[Chile] Diante das condenações solicitadas pelos perseguidores, solidariedade e cumplicidade com Mónica e Francisco!

Em 24 de julho de 2020 xs companheirxs Mónica e Francisco são detidxs em diferentes operações repressivas. O poder acusa Francisco de enviar pacotes explosivos contra o ex-ministro do interior Rodrigo Hinzpeter e contra a 54 delegacia de Huechuraba (ação ocorrida em 24 de julho de 2019, reivindicada por “Cúmplices Sediciosos/Facção para a Vingança”), enquanto que ambxs são acusadxs do duplo atentado explosivo contra o Edifício Tánica na comuna de Vitacura (ação realizada em plena revolta, no dia 27 de fevereiro de 2020, reivindicada por “Afinidades Armadas em Revolta”).

Durante estes mais de dois anos de prisão, Mónica permaneceu no módulo de “conotação pública” da cárcere de San Miguel enquanto que Francisco foi inicialmente encarcerado na seção de máxima segurança da Cárcere de Alta Segurança, mas logo foi transferido em junho de 2021, junto com outros companheiros, para a prisão La Gonzalina de Rancagua, onde se encontra atualmente.

É fundamental ressaltar que ambxs, neste tempo de confinamento, têm contribuído permanentemente com os debates anárquicos e da guerra social por meio de seus escritos, comunicados e artigos, dando conta que a prisão não é o fim de nada, mas sim outra trincheira de onde continuar a luta insurrecional, que seus muros, grades e jaulas não são suficientes para romper a solidariedade e a cumplicidade entre ácratas. É desse lugar também de onde devemos situar que Francisco assumiu os feitos que os acusam, dando assim validade e vigência a um anarquismo de ação ofensiva e à necessidade da continuidade de seus golpes.

Na prisão ambxs formaram, junto com outrxs companheirxs, um coletivo de presxs anarquistas e subversivos, como outro modo de continuar a luta desde a cárcere. Reflexo dessa articulação de vontades refratárias foi a greve de fome que sustentaram durante mais de 50 dias a partir de 22 de março de 2021, quando exigiram a anulação das modificações do decreto de lei 321 e a liberdade de Marcelo Villaroel.

No último 10 de agosto, mais de dois anos do início do processo e após uma série de ampliações nos prazos que a investigação foi encerrada, dando assim o andamento da acusação definitiva onde hoje a promotoria solicita 30 anos de prisão contra Mónica, acusando-a de dois delitos de colocação de artefatos explosivos. Contra Francisco os perseguidores solicitam 129 anos de prisão por dois envios de artefatos explosivos, 3 homicídios frustrados, lesões e danos, bem como a colocação de mais 2 bombas.

Fiscalía Metropolitana Sur, representada por Claudio Orellana, promotor especialista em bombas e processos contra antiautoritárixs, buscará levar mais de 166 testemunhas, 53 peritos e mais de 400 provas, numa tentativa de ajustar contas após a impossibilidade de conseguir condenar xs companheirxs em 2010 no Caso Bombas. No mesmo sentido, burlando seus próprios obstáculos legais, tenta qualificá-lxs como “reincidentes” pela condenação anterior na Espanha.

Para muitxs, as esmagadoras penas com as quais buscam sepultar xs companheirxs podem ser verdadeiramente paralisantes. Frente a uma aparente imparável maquinaria jurídica, pareceria que somente poderia se propagar uma sensação de impotência e frustração. Porém, é justamente a esse ponto que o poder busca nos levar. A solidariedade ácrata, por sua vez, sabe abrir caminho, repleta de vitalidade e criatividade, aposta em destruir as pretensões que os poderosos têm de aniquilar não somente nossxs companheirxs, se não a própria ideia de rebelião.

Um reconhecido ex-ministro que encabeçou a repressão; a delegacia de onde saíram os assassinos de Claudia López; o bairro dos ricos, blindado durante a revolta; ou a polícia mutiladora, foram os alvos daquelas ações. Suas motivações são as nossas e a de todxs nós que rechaçamos o mundo da autoridade e obediência. As ações pelas quais xs companheirxs enfrentaram o julgamento são completamente válidas e legítimas contra os poderosos e repressores.

Quem devolveu os golpes e acabou com a impunidade dos repressores se situa numa explícita e antiga tradição revolucionária, e particularmente anárquica, que busca, com as próprias mãos, destruir o monopólio da violência do Estado e a tranquilidade de quem, desde seus postos, tem comandado as mais brutais incursões repressivas. É dentro dessa mesma linha história que situamos o caso dxs companheirxs Mónica e Francisco.

O chamado é para multiplicar a solidariedade e agitação com xs companheirxs. Levantar desde já iniciativas descentralizadas frente ao julgamento e frear os anseios dos perseguidores que buscam encarcerar Mónica e Francisco por décadas.

Sem nenhum espaço para a indiferença: solidariedade e cumplicidade com quem ataca os poderosos e repressores!

Liberdade para Mónica e Francisco!

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2022/08/23/diante-das-condenacoes-solicitadas-pelos-perseguidores-solidariedade-e-cumplicidade-com-monica-e-francisco/

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Todos dormem.
Eu nado na noite que
entra pela janela.

Robert Melançon

[Chile] Sobre as peças processuais de recurso para a revisão do cálculo da sentença de Marcelo Villarroel

Ontem, 17 de agosto, ocorreram os pleitos de recurso que a defesa de Marcelo Villarroel apresentou perante o Tribunal de Recursos de Santiago, para rever a decisão do 7º Tribunal de Garantia de Santiago que indeferiu o pedido dos advogados para rever o cálculo da sentença, em 5 de julho.

Nos articulados, a defesa de Marcelo reiterou ao Tribunal a ilegalidade da ação da Gendarmería de aumentar em 21 anos o tempo mínimo de sua sentença efetiva para ser elegível à liberdade condicional, que, antes desta modificação, ele poderia ter solicitado a liberdade condicional em dezembro de 2019. Esta ação, baseada na modificação do DL 321 pela lei 21.124 em dezembro de 2019, viola uma série de garantias fundamentais, especialmente a não retroatividade do direito penal e o princípio de in dubio pro reo, estabelecido na Constituição (art. 19 n3), no Código Penal (art. 18) e em uma série de tratados internacionais de direitos humanos ratificados e em vigor no Chile.

A defesa também argumentou com base no princípio constitucional da inexcusabilidade do juiz, já que ao declarar a incompetência da Corte, Marcelo está sendo negado o direito de apelação, de ação e de que um juiz examine seu caso e determine se há ou não violações, que são direitos processuais básicos do sistema de justiça.

O Ministério Público também esteve presente, representado pelo Procurador Joaquín Blake Benítez, que argumentou, mais uma vez, que Marcelo ainda deve cumprir sentenças por um período muito superior a 30 anos, dadas as sentenças proferidas pelo Ministério Público Militar, e que este pedido da defesa já havia sido rejeitado pelo Tribunal em várias ocasiões, razão pela qual deveria ser rejeitado (apesar de esta ser a primeira ação para o cálculo de sentenças).

Finalmente, após ouvir os argumentos, o Tribunal, composto pelos ministros Antonio Ulloa Márquez, Ana María Osorio Astorga e o advogado Cristian Lepin Molina, deixou a decisão “em suspenso”, sem tomar ainda uma decisão, e deve adotá-la e emitir uma sentença dentro dos próximos dias ou semanas.

Como equipe jurídica, estamos esperando que o Tribunal emita esta sentença, esperando que os fortes argumentos que apresentamos possam ser levados em consideração, e que nossa ação seja aceita.

Equipe Jurídica para a Liberdade de Marcelo Villarroel.

Santiago do Chile, 18 de agosto de 2022.

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/08/10/chile-jornada-de-solidariedade-pela-anulacao-das-condenacoes-da-promotoria-militar-ao-companheiro-marcelo-villarroel/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/11/chile-sobre-a-audiencia-de-revisao-de-calculo-da-pena-de-marcelo-villarroel/

agência de notícias anarquistas-ana

pássaro pousado
no espantalho
aposentado

Millôr Fernandes

[Colômbia] Comunicado à opinião pública

A crise que as Instituições de Ensino Superior (IES) do país estão atravessando é o resultado da desfinanciação histórica promovida pelo Estado e por aqueles que as administraram. Esta situação não está longe da atual crise na Universidade Surcolombiana, que se reflete na falta de professores, infraestrutura, contratação tardia de professores e prestação de serviços, entre outros problemas, que se tornaram uma constante por vários anos.

Diante desta situação, nós do Sindicato de Ofícios Vários de Neiva e da União Libertária Estudantil e do Trabalho – AIT, queremos expressar nossa solidariedade com os estudantes da USCO, cujo acesso a uma educação integral com condições dignas para seu processo de formação acadêmica está sendo violado. Também rejeitamos o tratamento desta crise pela atual administração, chefiada pela Reitora Nidia Guzmán, pois tende a aprofundar os problemas e está praticamente sacrificando o bem-estar de estudantes, trabalhadores e professores.

Hoje, é claro que o Estado deve saldar a dívida financeira histórica que tem com as IES. O pessoal docente deve ser aumentado, os contratos de prestação de serviços aos quais muitos professores estão sujeitos devem ser eliminados e os recursos alocados ao bem-estar universitário devem ser aumentados, entre outras necessidades que devem ser combatidas nas ruas, organizadas e por meio de ação coletiva. Ao mesmo tempo, estão sendo feitos progressos na autonomia universitária e estão sendo propostos cenários para que os estudantes possam participar diretamente na distribuição dos recursos disponíveis.

Portanto, conclamamos as organizações estudantis, coletivos, agrupamentos e indivíduos conscientes a consolidar o Movimento Estudantil, a construir um nível de unidade, de ação consensual, que nos permita desenhar a disputa estratégica do Movimento Estudantil Sul-Colombiano, que supere a situação atual.

Organizar-nos na pluralidade de ideias, a partir da vontade política em favor de uma educação transformadora, com bandeiras claras e o horizonte da universidade que queremos, crítica, investigativa, universal, livre e autônoma.

Que o público se torne comum!

EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA          .

Povo oprimido, adiante!

Revolução!

Sindicato de Vários Ofícios Neiva

Federação Regional Huíla ULET-AIT

Fonte: https://www.uletsindical.org/comunicado-a-la-opinion-publica/

Tradução > Liberto

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nos dias quotidianos
é que se passam
os anos

Millôr Fernandes

[Itália] Eleições políticas: quando o samaritano Malatesta estava em toda parte: memória eleitoral para os jovens

Memórias eleitorais. Relendo as crônicas de agosto de 1922 pelo anarquista Armando Borghi.

Para referência futura (para 25 de setembro de 2022?), lembre-se do mês de agosto de cem anos atrás.

Era o verão de 1922. No jornal Umanità Nova, em 11 de agosto, os anarquistas escreveram: “Não foi o fascismo que venceu, foi o Estado. Se os carabinieri e os guardas reais não tivessem se unido numa frente unida com os bandidos de camisa preta, o fascismo teria sido esmagado”.

Mais do que um artigo, era um epitáfio. O fracasso da greve geral de 1° de agosto havia destruído as últimas esperanças de resistência.

Armando Borghi (1882-1968), uma bela figura libertária, lembra em Mezzo secolo d’anarchia (Meio século de Anarquia), um livro encomendado por Gaetano Salvemini, que “a decisão de entrar em greve geral foi tomada cerca de uma semana antes da data estabelecida que conhecemos: 1° de agosto. Compromisso em manter o sigilo”.

“Somente na manhã de 1º de agosto é que a imprensa foi informada. O 1º de agosto foi segunda-feira.

No domingo, 31 de julho, os trabalhadores de Gênova transbordaram. Anunciar no domingo, um dia de descanso, uma greve que iria acontecer inesperadamente na segunda-feira, era para desvendar tudo.

Com a rapidez tática à disposição dos fascistas, aquele aviso prévio de vinte e quatro horas foi tão precioso para os outros quanto fatal para nós”.

Apesar de tudo, Borghi relata, “havia centros que lutavam heroicamente”. Parma se defendeu acima de todas as probabilidades.

Houve batalhas ferozes em Turim, Sestri Ponente, Pavia, Pádua, Milão. Ancona foi atacada por terra e mar: para trazer confusão e medo a um clímax, os fascistas foram armados pelas autoridades militares não só com bombas verdadeiras, mas também com bombas de efeito moral, e atiraram tantas centenas quanto teriam arrasado a cidade inteira, dando verdadeiramente a impressão do fim do mundo”.

Em Roma, “o distrito de Porta Trionfale, um dos mais vermelhos, foi dominado pelo rumor corrente de que uma invasão por gangues fascistas era iminente”. Houve uma verdadeira mobilização da população, que permaneceu em vigília por duas noites, armada com o que estivesse à mão”.

A poetisa libertária Virgilia D’Andrea, continua Borghi, “estava naqueles dias precisamente naquele bairro onde Malatesta vivia.

“Mais tarde aprendi com ela que Errico tinha ficado com as pessoas comuns todos aqueles dias, tirando algumas horas de sono. Virgilia ficou ao lado do velhote.

Ela era uma mulher capaz de tirar de sua natureza frágil uma enorme força de resistência, tal era a sugestão que a ideia de lutar e se sacrificar exercia sobre ela. Os fascistas não apareceram”.

Entretanto, apesar do “terreno minado por quase dois anos de terror, as energias morais ainda permaneceram. E se elas tivessem sido usadas no momento certo, e com a determinação necessária, talvez a ciência de mais tarde contaria uma história muito diferente.

Entretanto, os episódios locais não mudaram e não puderam mudar a situação geral. Fomos espancados em todos os âmbitos. Cada última reserva de energia no espectro da esquerda estava esgotada”.

Os fascistas, conclui Armando Borghi, “não tinham apenas que agir; eles tinham que alcançar dois objetivos acima de tudo: dar-se o crédito por terem domado a greve, e privar o governo que não a havia domado”. Eles conseguiram um e o outro”.

Fonte: https://www.teleradio-news.it/2022/08/15/elezioni-politiche-quando-il-sammaritano-malatesta-era-presente-in-ogni-dove-pro-memoria-elettorale-per-giovani/

Tradução > Liberto

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coisa rara:
teu espelho
tem minha cara

Millôr Fernandes

 

[Uruguai] Atividade em solidariedade com os presxs anarquistas na feira de Tristán Narvaja

Nesta semana de solidariedade internacionalista com os presos e as presas anarquistas, de 23 a 30 de agosto, nos autoconvocamos na feira de Tristán Narvaja no domingo 28/08 às 10h00.

Haverá um posto para divulgar e atualizar a situação dxs presxs anarquistas de todo o mundo.

Abraçamos suas lutas e incentivamos a difusão da solidariedade multiforme, combativa e revolucionária, a fim de transpassar os muros e enviar um gesto de cumplicidade aos companheirxs e uma mensagem clara aos inimigos.

Nada e ninguém é esquecido!

Abaixo os muros das prisões!

Que viva a Anarquia!

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/08/10/semana-internacional-de-solidariedade-com-os-prisioneiros-anarquistas-de-23-a-30-de-agosto-de-2022/

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A orquídea –
a cada instante
o silêncio é outro.

Constantin Abaluta

[Espanha] VIII Encontro do Livro Anarquista das Astúrias

Nos dias 1, 2 e 3 de setembro, na casa da vila de Xixón (C\ LLanes 11), ocorrerá o Encontro do Livro Anarquista .

Mais um ano onde se procura dar voz a diferentes projetos que não têm espaço na mídia do sistema.

Uma lufada de ar fresco necessária para levantar a cabeça.

Desistir nunca é uma opção.

Onde houver poder haverá resistência, onde houver opressão haverá rebeldia, onde houver quem quiser silêncio haverá gente disposta a gritar.

Aqui o programa completo:

https://asturies.noblogs.org/post/2022/08/16/viii-alcuentrul-llibru-anarquista-dasturies/?fbclid=IwAR1rfK4LxUWiSCImaHMhqCxd1ziu5moLnG7Y_pRYaTqHkEVSTvJ2c4450Jk

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Mesmo molhado
Resplandece ao pôr-do-sol
O campo de algodão.

Paulo Franchetti

Lançamento do Livro Paternagem Punk em Salvador (BA)

No dia 3 de setembro será lançado em Salvador o livro Paternagem Punk: Ensaios sobre criação em três acordes. Publicado pela Revelia Livros, Edições Analógicas e Estopim, trata-se de uma coletânea de textos de pais com envolvimento na cena hardcore / punk nacional relatando um pouco de suas experiências com a paternagem/paternidade.

Para o lançamento a ser realizado na Casa Preta, no dia 03/09/2022, já confirmaram presença os autores Rodrigo Gagliano, Eduardo Lima, Thiago Reis, assim como Fabiano Passos e João Bittencourt, organizadores e autores, que irão falar um pouco sobre o livro em uma roda de conversa. Para além disso, como via de inserção das pessoas presentes no universo da subcultura hardcore / punk, irão se apresentar as bandas Lasso e Macumba Love.

Serviço:

Lançamento do livro Paternagem Punk em Salvador

+ Bate-papo com autores

+ Venda de Livros

+ Shows com as bandas Lasso e Macumba Love

Data- 03/09/22

Horário- Das 14 às 18h

Local- Casa Preta (Rua Areal de Cima N,° 40- 2 de Julho- Salvador-Bahia)

Evento Gratuito

Maiores informações: www.instagram.com/paternagempunk

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/06/06/lancamento-paternagem-punk-e

nsaios-sobre-criacao-em-tres-acordes/

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no inverno, o vento
dança com as folhas
a seu contento

Eugénia Tabosa

[Bulgária] “As cinco etapas do colapso”, por Dmitry Orlov

Recentemente, foi publicado na Bulgária um livro que descreve em detalhes e de forma bastante colorida vários estágios diferentes da desintegração da sociedade moderna. Descrevendo a desintegração da sociedade que os anarquistas basicamente combatem, decidimos fazer uma breve análise do livro a partir de posições anarquistas.

Brevemente sobre o autor. Dmitry Orlov nasceu em 1962 em Leningrado (hoje São Petersburgo), URSS. Ele emigrou para os Estados Unidos com seus pais aos 12 anos de idade, onde obteve um bacharelado em engenharia da computação e um mestrado em linguística aplicada. No final dos anos 80 e meados dos anos 90, ele fez várias visitas à sua terra natal, o que lhe permitiu observar o colapso e as mudanças sociais na ex-URSS e na Federação Russa de hoje. Por volta de 2005, ele começou a escrever pequenos ensaios sobre o problema do esgotamento dos combustíveis fósseis e seus efeitos na sociedade. Em 2007, a família de Orlov vendeu seu apartamento em Boston e comprou um iate equipado para uma residência de longa duração e viveu nele. Em 2008 ele publicou seu primeiro livro, Redescobrindo o colapso: O exemplo soviético e a perspectiva americana.

Como o título sugere, Orlov descreve cinco estágios diferentes da desintegração do sistema social e, de acordo com o autor, eles ocorrem nesta ordem. Além da descrição de cada etapa, há um exemplo da história humana de uma sociedade que passou por tal colapso. Os problemas são descritos em linguagem acessível através do estilo peculiar e ligeiramente humorístico do autor, que pode agradar muitos leitores. Apesar do estilo, tenta-se uma análise aprofundada dos fenômenos descritos, apoiada por uma quantidade substancial de fatos. O autor também tenta dar conselhos sobre como o leitor pode reduzir as consequências negativas dos processos descritos.

Relacionaremos as cinco partes principais do livro na ordem dada pelo autor.

1) Colapso financeiro. A crença de que tudo segue “como sempre”. O futuro não se assemelha mais ao passado o suficiente para ser previsível e, portanto, os ativos financeiros não podem ser garantidos. As instituições financeiras falham, a poupança desaparece junto com o acesso ao capital.

Orlov descreve em detalhes o atual sistema monetário baseado em papel, juntamente com todas as suas deficiências. Para os leitores não familiarizados com o estado real do sistema financeiro global, este capítulo contém muitas informações úteis apresentadas de forma divertida e de fácil digestão. Depois de descrever os riscos que fazem parte do próprio sistema, o autor dá alguns conselhos sobre como se pode organizar seus assuntos pessoais para sobreviver mais facilmente ao eventual (e até mesmo inevitável) colapso financeiro).

Exemplo: Islândia. A crise financeira de 2008-2009 e a forma como a Islândia lidou com ela é considerada um exemplo histórico de colapso financeiro e suas consequências. Segundo o autor, a razão pela qual o colapso afetou este estado em miniatura em menor grau é sua longa tradição de democracia representativa, assim como sua população muito pequena (cerca de 800.000 pessoas). Do ponto de vista anarquista, a questão de quão boa é a democracia representativa, mesmo em condições ideais, ainda não foi respondida, mesmo depois de ter permitido que o colapso financeiro ocorresse e não se preocupou em tornar tal cenário impossível no futuro. Uma análise mais detalhada dos movimentos políticos do governo islandês torna fácil ver que o sistema fez o que era necessário para se preservar sem mudanças fundamentais.

2) Colapso comercial. A crença de que o mercado fornecerá tudo está perdida. O dinheiro se desvaloriza ou não está indisponível, começa a estocagem, as importações e a distribuição caem. A escassez de bens de primeira necessidade está se tornando comum. Os leitores mais antigos podem se lembrar da situação na Bulgária nos anos 90 com hiperinflação, enormes aumentos salariais e escassez de bens de primeira necessidade, quando funcionários do governo e até mesmo o aparelho repressivo pararam de aparentemente manter a lei e a ordem na economia e se voltaram para a rápida acumulação de capital pessoal, usando as posições que ocupam no aparelho estatal.

Exemplo: A máfia russa. Orlov descreve o crime organizado tradicional russo conhecido como ladrões (criminosos). Esta organização lembra muito a máfia siciliana em estrutura e modo de operação. A organização conseguiu sobreviver à repressão de Stalin e ressuscitou imediatamente após o colapso da União Soviética para preencher rapidamente o vácuo de poder quando os antigos governantes saquearam tudo em que podiam levar em suas mãos. Entretanto, a organização não resiste à competição por este poder contra os grupos recém-organizados, que na Bulgária chamamos de mutri. Os recém-chegados são significativamente mais brutais e inescrupulosos do que os bandidos “antiquados”. Imediatamente após a pilhagem de todos os bens do estado, aqueles que se apropriaram deles tornaram-se os senhores de fato do estado. Nem os bandidos nem os mutri conseguiram resistir à máquina estatal. As unidades conseguem se juntar à nova elite, poucos se tornam chefes mesquinhos, a maioria se tornam guardas de segurança no agora legítimo negócio privado. Tudo isso é bem conhecido do leitor búlgaro.

3) O colapso político. A crença de que “o governo cuidará de você” está perdida. Quando os meios básicos de subsistência não estão mais disponíveis da maneira usual, as pessoas começam a procurar alternativas. Há um “mercado negro”, uma economia de troca, empregos alternativos, as pessoas em geral estão começando a se adaptar às novas condições. O que todas essas coisas têm em comum é que elas não são controladas pelo Estado. De acordo com Orlov, neste ponto o aparato estatal pode tentar reter o poder, ainda que brevemente, interferindo com toda sua brutalidade nestas novas relações sociais, ou retirar-se mantendo funções puramente representativas, o que é preferível. Aqui o autor descreve as ideias básicas do anarquismo, citando principalmente as obras de Peter Kropotkin – como uma alternativa ao poder centralizado. Orlov acredita que as sociedades anarquicamente organizadas são o único caminho para a existência humana normal, e que as sociedades hierarquicamente organizadas estão condenadas ao colapso tão logo a energia barata (combustíveis fósseis) não esteja mais disponível.

Exemplo: Pashtuns. Os pashtuns são um grupo étnico que vive na área ao redor da fronteira Afeganistão-Paquistão. Sua sociedade é uma estrutura tribal sem líderes e uma hierarquia unida apenas por tradições comuns. Os Pashtuns utilizam algo como uma assembleia geral, na qual todos têm o direito de participar e falar, para resolver todos os problemas graves entre si. Esta assembleia substitui as leis escritas, os tribunais, as prisões, o aparelho repressivo e, em geral, todo o aparelho estatal. Se alguém se recusa a obedecer à decisão tomada nesta reunião, ele perde o apoio dos outros membros da sociedade, o que geralmente torna impossível sua existência, o que é claramente contrário à filosofia Hobbesiana subjacente ao sistema capitalista. As tribos individuais têm anciãos, personalidades com grande autoridade, mas quase nenhum poder. Esta organização social torna sua sociedade praticamente impossível de conquistar de um Estado hierarquicamente organizado. Mesmo que um dos anciãos seja subornado por uma autoridade estrangeira com promessas de alto cargo ou riqueza, ele perde quase imediatamente o apoio dos outros Pashtuns, e qualquer contrato assinado por ele é considerado papel sem valor. Até agora, os Pashtuns não foram conquistados nesta ordem: o Império Britânico, a URSS e os EUA.

4) O colapso social. A crença de que “seu povo cuidará de você” está perdida. Todas as instituições sociais, caritativas ou não, deixam de funcionar devido à falta de recursos ou conflitos internos. Orlov explica que a maioria das pessoas nos países desenvolvidos depende de vários auxílios estatais e/ou serviços para sua existência. As pessoas não conhecem a pessoa que produz os alimentos que compram, que costura suas roupas, e assim por diante. Portanto, quando a estrutura social existente deixa de funcionar, a maioria das pessoas não sabe como se abastecer com os meios mínimos de subsistência. Neste sentido, as pessoas que vivem muito mais pobres têm a vantagem de já terem estabelecido vínculos com outros membros da sociedade, produzindo o que não podem pagar. Isto os torna muito mais resistentes ao colapso social.

Exemplo: Ciganos. Orlov descreve uma sociedade extremamente fechada, que rejeita qualquer interação com o Estado e fornece internamente todas as estruturas sociais necessárias. Segundo o autor, a descrição é baseada em pesquisas sobre a sociedade cigana, mas ele não menciona nenhuma pesquisa específica. Entretanto, a sociedade descrita não parece totalmente implausível e demonstra uma certa organização social, que lembra muito os Pashtuns, mas que, ao contrário deles, existe inteiramente em uma sociedade organizada diferente. Embora a sociedade cigana esteja longe de ser ideal, observações interessantes podem ser feitas a partir de sua descrição.

5) O colapso cultural. A crença no “bem da humanidade” está perdida. As pessoas perdem sua capacidade de serem cordiais, generosas, atenciosas, honestas, hospitaleiras, compassivas e caridosas. Mesmo quando as famílias se desfazem, todos começam a poupar para si mesmos e a lutar pelos poucos recursos restantes, movidos apenas pelo interesse próprio e negligenciando os interesses dos outros. O autor embarca em uma longa análise dos fatores que tornam uma pessoa humana. O que é interessante sobre esta parte do livro é que ele descreve realmente a sociedade capitalista ideal, onde cada um se preocupa apenas com seus próprios interesses. De acordo com os principais ideólogos do “verdadeiro” capitalismo, esta organização social deveria trazer prosperidade a todos os seus membros. O mais valioso sobre esta parte é que Orlov encontrou um exemplo real de tal sociedade e, em nossa opinião, qualquer um que continue a se iludir pensando que o capitalismo pode ser melhorado deve se familiarizar com a descrição desta sociedade.

Exemplo: A tribo Ik. Esta tribo vive em um pequeno pedaço de território montanhoso na fronteira entre Uganda, Quênia e Sudão. Sua organização pública é descrita no livro “Mountain People” (Pessoas das Montanha) pelo antropólogo britânico Colin Turnbull. Omitiremos a descrição detalhada da tribo Ik e sua sociedade, porque a maioria dos leitores provavelmente não acreditará na história. Na verdade, a sociedade capitalista ideal excede até mesmo as expectativas de todos os críticos do capitalismo que conheço.

Em conclusão. Os pontos de vista de Dmitry Orlov sobre a ordem social são os mais próximos da corrente do anarquismo, que defende a organização tribal. Ao longo do livro, o autor argumenta que um pequeno grupo de pessoas ligadas através da família e amigos próximos está mais bem preparado para sobreviver às fases iminentes do colapso. Os principais argumentos para a inevitabilidade do colapso do capitalismo e da ordem social atual são o esgotamento dos combustíveis fósseis prontamente disponíveis no mundo inteiro. Segundo o autor, as enormes estruturas de poder centralizadas conhecidas como estados e impérios são tão ineficientes que não poderiam existir sem energia quase livre. O autor não explica como um tal grupo sobreviverá na sociedade capitalista existente e porque não há exemplos de grupos existentes. De alguma forma, presume-se que uma vez que todos os países do mundo se desintegrarem devido ao esgotamento dos recursos naturais, seu lugar não será ocupado por pequenos senhores feudais locais ou corporações internacionais, liderando seus exércitos privados.

Embora as opiniões de Orlov não coincidam completamente com as dos anarco-comunistas, recomendaríamos seu livro a qualquer um que queira aprender muitos fatos sobre o sistema político e econômico atual. Estes fatos não são apenas coletados pelo autor, mas apresentados de forma compreensível e interessante, com um bom senso de humor e muita ironia.

CM

Fonte: https://www.anarchy.bg/articles/петте-стадия-на-колапса-от-дмитрий/

agência de notícias anarquistas-ana

De que árvore florida
chega? Não sei.
Mas é seu perfume…

Matsuo Bashô

[Espanha] Colectiviza está de volta!

Um fórum social libertário

Este 2022, Apoyo Mutuo Aragón organiza novamente um Fórum Social, desta vez em Monzón (Cinca Medio), nos dias 17 e 18 de setembro. Escolhemos este local porque é um lugar onde foram organizadas coletividades que nos inspiram e nos lembram do que somos capazes de alcançar através da solidariedade e da autogestão.

Inscrições

Como na primeira edição (2021), este fórum é totalmente autofinanciado, portanto, serão desenvolvidas diferentes modalidades de inscrição dependendo das necessidades de alojamento, alimentação, transporte, etc. Isto será listado no formulário de inscrição, portanto você só terá que preencher o que mais lhe convier.

Aqueles de vocês que querem apoiar o Fórum Social, mas não podem participar, podem fazê-lo através dos Vales de Apoio, a partir de 5 euros.

Programa

Colectiviza! girará em torno de cinco mesas, com vários palestrantes em cada uma delas. Confira aqui uma prévia do programa:

https://apoyomutuoaragon.net/vuelve-el-colectiviza

agência de notícias anarquistas-ana

Quietos, no jardim,
mãos serenadas. Na tarde,
o som das cigarras.

Yberê Líbera

Entre plantas e caminhos livres, vamos continuar…

“em nossos jardins se preparam florestas…” – rené char

Como noticiamos em nossa última verve, Peter Lamborn Wilson, inventor de Hakim Bey, morreu no primeiro semestre de 2022. O escritor e poeta antimilitarista abandonou o norte da América durante a guerra do Vietnã, em 1968. Perambulou por uma década no chamado oriente médio, conhecendo antigos bandos de poetas nômades e auxiliando na organização do Festival de Artes de Shiraz, no deserto do Irã.

Bey (Wilson) ficou conhecido, em especial, na ultrapassagem dos anos 1980 e 1990, com as publicações de Zona Autônoma Temporária (TAZ) Caos. Nesta época, ao retornar aos Estados Unidos, associou-se à Autonomedia, editora responsável pela publicação (sem copyright) de parte dos seus escritos. Menos dedicados a uma possível revolução localizada no futuro e mais preocupados em instigar práticas de ação direta no presente, os diversos ensaios do anarquista mobilizaram interessados na anarquia agora, nos instantes.

Contudo, ainda são pouco conhecidos, ao menos em português, as suas mais recentes reflexões. Uma parte considerável deste material foi publicada ainda em seus últimos anos de existência, quando mudou-se da cidade de Nova York para uma área rural às margens do rio Hudson. Distante da cidade, já exposto como Wilson, dedicou-se a processos artísticos e à produção de textos de combate contemporâneo à política e ao Estado.

Nas duas primeiras décadas dos anos 2000, afastado da agitação da maior cidade dos Estados Unidos, o anarquista se deparou com a presença ainda mais marcante de uma sintaxe erigida por construções como “desenvolvimento sustentável” e “turismo verde”, os “cadáveres na boca de corretores imobiliários”, segundo ele. “‘Desenvolvimento sustentável’ – isso significa casas muito caras para idiotas de Nova York com vaga consciência ecológica (…). Falam de agricultura, reclamam muito, mas não fazem nada pelos agricultores familiares (…). Eles estão perfeitamente felizes em ver as antigas fazendas fecharem e construírem McMansões, desde que sejam ‘verdes’, é claro, com talvez um pouco de energia solar para que possam se gabar de como estão quase fora do sistema”, concluiu em uma entrevista.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.nu-sol.org/blog/hypomnemata-258/

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morro alto
sobre o som do mar
o som do grilo

Ricardo Portugal

 

[Chile] Confrontos entre manifestantes e policiais em Santiago

No dia 11 de agosto, diversxs individualidades instalaram barricadas por volta das 8h00 nas imediações do Internato Barros Arana (Avenida San Pablo e Santo Domingo) em solidariedade com xs companheirxs sequestradxs e trancadxs pelo Estado.

Foram registrados confrontos com bombas molotov contra os pacos [policiais] que chegaram com grande contingente. Além disso, o quartel de milicos que fica na lateral do Internato foi atacado.

Esta ação terminou sem detidxs.

PELA LIBERTAÇÃO DXS PRESXS SUBVERSIVXS!

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Frases compostas
no sol que passeia
sob minha caneta.

Jocelyne Villeneuve

[Chile] Nós amamos a música tanto quanto desejamos a libertação total. Manifesto pela liberdade de Marcelo Villarroel

Agosto de 2022.

Nós amamos a música tanto quanto desejamos a libertação total.

Nossas energias criativas assumem esta forma de expressar o vínculo profundo com aqueles que decidem entrar na ofensiva, assumindo o controle de suas vidas para se tornarem os construtores de seus próprios destinos.

Assim, estamos conscientes da luta subversiva e revolucionária, das práticas antiautoritárias ofensivas de resistência ao Estado neste território e das pessoas que o sustentaram com dignidade, sem acomodação ou renúncia, pagando com longos anos de prisão por rebelião e luta contra a sociedade capitalista autoritária chilena.

Assim, neste longo caminho de luta e confronto com o poder, nas trincheiras da criação social-anti-social comprometida, nos encontramos há décadas com o camarada Marcelo Villarroel Sepúlveda como um dos nossos.

Desde o punk político anti-prisão, do rap autônomo anti-yuta, do hardcore consciente e anárquico, do rock transgressivo proletário, do ska libertário e da trova subversiva, do trap kaotiko e das diferentes variantes e kontrakulturas através das quais expressamos uma conexão indissolúvel com todas as lutas dos oprimidos, rompendo com a fórmula mercantil do artista entranhado em seus egos funcionais no mundo nefasto das aparências é que hoje nós expressamos nosso apoio concreto e ativo à campanha pela libertação de Marcelo das prisões da democracia chilena, onde ele esteve por mais de 27 anos em dois longos períodos, e pela anulação das sentenças da justiça militar de Pinochet, que ainda estão vergonhosamente em vigor.

Não podemos conceber que o camarada ainda esteja preso por sentenças proferidas há mais de 30 anos pelos tribunais de Pinochet e sua justiça militar, que é amplamente questionada em nível internacional, e por atos que já expiraram e que correspondem ao momento histórico da luta contra a ditadura.

Apelamos aos combatentes de outrora que conhecem o escopo nefasto da justiça militar e hoje relatam suas experiências para a posteridade a tomar uma posição ativa diante deste absurdo legal típico da política perversa de contra-insurgência do Estado chileno, que procura enterrar nosso camarada sob dezenas de anos de sentenças retorcidas.

Apelamos a todos aqueles que levantam gritos de liberdade, canções de conflito, palavras de guerra e sons para que se organizem e lutem para tomar uma posição ativa e comprometida com lutas reais e de longo prazo como as que estão sendo travadas hoje, buscando a libertação de Marcelo como um caminho de luta coletiva na prisão e nas ruas.

Para estender agora às ruas a solidariedade cúmplice pela anulação das sentenças do processo militar para o prisioneiro subversivo antiautoritário Marcelo Villarroel…!

Prisioneiros de guerra política e social em todos os territórios em luta pela terra e contra o capital fora das prisões agora!!!

-Mundano Metralla / – DLINKIR / -Inkógnito / -Responso Contestatario / -La Trova Punk / -La Oskura Vida Radiante / -Dosmildosis / -ELDOSJOTA (viña) / -SHESHO RAP / -REYERTA / -SELLO AUTÓNOMO / -Tanatos & Dürga / -Luanko / -RapAutonomoPoblacional / -Skarlata & the watones / -Yordan Buendia / -Zin Envace / -Asesinos de Pérezujovic / -Los Solidarios / -Estampatesta / -Afrontar valpo. / -Rabia Latina valpo. / -Colectivo musical La Furia / -Skillstayla. / -Skaldika. / -Sulfato de Mierda. / -Ciclo de cine anticarcelario libertario. / -Sociedad de Resistencia. / -Furia anarcofeminista de Lima. / -Muestra de cine anarquista Lima. / -Maleza (A) hcpunk Bogota. Col. / -Banda Bonnot. / -Nido del cuco. / -Kreación escénika Perras. / -Txerra R.I.P. (Euskadi) / -Golpe a Golpe. / -Medio Libre «La Zarzamora». / -VK (Veneno Ksero) Arg. / -Tam / -Pirómanos del ritmo. / -Elefante gonorrea. / – Irina la loka. / – Sangre de mimo / -Las olas / -Dekapited / -Rara

Tradução > Liberto

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Chuva cinzenta:
hoje é um dia feliz
mesmo com o Fuji invisível

Matsuo Bashô

[Espanha] Encontro e almoço no aniversário da CNT Galiza

Este ano é o aniversário de nossa organização: Em 21 de agosto de 1922, foi fundado o CRG, o antecessor direto da CNT-Galiza, que chegou a ter 40.000 membros na década de 1930.

Para celebrar uma data tão significativa, vamos nos reunir no domingo 21 às 12h30 no Parque de Santa Margarida (A Coruña) numa jornada de confraternização, falar da nossa história e debater sobre o futuro da CNT na Galiza.

Venha e partilhe o seu almoço!

cnt.gal

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cama macia
corpo se espreguiça
nasce o dia

Carlos Seabra

[Itália] Crônica da manifestação antirracista em Civitanova Marche

Ontem, sábado 6 de agosto, como o grupo Mikhail Bakunin – FAI Roma & Lazio, membros do Black Lives Matter Rome e portanto da Coordenação Antirracista Italiana, participamos da manifestação nacional chamada em Civitanova Marche em resposta ao assassinato de Alika Ogochukwu¹.

Era um espaço muito quente, e não apenas do ponto de vista climático, mas também com uma composição muito variada e extremamente heterogênea, com a participação de cerca de duas centenas de pessoas. A marcha estava marcada para começar às 14h, mas meia hora antes, a praça já havia sido aquecida pelas inúmeras entrevistas que os jornalistas estavam prestes a dar à esposa da vítima, aos membros da comunidade nigeriana, ao sindicalista Aboubakar Soumahoro e ao advogado da família Ogochukwu, e pelas diversas declarações que estavam sendo feitas aos poucos, com uma tentativa quase provocadora de um componente significativo da marcha de retirar o tema racista da manifestação. Esta atitude aumentou as tensões internas já previsíveis que explodiram quando a comunidade nigeriana decidiu sair sem esperar a chegada de ônibus de várias regiões da Itália (levando vários militantes da Coordenação Antirracista) e aceitar uma intervenção do prefeito Fabrizio Piarapica no final do ato.

Este forçamento levou primeiro a uma discussão animada entre os vários componentes, depois a uma divisão física, e finalmente a duas marchas com conteúdos temáticos muito diferentes. Assim, enquanto a primeira foi caracterizada pela presença da esposa de Alika e pela intervenção institucional, a segunda (onde estávamos presente), que começou apenas quando a primeira manifestação estava praticamente terminada e o prefeito tinha partido, foi caracterizada por uma forte denúncia do racismo sistêmico e institucional, por uma presença significativa de pessoas racializadas e antirracistas, e por várias intervenções antiautoritárias de microfone aberto.

Os discursos e slogans antirracistas continuaram até a chegada em frente ao local onde Alika foi morto, e a partir daí foram lançadas novas lutas coordenadas e o apelo por um projeto antirracista unido.

Acreditamos que era extremamente importante participar dela porque, além da energia, emoção e força que ela transmitia, várias questões de racismo cultural e institucionalizado foram abordadas, tanto territorial como nacional e internacionalmente. Houve vários testemunhos de muitas partes do mundo e uma participação clara e explícita em processos de auto-organização e coordenação em um caminho antirracista que reflete o trabalho que, como grupo, estamos fazendo há algum tempo.

Com a esperança de participar cada vez mais nos caminhos da libertação da dinâmica do racismo sistêmico e da exploração.

Grupo Mikhail Bakunin – FAI Roma & Lazio

Fonte: https://umanitanova.org/restituzione-della-manifestazione-antirazzista-a-civitanova-marche/

Tradução > Liberto

[1] Ambulante nigeriano morto na cidade costeira oriental de Civitanova Marche. O assassinato ocorreu na sexta-feira (29/07). Alika Ogorchukwu, 39 anos, foi perseguido por um italiano de 32 anos, Filippo Ferlazzo, atingido com sua própria muleta e depois espancado pelo agressor “até a morte com as próprias mãos” enquanto estava no chão.

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Era verde ou azul?
Sumiu num piscar de olhos
veloz colibri.

Teruko Oda

[Espanha] Um documentário escava a vida do guerrilheiro “Santeiro”

Santiago García estreia seu novo filme na quinta-feira (18/08) em Guímara

Por Carlos Fidalgo | 17/08/2022

Foi encontrado morto com um tiro na cabeça, encostado a um castanheiro num dia de neve e depois de ter fugido, horas antes de um tiroteio na casa particular de Fresnedelo, onde estava escondido. Suicídio? Assassinato? Setenta e cinco anos após sua morte, a figura do guerrilheiro anarquista de Fornela Serafín Fernández ‘Santeiro’ é quase tão desconhecida para a maioria das pessoas quanto é controversa para aqueles que ainda se lembram dele. E o documentário Un guerrillero llamado Santeiro, o segundo filme do projeto de recuperação da memória histórica empreendido pelo diretor e roteirista Santiago García, aparece agora com o objetivo de oferecer uma resposta. O filme, que inclui uma dramatização da morte de Santeiro em 6 de dezembro de 1947, estreia nesta quinta-feira em Guímara às 21h00 e já tem agendadas novas exibições em cidades de Fabero a Rivas-Vaciamadrid, incluindo Ponferrada, León, Palencia e Astúrias.

Militante da CNT, o maior sindicato anarquista que já existiu na Espanha, Serafín Santeiro foi um dos que não teve outra escolha a não ser subir às colinas quando, em 1937 e após a queda da frente republicana nas Astúrias, viu que os primeiros ex-combatentes do bando do Governo que se renderam aos rebeldes foram assassinados. García agora seguiu seus passos e deixa claro que nem todos os atos violentos atribuídos a ele no pós-guerra, além da luta armada contra o regime de Franco, podem ser atribuídos a ele. “Não podia estar em todos os lugares”, disse ele ontem. E ele reconheceu que Santeiro é uma figura “difícil de se meter” a fim de contar a história de seus últimos anos.

Un guerrillero llamado Santeiro é o segundo filme da trilogia que Álvarez iniciou com La canción triste de Esteban, sobre o topo de Fornela Ramón Esteban, que tinha sua copla [grupo de canções populares] na época, e que culminará com a lembrança de três mulheres encarceradas, Jesusa, Soledad, e Amalia de la Cruz, namorada do guerrilheiro César Terrón.

Fonte: https://www.diariodeleon.es/articulo/bierzo/documental-escarba-vida-guerrillero-santeiro/202208170333282249347.html

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Antes que algum nome
nos designasse, já rias,
pequena cascata.

Alexei Bueno

[Espanha] Arquivado o processo da Operação Arca

Se passaram três anos desde que, no marco da Operação Arca, naquele 13 de maio de 2019, ocorreram diversas prisões. Naquela manhã, 2 camaradas anarquistas foram presos e levados à sede da Brigada de Informação da Polícia Nacional e mais tarde à Corte Nacional, após buscas realizadas em suas casas e no Espaço Anarquista La Emboscada. Após serem levados ao tribunal, eles foram soltos, mas a investigação ainda estava aberta: a polícia tinha que analisar o conteúdo de seus celulares, computadores, livros, cadernos e outros objetos apreendidos.

Naquela época não sabíamos do que eles eram acusados; nem mesmo sabíamos o nome da operação policial, pois o caso estava sob segredo. Os serviços de informação da Polícia Nacional se limitaram a prendê-los sob a acusação genérica de “terrorismo” e “sabotagem”, sem dar qualquer outra explicação. Um juiz da Audiência Nacional tentou tomar suas declarações cegamente (o que eles se recusaram a fazer), sem informá-los sobre os fatos sob investigação, ou que provas existiam, ou qualquer outra coisa.

Alguns meses depois, o segredo da investigação foi levantado e ficou conhecido que a operação antiterrorista se chamava “Arca” e eles foram acusados de cometer sabotagem em caixas eletrônicos, incendiar veículos de segurança privada, colocar dispositivos explosivos em agências bancárias, vandalizar imóveis, etc. No site da campanha Quemando Arcas (realizada por um grupo de apoio aos dois investigados) é possível ver as mais de 40 ações reivindicadas pelos anarquistas na Internet nos últimos 3 anos em Madri e indicar quais estavam sendo investigadas dentro da Operação Arca e quais não estavam, a fim de entender o contexto que as engloba e suas motivações.

A acusação de terrorismo foi justificada com base na existência de uma ideologia por trás das ações. Grafite, sabotagem e pequenos incêndios seriam considerados mero vandalismo e danos se fossem “hooliganismo” apolítico, mas se tornam extremamente sérios quando há intenção política por trás deles. Estes são os atos de violência mais graves regulamentados no Código Penal. Enquanto isso, o capitalismo condena milhões de seres humanos à pobreza e à precariedade com suas desigualdades e miséria, e os Estados provocam guerras com impunidade. São estas contradições que a campanha Quemando Arcas tornou visível.

Felizmente, no final de junho, o site Quemando Arcas tornou público que a investigação judicial contra as duas camaradas havia sido encerrada. A conclusão do juiz da Audiência Nacional é que, uma vez concluída a investigação (que, lembramos, durou mais de 3 anos), a polícia não tinha provas de que as 2 investigadas tivessem tido qualquer participação na sabotagem de que foram acusadas. “A Operação Arca é uma operação policial antiterrorista com um objetivo claro, para mais uma vez reprimir o anarquismo em Madri”, explica uma declaração no site Quemando Arcas. “Desta vez, o foco foram 2 camaradas que foram presas e libertadas enquanto aguardavam julgamento com medidas cautelares, acusadas de realizar diferentes ações contra bancos, empresas imobiliárias, empresas de segurança, forças do Estado, etc.”.

“Há algum tempo, soubemos que, após três longos anos de incerteza, o caso foi encerrado. Como em outras operações antiterroristas contra o anarquismo no estado espanhol, foi gerada uma história policial difícil de sustentar no nível judicial, mas cujo objetivo é reprimir e desmobilizar.

Pensamos que tudo isso faz parte da estratégia de incutir medo naquelas pessoas que não se calam, que não curvam a cabeça, aquelas que respondem com raiva à sua violência.

Esses três anos têm sido repletos de muitas emoções e ações diferentes. Com sentimentos diferentes para as pessoas que experimentaram o processo em primeira mão e para aqueles que o têm acompanhado. No entanto, se algo o tem caracterizado, é que chegamos aos dias atuais e podemos dizer que não temos medo, que a luta continua, que aquilo em que acreditamos e a amizade que nos une nos conduzirá à anarquia sem remédio”.

A Operação Arca foi a 7ª de seu tipo desde 2014, tendo passado pelas Operações Facebook, Columna, Pandora, Pandora 2, Ice e Piñata antes. Nesses 6 processos judiciais anteriores sempre houve uma série de padrões comuns: os anarquistas eram presos e investigados por serem anarquistas, por utilizarem comunicações seguras (como e-mails criptografados), por realizarem assembleias e por publicarem comunicados nos quais expressavam seu desejo de acabar com um sistema opressivo. Das cinco operações, apenas uma (Columna) resultou em condenações (os anarquistas chilenos Francisco Solar e Mónica Caballero, que foram expulsos da UE depois de passar três anos na prisão). Os demais casos foram arquivados, pois se descobriu que não havia nada contra eles e que os relatórios policiais estavam mais próximos de obras literárias do que de análises conscienciosas. E o mesmo tem acontecido com a Arca.

Fonte: https://www.todoporhacer.org/archivada-operacion-arca/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

o dia abre a mão
três nuvens
e estas poucas palavras

Octavio Paz