[Uruguai] Montevidéu: Chamado/Incitação para um 1º de Maio nas ruas.

À medida que nos aproximamos desta data tão histórica e transcendental, ao qual a luta revolucionária representa, desde os anarquistas no Uruguai nasce, surge e se questiona o posicionamento do movimento, tanto coletivo como individualmente. Sobretudo tendo em conta e recordando a história de luta que os anarquistas proporcionaram ao movimento obreiro e à luta em geral. Hoje em dia a situação é diferente, não são os mesmos tempos, a sociedade, o estado e o capital sofreram transformações, no entanto há questões que não mudam… e falamos, nada mais nada menos, que de viver na base da exploração, seja da terra ou dos corpos a ideia é a mesma, espremer-nos até a última gota.

A vida no Uruguai não é alheia a essa exploração, o negócio imobiliário, o turismo e o “campo” vão ao pódio (e toda a moeda) ao mesmo tempo em que contribuem para a precarização da vida. Se a todo este coquetel somamos a fraqueza de alguns sindicatos pertencentes à central obreira e os clássicos “tecer e manipular” da política empresarial de turno… o resultado é evidente: paz social – espelhinhos coloridos e muita fumaça. Poderíamos estar muito tempo evidenciando e contando-lhes o “bonito” que se vê o Uruguai desde fora e a realidade do que nos cabe viver por estes lares, mas não é a ideia deste chamado.

Escrevemos isto para alentar e incitar à ação na rua!!! Para que não seja um 1º de Maio, mas, sim um bem pesado e em chamas, ruidoso e revoltoso, que se note nas ruas o descontentamento e a memória dos companheiros caídos. Nossa luta não a marca no calendário, mas as datas nos recordam a importância da luta, nos faz refletir sobre o passado e o presente. Lutamos diariamente por outro mundo… um mundo livre onde a injustiça, a fome e a exploração não exista.

O que estas lendo é uma incitação a seguir conspirando, a juntar-te com teus compas de trabalho, com teus companheiros do bairro ou do liceu e sair às ruas, as formas de agitar e a imaginação não tem limites, a desobediência é encantadora.

VIVA A MEMÓRIA COMBATIVA DOS MÁRTIRES DE CHICAGO
VIVA A LUTA REVOLUCIONÁRIA NAS RUAS!!

Anarquistas de bairro.

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Lua cheia.
Me dá, me dá!
Chora a criança.

Issa

[Grécia] Bomba de improviso explode fora de casa de oficial de alta patente da polícia

As autoridades gregas estavam em alerta na terça-feira (12/04) depois que um dispositivo explosivo improvisado explodiu fora da casa de um alto funcionário da Polícia Helênica (ELAS) no subúrbio de Halandri, no norte de Atenas.

A bomba rudimentar era composta de quatro botijões de gás de camping colados entre si e detonada por algum tipo de fusível.

Ela explodiu por volta das 2h30 da madrugada depois de ser colocada na entrada de um prédio de apartamentos onde reside o vice-diretor da Divisão de Segurança do Estado da ELAS.

A explosão provocou um pequeno incêndio que foi apagado por bombeiros, mas não causou nenhum dano significativo ao prédio ou ferimentos aos residentes.

Uma investigação está em andamento para determinar se a bomba foi concebida como uma mensagem para o oficial da ELAS ou se o edifício pode ter sido visado por um motivo diferente. Até agora nenhum grupo assumiu a autoria do ataque.

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agência de notícias anarquistas-ana

Num galho seco,
Um corvo pousado.
Tarde de outono.

Bashô

[França] Anarquista Prisioneiro Libre Flot é libertado após 37 dias de greve de fome

O prisioneiro anarquista Libre Flot foi libertado por motivos médicos após 37 dias de greve de fome. Libre Flot foi indiciado por “uma associação criminal que planejou um ataque terrorista” e encarcerado em isolamento preventivo desde dezembro de 2020.

Desde 27 de fevereiro, Libre Flot estava em greve de fome para protestar contra seu regime de detenção na prisão de Bois-d’Arcy em Yvelines. Em 24 de março, diante da degradação de seu estado de saúde, seu isolamento foi suspenso e ele foi transferido da prisão para o Hospital Penitenciário de Fresnes (Val-de-Marne) para receber apoio médico. Apesar desse relaxamento de seu regime de detenção, ele não interrompeu sua greve de fome. Em uma carta intitulada “Por que estou fazendo greve de fome”, Libre Flot exigiu sua “libertação enquanto espera demonstrar o lado calunioso dessa acusação vergonhosa”. Em 27 de fevereiro, ele pesava 63 quilos. No início da semana, eram pouco mais de 45.

Nesta segunda-feira, 4 de abril, data de seu aniversário, camaradas se reuniram em várias cidades francesas para apoiá-lo à distância nesta luta.

Perante o seu estado de saúde que se agrava dia a dia, o juiz de instrução acabou por aceitar o seu pedido de libertação por razões médicas. Na noite de terça-feira, como resultado desta notícia, Libre Flot pôs fim à sua greve de fome. Libre Flot foi transferido, no início da tarde desta quinta-feira, para o Hospital Villejuif (Val-de-Marne). Foi acolhido num serviço especializado em nutrição. Ao final de sua internação, Libre Flot deverá permanecer em liberdade sob pulseira eletrônica acompanhada de rigoroso controle judicial, enquanto aguarda seu julgamento.

Em 8 de dezembro de 2020, a DGSI (Direção de Segurança Interna) procedeu à prisão de nove militantes (rotulados como “ultraesquerda”). Dois são libertados, sem acusações, no final de sua custódia. Os outros sete são indiciados por associação criminosa com vista à prática de atos terroristas. Esta é a primeira vez desde o fiasco do caso Tarnac que a justiça antiterrorista olha para o que chama de “a ultraesquerda”.

Entre os acusados, Libre Flot, um anarquista que lutou contra o Daesh na Síria ao lado das forças curdas do YPG. Como tal, participou da libertação de Raqqa, que na época era a “capital” do estado islâmico.

Em cartas escritas de sua cela, Libre Flot refuta “esta acusação infame e difamatória de associação de criminoso terrorista” e julga que são suas “opiniões políticas” e sua “participação com as forças curdas do YPG na luta contra o Daesh que eles estão tentando criminalizar”.

Em uma longa carta publicada por seu comitê de apoio, Libre Flot descreveu suas condições de detenção e, por vários meses, a degradação de sua saúde física e psíquica. “O cérebro começa a descarrilar. Os problemas de concentração, as dificuldades na construção do pensamento, a perda de marcos temporais, as dores de cabeça, a vertigem, todos esses sintomas foram amplificados e generalizados”, escreve, por exemplo, durante o verão de 2021, descrevendo também “distúrbios visuais, perda de memória e dor aguda no coração”.

Tradução > GTR@Leibowitz__

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/03/09/franca-prisioneiro-politico-anarquista-comeca-greve-de-fome/

agência de notícias anarquistas-ana

Apesar do sol
Ardendo sem compaixão,
O vento de outono.

Bashô

 

[Bielorrússia] Nós e a Guerra

No último mês, você viu que nosso time muito raramente publica informações e as notícias quase não aparecem no site. Isso acontece como uma causa direta dos acontecimentos atuais na Ucrânia. Alguns de nossos camaradas estão envolvidos com a luta contra a invasão Russa de uma forma ou de outra e o foco do nosso coletivo tem sido esse; não a publicação de artigos e perspectivas políticas, mas o uso prático de nossas habilidades contra o “mundo russo”: o mundo russo cuja ditadura bielorrussa representa.

Não lutamos pelo Estado ucraniano, por políticos corruptos, ou por grandes empresas. Nossa luta é primariamente direcionada à proteção do povo contra as atrocidades da ditadura russa. Acreditamos que, neste momento, todo e toda anarquista da Bielorrússia, Ucrânia ou Rússia deveria desempenhar todo o esforço possível para lutar contra o fascismo de Putin, que está marchando por todo o planeta através dos símbolos Z e V.

Isso não significa que você deve se juntar à defesa territorial aqui e agora e se armar, existem muitas tarefas importantes para a existência da resistência. Junte-se à luta – não há posição neutra nesta situação. A luta contra a ditadura de Lukashenko está diretamente relacionada à destruição do regime de Putin.

Nossa luta não é uma batalha por fronteiras deste ou daquele Estado. Não queremos novos presidentes que seriam capazes de resolver todos os nossos problemas. Queremos um mundo no qual as pessoas decidem como viver e como reconstruir seu país e onde sistemas socioeconômicos são construídos de forma que não haja espaço para outros oligarcas ou novos ditadores.

Por um mundo sem guerras, Estado ou capitalismo

Pramen

pramen.io

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Oh cruel vendaval!
Um bando de pequenos pardais
agarra-se à relva.

Buson

[Holanda] 6ª Feira Anual do Livro Anarquista em Amsterdã!

Estamos de volta para a 6ª Feira Anual do Livro Anarquista em Amsterdã! A Feira do Livro acontecerá nos dias 29 e 30 de outubro de 2022 no Dokhuis (Plantage Doklaan 8). Será novamente um evento de dois dias de estandes e oficinas de coletivos anarquistas de toda a região. Vai ser ótimo!

Como está ficando claro para todos, vamos enfrentar um ano de dificuldades econômicas, agitação geopolítica, aumento dos preços dos alimentos e das necessidades básicas e turbulência social. Nestas condições, é tão importante – se não mais do que nunca – nos reunirmos para construir alternativas viáveis ao status quo. A feira de livros é uma oportunidade de aprender sobre as lutas políticas perto de casa, na história e em outras partes do globo. Vamos aprender e trabalhar juntos por um mundo sem estados, sem fronteiras, sem ecocídio, sem capitalismo e sem a violência que o torna possível. Afinal de contas, conhecimento é poder! Você está procurando por comunidade, conversas profundas ou indivíduos e coletivos espirituosos? Venha para a Feira Anarquista do Livro de Amsterdã! Você está procurando livros e zines anarquistas? Teremos tudo isso e muito mais: roupas, bottons, editoras, distros, oficinas, palestras e comida vegana! Venha nos conferir!

Mais informações sobre como participar de coletivos, estandes e oficinas, bem como sobre logística para os dias serão compartilhadas em breve! Fique de olho para mais informações!

Quer ajudar? Ainda estamos à procura de pessoas que queiram dar uma força como voluntários durante o evento, também estamos à procura de pessoas ou grupos que queiram gerir um estande e/ou com ideias legais de oficinas. Entusiasmado? Por favor, envie-nos um e-mail!

29 e 30 de outubro de 2022
Plantage Doklaan 8
anarchistbookfairamsterdam@riseup.net
anarchistbookfairamsterdam.blackblogs.org
Instagram: @anarchistbookfairamsterdam
Facebook: Anarchist Bookfair Amsterdam

Tradução > dezorta

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/02/10/holanda-feira-de-livros-anarquistas-amsterdam-2021-edicao-de-primavera/

agência de notícias anarquistas-ana

Você se parece
com este galho de acácias
repleto de sóis.

Eolo Yberê Libera

[Itália] A democracia é o outro lado do fascismo.

Estamos há dois anos vivendo um estado de emergência sem fim após o avanço de um vírus que se converteu em uma pandemia global. Mais cedo ou mais tarde isso teria que acontecer em um mundo globalizado e capitalista que destrói o meio ambiente por mero lucro, onde bens e pessoas se movem rapidamente de um extremo ao outro do planeta (e apenas os pobres são empurrados de volta para as fronteiras) e onde mais da metade da população mundial vive precariamente em cidades megaurbanizadas.

O decreto de emergência, no entanto, tem sido usado pelo Estado não para dar uma ajuda ao sistema de saúde, dizimado pelos contínuos cortes que os próprios governos têm feito ao longo dos anos e que causaram tantas mortes que seriam evitáveis (não só pelo vírus) e sim para implementar todos os mecanismos autoritários e coercitivos que o regime democrático é capaz.

Não estamos falando apenas da obrigatoriedade de vacinação para determinadas categorias (trabalhadores de saúde, professores, pessoas com mais de 50 anos) sobre as quais muito deve ser discutido, mas sobretudo sobre o controle social implementado, inclusive a instituição do “Passe Verde¹”, que é neste caso, apenas mais uma etapa da corrida pela digitalização forçada de todos os dados que nos dizem respeito. O controle e comercialização de dados digitais, como sabemos, é a nova fronteira do “capitalismo de vigilância”, e através da gestão de emergências como esta, vem ganhando cada vez mais espaço.

Dos aplicativos de rastreamento às câmeras de reconhecimento facial, da Internet das Coisas à inteligência artificial, trata-se de uma tecnologia a serviço dos patrões e dos Estados, que não nasceu para simplificar nossa existência e sim para nos monitorar e que estará cada vez mais presente em nossas vidas, porém, é somente com a digitalização dos dados e sua transmissão (5G, banda larga) e interconexões (domótica, “cidades inteligentes”) isso será possível. Não é por acaso que o PNRR (Plano Nacional de Retomada e Recuperação) do governo Draghi², ou seja, o Fundo de Recuperação Italiano financiado com dinheiro europeu, serve em grande parte para canalizar cifras astronômicas para tecnologias de vigilância e modernização digital de todos os setores essenciais: escola, trabalho, redes de telecomunicações, mobilidade e saúde (por exemplo a telemedicina). Tampouco é por acaso que o governo Draghi tornou mais simples para as entidades e instituições da administração pública coletar e processar dados pessoais, por meio de um artigo do Decreto Capienza que em outubro passado revogou o artigo 2 do Código de privacidade, reduzindo assim os direitos e garantias à proteção de dados.

Para muitas pessoas, talvez não seja um problema que seus próprios dados sejam usados por empresas privadas, multinacionais e instituições estatais por meio de uma vigilância massiva. Muita gente ainda pensa que, ao não fazer nada de errado, os dados em si não são um segredo. Mas o controle social nunca é algo que diz respeito apenas ao âmbito das liberdades pessoais e da privacidade; existem vários motivos para se opor à digitalização de dados e instrumentos invasivos como o “Passe Verde”, entre os mais imediatos estão: desde a facilidade do empregador em monitorar seu empregado (e os entregadores e funcionários da Amazon sabem o que isso significa!) até pessoas que vivendo em situação de ilegalidade forçada (como imigrantes sem documentos), veem suas vidas continuamente ameaçadas pelo aumento de dispositivos de controle cada vez mais sofisticados. Não podemos esquecer também a exclusão daqueles que ainda hoje não têm acesso às novas tecnologias, ou seja, são as pessoas mais pobres da sociedade que veem prejudicados seu acesso a direitos e serviços sociais conquistados anos atrás à custa de duras lutas.

Não nos surpreende que as instituições, em vez de garantir o acesso de todas as pessoas aos mesmos benefícios, prefiram gastar milhões de euros em dispositivos de vigilância digital, o que produzirá automaticamente domesticação por um lado e marginalização social por outro.

Também não ficamos surpresos ao saber que as leis podem ser injustas e afetar a liberdade de alguns ou muitos. No entanto, a questão do “passe verde” ganhou hoje um interesse que, anteriormente, não havia sido registrado com outras tecnologias de vigilância. Isso acontece porque as pessoas que antes estavam comodamente integradas agora se encontram em uma situação onde não podem circular livremente em trens, ônibus e lojas ou então de não poderem trabalhar ou ter serviços básicos sem um determinado documento… isso sempre aconteceu com os migrantes ou com os mais pobres, porém a estes, quase nunca se dava atenção (e continuam a não dar).

Essas pessoas encontram-se, em suma, marginalizadas da “sua” sociedade e, infelizmente, também é verdade que existem muitas pessoas egoístas (inclusive entre aquelas que se consideram altruístas) que contribuem para as injustiças, pedindo cada vez mais normas e proibições contra qualquer categoria que não seja a sua.

Mas atenção! Não se trata de fascismo ou democracia: todo Estado, desde o início, seja republicano, monarquista ou fascista, dividiu a sociedade entre aqueles que, por um lado, estão integrados, com todos os direitos garantidos, e aqueles que, por outro lado, devem ser marginalizados e designados como inimigos.

Para dividir a sociedade, o poder sempre repetiu a fala que, se não temos nada a esconder, não devemos temer que ele nos controle, mas na realidade é justamente por meio de seu controle que ele pode operar a classificação entre incluídos e excluídos, integrados e não integrados, recompensados e punidos.

Embora seja verdade que nossas vidas nos pertencem e que nenhum mandante político ou econômico deveria poder decretar o que é justo ou não em nosso lugar, o fato de o Estado ou qualquer outra instituição, pública ou privada, nos controlar cada vez mais através dos dados pessoais não pode levar a nada de bom, tanto hoje como sempre (e certamente não é menos preocupante o fato de já estarmos sujeitos a uma quantidade incrível de documentos, certidões e, não menos importante, ferramentas tecnológicas).

Dito isto, entendemos que é totalmente inútil apelarmos continuamente às liberdades democráticas ou à Constituição traída e gritar “fascistas!” Porque, na realidade, aqueles que governam, seja em qual época for, sempre buscaram somente seus próprios interesses e confortos a menos que sejam impedidos em seus propósitos por revoltas e revoluções sociais.

O que deveria nos fazer pensar é o fato de que algumas pessoas nos países ocidentais, depois de repentinamente deixarem de pertencer a categorias privilegiadas e passarem a ser apontadas como os novos bodes expiatórios, repudiadas pela chamada “sociedade civil”, ao invés de buscarem a uma auto-organização solidária e horizontal, quando expressaram a necessidade de estabelecer uma luta, depositaram novamente sua confiança, com poucas exceções, em “líderes” e figuras obscuras. Infelizmente, há quem acredite acriticamente, quase como um gesto de fé, em personagens ambíguos, muitas vezes vindos de campos relacionados a soberania-identitária e que são facilmente associados à direita mais radical ou ao catolicismo reacionário. O que está errado? Do nosso ponto de vista, tudo: devemos repudiar tanto aqueles que vêm dos partidos do governo (seja a esquerda legalista-estatista ou a direita liberal), seja por aqueles que aparentemente se opõem ao governo, mas ainda defendem soluções autoritárias e discriminatórias de forma semelhante (por exemplo, racistas que querem excluir estrangeiros ou fundamentalistas religiosos que querem fazer o mesmo com gays e queer).

Uma luta que quer ser eficaz deve ter clareza sobre qual é o inimigo contra o qual deve dirigir o ataque, não hoje, mas sempre: o princípio da autoridade, em todas as suas variadas formas.

Além disso, dado que a tecnologia hoje não é mais uma escolha ou apenas um privilégio, mas também uma imposição, devemos redescobrir a solidariedade e a dimensão humana o mais rápido possível, tentando assim opor-se à alienação e às divisões criadas artificialmente pelo poder entre as massas de explorados. Quanto mais cedo compreendermos isso, menos complicado será lutar contra aqueles que, por detrás de uma fachada científica, ou melhor, do cientificismo, nos obrigam a submeter-nos aos imperativos do Estado, da economia capitalista e das tecnologias que estão a serviço da ordem e que ainda hoje certamente não libertam a humanidade do cansaço do trabalho (como pensavam os positivistas em meados do século XIX), mas parecem acorrentá-la a novas formas de escravidão.

Não buscamos soluções vindas de cima, mas sim damos vida a 10, 100, 1000 caminhos solidários e autogeridos que vem de baixo!

Anarquistas do Espaço Libertário “Sole e Baleno”

Subborgo Valzania 27, Cesena.

Janeiro de 2022

Fonte: infernourbano.altervista.org/la-democrazia-e-laltra-faccia-del-fascismo/

Nota do tradutor:

[1] Certificado Digital de vacinação obrigatório para circular em países da união europeia.

[2] Banqueiro que assumiu o cargo de primeiro-ministro da Itália em fevereiro de 2021.

Tradução > Mauricio Knup

agência de notícias anarquistas-ana

Lua cheia!
Por mais que caminhe,
O céu é de outro lugar.

Chiyo-jo

[Espanha] Lançamento: “Antifascistas | Así se combatió a la extrema derecha española desde los años 90”, de Miquel Ramos

Sinopse

A extrema-direita espanhola começou a se parecer um pouco mais com a europeia quando morreu o ditador Francisco Franco. A transição esteve marcada pela violência dos grupos parapoliciais e do terrorismo de Estado, mas logo chegaram as bandas de skinheads neonazistas, os ultras do futebol e, pouco a pouco, as novas formações da ultradireita e os movimentos sociais neofascistas. A geração que cresceu depois da transição deu a resposta – a partir de distintos âmbitos e com táticas diversas – a uma nova ultradireita que exercia a violência de uma maneira brutal contra diferentes coletivos, e que progressivamente tratou de ocupar um espaço nas instituições. Ramos repassa as diversas lutas contra a nova extrema-direita que surgiu na Espanha desde meados dos anos 80 até a atualidade, com testemunhos de seus protagonistas e crônicas jornalísticas e políticas de cada momento: como se organizaram as distintas plataformas e coletivos que passariam da autodefesa inicial à ofensiva contra os grupos de extrema-direita; que papel tiveram o jornalismo, a cultura, a música, as instituições e outros movimentos sociais; e a pluralidade da luta antifascista, suas alianças, seus debates e algumas de suas vitórias. Mas também como uma parte do movimento antifascista combateu solitariamente, assumiu os riscos, sofreu a violência dos neonazis, a perseguição policial e judicial, bem como a criminalização dos meios de comunicação.

Antifascistas

Así se combatió a la extrema derecha española desde los años 90

Miquel Ramos

ISBN: 978-84-124578-0-3

Preço: 25 €

Páginas: 632

Tamanho: 14×22 cm

capitanswing.com

Tradução > Erico Liberatti

agência de notícias anarquistas-ana

Por este caminho,
Ninguém mais passa —
Tarde de outono.

Bashô

Comunistas Atacam Anarquistas em Marcha na Grécia

Breve atualização sobre o ataque contra anarquistas pelo Partido Comunista Grego afiliado à All-Workers Militant Front [Frente Militante dos Trabalhadores e Trabalhadoras] na manifestação da Greve Geral de Patras.

Em 06/04/2022, durante a manifestação da marcha de greve em frente ao Patras Labour Centre [Centro Trabalhista de Patras], dois camaradas tentaram denunciar pelo microfone a presença da Association of Restaurant and Leisure Shopkeepers of Achaia Prefecture (S.K.E.E.A.N.A.) na marcha dos trabalhadores.

Quando os guardas da PAME [1] souberam do conteúdo da intervenção, interromperam a camarada que, naquele momento, estava prestes a falar, jogando-a no chão e imobilizando-a. Assistindo ao ataque, alguns anarquistas próximos ao incidente, em sua tentativa de se aproximar da camarada sendo atacada, foram confrontados pela segurança da PAME, que, com violência excessiva, atacou-os para defender a presença dos chefes na marcha de greve.

É claro que não surpreende; nem a raiva com a qual os trogloditas da PAME atacaram os anarquistas, proclamando que “logo vocês vão sofrer mais do que os anarquistas durante a União Soviética”, nem seu ataque vulgar e misógino contra as camaradas, nem sua retórica sobre paraestadistas e provocadores que tentaram atacar a greve. Além disso, qualquer um que não tenha memória curta se lembra facilmente de incidentes similares no passado do movimento, com um exemplo local recente na tentativa de isolamento dos blocos anarquistas durante uma marcha de greve em Patras em novembro de 2018 e o conflito subsequente com os e as camaradas que defenderam sua presença nas ruas.

O partido militar KKE [2], que defendeu os interesses dos patrões, é quem está contra os e as grevistas anarquistas que tentaram denunciar a presença dos chefes na marcha dos trabalhadores e trabalhadoras, é quem sempre direciona sua raiva aos oprimidos, é quem se vê como donos monopolistas da luta de classes. E é ele e sua lógica que devem ser isolados daqueles e daquelas que lutam pela revolução e pela destruição do mundo de poder.

NÃO AOS PATRÕES, NÃO AOS PARTIDOS, AS RUAS PERTENCEM AO MUNDO DAS LUTAS

[1] All-Workers Militant Front (PAME) é um centro de coordenação do movimento sindical grego fundado pela iniciativa dos sindicalistas do Partido Comunista da Grécia em abril de 1999.

[2] KKE é o Partido Comunista da Grécia.

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1617999/

Tradução > Sky

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2011/10/22/grecia-larissa-ataque-contra-sede-do-partido-stalinista-kke/

agência de notícias anarquistas-ana

Ramo ressecado,
corvo empoleirado
—anoitece o outono.

Bashô

[Reino Unido] O anarquismo integrado? As recentes tendências, desafios e oportunidades do anarquismo acadêmico

Por Giuseppe Maglione | 22/01/2022

Carissa Honeywell, Anarchism, Polity Press, Cambridge, 2021, 168pp. ISBN 9781509523917
Ruth Kinna, The Government of No One: The Theory and Practice of Anarchism, Pelican, London, 2019, 432pp., ISBN 9780141984667
Carl Levy and Saul Newman (Eds.), The Anarchist Imagination: Anarchism encounters the humanities and the social sciences, Routledge, London and New York, 2019, 278pp., ISBN 9781138782761

Do Occupy ao apoio mútuo em tempos de pandemia, de Rojava ao Invisible Committee [Comitê Invisível], ideias associadas à constelação cultural anarquista tiveram um pico de popularidade entre ambos estudiosos e ativistas (Rodgers Gibson, 2019). Nomeadamente, a última década testemunhou um aumento significativo da atenção acadêmica dedicada à teoria política anarquista. Um indicativo desse fenômeno é o número crescente de dissertações e antologias sobre o anarquismo publicadas por editoras tradicionais, na realidade, a produção editorial sobre o anarquismo sempre foi grande e incansável, mas confinada a tipos específicos de publicações e editoras especializadas.

Três exemplos recentes do desenvolvimento do interesse acadêmico nesse assunto são Anarchism [Anarquismo] de Carissa Honeywell,The Government of No One [O Governo de Ninguém] de Ruth Kinna e a edição de The Anarchist Imagination [A Imaginação Anarquista] de Saul Newman e Carl Levy. Os três abordam dimensões diferentes do anarquismo, apresentando o leitor e leitora à práxis anarquista (Honeywell), a debates histórico-conceituais (Kinna) e a usos analíticos para enriquecer ciências sociais e humanas (Newman e Levy). Em geral, geram uma imagem refinada dos desenvolvimentos contemporâneos e dos desafios característicos do anarquismo que provoca reflexão, demandando uma leitura atenta e crítica. Apesar de uma pequena tendência ao anglo centrismo e uma possível inclinação à apropriação epistêmica, têm o potencial de ajudar a impulsionar o interesse acadêmico no anarquismo.

O Anarchism de Honeywell fornece um engajamento crítico com temas específicos dentro do anarquismo, também enfatizando alguns dos lugares comuns que prosperam no assunto (por exemplo, sua natureza niilista, destrutiva e contraproducente). Cada capítulo lida com uma dimensão da práxis anarquista contemporânea e seus princípios adjacentes.

A introdução e o capítulo 1 primeiramente definem o anarquismo metateoricamente, apresentando então um breve histórico da anarquia. ‘Anarquismo’ é aqui definido como [em tradução livre] ‘uma série conectada de tentativas de resposta a [danos, violência, recursos em colapso] sob uma perspectiva igualitária e antiautoritária’ (p. 1), que coalesce em volta da ideia de que ‘a hierarquia política coercitiva […] é uma escolha’ (p. 3). Tendo definido esses limites conceituais amplos, o capítulo 1 apresenta um resumo de boa parte dos teóricos e teorias canonizadas do anarquismo do final do século XIX ao final do século XX.

Os capítulos 2, 3 e 4 consistem de três estudos de caso sobre a práxis anarquista contemporânea. Honeywell descreve alguns dos valores anarquistas fundamentais utilizando uma abordagem do básico ao complicado, ou seja, trazendo vários possíveis exemplos de práticas que dão corpo a esses valores. O primeiro foca na rede de apoio mútuo ‘Food Not Bombs’ (FNB) elevada a um paradigma da centralidade da dinâmica relacional (por exemplo, confiabilidade, interdependência e confiança, e suas ligações com a liberdade) dentro do anarquismo. O FNB é um movimento global voluntário de partilha de alimentos dedicado à ação direta não violenta. Seu horizonte normativo é promover uma transição para comunidades autogovernadas, enfatizando uma política de sobrevivência e resistência ao neoliberalismo através da ‘desmercantilização de alimentos e da politização da fome’ (p. 37).

O capítulo 3, sobre redução de danos, usa o ‘Prevent Point’ como um estudo de caso. A iniciativa de base almejava parar a disseminação da AIDS na década de 1980, propondo um modelo de cura e prevenção da doença que é agora conhecido como ‘redução de danos’. Essa abordagem não estigmatizada e não punitiva é considerada por Honeywell uma expressão não dominante de se relacionar (pp. 66–67). Honeywell destaca a ressonância entre o antigo movimento de redução de danos, que emergiu como um conjunto de práticas ativistas de cooperação ilegais e voluntárias, e o conceito-chave anarquista de prefiguração (p. 67). As políticas prefigurativas insistem em como ações do presente definem resultados futuros, no alinhamento normativo entre fins e meios. Honeywell defende um entendimento de prefiguração que combina reforma no presente com transformação radical no futuro, usando dependência química como um exemplo de efeitos políticos do deslocamento de relações sociais (p. 75).

O próximo capítulo trabalha a ideia de justiça-além-da-punição, baseando-se na premissa de que a punição não convém às necessidades sociais daqueles que se envolvem em crimes enquanto funciona como uma das justificações primárias do monopólio da violência pelo Estado (p. 97). Aqui o estudo de caso é o ‘Empty Cage Collective’ [Coletivo da Jaula Vazia], um grupo anarquista que trabalha com apoio aos encarcerados e com uma agenda maior de abolicionismo penal. O coletivo argumenta rumo a formas não violentas de garantir a segurança de indivíduos e comunidades e maneiras mais ‘restaurativas’ para responder aos danos do que infligir novos danos (p. 98), e que essas opções alternativas estão ligadas a lutas mais amplas que W.E.B. Dubois chama de ‘democracia da abolição’. Honeywell se lembra das contribuições da criminologia anarquista que são integrais a aspirações transformativas mais amplas – aumentando a gama de conflitos e danos que uma comunidade pode resolver através do diálogo, enquanto reconhece que um quadro de resolução de conflitos nem sempre é aplicável (por exemplo, abuso e assédio sexual) (p. 123). As conclusões terminam a argumentação enfatizando o ponto principal da desmilitarização das nossas vidas a nível granular e de repensar nossas relações em um jeito prefigurativo.

O The Government of No One de Ruth Kinna é essencialmente um livro didático contemporâneo sobre anarquismo, ambos pelo estilo (uniforme e factual) e pelo conteúdo (denso e amplo). Similar a Honeywell, funciona como uma introdução aos mitos e realidades do anarquismo, focando na teoria e na prática (p. 7).

O primeiro capítulo discute as tradições anarquistas, em uma tentativa de encontrar um meio-termo entre a ideia do anarquismo como um monólito ideológico com limites bem definidos e como um hospedeiro de coisas distintas frouxamente conectadas por determinados valores. Descreve então a principal finalidade do Estado como um aparato para preservar a distribuição desigual da propriedade privada através da polícia e das prisões e a demonização e criminalização subsequentes da dissidência anarquista.

O capítulo 2 muda do mapeamento histórico aos desafios conceituais ao catalogar críticas culturais anarquistas para explicar a consistência da subjugação (p. 56), um clássico tema anarquista. Os dois objetos principais dessa análise cultural são a crítica anarquista da dominação e uma de suas réplicas – a educação. A dominação é ‘um tipo difuso de poder, cravado na hierarquia – estruturas piramidais, ordens de prioridade e cadeias de comando – e em acesso desigual a recursos econômicos e culturais’ (pp. 59–60). Kinna vê a rejeição da dominação como o elemento unificador das lutas anarquistas e da educação transformativa, compreendido como ‘uma abordagem à vida, tocando nas convenções há muito estabelecidas que enfatizam os processos de socialização e desenvolvimento moral, bem como o aprendizado ou aquisição de conhecimento’ (p. 84), como uma ferramenta chave para superar a dominação.

O capítulo 3 até certo ponto continua o anterior, discutindo práticas diferentes da educação para desafiar a dominação ligadas com os dois debates anarquistas, o primeiro já razoavelmente batido (violência e organização), enquanto o outro é mais recente (classe e interseccionalidade). Kinna argumenta que, no século XIX, anarquistas viam a violência como às vezes integral à ideia de ‘propaganda pela ação’, outros como um produto da brutalização muito capitalista da resistência (p. 121). Essa seção fornece uma análise histórica perceptiva dos vários desdobramentos no anarquismo que se originaram em volta da discussão sobre o papel da violência. Ainda assim, a história sempre influencia o presente e, na verdade, anarquistas ainda discutem sobre a violência, e debates sobre a diversidade tática ou black blocs são expressões desse tema recorrente (p. 133).

Sobre a opressão de classes, Kinna afirma que a crítica dentro do anarquismo é apenas parcialmente alinhada com a análise marxista, já que esta é vista como adjacente a uma ingênua ‘tese de progresso’ e a um determinismo histórico (p. 151) e aquela ideia de classes é totalizante e não inclui todos os oprimidos (p. 154). Essa discussão é então combinada com a interseccionalidade. Grande parte do pensamento e da prática anarquista recentes adotou, principalmente a partir do feminismo preto, uma abordagem interseccional à opressão. Contudo, há opiniões diferentes sobre como teorizar as relações entre opressões de classe e outros tipos e sobre o tipo de ação que deveria se seguir à crítica interseccional (p. 157). A aposta do livro aqui é que todas as formas de opressão estão no mesmo nível de intensidade e que focar apenas na classe socioeconômica significa se render a uma estratégia burguesa de distração.

O capítulo 4 discute as ‘constituições anarquistas’, ou seja, esforços anarquistas para solidificar seus valores ao traduzi-los em estatutos constitucionais. O capítulo descreve então algumas visões anarquistas utópicas, como visões menos sólidas de formas anárquicas da vida comunitária. Refletem então em considerações anárquicas sobre a democracia, ambos em termos de crítica de concepções meramente procedimentais de democracia e em termos de visões democráticas anarquistas/comunalistas. Finalmente, inclui uma pequena discussão sobre consenso e tomada de decisão, seus valores de base, regras e aplicações.

O último capítulo explora ‘perspectivas’ futuras para o anarquismo. Começa com a abordagem de ideias anarquistas sobre sucesso e falha, reposicionando-as como questões de capacidade, resiliência e resistência. Kinna reflete então sobre a suposta impossibilidade de superar o Estado, propondo uma alternativa à ideia de ‘anarquização’, o que consiste em ideias de mudança que têm como objetivo a alteração, embora parcial, de arranjos sociais de acordo com princípios anarquistas, como por exemplo, através da construção de relações entre anarquistas e não anarquistas, ou por atos de transgressão e desobediência (p. 265). O livro não tem uma conclusão, mas uma seção final para biografias de anarquistas, um tributo para aqueles que frequentemente sacrificam suas vidas pelos ideais anarquistas.

O The Anarchist Imagination de Levy e Newman é significativamente diferente dos livros de Honeywell e Kinna por duas razões principais. Primeiramente, por ser uma antologia editada, em segundo lugar, por ter um objetivo altamente específico: redescobrir as raízes anarquistas conceituais e normativas de certos domínios disciplinares, ou oferecer algumas ferramentas analíticas anárquicas que são usadas, ou que poderiam ser usadas, por acadêmicos das ciências sociais e humanas.

A introdução de Levy começa com uma breve reflexão do significado do construto teórico chave ‘imaginação anarquista’. Referenciando o conceito conhecido de C. Wright Mills, ‘imaginação sociológica’, Levy descreve a imaginação anarquista como um âmbito fluido de ‘metodologias e construtos teóricos anarquistas [que] influenciaram as humanidades e as ciências sociais’ (p. 4). O elemento anarquista se refere aos ‘momentos de loucura’, contingência e imaginação na realização da pesquisa acadêmica, destacando o impulso normativo dessas atividades político-intelectuais. O anarquismo aparece aqui como um tipo de invariável histórica epistêmica, na medida em que representa o amigo ou o inimigo de cientistas sociais tão distintos entre si quanto Marx, Spencer, Weber, Gramsci e Mills.

A primeira metade do livro aborda principalmente a imaginação anarquista na teoria política e na ciência política, amplamente concebida. O capítulo de Bamyeh demarca o anarquismo autoconsciente e o anarquismo orgânico, usando a derrubada do regime de Mubarak no Egito como um estudo de caso (p. 30). A imaginação anarquista é aqui mobilizada para dar um sentido sociológico à Primavera Árabe, fornecendo uma abordagem do zero para formas estruturais de resistência e mobilização que podem ser aplicadas ao estudo sociológico de outros movimentos sociais. O próximo capítulo (por Kazimi) é uma crítica anarquista do conceito de ‘anarquia’ dentro das Relações Internacionais, aqui, a imaginação anarquista funciona como uma crítica do campo disciplinar (p. 42). Isso se encaixa com o capítulo de Rossdale, que contém uma crítica anarquista de estudos críticos de segurança e, nomeadamente, do conceito restritivo de segurança, sugerindo uma extensão de seu escopo para além da perspectiva anarquista através da conexão entre segurança e redes de apoio mútuo, não com agências violentas do Estado (p. 62).

O capítulo de Newman examina teóricos políticos e sociais pós-estruturalistas, em suas contribuições indiretas ao anarquismo, em direção a uma política ética que contesta a soberania por ângulos diferentes (p. 81), enquanto a obra de Kinna muda levemente o foco da teoria política europeia para a ciência política anglo-americana (p. 95). O ponto principal aqui são as escolhas metodológicas integrais à emergência do campo disciplinar, que estão em desacordo com os valores anarquistas, e o fato de que um esforço intelectual significativo é necessário para anarquizar não apenas o campo amplo de ciência política anglo-americana (Kinna), mas também teorias políticas específicas do anarquismo desenvolvidas sobre essa questão (Newman). O capítulo de Jeppesen destaca como anarcofeministas contribuíram com a redefinição dos parâmetros de entendimento do poder e da opressão, quebrando a divisão do público-privado (p. 110). Heckert fecha idealmente essa parte homogênea do livro, provendo uma meditação sobre ‘políticas amorosas’ e sobre a política como um relacionamento. Esse é um profundo esforço intelectual transdisciplinar para fertilizar a teoria política usando principalmente um conceito ontológico de anarquismo como um catalisador por mudanças (p. 132).

A segunda parte do livro inclui contribuições de uma variedade de disciplinas, principalmente no domínio das ciências sociais. O capítulo de Ince agrega a geografia sob uma perspectiva anarquista (p. 146), com foco na conceitualização de espaços como padrões de rede de autonomia na luta contra a desregulação neoliberal, enquanto se trabalha em direção aos espaços comunitários. Aproximadamente nas mesmas linhas disciplinares, Ranmath fornece uma crítica simpática aos estudos pós-coloniais, trazendo uma orientação normativa anticolonialista e sugerindo que ela deveria ser adotada por estudiosos pós-colonialistas (p. 163). O capítulo de Loizidou entra em uma crítica anarquista à lei, questionando as concepções de lei do Estado em uma perspectiva crítica anarquista (p. 181), fornecendo uma crítica similar à análise de Suissa da deterioração normativa da educação fornecida pelo Estado. Christoyannopoulos foca em estudos da religião, refletindo nos emaranhamentos reais possíveis entre religião, estudos da religião e anarquismo (p. 210), enquanto o capítulo final de Antliff se preocupa com o papel da estética nas políticas do anarquismo (p. 229). A conclusão do livro, escrita por Levy, encara alguns dos desafios recorrentes levantados e/ou experienciados pelos autores e autoras, particularmente em torno da apropriação cultural do anarquismo (p. 240).

As três tentativas de explorar, mapear e redescobrir o anarquismo criticamente revisadas acima deveriam contribuir com o estímulo do interesse acadêmico em torno desse assunto por várias razões. Primeiramente, todos fornecem uma análise sustentável dos mitos negativos que rondam o anarquismo através de um engajamento intenso, ainda que equilibrado, com suas fontes, temas e desafios. Argumentam persuasivamente que não há espaço para o humanismo ingênuo na antropologia anarquista contemporânea que caracteriza o anarquismo clássico, enquanto contestam o pessimismo antropológico hobbesiano ao apelar à primazia das conexões e interconexões sociais; que anarquismo não é sinônimo de violência, mas de cooperação e solidariedade; que o anarquismo não é uma utopia, mas um horizonte normativo encenado diariamente no mundo inteiro por uma gama diversa de ativistas, acadêmicos e pessoas no geral. Os três livros combinam a filosofia anarquista com o anarquismo como uma forma de ativismo político enquanto adotam uma postura cultural-epistêmica antifundacionalista, problematizando os limites entre ação e pensamento políticos em âmbito micro e macro. Desse ângulo, demonstram como os princípios anarquistas são relevantes às lutas políticas globais contemporâneas que envolvem a distribuição de recursos e a combinação de engajamento ético com a luta política.

Alguns possíveis problemas associados a esses esforços intelectuais também são dignos de nota. Os dois principais são uma apropriação epistêmica e um anglo centrismo ameaçadores. Sobre o primeiro, aplica-se aos exemplos de prática anarquista política e acadêmica discutidas nos três livros. Parece haver uma tendência compartilhada a rotular como ‘anarquista’ uma variedade de organizações, grupos e estudiosos distintos, baseando-se em sua ampla ressonância com valores anarquistas. Como resultado, o universo anárquico parece estar em incansável expansão, estar de alguma forma sem fronteiras. Embora essa operação possa exemplificar a criatividade do pensamento anarquista, não o é sem riscos. O primeiro risco é que as propriedades que conotam anarquismo se tornam mínimas, ao ponto em que ‘anarquismo’ parece uma palavra de efeito para capturar uma gama extensa de forças progressistas: tudo que não é dominante é anarquismo. Dessa forma, parece que se busca um tipo de legitimação: o anarquismo está em todos os lugares e em todos os momentos, e não em um nicho sombrio como é às vezes descrito de forma derrogatória. Ainda assim, essa operação epistêmica tem o custo da clareza conceitual.

Um segundo risco é ético: imagina-se se ações, conceitos, interpretações, histórias geradas por tais atores/organizações rotulados de anarquistas que acabam sendo separadas de seu contexto como resultado dessa rotulação. Esse ‘desapego epistêmico’ pode causar a expansão do saber anarquista ao incorporar esses novos recursos epistêmicos, porém há um risco remanescente de reduzir o papel singular e específico ao contexto dos colaboradores e colaboradoras ‘no processo do conhecimento’ (Davis, 2018, p. 705). As vozes desses grupos, atores e estudiosos, embora elevadas aos paradigmas do anarquismo, às vezes aparecem limitadas por sua incorporação instrumental em um horizonte epistêmico formal (como por exemplo, o anarquismo).

Quanto ao anglo centrismo, embora os autores e autoras se apoiem em histórias ou colaboradores e colaboradoras de fora da anglosfera, uma ênfase em experiências, escritores, escritoras e conceitos anglófonos persistem, como por exemplo, o de comunidade. Não são descritores neutros, mas construtos culturalmente sensíveis com frequência embasados em modelos cognitivos específicos (Levisen, 2018) que necessitam de problematizações e autocríticas mais abertas.

Essas obras possivelmente poderiam representar uma tendência à expansão das fronteiras do anarquismo como uma combinação de teoria política e prática. Por essa razão, torna-se urgente refletir sobre ‘qual anarquismo’ é adotado por esses autores e autoras, apesar de seus esforços para honrar a diversidade integral de dentro do cosmos anarquista. Em geral, parece haver uma preferência por um anarquismo ‘menor’, apenas normativamente clássico, mas antropologicamente um pós-anarquismo, grandemente social-comunista e certamente anticapitalista. O anarquismo emerge fortemente como um estilo de raciocínio normativamente pesado, representado em práticas divergentes rumo à anarquização. Aqui, o anarquismo tradicional significa tradicionalizar este anarquismo.

Estamos muito longe da institucionalização real do anarquismo acadêmico, e é difícil dizer se isso será possível (ou desejável) futuramente. Enquanto essas empreitadas intelectuais que chamam a atenção para esse fluido universo podem ser favoravelmente recebidas por teóricos políticos anarquistas, existem riscos integrais a essa possível integração. O dilema é equilibrar esses riscos contra um espaço alternativo sombrio ao qual o anarquismo acadêmico se relegou (ou talvez fosse relegado) há muito tempo – uma marginalidade contraproducente. Que as tentativas de engajamento com experiências de base, o mapeamento do desenvolvimento histórico a longo prazo e a redescoberta de conexões culturais inéditas (como fizeram Honeywell, Kinna, Newman e Levy) contribuam para um desenvolvimento retrorreflexivo e prefigurativo do anarquismo dentro da academia.

Fonte: https://link.springer.com/article/10.1057/s41296-021-00532-7

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

O clarão da Lua
guiando o caminhoneiro.
Saudades de casa.

Antônio Seixas

[Espanha] Rádio Klara completa 40 anos.

Após uma etapa de análise, planejamento organizacional e mobilização de recursos econômicos para poder comprar o equipamento, a Rádio Klara entrou no ar a partir da cozinha de uma casa particular em 26 de março de 1982.

É justo reconhecer que a Rádio Klara não surgiu num terreno baldio, o fenômeno das rádios livres tinha antecedentes significativos nos Estados Unidos, México, Brasil, Itália, Holanda e Grécia, promovido por grupos ambientalistas, autônomos e libertários. Na França, as rádios livres tiveram um grande auge durante o maio de 68 tendo como uma das maiores referências a Radio Libertaire de Paris.

No Estado espanhol, a primeira rádio livre foi a Rádio Maduixa de Granollers que começou a transmitir em 1977. Foi seguida por Ona Lliure de Barcelona em 1979 (fechada duas vezes pela polícia). Outras rádios pioneiras, criadas no início da década de 1980, foram a Rádio Paraíso de Iruña ou a Txomin Barullo de Bilbao. Todas elas com um elo comum: a rejeição ao monopólio das ondas de transmissão, o direito de transmitir e expressar-se livremente e a comunicação bidirecional (transmissor-receptor). Ou seja, é um movimento heterogêneo em essência, mas com finalidades comuns e definidas.

De volta a Rádio Klara, o contexto social, político e midiático em que ela foi criada foi se modificando significativamente ao longo do tempo e para permanecer no ar após 40 anos, foi necessário um esforço de adaptação às novas realidades, única forma de sobreviver e não perecer como fizeram, nem sempre por ataques do poder, a grande maioria das rádios livres que surgiram na época. Assim, a sobrevivência da Rádio Klara não é graças a um “milagre” ou à permissividade do poder, como alguns acreditam, mas ao esforço diário de muitas pessoas que acreditaram no projeto e em sua viabilidade para o futuro.

A realidade em mudança obriga necessariamente à reflexão e à autocrítica para ajustar o rumo na direção que cada momento histórico exige. Assim, após vários fechamentos e apreensões, no início dos anos 90 surgiu a possibilidade de existência jurídica e com ela, um grande debate interno: por um lado, aqueles que davam como certo que tornar-se legal era o mesmo que submeter-se ao poder e seus ditames. Por outro, aqueles de nós que acreditaram e continuam acreditando que só se submetem aqueles que se deixam subjugar e que a energia que teríamos que dedicar à luta para seguir no ar poderia ao invés disso, ser usada para tornar a programação maior e melhor, que no final das contas, é o que importa. Não foi, portanto, um passo fácil e como sempre, gerou muitos mal-entendidos e não poucas deserções.

Finalmente Rádio Klara tinha uma licença de transmissão. Licença que celebramos não como um presente, mas como uma conquista que nos trouxe alguns anos de relativa tranquilidade com o poder, a consolidação da programação e a melhor gestão das finanças através de campanhas para atrair associados que contribuíam com dinheiro na forma de taxas periódicas, o que aliviou, em parte, as minguadas economias da rádio. As portas da Rádio Klara se abriram para novos coletivos e pessoas que, embora enriquecessem a programação em termos de conteúdo e atualidade, acabaram por implicar uma estagnação do ponto de vista da gestão da emissora, terminado por impor a assembleia como órgão máximo de decisão e tornando pertencente a ela, com todos os direitos e em muitos casos, poucos deveres, qualquer pessoa que simplesmente decidiu aparecer na emissora. Se queríamos continuar a apostar numa rádio alternativa mas confiável, com vocação para o futuro e onde a esquerda social e política pudesse se expressar, era preciso reagir. Assim, o CECA (Centro de Estudos e Comunicações Alternativas), como titular da licença de transmissão da Rádio Klara, decidiu intervir e assumir a gestão. O preço foi alto: traumas, deserções e uma boa dose de incompreensão por parte de alguns grupos.

Como foi demonstrado nestes 40 anos, a Rádio Klara não nasceu com vocação para a marginalidade pois consciente do papel dos meios de comunicação nas sociedades modernas e a serviço de quem a maioria deles está, ela pretendia ser uma autêntica alternativa de radiocomunicação que se projetaria até o futuro como livre e libertária. Livre porque não está vinculada ou protegida por nenhum grupo político, sindical ou de mídia. E libertária porque esta é a alternativa que a Rádio Klara pretendia e pretende divulgar, em sentido amplo, dada a extensão do Movimento Libertário.

Hoje quando a Rádio Klara faz 40 anos, continuamos convencidos de sua necessidade. Fenômenos como a implementação progressiva de um capitalismo selvagem e globalizado e também as respostas a isso que estão sendo geradas em todo o planeta, nos fazem pensar que não é hora de sectarismo ou levantar bandeiras partidárias, mas de unir forças com aqueles que odeiam esse mundo que o capitalismo quer nos impor e apostam e lutam pela possibilidade de um outro mundo, justo, solidário e livre. É neste contexto que acreditamos que faz sentido um meio de comunicação como a Rádio Klara, que aposta em rigor, credibilidade e compromisso como sinais de sua identidade, se mantém longe do sectarismo, da demagogia e de ideias panfletarias e que, ao mesmo tempo, consegue se manter atraente e divertida.

Por fim, é imprescindível o reconhecimento ao papel da audiência. Especialmente àquela que, com seu apoio, contribuiu de forma definitiva para o sustento econômico da Rádio Klara durante esses 40 anos. Sem esse apoio não estaríamos comemorando este aniversário.

Obrigado a todxs.

Saúde

Aniceto Arias Suárez, integrante da Rádio Klara

Fonte: https://rebelion.org/radio-klara-cumple-40-anos/

Tradução > Mauricio Knup

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Ruídos nas ramas.
Trêmulo, meu coração detem-se
e chora na noite…

Matsuo Bashô

 

[Grécia] Vídeo | Patrulha antifascista em Kerameikos, Atenas

No bairro de Kerameikos, em Atenas, sempre houve a presença de fascistas, que recentemente se limitou a pichações noturnas rápidas nas paredes da região.

Considerando que mesmo um movimento tão rudimentar não deve ficar sem resposta, decidimos no dia 02/08 sair às ruas de Kerameikos com spray, folhetos e slogans, como um lembrete de que eles não são bem-vindos em nenhum lugar.

Em cada tentativa de levantar a cabeça, eles nos encontrarão na frente deles!

NEM EM KERAMEIKOS NEM EM QUALQUER LUGAR

ESMAGAR OS FASCISTAS EM TODOS OS BAIRROS

Patrulha antifascista em Kerameikos

>> Veja o vídeo (03:42) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=z29XpbPpeY4

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Paineira em flor:
Casa-grande abandonada,
sem telha nem porta

Masuda Goga

[México] Oaxaca: 22 Abril, Fórum Regional “Tierra y Libertad”

A 100 anos do assassinato de nosso camarada Anarquista e Indígena Mazateco, Ricardo Flores Magón.

“Vamos para a vida. Bem aventurados os corações onde enraíza o protesto. Indisciplina e rebeldia! Belas flores que não foram devidamente cultivadas. Vamos para a vida. O abismo não nos detêm: a água é mais bela em cachoeira. Se morremos, morreremos como sóis: despejando luz”.

Como parte da Caravana pela Água e a Vida dos Povos Unidos Contra o Despojo Capitalista que se iniciou este 22 de março no povoado de Juan C. Bonilla em Puebla e percorrerá 9 estados do país, no dia 22 de abril vamos receber esta caravana na comunidade binniza de Puente Madera para compartilhar, refletir, escutar, propor os caminhos e alternativas para construir como povos ante a destruição capitalista que ameaça nossos territórios.

Fazemos um chamado aos comuneiros, cidadãos, artesãos, pescadores, camponeses, obreiros, profissionais, estudantes, promotores da cultura, mulheres, homens e dissidências da região do Istmo de Tehuantepec ao Fórum “Tierra y Libertad” a realizar-se na comunidade de Puente Madera, San Blas Atempa na sexta-feira, dia22 de abril, às 10h00, onde se compartilharão reflexões em torno às consequências que traz consigo a industrialização, despojo, saque e acumulação de capital por parte das empresas, do governo e do crime organizado, às custas da sangria ecológica, social, política e econômica dos povoados e territórios onde estes se impõem.

Atenciosamente

Assembleia Comunitária de Puente Madera
Assembleia dos Povos Indígenas do Istmo em Defesa da Terra e do Território – APIIDTT

“O ISTMO É NOSSO”

Fonte: https://tierrayterritorio.wordpress.com/2022/03/25/foro-regional-tierra-y-libertad/

Tradução > Sol de Abril

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a chuva no charco
traça círculos
sem compasso

Eugénia Tabosa

[Espanha] Buscam familiares de dois jovens alaveses assassinados em 1936

Tomás Mardones Llorente, de Vitoria-Gasteiz, e Ángel Santamaría Legaria, de Moreda foram assassinados em Berriozar em 1º de novembro de 1936

A CNT Vitoria-Gasteiz busca familiares de dois presos alaveses assassinados em 1936. A Sociedade de Ciências Aranzadi exumou faz alguns dias em uma fossa em Berriozar (Navarra) 21 pessoas. Segundo publica a CNT em sua  conta de Twitter, se acredita que estas pessoas foram assassinadas em 1º de novembro de 1936, depois que lhes aplicaram a Lei de Fugas.

Os dois alaveses dos quais se busca agora suas famílias são Tomás Mardones Llorente, de Vitoria-Gasteiz, e Ángel Santamaría Legaria, de Moreda.

“A maioria deles não passava dos 30 anos. Os encarceraram e assassinaram por sua militância anarcossindicalista, organizando a luta obreira revolucionária com o comunismo libertário como objetivo”, detalha a CNT.

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o sol inclinado
leva até minha parede
o gato do telhado

José Santos

[Reino Unido] Nove refeições até a anarquia

Escrevendo para a Cosmopolitan em 1906, o advogado, jornalista e escritor americano Alfred Henry Lewis observou: “Há apenas nove refeições entre a humanidade e a anarquia.”

Sendo um advogado, não é surpresa que ele estivesse usando anarquia como sinônimo de caos. Mas a declaração destaca a fragilidade de um sistema socioeconômico dominante que depende fortemente da escassez fabricada, da insegurança generalizada, da falta generalizada de autoconfiança em nossa capacidade de nos sustentar e de um paternalismo induzido pelo Estado. Lewis estava alertando que uma potencial convulsão social nunca está longe, mas essa situação é aprofundada pelo modelo econômico dominante. Como testemunhamos nos meses iniciais da crise do Covid-19, e antes disso durante os protestos de combustível no Reino Unido, o sistema de abastecimento “just-in-time” torna-se altamente instável muito rapidamente em tempos de crise.

O Protesto do Combustível do Reino Unido, que começou em 8 de setembro de 2000, teve grandes efeitos na cadeia de suprimentos em poucos dias. Em 12 de setembro, os protestos, combinados com a compra de pânico (também um fator que contribuiu para a escassez do CV-19), fizeram com que 3.000 postos de gasolina fechassem seus postos de abastecimento. No dia seguinte, os serviços do NHS (SUS) foram colocados em alerta vermelho, os supermercados começaram a racionar o fornecimento de certos bens (o que levou a mais compras em pânico), o Royal Mail disse que não poderia manter as entregas e as escolas começaram a fechar. No dia 14, apenas seis dias após o início, os protestos começaram a terminar, evitando qualquer dificuldade real. Ninguém passou fome (além da porcentagem habitual tolerada de “pobres merecedores”, é claro), mas a própria possibilidade de escassez viu um rápido aprofundamento da crise.

Agora, com a economia global ainda mais entrelaçada, combinações de coronavírus, Brexit, guerras imperiais e até navios de carga presos em canais causaram crises de abastecimento semelhantes nos últimos anos. A principal desculpa para o fornecimento just-in-time é a eficiência, mas o resultado final do capitalismo – crescimento econômico constante a qualquer custo – exige exatamente o oposto da eficiência. Um sistema eficiente, que atendesse às necessidades de todos, seria resiliente e justo. Mas o sistema capitalista tem buscado desesperadamente maneiras de cortar custos, salários e direitos em nome do lucro desde que Shmidt começou a trabalhar com pá (Shmidt era um trabalhador anedótico no estudo de tempo e movimento de Frederick Winslow Taylor há muito desacreditado – mas ainda adorado por chefes gananciosos – que deu origem à pseudociência da ‘Gestão Científica’).

O capitalismo provou-se, uma e outra vez, incapaz de fornecer à humanidade e aos nossos parentes não humanos o básico necessário para uma vida estável, feliz, livre e realizada. Mas, enquanto uma certa porcentagem de pessoas não passar fome e permanecer satisfeita com as doses regulares de dopamina que recebem de compras, entretenimento, feriados, drogas, mídia social e um suprimento seguro de papel higiênico, nunca teremos um sistema de suprimento capaz de resistir às tempestades convergentes do colapso ecológico, crescente autoritarismo, guerras imperiais e pandemias globais.

Então, como fazemos uma cadeia de suprimentos eficiente, resiliente e justa capaz de atender às necessidades de toda a vida? Bem, a resposta curta é: através da anarquia e da paz. Mas vou elaborar essa afirmação ainda mais usando o foco do aforismo de Lewis, aquele absolutamente essencial para a vida humana (e, de fato, toda…), a comida.

Como mencionei em meu artigo anterior para a Freedom¹, tenho visitado projetos de alimentos em todo o norte da Inglaterra e conversado no Zoom com projetos mais distantes, como parte do meu trabalho para ajudar a construir a recém-emergente, inspirada Zapatista, DIY Alliance. Meu próprio foco tem sido o fornecimento de alimentos auto-organizado e liderado pela comunidade, pois essa é a área com a qual estou mais familiarizado. Tenho procurado soluções anarquistas/amigáveis ​​à anarquia e maneiras de fechar o círculo de produção/fornecimento de alimentos para que as comunidades tenham maior controle sobre sua própria provisão de alimentos, especialmente em tempos de crise. Isso tem pouco a ver com autossuficiência, é mais sobre soberania alimentar, segurança alimentar e autonomia alimentar.

Como mencionei no artigo anterior: “os relacionamentos são a chave para construir um futuro melhor, mais corajoso e mais brilhante para todos”. Ou como Tomás Ibáñez coloca em Anarchism Is Movement (Freedom Press, 2019):

“Não há “essência” do anarquismo que existe além das circunstâncias. A anarquia não pode ser isto ou aquilo em si, mas é o produto das relações”.

O imperativo anarquista é, acredito, explorar, construir e celebrar novos relacionamentos essenciais de apoio mútuo, solidariedade e auto-organização na vida cotidiana – independentemente dos tempos em que nos encontramos – e apoiar e defender esses relacionamentos de qualquer maneira que pudermos, especialmente em tempos de crise. Como diz o mito da CrimethInc, From Democracy to Freedom:

“Se entendermos a liberdade como uma relação produzida coletivamente com nosso potencial, em vez de uma bolha estática de direitos privados, ser livre não é simplesmente uma questão de ser protegido pelas autoridades, mas o projeto de criar espaços abertos de possibilidades.”

Citei o livro Anarchism (Polity Press, 2021) de Carissa Honeywell para os mesmos fins em meu último artigo. Sinto que os livros de Carissa, CrimethInc. e Tomás incorporam coletiva e perfeitamente o anarquismo emergente do século XXI. Um século com problemas únicos em relação aos séculos anteriores, mas que também apresenta novas oportunidades tecnológicas e organizacionais para uma mudança real e duradoura… se pudermos criar as relações essenciais necessárias para que isso aconteça.

Novos relacionamentos podem oferecer a possibilidade de sistemas alimentares mais justos, seguros e sustentáveis, mas a própria alimentação também oferece o potencial de construir novos relacionamentos. Como Carissa diz em seu livro:

“Comer juntos tradicionalmente simboliza igualdade, interdependência e comunidade. A refeição compartilhada pode ser a manifestação do esforço compartilhado, do companheirismo, do cuidado e do parentesco, uma “forma de prática social alojada em necessidades com potencial emancipatório”. [aqui Carissa cita “A Política da Comensalidade” de Banu Bargu] Crucialmente, a comensalidade pode forjar laços que não dependem de identidades compartilhadas ou fixas, ou “igualdade” em qualquer outro aspecto que não as necessidades compartilhadas de comida e companhia. É uma expressão prática de parentesco e companheirismo e uma experiência visceral de confiança e intimidade, sobre a qual os laços são construídos”.

E Carissa deveria saber. Ela é uma das diretoras do maravilhoso projeto Foodhall de Sheffield, UK. O Foodhall atual fica em um prédio perto da estação de trem de Sheffield, no Reino Unido (visite se puder!). Tem uma cozinha, espaços sociais e de oficina, um pátio, uma montra e uma zona pavimentada que se combinam para oferecer “um lugar onde todos podem se reunir para partilhar comida, companhia de bebidas, habilidades e tempo”.

O Foodhall intercepta fluxos de desperdícios alimentares de comerciantes locais para que possam servir refeições quentes no mínimo três vezes por semana. Mas este é apenas o núcleo da oferta do Foodhall. Eles também oferecem uma plataforma para os membros da comunidade perseguirem seus próprios interesses e compartilharem suas habilidades com outras pessoas. Isso deu origem a coisas como aulas de reparo de bicicletas, noites de DJ, oficinas de cerâmica e exibições de cinema. Descobrimos que o mesmo tipo de projetos diversos e liderados por pares surgiu quando abrimos a Bentley Urban Farm (BUF) para o público e grupos comunitários. Não faltam ideias ou habilidades, apenas faltam espaços que permitam que as coisas aconteçam organicamente.

Enquanto eu estava visitando a cozinha do Foodhall, conheci Alan, um cidadão idoso com histórico de problemas de saúde mental. Quando ele descobriu que eu era um agricultor urbano, ele me ofereceu algumas dicas incríveis para economizar sementes de tomates comprados no supermercado e cultivá-los até a maturidade em seu banheiro. Em instituições mais tradicionais e hierarquicamente burocráticas, pessoas como Alan são tratadas como “vítimas” ou “clientes” – pior ainda como malditos “consumidores”. Enquanto em projetos mais horizontais, auto-organizados e liderados por pares, essa distinção é simplesmente irrelevante. As ações, habilidades, ideias, pensamentos e sentimentos de cada indivíduo são mutuamente benéficos para a comunidade como um todo. Na verdade, esses espaços têm uma sensação especial porque foram moldados por uma grande diversidade de pessoas, cada uma trazendo algo especial para a equação.

Foodhall está atualmente alojado em um belo edifício que poderia ter sido construído propositadamente para suas necessidades, mas seu futuro é incerto porque eles têm que pagar aluguel. Em um país como o Reino Unido, onde há tanta desigualdade na propriedade e acesso à terra e à propriedade, encontrar um espaço pode ser um obstáculo real. O espaço é tudo. Uma porta aberta para um espaço aberto a ideias – com uma política de todos bem-vindos, todos iguais – é uma fórmula para uma verdadeira transformação. Mas como fazemos isso sem sermos afastados de nossos próprios objetivos para satisfazer as estreitas atribuições das instituições de financiamento tradicionais é atualmente um problema.

Uma solução óbvia é ocupar. Tanto os acampamentos ZAD (zone à défendre) da França quanto o Grow Heathrow de Londres têm sido altamente eficazes em mostrar às pessoas exatamente o que os espaços verdes auto-organizados podem oferecer às comunidades locais. Mas o fato de nascerem do protesto os torna vulneráveis ​​e, em certa medida, dificulta o tipo de política de portas abertas que precisamos para criar um anarquismo cotidiano capaz de mudanças duradouras. Projetos de longo prazo nascidos da ocupação, como Freetown Christiania na Dinamarca ou Marinaleda na Espanha são mais difíceis de estabelecer no clima atual (embora definitivamente não sejam impossíveis… dica) e, como mostra a história de Christiania, é extremamente difícil não ser arrastado de volta para a esfera das estruturas de poder dominantes do Estado e/ou econômico do capitalismo no buraco sem fim. Mas às vezes a natureza leviatãnica da burocracia estatal oferece a oportunidade de dar origem a iniciativas anarquistas/amigáveis ​​à anarquia dentro dos espaços esquecidos do Estado e do capital; uma situação que oferece a mesma doce poesia dos dentes-de-leão e das margaridas que crescem nas frestas das calçadas das cidades.

Bolton Diggers é um desses projetos. Em 2016, eles conseguiram garantir uma parte de um loteamento do conselho em Bolton, Lancashire, que havia sido amplamente abandonado por causa de seu terreno pantanoso. Eles ofereciam um espaço coletivo para as pessoas se reunirem para cultivar alimentos e construir alternativas ao status quo. Eles não apenas produziram colheitas de terras marginais, eles produziram uma série de projetos comunitários benéficos para Bolton, como Bolton Mutual Aid e Bolton Urban Growers. O próprio BUF foi fundado no mesmo ano que o Bolton Diggers. A oportunidade se apresentou para nós porque a falta de financiamento disponível significava que um antigo centro de treinamento em horticultura administrado pelo conselho ficou vazio por mais de meia década. Anos de medidas de austeridade infelizmente aprofundaram a necessidade de projetos de cultivo de alimentos como Bolton Diggers e Bentley Urban Farm, mas também criaram um ambiente em que as autoridades locais são incapazes de manter ativos vitais da comunidade. O que dá a grupos auto-organizados de base alguma vantagem quando se trata de assumir lotes de terra administrados pelo conselho… se você puder acessá-los antes que o departamento de ativos do conselho os venda.

É difícil fazer com que as autoridades locais abdique do controle dos bens da comunidade, mesmo que esses bens estejam supostamente lá para o benefício da comunidade em primeiro lugar? Em muitos lugares, sim. Mas absolutamente vale a pena o esforço. É uma aliança fácil de manter? Digamos apenas que minha capacidade de anarco-pragmatismo foi realmente testada ao longo dos anos. Mas nada disso deve impedir os anarquistas de se organizarem para encontrar lugares para cultivar alimentos para eles e sua comunidade onde quer que vivam.

Um desenvolvimento recente empolgante é o novo terreno garantido em Camden pela Cooperation Town. A história do incrível crescimento da iniciativa Cidade de Cooperação já foi documentada no Freedom, e esta terra oferecerá uma nova e emocionante fase. Inspirada pela Cooperation Jackson, a Cooperation Town UK ensina as comunidades a se organizarem de forma eficaz para comprar e distribuir coletivamente sua própria comida. Mencionei anteriormente um desejo de fechar o ciclo na produção e distribuição de alimentos acessíveis (quando possível, gratuitos…) e saudáveis; A Cidade da Cooperação é uma iniciativa que chegou muito perto desses objetivos. Eles trabalham com autoridades locais e financiadores tradicionais, mas são muito abertos em seu desejo de tornar obsoletos os papéis de financiadores, instituições de caridade e burocracias estatais por meio da educação e capacitação das comunidades.

As aspirações da Cooperação Jackson vão muito além do fornecimento de alimentos. Sua visão de longo prazo é desenvolver uma rede cooperativa que consistirá em quatro elementos interconectados; uma federação de cooperativas de trabalhadores locais, uma incubadora de cooperativas, um centro cooperativo de educação e formação e um banco cooperativo ou instituição financeira. Que visão. Certamente é um que todos nós compartilhamos? Eu realmente acredito que a comensalidade e a provisão de alimentos têm o poder de nos unir (quem somos e onde quer que estejamos) na busca pelos mesmos fins. Na verdade, eu tenho provas…

Em uma recente reunião da Assembleia Popular de Doncaster, uma grande porcentagem dos membros decidiu que agitar cartazes não era suficiente quando se tratava de protestar contra a crise emergente do custo de vida. Foi proposto que eles tentassem uma nova tática. Aquele que fornecia alimentação em um ambiente de convívio sem estigma, burocracia ou julgamento. Houve, é claro, alguns tipos rabugentos e da velha guarda que disseram que não é isso que a Assembleia Popular de Doncaster faz. Então, uma coleção de socialistas, verdes, anarquistas, trabalhistas, comunistas e ativistas comunitários (fale sobre o poder unificador da comida!) disse “justo o suficiente” e deu início a Doncaster Engagement Network (DEN).

A resposta da DEN à crise do custo de vida é simplesmente criar espaços acolhedores onde nós (‘nós’ como absolutamente qualquer pessoa…) podemos cozinhar juntos, comer juntos, desfrutar de música e da companhia uns dos outros (música + comida + pessoas = festa). O projeto local de desperdício de alimentos, Food Aware, fornecerá a comida gratuitamente e as refeições serão vendidas em uma base Pay As You Feel (PAYF) (pague o quanto quiser) na esperança de arrecadar fundos suficientes para a turnê do projeto em torno das muitas cidades satélites de Doncaster.

Sem formas alienantes, sem segregação econômica (ou qualquer outra…), apenas uma porta aberta e uma série de possibilidades. O projeto será lançado em 7 de maio e eu os manterei informados sobre seu progresso, porque se pudermos fazer isso em um lugar como Doncaster, não há razão para ninguém – em qualquer outro lugar – não tentar algo semelhante.

Trabalhe uns com os outros. Planeje e entregue as próximas nove refeições para sua comunidade com base nos princípios anarquistas. Parafraseando uma velha citação sexista: “O caminho para o coração de uma comunidade é através de seu estômago”. O almoço é libertação. A ceia é solidariedade. Outro jantar é possível!

E se falharmos? Bem, sempre há Jackson, Mississippi.

Warren Draper

[1] https://freedomnews.org.uk/2022/03/09/diy-or-die/

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2022/03/31/nine-meals-till-anarchy/

Tradução > GTR@Leibowitz__

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agência de notícias anarquistas-ana

os trovões me acordam
natureza amplificando
sua feroz guitarra

Eric Rieser

[Alemanha] Sem guerra, mas guerra de classes! Manifestação em 09 de abril em Berlim

Nem a Rússia nem a OTAN! Pare a guerra na Ucrânia! Antimilitarismo em vez de rearmamento!

Demonstração | 09.04.2022 | 14h | U Unter den Linden (Berlim)

A guerra de agressão lançada pelo governo russo contra a Ucrânia já dura mais de um mês. Meios de subsistência estão sendo destruídos, civis estão sendo assassinados, feridos ou forçados a fugir.

Para levar as posições antimilitaristas às ruas, convocamos uma manifestação no sábado, 9 de abril, às 14h.

Com a guerra, a Rússia persegue objetivos geopolíticos e quer se afirmar como uma grande potência. A Ucrânia é de interesse tanto para a Rússia quanto para os países da OTAN como uma esfera de influência. Todas as potências imperialistas estão preocupadas apenas em sobreviver na competição e consolidar ou expandir suas áreas de dominação. Portanto, a resposta à guerra não pode ser o apelo à OTAN ou ainda mais armamento. Exigimos a deposição imediata das armas, a retirada de todas as tropas e o desarmamento de todas as grandes potências.

Solidariedade com os afetados, rotas seguras para refugiados e todos!

Como aliança, não estamos ao lado dessas grandes potências que lutam suas guerras nas costas do povo. Nossa solidariedade é com aqueles que sofrem com as guerras e com aqueles que vão às ruas contra elas. Apoiamos os protestos contra a guerra na Rússia, onde os manifestantes enfrentam dura repressão.

Apoiamos a criação de rotas de fuga seguras e o acolhimento de todas as pessoas que têm de fugir. Isso também se aplica a desertores e objetores de consciência que rejeitam matar pelos interesses dos que estão no poder. O mesmo se aplica às pessoas que, devido à discriminação estrutural nas fronteiras, e também aqui na Alemanha, são submetidas a assédio especial, são impedidas de entrar ou sair do país, estão morrendo e ou assassinadas nas fronteiras externas militarizadas da UE desde muitos anos. Isso afeta especialmente aqueles afetados pelo racismo e discriminação, como Indígenas, pessoas de cor, LGBT+. Além disso, mulheres e meninas são ainda mais confrontadas com a violência patriarcal como resultado da guerra.

Contra a Bundeswehr e a OTAN, contra entregas de armas!

Para acabar ou evitar guerras, a Bundeswehr [Forças Armadas unificadas da Alemanha] deve ser desarmado em vez de rearmado!

A Bundeswehr não foi “cortada até o osso”. Nos últimos sete anos, seu orçamento aumentou mais de 44%. Agora, um fundo especial adicional de 100.000.000.000 de euros deve ser disponibilizado e os gastos militares devem subir para 2% do PIB, levando a Alemanha do 7º para o 3º lugar em gastos globais com armas – o maior rearmamento desde o final da Segunda Guerra Mundial. Até os primeiros apelos à reintrodução do serviço militar obrigatório foram ouvidos nas últimas semanas. Ao mesmo tempo, diz-se que não há dinheiro para medidas contra as mudanças climáticas ou para uma política social que alivie a classe dependente do salário. Trabalhadores e os pobres são os mais atingidos pelos aumentos de preços e agora devem “congelar pela liberdade”.

Duas guerras mundiais mostraram para onde levam as ambições das grandes potências alemãs. Devemos nos opor resolutamente a isso aqui e agora!

No final, a indústria de armas é a principal beneficiária do rearmamento da Bundeswehr e da entrega de mais armas à Ucrânia. Durante anos, essa indústria vem aumentando seus imensos lucros e alimentando guerras em todo o mundo por meio de seu lobby – de todos os lados. As ações dos fabricantes de armas Rheinmetall, Hensoldt, Heckler & Koch e seus associados estão subindo vertiginosamente. A Alemanha é um dos maiores exportadores de armas e, junto com a OTAN, co-responsável por muitas catástrofes humanitárias – seja na Iugoslávia, no Iraque ou no Afeganistão. Essas armas não trazem nada para os civis nas zonas de guerra – exceto um prolongamento da guerra e um perigo ainda maior quando as armas acabam, por exemplo, com o batalhão fascista Azov, que atualmente treina fascistas alemães, entre outros os da III. Direção, no uso de armas. E os ataques da Rússia também são comandados por forças reacionárias, enquanto oprimem a população. Estas são guerras dos ricos e poderosos – e sofre a classe assalariada de todos os países.

O armamento adicional dos países da OTAN alimentará ainda mais a espiral de escalada militar. A OTAN é uma aliança de guerra e cobre 57% dos gastos militares do mundo, junto com seus estados cooperadores até 71%. Desde 1990, aumentou o número de seus estados membros de 16 para 30 e expandiu-se extremamente para a Europa Oriental. No processo, a OTAN colocou um grande número de tropas e material de guerra e, como a Rússia, realizou manobras militares continuamente. O governo russo também está travando guerras, por exemplo, na Chechênia e na Geórgia. O objetivo da OTAN e da Rússia é garantir seu domínio geoestratégico.

Contra a luta pelo lucro – por um mundo de solidariedade!

O rearmamento não cria a paz, mas impulsiona a escalada. As grandes potências estão expandindo sua influência militarmente em todo o mundo. Para este fim, a Alemanha e a UE não se coíbem de apoiar o rearmamento, não cria a paz, mas impulsiona a escalada. As grandes potências estão expandindo sua influência militarmente em todo o mundo. Para isso, a Alemanha e a UE não têm medo de apoiar regimes ditatoriais como o do Qatar e da Arábia Saudita ou a guerra da Turquia contra os curdos. Trata-se da aplicação dos interesses econômicos e políticos de várias facções e estados capitalistas – seja a Rússia, os EUA ou a UE. Por exemplo, o Acordo de Associação da UE foi sobre a abertura do mercado ucraniano para produtos ocidentais, quotas de exportação limitadas para bens ucranianos e privatização – não liberdade de movimento ou prosperidade para todos.

A sociedade capitalista com sua busca por mais lucro leva à competição por mercados de vendas e recursos. O capitalismo leva à guerra.

Por isso lutamos por uma sociedade sem classes e sem dominação, com solidariedade, na qual a produção seja orientada para as necessidades de todos. Por um mundo sem exploração e opressão. Por um mundo sem guerra.

Vamos juntos levar as posições antimilitaristas às ruas no dia 9 de abril.

Pare a morte de pessoas em todas as guerras! O principal inimigo está em nosso próprio país!

Parada imediata das entregas de armas!

Solidariedade com todos os refugiados!

Sem rearmamento – pare a produção de armas.

Pare o ataque da Rússia e todas as operações de combate – Retire todas as tropas russas! Retire todas as tropas da OTAN dos países que fazem fronteira com a Rússia!

Abolir a Bundeswehr e a OTAN!

Supere o capitalismo!

Mais Informações: https://nowarbutclasswar.noblogs.org/english/

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

Garimpa no brejo
material de construção
joão-de-barro obreiro.

Clície Pontes

[Chile] Contra os aumentos no custo de vida

Estouram protestos no Peru contra os aumentos no custo de vida e o governo de esquerda eleitoral de Pedro Castillo responde com repressão e militarização aos protestos populares.

Neste cenário é que milhares voltaram às ruas como também a direita fujimorista (participando em desmandos) e outros oportunistas rasteiros aproveitam para se candidatar e instalar a petição de “nova constituição” como é o caso do socialdemocrata (semelhante ao FA chileno) @partidomoradope.

Fujimoristas e socialdemocratas fazem eco da bandeira popular “que se vão todos” com um vergonhoso oportunismo.

Por outro lado o governo de Pedro Castillo piora mais a situação declarando o toque de recolher e envia o exército às ruas tal qual o fez Piñera em 2019 neste território.

Enviamos força ao povo pobre em luta por uma vida digna.

A combater a repressão do governo com autodefesa popular.
A não dar espaços ao fujimorismo e à socialdemocracia local.
A continuar com autonomia e auto-organização lutando contra os aumentos.
A organizar o descontentamento e a radicalizar a luta.

Grupo de Propaganda Revolucionária – La Ruptura

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agência de notícias anarquistas-ana

Jasmineiro em flor.
Ciranda o luar na varanda.
Cheiro de calor.

Guilherme de Almeida