[Itália] Saiu o livro Terra de Amor e Liberdade – Segunda Edição

Dois dias de editoria anarquista na Calábria com foco no internacionalismo e continuidade revolucionária.

ANAIS DA CONFERÊNCIA ANARQUISTA / Grisolia 23/24 de agosto de 2021 / Arquivos de documentação “Franco Di Gioia” – Cosenza / Biblioteca do Espaço Anarquista “Lunanera” – Cosenza / Edições Monte Bove Coleção Negra (4) – Spoleto / Impresso em janeiro de 2022

Do prefácio:

Esta publicação é a transcrição de algumas intervenções orais e escritas coletadas durante a segunda conferência anarquista realizada em Grisolia, em agosto de 2021.

O que é reproduzido aqui no papel respeita a dimensão da oralidade na qual as discussões amadureceram. Os trabalhos que se seguiram não afetaram a espontaneidade dos discursos, mas apenas tentaram tornar mais fluente, para o leitor, a abordagem do texto.

A iniciativa, que ocorreu nos dias 23 e 24 de agosto de 2021, foi intitulada Terra d’amore e libertà. Os dois dias jornada anarquista na Calábria focalizaram o internacionalismo e a continuidade revolucionária e aconteceram na praça central de Grisolia com um microfone aberto. Valiosa, como sempre, foi a contribuição logística dos camaradas presentes no local para a organização dos dois dias. Os temas discutidos foram: a publicação anarquista e sua dimensão revolucionária na história e no presente, o internacionalismo e suas práticas, nossa saúde e as medidas dos patrões e governantes, as propostas dos anarquistas contra a unidade nacional.

Tudo no texto é compartilhado por cada orador.

Durante a redação deste livro, alguns dos camaradas que deram vida à iniciativa Grisolia foram presos, investigados e revistados sob acusações de associação subversiva para fins de terrorismo e subversão da ordem democrática e de incitamento ao crime com o agravante do propósito do terrorismo, após a operação Sibilla, iniciada pelo Ministério Público de Perugia. Alguns dos materiais e livros aqui apresentados foram apreendidos em toda a Itália. É ainda mais urgente, portanto, relatar suas palavras, juntamente com as motivações, práticas e tensões que elas trazem consigo.

A imprensa anarquista não para. Nossa propaganda e nossas lutas continuam.

Este livro é uma demonstração disso.

Saúde e anarquia.

Janeiro 2022

Da contracapa:

Para nós, a ação tem precisamente esta capacidade intrínseca de abrir brechas, de fazer as pessoas pensarem, de gerar novos pensamentos, novos insights, novas ideias. Elementos que ainda têm uma inversão na prática. Como anarquistas, acreditamos que somente mergulhando sem hesitação no campo do confronto podemos nos levantar contra o Estado, contra toda autoridade. É precisamente a partir deste choque sem hesitação que poderemos refinar nossas ideias.

Índice:

Prefácio / Introdução ao debate / Apresentação e discussão com base no livro A Guerra de Classes na Espanha: 1973 – Gangsteres ou Revolucionários? / Apresentação e discussão com base no livro Qual Internacional? de Alfredo Cospito e muitos outros / Uma intervenção escrita de Alfredo Cospito / Outras intervenções… / Nossa saúde e as medidas dos patrões e governantes / Nosso internacionalismo contra a unidade nacional. Falando de anarquia / 96 páginas, custo 5 euros.

Para pedidos:

lunanera@mortemale.org

edizionimontebove@riseup.net

Fonte: https://sardegnaanarchica.wordpress.com/2022/02/08/e-uscito-il-libro-terra-damore-e-liberta-seconda-edizione/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Rio seco
silêncio sob a ponte
apenas o vento.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Portugal] Ações contra a mineração numa dúzia de localidades de Norte a Sul

Por Guilhotina.info

Ontem (30/01), último dia da campanha eleitoral, a luta anti-mineração tomou as ruas em mais de uma dezena de pontos do território. Em cidades, vilas e aldeias de Norte a Sul, ecoaram vozes de resistência contra o plano de esburacar ¼ do território português para extrair 30 minerais, com mensagens espalhadas pelas ruas e montes, pinturas de faixas e ações de protesto e sensibilização.

Os partidos, apostando as suas últimas cartadas em disputar os votos do litoral, ignoraram mais uma vez a questão da mineração. A comunicação social, atarefada com a cobertura do último dia de campanha dos partidos, também ignorou esta mobilização descentralizada que deixou uma mensagem a todas as forças partidárias: “não importa quem ganhe o teatro eleitoral de dia 30, continuaremos a lutar pela vida!”

Abaixo deixamos uma compilação das ações realizadas em Seia, Coimbra, Lisboa, Barroso, Guimarães, Porto, Oliveira do Hospital, Sátão, Caldas da Rainha, Montemor-o-Novo, Remelhe, e Viana do Castelo, e também as mensagens que chegaram do estrangeiro em solidariedade com as lutas anti-mineração.

Seia

A primeira ação de rua aconteceu em Seia, convocada pelo Movimento Contra Mineração Beira Serra, que há mais de dois anos resiste “contra os pedidos de prospecção e contra a futura exploração de lítio ou outros minerais no Centro de Portugal”.

Coimbra

Ao final da tarde, dezenas de pessoas juntaram-se na baixa de Coimbra, num ambiente contrastante com o frenesi das ações de campanha que passaram pelo mesmo local. Foi lido um comunicado a denunciar que o rio Mondego está, «numa extensão de mais de 30km entre Celorico da Beira e Nelas, sob aviso de prospecção e pesquisa, tanto pelo concurso internacional do Programa de Prospecção e Pesquisa de Lítio (PPP-L), como por pedidos da australiana Fortescue para prospecções de ouro, prata, chumbo, zinco, cobre, lítio, volfrâmio e estanho» e que, a 35km da cidade de Coimbra, existe um pedido da SINERGEO, Soluções Aplicadas em Geologia, Hidrogeologia e Ambiente, para prospecção e pesquisa de ouro, prata e cobre numa área de 11 mil hectares cujo limite sul fica muito próximo das nascentes que dão origem à ribeira de Mortágua.

>> Para ler o texto na íntegra, mais fotos, clique aqui:

https://guilhotina.info/2022/01/30/protestos-minas-28j/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/11/portugal-uma-perspectiva-libertaria-sobre-a-luta-contra-a-mineracao/

agência de notícias anarquistas-ana

a chuva no charco
traça círculos
sem compasso

Eugénia Tabosa

[EUA] Anarquistas Constroem Aquecedores Feitos em Casa para Pessoas Desabrigadas

Por Eslla Fassler | 31/01/22

Projetos de fonte aberta inspiram ativistas a distribuir aquecedores seguros para barracas que podem ser feitos por apenas $7.

À medida que as temperaturas caem acentuadamente e o número de desabrigados aumenta nos Estados Unidos, anarquistas formam uma rede descentralizada que constrói e distribui aquecedores seguros para barracas, à base de álcool, para pessoas desabrigadas.

“O projeto não é algo novo, foi desenvolvido ao longo dos anos, de muitas formas diferentes”, escrevem os membros do HeaterBloc, um coletivo de base em Portland que lançou o guia de código aberto para a construção dos aquecedores, em uma mensagem à Motherboard. “Começa com uma ideia, então se constrói em cima dela. Ela evolui, espalha-se, toma vida própria. Este ano, tivemos apenas sorte o suficiente para decidir por um design seguro e eficiente em termos de custo-benefício”.

As unidades custam cerca de sete dólares cada quando seus componentes são comprados no atacado, e eles podem ser usados para cozinhar e aquecer pequenos ambientes por horas. Se o aquecedor cai, a chama automaticamente se apaga e, com a ventilação apropriada, o risco de intoxicação por monóxido de carbono é mínimo porque alcoóis isopropilos entram em combustão de forma limpa.

O guia de instruções foi traduzido para diversos idiomas e grupos que constroem e distribuem os aquecedores artesanais apareceram em áreas rurais e cidades grandes pelos Estados Unidos, incluindo em Pittsburg, Filadélfia, Nova Iorque, San Diego, Atlanta, Tacoma, Kansas City, Dallas, Kalamazoo, Elm Fork, Texas e Spokane, em Washington. Alguns grupos estão começando a explorar a adaptação do design para uso em campos de refugiados, em áreas que passaram por faltas severas de energia como no Texas e para o número crescente de pessoas nos Estados Unidos que não têm acesso a utilidades.

De acordo com princípios anarquistas, a rede opera sem hierarquias e cooperativamente. “Ver a comunidade que surgiu em torno dessa necessidade e ver as pessoas tomarem atitudes reais para ajudar comunidades desabrigadas com a questão do aquecimento por todo o país é incrível porque isso está literalmente salvando vidas”, escreve o coletivo. “Isso é tudo que realmente importa”.

Entre 2000 e 2019, aproximadamente 5 milhões de pessoas morreram no mundo inteiro por questões relacionadas ao frio. Nos Estados Unidos, algo entre 580,000 a 1.5 milhões de pessoas ficaram desabrigadas antes da pandemia, e a falta de suporte financeiro durante a crise exacerbou o problema. Em muitos lugares, o governo local e a polícia responderam a isso destruindo comunidades de tendas com escavadoras e tentando forçar as pessoas a abrigos que são geralmente lotados e que não são seguros — quando abrigos são ofertados.

“É difícil expressar ao cidadão médio como é estar desabrigado no inverno”, escrevem os membros do HeaterBloc em sua declaração. “Um frio inescapável que enche seus pulmões com gelo e faz com que não sinta suas extremidades. Um frio úmido que leva seu corpo à exaustão e que você faria qualquer coisa para escapar dele”.

Meadows*, um membro que já foi desabrigada de um grupo de apoio mútuo com base em Seattle que está construindo os aquecedores, conta à Motherboard que o projeto reduz os danos em variados níveis. Pessoas desabrigadas com frequência são forçadas a queimar lixo em suas barracas para se aquecer, o que as coloca em risco de intoxicação por monóxido de carbono e danos cerebrais. Aquecedores também preservam a autonomia das pessoas e sua segurança ao permiti-las rejeitar ter que dormir com estranhos pela sobrevivência e reduzem o uso de drogas.

“Há uma porcentagem muito grande de pessoas desabrigadas que não usa drogas, e a razão pela qual estão em condição de rua não tem a ver com drogas”, diz Meadows, que pediu para ser identificada com o pseudônimo porque grupos de apoio mútuo são alvos frequentes da polícia e de agitadores de direita. “Contudo, as drogas fazem você sentir mais calor, além de ajudarem a passar o tempo, e fazem a situação ‘luta ou vaza’ mais suportável. Quando grupos de apoio mútuo são realmente capazes de fornecer mais aquecedores às pessoas, vimos realmente uma redução no uso de drogas e um aumento no número de sorrisos”.

Meadows diz que observou as pessoas se tornando mais alertas quando recebiam os aquecedores. “Toda semana, durante o inverno, eles já estavam à beira da hipotermia”, afirma. “Então voltamos para a manutenção dos aquecedores, eles estavam completamente diferentes. Estavam ativos e presentes. E, estavam tipo, ‘uau, esses aquecedores são incríveis'”.

Mas, na realidade, todas as pessoas merecem moradias aquecidas reais, dizem os grupos de apoio mútuo. O projeto suplementa a organização dos moradores, defesa contra despejos e tomada de prédios vazios, os quais pretendem assegurar que todos tenham um teto.

“Quando você é pobre, não tem voz. Quando está desabrigado, não é tratado como ser humano. Nosso desejo é que o HeaterBloc não fosse mais necessário”, escreve o HeaterBloc. “Que a sociedade aceitasse e cuidasse de todos os seus membros, reconhecendo que a moradia é um direito humano ao invés de um luxo”.

Fonte: https://www.vice.com/en/article/n7nd5x/anarchists-are-building-diy-heaters-to-keep-unhoused-people-warm

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

pinga torneira
tic tac do relógio
luz com poeira

Carlos Seabra

[Espanha] Lançamento: “A polícia. Uma análise crítica”

“A polícia. Uma análise crítica” é o décimo-quarto título em nossa coleção principal. Este texto visa contribuir para preencher uma curiosa lacuna: o estudo das forças policiais. É verdade que a cultura audiovisual, especialmente através do cinema e das séries de televisão, transformou a polícia em uma instituição com uma enorme presença na cultura que consumimos. Por outro lado, a escassa produção de estudos científicos sociais sobre esta instituição é impressionante: não há interesse no estudo dos órgãos de aplicação da lei, é seu hermetismo a razão desta escassez de estudos, ou é possível que eles sejam um objeto de estudo incômodo por causa de seu poder? É difícil saber se estas ou outras razões foram decisivas nesta seca acadêmica. No entanto, o Coletivo La Plebe se propôs a fazer sua parte para nos oferecer uma abordagem que combina simplicidade e seriedade. Porque quanto mais poder uma instituição acumula, mais necessário é colocar sobre ela a lupa da crítica para expor a realidade:

Se tivéssemos que escolher um adjetivo para definir este século em que nos coube viver, seria cínico. Poucas pessoas parecem acreditar, com um mínimo de sinceridade, nas grandes instituições históricas como a Igreja, os partidos políticos, o poder judiciário, etc. O descrédito não se restringe a estas referências, mas tem minado o prestígio de muitos campos profissionais que antes pareciam gozar de um certo respeito, como o jornalismo, a profissão jurídica, o ensino, etc. Como resultado, todos podem olhar para a polícia, que conseguiu uma imagem que outras agências gostariam de ter. Mas o que aconteceu para que uma organização que tem exercido tanta violência contra as camadas mais fracas da sociedade ao longo de sua história tenha melhorado consideravelmente sua reputação? As páginas do livro que você está segurando em suas mãos analisam com rigor e amenidade as ferramentas culturais que operaram nas últimas décadas para provocar esta mudança. Ao mesmo tempo, você encontrará uma descrição crítica das características da realidade policial, sua visão de justiça, sua percepção de si mesmos, etc. Não se trata apenas de entender a função social da polícia, mas também de entender alguns dos mecanismos que operam no que chamamos de democracia e que nos impedem de avançar em direção a um mundo onde a combinação de igualdade e liberdade abre novos horizontes de justiça social.

La policía. Un análisis crítico

Por Coletivo La Plebe

Páginas/Cobertura: 168 pp. Hardback

Tamanho: 18×14 cm.

€ 7

www.laneurosis.net

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Infância no campo
brincava nas plantações.
Bonecas de milho.

Leila Míccolis

[Reino Unido] Parte 3 | Freedom e o Novo Milênio

Mais amplamente, essa divisão continuaria a caracterizar duas alas distintas, meio antagônicas e meio cooperativas do movimento anarquista ao longo dos anos 1970-90, que reprisou a divisão entre anarquistas “pacifistas intelectuais” e “luta de classes” que marcou os anos 1940. Na verdade, ao criar sua revista rival em 1970, Meltzer observou:

Quando em uma manifestação, um policial foi acusado de ter se ferido ao cair do cavalo em que estava dispersando a multidão e foi sugerido na Freedom que os anarquistas fizessem uma coleta para ele, o limite foi atingido. O grupo do ex-Cuddon se constituiu em um coletivo Black Flag.

No entanto, a mudança foi considerada um sucesso e o edifício foi configurado com uma impressora no andar térreo, oficina no primeiro andar, armazém e tipografia escritório no segundo e no terceiro um arquivo de papéis, livros e panfletos acumulados – mais tarde se tornaria a loja e o escritório da A Distribution.

Com a chegada dos anos 70, no entanto, um tempo de vacas magras começou para a imprensa, especialmente no meio da década com Vero tendo se aposentado temporariamente e um grupo esqueleto trabalhando para publicar o jornal. Escrevendo em Freedom / A Hundred Years, o ex-editor Dave Peers descreve suas lembranças:

Do lado de fora, a Freedom parecia um estabelecimento sólido. Mudei-me para Londres em 1976 para ajudar a dobrar e despachar o jornal. A rotina semanal ajudava estranhos a fazer contato, algo que desde então se perdeu. Fui encorajado a contribuir e tive algumas informações privilegiadas sobre um evento atual (a tentativa de nacionalizar a indústria da construção naval). Produzi uma peça extensa e desconexa (um hábito que se tornaria repetitivo). Na semana seguinte, fiquei surpreso ao encontrá-lo na primeira página. Encorajado, apresentei algo para a próxima edição, apareci para a sessão de dobramento de quinta-feira e entrei no que era então chamado de “atmosfera pesada”.

A maior parte do coletivo havia entrado em uma disputa sobre responsabilidades, tomada de decisões e poder estabelecido. (Uma lição que deveríamos repetir. Em seguida, eles lançaram o Zero, que foi vítima, entre outras coisas, de erros semelhantes).

Fui atraído para o santuário interno para ajudar a retaguarda com a próxima edição. Assim, jovens inocentes são enredados.

O próximo período foi frenético. O coletivo de produção caiu para três. Estávamos produzindo uma seção semanal (oito páginas A4, talvez 8.000 palavras), colocando-a nós mesmos em máquinas de escrever IBM surradas, cujas únicas concessões à modernidade eram a energia elétrica e o espaçamento proporcional. Nós então contamos com os pacotes do Estado, BR Red Star, para entregar a arte finalizada ao nosso velho amigo Ian, o impressor (RIP) em Margate e trazer o papel de volta. Gillian Fleming fez a maior parte da digitação, Francis Wright da maior parte da colagem e eu corri entre eles, fazendo um pouco de cada um, escrevendo preenchimentos de última hora e agindo como intermediário. Mary Canipa ainda trabalhava na livraria e ajudava na digitação. Havia muita pressão para se preocupar com muitas disputas ideológicas, e o suficiente para dar algumas disputas pessoais.

A pressão diminuiu conforme mais pessoas se juntaram, incluindo Steve Sorba, agora com Aldgate Press, e Philip Sansom, voltando ao que ele chamou de “seu primeiro amor”. A Freedom ainda dava uma impressão de solidariedade impenetrável. O Hastings Group, produtor de um dos primeiros da onda de boas-vindas da publicação local compareceu a uma reunião de leitores para nos criticar e mostrar o erro de nossos métodos, e ficou surpreso ao descobrir que o monólito, o ‘Estabelecimento’ do anarquismo britânico, era meia dúzia de pessoas se esforçando ao máximo pelo melhor, muito como eles.

No final da década de 1970, éramos um grupo de mais de uma dúzia. O grande problema da época era o caso “Pessoas Desconhecidas” e alguns de nós trabalhamos com o grupo de apoio. Nosso problema era a falta de uma estrutura clara. Tínhamos crescido ao acaso, enfrentando o que podíamos, e as coisas ainda estavam conduzidas.

Em 1982 as coisas começaram a desmoronar novamente com argumentos internos, mas duas mudanças importantes viram Vero transferir a propriedade do edifício Freedom para a empresa inativa Friends of Freedom Press Limited, que continua a manter o edifício em confiança para o movimento hoje, e a fundação da Aldgate Press, que ainda imprime Freedom. A década de 1980 também viu a publicação do jornal trimestral The Raven, apresentando trabalhos únicos e reimpressos de todo o movimento anarquista.

À medida que os anos 90 avançavam, o movimento anarquista estava ativo na luta contra o fascismo por botas de cano alto nos cantos do leste de Londres e como um dos poucos pontos fixos do movimento, a Freedom foi fortemente alvo de represálias. A livraria foi repetidamente atacada na década de 1990 por fascistas, incluindo o Combat 18. O pior desses incidentes foi um ataque de fim de semana por paramilitares neonazistas encapuzados segurando porretes de madeira, descritos à World in Action pelo então editor Charles Crute:

Tudo aconteceu muito rapidamente, dentro de dois ou três minutos eles destruíram qualquer coisa relacionada com a composição e então imediatamente, isto foi definitivamente feito com precisão militar. Eles sabiam o que estavam fazendo e deixaram seu cartão de visita na porta, borrifando “C18”.

A campanha acabou se transformando em uma bomba incendiária em março de 1993. O prédio ainda apresenta alguns danos visíveis dos ataques no andar térreo, e trancas de metal foram instalados nas janelas e portas, com o objetivo de proteger contra qualquer violência futura.

Em 1995, Vero se aposentou, mas continuou a dirigir a livraria por carta e a realização de seus desejos coube principalmente a quatro camaradas, Donald Rooum, Sylvie Edwards, Charles Crute e ao gerente da livraria Kevin McFaul (os dois últimos sendo pagos), levando a um período de lentidão que persistiu após sua morte em 2001, embora escritores importantes continuassem se engajando nas páginas do jornal, incluindo Ward e o autor China Miéville.

Freedom e o Novo Milênio (2001-Atualmente)

Falando em uma entrevista de 2016, Donald Rooum lembrou:

Depois da morte de Vero, continuamos e eu não fiquei muito feliz com a atitude dos camaradas que comandavam a coisa, porque Vero brigou com Albert Meltzer, que conseguiu colocar a maioria dos anarquistas de Londres para seu lado e se opôs à Freedom Press. Vero contrariou isso em 1996 com um artigo sobre a morte de Meltzer intitulado “Em vez de um obituário”, que foi muito rude, e eu escrevi um artigo sobre o funeral de Albert que foi rejeitado por considerar que ele tem muitos seguidores. Eu teria gostado de fazer aberturas para o resto do movimento depois que [Vero faleceu], mas Charlie foi especialmente contra o resto do movimento, o que eu achei inapropriado. Então, estávamos apenas avançando…

Mais tarde naquele ano, uma grande agitação ocorreu após a entrada de um novo voluntário, Toby Crowe. Um jovem grande e enérgico que recentemente abandonou o navio do Partido Socialista da Grã-Bretanha, Crowe “simplesmente entrou sem convite algum” para um grupo que consistia de dois membros pagos, voluntários que mal bastavam para funcionar e uma conta bancária se esgotando rapidamente e trabalhando quase em tempo integral, imediatamente começou a fazer mudanças importantes que levaram à demissão primeiro do gerente da loja e, em seguida, do editor. Vindo de uma formação orientada para a luta de classes como ex-ativista do PSGB, Crowe pretendia convidar as correntes anarco-comunistas e anarco-sindicalistas do movimento, irritando apoiadores que se lembraram bem dos argumentos amargos do passado.

Rooum, no entanto, cuja duração de associação com a Freedom já ultrapassava até mesmo a de Lilian Wolfe, durando do final dos anos 1940 até 2017, apoiou a visão de Crowe de que a imprensa, que acumulou uma reputação de sectarismo, precisava ir além de sua base estabelecida e abraçar a cooperação com outros grupos anarquistas.

O mandato de Crowe, no entanto, durou apenas três anos, e ele posteriormente deixou para se tornar um padre da Igreja da Inglaterra. Durante e depois de sua partida, uma sucessão de novos editores, todos na casa dos 20 anos, foi trazida a bordo, incluindo membros do que viria a ser o coletivo de bibliotecas Libcom. Mas uma relativa falta de transferência e uma queda na base de apoio mais antiga da Freedom afetaram fortemente sua produção – entre 2004 e 2008, mesmo o editor do jornal não morava em Londres – e as vendas, que a essa altura haviam caído para algumas centenas, permanecer teimosamente baixa. O prédio em si também estava sofrendo com anos de abandono. O ex-editor da Freedom, Rob Ray, escreve:

Quando cheguei pela primeira vez em 2004, a Freedom já estava em declínio bastante óbvio. Há muito que a Aldgate Press havia se mudado para uma unidade de depósito do outro lado do pátio, a sala do andar térreo estava cheia de caixas quase até o teto, tão altas que era difícil ver o que todas eram, mesmo quando as luzes estavam acesas. Para chegar à parede de trás, você tinha que escalar pilhas de Ravens não vendidas, pilhas coloridas de Wildcat e livros que não podiam ser vendidos desde sabe-se lá quando. No canto direito da sala havia uma porta que conduzia a um alpendre, que estava totalmente cheio de lixo – antes era uma sala escura para revelar fotos, mas agora fedia a umidade e excremento de rato.

A caminhada até o primeiro andar foi revoltante, subindo escadas cobertas por um tapete que não devia ser limpo há anos, que grudava nos pés. No primeiro andar havia um “Hacklab” mal definido compreendendo um terminal de computador frágil, e na outra sala a loja, onde o linóleo estava gasto até a madeira e as janelas cobertas de poeira deixavam um pouco de luz em um espaço sombrio recheado de livros, o que amortecia os sons da vida lá fora em um chiado distante. Mais acima nas escadas, um projeto de remoção de tinta semiacabado deixara painéis de madeira em bruto e corrimões manchados com uma pátina de tinta vermelha brilhante e amarelo desinteressante das decorações anteriores.

O segundo andar, onde uma redação e o (geralmente vazio) Clube de Autonomia estavam instalados, era um pouco melhor, embora pilhas de papelada bizantina cobrissem a maioria das superfícies das mesas, enquanto no último andar havia um pequeno escritório trancado onde a Distribuição A mantinha seus estoques e um espaço de sótão, no qual milhares e milhares de cópias de Freedom estavam paradas, não vendidas e não distribuídas.

O lugar estava uma bagunça.

O edifício foi mantido aberto durante este período em grande parte por meio de uma série de legados nos testamentos de ex-apoiadores, mas havia pouca energia no coletivo e em meio a um declínio no movimento em meados dos anos 2000, aumento das taxas de negócios, custos salariais contínuos não correspondidos por receita e uma série de tiragens em grande escala que não conseguiram vender, esse dinheiro foi drenado lentamente, apesar de trazer grupos como o Serviço de Consultoria para Ocupantes para ajudar a dividir os custos e uma mudança muito necessária da loja no andar de baixo até, ironicamente, o advento de outro ataque fascista forçou uma reavaliação da imprensa e de sua função moderna.

O incidente, que resultou em uma invasão e tentativa de incêndio criminoso nas primeiras horas de 1º de fevereiro de 2013, causou danos significativos no andar térreo e a destruição de centenas de livros e panfletos – bem como a queima parcial dos arquivos do jornal Freedom (danos de fogo podem ser vistos em muitas das varreduras em nosso projeto de digitalização).

Uma enxurrada de doações permitiu que a imprensa sobrevivesse, mas uma revisão do jornal descobriu que as perdas ocorridas e os esforços despendidos em falar para uma audiência de poucas centenas estavam prejudicando a capacidade de funcionamento do Coletivo, forçando o fechamento da Freedom como uma publicação mensal em 2014 – embora continuem a ser produzidas versões gratuitas do jornal e seu site de notícias atualizado regularmente.

A estratégia de publicação da Freedom também foi reformulada e, atualmente, é especializada em tiragens mais curtas e flexíveis de títulos clássicos e novos. Uma reavaliação das salas do edifício, entretanto, fez com que outros seis grupos partilhassem o espaço e revitalizassem a sua utilização, ficando a própria livraria, cinco décadas após a sua compra original, um primeiro porto de escala em Londres para anarquistas e anarco-curiosos de todo o mundo.

Em 2017, a Freedom lançou formalmente um arquivo digital do jornal cobrindo edições de 1886 até hoje, que desde então cresceu para mais de 1.100 edições. Em 2018, Freedom tornou-se um participante importante no Mitting Inquiry, após a revelação de que o espião Roger Pearce se infiltrou no jornal na década de 1980.

Referências

  • Heiner Becker, Nicolas Walter, Philip Sansom, and Vernon Richards (1986) Freedom / a Hundred Years
  • Heiner Becker, (1986) ‘Notes on Freedom and the Freedom Press 1886-1928’ The Raven (1) vol 1
  • Mark Bevir (1996) Fabianism, Permeation and Independent Labour
  • Richard Boston ‘Anarchy among the Anarchists’ The Guardian 16 November 1996, reprinted as ‘Mere Anarchy’ in Starkness at Noon Five Leaves Publications 1997;
  • Charles Crute (1995) Combat 18 investigation, World in Action
  • David Goodway (2014) ‘Freedom, an Obituary’, History Workshop
  • Editors (Oct 25 1969) ‘The Cost of Being Anarchists’, Freedom
  • Harry Kelly (May 1913) ‘An Anarchist Evolution’, Mother Earth 8, no. 3
  • Vernon Richards (anonymously) (1986) Friends of Freedom Press Ltd.
  • Albert Meltzer (1976) The Anarchists in London 1935-1955
  • Albert Meltzer (1986) ‘Liars and Liberals’ Black Flag Supplement no. 3;
  • Albert Meltzer (1996) I Couldn’t Paint Golden Angels
  • John Quail (1978) The Slow Burning Fuse
  • Donald Rooum (2008) Information for Social Change Number 27
  • Nicolas Walter (2007) The anarchist past and other essays edited by David Goodway, Five Leaves Publications 2007.
  • freedomnews.org.uk

Tradução > GTR@Leibowitz__

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/09/reino-unido-parte-2-freedom-press-segunda-fundacao/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/07/reino-unido-parte-1-historia-da-freedom-press/

agência de notícias anarquistas-ana

espuma do mar
adensa o voo das
gaivotas no ar

Carlos Seabra

[Itália] A censura da correspondência ao camarada anarquista Alfredo Cospito foi renovada (janeiro de 2022)

Gostaríamos de informar que em janeiro foi renovada a censura de correspondência ao companheiro anarquista Alfredo Cospito, atualmente preso por uma pena de 20 anos no julgamento “Scripta Manent”. Deve-se notar que a censura também foi ordenada anteriormente entre setembro e dezembro de 2021. Alfredo foi recentemente objeto de um mandado de prisão no contexto da operação “Sibilla” de 11 de novembro, pois foi acusado de incitação à prática de um crime com a circunstância agravante do terrorismo, em conexão com a publicação do jornal anarquista “Vetriolo”.

A ordem de prisão foi posteriormente anulada pelo Tribunal de Reexame de Perugia em 16 de dezembro, enquanto que a investigação contra todos os camaradas investigados permanece em aberto.

Solidariedade revolucionária com os anarquistas presos.

Endereço do camarada:

Alfredo Cospito

Casa prisional Terni

Strada delle Campore 32

05100 Terni

Fonte: https://malacoda.noblogs.org/post/2022/01/11/e-stata-rinnovata-la-censura-sulla-corrispondenza-al-compagno-anarchico-alfredo-cospito-gennaio-2022/

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/27/italia-escrito-de-alfredo-cospito-sobre-a-operacao-sibilla/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/07/italia-intervencao-de-alfredo-cospito-no-debate-sobre-a-luta-contra-a-energia-nuclear/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/07/30/italia-atualizacoes-sobre-a-saude-e-prisao-do-companheiro-anarquista-alfredo-cospito-24-07-19/

agência de notícias anarquistas-ana

Fina chuva inútil
fundo musical
a flauta casual

Winston

Declaração anarquista internacional sobre a pandemia da Covid-19: Ninguém está seguro até que todas e todos estejamos seguros!

A pandemia da COVID-19 tem afetado todos os aspectos da vida humana. Tem tido um efeito devastador sobre a saúde física e mental das pessoas, sobre as relações sociais e sobre as comunidades, sobre nossos meios de subsistência e liberdade de movimento. Também reduziu significativamente nossa capacidade de organizar protestos políticos efetivos e fortaleceu o Estado.

A situação deixou claros os problemas fundamentais do capitalismo global e sua necessidade de crescimento e de lucros contínuos. O apoio do Estado a esses objetivos tem estado por trás da origem, da propagação e das trágicas consequências da doença. A necessidade de uma revolução nunca foi tão evidente.

No entanto, à medida que lutamos contra isso, também se revelaram as fraquezas do movimento das e dos trabalhadores. Temos visto um número crescente de mortes, serviços de saúde sobrecarregados, trabalhadoras/es essenciais tratadas/os como dispensáveis e custos econômicos suportados por aqueles menos capazes de pagar, porém a resistência tem sido insignificante. Apesar disso, a pandemia também gerou ações e sensibilidades chave para a transformação social: solidariedade, ajuda mútua, auto-organização e internacionalismo.

Os coronavírus e outras doenças biológicas que surgiram nas últimas décadas são causadas pela expansão do capitalismo global. À medida que o capitalismo assume cada vez mais terras para extração de madeira, mineração e agronegócios, os animais selvagens estão perdendo seu habitat e entrando em contato com os seres humanos, criando o potencial de propagação de doenças de outras espécies para os seres humanos. Esta situação é exacerbada pela demanda de carne animal exótica por parte das classes média e alta em crescimento em todo o mundo.

Resposta dos empregadores e do Estado

Embora alguns países tenham seguido uma estratégia “Covid Zero”, a maioria optou pela mitigação em vez da eliminação. Isto se deu em grande parte porque eles queriam manter a economia funcionando o máximo de tempo possível, colocando os lucros à frente da saúde das pessoas. O resultado tem sido que a pandemia durou muito mais tempo do que o necessário. O trabalho considerado essencial, que já estava entre os mais mal pagos, foi super-explorado, pois suportou o peso da crise. A falta de sistemas de saúde bem financiados causou inúmeras mortes e muitas trabalhadoras e trabalhadores foram forçadas/os a trabalhar devido a um subsídio por doença insuficiente. Enquanto isso, muitas empresas obtiveram lucros recorde e a distância entre ricos e pobres aumentou.

Para alguns governos, a vacinação tem sido a parte principal de sua estratégia para derrotar a Covid. Embora a vacina seja uma parte fundamental do combate à Covid, as medidas básicas de saúde pública também são vitais. Entretanto, os governos não consideraram nenhuma medida estrutural (como o fortalecimento da saúde ou do transporte, por exemplo), limitando-se quase exclusivamente à estratégia de vacinação. Preferiram contar com a vacina porque ela proporciona lucros enormes para as empresas farmacêuticas e, ao eliminar todas as medidas de saúde pública, mantém as pessoas trabalhando e consumindo.

O lançamento da vacina também trouxe à luz a desigualdade global. A maioria das vacinas foi enviada para os países mais ricos que podem pagá-las. Pedidos de renúncia aos direitos de patente para que mais vacinas possam ser produzidas foram ignorados, demonstrando que para os governos os lucros das empresas farmacêuticas são mais importantes. Cada país seguiu seu próprio caminho com pouca coordenação ou solidariedade internacional.

Resposta do Anarquismo Organizado

Nossas organizações têm se envolvido em diversas lutas: por locais de trabalho e de estudos seguros, por ajuda mútua e solidariedade nas comunidades, e resistindo a ataques a trabalhadoras e trabalhadores enquanto patrões e governos procuram recuperar o dinheiro que tiveram que gastar.

O confinamento foi um momento difícil para nós, pois nossa atividade política habitual não foi possível. No entanto, não aderimos ao movimento anti-confinamento. O anarquismo organizado acredita na auto-organização. A imposição autoritária de medidas sanitárias de contenção por parte dos governos às vezes se revela ineficaz. A implementação de tais medidas através de canais compartilhados e participativos em todos os aspectos poderia ter alcançado maior aceitação e, portanto, maior eficácia.

Eles não vêm da experiência das pessoas na comunidade e no local de trabalho, mas são desenvolvidos com outras agendas em mente. Isto levou a mensagens confusas e contraditórias e criou uma desordem geral, resultando que as diretrizes foram largamente ignoradas, seja por indivíduos, em locais de trabalho ou em outras instituições.

Nossas ideias se baseiam nos princípios básicos do anarquismo organizado de auto-organização, solidariedade e ajuda mútua. Não precisamos que o governo nos diga o que fazer, nem temos que ir contra nosso próprio bom senso só porque o governo quer manter a economia funcionando. É claro que é difícil fazer o que é melhor quando estamos em condições precárias de trabalho. É por isso que a organização e a luta de classes são um elemento vital em qualquer estratégia.

Criando um movimento revolucionário

O anarquismo organizado acredita que, sem uma sociedade completamente nova, uma sociedade sem capitalismo, Estado e hierarquias, a humanidade lutará para sobreviver. Antes de mais nada, esta pandemia não será a única. Outras seguirão, dada a relação de exploração da humanidade com os animais e o mundo natural. O capitalismo trouxe à tona os perigos potenciais subjacentes. As mudanças climática e a desastrosa perda da biodiversidade e dos habitats minam a própria presença humana na Terra. Mais uma vez, o capitalismo e a economia do crescimento aceleraram este processo, pilhando a terra para todos os recursos disponíveis. Pensou-se, e muitas pessoas o fizeram no início, que a experiência da pandemia inspiraria um novo modo de vida, com maior ajuda mútua, solidariedade e respeito ao meio ambiente. Mas este otimismo foi perdido muito rapidamente. Logo voltamos à “normalidade” com os governos ansiosos para fazer as pessoas consumirem novamente. A promoção das viagens aéreas é um excelente exemplo de total desrespeito às mudanças climáticas. A exploração de combustível fóssil, a exploração madeireira e o desmatamento continuaram durante toda a pandemia. No desespero de recuperar os lucros corporativos, as mudanças climáticas ficarão para trás por algum tempo.

No próximo período, as pessoas se concentrarão principalmente em fazer frente aos ataques do governo e dos patrões, enquanto procuram fazer a classe trabalhadora pagar o custo da Covid. Muito do nosso tempo será gasto travando essas batalhas econômicas. Precisamos ter certeza de que a classe trabalhadora está unida para que possamos nos apoiar uns aos outros e garantir que as pessoas mais oprimidas sejam plenamente apoiadas. Precisamos de solidariedade e ajuda mútua, em vez de todos lutarem sozinhos em seu local de trabalho, sindicato ou grupo social oprimido.

Nossa tarefa histórica é continuar a levantar a necessidade de uma revolução. Não podemos continuar nos concentrando apenas nos problemas imediatos que enfrentamos, procurando simplesmente evitar o pior dos ataques e reclamar algumas migalhas. Precisamos desafiar todo o sistema. Uma estratégia será baseada em um determinado lugar – uma comunidade, um local de trabalho – mas deve estar firmemente enraizada em uma perspectiva internacional. Podemos aprender com nossa experiência da pandemia, que obrigou muitas pessoas a restringir suas vidas ao seu ambiente imediato: sua casa, vizinhos, comunidade e espaços verdes. É em um lugar específico, em torno de questões que podemos experimentar por nós mesmos, que são criados movimentos para mudanças muito maiores.

Entretanto, é essencial ter uma perspectiva mais ampla, pois as mudanças necessárias são enormes e interdependentes. As razões pelas quais existem problemas em um determinado lugar são devidas a decisões tomadas em salas de diretorias corporativas ou ao resultado de forças de mercado que garantem que o lucro seja o principal critério que configura os locais.

Embora as mudanças climáticas também sejam um problema global, a pandemia foi muito mais imediata e pessoal. Ninguém pôde negar o fato de que estamos interligadas/os. Isso significa que existe o potencial para desenvolver movimentos mais focalizados em nível internacional. O slogan “não estamos seguros até que todos estejamos seguros” passou a fazer parte da maneira de pensar de muitas pessoas. O futuro depende da medida em que possamos construir sobre os aspectos positivos da resposta popular e criar um movimento que vá além das preocupações e exigências imediatas para uma ruptura fundamental com o capitalismo e em direção a uma sociedade anarquista.

cabanarquista.org

agência de notícias anarquistas-ana

ipê florido
as abelhas zunem
folhas caídas

Rubens Jardim

 

A pré-venda de Arte e Revolta começou

Arte e revolta, cujo título em francês é L’art et la révolte, é um opúsculo de 32 páginas e formato 14 × 21 (fechado) com capa em tipografia.

O texto original é a transcrição de uma conferência realizada em 30 de maio de 1896 na Bibliothèque de L’Art Social, no momento de fundação do Grupo L’Art Social (Arte Social). Este era composto por militantes, escritores e artistas que concebiam a arte como elemento de ação direta. O grupo elaborou manifestos e a revista homônima.

Escrito por Fernand Pelloutier, Arte e revolta anuncia o papel da arte e dos artistas na sociedade. No texto, Pelloutier contrapõe a arte social não apenas à arte burguesa, mas também à arte que denomina como “diletante”, ou seja, uma forma de arte sem compromisso político e vinculada apenas ao prazer de fazer arte. Portanto, não se trata apenas de negar o formalismo da arte burguesa e de suas vanguardas, ligadas, naquele momento, ao culto do belo e ao gosto, mas de vincular ética, estética e politicamente a forma e o conteúdo em uma “Arte Social”.

Sobre o autor

Fernand Pelloutier (1867 – 1901) foi um sindicalista, anarquista e jornalista. Pelloutier, assim como Proudhon, dava importância fundamental para a ação direta, bem como para a autonomia, como um processo de emancipação das pessoas trabalhadoras.

O sindicato, para Pelloutier, não é apenas um instrumento de resistência ou uma forma de obter militantes para o processo revolucionário; é um instrumento de transformação, pois almeja construir, ainda no capitalismo, grupos de produtores livres, tendo como horizonte uma sociedade anarquista em que as pessoas têm autonomia e responsabilidade social.

A emancipação é um elemento central do pensamento de Pelloutier e deve ser alcançada pelas próprias mãos das pessoas trabalhadoras. Para ele, não apenas a greve geral era um instrumento para isso, mas também a educação e a arte, vista como arte social. Ao longo de sua vida, contribuiu com jornais e revistas, entre elas a revista mensal L’Art Social.

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lua nublada
no alto da montanha
a solitária árvore

Alonso Alvarez

[EUA] Sem Liberdade! Atualização de Condicional para o Anarquista Michael Kimble

Declaração do anarquista encarcerado Michael Kimble para seus apoiadores e apoiadoras sobre sua rejeição recente para a liberdade condicional. Para mais informações sobre o Kimble e sobre como apoiá-lo, acesse (anarchylive.noblogs.org/support-michael).

De Michael Kimble:

Em 16 de dezembro de 2021, fui considerado para condicional em uma audiência aberta. Fui recusado e ganhei um adicional de 5 anos antes de ser considerado novamente para a condicional. A razão apresentada ao meu advogado e aos meus apoiadores e apoiadoras, que compareceram à audiência em meu favor com certificados de conquistas e as muitas cartas de recomendação, bem como meu plano de emprego que estava em ordem, foi que tive advertências por me recusar a trabalhar e por agressão a um carcereiro que estava me assediando. (O mesmo que foi subsequentemente despedido por contrabando dentro da prisão.)

Meu advogado e meus apoiadores e apoiadoras também estiveram em outras audiências que ocorreram no mesmo dia e afirmaram que ninguém recebeu condicional naquele dia. Algumas dessas pessoas encarceradas tinham fichas limpas, sistemas de suporte etc., mas ainda assim suas condicionais foram recusadas.

Estou amargurado e com raiva sobre essa recusa, mas ela não me surpreendeu de verdade. O Conselho de Liberdade Condicional do Alabama apareceu no noticiário recentemente sobre a recusa de condicional a pessoas em situação de cárcere por 20 a 30 anos ou mais e pela disparidade racial em quem consegue ou não a liberdade condicional. No último ano fiscal, 23% de encarcerados brancos foram considerados para a condicional, mas apenas 9% dos encarcerados negros. No ano fiscal de 2017, 54% dos requerimentos para condicional foram aprovados. Essa é uma taxa alta para o Alabama. No ano fiscal que terminou em junho, a taxa de aprovação foi de apenas 15%. Até agora, no ano fiscal de 2022 a taxa é de 10%. O conselho atual é liderado por Leigh Gwaffney, um ex-promotor. Outros membros incluem um ex-oficial de condicional e um agente estatal. Victims of Crime and Leniency (VOCAL) [Vítimas de Crime e Clemência], um influente grupo de vítimas, manda voluntários para testemunhar contra quase todos os presos que requerem a liberdade condicional. Um representante do escritório da promotoria faz o mesmo.

Apenas 4 de 31 presos tiveram seus requerimentos aprovados em setembro. Apenas 29 presos – representando 8% dos requerimentos – conseguiram a condicional naquele mês. Na verdade não importa o que a pessoa faz enquanto em situação de cárcere para sua reabilitação – eles estão sendo negados. A realidade é que as recusas são sobre vingança, racismo, o alojamento de corpos para controle social, e lucros para o Estado (escravização).

Fonte: https://itsgoingdown.org/no-freedom-parole-update-from-anarchist-prisoner-michael-kimble/

Tradução > Sky

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/09/09/eua-clio-alabama-atualizacao-sobre-a-greve-de-fome-e-o-prisioneiro-anarquista-michael-kimble/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/13/eua-bloomington-libertem-michael-kimble-derrubem-os-muros/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/03/23/eua-prisioneiro-anarquista-michael-kimble-transferido-solicita-apoio-juridico-adicional/

agência de notícias anarquistas-ana

Entre haicais e chuva
Súbita inspiração:
Um trovão.

Sílvia Rocha

[Colômbia] Não ao serviço militar!

Como Sindicato revolucionário, rechaçamos a guerra e a militarização da vida. Portanto, nos somamos a campanha de alerta e denúncia que as companheiras e companheiros da Acción Colectiva de Objetores e Objetoras de Consciencia (Acooc) vem realizando, diante das detenções arbitrárias e o recrutamento forçado (“Batidas”) que vem sendo realizados pelo exército nacional da Colômbia, em Bogotá e outras cidades do país. Rechaçamos a presença de membros do exército no terminal de transportes Neivada e setores populares da cidade #neivahuila

Como jovens trabalhadores filhos de operários, repudiamos qualquer ação arbitrária e irregular com fins de recrutamento de jovens, os quais, em sua maioria pertencem aos setores populares. Quase 98% das forças armadas oficiais estão integradas por jovens das camadas 1, 2 e 3. Por isso, como classe trabalhadora não podemos seguir mais enterrando os mortos em uma guerra sem sentido, uma guerra que beneficia os interesses de uma classe privilegiada.

A objeção de consciência é um direito.

As “Batidas” são ilegais.

Contra a guerra e o militarismo!

> objecion@objetoresbogota.org

> sindicatodeoficiosvarios@gmail.co

Sindicato de Ofícios Vários – SOV

Fonte: https://huila.uletsindical.org/2022/01/no-al-servicio-militar.html

Tradução > 1984

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No perfume das flores de ameixa,
O sol de súbito surge –
Ah, o caminho da montanha!

Matsuo Bashô

[Itália] Liberdade para Claudio Lavazza!

Claudio Lavazza é um anarquista de ação que passou os últimos 25 anos em prisões espanholas e francesas. Militante na agitação armada dos anos 70, depois de ter sido preso na Itália pelas atividades do PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), sua vida foi dividida entre esconder-se, fugir e uma teimosa e interminável inimizade contra bancos e autoridades e uma sempre pronta solidariedade com os movimentos subversivos que encontrou ao longo do caminho.

Preso em 1996 na Espanha após um tiroteio em um assalto a um banco que deu errado, ele se engajou na batalha contra a prisão especial do estado espanhol, o regime FIES ao qual foi submetido por 8 anos. Após 24 anos de prisão, ele foi extraditado para a França, onde uma sentença de 10 anos o aguardava por um grande assalto em uma agência do Banco da França em 1986. Apesar da legislação europeia estipular que o acúmulo de sentenças cumpridas na Espanha pode absorver esta sentença, e que Claudio deveria estar livre em 11 de dezembro, o promotor do tribunal de Mont de Marsan, encarregado de seu caso, continua a usar desculpas e pretextos para atrasar a libertação de Claudio. Esta é mais uma vingança estatal para punir um revolucionário consistente que nunca negou seu passado e continua afirmando a necessidade e o valor da luta contra o Estado e o capital.

A partir de 7 de janeiro, com a reabertura dos escritórios judiciais franceses, pedimos a mobilização para que as autoridades responsáveis libertem Claudio da prisão.

Abaixo estão os dados de contato das autoridades responsáveis pelo prolongamento da prisão de Claudio:

Vice procureur de la république Céline Bucau

Celine.Bucau@justice.fr

Secrétariat du procureur de la république

+33 5 24290418

Escritório de cobrança de penalidades

+33 5 24280457

Tribunal Judicial de Mont-de-Marsan

249, Avenue du Coronel Rozanoff

40011 Mont de Marsan Cedex

Também estamos atualizando o endereço para o qual podemos escrever a Claudio (é importante que as autoridades penitenciárias saibam que Claudio não é o único a enfrentar este assédio judicial!), pois nosso compa foi recentemente transferido para uma seção “para delinquentes permanentes” dentro da mesma prisão onde ele esteve desde sua chegada na França:

Claudio Lavazza

No. ecrou 11818, CD 1 célula 5, 1D

CP de Mont-de-Marsan

Chemin de Pémégnan

BP 90629

40000 Mont de Marsan (França)

Vamos nos mobilizar!

Contra todas as prisões!

Fonte: https://malacoda.noblogs.org/post/2022/01/11/liberta-per-claudio-lavazza/

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/05/20/claudio-lavazza-e-extraditado-para-a-franca/

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Hora do recreio:
periquitos tagarelas
brigam pelas mangas.

Anibal Beça

O expurgo de Stálin e o Gulag pelos olhos do pintor Piotr Belov

No final da década de 1980, o artista Piotr Belov chocou os moscovitas com suas pinturas que pela primeira vez apresentavam abertamente o tema do Gulag e do expurgo de Stálin. 

Quando essas pinturas foram exibidas pela primeira vez ao público em Moscou, em 1988, os russos fizeram longas filas para conferir a exposição.

Piotr Belov, até então desconhecido, imediatamente se tornou o símbolo da perestroika e da glasnost na arte, bem como das mudanças quando conversas e sussurros na cozinha tomaram o espaço público. Antes, falar (e muito menos pintar) sobre o tema das repressões de Stálin era quase impossível. Raramente os livros sobre o Gulag chegavam à publicação.

Com o sucesso em Moscou, as pinturas de Belov fizeram uma turnê inteira pela União Soviética. Em 2020, a família do artista doou as pinturas ao Museu de História do Gulag, na capital russa. Na instituição, as obras ganharam sobrevida em novas exposições – permitindo aos russos compreender a emoção sentida por seus compatriotas nos anos 1980.

“As pinturas que impressionaram tanto o público com sua bravura e profundidade foram logo intituladas de ‘ciclo anti-Stálin’”, diz Roman Romanov, diretor do Museu de História do Gulag.

“Suas obras expressavam a dor e o medo mais íntimos, compreendidos por muitos contemporâneos. Ele conseguiu exprimir uma forte dissonância que era relacionável às experiências de milhões de compatriotas”, acrescenta Romanov.

A pintura abaixo mostra um maço de cigarros chamado Belomorkanal (ou apenas Belomor, na gíria) em referência ao canal Mar Branco-Báltico. O canal é famoso por ter sido construído por prisioneiros do Gulag em tempo recorde, e as obras de construção em condições difíceis ceifaram milhares de vidas. A metáfora é clara.

A imagem de Pasternak emparedado é bastante realista. Quando seu romance ‘Doutor Jivago’ foi proibido na URSS, ele o levou secretamente para o Ocidente. A obra foi publicada no Ocidente e o autor recebeu o Prêmio Nobel de literatura. Mas as autoridades soviéticas lançaram toda uma campanha de intimidação contra Pasternak, o que levou à sua morte prematura. Na parte inferior da pintura, vê-se um jornal Pravda com um retrato de Nikita Khruschov, que iniciou a campanha.

Esta pintura se refere ao diretor de teatro Vsevolod Meyerhold, que foi alvo de repressão. Belov imaginou o corpo abatido e espancado na prisão, enquanto a cabeça está coberta com o retrato de um cartão de identificação de um oficial.

“Stálin, nas pinturas de Belov, é uma alegoria da morte”, explica Kirill Svetliakov, curador da exposição. “Em uma das pinturas, ele está olhando para a ampulheta onde crânios humanos ‘medem’ o tempo, em vez de grãos de areia. Em outra pintura, figuras humanas se assemelham a cinzas e caem de seu cachimbo. Na outra, pessoas são flores silvestres sob as botas do ditador.”

“A análise precisa [da pintura abaixo] revela uma fotografia no fragmento descongelado – no qual é possível reconhecer a testa do pai e a primeira página do manuscrito de ‘O Mestre e Margarita'”, lembra Ekaterina Belova, filha do artista. “Também podemos ver uma fotografia virada de cabeça para baixo. Certamente tem a mãe nela – seu penteado e cabelo. E então um grande campo de neve. Papai costumava dizer que se alguém começasse a cavar a neve, poderia mostrar muitos manuscritos escondidos em cada trecho descongelado… Aqui, mal foi cavado e há muitas coisas inexploradas à frente…”

A exposição ‘Fila pela Verdade’ de Piotr Belov da época da perestroika está em cartaz no Museu de História do Gulag, em Moscou, até 18 de maio de 2022.

Fonte: https://br.rbth.com/cultura/86318-expurgo-stalin-gulag-nos-olhos-pintor-piotr-belov

agência de notícias anarquistas-ana

harmonia sem acorde
nota em contratempo
a dissonância morde

Gabriela Marcondes

[Grécia] Anarquistas saúdam 2022 com molotovs e bomba de gás butano

A mais nova rede anarquista de guerrilha urbana, a Direct Action Cells (DAC), assumiu autoria de um ataque incendiário aos escritórios de uma empresa de construção em Tessalônica, ocorrido nas primeiras horas de primeiro de Janeiro de 2022. A “Célula Casus Bell” lançou um comunicado no mesmo dia, declarando que o ataque com molotovs contra os escritórios da PRAXIS EE Technical Contractors foi uma retaliação pelo desalojo da manhã anterior, de uma ocupação de 34 anos de idade na Universidade de Biologia Aristóteles. Na mesma data, um ataque separado com explosivos improvisados, teve como alvo a catedral Agios Pavlos em Atenas, o ataque ainda não foi reivindicado, mas carrega todos os indícios dos ataques prévios das operações da DAC.

Como parte das políticas atuais do governo para desalojar okupações de espaços urbanos na Grécia, e reintroduzir as polícias dentro dos campus das universidades, a okupa “Hangout Biological” no campus da Universidade Aristóteles foi desmontado nas primeiras horas da manhã de primeiro de Janeiro. A polícia fez a escolta de trabalhadores, que demoliram uma parede lateral da okupa à marretadas, ganhando acesso a salas de aula e confiscando vários equipamentos, de extintores de incêndio à hastes de madeira com bandeiras anarquistas. O espaço vinha sendo okupado desde 1988. Em resposta ao despejo, uma recém formada célula da DAC, a Casus Bell, atacou os escritórios da PRAXIS, empresa que recebeu milhões para realizar um contrato de revitalização urbana. A nota divulgada acusa o reitor da universidade de colaboração com a administração das políticas de lei-e-ordem da administração Mitsokanis, e vai além.

Trecho da declaração

A comunidade acadêmica oficialmente abre os braços para o militarismo e a repressão, com a reitoria podre emocionadamente agradecendo pessoalmente ao próprio Mitsoutakis. Essa é a Universidade de Tessalônica: uma matriz de colaboradores da repressão onde nascem os oficiais uniformizados da República […] Nós assumimos a responsabilidade pelo ataque incendiário no prédio da empresa de construção Praxis, na Rua Kromnis em Kalamaria, logo após a virada do ano. Praxis é a empresa contratada que demoliu a okupação. Nós atacaremos individualmente, cada um dos que apoiam a repressão contra os territórios libertados.

Nosso ataque é o primeiro reflexo de um movimento de solidariedade prática, com os esforços ao redor do mundo, que defendem até o fim as áreas de resistência, solidariedade e ataque. Uma mensagem de força, apoio e cumplicidade com cada camarada que individualmente insiste na negação, no questionamento, na guerra. Você nos encontrará ao seu lado a todo momento do conflito, em cada barricada, por que nós não terminados por aqui. Nós estamos preparando um novo ciclo de ataques na guerra de atrito, organizando novas células de ação direta. E nessa guerra nós chamamos cada iniciativa insurgente para a ação, afiando os confrontos, quantitativa, qualitativa e operacionalmente. Nós respondemos guerra com guerra. […] – Direct Action Cells – Célula Casus Belli

Anteriormente, a maioria dos ataques da DAC em Tessalônica foram reivindicados pela célula local, Organization of Anarchist Action, que vinha mirando especificamente em membros do alto escalão da polícia.

Em outra notícia. Uma explosão estremeceu a vizinhança de Omonia em Atenas, nas primeiras horas de 1° de Janeiro, quando um dispositivo explosivo improvisado (IED) detonou do lado de fora da catedral Agios Pavlos. Supostamente o dispositivo foi confeccionado com um “botijão de gás”, o que sugeriria, mas não confirma, mais um ataque da DAC, já que tanto células em Atenas quanto em Tessalônica tem frequentemente usado IEDs construídos à partir de botijões de gás butano. Apesar dos métodos semelhantes aos da DAC, é importante perceber que a Igreja Ortodoxa Grega é um alvo popular por uma variedade de grupos que operam na Grécia. Além disso, as células de Atenas da DAC parecem preferir executar múltiplos ataques antes de lançarem um comunicado assumindo a responsabilidade por múltiplos ataques similares, usando IEDs construídos com botijões de butano, ou coquetéis molotovs e geralmente são fotografados e filmados pela célula. Até agora, não há conexão entre o ataque de Agios Pavlos e a célula local da DAC.

2021 foi o ano de estreia das operações da DAC, e seus ataques vêm sendo consistentes em métodos, alvos e retórica dos comunicados. As aspirações estratégicas primárias do grupo é desenvolver uma rede de “violência revolucionária” não apenas na Grécia, mas também ao redor do mundo, encorajando ideologicamente membros alinhados à esquerda radical e
movimentos anarquistas a executarem ataques em alvos do “Estado e capital”. Até agora eles vem sendo bem sucedidos em estabelecer uma rede através da Grécia continental, de Atenas até Volos e Tessalônica. Se essa rede vai se espalhar através da Grécia para incluir, por exemplo, comunidades [na ilha de] Creta, ou mesmo avançar para dentro da Europa onde esses grupos têm simpatizantes, como na Itália ou Alemanha, é algo a ser observado, mas até então, não aconteceu.

Fonte: https://www.militantwire.com/p/greece-anarchists-greet-2022-molotovs

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

Relvas de verão
sob as quais os guerreiros
sonham.

Matsuo Bashô

[EUA] Antifascistas enfrentam neonazis em Orlando; a polícia oferece proteção aos racistas

A seguir, relatório da Tequesta Black Star sobre antifascistas que se opunham ao recente comício neonazista na chamada Orlando.

Os antifascistas resistiram à presença do Movimento Nacional Socialista (NSM, sua sigla em inglês) em duas instâncias distintas na região de Orlando, contra-protestando e redecorando os locais em que se reuniam.

Em 29 de janeiro, 15-20 neonazistas representando o Movimento Nacional Socialista realizaram um comício no Waterford Lakes Town Center, entre eles Burt Colucci, o atual líder do NSM e Eddie McBride. A multidão de fascistas agitou bandeiras e faixas nazistas, atacou os transeuntes e acossou as pessoas que os gravaram.

25 antifascistas locais chegaram então prontamente à cena, rompendo a reunião fascista com ovos e pedras, forçando-os a se dispersar. Após a dispersão do comício do NSM, os locais acharam por bem redecorar o local com adesivos e tags antifascistas, segundo um relatório da Frente Revolucionária Abolicionista de Miami.

O mesmo grupo de fascistas ressurgiu no dia 30 na rodovia I-4, também em Orlando, colocando uma bandeira suástica e duas faixas dizendo “Vax the Jews” e “Let’s Go Branon”, um slogan de direita erroneamente escrito.

Anarquistas e antifascistas locais chegaram à cena novamente, mas não conseguiram encerrar a manifestação de extrema direita devido a uma presença maciça da polícia para proteger o NSM.

Fonte: https://itsgoingdown.org/orlando-report-back-nsm-rally/

Tradução > dezorta

agência de notícias anarquistas-ana

Não esqueças nunca
o gosto solitário
do orvalho

Matsuo Bashô

[EUA] Anunciando o trailer para o novo documentário, The Social Empire

Vivemos na era do algoritmo. Todos os dias, nossas vidas são mediadas por forças que não vemos e não entendemos. Nossas ações, movimentos, decisões e desejos inconscientes são monitorados, gravados e reduzidos a linhas de código. Um vasto tesouro de dados comportamentais é minado, preparado e manipulado a nível individual, produzindo bilhões de linhas do tempo únicas e formas diferentes de viver a realidade.

Como um dos primeiros arquitetos dessa nova ordem social, o Facebook dramaticamente remodelou o mundo. E, com sua recente conversão para a Meta Platforms e o lançamento oficial do Metaverse, o Facebook reivindica mundos que ainda não foram criados.

Uma colaboração entre as produtoras anarquistas subMedia, Antimídia e Wind Born Films, The Social Empire [O Império Social] é um filme sobre que tipo de mundo o Facebook criou e suas implicações para aqueles que lutam por outros novos mundos.

Lançamento na metade de 2022.

Interessado em se conectar conosco ou em organizar uma exibição? Entre em contato. https://thesocialempire.net/contact/

>> Para ver o trailer, clique aqui:

https://thesocialempire.net/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Noite de desejo!
O amor penetra e ilumina
Quando a luz se apaga…

Clície Pontes

[Itália] Outra ideia de saúde

Este artigo de Stefania Consigliere, uma antropóloga de Gênova, vem da edição 62 (outono de 2021) do “Nunatak”. Revista de histórias, culturas, lutas das montanhas”. É uma transcrição – editada pela equipe editorial de “Nunatak” e revisada pelo autor – de um discurso feito por ocasião de Kill the Bill, um encontro “contra a sociedade da miséria tecnológica” organizado em 4-5 de setembro pelo Coletivo Saúde e Liberdade através do No Tav em Mattarello (NT). O tema poderia ser resumido da seguinte forma: “caminhos de cuidados fora do mecanicismo biológico”. Misturando elementos de crítica radical do tecno-capitalismo com as ferramentas da antropologia médica, a autora nos convida a explorar – em nossos corpos e em nossas relações sociais – o que em outro lugar e o que de outra forma a indústria tecno-industrial tende a suplantar. Ela nos mostra – com a boa graça dos analistas do CENSIS… – quanto do “impensado”, “mágico” e “mitológico” está contido na suposta racionalidade técnico-científica com seus modelos padronizados aplicados aos corpos e à saúde; e como o “mágico” se tornou o aparelho capitalista de capturar a natureza, a espécie e seus ciclos vitais.

Embora a dominação nos encante com os fins que ela afirma alcançar, outros lugares e outra forma são cada vez mais necessários se não quisermos sucumbir sob o poder coercitivo de seus meios.

Boa leitura.

>> Outra ideia de saúde:

https://ilrovescio.info/wp-content/uploads/2022/01/Unaltra-idea-di-salute.pdf

Fonte: https://ilrovescio.info/2022/01/28/unaltra-idea-di-salute/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Sob a lua
a sombra que se alonga
é uma só.

Jorge Luis Borges