Filme sobre os relojoeiros anarquistas da Suíça leva grande prêmio na Coreia

O filme Unrest (agitação, ou desassossego, em inglês), do suíço Cyril Schäublin, colheu essa semana seu segundo prêmio internacional meses antes de seu lançamento nos cinemas, previsto para outubro. Num passeio com o crítico britânico Christopher Small alguns dias antes da premiação, Schäublin divagou sobre cinema e a paisagem de Jeonju. 

Por Christopher Small | 09/05/2022

Em fevereiro, o cineasta suíço Cyril Schäublin levou para casa o prêmio de melhor direção na seção Encounters do Festival de Berlim por seu filme Unrest, um singular retrato em longa-metragem do florescimento rápido do anarquismo entre os relojoeiros suíços nas colinas de Saint-Imier, cantão do Jura, no século XIX.

Na esteira deste triunfo em Berlim, o filme de Schäublin foi selecionado para a competição internacional do Festival Internacional de Cinema de Jeonju, na Coréia do Sul – sem dúvida o primeiro de muitos outros grandes festivais no horizonte.

Graças ao seu generoso aparato de financiamento e sua ênfase arriscada na experimentação radical, o festival é uma prestigiada incubadora de filmes internacionais independentes. Em pouco tempo Schäublin deixou sua marca em Jeonju: na quarta-feira (4 de maio), o filme levou o prêmio de melhor filme na competição internacional.

Conversa de passeio

Encontrei Schäublin no lobby de nosso hotel durante sua estada na Coreia e partimos para um passeio pelo Jeonjuchun, o rio que atravessa o centro da cidade. No final do dia, a luz que atravessa Jeonjuchun, uma cidade baixa com abundantes fachadas de vidro viradas umas para as outras, é espantosa.

Enquanto caminhávamos e falávamos, Schäublin foi eloqüente ao discutir seu filme, mas distraído, sua atenção atraída por muitas das formas de luz solar pálida que se refratava como grades nas paredes cinzentas ao nosso redor.

O rigoroso, mas bem-humorado filme de Schäublin, é tão rico quanto estranho, para emprestar a expressão shakespeareana. A Europa de 1876 era marcada pelo rápido avanço do capitalismo e pelo espectro do comunismo libertário na consciência coletiva. Poucos lugares no continente experimentaram, nesse período, uma democracia radical e uma industrialização tão profunda e abrangente como a Suíça, que aqui é retratada como um lugar de grande convulsão política, mas também prenhe de emoções reprimidas.

A “agitação” do título, no original ‘Unruhe’ (em alemão) ou ‘unrest’, é a mesma palavra usada para um componente indispensável na relojoaria, também conhecido como ‘roda de balanço’.

A protagonista (Clara Gostynski) passa seus dias encaixando com mãos firmes cada novo mecanismo com uma pequena pinça. Sem a agitação, o sistema orquestral de relojoaria nesses relógios deixaria de funcionar; a própria cronometragem perderia seu significado.

As transformações paralelas que moldam o mundo dos relojoeiros são as do tempo padronizado – contra o qual o próprio município resiste, com seus quatro fusos horários – e da anarquia, representada pela chegada do cartógrafo e pensador anarquista Pyotr Kropotkin à região. (O filme se inspira em suas memórias).

A perspectiva anarquista

Sobre Kropotkin, Schäublin fala dele com carinho, mas, sobretudo, como um vetor para outras idéias. Quando você começa a investigar essa história do anarquismo, da relojoaria e da região, “você se depara com ele muito rapidamente”, diz-me ele. 

“Nas memórias de Kropotkin ele fala muito sobre a Suíça, sobre essas oficinas de relojoaria, sobre a quantidade maciça de seu pensamento político e filosófico que ali se desenvolveu”.

No entanto, Kropotkin não é uma figura heróica, mas sim um observador de bom humor, trabalhando pacientemente em seus mapas e interagindo com os habitantes da cidade, inclusive com a polícia local, que freqüentemente e educadamente bloqueiam sua passagem por várias ruas da cidade por razões as mais arcanas.

“Com certeza, a idéia de que deveríamos falar tanto sobre esses anarquistas famosos – Bakunin, Kropotkin, Emma Goldman – é questionável de uma perspectiva anarquista”, diz Schäublin. “Eu sabia que tinha que resistir a esse impulso de centralizar meu filme em torno de figuras específicas em vez de no movimento coletivo, ou nas pessoas simples que tentam trazê-lo à sua realidade”.

Em meio a uma frase, Schäublin avança para tirar outra fotografia, com sua Leica de 35mm, de um retângulo de luz solar empoeirada iluminando o entulho em um terreno baldio entre dois edifícios. Ao voltar, ele pede desculpas e murmura palavras impressionadas sobre um poste de iluminação nas proximidades, antes de voltar à sua linha de raciocínio: “Sim, é o 150º aniversário do nascimento do movimento anarquista em Saint-Imier este ano, que cai exatamente quando nosso filme estará sendo visto pela primeira vez. Uma estranha e feliz coincidência”.

Quando a Suíça abrigava a revolução

Schäublin pesquisou o assunto intensamente, aproveitando-se do trabalho de seu próprio irmão antropólogo, assim como de várias fontes acadêmicas altamente credenciadas de toda a Suíça.

“Bakunin morreu em Berna. Estudantes russos vinham em hordas a Zurique. A Suíça foi um dos primeiros lugares onde mulheres podiam estudar na universidade, por exemplo. Eles vieram e tiveram acesso à literatura revolucionária dos anos 1870, o que era proibido na maioria dos países europeus, especialmente em monarquias como a Alemanha e a Itália”. Ele se afastou novamente antes de acrescentar: “Na Suíça, os anarquistas imprimiam jornais e os contrabandeavam por toda a Europa. “Até mesmo”, disse ele sorrindo e olhando diretamente para mim, “para a Inglaterra”.

Nossa conversa é fragmentada; as idéias, num contínuo vai-e-vem, se misturam entre as inúmeras distrações do mundo, às quais Schäublin mostra-se sobrenaturalmente sensível. Esse caos delicado parece apropriado para o realizador de um filme sobre como suportar um pouco de caos pode reequilibrar uma vida de trabalho, sobre como caminhos ocultos só se revelam quando de alguma maneira são reencenados.

Além disso, as cenas feitas com diálogos simples têm um caráter inusitado em ‘Unrest’; Schäublin dispensa os cenários típicos, costurando suas imagens para que os intérpretes não apareçam em cena enquanto falam, mas somente depois de terem deixado de falar.

Estamos agora nos aproximando do rio, deixando para trás as ruas frenéticas do centro da cidade, passeando como os dois personagens aristocráticos que discutem seriamente a teoria anarquista na cena de abertura do filme.

Quando observo que nunca vi pessoas falando – resmungando, na verdade – dessa maneira em um filme histórico, ele parece feliz. “Bem, algo que me surpreende na maioria dos filmes históricos é que as pessoas parecem falar de maneira excessivamente empolada – como se cada palavra importasse, e muito. Mas eu apenas tentei imaginar que no século XIX havia tanta casualidade na linguagem como hoje”.

História como ficção científica

Ele aprendeu algo essencial com o famoso cineasta português Rui Poças: tratar filmes de ficção histórica como se fossem ficção científica. “Ele quis dizer: com a mesma liberdade. Fazer filmes em qualquer dos gêneros é como fazer uma construção completa. Muitos cineastas se sentem naturalmente obrigados, ao realizarem um filme histórico, a fazer justiça a alguma coisa. Mas não, você tem que assumir que se trata de uma experiência livre também”.

Vemos uma garça descer o rio, tomar um breve banho perto da margem, e depois decolar novamente. E o elenco não-profissional, pergunto eu, formado por amigos e verdadeiros relojoeiros do vale?

“Com certeza é intimidante encontrar-se de repente com uma equipa de vinte e cinco pessoas e mais outras cinco vestindo você com trajes de todos os lados, ainda mais quando você nunca esteve diante da câmera. Mas algumas dessas pessoas, mesmo amigos de toda a vida, eu só considero os seus rostos”.

Durante a nossa conversa, Schäublin sempre fala de seus intérpretes desta maneira, com profundo amor e respeito. “Sei o que me toca neles, depois de incontáveis jantares juntos, incontáveis noites partilhadas. Fazer o filme é procurar esses detalhes que vejo em nossa vida de amigos”.

Fonte: https://www.swissinfo.ch/por/filme-sobre-os-relojoeiros-anarquistas-da-su%C3%AD%C3%A7a-leva-grande

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/03/25/suica-resenha-do-filme-unrest-uma-meditacao-sublimemente-peculiar-e-divertida-sobre-anarquia-e-relojoaria-na-suica-dos-anos-1870/

agência de notícias anarquistas-ana

Muita brisa à noite.
Dos jasmineiros da rua,
perfumes e flores.

Humberto del Maestro

 

[Grécia] Chamada de apoio ao Coletivo Autônomo de Atividade Gráfica de Ioánnina – “Titivillus” – para a compra de novos equipamentos.

O Coletivo Autônomo de Atividade Gráfica de Ioánnina “Titivillus” se formou no verão de 2017 com o objetivo de dedicar nosso tempo e esforço à impressão e distribuição de material com conteúdo anarquista/antiautoritário/autônomo feito por coletivos e indivíduos. Por meio deste texto estamos divulgando uma campanha de arrecadação de fundos para melhorar nossa infraestrutura com a compra de uma máquina dobradora/encadernadora e um grampeador industrial. Calculamos que vamos precisar de cerca de três mil euros para a compra desse equipamento já usado.

Os grupos e indivíduos que queiram contribuir podem se comunicar conosco através do email: titivillus@espiv.net

Apresentação da nossa iniciativa

O Coletivo Autônomo de Atividade Gráfica de Ioánnina “Titivillus” está sediado em um espaço alugado do Laboratório Antiautoritário F451 em Ioánnina, Grécia. Temos uma impressora offset monocromática 35×50 cm (Roland Practica 00) que foi fornecida pelo Coletivo “Druck!” (Tessalónica, Grécia) e uma guilhotina de papel. Desde a instalação de nossas máquinas (17 de dezembro de 2017) até hoje já imprimimos dezenas de conteúdos anarquistas/antiautoritários/autônomos. Nosso nome é derivado do demônio “Titivillus”, que dizem ter sussurrado nos ouvidos dos monges copiadores para confundi-los e causar erros. Mesmo após a invenção das tecnologias de impressão, confirmamos que ainda hoje o diabo continua seu incansável esforço, uma representação imaginária do Titivillus é refletida em nosso logotipo.

Valores e modo de trabalho

Nossa iniciativa se beneficiou da experiência de coletivos gráficos anteriores: o coletivo “Rotta” de Atenas (fundado em 2006, sediado na ocupação “Villa Amalias”) e o “Druck!” em Tessalônica (se fundiu a outro grupo em 2014 e atualmente está sediado na ocupação “Terra Incognita”). Embora não formemos um coletivo político em sentido literal, compartilhamos um código comum de valores graças à participação ativa de nossos membros nas lutas sociais.

Após discussões, decidiu-se o seguinte:

– Não queremos imprimir material destinado ao uso comercial, para grupos que funcionam de forma hierárquica, que tenham como objetivo a tomada do poder ou da administração, seja no cenário político central ou na universidade, que tenham entre seus membros patronos ou funcionários das forças de segurança, que tenham exercido em grupo ou por seus membros a violência dentro do movimento (física, sexista, etc.), que tenham utilizado ou utilizem os meios convencionais de comunicação para a divulgação de seus objetivos (com exceção dos presos). Também não gostaríamos de usar nossos esforços para imprimir textos internos que acusem/ataquem indivíduos ou grupos do movimento, os fotografem ou coloquem em risco. Por fim, levando em conta que a divulgação do discurso anarquista/antiautoritário/autônomo não se faz apenas por meio de textos analíticos, também imprimimos obras pessoais de Compas, como poemas, textos literários, etc.

– Como não é possível prever todos os casos que podem nos causar dúvidas, analisamos cada demanda de impressão separadamente. Isso pode incluir contatos pessoais com indivíduos ou grupos que tenham solicitado uma impressão a fim de resolver quaisquer problemas.

– Sobre a cobertura do custo de impressão, informamos os grupos interessados sobre o gasto, que inclui apenas o custo dos materiais (placa metálica, papel, tinta, etc.). Em seguida, deseja-se que os coletivos acrescentem uma contribuição voluntária definida por eles mesmos e que serve para o sustento do nosso coletivo. Este apoio destina-se (i) à aquisição de insumos, (ii) à manutenção e melhoria dos nossos equipamentos e (iii) à contribuição para o aluguel do espaço que nos abriga. Nenhuma remuneração está incluída para nossos membros que lidam com a impressão.

Coletivo Autônomo de Atividade Gráfica de Ioannina Titivillus

Março de 2022

rebel-kollektiv.tk

>> Vídeo (12:04) da Gráfica de Ioánnina “Titivillus”, com legendas em espanhol:

https://www.youtube.com/watch?v=FB7sS9OWxbQ&t=706s

Tradução > Mauricio Knup

agência de notícias anarquistas-ana

Navalha de barba:
numa só noite enferruja,
ó esta chuva de maio!

Boncho

[Espanha] Contra a candidatura dos Jogos Olímpicos de Inverno nos Pirineus

Com todos os alarmes planetários tocando a todo vapor. Com as Nações Unidas alertando para a necessidade urgente e incontornável de reduzir o inevitável aquecimento global do planeta em pelo menos 1,5ºC antes de 2030. Com uma crise econômica praticamente endêmica. A única coisa que ocorreu à classe política dominante é um vôo para a frente, em direção ao precipício, na forma dos Jogos Olímpicos de Inverno, com tudo o que isso implica. Porque nestes tempos em que a neve se recusa a cair e a maioria das pistas de esqui são alimentadas por poderosos canhões que geram neve artificial e devoram reservas de energia e água; não há nada mais absurdo do que planejar um evento mundial dessa magnitude nos Pirineus. Num ambiente de trabalho como o representado pela sazonalidade das pistas de esqui e pela própria precariedade do setor do turismo; antes de enfrentar esse problema trabalhista, ou antes de tentar buscar alternativas trabalhistas que contribuam para a fixação da população, a única coisa que lhes ocorreu foi procurar cada vez mais atrações turísticas para continuar precarizando as relações de trabalho e destruindo a paisagem e esvaziando as cidades.

Eles nos preocupam. Estamos muito preocupados com os macroprojetos pensados ​​para continuar sendo mais do mesmo. Por mais que o vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional Juan Antonio Samaranch Jr. (parece que esses cargos têm alguma realeza) insiste em afirmar que os Jogos Olímpicos agora não são como antes. Que agora são muito respeitosos com o meio ambiente e que geram riqueza e bem-estar social. Mas acontece que já ouvimos essa música muitas vezes. E ouvimos isso tantas vezes que nos dá vergonha ouvir o próprio Samaranch admitir que eles estavam mentindo antes, mas não mais. Da mesma forma que nos dá vergonha ouvir os políticos falarem sobre os desafios de aplicar as diretrizes de desenvolvimento da agenda 2030, ao mesmo tempo em que apoiamos esses projetos que continuam sendo mais um passo no esgotamento de recursos e territórios. Chama-se cinismo, mas não cinismo no sentido filosófico, mas cinismo no sentido mais pejorativo.

Mas o que mais nos preocupa é o grande silêncio que envolve este evento. Não sabemos se isso se deve à habilidade demonstrada pelos políticos aragoneses e catalães em transformar tudo o que tocam em uma estúpida briga de galos. Parece que é assim que eles mantêm o sentimento patriótico entretido, ou encobrem possíveis dissidências com barulho, muito barulho. Ou, certamente, é uma mera questão de ocultação de dissidência. Tente que nossas vozes não apareçam em lugar nenhum. Tentar que nossos protestos não ocupem uma única manchete, nada mais do que nos criminalizar. Embora as ausências da intelectualidade tenham sido muito clamorosas há muito tempo. As vozes de protesto de figuras públicas ficaram em silêncio por muito tempo.

Em suma, da Fraga CNT-AIT em Alto Aragão sempre defenderemos o bem-estar das pessoas em harmonia com o território. A despesa com a organização dos Jogos Olímpicos poderia servir para desenvolver uma cobertura de saúde primária que inclua também hospitais próximos, facilmente acessíveis por transporte público, a todas as populações do mundo rural mais isolado. Garantir a assistência, independentemente de residir no lado aragonês ou catalão. Pode servir também para recuperar os serviços de ambulância desaparecidos em algumas zonas rurais de Aragão, com quase nenhuma explicação por parte dos responsáveis ​​pela pilhagem da Saúde Pública a favor da Saúde Privada; estamos falando, sim, dos líderes políticos, encarregados de administrar nossos recursos. Porque são nossos, não de Amâncio Ortega ou de qualquer empresário sem escrúpulos brincando de ser amigo do povo. A saúde é nossa, não só porque a pagamos, – com o correspondente desconto que o Estado faz em nossa folha de pagamento e por meio de impostos -, mas porque dela necessitamos como um bem inalienável. Não nos esqueçamos. E, claro, essa despesa também deve servir para desenvolver uma economia de acordo com o território que as pessoas habitam. Longe de desenvolvimentismos absurdos. Chega do “milagre franquista” do turismo! Ainda é tempo de mostrar que o regime de Franco ficou para trás e que somos capazes de pensar uma economia que respeite o meio ambiente, o mundo rural, as pessoas que o habitam e, no mínimo, cumpra os objetivos estabelecidos na agenda 2030.

Por tudo isso, dizemos não aos Jogos Olímpicos e incentivamos toda a população a mostrar sua rejeição.

Fraga no Alto Aragão, abril de 2022

CNT-AIT Federação Local de Fraga

CNT/AIT

Federação Local de Fraga

Pº Barrón-Cegonyer, 6, 3º, C.P. 22520 Fraga

Telefone 626492992, Fraga AT cntait.org

http://bajocincalibertario.blogspot.com.es
https://www.facebook.com/CNT-AIT-Fraga-824038131322025

Tradução > GTR@Leibowitz__

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Uma borboleta
Na minha pequena rua
Uma floricultura

Suemi Arai

[EUA] Lançamento: “O peso das estrelas: a vida do anarquista Octavio Alberola”

Agustín Comotto (autor); Octavio Alberola (tema); Paul Sharkey (tradutor)

Da Guerra Civil Espanhola à atualidade — a história de uma vida extraordinária.

Octavio Alberola passou mais de oitenta anos pensando, vivendo e formulando sua vida sob uma perspectiva anarquista. Ele pertence a uma geração de protagonistas em alguns dos eventos mais notáveis do século XX: a Revolução Espanhola, a ditadura do General Francisco Franco, os conflitos internos do movimento anarquista internacional e as grandes lutas sociais do mundo inteiro. Ele fora exilado ao México em sua juventude e conheceu a precariedade da vida à margem. Seus conhecidos incluem García Oliver, Che Guevara, Cipriano Mera, Federica Montseny, Félix Guattari, Daniel Cohn-Bendit, Régis Debray, Stuart Christie, Rigoberta Menchú e Giangiacomo Feltrinelli.

Nessa biografia notável e densa, Agustín Comotto aproxima o leitor e leitora do militante veterano, recordando façanhas dramáticas e discutindo arte, física, vida familiar, e história política. Nascido em 1928 e ativo nas lutas sociais desde a adolescência, Alberola transmite ensinamentos duramente aprendidos; o mais importante de tudo: nunca tolera o pessimismo.

“Octavio Alberola é a ameaça vermelha que une e atribui significado às lutas anarquistas da República [Espanhola], à luta contra Franco, às revoltas e ações armadas da década de setenta, e até às novas reformulações do anarquismo em um mundo globalizado. A história e a reflexão sobre sua vida e sobre os tempos que este livro, pelo escritor e ilustrador argentino Agustín Comotto, apresenta permite — através do uso habilidoso de duas vozes representando duas gerações — uma análise balanceada dos fatos… O livro nos insere ainda nas contradições e dúvidas, nas certezas e compromissos éticos […], que sempre guiaram a vida de Alberola, e sua reformulação perpétua das ideias anarquistas e do significado da luta.” — Xavier Montanyà, jornalista, cineasta e autor de Pirates of Freedom.

Agustín Comotto é autor e ilustrador, nascido na Argentina, mas que já viveu no mundo inteiro. Já desenhou e/ou escreveu livros nos Estados Unidos, França, México, Argentina e Espanha. Vencedor do prêmio A la Orilla del Viento no México, é autor de Prisoner 155: Simón Radowitzky.

Paul Sharkey é um dos tradutores mais conhecidos e respeitados dos escritos anarquistas dos últimos trinta anos. Suas outras traduções incluem Nestor Makhno: Anarchy’s Cossack de Alexander Skirda e Anarchism and Workers’ Self-Management in Revolutionary Spain de Frank Mintz.

The Weight of the Stars: The Life of Anarchist Octavio Alberola

Agustín Comotto (autor); Octavio Alberola (tema); Paul Sharkey (tradutor)

Editora: AK Press

Formato: impresso

Encadernação: pb

Páginas: 348

Lançamento: 1º de março de 2022

ISBN-13: 9781849354080

$22.00

akpress.org

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

ave calada —
ninho em silêncio
na madrugada

Carlos Seabra

Vídeo | Apoie A Luta por Liberdade no Curdistão

A revolução no Curdistão  não enfrenta apenas ataques do Estado fascista da Turquia. Agora o Iraque também ataca a região montanhosa do Shengal. A população promete resistir, e para isso toda ajuda e solidariedade internacional é fundamental! É preciso agir agora!

A Antimídia em parceria com companheirys em Rojava e com subMedia, transmite este chamado para a ação.

>> Veja o vídeo (04:50) aqui:

https://antimidia.org/apoie-a-luta-por-liberdade-no-curdistao/

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primeira manhã gelada –
na luz do sol, o hálito
do gato que mia

David Cobb

 

[São Paulo-SP] Ato em solidariedade aos Yanomani, 09 de maio

SOLIDARIEDADE AOS YANOMAMI E A TODOS OS POVOS INDÍGENAS EM LUTA!

No dia 25 de abril foi divulgada a informação de que uma jovem yanomami de 12 anos foi sequestrada, estuprada e morta por garimpeiros que invadiram a Terra Indígena localizada no norte do estado de Roraima. A tia da jovem tentou impedir o sequestro e uma criança que a acompanhava foi jogada no rio pelos invasores e até o momento está desaparecida. Alguns meses antes, duas crianças yanomami foram sugadas e mortas por uma máquina dos garimpeiros enquanto nadavam em um rio perto da comunidade em que viviam.

Esses casos intoleráveis são algumas das tantas violências sistemáticas realizadas contra os povos indígenas habitantes deste território atualmente chamado Brasil que foram divulgadas nos últimos meses na imprensa e nas redes sociais. Porém, é importante ressaltar: esses ataques não são isolados, são parte do processo colonial em curso que já dura mais de 5 séculos. Das velhas caravelas dos invasores europeus que chegaram aqui em 1500 até os ataques de garimpeiros, passando pela invasão de suas terras por grileiros, pecuaristas, militares, madeireiras, da construção de Belo Monte e outros tantas situações. Dos campos de concentração e tortura construídos pela ditadura civil-militar brasileira até o recente projeto de Marco Temporal, que busca expulsar os povos originários de suas terras, e das constantes tentativas de evangelização, seja pelos jesuítas em séculos passados ou pelas igrejas evangélicas dos últimos anos.

Hoje, só no território controlado pelo Estado brasileiro, são mais de 300 povos diferentes que falam mais de 150 línguas, a maioria ameaçados pelo projeto do capitalismo e do Estado, disseminadores da ideia de que a terra é fonte de recurso, de commodities, de matéria-prima, de lucro. E para isso, tingem sem parar esta terra de vermelho-sangue.

Neste contexto, mais do que nunca, é necessário gritarmos: não existe vida possível dentro do capitalismo e do Estado, pois ambos são sistemas gêmeos que promovem a morte e a destruição. 

Solidariedade irrestrita aos povos indígenas em luta pela vida!

É preciso barrar o extermínio em curso!

FORA GARIMPO!

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2022/05/06/ato-em-solidariedade-aos-yanomami/

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Final de tarde—
as andorinhas pousam
em nossos varais

R. B. Côvo

[Holanda] R.A.A.K. Novo Centro Social de Amsterdã

O novo centro social ocupado R.A.A.K. (Radikale Anti-Anti Kraak) abre suas portas. Envie um e-mail para se envolver ou para visitar.

Objetivos

Somos abertamente anarquistas e usamos métodos que buscam construir poder coletivo contra e além do poder do Estado e do capitalismo. Queremos que este espaço seja acolhedor, que encoraje educação e participação. Buscamos fortalecer e criar laços de solidariedade para apoiar coletivamente uns aos outros e lutar contra o que nos oprime. Qualquer um que concorde com esses objetivos e está disposto a participar ativamente é bem-vindo a ajudar a organizar e gerir o espaço. Imaginamos e trabalhamos para criar um mundo no qual todos e todas possam ser realmente livres, um mundo sem hierarquia e opressão.

Princípios

Apoio Mútuo – Agimos juntos em benefício compartilhado através da troca voluntária de recursos e serviços.

Poder Distribuído – Ninguém tem mais poder que os outros e outras. As pessoas trabalham juntas em pé de igualdade.

Ação Direta – Criar a mudança ou destacar os problemas na comunidade sem depender do governo ou de outros métodos indiretos para alcançar os objetivos.

– Não trabalhamos com empresas ou com o setor privado
– Não trabalhamos com a polícia ou com o Estado
– Somos contra todas as formas de exploração e opressão, incluindo, mas não se limitando a, aquelas baseadas em classe, raça, sexo, sexualidade, gênero ou capacidade, e apoiamos o feminismo inclusivo às pessoas trans e aos trabalhadores e trabalhadoras do sexo
– Nós nos organizamos de maneira acolhedora e inclusiva, livre de bullying ou de comportamento abusivo

Solidariedade Transformativa – Estamos comprometidos em agir em solidariedade pela libertação coletiva de todos e todas, em particular com pessoas que estão sendo perseguidas politicamente: pessoas não-brancas, mulheres, muçulmanos, LGBTQI+, deficientes, migrantes, vítimas do sistema de ‘justiça’ criminal e todos que sofrem sob sistemas de opressão. Nosso feminismo é inclusivo a pessoas trans e a profissionais do sexo.

Respeito à diversidade de táticas – Questionamos o monopólio da violência do Estado. Somos contra a violência, mas não exclusivamente não-violentos. Somos contra a violência de classe, raça, colonial, capitalista, patriarcal, e suas outras formas estruturais. Respeitamos a diversidade de táticas e nunca policiaremos uns aos outros nos métodos escolhidos de autodefesa.

Projetos Concretos – Priorizamos projetos que: 1) sirvam à e eduquem a comunidade; 2) deem às pessoas sua própria noção de poder; 3) transfira o poder do governo e das empresas às pessoas e às comunidades.

Inclusão – Recebemos e abrimos espaço para qualquer um interessado em nossos objetivos & princípios.

Responsividade – Valorizamos a opinião da comunidade e queremos responder diretamente às necessidade e preocupações das pessoas a nossa volta.

Aceitamos as responsabilidades pelas nossas ações como indivíduos e como um grupo.

Autonomia – As ideias e energias individuais são importantes e encorajadas.

Somos estruturados a limitar qualquer coerção ou controle que poderia interferir com o direito de uma pessoa a autodireção e empoderamento.

Alegria – Em um mundo repleto de dificuldades e medo, trazemos leveza e alegria aos nossos projetos.

Fonte: https://indymedia.nl/node/51969

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

A mão que me espera
traça o caminho da volta
abrindo janelas.

Eolo Yberê Libera

[Espanha] Pare de criminalizar o movimento trabalhista

Por Secretaria Permanente do Comitê Confederal

Da CNT queremos mostrar publicamente nosso forte repúdio aos constantes ataques ao movimento anarco-sindical por defender a integridade da classe trabalhadora.

Por meio de multas econômicas ou com a situação angustiante de passar anos em processos judiciais com penas de prisão pendentes em nossas cabeças. O Estado, com todos os seus meios, usa a favor das elites empresariais e contra a classe trabalhadora para silenciar protestos que consideramos justos e necessários.

Condenamos firmemente a última sentença do Supremo Tribunal de Justiça das Astúrias contra 6 dos 8 réus em um conflito com a confeitaria La Suiza em Gijón.

Um processo sindical que começou com uma situação de abuso, exploração e assédio de um colega e levou a uma longa lista de acusados, que apoiam nosso colega há 5 anos, deixando finalmente 6 condenados.

Graças ao compadrio que a burguesia sempre teve e ainda tem, como na Idade Média, nada mudou aqui. Eles distorceram fatos e leis para acabar condenando nossos companheiros, por segurar uma faixa e mediar um conflito sindical, a mais de vinte anos de prisão.

Uma sentença exemplar para alertar toda a classe trabalhadora que é isso que nos espera se não dissermos sim à vida mal explorada, escravizada e precária.

Neste Estado eles não querem nem ver que a classe trabalhadora se organiza e toma medidas diretas, eles preferem se fazer de bobo em seus escritórios com seus juízes e sindicatos pagos.

Toda a CNT quer refletir e fazer sobressair acima de tudo, o nosso apoio incondicional às companheiras de Gijón, elas nunca estarão sozinhas!

Sempre apoiaremos suas ações sem medir consequências, porque a luta delas é nossa, se elas perderem, todos nós perdemos, se elas ganharem, a classe trabalhadora ganha.

Eles não vão nos parar, nosso desejo de justiça social é muito maior que a ganância deles.

ELES POR DINHEIRO, NÓS POR DIGNIDADE

Fonte:  https://www.cnt.es/noticias/basta-de-criminalizar-el-movimiento-obrero/

Tradução > GTR@Leibowitz__

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/04/21/espanha-sentenca-de-prisao-ratificada-para-seis-dos-oito-membros-condenados-da-cnt-no-caso-la-suiza/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/07/12/espanha-manifestacao-em-gijon-em-apoio-aos-sindicalistas-condenados/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/07/08/espanha-o-estado-reprime-novamente-a-luta-anarco-sindical/

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre mim a lua.
Lá atrás das altas montanhas
outro deve olhá-la.

Alexei Bueno

[Espanha] Um novo 1º de Maio juntas em Madrid

No domingo passado tivemos a oportunidade de marchar pelo segundo ano consecutivo na manifestação organizada em Madrid de forma unitária entre mais de quarenta organizações sindicais e coletivos sociais da cidade. Uma densa rede de movimentos sociais que está crescendo em torno de reivindicações básicas, mas com vocação transformadora. Este ano sob o lema “Consumir menos, distribuir tudo, viver com dignidade” milhares de pessoas voltaram a se juntar no que chamamos 1º de Maio interseccional e de classe. E esta é nossa proposta, buscar o encontro entre as diferentes demandas e particularidades que afetam a amplos setores de trabalhadores/as, e unir as lutas de toda a classe obreira sob uma mesma voz. Nesta ocasião pusemos especial atenção à incansável corrida de longa distância que as trabalhadoras do lar e dos cuidados fazem desde muito tempo atrás pela ratificação do convênio 189 da OIT e o reconhecimento ao direito de greve das mesmas, ou a extensa campanha de coleta de assinaturas pela ILP que solicita a regularização imediata de todas as pessoas em situação irregular e que afeta a milhares de trabalhadores, o que os impede de trabalhar legalmente, ou se veem submetidos a situações de abuso e exploração. Tampouco faltou a luta por uns serviços públicos de qualidadee universais, como a saúde pública agora que a pandemia ficou para trás e parece esquecer-se a importância vital desta.

Na manifestação marchou como parte considerável o bloco dos sindicatos da CNT em Madrid. Em um ambiente animado e combativo centenas de pessoas se uniram ao cortejo anarcossindicalista que abria com o lema “Juntas,vão nos ouvir”. A este foram se somando reivindicações próprias dos setores laborais nos quais o sindicato tem estado mais presente no último ano. Como a seção de imprensa e meios, a de artes cênicas, a coordenadora de arqueologia ou as seções sindicais no setor da intervenção social. Com especial determinação se mencionou com frequência a última reforma laboral que, como denunciamos, não é senão uma fraude à classe trabalhadora, pois o resultado acordado pela patronal e os sindicatos do governo se assemelha mais ao pequeno retoque da legislação anterior que a uma revogação total, tal e como exigimos desde o sindicalismo independente. Nesta linha e a luz do vivido nas últimas reuniões, os sindicatos da CNT se propõem nestes espaços unitários, como uma firme alternativa ao sindicalismo de acordos, apegado aos centros de trabalho através da seção sindical, uma ferramenta eficaz e horizontal, e às camadas mais desfavorecidas da classe trabalhadora, desempregados, falsos autônomos, novos ofícios digitais, trabalhadoras dos cuidados ou trabalhadores sem documentos. Com ele estamos construindo o sindicalismo que se propõe defender e ampliar direitos no presente e transformar o mundo no futuro.

Fonte: https://comarcalsur.cnt.es/un-nuevo-1o-de-maio-juntas-en-madrid/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

A vasta noite
não é agora outra coisa
se não fragrância.

Jorge Luis Borges

[Espanha] Madrid: Primeira jornada sobre arqueologia, sindicalismo e memória histórica

Neste fim de semana será realizada a Primeira jornada sobre arqueologia, sindicalismo e memória histórica. As atividades começarão no sábado 7 de maio no sindicato CNT Comarcal Sur, continuando no domingo 8 de maio na sede da Fundação Anselmo Lorenzo. A jornada é organizada pelos trabalhadores de “uma profissão que não existe, que não é reconhecida por nenhuma instituição pública e, portanto, não tem acordo coletivo”. O objetivo? Uma arqueologia combativa.

Ou, melhor dito, arqueologias combativas “porque há muitas maneiras diferentes de fazer arqueologia, tantas quantas quisermos (ou devemos) contar a história e como queremos contá-la”. Combativa porque queremos arrancar a arqueologia de seu discurso neoliberal, do discurso do lucro; para arrancar aquela auréola de romantismo que esconde tanta miséria. Combativa porque, diante da onda reacionária e autoritária que está vindo sobre a Europa, queremos uma arqueologia que fale através de bocas dissidentes que tentam transformar a sociedade e combater a onda do neoliberalismo autoritário que faz de nossas vidas sua reserva privada”.

Com o apoio do sindicato CNT Comarcal Sur, esta jornada é organizada por e para as trabalhadoras de arqueologia e é um ponto de encontro para debate e reflexão: “uma forma de expressar o que nós, trabalhadoras do sindicato, queremos alcançar, um convite para conhecer estas vozes e estas lutas com o objetivo de ajudar a promovê-las, assim como encorajar outras companheiras a participar e a construir pontes com redes dissidentes”.

Neste link (https://comarcalsur.cnt.es/i-jornadas-de-arqueologia-sindicalismo-y-memoria-historica/), você encontrará o programa detalhado com todas as atividades. Portanto, estamos esperando por você no sábado no sindicato CNT Comarcal Sur, localizado no Paseo de Alberto Palacios, 2 em Villaverde Alto. E lembramos que no domingo 8 de maio estaremos na sede da FAL em Madrid, na Calle Peñuelas, 41 (Metro Acacias ou Embajadores). Lá, o arquivista da FAL Juan Cruz estará presente em um encontro sobre memória histórica com a arqueóloga e antropóloga forense Alejandra Vera, e o historiador do movimento operário Julián Vadillo.

Se você tiver alguma dúvida, pode nos contatar nas seguintes plataformas:

  • Email: arqueologia@comarcalsur.cnt.es
  • RR.SS. (Instagram, Facebook e Twitter): @arqueocomsur

fal.cnt.es

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mata quase nua:
um sabiá
canta o outrora

Cláudio Feldman

[Guarujá-SP] Apoie a Biblioteca Carlo Aldegheri

A Biblioteca Carlo Aldegheri é um centro de documentação anarquista de acesso público. O acervo que compõe o nosso arquivo, além de livros, é composto por documentos em diversos formatos, tais como: revistas, jornais, brochuras, zines, informativos, panfletos, cartazes, fotos, cartas, filmes, entre outros.

Além de ser um centro de documentação anarquista, a Biblioteca Carlo Aldegheri funciona como um espaço de reuniões e atividades públicas. Temos como finalidade auxiliar a fundações de outras bibliotecas populares e centro de documentação autônomos, em diferentes localidades, estabelecendo uma atuação em conjunto. Nossos princípios são a autogestão, o federalismo, a ação direta, o apoio mútuo. Promovemos o livre pensamento, o autodidatismo, a cultura popular e libertária contra as amarras do preconceito, da discriminação e da ignorância!

Uma das maneiras de apoiar diretamente os projetos da Biblioteca Carlo Aldegheri, é nos apoiando financeiramente, com qualquer quantia. Não contamos com nenhum subsídio ou apoio institucional seja do Estado ou de empresas privadas. Assim, as únicas formas de financiamento são por meio da venda de materiais, o autofinanciamento ou a colaboração de pessoas solidárias ao projeto. Achamos importante ressaltar que as contribuições regulares nos ajudam a mensalmente manter o projeto e nos permite desenvolver diversas atividades. Nosso pix é: nelca@riseup.net

Ajudem a divulgar essa mensagem!

A MAIOR FORÇA DE NOSSA LUTA É A SOLIDARIEDADE (A)!!!

agência de notícias anarquistas-ana

está calor
o sapo coaxa
dentro da bromélia

Akemi Yamamoto Amorim

[Chile] Maio antiprisão em memória de Mauricio Morales!

Neste domingo 8 de maio, em frente à prisão de San Miguel, a partir das 17h00, daremos vida a uma atividade pela memória antiprisão.

13 anos após a morte do companheiro Mauricio Morales, tentando atacar a Escola de Gendarmeria, suas ideias ainda estão vivas e presentes na rua, em múltiplos caminhos, avançando em direção à libertação total.

Em memória de nossos mortos e em eterno desprezo pela sociedade prisional, nossa memória negra continua a fortalecer os laços entre os companheiros e companheiras.

Para os 81 presos assassinados pelo Estado no incêndio da prisão de San Miguel, para nosso companheiro Punki Mauri, nada e ninguém é esquecido…

Até destruirmos o último bastião da sociedade penitenciária!

Punki Mauri Presente!

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/05/18/chile-ativacao-em-memoria-do-punky-mauri-e-dos-81-prisioneiros-mortos-na-prisao-de-san-miguel/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/07/17/chile-punki-mauri-presente-10-anos-da-morte-em-acao-de-mauricio-morales/

agência de notícias anarquistas-ana

Em qualquer lugar
Onde se deixem as coisas,
As sombras do outono.

Kyoshi

Lançamento: “O direito ao ócio e à expropriação individual”, de Severino di Giovanni

O direito ao ócio e à expropriação individual foi publicado originalmente nas páginas de L’Aldunata dei Refrattari, jornal anarquista de perspectiva insurrecional impresso em língua italiana entre 1922 e 1971 em Nova Iorque. A versão do texto em espanhol foi difundida na cidade de Montevidéu em 1933 nas páginas do jornal Afirmación sob o pseudônimo Briand (utilizado por Severino di Giovanni). O jornal Afirmación era editado por Miguel Ramos, que teve de sair de Buenos Aires (onde o jornal foi inicialmente publicado) e atravessar o Rio da Prata sentido Montevidéu para se exilar após o golpe militar dado pelo verme-general Uriburu em setembro de 1930. Mesmo após o golpe, Severino decidiu seguir em Buenos Aires, onde continuou realizando expropriações, ataques explosivos direto aos símbolos do Estado e do capitalismo, bem como escrevendo e publicando textos anarquistas.

A intensidade das ações, a indocilidade própria das táticas insurrecionais anárquicas e a dificuldade do Estado em capturá-lo, o transformou em um dos principais alvos das polícias do Rio da Prata. Após uma intensa perseguição que durou anos, o Estado argentino conseguiu prendê-lo e assassiná-lo no paredão de fuzilamento no dia 1 de fevereiro de 1931, dois anos antes da publicação do texto em espanhol, que, portanto, foi difundido postumamente.

O material que publicamos aqui foi escrito há quase 100 anos, ou seja, em um contexto diferente do de hoje, no qual o capitalismo tinha como base o trabalho braçal e ainda não existiam noções contemporâneas como trabalho “criativo” e “intelectual”, próprias do neoliberalismo. Mesmo assim, entendemos que o texto segue extremamente atual e necessário, já que, seja nas fábricas do início do século XX ou nas empresas do século XXI, a exploração e o domínio sobre os corpos se mantém.

> Baixe aqui em PDF: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/files/2022/04/direito-ao-ocio-e-a-expopriacao-individual.cleaned.pdf

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2022/04/27/lancamento-o-direito-ao-ocio-e-a-expropriacao-individual-severino-di-giovanni/

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barro já seco
por pegadas de sapato
passeiam formigas

Jorge B. Rodríguez

 

[Espanha] Videoclipe | Rap | Kropotkin | “Memórias de um revolucionário”

MEMÓRIAS DE UM REVOLUCIONÁRIO.

Piotr Kropotkin

Videoclipe em homenagem a Piotr Kropotkin e baseado em seu magnífico trabalho “MEMÓRIAS DE UM REVOLUCIONÁRIO”.

Canção de rap composta por:

JUANITO REYERTA / CALLA LA ORDEN / EKOCIDIO / V DE BRAGAS / KRONSTADT

Francisco de Marcos dá voz ao Kropotkin.

E um verdadeiro servidor, “el Bellotero”, rabisca, anima e edita o vídeo.

O vídeo deveria ter saído em 2021, ano do aniversário da morte de Kropotkin, mas todos nós sabemos que às vezes a vida é um pouco sórdida, e se você é um trabalhador precário, essa chove sobre você. Sob as rochas você tem que procurar tempo livre para cantar ou desenhar, tirando horas do sono e da família. E o bem mais precioso é a liberdade, contra a qual os mesmos inimigos de hoje e de ontem da época de Kropotkin estão atacando.

Que este vídeo realizado coletivamente voe para bem longe. Copie/divulgue livremente, é seu, meu, de todos e todas e de ninguém, tal e como o intelectual russo acima mencionado teria desejado.

>> Assista o videoclipe (05:24) aqui:

https://youtu.be/T0VPjnD2ELY

agência de notícias anarquistas-ana

ao seu voo rápido
borboletinha amarela
o mais é cenário!

Gustavo Terra

[Alemanha] Munique: invasões residenciais e da biblioteca anarquista pela polícia

Hoje, dia 26 de abril de 2022, invasões coordenadas da polícia aconteceram em Munique, em vários apartamentos e na biblioteca anarquista Frevel, com o pretexto de “formação de organização criminosa”.

As pessoas envolvidas foram acusadas de incitação ao crime através de publicações anárquicas. Os policiais confiscaram praticamente todos os informativos e jornais anarquistas, assim como todo o material que poderia estar envolvido na impressão de publicações. Dois dos acusados foram levados sob custódia e foi requerido uma amostra de DNA. Foram então soltos, todos os acusados se encontram em liberdade.

Os policiais tentam nos intimidar, assustar-nos e nos aterrorizar, mas não estamos surpresos que, em tempos de estado de emergência e guerra, o Estado aja contra seus inimigos, contra ideias anárquicas e sua difusão.

Mais informações em breve…

Sem especulações!

ACAB 4 eva

>> O Artigo 129 do código penal alemão é conhecido pelo nome de “constituição de organizações criminosas” e aponta não apenas à criação de associações criminosas, mas também à filiação e ao apoio a tais organizações. É utilizado regularmente contra revolucionários na Alemanha, e tem sido usado particularmente em Leipzig, Weimar, Hamburgo, Frankfurt e Berlim nos últimos anos.

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

no contorno do gato
um ponto negro no dorso
dorme –

Krzysztof Karwowski

[Espanha] Crônica do 1º de Maio 2022 da CNT-AIT Granada

Para este Primeiro de Maio, a CNT-AIT de Granada convocou uma manifestação desde a Fuente de las Granadas, que se dirigiu a vários estabelecimentos com os quais temos conflitos laborais: na Rua San Antón se protestou contra Salón de Juegos Joker, e na Rua Salamanca contra Frankfurt Bocanegra. Não se foi a outro lugar pré-fixado, porque se conseguiu ganhar completamente, o que informaremos quando tudo se formalize. Na Rua Lepanto se recordou o brutal desalojo contra várias mães e famílias.

Em Campo el Príncipe terminou o percurso, iniciando-se em seguida o comício após a leitura do manifesto da CNT-AIT de Granada, que já expusemos na convocatória. Em seguida falaram várias representações: primeiro uma companheira de Acción Sindical, relatando sua experiência na constituição de uma seção sindical; em seguida desde Feminismos da CNT-AIT Granada se defendeu uma postura antibelicista desde uma perspectiva feminista na situação atual, na qual podemos comprovar uma proliferação de linguagens e discursos “de guerra”, fato que emana do patriarcado, do Estado e do capitalismo; e finalmente um companheiro falou sobre a necessidade de cumprir a pretensão do anarquismo em fazer da ética uma política ativa e vigente, frente a um capitalismo que por natureza é imoral e destruidor, expondo fatos de muita atualidade como claros exemplos. E para combater a esse capitalismo antiético, é necessário estender-se e defender o internacionalismo.

Na Plaza del Campo el Príncipe fez um forte sol e foi inevitável a dispersão dos participantes para diferentes pontos da zona, especialmente onde tinha mais sombra, mas o ambiente foi em todos os momentos positivo e agradável, com os companheiros se relacionando. Também, se montou uma mesa de material libertário e anticarcerário (livros, panfletos, adesivos, música, camisetas, placas…), teve salgadinhos veganos de diferentes tipos e o DJ Lyonna pôs algo de música.

Após o comício houve duas divertidas atuações: “primero concierto de Fulanita Letal”, com temas de “Un auténtico fraude”; e depois algumas pequenas atuações de marionete com Títeres desde Abajo. Após tudo isso, se deu por finalizado o ato, mas os participantes continuaram um tempo a mais, até que se recolheram as infraestruturas utilizadas.

Fonte: https://granada.cntait.org/content/cr%C3%B3nica-del-1%C2%BA-de-Maio-2022-de-cnt-ait-granada

Tradução > Sol de Abril

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Mensagem no ar
Tributo à minha saudade —
Sabiá-laranjeira

Neiva Pavesi