Memória | Anarquismo, Raça e Classe!

Por Marcolino Jeremias

>> Em destaque, foto do anarquista negro brasileiro Candido Costa, carpinteiro de profissão, durante um discurso, numa Manifestação Contra a Carestia de Vida, na frente da sede da Federação Operária do Rio de Janeiro, em 1913.

“Seu discurso foi violentíssimo, atacando o Partido Católico”

Candido Costa, além das Manifestações Contra a Carestia, foi membro da Federação Operária do Rio de Janeiro/Confederação Operária Brasileira, tomou parte nas Manifestações Contra a Primeira Guerra Mundial, participou dos Congressos Operários Brasileiros, da Greve Geral de 1917, no Rio de Janeiro, falou em diversas conferências no Centro Cosmopolita, na Liga Anticlerical e em outras associações de classe, inclusive, ao lado da anarquista espanhola Juana Rouco Buela, sobre o tema da organização.

Era tão ativo, que participava até mesmo de eventos antagônicos aos ideais que defendia, para polemizar com seus adversários, como certa vez quando participou de um Comício do Partido Católico. Segundo a imprensa comercial da época: “Mal tinha o orador terminado o seu discurso, um popular de cor preta galgou as escadas e dirigiu a palavra ao povo. O seu discurso foi violentíssimo, atacando o Partido Católico. Uma gritaria ensurdecedora se fez ouvir. Houve bofetadas, pontapés. Candido Costa que é o nome do orador em questão, é carpinteiro e anarquista entusiasta. Terminando o seu discurso que ‘anarquizou’ o comício, foi o orador carregado pelos seus correligionários até a Confederação Operária Brasileira. Ali falou de uma das janelas do edifício, o anarquista Candido Costa, dispersando-se em seguida os populares“.

Sobre o mesmo episódio, a imprensa anarquista registrou: “Se entre nós existisse uma meia dúzia de Candidos Costas isto é, se em toda a parte onde os elementos retrógrados se apresentassem em público para ludibriar os ignorantes e os ingênuos, os anarquistas aparecessem a refutar-lhes os pretensos argumentos, a descobrir lhes a calva e arrancar-lhes as máscaras, não sofreríamos tanto o peso deste ambiente que nos oprime, esmaga e asfixia. Ao Candido Costa um forte abraço pela sua nobre atitude. Que o seu exemplo frutifique“.

agência de notícias anarquistas-ana

O peixe mergulha
do seu salto sobre a rocha:
o rio não para.

Everton Lourenço Maximo

Chamado desde as prisões do Estado chileno

“Ninguém poderá apagar a história da resistência ofensiva fora e dentro das prisões chilenas porque os esforços de centenas de companheirxs e cúmplices em todo o mundo estão comprometidxs com isso, e elxs não param e não pararão até verem cair o último bastião da sociedade carcerária.”
(Esclarecimentos necessários sobre a prisão política no Chile hoje –  várias redes afins, fevereiro de 2022).

Unindo vontades e consciências pela liberdade do companheiro Marcelo Villarroel

Há um ano, nesta época, estávamos realizando uma greve de fome que durou 50 dias exigindo a revogação das modificações do D.L. 321, a anulação das condenações do Ministério Público Militar e com isso a libertação de nosso companheiro Marcelo Villarroel.

Hoje, a esta luta que está em plena vigência, damos um novo impulso tendo como prioridade coletiva a liberdade de Marcelo, sobre quem se condensam explícitas e inaceitáveis ​​aberrações jurídicas que vão além da própria legalidade do Poder.

Marcelo foi detido na Argentina em março de 2008, onde esteve 22 meses na prisão e logo foi expulso para o Chile. Hoje, pouco mais de um ano e meio após cumprir a pena de 14 anos por dois assaltos a duas agências bancárias em 2007, o companheiro se encontra atrás das grades também por um conjunto de condenações do início dos anos 1990 feitas pelo tribunal militar de Pinochet, que hoje somam mais de 46 anos. Com isso, querem sepultá-lo na prisão, perpetuando suas penas em meio a um inaceitável silêncio cúmplice de todas as estruturas que afirmam a trama política, jurídica, policial e penitenciária do Estado chileno.

Na atualidade, quando o governo da vez fala de “fim da transição, a justiça militar parece não existir, já que a mesma se encontra questionada a nível internacional e por amplos setores político e sociais neste país, mas isso não é mais que uma virtualidade. Na realidade a bota militar segue presente com a cumplicidade de muitas pessoas, mantendo revolucionárixs presxs e evidenciando nos fatos a perversa continuidade da ditadura civil-militar de antes.

Apesar das condições adversas marcadas por décadas de prisão em regimes de máxima e alta segurança, Marcelo sempre se manteve ativo e presente nos distintos momentos de luta.

Foi membro ativo do extinto Mapu-Lautaro, motivo pelo qual se arrastam condenações por fatos ocorridos há mais de 30 anos. Logo, foi parte do núcleo fundador do Koletivo Kamina Libre nas prisões da transição democrática do capital, levando a cabo, conjuntamente, múltiplas greves de fome, motins e mobilizações que se traduziram na libertação de quase todxs xs-membrxs de Kamina Libre entre 2002 e 2004.

Suas múltiplas reflexões subversivas, autônomas e anárquicas têm sido uma forte contribuição ao debate e às práticas anticarcerárias dentro e fora da prisão, demonstrando que a pessoa presa é uma companheira que se encontra temporariamente em uma situação de isolamento, de onde também é parte e representa uma contribuição à luta.

Nesse sentido, foi gerada uma solidariedade combativa entendida como uma relação recíproca que envolve tanto a pessoa presa quanto os entornos solidários na rua, onde x companheirx tem sido e é parte dessa construção constante que combate as práticas vitimistas e assistencialistas que causaram tanto dano em diversas iniciativas de luta pela liberdade dxs presxs da guerra social, da revolta e mapuche.

Nesses momentos em que o Poder se reajusta para mostrar uma cara amável, continuamos e fortalecemos este caminho de enfrentamento apontando coletivamente, como presxs anarquistas e subversivxs, pela liberdade de nosso companheiro Marcelo Villaroel.

Sabemos e entendemos que uma das principais contradições político-jurídicas da atualidade é a manutenção e aplicação das sentenças da justiça militar. Por isso para nossos esforços, em todas as formas de luta, estão centrados hoje na anulação das referidas sentenças, o que tiraria imediatamente Marcelo da prisão, já que ele também é o preso político que mais anos cumpriu pena nas prisões do Estado chileno hoje isso não pode mais ser ignorado.

Partindo do princípio de que xs nossxs presxs são compas que nos faltam na rua, fazemos um apelo à prática da solidariedade combativa e em todos os planos que nos permitam tirar Marcelo deste já longo confinamento, usando toda a nossa imaginação e meios à nossa disposição para eliminar de uma vez por todas a desastrosa justiça militar, suas sentenças e seu terrível legado na história recente deste território.

Chamamos com firmeza e cumplicidade fraterna a todxs aquelxs que tem consciência da justeza desta necessária luta como parte do enfrentamento à perpetuidade vingativa das sentenças impostas pelo poder aos nossxs compas de luta.

Saudamos com profunda alegria a recente saída do compa Pablo Bahamondez, “Oso” e a consequente anulação de seu processo judicial, evidenciando como o poder mantém companheirxs na cadeia por anos para depois serem absolvidxs por processos profundamente ilegais que ninguém é responsabilizado, incluindo os anos de prisão.

A todos os espaços anticarcerários, às nossas redes irmãs, às rádios e plataformas de divulgação e contra-informação, aos grupos, células e afins, às bibliotecas, editoras, publicações e okupações, às brigadas muralistas, oficinas, bandas e criadorxs multiformes, axs companheirxs e irmãxs de luta e rebeldes de todos os territórios, convocamos vocês para enfrentarmos juntos essa batalha urgente e inescapável.

~ANULAÇÃO DAS CONDENAÇÕES DA JUSTIÇA MILITAR CONTRA MARCELO VILLAROEL!

~LIBERDADE IMEDIATA!

~UNINDO VONTADES E CONSCIÊNCIAS PELA LIBERDADE DO COMPANHEIRO MARCELO VILLAROEL!

~LIBERDADE PARA XS PRESXS SUBVERSIVXS, ANARQUISTAS E MAPUCHE!

~MORTE AO ESTADO E VIVA A ANARQUIA!

~ENQUANTO EXISTA MISÉRIA, HAVERÁ REBELIÃO!

Mónica Caballero Sepúlveda
Cárcere de mulheres de San Miguel, Santiago.

Francisco Solar Domínguez
Módulo 2 da prisão-empresa de segurança máxima Rancagua.

Joaquín García Chancks,
Juan Aliste Vega,
Marcelo Villaroel Sepúlveda
Módulo 1 alta segurança, prisão-empresa Rancagua.

1° de Maio de 2022.

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2022/05/01/chamado-desde-as-prisoes-do-estado-chileno/

agência de notícias anarquistas-ana

as pálpebras do gato
ao ritmo das gotas
do candelabro

Valentin Busuioc

Vídeo | “Anarchists Against Putin: International Anarchist Mobilization.” Parte 1 – Polônia

Por Alexis Daloumis

A maior parte das reportagens da Polônia e da Ucrânia é sobre a mobilização prática de anarquistas, seu suporte e participação na resistência contra a invasão do regime de Putin.

Este vídeo se passa na Polônia e é a primeira parte do trabalho final completo. Ele explora a resposta do meio anarquista à guerra da Ucrânia, ambos nacional e internacionalmente, e como há uma oposição unânime ao imperialismo russo e como esse estado de emergência uniu o movimento, apesar de antecedentes de conflitos e divisão, em direção a um objetivo comum.

A segunda parte, que virá em breve, será gravada na Ucrânia.

>> Veja a primeira parte aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=uhui8LLNcwY&t=26s

Isso é DIY, Jornalismo de Guerrilha. Sem chefes, sem patrocinadores senão o público.

Para apoiar:  https://www.patreon.com/alexisdaloumis

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

A abelha voa vai
vem volta pesada
dourada de pólen

Eugénia Tabosa

[País Basco] 1º de maio: é preciso fazer progressos na organização sindical nos locais de trabalho

  • A CNT considera que neste 1º de maio “a classe trabalhadora deixou clara sua oposição ao pactismo sindical, refletido na Reforma Trabalhista de 2021”.
  • “Devemos continuar nos organizando, para ampliar nosso modelo sindical”, diz a central anarcossindicalista, “porque é o único seguro para a emancipação da classe trabalhadora”.

No País Basco, as bandeiras negras vermelhas têm voado novamente: Bilbao, Donostia, Iruñea, Gasteiz, Barakaldo… com mobilizações nas quais “a CNT deixou clara sua oposição ao sindicalismo de pactos”, além de exigir “uma redistribuição da riqueza, começando com o pagamento de salários dignos”.

Além de exigir aumentos salariais como “um remédio para enfrentar o aumento do custo de vida”, a CNT apontou que “devemos ir mais longe, e não esquecer que enquanto estivermos sob a ditadura do Capital, a inflação é apenas mais uma forma de roubar a classe trabalhadora”. “Somos saqueados duas vezes, uma com o roubo de mais-valia, e outra com o roubo da inflação”, disse a central anarcossindicalista.

“Nosso desafio é o da organização sindical nos locais de trabalho”, salientou a organização sindical. “É claro que onde há seções sindicais bem estabelecidas, os trabalhadores estão muito mais aptos a enfrentar as agressões dos empregadores”, apontou a CNT. Esse é o primeiro passo, a criação de sindicatos, como meio de alcançar melhorias no local de trabalho, “mas também a emancipação dos próprios trabalhadores para um mundo sem exploração”, concluiu o sindicato.

Nas seguintes linhas você pode ler parte da manifestação em Bilbao

Eles dizem que estamos em guerra. A União Europeia “civilizada”, contra os “selvagens” russos. O custo de vida está aumentando, por causa da guerra, dizem eles, mas exigem de nós um esforço para “salvar” a civilização ocidental. Que vamos sofrer outra crise como consequência da guerra. Mas que crise?

Estamos em crise desde 2008. Essa crise foi porque nós, a classe trabalhadora, fomos informados de que estávamos vivendo além de nossas possibilidades. E eles nos fizeram lembrar que somos classe trabalhadora, que somos inúteis. Eles nos roubaram o pouco que restava do Estado social, mas fizeram negócios com o que saquearam.

Uma geração que estava apenas começando no mundo do trabalho foi recolocada na posição de partida. Chega de sonhos de classe média, moradia com piscina em um ambiente ideal, férias em lugares exóticos, estabilidade no trabalho e promoção profissional… que não era mais para nossa classe social.

O nosso era seguir com uma série de contratos temporários de trabalho, não chegando nem mesmo a mileurista (que vive com mil euros), e sem saber o que era um trabalho estável. Isso gerou muita frustração, mas não o suficiente para romper com tudo.

Depois veio a pandemia. De surpresa, aqueles de nós que eram tratados como lixo pela sociedade, os mais baixos na escada da empresa, os precários, aqueles que trabalham em empregos que ninguém quer, se tornaram essenciais. Empresários, gestores de recursos humanos, acionistas, rentistas… estavam em abundância quando se tratava de movimentar a economia. Pessoal de limpeza, caixas de lojas, profissionais de saúde e um longo etc., aqueles que sempre foram maltratados por empresas e administrações públicas, nós mantivemos a economia viva. Porque é a classe trabalhadora que move o mundo.

Depois veio a crise gerada pela pandemia. Mais tarde, um navio cruzado no Canal do Suez foi capaz de paralisar a economia mundial. Não esqueçamos que foram os trabalhadores que o desbloquearam.

E agora a guerra, mais crise. Acontece que, não importa quantas razões você procure, o problema não é a crise, mas o capitalismo: é o capitalismo que gera as crises, e isso está nos levando ao colapso.

Agora, eles falam sobre a inflação, sobre o aumento do custo de vida, que tem disparado. Bem, ao contrário, os especuladores a impulsionaram, a fim de continuar sangrando a classe trabalhadora.

Isto não é novidade. Desde que aderimos ao euro, há 20 anos, os salários reais não subiram em nada. A razão não é apenas o Euro, mas a moeda única nos tornou mais presos. O problema é o conflito entre capital e trabalho; o problema é que, para que alguns enriqueçam, aqueles que geram riqueza têm que nos empobrecer.

Anos de lucros, e agora os chefes dizem que não podem arcar com aumentos salariais. Eles estão rindo na nossa cara. Bem, eles não são. Chegou a hora de enfrentá-los. Dizer basta é suficiente.

O pacto de renda; você deve ter ouvido algo sobre isso. O que eles estão nos dizendo é que temos que abrir mão dos aumentos salariais. O Pacto de Moncloa do século XXI. Mais uma vez, estamos falando de luta de classes. A luta entre capital e trabalho. É por isso que devemos ser claros sobre em que trincheira estamos e, a fim de superar este sistema miserável, o que temos que fazer.

Devemos gerir os meios de produção. Para isso, a ferramenta mais poderosa que a classe trabalhadora tem é o anarcossindicalismo. As seções sindicais estão voltadas para isso: conseguir melhorias na esfera trabalhista, mas também ampliar a gestão dos trabalhadores. Esse é o potencial que as seções sindicais da CNT têm: tornar possível uma economia gerida pelos trabalhadores.

Para todos aqueles que acreditam que deve haver um retorno à centralidade da classe, ao conflito capital-trabalho, afiliar-se e militar na CNT, a classe nunca deixou de ser central aqui.

Para todas aquelas pessoas que estão na CNT, você tem uma grande responsabilidade: organizar os locais de trabalho.

Eu sei que não é um trabalho agradável, que há companheiros que são um caso à parte. Mas lembre-se que temos um objetivo comum, e que, se trabalharmos duro, podemos contrabalançar as estratégias comerciais de dividir para conquistar. Enquanto a maioria dos sindicatos realiza campanhas muito fracas, sem uma estratégia clara, a maioria dos empregadores realiza campanhas muito estratégicas, aproveitando ao máximo a gama de táticas anti-sindicais eficazes disponíveis para eles e adaptando e ajustando essas táticas.

Apesar disso, temos mais a ganhar, mas devemos fazê-lo com a cabeça. Vamos nos organizar agora.

Finalmente, gostaríamos de destacar o trabalho das seções sindicais de nosso sindicato. Imersos em inúmeros conflitos, eles encontraram a força e a coragem para enfrentar os ataques dos empregadores. Ataco, Osakidetza, Tubos Reunidos, Ercilla, Grupo EDE, Dianova, Ecoespacio, Diputación Foral de Bizkaia. Viva vocês e suas lutas!

Finalmente, lembrem-se que…

Queremos trabalhar menos

Todos nós queremos trabalhar

Queremos produzir o que precisamos

Queremos redistribuir tudo

Gora anarkosindikalismoa! Gora CNT!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/1-de-mayo-hay-que-avanzar-en-la-organizacion-sindical-de-los-lugares-de-trabajo/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Velho casarão.
Iluminam o interior
raios de luar.

Fanny Dupré

Povoado ucraniano se inspira em herói anarquista local

Apesar dos bombardeios massivos e da presença das tropas russas, o moral se mantém alto em um povoado ucraniano que se inspira na memória de um herói anarquista local.

No povoado de Huliaipole (sul), o estrondo das bombas nos arredores recorda a proximidade dos combates.

A maioria dos seus 16.000 habitantes fugiu, mas foram substituídos por aqueles que escaparam dos avanços russos na região do Donbass (leste), parcialmente controlada pelos separatistas pró-russos desde 2014.

As ruas estão desertas e ver um carro é algo raro.

Muitas casas com jardins bem cuidados já não têm teto ou sofreram danos estruturais pelos bombardeios.

Tatiana Samolenka, de 63 anos, acabava de levar as galinhas ao curral quando escutou um som estridente.

“Eu sabia que vinha até nós. Pensei que minha casa seria minha sepultura”, disse à AFP. Seu esposo, que havia cruzado a rua, observou quando a bomba arremeteu em um campo próximo.

Uma cratera de vários metros de comprimento e profundidade mostrou o quão perto estiveram da morte.

“Uma bomba idêntica caiu um pouco mais longe esses dias, mas não estourou. Nos custou movê-la, pesava 300 quilos”, comentou o prefeito local, Serguey Yarmak.

Semanas atrás, disse que o povoado foi atacado por uma bomba de fósforo.

“Foi em plena luz do dia, mas parecia fogos de artifício”, contou Yamak. Uma área ampla e enegrecida ficou visível, ainda que a grama recém-brotada torne difícil imaginar a magnitude do incêndio.

Mais recentemente, soldados russos entraram no povoado antes de serem repelidos pelas forças ucranianas.

“Huliaipole resistiu e sempre o fará”, insiste Yarmak, que assegura que o povoado se inspira em seu filho mais famoso, Nestor Makhno, um carismático anarquista que liderou uma guerrilha campesina contra as tropas alemãs e austríacas que ocuparam a Ucrânia após a revolução de outubro de 1917.

Uma “lenda” conhecida pelo seu apoio à independência ucraniana e pelos seus trajes e seu “papahke”, um gorro cossaco de pelo de ovelha, Makhno estabeleceu comunas autônomas como Huliaipole como centro de seus experimentos sociais, pelo qual ficou conhecida como a “capital anarquista”.

O Exército Vermelho, porém, de quem foi aliado, se voltou contra Makhno e suas forças e ele teve que se exilar. Morreu em Paris em 1934.

Um século depois, o prefeito insiste que as tentativas russas de invadir a Ucrânia vão fracassar “porque somos independentes e livres”.

Inclusive na guerra, sua lenda ainda inspira os habitantes.

Grupos de defesa local começaram a se chamar de “o arco de Makhno”, segundo o prefeito.

“Faz uns dias, nossos rapazes derrubaram dois helicópteros”, assegurou. A AFP não conseguiu confirmar a veracidade da afirmação.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

luar na relva
vento insone
tira o sono das flores

Alonso Alvarez

[Natal-RN] Intervenção política na estátua do intelectual potiguar Câmara Cascudo.

Além da carreira acadêmica e de folclorista, amplamente conhecidas, Câmara Cascudo também teve uma vida política ativa, principalmente junto às elites do Estado, uma delas é sua filiação ao Partido Integralista, fundado por Plínio Salgado. O integralismo é a versão brasileira dos fascismos europeus, e o que pouca gente sabe (ou faz questão de esquecer) é que Câmara Cascudo e o cearense Gustavo Barroso, faziam parte da ala mais radical e violenta desse partido fascista brasileiro, ao ponto do fundador do partido, Salgado, muitas vezes pedir-lhes calma e moderação em suas posturas e propostas. Na madrugada desse 1° de Maio, ao que tudo indica (já que nossas fontes fizeram as imagens no domingo), um grupo fez uma intervenção política na estátua do intelectual pintando suas mãos de vermelho e escrevendo o lema Antifascista popularizado na Revolução Espanhola “Fascistas não passarão!”.

Coletivo Autônomo Lima Barreto

RECC/FOB-RN

@lutafobrn

agência de notícias anarquistas-ana

na poça da rua
o vira-lata
lambe a lua

Millôr Fernandes

[Reino Unido] Feira do Livro Anarquista Newcastle Ewan Brown

O dia 21 de maio de 2022 marcará a primeira Newcastle Anarchist Bookfair em homenagem a Ewan Brown. Originalmente planejada para 2021, mas adiada devido ao COVID, essa será uma celebração de Ewan e do passado, presente e futuro radicais da região.

A feira do livro ocorrerá no Star and Shadow Cinema, no Newcastle-upon-Tyne, e contará com bancas de organizações locais e nacionais, assim como com palestras, música, poesia e oficinas de vários grupos e disciplinas.

A feira do livro é organizada por um grupo de voluntários, através de doações e bancas. Tentamos fazer esse evento o mais acessível possível para que qualquer pessoa possa curti-lo.

Dependemos de doações para realizar a feira do livro. Se você gostaria de ajudar, porém não pode doar o seu tempo, por favor considere uma contribuição financeira – isso nos ajuda bastante:

opencollective.com/ewan-brown-anarchist-bookfair

Se você quiser saber mais, ou se envolver, por favor entre em contato:

newcastleanarchistbookfair@protonmail.com

newcastlebookfair.org.uk

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

mamãe passarinho chocando,
papai trouxe a comida
festa na copa das árvores

Akemi Yamamoto Amorim

[Espanha] Contra a cúpula da OTAN

GUERRA À GUERRA. FODA-SE A OTAN
CÚPULA DA OTAN EM MADRID EM 29 E 30 DE JUNHO

Nos próximos 29 e 30 de junho acontecerá em Madrid uma nova cúpula da OTAN. Esta organização militar foi criada depois da II Guerra Mundial como arma de defesa dos interesses do vencedor da mesma: o capitalismo. Durante estes dois dias se reunirão em Madrid para planejar, projetar, desenvolver novos cenários de guerra, novas colonizações, novos centros nevrálgicos, novas “armas inteligentes”, enfim, preparar-se para todas as dificuldades e cenários adversos que possa encontrar o projeto tecno capitalista e ao mesmo tempo desenvolver novos projetos bélicos com o fim de apropriar-se de novos territórios e os cada vez mais escassos, os mal chamados, “recursos naturais”. A cidade se encherá de altos chefes militares, espiões, soldados, os donos das empresas armamentistas, mercadores da morte buscando novos objetivos, buscando impor a forma de vida tecno capitalista a todo ser vivo sobre o planeta.

Vivemos em um mundo no qual o dia a dia de milhões de pessoas é a catástrofe, a miséria, a fome e o terror, no qual as catástrofes (econômicas, ecológicas, sanitárias) provocadas pela forma de vida imposta pelo capitalismo, pela industrialização e tecnificação de todos os aspectos da vida, tornando-se cada dia mais cotidianas. Por isso, se aceleram as necessidades do sistema de controle social e engenharização da vida, uma aceleração traduzida em uma militarização das ruas e espaços urbanos, como temos visto durante a chamada ‘emergência sanitária’ na qual as nada pacíficas unidades da UME (Unidade Militar de Emergências) saíam para “limpar” as ruas. Na realidade, sua presença criava no imaginário social a ideia de uma guerra, a ideia de terror, ao mesmo tempo de controle social e um sinal de força por parte daqueles que gestionam nossa vida. A sucessão de catástrofes em um mundo que se dirige para o abismo suporá a gestão delas por forças militares como a OTAN. Uma militarização, uma força de choque que está a anos desenvolvendo projetos de guerra urbana contra os refratários ao capitalismo. A OTAN não só defende os projetos geoestratégicos do capitalismo e impõe sua forma de vida em todo o planeta, mas será a principal força de choque contra as revoltas que se sucedam. Um destes conflitos geoestratégicos é o que está ocorrendo agora mesmo entre Rússia e a OTAN, com a Ucrânia como cenário. Essa região está sendo desestabilizada em um estado de guerra de baixa intensidade permanente e com elementos da chamada “guerra híbrida” entre as potências imperialistas desde 2014. Neste aumento das hostilidades, como em toda tensão bélica, é subjacente um interesse econômico, como a causa da próxima abertura do gasoduto ‘norstream 2’ que suporá o aumento da dependência energética europeia com relação à Rússia que já está terminando um novo gasoduto que abastecerá também a China de gás. Este suporia uma importante dependência energética tanto da Europa como da China, ambas abastecidas pela Rússia, o que motivou movimentos de exércitos em ambos os lados da fronteira russa. O papel de novo da OTAN, como fez na Síria, é defender os interesses do capitalismo na luta pelos recursos energéticos.

Desde o poder se potencializa a ideia da OTAN como um exército da paz, exército? E paz? São duas palavras que jamais poderão se entendidas juntas, nos venderam os famosos capacetes azuis como agentes da paz na guerra dos Balcãs e a quantidade de crimes, assassinatos, violações cometidas por estes são incontáveis. O mesmo poderíamos dizer de suas intervenções nas guerras no continente africano, as sequelas produzidas neste continente pelos capacetes azuis da OTAN são terrivelmente recordadas por seus habitantes ou recordar suas atuações criminosas na Líbia ou Síria com pretexto de manter a ordem capitalista e suas necessidades de recursos e/ou territórios que explorar e saquear. Obviamente nenhum exército persegue a paz, persegue a aniquilação do inimigo, sua submissão e colonização. A guerra foi e será um dos paradigmas do capitalismo e as diferentes formas de guerra serão necessárias para manter a ordem capitalista e muitos de seus projetos como a Agenda 2030 e o futuro trans-humanista que prepara o Foro Econômico mundial, a OTAN, a ONU e as elites tecno financeiras. O capitalismo se refunda constantemente com base nas mesmas premissas: novas formas de exploração e novas formas de assegurar a ordem vigente.

As novas formas de guerra

Faz pouco tempo, a OTAN havia dividido as práticas de guerra em cinco domínios operativos diferentes: aéreo, terrestre, marítimo, espacial e cibernético. Mas com seu novo desenvolvimento de estratégias de guerra cognitiva, a aliança militar está preparando um novo domínio operativo, “o domínio humano”. Em seu informe ‘Cognitive warfare’, a OTAN persegue o controle do cérebro humano e converter a cada humano em uma “arma”. Em uma estarrecedora declaração, o informe diz explicitamente que “o objetivo da guerra cognitiva é prejudicar as sociedades e não só as forças armadas”.

Com populações civis inteiras no ponto de mira da OTAN, o informe enfatizou que os exércitos ocidentais devem trabalhar mais perto do mundo acadêmico para transformar as ciências sociais e as ciências humanas em armas e ajudar a aliança a desenvolver suas capacidades de guerra cognitiva. O estudo descreveu este fenômeno como “a militarização das ciências do cérebro”. Mas parece claro que o desenvolvimento da guerra cognitiva da OTAN conduzirá a uma militarização de todos os aspectos da sociedade humana e a psicologia, desde as relações sociais mais íntimas até a mente mesma (1).

O crescente interesse das elites tecno financeiras em criar um totalitarismo “doce”, onde não sejam necessárias as antigas batalhas épicas ou o uso da força para o controle e repressão da sociedade, onde os cidadãos se sintam cada vez mais livres e nunca vejam suas correntes tornam-se cada vez mais necessárias estas formas de guerra cognitiva e de controle do comportamento das formas mais sutis possíveis. São as próprias correntes as que te conduzem para onde eles querem sem que tu sequer percebas sua existência. Correntes que tomam a forma de próteses tecnológicas que modelam teu comportamento, sem a necessidade de lhe apontarem uma arma.

Junto às novas guerras cognitivas que buscam o controle absoluto da população, a OTAN está desenvolvendo numerosos projetos das chamadas armas inteligentes. O que supõe uma extensão do projeto tecno capitalista de robotização da vida desta vez dará lugar à robotização da guerra, desde os soldados-robô com exoesqueletos, sensorizados, armas inteligentes etc. até os veículos de guerra não tripulados: drones, embarcações, tanques etc. manejados por robôe soldados desde cômodos edifícios acondicionados, o que desumaniza ainda mais a guerra e facilita o assassinato e a barbárie que supõe lançar bombas a milhares de quilômetros de distância. Já vimos a devastação humana que supõem os chamados ‘ataques seletivos’ ocasionando milhares de mortes entre a população civil, nesta nova versão da guerra, as decisões são tomadas por máquinas algorítmicas.

A OTAN não é nenhum exército da paz, é a guerra em estado puro, é a polícia dos interesses capitalistas. Imporá a ordem e a forma de vida capitalista ali onde seja necessário ao mesmo tempo em que seu objetivo é eliminar qualquer revolta que ponha em dúvida o sistema tecno capitalista. Por isso como diziam aqueles estadunidenses que se opunham à Guerra do Vietnã: “Vamos trazer a guerra para casa”, ataquemos o capitalismo, e seus exércitos e seus defensores aqui e agora. Estendamos o conflito e mostremos nossa solidariedade com aqueles que sofrem as guerras e colonizações do capitalismo. Por que nem somos, nem seremos mercadorias para suas guerras.

Nossa guerra é a guerra social.
Contra todos os dirigentes, contra todas as opressões.
FODA-SE A OTAN.

guerraalaguerrafuckotan.noblogs.org

[1] //www.innovationhub-act.org/content/cognitive-warfare

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Caneta gira
ao reflexo do sol
gira gira girassol

Lucas Eduardo

[Holanda] No Border Camp 2022 – Abolir a Frontex! 8-14 de agosto

Neste verão organizaremos um Acampamento Sem Fronteiras (No Border Camp) em algum lugar* na Holanda. Uma semana de ações, trabalho em rede, reuniões e discussões sobre todos os aspectos das políticas migratórias repressivas – detenção de refugiados, controles de fronteira racistas, deportações, militarização de fronteiras, exploração de trabalhadores migrantes, etc. – e as conexões com outras áreas de luta, tais como clima, antirracismo e antimilitarismo. A campanha internacional Abolish Frontex é uma importante ponta de lança para o campo libertário.

No Acampamento Sem Fronteiras, queremos reunir os indocumentados e os documentados. Durante o acampamento, serão realizados interessantes workshops e discutiremos como todos nós podemos tomar uma posição e organizar a resistência contra as duras políticas migratórias holandesas e europeias.

Anote as datas em sua agenda; mais informações serão fornecidas em breve.

Ideias para workshops ou ações? Você pode ajudar a organizar isto? Envie-nos um e-mail: nbc-2022@riseup.net.

* local a ser anunciado pouco antes do início.

Fonte: https://indymedia.nl/node/51880

Tradução > dezorta

agência de notícias anarquistas-ana

neve profunda –
as pegadas do gato
cada vez maiores

Ion Codrescu

[EUA] Novidade editorial: “Ecologia Social Pan-Africana – Discursos, Conversas e Ensaios”, de Modibo Kadalie

Modibo Kadalie foi ativista, organizador, professor e acadêmico dos movimentos por direitos civis, poder preto e panafricanismo por quase seis décadas. Em sua coleção de entrevistas e palestras, reflete sobre as ocupações, boicotes, greves, rebeliões urbanas e movimentos anticoloniais que animaram o final do século XX e início do século XXI. Kadalie demonstra como as formas de democracia direta que evoluíram através dessas lutas pela liberdade apresentam a promessa de um futuro definido pela libertação social, assim como pela cura ecológica.

Este livro conciso, radical e iconoclástico conecta a libertação preta ao ativismo ecológico na era das mudanças climáticas, apelando às gerações presentes e futuras de ativistas para que se reconectem ao espírito dos movimentos passados sem a adoração de líderes individuais ou a legitimação de quaisquer governos ou políticos.

Pan-African Social Ecology – Speeches, Conversations, and Essays

Modibo Kadalie

Paperback 175 pages

ISBN 9780990641889

$14.99

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Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

escreve
a tinta se esvai
o mar se expande

Seferis

[Reino Unido] Justiça para o preso anarquista Toby Shone!

Em 6 de maio, um juiz decidirá se concede ou não a Ordem de Prevenção de Crimes Graves (SCPO) contra o anarquista encarcerado Toby Shone. Inocentado das acusações de terrorismo em relação a um suposto envolvimento com  o blog 25.nostate.net, ele foi preso por posse de drogas psicodélicas, incluindo substâncias psicodélicas e LSD.

A polícia está tentando retaliar por sua incapacidade de apresentar um caso político contra ele devido à falta de provas, solicitando uma ordem que colocará as finanças de Toby, uso de dispositivos, movimentos, moradia, emprego e seus amigos e família sob intensa vigilância e monitoramento policial por pelo menos os próximos 5 anos. A razão dada pela polícia para justificar estas medidas (SCPO) é o “estilo de vida e crenças alternativas” de Toby.

Para mostrar seu apoio ao Toby, venha ao Bristol Crown Court às 8h30 do dia 6 de maio.

Manifestação de solidariedade na Bristol Crown Court em 6 de maio de 2022, às 8h30.

Fonte: https://anarquia.info/reino-unido-justicia-para-el-anarquista-encarcelado-toby-shone/

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/10/29/reino-unido-atualizacao-sobre-a-situacao-do-companheiro-anarquista-toby-shone/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/10/08/reino-unido-companheiro-encarcerado-por-sua-participacao-no-site-325-nostate-net/

agência de notícias anarquistas-ana

sussurro sem som
onde a gente se lembra
do que nunca soube

Guimarães Rosa

[Uruguai] Memória | 22 de abril de 1936, Radowitzky rejeita o oportunismo político da esquerda.

O anarquista Simón Radowitzky havia sido anistiado em 1929 de sua longa sentença em Ushuaia depois de assassinar o chefe de polícia de Buenos Aires responsável pela sangrenta repressão aos trabalhadores.

Após o golpe de Estado de 1933, participou da agitação anarquista contra a ditadura e foi preso na Ilha das Flores em 1934 junto com outros opositores políticos, sendo o último deles a ser solto em 1936. Sua libertação foi parcial e ele teve que cumprir prisão domiciliar. Mas por não ter endereço fixo, continuou preso na prisão central e uma forte campanha foi desenvolvida por sua liberdade, rejeitando a oferta da União Soviética de buscar asilo em sua Rússia natal com todos os confortos materiais cobertos.

Simón foi informado de que o Partido Comunista local havia aderido à sua campanha. Partido que desenvolveu uma campanha constante de calúnia e difamação contra o movimento anarquista para controlar as organizações operárias a qualquer custo.

De sua cela ele escreve a seguinte declaração que foi publicada pela imprensa anarquista local e internacional:

“Prisão Central, 22 de abril de 1936.

Ao Partido Comunista e à Confederação Geral do Trabalho.

Estou ciente de que em sua propaganda e em seus cartazes fazem aparecer meu nome exigindo minha liberdade. Como anarquista, dirijo-me a você:

Declaro que não quero ser instrumento de propaganda de nenhum partido político, incluindo o Partido Comunista, cuja adesão à política do governo russo é absoluta. Em nome dos anarquistas presos nas prisões e na Sibéria soviética. Em nome dos grupos anarquistas destruídos cuja propaganda foi proibida na Rússia. Em nome dos camaradas fuzilados em Cronstadt (Kronstadt). Em nome do nosso camarada Petrini, que foi entregue pelo governo soviético ao fascismo italiano. Em nome da Federação Regional Argentina e da Federação Regional dos Trabalhadores do Uruguai e em nome de nossos camaradas mortos na prisão pelo governo bolchevique, e em protesto contra a calúnia e difamação de nossos camaradas Kropotkin, Malatesta, Rocker, Fabbri, Majno (Mackno), etc. Declaro que, como anarquista, rejeito todo o seu apoio, que representa uma exploração indigna pelos dirigentes bolcheviques do partido e da C.G.T., do generoso sentimento de solidariedade que a classe trabalhadora me empresta”.

Suas palavras, como toda a sua vida, são um exemplo de dedicação à causa anarquista e abandono de interesses pessoais em benefício da prática coletiva de orientação anarquista e revolucionária.

Hoje, alguns políticos de esquerda procuram confundir meios legítimos de transformação social, como ação direta, autonomia, auto-organização e alcance revolucionário, com práticas institucionais que legitimam e consolidam estruturas políticas de opressão social e econômica.

Cada vez que se pensa que um modo de vida justo e solidário é impossível e o mais sensato é contentar-se com o “menos ruim”, devemos lembrar a integridade moral de Simón que nem 20 anos de prisão em condições desumanas conseguiu quebrar sua convicção e prática revolucionária.

>> Na foto em destaque, Radowitzky na cadeia de Isla de Flores.

Fonte: https://periodicoanarquia.wordpress.com/2022/04/22/efemerides-22-de-abril-1936-radowitzky-rechaza-el-oportunismo-politico-de-izquierda/

Tradução > GTR@Leibowitz__

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/09/25/argentina-documentario-um-mundo-melhor-a-historia-de-simon-radowitzky/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/09/06/galicia-apresentacao-de-155-hq-baseada-na-vida-do-anarquista-simon-radowitzky/

agência de notícias anarquistas-ana

A folha se vai
embarca em qualquer som
rio abaixo.

Masatoshi Shiraishi

[Canadá] Este novo café de Toronto é orgulhosamente anticapitalista

Por Filipe Dimas | 23/04/2022

Se você ama seu café servido com um acompanhamento de revolução, o mais novo café de Toronto pode ser o lugar para você.

O Anarchist Cafe abriu na 190 Jarvis St. e almeja pertencer aos trabalhadores e trabalhadoras, ser anticapitalista e anticolonial, ser uma loja e um espaço da comunidade radical em terras roubadas.

Antigamente o Pop Coffee Works, o café anterior ao aberto por Gabriel Sims-Fewer, era o resultado do que afirmava ser a distância entre suas políticas radicais de esquerda e a pessoa que deveria ser por mais de 40 horas por semana.

Com mais de uma década de experiência trabalhando com cafés especializados, Sims-Fewer pediu demissão do emprego que tinha há mais de 6 anos e abriu um café em que ele e outros poderiam se sentir mais honestos e livres.

Atualmente, ele é o único funcionário, mas espera que o negócio cresça no formato cooperativo de pertencer e ser gerido pelos trabalhadores e trabalhadoras, onde cada pessoa (incluindo ele) é pago igualmente, com todas as decisões operacionais do negócio feitas por uma democracia baseada em consenso, livre de gerentes ou hierarquia institucional.

“Espero que, ao declarar abertamente que o negócio é anticapitalista, possa inspirar as pessoas a pensarem e perguntarem o que isso significa e deixar aqueles que já são anticapitalistas de todos os tipos saberem que este é um lugar para eles e elas, em que suas políticas, ideias e identidades sempre serão bem-vindas,” declarou Sims-Fewer ao blogTO.

No momento, visitantes podem esperar um cardápio completo de expressos levemente tostados e cafés filtrados, incluindo uma lista extensa de adicionais, feitos com grãos do tostador herdado do antigo café, Pop Coffee Works, bem como com um revezamento de outros tostadores.

Quitutes assados da Glory Hole Doughnuts e da Nova Era estão disponíveis para compra no novo café. Há também tote bags e livros.

Sims-Fewer diz que a resposta até então tem sido majoritariamente positiva, com toneladas de pessoas com pensamento similar vindo ao espaço para apoiar o novo projeto.

“Eu sabia que o mundo estava cheio de progressistas radicais, e a esperança de conhecer mais deles é uma motivação para fazer o que estou fazendo, mas não pude antecipar tanto entusiasmo diário tão rápido,” declarou Sims-Fewer.

“Uma coisa da qual quero conscientizar as pessoas é que estou fazendo café estilo Pague o Quanto Beber, espero que como a primeira de muitas tentativas de fazer café ótimo e não-corporativo mais acessível à classe trabalhadora, a quem coisas boas que todos e todas nós merecemos são progressivamente negadas.”

“A indústria de café especializado é intensamente envolvida na gentrificação e no neocolonialismo, e espero de verdade aprender mais e encontrar formas de resistir, subverter e desafiar esse envolvimento.”

Fonte: https://www.blogto.com/eat_drink/2022/04/toronto-anarchist-cafe/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Por trás da cortina,
o passarinho não vê
que aguardo o seu canto.

Henrique Pimenta

[EUA] Minneapolis: Você está limpo, nós atacamos!

Você está limpo, nós atacamos! Ataque a um depósito de serviços técnicos da cidade.

Na noite de quinta-feira (21/04), pessoas furiosas cortaram pneus e destruíram alguns caminhões, desativando três veículos da Minneapolis City Engineering.

Isto foi em retaliação ao cruel despejo de um acampamento no dia anterior, durante o qual 120 polícias foram mobilizados para bloquear dois quarteirões da cidade a fim de destruir as casas improvisadas dos residentes da zona e roubar as suas coisas. Durante o despejo, um defensor do campo foi brutalmente detido.

A verdade é que um despejo efetuado com tal força excessiva só acontece porque o Estado está aterrorizado com as fortes redes de moradores de rua e com a vontade dos seus vizinhos de defender estas comunidades.

Pretendemos dar-lhes algo de que tenham medo. É imperativo desenvolver uma linguagem de revolta, que envolve ações de retaliação contra a brutalidade do Estado. O povo da chamada cidade de Minneapolis está a mobilizar-se para defender os nossos vizinhos e esta luta vai continuar até que o sistema escravagista americano seja finalmente dissolvido. É tempo de lutar arduamente.

“Quando batem, batemos de volta com mais força. Se não for possível, então, devolveremos de modo mais marcante. Todos têm um nome e um endereço”.

Fonte: https://attaque.noblogs.org/post/2022/04/24/minneapolis-usa-vous-deblayez-nous-frappons/

Tradução > Liberto

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é preciso pouco
andar na senda da noite
basta um vagalume

Ricardo Akira Kokado

[EUA] Olympia – Caixa eletrônico do Bank of America atacado em solidariedade aos defensores da Yintah

No dia 20 de abril, anarquistas ocuparam as terras de Nisqually e Squaxin pela noite, armados com uma garrafa de fluido de freio e uma lata de spray de espuma de construção para realizar um ato de solidariedade à resistência contínua dos defensores da terra Wet’su’weten, seus apoiadores e apoiadoras. A luta contra a CGL e seus fundadores tem sido longa e inspiradora e sentimos que precisa de um maior apoio, especialmente das táticas anárquicas diretas. O projeto colonial está sempre em constante expansão, e seus aliados e fundadores estão em todos os bairros e em todas as ruas. Esses são nossos inimigos e produtores de desertos artificiais. Eles precisam ser atacados – seja como for e em toda oportunidade, não importa o quão grande ou pequeno o inimigo ou a ação pareçam ser. Não esperamos que esta pequena ação pare o Leviatã e traga a cura para este planeta quase destruído, mas esperamos canalizar os espíritos desta terra, a força vital destas águas e os goblins da anarquia. Queremos inspirar a destruição a todas as manifestações de poder e instituições coloniais. Precisamos fazê-lo. A luta no território Wet’suwet’en é uma que tem explicitamente chamado e empregado táticas anarquistas e encorajamos todos vocês a se atentar a esse chamado e apoiar as ações da sua maneira.

Colocamos o fluido de freio na máquina e enchemos de espuma de construção. Foi fácil.

O May Day está próximo. Se você não pode vir à yintah, encorajamos que lute de onde esteja.

Vida Longa à Anarquia! Vida longa à soberania Wet’suwet’en! Vida longa à luta pela Turtle Island!

alguns e algumas anarquistas

Fonte: https://pugetsoundanarchists.org/olympia-bank-of-america-atm-attacked-in-solidarity-with-yintah-land-defenders/

Tradução > Sky

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/23/canada-wetsuweten-despejam-a-coastal-gaslink-do-campo-de-perfuracao-coyote-camp-e-restabelecido/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/03/canadian-tire-fire-21-atualizacao-da-repressao-solidariedade-aos-wetsuweten/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/01/canada-apoiadores-dos-wetsuweten-fecham-terminal-shell-em-hamilton/

agência de notícias anarquistas-ana

No jardim da vida,
imagino o paraíso
de cores e flores.

Sandra Hiraga

[Espanha] O mal menor não deixa de ser um mal

As eleições presidenciais na França evidenciaram mais uma vez as limitações e fraquezas da esquerda parlamentar, não apenas na França, mas também em nosso país. A crise galopante da esquerda clássica já tomou de assalto os partidos socialista e comunista da França e Itália, e significa uma perda de influência social em praticamente toda a Europa. No caso dos comunistas, sua derrocada foi consumada em ambos os lados da Cortina de Ferro, enquanto a socialdemocracia luta para governar, fazendo pactos com o que se presta a ela, em países onde há anos desfrutava de uma hegemonia confortável (Espanha, Alemanha, Portugal, etc.).

O que é alarmante sobre a situação é que o espaço que a esquerda está perdendo está sendo ocupado por partidos de extrema direita, em alguns casos com claras tendências autoritárias ou declaradamente fascistas. Não é apenas que esses grupos extremistas estão entrando nos respectivos parlamentos, mas em alguns casos (Polônia ou Hungria, por exemplo) eles já estão governando. Na Espanha eles acabam de entrar no novo governo autônomo de Castilla y León, enquanto em outras regiões (Andaluzia, Murcia ou Madri) os governos PP estão sendo mantidos graças ao apoio do Vox.

Esta esquerda, que vê como seu protagonismo entre a classe trabalhadora está diminuindo, longe de tirar lições práticas de sua crise, está tentando moderar ainda mais sua mensagem e competir pelos votos dos partidos de centro-direita. Eles se recusam a aceitar que perderam seu eleitorado histórico precisamente porque abraçaram o discurso neoliberal, traindo sistematicamente todas as suas promessas eleitorais e aplicando as receitas do capital sobre salários, pensões, direitos sociais e o modelo produtivo.

A classe trabalhadora europeia tem visto nas últimas décadas como seus direitos e condições de trabalho têm sido sacrificados por governos supostamente de esquerda, com o inestimável apoio de sindicatos tradicionalmente considerados de classe (CGT na França, CGIL na Itália ou CC.OOO. e UGT na Espanha), o que produziu uma confusão total dentro do movimento trabalhista; apatia e desinteresse que foram explorados por grupos de extrema direita para lançar seu discurso xenófobo e ultra-conservador em áreas da classe trabalhadora onde anteriormente era impensável que tais mensagens fossem recebidas. Portanto, embora seja preocupante que os trabalhadores estejam votando em partidos de direita, o que é extremamente perigoso é que os componentes da classe trabalhadora tenham adotado muitos dos postulados do sistema dominante.

Longe de recuperar programas com um conteúdo de classe inequívoco, a esquerda se limita a apelar para a consciência balançante do eleitorado, implorando-lhes que não votem por opções de extrema direita. Assim, temos visto estes apelos patéticos para votar pelo mal menor, culminando no recente absurdo da esquerda francesa pedindo apoio à direita (Macron) para impedir Marie Le Pen de ganhar o segundo turno das eleições presidenciais. Curiosamente, se Le Pen chegou a incomodar a direita clássica nestas eleições, é porque ela se livrou do fardo da mensagem excessivamente ultra do pai e de um programa esmagadoramente arruinado com mensagens ultra; ou seja, as duas opções finais para o eleitorado francês foram cortes sociais e políticas conservadoras.

Terrível e anódino é o dilema que tem sido apresentado aos cidadãos mais críticos do país vizinho, não lhes oferecendo outra alternativa senão votar no atual ocupante do Eliseu. É difícil acreditar que as únicas opções políticas são votar em Macron ou Le Pen; especialmente se recordarmos os grandes marcos revolucionários do povo francês (Revolução Francesa, Comuna de Paris, sindicalismo autogestionário com a Carta de Amiens, maio de 68, a revolta dos coletes amarelos, etc.).

De um ponto de vista libertário, há outra saída para a crise do pensamento transformador, além da mera e previsível disputa eleitoral. Esta opção, sem dúvida menos confortável do que delegar a partidos integrados no sistema, envolveria a auto-organização popular, redes de solidariedade e autogestão da economia e da vida social, defesa coletiva dos direitos na rua e no mundo do trabalho, e a disseminação de uma cultura e valores da classe trabalhadora.

A verdadeira mudança não acontecerá porque os partidos mudam seus acrônimos, ou mesmo se deixarem de se chamar de partidos e tentarem se fazer passar pela mais genuína representação da voz do povo. Como já foi dito tantas vezes: a luta está nas ruas, não no parlamento.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/alkimia/el-mal-menor-no-deja-de-ser-un-mal

Tradução > Liberto

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Num atalho da montanha
Sorrindo
uma violeta

Matsuo Bashô