Escrito de um anarquista cubano depois das manifestações em Cuba

Há um mal-estar muito grande que não pode ser colocado em um esquema esquerda-direita. É um povo descobrindo sua capacidade de não ser mera massa de apoio a uma oligarquia retrógrada e cínica que usa as palavras “revolução”′ e “anti-imperialismo” para legitimar um despotismo sórdido que pouco se diferencia de qualquer tirania. É um povo cansado das desigualdades e dos privilégios “revolucionários” e “socialistas”. Cuba além de ser um museu da esquerda mundial, é uma sociedade com Estado, policiais, repressores, privilegiados e marginalizados, e com uma oligarquia militar burocrática tão gananciosa como qualquer outra. O fato de termos tido um déspota esclarecido e humanista não o isenta do seu despotismo, nem de seus herdeiros. Uma parte significativa deste povo disse basta, que não dá mais. O levantamento do bloqueio ianque deve ocorrer e, também, o fim do monopólio da oligarquia castrista. Será complicado e seguramente “impossível”, mas é a perspectiva mais honesta que vejo.

Nosso companheiro Leonardo Romero está desaparecido atualmente, é um inimigo do Estado cubano por ter escrito publicamente em um cartaz “Socialismo sim, repressão não!” E é nesse desaparecimento que está à verdadeira face desse governo.

>> Legenda da foto: Quem impedir a marcha firme desse irmão, é o inimigo.

Fonte: http://www.polemicacubana.fr/?p=15774&fbclid=IwAR2nvui-lwhh3HJX3TXbedjhS8hVKlsub2bb0lO04-UygiqjZ9teR-a2P-s

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Frases compostas
no sol que passeia
sob minha caneta.

Jocelyne Villeneuve

[Cuba] “Nunca é culpa deles, é sempre o bloqueio”

Eles nunca se cansam da desculpa do bloqueio para defender uma ditadura com campos de concentração, prostituição em cada esquina e pessoas desaparecidas?!

As boas intenções NÃO BASTAM. A humanidade não pode viver de boas intenções. Instalaram um dos piores despotismos da história moderna; massacraram trabalhadores e marinheiros em Petrogrado e Kronstandt; mataram de fome MILHÕES de camponeses ucranianos e chineses; exterminaram povos inteiros como os tártaros e os tibetanos; esmagaram com sangue e fogo os húngaros, os poloneses e os tchecos; traíram e usaram a República Espanhola; institucionalizaram a mais abjeta bajulação; institucionalizaram o bullying e a vigilância mútua em escala nacional em Cuba; atormentaram até ao suicídio milhares de gays ou Testemunhas de Jeová ou simplesmente adolescentes respondões e rebeldes; destruíram o Camboja; estão explodindo a Venezuela; esterilizaram a vida de milhões de pessoas, fanatizando-as e enchendo-as de ódio e turvando seu raciocínio…

Ainda por cima, nunca é culpa deles, é sempre o bloqueio, o imperialismo, sempre os revisionistas, os traidores ou o Mickey Mouse e, para o supra-sumo, se você apontar isso para eles, que são fatos comprovados e foram previstos, você é “um facho [fascista]”…

Mas não se pode dizer nada a eles porque “eles têm boas intenções”.

Enfim, enfim…

Anarcocubano

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As folhas caindo
Na roça em frente ao portão
Divertem o gato.

Issa

[Cuba] “A revolução”

A revolução nos ensinou a ler e escrever, e depois nos disse o que podíamos escrever e o que estava proibido ler, criando desta forma o pior tipo de analfabeto que existe, o que acredita que sabe tudo e não necessita escutar ninguém.

A revolução converteu os quartéis em escolas e o país em um quartel.

A revolução levou a eletricidade aos lugares mais afastados e depois trouxe os apagões a todos os lugares.

A revolução terminou com bordéis de bairro e converteu o país em um bordel.

A revolução nos deu um sistema de saúde gratuito, para que possamos ter atendimento às doenças que ela nos causa com seu estresse constante, péssima higiene e má alimentação… Se protesta, abrirão a  sua cabeça, mas os pontos também serão grátis.

A revolução nos assegura um trabalho digno com um salário que nos garante uma vida indigna.

A revolução eliminou a exploração da pessoa pela pessoa e estabeleceu a exploração das pessoas pelo estado.

A revolução eliminou a burguesia e estabeleceu a monarquia.

A revolução mudou as pessoas mortas nas ruas pelas pessoas mortas no mar e nas prisões.

A revolução dividiu os pães e desapareceu com os peixes.

A revolução nos ensinou que a liberdade não se mendiga enquanto nos vestia de mendigos.

A revolução converteu delatores em heróis.

A revolução nos disse que a família não era importante, que quem saísse de Cuba jamais voltaria a ver o seu céu; não queremos você, não precisamos de você… hoje nos diz que o imperialismo quer separar a família cubana. Hoje pede a gritos e flexibiliza a entrada de turistas vindos do imperialismo!!!

A revolução proibiu Camilo Sesto, Os Beatles, Roberto Carlos, Julio Iglesias, etc… hoje nos diz que arte é arte e que a política é a política e não se devem misturar.

Um cubano a pé.

Tradução > Caninana

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Sem ter companhia,
E abandonada no campo,
A lua de inverno.

Roseki

[Cuba] “Morte ao Estado e Viva a Anarquia!!!”

Cuba não pede comida! Cuba não pede remédios! Cuba não quer capitalismo! Cuba não quer comunismo! Cuba não quer ser colônia americana! Cuba não quer ser colônia russa! Cuba quer liberdade!!! Não misturem mais as coisas! Nós queremos ser livres!!!

Somos um povo que por 62 anos foi desarmado até mentalmente!!! Não temos armas!!! Pelo contrário, eles, por 62 anos, montaram um exército para maltratar e reprimir o povo!!!

Algumas perguntas a todos aqueles que continuam a defender este regime, e continuam a acreditar na vergonha vermelha:

Você apoia o que está acontecendo em Cuba? Você apoia que o exército esteja nas ruas matando pessoas? Você apoia que a polícia de madrugada sequestre os opositores políticos? Você apoia que o sistema prisional permita saírem sicários, estupradores, assassinos, para enfrentar o povo que realmente quer uma mudança? Você apoia que o sistema de saúde inocule doenças e vírus em pessoas por pensar diferente? Que o próprio sistema sanitário não atenda os que estão caindo nas barricadas? Não entendo que tipo de sistema e que tipo de esquerdistas são! Ou que tipo de ácratas são!?

De verdade, querem que um povo sucumba desde que “continue resistindo ao capitalismo”! Não acham que se tanto quisessem [invadir] Cuba já teriam feito isso? Vocês são tão culpados como os nossos governantes pelos desaparecidos! Pelos mortos! Pelos torturados!

Sem mais o que dizer.

Morte ao Estado e Viva a Anarquia!!!

Wevanz Eztafilokoko

Havana, 14 de julho de 2021

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Anoitece no mar —
Os gritos dos patos selvagens,
Vagamente brancos.

Bashô

[Espanha] Lançamos o número 29 de nosso boletim, Bicel

Já está disponível o novo número de Bicel, o boletim da Fundação Anselmo Lorenzo. Como agradecimento à vosso apoio, fundamental para que a FAL continue avançando, damos acesso à versão digital de nossa publicação, na qual encontrareis conteúdos sobre Memória Histórica, cultura libertária ou resenhas de diversos livros. Também, fazemos balanço de nossa atividade na Fundação, assim como das iniciativas que foram vindo à luz ao longo deste ano.

Os animamos, pois, a consultar os outros números, disponíveis neste link (fal.cnt.es/bicel-publicacion-oficial-de-la-fal/). E se és doador da Fundação podes solicitar a versão impressa escrevendo-nos por correio no endereço fal@cnt.es

>> Consultar Bicel 29 (PDF):

https://fal.cnt.es/wp-content/uploads/2021/07/bicel29-digital-web.pdf

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Um pombo no mar
traz ao bico verde ramo:
terra à vista?

Anibal Beça

Ixé Ygara: por terra e território

Queria falar, numa toada breve, sobre dois livros que li recentemente e recomendo, pois ambos aterram a luta e os pés.

O primeiro é “Por terra e território – caminhos da revolução dos povos do Brasil“, lançado pela Teia dos Povos neste 2021, escrito pelo mestre Joelson Ferreira (agricultor, plantador da floresta do assentamento Terra Vista – BA, ex-dirigente nacional do MST, fundador e conselheiro da Teia dos Povos), e por Erahsto Felício (professor do IFBA, historiador que contribui na Divisão de Comunicação da Teia dos Povos).

Esse livro é essencial para todos aqueles que se interessam ou se engajam nas causas sociais e políticas, pois ele atualiza e localiza a luta, a resistência e a revolução. Atualiza ao colocar no chão conceitos e princípios libertários – de variadas, porém vizinhas, procedências ideológicas, em geral europeias, como o anarquismo e o marxismo – ao lado da tradição de luta e resistência, do pensamento revolucionário e das culturas, ancestralidades e cosmovisões dos povos originários e dos povos da diáspora africana. Ao lado dessas potências, estão os povos do campo e da cidade, igualmente com suas trajetórias e aspirações.

Além disso, há nesse livro dois pontos a serem ressaltados: mestre Joelson é um homem do campo, da lida diária na terra e é muito significativo que parta dele a formulação das ideias, a assimilação dos conceitos e a organização prática e teórica da Teia dos Povos. Não se trata de um intelectual, analisando e interpretando fatos históricos, mas sim de um homem da base dos movimentos sociais. Ressaltar essa característica tão orgânica das ideias inscritas no livro é umas de suas enormes qualidades. Outro ponto é que o “Por Terra e Território” se propõe a olhar justamente para os erros e fracassos das esquerdas e, a partir deles, propor saídas. Em tudo isso, há uma bonita semelhança com a luta zapatista no sul do México.

O segundo livro que recomendo é “Ixé Ygara voltando pra ‘ Y’kûá (sou canoa voltando pra enseada do rio)“, escrito por Ellen Lima e também lançado neste 2021 pela Editora Urutau. Este é o primeiro livro de Ellen, do povo Wassu Cocal, é mais um registro da poderosa expressão literária da diáspora indígena brasileira (e que aqui se ouça muitos ecos, especialmente da imensa poeta Eliane Potiguara). O livro é um registro breve, porém extraordinário, de uma identidade em conflito, da paisagem de um lugar em permanente busca por si mesmo: Ellen Lima é nascida e criada na periferia do Rio de Janeiro, mas passou a primeira infância em Cocal, junto ao seu povo, ao povo de seu pai e de seus parentes, e hoje vive em Portugal, onde cursa o doutorado em Modernidades Comparadas na Universidade do Minho, em Braga.

Em Ellen convivem imponentes identidades, cada qual com suas marcas: a identidade indígena, a diáspora e também a identidade de uma moradora da periferia do Rio de Janeiro: “E nas dúvidas entre Rio, periferia, aldeia e mundo; ficava eu, então, dentro de mim e da escrita. Escrever sempre foi um jeito de externar a melancolia de uma alma que não consegue juntar tantos fragmentos”, escreveu no posfácio.

Em “Ixé Ygara“, a poeta começa a identificar e colher esses fragmentos. Como se escrevesse um quebra-cabeça, cuja imagem final é um espelho. Ellen se volta, nesse livro de estreia, para sua origem indígena, e a partir dela lê o mundo, as tragédias e as potências. Por isso é frequente nesta obra a mistura entre a língua portuguesa e o Tupi. “Aprendi que antropofagia não se escolhe. Ou a gente devora, ou é devorado. E é bom engolir uma língua dentro da sua língua”, escreve Ellen, também no posfácio. Me perdoe Oswald e todos os signatários do Manifesto Antropófago, me perdoe Caetano e os tropicalistas, mas a expressão literária da diáspora indígena brasileira está reescrevendo toda e qualquer antropofagia, e ela é bem diferente do que estudamos, imaginamos, lemos e ouvimos. Ela é muito melhor.

Jr. Bellé

(Mais textos e poemas em @jr.belle e belle.noblogs.org)

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As estrelas no lago
Aparecem e desaparecem —
Chuva de inverno.

Sora

[França] Lançamento: Tu não matarás mais: Émile Derré, anarquista, pacifista, escultor

No sábado 3 de maio de 1924, na primeira página do Humanité, se pode ver uma fotografia do mais extraordinário monumento não aos mortos, mas aos vivos após a guerra. Reconciliação: uma mulher sentada vestida com um longo vestido até os tornozelos, com dois soldados sobre os joelhos, nus porém de capacetes, um francês e um alemão, abraçados como um casal apaixonado em um beijo cinematográfico. O autor da imagem: um certo Émile Derré.

Derré é aquele que afundou vivo na lenda, pouco se sabe de sua vida e, pior ainda, parte de suas obras desapareceu, sua estátua de Fourier derreteu sob a ocupação, o grupo Reconciliação evaporou em data incerta, Le Chapiteau des Baisers, em que se vê Louise Michel beijando Blanqui foi retirado do Jardim de Luxembourg a pedido de Mitterrand. O título de artista maldito lhe cai com uma luva. Para se convencer disso bastaria ficar frente a frente com a fotografia de Nadar, onde o vemos posando orgulhosamente de terno escuro, barba rala, olhar profundo, dizendo que é isso, que ele chegou, que do nada ele faz parte do cenáculo, dos grandes homens, dos artistas que importam, e alguns anos mais tarde um certo Emmanuel Bourcier lhe fez uma caricatura, um velho homem de olhar fundo, grande bigode, e que gostaria de parecer elegante em seu traje, mas o amarrotado denuncia a miséria.

De Montmartre a Nice, do busto de Élisée Réclus ao mais belo monumento pacifista, eis Émile Derré, escultor anarquista, injustamente tombado no esquecimento.

>> Thierry Guilabert vive na Île d’Oléron. Ele é autor de vários romances, coletâneas de novelas e biografias históricas, em particular nas Éditions Libertaires: As Aventuras verídicas de Jean Meslier; Gracchus Babeuf, a liberdade ou a morte; Caracremada, vida e lenda do último guerrilheiro catalão; e As ruínas de Auschwitz, ou a jornada de Alexandre Tanaroff.

Publicado com a participação da Libre Pensée, da Union Pacifiste e da FNL-M (Federation Nationale Laique des Associations des Amis des Monuments pacifistes, républicains et anticléricaux)

Tu ne tueras plus: Émile Derré, anarchiste, pacifiste, sculpteur

Thierry Guilabert

ISBN: 978-2-900886-19-9

82 páginas ilustradas em preto e branco – 12 €

editions-libertaires.org

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Almas gêmeas.
A minha geme e a
outra não se acalma.

Rogério Viana

[Espanha] Ruesta viveu uma nova escola de verão

De 2 a 4 de julho, a Escola de Verão de Ruesta foi realizada, como nos últimos 10 anos, exceto no ano passado devido à pandemia. Neste ano, a temática sobre a qual a escola girou foi a repressão franquista.

Para falar sobre a repressão que a população espanhola sofreu durante a guerra e a ditadura, como também durante a transição, contamos com grandes especialistas na matéria.

No primeiro dia abrimos a escola com a recordação de quem sofreu nos campos de concentração e extermínio nazistas com a permissividade do regime franquista. Para falarmos do projeto de recuperação da memória das pessoas deportadas para campos nazistas, tivemos o companheiro da CGT Erretería, Floren Mariñelarena, que também participa no Coletivo “A Ilusão” organizando os atos de homenagem às deportadas em Gipuzkoa.

Ao longo da tarde do dia 2 conhecemos o trabalho de recuperação da memória da ARMHA, associação de Aragão, através de seu presidente Enrique Gómez, que aproveitou para destacar a quantidade de pessoas libertárias que sofreram a repressão franquista. E também explicou a implicação na luta da militância anarcossindicalista contra o fascismo e o franquismo. Na seguinte oficina, Cecílio Gordillo, coordenador do Grupo de Trabalho Recuperando a Memória da História Social de Andaluzia da CGT Andaluzia (RMHSA), explicou o sistema de trabalhos forçados ao que se submeteu aos presos do franquismo para benefício dos que apoiaram ao golpe de estado de 1936 e para o próprio regime franquista.

No dia 3 pela manhã, tratamos da repressão de forma específica às mulheres, com explicações a cargo de Laura Vicente, historiadora, Paz Romero, membra da Comuna de ex-presos e ex-presas do franquismo, e Justa Montero, militante feminista. Laura se dedicou a explicar a situação em que a mulher libertária ficou, e Paz falou da repressão de forma generalizada às mulheres durante o franquismo. Justa relatou as situações que as mulheres que militavam em partidos e sindicatos (de forma clandestina) sofreram, como foi dura a luta pelo aborto, etc.

Na tarde vivemos com emoção a homenagem ao companheiro Chato Galante, falecido no ano passado por Covid. Contamos com a presença de sua companheira Justa, que recordou o quanto se sentiram bem, ela e Chato, na escola de Ruesta do ano de 2016.

Para fechar as atividades, tivemos a presença dos companheiros de Ecologistas em Ação, Rafa Díaz-Salgado e Arturo Martínez, que nos expuseram a possibilidade de reduzir nosso número de horas de trabalho para poder aproveitar mais nossa vida.

Como encerramento da escola, Carmina Pérez Soriano representou “Os rostos do silêncio”, uma obra em que faz um percurso por sua família, descobrindo como a tentativa de ocultar o que aconteceu durante o franquismo acabou deixando muitos traumas, etc. Depois da representação, em um entorno incomparável, com as ruínas do povoado como palco, se realizou um debate e intercâmbio de opiniões entre a atriz e as pessoas que participaram da escola.

No domingo, visitamos o povoado da mão de Diego Ruiz, Coordenador de Ruesta, explicando o projeto que está iniciando de reabilitação de casas. Depois de uma breve assembleia, onde todas as pessoas participantes refletiram sobre a satisfação do que foi vivido em Ruesta, voltamos aos nossos territórios.

Durante estes dias, Carlos Azagra e Encarna Revuelta trabalharam na realização de um mural de recordação da Escola.

Também estreamos os painéis explicativos sobre Ramón Acín (nome que recebeu a casa de cultura de Ruesta) e Cecilio nos deu uma exposição de imagens sobre os trabalhos forçados.

Agradecemos às pessoas hoteleiras, que nos atenderam com muita simpatia e nos facilitando a permanência em Ruesta.

Só nos resta convidar a todos e todas para participar da escola de Ruesta do ano de 2022.

Fonte: http://rojoynegro.info/articulo/memoria/ruesta-vivi%C3%B3-una-nueva-escuela-verano

Tradução > Caninana

agência de notícias anarquistas-ana

Sempre perseguido
o grilo fica tranqüilo
cantando escondido.

Luiz Bacellar

[República Tcheca] Finalmente a Fênix está morta

Depois de mais de dois anos, sai o veredicto de absolvição dos quatro anarquistas e um ambientalista, apenas um deles sendo reconhecido como culpado de crimes menores, tendo sua pena retirada pela corte.

As principais acusações têm relação com o apoio e promoção da Rede de Células Revolucionárias (SRB), anarquistas insurrecionais, assim como chantagem e dano à propriedade privada. Por vários anos a SRB focou em sabotagem à propriedade da polícia e de capitalistas. Até então, ninguém foi condenado por essas ações.

O réu Lukáš Borl se declarou culpado da acusação de pichar os muros de uma prisão com a frase “a repressão não irá parar o desejo de liberdade” e “morte ao estado”. Ele também admitiu o uso de documentos adulterados. Ele pagou pelos danos cometidos nos muros da prisão. A corte considerou Bjorl culpado das duas ações, mas desconsiderou qualquer punição. De acordo com o Chefe do Senado, Dagmar Šebková, os delitos não eram graves e aconteceram há muito tempo.  

O procurador Václav Richter declarou que todos estariam livres da pena de prisão, desde que sejam respeitados os termos de condicional, que pode ser revisto nos próximos três anos. De qualquer forma, a corte liberou os réus. O procurador fez uma apelação, considerando que a corte não é competente.

antifenix.noblogs.org

Tradução > 1984

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Dá para uma fogueira —
O tanto de folhas secas
Trazidas pelo vento.

Ryôkan

[EUA] Considerações sobre a rebelião em Cuba

Por Black Rose/Rosa Negra Federação Anarquista local de Miami

A atual situação em Cuba teve início na noite de 10 de julho. Há relatos de protestos espontâneos na cidade de Palma Soriano, localizada em Santiago de Cuba. Pessoas começaram a marchar nas ruas carregando tachos e panelas, protestando através de um cacerolazo (“panelaço”) por conta dos apagões, que se tornam cada vez mais frequentes, da falta de alimentos e da crise na saúde pública que já vem borbulhando há algum tempo.

Ao passo em que os números de infecções e mortes por Covid começaram a crescer no início deste ano, se espalharam pela internet muitos relatos de pessoas desesperadas, deixadas para morrer em casa por causa da falta de recursos essenciais e suprimentos hospitalares.

Os cidadãos cubanos foram capazes não apenas de se informarem, mas ao mundo, enquanto estavam tendo seu acesso a comida e medicina negados, aguardavam em longas filas por mercadorias básicas e muito caras e se submetiam a períodos de isolamento causados pela ineficácia do estado para lidar com a crise. No dia 11 de julho, pela manhã, uma onda de rebelião se espalhou pela ilha, fazendo deste levante popular o mais relevante em décadas.

Esta imensa crise enfrentada pelos cubanos foi se construindo como um resultado não somente da dominação do estado nacional, mas também por conta de estados estrangeiros antagônicos e imperialistas. Esta intervenção ficou ainda mais evidente tendo em vista o estreitamento do embargo pelos Estados Unidos, restrições recentes a remessas e o chamado por “intervenção humanitária”. Esta imposição sobre as pessoas é o contínuo legado dos estados em toda parte, especialmente em Cuba.

Nós, enquanto anarquistas, esperamos que toda rebelião popular se torne uma força revolucionária a caminho da libertação final da classe explorada pela dominação do estado. No entanto, por conta das raízes autoritárias do capitalismo de estado cubano e da sistemática cooptação de quase todos os opositores pelo governo dos Estados Unidos, organizações políticas a partir de classes sociais são praticamente inexistentes na ilha. Desta maneira, construir um movimento autônomo é um desafio.

A respeito da crise humanitária e social que se desenrola no momento, é cedo para tentar prever desenvolvimentos futuros. Ainda assim, devemos ter em mente que se os protestos populares em Cuba continuarem a evoluir para uma rebelião mais generalizada, o atual estado de Cuba e o Partido Comunista talvez estejam caminhando para o seu estágio final.

Nós acreditamos que o poder popular está emergindo e que ele tem a capacidade de defender sua própria autonomia. Contudo, também tememos tanto a repressão pelo governo de Cuba quanto a capacidade da oposição de direita de cooptar os movimentos populares. Em ambos os casos, isso já começou.

Por exemplo, em Miami, no dia 13 de julho, um bloqueio de uma das maiores vias expressas se deu por horas, como iniciativa de imigrantes cubano-americanos que exigiam intervenção militar dos Estados Unidos. Para nós, isto levanta o questionamento sobre como as classes populares cubanas se beneficiariam com uma mudança de regime. Tendo em vista a falta de organizações populares, nos parece claro que a sua luta neste momento só pode terminar sendo explorada por interesses capitalistas e de direita.

De qualquer maneira, não está fora de cogitação esperar o seguinte, caso o regime seja derrotado:

1) As classes populares cubanas se reconheceriam como atores sociais com auto-determinação e capazes de tomar o poder. Esta realidade foi raramente experimentada pelas gerações em Cuba nos últimos 60 anos.

2) Provavelmente veríamos a substituição do regime atual por uma administração política colonial e neoliberal com um verniz de retórica “democrática”. Porém, paradoxalmente, as classes cubanas exploradas talvez ganhem mais espaço para se organizar ao desenvolver uma consciência de classe muito necessária que permitirá o surgimento de tendências revolucionárias autênticas e práticas que as alimentem.

No entanto, estamos cientes de que tudo isso pode ocorrer em um ambiente em que muitas mudanças sociais positivas, implantadas pela Revolução Cubana, seriam eliminadas ou desgastadas. Lembremos que estas classes populares que heroicamente lutaram contra um regime opressivo seriam aquelas que sofreriam as piores consequências de tudo isso.

Sob esta perspectiva, compreendemos que o caminho a seguir não será fácil. Enviamos nosso amor e solidariedade internacional ao povo cubano. Exigimos liberdade para todos aqueles que foram presos durante os protestos, responsabilização das instâncias por assassinato e abuso físico, a retomada dos serviços de internet e o fim do bloqueio genocida. Nossas esperanças estão com vocês e nós aclamamos cada tentativa de poder social popular, cada rebelião, cada insurreição e cada protesto por libertação social.

¡Arriba les que luchan!

Tradução > Calinhs

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Tormenta hibernal —
O rosto do passante,
Inchado e dolorido.

Bashô

Primeira Linha Anarquista Vanguarda da Greve Nacional na Colômbia

A pandemia do corona vírus e o rigoroso confinamento provocou uma explosão social sem precedentes na Colômbia. A bancarrota econômica e a recessão fizeram seu preço para a população mais vulnerável. Não é necessário ser um vidente para prever com clareza o que iria acontecer neste mês de maio de 2021. Como esquecer o assassinato de Dilan Cruz – transmitido ao vivo e direto pela polícia durante os protestos em Bogotá em 2019, que marcaram o inconsciente coletivo da juventude.

Esta é uma conjuntura de natureza social e econômica que provocou uma inusitada onda de indignação tanto no campo quanto na cidade. Ou seja, os povos indígenas da Minga, CRIC, ONIC, camponeses, trabalhadores, afro-colombianos e jovens dos setores populares que, após décadas de exclusão e abandono, exigem ser ouvidos e levados em consideração.  Estamos diante de uma montonera¹, uma guerra de castas, uma guerra popular entre ricos e pobres. A revolta popular acelerou vertiginosamente após a tentativa do governo nacional de impor uma reforma fiscal (pacote neoliberal) e aumentar os impostos sobre o povo colombiano, vítima de um modelo de desenvolvimento que o sufoca. Levaria 12 gerações para sair da pobreza.

Mas não é a primeira vez que isso acontece, pois se nos referimos a dados históricos, em 1781 os Comuneros del Socorro (Santander) também se levantaram em resposta ao Decreto Real emitido por Carlos III que cobrava impostos a sujeitos americanos e reservava o monopólio do cultivo de tabaco e licor. No final, os líderes foram executados após serem traídos pelo Arcebispo Caballero y Góngora, que atuou como mediador. Tudo se repete ciclicamente nestes últimos 500 anos e apenas as datas do calendário mudam.

A América Latina tem sido a região do mundo mais afetada pela pandemia do corona vírus porque em um ano recuou quase uma década nas conquistas feitas na luta contra a fome e a miséria. Se o setor produtivo não for reativado, a única coisa que nos espera é a ruína e a falência.

Na Colômbia há 20.000.000 de pessoas ganhando apenas 3 dólares por dia e milhões a mais que só comem uma refeição por dia. A eterna agonia arrasta os mais vulneráveis à angústia e ao desespero, acelera as doenças mentais e psíquicas, o estresse, a depressão, a ansiedade e as tentativas de suicídio.

Somos parte de um sistema capitalista medieval que classifica os seres humanos em estratos sociais, em castas de párias e intocáveis, de invisíveis, os mais baixos e os ruins, os impuros que devem “aceitar” o destino ou carma de uma raça nascida para sofrer e servir aos senhores dos estratos superiores. Os deserdados não têm projeto de vida e somente desespero e inquietação os espera. Não há emprego, não há subsídio de desemprego, não há aposentadoria, não há poupança, não há moradia, não há patrimônio para garantir-lhes um futuro decente. Sonhar com um amanhã melhor não custa nada. Afinal de contas: nascer pobre para morrer pobre. O ex-prefeito de Cali, Maurice Armitage, afirma que isto não será resolvido pelo Estado, mas pela iniciativa privada, que deve investir em programas sociais de curto e longo prazo com o apoio de fundações e da Igreja Católica representada por Monsenhor Darío Monsalve. Um processo de industrialização e formação profissional para 30.000 jovens deve ser promovido. Infelizmente, eles cairão sob a tutela de padres, ONGs e outros “benfeitores”.

Nas favelas populares dos subúrbios estão concentrados os migrantes econômicos e os deslocados pela violência das áreas rurais. Uma população de impressionante diversidade étnica (todos de sangue afro-colombianos; indígenas; camponeses; mestiços e crioulos) superlotada e segregada em guetos-buracos que carecem de serviços básicos. As novas gerações, ao invés de se resignarem ao seu destino, decidiram tomar as ruas e lutar sem proteção por seus direitos, que já foram violados milhares de vezes. As escolas estão fechadas e crianças e jovens sem acesso à educação virtual abandonaram as aulas. Alimentada com quarentenas após 14 meses de confinamento, a tragédia humanitária é imensurável.

O único destino desses jovens de uma geração perdida é aumentar as fileiras de quadrilhas criminosas ou de traficantes de drogas. Aqueles que são desprezivelmente chamados escumalha ou lumpen, vítimas de vícios, já tiveram o nó no pescoço e estão sendo levados à forca. Como transformar uma sociedade tão injusta e estruturada sob princípios classistas e racistas?

O ideal para o sistema é que esses jovens e adolescentes dos estratos mais baixos escapem da cruel realidade com drogas e álcool, televisão, redes sociais, pornografia, Play Station ou videogames. A sociedade capitalista de consumo produz um encantador êxtase opiáceo. Alienados e brutalizados não representam mais uma resposta desestabilizadora. Diante da falta de oportunidades de trabalho, a única alternativa que têm é imigrar para o exterior, de preferência para os EUA, Canadá, Austrália, Japão ou Europa, ou juntar-se a grupos criminosos ou a redes de prostituição. Outros como muitas pessoas perseguidas politicamente, podem exilar-se ou procurar asilo em um país que lhes oferece proteção.

Colômbia – de acordo com um relatório do Índice de Desenvolvimento Regional da América Latina (Idere-Latam) é um dos países mais desiguais da América Latina, especialmente em termos de bem-estar socioeconômico. Desigualdades que se originam de seu próprio nascimento como nação. Em 1886, os conservadores instituíram uma república centralista e aboliram os Estados Unidos progressistas e liberais da Colômbia. Nascia a República da Colômbia, onde o estado unitário com sede em Bogotá administra os destinos do país. Este princípio de exclusão e desigualdade é a causa dos grandes problemas de autoritarismo do poder executivo, condenando as regiões à dependência administrativa, política e econômica.

Como resultado da pandemia do coronavírus, a pobreza crônica aumentou 7% em relação a 2019 e já afeta 23 milhões de pessoas. Em Cali, por exemplo, são registrados 600.000 jovens, uma alta porcentagem dos quais pertencem às classes mais baixas e uma boa parte deles pertence aos 220.000 desalojados. A maioria deles não tem um emprego ou uma renda estável. (Na Colômbia, 60% estão envolvidos em trabalho informal). É por isso que é urgente implementar uma renda básica para aliviar tantas privações e carências. Além disso, temos que acrescentar mais de um milhão de refugiados venezuelanos (80.000 em Cali), o que torna o quadro ainda mais dramático. Em Cali as comunas populares são formadas por migrantes rurais do sul do país (Cauca, Nariño, Chocó e toda a costa do Pacífico). Gerações empobrecidas que nasceram e foram criadas em meio à violência (deslocados pelo conflito armado e pela investida dos cartéis de drogas). Fatores que exacerbam o ódio de classe e a vingança social. A dignidade humana pisoteada só pode gerar rebeldia e insubordinação.

O governo Duque deve assumir o erro crasso de tentar aprovar uma Reforma Tributária que pretendia financiar projetos sociais aumentando os impostos sobre a renda e as commodities (embora também estivesse planejado reformar o sistema de saúde, educação e trabalho). Mas teve que socorrer os bancos para aliviar as perdas da pandemia ou comprar 24 aviões de guerra F-16. Esta tem sido a tempestade perfeita que desencadeou a raiva e a indignação das classes populares como nunca antes visto. Um motim dos deserdados que colocou o regime narco-paramilitar colombiano em xeque. Em 28 de abril de 2021, nasceu o Movimento da Juventude Popular e de Bairro.

Alguns cientistas e analistas políticos acreditam que a única esperança real de mudar o sistema são as próximas eleições em 2022. Algo muito improvável porque historicamente os poderes (organizados em partidos) nunca abrirão mão de seus privilégios. Os três ramos do governo: legislativo, executivo e judiciário não são independentes, mas são completamente controlados pelas castas dos partidos políticos tradicionais e são governados por códigos mafiosos onde prevalecem o clientelismo, o nepotismo e a troca de favores institucionalizados.

Do Palácio de Nariño, o Presidente Duque, como chefe supremo das forças armadas, ordena que a polícia, a polícia motorizada, GOES, ESMAD e o exército disparem contra os manifestantes para desmobilizar os protestos. Ele promete esmagar a conspiração Castro-Chavista que semeia o caos e o terror entre os cidadãos. O Ministro da Defesa responde: “o Estado não vai se ajoelhar diante de membros de gangues e terroristas desajustados cujas exigências são inaceitáveis”. O genocídio juvenil foi escolhido como a melhor maneira de pacificar o país. O mais perverso é enfrentar jovens policiais e soldados, filhos de trabalhadores e camponeses cujos superiores ordenam que atirem nos jovens das comunas que poderiam muito bem ser seus próprios irmãos de classe.  A semente do mal criou raízes e as regras militares regem a chamada “democracia” à vontade.

Fiel aos princípios ideológicos da Segurança Democrática, não importa o que aconteça, a revolta deve ser desmobilizada. Essas marchas e bloqueios não podem ameaçar a “soberania nacional”. De acordo com os manuais antiterroristas, os líderes devem ser capturados, torturados, desaparecidos e mortos para que seus “capangas” possam aprender sua lição. Dentro de algumas semanas as águas voltarão ao seu curso e a paz e a tranquilidade voltarão a reinar na “capital mundial da salsa”. A tática escolhida pelo governo é deixar passar o tempo até que os “chusmeros” (como foram chamados os liberais que queimaram o centro da capital após o assassinato de Gaitán no “Bogotazo” de 1948) se cansem e se rendam ao Estado de Direito. “Porque este é um plano macabro da esquerda radical e dos traficantes de drogas para desestabilizar a democracia”. O Ministério Público vai processar por “terrorismo e conspiração para cometer crimes” aqueles que permanecem nos pontos de resistência.  A estigmatização e a perseguição são promovidas pelos setores ricos temerosos de uma invasão dos “vândalos” que põem em perigo seu patrimônio e sua propriedade privada.

Portanto, não há escolha a não ser barricar-se na Primeira Linha, Segunda Linha ou Terceira Linha, para levantar as bandeiras brancas naquelas “repúblicas independentes” onde são realizadas as assembleias populares ou as cozinhas populares. Os montoneros descalços lutam nas barricadas prontos para sacrificar suas vidas pela causa. Porque as forças públicas aplicam sem cerimônia a pena de morte – inconstitucionalmente abolida desde 1910 – os espaços libertados são declarados, Puerto Resistencia em Siloé, La Candelaria, La Loma de la Cruz, La Loma de la Dignidad, a ponte das mil lutas, a passagem do comércio, Portada del Mar, Jamundí, Jumbo, Buga, Bogotá no portal das Américas ou Portal Resistencia, o monumento aos Heróis, Portal Suba, parque da Resistência em Medellín, etc., etc., etc.

Hoje Cali é a capital da resistência e o foco da insurreição colombiana e latino-americana. Uma revolta que transcendeu fronteiras e colocou a Colômbia na primeira página da mídia mundial.

O Congresso da República se tornou o ninho dos maiores assaltantes do país.  Os pais da pátria, a burguesia usurária, os proprietários de terras junto com seus parceiros estrangeiros compartilham igualmente o roubo de recursos naturais e matérias-primas. Esses distintos médicos são os que compartilham com as mãos cheias a bonança dos dólares do tráfico de drogas. A ganância desta máfia de 200 famílias que possuem 46% da terra não tem limites: evasão fiscal, crimes fiscais, homens de fachada, lavagem de dinheiro, contas em paraísos fiscais, contratos e comissões ilegais. Um saque que ascende a 50 bilhões de pesos. Os casos mais famosos de furto são os da Odebrecht, Reficar, Hidroituango, mineração ilegal da Metales Hermanos SA e C&J Gutiérrez, INVIMA, Navelena, Corficolombiana, etc…

Neste momento as Forças Armadas estão cerrando fileiras em torno do Presidente Duque que se recusa a dialogar com os “montoneros” ou “guerrilheiros do ELN ou dissidentes das FARC” (pressionados pelos generais chefiados pelo sanguinário General Zapateiro, pelo Ministro da Defesa Molano e pelo ex-presidente Uribe) “O governo não se sentará para negociar uma lista de reivindicações com as gangues de jovens, com os vândalos terroristas que semeiam o caos”. Se as coisas ficarem muito difíceis, não deve ser descartada a possibilidade de um autogolpe de Estado, como no Peru em 1992, anulando garantias constitucionais e decretando o estado de emergência. É por isso que a frase do ex-presidente Laureano Gómez, o “basilisco”, pronunciada em 1951, torna-se invulgarmente válida: “O país deve ser incendiado para manter o poder”. Esta tribuna do povo, admiradora do nazismo e do franquismo, mostrou uma ideologia racista, classista e segregacionista. Laureano Gómez governou sob um estado de sítio e restringiu os direitos dos cidadãos na chamada “revolução da ordem”.

O resultado desta investida infernal que durou mais de dois meses é calculado em 1.300 feridos, mais de 90 mortos, 1.500 feridos, um número indeterminado de torturados, desaparecidos, prisioneiros políticos, abusos sexuais, mulheres estupradas, com um olho só, cegas, aleijadas.

Os órgãos internacionais de direitos humanos poderão garantir que os culpados de crimes contra a humanidade sejam levados à justiça? Em geral, estes casos são adiados no tempo e, após um longo processo, devido à falta de provas, são arquivados. É improvável que membros da polícia ou do exército sejam levados à justiça, como já aconteceu em outras ocasiões. A partir de 8 de junho, a CIDH da OEA verificará in situ as violações dos direitos humanos. No final, talvez todas as mortes sejam em vão e, como sempre, os culpados gozarão de impunidade. Durante a ditadura do General Rojas Pinilla, em 8 e 9 de junho de 1954, ocorreu o massacre da Ciudad Universitaria em Bogotá, durante a homenagem ao estudante Uriel Gutiérrez, massacre que o regime atribuiu a “tiros disparados por agentes perturbadores desconhecidos, inimigos comunistas tentando mergulhar a Colômbia no caos e na anarquia”. A intervenção violenta da polícia e dos militares foi em suposta autodefesa e não para matar os estudantes, pois eles foram atacados com armas de fogo pelos “agentes infiltrados”. O ditador prometeu uma “investigação rigorosa” destes trágicos acontecimentos, mas até hoje, como geralmente acontece nestes casos, nada foi esclarecido.

Como também no caso das execuções extrajudiciais ou falsos positivos que, segundo a JEP (Jurisdição Especial para a Paz) entre 2002 e 2008, as Forças Armadas, a fim de demonstrar bons resultados aos seus superiores (presidente e ministro da defesa) na luta contra a guerrilha e quadrilhas criminosas, mataram pelo menos 6.402 civis que foram apresentados como “baixas de combate”. Um fenômeno macro criminal mais típico do nazismo ou do pinochettismo.

Na apreensão do Palácio da Justiça pelo M19 em 1986, a liderança do exército forçou o Presidente Betancur a autorizar o assalto ao Palácio da Justiça, massacrando guerrilheiros, magistrados, trabalhadores e qualquer outra pessoa que se atravessasse no caminho. “Morto o cão, morto a raiva” são os princípios éticos e morais das Forças Armadas.

Os EUA dão US$ 150.000.000 em ajuda anual à polícia colombiana para combater o tráfico de drogas. Os equipamentos e armas utilizados na repressão dos protestos são feitos nos EUA ou importados da Europa ou de Israel.

A Colômbia é uma peça-chave do imperialismo norte-americano, razão pela qual o Plano Colômbia e o Plano Patriota foram implementados (investindo bilhões de dólares para combater a guerrilha e os grupos de tráfico de drogas). Para Washington, a prioridade é garantir a segurança e a estabilidade do hemisfério.  A administração democrática do Presidente Biden certifica positivamente o governo Duque sobre a questão dos direitos humanos. Enquanto o Alto Comissário da ONU, a Human Rights Watch e a Anistia Internacional exigem que o governo acabe com a violência e a repressão. Na grande marcha de 9 de junho “A tomada de Bogotá”, a principal exigência foi: renúncia do presidente e eleições antecipadas. Porque “a soberania na Colômbia reside exclusivamente no povo de quem emana o poder público”.

O partido do governo (CD) e seus aliados (Partido Conservador, de la U, Mira, Colômbia Justa Libres, Cambio Radical) afirmam que esta insurreição não é espontânea, mas planejada por agentes (guerrilheiros) infiltrados da Venezuela e de Cuba com o apoio da Rússia e até mesmo da China. Trata-se de uma trama completa e é necessário agir com força contra o inimigo interno. É necessário decretar a militarização do país e um estado de sítio. O principal suspeito desta hecatombe é o ex-guerrilheiro do M19, Petro, senador da República pela Colômbia Humana e líder da bancada da oposição. A contrainformação, a mentira como doutrina do Estado, faz parte da guerra suja que criminaliza os protestos. A imprensa pró-governamental esconde a realidade e prefere dedicar-se às notícias mais frívolas do entretenimento ou à transmissão de jogos de futebol ou corridas de ciclismo. O Presidente Duque, a fim de reduzir a tensão nas ruas, é conciliador e promete uma vacinação maciça contra a Covid 19, bem como o estabelecimento de uma renda básica e a matrícula zero nas escolas e universidades.

Uribe Velez de sua conta no Twitter lança sua artilharia cibernética induzindo a alcateia fascista a se armar e tomar as ruas para desobstruir os bloqueios com sangue e fogo. A pátria está em perigo! A solução é a Praça Tiananmen, o massacre de Tlatelolco no México, ou seja, um golpe fulminante e fortíssimo para aniquilar os “terroristas”. A resposta violenta do Estado é a de um regime fascista e deve ser extirpada.

Como reprimir a insurreição? Com uma “mão firme e um grande coração” esta é uma tarefa confiada às forças de autodefesa das “camisas brancas”, aos paramilitares, aos esquadrões da morte, aos carros fantasmas, aos assassinos e atiradores furtivos, à polícia infiltrada, ou aos agentes do SIC ou aos serviços de inteligência. De acordo com os manuais antiterroristas, os líderes da greve devem ser capturados, torturados e desaparecidos para servir de lição para seus capangas. A opinião pública não se dá conta e não mede o que está acontecendo em Cali. Estamos diante de um inegável protesto geracional que está abalando as fundações do Estado colombiano. Este terremoto social é o resultado de uma profunda crise humanitária.

O regime narco-paramilitar colombiano decidiu que somente semeando o terror é possível recuperar a paz e a tranquilidade. Nas ruas de Cali está sendo travada uma batalha revolucionária onde os jovens, na ponta de pedras e paus e com escudos de lata, enfrentam as forças da lei e da ordem que covardemente atiram fogo vivo, pelotas, bolas de borracha ou bombas de gás lacrimogêneo. As greves e bloqueios são um autêntico teatro de guerra. A verdade é que não será com pombas da paz ou com palavras de amor e amizade que esta ditadura fascista insana será derrotada. Como foi demonstrado no caso do padre guerrilheiro Camilo Torres em meados dos anos 60, que, diante da intransigência da classe dominante, decidiu que não havia outra alternativa senão pegar em armas para derrubar a oligarquia. “Como é impossível conquistar aqueles que controlam a máquina eleitoral e todos os fatores de poder, os grupos de oposição que chegam ao parlamento nunca poderão fazer transformações revolucionárias; pelo contrário, sua presença no congresso torna mais fácil para a oligarquia dizer que na Colômbia existe democracia porque existe oposição”. Um dos postulados mais instrutivos do padre guerrilheiro é “aquele que escrutina as escolhas” porque o voto é manipulável e em muitos casos é uma mercadoria que é comprada ou imposta através de ameaças e coerção.

O governo aconselha os insurreicionistas a fazer uso da Constituição de 91 e a criar seu próprio partido político e a participar das eleições. Eles devem tomar o exemplo dos “indignados espanhóis” que fundaram Podemos e obtiveram um grande sucesso eleitoral ao obter 5 eurodeputados e entrar no Congresso com 69 deputados. A democracia colombiana supõe-se generosa e os deixa defender suas reivindicações no Congresso da República. Embora para conseguir uma mudança real ou para ser uma alternativa de poder, é quase impossível obter um voto majoritário sem uma máquina burocrática e partidária muito poderosa. Tudo isso pode ser mudado nas urnas? E, além disso, os jovens não têm a possibilidade de concorrer ao Congresso porque para ser elegível você tem que ter mais de 30 anos de idade. Mas no final das contas, é um verdadeiro suicídio entrar no jogo de uma falsa democracia.

Se não houver apoio social e nenhum fundamento político, esta revolta – como aconteceu historicamente em outras ocasiões – não dará frutos. Precisa da pressão das massas, do sindicato de trabalhadores, proletários, camponeses, sindicatos, estudantes, ou seja, não centenas, mas milhares e milhares de pessoas de todas as classes sociais para se fazer respeitar na mesa de negociações. Do Palácio de Nariño eles escolheram ignorá-los, não determiná-los. Eles não existem.

O paradoxo do caso é que, se as eleições fossem realizadas neste momento, talvez, as forças de ultradireita ganhariam exatamente como aconteceu com o Plebiscito de Ratificação dos Acordos de Paz de 2016 com as FARC. 50,2% dos eleitores optaram pelo voto no não.

Geograficamente, Cali é um porto interior no Oceano Pacífico, altamente disputado entre cartéis de drogas e o crime organizado. Hoje, a capital do Valle del Cauca sofre uma guerra de baixa intensidade com helicópteros, aviões, drones e a mobilização de milhares de policiais e soldados treinados na guerra de guerrilha ou na luta contra o tráfico de drogas.

Os jovens das localidades, bairros e comunas são um novo sujeito político e devem ter voz e visibilidade nas mesas de negociação porque só eles podem se representar. Qualquer acordo com o governo que os ignore é considerado nulo e sem efeito. As assembleias populares estão exigindo educação, saúde, moradia, trabalho, salários dignos, renda básica ou subsídios, reparações às vítimas, reforma policial, desmantelamento da ESMAD e desmilitarização em toda a Colômbia. Mas sabe-se antecipadamente que o novo Pacto Social exigido pelos manifestantes não será alcançado em um curto período de tempo.

A sociedade colombiana está completamente polarizada entre os seguidores do Centro Democrático pró-Uribe e as forças progressistas da esquerda pró “Pacto Histórico”. Isto é algo que vem acontecendo desde o século XIX e tem sido o desencadeador de inúmeras guerras civis entre liberais e conservadores.

A ultradireita ataca e pede as chamadas “marchas do silêncio”, contra demonstrações em apoio ao governo Duque e as ações “heroicas” das forças de segurança. Milhares de pessoas marcham sob o slogan “os bons são mais”,  “eles não estão sozinhos”. A campanha eleitoral já começou.

Esta explosão social se assemelha cada vez mais às revoluções árabes de 2011, também ao movimento dos Indignados na Espanha, a Praça Tahrir no Cairo, onde o ditador deve ser derrubado: fora com Mubarak, abaixo com Duque! Eles são os mesmos manifestantes encapuzados do movimento Zapatista ou dos protestos populares no Chile quando o Presidente Piñera decide aumentar o preço da passagem do metrô de Santiago, forçando a convocação de uma Assembleia Constituinte para redigir uma nova Constituição para enterrar a Pinochetista.

As revoltas do século XXI em comparação com as do século XX são articuladas com base nas redes sociais e nos avanços da tecnologia digital. É o resultado da “modernidade líquida” na qual, segundo os sociólogos, “as realidades sólidas do passado desapareceram”. O sucesso dos insurreicionistas se deve ao fato de que eles se organizam através das redes sociais, seja via Facebook, Instagram, Twitter, enquanto a imprensa alternativa transmite ao vivo, 24 horas por dia, os incidentes da greve nacional. Um telefone celular é uma arma inestimável de denúncia e verificação dos crimes do Estado. A fim de impedir a organização de grupos de resistência, a Internet e as redes sociais são censuradas e bloqueadas. O objetivo é amordaçá-los e assim silenciar as vozes de protesto. Bakunin ressuscita na Colômbia com seu espírito libertário e utópico com as assembleias populares, eles são os milicianos anarquistas da Guerra Civil espanhola, para as barricadas! Com nem Deus, nem Pátria, nem Rei! O sistema não deve ser reformado, ele deve ser derrubado! Os desordeiros não respeitam hierarquias, eles são antissistema, feministas, antipatriarcais, anticapitalistas, antimilitaristas, grupos anarquistas da ACAB (todos os policiais são bastardos) com uma rejeição virulenta dos políticos tradicionais e geralmente abstencionistas nas eleições. “Não queremos o bem-estar ou a renda básica ou ter nossas consciências compradas com esmolas” – uma mensagem forte que as exalta. “Resistência” é a palavra mais repetida entre os rebeldes, para resistir, para resistir até a morte. A bandeira branca é hasteada na linha de frente, a vanguarda da mobilização social onde os capuchos com seus escudos azuis repelem o ataque das hienas policiais. A perseguição desencadeada pela polícia, paramilitares ou agentes de inteligência empurrarão os líderes da revolta para a clandestinidade se quiserem preservar suas vidas.

É hora de refundar a Colômbia, de mudar o nome do país que presta homenagem ao comerciante de escravos e pirata Cristóvão Colombo, é hora de derrubar todas as estátuas e monumentos que foram erguidos pelos “pais da pátria” em homenagem aos falsos heróis da conquista e da colônia. Precisamos exorcizar esses fantasmas malignos e nos livrar do estigma da fatalidade que nos assombra desde tempos imemoriais.

Esses quadrados liberados são agora a ágora da cultura, das artes, da pintura, da música ou da poesia, ao ritmo do rap, Ska-p “la Revolución”, la bella Ciao ou ¿Quién los Mató? O romantismo de maio de 68 ainda inspira uma juventude rebelde que acredita que “outro mundo é possível”. O mais marcante é que nos murais, grafites ou faixas, os ícones clássicos de Che Guevara, Fidel Castro ou Chávez não são exibidos como em outros tempos, pois aparentemente expiraram. Nesta comunidade solidária e utópica, crianças, jovens, homens, mulheres e idosos de todas as classes sociais se reúnem para embrulhar seus “guerreiros capuchos” e acender velas em homenagem aos mártires caídos na luta desigual contra as forças da lei e da ordem.

Algumas pessoas ingênuas imbuídas do espírito cristão estão apostando na abertura de canais de diálogo com o governo que permitiriam levantar a greve nacional. Não podemos cair no jogo das provocações, “o único que vai mudar esta nação é Jesus Cristo nosso Senhor”, convocando tedeums solemnes e correntes de oração juntos como irmãos, onde chegaremos a um entendimento que salvará nosso país. Como foi feito no final da Guerra dos Mil Dias entre liberais e conservadores, consagrando ao Sagrado Coração de Jesus o templo do Voto Nacional em Bogotá. A Igreja Católica e as seitas cristãs, e o comitê de greve estão se preparando para fazer o trabalho sujo do governo, desmobilizando o protesto. Em seguida, começará uma campanha de limpeza social e a caça aos suspeitos de terem apoiado os bloqueios. Como nos piores anos de violência, os corpos começam a flutuar pelas águas do Rio Cauca.

Onde está o Prêmio Nobel da Paz, ex-presidente Santos, que vive nos EUA e não se dignou a estar presente como mediador?

Qual é o papel das FARC-EP e de seus comandantes guerrilheiros desmobilizados?  Aqueles que uma vez se proclamaram como a vanguarda dos camponeses e proletários mal intervêm nesta grave crise social e com seu partido, os Comunes, permanecem à margem dos graves acontecimentos, ocupando confortavelmente uma cadeira no Congresso da República. Onde estão aqueles que pregaram: Somente com as armas na mão será possível subjugar o Estado fascista colombiano! De que serviram 50 anos de guerra civil que deixaram mais de 200.000 mortos, milhares de desaparecidos e milhões de desalojados. Além do fracasso dos tratados de paz assinados em Cuba, que nunca se cristalizaram, como evidenciado pelos 270 ex-combatentes e mais de 1.184 líderes sociais mortos desde 2016.

Carlos de Urabá 2021

[1] Montonera – formação militar irregular

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Gatinha meiga
ao passar da mão
seu corpo se ajeita

Eugénia Tabosa

[EUA] Lançamento: “Fuck Neoliberalism: Translating Resistance”, de Simon Springer

Dentro de uma longa história de ruínas e destruição, o neoliberalismo é a forma mais atual e virulenta do capitalismo. Este livro é um chamado para a ação contra a mais persistente e pestilenta doença dos nossos tempos. Traduzido em mais de vinte línguas, o livro nos chama para uma ação que transcende contextos locais e dialoga com as condições violentas impostas pela era do neoliberalismo ao redor do mundo inteiro.

Fuck neoliberalism: Translating Resistance é um grande foda-se mundial à ideologia que é global em nossa era. O ensaio original gerou controvérsia na academia quando foi lançado pela primeira vez e desde então se espalhou pelo mundo, traduzido por rebeldes entusiastas para os seus próprios idiomas. Este livro reúne estas traduções, acompanhadas de pequenos ensaios escritos por cada tradutor, onde explicam por que decidiram traduzir o texto e descrevem as dificuldades na luta contra o liberalismo nas suas regiões.

Traduzido para diversas línguas, incluindo o mandarim, alemão, indonésio, espanhol, hindi, italiano, coreano e muitas outras, este livro destaca a natureza internacional das resistências à ideologia totalitária do neoliberalismo. Com uma capa produzida pelo renomado artista Ed Repka (também conhecido como The King os Thrash Metal Art, ou O Rei da Arte Thrash Metal), a retórica contida no livro, internacional e heavy-metal, contra toda ideologia hierarquizante, evidencia que a armadura deste sistema está rachando.  Quando pessoas ao redor do mundo encontram uma maneira de se comunicar e compartilhar uma mensagem, de unirem-se em levante, a resistência pode ser não somente bela, mas também inspiradora.

Considerações

“Para a mão de obra precária dos corredores sombrios da academia, foi uma delícia ouvir esta distensão alegre de um “foda-se, sim, foda-se até o inferno”. A ode de Simon Springer à nossa situação atual é a yoga tântrica que todas as subjetividades necessitam.” – Beck Conroy, artista ativista e acadêmico autônomo e precarizado

“Fuck Neoliberalism é um chamado à ação para uma geração abandonada. Simon Springer quer que encontremos os momentos do cotidiano, conversas e lugares onde possamos resistir a esta violência social, política e econômica, que cada vez mais temos que enfrentar. Assim, poderemos construir um mundo melhor do que o de hoje. É uma leitura essencial para qualquer um que esteja tentando entender e mudar o planeta em que vivemos!” – Kean Birch, autor de We Have Never Been Neoliberal: A Manifesto for a Doomed Youth (“Nós nunca fomos neoliberais: um manifesto para uma juventude condenada”, em tradução livre)

Neste ensaio brilhante, Springer, de maneira muito feliz, marca o tempo nesta eterna noite de fodeção neoliberal. Ao invocar o espírito da liberdade, não violência, solidariedade e esperança, Fuck Neoliberalism nos convida a soterrar o neoliberalismo na sua cova e fazer nosso papel de garantir que toda vida neste belo planeta possa florescer de novo”. – Richard J. White, coeditor da trilogia Anarchism, Geography and the Spirit of Revolt, The Radicalization of Pedagogy, Theories of Resistance  The Practice of Freedom (“Anarquismo, geografia e o espírito da revolta”, “A radicalização da pedagogia”, “Teorias da resistência” e “A prática da liberdade”, em tradução livre.)

“Em Fuck Neoliberalism, Springer mira em mais ou menos todo mundo (incluindo a si próprio) que continua a reproduzir o poder do policiamento neoliberal nas nossas cabeças. Ao pensar e dizer a simples expressão “foda-se”, ele defende que nós somos capazes de reafirmar nossa rejeição, nossa crítica ao neoliberalismo. Ao mesmo tempo, reafirmar também uma energia crucial de desejo por criar outras maneiras de pensar, de ser e de fazer que vão além da lógica neoliberal. Nem mesmo autores de blurbs impressos na parte de trás dos livros estão isentos do chamado poderoso e provocativo de Springer a se armarem. Assim dito, foda-se, fui.” – Anthony Ince, professor universitário em Geografia Humana na Universidade Cardiff.

Sobre o Autor:

Simon Springer é professor de geografia humana e diretor do centro de estudos regionais e urbanos da Universidade de Newcastle, na Austrália. A sua pesquisa explora as exclusões políticas e sociais que o neoliberalismo provocou, especialmente no Camboja pós transição, onde ele destaca  as geografias de violência e poder. Ele sustenta uma abordagem teórica inovadora em seus estudos ao considerar tanto a crítica pós-estruturalista quanto um reavivamento radical das geografias anarquistas.

Fuck Neoliberalism: Translating Resistance

Autor: Simon Springer

Editora: PM Press

ISBN: 9781629637891

Número de páginas: 240

Preço: $18.00

prnpress.org

Tradução > Calinhs

agência de notícias anarquistas-ana

Abro o armário e vejo
nos sapatos meus caminhos.
Qual virá no séquito?

Anibal Beça

Atualização da situação das repressões na Bielorrússia em Junho de 2021

Já são quase 11 meses desde o começo dos protestos na Bielorrússia, causados pelas fraudes nas eleições. Muites de nosses camaradas foram colocades atrás das grades, muites tiveram de fugir do país, atividades públicas são dificultadas não apenas para anarquistas, mas para todas associações e grupos dissidentes. Abaixo você verá uma pequena atualização na situação com as repressões na Bielorrússia, com foco nas anarquistas e antifascistas. Nós iremos tentar divulgar essas atualizações no fim de cada mês.

Repressão contra anarquistas e antifascistas

Aliaksandr Frantskevich  foi acusado de outro crime – incitar ódio ou inimizade. Esse é o quinto artigo do código penal que ele é acusado. As acusações anteriores incluem organizar, participar e treinar pessoas para protestos em massa e participar numa organização criminosa internacional.

Os antifascistas Vladislav Zenevich e Igor Bancer foram transferidos para uma penitenciária de tipo aberto para cumprir sua sentença. Veja seus novos endereços em suas páginas pessoais.

O antifascista Andrei Kasimirov, que é mantido em uma detenção em Moscou aguardando extradição, foi reconhecido como prisioneiro político na Rússia. Sua decisão de extradição está sendo apelada.

O canal do Telegram e o grupo do coletivo de mídia Pramen agora são oficialmente extremistas. Alguns anos atrás seu site www.pramen.io e outras mídias sociais foram bloqueadas na Bielorrússia, mas as pessoas podem acessá-las via VPN ou Tor. Elxs traduziram recentemente uma publicação com uma análise dos protestos em 2020.

Quatro pessoas foram detidas por 10 dias em Grodno e levadas a Minsk sob suspeita de suas participações numa organização criminal internacional anarquista. Elas foram liberadas com restrições para viajar.

Quatro antifascistas de Minsk foram condenades em 2 de Julho. Elxs foram acusades de participar nos protestos e atacar policiais à paisana.

Três delxs relataram que foram submetidxs a violência e tortura para forçar as confissões. Vitaly Shishlov e Denis Boltut foram condenades a 6 anos de prisão, Timur Pipiya– 6 anos e 3 meses, Tamaz Pipiya 5 anos de prisão.

O julgamento do blogueiro anarquista Mikola Dziadok começou em 29 de junho. Ele é acusado de violação grosseira da ordem pública, chamados via internet para mudar o regime e posse de coquetéis molotov (que ele alega que foram plantados durante a revista). Em uma escuta, Mikola deu um depoimento detalhado da tortura e violência que o submeteram durante a sua detenção para obter senhas dos dispositivos criptografados.

Ativistas que se mudaram para a Polônia com medo da repressão relataram que a polícia política local xs visitaram e avisaram que a KGB bielorussa forneceram suas informações pessoais para os direitistas poloneses. Xs visitantes ofereceram “proteção” e perguntaram sobre qualquer atividade de anarquistas e antifascistas na Polônia. Xs ativistas recusaram e deixaram pública essa informação.

Repressão em geral

A nossa lista de manifestantes preses e perseguides aumentou para 900 pessoas. A reação internacional para o sequestro do avião da Ryanair por Lukashenko, para prender um jornalista procurado e sua companheira, foi em forma de sanções e proibição de vôos da Bielorrússia. Até o momento, voar para fora do país é quase impossível. Devido às restrições pelo coronavírus, biolorusses não são permitides a deixar o país por terra (exceto por razões como trabalho, estudo, doença, etc.). Agora, boas conexões de transporte estão abertas apenas com a Rússia.

É relatado o uso de tortura em centros de detenção provisória onde xs preses são mantides administrativamente – as pessoas não recebem lençóis ou colchões, são privadas de sono e envenenadas com cloro que é colocado no chão. Elas não recebem nenhuma comida enviada de fora.

As pessoas que são enviadas para cumprir sua sentença relatam maus tratos e punições. Xs advogades não podem ver seus clientes por semanas, parentes estão preocupades. Quando xs condenades tentam apelar, suas sentenças às vezes se tornam mais duras.

Ao mesmo tempo, depois que as sanções foram impostas, Lukashenko começou a jogar o mesmo jogo de sempre, oferecendo a algumes prisioneires para escrever uma petição de perdão. Raman Pratasevish e Sofia Sapega, as quais a prisão causou estardalhaço, foram transferides para prisão domiciliar, mas os agentes da KGB ficam com elxs em um apartamento alugado.

Foram aprovadas novas alterações no Código Penal que alteraram as regras de contagem de dias de prisão preventiva. Agora, um dia em prisão preventiva conta como 1,5 dia de prisão em penitenciária e 2 dias em prisão de regime aberto.

125 pessoas foram condenadas por acusações políticas apenas em Junho.

O que acontece com os protestos?

Em geral, agora grande parte das pessoas está com medo de ir às ruas protestar, em sua maioria a ação é limitada a ações simbólicas menores nos bairros. Ao mesmo tempo, muito trabalho é dedicado à pressão internacional ao regime, como cancelar eventos esportivos, banir a Bielorrússia da Eurovision, pressionar empresas para não cooperar com o regime. Equipes especiais estão trabalhando em colaboração com trabalhadorxs do serviço público que desejam mudança ou estão tentando unir todes tranalhadorxs e se preparar para uma greve nacional.

A oposição anunciou um Plano de Vitória que envolve pessoas que não apoiam o regime para se registrarem como manifestantes prontes para agir e fornecer os detalhes sobre sua ocupação, etc. A iniciativa espera obter um grupo de pessoas de todas as esferas da vida para, posteriormente, formar grupos de afinidade, com base em locais de trabalho ou habilidades afins.

>> A ABC- Bielorrússia apoia anarquistas e antifascistas que sofrem perseguição. Você pode doar usando transferência nessa página: https://abc-belarus.org/?page_id=8661&lang=en .

Fonte: https://abc-belarus.org/?p=14181&lang=en

Tradução > Serena

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/02/03/bielorrussia-ativistas-do-food-not-bombs-recebem-sentencas-de-prisao-por-doar-alimentos/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/01/14/possibilidades-de-pressao-sobre-o-regime-ditatorial-na-bielorrussia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/12/07/bielorrussia-eles-ameacaram-me-estuprar-disseram-que-me-levariam-para-a-gestapo-ou-para-a-floresta/

agência de notícias anarquistas-ana

Fundo de quintal…
Silêncio. No velho muro,
uns cacos de sol…

Jorge Fonseca Jr.

[Itália] Decrescimento e prosperidade

Diante de um – crescimento econômico – que acumula riqueza apenas nas mãos de poucos, diminuindo o “bem-estar coletivo”, é necessário implementar uma mudança que não pode mais ser adiada. Sabemos que é útil dar este passo antes que os custos ambientais e sociais se tornem catastróficos (já são insustentáveis), considerando que a chamada dissociação – a dissociação entre crescimento, uso de matérias-primas e produção de resíduos – fracassou miseravelmente.

O autoritário economista britânico Tim Jackson explicou bem as razões “técnicas” pelas quais a riqueza econômica não é sinônimo de prosperidade e destacou as razões pelas quais a recessão social ocorre mesmo em economias consideradas ricas e socialmente avançadas. A prosperidade de fato não coincide com um aumento do PIB, mas sim com a proteção dos direitos e serviços fundamentais, com a “densidade” de participação na vida social e com a satisfação do cidadão: tanto em termos da disponibilidade de bens primários como na percepção de um bem-estar emocional generalizado. Estas são condições que o modelo econômico dominante é incapaz de garantir, pois o extrativismo, o produtivismo a todo custo e a primazia do materialismo constituem uma patologia irremediável.

Concretamente, é importante afirmar que a teoria e a prática do decrescimento, por um lado, definem uma identidade não capitalista – no sentido de um sistema econômico e social baseado no capital privado e no mercado – e, por outro lado, uma identidade não comunista – o sentido de um capitalismo de estado que diverge do primeiro no plano ideológico, mas não nas consequências sobre a biosfera e na degradação ecológica generalizada. Na verdade, a prosperidade ligada ao decrescimento pressupõe a existência de uma terceira via ou melhor, de uma pluralidade de caminhos que levam em conta as especificidades dos lugares e suas características históricas e ambientais: áreas de ação nas quais as comunidades locais desempenham um papel fundamental. É bem sabido que nenhum economista clássico pode aceitar a lógica de modelos de referência que tendem mais para a estabilidade do que para o crescimento da produção. Isto porque a economia clássica é de fato uma ideologia que não leva adequadamente em conta as variáveis ecológicas e os limites que estas impõem: uma concepção irracional baseada no endividamento, na exploração dos recursos naturais e do trabalho, no conflito antes do interesse coletivo, excluindo a priori os efeitos ambientais e sociais identificados como “externalidades”.

Dentro da onda do decrescimento navegam transitórios, solidaristas, cooperativistas, bioregionalistas, ativistas da autoprodução, autogestão e autonomia, em suma, aquela humanidade com muitas definições possíveis que está disposta a viver em condições de simplicidade voluntária, em regime de colaboração e descentralização dentro da capacidade de carga de seu território. Esta humanidade reconhece valores que são intrinsecamente diferentes daqueles dominantes hoje e faz parte de uma vasta rede de conexões e interações que define sua essência. As ações para o decrescimento são, portanto, ações políticas, mas não pertencem à política degradada que apenas se representa, mas àquela que se expressa nos projetos e realizações dos grupos de base, na forte pressão sobre as instituições e poderes financeiros, na possibilidade de se libertar da rigidez do sistema para introduzir novos sistemas de tomada de decisão mais compartilhados e democráticos. Esta onda, com sua gama de oportunidades, pode gerar uma redução, ou seja, retardar a corrida para o declínio generalizado antes que seja tarde demais.

Para traçar este caminho de mudança e vislumbrar realisticamente um possível destino, porém, é preciso coragem, energia, perseverança, criatividade, empatia e, por último, mas não menos importante, um certo grau de unidade. Em resumo, é necessária uma grande vontade de se envolver, uma visão geral e a intenção de envolver outros: uma espécie de novo Satyagraha, para usar a expressão usada por M.K. Gandhi.

Fonte: https://www.maxstrataweb.com/post/decrescita-e-prosperita

Tradução > Liberto

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/04/10/espanha-carlos-taibo-defende-o-decrescimento-economico-como-ferramenta-frente-ao-colapso-ambiental/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/07/17/canada-pensar-a-comunidade-em-torno-do-decrescimento-encontro-com-uma-ecovila-que-existe-ha-9-anos/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/09/28/franca-lancamento-os-precursores-do-decrescimento/

agência de notícias anarquistas-ana

Noites sem cigarras –
qualquer coisa aconteceu
ao universo.

 Serban Codrin

[Irlanda do Norte] Anarquistas do Norte: Eduquem, Agitem, Organizem!

De modo geral, nos últimos meses o interesse e as atividades ligadas ao anarquismo vêm crescendo. Podemos notar isso através da visibilidade geral de anarquistas, tais como participação em eventos públicos, conforme vamos retomando as ruas, enquanto as restrições da pandemia diminuem. Por experiência pessoal, temos testemunhado o crescimento, contato e comunicação com anarquistas de outras localidades. A distribuição do Barricade Bulletin tem ajudado a encorajar essa visibilidade e sentimos que é algo que deve ter continuidade.

Anarquistas em cidades menores tem se inspirado ao verem outros anarquistas se mobilizarem, e não apenas nas redes sociais. Anarquistas em Strabane tem estado envolvidos na distribuição do Barricade Bulletin e outras informações anarquistas, e participado recentemente da ação de solidariedade contra a mineração tóxica da mineradora de ouro Dalradian.

Em Monaghan, anarquistas estiveram ativos no último ano, especialmente após o assassinato de George Floyd, ajudando a organizar um ato de solidariedade ao Black Lives Matter/anti-DP [polícia], que teve ótima aceitação na cidade. Anarquistas também estiveram ativos se organizando em solidariedade pela Palestina, assim como entrando em contato com outros anarquistas ao redor de Ulster.

Nós também recebemos solidariedade de anarquistas de Sligo, Newry, e Donegal, que entraram em contato de suas localidades, desde a nossa última edição.

Certamente que existem anarquistas em Belfast que estão ativos desde a Primeira Guerra Mundial, lidando com temas como a campanha de ‘roubo de salário’, aluguéis, moradia e militância antifascista. Relato completo sobre os anarquistas de Belfast aqui¹.

Desde então, seguindo essa onda constante de atividades locais de anarquistas nortistas, nosso consenso mútuo tem sido de promover solidariedade e criação de laços de qualquer modo que sejamos capazes; Se nós não fizermos, ninguém fará por nós!

A possibilidade de criar uma rede informal de anarquistas poderia auxiliar e encorajar mais laços informais para ajudar a construir e promover o anarquismo através de:

• Compartilhar e promover notícias, publicações e ações de solidariedade locais e internacionais.

• Promovendo e compartilhando propaganda anarquista e peças educacionais e criando mais espaços para falas/discussões sobre anarquismo.

• Criando maneiras de promover fácil acesso a peças relevantes de propaganda e educação anarquista.

Outro problema é a necessidade de os anarquistas serem mais visíveis em piquetes, protestos, demonstrações ou onde mais for possível, e encorajando solidariedade com outros, para juntos atingirmos esses fins, onde for possível.

Se você ou seu grupo gostariam de serem adicionados a essa crescente lista de ativismo, sugestões, ou melhor ainda, se tornar parte dessa rede informal, deixe nos uma mensagem em derryanarchists@gmail.com

Fonte: https://derryanarchists.blogspot.com/2021/06/northern-anarchists-educate-agitate.html

Tradução > 1984

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/07/10/irlanda-do-norte-prisioneiro-anarquista-irlandes-completa-30-anos-encarcerado-injustamente/

agência de notícias anarquistas-ana

cama macia
corpo se espreguiça
nasce o dia

Carlos Seabra

[Itália] O longo verão da anarquia

Autogestão e memória coletiva

Quando na primeira década do terceiro milênio decidimos iniciar o projeto do novo espaço anarquista 19 de julho, a idéia de nos envolvermos, desta vez, nasceu da necessidade de ter um espaço um pouco maior do que o local histórico da Via Vettor Fausto 3 que nos permitiria acomodar um número maior de participantes. [1] Enquanto administramos o local histórico do Círculo Cafiero desde 1946, em continuidade com os métodos e experiências de autogestão libertária já ativados e presentes em nosso grupo, mudando e não rígidos conforme as necessidades, contamos, como sempre, com o trabalho voluntário dos camaradas de ontem e de hoje e as doações, ao longo do tempo, confiadas ao círculo.

Na direção oposta e contrária às hierarquias e ao autoritarismo de diferentes naturezas e espécies, restauramos e tornamos acessível até mesmo o espaço anarquista de 19 de julho. Aqui realizamos conferências, palestras, apresentações de livros e exibições de filmes, oficinas sobre educação libertária, reuniões sindicais, reuniões de condomínios de base, coletas para permuta, cruzamento de livros, coleções de assinaturas para projetos de solidariedade, incluindo solidariedade autogerida, divulgação de imprensa anarquista e livros. Tratamos de questões históricas, ambientais, de gênero, culturais, etc., evitando transcender na pletora da retórica auto-referencial e dando voz a todos aqueles que foram ativos e não passivos na busca concreta de uma vida alternativa em uma perspectiva libertária.

19 de julho é uma data importante na memória coletiva para a revolução libertária na Espanha em 1936, a revolução na Rojava em 2012, a queda do ditador Somoza em 1979, o bombardeio do distrito de S. Lorenzo em 1943. Levando em conta o espírito internacionalista que nos acompanhou ao longo do século XX até hoje, o Grupo Anarquista Cafiero o convida domingo, 18 de julho, para o evento O longo verão da anarquia a partir das 13h00 no Espaço Anarquista 19 de julho na Via Rocco da Cesinale 18 metrô B garbatella.

Programa:

13h00 Almoço

19h00 Aperitivo

20h00 Exibição do filme O Fantasma da Liberdade, dirigido por Luis Bunuel, 1974

Durante o dia haverá permuta? Você pode fazer isso! Em colaboração com a Solidariedade Autogerida USI CIT, Roma Pinelli.

Faremos uma subscrição gratuita que será utilizada para a manutenção do espaço.

[1] A história de um século. Garbatella 100, Querida editora Garbatella e Iacobelli, Roma,2019

Grupo Anarquista C. Cafiero FAI-Roma

www.cafierofairoma.wordpress.com

Stampinprop.via vettor fausto 3 – roma-2021

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

pássaro tenor
afina a garganta
ao sol se pôr

Carlos Seabra