8M: Mulheres fortes contra a política da fome e da morte!

O período da pandemia tornou a vida das mulheres muito mais difícil. Esses dois anos de uma complicada situação causada pela COVID-19 e por sua resposta abriu caminhos para a intensificação de nossa exploração, a precarização da vida e o acirramento da violência contra as mulheres. Aproveitando o caos gerado pela peste, os de cima também colocaram em prática uma política de extermínio de direitos, impedindo o avanço de pautas essenciais às mulheres.

O impacto mais profundo se sente na mesa: vivemos uma situação de miséria generalizada, a palavra carestia voltou a nossas bocas quando o custo da comida, do gás e tudo o que é mais básico ficou muito mais caro. A comida acabou na geladeira de muitas casas, o desemprego se intensificou e os poucos trabalhos que restaram pagam mal e têm poucas garantias – muitos não trazem direitos essenciais como o salário mínimo, afastamento em momentos de doença, férias e 13º salário. Quando a fome atinge o povo tão drasticamente, atinge diretamente a vida das mulheres. Muitos lares são mantidos por  mulheres, sendo elas, muitas vezes, as únicas provedoras das crianças. O mesmo agronegócio que exporta soja, incentivado também com dinheiro público, enquanto padecemos a  alta dos preços da comida, envenena nossa saúde e o leite materno com o uso dos agrotóxicos. E isso nos mostra o quanto esse cenário de miséria é produzido pela aliança entre Estado e capitalismo. Assim, somos atingidas triplamente por uma política da fome e da morte e da retirada de direitos.

Quando o desemprego bate mais forte nas mulheres, especialmente quando uma em cada três mulheres negras estão desempregadas, a dependência econômica e junto a ela as agressões psicológicas, morais, sexuais e físicas, passam a fazer parte do cotidiano de muitas. Além disso, com todo o adoecimento, sobrou para as mulheres o trabalho de cuidar. Mais da metade das mulheres de nosso território passou a cuidar de outras pessoas, acumulando o trabalho de prover e pagar as contas, o cuidado da casa e dos doentes. Condenadas a sair para trabalhar sem conseguir se proteger do vírus e ficar o resto do tempo em casa para se afastar da chance de infecção, muitas companheiras mulheres se depararam com a violência e o feminicídio.

A subnotificação desses casos sempre foi grande e piorou ainda mais com o os ataques e o desmonte progressivo do Sistema Único de Saúde – SUS e do Sistema Único de Assistência Social – SUAS, além da dificuldade de acesso à denúncia e às medidas protetivas, dada a paralisação, o despreparo e a ineficácia do atendimento em delegacias especializadas e instituições jurídicas e de apoio. Com isso, sentimos o luto de quatro assassinatos de mulheres todos os dias em 2021, cometidos por seus próprios maridos ou ex-maridos, namorados, noivos, mantendo o Brasil na 5ª posição mundial em taxa de feminicídios.

Desse modo, as dificuldades que nós mulheres – negras, indígenas e periféricas – enfrentamos para viver aumentaram de uma forma alarmante. Ocupadas e assoladas por esses ataques, foi necessário nos mobilizar para sobreviver, para construir redes de solidariedade, apoio mútuo e autodefesa de nossos corpos e de nossas comunidades. Estagnaram nossos avanços em muitas outras pautas, como a luta pela educação sexual; ampliação de acesso a métodos contraceptivos e aborto de gestação; meios de proteção contra a violência doméstica e patriarcal; e a garantia de trabalho e remuneração dignos para as mulheres. Todas essas lutas urgentes para garantir as nossas vidas.

Resistir aos ataques

Este 8 de março anuncia a entrada de um ano difícil e fundamental para a luta dos e das de baixo. Um ano no qual se acirram as tensões políticas e as ameaças de ataques cada vez mais profundos dos capitalistas e da direita conservadora e protofascista, que desejam destruir ainda mais os direitos das mulheres trabalhadoras.

Para este ano, nossa resposta é fincar cada vez mais nossos pés no território e nos espaços sociais das classes oprimidas. É tomar para nós a responsabilidade por nossa libertação, e pela construção e luta por pautas que ampliem nossos direitos. Nosso caminho é a auto-organização, o ombro a ombro, e a rebeldia de quem já busca no hoje a construção de um mundo novo com socialismo e liberdade, e, por isso, necessariamente feminista, antirracista e anticapitalista.

ARRIBA LAS MUJERES QUE LUCHAN!
CONTRA O ESTADO, O CAPITALISMO E O PATRIARCADO!
MULHERES FORTES CONTRA A POLÍTICA DA FOME E DA MORTE!

Coordenação Anarquista Brasileira
Março de 2022

cabanarquista.org

agência de notícias anarquistas-ana

A vasta noite
não é agora outra coisa
se não fragrância.

Jorge Luis Borges

Matagal, Fanzine Sonoro

Salve!

Saiu o primeiro episódio do Matagal, um Fanzine Sonoro sobre Cultura Punk, Anarquismo, música e notícias aleatórias. O programa é totalmente artesanal e feito com uso de softwares livres e muita gambiarra. Para ouvir é só colar no matagal.noblogs.org!

Salud y Anarquia!

Manolo e Dj Ducão

agência de notícias anarquistas-ana

cai, riscando um leve
traço dourado no azul
uma flor de ipê!

Hidekazu Masuda

[Indonésia] SEA Library: Construção do Conhecimento & Resistência no Sudeste Asiático

Por Matt Dagher-Margosian | 31/12/2021

Conversei com a Southeast Asia Anarchist Library [Biblioteca Anarquista do Sudeste Asiático, SEA Library] sobre como seu projeto teve início, sobre o Sudeste asiático e sobre como a organização deve ser local e global para construir um mundo melhor.

Magsalin: Gosto da ideia da The Anarchist Library (TAL) como um lugar para arquivar textos anarquistas que estão em risco de serem perdidos pelo tempo e negligência. De fato, perder-se [por esses motivos] é também um problema da literatura anarquista no Sudeste da Ásia, os textos estão perigosamente espalhados pela internet e por zines impressas seletivamente; sinto um certo horror no fato de que essa literatura permaneça obscura, ou pior, perdida com o tempo, então pedi aos bons bibliotecários da TAL por uma seção no Sudeste asiático no ano passado.

Geralmente, novas bibliotecas em outras línguas são apenas em uma língua — espanhol, francês, coreano, ou qualquer que seja. Isso faz sentido para grandes idiomas que abrangem países (como inglês, espanhol, francês), ou países com uma língua predominantemente homogênea (como a Coreia do Sul e coreano); contudo, o Sudeste asiático é caracterizado por uma diversidade incrível, com mais idiomas do que nações. Algumas línguas do Sudeste da Ásia têm apenas alguns textos anarquistas, então não há sentido econômico em ter várias bibliotecas menores com uma pequena quantidade de textos. Além disso, a diversidade de idiomas significa que um meio anarquista único em um país pode produzir textos em múltiplas línguas. Esse é o caso nas Filipinas, em que anarquistas filipinos escrevem em inglês, tagalo e Bisaya. Diferente de outras bibliotecas anarquistas, queria um lugar que consiga refletir a rica diversidade de idiomas do Sudeste asiático.

Desde o começo do projeto em janeiro, a SEA Library agora conta com centenas de textos em muitos idiomas. Também se tornou um local para traduções originais como em Tieng Vietname. Por exemplo, David Graeber (descanse em poder) agora tem traduções de suas obras em Tagalo, Bahasa indonésio/malaio, Tieng Vietname e tailandês. Estou muito satisfeito com o fato de que vários anarquistas da região utilizam a SEA Library como um local para preservar sua literatura e para enviar suas traduções originais.

Asia Art Tours: Para SEA Libraries, quais eventos históricos ou momentos catárticos do presente sombrio levaram vocês ao anarquismo?

Ringo: Há uma longa história sobre como finalmente decidi ser anarquista, mas o ponto principal são as experiências de vida do povo pobre, ler muitos livros e ver muitos atos hediondos cometidos por grupos fascistas, pelo Estado e pelo capitalismo. Encontrei todos os tipos de liberdade no anarquismo, como indivíduo queer e como pessoa pobre, encontrei um lar confortável.

Magsalin: Tive simpatias progressistas e então libertárias por um tempo, mas essas ideias não entraram no mundo do pensamento revolucionário até que me deparei com a violência estatal em um nível intensamente pessoal. Foi naquele momento que percebi que não pode haver reformas para a prisão e violência estatal, apenas sua abolição. Como um progressista, estava encantado com a descentralização e o socialismo libertário; estava particularmente fascinado com Rojava. De Rojava, encontrei Murray Bookchin, cujo trabalho se baseava na política de Rojava e, de Bookchin, encontrei Ursula K. Le Guin e seu livro The Dispossessed. Ler sobre anarquismo não foi suficiente para que eu me tornasse anarquista, as peças na minha cabeça só se encaixaram quando tive aquele momento de lucidez quando sob a violência do sistema prisional.

Asia Art Tours: Quais problemas os anarquistas no Sudeste da Ásia têm com nacionalistas?

Ringo: Na Indonésia, estamos enfrentando muitos problemas com a repressão. A começar pela sequência de medidas repressivas após a manifestação antimonárquica em Yogyakarta em 1º de maio de 2018 e motins em 2019 em várias cidades, e a prisão de alguns anarquistas por conta de provocações usando grafitagem em 2020, no ano passado. O anarquismo sempre foi bode expiatório, usado como um pretexto da polícia para reprimir muitas manifestações. Anarquistas na Indonésia ainda não são organizados e têm problemas com disciplina e apenas perdem tempo conversando e jogando na internet; ao mesmo tempo, grupos nacionalistas e conservadores religiosos têm se organizado e construído bases de apoio na comunidade. A forte repressão que vem quando o anarquismo brota, o que previne de ser capaz de se desenvolver adequadamente. Penso que uma situação similar também ocorre em países do Sudeste da Ásia.

Magsalin: Nas Filipinas, virtualmente todas as facções políticas são nacionalistas, do Partido Comunista aos partidos social-democratas, até os autoritários de extrema-direita: o nacionalismo permanece sem ser desafiado politicamente. Apenas alguns, incluindo os anarquistas, nas Filipinas articulam o anacionalismo, quem dirá questionar imperativos nacionalistas e suas implicações estadistas. Já os nacionalistas de direita, como aqueles que apoiam Duterte e o dutertismo, seu nacionalismo geralmente atrai nacionalistas de esquerda como o Partido Comunista e o Bloco Macabaiano, que chegaram à mesma conclusão de apoiar Duterte por orgulho nacionalista. Enquanto ambos os blocos oportunistas desmancharam seu apoio ao Duterte, continuam suscetíveis a populistas futuros enquanto continuarem a articular o nacionalismo.

Asia Art Tours: Como vocês veem o projeto SEA Library quanto à luta contra o nacionalismo de fora (tankies) e doméstico (nacionalistas internos)?

Ringo: A SEA Library pode mostrar aos tankies ocidentais que o anarquismo está presente e ativo em países de terceiro mundo. O anarquismo tem um histórico longo na luta por libertação de muitas partes do Sudeste asiático, não é como dizem, que anarquismo só existe na Europa e América do Norte. A SEA Library pode ser um armazém de ideias para a comunidade anarquista em preparo e organização. É claro, grupos nacionalistas são mais problemáticos que grupos online de comunistas ocidentais.

Magsalin: Vejo a SEA Library como um repositório, uma ferramenta para os radicais por toda a região do Sudeste asiático para articular posições libertárias, antipolíticas e antinacionalistas. Também há guias na SEA Library e na English library em como se organizar anarquicamente.

É claro que o Marxismo-Leninismo, depois do colapso da União Soviética, continua em retirada, salvo por alguns lugares em que continuam as guerras do povo, como nas Filipinas e na Índia. Foi apenas recentemente que o Marxismo-Leninismo começou um reagrupamento e montagem de novas campanhas. Sem um poder Marxista hegemônico (e não considero a People’s Republic of China um deles), não vejo tankies internacionais como uma ameaça. Nas Filipinas, contudo, o stalinismo persiste ainda como uma força hegemônica entre a esquerda filipina, eles usaram sua hegemonia para assassinar outros membros da esquerda, como os social-democratas e os Marxistas-Leninistas; neste ano, eles se responsabilizaram pelo assassinato de um organizador trabalhista. Mesmo que tenham se desculpado, não estou convencido que sejam uma força confiável.

Asia Art Tours: Globalmente, com o aumento da censura, autoritarismo e violência estatal, vocês veem na tradução uma forma de guiar e resguardar conhecimento de algum perigo? Face à violência do Estado, como a tradução de um anarquista tailandês para o português, de um anarquista cambojano para o armênio, ou de um anarquista indonésio para o inglês, permite que seu conhecimento e sabedoria sobreviva?

Ringo: Vejo a tradução e o arquivamento de textos como ação importante, tanto quanto outras ações como a organização de comunidades, jogar pedras em janelas de bancos, ou bater em estupradores em comunidades esquerdistas. O trabalho de tradução de um texto dissemina e permite a troca de conhecimentos em comunidades anarquistas de diferentes países […]. Esse trabalho também permite à comunidade anarquista do sul global aprender com o anarquismo ocidental, que são mais letrados por seu privilégio como países desenvolvidos, com melhor acesso à educação e à internet. Ou vice-versa, anarquistas ocidentais podem aprender com anarquistas do sul global que foram até então considerados inexistentes. (Embora na realidade os projetos com tendências anarquistas e antiautoritárias que tiveram mais sucesso foram em países não-ocidentais, como em Rojava, EZLN, Barbacha, Abahlali baseMjondolo etc.)

Vejo muitos anarquistas legais cujas obras não ganham popularidade porque é difícil encontrar traduções em inglês de seus textos, ou por não receberem atenção dos anarquistas ocidentais. Mencionaria, por exemplo, Sam Mbah, anarquistas japoneses como Kōtoku Shūsui, Kanno Sugako e Osugi Sakae, e muitos outros anarquistas asiáticos.

Magsalin: Trabalho de tradução sempre foi difícil, mas muito importante. Errico Malatesta, por exemplo, foi traduzido em dezenas de idiomas, incluindo tagalo, seu conhecimento e sabedoria levado a novos públicos e contextos. Com mais traduções também há novas articulações, interpretações e aplicações. Mesmo que traduções sejam demoradas e difíceis, espero que anarquistas do sudeste asiático se comprometam em fazê-las.

Asia Art Tours: Joy James é uma das vozes mais influentes que já encontrei sobre abolição e policiamento, mas não tenho ideia como seu trabalho (investigando radicais do movimento negro que foram contra o Estado-nação, como George Jackson ou Kathleen Cleaver) se ‘traduz’ quando lido no Sudeste da Ásia.

Quando falamos sobre tradução, a mudança de conteúdo/idioma da obra traduzida a faz menos efetiva para o novo público? Ou o ato de tradução é ‘anarquista’ ao tentar mover o conhecimento para além das fronteiras e encontrar pontos de solidariedade? Por exemplo, ACAB pode ser universalmente compreendido em ambos o Sudeste da Ásia e os Estados Unidos?

Ringo: Sim, na minha experiência traduzindo textos em inglês para Bahasa indonésio, encontrei alguma dificuldade para compreender o significado do texto; por exemplo, o contexto histórico, localização ou nomes de grupos. Às vezes há alguns bons textos de países ocidentais, mas não podem ser aplicados da mesma maneira por conta das diferentes condições no Sudeste asiático, então algumas vezes tradutores anarquistas explicam algumas partes difíceis ou pulam partes irrelevantes; por exemplo, na Indonésia, alguns textos do Bakunin sobre antiteísmo é deixado de lado porque não se encaixa na situação do país.

Magsalin: Traduções equivocadas são sempre um risco na tradução de textos. Famosamente, a querela entre Nestor Makhno e Errico Malatesta foi baseada em trabalhos de tradução ruins, e foi resolvida por meio de várias cartas descobrindo que tinham mais em comum que em desacordo. Apesar disso, penso que esses riscos são aceitáveis em troca de uma ampla disseminação dos textos. Em meu meio, vi tradutores mudarem alguns nomes de empresas de capitalistas notórios para equivalentes locais filipinos. David Graeber, por exemplo, falava um pouco de como pessoas se auto-organizam de maneira anárquica enquanto esperam o ônibus; em tagalo, o ônibus foi substituído pelos icônicos perueiros filipinos. Ou, em outro exemplo, All Cops Are Bad (ACAB) [todos os policiais são bastardos] se torna Ang Kapulisan Ay Berdugo (AKAB; “a polícia é o carrasco”). Penso que esses regionalismos ajudam; como diz um amigo, preserva-se o sentido, não a colocação.

Asia Art Tours: O que vocês recomendariam que diferentes públicos ‘dessem uma olhada’ em sua biblioteca para entender melhor o Anarquismo no Sudeste asiático?

Ringo: Acho que os textos “Anarchism in (insira o nome do país do Sudeste asiático aqui)” [por exemplo, anarquismo nas Filipinas] são bons começos para conhecer a história e o desenvolvimento do anarquismo em países do Sudeste da Ásia. Magsalin escreveu muitos textos incríveis sobre o anarquismo nas Filipinas. Recomendo textos antigos do Dominic Berger, que discutem sobre a nova onda de anarquismo insurrecional na Indonésia entre 2011 e 2013.

Magsalin: Temos uma seção inteira de textos introdutórios, e temos também uma seção sobre a história do anarquismo no Sudeste asiático. Quanto a textos específicos, curti muito o The Age of Globalization: Anarchists and the Anti-Colonial Imagination, do Benedict Anderson, que, entre outros assuntos, lida com as intersecções anarquistas do fim do século XIX e início do século XX nas Filipinas e na Indonésia.

Para os interessados e interessadas, aqui está o link da Southeast Asian Anarchist Library: https://sea.theanarchistlibrary.org/special/index

Fonte: https://asiaarttours.com/sea-library-knowledge-building-resistance-in-southeast-asia/

Tradução > Sky

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/05/21/anarquismo-nas-filipinas-2/

agência de notícias anarquistas-ana

que flor é esta,
que perfuma assim
toda a floresta?

Carlos Seabra

[Ucrânia] “Operation Solidarity”

Como Ajudar

Somos a Operation Solidarity – uma rede de anarquistas trabalhando nos princípios de apoio mútuo e solidariedade.

Operamos localmente na Ucrânia e temos apoio em outros países.

Apoiamos camaradas em diversas situações e tentamos cooperar com iniciativas de base na Ucrânia e nas fronteiras para criar redes de solidariedade.

Como você pode nos ajudar?

Fronteiras

Tentamos encontrar lugares para tantos camaradas anarquistas quanto possível que estão fugindo da Ucrânia com camaradas pelo mundo todo. Nossos esforços são, é claro, abertos a todos e todas!

A situação dos refugiados é incerta. Ainda assim, animamo-nos com toda oferta de transporte e acomodação e tentamos conectar necessidades e as ofertas o melhor que podemos. Por favor, sinta-se livre para entrar em contato e não se dirija às fronteiras sem uma missão clara.

Ajuda psicológica também pode ser útil.

Mas somos também dependentes da demanda: se você organiza estruturas nas fronteiras ou em sua região, por favor nos informe para que possamos conectá-lo quando for possível.

No local

Tentamos apoiar iniciativas de base e auto-organização social na Ucrânia onde conseguimos.

Pessoas com conhecimentos médicos, profissionais de mídia e ONGs – entrem em contato conosco.

Doações

Precisamos de dinheiro para financiar nossas operações. Você pode doar através do link: https://operation-solidarity.org/donate/

Divulgue & seja ativo

A guerra é também uma batalha de propaganda. Divulgue nossos canais e blog onde puder.

É também útil compartilhar informações sobre defesa territorial antifascista e anarquista para rebater a propaganda russa.

Análises mais longas e declarações podem ser encontradas em crimethinc.com em muitos idiomas. Compartilhe-as. Esta análise (escrita logo antes da guerra) é especialmente importante: https://fr.crimethinc.com/2022/02/24/guerra-e-anarquistas-perspectivas-antiautoritarias-na-ucrania.

Ainda: vá às ruas e proteste, faça designs, traduza nossos textos, envie-nos suas fotos de solidariedade! São importantes para manter nossa moral e exercer pressão. Por quaisquer meios necessários.

operation-solidarity.org

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

passeio de madrugada
os meus sapatos
empapados de orvalho

Rogério Martins

[Espanha] 8M: Nem amas nem escravas: anarcofeministas sempre

Como a cada 8 de março, desde a Confederação Nacional do Trabalho estamos incondicionalmente com as lutas anarcofeministas, que batalham pela emancipação da mulher e de todos os corpos, e pela abolição de todas as formas de poder e autoridade. Como todo 8 de março, reivindicamos esta data como o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora.

Como no Dia Primeiro de Maio, uma data histórica internacional para as classes trabalhadoras e institucionalmente reconhecida como “Dia do Trabalho”, o 8 de março foi convenientemente declarado “Dia Internacional da Mulher” pela ONU em 1975. O despojamento de toda uma memória de luta por parte da instituição está sendo completamente bem-sucedido e mesmo em ambas as datas a greve foi banalizada e esvaziada de sentido. Assim como o Primeiro de Maio foi transformado em um feriado de primavera, também o dia 8 de março está a caminho de se tornar uma data de celebração e reconhecimento da lógica institucional e hierárquica que repudiamos. E isto nada mais é do que uma prova palpável de como o poder e as instituições estatais absorvem as lutas revolucionárias a fim de usá-las à sua conveniência e desmontá-las. Cúmplices disso são as organizações que se dizem operárias e sindicalistas, assim como feministas, mas nada mais são do que organizações subsidiadas que respondem aos interesses do Estado capitalista e patriarcal.

Nós, da CNT-AIT, nos opomos de forma frontal àqueles feminismos cujas exigências interclassistas passam pelo reconhecimento das hierarquias que nos são impostas pelos estados, capital e patriarcado. Nos opomos às organizações que, longe de destruir as estruturas de poder que oprimem os seres humanos, lutam para que as mulheres e a dissidência possam ser tão poderosas quanto os homens sempre foram.

Nós mulheres somos um coletivo diversificado e complexo e somos atravessadas não apenas por hierarquias de classe, mas também por hierarquias raciais e coloniais, bem como por outras diferenças estruturais de poder, violações que nos colocam ainda mais à margem deste sistema. Um sistema desumanizador que nos torna precárias, que nos torna invisíveis, que penaliza nossas experiências de vida, que nos marca e nos posiciona sempre na alteridade. Um sistema pelo qual somos sempre conquistadas, matéria prima, objetos de estudo, adoração e pesquisa. Não estamos vinculadas, mas somos sujeitas de nossa história, de nossas reivindicações, de nossos direitos. Somos fortes e corajosas, herdamos milhares de opressões, nossa pele é resistente, nosso caráter é orgulhoso, nossa voz é irada e poderosa. Tornamo-nas resilientes.

Devemos falar de feminismo anticapitalista, antirracista e anti-capacitista para incluir todos os renegades. As flores que crescem no cimento do estigma eterno. Devemos também e simultaneamente falar de transfeminismos, estando conscientes de que são necessárias sinergias para incluir todos os corpos afetivos dentro de uma luta feminista autônoma e anticapitalista. Aqui estamos todos contra o patriarcado, contra a exclusão binarista de qualquer dicotomia. Contra todas as hierarquias. Entretanto, queremos lembrar que as ideias não devem ser mera utopia: primeiro devemos nos desconstruir diante da educação patriarcal, desaprender a programação binarista, os capacitismos, os corporalismos, a atitude, tanto infantilizada quanto infantilizante, condescendente e paternalista, à qual todos temos sido submetidas. As boas intenções não são suficientes, queremos ser autocríticas, queremos levantar dúvidas. Sem suposições supérfluas, recriando o mundo com relações horizontais e igualitárias, livres de autoritarismo, baseadas no apoio mútuo e na solidariedade. O sistema econômico global nos marca mais quanto mais opressões vivemos e compartilhamos. Queremos questionar os direitos “per se” de tudo o que está estabelecido, queremos questionar e deter o assédio, o assédio da mídia, o assédio policial. Acreditamos que é do conhecimento e de uma ética coerente, antiautoritária e anarco-comunista, que rompe com o individualismo, que as mudanças devem necessariamente ser geradas.

Este 8 de março de 2022 também é marcado por uma situação internacional convulsiva: a guerra que está sendo desencadeada na Ucrânia. Uma guerra nascida dos desejos expansionistas de Estados e nações capitalistas e patriarcais que anseiam por nada mais que a acumulação, à custa da desapropriação e da devastação de territórios e comunidades inteiras. Por esta razão, aproveitamos este espaço para nos posicionarmos, a partir do anarquismo-feminismo, contra a guerra e as lógicas militaristas e violentas que nascem no coração dos Estados e de seus discursos patrióticos. A natureza patriarcal das guerras e conflitos armados é bem conhecida, tanto por causa dos papéis a que as mulheres estão sujeitas, quanto pela instrumentalização, objetivação e transformação de seus corpos em ferramentas para devastar o inimigo. Muitos discursos feministas institucionais de hoje fantasiam sobre uma realidade diferente na qual as guerras não existiriam se fossem as mulheres que estivessem à frente dos governos e nos órgãos de tomada de decisão. Eles apelam para a natureza supostamente conciliadora, pacífica e solidária das mulheres e, a partir daí, exigem que tenhamos a mesma possibilidade que os homens de alcançar posições de poder. Que deveríamos ter o mesmo acesso à gestão de empresas e instituições estatais, que deveria haver cada vez mais mulheres na polícia e no exército.

Nós, as feministas anarquistas, rejeitamos isto. Não consideramos que sejamos boas e conciliadores por natureza. Não consideramos que nosso acesso aos parlamentos, empresas, exércitos e forças policiais, dinamite as estruturas de poder. Na verdade, só vamos reforçá-lo, como foi o caso do acesso das mulheres ao sufrágio e ao trabalho remunerado. Rejeitamos e tomamos uma posição frontal contra os discursos feministas que fantasiam sobre os fetiches do poder. Guerras, despossessão, devastação, miséria, exploração, desigualdades, prisões e hierarquias continuarão a existir, mesmo que sejam as mulheres ou qualquer sujeito oprimido que esteja no poder. Porque esse é o problema: o poder. E nada mais esperamos dele do que sua abolição. Para nós, o 8 de março não é uma data para comemorar. Não é uma data para dar flores, para celebrar e nos parabenizarmos pelo simples fato de sermos mulheres. É uma data de luta, de lembrança, de reflexão, de tensão das cordas, de minar estruturas podres, de reafirmar nossos princípios antiautoritários. E não apenas neste dia, mas ao longo de nossas vidas.

Não procuramos reinventar ou melhorar a velha e enferrujada estrutura hierárquica sobre a qual nossa sociedade está historicamente baseada. Não queremos suavizar as correntes que nos subjugam, queremos destruir essas correntes. E sobre suas cinzas, queremos construir um mundo livre de poder, livre de hierarquias, livre de miséria. Um mundo que seja habitável para nós e para todos os seres que habitam o planeta. Estamos nos organizando para esta árdua tarefa. Como diz a anarquista María Galindo: “com uma mão seguramos as urgências, com a outra seguramos as utopias”.

8 de março: Dia Internacional da Mulher Trabalhadora.

Contra o Estado, contra o capital e contra o patriarcado. Contra a miséria e a hierarquia. Contra os exércitos, contra a polícia. Contra a lógica militarista de nações e pátrias.

Nem amas nem escravas: Anarcofeministas sempre, para a emancipação de todos os corpos.

Fonte: https://www.cnt-ait.org/8m-ni-amas-ni-esclavas/?fbclid=IwAR0jExPBJUEmgjWvZfZZrGFR6oQaX-j3uNjDDyhMp-SrWyQMPcqsFkjygK4

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

olhos cheios de sol
tarde por um triz
por hoje estou feliz

Camila Jabur

 

[Espanha] Não à guerra, não ao militarismo. Contra todo o imperialismo, nem Putin, nem Biden.

Perante os acontecimentos arrepiantes resultantes da invasão da Ucrânia pelas Forças Armadas da Federação Russa, não podemos continuar calados. Acreditamos que este é o momento em que devemos elevar nossa voz, a voz do humanismo, acima de qualquer outra questão. E não somos especialistas em geopolítica, nem mesmo amadores; Não somos especialistas em reservas de energia, nem industriais e nem agrícolas. Na verdade, não somos especialistas em praticamente nada, apenas no nosso ofício e trabalho como trabalhadores que somos, e é precisamente isso que acreditamos que nos dá a legitimidade de poder lançar uma arenga vazia de violência e baseada na realidade das pessoas comuns da classe trabalhadora. Porque isto, embora nos digam outra coisa, não se trata de pátrias, nem de territórios históricos, trata-se do capitalismo e do ódio exacerbado deste sistema contra as pessoas, ódio que deriva do desejo de ganhar cada vez mais dinheiro, e cada vez mais poder.

Eles podem nos dizer que o bandido é um ou outro, mas a realidade está sendo muito mais simples: a realidade, mais uma vez, é o que a classe trabalhadora sofre independente de sua nacionalidade: morte, sofrimento, exílio…

Não somos enganados por aqueles que banalizam o fascismo e o nazismo qualificando um ou outro, conforme apropriado, como nazistas ou fascistas. Porque isso é, mais uma vez, o capitalismo. Ninguém que é a favor da guerra é o mocinho dessa história. Ninguém que enche a boca pedindo a morte não serve para nada. É inútil apelar a blocos políticos já desaparecidos, para justificar certas posições. Putin não é comunista. Biden não é um pacifista. E um e outro pouco se importam com a democracia. Na verdade, eles são cortados do mesmo padrão. Ambos atendem, cada um à sua maneira, a oligarquia empresarial. A esse 1% que domina o mundo com seu capital e que tem a audácia de falar dos benefícios econômicos da guerra, ignorando o sofrimento que ela causa.

Povos ucranianos e russos e pessoas de qualquer outra parte do mundo são nossos irmãos; irmãos de classe e a eles nós devemos, por eles levantamos a voz para continuar gritando: NÃO À GUERRA! NÃO AO MILITARISMO! Governe quem governe.

Chega de nos matar para fazer seu negócio sujo. Chega do seu negócio. Nós iremos, a classe trabalhadora, nos levantar para nossa própria emancipação e vamos esvaziar do poder essa turba de covardes e mentalidade criminosa que grita por guerra, sendo incapazes de dar a vida por qualquer coisa ou por qualquer pessoa.

Deixemos de pensar nos termos que o sistema de dominação nos marca e nos impõe e pensemos no novo mundo que podemos construir: livre de violência e onde todos sejamos irmãos. Abandonemos o mercantilismo e a mercantilização da vida. Mas enquanto esse tempo chega, gritemos com uma só voz:

PARE A GUERRA, PAREM AGORA!

NEM PUTIN NEM BIDEN!

NÃO À OTAN!

SOLDADOS DE TODOS OS EXÉRCITOS: DESERTEM!

Fraga, 26 de fevereiro de 2022

CNT-AIT Federação Local de Fraga

Fonte: http://bajocincalibertario.blogspot.com/2022/02/no-la-guerra-no-al-milit

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

A pedra da rua.
Humilham-te sem cessar.
Ah! os pés humanos…

Fanny Dupré

[Itália] Não nos alistamos

A guerra finalmente chegou. Após dois anos de preparação para a guerra, de gritos de guerra, bandeiras e disciplina, o “estamos em guerra” anunciado para a primavera de 2020 finalmente virou uma realidade. A notícia trágica da Ucrânia é o início que buscavam para a militarização definitiva da nossa sociedade.

Guerras são sempre um derramamento de sangue para os explorados e um negócio enriquecedor para os poderosos. Não estamos interessados nas razões da propaganda da oposição dos beligerantes. Os explorados na Rússia, assim como na Ucrânia, Itália ou Estados Unidos, são nossos irmãos e irmãs, seu sangue é nosso sangue. Os governos, os generais, os industriais, os homens de negócios são nossos inimigos, os que orquestram nossa morte e nossa fome.

A expansão arrogante e insaciável de 30 anos da OTAN e a crise interna da Rússia foram a mistura para a situação explosiva em que nos encontramos. De um lado, uma longa lista de precedentes imperialistas como o bombardeamento da Sérvia, as guerras no Afeganistão e no Iraque, apoio de gangues criminais como aquelas no controle da Ucrânia, onde os sindicalizados são queimados vivos; de outro lado, regimes como aqueles de Putin e Lukashenko, que se sustentam pela paranoia de cerceamento e pela nostalgia imperial, onde anarquistas e oponentes são presos e torturados. Face a toda essa sujeira, nenhuma linha de frente é nossa. Nossos inimigos não são os explorados do outro lado da linha de frente, mas todos os que governam, começando pelos dos nossos lares.

Desse ponto de vista, a política italiana mostra sua real faceta e parece ter adotado uma máscara cômica com a qual forças políticas jogam por suas dialéticas. Assim vemos um alinhamento desinibido com a retórica militarista: do Partito Democratico [Partido Democrático], que agora encorpa a maior força sistêmica na nossa sociedade e que não perde a oportunidade de enfatizar seu atlanticismo e europeanismo, à oposição fictícia dos Fratelli d’Italia [Irmãos da Itália], os quais – como recita o hino mais feio do mundo – quando “a Itália chamou” não perdeu um minuto sequer para vestir o capacete da OTAN.

Para reafirmar nosso internacionalismo e nossa recusa em participar nessa trágica farsa, vale lembrar que, se há um “partido russo” na Itália hoje, certamente não é materializado em um resquício stalinista, mas por um negócio duvidoso da Intesa Sanpaolo ou das multinacionais de energia italianas.

Então não temos confiança naqueles que nos arrastaram para esta situação. Isso só pode ser parado pela ação direta do proletariado, por sua insubordinação: no trabalho, como linha de frente, desobedecemos nossos superiores, nós os desarmamos, bloqueamos a produção, paramos a mobilização de guerra. Somos nós que pagamos o preço mais alto pelos jogos de poder dos Estados. É um preço pago por aqueles sob as bombas que estamos pagando também, com o aumento em energia e combustível, e, consequentemente, em todos os produtos de consumo.

São bem-vindas as manifestações ocorrendo em São Petersburgo e em Moscou no momento, assim como os protestos de caminhoneiros na Itália contra o aumento nos preços do combustível: mesmo se não têm consciência disso, aqueles que param o país hoje contra o alto custo de vida são os maiores inimigos da guerra porque já estão fazendo com que a política e a economia paguem o preço e sofram as consequências.

Contudo, para que não sejam movimentos esporádicos, episódicos e reações extemporâneas, é necessário que os explorados de cada país possam dialogar entre si: a internacional é a forma concreta de organização com a qual, na luta, os explorados podem se coordenar e dialogar, assim forçando os Estados a pararem sua máquina de morte.

Anarquistas de Spoleto

25 de fevereiro de 2022

Fonte: https://infernourbano.noblogs.org/post/2022/02/26/noi-non-ci-arruoliamo/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Tangerina cai
e a casca ferida exala
gemidos de dor.

José N. Reis

Democracia, armas e Ucrânia

Quatro dos cinco Estados vencedores da II Guerra Mundial compuseram o Conselho de Segurança da ONU: EUA, Grã-Bretanha, França e URSS (hoje Rússia). A China, o quinto, entrou anos mais tarde. Todos os cinco são os principais produtores e fornecedores de armas do planeta. A OTAN foi criada pelos autointitulados Estados democráticos do Ocidente como possível meio de contenção do avanço do socialismo soviético pela Europa depois da II Guerra Mundial. Houve um tempo em que a China simpatizava com EUA e filiados. Hoje, simpatiza com a Rússia. Ontem e hoje, efeitos da diplomacia. Ontem a KGB apoiava Gorbachev a comandar a reforma soviética em glasnost e perestroika. Hoje, KGB é matriz de Putin. Ontem, Trump e Putin eram próximos. Hoje, Biden e Putin são adversários. Ontem, Rússia e Ucrânia, República Popular de Donetsk e a de Lugansk celebravam o Protocolo de Mink 2014-2015. Hoje, já não existe mais. Putin rompeu no final de fevereiro.

política + diplomacia

Então política + diplomacia + guerra é uma equação constante que tem como resultado as esperadas continuidades do Estado, das empresas de armas, da disputa pelo melhor dos regimes, e hoje também do capitalismo e sua racionalidade neoliberal. Então, entra em cena a Ucrânia. Mexe e remexe: migrações, fugas, indignações, protestos, odes à democracia, condenação do capitalismo dos “populistas”, ou seja, do capitalismo ainda que com deformações, porque o do comandante dos EUA sabe mostrar que a democracia, mesmo quando erra, como com Trump, é capaz de revisão… E a Ucrânia? Desde Lenin e Trotsky a Ucrânia virou algo a ser anexado pela URSS dos socialistas, como resultado da invasão alemã e austríaca em 1918. Eles ficaram com a Ucrânia, baniram Makhno e sumiram com xs anarquistas. Hoje, com capitalismo, a Rússia quer permanecer com a Ucrânia. Os EUA querem OTAN e democracia como a sua para o planeta… E dá-lhe exercícios de guerra. E os soldados ainda creem em pátria. São geralmente pobres, obedientes e serviçais. Matam e morrem por quem manda.

inimigos das vidas libertárias

Na última semana, as forças militares do Estado russo ingressaram no território controlado pelo Estado ucraniano. O avanço dos fardados diz respeito aos interesses da autocracia russa, que visa restaurar seu domínio sobre os territórios que, até o início da última década do século XX, estiveram sob a tutela da burocracia socialista comandada pelo Kremlin. Estados do chamado Ocidente, por sua vez, ampliaram, ao longo dos últimos trinta anos, a presença de suas forças de segurança na região, com a finalidade de conter a projeção do Estado russo e assegurar os interesses do seu “mundo livre”. Ou seja, trata-se de garantir interesses de Estados, fundos de investimento, governos democráticos e corporações de todos os tipos. Não se trata de um embate entre “liberdade” e “autocracia”, mas sim entre imperialistas, autoritários, apropriadores, colonizadores e similares. Ao contrário dos democratas de plantão (de esquerda e direita) e dos stalinistas bajuladores do policial que governa o Kremlin, xs anarquistas recusam as dicotomias. Sabem para que servem; para governar. Sabem que todos os envolvidos são seus inimigos.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2022/03/flecheira660.pdf

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Nuvens,
sem raízes
até que chova.

Werner Lambersy

[Portugal] Sobre a invasão russa pelo Estado auto-designado como Federação Russa

Nesta hora triste para o povo ucraniano e para o povo russo, vítimas dos seus governos inconscientes que a uma guerra fraticidada, partilhamos a DECLARAÇÃO DO MOVIMENTO PACIFISTA UCRANIANO:

O Movimento Pacifista Ucraniano condena todas as ações militares provindas dos lados russo e ucraniano no contexto do atual conflito. Lançamos um apelo aos líderes de ambos os Estados e suas forças militares para que retrocedam e se sentem à mesa de negociações. A paz na Ucrânia e no mundo inteiro só pode ser alcançada de forma não-violenta! A guerra é um crime contra a Humanidade. Estamos, por isso, determinados a não apoiar nenhum tipo de guerra e a lutar pela eliminação de todas as suas causas!

(declaração de 25-2-2022 da seção local ucraniana pela organização War Resisters International)

Nesta hora de extrema gravidade para a nossa vida coletiva como seres humanos neste planeta, partilhamos igualmente a posição da Comissão Executiva daquela organização:

“Como membros da Internacional dos Resistentes à Guerra, estamos extremamente preocupados com a guerra na Ucrânia.

A guerra é um crime contra a humanidade!

Apelamos à Rússia para cessar imediatamente todos os ataques e retirar as suas tropas das fronteiras com a Ucrânia.

Apelamos ao povo de Luhansk/Lugansk e Donetsk/Donetsk que deixe claro ao governo russo que deseja determinar seu próprio destino, não à custa da guerra.

Apelamos ao governo ucraniano para que renuncie à resistência militar e, em vez disso, que proclame a resistência civil.

Apelamos ao povo ucraniano para que recuse toda a obediência a um possível novo governo instalado pela Rússia. Isso chama-se defesa social. No caso da Rússia ocupar a Ucrânia, se todos se recusarem a obedecer às suas ordens, em última análise, a Rússia não será capaz de atingir seus objetivos.

Apelamos também ao povo russo e aos soldados russos para que recusem toda a obediência aos atos de guerra do seu governo, resistam de forma não violenta e provoquem o fim do regime de Putin. Isso também faz parte da defesa social.

Apelamos à Rússia, à ONU, à OSCE, à OTAN e a todos os governos para que iniciem as negociações imediatamente.

Apelamos aos países membros da OTAN para que mostrem moderação na sua resposta à agressão russa e não façam o povo russo pagar pelos crimes de sua liderança.

Estamos solidários com o povo da Ucrânia nestes tempos difíceis e apoiamos aqueles que resistem à guerra na Ucrânia, na Rússia e em outros lugares.

Comitê Executivo Internacional dos Resistentes à Guerra

Fonte: https://aideiablog.wordpress.com/2022/03/02/sobre-a-invasao-russa-pelo-estado-auto-designado-como-federacao-russa/

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A fruta aberta
revela o mistério
da raiz: néctar.

Roberto Evangelista

[Alemanha] Intervenções anarquistas contra as guerras, fronteiras e Estados

No domingo, dia 27 de fevereiro de 2022, cerca de 60 pessoas se encontraram para uma demonstração anarquista no Arivati Park/Neuer Pferdemarkt de Hamburgo para tomar as ruas contra a guerra na Ucrânia e contra o militarismo.

Banners com “Pare a guerra! (em russo) – Contra a guerra na Ucrânia! Contra qualquer guerra! Contra qualquer militarização!” foram pendurados e foi proferido um discurso. Um cartaz anarquista antimilitarista foi distribuído e foi tirada uma foto em solidariedade aos e às camaradas anarquistas na Ucrânia.

Em sequência, houve uma manifestação espontânea em direção a Sternschanze, barrada pelos policiais que chegaram no local. Na noite do dia 26 de fevereiro, uma manifestação não divulgada contra a Fortress Europe aconteceu em Hamburg-Ottensen. Cerca de 30 pessoas descontaram sua raiva da situação atual na fronteira polonesa-bielorrussa indo às ruas.

Choveram panfletos na praça Alma-Wartenburg e, em frente ao Haspa (banco local), atearam fogo em uma barricada. Com muitos gritos contra fronteiras e nações, a rua foi tomada com confiança. Os panfletos, sob o slogan “Contra os Estados e suas guerras” em referência à guerra na Ucrânia, criticaram acima de tudo a situação na fronteira polonesa-bielorrussa e se posicionaram contra as fronteiras e Fortress Europe. Antes da chegada dos policiais, os e as participantes já haviam fugido do local.

Hoje em dia é importante fazer com que posições antiautoritárias e antimilitaristas sejam visíveis para a oposição da hegemonia militarista e nacionalista que está se espalhando.

Fonte: https://actforfree.noblogs.org/post/2022/03/01/hamburg-anarchist-interventions-against-all-wars-borders-and-states/

Tradução > Sky

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/22/contra-campos-de-internamento-manifestacao-internacional-na-polonia-em-12-de-fevereiro/

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no tempo do amor
meus sonhos de espaço vazio
mobiliado de fantasmas

Lisa Carducci

[Portugal] Contra o abraço de ferro à Ucrânia. Porque é que os anarquistas lutaram contra o marxismo-leninismo e agora contra o invasor russo.

Hoje a quase esmagadora maioria dos Estados que rodeiam a Rússia e que, em grande parte, integraram a União Soviética são essencialmente anti-comunistas (na sua versão marxista-leninista) e, em muitos casos, claramente orientados para a direita do espectro político. Depois de anos de anexação e guerra imperial por parte da Rússia dos czares, o braço de ferro soviético não foi menos opressor, totalitário e imperialista, o que pode explicar o atual anti-comunismo visceral em muitos destes países, para quem a mudança de regime do czarismo para o bolchevismo pouco significou: a ocupação dos territórios por uma classe dirigente essencialmente russa, a sua subordinação aos interesse e à estratégia de Moscou, a aculturação de muitas das especificidades próprias destes países mantiveram-se ao longo de praticamente todo o século XX.

Há muito que os anarquistas denunciam  o caráter totalitário e imperialista do poder construído pelos bolcheviques sobre a generalidade da população. Logo em 1921 as prisões soviéticas albergaram milhares de presos anarquistas que contestavam e se opunham ao poder autoritário dos bolcheviques, não só sobre os povos da Rússia, mas também dos países vizinhos, como é o caso da Ucrânia onde o exército de camponeses de Machkno teve que enfrentar os exércitos brancos da reação e o exército vermelho liderado por Trotsky. O movimento insurrecional ucraniano foi esmagado nos últimos meses de 1920, de que resultaram milhares de mortos e presos; seguiu-se a revolta dos marinheiros de Cronstadt que lutavam por sovietes livres do controle dos bolcheviques, em Março de 1921. Antes, em Moscou e nas grandes cidades, milhares de anarquistas já tinham sido presos e mortos por desafiarem o poder bolchevique.

A tragédia do que seria o “comunismo real” era já bem evidente por esta altura, como o tinha sido antes para Bakunin e para os seus companheiros da 1ª Internacional críticos de Marx, a quem acusavam de, com a sua ideologia totalitária e sectária, de partido único e “ditadura do proletariado”, estar a criar as condições para que a almejada “libertação dos trabalhadores” se transformasse numa tragédia sem fim, de que as purgas stalinistas, a invasão da Hungria (1956) e da Checoslováquia (1968) pela União Soviética ou o regime comunista de Pol Pot no Camboja, a “revolução Cultural” na China, e alguns regimes inspirados pelo marxismo na África são apenas alguns momentos do terror. Um terror criado por uma ideologia que, praticamente desde o início, fez sua a teoria de que os fins justificam os meios e que para os atingir tudo é permitido, mesmo a mais brutal violação de todos os direitos e da própria integridade do ser humano.

Sabemos que outros regimes, de outras cores políticas, por todo o mundo, praticaram crimes de guerra e crimes contra a humanidade. O nazismo e o fascismo foram, também no século passado, regimes totalitários, criminosos – como o são hoje algumas ditaduras apoiadas pelos Estados Unidos e pelo mundo ocidental para quem o mais relevante é o controle dos recursos naturais. Antes a Inglaterra, a França, a Bélgica, Portugal, Espanha, entre outros, também desenvolveram políticas imperialistas, criminosas, com recurso ao saque dos recursos naturais, à redução dos indivíduos a simples objetos transacionáveis e utilizáveis conforme os interesses dos Estados e das suas estratégias comerciais.

Mas nada desculpa os crimes do chamado “mundo comunista” que destruiu, talvez para sempre, a esperança e a utopia criadoras que, para as gerações anteriores à nossa, significava a palavra socialismo: uma terra sem amos, sem guerras, sem messias, deuses, chefes supremos, a Internacional sonhada por milhões de trabalhadores em todo o mundo e cuja letra foi escrita por um anarquista, Eugène Pottier. Uma palavra e um sonho despedaçados sob a bota militar de Lenin, Trotsky e seus seguidores.

Hoje a Rússia não é comunista – os crimes do comunismo afastaram também os russos da ideologia bolchevique -, mas o imperialismo que sempre a caracterizou mantém-se intacto, fazendo que os países à sua volta continuem a temer o braço de ferro do “irmão russo” que tantas vezes os violentou ao longo da história e, contra natura, a pretenderem aderir à OTAN – uma força beligerante, militarista e que se comporta como o braço armado dos Estados Unidos, outra potência imperialista – para se defenderem desse abraço de urso de Moscou.

A Ucrânia é um destes países e a invasão russa veio-lhe dar razão. A agressão de Moscou, seja qual o ponto de vista que se queira usar – mesmo que tenha havido provocações anteriores, nomeadamente contra as minorias russas, poderia ter justificado uma presença militar russa nos territórios ocupados pelos separatistas, mas nunca este crime de guerra contra um povo com uma capacidade militar muito inferior mas que, como se tem visto, tem sabido defender a sua terra, as suas casas, a sua cultura contra o invasor, como antes já o tinham feito Makhno e os seus companheiros face aos exércitos de Lenin e de Trotsky. Com coragem e determinação.

L. B.

>> Foto em destaque: Grupo anarquista de defesa de Kiev (fevereiro de 2022)

Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/03/03/contra-o-abraco-de-ferro-a-ucrania-porque-e-que-os-anarquista-lutaram-contra-o-marxismo-leninismo-e-agora-contra-o-invasor-russo/

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nuvem de mosquitos
o ar se move
vento nenhum

Alice Ruiz

Lucía – revista feminista de cultura visual e tradução | Pré-venda Cartaz A4

A artista argentina Pilar Emitxin é a convidada de Lucía — revista feminista de cultura visual e tradução. Ao comprar o cartaz que é a impressão da arte da capa em formato a4, você apoia o trabalho de Emitxin e da Tenda de Livros.

Conheça Lucía — revista feminista de cultura visual e tradução.

Para edição de número 2 que será lançada no dia 8 de março o tema escolhido é Letra, letreiro e letramento. O encontro com a leitura do texto escrito e do texto visual passa por um letramento sendo vinculado a um contexto social, político e cultural.

A promoção vai até dia 08 de março

Os envios serão feitos a partir do dia 15 de março

>> Mais infos:

https://tendadelivros.org/loja/produto/cartaz-a4-lucia-2/?mc_cid=0b955b2437&mc_eid=8caea939b8

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com um traço
a desenhista faz
o vôo do pássaro

Eliakin Rufino

“Interseccionalidade, uma leitura anarquista”

 

O próximo encontro do Grupo de Estudos de Anarquismos, Feminismos e Masculinidades, do Centro de Cultura Social, será dia 05 de março, sábado, das 16h às 18h, no formato online. O texto base para a conversa será “Uma leitura anarquista da interseccionalidade”. Para acessá-lo e também se inscrever (até dia 03/03) e receber o link da sala virtual, entre em tinyurl.com/050322. Os encontros do grupo são livres para todas as pessoas e não são gravados. Teremos intérprete de Libras. Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapitalismo e não partidarismo. Não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

Grupo Estudos Anarquismos, Feminismos Masculinidades

FB: https://www.facebook.com/events/1370984713324567

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Noites sem cigarras –
qualquer coisa aconteceu
ao universo.

Serban Codrin

[Alemanha] Anunciando uma nova distribuidora de livros anarquistas multilíngues

Rupture – Distro de livro anarquista multilíngue

rupture.noblogs.org

A paixão pela liberdade, assim como a firmeza de recusar qualquer tentativa de comercialização, nos levou a criar este espaço para acolher um catálogo de livros de diferentes editoras anarquistas. Escritas ou traduzidas, editadas e impressas de forma autônoma, essas publicações visam dar uma referência concreta e coerente às análises, histórias, lutas e experiências que alimentaram e continuam a nutrir nossa projetualidade anarquista.

Nossa seleção não será exaustiva, mas aumentará gradualmente. Não se encontrará todos os títulos da herança anarquista, pois não é nossa intenção aqui criar um supermercado de ideias, teorias ou perspectivas anarquistas – não necessariamente porque não estejamos interessados ​​em todas as formas que isso pode assumir, mas porque estamos apaixonado pela ideia, proposta e prática de subverter sem demora o mundo da autoridade. A liberdade que buscamos obstinadamente é contrária a qualquer estratégia política, desconfiada do consenso democrático e refratária à submissão. Assim, esta seleção, disponível a todos, carrega a intenção explícita de propor, aprofundar e refinar a prática anarquista que visa a revolta social, sem mediação, sem concessões, sem nada a oferecer para a reforma deste mundo.

Em um momento em que as perspectivas de revolução social parecem congeladas em um mar de confusão deliberada, medo resignado, catástrofes calculadas, colonização tecnológica e histeria autoritária, relançamos, ainda mais obstinadamente, as palavras desses livros sobre e para a luta, para convidar seus leitores a navegarem para novos e desconhecidos horizontes de liberdade, autonomia, solidariedade, conflito, alegria.

Esta distribuição de livros oferece publicações em inglês, holandês e alemão, disponíveis para pedidos únicos e para outras distribuições.

Pela anarquia!

Tradução > JB

agência de notícias anarquistas-ana

foi ao toalete
e cortou os sonhos,
a gilete

Leila Míccolis

[Espanha] 8M. As mulheres trabalhadoras estamos esgotadas. E estamos fartas

Fartas de suportar plenamente e sem recursos a responsabilidade dos cuidados. Fartas da divisão sexual do trabalho que feminiza setores convertendo-os em mais precários e invisíveis (limpeza, alimentação, sóciosanitário, educação, etc.), apesar de serem imprescindíveis para a engrenagem deste sistema.

Já são 2 anos de gestão da pandemia da Covid-19, e neste tempo se demonstrou uma e outra vez que cada crise nos golpeia duramente as mulheres.

Estamos esgotadas e fartas porque seguimos sem ver nenhuma mudança que acabe com a brecha salarial, porque continua se agudizando a precariedade e a falta de contratação das mulheres. É um fato que as mulheres tiramos mais licenças não remuneradas para nos encarregarmos dos cuidados e que somos nós as que, em caso extremo, decidimos não nos incorporar ao mercado laboral para atender as pessoas que dependem de nós. Desde o inicio da pandemia, o número de mulheres nesta última situação aumentou em 150.000.

Tudo isto, além de nos esgotar, nos empobrece.

O teletrabalho, que parecia a solução no âmbito laboral ante a pandemia, nos mostrou a outra face da moeda, dado que o assumimos mais nós que os homens e isto acentua nosso trabalho como cuidadoras e afeta a nossa promoção. É importante ver que aqui não só há brecha laboral, mas que existe uma brecha de classe. E isto, também nos esgota.

A parcialidade nos contratos é muitíssimo maior em mulheres que em homens.

Somos nós as que nos encarregamos com a maioria dos trabalhos relacionados com os cuidados e nos vemos na necessidade de reduzir nossa jornada laboral para nos tornarmos responsáveis de trabalho não remunerado. Além disso, do total de mulheres ocupadas, a porcentagem mais alta (29,0 %) corresponde à ocupação dos serviços de restauração, pessoais, proteção e vendedores. Socialmente, se conhece que estas ocupações não só estão feminizadas, mas que também são objeto de fraude na contratação: jornadas parciais que de forma efetiva são jornadas completas, etc.

A maioria das mulheres migrantes residentes está desempregada ou não contam com contrato laboral regularizado, e são muitas as que se encontram em situação administrativa irregular. Há que acabar com a exploração laboral a que estão submetidas estas mulheres, que não denunciam por medo de serem expulsas, e exigir ao Governo sua regularização.

O Regime Especial de Empregadas Domésticas é escravista, sem direito a auxílio por desemprego, sem acesso à lei de riscos laborais. A demissão é sem aviso prévio nem indenização, sem contar a impossibilidade de pedir folgas nem licenças por medo à demissão. Tampouco existe o direito de readmissão como ocorre no resto dos setores.

Não podemos esquecer o maltrato e abusos que sofrem as empregadas em alguns locais de trabalho.

O que dizer do assalto a nossas pensões. O engodo que nos vende o Governo “mais progressista da história“, junto com os ministérios sindicais, não é mais que a fraude do reajuste de pensões e um passo a mais na privatização do sistema público de pensões. Quando milhões de lares subsistem a duras penas com a pensão de uma mulher, seja aposentada, viúva ou por invalidez; ao invés de utilizar o IPC interanual (5,6 %) para o reajuste, tomam o IPC médio (2,5 %). E não só este ano, esquecemos-nos de recuperar o nível perdido nos últimos anos.

Faz-se o mesmo nos convênios: que aceitemos polvo, como animal de companhia.

Não pensam aumentar o coeficiente da pensão por viuvez, que deveria ser 100%, mas a muitas não se chega a reconhecer nem 60%, o que é seguir na miséria.

A outra agressão ao sistema público de pensões são os planos privados de empresa. Equivalem ao desligamento dos convênios, mas pior: debilitam nossa capacidade de negociação, escapam do controle público, poderão ser corrompidos e diminuem a renda no sistema.

Todas somos ou seremos pensionistas.

Para ter uma pensão digna há que começar hoje, lutando por nossos direitos coletivos, contra as discriminações que dificultam a independência econômica e denunciando que este calvário laboral se traduz em uma pior pensão. Avançar é tomar consciência de que o problema das pensões das trabalhadoras deve estar unido ao resto das condições laborais e vitais que se mantêm.

E, como se fosse pouco, a gota que transborda o copo: uma nova “reforma laboral” na qual nada muda para nós: a temporalidade segue sem se resolver, apesar de que queiram maquiá-la, chamando “indefinidos” a contratos que permanecem atados a uma natureza temporária, e sem tocar as causas das demissões nem as indenizações. Tampouco se resolve a questão dos subcontratos e a externalização de trabalhadoras, cujas consequências vão padecer setores tão precarizados como o das kellys.

As desigualdades e discriminações que sofremos as mulheres são estruturais e são consequência direta do atual sistema capitalista e patriarcal, que utiliza a violência e todos os recursos a sua disposição para manter a ordem social imposta, e assim, conseguir que as estruturas do sistema e suas relações de poder sigam intactas.

Estamos esgotadas, estamos fartas e, sobretudo, estamos organizadas.

Para fazer frente às desigualdades que devemos enfrentar a cada dia, nos tornamos fortes com a CNT.

Somos conscientes da realidade que nos rodeia, sabemos das dificuldades com as quais nos enfrentamos para sobreviver dentro do sistema atual; sobreviver ou malviver, porque para muitas mulheres, o dia a dia é pura sobrevivência.

Queremos ter vidas dignas de serem vividas, e para isso necessitamos umas das outras. E não só neste Estado: não podemos esquecer que por todo o mundo milhões de mulheres lutam cada dia para mudar as coisas.

Desde aqui, mandamos uma saudação entusiasta e fraternal a todas as sonhadoras e lutadoras que sofrem os rigores da tirania em todo o mundo: as trabalhadoras das fábricas de Myanmar, Bangladesh, Marrocos… As companheiras kurdas, as zapatistas, as afegãs… e todas as que não nomeamos aqui, mas recordamos a cada dia.

Desde nossa diversidade e circunstâncias somos a mesma classe, e nos mantemos unidas.

Somos diversas e por isso pomos em cima da mesa uma proposta para acabar com todo tipo de opressão social, laboral e educativa, porque todas somos igualmente valiosas; somaremos nossas experiências e saberes para fazer frente a todas as desigualdades que sofremos e conseguir uma sociedade mais justa.

Somos mulheres organizadas que lutamos contra a exploração, dando importância aos cuidados, e apoiando-nos umas às outras para a construção de um mundo novo.

Um mundo anarquista, mas, sobretudo, feminista, no qual se reconheçam as fundamentais contribuições que fazemos as mulheres na sociedade, hoje e sempre.

Ante o esgotamento, anarcofeministas em luta.

Una-te à CNT

cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Neblina? ou vidraça
que o quente alento da gente,
que olha a rua, embaça?

Guilherme de Almeida

[Uruguai] 9ª Feira do Livro Anarquista de Montevidéu

Mais uma vez convidamos você para a Feira do Livro Anarquista em Montevidéu-Uruguai. Estamos muito felizes em propor um encontro no qual fortalecemos e aprofundamos a luta incessante contra o Estado, o patriarcado, o capital e contra tudo o que tenta nos dominar. Em um mundo onde o capital se apodera de nosso tempo, da terra, dos demais animais e de nossas vidas, nós o convidamos a discutir e rediscutir, a tensionar ideias, práticas e projetos anarquistas.

Com entusiasmo também anunciamos que estamos abertos à participação das editoras e bancas de divulgação de material anarquista e antiautoritário. Neste sentido, pedimos aos companheiros e companheiras e coletivos que levem em consideração que as bancas sejam exclusivamente para a divulgação de livros, revistas e publicações de ideias anarquistas e antiautoritárias.

Para mais informações:

feria-anarquista-montevideo.info
feriaanarquistamvd@riseup.net

Contra toda autoridade!
Que viva a anarquia!

agência de notícias anarquistas-ana

escreve
a tinta se esvai
o mar se expande

Seferis