[Chile] Palavras de Marcelo Villaroel 13 anos após a morte da companheira Herminia Concha

Da prisão-empresa em Rancagua, uma saudação de memória, resistência e subversão para a companheira Herminia Concha.

Sua vida foi a representação confiável de uma luta diária contra a sociedade burguesa, contra o país dos ricos e sua sociedade de classes.

Na longa caminhada da vila para o mundo, sua presença sempre humilde, mas firme, tomou posições claras de companherismo e cumplicidade com aqueles que ousaram ir além da paz social imposta pelo poder.

Assim, sua vontade estava sempre com aqueles que decidiram atacar e lutar frontalmente.

Ela abraçou na luta anticapitalista jovens de diferentes expressões organizadas e autônomas que estavam vivendo a guerra revolucionária daquela época.

Abraçou os perseguidos e estigmatizados, os que foram rejeitados pelas histórias oficiais e sempre, sempre do lado da luta sem pausa para a transformação da realidade através da simples e direta cumplicidade proletária, sempre organizando solidariedades, sempre com a convicção comunal de ir contra todas as probabilidades.

Recordo nossa insistência em construir uma história de luta autônoma resgatando aqueles capítulos menos conhecidos da história rebelde da pré-ditadura do Chile e dos grupos proletários armados, chegando à Vanguardia Organizada del Pueblo (Vanguarda Organizada do Povo) através de um fio de conversas com Herminia em formato de entrevista escrita e depois em conversas durante visitas à prisão de alta segurança no final da década de 1990…. torna-se realmente um privilégio para mim sentir aquele momento frutífero com o único e irrepetível com a companheira na história da luta contra o Estado, a prisão e o capital.

Sua solidariedade com os presos políticos foi mantida ao longo do tempo, mantendo uma constante agitação cheia de vontade e consequências organizadas de seu amado território de La Pinkoya.

Do presente cheio de lutas e desafios em que vive Herminia, desde a memória combativa da resistência subversiva na população, internacionalista e em todos os territórios em conflito, abraçamos você companheira onde quer que você esteja.

Companheira Herminia Concha, você vive para sempre na guerra social!

Enquanto houver miséria, haverá rebelião!

Marcelo Villarroel Sepúlveda.

Prisão-empresa de Rancagua.

Final de julho de 2022

Tradução > Liberto

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A nuvem atenua
O cansaço das pessoas
Olharem a lua.

Matsuo Bashô

Encontro Virtual | “Anarquismo e eleições”

O próximo encontro do Grupo de Estudos de Anarquismos, Feminismos e Masculinidades, do Centro de Cultura Social (CCS), será online, no dia 03 de setembro, sábado, das 14h às 16h. O texto base para a conversa será “Não vote, organize-se! O Anarquismo e as eleições”, traduzido pela Biblioteca Terra Livre. Para acessá-lo e também se inscrever (até dia 01/09) para receber o link da sala virtual, entre em tinyurl.com/GE0922. Os encontros do grupo são livres para todas as pessoas e não são gravados! Teremos intérprete de Libras. Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapitalismo e não partidarismo. Não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

Centro de Cultura Social (CCS)

Rua General Jardim, 253, Sala 22 – Próximo ao metrô República — Vila Buarque – São Paulo – SP | E-mail CCS: ccssp@ccssp.com.br | E-mail do Grupo de Estudos: grupodeestudos_afm@ccssp.com.br | Site: www.ccssp.com.br | Facebook: www.facebook.com/centrodeculturasocialSP | Instagram: @centro_de_cultura_social

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caminho mundo…
a treva negra
envolve tudo…

Luís Aranha

 

[México] Kropotkin estava certo: prisões e presos políticos em países socialistas

Peter Kropotkin era um príncipe. E começo com isto para enfatizar que o anarquismo nunca foi um projeto de classe, mas que sua localização foi de outro lugar, o da emancipação humana, contra todo poder. No anarquismo, então, tivemos personagens de todas as classes sociais e de todos os papéis, desde um príncipe como Kropotkin, passando por carpinteiros como Enrique Malatesta até cozinheiras como Petronila Infantes da Bolívia.

Kropotkin estava, em muitos de seus pontos de vista, à frente de seu tempo. Ele foi uma das primeiras influências do que conhecemos hoje como o movimento abolicionista, do qual falaremos mais tarde. Mas aqui eu quero destacar seu conceito de “apoio mútuo”, um princípio que acabou transcendendo o anarquismo e impactou todo o movimento emancipatório contemporâneo. Como lembraremos, em 1859 Charles Darwin publicou seu livro A Origem das Espécies, que, se por um lado era uma refutação crucial da teoria criacionista religiosa, por outro lado era a pedra fundamental do que mais tarde seria conhecido como “darwinismo social”, que explicava a evolução das espécies, chamada “seleção natural”, baseada na luta entre os indivíduos, a sobrevivência dos mais aptos e fortes, que se tornou um dos princípios do capitalismo moderno. Para refutar esta teoria, como naturalista, Kropotkin fez uma série de estudos na Sibéria onde mostrou que a cooperação entre espécies, que ele chamou de ajuda mútua ou apoio mútuo, era um fator crucial para a adaptação e sobrevivência de diferentes tipos de animais. O Apoio Mútuo é hoje, e devemos celebrá-lo, um conceito que não é mais exclusivo dos anarquistas.

Em 1877, em Paris, ou seja, há 145 anos, Kropotkin fez um magnífico discurso em Paris que resume a base do que conhecemos hoje como abolicionismo penal. Resumi grosso modo duas de suas principais ideias: a prisão não “reabilita” a pessoa, mas a degrada muito mais, e o sistema prisional não dissuade outras pessoas de cometer atos considerados como crimes. Kropotkin, como muitos outros, foi um adversário da pena de morte.

Gostaria de citar apenas dois parágrafos deste discurso, que parece ter sido escrito ontem:

“Quaisquer que sejam as mudanças feitas no regime prisional, o problema da reincidência não diminui. Isto é inevitável; deve ser assim; a prisão mata todas as qualidades que tornam um homem melhor adaptado à vida comunitária. Ele cria o tipo de indivíduo que inevitavelmente retornará à prisão para terminar seus dias em um desses túmulos de pedra gravados com “Casa de Detenção e Correção”.

Para a pergunta “O que pode ser feito para melhorar o sistema penal”, há apenas uma resposta: nada. É impossível melhorar uma prisão. Com exceção de algumas melhorias insignificantes, absolutamente nada pode ser feito, exceto demoli-lo”.

O modelo prisional foi reproduzido tanto pelos governos capitalistas quanto socialistas. E as consequências foram as previstas por Kropotkin. No caso da América Latina, as prisões são as grandes universidades do crime. E também ratificam a premissa de que a chamada “justiça” tem um preço, em dinheiro ou em lealdade ou submissão ideológica. Entretanto, já sabemos muito bem o que significam os chamados “sistemas de administração da justiça” nos países capitalistas. A pergunta que quero fazer hoje é por que não falamos, com a mesma ênfase, sobre a função disciplinar das prisões em países autodenominados progressistas ou de esquerda. Sob o capitalismo, a pobreza é punida, enquanto sob o socialismo, a dissidência política é punida.

Gostaria de lembrar que a União Soviética, o “grande farol do socialismo mundial”, tornou-se literalmente o túmulo do anarquismo russo. O próprio funeral de Kropotkin em 1921 foi a última manifestação pública de anarquistas naquele país. 100.000 pessoas compareceram ao funeral, no qual o regime de Lenin renegou sua promessa de libertar provisoriamente prisioneiros políticos anarquistas a fim de assistir a esta demonstração pública de pesar. Qualitativamente, de acordo com os princípios anarquistas, o socialismo realmente existente em seus dispositivos de opressão não se diferenciou do capitalismo realmente existente.

Os anarquistas latino-americanos, pelo menos os que conheço, fazem um grande esforço para demonstrar solidariedade com seus iguais, dentro da prisão, com os prisioneiros políticos anarquistas. E, claro, isso é bom. Também por denunciar, seguindo Kropotkin, as falsidades, limitações e aberrações de nossas prisões, chamando seus prisioneiros de “prisioneiros sociais”, e isso também é louvável. Quando em países como a Colômbia sob o governo de Iván Duque ou o Chile sob o governo de Sebastián Piñera houve manifestações em massa contra o governo, os anarquistas não hesitaram em se solidarizar com as revoltas e fazer campanha pelos presos políticos por participarem dos protestos. E isto eu não critico, como eu mesmo o faço. Entretanto, o pouco ou nada que fazemos, e este é o ponto central da presente conversa, é empatizar quando protestos populares ocorreram em países autodenominados socialistas da região. E estou falando especificamente de Cuba, Nicarágua e Venezuela. Por que esta falta de solidariedade?

Cuba marcou recentemente o primeiro aniversário dos protestos de 11 de julho de 2021, a mais importante rebelião popular dos últimos anos na ilha. De acordo com o site justicia11j.org, a partir deste escrito, 1.512 pessoas foram presas pelo crime de expressar sua insatisfação com o estado cubano em espaços públicos. 677 dessas pessoas ainda estão na prisão e 630 já foram julgadas. Em Cuba, o lugar do punk é ocupado pelo movimento independente, não estatal, do rap. Maykel Castillo, rapper e um dos autores da canção “Patria y Vida”, foi recentemente condenado a nove anos de prisão pelos supostos crimes de “difamação de instituições e organizações, heróis e mártires”, “ataque”, “insulto” e “desordem pública”. Há apenas alguns dias, o rapper David D’Omni também foi preso. Os episódios de repressão na ilha são inumeráveis. Mas eles são incompreensivelmente silenciados, não apenas pelo movimento anarquista continental, mas também pelo movimento anarco-punk. Um espaço assim seria inimaginável na ilha. Não sei se você sabe que durante muitos anos a esquerda rejeitou o rock com a mesma ferocidade que a direita. Em 1963, Fidel Castro fez um discurso no qual descreveu os roqueiros, que naquela época eram um fenômeno emergente que estava começando a infectar a juventude cubana, como “pimentinhas preguiçosas”, “filhos da burguesia”, com “calças muito apertadas” e “shows femininos”. Naquele dia o caudilho deu uma ordem que foi seguida pela esquerda na América Latina: “A sociedade socialista não pode permitir tais degenerações”. As histórias na região eram dramáticas, mas em Cuba muitos roqueiros, homossexuais e outros dissidentes lumpens foram perseguidos e presos, por muito tempo, pelo suposto crime de “periculosidade social”.

Na Nicarágua houve uma rebelião popular durante 2018, que foi brutalmente reprimida e resultou em 400 mortos, mais de 1.200 feridos e mais de 700 pessoas presas. A partir de hoje, de acordo com o Mecanismo de Reconhecimento de Prisioneiros Políticos da Nicarágua, 180 pessoas que participaram dos protestos permanecem em detenção. Além disso, mais de 700 organizações sociais foram proibidas no país.

Na Venezuela, que é a situação que melhor conheço, de acordo com o Foro Penal existem atualmente 236 presos políticos, 222 dos quais homens e 14 mulheres. Nos protestos de 2017, que foram nossa última rebelião popular, que durou 4 meses e, de acordo com os dados do próprio governo, houve 9.436 protestos, o que significa uma média de 78 protestos diferentes a cada dia. Nesses protestos, 146 manifestantes foram mortos e, como na Nicarágua, centenas de pessoas foram presas, muitas delas submetidas a tratamentos desumanos, cruéis e degradantes, inclusive tortura. No caso venezuelano, muitos dos detidos por manifestação foram entregues ao sistema de justiça militar. Ou seja, foram os tribunais militares que os julgaram pelos supostos crimes de “traição” e “associação para cometer um crime”, estabelecendo penas de prisão.

Minha mensagem hoje é que continuemos a denunciar o horror das prisões nos países capitalistas, mas não silenciemos o que lhes acontece, e seu uso disciplinar também, em países autodenominados progressistas ou socialistas. Espero que nenhum de vocês faça eco ao argumento marxista de que os protestos nestes países, ou estes prisioneiros políticos, são fomentados pela CIA, como se não houvesse razões suficientes para a agitação coletiva. Esta é uma estratégia histórica do marxismo para desviar as críticas. Não esqueçamos que o próprio Karl Marx acusou Miguel Bakunin de ser um espião ao serviço do czar russo, o que na época equivalia a dizer que ele era da CIA.

Nós, anarquistas, sempre defendemos nosso próprio projeto. Meu apelo é que abandonemos as muletas marxistas, que parecem ter colonizado boa parte do atual movimento anarquista latino-americano, para enfrentar o desafio de avançarmos em nosso próprio caminho.

Muito obrigado por sua paciência.

Palestra de Rafael Uzcátegui no Tianguis Cultural del Chopo, Cidade do México, Jornada Anticarcerária, sábado, 16 de julho de 2022.

Fonte:  http://acracia.org/kropotkin-tenia-razon-carceles-y-presos-politicos-en-los-paises-socialistas/

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/15/medo-e-propaganda-em-cuba-contra-o-descontentamento-social/

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a luz do poente
escala a alta montanha;
no cume será a noite.

Alaor Chaves

[Espanha] Novidade editorial: Os caminhos do comunismo libertário na Espanha (1868 – 1939). Vol-1: E o anarquismo se tornou espanhol (1868-1919).

Temos o prazer de anunciar o lançamento do primeiro volume da coleção Os Caminhos do Comunismo Libertário na Espanha (1868 – 1939) – E o anarquismo se tornou espanhol (1868-1919). O livro foi publicado numa parceria entre a FAL e a editora Pepitas de Calabaza e faz parte de uma trilogia que se completará com os títulos O anarco-sindicalismo confrontado com suas pretensões anticapitalistas (1910 – julho de 1936) e (Novos) ensinamentos da revolução espanhola (julho de 1936 – setembro de 1937).

O livro foi escrito pela gimenóloga¹ Myrtille e nos convida a iniciar com ela uma viagem pela história do anarquismo ibérico: como surgiu, seus debates e discussões fundadores, como suas ideias se materializaram, a revolução espanhola de 1936… tudo isso sem perder de vista a situação atual. Em suma, uma obra que nos permite compreender o desenvolvimento do pensamento e da prática do movimento libertário ibérico.

Sinopse

A ideia de Anarquia na Espanha nunca foi monolítica e sim foi forjada com a prática e com ricas discussões na rua, nas fábricas, nos grupos de afinidade, nos ateneus e com um trabalho editorial digno de reverência caminhando até chegar nos últimos tempos a uma tentativa ampla e sólida de construir o paraíso na terra. Myrtille, grande conhecedora da revolução espanhola de 1936 — somando seu trabalho com outros gimmenólogos que partem de temas como amor, guerra e revolução —, empreende um percurso muito interessante, sem perder de vista o momento presente, para assim melhor compreender o desenvolvimento do pensamento e da prática do movimento libertário ibérico.

Este trabalho permite-nos conhecer as raízes das ideias anarquistas, os seus impulsos, a sua audácia, os seus limites, sua grandeza e sobretudo suas discussões fundadoras, discussões que ainda são válidas e pouco ou nada têm a ver com os debates auto-referentes e pseudoteóricos atuais.

Os caminhos do comunismo libertário na Espanha (1868 – 1939). E o anarquismo se fez espanhol (1868-1919) faz parte da série de livros editados conjuntamente pela Fundação Anselmo Lorenzo e pela editora Pepitas de Calabaza. Assim, junto com este título, você tem disponível Um médico rural, de Isaac Puente e Escritos libertários de George Brassens.

Los caminos del comunismo libertario en España (1868-1937)

Y el anarquismo se hizo español (1868-1910).

Myrtille, gimenologista

Tradução de Diego Luis Sanromán

Col.: Biblioteca da Anarquia

ISBN: 978-84-18998-04-1

17,50€

fal.cnt.es

[1] Gimenólogxs são um grupo de historiadorxs-pesquisadorxs não profissionais (com todas as vantagens que isso implica) interessadxs em tudo relacionado à Revolução Social que ocorreu em grandes áreas da Espanha em 1936. A gimenologia — ciência que estuda as aventuras dos ilustres e utópicos estranhos — é uma disciplina que continua a se difundir.

Tradução > Mauricio Knup

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rio premeditado
abisma-se no mar,
sua mãe, seu túmulo.

Alaor Chaves

[Portugal] Às armas!

“Flexibilizar” os direitos das polícias na fronteira; introduzir, no Código Fronteiriço de Schengen, o conceito de migrante «instrumentalizado», de forma a torná-lo passível de ser mais facilmente deportado; e abrir a época de caça nas fronteiras internas. Eis o tripé em que assenta a resposta da UE à «crise de refugiados» na sua fronteira com a Bielorrússia. Uma resposta típica de tempos de guerra.

Um número incontável de pessoas morre nos vários caminhos em direção à Europa. As que chegam às fronteiras apenas para aí perecerem são ainda demasiadas e contam-se às dezenas de milhar. Poucas são brancas. A maior parte afoga-se ou desaparece no mar. E há quem sufoque em caminhões, quem seja atropelado, quem morra de hipotermia. Muitas causas desconhecidas, também, como desconhecidas são as identidades desses corpos – quando os há – que ninguém chorará.

Na costa ocidental de África a tentar chegar às Canárias, em Ceuta e Melilla, por todo o Mediterrâneo, nos campos de detenção de refugiados da Turquia ou da Líbia, sem falar nas ruas de todos os países de trânsito que têm acordos com a UE para impedirem a passagem de pessoas que a tenham como destino, este é o dia a dia de milhares e milhares de pessoas em fuga de situações já de si desesperantes. O quotidiano invisível a olhos europeus de quem nasceu do lado errado do capitalismo e da Europa-Fortaleza.

Recentemente, no que aparenta ser uma orquestração geo-estratégica do eixo Rússia-Bielorrússia, um número considerável de gente em fuga sobretudo do Afeganistão e do Iraque foi conduzida até às fronteiras terrestres da UE. A Polônia, a Letônia e a Lituânia apressaram-se a declarar estados de emergência para se «defenderem». Na altura, e no seguimento da nova legislação que estes «estados de emergência» permitiram aprovar e também de crescentes e insistentes acusações de pushbacks ilegais de migrantes por parte destes países, a Comissão Europeia limitava-se a afirmar que estava em contacto com eles.

A Polônia aprovara já uma lei que legalizava os pushbacks. A Lituânia, ainda durante o Verão, alterara a sua lei de estrangeiros, passando a permitir expulsões coletivas em alguns casos. Na sua declaração de estado de emergência, de 23 de Novembro, o parlamento lituano autorizava os guardas fronteiriços a utilizar «coerção mental» e «violência física proporcional», de forma a evitar a entrada de migrantes através da Bielorrússia. A Letônia utilizava táticas semelhantes nas zonas onde declarou o estado de emergência.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.jornalmapa.pt/2022/08/03/%e2%80%a8as-armas/

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Possuí
tomei posse –
poções mágicas.

Jandira Mingarelli

[Espanha] A CGT condena os crimes contra o povo palestino em outra ofensiva sionista nos territórios ocupados da Faixa de Gaza

A organização anarquista denuncia crimes de Estado contra um povo desarmado que se defende com pedras contra um exército de tanques e bombas.

A CGT diz que os crimes de Israel contra a Palestina não podem ser justificados e são inaceitáveis de um ponto de vista moral e humanitário.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT), através de um comunicado, condenou veementemente os últimos ataques perpetrados pelo Estado israelense contra o povo palestino, que resultaram em mortes, inclusive de vários menores.

A CGT denunciou este novo ataque israelense à Faixa de Gaza, a maior prisão a céu aberto do mundo, como um genocídio que vem ocorrendo há décadas, e critica o fato de a comunidade internacional – especialmente a Comunidade Europeia e a Espanha – continuar olhando para o outro lado e permanecer em silêncio.

Os anarcossindicalistas explicam que o cerco que o povo da Palestina está sofrendo está se tornando insuportável, acrescentando anos a uma guerra declarada contra um povo cujo único escudo é sua dignidade diante da ocupação israelense. No comunicado, a CGT também apontou o dedo para os EUA por apoiar e justificar os assassinatos de Israel.

A operação “Alvorada” do Estado de Israel não é mais que um massacre de inocentes em Gaza, um território que ocupa e pretende dominar à custa da aniquilação de seus habitantes. A CGT ressalta que, para lavar a imagem destas ações, a grande mídia está usando uma linguagem projetada para fazer com que os oprimidos pareçam assassinos. Neste sentido, a CGT declarou que, como sociedade, não podemos consentir a desumanização deste genocídio que está ocorrendo, muito menos colocar pessoas que estão se defendendo sem armas contra um exército organizado e com os meios de guerra mais sofisticados no mesmo nível.

A CGT também lembrou que em uma ocupação, como a ocupação israelense da Palestina, é legítimo defender-se, e isto é precisamente o que os palestinos vêm fazendo na Faixa de Gaza e nos territórios ocupados há décadas.

A CGT tem convocado toda a sociedade a apoiar todas as ações e mobilizações em solidariedade com o povo palestino.

cgt.org.es

Tradução > Liberto

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O espantalho –
na minha infância
primeiro amigo

Stefan Theodoru

Lançamento do livro “Trabalhadores construindo sua escola”

O Centro de Cultura Social (CCS) convida todos, todas e todxs para o lançamento livro” Trabalhadores construindo sua escola” da companheira Marinice da Silva Fortunato. Dia 20 de agosto de 2022, às 16h00.

Os livros de História da Educação Brasileira tratam muito pouco das experiências educacionais populares acontecidas no período 1900-1920, apesar de ter havido engajamento de vários setores sociais na luta por escolas (sociedades liberais, livres pensadores, anarquistas, anticlericais, intelectuais, jornalistas, republicanos, maçons, espíritas) bem como movimentos operários (Ligas, Associações, Sindicatos, Centros de Cultura, Ateneus, Escolas Operárias, Universidades Livres) tanto no nível nacional como internacional.

A Escola Moderna N.1 será modelo de um sistema escolar público, não estatal, não confessional defendendo um modelo pedagógico de autogestão que leve à construção de uma sociedade ácrata.

Não se trata de absorver mecanicamente esta experiência, sem a devida contextualização no aqui e agora.

Entender nossa História significa entender o presente, presente que está no hoje e também no passado.

O livro tem 140 pág, ilustrações, fotos, entrevista com Germinal, textos excelentes de professores.

>> Marinice da Silva Fortunato nasceu em Regente Feijó (SP) em 1944. Trabalhou na rede escolar pública do Estado de São Paulo desde 1962, como professora, coordenadora pedagógica e se aposentou como supervisora de ensino. Concluiu o Mestrado (1991) e o Doutorado (1998) na PUC-SP. Lecionou na Universidade ABC (São Caetano do Sul) e na Faculdade Ciências e Letras (Ribeirão Pires), onde coordenou também o Curso de Pós Graduação. Participa, desde 1965, das Equipes Docentes (movimento internacional em defesa da escola pública, laica e gratuita). Seu engajamento no campo profissional teve (e ainda tem) como eixo a preocupação com a integração escola-comunidade-sociedade buscando um modelo de educação que desenvolva alunos autodidatas, capazes de autogerirem sua própria vida, levando-os à construção de uma sociedade ácrata.

FBhttps://www.facebook.com/events/2837575539872363/?ref=newsfeed

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Ao primeiro susto,
os pombais, cheios de arrulhos,
ficaram vazios.

Humberto del Maestro

[Portugal] Incêndios // Enquanto Lisboa não arder, nada mudará no Eucaliptugal

Por Guilhotina.info

Portugal arde, mais uma vez. As fotos, os vídeos e os relatos sucedem-se a um ritmo alucinante, e ainda assim são incapazes de refletir a dimensão real da brutalidade vivida por quem está na linha da frente, dos bombeiros às populações, que fazem de tudo para salvar o seu sustento, os seus lares e, acima de tudo, as suas vidas.

Durante o Verão e o Outono de 2017, morreram mais de 100 pessoas na região centro e meio milhão de hectares foram consumidos pelas chamas, assim como quase mil casas de habitação permanente, de norte a sul do território. Muitas famílias continuam, 5 anos depois, sem casa. Os acontecimentos de 17 de Junho e 15 e 16 de Outubro desse ano são tragédias à espera de voltar a acontecer.

Hoje, a região centro é, mais uma vez, a mais fustigada. A região centro, que curiosamente é a região com maior concentração de eucaliptos.

Enquanto isto acontece, o jornalismo sensacionalista produz ininterruptamente reportagens alarmistas sobre as ondas de calor e apela à responsabilidade individual. E, no entanto, falha uma e outra vez em referir o elefante na sala: a transformação de grande parte do território numa manta de eucalipto ininterrupta. As populações do interior centro e norte (mas também de cada vez mais zonas do litoral e sul) vivem completamente rodeadas de um “ecossistema” que está algures entre um armazém de fósforos e um barril de explosivos.

Sim, as alterações climáticas são um fator que vai agravar cada vez mais o problema. E a sua aceleração, para a qual muitos cientistas já vinham alertando há várias décadas, é uma realidade inegável que tudo indica estar apenas no início. Com o recente regresso da UE ao carvão, o poder político agrava a sua responsabilidade no problema, enquanto exige da parte das pessoas comuns ações individuais para combater um problema que eles próprios criam.

Sim, temos de nos preparar para vagas de incêndios cada vez mais agressivas. E sim, devemos ter cuidado, beber muita água e evitar churrascadas com os amigos em zonas florestais, mas não vai ser isso que nos vai salvar da repetição destas tragédias.

Tudo o que tem vindo a acontecer, ano após ano, é resultado direto de décadas de uma política florestal negligente e criminosa. Abandonados pelos nossos governantes, a sobrevivência no interior depende, a cada verão, mais da sorte e da fé do que de qualquer outra coisa.

Ser o país com mais área plantada de eucaliptos de toda a União Europeia (sim, em termos absolutos, não em área relativa) tem consequências. Pode ser bom para o PIB e para as contas bancárias de meia dúzia de oligarcas do papel e dos aviões de combate a incêndios, mas vem com o pesado custo da destruição e da perda de vidas humanas.

Os acontecimentos de 2017 são tragédias à espera de voltar a acontecer. E tanto a inação da nossa classe governante instalada nos palácios em Lisboa como a cumplicidade dos media são criminosas.

Tudo indica que nada podemos esperar dos senhores de colarinho branco sentados no conforto da capital, que estes continuarão a nada fazer e a fingir preocupação enquanto ignoram o problema. Enquanto o fogo não for levado até Belém ou São Bento, para que estes criminosos compreendam na pele o inferno em que vive o resto do território, nada vai mudar no Eucaliptugal.

Haverá por aí, infelizmente, muitos madeireiros que viram a sua região ser consumida pelas chamas ou perderam familiares ou amigos nos incêndios, e terão assim acordado para o problema dos eucaliptos. Se souberem de algum disponível para levar um carregamento de eucalipto para a capital, e dar aos nossos governantes uma amostra daquilo que o resto do território vive ano após ano, passem-lhe a mensagem. As populações agradecem.

Portugal é um país com 35% de área florestal mas não tem serviços florestais nem corpos de guardas. Sobre as consequências da monocultura de eucalipto, o “Simplex do Eucalipto”, os negócios milionários com os meios aéreos de combate a incêndios e as falhas do sistema de Proteção Civil, republicaremos nos próximos dias um artigo que publicámos em 2017, na altura apenas na nossa antiga página do Facebook, hackeada em Março deste ano. Como a equipa técnica do Zuckerberg “não conseguiu” resolver este “hack”, desta vez ficará para a posteridade no nosso site, longe do alcance dos Meta-censores.

Fonte: https://guilhotina.info/2022/07/15/lisboa-arder-eucaliptugal/

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Neblina sobre o rio,
poeira de água
sobre água.

Yeda Prates Bernis

 

[Itália] Dez anos do Stella Nera, 2012/2022

Semear a anarquia e colher a liberdade!

30 Setembro ~ 1/2 Outubro

Como espaço social anarquista Stella Nera (Estrela Negra) e comuna libertária Gatta Nera (Gato Negro), estamos a lançar uma celebração de três dias durante dez anos das nossas atividades, projetos e lutas.

Durante a jornada haverá debates, assembleias, exibições, mesas temáticas, concertos e workshops.

Haverá alimentos e bebidas, mercados de produtos agrícolas e artesanais autoproduzidos, teatro e vários espetáculos artísticos.

Haverá a possibilidade de acampar no espaço do Gato Negro.

Ofereceremos um programa repleto de contribuições que dirá o que temos sido, o que somos e o que seremos.

Pretendemos nos próximos meses relançar muitos caminhos de luta e crescimento da autogestão, e é por isso que convidamos todos a participar na assembleia dos coletivos.

Os eventos terão lugar entre o espaço Estrela Negra em Modena e a comuna Gato Negro em Carpi.

Venha, participe, difunda!

FB: https://www.facebook.com/events/824995581735712/?ref=newsfeed

stellanera.noblogs.org

Tradução > Liberto

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aquecer as mãos
requentar as noites
esquecer os dias

Goulart Gomes

Refundar espaços de organização das pessoas trabalhadoras é urgente!

O processo de formação das pessoas trabalhadoras, seja de nível básico, técnico, graduação ou especialização de qualquer área, passam de forma superficial ou mesmo deixam de lado as conversas sobre organização das pessoas trabalhadoras como estrutura de defesa de seus próprios direitos.

No Brasil isso ocorreu com a intervenção do Estado nas questões trabalhistas, organizando toda a jurisprudência do mundo do trabalho nos moldes fascistas oriundos da Itália. Isso lá no século passado, na gestão totalitária de Getúlio Vargas.

Retirou a força dos sindicatos livres e independentes, submetendo-os ao controle prévio do Estado, sempre apenas um por categoria em cada região de abrangência. Isso quebra a capacidade das pessoas trabalhadoras de se unirem em sindicatos que tenham maior afinidade. As organizações das pessoas trabalhadoras são mais enfraquecidas com a criação dos conselhos específicos de pessoas trabalhadoras (como de engenharia civil, medicina, educação física, advogados, etc). O que acontecia era que antes de Getúlio Vargas, as questões referentes ao trabalho eram tratadas como caso de polícia e a única palavra válida nestas questões era da patronal.

Assim que é implantada a Consolidação das Leis Trabalhistas, colocam a organização das pessoas trabalhadoras em uma sistema submisso ao conceito de harmonia entre a patronal e as pessoas trabalhadoras, tendo o Estado, um mediador vendido aos interesses da patronal. Isso se manteve até ao fim do século XX, quando uma transformação mundial dos meios de produção redesenhou as estruturas trabalhistas em todo o mundo, remodelando a mão de obra de forma a ser extremamente exigida, altamente qualificada, inversamente recebendo monetariamente abaixo do exigido.

Conjuntamente um discurso promovido pelas Agências de Recursos Humanos de que as pessoas trabalhadoras devam ser mais que colaboradoras, empreendedoras penduradas nos lustres, dedicando fanaticamente na produção de riqueza que nunca foi distribuída e nunca será entregue ou melhor, nos devolvida.

As reformas trabalhistas ampliaram os direitos das patronais, das forças empresariais e retirou muitos avanços trabalhistas. Em um cenário totalmente desfavorável, porque as organizações das pessoas trabalhadoras, desacreditadas, desprestigiadas, enfraquecidas, agonizam.

Retomar essa conversa, refundar e reativar espaços organizados das pessoas trabalhadoras, buscando o enfrentamento direto contra o roubo de nossa produção, é uma necessidade premente.

Na luta somos dignas e livres!

Fonte: https://anarkio.net/index.php/refundar-espacos-de-organizacao-das-pessoas-trabalhadoras-e-urgente/

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Nuvens inquietas
sobre o lago
zen.

Yeda Prates Bernis

[México] Sem Deus, nem pátria, nem amo: jornais anarquistas da América Latina digitalizados e de acesso livre

A enorme coleção de jornais anarquistas de Max Nettlau foi digitalizada

Por Patricia Ruiz | 06/13/2022

Max Nettlau nasceu em Neuwaldegg, hoje uma parte de Viena, em 30 de abril de 1865 e morreu em Amsterdam em 23 de julho de 1944 por causa de um câncer de estômago que nunca apresentou sintomas.

Nettlau foi historiador, linguista e filólogo. Graças a sua paixão pelo estudo das línguas passou um tempo em Londres estudando galês, onde se uniu à Liga Socialista.

Enquanto esteve em Londres conheceu Errico Malatesta e Piotr Kropotkin, autores fundamentais do anarquismo com os quais se manteve em contato o resto de sua vida. Também se envolveu na fundação da editorial Freedom Press, para a qual escreveu durante muitos anos.

Na década de 1890, Nettlau notou que muitos militantes socialistas e anarquistas estavam morrendo, pelo que seus arquivos de textos e correspondências estavam se perdendo ou estavam sendo destruídos. Graças a uma pequena herança de seu pai, conseguiu resgatar este material de sua destruição. Mas além de um grande trabalho de preservação de textos e correspondências, fez muitas entrevistas a veteranos militantes que hoje servem de material para conhecer mais sobre a história dos movimentos anarquistas e seus personagens. Como parte de seu trabalho como estudioso dos movimentos anarquistas escreveu biografias de muitos anarquistas famosos, entre eles Mijaíl Bakunemn, Élisée Reclus e Malatesta.

Sua extensa coleção de arquivos foi vendida ao Instituto Internacional de História Social de Amsterdam em 1935.

Nettlau também colecionou jornais radicais e anarquistas de toda a América Latina. Graças a um investigador que usou o pseudônimo de Spartacus du Sul, hoje podemos consultar todo este material na Internet Archive (https://archive.org/details/anarquis-molatino?tab=about).

Fonte: https://pijamasurf.com/2022/06/una_de_las_colecciones_mas_importantes_de_periodicos_anarquistas_de_america_latina_ha_sido_digitalizada/

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jardim da minha amiga
todo mundo feliz
até a formiga

Paulo Leminski

[São Paulo-SP] “Evoluir o Anarquismo junto com a quebrada é a nossa missão.”

DEBATE NO JARDIM ÂNGELA: POLÍTICA ALÉM DO VOTO – UMA PROPOSTA EVOLUTIVA PARA O CÔMODO VOTO NULO

CAMINHAR PARA UM NOVO ANARQUISMO, NÃO ESTAMOS MAIS NO SÉCULO XIX

Evoluir o Anarquismo junto com a quebrada é a nossa missão. Partindo desse princípio entendemos que passou da hora de nossas propostas avançarem significativamente dentro da realidade das comunidades, pôr um fim a ideia que o Anarquismo é apenas uma utopia distante de nós.

O evento foi marcado por atividades culturais, educacionais e pautando sempre a ancestralidade preta e indígena, visto que são essas as nossas ferramentas rumo a uma nova consciência popular.

Se fazer presente politicamente na vida das pessoas vai além do discurso óbvio da tão sonhada revolução. Domingo significou algo para além do que a proposta de doutrinar ou criar massas que pensem da mesma forma.

Construir um novo modelo de atuação anarquista é urgente e claramente é sentido em qualquer lugar que você vá quando a proposta é sobre ir além dos políticos atuais.

“BELEZA VAMOS VOTAR NULO, MAS E DEPOIS?”

O voto nulo por aí só nunca nos levou a lugar nenhum, portanto que fique claro que a proposta mais objetiva é criar comitês de luta dentro dos bairros, com uma participação ativa de toda comunidade. Que consiga reivindicar desde uma área de lazer até a ponte que nunca foi construída. E cada vez mais que essa reivindicação se torne mais profundamente revolucionária e ativa dependendo da radicalidade que o momento nos exige!

COMITÊS DE BAIRRO TOTALMENTE AUTÔNOMOS

Incentivar reuniões periódicas sem o aparelhamento dos partidos, ou o toma lá da cá dos políticos. E nunca negar o cerne anarquista e libertário em tudo isso. Essa é a proposta da Frente Anarquista da Periferia (FAP), um povo organizado, autogestionário e consciente. Que consegue ir para caminhos que esse país jamais viu, entendemos que isso é urgente.

COMO FAZER ISSO?

Se utilizando da cultura, da educação e do reconhecimento da nossa ancestralidade sabemos que podemos ir longe e que podemos sim mudar, nem que seja no mínimo, várias realidades periféricas. Temos nas quebradas os mais diversos coletivos e organizações culturais e educativas que podem se unir e pensar cada vez mais a formação dessas estruturas, já passou da hora dessa união organizativa. Sempre frisando o caráter libertário e autônomo das organizações que fizermos para não cair na cooptação de nenhuma entidade partidária. Sabemos que dentro da periferia temos lutadores das mais variadas vertentes políticas, mas enquanto Anarquistas precisamos levantar essa bandeira da autonomia dos povos. E principalmente construir a consciência de classe, a consciência de que somos um povo! Está é a principal arma que temos se quisermos de fato uma mudança da mentalidade atual para uma mentalidade revolucionária. Reconhecer nossas origens quilombolas, indígenas, nossa africanidade e ancestralidade. É um pequeno passo, mas já é muito! Para que mesmo que elejam um crápula pior que este que está aí, estejamos unidos e fortes!

Esta é nossa missão e não iremos descansar.

MAS ISSO NUNCA VAI SER UMA RECEITA DE BOLO. VOCÊ PODE SE ORGANIZAR DA FORMA COMO QUISER, O IMPORTANTE É SE ORGANIZAR!!!

Frente Anarquista da Periferia (FAP)

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/20/sao-paulo-sp-acontece-neste-sabado-dia-23-a-terceira-edicao-do-anarquismo-na-periferia-politica-alem-do-voto/

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Vultos
Ciscos cegos
No olho da rua.

André Vallias

Vem aí a 12ª Feira Anarquista de São Paulo

Já está sabendo? Teremos Feira Anarquista de São Paulo presencial este ano!

E para não perder a tradição iniciamos o chamado para envio de cartazes para a Feira Anarquista. Convidamos artistas (amadores ou profissionais) para criar sua arte e enviar um cartaz para a divulgação da feira.

Para este primeiro cartaz, fizemos uma composição a partir das xilogravuras de Alvaro Marquez e Thea Gahr, do coletivo Just Seeds.

Quer enviar o seu? Mais informações: feiraanarquista@gmail.com

feiranarquistasp.wordpress.com

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cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença

Paulo Leminski

Em companhia de Nestor Makhno e Alexandre Skirda

Por Plínio Augusto Coêlho | 02/08/2022

Há 40 anos, em Paris, tornei-me amigo de Alexandre Skirda. A partir daí, meus conhecimentos e interesse relativos a Nestor Makhno só cresceram, pois Skirda era “obcecado” por Makhno; rara era a conversa que não tivesse por foco, ou, ao menos, que não tangenciasse a figura e a obra de Makhno e da Makhnovitchina: uma vez comentava um artigo que escrevia, outra, a tradução, outra ainda, a descoberta de um novo documento, outra mais, o convite para servir de consultor para o filme épico da vida de Makhno pretendido pelo cineasta Jean-Louis Comolli (falecido há pouco mais de mês)… quase todas as nossas conversas começavam ou terminavam por Makhno.

Ao comunicar a Alex (como eu o chamava), que eu decidira retornar ao Brasil, após quase seis anos de França, convenceu-me a tornar-me tradutor e editor de obras anarquistas, porquanto em nenhum lugar em que o anarquismo vicejou, isso ocorreu sem longo trabalho prévio de traduções e edições anarquistas de revistas, jornais e livros.

Dias antes de meu regresso, Skirda telefonou-me para acompanhá-lo no dia seguinte a determinado lugar, que fez questão de não me informar. Como amigo e profundo admirador de sua paixão pela causa libertária, acatei de pronto sua “intimação”. No percurso, já no metrô, informou-me que seguíamos ao cemitério Père-Lachaise, local mítico para os combatentes da causa revolucionária; local onde ocorreu a última batalha durante a Comuna de Paris, onde, ainda, os últimos combatentes foram fuzilados no muro dos “Communards”.

Adentramos o Père-Lachaise e, sem tardar, estávamos em um mezanino. Skirda deteve-se, de repente, e disse-me: “Era aqui que se encontravam as cinzas de Makhno; havia uma placa de bronze com a efígie do revolucionário ucraniano, mas marxistas explodiram o local. Decidi transferi-lo para outro local, desta vez, sem menção a seu nome”. Seguimos para o Columbário, no sub-solo. Deteve-se diante da “gaveta” onde se encontrava a urna com as cinzas de Makhno, e fez-me prometer ali mesmo, que, já no Brasil, publicando obras anarquistas, eu não esqueceria de Makhno.

Pensei nisso nestes últimos dias, em que avanço na tradução dos apaixonantes “Escritos” do baixinho porreta. Aliás, é quase impossível traduzir Makhno ou Skirda sem ser assaltado por essas doces lembranças, e pela saudade do franco-russo, filho de mãe russa e pai ucraniano, Alexandre Skirda.

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Pra que respirar?
posso ouvi-la, fremindo,
maciez de noite.

Soares Feitosa

[Portugal] Reflexões e contrapontos subjetivos após uma década de revolução em Rojava

A 19 de Julho de 2012, a autonomia foi declarada na cidade de Kobane, uma data histórica para o processo revolucionário de transformação no nordeste da Síria. Esta década de resistência e de construção de autonomia oferece-nos experiências valiosas, das quais podemos aprender lições importantes. E, sobretudo, deixa também profundas mudanças e transformações pessoais naqueles que, de entre nós, decidiram fazer parte da revolução.

Celebrar uma década de revolução não é algo que acontece frequentemente, e as revoluções que se podem continuar a chamar assim ao fim de 10 anos são ainda menos. A história deixou-nos inúmeros exemplos de lutas armadas e mobilizações sociais em massa que acabaram por ser corrompidas ou cooptadas por forças externas ao fim de poucos anos. Mas Rojava está a conseguir não só sobreviver, mas também aprofundar a construção da autonomia democrática, com as suas dificuldades, mas também com autocrítica, a fim de avaliar e continuar a melhorar. Existem, sem dúvida, contradições e deficiências, onde os que querem denegrir este difícil processo de transformação social encontrarão razões úteis para o fazer. Para mim, o que vi e aprendi aqui condicionam a forma como vejo as coisas. Em parte devido a tudo o que aprendi aqui, em parte devido aos laços emocionais e vivenciais criados com estas terras e com as pessoas que nelas habitam. Esta não é, portanto, uma visão neutra, objetiva e estéril. É a opinião de alguém que, procurando aprender e compreender a partir de uma perspectiva de solidariedade crítica, toma partido no conflito.

Os que, de entre nós, embarcaram nesta viagem para experimentar a revolução a partir do interior encontram frequentemente inspiração e semelhanças com a revolução [Espanhola] de 1936, que também teve início a 19 de Julho. Lembro com certa nostalgia os debates com o meu amigo Joan, que estava a ler “Homenagem à Catalunha” nos primeiros meses da nossa chegada, quando nos deparávamos no nosso quotidiano com situações semelhantes às descritas por Orwell no seu livro. Isto levou-nos a pensar que há dinâmicas semelhantes que tendem a ocorrer em processos revolucionários, e isto é provavelmente verdade. Frantz Fanon menciona, no seu livro “The Damned of the Earth”, a conhecida citação “os últimos devem ser os primeiros” para resumir o processo de descolonização. Imagino que esta frase possa ser aplicada a todos os movimentos oprimidos e marginalizados que aspiram à revolução. É nestes processos de empoderamento, quando os que estão à margem da sociedade lutam pelo seu legítimo lugar nela, que as dinâmicas e processos se desenrolam e se repetem, ressoando uma e outra vez ao longo da história.

> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.jornalmapa.pt/2022/07/28/reflexoes-e-contrapontos-subjectivos-apos-uma-decada-de-revolucao-em-rojava/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/08/10/curdistao-10-anos-da-revolucao-de-rojava/

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Cabelos tão brancos:
ancinho que raspa a terra,
colheita de anos.

Alckmar Luiz dos Santos

[Suíça] “A autogestão é uma prática viva”

De 29 a 31 de julho em Saint-Imier, Suíça, no Jura Bernês, foi realizada o Final de Semana Libertário Saint Imier 2022. A iniciativa marcou o 150º aniversário do congresso da Internacional Antiautoritária de 1872, onde nasceu o anarquismo organizado.

Debates, oficinas, concertos, exibições, assim como cozinhas móveis, um acampamento internacional e uma feira de livros anarquistas animaram o evento libertário de três dias. Mais de 600 companheiros e companheiras, principalmente da Suíça, mas também da Itália, França e Alemanha, se encontraram, confrontaram-se, num clima de intercâmbio e solidariedade, dando um forte sinal no sentido internacionalista e antiguerra, demonstrando que a autogestão é uma prática viva.

Estava inicialmente planejado para ser uma reunião de âmbito global, com delegações de diferentes continentes, mas o contexto internacional e as implicações da pandemia forçaram um adiamento para 2023. O resultado da reunião do último fim de semana é certamente positivo e servirá como trampolim para lançar um encontro anarquista internacional no próximo ano.

150 anos depois, a relevância dos “Princípios de Saint-Imier” definidos em 1872 pelas federações italiana, espanhola e do Jura e pelas seções francesa e americana do congresso é clara. Neste documento, central para as origens do movimento anarquista, estão as declarações que concluem a Terceira Resolução.

O Congresso reunido em Saint-Imier declara:

  • Que a destruição de todo o poder político é o primeiro dever do proletariado;
  • Que qualquer organização de um poder político que se declare provisória e revolucionária para alcançar esta destruição do poder político, não pode ser mais que mais um engano e seria tão perigosa para o proletariado quanto todos os governos atualmente existentes;
  • Que, rejeitando qualquer compromisso para alcançar a realização da Revolução Social, os proletários de todos os países devem realizar, fora de qualquer política burguesa, a solidariedade da ação revolucionária.

Gruppo Anarchico Mikhail Bakunin – FAI Roma

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/08/04/suica-notas-de-viagens-a-saint-imier/

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no calor da sesta
imóvel, o gato vigia
o vôo da vespa

Jorge Lescano