[Reino Unido] Resistir à guerra, recusar a corrida às armas

Por Satish Kumar (sobre a resistência não violenta)

A revista Resurgence  (hoje, Resurgence & Ecologist) nasceu em 1966, quando a Campanha para o Desarmamento Nuclear (CND) e o Comitê dos 100 estavam profundamente empenhados em protestos não violentos contra a corrida às armas nucleares. Bertrand Russell e centenas de outros ativistas pela paz tinham sido presos por causa da sua resistência à bomba. O editor que fundou a revista Resurgence, John Papworth, era na época uma parte integrante do movimento dessa resistência. A Resistência Internacional à Guerra (War Resisters’ International), juntamente com o seu jornal Peace News, situava-se na frente da ação direta não violenta com vista a parar a guerra fria, simbolizada pela bomba atômica.

Tinha eu então 25 anos quando li que, aos 90 anos, o velho Russell tinha sido lançado na prisão por ter protestado contra a bomba. Foi para mim uma inspiração tão grande que parti da Índia a pé com o meu amigo E. P. Menon, sem um centavo nos nossos bolsos mas com a coragem da convicção e confiança nos nossos corações. Dirigimo-nos às quatro capitais nucleares do mundo, Moscou, Paris, Londres e Washington, para protestar e resistir à corrida às armas.

O equivalente nos Estados Unidos ao movimento europeu era a luta contra o racismo, que resultou também na prisão de grande número de ativistas. O próprio Martin Luther King foi preso 29 vezes por se recusar a obedecer ao sistema da discriminação social. O meu amigo e eu tivemos a honra de nos encontrarmos com esse lutador da resistência não violenta. King era a encarnação do amor e da ação radical. Disse-nos: “As pessoas querem que eu me esforce por uma mudança gradual, mas justiça adiada é justiça negada.”

Quando King se empenhou na resistência não violenta, chamaram-lhe criminoso, mas agora ele é um herói nacional e a sua imagem ilustra a Sala Oval da Casa Branca.

Nelson Mandela sofreu na prisão durante 27 anos e acabou por se tornar presidente da África do Sul. Fiquei de tal forma impressionado com a prisão de Mandela que me juntei ao Movimento Anti-Apartheid e me postei em protesto diante da Embaixada da África do Sul com o meu amigo Canon Collins.

Todos esses heróis da resistência não violenta aceitaram de livre vontade as consequências das suas ações. Estavam preparados para sofrer pela causa. Mahatma Gandhi chegou mesmo a dizer: “Entrarei na prisão como o noivo ao entrar no quarto nupcial.”

Emmeline Pankhurst e o movimento das sufragistas faziam parte da nobre tradição de resistência não violenta que afirma que os fins nobres devem ser alcançados por meios nobres. É por isso que os ativistas não violentos estão preparados para assumir o sofrimento para si mesmos em vez de infligir sofrimento aos seus oponentes. Esse ideal continua a inspirar muita gente no nosso tempo. A luta contra a corrida armamentista, contra o racismo e contra a catástrofe climática  é um contínuo. O Greenpeace pôs em prática exemplos cintilantes de ação direta não violenta. O movimento Rebelião Contra a Extinção atraiu pessoas de todas as idades para se prontificarem voluntariamente a serem presas, já que estão preparadas para sofrer  pela salvação do nosso precioso planeta Terra. Greta Thunberg sentou-se na rua em Estocolmo arrostando com o ridículo e a chacota, de forma a lembrar-nos da estupidez da civilização industrial. Vandana Shiva e Jane Goodall são heroínas ativistas que se entregaram à luta, ao longo de toda a vida, para restaurar uma cultura e uma agricultura regeneradoras.

A história da resistência não violenta  é tão longa quanto inspiradora, entusiasmante e enérgica. Para tornar a vida sagrada, nós, os ativistas não violentos, fazemos sacrifícios, mas fazemo-lo com prazer e com amor. A revista Resurgence celebrou esse ativismo ao longo dos últimos 56 anos. Possa ela continuar a fazê-lo pelos próximos 56 anos.

>> Satish Kumar é autor do livro Pilgrimage for Peace, no qual conta a sua marcha de 8 mil milhas em expressivos pormenores. Ver: shop.resurgence.org/books

Tradução > José Carlos Costa Marques

Fonte: https://aideiablog.wordpress.com/2022/05/11/resistir-a-guerra-recusar-a-corrida-as-armas/

agência de notícias anarquistas-ana

Noite de desejo!
O amor penetra e ilumina
Quando a luz se apaga…

Clície Pontes

 

[Holanda] As raízes radicais do bikesharing

Na Amsterdã dos anos 1960, um movimento de contracultura com uma pequena frota de bicicletas brancas foi pioneira em um modelo de transporte que conquistou milhares de cidades pelo mundo todo.

Por Feargus O’Sullivan | 26/02/2022

Em 1967, um representante recém-eleito do Amsterdam City Council [Conselho Municipal de Amsterdã] chamado Luud Schimmelpenninck apresentou uma proposta inovadora à cidade: por que a prefeitura não ajudava a resolver os problemas de congestionamento do tráfego criando uma frota de bicicletas que seriam de uso completamente gratuito? Na época, as ruas da capital holandesa estavam entupidas de carros, com mortes e acidentes frequentes. Não seria melhor, sugeriu Schimmelpenninck, tornar o ciclismo tão barato e fácil que os carros desapareceriam?

Dado que 55 anos depois a Amsterdã de hoje tem a reputação de capital mundial do ciclismo, a resposta para essa proposta — para o que seria o primeiro esquema de bikeshare [compartilhamento de bicicletas] urbano no mundo — talvez lhe surpreenda: os membros do conselho o rejeitaram quase que unanimemente.

As razões dessa rejeição revelam muito sobre o passado radical do bikesharing, uma indústria multibilionária que agora se expande por mais de 3.000 cidades no mundo inteiro. Não foi rejeitada apenas porque o conselho de Amsterdã acreditava que os carros eram o futuro, mas também pela origem da proposta: não partiu de um oficial com um partido tradicional, mas de um grupo de provocadores anarquistas já notórios que pensavam que a dependência dos carros na Holanda representava não apenas políticas ruins, mas o “terror do asfalto da burguesia motorizada.”

O nome do grupo era Provo — vindo da palavra provocativo, ou provocação — e, até 1967, já tinham estrelado manchetes locais há alguns anos. Um grupo misto de beatniks, ativistas antinucleares e jovens da subcultura Nozem holandesa (similar aos greasers estadunidenses ou aos Teddy Boys britânicos), o Provo era um movimento que aspirava trazer mudança ao que reconheciam como uma mistura tóxica de conservadorismo e consumismo que dominava a sociedade holandesa. Sua principal ferramenta para esse objetivo inicialmente não era a política municipal, mas os trotes.

O Provo, a partir de 1965, montava “acontecimentos” públicos semanais no centro de Amsterdã com a intenção de destacar os perigos e absurdos da cultura do consumo. Ações mais antigas incluíam a distribuição de “símbolos de amor” e pintar a letra “K” para câncer (Kanker em holandês) em anúncios publicitários de cigarro. O grupo ganhou notoriedade por jogar bombas de gás no desfile de casamento da futura rainha Beatrix (controverso porque seu noivo alemão fora membro da juventude nazista na adolescência) e espalhar rumores de que deram bloquinhos de açúcar com LSD aos cavalos da carruagem de Beatrix.

Apesar — ou possivelmente por conta — dessa abordagem, o Provo desenvolveu uma afinidade maior com seguidores de dentro da juventude holandesa. Isso também pode ter ocorrido por conta de muitas de suas preocupações terem parecido absurdas na época, apesar de parecerem atuais hoje: queriam desarmar a polícia, ocupar construções vazias para moradia e que os e as jovens tivessem acesso ilimitado e sem julgamentos a métodos contraceptivos.

Idealizado pelo ativista do Provo Schimmelpenninck, o Witte Fietsenplan, ou “Plano da Bicicleta Branca,” também teve início com uma ação. Uma multidão se uniu na rua principal para assistir os ativistas pintarem suas bicicletas de branco. Enquanto a tinta secava, membros do Provo entregaram um panfleto contra os carros: “sacrifícios humanos diários são feitos para essa nova autoridade às quais as pessoas se submetem,” dizia no panfleto, “o carro virou uma autoridade. O sufocante monóxido de carbono é seu incenso. Sua imagem arruinou milhares de ruas e canais.”

O Plano da Bicicleta Branca era algo muito mais paliativo do que os esquemas ciclistas contemporâneos. Ao invés de bicicletas acorrentadas e programas pagos, o Provo apenas deixou as bicicletas no centro de Amsterdã para qualquer um levar e devolver, na esperança de que o sentimento comunitário preveniria roubos. Isso pode parecer loucamente ingênuo agora, mas as ruas de Amsterdã na época já tinham algumas bicicletas abandonadas: ciclistas sem escrúpulos às vezes roubavam uma bicicleta, para então abandoná-la quando chegavam aos seus destinos. As bicicletas brancas apenas regulariam a situação ao prover uma alternativa legal, enquanto a frota em si podia ser criada sem muitos custos altos pela quantidade massiva de bicicletas perdidas que a prefeitura já possuía.

O plano nunca funcionou de verdade, contudo, porque nunca foi essa a intenção. De acordo com Schimmelpenninck, a ideia era simplesmente para ilustrar como ela funcionaria, inicialmente utilizando cerca de 10 bicicletas. No fim, a maioria delas foram levadas, não por ladrões, mas pela polícia, uma vez que era ilegal deixar bicicletas sem corrente.

Em 1966, o Provo decidiu usar uma plataforma institucionalizada, assegurando um único assento nas eleições municipais daquele ano — nada mau para um movimento de juventude em uma era na qual só se podia votar na Holanda a partir dos 23 anos. Concordaram em participar do posto em revezamento entre vários membros. Quando Schimmelpenninck ocupou o posto, no inverno de 1967, propôs um plano mais ambicioso de uma frota de 10.000 bicicletas brancas.

Ele não teve a aprovação do conselho, mas a ousadia da ideia cultivou imaginações. O Provo inspirou movimentos por toda a Europa, e seu plano ciclista inspirou uma música popular psicodélica de 1967 chamada “My White Bicycle,” da banda Tomorrow (que ficara muito famosa em 1975 na Grã-Bretanha quando ganhou um cover da banda escocesa de roque pesado Nazareth). Uma das bicicletas brancas do Provo apareceu no John Lennon and Yoko Ono’s Bed-in For Peace no Hilton de Amsterdã, em 1969. À medida que as décadas foram passando, as ações do Provo entraram na memória de vanguarda, com o grupo de arte pública NVA recriando o lançamento do Plano da Bicicleta Branca nas ruas de Glasgow em 2010.

As bicicletas brancas podem parecer uma nota de rodapé peculiar na história do transporte urbano, mas pode-se traçar uma linha entre a ação contracultural do Provo e a indústria de bikesharing de hoje.

Para começar, as bicicletas brancas nunca realmente acabaram: houve uma frota de 1.800 bicicletas de uso livre no Hoge Veluwe National Park, um dos parques mais populares dos Países Baixos, desde 1974. O experimento do Provo foi também de grande valor ao apontar como um serviço municipal pode funcionar. Ao demonstrar a necessidade de segurança, influenciaram uma segunda geração de programas de bikeshare, que introduziram pontos em que se acessa as bicicletas ao inserir uma moeda ou token. Schimmelpenninck foi consultado no primeiro desses esquemas, que ocorreu em Copenhague em 1995. Quando Amsterdã lançou um sistema mais formal de bikeshare em 1998, usando um cartão de chip ao invés de moedas, o Plano da Bicicleta Branca era novamente o modelo seguido.

Enquanto isso, Schimmelpenninck continuou a promover o compartilhamento de veículos com muita persistência. Falava então de veículos elétricos ao elaborar o Plano do Carro Branco, usando uma pequena amostra de carros elétricos pequenos, parecidos com aqueles de golfe. Extraordinariamente, o esquema foi adiante em 1974, com motoristas que pagavam uma taxa de assinatura para o acesso de 25 veículos disponíveis em quatro (mais adiante cinco) pontos em Amsterdã. Os carros brancos foram eventualmente descontinuados nos anos 1980, mas a premissa sobrevive através de serviços de compartilhamento de carros como ZipCar e Car2Go.

Muitas das questões que afetaram o primeiro Plano da Bicicleta Branca também retornaram às discussões públicas. Chegando décadas antes das tecnologias que dirigem a indústria moderna, como os smartphones e GPS, as bicicletas de guerrilha do Provo ainda são prenúncios do efeito revolucionário trazido pelas bicicletas soltas e pelo scooter-sharing, assim como das preocupações quanto à confusão nas calçadas e do vandalismo que seguiram essas medidas.

Enquanto o experimento social teve vida curta, a crítica gerada à cultura automobilística persistiu. Mortes de pedestres nas rodovias de Amsterdã alcançaram um pico de 3.300 — incluindo mais de 400 crianças — em 1971. Como resposta, ativistas enraivecidos realizaram ações diretas, como bloqueios do trânsito por bicicletas em locais de altos índices de acidentes, para empurrar a cidade rumo à mudança. Esse movimento de massa ajudou a moldar Amsterdã no que é hoje — um dos espaços urbanos com a mais intensa atividade ciclista do mundo. É uma cidade na qual o bikesharing acabou tendo menos impacto do que em qualquer outro lugar porque o número de ciclistas que têm sua própria bicicleta já era notavelmente alto.

Na Amsterdã de hoje, as viagens de bicicleta e a redução do uso de carros são amplamente vistas como um bem inequívoco, até (ou talvez especialmente) entre a “burguesia” cujos hábitos eram os alvos primários do Provo. Vale lembrar que sua ideia inovadora — como tantas outras que entraram no senso comum — fora uma vez desprezada como o trabalho de uma marginalidade radical.

Fonte: https://www.bloomberg.com/news/features/2022-02-26/the-dutch-anarchists-who-launched-a-bikesharing-revolution

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Tarde de outono —
Assustada a coruja
Acorda com o trovão

Eduardo Balduino

[Reino Unido] Eles começaram a revolução sem você… mas você está convidado a participar

Fim de semana de Páscoa fui transportado para uma visão do futuro. Não de uma maneira vaga, William Morris, utópica (embora, todo o poder para isso! Definitivamente precisamos de mais visões utópicas para combater o cinismo patológico das divertidas esponjas distópicas), mas de uma maneira muito real, prática e inspiradora.

O anfitrião da nossa última reunião DIY Alliance (DIYA) foi o notável e multipremiado Lancaster Cohousing em Halton, nos arredores de Lancaster. Como mencionei anteriormente, as reuniões DIYA são projetadas para reunir projetos de base, auto-organizados, amigos dos anarquistas e focados na comunidade, para que possamos aprender uns com os outros e maximizar nosso impacto por meio da solidariedade e da ajuda mútua. O plano original era unir projetos em todo o norte da Inglaterra, mas a ideia ganhou um impulso imprevisto em que viu pessoas de lugares tão distantes quanto Northampton se juntarem a nós no fim de semana. Entre eles estavam nossos velhos amigos do Bolton Diggers, o festival antifascista 0161 em Manchester e membros de A Commune in the North (ACitN) – sobre os quais escreverei mais detalhadamente em um artigo futuro – para citar apenas alguns. Foi Cath da ACitN quem convidou Natalia da Anna’s House Education para dar uma palestra sobre o Movimento de Liberdade do Curdistão. Mais sobre isso em um momento.

O local em si era uma espécie de paraíso. Construída às margens do rio Lune, rico em salmão, em terras ex-industriais, Lancaster Cohousing é uma longa rua de casas aconchegantes que atendem aos padrões Passivhaus e Code for Sustainable Homes (nível 6). Não são permitidos carros na área residencial, então os vizinhos devem se cruzar na rua e as janelas da cozinha de cada casa estão voltadas para a rua para que cada morador veja todos os outros regularmente, reforçando o senso de comunidade. Parte da energia do projeto é fornecida pela Halton Lune Hydro, a maior hidrelétrica comunitária da Inglaterra, em combinação com a geração de energia solar comunitária e a rede nacional. As casas são tão eficientes que você precisa programar quantas pessoas estão dormindo na casa. Esquecemos de adicionar alguém em uma das casas onde ficamos e ficou visivelmente quente durante a noite devido ao calor extra do corpo. Eles têm uma grande cozinha comunitária e sala de reuniões, que usamos para nosso encontro, e um Moinho com escritórios e oficinas.

Em um fim de semana ensolarado de Páscoa, o lugar era ridiculamente idílico. Toda vez que pensávamos que não poderia ficar melhor, ele continuava. As crianças brincavam e as famílias nadavam no rio. Juro que até os cachorros tinham sorrisos em seus rostos. E quando abrimos a cortina do nosso quarto de manhã, um par de blue tits acenou para nós de um alimentador do lado de fora da janela.

Meu eu mais jovem teria ficado irritado com o fato de que as crianças em comunidades da classe trabalhadora como a minha não teriam a chance de desfrutar de um lugar como este. Mas hoje percebo que o trabalho é garantir que um dia, não importa quanto tempo leve, as futuras gerações de crianças desfrutarão de uma variedade de ambientes acolhedores onde quer que nasçam. Certa vez, projetei uma propriedade de habitação social autoconstruída. Baseava-se na construção de fardos de palha com terrenos para cultivo e oficinas para pequenos empreendimentos que permitiriam às famílias construir sua saída da pobreza. O projeto avançou bastante antes de ser interrompido pelas limitações dos regulamentos de construção, provedores de hipotecas e leis de planejamento, que eram a construção do lobby de grandes incorporadores imobiliários, como o Persimmon, em vez de regulamentos criados para a proteção daqueles que moravam lá. Acesso à terra também é uma questão importante no Reino Unido.

Um lugar que conseguiu financiamento coletivo para garantir 6 acres de terra em confiança para sua comunidade é a Claver Hill Community Farm. Após o nosso tour de Lancaster Cohousing, visitamos Claver Hill. Eles descreveram como foi um projeto liderado por voluntários, onde todos os voluntários são membros iguais do projeto. Um sistema semelhante ao existente na Bentley Urban Farm (BUF), mas mais bem definido (algo que irei abordar graças a esta visita). Todo o local não é escavado e há 92 canteiros grandes e produtivos divididos em seis projetos distintos, incluindo um lote de banco de sementes e um lote comercial de flores. Este ano provavelmente será o primeiro em que todo o composto para o sistema sem escavação (que precisa da adição de uma polegada de composto em cada canteiro a cada estação) foi feito no local (em caixas de compostagem com telas muito atraentes que foram tecidas de salgueiros que crescem nas suas encostas como quebra-ventos), dando-lhes uma camada adicional de autonomia e resiliência. Emma, ​​a inspiração por trás do DIYA, identificou sites como este e o Bolton Diggers como os ‘novos comuns’; espaços autônomos onde podemos prestar a assistência necessária às pessoas no presente e onde também podemos experimentar e construir para o futuro.

Emma ajudou a organizar a recente turnê zapatista no Reino Unido, e foi aqui que ela percebeu que os zapatistas não estão criando seus eventos de educação, divulgação e diálogo na esperança de que contemos sua história. Em vez disso, eles estão buscando ativamente vincular grupos autônomos, auto-organizados, revolucionários (e potencialmente revolucionários…) em todo o mundo porque vêem que a construção de um futuro melhor, mais corajoso e mais brilhante já começou. Pode não parecer assim nos chamados países “desenvolvidos”, porque existimos em um mundo que está muito mais distante da possibilidade de belas alternativas. Mas o povo de Chiapas e Oaxaca sabe que a luta pelo futuro já começou.

O mesmo é, claro, verdade para o povo de Rojava que vive dentro da Administração Autônoma do Norte e Leste da Síria (AAENS). Como mencionado anteriormente, Cath da ACitN convidou Natalia da Anna’s House Education (nomeada, é claro, em homenagem à amiga de Natalia, Anna Cambell) para falar no encontro DIYA. A ACitN já tem oficinas regulares de educação no segundo domingo do mês e, como estávamos em Lancaster no fim de semana, Cath achou que seria bom dobrar. A educação política é central para as revoluções zapatista e curda. Como Natalia nos explicou, a revolução não surge do nada. São necessários anos de educação para incutir as habilidades, a confiança e a cultura necessárias para uma mudança real. As sementes para a revolução de Rojava em 2012 foram plantadas há 50 anos, quando um pequeno grupo de pessoas começou a falar com orgulho sobre sua identidade curda e deu os primeiros passos para a independência curda. O mesmo valeu para o levante zapatista (embora o caminho para a revolução tenha sido mais rápido, porque foram os revolucionários marxistas que foram educados em uma visão de mundo indeginosa milenar) e para a revolução espanhola.

A outra qualidade que cada um desses movimentos compartilha é a capacidade de autocrítica e adaptação. Como acabei de mencionar, os marxistas que foram para as montanhas de Chiapas se converteram a uma visão de mundo indígena que criou um ethos refrescantemente anti-hierárquico e pós-colonial que inspirou profundamente minha geração na década de 1990 e mostrou à humanidade que outro mundo é possível. O Movimento de Liberdade Curdo também se mudou de uma perspectiva hierárquica, patriarcal e marxista para o conceito ecofeminista de Jineologia e a prática diária do Confederalismo Democrático. Nas regiões organizadas da AAENS as decisões são tomadas por conselhos mistos de gênero, conselhos femininos e conselhos infantis. Assim como os ocidentais há muito domesticados são os mais afastados da crença na liberdade real, as mulheres e as crianças estão mais afastadas da influência corrupta do patriarcado e, como tal, são mais aptas a tomar as decisões que nos levarão a uma vida mais livre no mundo. Tampouco existe o medo do fracasso tão endêmico em pessoas que foram condicionadas pela educação ocidental. A AAENS vem experimentando a construção de uma rede de cooperativas de trabalhadores para ajudar a apoiar a revolução. A primeira onda de construção cooperativa não alcançou os resultados desejados, então eles estão redesenhando o sistema de baixo para cima. Esse tipo de feedback raramente existe em nossa visão de mundo atual, intensamente polarizada, “eu estou certo, você está errado”, antidiálogo, mas é essencial para construir um futuro antiautoritário, antidogmático e anarquista.

Em homenagem a sua amiga Anna, Natalia passou um ano em Rojava. Foi difícil, mas ela adoraria voltar. Mas ela percebe o trabalho educacional que precisa ser feito em sociedades como a nossa, então agora se dedica a educar as pessoas sobre Jineology em países como o Reino Unido. Como mencionei anteriormente, também estamos realizando oficinas regulares de educação política no BUF para ajudar a familiarizar as pessoas com os avanços feitos pelos zapatistas e curdos. Também estou mais do que preparado para trabalhar em algo que não se concretizará em minha vida. Mas se olharmos para o trabalho de uma perspectiva global, pode não levar 50 anos para construir uma revolução neste país. Tanto os zapatistas quanto os curdos são da opinião de que a revolução está aqui e agora. O que quer que escolhamos fazer para alcançar seus objetivos é parte de algo muito mais amplo. Não estamos começando do zero. Temos ilustrações muito reais e tangíveis de alternativas ao status quo criadas por pessoas que já fizeram muito trabalho braçal para nós. Se usarmos os ‘novos comuns’ – sítios como aqueles que visitamos em nosso excursão DIYA – como oportunidades educacionais para apresentar o zapatismo e a Jineology às pessoas em algumas das áreas mais marginalizadas do Reino Unido, teremos o potencial de reduzir alguns dos problemas revolucionários dos alicerces. Só precisamos perceber que todos fazemos parte do mesmo movimento. Parafraseando um ditado bem usado, é nosso negócio “Pensar globalmente, agir de forma autônoma”. E parafraseando William Gibson: “A revolução já está aqui, só não está distribuída uniformemente ainda”.

No verdadeiro estilo curdo, terminamos nossa visita com dança. Um grupo pequeno, mas incrivelmente diversificado, de pessoas dançou ferozmente na noite – e no futuro.

DIY Alliance está ativamente fazendo ligações em todo o Reino Unido. Se você quiser que nós o visitemos, se juntar a nós em nossas visitas, ou apenas quiser mais informações, entre em contato com a rede diretamente através de nossa lista de discussão em diy_alliance(at)lists.riseup.net

Warren Draper

*Desde a publicação, descobri que, graças ao sucesso do Lancaster Cohousing, um novo empreendimento de eco-habitação social está sendo construído ao lado do projeto existente em conjunto com o conselho de Lancaster. Espero que isso crie um precedente muito necessário para outros conselhos. E como Alan do Bolton Diggers apontou, esses projetos são os desbravadores que desenvolvem habilidades essenciais para o futuro.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2022/04/28/they-started-the-revolution-without-you-but-you-are-welcome-to-join-in/

Tradução > GTR@Leibowitz__

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agência de notícias anarquistas-ana

lá se vão as garças
vão pairando sobre o rio
vão cheias de graça

Gustavo Felicíssimo

[Espanha] Lançamento: “As falsas alternativas: Pedagogia libertária e nova educação”, de Ani Pérez Rueda.

Nas últimas décadas, a crítica à escola tradicional deu origem a inúmeros espaços educativos “alternativos” fora da escola pública — tida como inimiga da “liberdade” —, ao mesmo tempo em que nela foram introduzidas novas “práticas inovadoras”. Recusando-se a aceitar a dicotomia entre uma educação controlada pelo Estado capitalista e suas supostas rotas de fuga, o livro Las falsas alternativas revela o que se esconde sob a face amigável dessas propostas: seu caráter segregador, sua função privatizadora e as premissas liberais de seus pressupostos pedagógicos.

A centralidade da felicidade pessoal, o apelo às supostas capacidades inatas ou a irrefletida celebração do desejo e da autoeducação são alguns dos pilares teóricos de abordagens que utilizaram ideias e conceitos historicamente associados à tradição libertária para colocá-los a serviço do ultraliberalismo, onde a ideologia capitalista se esconde por trás do ideal de um naturalismo infantil sorridente.

Isso coloca as propostas contemporâneas que se reivindicam como parte da tradição anarquista diante de um problema político de primeira ordem e frente a dilemas que não são novos, como mostra Ani Pérez Rueda a partir de um rigoroso conhecimento histórico e teórico. Questões como a relação com as instituições escolares estaduais, o vínculo entre metodologias e conteúdos, os objetivos da educação, a complexidade do ideal de liberdade, o papel dos educadores são hoje tão ou mais importantes do que foram para os anarquistas durante o século XX, o que nos obriga a fazer uma pergunta crucial: o que tem permitido que pedagogias “alternativas” usem abordagens libertárias sem aparente contradição?

Falsas alternativas é (e tem sido, antes mesmo de ser o livro que agora tens nas mãos) uma das críticas mais enriquecedoramente controversas aos conflitos que atravessam hoje a relação entre educação e emancipação social.

Ani Perez Rueda (Madrid, 1986) Doutora em Educação pela Universidade Autônoma de Madrid, militante, tem participado em diferentes espaços dentro dos movimentos sociais e do movimento libertário. Nos últimos anos escreveu a tese de doutoramento que deu origem a este livro e motivou muitas palestras e debates.

Las falsas alternativas: Pedagogia libertária y nueva educación.

Ani Perez Rueda

Prefácio de Marina Garces

17 Euros

288 páginas (14 x 21 cm)

978-84-17870-12-6

víruseditorial.net

Tradução > Mauricio Knup

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Só o Ipê vê, pasmo,
o tremor suado — orgasmo —,
borboleta treme e passa.

Alckmar Luiz dos Santos

[Espanha] Atualização sobre os companheiros anarquistas presos em 27-F

Ontem (05/05) à noite Ermann foi solto e hoje Emanuele será solta.

Os caras decidiram pagar as fianças junto com a ajuda dos fundos de solidariedade, dos companheiros, amigos e parentes.

Apenas as fianças de Danilo, Albo e Beppe (o último preso) permanecem por pagar.

Danilo decidiu sair depois do dia 3 de junho, porque não quer perder seus exames universitários, Albo vai ficar com ele esperando-o no mesmo módulo.

Esperamos que a solidariedade recheie os cofres com o dinheiro necessário para libertá-los.

Nos vemos nas ruas!

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Move-te ó tumba!
Meu pranto
é o vento do outono.

Matsuo Bashô

[Peru] Chamada: Anarquia Anticolonial

Dos Andes meridionais usurpados pelo Estado peruano fazemos um chamado para refletir sobre o seguinte tema: o anarquismo é anticolonial? Convidamos você a unir forças para esclarecer essa questão e, assim, enfrentar a máquina colonial. Prazo até antes do final de agosto. Comunique-se por escribanosaquipues@tutanota.com

Fonte: https://periodicolibertaria.wordpress.com/2022/05/05/convocatoria-anti-colonial/

agência de notícias anarquistas-ana

Na noite sem lua
o mar todo negro
se oferece em espuma

Eugénia Tabosa

[EUA] Coletivo Anarquista Compartilha Instruções para a Produção de Pílulas Abortivas DIY

Coletivos de medicina DIY estão se preparando para a previsão aterrorizadora de que Roe v. Wade será anulada.

Por Jason Koebler | 03/05/2022

Com a Suprema Corte prestes a anular o direito constitucional ao aborto, um coletivo anarquista que focado em medicina DIY divulgou instruções detalhadas para a confecção de pílulas abortivas. O grupo anteriormente havia divulgado instruções para uma EpiPen DIY e para fazer daraprim, a pílula que tornou infame Martin Shkreli.

O Four Thieves Vinegar Collective demonstrou como fazer tabletes de misoprostol, que são usados para induzir o aborto, na conferência Please Try This at Home de Pitsburgo em 2019. No ano passado, após o Texas passar um banimento quase total do aborto, Mixael Laufer, que dirige o coletivo, publicou um vídeo de 17 minutos (https://archive.org/details/FTVDIYA) explicando como fazer as pílulas em casa.

“A primeira coisa a mencionar é que isso foi pensado com um pouco de pressa,” declarou Laufer. “Houve um grande pânico porque a República do Texas colocou em prática algumas manobras para beneficiar as pessoas no poder e manter um monte de outras pessoas sem poder algum.”

Laufer compartilhou o vídeo repetidamente após o vazamento de uma decisão dos tribunais que mostrou a Suprema Corte planejando a anulação de Roe v. Wade, o que geraria automaticamente banimentos totais do aborto em quase metade dos estados estadunidenses. Quando um usuário do Twitter perguntou se havia um registro do “hipotético” processo de fabricação da pílula abortiva, Laufer respondeu com um link para o vídeo.

“Nem um pouco hipotético. Vá em frente e arrase,” tuitou Laufer.

No vídeo, Laufer explica que, além de ser utilizado para induzir abortos medicinalmente, o misoprostol também é utilizado no tratamento de úlceras em cavalos. Isso faz o pó de misoprostol relativamente acessível por meio de veterinários. (É remanescente da ivermectina, que é utilizado para controlar parasitas em cavalos, mas também se tornou um tratamento para COVID — apesar de ineficaz — entre os conspiracionistas. O uso da ivermectina em cavalos facilitou que humanos o adquirissem sem prescrição.)

Laufer explica no vídeo como dosar o misoprostol e como transformá-lo em pílulas através do uso de uma balança, xarope de milho, açúcar refinado, um recipiente de spray e uma prensa. Explicam que um regime de três doses de misoprostol é 85% eficaz em induzir o aborto. Se tomado com mifepristona, outra pílula abortiva, a eficácia chega a 95%, embora a mifepristona pura seja mais inacessível.

Motherboard não pode garantir a segurança de fazer a própria pílula, e o Four Thieves Vinegar Collective foi criticado por algumas pessoas da medicina e farmácia institucionalizadas que pensam que a medicina DIY não é segura sob quaisquer circunstâncias. Em um mundo progressista e justo, abortos seriam gratuitos e administrados em segurança por profissionais da área médica, mas vimos diversas vezes que ataques ao acesso ao aborto levaram a alternativas menos seguras, realizadas pela própria paciente ou sem supervisão médica. Se Roe for anulada, vamos ver mais pessoas buscando métodos de aborto DIY, o que incluirá fazer suas próprias pílulas abortivas. Laufer afirmou que espera que as pessoas que farão suas pílulas abortivas as farão proativamente e como precaução, e não sob circunstâncias emergenciais.

O vídeo provavelmente ajudará ao menos algumas pessoas que buscam realizar abortos, embora Laufer afirme que, em uma emergência, as pessoas deveriam buscar ajuda das organizações de saúde tradicionais que têm buscado expandir o acesso ao aborto há anos.

O fato de haver necessidade de fazer o vídeo atesta a natureza aterrorizante do mundo em que nos encontramos e de até que ponto as mulheres precisam potencialmente chegar para fazer um aborto em um mundo sem as proteções de Roe v. Wade. Pesquisas extensivas demonstram que, legalmente ou não, mulheres ainda abortarão e que, quando ilegais, esses abortos serão muito mais perigosos. Um estudo recente sugeriu que um banimento do aborto levaria a um aumento de 21% das mortes relacionadas à gravidez, e de 33% em mortes relacionadas à gravidez em mulheres pretas.

Fonte: https://www.vice.com/en/article/qjby4b/anarchist-collective-shares-instructions-to-make-diy-abortion-pills

Tradução > Sky

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Voa andorinha,
Risca o céu e arrisca
Um mergulho agorinha.

João de Deus Souto Filho

[Espanha-Itália] Barcelona 27F. A destruição da liberdade

Desde 27 de fevereiro de 2021, quatro camaradas estão presos no BRIANS I de Martorell (Barcelona). Inicialmente, houve 8 prisões. Eles são acusados de tentativa de assassinato e de formar um grupo criminoso, por participarem de uma manifestação em Barcelona na qual o lado de um veículo de guarda da cidade foi queimado por 30 segundos. Um guarda estava a bordo e saiu com pressa.

Claramente uma montagem. Encenado pelo Estado para romper as manifestações que estavam sacudindo as principais cidades espanholas no meio da COVID. Em solidariedade com o rapper Pablo Hasél, que também ainda está detido por crimes de opinião.

Punho de ferro e emboscada, esta é a resposta do Estado. Uma montagem que lembra outras. De Sacco e Vanzetti à Sole, Silvano e Baleno, passando por Pinelli e Valpreda. Na verdade, os acusados são estrangeiros (italianos) diante de uma Europa unida, são anarquistas, okupas, sem emprego permanente e sem família na Espanha, é claro.

O GIP do julgamento (María Eugenia Canal Bedia) – uma conhecida amiga da polícia – fez todo o possível para atrasar a aproximação do julgamento, o que poderia revelar a inconsistência do esquema. Ela sempre esticou ao máximo o tempo de espera para cada ato, chegando a esconder por 45 dias um relatório dos bombeiros exonerando os rapazes. Acusados, entre outras coisas, de compartilhar o grito de guerra “Chihuahua” e de se distinguir pelo “isqueiro de cor ocre” e outras amenidades similares… 14 meses em prisão preventiva, aguardando julgamento. Esta é a democracia espanhola, evidentemente ainda sofrendo de síndromes totalitárias.

Tanto na Itália como em Barcelona, os comitês de solidariedade 27 F se desenvolveram e são particularmente ativos. Durante os 12 meses de prisão preventiva, foram realizadas marchas de solidariedade em Barcelona e Turim. Estes comitês também são apoiados pelo comitê para a liberação de Pablo Hasél em Milão, com o qual eles colaboram.

Foi exigida uma fiança desproporcional (245.000 euros) para sua liberação, que mais tarde foi ligeiramente reduzida, mas ainda inalcançável. Estamos aguardando uma nova sentença do Tribunal Provincial, que também está sendo adiada. Não surpreendentemente, recentemente houve uma nova prisão de um réu de 27 F que entrou na Espanha vindo da França.

Pedimos a solidariedade de todos os anarquistas para que o Estado espanhol não possa encobrir suas próprias infâmias e levantar os fundos para pagar sua fiança e tirá-los desta situação inacreditável.

Solidariedade com os presos do 27F e com todos os detidos, agora 9.

Solidariedade com Ermanno, Albo, Emanuele e Danilo na prisão há 14 meses. Solidariedade com Beppe, o último detido, e com todos os outros réus. Solidariedade com Pablo Hasel.

Solidariedade com todos os prisioneiros.

COMITÊ 27F DE TURIM

Turim, 6 de abril de 2022

CONTA DE APOIO FINANCEIRO: n° IT19G0347501605000317522969 em nome de Luca Cagnassone.

Fonte: https://contramadriz.espivblogs.net/2022/04/19/italia-espana-barcelona-27f-la-destruccion-de-la-libertad/

Tradução > Liberto

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casa na neve
odores vindos de longe
o céu como teto

Célyne Fortin

Apelo a uma rede árabe de anarquistas

Caros camaradas,

Somos um grupo de anarquistas e libertários em formação e gostaríamos de compartilhar este chamado com você:

Convocamos nossos camaradas, indivíduos e coletivos, para uma rede de anarquistas e libertários de língua árabe e/ou que vivem no norte da África, península arábica e regiões vizinhas.

Anunciamos nossa vontade de construir essa rede para fortalecer a solidariedade, a ajuda mútua, o apoio, a discussão e a troca de críticas, novidades, conhecimentos, habilidades e experiências, teóricas e práticas.

Pedimos que você entre em contato conosco e compartilhe esta ligação com quem possa interessar.

Obrigado, saudações e solidariedade.

anarab2022@solidaris.me

anarab2022.noblogs.org

Tradução > GTR@Leibowitz__

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Pequena flor
Sol contido na cor
Ipê amarelo

Luciana Bortoletto

[Ucrânia] A batalha pelo território da antiga Makhnovshchina

A batalha pelo território da antiga Makhnovshchina. Distopia comunista primitiva nas ruínas de Hulaipole.

A cidade natal do revolucionário anarquista ucraniano Nestor Makhno está no epicentro dos confrontos com os invasores russos há várias semanas. Todos os dias eles estão bombardeando a cidade com armas pesadas e tentando invadir o sul para cercar as unidades ucranianas no Donbass. Escrevemos anteriormente sobre motins por alimentos em Pologi ocupada, perto desses locais. Para doar ao grupo de mídia online Kharkov para a restauração do tecido social da cidade e ajuda aos residentes civis, visite esta página (https://www.globalgiving.org/projects/mutual-aid-alert-for-east-ukraine/). Um par de xícaras de café em seu país, mesmo antes da guerra, poderia ser equivalente em preço ao salário diário de um trabalhador na Ucrânia!

Por assembly.org.ua | 27/04/2022

A invasão russa se desenvolveu mais rapidamente no sul da Ucrânia. Aqui eles conseguiram capturar toda a região de Kherson em algumas semanas e alcançar as fronteiras de Zaporozhye. Depois planejaram ir para o norte para cercar um grupo maciço de tropas ucranianas na região de Donetsk. Todos os planos foram quebrados pela cidade zaporozhiana de Huliaipole.

Controlada pelas Forças Armadas Ucranianas e pela Defesa Territorial Azov, esta comunidade acolhedora está a apenas 1,5 km da linha de frente. Há mais de um mês, não há água, nem eletricidade, nem gás. Não há lugar para retirar dinheiro com cartões. Não há lojas, exceto o supermercado ATB, que está aberto por duas horas e só aceita dinheiro. 95% da população já partiu. Aqueles que permanecem (em sua maioria idosos e doentes) sobrevivem principalmente da ajuda humanitária. Os residentes vivem em porões e cozinham juntos na rua.

Huliaipole é estrategicamente importante porque as estradas que levam a vários centros regionais – Donetsk, Dnipro e Zaporozhye – passam por ela. O terreno contribui muito para sua defesa. Antes da guerra, havia quase 14.000 habitantes, podemos ver empresas agrícolas, mercados, escolas, casas típicas soviéticas destruídas. Há também o centro histórico, onde foram preservados edifícios do início do século passado, incluindo a sede do exército insurgente e a casa da família Makhno.

As tropas makhnovistas não lutaram pela independência política da Ucrânia (à qual, de fato, eram indiferentes), mas defenderam seus ganhos sociais revolucionários: conselhos livres, terra camponesa e autogestão dos trabalhadores nas fábricas. Na guerra atual, os anarquistas não estão interessados na vitória de um ou outro grupo de estados predadores. Toda nossa empatia vai para os trabalhadores comuns que morrem todos os dias neste espaço sob bombas e foguetes.

Fonte: https://libcom.org/article/battle-makhnovshchina-heartland-primitive-communism-dystopia-ruins-huliaipole

Tradução > Liberto

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Vento.
A folha cai no chão
outras mais virão

Renata

Memória | A Revolução Pela Fome: O Anarquismo Brasileiro Contra a Carestia!

Por Marcolino Jeremias

Em destaque, foto de um comício popular contra a carestia de vida, organizado em maio de 1913, pelo Centro de Estudos Sociais, no Largo da Carioca, no Rio de Janeiro. No evento falaram vários oradores, entre eles, João Goncalves da Silva, Candido Costa e Orlando Correa Lopes. Durante os seus discursos, a maioria dos oradores declararam sua condição de anarquista, por isso a manchete: “O Anarquismo Já é Pregado na Praça Pública”.

No seu discurso, Orlando Correa Lopes, afirmava: “A república brasileira, modelo de liberalismo democrático, é isso aí que se vê, um monturo (monte de lixo) ignóbil de torpezas e vilanias, uma organização que é – não uma consequência – mas a própria causa do desmantelamento da sociedade em que vivemos. Falo como anarquista, e quero demonstrar ao povo que a anarquia é o regime para o qual fatalmente caminhamos, destroçando as misérias sociais da burguesia e implantando por fim, sobre esses destroços, uma nova era de paz e de justiça, de bem-estar geral e universal. Viva, pois, A Anarquia!“.

E contrariando a falsa ideia exaustivamente repetida – que na verdade era a tese policial da época, da “planta exótica” – que a maioria dos anarquistas eram elementos estrangeiros, a própria imprensa oficial registrava: “O meeting de ontem, convocado pelo Centro de Estudos Sociais e pelas associações sindicalistas revolucionárias desta capital, foi uma reunião onde se fizeram afirmações essencialmente anarquistas. E mais. Os oradores, todos anarquistas, eram todos brasileiros. E estes não são de modo nenhum vagabundos, nem perturbadores da ordem. Os perturbadores da ordem, ao contrário, estão justamente entre os que são pagos para garantirem-na, entre o pessoal da polícia, entre os componentes do corpo de segurança“.

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Sombra no mato
passarinho assovia —
avencas ao vento.

Mô Schnepfleitner

[Alemanha] Solidariedade com nossos camaradas anarquistas em Munique

Na semana passada, no dia 26 de abril, a polícia invadiu vários apartamentos, bem como a biblioteca anarquista “Frevel”: mais camaradas sendo acusados de formar uma organização criminosa. Nesse caso, as acusações são apologia ao crime. Trata-se de outra investigação do §129 em uma grande lista de investigações criminais no movimento anarquista, antifascista e antiautoritário.

A repressão contra nossos camaradas de Munique é um ataque contra todos nós. Em frente às crescentes tensões sociais referentes à militarização da sociedade e à necessidade de líderes mundiais fortes, espaços anarquistas como um local para nos unir, um local de discussão e troca sobre a nossa luta, são mais importantes que nunca.

O fato de que ideias e pensamentos direcionados à liberdade são incômodos ao Estado, que se constroem sobre tradições, nos mostra que não podemos nos surpreender com ataques contra nós e nossas estruturas. O que podemos fazer é unir forças e lutar por um mundo melhor.

Como a biblioteca anarquista “Kalabal!k”, queremos demonstrar nossa solidariedade aos nossos camaradas de Munique que encaram a repressão.

Unidos em ódio e raiva direcionada à dominação e opressão e à luta por um mundo melhor!

Fonte: https://de.indymedia.org/node/187910

Tradução > Sky

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/05/alemanha-munique-invasoes-residenciais-e-da-biblioteca-anarquista-pela-policia/

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Por este caminho,
Ninguém mais passa —
Tarde de outono.

Bashô

Formações Anarquistas e Autônomas Vão às Ruas na Cidade do México no May Day

Relatório da Cidade do México no May Day, quando vários grupos e iniciativas anarquistas e autônomas foram às ruas.

Na Cidade do México, uma cidade na qual a tradição revolucionária de Flores Magon, Zapata e Villa continua viva, há inúmeras celebrações do May Day. Deixando de lado as marchas escassamente atendidas organizadas pelos stalinistas, ou os grandes e sombrios desfiles liderados pelos sindicatos democratas e os mais populares “movimentos sociais” controlados pelo Morena, o partido atualmente no poder, houve ao menos três marchas que tiveram notável participação dos setores autônomos, anarquistas ou comunistas antiestatistas, todos os quais convergiram na Zocolo, a praça central da cidade.

Uma pequena, mas forte, marcha antiautoritária anunciou ao público a emergência de uma “Coordinadora Anarquista” recém formada que distribui comida, com a primeira edição de sua zine “La Grieta,” e, seguindo sua chegada à Zocalo, apoiaram os membros da comunidade indígena refugiada Triqui em busca de um retorno seguro a Tierra Blanca, Oaxaca. Na última segunda-feira, essa comunidade foi despejada violentamente de uma ocupação que já durava 15 meses no centro da cidade e sofreu uma intervenção de mais de 24 horas da polícia de motim, enquanto os membros da comunidade valentemente se recusaram a assinar um acordo e a acabar com os protestos.

Em uma marcha maior constituída majoritariamente de sindicatos estadistas, marchou também a Section 9 do CNTE, o sindicato nacional de professores, que é constituído por muitos anarquistas e antiautoritários que lutaram pelo controle do sindicato dos trabalhadores democratas.

A maior marcha antiautoritária teve início perto do La Merced, um grande mercado cuja história pode ser traçada à colonização, também uma das localidades com maior concentração de profissionais do sexo da América Latina. Essa marcha foi convocada pela Brigada Callejera, uma organização de trabalhadores e trabalhadoras do sexo que ocasionalmente se descreve como um sindicato anarquista e é aderente à Sexta Declaração da Selva Lacandona. Destacando a forma em que o terreno de lutas anticapitalistas ocorrem além dos confins da fábrica ou dos assuntos tradicionais do movimento trabalhista, os mais de 300 profissionais se uniram a centenas de proletários que vivem em comunidades autônomas e auto-organizadas na periferia das cidades.

Isso incluiu cerca de novecentos membros das nove comunidades autônomas pertencentes à Organizacion Popular Fransisco Villa de Izquierda Independiente, ou aos Panchos, como são conhecidos (veja este artigo recente para mais informações sobre os Panchos: https://polarjournal.org/2022/03/31/building-urban-autonomy-the-construction-of-a-communal-form-of-life-in-mexico-citys-peripheries/), e cerca de 60 membros da Xochitlanezi, outra comunidade revolucionária autônoma que pertence à organização Brújula Roja e que também foi alvo recente da contrainsurgência do Estado. Também compareceu à marcha um pequeno bloco anarquista, antifascista e antiautoritário que cantou A Las Barricadas e correu pelas ruas, injetando uma sensação de anarquia alegre à plácida marcha.

A banda radical La Comparza também marchou junto com internacionalistas da Itália e dos Estados Unidos e várias cooperativas autônomas de mídia. Os gritos populares incluíam “Respeto Total al Trabajo Sexual”, uma alternativa ao slogan anarquista da Revolução Mexicana “La Esquina es de quien la trabaja” e ao populista “Cuando el pueblo se levante, por pan libertad y tierra, temblerán los poderosos de la costa hasta la sierra.”

Enquanto houve inúmeras atividades do May Day por toda a cidade e o dia todo, uma que fora notável pela força e importância do feminismo na América Latina foi um encontro no dia seguinte organizado como uma ação beneficente por um grupo anti-encarceramento/abolicionista anarcofeminista. O evento teve início com uma discussão sobre violência intrafeminista – tocando em temas frequentemente vistos como tabu sobre a violência que ocorre em espaços separatistas (sem homens cis) “livres de violência”, a lógica carcerária na qual o feminismo punitivista é baseado e o cancelamento, e a discussão do emaranhamento histórico do patriarcado, colonialismo e da emergência dos sistemas modernos de encarceramento. Uma rifa para arrecadação de fundos para feministas abolicionistas incluiu prêmios doados por herboristas, tatuadores, pela já mencionada Brigada Callejera e outros. Aqui, a rifa – uma prática popular entre as comunidades proletárias, anarquistas e autônomas no México – trouxe um contraponto às práticas comuns das ações beneficentes do Norte Global.

Fonte: https://itsgoingdown.org/anarchist-and-autonomous-formations-hit-the-streets-of-mexico-city-on-may-day/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Todos dormem.
Eu nado na noite que
entra pela janela.

Robert Melançon

[Espanha] Assim os comunistas assassinaram 12 anarquistas em Barcelona

Por Manuel Aguilera Povedano

O juiz Josep Vidal recebeu um caso complicado em 10 de maio de 1937. Haviam aparecido vários cadáveres não identificados em um vinhedo nas imediações de Barcelona e ele, com apenas 30 anos, era o eleito para investigá-lo. Naquela mesma tarde chegou a Cerdanyola com três agentes e o médico forense. Não ia ser nada fácil. Anotou em sua caderneta que havia “doze cadáveres, com as caras muito sujas, e começando a se decompor, apresentando, aparentemente, sinais externos de violência”.

A coisa estava feia. Em plena guerra contra o fascismo, comunistas e anarquistas acabavam de se enfrentar nas ruas de Barcelona nos chamados Feitos de Maio e agora, quando parecia que a situação se acalmasse, aparecia isto. Os corpos estavam de boca para cima e ao longo do caminho e vários apresentavam tiros na cabeça feitos a pouca distância. Estava claro que haviam sido executados em outro lugar e abandonados ali. Se não, algum vizinho teria escutado disparos. “Aqui há marcas de pneus. Parecem de caminhonete”. Era a primeira pista. Se via claramente como um veículo havia manobrado para dar a volta. Não havia nada mais importante. Só um pacote de cigarros e um pedaço de corda manchados de sangue.

A grande incógnita era saber quem eram. Não havia nenhum documentos nos bolsos nem nada identificativo. Os camponeses da região não tinham nem ideia. Tampouco os cinquenta curiosos que observavam a cena com cara de espanto. Em Barcelona havia nesse momento um caos de denúncias de desaparecidos porque comunistas e anarquistas estavam ainda liberando os prisioneiros. Durante os combates houve 218 mortos, mas isto era outra coisa. Estes não tinham caído em um combate de rua, tinham sido selvagemente torturados e executados. “Como são da CNT vão nos foder bem”, comentou um dos agentes. Outro se aproximou de um dos cadáveres e mostrou aos demais o bordado da camisa: “CNT”. “Vão nos foder bem”, murmurou o juiz.

O juiz ordenou fotografar os cadáveres e transladá-los ao depósito judicial de Barcelona. Cedo ou tarde alguém viria reclamá-los e poderiam identificá-los. Assim seria com todos menos com dois. Mesmo 83 anos depois, ainda não se sabe seus nomes.

Em 12 de maio Solidaridad Obrera publicou que em Cerdanyola “uma misteriosa ambulância da saúde abandonou os cadáveres, barbaramente massacrados, de 12 militantes das Juventudes Libertárias”. A autopsia determinou que haviam sido “golpeados, maltratados ou torturados antes de seus fuzilamentos”. A instrução do caso estava pondo o jovem juiz em um terrível compromisso. Os assassinos pareciam estar bastante claros e tinham muito poder. PSUC e PCE mandavam mais que nunca nos governos catalão e central. Os testemunhos iam esclarecendo uma história que poderia derrubar a retaguarda republicana.

Uma semana antes, em 4 de maio de 1937, as seis da tarde, cinco jovens anarquistas se reuniram no bairro de Sant Andreu. Levavam alguns fuzis e queriam somar-se à luta contra o PSUC e ERC que havia começado no dia anterior. O mais jovem, Joan, de 20 anos, dirigia. O maior, Jose, de 33, ia a seu lado. Atrás se sentaram Francisco, César e Juan Antonio. “Por onde vamos? Está tudo cheio de barricadas”, perguntou um. Transitar por Barcelona era um suicídio. Uma rua era anarquista e outra comunista. “Vamos à Casa CNT-FAI, não? Melhor evitar o centro. Eles controlam o Paseo de Gracia”.

O destino era a Vía Laietana assim que preferiram dar uma volta pelo Parc da Ciutadella. Ignoravam que ali haviam se instalados milicianos da Coluna Carlos Marx e todos os acessos eram uma armadilha. Quando iam pela rua Pujades ouviram uns disparos e uma barricada lhes impediu a passagem. Em seguida se viram rodeados por “uns indivíduos que usavam boina com uma estrela vermelha”. “Cinco golpistas!”, gritou um dos comunistas. “Levem-nos ao quartel e que confessem”.

Ali, em umas celas do Quartel Carlos Marx, estiveram golpeando-os de um em um. Nas horas seguintes chegaram mais cenetistas detidos nas imediações. Agustín, ferroviário; Santos, curtidor com quatro filhos; e Carles, um tenente da Coluna Durruti que estava de licença. Logo chegou Joaquín, de apenas 18 anos, militante ativo das Juventudes Libertárias de Gracia. O dia acrescentou mais dois detidos, de 18 e 55 anos. O jovem levava as siglas “CNT” bordadas na camisa. No total, eram onze nas celas.

Em Sant Andreu se inquietavam porque não sabiam nada de seus companheiros. No dia seguinte, quatro anarquistas saíram em sua busca. Realizaram o mesmo trajeto que eles até que em Poble Nou uns vizinhos lhes avisaram de que seguir em carro era um suicídio. Decidiram continuar a pé, com o fuzil bem preparado, mas não evitaram a emboscada. Houve um tiroteio e um caiu ferido de morte: Toni, de 20 anos. Outro ficou detido: Lluís, de 19.

Os 12 detidos do Quartel Carlos Marx sofreram maltratos durante três dias. Golpearam-nos com culatras de fuzil, lhes cortaram com facas… Até que chegou a paz em 7 de maio. Os carcereiros tiveram que decidir: liberá-los e arriscar-se a uma denúncia por tortura ou desfazer-se deles. Os fuzilaram nesse mesmo dia e levaram os corpos a Cerdanyola.

A mãe do mais jovem, Joaquín, estava movendo céus e terra buscando seu filho. As pistas a levaram até o Quartel e ali se apresentou. Lhe responderam que se equivocava, que seu filho não estava ali. E era verdade. Seu corpo jazia já em Cerdanyola. Também o buscava seu irmão maior, Alfredo, que era um conhecido dirigente das Juventudes Libertárias. Como podia dar muitos problemas, também o assassinaram e seu cadáver ainda não apareceu.

O juiz Josep Vidal desistiu de avançar na investigação. Não se atreveu a mandar a polícia ao quartel comunista. Sem provas conclusivas, a Audiência encerrou o caso mas a CNT não estava disposta a esquecer. Empreendeu sua própria investigação secreta e identificou os supostos assassinos. Existe um informe manuscrito no Arquivo de Salamanca* com o nome dos culpados, seu cargo e seu domicílio. Não se sabe se sofreram represálias. A CNT preparou também um plano de vingança pelos Fatos de Maio, mas essa é outra história.

Estes são os 12 mártires de Sant Andreu:

  1. Joan Calduch Novella. 20 anos. Natural de Arenys de Mar. Solteiro. Vivia em San Andrés, rua Bartrina 31, bajos.
  2. José Villena Alberola. 33 anos. Vivia com seus pais e irmão na rua Estevanes 14, principal primera, do bairro de A Sagrera de Barcelona.
  3. Francisco Viviana Martínez. 27 anos. Natural de Valência. Casado com Montserrat Uch Moré e com dois filhos: Josefa e Francisco.
  4. César Fernández Pacheco. 25 anos. Natural de Barcelona. Solteiro. Vivia com sua irmã e cunhado na rua Montepellier, 32 bajos.
  5. Juan Antonio Romero Martínez. 24 anos. Natural de Águilas (Murcia). Solteiro.
  6. Agustín Lasheras Cosials. 25 anos. Natural de O Vendrell. Solteiro. Ferroviário. “Desconhecido número 6”.
  7. Santos Carré Poblet. 30 anos. Casado. Quatro filhos. Curtidor. Vivia em Passatge Serrahima, 4, 2º (Poble Sec).
  8. Carles Alzamora Bernad. 27 anos. Natural de Cuba. Solteiro. Ferroviário. Tenente da Coluna Durruti. “Desconhecido número 1”.
  9. Joaquín Martínez Hungría. 18 anos. Dependente em uma loja. Militante das Juventudes Libertárias de Gràcia. “Desconhecido número 4”.
  10. Lluís Carreras Orquín. 19 anos. Natural de Barcelona. Solteiro. Sargento de Milícias.
  11. Desconhecido. 18 anos. “Desconhecido número 3”. Levava o bordado da CNT.
  12. Desconhecido. 55 anos. “Desconhecido número 2”.

Como dissemos, outros dois implicados no relato foram assassinados: Antoni Torres Marín (20 anos) e Alfredo Martínez Hungría (uns 24 anos).

Agradeço a Agustín Guillamón que me facilitou o informe judicial que publicou em seus livros La represión contra la CNT y los revolucionarios (2015) e Insurrección (2017). Agradeço também a Jordi Bigues suas investigações a respeito. Publicou suas conclusões neste artigo¹ de 2018.

*”Os indivíduos que executaram os 12 companheiros de Sardañola e seus prêmios”. Centro Documental da Memória Histórica. Salamanca. PS Barcelona. Caixa 178 nº 49.

Fonte: https://manuelaguilerapovedano.wordpress.com/2020/05/03/asi-asesinaron-los-comunistas-a-12-anarquistas-en-barcelona/

agência de notícias anarquistas-ana

vento de outono
carrega das secas folhas
o tempo passado.

Wagner Marim

[Bielorrússia] Anarquistas condenados no “caso Pramen”

Em 22 de abril, foi pronunciado o veredito no chamado “caso Pramen”. Aliaksandr Bialou, Jauhen Rubashka, Artsiom Salavei foram condenados a 5 anos de prisão, outro Artsiom Salavei – a 4,5 anos. O agravante é desconhecido, uma vez que o julgamento foi realizado à porta fechada.

Aliaksandr e Jauhen foram presos em 29 de julho de 2021 e acusados de participação nos protestos de 2020. Dois ativistas chamados Artsiom Salavei (homônimos) foram detidos uma semana depois. Durante a investigação, o coletivo de mídia anarquista Pramen e seu site e redes sociais foram reconhecidos como uma formação extremista. Os caras foram acusados de promover atividades extremistas em nome do coletivo.

Em 2020-2021, todos os réus já haviam sido detidos por vários protestos e presos por curtos períodos.

Tradução > dezorta

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/05/14/bielorrussia-ministerio-da-informacao-bloqueou-o-espelho-do-site-pramen/

agência de notícias anarquistas-ana

Na hora do rush
o cheiro do incenso acalma:
hare-krishnas dançam.

Anibal Beça

[Espanha] Zaragoza: Dois companheiros antifascistas em julgamento por retirar símbolos fascistas da rua

Participe da concentração em repúdio a este processo no dia 11 de maio às 09h30 às portas da Cidade da Justiça em Zaragoza (Aragão).

Desde a Coordenadora Antifascista de Zaragoza e da Sare Antifaxista todo nosso apoio aos companheiros antifascistas que querem processar por retirar símbolos fascistas das ruas.

A repressão contra eles continua, nossa solidariedade também!

CNT Zaragoza expressa seu total apoio a estes dois companheiros, ecoando suas palavras quando dizem que “a eliminação de todos os símbolos fascistas não é um crime, mas um dever”.

Eles andaram pela cidade cansados de ver como nem o Governo de Aragão, nem a Prefeitura de Zaragoza fizeram nada para retirar símbolos fascistas das ruas de nossa cidade, então eles colocaram a escada nos ombros e foram tirando uma a uma até que a polícia os parou“.

>> Vídeo da CNT: https://youtu.be/soKdkLBDcR8

agência de notícias anarquistas-ana

uma pétala de rosa
no vento
ah, uma borboleta

Rogério Martins