“O que se passa agora na Rússia é a consolidação do monopólio de todos os poderes no Estado”

Apesar desta entrevista com a anarquista russa-brasileira Kristina Dunaeva já ser bem antiga (foi realizada em novembro de 2004), ela continua sendo interessante em diversos aspectos. Confira!

Agência de Notícias Anarquistas > Recentemente a Revista Exame soltou uma nota indicando que a Rússia é o 3° país com o maior número de bilionários do mundo, por outro lado, é um dos países mais corruptos do planeta. Curioso, não?

Kristina Dunaeva < Curiosíssimo!!! O que se passa agora na Rússia é a consolidação do monopólio de todos os poderes no Estado, ou seja, para um grupo restrito de pessoas, para a turma de Putin, que vem da ex-KGB – polícia secreta da URSS –, e que está reestruturando o poder ao redor de si. Assim, antigos membros da KGB se engajaram nas novas estruturas de poder de livre mercado criadas após a implosão do capitalismo de Estado soviético, ocupando altos cargos executivos de multinacionais, por exemplo. Recentemente, muitos bilionários vazaram do país, após acordos com o governo, com certeza. Um deles, que era dono de único canal da TV não federal, insistiu em ficar e agora está preso.

ANA > Vladimir Putin está no Brasil, se tivesse a oportunidade de falar com ele, o que falaria?

Kristina < Perguntaria, qual o objetivo da visita para o Brasil? Quais serão as negociatas? Putin vem para o Brasil negociar a venda de aviões caças militares Sukhoi. A aquisição será negociada pelo Ministério de Defesa brasileiro, representado pelo vice-presidente José Alencar que, antes de virar o ministro de defesa, visitou a Rússia. O vendedor, Ministério de Forças Armadas da Rússia, há 10 anos promove a guerra na Chechênia, é causador de genocídios, de atos de terrorismo estatal e mantém no poder o governo fascista do Putin. O Brasil, por sua vez, mensalmente fornece aos cidadãos russos toneladas de diferentes tipos de carne, devido ao nível precário da produção industrial de tal produto na Rússia e à hiperprodução e crescimento da indústria pecuária brasileira (curiosamente, o presidente da Sadia é ministro de Desenvolvimento do governo Lula).
Enquanto isso na Rússia: à custa dos povos da Chechênia e da Ingushetia, que estão sendo exterminados pelo exército russo com a cumplicidade silenciosa da maioria de pessoas da Rússia, Putin, alto membro da ex-KGB e atual FSB, foi “eleito” para governar mais quatro anos pelo povo rapidamente empobrecido, graças ao discurso nacionalista e totalitário e com o apoio da indústria bélica e petrolífera.
À primeira eleição de 1999 precederam as explosões de prédios residenciais em Moscou, o que serviu de pretexto para uma nova onda de genocídio na Chechênia. À última eleição de 2004 – a explosão no metrô de Moscou. Putin ganhou esta eleição no primeiro turno. Curiosamente, com os recordes de votação na Chechênia (89,65% e 92,6% dos votos em apoio) e na Ingushetia (91,09%). Enquanto isto na Sibéria, nas regiões de Krasnoiarsk e de Irkutsk, as eleições não rolaram (na Rússia voto não é obrigatório).
Putin ganhou a eleição prometendo que o governo russo realizará um
programa social concreto e positivo em troca de apoio silencioso ao regime totalitário.
Em vez disso, o governo do Putin, junto ao Parlamento, completamente
obediente, assinaram um pacote de leis antissociais que prevê a anulação de transporte gratuito para os aposentados, o cancelamento de distribuição gratuita de remédios para os doentes crônicos (por exemplo, para aqueles que sofrem de diabetes), a anulação de dotações estatais para os antigos presos  políticos, para os deficientes, inclusive para aqueles que sofreram de radiação em consequência da catástrofe de Chernobyl, a anulação de indexação de salários para aqueles que trabalham na região Setentrional da Rússia (costa do Oceano do Norte), a anulação de bolsas para os estudantes etc. Em alguns casos serão pagas dotações em dinheiro, só que se este dinheiro deverá sair dos orçamentos regionais que estão vazios, sem conseguir pagar os salários dos professores, médicos, funcionários estatais.
Outras medidas que prenunciam a consolidação do totalitarismo: a
anulação das eleições diretas dos governadores (agora é o Putin que nomeia) e perseguição dos grandes partidos de “oposição” (comunista, por exemplo). Sou contra as eleições, muito mais contra o totalitarismo, e estas medidas servirão para que não rolem protestos e obstáculos durante as reformas do governo deste FDPutin!

ANA > É muito curiosa essa negociata belicosa e armamentista entre o
governo brasileiro e russo. Mas não surpreende, já que uma das políticas do governo Lula é modernizar as Forças Armadas, e isso passa pela aquisição de armas, que eles dizem que é para defender a paz, a soberania nacional… uma grande hipocrisia!

Kristina < Tá foda. Este Lula afirmando hoje no encontro com o Putin que precisa se unir na luta contra o terrorismo internacional. Se unir com quem? Com um regime neo-fascista? Com os milicos, policiais?

ANA > Em que ponto está agora às mobilizações contra a guerra na
Tchetchênia? Fale um pouco deste conflito…

Kristina < A cada semana em Moscou, São Petersburgo e algumas outras cidades acontecem os piquetes antimilitaristas. Quem organiza são as ONG’s de direitos humanos – que trabalham com presos políticos, vítimas do regime soviético e refugiados, anarquistas, indivíduos conscientes. Participei de alguns em Moscou, logo após a explosão da escola em Beslan. Numa das principais praças da cidade, no fim da tarde, foram acesas as velas, abertas as faixas com as inscrições contra a guerra, contra o genocídio dos chechenos promovido pelo exército russo e pelo Putin, contra o imperialismo, contra o terrorismo estatal que causou morte de centenas de crianças. Foram distribuídos panfletos e os participantes trocaram ideias com as pessoas que passavam na praça. Muitos passavam reto, sem levantar os olhos – o medo e a tensão em Moscou, capital do império russo, estão generalizados, muitos recusavam receber os panfletos, mas muitos conversavam.
Em Moscou, com as mesmas pessoas, participei da manifestação
ultranazista organizada pelo governo e fiquei bem assustada. Fomos pra lá para ser uma gota contra no oceano da massa obediente – os participantes foram trazidos obrigatoriamente pelos sindicatos e universidades, e também pelos discursos dos governantes e figuras populares através das telas azuis dominadas pelo governo. Rapidamente distribuímos os panfletos no meio de bandeiras dos fascistas, das faixas com as citações de Putin, no meio dos carecas, de discursos que os notáveis gritavam do palco – que o inimigo está do lado de cada um, pode ser um vizinho, pode ser um amigo, quem não é russo é o inimigo, etc., – e aí estendemos uma faixa que estava escrito: “Todos somos reféns do terrorismo estatal”, aí nem passou 10 minutos – colaram os polícias falando que esta é uma manifestação em apoio ao governo, e não contra, e que não existe nenhum terrorismo estatal… Tudo isto no meio de vários provocadores, de pessoas surtando, nos acusando das recentes mortes de crianças; rasgaram a faixa, prenderam um companheiro e nós tivemos que sair juntos e ir bem longe para se dispersar e cada um pegar o metrô para seu lado.
Esta guerra é um mecanismo que o governo aciona assim que precisa
justificar qualquer medida, qualquer passo, quando precisa eleger alguém como Putin. Na Rússia as informações sobre esta guerra são censuradas e ela serve de pretexto para a instalação de um regime fascista. O que acontece lá é o genocídio.

ANA > Você acha que hoje a “velha KGB” se confunde com a máfia russa, que é muito poderosa?

Kristina < É uma turma só que está no poder: que elegeu Putin, que faz a guerra, que apela a combater o terrorismo e explode a escola, os prédios, os metrôs…

ANA > Você tem acompanhado o caso “MSI”, um grupo de investimentos estrangeiros que tenta controlar o futebol do Corinthians, e dizem até que o bilionário russo, Boris Berezovsky, está por trás dessa história? Muita gente diz que este senhor lava dinheiro sujo no futebol, inclusive ele é dono de times de futebol. Também já li reportagens afirmando que esse magnata está envolvido com a guerrilha separatista da Chechênia. Enfim, coisas muito obscuras, não?

Kristina < Putin herdou de Yeltsin uma Rússia fortemente influenciada pelos oligarcas. Hoje em dia, Gúsinski está expulso, Berezóvski também, Khodorkóvski que não quis emigrar e declarou isso está preso.
Não tenho muita compaixão a estes oligarcas exilados (e o destino dos milhões que eles roubaram?), mas acho que estas pessoas muito ricas representavam um perigo para o presidente Putin e para o regime dele.
Mais ou menos abertamente suas ambições políticas proclamaram quatro de chamados oligarcas – Gusínski perdeu seu canal NTV e sua editora, e praticamente foi expulso do país (a tentativa de pegar ele através da Interpol e devolver para a Rússia para o julgamento até agora não teve sucesso). Berezóvski quando parou de fazer intrigas em apoio de Putin também sob ameaça de prisão emigrou. Abramóvitch que se elegeu governador da Tchukotka (região Nordeste da Rússia), assim que começou a sujar pro lado dele para evitar problemas rapidamente se apaixonou por futebol e agora vive em Londres (É um exilado? Não se sabe. Talvez…).
Restou na nossa lista e no país Khodorkóvski. Este não somente financiou a oposição destes liberais de direita e sociais-liberais até os comunistas oficiais, mas também declarou abertamente a possibilidade de se candidatar para as eleições presidenciais de 2008. Não quis ir embora, e como resultado está preso há um ano.

ANA > O álcool e as drogas estão muito espalhados entre a juventude
russa, não?

Kristina < Estão. E não somente entre a juventude. O álcool, a droga legalizada, é a mais usada, baratíssima. A heroína foi “popularizada” no começo de 1990, por aí, vendia-se pelos preços bem baixos. Muita gente se foi. Disso não falam. Existem pouquíssimos lugares (e bem caros) que dão assistência, e na Rússia tem uma lei de medicina, um acordo de médicos, de não revelar para a pessoa qual é o problema de saúde –aids, hepatite, então você omitindo o problema não dá a possibilidade de ir atrás do tratamento.

ANA > Você acha que hoje a situação do povo russo está muito pior do
que na época do capitalismo estatal?

Kristina < Economicamente, sim.

ANA > Vamos mudar de foco. Qual é o “estado de saúde” do anarquismo neste momento na Rússia?

Kristina < Letárgico, com atividades esporádicas. Existem vários grupos pequenos, às vezes organizados entre si, às vezes não. Quase toda cidade tem um ou mais grupos anarquistas. Também depende da época do ano, do que tá rolando no país.
No verão, por exemplo, conheci anarquistas de vários lugares da Rússia no acampamento em Pierm, onde os ativistas dos movimentos ecológicos junto à população da cidade tentam barrar o programa de queimamento de mísseis nucleares. Em Moscou e em São Petersburgo os anarquistas semanalmente se reúnem nos piquetes contra a guerra na Chechênia.

ANA > A KAS, organização anarco-sindicalista, ainda existe?

Kristina < A KAS foi uma organização que uniu os anarquistas de toda a URSS, foi primeiro movimento anarquista organizado após o extermínio dos libertários pela ditadura bolchevique (a partir de 1918). Surgiu em 1989 e rachou em 93-94. Grupos de anarco-sindicalistas da região central da Sibéria (nas cidades como Irkutsk e Omsk, por exemplo) até hoje usam o nome da KAS e são bem ativos.

ANA > A Rússia é um dos países que mais foi atacado ecologicamente, com diversos crimes e acidentes ambientais, mas ao mesmo tempo, também há um movimento ecologista muito ativo, não?

Kristina < O conceito de ecologia e de preservação ambiental foi inexistente na URSS. A industrialização pesadíssima a qualquer custo, a corrida armamentista durante a guerra fria e, a partir de final dos anos 80, a privatização de recursos naturais e o mercado livre detonaram a natureza. O movimento ecologista é ativo, sim, e um dos poucos que consegue algumas vitórias – poucas, mas consegue. Este verão fui para Pierm, uma cidade, aos pés das montanhas Urais, onde rolou um acampamento de grupos de resistência ecológica na frente da usina que queima os mísseis nucleares (sem as ogivas, mas, mesmo assim, altamente radioativos) segundo os acordos de desarmamento. Estes acampamentos acontecem a cada verão: em Votkinsk, há 3 anos, os ativistas junto a população conseguiram dar fim ao mesmo projeto de queimamento; no mar de Azov, no ano passado, foi a luta contra a construção de um terminal de metanol.
O grupo mais atuante são os “Guardiões do arco-íris”. Junto aos anarquistas de Moscou eles fizeram ações artísticas contra a nova lei de desmatamento (um enforcamento simbólico das árvores vivas durante a votação da lei no Parlamento), contra a lei que permite o enterro do lixo nuclear no território russo (uma frota de caixões desfilou pelo rio Moskva).

ANA > O Museu Bakunin já está funcionando?

Kristina < Existe um museu da família do Bakunin numa aldeia chamada Priamúkhino. Uma escola cedeu espaço de três quartos para uma pequena exposição que conta a história do local, a história da família, bem interessante por sinal, e as informações sobre os encontros, leituras de Priamúkhino, para discutir a teoria do anarquismo (não tive oportunidade de participar de nenhum destes encontros, mas, pelos relatos dos que participaram, falta um pouco a discussão da prática, apesar do trabalho coletivo dos anarquistas de restauração da casa e do parque de Priamúkhino), a memória do lugar e a herança de Mikhail Bakunin.
Quem cuida mais do museu, do parque e da organização do movimento em Priamúkhino é o Sierguei Gavrilovitch, que vive na aldeia. Na sua casa ele recebe muitas pessoas e grupos de anarquistas que vêm trabalhar no verão. Neto de um dos servos da família de Bakunin, ele fala da história do lugar com muito amor. Priamúkhino, no séc.XIX, foi um ponto de encontro dos intelectuais russos, amigos da família, amigos do próprio Mikhail que saiu de lá bem jovem e voltou uma vez, quando estava preso e fora transferido para a Sibéria. Durante os invernos, Sierguei Gavrilovitch escreve as peças teatrais sobre a “harmonia” de Priamúkhino, como foi chamada a atmosfera cultural criada pela família, sobre a juventude de Mikhail, sua rápida passagem pela casa dos pais no caminho para a prisão, sobre a morte dele na Suíça. Bem interessantes estas peças, viu, Moésio, eu li com muita curiosidade. E de Priamúkhino, do Sierguei Gavrilovitch dá pra escrever muito, acho que valeria uma entrevista a parte, o que você acha?

ANA > Claro, vamos fazer essa entrevista à parte, sim, mas agora conta
alguma curiosidade do Sierguei. Suas peças abordam exatamente o quê?

Kristina < Sierguei Gavrílovitch escreveu a trilogia Priamúkhino que vai da juventude à morte do Mikhail Bakunin. Peças cheias de discussões sobre a anarquia, sobre o movimento contemporâneo ao Bakunin, sobre a Rússia. Na última peça, antes de morrer, Bakunin prevê o futuro da revolução russa e adverte sobre as consequências desastrosas da ditadura, mas não é compreendido por ninguém…

ANA > Na Rússia existe museus do Bakunin, Tolstoi, Kropotkin… Vi num livro uma foto num museu de cera com grandes personagens russos, todos juntos, Sajarov, Bakunin, Plejanov, Tolstoi e Dostoievski… Também li que existe uma estação de metrô com o nome de Kropotkin. Desses três, Bakunin, Tolstoi, Kropotkin, e mais Emma Goldmam, qual é o mais popular na Rússia? (risos)

Kristina < Bakunin com certeza não é… A memória dele foi ocultada durante a União Soviética. Do Kropotkin mais coisas foram preservadas  – a casa em Moscou, onde funcionou a Casa da Anarquia de Moscou após a revolução de 1917 e, depois, o museu de Kropotkin – último refúgio dos anarquistas que sobreviveram as perseguições. Hoje em dia nesta casa fica a embaixada da Palestina… A estação de metrô Kropótkinskaia, em Moscou, sempre foi minha preferida, desde a infância, – muito simples, de mármore branco, sem luxo e ouro de outras estações moscovitas. Acho que o nome foi dado após a II guerra mundial, quando o nome de Kropotkin não representava mais nenhum perigo. Antes disso chamava-se “Palácio de Conselhos”, pois naquele local queriam construir na década de 1930 o palácio gigantesco, um verdadeiro arranha-céu com a estátua de Lenin de 100 metros de altura no topo. O mais louco é que o projeto foi aprovado, mas após a guerra decidiram em vez disso fazer uma piscina pública que, por sua vez, foi fechada no começo dos anos 90 e agora construíram uma catedral gigantesca. A igreja está voltando com tudo, pedindo a proibição de abortos, pedindo de volta às terras que lhes pertenceram até 1917 (e na Rússia, assim como no mundo inteiro, a igreja era o maior latifundiário)…
Agora, o Tolstoi ganhou de todos!!! Foi proclamado por Lenin o “espelho da revolução russa” e virou um dos principais heróis da mitologia soviética. Sei que existiam os tolstovzy – seguidores da filosofia de Tolstoi, que praticavam o vegetarianismo, a vida em comunas, a autonomia, mas foram perseguidos e exterminados… destes ninguém lembra.

ANA > Uma última pergunta: são tantas lutas, em todos os lugares, mas como o “movimento” anarquista internacional poderia ajudar concretamente os anarquistas russos?

Kristina < A situação na Rússia está feia, mesmo. A Cruz Negra deve ajudar nos casos de prisão dos companheiros, casos forjados. Os movimentos antimilitaristas e antifascistas internacionais, também. As pessoas que encontrei em Moscou, São Petersburgo, Pierm, Priamúkhino, que estão resistindo contra o sistema, se opondo ao regime são muito corajosas. Às vezes, só contar sobre as coisas que se passam por aqui, dos protestos, dos movimentos organizados dava muita força. Aí, eu acho que troca informação, as experiências, saber que a resistência é internacional, que as coisas que lutamos contra são as mesmas, ajuda muito. Em Pierm, por exemplo, os moradores estavam se organizando em associação para meter processos no Governo local e pressionar contra o programa de queimamento dos mísseis; eu pensei que no Brasil, na mesma Baixada, há trabalhos similares. Ou, em Moscou, na escola de refugiados, há problemas parecidos com as escolas dos acampados rurais aqui, no Brasil, ou nas ocupações urbanas.
Talvez se o movimento anarquista internacional fosse menos ortodoxo, ou seja, se tivesse mais abertura para trocar práticas e informações com outros movimentos sociais organizados também ajudaria.

ANA > As últimas palavras são suas, pode jogá-las do 11° andar do seu prédio… (risos)

Kristina < Moésio, valeu o espaço! Queria continuar falar sobre o que tá rolando na Rússia, então, vamos manter o contato.

agência de notícias anarquistas-ana

Janela fechada:
borboleta na vidraça
dá cor ao meu dia.

Anibal Beça

[Eslovênia] Suas guerras, nossos mortos!

O capitalismo é orientado pela lógica interna de expansão e acumulação de capital sem fim. Isso o leva de crise destrutiva a crise destrutiva. Na última década, a crise teve nomes diferentes – por exemplo, econômica, migrante, Covid-19 –, mas a reação das autoridades a essas crises é muito similar: reforçar o aparato repressivo e de controle, militarização, desumanização, apologia ao ódio entre as pessoas, perseguição da oposição social e destruição de vidas humanas. Os próprios governantes estão cientes que não podem garantir às pessoas saúde ou segurança, quem dirá prosperidade, sob o sistema atual, portanto cada vez mais recorrem à pura violência e a outros métodos autoritários para manter seu poder.

De todas as crises, a guerra é a que mais desumaniza a vida e a sujeita a dor e sofrimento. Em uma situação cada vez mais tensa de competição capitalista, novas guerras estão acontecendo nos limites de centros econômicos poderosos e em partes do mundo ricas em recursos. Depois da Iugoslávia, Afeganistão, Iraque, Síria, Palestina e muitas outras partes do mundo, a guerra ainda não irrompeu completamente na Ucrânia.

A guerra na Ucrânia não é uma guerra entre os povos, mas entre o grande sistema de dominação capitalista. Nele, apenas as pessoas estão morrendo. Armas, a indústria da guerra e as alianças militares são o problema, não a solução; é por isso que rejeitamos o armamento e todas as outras formas de fortalecimento do aparato de guerra. Nossa solidariedade não pode ser com os Estados, seus exércitos e bandeiras, que agora estão medindo suas armas de destruição na Ucrânia, nem com aqueles que lucram com a guerra, que já esfregam suas mãos sobre novos negócios. Nossa solidariedade incontida está com todos aqueles que sofrem as consequências de todos os lados das linhas de frente. Estamos solidarizados com todos aqueles que levantam suas vozes contra a guerra e com aqueles que não colocam seus corpos à disposição da máquina de guerra, sendo alvos da repressão precisamente por conta de sua resistência. Como nós, eles não queriam a guerra, não a buscaram, mas se tornaram seus prisioneiros e reféns. Todos sentimos sua dor, a qual talvez logo conheceremos de maneira bem pessoal.

A guerra está sendo travada não apenas com bombas e tanques, e não só em território ucraniano. Uma parte significante está sendo travada nas sociedades aparentemente seguras, removidas dos teatros da guerra. Ela toma forma de produção e tráfico de armas, promoção do nacionalismo, propaganda, repressão, difusão de ódio, racismo e tratamento seletivo das vítimas da guerra. Rejeitar a guerra é rejeitar todas as suas formas.

No clima da guerra, é importante a criação de espaços de resistência antiautoritária contra tudo o que a permite e orienta. Isso significa, primeiramente, uma troca de informações autogerida, reflexão e organização para oferecer solidariedade na prática para todos que precisam nessa situação difícil.

É por isso que estaremos participando no Rally for Peace de Ljubljana na terça-feira, 1º de março de 2022, às 17 horas.

É por isso que chamamos por uma Assembleia Aberta contra a guerra na quinta-feira, 3 de março de 2022, às 17 horas, no Menzo pri koritu, em Metelkova, onde construiremos juntos a possibilidade de solidariedade e de resistência, mesmo em tempos de guerra.

Contra o imperialismo e todos os nacionalismos!

Solidariedade de classe com o povo da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia!

Que abramos as fronteiras para todos e todas!

Ljubljana, 1º de março de 2022

Anarchist Initiative Ljubljana

Črne mačke [Black Cats]

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Como versos livres
– ao toque dos tico-ticos –
as flores que caem…

Teruko Oda

[República Tcheca] Solidariedade Internacional | Make Tattoo Not War (MTNW)

Make Tattoo Not War (MTNW) [Faça Tatuagem Não Guerra] é uma campanha internacional apoiando pessoas afetadas pela guerra que teve início com a invasão do exército russo na assim chamada Ucrânia em fevereiro de 2022.

O conflito bélico está tirando as pessoas de suas casas, destruindo suas instalações, causando várias lesões, traumas e mortes. A campanha MTNW busca arrecadar fundos para aqueles que estão sendo profundamente afetados por essas questões.

No coração da campanha há uma rede informal de vários indivíduos dedicados a tatuagens e dispostos a doar o dinheiro de seu trabalho artístico para um fundo solidário comum (maketattoonotwar.noblogs.org/fond-solidarity/). O fundo será então utilizado para ajudar pessoas específicas em necessidade.

Diferente de várias caridades e organizações governamentais, a MTNW é uma iniciativa autônoma operando em uma base descentralizada. Não há responsáveis oficiais e todos aqueles envolvidos são voluntários, sem remuneração financeira. Assim, todo o dinheiro do fundo será usado no suporte a pessoas afetadas pela guerra.

A MTNW não almeja tomar parte por qualquer Estado envolvido em conflitos bélicos, uma vez que não temos a perspectiva de que alguns dos envolvidos são agressores e outros meramente vítimas inocentes dessa agressão. Embora na guerra alguns Estados demonstrem mais tendências agressivas que outros, como resultado todos agem de maneira agressiva e opressiva sobre as populações que governam. A campanha MTNW não foca em apoiar qualquer Estado, mas em fornecer assistência para aqueles que foram colocados em uma situação opressiva por políticas de Estado.

A guerra atual é uma rivalidade entre facções diferentes da classe governante e persegue primariamente seus interesses. Assim, não está alinhada com os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras, pessoas em situação de desemprego, estudantes, reformados e outros setores não-privilegiados da população.

A campanha MTNW rejeita o militarismo de Estado e o nacionalismo. Apoia a solidariedade internacional, atividades anticapitalistas, antiautoritarismo e auto-organização.

maketattoonotwar.noblogs.org

Tradução > Sky

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/03/07/ucrania-operation-solidarity/

agência de notícias anarquistas-ana

Silêncio:
cigarras escutam
o canto das rochas

Matsuo Bashô

[Espanha] CNT-AIT Fraga | 8 de março | O poder só traz desigualdade. Nem amas nem escravas

C o m u n i c a d o:

8 de março

Dia Internacional da Mulher Trabalhadora

O poder só traz desigualdade

Nem amas nem escravas

8 de março marca o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. Em 8 de março de 1857, mulheres trabalhando em fábricas têxteis em Nova York organizaram uma greve exigindo salários mais altos, e foram reprimidas pela polícia, algumas delas perdendo suas vidas durante os protestos. Foi em 1911 que o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora foi celebrado pela primeira vez com a intenção de reconhecer as mulheres como participantes ativas na luta pelos direitos e justiça social, não só para as mulheres, mas para toda a humanidade.

Apesar de tudo isso, em 1975 a ONU declarou 8M como Dia Internacional da Mulher, removendo o adjetivo “trabalhadora”. Mas é nos últimos anos que a intenção de retirar o discurso da classe trabalhadora deste dia comemorativo se tornou mais evidente por parte de organizações políticas com vocação governamental, unidas por muitas organizações de mulheres e plataformas feministas ligadas a instituições estatais, da classe branca e média, que preferem simplesmente celebrar o “Dia da Mulher”, escondendo-se e virando as costas às exigências e lutas sociais das mulheres pobres da classe trabalhadora, limitando suas exigências à discriminação interclasse e que, na melhor das hipóteses, lutam para quebrar os tetos de vidro que as impedem de alcançar cargos executivos importantes, enquanto precisam explorar outras mulheres que estão em empregos precários para realizar tarefas de cuidado e domésticas para elas. Tudo isso distorce a razão principal pela qual o 8 de março é comemorado.

Acreditamos que existem razões mais do que suficientes para continuar a reivindicar este dia como o Dia da Mulher Trabalhadora, como demonstra a luta das Kellys (trabalhadoras diaristas que executam tarefas domésticas), das trabalhadoras dos armazéns de frutas, das trabalhadoras sazonais dos campos, das enfermeiras, das trabalhadoras domésticas e de cuidado… Todos estes trabalhos são feitos em sua maioria por mulheres e são realizados em condições de miséria e exploração. Muitas vezes sem um contrato, elas estão constantemente expostas à precariedade. Não devemos esquecer que as mulheres não são afetadas apenas pelas hierarquias de classe, mas também pelas hierarquias raciais e coloniais. Assim, na Espanha, vemos como as mulheres migrantes e racializadas, após serem exiladas de suas pátrias, são as que realizam os trabalhos mais precários e assumem o trabalho doméstico e de cuidado das mulheres brancas para que possam cuidar de sua emancipação. Elas enfrentam os perigos de uma Lei de Estrangeiros desumana, deportação, CIEs, separação forçada de suas famílias, seus filhos e suas vidas. Elas enfrentam chantagem e abuso sexual por parte de empregadores sem coração, como vimos recentemente. São elas que carregam uma grande parte do peso desta sociedade construída sobre os alicerces da hierarquia.

A tudo isso, gostaríamos de acrescentar que o status de classe consiste em pertencer a uma classe social e não estritamente na realização de trabalho remunerado. Portanto, somos classe trabalhadora, quer sejamos trabalhadoras ativas, desempregadas, estudantes, aposentadas, pensionistas, etc. Portanto, há boas razões para que o 8 de março seja o alto-falante de todos estes protestos e não um dia para felicitar as mulheres pelo simples fato de serem mulheres, ou por terem alcançado uma importante posição executiva em uma grande multinacional exploradora ou em uma pasta ministerial. O “gesto” de retirar o adjetivo “trabalhadora” do dia 8 de março é muito mais importante e significativo do que parece, pois não passa de uma outra estratégia por parte do poder e da socialdemocracia para absorver nossas lutas históricas emancipatórias e esvaziá-las de conteúdo. Não é nada mais que uma tentativa de nos despojar de nossa memória de luta contra todo e qualquer poder, de aveludar as correntes que, como no passado, nos sufocam hoje de uma maneira mais sofisticada, de nos fazer perder o horizonte pelo qual lutamos e nos sentar no banquete dos poderosos e considerar nossas exploradoras e tiranas como nossas companheiras.

Não buscamos poder, não procuramos ser representadas nos parlamentos ou nas forças de segurança do Estado ou na presidência de uma empresa exploradora. Não procuramos dar uma nova camada de tinta à velha e enferrujada estrutura hierárquica sobre a qual nossa sociedade está historicamente baseada. O poder é o expoente mais claro do patriarcado, e é por isso que lutamos por sua abolição.

8 de março: Dia da Mulher Trabalhadora

Nem amas nem escravas

Fraga, 8 de março de 2022

CNT-AIT Fraga Federação Local

Fonte: https://bajocincalibertario.blogspot.com/2022/03/el-poder-solo-trae-desigualdad-ni-amas.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

sob o sol se pondo
como alfinete no lago
descansa a garça

Marcelo Santos Silvério

[Alemanha] Doação – página por Solidariedade com ativistas anarquistas e antiautoritários da Ucrânia

Apoiamos pessoas da comunidade anarquista e antiautoritária, suas famílias e amigos. Para aqueles que precisam fugir, auxiliamos com custos de viagem, acomodação por quanto tempo for necessário, “pocket money” e necessidades especiais. Provemos suporte também a pessoas que ainda estão no país com qualquer auxílio necessário. Também ajudamos a Operation Solidarity [Operação Solidariedade] e o Resistance Committee Collective [Comitê Coletivo de Resistência].

Doe via Paypal.

Doe via Conta Bancária.

Name: UGMR

IBAN: DE57 4306 0967 1216 4248 00

BIC: GENODEM1GLS

GLS GEMEINSCHAFTSBANK EG

Subject: Ukraine

Doe via Monero diretamente para a Operation Solidarity

47A9U7sFxua95rtjyT7mtwgEDN8HcdRyfe8TvQBx1KUSaGKRTF71pMcFa735oCEXUpMPsa8gvEb7EMn2Fb4DkFfMCMgAXnZ

Anarchist Black Cross Dresden

Fonte: https://abcdd.org/en/2022/03/02/donation-page-for-solidarity-with-anarchist-and-anti-authoritarian-activist-from-ukraine/

Tradução > Sky

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/03/07/ucrania-operation-solidarity/

agência de notícias anarquistas-ana

Nos gestos da mão
baila a brasa do cigarro:
pisca o pirilampo.

Anibal Beça

II Fúria-Livre de SP

“No dia 13 de março de 2022 (domingo), a partir das 10h, ocorrerá a II Fúria-Livre de SP, jornada coletiva e auto-organizada de difusão de publicações e outros materiais anarquistas. Será realizada a céu aberto, em frente à Casa das Rosas, localizada na Av. Paulista, 37, próximo ao metrô Brigadeiro.

A participação é aberta, leve sua banquinha e seus materiais.

Atividade livre de autoritarismo, homofobia, misoginia, racismo, transfobia e demais condutas intoleráveis!”

agência de notícias anarquistas-ana

tu conheces pelo coração
a gramática do meu corpo
e seu dicionário

Lisa Carducci

[Canadá] Relatório da Mobilização Contra o Comboio em Montreal

Relatório da mobilização antifascista contra o comboio de extrema direita na assim chamada Montreal.

Éramos mais de 150 no sábado de manhã reunidos em oposição à extrema direita, a qual está comandando a maré de ódio às medidas de saúde para avançar sua agenda política. Entre os manifestantes com os quais nos confrontamos, as bandeiras mais amplamente hasteadas foram a do Canadá, outros levantavam alto a bandeira do Front Canadien-Français, um coletivo ultranacionalista de extrema direita de tradição católica. O populista de extrema direita do People’s Party of Canada [Partido do Povo do Canadá], Maxime Bernier, também estava presente.

A energia dos contramanifestantes estava muito boa, apesar da tristeza do evento. Gritamos alto por horas “A-Anti-Antifascists” [Antifascistas] e “Neither Trudeau nor covidiot, the solution is not fascist” [Nem Trudeau nem covidiota, a solução não é fascista]. Nossa maior vitória foi privar a manifestação de todos os veículos usando bandeiras ao bloquear a saída para o estacionamento. Mesmo em um grupo pequeno e motivado, somos bem capazes de encurtar os movimentos liderados pela extrema direita.

Mas não nos enganemos. Apesar da situação pelo Canadá, milhões em recursos de fontes obscuras, e o espírito do movimento do comboio de liberdade inspirado pelo ataque do ano passado na Capitol Hill, a SPVM recrutou pelo menos tantos fascistas fardados quantos contramanifestantes para nos cercar e bloquear qualquer tentativa de mudar de lugar. Com equipamentos para motim, muitos deles usavam orgulhosamente adesivos “thin blue line“. Com uma mistura de raiva e tristeza, aguardamos por muito tempo, cercados pela polícia de contenção quando a manifestação deixou seu local de partida. Foi penoso ver tantos policiais nos colocando em jaulas sem prestar atenção aos fachos se reunindo em nossas comunidades.

A situação é extremamente preocupante. Como antifascistas, não podemos permitir que a semente sendo plantada germine. Devemos organizar e multiplicar contramanifestações, devemos ficar de olho no que está sendo preparado em nossas comunidades. Enquanto uma mobilização fascista extremamente bem financiada toma forma e é protegida por policiais com símbolos que têm um antecedente mais do que alarmante, colocar perspectivas antifascistas em nossas lutas parece mais do que imperativo.

mtlcounterinfo.org

Tradução > Sky

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agência de notícias anarquistas-ana

minha cabeça em seu peito
seus dedos em meus cabelos
– dança de leito

Eugénia Tabosa

8M: Mulheres fortes contra a política da fome e da morte!

O período da pandemia tornou a vida das mulheres muito mais difícil. Esses dois anos de uma complicada situação causada pela COVID-19 e por sua resposta abriu caminhos para a intensificação de nossa exploração, a precarização da vida e o acirramento da violência contra as mulheres. Aproveitando o caos gerado pela peste, os de cima também colocaram em prática uma política de extermínio de direitos, impedindo o avanço de pautas essenciais às mulheres.

O impacto mais profundo se sente na mesa: vivemos uma situação de miséria generalizada, a palavra carestia voltou a nossas bocas quando o custo da comida, do gás e tudo o que é mais básico ficou muito mais caro. A comida acabou na geladeira de muitas casas, o desemprego se intensificou e os poucos trabalhos que restaram pagam mal e têm poucas garantias – muitos não trazem direitos essenciais como o salário mínimo, afastamento em momentos de doença, férias e 13º salário. Quando a fome atinge o povo tão drasticamente, atinge diretamente a vida das mulheres. Muitos lares são mantidos por  mulheres, sendo elas, muitas vezes, as únicas provedoras das crianças. O mesmo agronegócio que exporta soja, incentivado também com dinheiro público, enquanto padecemos a  alta dos preços da comida, envenena nossa saúde e o leite materno com o uso dos agrotóxicos. E isso nos mostra o quanto esse cenário de miséria é produzido pela aliança entre Estado e capitalismo. Assim, somos atingidas triplamente por uma política da fome e da morte e da retirada de direitos.

Quando o desemprego bate mais forte nas mulheres, especialmente quando uma em cada três mulheres negras estão desempregadas, a dependência econômica e junto a ela as agressões psicológicas, morais, sexuais e físicas, passam a fazer parte do cotidiano de muitas. Além disso, com todo o adoecimento, sobrou para as mulheres o trabalho de cuidar. Mais da metade das mulheres de nosso território passou a cuidar de outras pessoas, acumulando o trabalho de prover e pagar as contas, o cuidado da casa e dos doentes. Condenadas a sair para trabalhar sem conseguir se proteger do vírus e ficar o resto do tempo em casa para se afastar da chance de infecção, muitas companheiras mulheres se depararam com a violência e o feminicídio.

A subnotificação desses casos sempre foi grande e piorou ainda mais com o os ataques e o desmonte progressivo do Sistema Único de Saúde – SUS e do Sistema Único de Assistência Social – SUAS, além da dificuldade de acesso à denúncia e às medidas protetivas, dada a paralisação, o despreparo e a ineficácia do atendimento em delegacias especializadas e instituições jurídicas e de apoio. Com isso, sentimos o luto de quatro assassinatos de mulheres todos os dias em 2021, cometidos por seus próprios maridos ou ex-maridos, namorados, noivos, mantendo o Brasil na 5ª posição mundial em taxa de feminicídios.

Desse modo, as dificuldades que nós mulheres – negras, indígenas e periféricas – enfrentamos para viver aumentaram de uma forma alarmante. Ocupadas e assoladas por esses ataques, foi necessário nos mobilizar para sobreviver, para construir redes de solidariedade, apoio mútuo e autodefesa de nossos corpos e de nossas comunidades. Estagnaram nossos avanços em muitas outras pautas, como a luta pela educação sexual; ampliação de acesso a métodos contraceptivos e aborto de gestação; meios de proteção contra a violência doméstica e patriarcal; e a garantia de trabalho e remuneração dignos para as mulheres. Todas essas lutas urgentes para garantir as nossas vidas.

Resistir aos ataques

Este 8 de março anuncia a entrada de um ano difícil e fundamental para a luta dos e das de baixo. Um ano no qual se acirram as tensões políticas e as ameaças de ataques cada vez mais profundos dos capitalistas e da direita conservadora e protofascista, que desejam destruir ainda mais os direitos das mulheres trabalhadoras.

Para este ano, nossa resposta é fincar cada vez mais nossos pés no território e nos espaços sociais das classes oprimidas. É tomar para nós a responsabilidade por nossa libertação, e pela construção e luta por pautas que ampliem nossos direitos. Nosso caminho é a auto-organização, o ombro a ombro, e a rebeldia de quem já busca no hoje a construção de um mundo novo com socialismo e liberdade, e, por isso, necessariamente feminista, antirracista e anticapitalista.

ARRIBA LAS MUJERES QUE LUCHAN!
CONTRA O ESTADO, O CAPITALISMO E O PATRIARCADO!
MULHERES FORTES CONTRA A POLÍTICA DA FOME E DA MORTE!

Coordenação Anarquista Brasileira
Março de 2022

cabanarquista.org

agência de notícias anarquistas-ana

A vasta noite
não é agora outra coisa
se não fragrância.

Jorge Luis Borges

Matagal, Fanzine Sonoro

Salve!

Saiu o primeiro episódio do Matagal, um Fanzine Sonoro sobre Cultura Punk, Anarquismo, música e notícias aleatórias. O programa é totalmente artesanal e feito com uso de softwares livres e muita gambiarra. Para ouvir é só colar no matagal.noblogs.org!

Salud y Anarquia!

Manolo e Dj Ducão

agência de notícias anarquistas-ana

cai, riscando um leve
traço dourado no azul
uma flor de ipê!

Hidekazu Masuda

[Indonésia] SEA Library: Construção do Conhecimento & Resistência no Sudeste Asiático

Por Matt Dagher-Margosian | 31/12/2021

Conversei com a Southeast Asia Anarchist Library [Biblioteca Anarquista do Sudeste Asiático, SEA Library] sobre como seu projeto teve início, sobre o Sudeste asiático e sobre como a organização deve ser local e global para construir um mundo melhor.

Magsalin: Gosto da ideia da The Anarchist Library (TAL) como um lugar para arquivar textos anarquistas que estão em risco de serem perdidos pelo tempo e negligência. De fato, perder-se [por esses motivos] é também um problema da literatura anarquista no Sudeste da Ásia, os textos estão perigosamente espalhados pela internet e por zines impressas seletivamente; sinto um certo horror no fato de que essa literatura permaneça obscura, ou pior, perdida com o tempo, então pedi aos bons bibliotecários da TAL por uma seção no Sudeste asiático no ano passado.

Geralmente, novas bibliotecas em outras línguas são apenas em uma língua — espanhol, francês, coreano, ou qualquer que seja. Isso faz sentido para grandes idiomas que abrangem países (como inglês, espanhol, francês), ou países com uma língua predominantemente homogênea (como a Coreia do Sul e coreano); contudo, o Sudeste asiático é caracterizado por uma diversidade incrível, com mais idiomas do que nações. Algumas línguas do Sudeste da Ásia têm apenas alguns textos anarquistas, então não há sentido econômico em ter várias bibliotecas menores com uma pequena quantidade de textos. Além disso, a diversidade de idiomas significa que um meio anarquista único em um país pode produzir textos em múltiplas línguas. Esse é o caso nas Filipinas, em que anarquistas filipinos escrevem em inglês, tagalo e Bisaya. Diferente de outras bibliotecas anarquistas, queria um lugar que consiga refletir a rica diversidade de idiomas do Sudeste asiático.

Desde o começo do projeto em janeiro, a SEA Library agora conta com centenas de textos em muitos idiomas. Também se tornou um local para traduções originais como em Tieng Vietname. Por exemplo, David Graeber (descanse em poder) agora tem traduções de suas obras em Tagalo, Bahasa indonésio/malaio, Tieng Vietname e tailandês. Estou muito satisfeito com o fato de que vários anarquistas da região utilizam a SEA Library como um local para preservar sua literatura e para enviar suas traduções originais.

Asia Art Tours: Para SEA Libraries, quais eventos históricos ou momentos catárticos do presente sombrio levaram vocês ao anarquismo?

Ringo: Há uma longa história sobre como finalmente decidi ser anarquista, mas o ponto principal são as experiências de vida do povo pobre, ler muitos livros e ver muitos atos hediondos cometidos por grupos fascistas, pelo Estado e pelo capitalismo. Encontrei todos os tipos de liberdade no anarquismo, como indivíduo queer e como pessoa pobre, encontrei um lar confortável.

Magsalin: Tive simpatias progressistas e então libertárias por um tempo, mas essas ideias não entraram no mundo do pensamento revolucionário até que me deparei com a violência estatal em um nível intensamente pessoal. Foi naquele momento que percebi que não pode haver reformas para a prisão e violência estatal, apenas sua abolição. Como um progressista, estava encantado com a descentralização e o socialismo libertário; estava particularmente fascinado com Rojava. De Rojava, encontrei Murray Bookchin, cujo trabalho se baseava na política de Rojava e, de Bookchin, encontrei Ursula K. Le Guin e seu livro The Dispossessed. Ler sobre anarquismo não foi suficiente para que eu me tornasse anarquista, as peças na minha cabeça só se encaixaram quando tive aquele momento de lucidez quando sob a violência do sistema prisional.

Asia Art Tours: Quais problemas os anarquistas no Sudeste da Ásia têm com nacionalistas?

Ringo: Na Indonésia, estamos enfrentando muitos problemas com a repressão. A começar pela sequência de medidas repressivas após a manifestação antimonárquica em Yogyakarta em 1º de maio de 2018 e motins em 2019 em várias cidades, e a prisão de alguns anarquistas por conta de provocações usando grafitagem em 2020, no ano passado. O anarquismo sempre foi bode expiatório, usado como um pretexto da polícia para reprimir muitas manifestações. Anarquistas na Indonésia ainda não são organizados e têm problemas com disciplina e apenas perdem tempo conversando e jogando na internet; ao mesmo tempo, grupos nacionalistas e conservadores religiosos têm se organizado e construído bases de apoio na comunidade. A forte repressão que vem quando o anarquismo brota, o que previne de ser capaz de se desenvolver adequadamente. Penso que uma situação similar também ocorre em países do Sudeste da Ásia.

Magsalin: Nas Filipinas, virtualmente todas as facções políticas são nacionalistas, do Partido Comunista aos partidos social-democratas, até os autoritários de extrema-direita: o nacionalismo permanece sem ser desafiado politicamente. Apenas alguns, incluindo os anarquistas, nas Filipinas articulam o anacionalismo, quem dirá questionar imperativos nacionalistas e suas implicações estadistas. Já os nacionalistas de direita, como aqueles que apoiam Duterte e o dutertismo, seu nacionalismo geralmente atrai nacionalistas de esquerda como o Partido Comunista e o Bloco Macabaiano, que chegaram à mesma conclusão de apoiar Duterte por orgulho nacionalista. Enquanto ambos os blocos oportunistas desmancharam seu apoio ao Duterte, continuam suscetíveis a populistas futuros enquanto continuarem a articular o nacionalismo.

Asia Art Tours: Como vocês veem o projeto SEA Library quanto à luta contra o nacionalismo de fora (tankies) e doméstico (nacionalistas internos)?

Ringo: A SEA Library pode mostrar aos tankies ocidentais que o anarquismo está presente e ativo em países de terceiro mundo. O anarquismo tem um histórico longo na luta por libertação de muitas partes do Sudeste asiático, não é como dizem, que anarquismo só existe na Europa e América do Norte. A SEA Library pode ser um armazém de ideias para a comunidade anarquista em preparo e organização. É claro, grupos nacionalistas são mais problemáticos que grupos online de comunistas ocidentais.

Magsalin: Vejo a SEA Library como um repositório, uma ferramenta para os radicais por toda a região do Sudeste asiático para articular posições libertárias, antipolíticas e antinacionalistas. Também há guias na SEA Library e na English library em como se organizar anarquicamente.

É claro que o Marxismo-Leninismo, depois do colapso da União Soviética, continua em retirada, salvo por alguns lugares em que continuam as guerras do povo, como nas Filipinas e na Índia. Foi apenas recentemente que o Marxismo-Leninismo começou um reagrupamento e montagem de novas campanhas. Sem um poder Marxista hegemônico (e não considero a People’s Republic of China um deles), não vejo tankies internacionais como uma ameaça. Nas Filipinas, contudo, o stalinismo persiste ainda como uma força hegemônica entre a esquerda filipina, eles usaram sua hegemonia para assassinar outros membros da esquerda, como os social-democratas e os Marxistas-Leninistas; neste ano, eles se responsabilizaram pelo assassinato de um organizador trabalhista. Mesmo que tenham se desculpado, não estou convencido que sejam uma força confiável.

Asia Art Tours: Globalmente, com o aumento da censura, autoritarismo e violência estatal, vocês veem na tradução uma forma de guiar e resguardar conhecimento de algum perigo? Face à violência do Estado, como a tradução de um anarquista tailandês para o português, de um anarquista cambojano para o armênio, ou de um anarquista indonésio para o inglês, permite que seu conhecimento e sabedoria sobreviva?

Ringo: Vejo a tradução e o arquivamento de textos como ação importante, tanto quanto outras ações como a organização de comunidades, jogar pedras em janelas de bancos, ou bater em estupradores em comunidades esquerdistas. O trabalho de tradução de um texto dissemina e permite a troca de conhecimentos em comunidades anarquistas de diferentes países […]. Esse trabalho também permite à comunidade anarquista do sul global aprender com o anarquismo ocidental, que são mais letrados por seu privilégio como países desenvolvidos, com melhor acesso à educação e à internet. Ou vice-versa, anarquistas ocidentais podem aprender com anarquistas do sul global que foram até então considerados inexistentes. (Embora na realidade os projetos com tendências anarquistas e antiautoritárias que tiveram mais sucesso foram em países não-ocidentais, como em Rojava, EZLN, Barbacha, Abahlali baseMjondolo etc.)

Vejo muitos anarquistas legais cujas obras não ganham popularidade porque é difícil encontrar traduções em inglês de seus textos, ou por não receberem atenção dos anarquistas ocidentais. Mencionaria, por exemplo, Sam Mbah, anarquistas japoneses como Kōtoku Shūsui, Kanno Sugako e Osugi Sakae, e muitos outros anarquistas asiáticos.

Magsalin: Trabalho de tradução sempre foi difícil, mas muito importante. Errico Malatesta, por exemplo, foi traduzido em dezenas de idiomas, incluindo tagalo, seu conhecimento e sabedoria levado a novos públicos e contextos. Com mais traduções também há novas articulações, interpretações e aplicações. Mesmo que traduções sejam demoradas e difíceis, espero que anarquistas do sudeste asiático se comprometam em fazê-las.

Asia Art Tours: Joy James é uma das vozes mais influentes que já encontrei sobre abolição e policiamento, mas não tenho ideia como seu trabalho (investigando radicais do movimento negro que foram contra o Estado-nação, como George Jackson ou Kathleen Cleaver) se ‘traduz’ quando lido no Sudeste da Ásia.

Quando falamos sobre tradução, a mudança de conteúdo/idioma da obra traduzida a faz menos efetiva para o novo público? Ou o ato de tradução é ‘anarquista’ ao tentar mover o conhecimento para além das fronteiras e encontrar pontos de solidariedade? Por exemplo, ACAB pode ser universalmente compreendido em ambos o Sudeste da Ásia e os Estados Unidos?

Ringo: Sim, na minha experiência traduzindo textos em inglês para Bahasa indonésio, encontrei alguma dificuldade para compreender o significado do texto; por exemplo, o contexto histórico, localização ou nomes de grupos. Às vezes há alguns bons textos de países ocidentais, mas não podem ser aplicados da mesma maneira por conta das diferentes condições no Sudeste asiático, então algumas vezes tradutores anarquistas explicam algumas partes difíceis ou pulam partes irrelevantes; por exemplo, na Indonésia, alguns textos do Bakunin sobre antiteísmo é deixado de lado porque não se encaixa na situação do país.

Magsalin: Traduções equivocadas são sempre um risco na tradução de textos. Famosamente, a querela entre Nestor Makhno e Errico Malatesta foi baseada em trabalhos de tradução ruins, e foi resolvida por meio de várias cartas descobrindo que tinham mais em comum que em desacordo. Apesar disso, penso que esses riscos são aceitáveis em troca de uma ampla disseminação dos textos. Em meu meio, vi tradutores mudarem alguns nomes de empresas de capitalistas notórios para equivalentes locais filipinos. David Graeber, por exemplo, falava um pouco de como pessoas se auto-organizam de maneira anárquica enquanto esperam o ônibus; em tagalo, o ônibus foi substituído pelos icônicos perueiros filipinos. Ou, em outro exemplo, All Cops Are Bad (ACAB) [todos os policiais são bastardos] se torna Ang Kapulisan Ay Berdugo (AKAB; “a polícia é o carrasco”). Penso que esses regionalismos ajudam; como diz um amigo, preserva-se o sentido, não a colocação.

Asia Art Tours: O que vocês recomendariam que diferentes públicos ‘dessem uma olhada’ em sua biblioteca para entender melhor o Anarquismo no Sudeste asiático?

Ringo: Acho que os textos “Anarchism in (insira o nome do país do Sudeste asiático aqui)” [por exemplo, anarquismo nas Filipinas] são bons começos para conhecer a história e o desenvolvimento do anarquismo em países do Sudeste da Ásia. Magsalin escreveu muitos textos incríveis sobre o anarquismo nas Filipinas. Recomendo textos antigos do Dominic Berger, que discutem sobre a nova onda de anarquismo insurrecional na Indonésia entre 2011 e 2013.

Magsalin: Temos uma seção inteira de textos introdutórios, e temos também uma seção sobre a história do anarquismo no Sudeste asiático. Quanto a textos específicos, curti muito o The Age of Globalization: Anarchists and the Anti-Colonial Imagination, do Benedict Anderson, que, entre outros assuntos, lida com as intersecções anarquistas do fim do século XIX e início do século XX nas Filipinas e na Indonésia.

Para os interessados e interessadas, aqui está o link da Southeast Asian Anarchist Library: https://sea.theanarchistlibrary.org/special/index

Fonte: https://asiaarttours.com/sea-library-knowledge-building-resistance-in-southeast-asia/

Tradução > Sky

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agência de notícias anarquistas-ana

que flor é esta,
que perfuma assim
toda a floresta?

Carlos Seabra

[Ucrânia] “Operation Solidarity”

Como Ajudar

Somos a Operation Solidarity – uma rede de anarquistas trabalhando nos princípios de apoio mútuo e solidariedade.

Operamos localmente na Ucrânia e temos apoio em outros países.

Apoiamos camaradas em diversas situações e tentamos cooperar com iniciativas de base na Ucrânia e nas fronteiras para criar redes de solidariedade.

Como você pode nos ajudar?

Fronteiras

Tentamos encontrar lugares para tantos camaradas anarquistas quanto possível que estão fugindo da Ucrânia com camaradas pelo mundo todo. Nossos esforços são, é claro, abertos a todos e todas!

A situação dos refugiados é incerta. Ainda assim, animamo-nos com toda oferta de transporte e acomodação e tentamos conectar necessidades e as ofertas o melhor que podemos. Por favor, sinta-se livre para entrar em contato e não se dirija às fronteiras sem uma missão clara.

Ajuda psicológica também pode ser útil.

Mas somos também dependentes da demanda: se você organiza estruturas nas fronteiras ou em sua região, por favor nos informe para que possamos conectá-lo quando for possível.

No local

Tentamos apoiar iniciativas de base e auto-organização social na Ucrânia onde conseguimos.

Pessoas com conhecimentos médicos, profissionais de mídia e ONGs – entrem em contato conosco.

Doações

Precisamos de dinheiro para financiar nossas operações. Você pode doar através do link: https://operation-solidarity.org/donate/

Divulgue & seja ativo

A guerra é também uma batalha de propaganda. Divulgue nossos canais e blog onde puder.

É também útil compartilhar informações sobre defesa territorial antifascista e anarquista para rebater a propaganda russa.

Análises mais longas e declarações podem ser encontradas em crimethinc.com em muitos idiomas. Compartilhe-as. Esta análise (escrita logo antes da guerra) é especialmente importante: https://fr.crimethinc.com/2022/02/24/guerra-e-anarquistas-perspectivas-antiautoritarias-na-ucrania.

Ainda: vá às ruas e proteste, faça designs, traduza nossos textos, envie-nos suas fotos de solidariedade! São importantes para manter nossa moral e exercer pressão. Por quaisquer meios necessários.

operation-solidarity.org

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

passeio de madrugada
os meus sapatos
empapados de orvalho

Rogério Martins

[Espanha] 8M: Nem amas nem escravas: anarcofeministas sempre

Como a cada 8 de março, desde a Confederação Nacional do Trabalho estamos incondicionalmente com as lutas anarcofeministas, que batalham pela emancipação da mulher e de todos os corpos, e pela abolição de todas as formas de poder e autoridade. Como todo 8 de março, reivindicamos esta data como o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora.

Como no Dia Primeiro de Maio, uma data histórica internacional para as classes trabalhadoras e institucionalmente reconhecida como “Dia do Trabalho”, o 8 de março foi convenientemente declarado “Dia Internacional da Mulher” pela ONU em 1975. O despojamento de toda uma memória de luta por parte da instituição está sendo completamente bem-sucedido e mesmo em ambas as datas a greve foi banalizada e esvaziada de sentido. Assim como o Primeiro de Maio foi transformado em um feriado de primavera, também o dia 8 de março está a caminho de se tornar uma data de celebração e reconhecimento da lógica institucional e hierárquica que repudiamos. E isto nada mais é do que uma prova palpável de como o poder e as instituições estatais absorvem as lutas revolucionárias a fim de usá-las à sua conveniência e desmontá-las. Cúmplices disso são as organizações que se dizem operárias e sindicalistas, assim como feministas, mas nada mais são do que organizações subsidiadas que respondem aos interesses do Estado capitalista e patriarcal.

Nós, da CNT-AIT, nos opomos de forma frontal àqueles feminismos cujas exigências interclassistas passam pelo reconhecimento das hierarquias que nos são impostas pelos estados, capital e patriarcado. Nos opomos às organizações que, longe de destruir as estruturas de poder que oprimem os seres humanos, lutam para que as mulheres e a dissidência possam ser tão poderosas quanto os homens sempre foram.

Nós mulheres somos um coletivo diversificado e complexo e somos atravessadas não apenas por hierarquias de classe, mas também por hierarquias raciais e coloniais, bem como por outras diferenças estruturais de poder, violações que nos colocam ainda mais à margem deste sistema. Um sistema desumanizador que nos torna precárias, que nos torna invisíveis, que penaliza nossas experiências de vida, que nos marca e nos posiciona sempre na alteridade. Um sistema pelo qual somos sempre conquistadas, matéria prima, objetos de estudo, adoração e pesquisa. Não estamos vinculadas, mas somos sujeitas de nossa história, de nossas reivindicações, de nossos direitos. Somos fortes e corajosas, herdamos milhares de opressões, nossa pele é resistente, nosso caráter é orgulhoso, nossa voz é irada e poderosa. Tornamo-nas resilientes.

Devemos falar de feminismo anticapitalista, antirracista e anti-capacitista para incluir todos os renegades. As flores que crescem no cimento do estigma eterno. Devemos também e simultaneamente falar de transfeminismos, estando conscientes de que são necessárias sinergias para incluir todos os corpos afetivos dentro de uma luta feminista autônoma e anticapitalista. Aqui estamos todos contra o patriarcado, contra a exclusão binarista de qualquer dicotomia. Contra todas as hierarquias. Entretanto, queremos lembrar que as ideias não devem ser mera utopia: primeiro devemos nos desconstruir diante da educação patriarcal, desaprender a programação binarista, os capacitismos, os corporalismos, a atitude, tanto infantilizada quanto infantilizante, condescendente e paternalista, à qual todos temos sido submetidas. As boas intenções não são suficientes, queremos ser autocríticas, queremos levantar dúvidas. Sem suposições supérfluas, recriando o mundo com relações horizontais e igualitárias, livres de autoritarismo, baseadas no apoio mútuo e na solidariedade. O sistema econômico global nos marca mais quanto mais opressões vivemos e compartilhamos. Queremos questionar os direitos “per se” de tudo o que está estabelecido, queremos questionar e deter o assédio, o assédio da mídia, o assédio policial. Acreditamos que é do conhecimento e de uma ética coerente, antiautoritária e anarco-comunista, que rompe com o individualismo, que as mudanças devem necessariamente ser geradas.

Este 8 de março de 2022 também é marcado por uma situação internacional convulsiva: a guerra que está sendo desencadeada na Ucrânia. Uma guerra nascida dos desejos expansionistas de Estados e nações capitalistas e patriarcais que anseiam por nada mais que a acumulação, à custa da desapropriação e da devastação de territórios e comunidades inteiras. Por esta razão, aproveitamos este espaço para nos posicionarmos, a partir do anarquismo-feminismo, contra a guerra e as lógicas militaristas e violentas que nascem no coração dos Estados e de seus discursos patrióticos. A natureza patriarcal das guerras e conflitos armados é bem conhecida, tanto por causa dos papéis a que as mulheres estão sujeitas, quanto pela instrumentalização, objetivação e transformação de seus corpos em ferramentas para devastar o inimigo. Muitos discursos feministas institucionais de hoje fantasiam sobre uma realidade diferente na qual as guerras não existiriam se fossem as mulheres que estivessem à frente dos governos e nos órgãos de tomada de decisão. Eles apelam para a natureza supostamente conciliadora, pacífica e solidária das mulheres e, a partir daí, exigem que tenhamos a mesma possibilidade que os homens de alcançar posições de poder. Que deveríamos ter o mesmo acesso à gestão de empresas e instituições estatais, que deveria haver cada vez mais mulheres na polícia e no exército.

Nós, as feministas anarquistas, rejeitamos isto. Não consideramos que sejamos boas e conciliadores por natureza. Não consideramos que nosso acesso aos parlamentos, empresas, exércitos e forças policiais, dinamite as estruturas de poder. Na verdade, só vamos reforçá-lo, como foi o caso do acesso das mulheres ao sufrágio e ao trabalho remunerado. Rejeitamos e tomamos uma posição frontal contra os discursos feministas que fantasiam sobre os fetiches do poder. Guerras, despossessão, devastação, miséria, exploração, desigualdades, prisões e hierarquias continuarão a existir, mesmo que sejam as mulheres ou qualquer sujeito oprimido que esteja no poder. Porque esse é o problema: o poder. E nada mais esperamos dele do que sua abolição. Para nós, o 8 de março não é uma data para comemorar. Não é uma data para dar flores, para celebrar e nos parabenizarmos pelo simples fato de sermos mulheres. É uma data de luta, de lembrança, de reflexão, de tensão das cordas, de minar estruturas podres, de reafirmar nossos princípios antiautoritários. E não apenas neste dia, mas ao longo de nossas vidas.

Não procuramos reinventar ou melhorar a velha e enferrujada estrutura hierárquica sobre a qual nossa sociedade está historicamente baseada. Não queremos suavizar as correntes que nos subjugam, queremos destruir essas correntes. E sobre suas cinzas, queremos construir um mundo livre de poder, livre de hierarquias, livre de miséria. Um mundo que seja habitável para nós e para todos os seres que habitam o planeta. Estamos nos organizando para esta árdua tarefa. Como diz a anarquista María Galindo: “com uma mão seguramos as urgências, com a outra seguramos as utopias”.

8 de março: Dia Internacional da Mulher Trabalhadora.

Contra o Estado, contra o capital e contra o patriarcado. Contra a miséria e a hierarquia. Contra os exércitos, contra a polícia. Contra a lógica militarista de nações e pátrias.

Nem amas nem escravas: Anarcofeministas sempre, para a emancipação de todos os corpos.

Fonte: https://www.cnt-ait.org/8m-ni-amas-ni-esclavas/?fbclid=IwAR0jExPBJUEmgjWvZfZZrGFR6oQaX-j3uNjDDyhMp-SrWyQMPcqsFkjygK4

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

olhos cheios de sol
tarde por um triz
por hoje estou feliz

Camila Jabur

 

[Espanha] Não à guerra, não ao militarismo. Contra todo o imperialismo, nem Putin, nem Biden.

Perante os acontecimentos arrepiantes resultantes da invasão da Ucrânia pelas Forças Armadas da Federação Russa, não podemos continuar calados. Acreditamos que este é o momento em que devemos elevar nossa voz, a voz do humanismo, acima de qualquer outra questão. E não somos especialistas em geopolítica, nem mesmo amadores; Não somos especialistas em reservas de energia, nem industriais e nem agrícolas. Na verdade, não somos especialistas em praticamente nada, apenas no nosso ofício e trabalho como trabalhadores que somos, e é precisamente isso que acreditamos que nos dá a legitimidade de poder lançar uma arenga vazia de violência e baseada na realidade das pessoas comuns da classe trabalhadora. Porque isto, embora nos digam outra coisa, não se trata de pátrias, nem de territórios históricos, trata-se do capitalismo e do ódio exacerbado deste sistema contra as pessoas, ódio que deriva do desejo de ganhar cada vez mais dinheiro, e cada vez mais poder.

Eles podem nos dizer que o bandido é um ou outro, mas a realidade está sendo muito mais simples: a realidade, mais uma vez, é o que a classe trabalhadora sofre independente de sua nacionalidade: morte, sofrimento, exílio…

Não somos enganados por aqueles que banalizam o fascismo e o nazismo qualificando um ou outro, conforme apropriado, como nazistas ou fascistas. Porque isso é, mais uma vez, o capitalismo. Ninguém que é a favor da guerra é o mocinho dessa história. Ninguém que enche a boca pedindo a morte não serve para nada. É inútil apelar a blocos políticos já desaparecidos, para justificar certas posições. Putin não é comunista. Biden não é um pacifista. E um e outro pouco se importam com a democracia. Na verdade, eles são cortados do mesmo padrão. Ambos atendem, cada um à sua maneira, a oligarquia empresarial. A esse 1% que domina o mundo com seu capital e que tem a audácia de falar dos benefícios econômicos da guerra, ignorando o sofrimento que ela causa.

Povos ucranianos e russos e pessoas de qualquer outra parte do mundo são nossos irmãos; irmãos de classe e a eles nós devemos, por eles levantamos a voz para continuar gritando: NÃO À GUERRA! NÃO AO MILITARISMO! Governe quem governe.

Chega de nos matar para fazer seu negócio sujo. Chega do seu negócio. Nós iremos, a classe trabalhadora, nos levantar para nossa própria emancipação e vamos esvaziar do poder essa turba de covardes e mentalidade criminosa que grita por guerra, sendo incapazes de dar a vida por qualquer coisa ou por qualquer pessoa.

Deixemos de pensar nos termos que o sistema de dominação nos marca e nos impõe e pensemos no novo mundo que podemos construir: livre de violência e onde todos sejamos irmãos. Abandonemos o mercantilismo e a mercantilização da vida. Mas enquanto esse tempo chega, gritemos com uma só voz:

PARE A GUERRA, PAREM AGORA!

NEM PUTIN NEM BIDEN!

NÃO À OTAN!

SOLDADOS DE TODOS OS EXÉRCITOS: DESERTEM!

Fraga, 26 de fevereiro de 2022

CNT-AIT Federação Local de Fraga

Fonte: http://bajocincalibertario.blogspot.com/2022/02/no-la-guerra-no-al-milit

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

A pedra da rua.
Humilham-te sem cessar.
Ah! os pés humanos…

Fanny Dupré

[Itália] Não nos alistamos

A guerra finalmente chegou. Após dois anos de preparação para a guerra, de gritos de guerra, bandeiras e disciplina, o “estamos em guerra” anunciado para a primavera de 2020 finalmente virou uma realidade. A notícia trágica da Ucrânia é o início que buscavam para a militarização definitiva da nossa sociedade.

Guerras são sempre um derramamento de sangue para os explorados e um negócio enriquecedor para os poderosos. Não estamos interessados nas razões da propaganda da oposição dos beligerantes. Os explorados na Rússia, assim como na Ucrânia, Itália ou Estados Unidos, são nossos irmãos e irmãs, seu sangue é nosso sangue. Os governos, os generais, os industriais, os homens de negócios são nossos inimigos, os que orquestram nossa morte e nossa fome.

A expansão arrogante e insaciável de 30 anos da OTAN e a crise interna da Rússia foram a mistura para a situação explosiva em que nos encontramos. De um lado, uma longa lista de precedentes imperialistas como o bombardeamento da Sérvia, as guerras no Afeganistão e no Iraque, apoio de gangues criminais como aquelas no controle da Ucrânia, onde os sindicalizados são queimados vivos; de outro lado, regimes como aqueles de Putin e Lukashenko, que se sustentam pela paranoia de cerceamento e pela nostalgia imperial, onde anarquistas e oponentes são presos e torturados. Face a toda essa sujeira, nenhuma linha de frente é nossa. Nossos inimigos não são os explorados do outro lado da linha de frente, mas todos os que governam, começando pelos dos nossos lares.

Desse ponto de vista, a política italiana mostra sua real faceta e parece ter adotado uma máscara cômica com a qual forças políticas jogam por suas dialéticas. Assim vemos um alinhamento desinibido com a retórica militarista: do Partito Democratico [Partido Democrático], que agora encorpa a maior força sistêmica na nossa sociedade e que não perde a oportunidade de enfatizar seu atlanticismo e europeanismo, à oposição fictícia dos Fratelli d’Italia [Irmãos da Itália], os quais – como recita o hino mais feio do mundo – quando “a Itália chamou” não perdeu um minuto sequer para vestir o capacete da OTAN.

Para reafirmar nosso internacionalismo e nossa recusa em participar nessa trágica farsa, vale lembrar que, se há um “partido russo” na Itália hoje, certamente não é materializado em um resquício stalinista, mas por um negócio duvidoso da Intesa Sanpaolo ou das multinacionais de energia italianas.

Então não temos confiança naqueles que nos arrastaram para esta situação. Isso só pode ser parado pela ação direta do proletariado, por sua insubordinação: no trabalho, como linha de frente, desobedecemos nossos superiores, nós os desarmamos, bloqueamos a produção, paramos a mobilização de guerra. Somos nós que pagamos o preço mais alto pelos jogos de poder dos Estados. É um preço pago por aqueles sob as bombas que estamos pagando também, com o aumento em energia e combustível, e, consequentemente, em todos os produtos de consumo.

São bem-vindas as manifestações ocorrendo em São Petersburgo e em Moscou no momento, assim como os protestos de caminhoneiros na Itália contra o aumento nos preços do combustível: mesmo se não têm consciência disso, aqueles que param o país hoje contra o alto custo de vida são os maiores inimigos da guerra porque já estão fazendo com que a política e a economia paguem o preço e sofram as consequências.

Contudo, para que não sejam movimentos esporádicos, episódicos e reações extemporâneas, é necessário que os explorados de cada país possam dialogar entre si: a internacional é a forma concreta de organização com a qual, na luta, os explorados podem se coordenar e dialogar, assim forçando os Estados a pararem sua máquina de morte.

Anarquistas de Spoleto

25 de fevereiro de 2022

Fonte: https://infernourbano.noblogs.org/post/2022/02/26/noi-non-ci-arruoliamo/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Tangerina cai
e a casca ferida exala
gemidos de dor.

José N. Reis

Democracia, armas e Ucrânia

Quatro dos cinco Estados vencedores da II Guerra Mundial compuseram o Conselho de Segurança da ONU: EUA, Grã-Bretanha, França e URSS (hoje Rússia). A China, o quinto, entrou anos mais tarde. Todos os cinco são os principais produtores e fornecedores de armas do planeta. A OTAN foi criada pelos autointitulados Estados democráticos do Ocidente como possível meio de contenção do avanço do socialismo soviético pela Europa depois da II Guerra Mundial. Houve um tempo em que a China simpatizava com EUA e filiados. Hoje, simpatiza com a Rússia. Ontem e hoje, efeitos da diplomacia. Ontem a KGB apoiava Gorbachev a comandar a reforma soviética em glasnost e perestroika. Hoje, KGB é matriz de Putin. Ontem, Trump e Putin eram próximos. Hoje, Biden e Putin são adversários. Ontem, Rússia e Ucrânia, República Popular de Donetsk e a de Lugansk celebravam o Protocolo de Mink 2014-2015. Hoje, já não existe mais. Putin rompeu no final de fevereiro.

política + diplomacia

Então política + diplomacia + guerra é uma equação constante que tem como resultado as esperadas continuidades do Estado, das empresas de armas, da disputa pelo melhor dos regimes, e hoje também do capitalismo e sua racionalidade neoliberal. Então, entra em cena a Ucrânia. Mexe e remexe: migrações, fugas, indignações, protestos, odes à democracia, condenação do capitalismo dos “populistas”, ou seja, do capitalismo ainda que com deformações, porque o do comandante dos EUA sabe mostrar que a democracia, mesmo quando erra, como com Trump, é capaz de revisão… E a Ucrânia? Desde Lenin e Trotsky a Ucrânia virou algo a ser anexado pela URSS dos socialistas, como resultado da invasão alemã e austríaca em 1918. Eles ficaram com a Ucrânia, baniram Makhno e sumiram com xs anarquistas. Hoje, com capitalismo, a Rússia quer permanecer com a Ucrânia. Os EUA querem OTAN e democracia como a sua para o planeta… E dá-lhe exercícios de guerra. E os soldados ainda creem em pátria. São geralmente pobres, obedientes e serviçais. Matam e morrem por quem manda.

inimigos das vidas libertárias

Na última semana, as forças militares do Estado russo ingressaram no território controlado pelo Estado ucraniano. O avanço dos fardados diz respeito aos interesses da autocracia russa, que visa restaurar seu domínio sobre os territórios que, até o início da última década do século XX, estiveram sob a tutela da burocracia socialista comandada pelo Kremlin. Estados do chamado Ocidente, por sua vez, ampliaram, ao longo dos últimos trinta anos, a presença de suas forças de segurança na região, com a finalidade de conter a projeção do Estado russo e assegurar os interesses do seu “mundo livre”. Ou seja, trata-se de garantir interesses de Estados, fundos de investimento, governos democráticos e corporações de todos os tipos. Não se trata de um embate entre “liberdade” e “autocracia”, mas sim entre imperialistas, autoritários, apropriadores, colonizadores e similares. Ao contrário dos democratas de plantão (de esquerda e direita) e dos stalinistas bajuladores do policial que governa o Kremlin, xs anarquistas recusam as dicotomias. Sabem para que servem; para governar. Sabem que todos os envolvidos são seus inimigos.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2022/03/flecheira660.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

Nuvens,
sem raízes
até que chova.

Werner Lambersy

[Portugal] Sobre a invasão russa pelo Estado auto-designado como Federação Russa

Nesta hora triste para o povo ucraniano e para o povo russo, vítimas dos seus governos inconscientes que a uma guerra fraticidada, partilhamos a DECLARAÇÃO DO MOVIMENTO PACIFISTA UCRANIANO:

O Movimento Pacifista Ucraniano condena todas as ações militares provindas dos lados russo e ucraniano no contexto do atual conflito. Lançamos um apelo aos líderes de ambos os Estados e suas forças militares para que retrocedam e se sentem à mesa de negociações. A paz na Ucrânia e no mundo inteiro só pode ser alcançada de forma não-violenta! A guerra é um crime contra a Humanidade. Estamos, por isso, determinados a não apoiar nenhum tipo de guerra e a lutar pela eliminação de todas as suas causas!

(declaração de 25-2-2022 da seção local ucraniana pela organização War Resisters International)

Nesta hora de extrema gravidade para a nossa vida coletiva como seres humanos neste planeta, partilhamos igualmente a posição da Comissão Executiva daquela organização:

“Como membros da Internacional dos Resistentes à Guerra, estamos extremamente preocupados com a guerra na Ucrânia.

A guerra é um crime contra a humanidade!

Apelamos à Rússia para cessar imediatamente todos os ataques e retirar as suas tropas das fronteiras com a Ucrânia.

Apelamos ao povo de Luhansk/Lugansk e Donetsk/Donetsk que deixe claro ao governo russo que deseja determinar seu próprio destino, não à custa da guerra.

Apelamos ao governo ucraniano para que renuncie à resistência militar e, em vez disso, que proclame a resistência civil.

Apelamos ao povo ucraniano para que recuse toda a obediência a um possível novo governo instalado pela Rússia. Isso chama-se defesa social. No caso da Rússia ocupar a Ucrânia, se todos se recusarem a obedecer às suas ordens, em última análise, a Rússia não será capaz de atingir seus objetivos.

Apelamos também ao povo russo e aos soldados russos para que recusem toda a obediência aos atos de guerra do seu governo, resistam de forma não violenta e provoquem o fim do regime de Putin. Isso também faz parte da defesa social.

Apelamos à Rússia, à ONU, à OSCE, à OTAN e a todos os governos para que iniciem as negociações imediatamente.

Apelamos aos países membros da OTAN para que mostrem moderação na sua resposta à agressão russa e não façam o povo russo pagar pelos crimes de sua liderança.

Estamos solidários com o povo da Ucrânia nestes tempos difíceis e apoiamos aqueles que resistem à guerra na Ucrânia, na Rússia e em outros lugares.

Comitê Executivo Internacional dos Resistentes à Guerra

Fonte: https://aideiablog.wordpress.com/2022/03/02/sobre-a-invasao-russa-pelo-estado-auto-designado-como-federacao-russa/

agência de notícias anarquistas-ana

A fruta aberta
revela o mistério
da raiz: néctar.

Roberto Evangelista