[Itália] Vídeo do cortejo antimilitarista no dia 2 de abril em Milão

Sábado (02/04) à tarde em Milão, nosso cortejo contra as guerras e os que armam e as políticas belicistas da ENI [empresa de energia italiana] desfilou como planejado da Piazza Affari à Piazza Cordusio, onde se juntou à de “Milão Contra a Guerra”, para terminar na Piazza Fontana. Muitos slogans, discursos ao microfone e bombas de fumaça caracterizaram nossa presença.

A performance teatral realizada na praça de negócios também foi significativa.

Nossa posição sobre a guerra em curso na Ucrânia também foi claramente afirmada: nem com Putin nem com a OTAN e solidariedade com todos os desertores!

Além dos camaradas da região de Milão, havia delegações de muitas cidades, inclusive da Sicília e da Eslovênia. Mais uma etapa de sucesso da nossa jornada que continuará nos próximos meses.

Assembleia Antimilitarista

>> Veja o vídeo (07:47) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=LEGQ3w7LyxM

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

Ao deixar o portão
o templo zen,
Uma noite estrelada!

Shiki

[Portugal] A guerra, o cinismo e a covardia

Por M. Ricardo de Sousa | 13/04/2022

É já um lugar comum dizer que esta guerra na Ucrânia vai reconfigurar a política europeia e mundial. Mesmo não sendo bruxo, tudo aponta para isso. O rearmamento da Alemanha, o aumento da coesão e poder da OTAN, uma nova corrida armamentista, o reforço dos investimentos em energia nuclear, serão desde logo algumas consequências da invasão da Ucrânia pelo Estado Russo. Por tudo isso o capitalismo liberal terá um dia de agradecer a Putin ter desencadeado este imprevisível impulso agregador.

Haverá também consequências duradouras entre os que se declaram anticapitalistas, pois a fractura resultante do apoio implícito, e explícito, de vários setores à agressão desencadeada por Putin, não me parece que sejam fáceis de ultrapassar no futuro. São visões de mundo antagônicas a dos que apoiam um agressor e a dos que apoiam as vítimas.

Até na velha extrema-esquerda, teoricamente internacionalista, o alinhamento com as teses do Estado russo não deixa de surpreender tanto mais que a natureza da oligarquia russa, o nacionalismo reacionário de Putin e a sua política imperial, não dão margem para as ilusões que pudessem ainda existir quando da invasão da Hungria e da Checoslováquia pela desaparecida URSS, justificadas pela desestabilização imperialista do “campo socialista”. E, mesmo nessa época, os libertários, e muitos comunistas, manifestaram-se contra o imperialismo russo.

O trágico, ou cômico, é que a reprodução dos argumentos do Estado russo, incluindo de peças da sua campanha de manipulação e desinformação, se faça em nome do “anti-imperialismo”, um anti-imperialismo que faz até que, em alguns países, setores delirantes da extrema-esquerda considerem o Irã e o Daesh “objetivamente anti-imperialistas”. Serão delírios da velhice ou cinismo sinistro da velha tradição stalinista?

A posição dos anarquistas, pelo menos as que conheço, neste caso, foram corretas e não levou a nenhum alinhamento com a retórica política do Estado Ucraniano, mantendo-se no objetivo claro de oposição ao invasor e de apoiar a autodefesa do povo ucraniano, pelos meios que decidir e entender, mesmo sabendo que a lógica do Estado tende a impor-se em situações de guerra, mas essa é uma disputa permanente entre os povos e a suas classes dominantes e o Estado nacional.

Sabemos que no passado, nas duas guerras mundiais, houve uma fractura no movimento anarquista entre os defensores do alinhamento com um dos campos do conflito, mas mesmo nessa situação crítica nunca houve setores libertários que defendessem o campo do agressor. Ou seja, na I e na II Guerra Mundial o debate foi se se deveria apoiar o campo dos Aliados contra os Estados agressores e autoritários ou apelar aos trabalhadores à não participação na guerra.

Por isso é que espanta que, também entre os libertários, surjam alguns que se dedicam implicitamente, outros sub-repticiamente, a defender o Estado Russo com os seus argumentos e justificações, evocando razões geo-estratégicas ou fatos e guerras passadas comprometedores do campo imperialista, EUA e Reino Unido. Como se a invasão do Iraque, Afeganistão, Líbia, ou a ocupação da Palestina, etc., legitimasse a agressão russa. É difícil saber se esse tipo de discurso resulta do velho complexo que fazia com que, antes de cair a URSS, muitos não criticassem o que acontecia lá para não serem acusados de “anticomunismo” ou é um mero acompanhar do ativismo digital da velha extrema-esquerda pelas dificuldades de manter uma posição coerente e radical neste debate virtual viciado… A maioria dos referidos libertários, e que são poucos, situa-se, no entanto, no campo de uma ambiguidade cínica, e apenas dois ou três, que já andaram pelos meios libertários, são explicitamente e delirantemente, pró-Putin.

Não me parece que a visão do mundo dos libertários seja compatível com a covardia, pragmatismo e cinismo das correntes políticas da velha esquerda, mesmo da que se reivindicava do anticapitalismo e internacionalismo e agora cedeu ao nacionalismo imperial e beligerante de Putin. Nesse sentido podemos tentar entender a origem dos conflitos e o que está em jogo na disputa entre estados, mas nunca alinharemos com a agressão, os invasores e os que despoletam a guerra. A posição libertária não é cômoda, nem popular, nos tempos que correm, mas é a que está de acordo com os nossos princípios e história.

Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/04/13/a-guerra-o-cinismo-e-a-cobardia/

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Apesar do sol
Ardendo sem compaixão,
O vento de outono.

Bashô

[Espanha] Rádio Klara: 40 anos de utopia libertária nas ondas do rádio.

A histórica rádio autogestionária faz aniversário, um projeto consolidado que atualmente tem nas mudanças geracionais seu principal desafio.

Por Joan Canela | 04/04/2022

O final dos anos 70 foi turbulento. Os anos que se seguiram à queda da ditadura foram marcados por uma explosão de lutas e criatividade: greves e protestos, mas também fanzines e contracultura. Uma realidade que, muitas vezes, a mídia não quis captar ou, se o fez, foi com o objetivo de ridicularizar e criminalizar. “Era necessário criar nossos próprios meios de comunicação”, explica Manolo Gallego, um dos fundadores da Rádio Klara. A decisão foi tomada no final de 1979, em um encontro cultural realizado no extinto cinema Alameda e organizada por uma das seções da recém dividida CNT.

O projeto foi cuidadosamente elaborado. “Passamos quase três anos analisando, escrevendo documentos, estatutos e levantando recursos econômicos”, continua Gallego, mas finalmente, em março de 1982, a Rádio Klara levantou sua antena no telhado de uma casa particular em Montcada (município ao norte de Valência) e assim iniciou suas transmissões.

O começo não foi fácil. Eles sofreram três fechamentos, o primeiro ainda no governo da UCD e os outros dois já com o PSOE. “Depois eles viram que isso era inútil, porque mesmo que eles confiscassem ou selassem nossos equipamentos, nós voltávamos a transmitir. No fim das contas, eles nos tomaram por indomáveis e acabaram nos tolerando”, lembra Gallego.

Outro dos fundadores, Aniceto Arias, destaca que “Rádio Klara não nasceu com vocação para a marginalidade já que conscientes do papel dos meios de comunicação nas sociedades modernas e a serviço de quem estãoela pretendia ser uma alternativa de comunicação projetada para o futuro”.

E eles realmente cumpriram isso. Desde o início, Rádio Klara não se tornou só a voz dos grupos libertários e de protesto valencianos, como por ex o Grupo Ecologista Libertário, o Movimiento de Objeción de Conciencia ou a Casa de la Dona, além da própria CNT, mas foi também o canal de divulgação da rica vida contracultural de uma cidade que vivia sua própria “movida”. De fato, a rádio se sustentava organizando shows sob o nome de Movida Musical Rádio Klara, que teve a participação de bandas como La Resistencia ou Carmina Burana.

“Tudo isso mobilizou muita gente ao mesmo tempo que foi desprezado pelos demais meios de comunicação. O programa Al loro por la cara dava destaque a esses grupos e alcançou uma grande audiência”, continua Gallego.

O mundo literário ou artístico também usava frequentemente os microfones de rádio, que transmitiam ao vivo os encontros literários da livraria Cavallers de Neu, que assim como o cinema Alameda, também desapareceu. “Para fazê-lo, tivemos que montar a antena no telhado da casa, que se despedaçou e quase afundou”, lembra o histórico ativista.

Rádio Klara também transmitiu um dos primeiros programas com temática LGTBQIA+ quando nem se chamava assim-: a pinta rebelde, apresentado por alguns dos ativistas gays mais históricos da cidade. Desde então, a Rádio Klara não parou de transmitir toda a atividade alternativa, social ou cultural, valenciana: a explosão punk, a campanha contra a OTAN, a rebeldia, os primeiros grupos musicais em dialeto valenciano, chegando até ao 15M e a primavera valenciana.

“É fundamental reconhecer a importância do público, principalmente aquele que, com sua ajuda, contribuiu definitivamente para o sustento econômico da Rádio Klara durante esses 40 anos”, afirma Aniceto Arias.

Com a consolidação do projeto, e superadas as tentativas de fechamento, passou a ser cogitada sua regularização. “Insistimos na regulamentação. Reclamamos tanto que no final ficamos amigos dos funcionários que trataram do assunto”, explica Galego.

Finalmente, conseguiram arrancar do governo de Joan Lerma – que tinha o então jovem Ximo Puig como assessor de políticas de comunicação – uma lei que criava uma licença para “rádios culturais”.

Os beneficiários dessa lei foram três, sendo uma rádio por província. Rádio Escavia, em Segorbe, que era uma estação sem fundo político; uma rádio educativa dos Jesuítas em Ibi, e a  Ràdio Klara em Valência. “Era uma forma de disfarçar porque eles não queria admitir que estavam dando licenças para anarquistas”, relata Gallego se divertindo. Uma legislação que é a mais avançada do Estado na matéria e que nunca foi replicada em nenhum outro território.

Juventude e rádio, o desafio pendente.

Na era do boom do podcast, Rádio Klara está perdendo vozes jovens. “Esta é nossa principal urgência agora”, reconhece Manolo Totxa, uma das pessoas mais ativas no projeto hoje. E não é por falta de adaptação às novas tecnologias. De fato, a Rádio Klara foi uma das primeiras emissoras da Espanha a transmitir ao vivo e online e mantém atividade constante nas redes, onde divulga a maioria de seus programas.

“O problema não é tanto o podcast -continua Totxa- que nos permite obter conteúdo de altíssima qualidade, mas o modelo organizacional. Muitas pessoas preferem fazer seu programa de forma autônoma, e então todo o espírito comunitário que a rádio oferece se perde”.

Essa falta de jovens também se reflete no público. Com cerca de 100.000 ouvintes regulares na FM, seus números são muito bons. Além disso, o número se multiplica em momentos de tensão informativa, como por exemplo com a guerra na Ucrânia, e ainda mais em tempos de conflito local, como durantea revolta estudantil conhecida como Primavera Valenciana.

“As pessoas nos ligaram e nos explicaram o que estava acontecendo ao vivo. O rádio é um meio muito dinâmico e permite uma cobertura muito ágil e imediata”. Mesmo assim, reflete Totxa”, se a maioria dos programas for feita por pessoas muito idosas, seu público tenderá a ser da mesma idade, pelos temas, pela linguagem e pelos interesses que transmitem”.

Fonte: https://www.publico.es/culturas/radio-klara-40-anos-utopia-libertaria-ondas.html

Tradução > Mauricio Knup

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/04/11/espanha-radio-klara-completa-40-anos/

agência de notícias anarquistas-ana

Minha voz
Torna-se vento —
Coleta de cogumelos.

Shiki

[Chile] 1º de Maio Negro Anarquista

Devemos considerar que todas as formas antagônicas que se opõem ao estabelecido são válidas, mas não podemos nem devemos chegar a nos enganar considerando que o que fazemos é de todo útil, devemos objetivar nossas ações, nunca minimizar as do poder e levar a batalha da melhor maneira que podemos, mas nunca abandonar, nunca deixar o campo livre. Já que entre tudo o que podemos fazer, a retirada é precisamente a única opção que os defensores da Anarquia nunca devemos assumir.

[Breve mais detalhes da Jornada]

Em Santiago, território dominado pelo E$tado Chileno

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Em qualquer lugar
Onde se deixem as coisas,
As sombras do outono.

Kyoshi

[Espanha] Meios de desinformação

Antes de entrar no tema de hoje, gostaria de fazer uma breve reflexão sobre o amplo uso político do conceito de “esquerda”; os primeiros a fazê-lo são líderes tão peculiares como Pablo Iglesias, ex-vice-presidente do governo, agora estrela de um programa de rádio (leia-se: podcast, de acordo com o jargão tecnológico atual). Bem, não sei bem o que diabos é a esquerda hoje, por assim dizer, mas por uma questão de argumentação vou fingir que eu mesmo pertenço a esse universo. A questão é que, diante da agressão militar do executivo russo contra o país da Ucrânia, há quem assinale que a “esquerda” parece passar grande parte de seu tempo falando sobre a OTAN sem condenar fortemente o déspota russo; acho que o que se quer dizer, e isto não é de forma alguma uma nova acusação, é que parece que se os Estados Unidos não são claramente culpados por um conflito, os progressistas não estão suficientemente mobilizados para usar o maniqueísmo mais atroz. Deve ficar claro, e novamente especificamente na atual guerra em solo ucraniano, a feroz campanha de desinformação que está sendo conduzida pela grande mídia, censurando opiniões que contradizem uma versão oficial baseada na loucura genocida do déspota Putin. É compreensível, portanto, que muitos de nós insistamos que a OTAN e o Ocidente são responsáveis pelas guerras aumentando suas bases militares durante anos na Europa Central e Oriental; devemos lembrar a tensão produzida durante anos por este zelo expansionista, e precisamente nas fronteiras da Federação Russa.

Parece que também é necessário apontar repetidamente que me repugna tanto as agressões imperialistas russas quanto pelo imperialismo ianque. Neste sentido, não sei se a mídia pode ser mais surpreendente, mas ouvir o iníquo e patético José María Aznar condenando a invasão da Ucrânia na Rádio Nacional de Espanha parece ser uma piada de mau gosto. Outro movimento ridículo da mídia é apresentar Putin como uma espécie de novo Hitler e o regime político ucraniano como uma democracia liberal modelo, cuja oligarquia pode na verdade não diferir muito da Rússia; aqui entramos plenamente no que se pretende apresentar como uma espécie de guerra ideológica, já que o próprio presidente russo justificou a invasão ao querer “desnazificar” o país vizinho. O antifascismo parece ser um tema muito interessante na luta da mídia de ambos os lados, mas deveria ser risível se tivéssemos alguma cultura política e procurássemos um mínimo de rigor informativo; parece verdade que a extrema direita tem alguma força na Ucrânia, mas descrever este país como nazista ou fascista é uma simplificação grosseira, que esperamos não tenha pegado entre a população russa.

Por outro lado, buscar uma ligação entre Putin e o atual sistema russo e o comunismo, algo em que certos meios de comunicação também insistem explícita ou implicitamente, é outra loucura; sem ter qualquer simpatia pela ex-URSS, hoje falamos da Rússia como uma oligarquia repulsiva, atormentada pelas desigualdades sociais e impregnada de nacionalismo ultra-conservador. Tendo apontado toda essa enorme desinformação, sim, falamos muito sobre a OTAN em conflitos militares, porque os conflitos não aparecem da noite para o dia pela graça de um louco que apenas precisa ser derrubado; desde a queda do comunismo, precisamente, tem havido muitos anos de mentiras ocidentais, interesses econômicos e geoestratégicos, bem como a busca de novos inimigos para justificar toda essa política. Recordemos, mais uma vez, que não faz muito tempo a Rússia de Putin era aliada dos Estados Unidos; logicamente, a Federação Russa não recebeu o que esperava e o conflito explodiu. Mesmo que se chegue a um acordo para acabar com a guerra na Ucrânia, e esperemos que ele seja alcançado o mais rápido possível, o futuro não parece brilhante a nível global com estes atores em jogo. Entretanto, se toda essa manipulação grotesca, temperada por esses personagens indescritíveis chamados “formadores de opinião”, tiver alguma utilidade, é para despertar mais consciências. Vamos ver se os seres humanos finalmente se dão conta de quão terríveis idiotas eles são com demasiada frequência.

Juan Cáspar

Fonte: http://acracia.org/medios-de-desinformacion/

Tradução > Liberto

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Lua cheia!
Por mais que caminhe,
O céu é de outro lugar.

Chiyo-jo

[Reino Unido] Tributos sinceros a Martin Gilbert de Ulverston

Por Eleanor Ovens | 06/04/2022

Uma pessoa de caráter renomado, conhecido pela sua luta apaixonada por justiça, igualdade, desarmamento nuclear e pelo meio ambiente faleceu de Covid-19.

Martin Gilbert era um Ulverstonian muito amado, envolvido em vários festivais e grupos de cidade.

Aos 81 anos de idade, deixa para trás sua esposa e parceira por 33 anos Joan Carroll, seu filho Jeremy, suas filhas Mary e Lucy e quatro netos.

O sr. Gilbert nasceu em Londres e se mudou para Southport, e então para Nottingham, onde foi treinado como assistente social.

Morou nos Estados Unidos por cinco anos e se graduou em Serviço Social em São Francisco antes de retornar à Inglaterra. Gilbert visitava regularmente os Estados Unidos para ver sua filha, Lucy, que mora em Portland.

Conheceu sua esposa e companheira de trabalho Joan após se mudar para St Helen’s; a sra. Carroll se mudou para Ulverston por conta de seu trabalho e foi logo seguida pelo sr. Gilbert, que ‘se apaixonou’ pela cidade e pelas pessoas de lá.

“O Martin absolutamente amava este lugar,” disse a sra. Carroll.

“Ele amava a cena de arte comunitária daqui e estava envolvido em qualquer coisa que vinha dela.”

O sr. Gilbert estava envolvido na Extinction Rebellion (XR), Furness Traditions Festival, Ford Park, liderava os contadores de estórias da Ulverston Candlelit Walk, trabalhava como voluntário no Barrow Foodbank e era membro consagrado da Campaign for Nuclear Disarmament (CND).

A sra. Carroll disse que seu falecido marido era um ‘verdadeiro anarquista’ que acreditava em igualdade.

Acrescenta: “o Martin era muito envolvido com as pessoas, a justiça e a igualdade. Ele não deixava passar a desigualdade ou o racismo.

“Ele era um anarquista de verdade – não o que as pessoas pensam dos anarquistas, mas um que era comprometido com seus princípios, com uma sociedade livre.

“Se um protesto da XR acontecesse, sua presença era garantida. Ele costumava ir a todas as reuniões.

“Ele acreditava intensamente na causa.”

O sr. Gilbert se aposentou da assistência social ‘mais cedo do que gostaria’ por conta de sua saúde deteriorada.

Depois disso, Gilbert arrumou um emprego de meio período na Liverpool John Moore University, trabalhando com enfermeiras de saúde mental.

Fonte: https://www.nwemail.co.uk/news/20046805.heartfelt-tributes-paid-martin-gilbert-ulverston/

Tradução > Sky

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Choveu de manhã:
as lagartas abrem trilhas
na folha de urtiga

Luiz Bacellar

[Espanha] Revista “Acracia” III época – nº 2 – abril 2022

Desde as assembleias celebradas em torno ao “Anarquismo no século XXI” realizadas durante o inverno de 2021/2022, se decidiu impulsionar a revista “Acracia” como elemento de difusão da “Ideia” anarquista. Dizemos anarquismo e não anarquismos porque a “Ideia” é uma, aquela que luta contra toda forma de dominação do homem pelo homem na base de um ideal de igualdade entre os seres humanos.

Desde esta publicação queremos dar voz às sensibilidades que enriquecem nossa utopia. Sensibilidades que atualmente aparecem atomizadas em diversos meios e publicações, e que a partir de agora têm um meio de difusão para a casa comum do anarquismo.

Não queremos limitar nossa publicação porque todas as lutas que compartilham nosso ideal são a mesma luta, aquela que prefigura um mundo livre e igualitário onde os seres humanos, em harmonia com seu entorno com o qual compartilham destino, por fim possam emancipar-se de todo condicionamento e desenvolver seu potencial.

Nossos inimigos são o poder e a desigualdade, o Estado, o Capital e o cis-hetero-patriarcado: contra eles é dirigida esta publicação fraternalmente elaborada com espírito de sã cooperação e, claro, de amistosa discussão em busca da difusão de nosso ideário.

O anarquismo, que constantemente se viu atacado desde as elites, tem respostas claras a este mundo organizado na base da competição, da acumulação, da violência, da submissão, das desigualdades, da repressão…

Somos anarquistas e o dizemos claramente. Não temos nada que ocultar e aqui lhes contaremos.

>> Para ler-baixar a revista, clique aqui:

https://drive.google.com/file/d/1jQ87E2UCr316U2Q6Y3OexJ2ruJ7dLkwK/view

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Abro o armário e vejo
nos sapatos meus caminhos —
Qual virá comigo?

Anibal Beça

Podcast | Isabel Bertolucci Cerruti (1886-1970)

Saiu o quinto episódio da série Militantes Libertárias e Libertários, apresentamos Isabel Bertolucci Cerruti (1886-1970), que foi uma das mulheres que mais artigos publicou nas páginas da imprensa operária e libertária entre as décadas de 1910 e 1960, utilizando diversos pseudônimos. Destacamos também o estilo próprio de escrita desenvolvido por Isa Ruti, seu pseudônimo, que destoa muitas vezes das demais colunas nas folhas anarquistas da época. O aspecto mais importante a se destacar de sua trajetória é sua longa e intensa colaboração junto à imprensa anarquista de São Paulo, durante mais 50 anos. Isabel Bertolucci Cerruti foi uma mulher anarquista e antifascista que olhou o mundo com sensibilidade e revolta, com a esperança de uma transformação social profunda rumo à ao triunfo da anarquia. Viva as mulheres anarquistas! Viva Isabel Cerruti! Viva a militância anarquista! 

>> Escute o podcast aqui:

https://open.spotify.com/episode/0fKemPqOmvtObW3VrG7xKb?si=88duoDSkQEaCh2tjx4RZ7g&utm_source=copy-link&fbclid=IwAR2xQGwABFD9DNjQvDBYzgRohezNwtcCSJFjXgFE7agkatIdt77NMTU7U6U&nd=1

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o outono é ela
a folha que cai
sou eu

Eduardo Balduino

[Reino Unido] O Hilton Abriu um Bar ‘Anarquista’ em Londres. As Bebidas Custam £14.

Por Simon Childs | 12/04/2022

A franquia hoteleira alterou a marca identitária do seu “Freedom Cafe” [Café da Liberdade] no Leste de Londres após a reclamação de cooptação por um grupo anarquista local.

Anarquistas do Leste de Londres acusaram a rede de hotéis Hilton de copiar sua imagem e histórias radicais como uma marca de identidade de um bar de luxo para “tipos punheteiros da cidade”, em que coquetéis custam até £14 [cerca de 86 reais em abril de 2022].

O Freedom Cafe era para ser um cocktail lounge temático no Leste de Londres, cujo tema era o anarco-comunismo. Quando abriu em outubro, os clientes sentavam em uma elegante cadeira de couro e gastavam £13 [~R$80] em uma mistura de vodka chamada “the Russian Anarchist” [o anarquista russo] em homenagem a Peter Kropotkin, que escapou para Londres depois de ser detido na Rússia tsarista por atividade política subversiva. Ou, por apenas £11 [~R$68], poderiam pedir um coquetel virgem chamado “Why Work?” [por que trabalhar?], “em homenagem a uma provocativa série de ensaios dissecando o trabalho, suas formas sob o capitalismo e as possibilidades para uma sociedade alternativa que produz com base em nossas necessidades ao invés de por mera avareza”.

O café foi nomeado em homenagem à histórica editora anarquista Freedom Press, localizada no final da rua, em Whitechapel. O cardápio do bar foi feito para parecer uma cópia do Freedom Press, um jornal anarquista publicado desde 1886, com “Anarchist Weekly” escrito no topo da página. Oferecia [em tradução livre,] “anarquia, café, bebidas e comida de bar”.

Há apenas um problema. O Freedom Press – ainda um coletivo anarquista que publica livros e tem uma livraria em Whitechapel – diz nunca ter sido consultado sobre isso e está furioso.

Em um artigo publicado anonimamente no site Freedom News do grupo, um membro explica como eles pensaram que era um trote de primeiro de abril de um amigo, “sabendo o quanto odiamos a cooptação nublosa da bebida na cultura londrina para o consumo de tipos punheteiros da cidade.”

Vendo o café como o mais recente exemplo da gentrificação do antigo distrito periférico, adicionaram: “É certeza de que essas pessoas são sem noção o suficiente para um roubo generalizado do nosso nome, nossas fotos e até mesmo a introdução da história em nosso próprio website para um exercício corporativo de identidade de marca sem a mínima reflexão?”

Mas isso foi exatamente o que aconteceu. Pertencente ao grupo hoteleiro multinacional Hilton, o café é parte do Canopy by Hilton London City, “Um hotel vibrante com a aura do Leste Londrino.”

O Hilton foi forçado a fazer algumas mudanças após a reclamação dos anarquistas.

De acordo com uma sinopse já deletada do site do café, ele estava levando adiante a história dos cafés de Londres, os quais eram “um local de encontro para escritores, radicais, empreendedores e artistas – uma base de criação de conceitos que permaneceriam vivos para mudar o mundo.”

Contudo, os anarquistas locais não se convenceram de que o grupo hoteleiro Hilton, que vale £11.87bn [mais de R$73bi], esteja comprometido com o radicalismo político. Darya Rustamova, membro do coletivo Freedom Press, declarou que “ao invés de mudar o mundo, eles estão reforçando o tipo exato de capitalismo de mercado que está arruinando a nossa cidade e muitas outras.”

Quando a VICE World News foi ao café na tarde de segunda-feira, a palavra “Freedom” [Liberdade] tinha sido coberta. O cardápio com estilo de jornal anarquista foi substituído por um genérico. Pessoas de terno estavam em suas reuniões de negócios. O café ainda servia “the Freedom Burger” [o hambúrguer da liberdade], que acompanha batatas grandes por volumosas £16.50 [~R$102]. A música do salão, a mobília de felpa e as plantas em vasos não evocam muita “raiva contra a máquina”.

Os anarquistas também acusaram o hotel de cooptar a história da área para seus lucros sem benefícios à comunidade local.

Rustamova afirma: “estão vendendo a área local como uma atração turística porque querem que as pessoas paguem para ficar no hotel.

“Isso não é uma celebração de Whitechapel ou de Brick Lane, ou de Spitalfields, esse hotel não é para nós, é para a cidade, é para qualquer um de bolsos cheios e com um fetiche estranho por turnês pela classe trabalhadora. Você não pode apenas dizer que está honrando a beleza da vizinhança local se na realidade apenas a explora. Nossas histórias não são uma porra de um gancho publicitário.”

Quando a VICE World News abordou o Canopy London City para comentários, declararam que “A marca Canopy by Hilton almeja oferecer aos hóspedes experiências únicas inspiradas pela vizinhança local. Esse foi o informe para um grupo terceirizado de consultoria de reputação internacional, que fora encarregado de criar um conceito de café e bar com referências locais. Em resposta, a agência propôs o conceito do Freedom Café and Bar, inspirado pela Freedom Press Publishing House.

“O Canopy London City está extremamente decepcionado em saber que a agência não entrou em contato com a Freedom Press Publishing House para o seu consentimento antes de criar o conceito para a comida e bebida. Como resultado, o Canopy London City estabeleceu contato com a Freedom Press Publishing House com o propósito de encontrar uma solução mutuamente acertada o mais rápido possível.”

O Hilton não identificou a agência terceirizada de consultoria. A VICE World News perguntou se o Hilton apoiava o anarquismo como filosofia política, mas não teve resposta.

Fonte: https://www.vice.com/en/article/bvnkqq/london-hilton-freedom-cafe-anarchist

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Agarrada à folha
a formiga com firmeza
desliza na brisa.

Ronaldo Bomfim

[Uruguai] “Não nos rebaixemos para sobreviver, vamos com tudo.”

Enquanto os partidos políticos lutam nas urnas, as cozinhas populares estão se multiplicando nos bairros. Enquanto esticamos nossos salários remanescentes, ou nos endividamos para pagar as contas, os prestamistas, os rentistas, os especuladores e os donos de supermercados enchem seus bolsos às custas de nossa fome. A situação é a mesma de sempre, enquanto algumas pessoas ricas ficam mais ricas, nós pagamos mais por tudo. A miséria não é apenas econômica, precisamos apenas olhar ao nosso redor para ver como o egoísmo e o consumismo nos fazem viver vidas vazias e solitárias, enquanto continuamos escravos do trabalho.

A política provou não ter soluções, ganhe quem ganhe, o problema básico permanece o mesmo. Diante desta situação, há aqueles que estão resignados, indiferentes, indignados, que denunciam, que reclamam, e aqueles que se organizam. Estamos do lado daqueles que se organizam; diante do aumento dos preços, nos organizamos, realizamos assembleias, pensamos em como queremos viver juntos e não deixamos que o capitalismo nos esmague. Entendemos que diante deste mundo hostil, cada vez mais voraz, automatizado e invasivo, é necessário criar um novo mundo, com solidariedade, ajuda mútua e, acima de tudo, fazê-lo em conjunto.

Realizamos cozinhas populares, lanches, assembleias de bairro, oficinas gratuitas, redes coletivas de apoio mútuo, visamos a solidariedade. Contra os supermercados, que lucram com a fome e a necessidade das pessoas, existe o Mercado Popular de Subsistência, um coletivo de vizinhos organizado para comprar mais barato e para politizar o consumo. Não ficamos indiferentes à miséria que permeia nossa vida diária; nós nos organizamos.

É hora de agir, vamos parar de adiar o agora em busca de promessas futuras.

Vamos tomar posse do presente. Vamos nos reunir, e vamos ousar viver a vida que queremos viver, agora. Este mundo não tem mais nada a nos oferecer, vamos criar nosso próprio mundo, e nos organizar para defendê-lo, vamos encontrar nos outros a cumplicidade da revolta.

Não nos rebaixemos para sobreviver, vamos com tudo.

Comunidade de Luta de Cordón

Tradução > Liberto

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Penso apenas
Em meu pai e minha mãe —
Tarde de outono.

Buson

[Reino Unido] Conferência de Estudos Anarquistas 2022 | Chamada de trabalhos

Rede de Estudos Anarquistas // 7ª Conferência Internacional // Online

Chamada de Trabalhos: Futuros Anarquistas

Muitas vezes chamados de idealistas, sonhadores, irrealistas, anarquistas têm uma relação complexa com o futuro. Nós o imaginamos, o teorizamos, trabalhamos para ele. Tentamos trazê-lo para o presente. Nós desenhamos plantas de como ele poderia ser. Cultivamos conexões que refletem nossas esperanças. Imaginamos novos mundos, vivendo no futuro enquanto mudamos o presente. Entretanto, o pensamento utópico pode ser considerado tanto um incentivo quanto um desestímulo à ação. Sua complexidade e relação com o futuro é particularmente significativa para os anarquistas. Afinal de contas, como o pensamento político pode ser plenamente compreendido sem nos projetarmos e coletivamente irmos rumo ao futuro? Utopias anarquistas das primeiras News Of Nowhere (William Morris, 1890) a The Dispossessed (Ursula K Le Guin, 1974) e outras ficções recentes sublinharam o papel de imaginar o futuro a fim de construir um mundo melhor.

Futuros Anarquistas é um chamado para pensar em possibilidades, lacunas e interstícios onde existem futuros anarquistas. É um estímulo para caminhar na ponte do tempo e tornar o futuro presente. É uma esperança de que possamos traçar linhas de solidariedade e comunidade que redefinam o atual estado de coisas para que o futuro seja anarquista.

A 7ª Conferência Internacional da Rede de Estudos Anarquistas será realizada como um evento online nos dias 24 a 26 de agosto, sujeito a mudança para híbrido se encontrarmos um local adequado. As conferências da ASN (Anarchist Studies Network) têm como objetivo abordar novas fronteiras na bolsa de estudos anarquistas e incentivar a polinização cruzada entre disciplinas. Também convidamos pessoas que normalmente não residem ou não se sentem confortáveis na academia para fazer oficinas, falar sobre seu trabalho, projetos, planos e construir conexões.

O tema central para esta conferência é Futuros Anarquistas. Uma lista de tópicos sugeridos inclui, mas não está limitada a, os seguintes:

  • Como imaginamos o futuro? Como é uma sociedade anarquista?
  • Como imaginamos um mundo sem prisões, o Estado ou a polícia?
  • Como os anarquistas do passado imaginavam o futuro? Nós chegamos lá?
  • Como a literatura e a arte imaginam um futuro anarquista?
  • Como agimos para o futuro agora?
  • O que é necessário para mudar o futuro?
  • Quem são os atores da mudança?
  • Qual é o papel da imaginação para mudar o mundo?
  • Qual é a relação entre a teoria anarquista e o futuro?

Como de costume, a ASN também acolhe favoravelmente as apresentações que não fazem referência ao tema principal, mas que estão relacionadas à teoria e à prática anarquista. Também são bem-vindos painéis e streams sobre um tópico em particular. Acolhemos com satisfação, particularmente, apresentações fora do formato acadêmico tradicional, tais como performances, exposições, workshops, entre outros. Estamos felizes em acolher trabalhos em qualquer idioma, mas favor enviar um resumo em inglês. Por favor, indique se você deseja apresentar online ou pessoalmente. Os resumos devem ser enviados até 30 de abril de 2022 para asn.conference@protonmail.com

Nosso objetivo é facilitar e acomodar todas as necessidades de acessibilidade, incluindo mas não limitado ao acesso de cadeiras de rodas, aparelhos auditivos, salas silenciosas, cuidados com crianças e apoio material para participantes com baixos salários.  Por favor, entre em contato com quaisquer perguntas, necessidades ou comentários específicos e faremos nosso melhor para atendê-los.

anarchiststudiesnetwork.org

Tradução > dezorta

agência de notícias anarquistas-ana

A porta da casa
amarela-se com folhas
pintadas de outono.

Júlio Parreira

Avtonom.org foi oficialmente bloqueado na Rússia

“Ação Autônoma” (Avtonom) sempre foi um grupo de divulgação do anarquismo no mundo de fala russa. Não nos importam as fronteiras nacionais. Mas, independentemente dos estados nos quais se encontrem nossos ativistas, a mudança social na Rússia é muito importante para nós.

Neste sentido, durante muitos anos tentamos cumprir com a legislação russa na medida do possível para evitar um bloqueio total de Avtonom.org e de nossas redes sociais. Cada ano isto se tornava mais difícil, as proibições eram mais absurdas, mas tentávamos permanecer desbloqueados. Agora, quando não se pode chamar guerra a uma guerra e não se pode estar contra ela, estas táticas já não funcionam.

Como resultado lógico, Avtonom.org e nosso grupo de Vkontakte foram bloqueados na Rússia por determinação da Promotoria do Estado. O grupo VK segue sendo acessível através de VPN e Tor, mas não o necessitamos desta forma e não vamos seguir desenvolvendo-o em um futuro próximo. Nosso canal de Telegram e nosso canal de YouTube estão disponíveis na Rússia sem VPN e Tor. Certamente encontraremos novas formas de evitar a censura. Inscreva-se em nossas redes sociais, assim como em nosso boletim semanal por correio eletrônico – o correio eletrônico ainda não está bloqueado na Rússia.

P.S.: Se possível, abandona Vkontakte em geral, devido à estreita amizade desta rede social com a polícia. Saia de VK!

Fonte https://avtonom.org/en/news/avtonomorg-now-officially-blocked-russia

Tradução > Sol de Abril

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Quietos, no jardim,
mãos serenadas. Na tarde,
o som das cigarras.

Yberê Líbera

[França] Libre Flot: “meu agradecimento”

Hoje, 7 de abril de 2022, me deram alta, com uma pulseira eletrônica, por razões médicas…

Portanto, fui transladado a um estabelecimento hospitalar, gratuito, para poder beneficiar-me de todos os cuidados necessários como consequência deste longo período de inanição. Poderei concentrar-me em reconstruir meu corpo, meu intelecto e minha psique.

Esta é uma grande notícia para mim, ainda que provavelmente tenha um longo caminho a percorrer para acabar com a farsa da acusação terrorista, conhecida como o assunto 8.12.

Mas não os esqueço e quero agradecer desde o fundo do meu coração a todas as pessoas, coletivos e organizações que me apoiaram e difundiram a informação.

Não tenho mais palavras para expressar meu agradecimento!

Agradeço outra vez,

BERXWEDAN JIYAN E!

Libre Flot

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/04/13/franca-anarquista-prisioneiro-libre-flot-e-libertado-apos-37-dias-de-greve-de-fome/

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um gato perdido
olha pela janela
da casa vazia

Jeanette Stace

O Grupo de Estudos P. Kropotkin recebe inscrições para novos integrantes

Atividade de extensão é gratuita e candidatos podem se inscrever até o dia 22 deste mês

Estão abertas, até o dia 22 de abril, as inscrições para a participação no Grupo de Estudos sobre a obra do cientista político, economista, historiador e geógrafo russo Piotr Kropotkin (1842-1921), um dos principais pensadores do anarquismo e das lutas revolucionárias do final do século XIX.

Interessado por Geografia, explorou o Círculo Polar Ártico percorrendo milhares de quilômetros a pé e registrando diferentes fenômenos relacionados a tundra e outras paisagens árticas. Nessas viagens, teve contato e passou a se solidarizar com os camponeses vivendo em condições miseráveis na Rússia e na Finlândia. Suas ideias demonstraram a centralidade da cooperação nas sociedades e na própria evolução das espécies.

A atividade de extensão é coordenada pelo professor do Departamento de Geografia do Instituto de Geociências da UFRGS Breno Viotto Pedrosa e irá abordar temas como: o que a geografia deve ser, ciência moderna e anarquia.

>> As inscrições podem ser feitas pelo link:

https://forms.gle/hRyzK14VKwhEnm6K8

Fonte: http://www.ufrgs.br/ufrgs/noticias/o-grupo-de-estudos-p.-kropotkin-recebe-inscricoes-para-novos-integrantes

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No olho das ruínas
as íris dos vaga-lumes
sob as tranças de ervas.

Alexei Bueno

 

[Itália] Guerras de classe

A guerra vende bem: armas, poder, comércio, economia e paz. Tanta paz. O principal instrumento de venda da paz social sempre foi representado pelas guerras, travadas pelos patrões e pagas pelos explorados, com perda de riqueza. Com a perda de milhões de vidas humanas. A guerra cria dissidência ou consenso, e a mídia considera o público consumidor mais adequado. À noite, o horror, útil para aumentar os apoiadores e facções, alinhamentos e especialistas de todos os tipos, vão ao vivo na TV. Tínhamos quase nos livrado dos virologistas de assalto da era da covid que agora se encontram especialistas guerreiros ou pacifistas para todos os gostos, mesmo que as guerras não sejam todas iguais para quem fala dos mortos na Ucrânia, e esquece os mortos no Mali ou no Iêmen. Ou no trabalho. Fontes de notícias chamam o próprio desertor de traidor ou herói, dependendo de qual lado da cerca o comentário vem.

A TV da dor relança o horror das vítimas de plantão em horário nobre, pronto para ser esquecido assim que a participação diminuir. O pacifista inveterado pronto para denunciar o tráfico de armas de todos os tipos para Kiev acordou agora depois de décadas de guerras alimentadas pelo lucrativo comércio de armas da Itália e do Ocidente em todas as partes do mundo. Dois pesos e muitas, muitas medidas.

Em quase todos os lugares da Itália, o antimilitarismo tomou as ruas: em Milão e Turim, Gênova ou Sicília. Números pequenos comparados aos de trinta anos atrás em resposta à primeira Guerra do Golfo. Números, vozes, pessoas que de qualquer forma não se rendem à representação midiática do vazio da política. Pessoas, trabalhadores, explorados que lutam e não se deixam intimidar nem por fake news nem por buscas orquestradas ao estilo de anos de chumbo. A referência é à batida policial na sede nacional da USB em Roma. Um episódio que mostra a verdadeira face da mesma luta de classes que semeia horror na Ucrânia e gera exploração e precariedade no Ocidente. Há os que ficaram ricos com a pandemia e os que ficaram mais pobres. Há quem enriqueça com todas as guerras em curso, e refugie-se na mesma estância turística onde um oligarca ucraniano vai ao bar com o seu amigo oligarca russo, turco ou italiano ou… E há quem tenha uma vida precária, obrigado a pagar salários e turnos por chantagem do empregador (Ikea de Ancona) ou deve ceder à chantagem ocupacional vendo piorar suas condições de trabalho e salários (Caterpillar Jesi). Há aqueles que gostariam de abandonar uma guerra em nome da vida, e aqueles que gostariam de uma vida que não seja uma guerra contínua. Há aqueles desesperados, que já não têm olhos para chorar, um morto assassinado na rua sobre o qual os chacais intelectuais estão conversando na segurança de suas salas na internet.

O terceiro milênio em seus primeiros vinte anos já mostrou sua identidade de subjugação e morte. Os explorados e os rejeitados da humanidade têm sempre que redescobrir a força da solidariedade e lutar para acabar com tudo isso!

FAI – Federação Anarquista Italiana

Seção “M. Bakunin” – Jesi

Seção “F. Ferrer” – Chiaravalle

Tradução > GTR@Leibowitz__

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Em qualquer lugar
Onde se deixem as coisas,
As sombras do outono.

Kyoshi

Memória | Manifestação Ferrer reúne milhares de pessoas em São Paulo

Por Marcolino Jeremias | 11/04/2022

Em outubro de 1910, uma grandiosa e imponente passeata, organizada pelo Comitê Pró-Escola Moderna de São Paulo, reuniu cerca de 8 mil pessoas. Por volta das 18:30 horas, começaram a chegar no Largo de São Francisco, diversos grupos com seus respectivos estandartes, entre eles o Grupo Libertário de Jovens Polacos, a Sociedade Fluvial e Transportadora de Tijolos e o Centro Feminino de Educação Moderna com uma coluna de quase 2 mil pessoas, entre elas, muitas professoras e alunas de escolas racionalistas e operárias.

Na frente do préstito, carros conduziam uma bandeira de A Lanterna, e um painel do mesmo periódico, iluminado internamente, que retratava um jesuíta em forma de morcego que abria suas asas ao redor do mundo. Um grupo de senhoras levavam um artístico ramalhete de flores, entre elas as meninas Amélia Moreira e Angelina Paciullo. Seguia-se uma bandeira de cor negra com os dizeres “Glória ao Nosso Mártir”. Muitas pessoas carregavam lanternas venezianas e gritavam vivas à Escola Moderna e morte aos frades.

Uma banda tocava canções como o Hino do TrabalhoA Internacional, e outras. Usaram a palavra: Benjamim Mota, Oreste Ristori, Flor Cyrillo, Passos Cunha, Homem Christo Filho, Leão Aymoré, Bolivar Barbosa e outros. A segurança policial foi reforçada diante das igrejas e dos conventos locais, entretanto, a passeata terminou por volta das 22 horas, na frente da sede da Associação do Livre Pensamento, na rua José Bonifácio, número 17, sem maiores distúrbios.

Curiosidade aleatória

Guy-Manuel de Homem-Christo, bisneto do intelectual e escritor português Homem Christo Filho — que discursou nessa manifestação em memória à Francisco Ferrer (e depois, pelas incoerências da vida, tornou-se amigo pessoal de Mussolini e apoiador de suas ideias) — fez parte da dupla francesa de música eletrônica Daft Punk, que o tio cringe aqui até hoje não escutou, mas, que por pura curiosidade de pesquisador vai procurar conhecer.

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Lua cheia.
Me dá, me dá!
Chora a criança.

Issa