[EUA] Réu Anarquista Eric King Declarado “Inocente” de Novas Acusações

Relatório do Civil Liberties Defense Center (CLDC) [Centro de Defesa das Liberdades Civis] no fim do julgamento recente do detento anarquista Eric King, que terminou em sua absolvição. Originalmente postado pela Anarchist Black Cross Federation (ABC-F).

No dia 19 de março, o júri absolveu o preso político antirracista e antifascista Eric King da acusação de “agredir” um policial. A CLDC fica muito feliz com o veredito de inocente do júri. Após ouvir horas testemunhos imperiosos de King, o júri foi devidamente convencido de seus direitos protegidos pela constituição de se defender contra a ameaça de morte e à sua integridade física, mesmo quando essas ameaças vêm de um oficial de penitenciária do Bureau of Prisons.

Essa vitória pertence não só a King, mas a sua família, comunidade de apoiadores e apoiadoras e, mais importante, a todos aqueles que foram vítimas dos terríveis abusos e torturas que o Bureau of Prisons os submete diariamente nas unidades pelo país inteiro.

O diretor executivo do CLDC, Lauren Regan, também achou o resultado satisfatório, declarando que, “em nome de toda a equipe do CLDC, estamos gratos pela confiança e amizade que Eric King nos concedeu e nos sentimos privilegiados de defendê-lo e trabalhar com sua família e comunidade para trazer justiça aos confins do Bureau of Prisons. Essa foi uma batalha longa e árdua contra o poder estatal e apreciamos a deliberação sincera do júri.”

“Quando o Eric tomou a decisão de lutar contra essas acusações ridículas de agressão, escolheu estender os mesmos valores de antirracismo e antifascismo que o moveu à ação em 2014, em solidariedade aos protestos de Ferguson, no Missouri,” afirmou Josh Davidson, membro do Eric King Support Committee [Comitê de Suporte de Eric King]. Esse caso foi enfrentado não com o objetivo do retorno de King à sua casa e família sem mais anos da sua vida serem roubados, mas com o objetivo de responsabilizar o BOP para tornar o lugar passível de sobrevivência para outros, para ao menos mostrar o sistema secreto de racismo e abuso que corre desenfreado dentro do BOP.

Esse desfecho é ainda mais oportuno dada a forte oposição do governo aos esforços corajosos de King para contar ao mundo sobre sua situação e a de outros sob custódia.

Fonte: https://itsgoingdown.org/anarchist-prisoner-eric-king-found-not-guilty-of-new-charges/

Tradução > Sky

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/03/03/eua-o-correio-esta-chegando-ate-eric-king-julgamento-marcado-para-14-de-marco/

agência de notícias anarquistas-ana

Ah, o som sagrado.
O chá também diz da‑bu da‑bu
– estas dez noites!

Buson

[Espanha] Nota dos companheiros atualizando o caso Bankia

Em 29 de outubro de 2018 dois companheiros anarquistas de Madrid fomos detidos acusados de uma sabotagem com fogo a um caixa eletrônico do [banco] Bankia, em 13 de abril do mesmo ano. A ação se dava em solidariedade com Lisa, que foi condenada a 7 anos por um assalto a um banco em Aachen (Alemanha), agora mesmo em terceiro grau.

Houve um pacto entre as partes: 1 ano de condenação com suspensão para cada companheiro e 7.000 euros de responsabilidade civil pagos antes do julgamento.

Nos enfrentávamos a 3 anos de prisão e 17.000 euros de responsabilidade  civil. Havendo avaliado todas as opções, tomamos esta decisão tendo em conta todos os fatores que o rodeavam. O pacto consiste em assumir a culpabilidade.

Muitos agradecimentos pela solidariedade expressa de mil e uma maneiras, a todos os compas ao redor do globo.

Luta contra toda autoridade agora e sempre!

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/21/espanha-solidariedade-com-xs-companheirxs-reprimidxs-acusadxs-de-queimar-um-caixa-eletronico-da-bankia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/19/espanha-queima-teu-banco-recupera-tua-vida/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/27/espanha-a-companheira-lisa-obteve-a-liberdade-condicional/

agência de notícias anarquistas-ana

Cansei da viagem
hoje faz quantos dias?
Vento de outono

Bashô

[Espanha] Posição da CGT sobre a traição do Governo ao povo saharaui

A postura do governo espanhol sempre manifestou um absoluto cinismo a respeito do direito do povo saharaui a sua livre determinação. No entanto, a proposta da Espanha de entregar a liberdade de um povo ao opressor que está exercendo a violência sistemática sobre o mesmo é um giro inexplicável e desprezível que desde a CGT condenamos veementemente.

O estado espanhol não pode validar os assassinatos, torturas, violações e perseguições perpetradas pelo governo marroquino e que sofrem milhares de pessoas saharauis.

Tais atos converterão este país em cúmplice de crimes contra a humanidade e do exílio de todo um povo durante quase 50 anos. O conflito do Sahara é o segundo mais antigo nas Nações Unidas, após o do povo palestino.

Não pode existir contrapartida alguma que compense a conivência com os assassinos e torturadores. As políticas de vizinhança não podem estar baseadas em chantagem. Não podemos converter em garantia de nossas fronteiras a quem não garante os direitos humanos. A terceirização de nossas fronteiras nos aproxima a cada vez mais bárbara desigualdade global e a perda de padrões na proteção dos direitos humanos.

A classe trabalhadora no estado espanhol é esmagadoramente e clamorosamente favorável à posição saharaui. Não só nas pesquisas, anos de solidariedade e laços de amizade reforçam uma especial relação entre nossos povos. Assim, este governo não só trai os saharauis, mas a sua própria cidadania.

Desde a CGT consideramos que a posição do governo é inaceitável e decidimos estudar a possibilidade de iniciar ações judiciais para defender o direito do povo saharaui e exigir à Espanha responsabilidades como potência descolonizadora no Sahara Ocidental, segundo reconhecem as Nações Unidas.

Da mesma forma, apoiamos e seguiremos todas as ações de pressão para que o estado espanhol cumpra com o direito internacional, as resoluções das Nações Unidas e os compromissos de autodeterminação do Sahara Ocidental. Do mesmo modo, seguiremos colaborando e promovendo todas as campanhas de solidariedade internacional com o povo saharaui.

A principal reivindicação do povo saharaui é a de existir, algo negado pela ditadura marroquina. É a sua, definitivamente, uma luta pela vida e a dignidade.

Sahara Livre

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/03/28/espanha-a-cnt-condena-categoricamente-a-decisao-do-governo-de-legitimar-a-invasao-do-estado-marroquino-no-saara-ocidental/

agência de notícias anarquistas-ana

No jardim de infância,
as crianças encantadas
com a joaninha.

Antônio Seixas

[Espanha] Apresentação da 109ª edição da revista Libre Pensamiento

A revista cultural Libre Pensamiento celebrará a apresentação de sua última edição na terça-feira 5 de abril na Biblioteca María Moliner da Universidade de Zaragoza. O evento, que terá início às 19h00, contará com a presença de Jacinto Ceacero, coordenador da revista, juntamente com vários autores que participaram desta edição.

Desde sua primeira edição em 1988, o Libre Pensamiento se tornou um espaço de reflexão cultural, histórica e política desde uma perspectiva libertária.

Para os coordenadores desta edição, “sob o título Desvelando aportes libertarios a la cultura, uma série de artigos são reunidos para analisar a marca que o anarquismo deixou na cultura”. Os textos incluem um da historiadora de arte Ana Puyol sobre a revolucionária figura de Man Rayol; um do jornalista e crítico musical Carlos Monty sobre o movimento punk; uma interessante cartografia da recente poesia libertária; uma visão geral do cinema anarquista espanhol, bem como artigos sobre artistas ligados à cultura libertária como Armand Gatti e Jean Vigo. O dossiê é completado com uma entrevista com Ros Beret “Bululú”, um comediante de rua contemporâneo com uma carreira artística excepcional.

O dossiê também inclui vários artigos sobre diversos assuntos, assim como as seções habituais sobre poesia, arte e resenhas de livros.

Segundo os organizadores, “o evento de apresentação será uma oportunidade para refletir sobre o legado e a influência atual das ideias anarquistas na cultura contemporânea”.

cgt.org.es

agência de notícias anarquistas-ana

Um louco agitado,
longos cabelos no espaço…
Dança dos bambus.

Andreia Donadon Leal

[Espanha] Lançamento: “Lucía Sánchez Saornil, entre mujeres anarquistas”, de Ignacio C. Soriano Jiménez

Lucía Sánchez Saornil (1895-1970), essa figura “miúda, de palavra e gesto cortante: aguda e viva, era o protesto eterno e palpitante contra todas as injustiças da vida, contra os absurdos dos escritórios, contra a tortura das fábricas, contra a asfixia moral dos códigos e normas em uso”.

Não há uma Lucía, mas várias. Assim como seus variados ofícios e atividades: poeta ultraísta e revolucionária, telefonista da Telefónica, jornalista, sindicalista perseguida, oradora, pintora e retocadora fotográfica, organizadora do movimento de Mujeres Libres e de Solidaridad Internacional Antifascista (SIA), miliciana na guerra de Espanha e no exílio… E o fazia junto a outras muitas companheiras anarquistas, conscientes de que a educação e a liberdade integral era um trabalho das próprias mulheres, associadas.

Sua apaixonante vida está condensada nesta minuciosa obra, a primeira grande biografia ilustrada (com abundantes imagens inéditas) que se publica desta enérgica e tímida mulher, a desafiante Lucía Sánchez Saornil. Ignacio C. Soriano, historiador e grande conhecedor dos movimentos anarquistas, em particular do espanhol, está a três décadas rastreando a vida desta insigne madrilenha, que agora publicamos.

Lucía Sánchez Saornil, entre mujeres anarquistas
Ignacio C. Soriano Jiménez
384 Páginas. Contiene imágenes inéditas de la época.
Precio 21 €
ISBN: 978-84-122547-6-1

lalinternasorda.com

Para comprar nossos livros: lalinternasorda@gmail.comATENÇÃO: SÓ REALIZAMOS ENVIOS AO ESTADO ESPANHOL.

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/02/espanha-homenagem-a-lucia-sanchez-saornil-no-aniversario-de-sua-morte-em-valencia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/12/18/espanha-romancero-mujeres-libres-de-lucia-sanchez-saornil/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/09/30/espanha-lancamento-lucia-sanchez-saornil-corcel-de-fuego/

agência de notícias anarquistas-ana

É quase noite –
As cigarras cantam
Nas folhas escuras.

Paulo Franchetti

A situação atual no Afeganistão sob o domínio do Talibã

Federação da Era do Anarquismo

1. Qual é a situação atual sob o Talibã?

A situação no Afeganistão durante a República anterior também era opressiva, mas com a ascensão do Talibã, tornou-se pior e insuportável. Avaliando a situação do ponto de vista econômico, é miserável porque não há infraestrutura econômica e o estado contou com ajuda global maciça na presença de forças da coalizão internacional por 20 anos. Com sua retirada e corte ou redução desse suporte econômico, o mercado de trabalho e a reviravolta econômica entraram em colapso. O Talibã ofereceu trigo em troca do trabalho do povo, o que é realmente ridículo. É impossível para os humanos ganhar a vida com grãos em troca de trabalho na vida urbana de hoje. Do ponto de vista da segurança, a situação no Afeganistão durante a atual era do Talibã depende da supressão e disseminação do medo entre os cidadãos afegãos. A falta de um sistema político abrangente sufocou a esperança dos afegãos para o futuro. Infelizmente, com a chegada do Talibã e sua ocupação do país, pouco espaço para educação e aprendizado que tínhamos é retirado. Como as pessoas não têm segurança psicológica e física, não podem ir aos centros educacionais por medo do Talibã. Infelizmente, quando as pessoas em uma sociedade não têm segurança física e psicológica, não ocorre criatividade. Porque toda atividade exige o bem-estar físico e mental do ser humano, ninguém cresce em tal sociedade, e veremos uma comunidade paralisada.

2. Estou muito curioso sobre o processo de estabelecimento de autoridade burocrática por meio do governo e dos militares.

O sistema político burocrático que se desenvolveu nos últimos 20 anos foi muito caro; Não acho que o Talibã possa arcar com todas essas despesas a longo prazo. Na época da República, os americanos pagavam US$ 3-4 bilhões por ano para o Exército dos EUA, mas o exército não conseguiu avançar na guerra. Com esta economia desintegrada e contando com receitas domésticas, o Talibã não consegue construir tal estrutura e exército no Afeganistão e é forçado a construir um sistema burocrático tradicional simples, de baixa intensidade. Por várias razões, grande parte do equipamento americano que caiu nas mãos do Talibã não dura muito. Helicópteros deixados pelos americanos para o Talibã não podem ser consertados em países vizinhos ou nações aparentemente aliadas do Talibã. Esses tipos de equipamentos devem ser reparados nos países da OTAN porque a tecnologia e o aparato de reparo existem lá, e os americanos não permitirão que o Talibã faça o contrário. Portanto, usar esses helicópteros e equipamentos para o Talibã será muito caro e desafiador, então eles não podem usá-los. Com o apoio e a cooperação da Rússia, China, Paquistão ou Irã, eles podem formar pelo menos um sistema burocrático com assistência financeira e equipamentos que recebem por meio desses canais.

3- Eles governam todas as sociedades do Afeganistão ou ainda existe algum autogoverno?

O Talibã tem mais sucesso dentro do Afeganistão do que o governo anterior porque os desenvolvimentos políticos e militares do Afeganistão sempre começam nas áreas rurais e bairros e depois nas cidades. O Talibã tem influência poderosa e soberania absoluta nos distritos e comunidades rurais do Afeganistão. O Talibã enfrenta atualmente uma série de ameaças no norte do país e em algumas outras cidades. Embora o Talibã tenha mais influência entre o povo do que nunca, existem grupos que operam aberta ou secretamente contra o regime do Talibã, como movimentos de rua de mulheres e atividades nas mídias sociais. A Frente de Resistência também está presente em várias províncias e praticamente combate o Talibã em uma guerra militar. Da mesma forma, alguns grupos recém-formados estão anunciando sua oposição ao Talibã. De acordo com o governo autônomo, isso é bastante natural porque o Afeganistão tem uma cultura diversificada, e as leis extremistas do Talibã não são aceitáveis ​​para o povo, e o governo autônomo surge espontaneamente.

4. Você acha certo chamar o governo talibã de governo dos fascistas teocráticos?

O Talibã pode ser considerado principalmente um grupo religioso e não étnico. A composição do governo talibã é principalmente Pashtun, mas em algumas de suas categorias também há comandantes Uzbeques e Tadjiques proeminentes. E, claro, o Talibã é uma espécie de regime fascista, oprimindo todos os grupos étnicos e os oprimindo da mesma maneira. Os ativistas são assassinados pelo Talibã, sejam eles do norte ou do sul do país. Além disso, os membros militares do antigo governo mortos pelo Talibã eram de todo o Afeganistão e de todas as etnias.

Fonte: https://asranarshism.com/1400/12/26/current-situation-afghanistan-en/

Tradução > GTR@Leibowitz__

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/08/17/afeganistao-ajude-nos-com-nossa-luta-contra-os-talibas/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/18/afeganistao-ira-anunciando-o-inicio-da-formacao-da-federacao-da-era-do-anarquismo/

agência de notícias anarquistas-ana

patins no gelo –
riscos que se cruzam
como novelo

Carlos Seabra

[México] Livro: “Repensar el anarquismo en América Latina: Historias, epistemes, luchas y otras formas de organización”

A nova década de revoltas na América Latina volta a desafiar o discurso do fim da história e mostra que a autonomia, a autodeterminação, o pensamento libertário e a própria ideia de revolução não são simples ideias sedimentadas na história, mas a reconexão, a reatualização, a vigência e potência das lutas do passado no tempo presente.

Os anarquismos latino-americanos tem ainda muito que dizer, o presente livro nos mostra isso: a história, os processos e as novas narrativas vem surgindo nesta região. Uma contribuição à luta desde experiências particulares, uma contribuição à nova consolidação de revoltas a nível global, a colocação de perguntas ante a crise civilizatória, mas, sobretudo, algumas possíveis respostas ante o cataclismo.

>> Para baixar o livro, clique aqui:

https://lapeste.org/wp-content/uploads/2022/01/Repensar-el-anarquismo-en-Ame%CC%81rica-Latina.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

sol poente
numa ruela
menino corre das sombras

Rod Willmot

[Canadá] Anarquistas marcham no consulado russo em Montreal em solidariedade às forças anti-guerra

Reportagem da No Borders Media sobre a recente manifestação de solidariedade em Montreal com o movimento anti-guerra na Ucrânia, Rússia e Bielorrússia.

Um pequeno grupo de anarquistas da área de Montreal se reuniu no centro da cidade no domingo (27/03) e marchou até o consulado russo em solidariedade aos antifascistas e ao movimento anti-guerra na Ucrânia, Rússia e Bielorrússia.

Os manifestantes ergueram faixas que diziam (em uma mistura de inglês, francês e russo): “Não à guerra!”, “Putin: f*da-se!”, “Chega de czares! Aumente a resistência antifascista em todos os lugares!” e “Solidariedade com os resistentes ucranianos e russos à guerra”.

No consulado, cujos portões já foram vandalizados com tinta vermelha, os manifestantes colocaram faixas e leram um comunicado de uma ação anti-guerra na Bielorrússia. Antes de sair, alguns manifestantes arremessaram ovos na frente do consulado.

Solidariedade com pessoas que resistem à guerra e ocupação, não com Estados, não com quaisquer fascistas, e não com a OTAN.

Mais fotos: https://twitter.com/NoBordersMedia/status/1508283489971494912

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

Na calma do lago
um bufo entre a canarana:
peixe-boi respira.

Anibal Beça

[EUA] Defenda as Barricadas; Chamado aos Anarquistas Selvagens para a Floresta de Atlanta!

“No Forest? No Peace! Truck the Police!”, lê-se em um banner pendurado em um caminhão virado bloqueando a ÚNICA ponte que cruza o pequeno córrego entre o terreno de construção da polícia e a parte principal da floresta que pretendem destruir.

Este é um CHAMADO DE AÇÃO para guerreiros ambientalistas pelo mundo todo para virem ajudar a defender a floresta de qualquer outra intrusão policial e destruição! As forças policiais fascistoides treinariam aqui para a militarização contra aqueles que resistem a todos os sistemas de opressão; em nome da abolição, devemos partir para a ação!

Precisamos de camaradas engenhosos para ajudar as pessoas e dar suporte ao “Truck Stop”, bem como ajudar a manter as DEZ barricadas existentes em volta da área do Camp Deadnettle (& bolar novas!).

A Deadnettle é uma planta virulenta que cresce em solo prejudicado, no que se assemelha à nossa equipe de camaradas arruaceiros que se reúnem em lugares perturbados, contra as máquinas.

Esta é NOSSA floresta e NUNCA se tornará a cidade de mentira para treinamento fascistoide que pretendem construir!

Temos mais de 500 acres para defender, entre lutar contra a polícia e impedir que Hollywood desmate a floresta para seus filmes toscos.

Se você vier lutar contra o braço longo da lei, saiba que a ação autônoma é encorajada!

Seja feroz! Construa embarcações piratas! Dance conosco! Não traga sua merda hierárquica para cá. Deixe seus relógios.

Traga sua arte e sua raiva! Substituiremos os dedos escorregadios da polícia e dos sistemas de opressão que torna possível.

A polícia do portão principal e as máquinas de destruição da Terra que entravam na floresta foram barricadas para fora – ajude-nos a manter assim!

Se está interessado ou interessada em destruir e se juntar à nossa brigada selvagem, entre em contato no riseup pelo:

atldtf@riseup.net

Nós nos vemos na floresta!

Com Amor e Ódio,

Camp Deadnettle

Fonte: https://scenes.noblogs.org/post/2022/03/09/defend-the-barricades-calling-feral-anarchists-to-atlanta-forest/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

O frêmito cessou.
A árvore abre-se
para conter a lua.

Eugenia Faraon

[Espanha] Lançamento: ‘Durruti sin mitos ni laberinto y otras estampas’, de Agustín Guillamón

Durruti sin mitos ni laberinto y otras estampas, de Agustín Guillamón, editado em Madri (janeiro de 2022) pela Fundación Aurora Intermitente y Sueños de Sabotaje. Colabora: Queimada.

O livro é constituído por sete gravuras, absolutamente autônomas e independentes entre si, que unidas no formato de um livro conformam um conjunto estruturado que amplia, transforma e multiplica as imagens e o conteúdo de cada uma dessas figuras.

Entendemos por “estampa” uma ilustração precisa e detalhada de uma paisagem, de uma pessoa ou de uma cidade, desenhada pelo traço ágil do lápis magistral de um desenhista (como Sim) ou pela foto mecânica de uma engenhoca. Há escritores que escrevem gravuras com dois ou três frases, como Mary Low ou George Orwell. Não sobra uma palavra, não falta uma vírgula ou um parêntese. Com quase nenhum meio, definem e enquadram uma situação, retratam uma personalidade ou sintetizam uma vida. Fazem “estampas”.

Estas ilustrações, estas imagens, eternizam um instante, uns dias ou meses, captando sua essência mais profunda. Entretanto, o conjunto das sete gravuras produz uma sensação de movimento telúrico, de encaixe final das peças do quebra-cabeça e explicação de todas e cada uma das figuras numa estrutura firme e exata, que explica o breve e luminoso estouro da revolução, assim como sua dolorosa escuridão e morte.

Apenas três ilustrações são dedicadas a desenhar o perfil do revolucionário Buenaventura Durruti; as outra quatro expõem o terremoto coletivo, maciço e popular do feito revolucionário e, logo, a horrível e sangrenta investida da contrarrevolução stalinista e republicana.

Estas quatro gravuras demonstram e explicam que Durruti não se perdeu em nenhum labirinto. Guillamón nos apresenta um Durruti sem mitos, para além da divinização de alguns e de sua demonização por outros; ou de sua banalização pelos demais. Durruti não foi um deus, nem um herói do povo. Foi um revolucionário a mais entre milhares de outros.

Este livro de sete ilustrações termina com a inclusão de dois importantes anexos documentais: o primeiro é o protesto de Durruti contra a militarização de sua coluna; o segundo se trata da ordem dada a Durruti em 9 de novembro de 1936 para que marchasse a Madri.

O conjunto de sete imagens e dois anexos nos oferece a essência da figura de um revolucionário, esculpido com a ética do conhecimento e o combate pela história, em formato de livro.

O passado escorre como água pelas mãos; é o rosto desfigurado por um profundo grito mudo do anjo horrorizado da história diante da destruição, arrastado de costas ao futuro por um vento de furacão, asas paralisadas enquanto tudo morre sob seus olhos e se desmorona impreciso, seco, decrépito, irreconhecível e arruinado. Tudo o que é sólido se desmancha no ar. Durruti, santificado e mumificado, é assassinado duas vezes, promovido a tenente-coronel do Exército Popular, e o fazem dizer que renuncia tudo, exceto a vitória. A revolução se esvai como um sonho bonito, quase sem deixar rastros. Nada permanece imutável, salvo a aniquilação de todo o existente. Como contar isso sem citar Walter Benjamin e seu Angelus Novus?

A documentação encontrada nos arquivos é a condição sine qua non da ciência histórica. Os arquivos são os lugares onde investigadores como Guillamón obtêm a maioria dos documentos que sustentam seu relato, vimes com os quais o narrador tenta construir uma cesta (ou relato histórico) capaz de ordenar e conter essas gravuras da Revolução e da Guerra. Às vezes, esses arquivos, muitos e variados, e não importa de que lugar do mundo, são raros e avarentos, pois apenas deixam vislumbrar o que realmente aconteceu. Nesses transes a cesta fica inacabada, apenas esboçada, mas os contornos construídos e os vazios existentes oferecem um conjunto global que permite intuir a forma da cesta e, em raras ocasiões, seu conteúdo.

Historiadores acadêmicos, doutorandos em busca de abrigo, mitômanos nacionalistas, nostálgicos stalinistas reciclados e ridículos charlatães de uma obsoleta ortodoxia de cartão-pedra confeccionam sempre a mesma cesta, a que têm em sua cabeça ou que compraram; não importam os documentos obtidos.

Costumam ser cestas absolutamente perfeitas, mas falsas.

Os trapeiros e colecionadores de papéis velhos, como Guillamón se define, fabricam a cesta que podem com o material encontrado e, se algo faz falta, remexem o lixo descartado – por ser considerado inútil – e se alimentam com os suculentos desperdícios encontrados. Os métodos do trapeiro e do universitário são contrários e distantes, que se repelem e se combatem. Mas o sistema selvagem do trapeiro não é somente infinitamente melhor que o acadêmico; na realidade, é o único digno, verdadeiro e eticamente possível.

Eis aqui umas bonitas ilustrações de Durruti, da Revolução Social e de seu fracasso, que se fundamentam sempre num rigoroso e sólido trabalho prévio de investigação, sem amos nem subsídios, nem outras servidões materiais ou ideológicas que condicionem os resultados.

Balance. Cuadernos de historia

Fevereiro de 2022

Durruti sin mitos ni laberinto y otras estampas

Ano de publicação: 2022

Autor: Agustín Guillamón

Editora: Sueños de Sabotaje

ISBN: 978-84-124417-0-3

Páginas: 92

Tamanho do livro: 190 cm × 125 cm × 0 cm

Web: https://www.traficantes.net/libros/durruti-sin-mitos-ni-laberinto

Tradução > Erico Liberatti

agência de notícias anarquistas-ana

Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?

Mario Quintana

[México] Enrique Flores Magón, radicalismo anarquista.

Por Martha Rojas | 20/03/2022

Enrique Flores Magón compartilhou com seus irmãos a oposição ao regime de Porfirio Díaz, a partir da trincheira dos jornais Regeneración e El Hijo del Ahuizote lançou críticas ferozes contra o regime; suas leituras sobre a filosofia anarco-comunista de Piotr Kroptkin e Errico Malatesta o levaram, junto com seu irmão Ricardo, a fundar o Partido Liberal Mexicano.

A história conta que o caçula dos irmãos Flores Magón, Enrique, nunca perdoou seu irmão Jesús, o mais velho, por ter se distanciado do anarquismo, a “mornidão” do irmão o perturbou a tal ponto que ele se queixou quando o nome de Jesús foi saudado como um dos precursores da Revolução.

Sua infância foi passada junto às comunidades indígenas da Serra Mazateca, onde seu pai tinha certa liderança e era conhecido como “tata”. Ali seu pai incutiu neles parte da sabedoria indígena local, assim como uma formação comunista e libertária que posteriormente, já adultos, os irmãos Flores Magón iriam amalgamar com o anarquismo.

Além da ideologia, Teodoro Flores transmitiu aos filhos seu ressentimento contra Porfirio Díaz, que não o compensou por sua participação na Batalha de 2 de abril de 1867 contra os franceses. Em 1881, a família Flores Magón mudou-se para a Cidade do México.

Junto com seus irmãos Jesús e Ricardo, Enrique começou a participar dos protestos contra a terceira eleição de Porfirio Díaz ao mesmo tempo em que exercia o jornalismo no periódico El Hijo del Ahuizote, seu trabalho como jornalista lhe rendeu uma detenção na prisão de Santiago de Tlatelolco, mesmo assim, quando saiu, voltou ao seu trabalho, mantendo seu posicionamento de jornalista crítico.

Ao sair da prisão em janeiro de 1903 os irmãos voltam a publicar o jornal El Hijo de El Ahuizote e em 5 de fevereiro, na varanda dos escritórios do jornal, colocaram uma bandeira negra e uma faixa com a legenda “A Constituição morreu…”, ambas feitas por Enrique Flores Magón. Em 2 de abril, ele participou junto a um grupo de liberais na contestação a uma passeata de apoio a Porfirio Díaz, esta acabou se transformando em um protesto conta Porfirio, chegando a ter inclusive gritos de morte ao ditador.

Ele morou em várias cidades dos Estados Unidos e Canadá, escondendo sua identidade e mudando constantemente de endereço, muitas vezes perdendo o contato com o irmão. No ano de 1906, em Saint Louis, Missouri, ele assinou como tesoureiro o Programa do Partido Liberal Mexicano.

A crítica econômica e social dos irmãos Enrique e Ricardo Flores Magón não teve comparação com a feita pelos revolucionários da época, que sempre buscavam medidas mais conciliatórias. Enquanto Jesús veio colaborar no governo de Francisco I. Madero, Ricardo e Enrique mantiveram suas críticas ao governo e ao próprio sistema.

Durante seu exílio em 1904, Ricardo e Enrique promoveram a formação do Partido Liberal Mexicano (PLM), que seria uma plataforma para a implementação da revolução social por meio de greves e levantes armados. Graças a isso, ocorreram as greves de Cananea e Río Blanco, que, embora fortemente reprimidas pelo regime, acabaram por desencadear a Revolução Mexicana de 1910.

Graças à amizade com Camilo Arriaga, Enrique e seu irmão tiveram acesso a livros de autores anarquistas e socialistas, pensamentos que sintetizavam junto com as ideias vindas dos povos originários do México. Uma ideologia que ele seguiu até o fim de seus dias.

Fonte: https://regeneracion.mx/enrique-flores-magon-el-anarquista-radical-precursor-de-la-revolucion/

Tradução > Mauricio knup

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/03/29/mexico-em-defesa-da-memoria-anarquista-100-anos-da-morte-de-ricardo-flores-magon/

agência de notícias anarquistas-ana

No orvalho da manhã,
Sujo e fresco,
O melão enlameado

Bashô

[Grécia] Atenas: reivindicação das ações dos anarquistas no bairro de Exarchia

Em 26.02.22, durante o carnaval contra a gentrificação de Exarchia, um grupo de companheiros aproveitou a ocasião para realizar uma série de ataques dirigidos a vários aspectos da gentrificação. Várias câmeras de vigilância da vizinhança foram pintadas por cima.

Também realizamos os seguintes ataques:

– Quebrando a vitrine da boutique de moda na Rua Trikoupis, 39 S.

– Quebrando as vidraças da caríssima loja de roupas hipster Mohxa, 59 Z Street. Rua Pigi.

– Quebrando a câmera de vigilância e a campainha do hotel Athens Way Apartments na Rua Ch.Trikoupis, 76.

Exarchia é, e continuará sendo, um bairro de luta. Os planos estatais de reordenamento e comercialização de nossa vizinhança não passarão.

NÃO AO METRÔ NA PRAÇA DE EXARCHIA

NÃO À MERCANTILIZAÇÃO DOS LOFOS DA COLINA STREFFI

FORA DE NOSSOS BAIRROS, INCORPORADORES IMOBILIÁRIOS E TURISTAS.

Anarquistas

Fonte: https://anarquia.info/atenas-grecia-reivindicaciones-de-las-acciones-de-los-anarquistas-en-la-zona-de-exarxeia/

agência de notícias anarquistas-ana

chegado para ver as flores,
sobre elas dormirei
sem sentir o tempo

Buson

Política e sociedade: 5 obras fundamentais para compreender o Anarquismo na História

Entenda as principais característica desta ideologia por meio de grandes obras disponíveis da Amazon

O anarquismo é uma ideologia política que defende a ideia de um mundo sem governo, no qual todos os indivíduos são livres de qualquer estrutura política, econômica, social ou cultural. Para muitos, essa visão é considerada utópica, mas para os anarquistas, acabar com o Estado, o capitalismo, e qualquer regulamentação opressora tem sido os seus ideais há séculos.

O site Aventura na História selecionou 5 obras fundamentais para você conhecer e se aprofundar nas bases dos ideais anarquistas.

1. Escritos revolucionários, de Errico Malatesta (2015)

Escrito por Errico Malatesta, esta edição reúne alguns dos principais textos do autor, considerado como um dos mais ativos e influentes anarquistas. Os artigos evidenciam os mais recorrentes aspectos da construção do pensamento malatestiano, abordando também a importância da vontade, da tática, do combate ao autoritarismo dentro e fora do socialismo, bem como a luta política fora do âmbito da representação parlamentar.

2. Anarquia pela educação, de Elisée Reclus (2015)

Composto por sete artigos: “A anarquia”, “Por que somos anarquistas?”, “A revolução”, “A anarquia e a igreja”, “Algumas palavras de história”, “A meu irmão camponês” e “A pena de morte”, estes textos tratam das concepções de Reclus acerca da doutrina anarquista, que são base para suas posições relacionadas a diferentes assuntos, todos com a educação como pano de fundo.

3. História das idéias e movimentos Anarquistas: O movimento (Volume 2), de George Woodcock (2008)

Considerado como um dos livros mais completos e esclarecedores sobre as origens e a história do movimento anarquista através dos tempos, essa obra é fundamental para o conhecimento profundo da doutrina anarquista, desde seu nascimento até sua expressão como movimento, expondo o pensamento de seus principais teóricos como Proudhon, Bakunin, Kropotkin, Godwin, Stirner, Tolstói e tantos outros.

4. O indivíduo, a sociedade e o Estado e outros ensaios, de Emma Goldman (2015)

Publicado em 1940, esse livro foi inspirado em Kropotkin e Malatesta e já antecipava muitas das questões fundamentais do século XX, como a militarização estratégica dos EUA. A obra conta com o posfácio do livro “My disillusionment in Russia”, livro no qual a ativista política Emma Goldman defende a liberdade do indivíduo e crítica à submissão ao poder estatal, e ainda escreve sobre sua volta ao país natal e a decepção com o governo comunista.

5. O princípio do Estado e outros ensaios, de Mikhail Bakunin (2015)

Esta edição apresenta três importantes textos de Bakunin, fundador do sindicalismo revolucionário e o expoente máximo do anarquismo, escritos em um período de grande efervescência revolucionária, com a constituição de sociedades operárias nas principais cidades francesas. Nesta obra, Bakunin combate vigorosamente a ideia e o princípio estatistas, denunciando ao mesmo tempo as tentativas de reforma burguesa e ataca a religião.

Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/vitrine/politica-e-sociedade-5-obras-fundamentais-para-compreender-o-anarquismo-na-historia.phtml

agência de notícias anarquistas-ana

Por que estás assim,
violeta? Que borboleta
morreu no jardim?

Guilherme de Almeida

[Chile] Entrevista com Hector Llaitul, porta-voz da CAM | “Não esperamos nenhuma mudança com o governo de Boric”

A Coordinadora Arauco-Malleco é uma das mais conhecida organizações político-militares dos mapuche. Essa entrevista com seu porta-voz foi publicada um dia após o helicóptero com membros do governo ser alvo de disparos quando sobrevoava a região de conflito entre os mapuche e as madeireiras (as “florestales”, como dizem).

Como a mudança de governo do Chile vai afetar Wallmapu?

Não vai haver absolutamente nenhuma mudança. Como não houve, para nós, quando era Pinochet. Se passaram mais de 30 anos de pseudo governos democráticos e não houve devolução do território. Boric está fazendo toda uma parafernália, mas as políticas extrativistas não pararam nem desaceleraram. [o governo] Não têm força par fazer frente ao sistema de dominação que existe nessa parte do Wallmapu. 90% da economia aqui é regida pela indústria florestal, que tem praticamente todo o sistema em território usurpado da Nação Mapuche. Este é um problema estrutural e só poderia ser transformado, em parte, por um governo revolucionário, e este não é.

Tem havido convites de diálogo por parte do governo?

Quando nos fizerem uma solicitação oficial para falar de território e autonomia para a Nação Mapuche não terei problema algum em me encontrar com eles. Mas como não querem, de quê vamos falar? Prefiro seguir no processo de acumulação de forças.

O que significa seguir acumulando forças?

Quando começamos, éramos pouquinhos, eu e um par de peñi (companheiros) mais. Hoje somos milhares de weychafe (guerreiros) armados. A CAM tem os weychafe, e outras expressões da resistência e libertação nacional mapuche também os têm. LNM, a WAM, a Resistência Mapuche Lavkenche e a Malleko, mais os que são parte da lof (comunidade) em resistência… É um tema estratégico, a luta político militar está no horizonte de muitas expressões de resistência, e isso é bom para todos os que estamos no processo da luta revolucionária mapuche.

Por que essa estratégia se difundiu?

Porque nos permitiu avanços substantivos que outras expressões de resistências políticas existentes não nos ofereciam. A força político-militar do povo mapuche recupera território, autonomia e dignidade. Do total de terras recuperadas uns 10 ou 20% foi entregue pelo estado através de acordos de compra-venda, negociados com as técnicas do mercado que favorecem o grande capital, o resto, os 80-90%, foram nós mesmos que recuperamos, com organização e luta. Se nos perguntam pelos documentos com titularidades, não sabemos onde estão nem nos importamos. Nós temos nossos próprios códigos e normas, de acordo com a nossa história e cultura.

Qual sua opinião sobre a Convenção constituinte?

Não participamos, passamos longe. Estar de acordo com a convenção implicaria reconhecer o Estado, sua constituição, suas leis e cultura. Seja qual for a constituição que se crie, não podemos nos submeter a ela, pois não será nossa, nunca será. Nós lutamos para poder voltar a nos organizarmos de acordo com nossa cultura ancestral.

O que pensa da vitória eleitoral de Boric?

Dá no mesmo. Boric e Kast representavam as duas faces da mesma moeda, já falamos isso em um comunicado. Nada mudará. Vamos seguir tendo um estado militarizado, criminalização e perseguição… Em questão de segurança estão pondo em postos chave a mesma gente que organizou a repressão nos tempos da Bachelet. São sinais do que vem por aí.

Não acredita que seja possível um distanciamento?

Não.

Como pensa que as grandes florestais da zona e a oligarquia vão reagir?

A oligarquia histórica vai defender seus interesses como sempre. Vão aparecer forças paramilitares e milícias ultradireitistas como o Comando Rolando Matus. Os latifundistas e grupos econômicos florestais sentem que o Estado não vai os defender com dureza suficiente, por isso vão criar suas próprias guardas para atuar fora da lei.

E como pensas que o governo vai responder?

Vamos ver se Boric se mostra decidido a persegui-los. Tenho minhas dúvidas… Observe que não houve sequer uma mudança de discurso. Falam de condenar a violência ‘venha de onde venha’. Como podem comparar a violência do Estado com a nossa? Como podem nos dizer isso, quando nós estamos acostumados a sofrer sua violência historicamente? É algo que não entendo, se supõe que alguns deles têm formação e cultura de esquerda, e equipararem a violência do opressor com a do oprimido. A violência revolucionária dos oprimidos, como a dos mapuche, é absolutamente legítima, é dignidade pura. Eu sou um porta-voz público, que me exponho, falo na cara. Por que não me envergonho, nem vou me retratar, de dizer que exercemos a violência política necessária. Enquanto seguirem devastando e depredando nosso território ancestral, seguiremos. Fazemos sabotagem e as reivindicamos, mas não atacamos agricultores e muito menos os pobres, nem anciões, nem crianças, nem famílias, nem a gente que possa sofrer efeitos colaterais da nossa luta. Nunca… Estamos há um quarto de século atacando ao capital e nessa luta frontal não matamos ninguém, mesmo que já tenham matado muitos de nossos irmãos. O matam com crueldade inclusive, como no caso de nosso weichafe Toño Marchant… Por isso jamais negociamos com o inimigo.

Qual será a estratégia do governo para com o movimento mapuche?

Em partes oferecerá regalias. O veneno de sempre, mas em um fraco mapuche. Por outro lado tratará de criar uma pequena burguesia no interior do movimento mapuche. Mas antevemos um bom tempo de luta. Por hora não vamos cair em seus cantos de sereia, pois estamos ideologicamente preparados. Estão enganados se pensam que vão nos fascinar com suas propostas de multiculturalismo.

A CAM carrega quase um quarto de século de luta, qual a sua avaliação?

O balanço é positivo porque demos início ao despertar do nosso povo. Antes, todos estávamos com um pouco de medo, inseguros, ignorantes… Mas nós, no movimento vamos gerando ação e pensamento, e isso se transforma em escola. Hoje aprendemos e reaprendemos. Se socializa, se debate… Cada vez mais a gente vai entendendo o que é a realidade e como podemos mudá-la. O povo mapuche deixou de ser um povo submisso, vitimizado, que dava um pouco de pena… Hoje em dia é um povo guerreiro, um povo digno. E é lindo ver um povo rebelde e em resistência.

Como se sente com tantos anos de militância?

Penso que posso ficar na história como um homem que não pactuou, não se dobrou e não desviou da linha. Eu sigo sendo da linha dura, também quanto as formas de vida que escolhi. Sempre estive e seguirei estando, onde a organização precisar.

Sua família o acompanha?

Minha família está comigo. Meus filhos são waychafe, e sinto muito orgulho deles.

Chegará algum momento em que a CAM negocie?

Por hora me parece difícil, mas acumulamos forças para ser um grande estancamento do nosso povo. Quando tivermos a força suficiente para lidar com o Estado, pode ser. Mas será para falar de devolução do território ou não será. Acreditamos que esse é o momento para fazer debate e por isso vamos publicar em breve um livro chamado Chem Ka Radikuam, um texto que trás nossos acúmulos de ação e pensamento.

Fonte: https://radiokurruf.org/2022/03/16/hector-llaitul-vocero-de-la-cam-no-esperamos-ningun-cambio-con-el-gobierno-de-boric/

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

Outono
Empoleirado num ramo seco
um corvo

Matsuo Bashô

[Espanha] O álbum de fotos da CNT na Transição

PorJosé Duran Rodríguez| 24/03/2022

O anarco-sindicalismo voltou às ruas após a morte de Franco para celebrar e exigir um modelo de vida diferente daquele que foi negociado nos escritórios. A CNT se opôs aos Pactos de Moncloa e apresentou sua oferta de sindicalismo baseado na ação direta, no assembleísmo e no antiautoritarismo. Foi uma primavera que durou cinco anos.

A imagem não é nítida, mas através da névoa pode-se ver claramente um homem segurando uma arma na mão direita. A fotografia é tirada em 1º de maio de 1979 em Madri e o objetivo daquele atirador era a manifestação convocada pelo sindicato anarquista Confederação Nacional do Trabalho (CNT) para comemorar o Dia dos Trabalhadores. Mais um exemplo da implausibilidade do que a historiadora francesa Sophie Baby qualifica como o mito da Transição Pacífica, quando na realidade foi marcado pela violência política: segundo seus cálculos, durante o ciclo de restauração da dinastia Bourbon e da democracia, foram realizadas mais de 3.000 ações em sete anos, entre 1975 e 1982, nas quais foram registrados cerca de 700 óbitos. “O 1º de maio foi muito conflituoso. Às vezes era proibido ou autorizado dependendo das províncias ou cidades. Era proibido em Madri, mas em Barcelona o Governador Civil era muito mais liberal”, disse Baby em entrevista ao El Salto em 2018.

“São pistoleiros, associados a uma certa corrente. São fotografias ainda a serem investigadas de 1º de maio de 1979. Eram pessoas ligadas à extrema direita e à polícia. Iam ameaçar, intimidar, provocar”, explica Juan Cruz em relação a essa fotografia. Cruz, historiador de formação, é responsável pelo arquivo da Fundação Anselmo Lorenzo de Estudos Libertários (FAL), centro documental da CNT que preserva e cataloga esse tipo de material audiovisual sobre a guerra civil, o exílio e a transição. Este processo de pesquisa para identificar personagens e lugares, datar a imagem e determinar a autoria, quando possível, é um dos trabalhos realizados no arquivo, juntamente com o aprimoramento de positivos fotográficos para sua conservação e catalogação, e a digitalização de documentos para sua referência.

Apesar da tensão existente, Cruz lembra que as convocações da CNT em 1º de maio durante os anos após a morte de Franco foram festivas e comemorativas. As fotos que ele está catalogando na FAL, provenientes de doações particulares e do próprio sindicato, também testemunham que a CNT tinha um importante poder de convocação, que ele enquadra em um ambiente político mais amplo: “As fotos anteriores a 1979 colocaram sobre a mesa a recuperação e irrupção de um ator que se pensava desaparecido, o movimento libertário, um ator político desconfortável com força, capacidade de arrastamento e intervenção política e sindical. Era um problema para o estado capitalista democrático que se reconfigurava na época, a nova construção política e sindical do estado pós-franco. A capacidade de mobilização do movimento libertário, com a qual não se contava, é dada não só pela força sindical da CNT, mas também por setores muito diversos, com perfis muito específicos: a contracultura, grupos ligados ao feminismo, o novo ecologismo ou os grupos autônomos muito hostis à recuperação do movimento operário por esse novo Estado”.

Outra imagem memorável corresponde ao comício realizado em 27 de março de 1977 em San Sebastián de los Reyes, o primeiro ato público em grande escala da CNT após a morte de Franco. “Ele reuniu milhares de militantes naquela manhã de março. Lá participaram antigos militantes do exílio, lutadores da clandestinidade e novas pessoas que se juntaram à luta dos trabalhadores”, comenta Julián Vadillo, historiador e autor dos livros Historia de la CNT. Utopia, pragmatismo e revolução (Catarata, 2019) e História da FAI. Anarquismo organizado (Catarata, 2021). Embora a central anarco-sindicalista tenha anteriormente convocado outros atos, nenhum suscitou tanta resposta durante aquele período convulsivo fora e dentro do sindicato que Vadillo entende como o da reconstrução da CNT e seu modelo sindical alternativo ao oficial, consagrado no os Pactos de Moncloa em outubro de 1977, aos quais a CNT se opôs. “Embora existam algumas fontes que aumentaram sua força real, na realidade era uma organização sindical com presença em alguns setores trabalhistas e representava vários milhares de trabalhadores. No entanto, foi uma época em que havia várias organizações sindicais, além de diferentes sensibilidades, dentro da própria organização”, destaca Vadillo.

Para Juan Cruz, a capacidade de mobilização da CNT foi mantida até a vitória socialista nas eleições gerais de 1982. “Não foi algo exclusivo da CNT —diz o arquivista da FAL— mas aconteceu com muitos setores à esquerda do PCE, Partidos trotskistas, grupos autônomos, muitas organizações com abordagens hostis a essa reconfiguração do regime pós-franco mantiveram essa capacidade até 1982 e depois uma boa parte dos seus quadros militantes foram recuperados pelas estruturas do PSOE”.

Nesse declínio na implantação do anarco-sindicalismo, Vadillo minimiza a importância de um episódio, o conhecido como caso Scala — uma montagem com infiltração policial que causou quatro mortes no incêndio da boate Scala, em Barcelona, ​​em janeiro de 1978 e que causou o descrédito da CNT—, e aponta razões internas: “É impossível dizer que o caso Scala foi o evento que determinou o declínio do anarco-sindicalismo. Afetou mas não da forma como foi transmitida. Foi muito mais decisivo quando, nos congressos de 1979 e 1983, foi colocado sobre a mesa o modelo sindical a ser seguido, o que provocou uma cisão na organização. A de 1983 foi muito mais transcendental que a de 1979. A CNT, que se rachou brevemente na década de 1930 com o surgimento dos sindicatos de oposição, agora o fez definitivamente”. Aprofundando essas razões, o historiador considera que “o novo quadro de relações trabalhistas dos Pactos de Moncloa não foi superado pela CNT, apesar da manutenção de um modelo sindical alternativo. A força de comunicação dos anarcos-sindicalistas, muito forte em outros tempos, não conseguiu se conectar naqueles tempos. E o pacto de silêncio tácito em relação a qualquer luta que saísse do marco regulado pelo modelo sindical vigente tornava invisíveis as lutas operárias alternativas. Vadillo destaca que a CNT conseguiu manter suas estruturas apesar de permanecer no quadro durante a década de 1980 e se recompôs na década de 1990, “quando a partir de uma posição minoritária continuou mantendo um modelo sindical alternativo, horizontal e antiautoritário”.

Olhando para o passado e para o presente, Cruz reconhece que “numericamente não é comparável” à relevância que a CNT e o movimento libertário alcançaram no final daqueles anos 70, mas também valoriza que “na última década, a CNT tem feito um esforço para se multiplicar em nível sindical e marcar presença em diferentes setores trabalhistas muito precários, a partir de um prisma de montagem, horizontalidade e ação direta”.

Fonte (mais fotos): https://www.elsaltodiario.com/fotografia/el-album-de-fotos-de-cnt-en-la-transicion?fbclid=IwAR3BxsXSoYPERImFok4-irkZKYixb_LLp1q4egwOTMfHCzu3Ns-SSCQ9PIo

Tradução > GTR@Leibowitz__

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/02/20/espanha-lancamento-historia-da-cnt-utopia-pragmatismo-e-revolucao-de-julian-vadillo-munoz/

agência de notícias anarquistas-ana

velhinhos na praça
só a tarde
não envelhece

Alonso Alvarez e Camila Jabur

Lançamento mundial da revista “Rompiendo Filas” #3

Nesta sexta-feira, 1º de abril, organizações e indivíduos de toda a América Latina e Caribe fazem o lançamento internacional da 3ª edição da revista “Rompiendo Filas” (Rompendo Fileiras), da Rede Antimilitarista da América Latina e do Caribe – Ramalc.

O QUÊ: “Rompiendo Filas” é o chamado e nome da publicação da Rede Antimilitarista da América Latina e Caribe. A publicação responde ao desafio de articular reflexão, experiência e possibilidade de mudança e, para isso, reúne lugares e vozes comprometidas com o antimilitarismo na América Latina e no Caribe. A publicação é composta por escritos narrativos, ensaios e artigos que refletem o cotidiano e pontos comuns de resistência ao militarismo na região.

“Rompiendo Filas” é de distribuição gratuita e coletiva, autogerida e voluntária. Pode ser baixada em formato PDF do site www.ramalc.org, e em papel de acordo com as iniciativas locais.

A Ramalc é formada por indivíduos, grupos antimilitaristas e sociais que concordam que a resistência ao militarismo deve ser civil, não promovendo nenhum tipo de atividade militar.

A Ramalc é uma coordenação que promove o antimilitarismo na sociedade, questionando a estrutura militar e as práticas de dominação.

QUANDO: Sexta-feira, 1º de abril. | 09H00 Honduras / 10H00 Colômbia (Procure em seu horário local)

ONDE: www.ramalc.org

Rede Antimilitaristas de toda a América Latina e Caribe.

#Ramalc #RompiendoFilas #RevistaAntimilitarista #LanzamientoMundial #Antimilitarismo

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

as flores caindo…
e o menino embaixo delas
limpa o seu calção

Buson