A pré-venda de Arte e Revolta começou

Arte e revolta, cujo título em francês é L’art et la révolte, é um opúsculo de 32 páginas e formato 14 × 21 (fechado) com capa em tipografia.

O texto original é a transcrição de uma conferência realizada em 30 de maio de 1896 na Bibliothèque de L’Art Social, no momento de fundação do Grupo L’Art Social (Arte Social). Este era composto por militantes, escritores e artistas que concebiam a arte como elemento de ação direta. O grupo elaborou manifestos e a revista homônima.

Escrito por Fernand Pelloutier, Arte e revolta anuncia o papel da arte e dos artistas na sociedade. No texto, Pelloutier contrapõe a arte social não apenas à arte burguesa, mas também à arte que denomina como “diletante”, ou seja, uma forma de arte sem compromisso político e vinculada apenas ao prazer de fazer arte. Portanto, não se trata apenas de negar o formalismo da arte burguesa e de suas vanguardas, ligadas, naquele momento, ao culto do belo e ao gosto, mas de vincular ética, estética e politicamente a forma e o conteúdo em uma “Arte Social”.

Sobre o autor

Fernand Pelloutier (1867 – 1901) foi um sindicalista, anarquista e jornalista. Pelloutier, assim como Proudhon, dava importância fundamental para a ação direta, bem como para a autonomia, como um processo de emancipação das pessoas trabalhadoras.

O sindicato, para Pelloutier, não é apenas um instrumento de resistência ou uma forma de obter militantes para o processo revolucionário; é um instrumento de transformação, pois almeja construir, ainda no capitalismo, grupos de produtores livres, tendo como horizonte uma sociedade anarquista em que as pessoas têm autonomia e responsabilidade social.

A emancipação é um elemento central do pensamento de Pelloutier e deve ser alcançada pelas próprias mãos das pessoas trabalhadoras. Para ele, não apenas a greve geral era um instrumento para isso, mas também a educação e a arte, vista como arte social. Ao longo de sua vida, contribuiu com jornais e revistas, entre elas a revista mensal L’Art Social.

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agência de notícias anarquistas-ana

lua nublada
no alto da montanha
a solitária árvore

Alonso Alvarez

[EUA] Sem Liberdade! Atualização de Condicional para o Anarquista Michael Kimble

Declaração do anarquista encarcerado Michael Kimble para seus apoiadores e apoiadoras sobre sua rejeição recente para a liberdade condicional. Para mais informações sobre o Kimble e sobre como apoiá-lo, acesse (anarchylive.noblogs.org/support-michael).

De Michael Kimble:

Em 16 de dezembro de 2021, fui considerado para condicional em uma audiência aberta. Fui recusado e ganhei um adicional de 5 anos antes de ser considerado novamente para a condicional. A razão apresentada ao meu advogado e aos meus apoiadores e apoiadoras, que compareceram à audiência em meu favor com certificados de conquistas e as muitas cartas de recomendação, bem como meu plano de emprego que estava em ordem, foi que tive advertências por me recusar a trabalhar e por agressão a um carcereiro que estava me assediando. (O mesmo que foi subsequentemente despedido por contrabando dentro da prisão.)

Meu advogado e meus apoiadores e apoiadoras também estiveram em outras audiências que ocorreram no mesmo dia e afirmaram que ninguém recebeu condicional naquele dia. Algumas dessas pessoas encarceradas tinham fichas limpas, sistemas de suporte etc., mas ainda assim suas condicionais foram recusadas.

Estou amargurado e com raiva sobre essa recusa, mas ela não me surpreendeu de verdade. O Conselho de Liberdade Condicional do Alabama apareceu no noticiário recentemente sobre a recusa de condicional a pessoas em situação de cárcere por 20 a 30 anos ou mais e pela disparidade racial em quem consegue ou não a liberdade condicional. No último ano fiscal, 23% de encarcerados brancos foram considerados para a condicional, mas apenas 9% dos encarcerados negros. No ano fiscal de 2017, 54% dos requerimentos para condicional foram aprovados. Essa é uma taxa alta para o Alabama. No ano fiscal que terminou em junho, a taxa de aprovação foi de apenas 15%. Até agora, no ano fiscal de 2022 a taxa é de 10%. O conselho atual é liderado por Leigh Gwaffney, um ex-promotor. Outros membros incluem um ex-oficial de condicional e um agente estatal. Victims of Crime and Leniency (VOCAL) [Vítimas de Crime e Clemência], um influente grupo de vítimas, manda voluntários para testemunhar contra quase todos os presos que requerem a liberdade condicional. Um representante do escritório da promotoria faz o mesmo.

Apenas 4 de 31 presos tiveram seus requerimentos aprovados em setembro. Apenas 29 presos – representando 8% dos requerimentos – conseguiram a condicional naquele mês. Na verdade não importa o que a pessoa faz enquanto em situação de cárcere para sua reabilitação – eles estão sendo negados. A realidade é que as recusas são sobre vingança, racismo, o alojamento de corpos para controle social, e lucros para o Estado (escravização).

Fonte: https://itsgoingdown.org/no-freedom-parole-update-from-anarchist-prisoner-michael-kimble/

Tradução > Sky

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/09/09/eua-clio-alabama-atualizacao-sobre-a-greve-de-fome-e-o-prisioneiro-anarquista-michael-kimble/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/13/eua-bloomington-libertem-michael-kimble-derrubem-os-muros/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/03/23/eua-prisioneiro-anarquista-michael-kimble-transferido-solicita-apoio-juridico-adicional/

agência de notícias anarquistas-ana

Entre haicais e chuva
Súbita inspiração:
Um trovão.

Sílvia Rocha

[Colômbia] Não ao serviço militar!

Como Sindicato revolucionário, rechaçamos a guerra e a militarização da vida. Portanto, nos somamos a campanha de alerta e denúncia que as companheiras e companheiros da Acción Colectiva de Objetores e Objetoras de Consciencia (Acooc) vem realizando, diante das detenções arbitrárias e o recrutamento forçado (“Batidas”) que vem sendo realizados pelo exército nacional da Colômbia, em Bogotá e outras cidades do país. Rechaçamos a presença de membros do exército no terminal de transportes Neivada e setores populares da cidade #neivahuila

Como jovens trabalhadores filhos de operários, repudiamos qualquer ação arbitrária e irregular com fins de recrutamento de jovens, os quais, em sua maioria pertencem aos setores populares. Quase 98% das forças armadas oficiais estão integradas por jovens das camadas 1, 2 e 3. Por isso, como classe trabalhadora não podemos seguir mais enterrando os mortos em uma guerra sem sentido, uma guerra que beneficia os interesses de uma classe privilegiada.

A objeção de consciência é um direito.

As “Batidas” são ilegais.

Contra a guerra e o militarismo!

> objecion@objetoresbogota.org

> sindicatodeoficiosvarios@gmail.co

Sindicato de Ofícios Vários – SOV

Fonte: https://huila.uletsindical.org/2022/01/no-al-servicio-militar.html

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

No perfume das flores de ameixa,
O sol de súbito surge –
Ah, o caminho da montanha!

Matsuo Bashô

[Itália] Liberdade para Claudio Lavazza!

Claudio Lavazza é um anarquista de ação que passou os últimos 25 anos em prisões espanholas e francesas. Militante na agitação armada dos anos 70, depois de ter sido preso na Itália pelas atividades do PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), sua vida foi dividida entre esconder-se, fugir e uma teimosa e interminável inimizade contra bancos e autoridades e uma sempre pronta solidariedade com os movimentos subversivos que encontrou ao longo do caminho.

Preso em 1996 na Espanha após um tiroteio em um assalto a um banco que deu errado, ele se engajou na batalha contra a prisão especial do estado espanhol, o regime FIES ao qual foi submetido por 8 anos. Após 24 anos de prisão, ele foi extraditado para a França, onde uma sentença de 10 anos o aguardava por um grande assalto em uma agência do Banco da França em 1986. Apesar da legislação europeia estipular que o acúmulo de sentenças cumpridas na Espanha pode absorver esta sentença, e que Claudio deveria estar livre em 11 de dezembro, o promotor do tribunal de Mont de Marsan, encarregado de seu caso, continua a usar desculpas e pretextos para atrasar a libertação de Claudio. Esta é mais uma vingança estatal para punir um revolucionário consistente que nunca negou seu passado e continua afirmando a necessidade e o valor da luta contra o Estado e o capital.

A partir de 7 de janeiro, com a reabertura dos escritórios judiciais franceses, pedimos a mobilização para que as autoridades responsáveis libertem Claudio da prisão.

Abaixo estão os dados de contato das autoridades responsáveis pelo prolongamento da prisão de Claudio:

Vice procureur de la république Céline Bucau

Celine.Bucau@justice.fr

Secrétariat du procureur de la république

+33 5 24290418

Escritório de cobrança de penalidades

+33 5 24280457

Tribunal Judicial de Mont-de-Marsan

249, Avenue du Coronel Rozanoff

40011 Mont de Marsan Cedex

Também estamos atualizando o endereço para o qual podemos escrever a Claudio (é importante que as autoridades penitenciárias saibam que Claudio não é o único a enfrentar este assédio judicial!), pois nosso compa foi recentemente transferido para uma seção “para delinquentes permanentes” dentro da mesma prisão onde ele esteve desde sua chegada na França:

Claudio Lavazza

No. ecrou 11818, CD 1 célula 5, 1D

CP de Mont-de-Marsan

Chemin de Pémégnan

BP 90629

40000 Mont de Marsan (França)

Vamos nos mobilizar!

Contra todas as prisões!

Fonte: https://malacoda.noblogs.org/post/2022/01/11/liberta-per-claudio-lavazza/

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/05/20/claudio-lavazza-e-extraditado-para-a-franca/

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Hora do recreio:
periquitos tagarelas
brigam pelas mangas.

Anibal Beça

O expurgo de Stálin e o Gulag pelos olhos do pintor Piotr Belov

No final da década de 1980, o artista Piotr Belov chocou os moscovitas com suas pinturas que pela primeira vez apresentavam abertamente o tema do Gulag e do expurgo de Stálin. 

Quando essas pinturas foram exibidas pela primeira vez ao público em Moscou, em 1988, os russos fizeram longas filas para conferir a exposição.

Piotr Belov, até então desconhecido, imediatamente se tornou o símbolo da perestroika e da glasnost na arte, bem como das mudanças quando conversas e sussurros na cozinha tomaram o espaço público. Antes, falar (e muito menos pintar) sobre o tema das repressões de Stálin era quase impossível. Raramente os livros sobre o Gulag chegavam à publicação.

Com o sucesso em Moscou, as pinturas de Belov fizeram uma turnê inteira pela União Soviética. Em 2020, a família do artista doou as pinturas ao Museu de História do Gulag, na capital russa. Na instituição, as obras ganharam sobrevida em novas exposições – permitindo aos russos compreender a emoção sentida por seus compatriotas nos anos 1980.

“As pinturas que impressionaram tanto o público com sua bravura e profundidade foram logo intituladas de ‘ciclo anti-Stálin’”, diz Roman Romanov, diretor do Museu de História do Gulag.

“Suas obras expressavam a dor e o medo mais íntimos, compreendidos por muitos contemporâneos. Ele conseguiu exprimir uma forte dissonância que era relacionável às experiências de milhões de compatriotas”, acrescenta Romanov.

A pintura abaixo mostra um maço de cigarros chamado Belomorkanal (ou apenas Belomor, na gíria) em referência ao canal Mar Branco-Báltico. O canal é famoso por ter sido construído por prisioneiros do Gulag em tempo recorde, e as obras de construção em condições difíceis ceifaram milhares de vidas. A metáfora é clara.

A imagem de Pasternak emparedado é bastante realista. Quando seu romance ‘Doutor Jivago’ foi proibido na URSS, ele o levou secretamente para o Ocidente. A obra foi publicada no Ocidente e o autor recebeu o Prêmio Nobel de literatura. Mas as autoridades soviéticas lançaram toda uma campanha de intimidação contra Pasternak, o que levou à sua morte prematura. Na parte inferior da pintura, vê-se um jornal Pravda com um retrato de Nikita Khruschov, que iniciou a campanha.

Esta pintura se refere ao diretor de teatro Vsevolod Meyerhold, que foi alvo de repressão. Belov imaginou o corpo abatido e espancado na prisão, enquanto a cabeça está coberta com o retrato de um cartão de identificação de um oficial.

“Stálin, nas pinturas de Belov, é uma alegoria da morte”, explica Kirill Svetliakov, curador da exposição. “Em uma das pinturas, ele está olhando para a ampulheta onde crânios humanos ‘medem’ o tempo, em vez de grãos de areia. Em outra pintura, figuras humanas se assemelham a cinzas e caem de seu cachimbo. Na outra, pessoas são flores silvestres sob as botas do ditador.”

“A análise precisa [da pintura abaixo] revela uma fotografia no fragmento descongelado – no qual é possível reconhecer a testa do pai e a primeira página do manuscrito de ‘O Mestre e Margarita'”, lembra Ekaterina Belova, filha do artista. “Também podemos ver uma fotografia virada de cabeça para baixo. Certamente tem a mãe nela – seu penteado e cabelo. E então um grande campo de neve. Papai costumava dizer que se alguém começasse a cavar a neve, poderia mostrar muitos manuscritos escondidos em cada trecho descongelado… Aqui, mal foi cavado e há muitas coisas inexploradas à frente…”

A exposição ‘Fila pela Verdade’ de Piotr Belov da época da perestroika está em cartaz no Museu de História do Gulag, em Moscou, até 18 de maio de 2022.

Fonte: https://br.rbth.com/cultura/86318-expurgo-stalin-gulag-nos-olhos-pintor-piotr-belov

agência de notícias anarquistas-ana

harmonia sem acorde
nota em contratempo
a dissonância morde

Gabriela Marcondes

[Grécia] Anarquistas saúdam 2022 com molotovs e bomba de gás butano

A mais nova rede anarquista de guerrilha urbana, a Direct Action Cells (DAC), assumiu autoria de um ataque incendiário aos escritórios de uma empresa de construção em Tessalônica, ocorrido nas primeiras horas de primeiro de Janeiro de 2022. A “Célula Casus Bell” lançou um comunicado no mesmo dia, declarando que o ataque com molotovs contra os escritórios da PRAXIS EE Technical Contractors foi uma retaliação pelo desalojo da manhã anterior, de uma ocupação de 34 anos de idade na Universidade de Biologia Aristóteles. Na mesma data, um ataque separado com explosivos improvisados, teve como alvo a catedral Agios Pavlos em Atenas, o ataque ainda não foi reivindicado, mas carrega todos os indícios dos ataques prévios das operações da DAC.

Como parte das políticas atuais do governo para desalojar okupações de espaços urbanos na Grécia, e reintroduzir as polícias dentro dos campus das universidades, a okupa “Hangout Biological” no campus da Universidade Aristóteles foi desmontado nas primeiras horas da manhã de primeiro de Janeiro. A polícia fez a escolta de trabalhadores, que demoliram uma parede lateral da okupa à marretadas, ganhando acesso a salas de aula e confiscando vários equipamentos, de extintores de incêndio à hastes de madeira com bandeiras anarquistas. O espaço vinha sendo okupado desde 1988. Em resposta ao despejo, uma recém formada célula da DAC, a Casus Bell, atacou os escritórios da PRAXIS, empresa que recebeu milhões para realizar um contrato de revitalização urbana. A nota divulgada acusa o reitor da universidade de colaboração com a administração das políticas de lei-e-ordem da administração Mitsokanis, e vai além.

Trecho da declaração

A comunidade acadêmica oficialmente abre os braços para o militarismo e a repressão, com a reitoria podre emocionadamente agradecendo pessoalmente ao próprio Mitsoutakis. Essa é a Universidade de Tessalônica: uma matriz de colaboradores da repressão onde nascem os oficiais uniformizados da República […] Nós assumimos a responsabilidade pelo ataque incendiário no prédio da empresa de construção Praxis, na Rua Kromnis em Kalamaria, logo após a virada do ano. Praxis é a empresa contratada que demoliu a okupação. Nós atacaremos individualmente, cada um dos que apoiam a repressão contra os territórios libertados.

Nosso ataque é o primeiro reflexo de um movimento de solidariedade prática, com os esforços ao redor do mundo, que defendem até o fim as áreas de resistência, solidariedade e ataque. Uma mensagem de força, apoio e cumplicidade com cada camarada que individualmente insiste na negação, no questionamento, na guerra. Você nos encontrará ao seu lado a todo momento do conflito, em cada barricada, por que nós não terminados por aqui. Nós estamos preparando um novo ciclo de ataques na guerra de atrito, organizando novas células de ação direta. E nessa guerra nós chamamos cada iniciativa insurgente para a ação, afiando os confrontos, quantitativa, qualitativa e operacionalmente. Nós respondemos guerra com guerra. […] – Direct Action Cells – Célula Casus Belli

Anteriormente, a maioria dos ataques da DAC em Tessalônica foram reivindicados pela célula local, Organization of Anarchist Action, que vinha mirando especificamente em membros do alto escalão da polícia.

Em outra notícia. Uma explosão estremeceu a vizinhança de Omonia em Atenas, nas primeiras horas de 1° de Janeiro, quando um dispositivo explosivo improvisado (IED) detonou do lado de fora da catedral Agios Pavlos. Supostamente o dispositivo foi confeccionado com um “botijão de gás”, o que sugeriria, mas não confirma, mais um ataque da DAC, já que tanto células em Atenas quanto em Tessalônica tem frequentemente usado IEDs construídos à partir de botijões de gás butano. Apesar dos métodos semelhantes aos da DAC, é importante perceber que a Igreja Ortodoxa Grega é um alvo popular por uma variedade de grupos que operam na Grécia. Além disso, as células de Atenas da DAC parecem preferir executar múltiplos ataques antes de lançarem um comunicado assumindo a responsabilidade por múltiplos ataques similares, usando IEDs construídos com botijões de butano, ou coquetéis molotovs e geralmente são fotografados e filmados pela célula. Até agora, não há conexão entre o ataque de Agios Pavlos e a célula local da DAC.

2021 foi o ano de estreia das operações da DAC, e seus ataques vêm sendo consistentes em métodos, alvos e retórica dos comunicados. As aspirações estratégicas primárias do grupo é desenvolver uma rede de “violência revolucionária” não apenas na Grécia, mas também ao redor do mundo, encorajando ideologicamente membros alinhados à esquerda radical e
movimentos anarquistas a executarem ataques em alvos do “Estado e capital”. Até agora eles vem sendo bem sucedidos em estabelecer uma rede através da Grécia continental, de Atenas até Volos e Tessalônica. Se essa rede vai se espalhar através da Grécia para incluir, por exemplo, comunidades [na ilha de] Creta, ou mesmo avançar para dentro da Europa onde esses grupos têm simpatizantes, como na Itália ou Alemanha, é algo a ser observado, mas até então, não aconteceu.

Fonte: https://www.militantwire.com/p/greece-anarchists-greet-2022-molotovs

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

Relvas de verão
sob as quais os guerreiros
sonham.

Matsuo Bashô

[EUA] Antifascistas enfrentam neonazis em Orlando; a polícia oferece proteção aos racistas

A seguir, relatório da Tequesta Black Star sobre antifascistas que se opunham ao recente comício neonazista na chamada Orlando.

Os antifascistas resistiram à presença do Movimento Nacional Socialista (NSM, sua sigla em inglês) em duas instâncias distintas na região de Orlando, contra-protestando e redecorando os locais em que se reuniam.

Em 29 de janeiro, 15-20 neonazistas representando o Movimento Nacional Socialista realizaram um comício no Waterford Lakes Town Center, entre eles Burt Colucci, o atual líder do NSM e Eddie McBride. A multidão de fascistas agitou bandeiras e faixas nazistas, atacou os transeuntes e acossou as pessoas que os gravaram.

25 antifascistas locais chegaram então prontamente à cena, rompendo a reunião fascista com ovos e pedras, forçando-os a se dispersar. Após a dispersão do comício do NSM, os locais acharam por bem redecorar o local com adesivos e tags antifascistas, segundo um relatório da Frente Revolucionária Abolicionista de Miami.

O mesmo grupo de fascistas ressurgiu no dia 30 na rodovia I-4, também em Orlando, colocando uma bandeira suástica e duas faixas dizendo “Vax the Jews” e “Let’s Go Branon”, um slogan de direita erroneamente escrito.

Anarquistas e antifascistas locais chegaram à cena novamente, mas não conseguiram encerrar a manifestação de extrema direita devido a uma presença maciça da polícia para proteger o NSM.

Fonte: https://itsgoingdown.org/orlando-report-back-nsm-rally/

Tradução > dezorta

agência de notícias anarquistas-ana

Não esqueças nunca
o gosto solitário
do orvalho

Matsuo Bashô

[EUA] Anunciando o trailer para o novo documentário, The Social Empire

Vivemos na era do algoritmo. Todos os dias, nossas vidas são mediadas por forças que não vemos e não entendemos. Nossas ações, movimentos, decisões e desejos inconscientes são monitorados, gravados e reduzidos a linhas de código. Um vasto tesouro de dados comportamentais é minado, preparado e manipulado a nível individual, produzindo bilhões de linhas do tempo únicas e formas diferentes de viver a realidade.

Como um dos primeiros arquitetos dessa nova ordem social, o Facebook dramaticamente remodelou o mundo. E, com sua recente conversão para a Meta Platforms e o lançamento oficial do Metaverse, o Facebook reivindica mundos que ainda não foram criados.

Uma colaboração entre as produtoras anarquistas subMedia, Antimídia e Wind Born Films, The Social Empire [O Império Social] é um filme sobre que tipo de mundo o Facebook criou e suas implicações para aqueles que lutam por outros novos mundos.

Lançamento na metade de 2022.

Interessado em se conectar conosco ou em organizar uma exibição? Entre em contato. https://thesocialempire.net/contact/

>> Para ver o trailer, clique aqui:

https://thesocialempire.net/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Noite de desejo!
O amor penetra e ilumina
Quando a luz se apaga…

Clície Pontes

[Itália] Outra ideia de saúde

Este artigo de Stefania Consigliere, uma antropóloga de Gênova, vem da edição 62 (outono de 2021) do “Nunatak”. Revista de histórias, culturas, lutas das montanhas”. É uma transcrição – editada pela equipe editorial de “Nunatak” e revisada pelo autor – de um discurso feito por ocasião de Kill the Bill, um encontro “contra a sociedade da miséria tecnológica” organizado em 4-5 de setembro pelo Coletivo Saúde e Liberdade através do No Tav em Mattarello (NT). O tema poderia ser resumido da seguinte forma: “caminhos de cuidados fora do mecanicismo biológico”. Misturando elementos de crítica radical do tecno-capitalismo com as ferramentas da antropologia médica, a autora nos convida a explorar – em nossos corpos e em nossas relações sociais – o que em outro lugar e o que de outra forma a indústria tecno-industrial tende a suplantar. Ela nos mostra – com a boa graça dos analistas do CENSIS… – quanto do “impensado”, “mágico” e “mitológico” está contido na suposta racionalidade técnico-científica com seus modelos padronizados aplicados aos corpos e à saúde; e como o “mágico” se tornou o aparelho capitalista de capturar a natureza, a espécie e seus ciclos vitais.

Embora a dominação nos encante com os fins que ela afirma alcançar, outros lugares e outra forma são cada vez mais necessários se não quisermos sucumbir sob o poder coercitivo de seus meios.

Boa leitura.

>> Outra ideia de saúde:

https://ilrovescio.info/wp-content/uploads/2022/01/Unaltra-idea-di-salute.pdf

Fonte: https://ilrovescio.info/2022/01/28/unaltra-idea-di-salute/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Sob a lua
a sombra que se alonga
é uma só.

Jorge Luis Borges

[Reino Unido] Parte 2 | Freedom Press, segunda fundação

A segunda fundação: Anti War Roots e Vernon Richards (1936-1999)

Quando a Revolução Espanhola começou em 1936, a Freedom Press ajudou a reviver o movimento anarquista na Grã-Bretanha por meio de um novo coletivo baseado em Vero Recchioni, de 22 anos (anglicizado para Vernon Richards). Vero era filho de um anarquista italiano no Soho, que havia fundado um jornal em novembro daquele ano chamado Espanha e o Mundo em apoio aos anarquistas que lutaram contra o General Franco na Guerra Civil Espanhola. Depois de sua primeira edição, tornou-se uma publicação da Freedom Press, com Keell como editor até sua morte em 1938 e Lillian Wolfe, agora com 60 anos, como administradora. Wolfe, que viajou primeiro de Whiteway e depois de Cheltenham para trabalhar na Imprensa, costumava ficar em Londres com Vero e sua companheira Marie-Louise Berneri, administrando e gerenciando os assuntos da Freedom até a idade de 95 – ela já havia passado 54 anos com a imprensa.

Ao lado dela, muitos da velha guarda da Freedom voltaram a escrever para a nova publicação internacional, como Max Nettlau, a figura principal austríaca Pierre Ramus (anonimamente) e Emma Goldman. Através de Berneri e seu pai Camillo, um militante ativo na Península Ibérica, Espanha e no Mundo permaneceu em grande parte no pulso do que estava acontecendo na guerra e foi fortemente crítico das concessões feitas pela anarquista CNT-FAI, colocando a Freedom em conflito com o escritório do sindicato em Londres.

Quando a Guerra Civil Espanhola terminou, o jornal mudou seu nome para Revolt! e quando a Segunda Guerra Mundial começou, para o War Commentary quinzenal. Vários membros contribuintes tiveram o registro recusado como objetores de consciência nesta época, com Albert Meltzer chamado para o Royal Pioneer Corps, Vero e Philip Sansom cumprindo sentenças de prisão e John Olday, um desertor do Royal Pioneer Corps enviado para a prisão militar.

O jornal foi publicado inicialmente em um quarto dos fundos abandonado em Newbury Street desde então demolido e montado no apartamento de Vero, antes que a primeira Livraria Freedom fosse aberta em Red Lion Passage em 1940 – apenas para ser destruída em um ataque aéreo em maio de 1941. Infelizmente esse ataque também destruiu todo o catálogo remanescente de panfletos da Freedom Press que foram salvos por Tom Keell – se eles tivessem ficado com ele em Whiteway, teriam sobrevivido. A imprensa mudou-se para Belsize Road e posteriormente para Red Lion Street em 1945, onde permaneceria até 1960.

No entanto, o grupo, também neste momento incluindo o parceiro de Hewetson Peta Edsall e Fay Robertson (conhecido como Fay Stewart na época), continuou publicando trabalho anti-guerra como parte da recém-formada Federação Anarquista, com seu primeiro livro sendo Tom Brown’s Trade Unionism or Syndicalism. O War Commentary fez progressos significativos nas forças armadas ao lado de um boletim de circulação privada, Workers in Uniform.

Entretanto, à medida que a guerra chegava ao fim o governo começou a reprimir, iniciando com uma série de invasões domiciliares e prisões de simpatizantes. Uma história contada por Albert Meltzer em seu livro Anarchists in London 1935-55 relata:

A polícia invadiu a casa de Fay Stewart. Seu cachorro, Mickey, não entendendo as sutilezas legais do mandado de um magistrado em relação a intrusos indesejáveis, ou determinado a viver de acordo com o legado de Michael Bakunin (que deu nome a ele), mordeu um sargento da polícia no tornozelo. Muitos ossos vieram de humanos agradecidos, mas mais inibidos.

Stewart foi ativo em nosso movimento durante a guerra; ela morreu tragicamente em um acidente de caminhão com 30 anos de idade, enquanto pedalava de bicicleta para o trabalho como uma enfermeira industrial, nos últimos dias do apagão. Graças à sua vigilância, os endereços dos nossos contatos de soldados foram salvos da polícia quando John Olday foi preso. Ela recorreu ao confiável expediente inglês de preparar uma xícara de chá para eles, tomando o cuidado de acender o fogo com seus arquivos.

Outros, como Tom Earley e Cecil Stone, foram presos e acusados de obstrução pela venda de cópias da Freedom no Hyde Park.

Esta campanha de intimidação chegou ao auge em abril de 1945, quando a equipe editorial de Vero, Sansom, Berneri e outra luz importante, o doutor John Hewetson, foram acusados de conspiração para causar descontentamento nas forças armadas desmobilizadas com um artigo pedindo a formação de conselhos de soldados e uma recusa em lutar mais. O caso das liberdades civis rapidamente se tornou uma causa célebre e nomes famosos como Herbert Read, George Orwell e Benjamin Britten se apressaram em formar um Comitê de Defesa da Freedom de Imprensa, mas todos os bar Berneri foram condenados a nove meses – ela foi liberada por um detalhe técnico, sendo considerada incapaz de conspirar para cometer um crime com o marido. Tragicamente, Berneri morreu de complicações após o nascimento de um filho morto, aos 31 anos, em 1949.

Mais ou menos na mesma época, a Freedom Press também foi submetida a uma tentativa de aquisição de dentro da Federação Anarquista, com uma votação tarde da noite estabelecida depois que os editores saíram de uma assembleia geral propondo em “qualquer outro assunto” que eles deveriam ser substituídos por dois anarco-sindicalistas.

A moção foi aprovada pela maioria, mas a trama falhou. No início de 1944, os detetives da Scotland Yard ligaram para o escritório da Freedom e ameaçaram os editores com encerramento se não cooperarem com as investigações, uma vez que não foi registrado sob a Lei de Nomes Comerciais. Vero e Hewetson registraram-se, portanto, como proprietários e quando foram demitidos simplesmente se recusaram a ir. O editor se tornou “Vernon Richards negociando como Freedom Press“.

Os conspiradores ficaram furiosos. O sentimento entre os anarco-sindicalistas era que eles haviam sido vítimas de um golpe desavergonhado pelos pacifistas e intelectuais que queriam marginalizar os anarquistas orientados para a luta de classes e mudar a Freedom Press para um enfoque mais literário, artístico e acadêmico. Quatro homens, supostamente incluindo o delegado sindicalista e líder sindicalista Tom Brown, Cliff Holden e Ken Hawks, visitaram Richards e Berneri em seu apartamento, apontaram uma pistola e se recusaram a sair até que Richards lhes desse um cheque de £25 (cerca de seis semanas de salário na época) para iniciar um novo jornal anarco-sindicalista Direct Action. Os quatro e outros dois, seis ao todo, mais tarde destruíram a gráfica, depois encontraram Richards em Angel Alley e espancaram-no.

Com os editores do Direct Action passando a se nomear primeira Federação Anarquista da Grã-Bretanha e então Federação Sindicalista dos Trabalhadores (predecessora da Federação Solidariedade), enquanto a Freedom Press formou-se com o Grupo Anarquista de Londres e outros camaradas em Glasgow e Bristol para formar a União de Grupos Anarquistas, uma divisão que levou a anos de acrimônia.

Excluindo um período de semi aposentadoria na década de 1960, Vero continuaria sendo o principal tomador de decisões na imprensa até o final da década de 1990 e, como resultado, tendo mudado o nome War Commentary, a Freedom abriu um caminho amplamente dirigido por ele, com políticas fortemente antimilitaristas que eram particularmente boas-vindas às correntes individualistas e de mentalidade intelectual do anarquismo. Atendendo a um público que geralmente oscilava em torno da marca de 2.000, Vero foi capaz de recorrer a nomes bem conhecidos para artigos e ao lado de obras pela Read, escritores como Colin Ward, George Woodcock, Murray Bookchin e Nicolas Walter foram trazidos – Ward em particular tornou-se um colaborador de longa data da Freedom ao longo de sua vida. Artistas como Olday, Rufus Segar, Donald Rooum e Clifford Harper também contribuíram fortemente para a produção da Freedom ao longo de muitos anos. 

Além de seus empreendimentos editoriais, o coletivo foi ativo no envio de palestrantes ao Hyde Park, desempenhou um papel importante no apoio e divulgação do Malatesta Club, onde grande parte da organização daquele lado do movimento londrino dos anos 1950 ocorreu, e administrou vários verões escolas a partir de 1947, consistindo num encontro realizado em diferentes cidades seguido de um acampamento de férias. A sua adesão em grande parte coincidiu com a do Grupo Anarquista de Londres, o que pode ser visto em sua cobertura do Baile Anarquista de 1961 e através da contribuição do LAG para a formação da Liga Contra a Pena Capital, que se tornou a Campanha Nacional pela Abolição de pena capital.

Em 1960, a Freedom mudou-se para Fulham, mudou para a publicação semanal e lançou uma revista mensal mais reflexiva Anarchy, que como a Freedom, pairaria em torno da marca de 2-3.000 vendas como um esforço mais reflexivo editado por Colin Ward. Por meio de seu repórter industrial de fato, Philip Sansom, também apoiou a produção de The Syndicalist por cerca de um ano antes de encerrar seus custos. Escrevendo na Oficina de História, o ex-membro da Freedom David Goodway observa:

Como editor do Anarchy Ward teve algum sucesso em colocar as ideias anarquistas “de volta na corrente sanguínea intelectual”, em grande parte por causa de mudanças políticas e sociais propícias. A ascensão da Nova Esquerda e o movimento de desarmamento nuclear no final dos anos 50, culminando no radicalismo estudantil e no libertarianismo geral dos anos 60, significou que um novo público receptivo às atitudes anarquistas passou a existir.

Em 1963, Donald Rooum tornou-se mais um membro do coletivo Freedom para enfrentar a repressão do Estado por seu ativismo anti-guerra. O cartunista foi abordado pelo oficial do Met Harold Challenor enquanto protestava contra a rainha Frederika da Grécia em frente ao hotel Claridge em Mayfair, Londres. O ex-funcionário do SAS disse a Rooum: “Você está roubado, minha linda. Boo a Rainha, sim?” e bateu na cabeça dele antes de plantar um meio tijolo no pacifista confesso.

Rooum venceu com sucesso enviando suas roupas para testes forenses, sem mostrar pó de tijolo, e três policiais foram mandados para a prisão por conspirar para perverter o curso da justiça – o próprio Challenor foi para um asilo, com diagnóstico de esquizofrenia paranoica. Um inquérito foi aberto sobre o caso e, por algum tempo, “fazer um Challenor” se tornou uma gíria policial para evitar a justiça alegando doença.

O boom dos anos 60 e a compra de 84b

A partir do início dos anos 60, o movimento anarquista se expandiu a sério, impulsionado em grande parte pelo aumento da ocupação política e pelo vínculo hippie com o ativismo anti-guerra. Durante este período, a Freedom Press apoiou a terceira versão da Federação Anarquista da Grã-Bretanha, uma reunião desorganizada, mas cada vez maior que acabou incorporando cerca de 200 grupos em todo o país. Mais tarde na década, os sustos do IRA (Irish Republican Army) e um aumento na ação direta da esquerda também levariam à retomada das batidas policiais políticas – até o secretário da AFB na época, Peter Le Mare, foi detido em um ponto para ver se ele estava ligado ao (Maoísta) Facção do Exército Vermelho. Estranhamente, Freedom foi considerado um possível centro de atividades do IRA e foi invadido pelo esquadrão anti-bombas, que não encontrou nada mais ultrajante do que fluido de impressão – embora os oficiais tenham roubado uma carga de literatura radical.

Em 1968, Vero pediu dinheiro emprestado em seu próprio nome para comprar as propriedades da Whitechapel High Street 84a e 84b em Angel Alley, com o objetivo de revender o 84a para financiar a reconstrução do 84b. Um ano depois de se mudar, no entanto, com as Impressoras Expressas tomando conta do porão, um encontro particularmente infeliz com o movimento estudantil de ocupação foi relatado na edição de 25 de outubro. Centenas de pessoas foram despejadas da London Street Commune naquele setembro e os organizadores, de olho no andar térreo vazio da 84a, tiveram permissão temporária para ficar (embora a imprensa não tivesse ilusões de que a recusa teria feito muita diferença).

O andar foi ocupado no dia 4 de outubro, mas devido ao que os editores chamam de “hábitos noturnos dos hippies”, o prédio estava em grande parte aberto 24 horas por dia, e com o crime organizado em alta o que aconteceu a seguir foi em grande parte inevitável – um grupo de rapazes corpulentos entrou, passando pelos ocupantes, até a grade com barras de ferro até as impressoras e destruíram o lugar. Eles roubaram grandes quantidades de metal tipográfico, inclusive para um próximo suplemento da Freedom, e até mesmo arrancaram o chumbo das janelas.

Este incidente pode ter ajudado a explicar a reação da imprensa quando Albert Meltzer, agora administrando sua própria empresa sob o nome de Wooden Shoe Press, escreveu sugerindo que ele deveria alugar um quarto no prédio recém-adquirido, contribuindo para o pagamento da hipoteca. Ao saber que a Wooden Shoe havia deixado de pagar três anos de aluguel em seus escritórios anteriores, Vero escreveu uma carta irônica, recusando a oferta de Albert sem mencionar o verdadeiro motivo, gerando uma rivalidade que durou até que Meltzer e Vero estivessem mortos, embora a cooperação não tenha cessado totalmente.

Tradução > GTR@Leibowitz__

Continuará…

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não tenho país
nem casa nem riqueza
e como me sinto bem!

Rogério Martins

[Reino Unido] Como a arquitetura anarquista pode nos ajudar a reconstruir melhor após o COVID

Por Paul Dobraszczyk | 26/01/2022

A arquitetura e a anarquia podem não parecer o par mais óbvio. Mas desde que o anarquismo surgiu como um tipo distinto de política na segunda metade do século 19, ele inspirou inúmeras comunidades alternativas.

Christiania em Copenhague, Slab City no deserto da Califórnia, La ZAD no interior da França e Grow Heathrow em Londres apresentam formas auto-organizadas de construção. Por um lado, isto inclui a remodelação de estruturas existentes, geralmente edifícios abandonados. Por outro lado, pode significar a construção de espaços inteiramente novos para acomodar a liberdade individual e mudanças radicais na organização social.

Em sua essência, o anarquismo é uma política de pensamento e ação. E reflete o significado original da antiga palavra grega anarkhi que significa “a ausência de governo”. Todas as formas de anarquismo são fundadas na auto-organização ou governo de baixo. Muitas vezes, decorrente de um lugar de ceticismo radical em autoridades irresponsáveis, o anarquismo favorece a organização de baixo para cima sobre a hierarquia. Não se trata de desordem, mas de uma ordem diferente – baseada nos princípios de autonomia, associação voluntária, auto-organização, ajuda mútua e democracia direta.

Por exemplo, em Christiania, uma comunidade intencional e comuna de cerca de 850 a 1.000 habitantes, que foi estabelecida em 1971, os moradores ocuparam os primeiros prédios militares abandonados e os converteram em casas comunitárias. Com o tempo, outros construíram suas próprias casas em uma extraordinária diversidade de estilos e materiais que sobrevivem até os dias atuais. Mesmo projetos anarquistas temporários, como os campos de protesto dos anos 80 em Greenham Common, em Berkshire, e as mais recentes ocupações da Rebelião da Extinção em Londres, exigem a construção de abrigos improvisados e infraestrutura básica.

Sementes que podem crescer

Em meu novo livro, Arquitetura e Anarquismo: Construir sem autoridade, eu vejo como os projetos de construção anarquista são frequentemente alvo das autoridades porque são considerados ilegais. E como resultado disso, há um efeito de arrastamento que faz com que as pessoas que auto-constroem sejam de alguma forma “excepcionais” – movidas por desejos que são simplesmente estranhos para o resto de nós.

Mas isso, penso eu, não tem o sentido da política anarquista que está por trás de tais projetos. E também não reconhece que estes princípios estão fundamentados em valores que são compartilhados muito mais amplamente.

Por exemplo, o falecido anarquista britânico Colin Ward sempre defendeu que os valores por trás do anarquismo em ação estavam enraizados em coisas que todos nós fazemos. Ele estava particularmente interessado em como as pessoas pareciam ter um desejo inato de compartilhar tempo e espaço sem esperar qualquer remuneração financeira. Como parte de seu trabalho, ele frequentemente abraçava assuntos cotidianos, como loteamentos comunitários, parques infantis, acampamentos de férias e cooperativas habitacionais.

Ele tinha uma crença forte e otimista no anarquismo como uma força sempre presente, mas muitas vezes latente na vida social, que simplesmente precisava ser nutrida para crescer. Ward defendeu uma forma de construção que estava focada em mudar o papel dos cidadãos de receptores para participantes “para que eles também tenham um papel ativo a desempenhar” na construção de cidades e vilas.

Algumas práticas arquitetônicas recentes – por exemplo, Assemble no Reino Unido, Recetas Urbanas na Espanha e Raumlaborberlin na Alemanha – desenvolveram de fato formas de trabalho que estão quase inteiramente focadas em tal modelo de participação. De fato, em setembro de 2019, Raumlaborberlin construiu uma “Estação Utopia” em Milton Keynes, no Reino Unido. Esta era uma estrutura que combinava andaimes de aço, escadas de metal, toldos listrados e janelas salvas para criar um espaço de três andares.

No interior, os visitantes foram convidados a dar suas próprias sugestões para o futuro desenvolvimento urbano, que foram depois transformadas em modelos e exibidas. Uma abordagem tão lúdica – e alegre – para a participação dos cidadãos está em contraste com as formas muitas vezes duras e deprimentes que geralmente somos solicitados a comentar sobre os edifícios que estão sendo planejados.

Espaços comunitários

No ano passado, o governo britânico publicou seu plano de recuperação pós COVID-19 para “reconstruir melhor”. Com sua ênfase em garantir o crescimento econômico, o relatório não aborda completamente as consequências ambientais catastróficas de tal abordagem.

Uma abordagem diferente envolveria uma remodelação radical dos valores que sustentam nossa política. Aqui, o anarquismo tem muito a contribuir. Seus valores centrais de ajuda mútua, auto-organização e associação voluntária oferecem uma noção muito mais holística do que constitui progresso.

Em nível pessoal, encontrei loteamentos urbanos que são lugares onde os contornos de uma revolução tão cotidiana podem ser sentidos. São áreas de terra reservadas pelas autoridades locais para que os residentes cultivem alimentos em troca de um aluguel nominal anual.

Embora eu nunca tenha encontrado ninguém em meu próprio lote que se identifique como anarquista, as “sementes” estão lá para ver. As “sementes” são, em essência, espaços comuns dentro das cidades. Locais deliberadamente mantidos fora do mercado e preenchidos com mais ou menos estruturas provisórias, tais como galpões ou estufas pré-fabricadas ou auto-construídas.

Embora não seja permitido construir uma moradia em um loteamento (pelo menos no Reino Unido), não é difícil transferir os princípios subjacentes para outros locais nas cidades. Quando olho pela janela do meu quarto para os loteamentos logo após minha casa, muitas vezes me pergunto por que não é possível reservar um terreno para outros tipos de atividades comunitárias? Mesmo para habitação?

É em lugares como loteamentos que se vê a natureza radical das possibilidades alternativas. Aí reside a esperança de construir um futuro emancipatório, inclusivo, ecológico e igualitário. Isto é reconstruir melhor.

Fonte: https://theconversation.com/how-anarchist-architecture-could-help-us-build-back-better-after-covid-170328

Tradução > dezorta

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Leve brisa
aranha na bananeira
costura uma folha.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Bielorrússia] E se não houvesse guerra?

Após a ocupação russa da Crimeia e o envio de tropas no território de Donbass, parte da oposição bielorrussa decidiu desistir de tentar se livrar de Lukashenko. O medo de que a Bielorrússia perdesse sua independência tornou-se mais importante do que o desejo de liberdade. Naquela época, muitos bielorrussos começaram a perguntar o que esses ucranianos haviam conseguido – a perda de territórios, a guerra híbrida com Putin, a ruína econômica e tudo por causa de alguns direitos abstratos. E só agora estamos finalmente chegando à verdade de que o regime de Lukashenko não é um protetor da paz. É o contrário: a ditadura acredita que existe algum líder forte que sabe melhor o que é bom para o povo. E um ego tão alto é extremamente perigoso para todos.

Os anarquistas nunca deram as boas-vindas às guerras porque elas desviam a população dos problemas reais que nos cercam constantemente. Em vez de lutar pela liberdade, a população começa a discutir os sucessos do avanço nas linhas de frente. O lugar da solidariedade internacional é ocupado pelo nacionalismo, que transformou irmãos, irmãs e camaradas em inimigos mortais. Não há nada de progressivo na guerra. A guerra é o triunfo de uma ideologia misantrópica do poder. Hoje, como sempre, a guerra é assunto dos governantes, exceto que pessoas comuns morrem nela. Em transe patriótico, ou simplesmente pelo dinheiro.

E agora nos encontramos à beira de outra possível guerra. Uma guerra para a qual o vassalo de Putin, Lukashenko, arrastará a sociedade bielorrussa. E soldados bielorrussos voarão para devolver a Ucrânia à chamada irmandade eslava. Por irmandade eslava, o ditador provavelmente significa o império russo, que há muitos anos, sob a liderança de Putin, tenta aumentar seu poder não apenas na Europa, mas também na África e no Oriente Médio. A repressão aos protestos de 2020 arrastou a Bielorrússia para dentro da Rússia. Ainda não está claro qual preço Lukashenko terá que pagar pelo apoio financeiro e político do Kremlin.

Haverá uma guerra?

Não vemos sentido em tentar analisar o comportamento de ditadores inadequados. Em 2020, no auge dos protestos, muitos especialistas disseram que Putin nunca introduziria tropas da CSTO na Bielorrússia para reprimir os protestos. Em 2022, tropas foram enviadas ao Cazaquistão para estabilizar o regime local leal a Moscou. Não está claro o que acontecerá a seguir. A crise econômica e política causada pelo coronavírus força as elites políticas a tomar medidas arriscadas para manter o poder.

De fato, com todas as tropas russas e policiais bandidos, prontos para torturar e matar qualquer oponente de Lukashenko, a sociedade bielorrussa foi mantida refém pela ditadura. Não poderemos influenciar de forma alguma as ações do regime se ele decidir atacar o país vizinho. Como vimos no caso do Cazaquistão, eles continuarão presos não apenas por ações, mas também por quaisquer palavras condenando a política do tirano. E acredite em nós, durante todo o tempo de existência da República da Bielorrússia, verificamos repetidamente a inadequação de Lukashenko. Apenas analistas liberais podem duvidar de sua disposição de criar o caos.

O que uma pessoa comum deve fazer neste caso? Se uma guerra começar – transfugir. Desertar em massa, junto com todas as suas armas e equipamentos. Atravesse a linha de frente para a Ucrânia e junte-se à resistência contra a praga da democracia iliberal de Putin.

Por sua vez, anarquistas e antifascistas também estão se preparando para a resistência na Ucrânia. Não para preservar o estado ucraniano, mas para defender as liberdades mínimas que a sociedade ucraniana conquistou lutando nos últimos anos. E se você espera, como nós, que não haja guerra, não esqueça que você deve sempre se preparar para o pior…

Fonte: https://pramen.io/en/2022/01/if-only-there-was-no-war/

Tradução > GTR@Leibowitz__

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lua quase cheia
por trás das nuvens
nos olhos do cão

Alice Ruiz

 

[Espanha] Mas o que é de fato o anarquismo?

Por Álvaro González | 17/01/2022

O movimento esteve presente desde as primeiras lutas revolucionárias e dos trabalhadores. Inclusive fragmentos do pensamento de Rousseau continham formulações importantes que poderiam ser consideradas de caráter anarquista. As lutas intestinas entre os movimentos dos trabalhadores as conceberam como ideologia apartada do marxismo, e foram exterminadas após os marxistas-leninistas chegarem ao poder na Rússia. Perderam, mas muitas de suas ideias agora são dominantes ou estão legisladas.

A história do anarquismo está intimamente ligada à Espanha. É um dos países onde os partidos e sindicatos dessa ideologia foram mais fortes, um dos poucos lugares onde se conseguiu pôr em marcha uma revolução sob seus critérios e o Estado republicano foi o primeiro do mundo a admitir anarquistas em seu governo. Aconteceu no 7 de Novembro de 1936, quando Federica Montseny, Joan Pieró, Juan Garcia Oliver, e Juan Sánchez foram nomeados ministros pelo líder do PSOE, Francisco Largo Caballero.

As revoluções certamente foram um fracasso. Existem numerosos testemunhos sobre os campesinos aragoneses que entraram em contato com a utopia e nessa experiência houve muitas nuvens tempestuosas, negras tormentas. Como em seu hino, A las barricadas. Tão pouco se pode julgar muito bem historicamente sua doutrina de fazer revolução durante a guerra. A prioridade deveria ter sido a derrota de Franco. E mais, as notícias sobre esses atos revolucionários assustaram a muita gente na Europa e prejudicaram a causa republicana, que ficou associada a essas desordens. Os atos repressivos sobres pessoas concretas, ações criminais, foram penosos também.

Entretanto, culturalmente a marca anarquista foi muito importante na Espanha. Não por essa associação de ideias entre o cárcere espanhol, supostamente indomável, e o anarquismo. Isso é um clichê. Mas por tudo que contribuíram, conhecido e a se conhecer. Dos filmes que filmaram aqui em Barcelona pouco se falou da guerra, aqui comentamos em uma ocasião, mas outras linhas que traziam aos anarquistas, especialmente na FAI, sobre saúde, sanidade, e amor à natureza e ao meio ambiente, são hoje ideias dominantes e prioridades dos governos. A historiadora Carmen Cubero Izquierdo publicou um livro excelente sobre a aversão que tinham pela vida “artificial” da indústria e dos bares. Vejam que “loucuras” tinham em mente: “propunham dietas vegetarianas, banhos de sol ao ar livre, e afastarem-se das cidades, mães da degeneração, e seus antros cheios de fumaça.”

Recentemente inclusive, surgiram livros muito bons, úteis para conhecer os feitos históricos que cercaram o anarquismo espanhol. É obra do historiador Juan Vadilo Muñoz, Historia de la FAI, o anarquismo organizado, e Historia de la CNT, utopia, pragmatismo y revolución. E um excelente documentário, El Entusiasmo, que narra o canto do cisne do anarquismo organizado na Espanha, com o espantoso declínio da CNT, entre atentados controlados à distância por infiltrados e vários rachas entre pragmáticos e puristas.

Não obstante, nessa coluna nos chamou a atenção um livro ambicioso, mas que não deixa de ser interessante. Trata-se de Breve introducción al anarquismo, de Vikky Storm e Camarada Celery, em Libros Crudos. É curioso, principalmente porque se trata da transcrição de um podcast que tratava de pôr em perspectiva o movimento anarquista e explicar resumidamente todas suas ramificações, escolas e marcos teóricos. Incluindo os da direita que se considera anarquista ou anarquizante, como os anarcocapitalistas ou os libertários, que tem tanto em comum com um anarquista tradicional quanto um velho burguês de bigodes.

Neste pequeno diálogo se explica o logotipo do A na bola, o círculo significa “O” de “ordem”, a qual se chegaria através do anarquismo e, passando pelos dias da Comuna de Paris outra vez a Maio de 68, movimento que se considera de forte inspiração anarquista. No desfilar de personagens, aparecem alguns bem interessantes. Por exemplo, Kropotkin, uma aristocrata russo, “um menino rico”, brincam, que estudou Biologia e Geografia, que marchou para a Sibéria para fugir da guerra e voltou tão radicalizado que assim que regressou foi preso e logo em seguida mandado para o exílio.

Seu exílio foi na Suíça, onde parece que havia anarquistas tentando botar suas ideias em prática na Federação do Jura. Sua contribuição mais importante foi tratar de armar um marco ideológico como haviam feito Marx e Engels, de caráter científico. Suas ideias principais, resumiu em O Apoio Mútuo: Um Fator da Evolução, onde relacionava o radiante por vir com a evolução. Propunha que, quando de fato se produzido na história humana, era quando as pessoas haviam trabalhado uma com as outras, ao invés de competirem. Era darwinista, mas com outra concepção, acreditava que colaborar servia para sobreviver na natureza. Um ponto de vista totalmente oposto ao darwinismo proto-fascista, de que competiam todos e que ganhava o melhor – leia-se, o mais forte – ou esse argumento de “tudo para todos nós”, mas excluindo ao diferente, uma filosofia bastante frequente hoje em dia, das quais nós, da esquerda, não estamos livres.

Talvez a história mais relevante que se conta seja bastante conhecida, mas é importante para apreciar a dimensão que tem o anarquismo na sociedade moderna. Foi na greve de 1886, a feita do Haymarket, quando durante os protestos alguém lançou uma bomba e a polícia deteve oito anarquistas e os enforcou. O Governo logo se arrependeu e, desde então, se celebra o Primeiro de Maio em honra a eles, o dia dos trabalhadores, em todos os lugares do mundo menos onde se deu o incidente, nos Estados Unidos. A questão é que esses anarquistas estavam lutando pela jornada de trabalho de oito horas. Algo que hoje, se ultrapassada, nos parece, ou deveria parecer ilegal. Naquele momento foram eles os tratados como criminosos.

Fonte: https://valenciaplaza.com/pero-que-es-realmente-el-anarquismo

Tradução > 1984

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Os trigais maduros…
Escassas lanças doiradas
na guerra da fome.

Evandro Moreira

[EUA] O Fundo Internacional em Defesa do Antifascismo

O Fundo Internacional em Defesa do Antifascismo oferece apoio direto e imediato para antifascistas em qualquer lugar do mundo, onde quer que eles estejam, sempre que se encontrarem em uma situação difícil por se posicionarem contra o ódio. Seja repondo propriedade danificada/roubada, ajudando suas famílias, ou dando apoio para prisioneiros, esse Fundo visa aliviar os riscos, que muitas vezes surgem por fazermos a coisa certa.

Em seus primeiros três anos o Fundo Internacional em Defesa do Antifascismo doou mais de 75.000 dólares, para mais de 400 antifascistas e antirracistas em dezoito países!

Qualquer um pode fazer uma oferta de ajuda à militantes antifas/antirracistas ao nos contatar.

Nós fazemos nosso trabalho, inteiramente através de doações. Qualquer grupo ou indivíduo que doe mais de $20US/€20/£15 será convidado a nos ajudar a tomar decisões e propostas que o Fundo recebe.

O Fundo Internacional em Defesa do Antifascismo é uma ótima maneira de demonstrar solidariedade real, com antifascistas e antirracistas quando eles mais precisam de apoio!

Descubra mais, acesse nosso blog.

https://intlantifadefence.wordpress.com/

Tradução > 1984

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um gato perdido
olha pela janela
da casa vazia

Jeanette Stace

‘Os indesejáveis’: como a Suécia tentou ‘purificar’ sua população antes (e depois) do nazismo alemão

Defesa da existência de uma ‘raça superior’ ganhou força com experimentos racistas de Herman Lundborg no início do século XX

Por Camila Araujo

A tentativa racista de “purificar” a população não é monopólio da Alemanha nazista. Na verdade, o corpo teórico que fundamentou a hipótese de uma raça “inferior” veio antes mesmo do nazismo tomar o poder alemão, e se manifestou em experiências práticas em lugares como a Suécia.

O médico Herman Bernhard Lundborg, primeiro diretor do Instituto Sueco de Biologia Racial em Uppsala, acreditava que os nórdicos eram uma “raça superior”, e que qualquer tipo de miscigenação não era desejada. 

O povo escandinavo seria, segundo sua visão, racialmente mais forte se ocorresse o processo de “suecização” de “genes desagradáveis”, garantindo o “mais alto grau de perfeição humana”. Ou seja, era preciso acabar com tais genes, impedindo a reprodução de pessoas pertencentes a “minorias raciais”, para garantir o domínio de uma raça superior.

Lundborg, nascido em 1868, era nada mais que fruto de seu contexto. Isso porque é no final do século XIX que se desenvolve a teoria do darwinismo social. Funcionando como uma tentativa de aplicar a teoria de Darwin sobre a evolução nas sociedades humanas, tais ideias têm a função de justificar ideologicamente a “necessidade” europeia em colonizar os povos bárbaros e “inferiores” do além-mar. 

Muito antes de os nazistas se empenharem nesse tipo de pesquisa, o instituto sueco já dava portanto sua contribuição para a difusão de teorias eugenistas na Alemanha, nos Estados Unidos e nos países escandinavos. 

Povo nativo sámi

Em 1913, Lundborg viajou para o território da Lapônia, região que abrange partes da Suécia e outros países vizinhos, constituído pelo povo nativo sámi, para fazer medições de crânios, comparações de fisionomias, análises de pelos pubianos e, por fim, a classificação entre “superiores” e “inferiores”. 

Os nativos sámi, vale destacar, são tidos como um povo indígena, com diferentes grupos linguísticos, e que há muitos séculos ocupam regiões setentrionais da Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia. 

Em suas experimentações, o médico insiste em mostrar que os indígenas tinham “crânio curto”, ao passo que os escandinavos tinham “crânio longo”, o que, em sua opinião, também influenciava a “marca moral” dos indivíduos.

Seus estudos racistas forneceram álibis para que as empresas de mineração ou funcionários do governo desapropriassem, e seguem a desapropriar, os sámi de suas terras. Também inspiraram campanhas de esterilização de “indesejáveis” que continuaram acontecendo, de diferentes maneiras, até meados da década de 1990.

A escritora e jornalista sueca Maja Hagerman, autora do livro Enigmas de um biólogo racial, em tradução livre, publicado em sueco e alemão, sobre os experimentos de Lundborg, conta que o mais surpreendente da história do médico é que ele próprio chegou a se relacionar com uma mulher sámi, tendo um filho com ela, e assim reproduzindo uma “genética inferior”. 

“Ele estava constantemente alertando os suecos sobre a ameaça de outras raças. Então, o que ele estava pensando?”

Foi portanto na segunda metade do século XIX que as ideias de hierarquização de “raças” se desenvolveram e ganharam força. Alguns anos mais tarde, elas culminariam em um dos projetos de extermínio no contexto nazista. No entanto, outras formas de estabelecer práticas eugenistas se deu também por meio de esterilizações forçadas ao longo da história de outras populações, como, por exemplo, no Peru ditatorial de Alberto Fujimori e no Canadá contra povos indígenas.

No caso dos sámi, os experimentos de Lundborg colaborou no respaldo à leis como a de 1915 que proibia o casamento de pessoas portadoras de deficiências mentais e, mais tarde, os decretos de 1934 e 1941, que permitiam a esterilização dos sámi e de outros grupos etnicamente marginalizados.

Luta por reconhecimento

Em 2014, o governo sueco reconheceu que esterilizou, perseguiu e impediu a entrada de ciganos no país no século anterior. Graças a uma comissão relatora criada para investigar tais processos, descobriu-se que, entre 1935 e 1996, a Suécia realizou esterilizações em cerca de 230 mil pessoas no contexto de um programa baseado na eugenia e nos conceitos de “higiene social e racial”. 

As 63 mil esterilizações realizadas entre 1934 e 1975 destinavam-se, de acordo com a investigação, em garantir a “pureza” da raça nórdica, respaldadas por leis aprovadas com o consenso dos grupos políticos do país. Nem mesmo a queda do nazismo interrompeu as “soluções finais” de estilo escandinavo. 

A luta dos sámi e do Parlamento do grupo étnico é agora pela retomada de restos de esqueletos e de crânios que ainda se espalham em museus e universidades escandinavas. A universidade de Uppsala, por exemplo, guardou 57 crânios e seis esqueletos do povo nativo, misturados com os de colonos e de presos mortos cujos cadáveres foram entregues à ciência pelo governo sueco até a década de 1950. 

Em 2007, a sessão plenária do Parlamento Sámi exigiu que os governos nórdicos identificassem todo o material ósseo encontrado em todas as coleções nacionais para que, assim, esses restos mortais retornem para o local a que pertencem. 

Na opinião de Stefan Mikaelson, presidente do Parlamento, a importância dos restos mortais que estão armazenados dentro de uma instituição sueca não devem ser subestimados. Em declaração citada pelo jornal Público, ele diz que “Um funeral é um evento importante na comunidade sámi, onde toda a família se reúne e homenageia os mortos com a sua presença. O fato de ainda estarem guardados naqueles acervos estaduais só reforça as velhas atitudes colonialistas e discriminatórias”.

O Executivo da Suécia, em novembro de 2021, se comprometeu a criar uma comissão da verdade para examinar o tratamento do país com relação à minoria no passado. O reitor da Universidade de Uppsala também solicitou ao governo sueco permissão para devolver um esqueleto encontrado no Museu da Universidade Gustavianum à Associação Arjeplog Sami. 

Fonte: https://operamundi.uol.com.br/politica-e-economia/72936/os-indesejaveis-como-a-suecia-tentou-purificar-sua-populacao-antes-e-depois-do-nazismo-alemao

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Pelo zumbir dos mosquitos
deve ser alta madrugada.
Ó esta lua demorada!

Etsujin

 

[Espanha] Declaração da CNT contra a guerra na Ucrânia e o militarismo

Perante a escalada militarista que se vive na Europa do Leste, da CNT emitimos o seguinte comunicado:

O conflito interestatal criado e sustentado na Europa Oriental responde apenas aos interesses das minorias que controlam os recursos. As ameaças militares da OTAN contra a Rússia e a resposta de Moscou ao mobilizar tropas para sua fronteira com a Ucrânia não podem ser explicadas sem a disputa subjacente sobre o acesso aos recursos naturais do Ártico, especialmente o gás natural, e as rotas comerciais com a China. Essa disputa pelo controle dos recursos afeta diretamente a maioria social que vê como seus meios de subsistência se tornam mais caros em um conflito entre oligarquias internacionais que querem compartilhar os despojos. A classe trabalhadora dos países europeus está vendo nossas condições de vida se deteriorarem enquanto é usada como refém.

A atitude do Estado espanhol de participar ativamente das manobras militares no Mar Negro e nos países bálticos, bem como de sediar a cúpula da OTAN em junho de 2022, é um insulto e uma ofensa a uma classe trabalhadora que luta ativamente contra o militarismo por décadas. Lutamos contra a adesão à OTAN, contra o serviço militar obrigatório, contra a participação na Guerra do Iraque. A participação dos militares espanhóis na escalada da guerra contra a Rússia é completamente inadmissível, como foi a agressão contra o Iraque em 2003, cujas consequências na forma de ataques conhecemos bem. No final, como bem sabemos, é a classe trabalhadora que acaba lamentando a perda de seus entes queridos.

O Estado espanhol está avançando na militarização da vida social, utilizando soldados em tarefas civis como combate a incêndios ou rastreamento de contatos na pandemia, o que na prática significa retirar todos os direitos trabalhistas e sindicais daqueles que desempenham funções essenciais para a sociedade. O orçamento destinado a fins militaristas e bélicos justifica-se desta forma, mas não esqueçamos que cada Euro gasto nas fragatas que hoje servem a OTAN no Mar Negro não é gasto em infraestruturas, saúde, educação, pensões ou qualquer outro serviço público.

Da CNT denunciamos a participação do Estado espanhol nessas manobras contra a Rússia, exigimos o desaparecimento da OTAN e o desmantelamento de suas estruturas e convidamos a classe trabalhadora a se organizar contra o militarismo e pelo desaparecimento de todas as organizações militares do mundo.

A guerra não é contra a Rússia, é contra a classe trabalhadora.

A classe trabalhadora deve responder: Guerra à guerra!

cnt.es

Tradução > GTR@Leibowitz

agência de notícias anarquistas-ana

Rastros de vento,
escuridão de brasas,
um salto suave.

Soares Feitosa