do ATER não irá alterar as condições de marginalização e de pobreza da região.

Viver juntos para nós significa nos apoiar e apoiar também quem não conhecemos. Ter uma biblioteca autogerida significa ter milhares de textos à disposição, que são parte de nossa história. E não estamos falando de edições descartáveis, mas de textos realmente imprescindíveis. Ativar um ginásio teve como objetivo cuidar de nós mesmes, de nossa saúde e não competir. Nunca significou machismo.

Tomaremos mais espaço em um próximo comunicado para contar quem somos e o que é essa ocupação. Mas que fique claro, não se trata somente de paredes, não existe neutralidade em tudo que há aqui dentro. Essas possibilidades gratuitas e para todes não são substituíveis.

Conhecemos muito bem as condições de habitação do bairro, como já dissemos e demonstramos. Exigimos casa para todas e todos e por ora, ficamos por aqui, na sexta ponte, no coração do bairro Laurentino 38. Aqui seguiremos ao lado de quem sofre repressão e miséria difusa e de quem quer enfrentar os problemas juntes.

Se querem começar um projeto que deveria “presentear muito prestígio a região” nos atacando, nos encontrarão prontes para defender não só nossa história, mas nosso futuro.

Ocupantes da Sexta Ponte/L38 SQUAT

Fonte: https://l38squat.noblogs.org/post/2022/08/22/l38squat-e-sotto-sgombero/?fbclid=IwAR2HPblwg43CndzWJpVvn7zpOqHFVLCfxHysZrPVP-waW4znevtTqCTe7Oc

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minha cabeça em seu peito
seus dedos em meus cabelos
– dança de leito

Eugénia Tabosa

[México] Feira Internacional de Agitação e Kultura Anarquista

3, 4 e 5 de dezembro de 2022, em Monte Blanco Veracruz

É uma proposta para nos encontrarmos entre anarquistas de diversas latitudes sem importar fronteiras nem bandeiras, com o fim de compartilhar ideias, práticas e experiências para pô-las em jogo em nossas vidas cotidianas e em nossos contextos particulares. Não é a intenção criar uma organização pesada nem ampla que aglutine os anárquicos sob uma mesma voz ou programa; nos regozijamos na diversidade e na força da afinidade e na solidariedade e, do que dela possa surgir. Sempre tendo em conta o que não queremos, que para nós é não somarmos à voragem progressista, conservadora, tecnófila, cidadã, estatista, capitalista em suas mil e uma formas que possa tomar, seja vinda de setores de esquerda ou de direita. Já que nos últimos anos soube manipular a história e propostas anarquistas para oferecer tudo menos anarquia e sim, soluções e discursos hipócritas que apontam o poder que nós combatemos.

São poucos os lugares onde podemos nos encontrar e a avassaladora força midiática das redes sociais e sua engenharia social, limitaram a submergirmos ainda mais no espetáculo, no consumo, no confinamento, no medo e na desarticulação, somado aos diferentes golpes repressivos à galáxia anarquista no planeta terra. Ante isto, nos vemos chamados a re-impulsionar redes para seguir expandindo e potencializando nosso amor pela revolta e a desobediência, mas cada vez com mais informação, com mais cautela, com mais memória e buscando os meios para poder aproveitar e articular nossas histórias passadas na luta contra toda autoridade. É por isso, que longe de mitificar/santificar o passado e a memória de personagens e histórias anarquistas, preferimos gerar discussões que se baseiem nas realidades atuais, sem devaneios de um prolífico futuro, nem nostalgias de um passado sempre melhor. Nos conformamos – e não é pouco – com praticar uma ética anarquista no aqui e agora, para evadir a miséria, a exploração e a tristeza imposta, o demais sempre está por se ver.

Sabemos que o contexto global ao qual nos enfrentamos e enfrentaremos se caracteriza por um aumento do fascismo (amplo e diverso), de uma esquerda hipócrita, integradora e apaziguadora (também ampla e com matizes fascistoides), de um antropocentrismo exacerbado, ainda que o tentem camuflar, de um desenvolvimento tecnológico, industrial e digital que aponta as guerras, a uma vigilância e o controle, o despojo e a destruição da terra e seus habitantes nas aras do progresso. Estamos à beira de uma nova era de dominação que terá consequências incomparáveis.

Por isso, fazemos um chamado aos companheiros anarquistas que se sintam afins a nos encontrarmos na Feira Internacional de Agitação e Kultura Anarquista, a se realizar em Monte Blanco Veracruz, em um acampamento sem luz, com a seriedade e a alegria que se merece, para compartilhar e seguir sendo parte da tensão anarquista contra o Estado, o capital, o patriarcado e toda autoridade.

Ainda que tudo esteja perdido: Não se vender, não se render e nunca trair!

Solidariedade e cumplicidade com os que enfrentam o Poder!

Pela anarquia!

17 de outubro de 2022

Xalapa, Ver. Território dominado pelo Estado Mexicano.

Para mais informação da FIAKA sobre o programa e outros pormenores:

www.anarcopunk.org/fiaka

jornadaspunk_fiaka@riseup.net

Tradução > Sol de Abril

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Trezentos quilômetros
Para não vos contemplar –
Mangueiras da minha infância!

Paulo Franchetti

[Itália] Ocupada a sede italiana da Anistia internacional em solidariedade com Alfredo Cóspito em greve de fome contra o regime 41bis

Hoje, 25/10/2022, ocupamos a sede italiana da Anistia Internacional de Roma em solidariedade com o preso anarquista Alfredo Cospito que está a 6 dias em greve de fome no cárcere de Sassari contra o 41 bis e o “ergastolo ostativo” [prisão perpétua que exclui qualquer tipo de benefício penitenciário]. O 41 bis é uma forma de aniquilar o indivíduo, empregado pela primeira vez contra o movimento anarquista. Alfredo foi transferido ao 41 bis depois de 10 anos no cárcere de Alta Segurança com o objetivo declarado de calar-lhe a boca, de silenciar sua contribuição ao debate revolucionário.

Denunciamos o ocorrido na audiência de 20 de outubro no tribunal de vigilância de Sassari como exemplificação da brutalidade do 41 bis: durante a audiência, a portas fechadas e com o companheiro conectado por vídeo conferência a decisão do juiz, Alfredo tentou ler uma estruturada memória defensiva através da qual expor os motivos do começo de sua luta. O juiz interrompeu o companheiro impedindo-o de concluir sua intervenção nesta única – e talvez a última – ocasião de comunicar-se com o resto do mundo desde que foi transladado ao 41 bis, simplesmente cortando o áudio. Sua intervenção foi silenciada, como tudo o que provêm do agulheiro negro do 41 bis. Se os advogados decidiram torná-lo público, poderiam enfrentar  consequências penais [de 3 a 7 anos].

Uma decisão sem precedentes que indica claramente o medo que têm o Estado das ideias anarquistas e as práticas que inspiram. Tudo isto é inaceitável. Queremos ler imediatamente as palavras de nosso companheiro!

Não temos nada que pedir às associações humanitárias como contra a qual dirigimos a iniciativa desta manhã:

A iniciativa desta manhã está dirigida a uma dessas associações humanitárias às quais não temos nada que pedir: sabemos que suas queixas corriqueiras alterna só denunciam os feitos de algum regime exótico, preferivelmente adversário do imperialismo ocidental. Isto não é uma petição para que digas algo a respeito…. só queríamos cuspir na cara vossa falsa consciência!

Fechar o 41 bis! Romper o silêncio!

Solidários com Alfredo em greve de fome!

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

folhinhas
linhas
zibelinas sozinhas

Maiakovski

[Espanha] Os professores seguem sem melhoras em suas condições de trabalho

A CGT denuncia que a Junta de Castilla y León não está cumprindo o acordo para melhorar as condições de trabalho dos professores, o que inclui a redução das horas e índices de ensino.  As principais organizações sindicais não reagem e defendem o acordo que elas mesmas assinaram.

Com o Acordo de 24 de janeiro de 2022, sobre a melhoria das condições de trabalho dos professores, o Ministério da Educação se comprometeu a reduzir a carga docente de 25 para 24 horas para os instrutores e de 20 para 18 horas para os professores. O Acordo é, de acordo com a CGT, pobre, pois nem sequer volta às condições de trabalho pré-crise de 2012. O resto dos funcionários públicos os recuperou já em 2019 com a lei que pôs fim aos cortes de 2012.

O Ministério da Educação não cumpriu com este acordo ao não fornecer os professores extras necessários. Em Burgos, nenhum dos 62 professores adicionais necessários para a província foi contratado. As escolas, na verdade, têm o mesmo número de professores do ano passado. Como resultado, as horas de apoio, essenciais para uma atenção diferenciada e inclusiva aos estudantes, foram cortadas. Muitas dessas horas, além disso, foram assumidas por equipes de gestão, cuja carga de trabalho é insustentável, especialmente em escolas rurais. Outra consequência do não cumprimento é que, com tais níveis reduzidos de pessoal nas escolas, não há possibilidade de substituições, o que significa que não são concedidos dias próprios com base em serviços mínimos.  A agitação nas escolas é generalizada.

Os principais sindicatos não reagiram ao descumprimento do Conselho. Para a CGT, isto não é nenhuma surpresa. Em nível nacional, CCOO e UGT acordaram nos corredores um aumento mínimo do IPC para funcionários públicos que significará uma perda do poder de compra de 16%.

Pelo acordo acima mencionado, a Junta de Castilla y León também se comprometeu a reduzir o número de alunos ou a proporção de salas de aula para este ano letivo. Em sua visita ao novo centro de Villimar, a CEIP Isabel de Basilea, o próprio Presidente Fernández Mañueco se vangloriou desta melhoria e da qualidade da educação pública na comunidade.

A CGT detectou mais violações dos índices. Em Burgos há salas de aula que estão prestes a exceder ou já excederam as novas proporções máximas, em alguns casos, porque os inspetores têm evocado os 10% extras que são exclusivamente para necessidades supervenientes. A nova relação máxima é de aplicação obrigatória no primeiro ano do ensino pré-primário, no primeiro ano do ensino primário, no primeiro ano do ESO e no primeiro ano do Bacharelado. Pelo menos CEIP Vadillos, IES Feliz Rodríguez de la Fuente, IES Pintor Luis Sáez, IES Fray Pedro Urbina, IES Montes Obarenes e IES Diego de Siloé estão nesta situação.

A redução da proporção de salas de aula é um pilar para a melhoria da qualidade da educação. Com este fracasso, o bem-estar dos estudantes e seu direito fundamental à educação de qualidade, inclusiva e individualizada está sendo ignorado.

A CGT exige que o pessoal acordado seja contratado para promover uma educação de qualidade real. Ela também exige que o problema das proporções seja corrigido abrindo novas linhas nas notas afetadas.

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/los-docentes-siguen-sin-mejoras-en-sus-condiciones-laborales/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Rosto no vidro
uma criança eterna
olha o vazio

Alphonse Piché

[Espanha] A CGT adere ao manifesto da “Aliança pela Justiça Global” exigindo uma lei sobre obrigações extraterritoriais de grandes multinacionais.

Os anarcossindicalistas querem que o Estado force as grandes corporações a serem responsáveis pelas ações de suas subsidiárias, fornecedores ou subempreiteiros em termos de direitos humanos.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) tornou público seu apoio à iniciativa da “Aliança pela Justiça Global”, que consiste em exigir do Estado que as grandes multinacionais não possam continuar a interagir impunemente nos territórios, sem serem responsabilizadas por abusos e violações dos Direitos Humanos.

Este coletivo, a cujo manifesto se uniram os anarcossindicalistas da CGT, considera que nos últimos anos há uma crescente preocupação com o impacto das ações das grandes multinacionais sobre as comunidades indígenas e camponesas, e as consequências sociais, econômicas, políticas, etc. que surgem destas ações. Por esta razão, de acordo com a Aliança para a Justiça Global, é urgente estabelecer mecanismos para controlar e punir os abusos das grandes corporações, a fim de evitar a impunidade e evitar sua repetição. E no caso da Espanha, explicam que apesar do desenvolvimento de sistemas de apoio, através de subsídios, para a internacionalização das empresas, onde as “boas práticas” são reconhecidas, ainda não existe um mecanismo eficaz que permita monitorar e avaliar a fim de pôr um fim ao não cumprimento em relação ao respeito aos direitos humanos.

Por outro lado, esta plataforma assegura que as violações dos direitos humanos aumentaram na última década, o que mostra que o direito internacional neste sentido é muito frágil. É por isso que esta demanda é mais necessária e urgente do que nunca, dado o contexto global de guerras, crise climática, crise energética, crise sócio-ecológica e o avanço do capitalismo e das desigualdades entre os seres humanos, em contraste com as grandes facilidades que são dadas, através dos Estados, às grandes multinacionais.

A CGT também acredita que o projeto de lei sobre “a proteção dos direitos humanos, sustentabilidade e diligência devida nas atividades comerciais transnacionais”, lançado pelo Ministério dos Direitos Sociais e Agenda 2030 do governo espanhol, não é suficiente. É por isso que a organização negra e vermelha apoia esta proposta, com o objetivo de aumentar as inspeções e controles públicos para que os direitos de todos os seres humanos sejam garantidos em todos os lugares do planeta.

A CGT também enfatizou que a vida das pessoas não pode ser relegada ao segundo ou terceiro lugar em benefício das grandes corporações, que concentram o poder nas mãos de poucos e impedem que a riqueza seja distribuída de uma maneira diferente, com maior solidariedade entre os cidadãos.

Fonte: https://cgt.org.es/cgt-se-adhiere-al-manifiesto-de-alianza-por-la-justicia-global-que-exige-una-ley-de-obligaciones-extraterritoriales-a-las-grandes-multinacionales/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

acende chama
sorriso no escuro
sol de quem ama

Carlos Seabra

“Não consigo entender todo esse dramalhão em cima das tais fake news”

Por Vrusk Letuchaya Mysh | 23/10/2022

Eu não consigo entender todo esse dramalhão em cima das tais fake news (rol de mentiras versão moderna chororô).

Nós crescemos escutando mentiras dentro de casa, na escola, na universidade, no trabalho, nos programas de TV, nas propagandas consumistas e nas eleitorais. No alimento que você ingere, nos remédios que você toma, nos cosméticos que usa.

As mentiras só ficaram melhor editadas com a tecnologia moderna.  O mundo é uma mentira, a humanidade se afunda em mentiras. É tudo uma ilusão. Compramos ilusões o tempo todo. As pessoas acreditam em político o tempo todo, em divindades, demônios, líderes. Em coelhinho da páscoa, papai noel, mitos e salvadores. Cada um acredita na mentira que lhe for conveniente.

A sua imagem nas redes sociais é editada, maquiada, manipulada. Mais uma mentira. Seu sorriso nas selfies provavelmente  uma mentira. Sua vida pode estar uma merda, mas melhor mentir para si mesmo e na selfie. Ao que parece as pessoas precisam de mentiras, aparências, fantasias, ilusões para viver.

agência de notícias anarquistas-ana

Cascavel enrodilhada
Desmente a paz prometida
Nos gorgeios da alvorada.

Lubell

[Espanha] A asfixiante lógica dos partidos

O anarquismo é uma das poucas filosofias políticas, talvez a única filosofia política, que permaneceu inabalável diante dos partidos políticos. Mas isso, infelizmente, não fez do Anarquismo uma referência política para muitos por causa de uma das características que lhe deu mais lucidez.

Os debates políticos comuns são geralmente absorvidos pela lógica partidária. Chega ao ponto em que é comum não saber falar de política sem sair desta lógica. É até provável que, ao defender posições diferentes em debates regulares, você seja apanhado em uma ou outra, mesmo que não se identifique com nenhuma delas. Os partidos baixaram o nível político, eles nos transformaram em covardes dogmáticos. A subcorrente mais simplista desta lógica exige que vejamos os bons e os maus ou, na melhor das hipóteses, cores básicas como vermelho, azul, roxo ou verde.

Um pouco de história

Poderíamos dizer que a origem dos partidos políticos é claramente burguesa. Os partidos políticos foram uma estratégia política concebida pela ala liberal no século XIX para enfrentar a ala conservadora do Reino da Grã-Bretanha. Enquanto a ala conservadora defendia a realeza e a nobreza, a ala liberal representava a jovem e crescente burguesia. A estratégia concebida para tornar a representação da burguesia nas instituições políticas da época mais eficaz provou ser um sucesso. Logo este modelo político começou a se espalhar pela Europa e mais tarde pela América, dando-lhe o caráter global que ele tem hoje.

Mas o sistema partidário não teria sido hegemônico se a esquerda não tivesse mordido a isca. O sistema partidário, que funcionou tão bem para os liberais, seria mais tarde abraçado pela esquerda. Foi precisamente este fato que foi uma das rupturas ideológicas da Primeira Internacional dos Trabalhadores. A cisão formou três grandes blocos, marxistas, social-democratas e anarquistas. Com exceção deste último, o resto não hesitou desde o início em assumir a estrutura partidária, chegando ao ponto de se aliar aos liberais como estratégia para chegar ao poder. Nada de novo sob o sol.

A falsa representação

A democracia representativa é claramente um conto de fadas, uma falácia. Normalmente, os representantes e os representados nem sequer falaram um com o outro e nem sequer se conhecem. Entretanto, existem outras questões que tornam impossível a representação política. Nenhum partido pode representar a maioria porque os partidos nascem de minorias, e essas minorias são elitistas e representam apenas a si mesmas.

O que poderia ter nos levado a pensar que uma invenção burguesa resolverá os problemas do povo? A resposta a esta pergunta provavelmente foi dada por Gramsci e Althusser. Althusser identificou o que ele chamou de Aparelhos Ideológicos do Estado: “sob a forma de instituições distintas e especializadas (religiosas, escolásticas, familiares, jurídicas, políticas, sindicais, de informação e culturais)“, Gramsci explicou-o da seguinte forma:

O que se chama opinião pública está intimamente ligado à hegemonia política, ou seja, é o ponto de contato entre a sociedade civil e a sociedade política, entre consenso e força… A opinião pública é o conteúdo político da vontade política pública que poderia ser discordante: por isso existe a luta pelo monopólio dos órgãos de opinião pública; jornais, partidos, parlamento, para que uma única força forme a opinião, e com ela a vontade política nacional, transformando dissidentes em pó individual e inorgânico.

Gramsci

Infantilizemos a política: a esquerda e a direita

Nem tudo são flores para um movimento, o movimento anarquista, que se deixou levar pelo simplismo e caiu nesta falácia. A lógica do partido sempre apresenta bons e maus; na melhor das hipóteses, uma gama cromática baixa de vermelhos, verdes, azuis e roxos.

Esquerda e direita há muito tempo se confundiram, se misturaram. É verdade que com o tempo o conceito de esquerda e direita mudou. Este conceito vem da Revolução Francesa, muito antes dos partidos. Os deputados que defenderam a monarquia e o feudalismo sentaram-se à direita, enquanto que à esquerda sentaram-se os defensores da soberania nacional e da igualdade. Mas, em geral, esta visão é consistente com a esquerda, que defende o interesse coletivo e o progresso social, enquanto a direita defende a preservação do status quo e do interesse individual.

A realidade é que existem partidos supostamente conservadores que frequentemente implementam medidas progressivas e partidos supostamente de esquerda que se entregam a medidas liberais ou conservadoras. Nosso mundo não é tão simples, tornou-se tremendamente complexo e apesar do fato de que a lógica dos partidos nos impele a continuar pensando à esquerda e à direita ou em cores primárias, o anarquismo deveria romper com este molde que tanto interessa aos que estão no poder.

Um exemplo claro de tudo isso é o uso do termo fascismo. Quando quebramos o termo, fascista é aplicado a quase tudo que cheira a direita. Há poucos dias, Emilio Gentile, historiador especializado em fascismo, explicou-o desta forma após o recente triunfo da extrema direita italiana:

O passado já passou. Pode e deve ser estudado, mas o presente deve ser compreendido para que se possa contar a história. Se tudo é fascismo, nada é. E o mesmo vale para a máfia. É uma distração contínua de outras ameaças que nada têm a ver com o regime do Duce, que, por sinal, não nasceu do medo dos migrantes.

Emilio Gentile

Emilio Gentile se propõe a chamar as coisas pelos nomes. Ele se propõe a começar a pensar, a pensar que isto não é simples e que a compreensão de nosso contexto social e político é complicada.

Dogma como bandeira

Os partidos políticos são dogmáticos, eles precisam de crentes. O eleitor ideal é uma pessoa absorvida e fanática, que está sujeita a ideias e preconceitos idealizados por um partido. Dogma é uma proposta aceita como inegável. Por exemplo, um eleitor de um partido neoliberal aceitará como dogma que “público é ineficiente e privado é eficiente”, assim como um eleitor de um partido racista aceitará “que os imigrantes roubam seus empregos”. Mas os dogmas do partido não podem ser apenas qualquer coisa, anos e anos de argumentos têm sido aperfeiçoados em pessoas que não os questionam. Jean Lacroix colocou dessa forma:

Isto terminou em uma deformação séria e dupla: religião e metafísica, que estão no domínio do absoluto, são tratadas de um ponto de vista político, ou seja, relativo, enquanto a política, que está no domínio do relativo, é tratada de um ponto de vista metafísico ou religioso, ou seja, absoluto.

Jean Lacroix

Mas nem todos os dogmas são políticos. Um dos principais dogmas que aceitamos quando participamos da democracia representativa é o fato de que não podemos sequer escolher o nome do representante, a fé nos permite confiar nas pessoas recomendadas pelo partido.

Os partidos continuamente deslocam o debate. A intenção é nos distrair da verdadeira questão, a fim de focalizar a atenção neles e, em última instância, em seus dogmas. Busca-se uma conexão emocional, para que a lealdade seja mais provável para os eleitores. Um bom eleitor ignora e distorce qualquer realidade que questione sua lealdade. Isto é o que Leon Festinger em 1950 chamou de dissonância cognitiva.

Uma guerra fratricida

Mas os partidos desempenham outro papel fundamental em nossa sociedade: dividir-nos. Os partidos políticos têm que responder às percepções, eles têm que aparecer como escolhas presuntivamente inteligentes para as pessoas em um determinado momento de suas vidas. Ao escolher o partido entramos em conflito com o resto de nossa classe social, e aquele que não escolheu nosso partido é o inimigo.

A lógica dos partidos na Espanha tem se baseado fortemente no nacionalismo. Os nacionalismos foram e são fruto de muitas rupturas sociais, eles confrontaram populações em exercícios excepcionais de cooptação. Isto levou a população a tirar bandeiras e retalhos de diferentes cores das janelas para se matarem uns aos outros nas ruas para defendê-las. Para o poder isso é ideal, pois rompemos os laços sociais e nos cansamos de defender os espaços que nos são impostos pelos partidos decadentes. A situação é muito semelhante à de uma guerra, enquanto nos matamos argumentativamente, aqueles que projetaram o conflito sequer entram na lama que nos atiraram.

Fazer com que a população rompa com os partidos é uma nova oportunidade para criar estruturas sociais de colaboração e não de confronto. Uma visão bastante controversa defendida por muitos cientistas políticos é que as pessoas que aparentemente se encontram em polos opostos da política responderão a perguntas específicas da mesma maneira. Em outras palavras, para um neonazista e um marxista, seus objetivos de vida podem ser bastante semelhantes. Sem defender esta observação polêmica, vale a pena refletir sobre a seguinte pergunta: como nossas ideias políticas foram cooptadas? Direcionamos nossas ideias políticas para lutar contra o que está acima e não contra o nosso igual? Perturbamos o poder ou seguimos o seu jogo?

Neoliberalismo

O poder que nos oprime é o poder neoliberal ou como alguns o chamam: “capitalismo”. Não é a direita e não é o fascismo. O contexto atual, o de parte da Península Ibérica, é o de um partido como o VOX que começou a subir como um incêndio nas urnas, está nas notícias, capta a atenção dos meios de comunicação e é branqueado pela mídia. Não podemos argumentar que nossa classe dominante é fascista ou de direita ou que o neoliberalismo é outro tipo de fascismo. Esta é uma estratégia e é provável que a estratégia seja muito inteligente. De fato, há alguns dias soubemos de um vazamento no Wikileaks mostrando como o Grupo Eulen, El Corte Ingles, Nestlé, FCC, OHL contribuíram através da “Hazte Oír” para a ascensão da extrema direita.

Mas não é apenas a direita. Tomemos um exemplo de uma provável estratégia neoliberal que aconteceu não há muito tempo. Ele é Pablo Iglesias 2 anos após o surto do 15M, quando ele apareceu em La Sexta com o melhor do esgoto midiático atualmente considerado; em 2013 La Sexta era o mesmo de agora, mas enganava mais pessoas e tinha mais telespectadores:

https://www.youtube.com/watch?v=-NCYQCiz25I

Na época, era do conhecimento geral que Pablo estava planejando fundar um partido. Este partido foi a maneira ideal de trazer as ovelhas perdidas de 15M de volta para o curral e o plano funcionou como um encanto. Uma pessoa com uma oratória sensacional e um discurso impressionante pegou os perdidos de 15M e os fez continuar votando. Pablo Iglesias foi um dos principais desmobilizadores de um movimento anti-partidário, horizontal e muito perigoso para o neoliberalismo. Mas o erro neoliberal foi dar a Pablo muitos minutos e eles foram longe demais e o partido Podemos conseguiu praticamente ultrapassar a esquerda mais servil ao capital, o PSOE. Assim, nos anos que se seguiram, Pablo Iglesias foi espancado, manchado e indignado por seus companheiros de assento em 2013. Aqueles que ele agora desdenha jogaram bem o jogo.

O neoliberalismo é uma cultura que desculturaliza. O objetivo do neoliberalismo é torná-lo analfabeto, inculto e um consumidor compulsivo. Erich Fromm, em 1965, disse assim:

Homo Consumens é o homem cujo objetivo principal não é principalmente possuir coisas, mas consumir cada vez mais para compensar seu vazio interior, sua passividade, solidão e ansiedade (…) Homo Consumens está sob a ilusão da felicidade, enquanto inconscientemente sofre com seu tédio e passividade. Quanto mais poder ele tem sobre as máquinas, mais impotente ele se torna como ser humano; quanto mais ele consome, mais ele se torna um escravo de necessidades cada vez maiores.

Erich Fromm

A política de hoje também é algo como consumismo, na prateleira você pode escolher entre 4 ou 5 produtos. Não há espaço para reflexão, participação ou nuance, infelizmente, tudo já está no caminho certo. Os parlamentos de hoje são parlamentos neoliberais, a esquerda e a direita são assimiladas. Foi o que nos disse Foucault, sendo especialmente duro à esquerda. Para Foucault, os partidos socialistas aceitam o modelo liberal e seus governos tentam distorcê-lo administrativamente, sendo impossível para um partido socialista colocar o socialismo em prática em um quadro de parlamentarismo neoliberal.

Acabando com os partidos

Não é uma tarefa fácil, muito pelo contrário. Durante os anos 90, muitos cientistas políticos previam o declínio e a queda dos partidos. Infelizmente, estas instituições políticas provaram superar muitos dos desafios que se acreditava que não seriam capazes de superar. Entretanto, não podemos descartar a possibilidade de que talvez estas instituições estejam em declínio e sejam o elo mais fraco da democracia representativa. O 15M foram o movimento social recente que mais se aproximou do colapso político na Espanha, e foi principalmente contra os partidos. Também não podemos dizer que o 15M foi um movimento antipartidário em sua totalidade, na verdade acabou se degenerando em pelo menos dois partidos. Mas a grande maioria do movimento é, e era crítica ao sistema bipartidário como um todo. Aprender com os erros e sucessos deste movimento talvez nos torne mais precisos na próxima vez em que nossa sociedade se voltar contra os partidos.

Embora a esquerda tenha desempenhado um papel fundamental nos parlamentos neoliberais, o anarquismo não desempenhou. Isto levou ao anarquismo a ser punido, sendo submetido às mesmas receitas com as quais os partidos cooperam seus eleitores. Dogmas como “o anarquismo é utopia” ou ligar o anarquismo ao caos têm sido perpetrados a partir do poder e utilizados pelos políticos de partidos. Hoje, muitas pessoas em nossa sociedade aceitaram estas falácias na ponta dos pés e sem questionar. A anarquia é perfeitamente possível, tem sido demonstrada em inúmeros contextos históricos e os poderes que têm se empenhado em derrubar rápida e vigorosamente qualquer uma de suas formas. O anarquismo não só provou ser inútil para os poderes que o são, como também provou ser perigoso.

Longe de exaltar o anarquismo, hoje ele é uma ideologia minoritária. Devemos ter alguma reflexão, quaisquer que sejam nossas tendências políticas, contra os partidos. Uma sociedade revolucionária que busca a participação dos cidadãos deve se opor aos partidos e suas múltiplas formas (fundações, sindicatos, organizações juvenis…).

Acabemos com os partidos de uma vez por todas!

Fonte: https://diariodevurgos.com/dvwps/la-asfixiante-logica-de-partidos.php

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Lâmpada vermelha
no umbral da taberna. O vento
diz que ela bebeu.

Alexei Bueno