[Espanha] Lançamento: Café Combat. Laureano Cerrada, anarquista e falsificador

Café Combat é um livro sobre Laureano Cerrada, não sobre a guerra civil espanhola nem sobre a história da CNT francesa. É uma investigação forjada durante mais de 15 anos de pesquisa através de fragmentos de livros, jornais, registros policiais além de imprescindíveis relatos orais. Café Combat abre o debate sobre ilegalismos, ações clandestinas e a atuação de alguns anarquistas espanhóis durante o exílio na França. Com o passar dos anos este trabalho sofreu revisões, surpresas, longas pausas e convulsões, é uma obscura e turva história subterrânea, apesar disso, este texto não vai contra o anarquismo nem tampouco pretende recordar suas importantes conquistas sociais, culturais e pedagógicas e sim reconhecer este homem incômodo, complexo e contraditório sobre quem ainda hoje pesa um grande silêncio.

Café Combat. Laureano Cerrada, anarquista y falsificador

Miguel Sarró “Mutis”

Editora: LaMalatesta

ISBN: 9788494785641

Páginas: 184

Tamanho do livro: 21×12

12,00 €

lamalatesta.net

Tradução > Mauricio Knup

agência de notícias anarquistas-ana

Ufa! que parece
que a gente vai caminhando
com o sol às costas!…

Jorge Fonseca Jr.

[EUA] O correio está chegando até Eric King; Julgamento marcado para 14 de março

Relatório sobre a proibição de correspondência do prisioneiro político anarquista Eric King sendo suspensa enquanto ele se prepara para seu próximo julgamento em meados de março.

Eric está muito feliz por voltar a receber correspondência e saber de seus amigos! Está fazendo com que ele se sinta forte e pronto para vencer em março e acabar com esses três anos e meio de inferno. Sentar-se indefinidamente em segregação pode realmente atrapalhar a máquina de preparação do julgamento. Ele ficou um ano e meio sem seus óculos. Ele sobreviveu a 18 meses de restrições de comunicação. Ele sobreviveu a tantas coisas colocadas em seu caminho. Mas, além da sobrevivência, ele está pronto para dominar em março, quando finalmente tiver seu julgamento. Ele quer enviar amor e agradecimento a todos e disse que está emocionado em receber notícias de todos.

O julgamento é dia 14 de março

Quem estiver procurando mais maneiras de ajudar, pode doar para seus advogados do Centro de Defesa das Liberdades Civis e apoiar seus esforços de defesa legal doando aqui (https://cldc.org/donate/). Por favor, indique sua doação no site “Defesa legal de Eric King”. Esses fundos cobrem transporte, moradia, transcrição, depoimento e taxas de arquivamento. Por favor, doe se você puder.

Escreva para Eric:

Eric King 27090045

FCI Englewood

9595 w Quincy Avenue

Littleton Co 80123 – EUA

Tradução > JB

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Oh cruel vendaval!
Um bando de pequenos pardais
agarra-se à relva.

Buson

[Espanha] Segunda declaração da CNT contra a guerra na Ucrânia e o militarismo

Ante a agressão militar que se vive na Ucrânia, desde a CNT emitimos a seguinte declaração:

Faz uns dias assinalávamos que o conflito interestatal criado e sustentado no leste europeu responde unicamente aos interesses das minorias que controlam os recursos. Neste desgraçado baile belicista se misturam as ameaças da OTAN, a mobilização militar russa no interior da Ucrânia e atrás das cortinas, China, a UE e EUA, que instiga, mas não sofre as consequências em seu solo.

Já víamos como a vida se encarecia, enquanto as oligarquias internacionais disputavam sua hegemonia e agora, também, a classe trabalhadora europeia inteira, não só somos seus reféns econômicos, mas as vítimas físicas do militarismo galopante.

Os Estados, a serviço da oligarquia, disparam e nós sempre temos que perder, ganhe quem ganhe.

Que o conflito na Ucrânia tenha subido de nível produzirá mais morte e miséria, mas não só nesta terra, mas em toda Europa, porque o maior investimento em gastos militares reduzirá o financiamento das necessidades básicas, como saúde, educação, pensões, energia, transporte… Que também custarão vidas e qualidade de vida.

Não são menos fascistas uns que outros, não nos equivoquemos. Todos subjugam, coagem e exploram.

Exigimos o desaparecimento das organizações militares que criam insegurança à população e o desmantelamento de suas estruturas.

Convidamos a classe trabalhadora a organizar-se contra o militarismo e pelo desaparecimento de todas as organizações militares do mundo.

A guerra não é contra a Ucrânia, é contra a classe trabalhadora.

Ganhe quem ganhe, tu perdes.

A classe trabalhadora deve dizer: Não à guerra!

www.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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tocar sobre teu corpo
ao silêncio das estrelas
um acorde de guitarra

Lisa Carducci

[Itália] Terrorismo de Estado

Putin começou sua guerra relâmpago para reconstituir o império russo. O Ocidente, liderando os EUA e a Europa, fez de tudo para aumentar a tensão. O estado ucraniano, por sua vez, deu ao seu povo pão e pátria, pouco do primeiro, tanto e perigosamente tóxico do segundo. A mídia nos encheu de análises de todo tipo, razões históricas e econômicas, para justificar esta ou aquela escolha, esta ou aquela formação.

Poucos falaram sobre os motivos das vítimas de todos os tempos, os últimos, os trabalhadores russos e ucranianos, separatistas ou nacionalistas, homens e mulheres que nestas horas vivem o mesmo cenário de guerra vivido por seus avós no passado pela invasão da Itália fascista ou da Alemanha nazista, ou ligada à miséria da fome sustentada pela Rússia stalinista. As centenas de mulheres imigrantes na Itália, que cuidam de nossos entes queridos não autossuficientes, mesmo de longe, sentem e denunciam o horror dessas horas de guerra. Nas redes sociais seus depoimentos falam de:

Um país isolado do bombardeio […] já não há mais suprimentos […] as pessoas fogem para o campo […] eles deixam suas casas que são imediatamente saqueadas […] uma imensa tragédia […] a informação que chega até nós é distorcida […] a realidade é terrível“.

Depois da carnificina nas regiões da ex-Iugoslávia, a Europa é mais uma vez o palco de guerras onde o terrorismo dos Estados, o lucro dos mercadores, a cultura do ódio são mascarados por trás de mil mentiras patrióticas e econômicas espalhadas com ambas as mãos. Como sempre, os mais fracos pagarão as consequências. Diante de tudo isso, não basta rezar pela paz, apelar à diplomacia ou pleitear a deserção da guerra. Devemos denunciar as políticas belicistas e apelar a uma possível solidariedade entre os explorados.

Recuse armas e compartilhe a segurança de um lar, uma refeição, um amor, uma cura. A solidariedade mais imediata que podemos dar àqueles que sofrem com o terrorismo político dos Estados é lutar contra aqueles que nos governam, responsáveis ​​em vários graus, por esse mesmo terrorismo, especialmente quando os gastos militares não sofrem cortes como saúde, escola, segurança social.

Estamos com quem sofre as guerras e nunca com quem as faz.

Lutamos contra guerras, guerreiros e belicistas.

Todas as guerras contra nós. Nós, contra todas as guerras.

FAI – Federação Anarquista Italiana | seção “F. Ferrer” – Chiaravalle | seção “M. Bakunin” – Jesi

Alternativa Libertária / FdCA | seção “S. Francolini” – Fano / Pesaro

Grupo anarquista “Kronstadt” (sem teto) – Ancona

Valcesano Anarchica

Clube “O. Manni” – Senigallia

Tradução > GTR@Leibowitz__

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Ruído de chinelos
No quintal do lado –
Mas que calor…

Paulo Franchetti

[Portugal] As suas guerras. Os nossos mortos.

Queremos acreditar que as nossas posições sobre o que se está a passar na Ucrânia serão claras para a maioria dxs leitorxs do Jornal MAPA, mas, para o caso de não serem, aqui vão:

Estamos contra esta guerra. Nem Putin, nem Otan. Antimilitaristas, não tomamos campo entre quem bombardeia, seja o exército ucraniano sobre Donbass, sejam os mísseis e tanques de Moscou sobre a Ucrânia. Tomamos partido, sim, por quem sofre a força bruta dos nacionalismos, por quem sai à rua com a coragem para deixar claro que os povos têm outra maneira de se relacionar.

Pessoas na Ucrânia, antiautoritárias, antifascistas, ativistas LGBT, algumas das quais mantêm projetos de mídia independentes, pedem a nossa solidariedade enquanto combatem a invasão nas ruas. E ao mesmo tempo sempre disseram #FckZouaves #FckAzov #FckImperialism. Para os que escrevem que “os movimentos da praça de Maidan em 2014 foram de extrema-direita, financiados pela CIA”, aconselhamos a leitura do texto “Guerra e Anarquistas: Perspectivas Antiautoritárias na Ucrânia”, escrito em coletivo e publicado no CrimethInc. pela primeira vez a 15 de fevereiro de 2022, que dá conta da complexidade e da participação de antifascistas nas lutas que derrubaram o governo da altura. Rejeitamos a propaganda de que “são todos nazis”, como afirmam Putin e os seus simpatizantes. Essa que diz que “o meu imperialismo é melhor que o teu”.

Repetimos hoje as palavras que William Sands escreveu para o Jornal MAPA em 2015: “Simplificar a guerra atual na Ucrânia, ou como uma batalha entre os interesses democráticos ocidentais e as aspirações imperiais pós-soviéticas, ou como movimentos políticos neo-fascistas e lutas de libertação nacional, não ajuda à compreensão das verdadeiras causas desta guerra”.

Distanciamo-nos de quem diz coisas como “a Rússia foi provocada e tem direito a retaliar”. Afirmações como esta sugerem um processo de desculpabilização de ações inaceitáveis. O atual governo russo, que desenvolve há anos um projeto imperialista, pretende agora subjugar outro país – bastante rico em matérias-primas como urânio, carvão, gás natural, e grandes produções agrícolas –, ao mesmo tempo que reprime constantemente as vozes dissidentes internas.

Estes mesmos recursos interessarão também a Joe Biden, cujas políticas imperialistas são igualmente reconhecidas. No entanto, ser contra o imperialismo norte-americano não pode significar que se desculpe outro imperialismo. Tal como escrito no texto do CrimethInc.: “O imperialismo russo moderno baseia-se na percepção de que a Rússia é a sucessora da URSS – não no seu sistema político, mas em termos territoriais. O regime de Putin vê a vitória soviética na Segunda Guerra Mundial não como uma vitória ideológica sobre o nazismo, mas como uma vitória sobre a Europa que mostra a força da Rússia.”

Neste momento, seguimos com atenção as situações de Chernobyl e de outras centrais nucleares da Ucrânia, atos bélicos próprios de quem não olha a meios para atingir os seus fins.

A lei marcial imposta na Ucrânia obriga a que todos os homens entre os 18 e os 60 estejam proibidos de sair do país. São aconselhados a pegar em armas e a defender a sua “pátria”. A guerra evidencia que o patriarcado, expresso de forma natural nos nacionalismos e nas disputas pelo poder de Estado, é uma brutalidade para todas as pessoas.

Estamos solidárias com todas as pessoas na Ucrânia que foram apanhadas por uma guerra que não compraram, bem como com a diáspora ucraniana espalhada por vários países. Sabemos que os imigrantes ucranianos que vivem em Portugal se têm encontrado em vigílias nas cidades de Lisboa, Porto e Faro e estamos atentas. Possíveis refugiados/as serão bem-vindxs.

Rejeitamos ainda qualquer russofobia. Expressamos toda a nossa solidariedade com o povo russo, que irá sofrer uma crise sem precedentes, e estamos a seguir organizações de apoio aos detidos em manifestações contra a guerra que tiveram lugar imediatamente em território russo (a imagem em destaque neste texto é mostra a Polícia antimotim russa a prender uma manifestante cuja máscara diz “Não à guerra”.). Ao longo dos próximos dias, iremos partilhar informação sobre projetos de base em vários países da região, que nos inspiram com as suas ações de solidariedade e de resistência.

Esperamos que as nossas palavras não sejam confundidas com outros discursos que acabam por legitimar esta guerra. Após 10 anos de jornal Mapa, queremos que as nossas posições sobre os interesses das classes dominantes e das elites e oligarquias políticas, o militarismo, a Otan e a Europa-fortaleza estejam claras.

jornalmapa.pt

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criado mudo
fica quieto
mas vê tudo

Carlos Seabra

[Rússia] KRAS-AIT contra a guerra

O que se temia, o que se alertava, o que não se queria acreditar, mas que era inevitável, aconteceu. As elites dominantes da Rússia e da Ucrânia, instigadas e provocadas pelo capital mundial, sedentas de poder e inchadas com os milhões de milhões roubados dos trabalhadores, travam uma batalha mortal. A sua sede de lucro e de poder são pagas com o sangue de pessoas comuns, como nós.

O primeiro tiro foi disparado pelo mais forte, mais predatório e arrogante dos bandidos: o Kremlin. Mas, como sempre acontece nos conflitos imperialistas, por trás da causa imediata esconde-se todo um emaranhado de razões repugnantes e mal cheirosas: esta é a luta internacional pelos mercados de gás e a ânsia das autoridades de todos os países para desviar a atenção da população da tirania das ditaduras “sanitárias”; a luta das classes dominantes dos países da antiga União Soviética pela divisão e redistribuição do “espaço pós-soviético”; as contradições globais e de maior escala; a luta pelo domínio entre a OTAN, liderada pelos EUA, e a China, desafiando a velha potência hegemônica, e atrelando à sua carruagem o seu “irmãozinho” do Kremlin. Hoje essas contradições dão origem a guerras locais. Amanhã elas ameaçam transformar-se numa Terceira Guerra Mundial Imperialista.

Seja qual for a retórica “humanista”, nacionalista, militarista, histórica ou qualquer outra que justifique o conflito atual, por trás dele estão apenas os interesses daqueles que detêm o poder político, econômico e militar. Para nós, trabalhadores, aposentados, estudantes, só traz sofrimento, sangue e morte. O bombardeio de cidades pacíficas, o bombardeio em si, a matança de pessoas não têm justificação.

Exigimos a cessação imediata das hostilidades e a retirada de todas as tropas para as fronteiras e linhas de separação que existiam antes do início da guerra.

Apelamos aos soldados enviados para combater a não dispararem uns sobre os outros e a não abrirem fogo contra a população civil.

Nós apelamos a que se recusem em massa a cumprir as ordens criminosas dos seus comandantes.

PAREM A GUERRA!

ARMAS PARA O CHÃO!

Apelamos às pessoas na retaguarda dos dois lados, aos trabalhadores da Rússia e da Ucrânia, a não apoiarem esta guerra, não a ajudarem, pelo contrário, a resistirem com todas as suas forças!

Não à guerra!

Nem um único rublo, nem uma única hryvnia dos nossos bolsos para a guerra!

Faz greve contra esta guerra se puderes!

Um dia, quando tiverem força suficiente, os trabalhadores da Rússia e da Ucrânia exigirão total responsabilidade a todos os políticos e oligarcas poderosos que nos colocam uns contra os outros.

Nós repetimos:

NÃO À GUERRA ENTRE OS TRABALHADORES DA RÚSSIA E DA UCRÂNIA!

NÃO HÁ PAZ ENTRE CLASSES!

PAZ ÀS CASAS – GUERRA AOS PALÁCIOS!

KRAS – Seção da Associação Internacional de Trabalhadores da Região da Rússia

25/02/22

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Não há comida
E as moscas se ocupam
Em fazer mais moscas.

Paulo Franchetti

[Itália] Protesto contra a guerra em Milão

Hoje (26/02), como anarquistas, juntamo-nos ao protesto contra a guerra para reiterar a nossa rejeição do imperialismo do Estado e das coligações contendentes. Através dos transeuntes e troca de palavras com pessoas que se aproximaram curiosamente, comunicamos nossa posição antimilitarista que é de perspectiva revolucionária, de solidariedade e de rebelião contra o alto comando de cada Estado.

Ateneo Libertario Milano

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Pra que respirar?
posso ouvi-la, fremindo,
maciez de noite.

Soares Feitosa

[França] Radio Libertaire celebra seus 40 anos!

Radio Libertaire, criada em 1981, está comemorando seu 40º aniversário. Quase meio século de lutas sociais, cultura e educação popular.

Junte-se a nós nos dias 12 e 13 de março de 2022 na sala Olympe de Gouges, 15 rue Merlin, Paris 11e (Metrô Voltaire ou Père Lachaise) a partir das 10 horas da manhã para conhecer os anfitriões dos programas da RL. E durante 2 dias, participar de debates, desfrutar de espaços de convívio e de exposições, concertos, projeções…

Programa a ser publicado no site da Federação Anarquista.

federation-anarchiste.org

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De manhã, a brisa
encrespa o igarapé
e penteia as águas.

Anibal Beça

 

[Portugal] Os libertários e a invasão da Ucrânia

Por M. Ricardo de Sousa| 25/02/2022

“Não existe distinção possível entre guerras ofensivas e guerras defensivas […] Só existe uma guerra de libertação: aquela que em todos os países é feita pelos oprimidos contra os opressores, os explorados contra os exploradores. Nosso papel é chamar os escravos à rebelião contra seus mestres. Propaganda e ação anarquista devem ser aplicadas com perseverança para enfraquecer e desagregar os diversos Estados, cultivar o espírito de rebelião e criar o descontentamento nos povos e nos exércitos.” – Manifesto Anarquista Contra a Guerra, 1915

A posição tradicional dos anarquistas em relação aos conflitos internacionais é do anti-militarismo e da oposição às guerras entre os Estados. Foi assim na Primeira Guerra Mundial e na Segunda Guerra Mundial. Dito isto também sabemos que nos dois casos ocorreram algumas divisões nos meios libertários, incluindo em Portugal, pois alguns militantes conhecidos, e alguns grupos, decidiram apoiar um dos lados do conflito. No caso da II Guerra Mundial, transformada em luta contra o nazi-fascismo, houve até um forte envolvimento dos anarquistas italianos, franceses e espanhóis na resistência armada e nas forças militares convencionais.

Podemos dizer hoje que são compreensíveis os motivos que levaram a isso, mas não altera o fato que foi uma escolha política do mal menor, com todas as implicações que essas escolhas têm. Essas divisões tiveram até consequências negativas por muitos anos no movimento libertário, principalmente no caso da Grande Guerra.

Mais uma vez desencadeou-se um conflito militar internacional na Europa, antes tivemos o da Iugoslávia, e sabemos que os interesses dos Estados e das potências não coincidem com os dos Povos. O discurso histórico e nacionalista russo é uma retórica política para justificar as ações militares; o discurso ocidental da legalidade e do direito internacional serve igualmente para dar cobertura, com algum cinismo, aos interesses geoestratégicos dos EUA e da UE.

Que a OTAN se manteve após o fim da União Soviética e do Pacto de Varsóvia é um fato, que se expandiu para Leste é inquestionável. Que o governo da Ucrânia quer aderir à OTAN ninguém o pode negar…Quanto à natureza autocrática e reacionária do regime de Putin só os idiotas úteis da esquerda leninista o podem negar.

Dito isto repito: os Povos, pior ainda, os anarquistas, têm de escolher um campo? Nem ao diabo lembraria, pois os interesses das classes dominantes e das elites políticos não são comuns com os interesses dos Povos. Temos de ficar firmes na nossa análise crítica e autônoma e não ceder ao debate político, e geoestratégico, e menos ainda à escolha do mal menor.

Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/02/25/os-libertarios-e-a-invasao-da-ucrania/

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flor amarela,
no vaso, vê o mundo
pela janela

Carlos Seabra

[Rússia] Declaração do Food Not Bombs Moscou | “Estamos contra as guerras e os assassinatos de civis”

Nunca nos colocaremos do lado deste ou daquele Estado, nossa bandeira é negra, estamos contra as fronteiras e os presidentes oportunistas. Estamos contra as guerras e os assassinatos de civis.

Ao bando imperial de Putin não lhes bastam os palácios, os iates, as penas de cárcere e as torturas para os russos dissidentes, mas há que dar-lhes a guerra e a tomada de novos territórios. E assim, os “defensores da pátria” invadem a Ucrânia, bombardeando zonas residenciais. Investindo-se de enormes somas em armas assassinas enquanto o povo se empobrece cada vez mais.

Há quem não tenha nada que comer nem onde viver, não porque não haja suficientes recursos para todos, mas porque se distribuem de forma injusta: uns tem muitos palácios, enquanto que outros não tem conseguido nem sequer uma choça.

Para manter e aumentar os lucros em suas mãos, o governo declara guerras. A quem tirarão os seus intestinos com as mãos, a quem lhes arrancarão os braços e as pernas com as explosões, cujas famílias enterrarão a seus filhos? Claro, tudo isto não se aplica à minoria governante.

Devemos resistir com todas as nossas forças ao regime militarista e a guerra que trava. Difunda a informação entre vossos camaradas, luta como podes. Não há mais guerra que a de classes. Solidariedade em lugar de bombas.

Food Not Bombs Moscou

Tradução > Sol de Abril

>> Foto em destaque: Chuguiv, Ucrânia, 24 de fevereiro de 2022

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O brilho do salto
do peixe na cascata,
lâmina de prata.

Luiz Bacellar

[Bielorrússia] Soldado! O inimigo está em Minsk, não em Kiev!

Putin, com suas ambições imperialistas, ameaça invadir a Ucrânia. Lukashenko está pronto para apoiar seu mestre do Kremlin enviando soldados bielorrussos para a guerra em outro país. As tentativas de injetar patriotismo na sociedade bielorrussa, embora passageiras, são muito modestas. Os soldados terão que morrer pelo czar russo.

Mas, como antes, cada soldado tem uma escolha. Mesmo que essa escolha aqui e agora pareça improvável. Em momentos críticos, todos mostramos grande determinação. A guerra da Rússia por influência na Ucrânia não é uma guerra de soldados bielorrussos. O ditador Lukashenko e o imperador Putin são os verdadeiros inimigos dos povos da Bielorrússia, Ucrânia e Rússia.

Eles querem te jogar como carne para as linhas de frente, para mostrar o poder de um homem que nunca aparecerá nesta frente. Coragem e espírito de camaradagem são desconhecidos para ele e sua comitiva.

Soldados, em suas mãos está uma arma que pode libertar você e seus companheiros do derramamento de sangue e da guerra inúteis. Revolta contra os oficiais e os políticos gananciosos. Se alguém deve perecer em todo esse conflito, é a ditadura bielorrussa e o império russo!

Por um mundo sem guerras, ditadores e impérios!

Anarquistas da Bielorrússia

21/02/2022

Fonte: https://pramen.io/ru/2022/02/soldat-vrag-v-drozdah-a-ne-kieve/

Tradução > GTR@Leibowitz__

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Ruídos nas ramas.
Trêmulo, meu coração detem-se
e chora na noite…

Matsuo Bashô

[Rússia] Anarquistas russos contra a guerra do regime de Putin com a Ucrânia

No contexto de uma operação militar em grande escala que começou esta manhã (24/02), é importante notar que os russos não precisam dessa guerra vergonhosa e há alguma oposição no país contra ela. Dada a natureza estritamente autoritária do regime russo, essas ações devem ser elogiadas. Nos últimos dias, dezenas de protestos contra a guerra foram realizados em várias cidades da Rússia – principalmente na forma de protestos simples. E embora sob a lei russa esta forma de ação não exija notificação, a maioria dos protestantes que saíram foram detidos.

Ontem, 23 de fevereiro, foram realizados protestos com a participação de anarquistas em Moscou, Irkutsk e Perm. Pichações anarquistas anti-guerra apareceram em São Petersburgo, e feministas do grupo 8ª Iniciativa realizaram sua própria ação. Algumas outras ações estão ocorrendo em Irkutsk e Novosibirsk.

Ontem, 13 pessoas com cartazes anti-guerra foram detidas em vários lugares de Moscou. Havia também protestantes com cartazes comemorando o próximo aniversário da deportação de chechenos e inguches por Stalin. Apesar dos obstáculos que a polícia montou para os participantes das ações anti-guerra, os anarquistas de Moscou conseguiram distribuir panfletos anti-guerra no centro de Moscou.

Alguns dos detidos de ontem foram mantidos na delegacia de Arbat por mais de 5 horas. De acordo com a prática já estabelecida nos departamentos de polícia de Moscou, seu direito à defesa legal foi restringido e eles foram autorizados a ver um advogado por apenas 30 minutos. Nos protocolos administrativos, nos termos do artigo 20.2, parte 5, os detidos foram acusados ​​de realizar uma manifestação em massa sem notificar as autoridades e gritar palavras de ordem, embora os protestantes estivessem sozinhos e não cantaram nada. Esta também é uma prática estabelecida na Rússia.

Até ex-soldados profissionais que passaram pelo Afeganistão condenaram a escalada da histeria militar e disseram que para a Rússia só poderia terminar com a chegada de caixões da zona de combate.

E, a propósito, os policiais também não disseram nada aos protestantes detidos sobre seu protesto contra a guerra com a Ucrânia – aparentemente, sua perspectiva iminente também não evocou nenhum sentimento patriótico neles.

Hoje, após o início da guerra, dezenas de russos já participaram dos protestos anti-guerra – e as detenções continuam. A petição contra a guerra com a Ucrânia ganhou mais de 100.000 assinaturas em três horas. Estudantes, universitários e professores estão preparando um apelo aberto contra a guerra.

Nas redes sociais, há apelos a todos os que protestam contra o ataque à Ucrânia para se dirigirem às praças centrais das suas cidades às 19h00 de hoje. Em Moscou, uma ação está planejada na Praça Pushkinskaya, e a OMON [polícia de choque] e a Guarda Russa estão se reunindo no centro da capital.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2022/02/24/russian-anarchists-against-the-putin-regimes-war-with-ukraine/

Tradução > J

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agência de notícias anarquistas-ana

no calor da sesta
imóvel, o gato vigia
o vôo da vespa

Jorge Lescano

[Grécia] Ataques em solidariedade aos camaradas do 08/02

No dia 8 de fevereiro, nas primeiras horas da manhã, o camarada Thanos Xatziagkelou e a camarada Georgia Voulgari foram presos por ocasião de um ataque incendiário na Fundação para a Reflexão Nacional e Religiosa e na tarde do mesmo dia, o camarada Panos Kalaitzis foi preso tendo como única conexão suas relações amistosas e de camaradagem com Thanos. Nos dias seguintes, as acusações foram elevadas para formação e filiação à Organização de Ação Anarquista e na sexta-feira, 11/02, o promotor ordenou prisão preventiva.

Como resposta reflexiva e mínima, procedemos com ataques coordenados com martelos em:

1 caixa eletrônico na Rua Agia Sofia no Centro

2 caixas eletrônicos na Rua Agios Dimitrios no Centro

1 caixa eletrônico em Triandria

1 caixa eletrônico no Museu da Guerra

1 banco em Nápoles

1 supermercado e 1 caixa eletrônico em Neapoli

Nós sabemos que o Estado suprime o inimigo interno quando devolve uma parcela da violência do poder e criminaliza conexões amistosas e camaradas.

Ao mesmo tempo, encobre a violência de gênero, o estupro infantil da máfia sagrada e os estupradores proeminentes da elite econômica. Tortura nos porões das delegacias, afoga mulheres imigrantes, assassina trabalhadores e aprisiona combatentes.

Nesta guerra social a posição que assumimos é nítida e é o aguçamento da ação contra o Estado e o capital e o ataque a toda estrutura de dominação.

FORÇA E SOLIDARIEDADE AOS COMPANHEIROS PRESOS EM 08/02

LIBERDADE A TODOS OS PRISIONEIROS DA GUERRA SOCIAL

NADA ACABOU, TUDO CONTINUA

ATÉ QUE NOS ENCONTREMOS NOVAMENTE NOS CAMPOS DE BATALHA

Anarquistas

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1617058/

Tradução > JB

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Sob o alpendre
o espelho copia
somente a lua.

Jorge Luis Borges

[Rússia] Contra anexações e agressão imperial – Declaração da Autonomous Action

Ontem, 21 de fevereiro, houve uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da Rússia. Como parte dessa ação teatral, Putin forçou seus servidores mais próximos a “pedir” publicamente que ele reconhecesse a independência das chamadas “repúblicas populares” da LPR (“Luhansk People’s Republic”) e DNR (“Donetsk People’s Republic”) no leste da Ucrânia.

Claramente, este é um passo para uma maior anexação desses territórios pela Rússia – não importa como seja legalmente formalizado ou não. De fato, o Kremlin não considera mais o LNR e o DNR como parte da Ucrânia e finalmente os torna seu protetorado. “Primeiro reconhecimento da independência, depois anexação”: este cenário já foi praticado na Crimeia em 2014. Isso também é óbvio com as reservas estúpidas de Naryshkin na reunião do SB (“sim, eu apoio a integração desses territórios na Federação Russa”). Como a reunião, como se viu, foi gravada e essas “reservas” não foram cortadas, mas deixadas, a dica é clara.

Em um “discurso ao povo” naquela mesma noite, Putin “concordou” com esses pedidos e declarou o reconhecimento do LNR e do DNR como estados independentes. De fato, ele disse o seguinte: “estamos recuperando o Donbass e, se a Ucrânia tentar fazê-lo, deixe-se culpar, não o consideramos um estado, então reivindicaremos ainda mais”. De acordo com o decreto de Putin, as tropas russas já estão sendo enviadas para LNR e DNR. Este é um sinal claro de ameaça para o resto da Ucrânia e especialmente para as regiões de Luhansk e Donetsk que ainda estão sob controle ucraniano. Esta é uma ocupação de fato.

Não queremos defender nenhuma nação. Somos anarquistas e somos contra qualquer fronteira entre os povos. Mas somos contra essa anexação, porque ela apenas estabelece novas fronteiras, e a decisão de fazê-lo é tomada exclusivamente pelo líder autoritário Vladimir Putin. Este é um ato de agressão imperialista da Rússia. Não temos ilusões sobre o estado ucraniano, mas está claro para nós que não é o principal agressor nesta história – não é um confronto entre dois males iguais. Em primeiro lugar, é uma tentativa do governo autoritário russo de resolver seus problemas internos às custas de uma “pequena e vitoriosa guerra de apropriação de terras”.

É provável que o regime do Kremlin faça algum tipo de espetáculo chamado “referendo” nas áreas anexadas. A DPR e a LPR já realizaram tal espetáculo em 2014, mas nem Moscou reconheceu seus resultados. Agora, aparentemente, Putin decidiu mudar isso. É claro que não pode haver “votos livres e secretos” nesses territórios – eles estão sob o controle de gangues militarizadas que são completamente dependentes de Moscou. Aqueles que eram contra essas gangues e contra a integração com a Rússia foram mortos ou forçados a sair. Assim, qualquer “referendo sobre o retorno do Donbass ao seu solo natal” seria uma mentira de propaganda. Os moradores de Donbass só poderão formular sua decisão quando as tropas de qualquer estado – e principalmente da Federação Russa – deixarem esses territórios.

O reconhecimento e a anexação de DNR e LNR não farão nenhum bem para o próprio povo da Rússia. Primeiro, de qualquer forma, levará à militarização de todas as esferas da vida, ao isolamento internacional ainda mais forte do país, às sanções e à queda da prosperidade. A restauração da infraestrutura destruída e a inclusão das “repúblicas populares” no orçamento também não serão gratuitas – são bilhões de rublos que poderiam ter ido para a educação e a medicina. Não duvide: os iates dos oligarcas russos não ficarão menores, mas a vida de todos os outros ficará pior. Em segundo lugar, a provável escalada do confronto armado com a Ucrânia significará mais soldados e civis mortos e feridos, mais cidades e vilarejos arruinados e mais sangue. Mesmo que esse conflito não se transforme em uma guerra mundial, as fantasias imperiais de Putin não valem uma única vida. Terceiro, há uma nova expansão do chamado “mundo russo”: uma combinação maluca de oligarquia neoliberal, poder centralizado rígido e propaganda imperial patriarcal. Essa consequência não é tão pronunciada quanto o aumento do preço dos alimentos e as restrições aos smartphones, a longo prazo é ainda mais perigosa.

Apelamos para nos opormos à agressão do Kremlin por qualquer meio que você considere apropriado. Contra a tomada de territórios a qualquer pretexto, contra o envio do exército russo ao Donbass, contra a militarização. E no final, contra a guerra. Vá para as ruas, divulgue, converse com as pessoas ao seu redor – você sabe o que fazer. Não fique calado. Tome uma atitude. Mesmo um pequeno parafuso pode emperrar as engrenagens da máquina da morte.

Contra todas as fronteiras, contra todos os impérios, contra todas as guerras!

Autonomous Action (Avtonom)

Rússia, 22 de fevereiro de 2022.

Tradução  GTR@Leibowitz__

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A lua minguante
procura com quem falar
na boca da noite

Ronaldo Bomfim

[Holanda] Manifestação em Amsterdam contra todos os despejos e a repressão do Estado

Estamos convocando esta manifestação como resposta ao despejo da [ocupação] Waldeck Pyrmontlaa, ao processo judicial de nossos camaradas presos, à repressão no protesto habitacional em Leiden e a toda vez que a polícia usa seus meios violentos para proteger os ricos e as estruturas de opressão. Estes despejos rápidos e a repressão policial dizem respeito a todos nós, não apenas aos anarquistas ou aos moradores da ocupação.

Desde os últimos protestos habitacionais, mais pessoas parecem estar perdendo a fé nas abordagens reformistas e nas falsas promessas dos políticos. Ocupar é amplamente apoiado, são chamadas greves de aluguel e as pessoas em todos os lugares estão tomando medidas diretas contra a gentrificação. Políticos de Volt e Groenlinks foram afogados em manifestações e foram incapazes de promover suas falsas promessas.

Lutar por nossas próprias soluções – sem depender do Estado ou fazer exigências do governo é visto como uma solução viável. Como mais pessoas estão adotando táticas e métodos anarquistas de organização, a resposta do Estado parece ser reprimir a situação antes que ela possa se espalhar. Todo um arsenal de táticas é empregado para tentar nos calar, quebrar os laços de solidariedade e afugentar as pessoas.

Desde violência policial em manifestações, despejos, buscas preventivas, envio de informantes e assim por diante. Esta repressão deve ser enfrentada com uma resposta coletiva. Nossa fúria, como nosso movimento, não será contida ou reprimida.

Vamos nos reunir e mostrar nossa ira. Venha preparado, venha em bloco se isso o faz sentir-se mais seguro. Haverá um sistema de som, discursos, uma marcha e bom espírito! Todos são bem-vindos, envie-nos um e-mail com quaisquer preocupações ou perguntas que você possa ter.

25 de Fevereiro, 19h00, Leidseplein, Amsterdam

Nós vislumbramos:

Um mundo sem polícia e prisões
Policiais e câmeras no campus
Refeições gratuitas
Transporte público gratuito para todos
A descolonização da universidade
Cancelamento de todas as dívidas
Moradia gratuita para todos que precisam

Fonte: https://indymedia.nl/node/51588

Tradução > dezorta

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agência de notícias anarquistas-ana

sinos do Centro
o som não vem da igreja
vem de dentro

João Angelo Salvadori

[Espanha] Novidades jurídicas desde o último comunicado público sobre Gabriel Pombo da Silva (Abril 2021)

Com este comunicado, queremos informar sobre a situação legal atual que continua a impedir a libertação do nosso camarada anarquista, apesar de terem passado 2 anos desde a sua prisão (ilegal). A vontade que os carrascos de toga têm para continuar a raptar o Gabriel é evidente. Com quaisquer meios que os seus (quase) ilimitados poderes lhes permitam, abusam deles, demonstrando a sua vontade de continuar a transformar o tempo numa arma.

A tristeza da mensagem legal (que usamos de forma sintética e fria) torna-se força sabendo que o nosso camarada está de muito boa saúde e de bom humor, apesar desta situação, e apesar do tratamento discriminatório que tem sofrido durante meses depois de ter recusado a “vacina” anti-Covid (não lhe é permitido ter vis-à-vis e só pode receber visitas por telefone). Como sempre, passa o seu tempo (nas suas mãos, como nas nossas, o tempo pode também tornar-se uma arma) a ler livros, a receber e a escrever cartas, a dedicar-se a traduções e ao exercício físico e a projetos de liberdade que esperamos que se concretizem o mais depressa possível.

A intercepção de comunicações foi anulada retroativamente (antes do Verão passado, o Tribunal Provincial, com uma sentença final, estabeleceu a “não perigosidade do recluso”). Em resposta, a prisão vingou-se ao negar a segunda licença por “pertencer a grupos armados” (o recurso foi rejeitado com a desculpa do “afastamento da data de cumprimento” – Novembro de 2030-, sem entrar na questão da acusação injustificada e falsa de “grupos armados”.

Note-se o plural. Até que esta data de cumprimento seja alterada, não é possível solicitar outra autorização.

  • A resposta do Supremo Tribunal relativamente à possibilidade de uma revisão para 20 anos deveria ter chegado no Outono passado, mas a procuradora responsável pela tramitação do recurso não o tramitou, o que nos fez perder 6 meses (os esgotos legais do Estado parte 1). O mesmo tribunal restabeleceu o recurso e temos de esperar pelo menos mais 5 a 6 meses.
  • Durante todos estes meses, a juíza Alcázar Navarro do Tribunal número 2 de Girona nunca respondeu ao pedido relativo ao Código Penal aplicado a Gabriel, apesar da prova de que o Código Penal de 1973 lhe está a ser aplicado (caso contrário, não teria sido condenado). No final de Setembro, a juíza Navarro passou o seu trabalho à juíza Fontana Rodríguez de Acuña que, demonstrando a mesma linha da sua colega (atrasando o tempo por saber que tínhamos razão), obrigou-nos a apresentar uma queixa ao Conselho Geral da Magistratura que, finalmente, a aceitou e induziu o tribunal de Girona a responder-nos. O referido juiz negou a acusação de “atraso indevido” e “abuso judicial” dado que “é um tribunal muito ocupado” e que “não foi feito nenhum mal ao Sr. Pombo“. Esta resposta legitimou-nos a recorrer ao Supremo Tribunal, ganhando um dos nossos objetivos: retirar de uma vez por todas o poder de decisão do Tribunal número 2 de Girona. Temos de esperar 4 a 6 meses para que o Supremo Tribunal tome uma decisão final sobre o código penal aplicado a Gabriel.
  • Continuamos à espera que ao nosso camarada seja reconhecido todos os restantes perdões de pena e depois seja libertado por cumprimento dessa mesma pena. Esperando pelo dia em que finalmente se possa ler em preto e branco que o código penal aplicado é o de 1973, fomos em frente e pedimos ao juiz de Vigilância Penitenciária de León parte da respectiva documentação… em resposta, recebemos a documentação “errada” relativa aos perdões já reconhecidos no ano passado. Este “erro de gabinete” (esgotos legais do Estado, parte 2) está a fazer-nos perder ainda mais tempo.
  • O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem rejeitou o nosso pedido de reconhecimento da violação dos direitos humanos (não admira).
  • A notícia deverá chegar brevemente do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem ao qual já apelamos para denunciar a ilegitimidade do mandato de captura europeu emitido em 2019 (ilegal devido à violação do princípio da especialidade, um dos pilares do direito europeu, em resultado do qual Gabriel não poderia ter sido detido).

Gabriel envia um forte abraço cheio de coerência e determinação a todos os combatentes dignos do mundo.

Companheiro, não estás sozinho!

Liberdade para Gabriel!

Todxs livres!

Viva a anarquia!

>> Para escrever a Gabriel:

C.P. de Mansilla de las

Mulas Paraje Villahierro, s/n

24210 Mansilla de las Mulas

León – Espanha

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agência de notícias anarquistas-ana

pérolas de orvalho!
olho e vejo em cada gota
a minha casa-espelho

Issa