[Irlanda do Norte] Protesto na prisão: a discriminação tem que acabar

Membros do Incarcerated Workers Organising Committee  (comitê organizador de trabalhadores encarcerados) e membros da família Wootton se reuniram nesta tarde (18/07) em protesto a respeito do tratamento dirigido ao prisioneiro [anarquista] John Paul Wootton e do erro judiciário enfrentado por ele.

O protesto se deu do lado de fora da prisão Maghaberry, na periferia de Belfast como parte de um esforço para chamar a atenção acerca das discriminações que o prisioneiro político John Paul Wootton vem sofrendo.

Atualmente, John Paul está lutando contra um insucesso em curso da campanha de justiça junto com Brendan McConville, como parte do Craignavon Two.

Muitos membros da Industrial Workers of the World (IWW) se reuniram com familiares e parentes de John Paul nos portões de Maghaberry. Enquanto isso, uma carta de protesto foi entregue à prisão pela mãe de John Paul, Sharon Wootton.

Um porta voz da IWW Irlanda disse: “Nós estamos aqui hoje para dar nossa voz e solidariedade pelo nosso companheiro trabalhador John Paul, neste momento em que ele continua a enfrentar discriminação nas mãos do Estado, que já o havia encarcerado injustamente. Como se eles não tivessem sofrido o suficiente ao serem condenados por crimes que não cometeram, John Paul tem continuamente enfrentado ataques contra ele, vindos de um sistema que o mantém prisioneiro, apesar de saberem que tanto John quanto Brendan são homens inocentes. Nós ecoamos o chamado das famílias aqui hoje para exigir o fim da discriminação dirigida a ele.”

“Para nós, enquanto sindicato, é sempre relevante destacar que não importa quanta repressão haja, não importa quanto eles nos alcancem, a solidariedade da classe trabalhadora sempre vencerá.”

Em declaração publicada em nome da família Wootton, durante a ação de hoje, lê-se:

Hoje, no dia 18 de julho, a família Wootton, apoiada pelo sindicato Industrial Workers of the World (IWW), iniciou um pequeno protesto do lado de fora dos portões da prisão Maghaberry. Nosso objetivo era demonstrar solidariedade e amor a John Paul e pedir pelo fim da discriminação a qual ele vem sendo submetido pelas autoridades da prisão.

Muitas oportunidades disponíveis para outros prisioneiros, foram negadas a John Paul através dos últimos anos. Além disso, ele sofreu restrições muito mais duras do que aquelas sofridas pelos demais. Recentemente, nos envolvemos com uma campanha para pressionar e chegar até pessoas influentes, em uma tentativa de melhorar a situação.

Infelizmente, apesar dos melhores esforços, as questões permanecem por resolver. Na visão de John Paul, muitos dos problemas que ele encara poderiam ser resolvidos pela sua transferência para a prisão Magilligan. No entanto, apesar de John Paul cumprir todos os critérios dos serviços da prisão, ele ainda é mantido em Maghaberry.

John Paul se candidatou para a transferência pela primeira vez há dois anos, mas o atual serviço tem constantemente prevaricado, parado e, em algumas vezes, até completamente ignorado o seu pedido. Dois anos é muito tempo, especialmente considerando que para os demais, este processo ocorre em questão de semanas.

Este é um caso de nítida discriminação e nós não vamos aceitar em silêncio. Nós estamos dispostos a continuar apoiando John Paul e sua luta por justiça da mesma maneira que temos feito há mais de doze anos. Continuaremos a luta até que ele esteja livre e totalmente absolvido. Nós também faremos todos os esforços para garantir que ele seja tratado adequadamente enquanto estiver detido pelo Estado. Nós decidimos não publicar um chamado por ajuda nessa situação, evitando, assim, aglomerações. Isso se deu por conta da ameça da do COVID-19, mas não descartamos a possibilidade no futuro.

Família Wootton

Você pode mandar uma carta de solidariedade para John Paul diretamente para ele através do seguinte endereço:

John Paul Wootton Maghaberry Prison Davis House Old Road, Upper Ballinderry BT28 2PT, Ireland

Fonte (mais fotos): https://www.onebigunion.ie/post/prison-protest-discrimination-has-to-end?fbclid=IwAR3_95dSCTKtdYj2lFnuWNxDLvpDh3a_bPc_yJxYegTNFKwqySpjO22EyuI

Tradução > Calinhs

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agência de notícias anarquistas-ana

Cavalos de escamas,
em meio às algas marinhas,
escondem segredos.

Urhacy Faustino

[Cuba] O fim do encantamento social da “Revolução”

O encantamento social repressivo que manteve o museu de grande parte da esquerda internacional pacificado desapareceu. Sob a chamada “Revolução Cubana”, e ao contrário de sua imagem benigna, o “estado cubano” surgiu publicamente em toda sua crueza e grandiloquência repressiva. O mesmo Estado cubano que criou – para enfrentar o imperialismo norte-americano – uma polícia política onipresente que luta contra a sociedade sob seu controle. O mesmo Estado cubano que destruiu – em nome do socialismo – todas as organizações populares e de trabalhadores que, com suas histórias de luta, fizeram das conquistas socialistas declaradas uma realidade diária. O mesmo Estado cubano que transformou a solidariedade em uma marca de identidade internacional, com base em nos manter mergulhados na desconfiança e no medo entre vizinhos. O mesmo Estado cubano que – em meio à intensificação do bloqueio ianque – constrói mais hotéis para turistas estrangeiros do que infraestrutura para produzir alimentos, frutas ou leite. O mesmo Estado cubano que produziu as únicas vacinas na América Latina contra a covid-19, mas mantém seu pessoal de saúde em condição de funcionários assalariados da polícia política.

Nestes dias de julho de 2021, o Estado cubano mostrou o que é: uma oligarquia comum, cioso de manter seu poder absoluto a todo custo; uma cleptocracia vulgar com pretensões humanistas e iluminadas; uma pirâmide de poder tão sólida e desproporcional quanto as pirâmides das teocracias egípcias, mas rodeada pelas areias das praias paradisíacas.

Argumentar agora sobre o lugar de Cuba na estratégia imperial global, argumentar que os protestos anti-governamentais em Cuba são inevitavelmente pagos pela direita cubana em Miami, argumentar que os manifestantes são simplesmente criminosos pelos saques, que o verdadeiro povo revolucionário está com seu governo – todos estes são argumentos que descrevem uma parte significativa da realidade, mas não a esgotam em um só ponto. O povo de Cuba tem tanto direito e tanto dever de protestar quanto o povo da Colômbia e do Chile. Qual é a diferença? Que são oligarquias com origens diferentes, com práticas mais ou menos brutais, com uma composição ideológica mais ou menos diferenciada, com posições mais ou menos servil em relação ao governo dos EUA, com ideais mais ou menos sublimes para justificar seus privilégios? Todas estas imensas diferenças entre as oligarquias colombianas, chilenas e cubanas são reduzidas a zero quando numa bela manhã de domingo você descobre que, além das oligarquias mafiosas na Colômbia e no Chile, a oligarquia cubana também está – diante de um povo sem armas – armada até os dentes, um pouco mais ou um pouco menos, para esmagar você e seus irmãos, seu corpo e sua mente, se você pensar até mesmo em questionar em palavras a normalidade que eles gerem.

Tudo o que o Estado cubano fez para produzir vacinas nacionais contra a covid-19, todos os subsídios trabalhistas, todas as melhorias salariais que ofereceu a muitos setores em meio à pandemia, de repente evaporam, não só por causa da espiral inflacionária e da escassez endêmica de alimentos em Cuba, mas também porque se tornou visível que tudo isso fazia parte da teia macabra da “tolerância repressiva”, algo que qualquer pessoa decente em Cuba pode agora descobrir, sem ter que ler nenhum livro brilhante sobre contracultura. Aqueles que agora vêm adoçar essa tolerância repressiva neste país e construir sobre ele a miragem da concórdia militarizada, podemos calmamente defini-los como a nova face do que não deveria ter lugar em nosso futuro. Aqueles que, em nome de uma democracia futura ou de uma economia que funcione bem, vêm desacreditar as afinidades e fraternidades e as energias que surgiram nos protestos, ou reduzir o que aconteceu nestes dias ao “simples vandalismo da escória social”, falam em nome e na linguagem das oligarquias decrépitas que mais uma vez levantam sem vergonha suas vozes em nosso país.

As “massas” tornaram-se mais uma vez “pessoas”, com todas as suas luzes e sombras, deixando de obedecer às pesadas cadeias de comando, e mais uma vez confiando nos afetos, afinidades e nas capacidades mínimas de fazer e pensar juntos, que ressurgiram em desobediência e solidariedade entre iguais, em meio à espiral de violência, pandemias e carências. Esta é a nova realidade que nasceu em Cuba nestes dias de julho de 2021, e desta nova realidade, como anarquistas em Cuba, queremos nos sentir parte dela.

Oficina Libertária Alfredo López

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Sem guarda-chuva
E sob a chuva de inverno —
Bem, bem!

Bashô

Carlo Giuliani Presente!!!

20 DE JULHO DE 2001-2021

20 de julho de 2001: Na Itália, a polícia fascista mata o Companheiro Carlo Giuliani na contra-cúpula do G8 em Gênova.

Carlo, como tantxs companheirxs em todo o mundo, faz parte de nossa história de luta e resistência anárquica e subversiva ao podre mundo do existente.

De Santiago a Buenos Aires, de Montevidéu a Gênova, o mesmo grito se escuta em nosso irrenunciável caminho de confronto:

MORTE AO ESTADO

VIVA A ANARQUIA!

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 agência de notícias anarquistas-ana

livro aberto gelado
o norte geme no vento
sobre a página branca

Lisa Carducci

[Cuba] Mensagem para a esquerda silenciosa

A esses que no mundo se dizem de esquerda e defendem o poder em Cuba, o que acontece com eles? Seriamente lhes funciona o olho esquerdo, o ouvido esquerdo, o lado esquerdo do cérebro e do peito?

O poder em Cuba é sinistro, sim, mas NÃO É de esquerda. O capitalismo monopolista de estado que há em Cuba, usa a palavra “socialismo” para sustentar uma ditadura classista que despreza os pobres.

O poder no país onde nasci e onde vivo, ordenou o combate entre irmãos, nas ruas, este 11 de julho. Mobilizou militares e “camisas negras” para defender suas lojas em moeda estrangeira, seus escritórios com ar condicionado, seus carros, suas mansões com piscina, seus cargos, seus privilégios. E mandaram um grupo de cubanos pobres para reprimir a outros cubanos que não tem nada, ou quase nada… o que não é o mesmo, mas é igual.

O poder nos cortou a Internet, nos jogou em caminhões, em patrulhas, nos prendeu às centenas (não há cifras oficiais) e logo saiu com o maior cinismo da história cubana a negar frente ao mundo uma explosão social sem precedentes no arquipélago, em quase 100 anos… de solidão.

Os cárceres de Cuba estão hoje repletos de jovens humildes que saíram para se rebelar contra a miséria e a falta de direitos. Não são marginais, são marginalizados. E estão ali golpeados, apinhados em celas. Não sei se tem máscaras contra o Covid, o que sei é que não tem esperanças.

Em Cuba não existe democracia. Nem socialista nem de nenhum outro tipo. No domingo passado fomos reprimidos selvagemente, inclusive os que condenamos o embargo/bloqueio e a ingerência, os que queremos resolver nossos assuntos de forma soberana. Viram os vídeos? Conheço um jovem socialista que foi golpeado e levado ao cárcere. E sei que sua mãe socialista teve bolhas nos pés procurando-o durante dias sem saber onde estava. Como é possível guardar silêncio ante estes abusos?

Cuba é mais complexa que uma Havana colonial semidestruída onde passeias em um conversível com um charuto na boca, uma mulata e uma camiseta do Che. Não é tão elementar como é a lenda épica do pequeno país enfrentando o império. Amadureçamos! Aos Estados Unidos não interessa mandar suas tropas a este país, não temos petróleo! O disparate da anexação é um assunto do Século XIX. Os burocratas, os burgueses com boinas bolcheviques e os tão pensantes de Cuba lhe venderam uma novela que nada tem a ver com a realidade deste país.

A grande maioria de meus amigos já se foi de Cuba. Fugiram. E a quase totalidade dos amigos lhes embrulha o estômago quando escutam a palavra ESQUERDA. Creia-me, não é um efeito colateral produzido comendo no McDonald’s ou bebendo uma Coca-Cola. Meus amigos, quando escutam a palavra “esquerda”, recordam o sistema falido, controlador, ineficiente, corrupto, simulador, machista, vigilante… que os fez lançarem-se em balsas a um mar repleto de tubarões, que os fez atravessarem as selvas centroamericanas buscando LIBERDADE.

Se as duas palavras (esquerda e liberdade) não podem viver juntas, então tanto faz romper as cordas vocais gritando justiça social ou progresso, com bandeiras e punhos levantados.

Quem depois do 11 de julho de 2021 seguir acreditando que Cuba é uma “democracia de esquerda”, perdoe-me, mas sofre gravemente de cegueira social e dislexia política.

Um abraço.

E.G.A.

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Nesta noite
ninguém pode deitar-se:
lua cheia.

Matsuo Bashô

[EUA] Vaquinha para publicação de livro | “Black Metal Rainbows”

Uma antologia de obras de arte que prendem o olhar e escritos esclarecedores que mostram o black metal sob uma nova ótica deslumbrante.

|| Alcançamos nosso objetivo, mas quanto maior o número de apoiadores, pedidos com antecedência e apoio, maior será a quantidade de livros que poderemos imprimir e lançar ao mundo. Nossos agradecimentos e vamos manter tudo isso rolando! ||

O black metal é um paradoxo. Um gênero barulhento e underground de metal que transborda violência e virulência e que conquistou a imaginação de todo o mundo pelo seu estilo rígido porém extravagante e sua infame história envolvendo atos incendiários, blasfêmia e assassinato. Atualmente, o black metal é simplesmente um campo de batalha cultural entre aqueles que o reivindicam para fins nacionalistas e racistas e aqueles que dizem: FODA-SE O BLACK METAL NAZI.

Black Metal Rainbows é uma obra de 400 páginas, multicolorido. Uma visão radicalmente nova do black metal – um livro ímpar: uma coleção única de obras de arte estonteantes e escritos instigantes de mais de 80 escritores, artistas, ativistas e visionários. Entre eles Drew Daniel do Matmos/The soft pink truth, Kim Kelly, Hunter-Hendrix do Liturgy, Margaret Killjoy do Feminazgul, Laina Dawes, Espi Kvlt, Charles Fleurety, Eugene S. Robinson do Oxbow, Svein Egil Hatlevik do Zweizz e Fleurety. O livro conta com uma história oral sobre o álbum 666 International de Dødheimsgard, um perfil do selo Tridroid Records, o “Rei das logos” Christophe Szpajdel e muito mais.

Há mais black metal do que a vista pode alcançar. Além dos clichês  acerca do pessimismo e ódio, encontra-se um gênero musical muito rico em criatividade, humor e que perpassa todas as cores do arco-íris. Black Metal Rainbows enxerga o black metal como abrangente, inclusivo e ilimitado: um gênero musical cujo espírito vital de total antagonismo rebelde contra as forças do conservadorismo político. Através de ensaios e entrevistas, obras de arte e quadrinhos, este livro multicolorido e maravilhosamente projetado traz à tona uma evolução do black metal e celebra seu espírito antiautoritário que não é de hoje. Esta é a era de ouro do black metal plural.

Black Metal Rainbows é um pontapé inicial e necessário para esta conversa, uma destruição de portas fechadas e de seus guardiões. O black metal nunca foi puro, ele evoluiu e floresceu exponencialmente desde os dias de queimação de igreja que marcaram sua segunda onda escandinava dos anos 90. Black metal é festa! Ele pode ser colorido, pode ser queer e feminino, místico e antifascista, fofo e aconchegante, sexy e erótico – existe até, diga-se de passagem, pornô black metal. Este livro revela o black metal como um reino de festividades, animado por espíritos de alegria e celebração, identidades queer e LGBTQI+, antifascismo e políticas de esquerda. Isso tudo sem mencionar a infinita experimentação estética e suas fabulosidades. Vida longa ao arco-íris do black metal trve!

Dois objetivos incentivaram nossa campanha no Kickstarter: custos de impressão e o pagamento dos nossos colaboradores. A impressão em cores é extremamente custosa e Black Metal Rainbows será não somente um belo livro de arte, mas também um belo objeto de arte em si. Será a confirmação poderosa e brilhante de que os fãs de black metal são diversos e estão aqui para ficar. Quanto maior o  número de apoiadores e encomendas antecipadas, maior será a quantidade de livros que poderemos imprimir e lançar ao mundo. Além disso, escritores e artistas não deveriam nunca trabalhar de graça e é importante para nós que todos os nossos colaboradores sejam devidamente remunerados pelos seus trabalhos. Nós temos coisas incríveis para mostrar para vocês.

Da cripta às nuvens, a obra Black Metal Rainbows traz à luz o cerne brilhante do black metal e ilumina seu espectro prismático: na escuridão profunda, muito além da severidade e da dureza, sobre um arco-íris de brilho sombrio. Nada é trve e qualquer um está liberado.

Junte-se a nós.

O livro foi editado por Daniel Lukes & Stanimir Panayotov. Direção de arte e design por Jaci Raia e publicado pela PM Press.

>> Mais infos aqui:

https://www.kickstarter.com/projects/ww3/black-metal-rainbows fbclid=IwAR0sxKzmnjh5rxTifoCLa9OlF0Rd8qXjMWEwFeZlvHcW52kytIOuEUiOLRk

Tradução > Calinhs

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agência de notícias anarquistas-ana

Sobre verde imenso
um ponto saltitante
pássaro cantante

Winston

[EUA] Festival de Cinema Anarquista de Nova York em busca de contribuições

Festival de Cinema Anarquista de Nova York: Chamada para Contribuições

Prazo: 1° de agosto. Evento: 10 de setembro.

O Festival de Cinema Anarquista (AFF, sigla em inglês) de Nova York está em busca de contribuições para celebrar os espíritos irrepreensíveis de solidariedade e resistência em meio a um mundo em crise. Agora em seu 15º ano, o AFF demonstrou histórias de pessoas de todo o mundo que lutam por um futuro melhor contra a exploração, a opressão e o terror. Embora consideremos todas as inscrições, este ano estamos especialmente interessados em filmes sobre a pandemia e seu estrago, o movimento por justiça racial, o crescimento do autoritarismo e as lutas históricas que contextualizam as lutas atuais.

Diretrizes para as inscrições:

As inscrições devem ser enviadas para NYCAFF2021 [arroba] protonmail [ponto] com

Aceitamos curtas-metragens originais de até 15 minutos e filmes mais longos de até 65 minutos. O ideal é que as inscrições sejam enviadas como um arquivo anexado, um download, ou link de streaming. Por favor inclua seu nome, uma descrição da sua inscrição, e uma pequena biografia. Todas as inscrições devem ser enviadas até o final do dia 1° de agosto. Os participantes do AFF são incentivados a comparecer ao evento e apresentar seus vídeos ao público.

anarchistbookfair.net

Tradução > Brulego

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agência de notícias anarquistas-ana

Rosto no vidro
uma criança eterna
olha o vazio

Alphonse Piché

 

[Colômbia] Greve Geral de 20-J!

A União Libertária, Estudantil e do Trabalho, se soma oficialmente à mobilização geral popular este próximo 20J. A greve geral, é a ferramenta popular para iniciar a organização e coesão da classe trabalhadora, das mulheres, das dissidências de gênero, dos trabalhadores informais, dos desempregados e imigrantes.

Manter a pressão popular, afiançar a autonomia assembleária, tecer a solidariedade e defender o conquistado, até alcançar a justiça social, a liberdade e a igualdade. Que nossos companheiros e companheiras de 36, se sintam orgulhosos de nós!

Pelo triunfo da confederação! E da classe trabalhadora!

União Libertária Estudantil e do Trabalho

ULET-AIT

E-mail: contacto@uletsindical.org
Site: http://www.uletsindical.org/
Facebook: @ULETsindical https://www.facebook.com/ULETsindical/

Twitter : @ULETsindical

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agência de notícias anarquistas-ana

ave calada –
ninho em silêncio
na madrugada

Carlos Seabra

[República Tcheca] Vídeo | Fogo e explosões na zona de conforto dos ricos

A polícia protege os ricos. Defende o poder e a propriedade que eles só têm, por que exploram os trabalhadores.

A polícia é inimiga do povo pobre. Os ameaçam para que continuem obedientes e, se preciso for, os contém com violência. Alguns também matam. Como Stanislav Tomas em Teplice.

Dentro da zona de conforto dos ricos, nos subúrbios de Teplice, em 12.07.2021, houve um incêndio intencional. Nessa madrugada, os moradores dos chalés foram tirados de seu sono tranquilo, com pequenos fogos e explosões.

Essa raiva é direcionada aos ricos e sua guarda policial.

Essa inquietação é provocada pela brutalidade policial.

Esse é o pesadelo que atrapalha o sono deles.

A polícia é uma gang internacional que aterroriza os pobres e os que foram arrancados de seus territórios. Mas ao redor de todo mundo surgem revides inspiradores contra essa brutalidade. Em Portland, Chile, Bremen, Bruxelas, México, Atenas, Kiev, França, Berlin, Nova York, Bristol, Patras, EUA…

A resistência está em todos os cantos onde há violência policial. Agora também está presente em Teplice.

>> Veja o vídeo aqui:

https://jiskra.noblogs.org/post/2021/07/16/explosion-and-fire-in-the-comfort-zone-of-the-rich/

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

sinto um agudo frio:
no embarcadouro ainda resta
um filete de lua

Buson

[Espanha] Campanha contra a repressão aos trabalhadores em Mianmar

Ataques do Exército contra manifestações de mulheres trabalhadoras

Empregadores birmaneses exigem “colocar ordem” na Birmânia

Infelizmente, sabe-se que em 1° de fevereiro passado o exército birmanês encenou um golpe de Estado para instalar uma junta militar no poder. Assim, pôs um fim à caricatura da democracia que existia na Birmânia até então. Desde então, a prisão e a acusação das figuras mais conhecidas da oposição democrática têm se destacado na mídia. Todos nós assistimos às cenas angustiantes de repressão brutal em resposta ao movimento de protesto contra a junta. O número de mortos está nas centenas, em um interminável gotejamento macabro. Cidades e aldeias inteiras que haviam estado em revolta foram arrasadas pelas forças do Estado.

Os ataques armados aos manifestantes não são a única ferramenta utilizada pelo exército para disciplinar a população que protesta. Paralelamente a esses massacres criminosos, foi instalado um regime de terror na vida cotidiana, em aldeias, bairros e locais de trabalho, incluindo uma forte repressão aos sindicatos. Nos últimos anos, um movimento trabalhista de base muito ativo e militante vinha se desenvolvendo em Mianmar, que estava ganhando uma forte presença em setores como o têxtil. Agora, como temíamos, os proprietários de fábricas e teares têm sido rápidos a usar as forças uniformizadas para tentar esmagá-lo.

Nossos camaradas da FGWM (Federação dos Trabalhadores Gerais de Mianmar) relatam que desde o final da greve geral em março passado, os chefes têm usado o exército para pôr fim a qualquer disputa trabalhista manu militari. Além disso, frequentemente colaboram ativamente com a junta para perseguir as mulheres sindicalistas mais reconhecidas e dissidentes proeminentes.

Assim, as representantes sindicais femininas são perseguidas tanto por sua defesa dos direitos dos trabalhadores quanto por seu papel na oposição ao regime militar, por se manifestarem em manifestações, por exigirem condições de trabalho decentes ou por convocarem uma greve geral. Muitas vezes, elas tiveram que fugir de suas casas e abandonar seus empregos, e foram forçadas a uma situação muito precária, sob constante risco de serem denunciadas por um empregador vingativo e presas, torturadas ou sumariamente executadas por um exército criminoso.

A CNT e a CIT entendem que qualquer apoio internacional deve estar de acordo com as necessidades dos trabalhadores e das trabalhadoras que se organizam no território. Não, claro, ao que pode parecer mais conveniente para aqueles que acompanham a situação a partir de outro contexto. Independentemente da precisão, ou não, de nossas avaliações, são sempre os protagonistas do conflito quem decide os parâmetros de suas lutas e quem toma as decisões. Este é um princípio federativo básico. É por isso que pedimos a nossas irmãs que nos dissessem como a solidariedade pode ser realizada neste caso. Você pode ver a resposta deles nas cartas anexas.

Esta é a origem desta campanha. Apesar de tudo, não está em nosso poder colocar um fim imediato ao regime militar ou impedir os massacres. Eles estão bem cientes disso. Mas podemos, com o melhor de nossa capacidade, contribuir para a eliminação desta perna do terrorismo dos patrões, um componente importante do regime repressivo que está subjugando o povo da Birmânia.

Para conseguir isso, convidamos todos os sindicalistas e organizações de trabalhadores com os mesmos ideais, todos aqueles que são contra o brutal golpe de Estado na Birmânia e o terror que o exército birmanês impôs à população, a assinar a petição anexa e a colaborar na presente campanha.

Agora é o momento, com a ajuda de todos, de mostrar solidariedade internacional. Em um mundo cada vez mais conectado e globalizado, não podemos pensar que a luta contra o autoritarismo e a repressão sindical em qualquer canto do mundo não é de nossa responsabilidade.

Assine a petição, espalhe a campanha, colabore para pôr fim ao duplo terror do exército e dos chefes!

Qualquer pessoa interessada em saber mais sobre o assunto pode entrar em contato com exteriores@cnt.es.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/campana-contra-la-represion-obrera-en-myanmar/

Tradução > Liberto

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as crianças
naquele pátio, e o sol
brincando de esconder

Carlos José Ribeiro

[Espanha] A tristeza de Bakunin

Por Eduardo Pérez | 22/06/2021

Com 60 anos, o grande revolucionário se sentia “muito velho, muito doente, muito cansado, e há de se dizer, muito decepcionado”. Bakunin admitia sua derrota: “O mal triunfou e não posso impedi-lo”.

“A revolução ficou de cama”

Em fevereiro de 1875, Mikhail Bakunin, o impenitente revolucionário russo, estava triste. Assim o fazia saber em uma carta a seu companheiro francês Eliseé Reclús, igualmente exilado na Suíça.

“A evolução que está se produzindo hoje é muito perigosa, senão para a humanidade inteira, ao menos para algumas ações”, assinalava na correspondência, em que o famoso anarquista realizava um breve esboço da situação no mundo ocidental: o Império alemão, gerido por Bismarck, “à cabeça de um grande povo lacaio”, a igreja católica com “os olhos e as mãos por todas as partes” e, na França, os verdugos da Comuna de Paris, “se dedicando a martelar as correntes de um grande povo caído”, sem que Bakunin visse motivos para o otimismo no resto do planeta.

O russo nasceu em uma família acomodada, mas renunciou a tudo para avivar as chamas da revolta que tinha percorrido a Europa desde 1830 a 1870. Com escassos meios econômicos, preso e deportado por diversos governos, Bakunin esteve presente desde o levantamento de Dresden de 1848 até o de Bolonha de 1874. Tinha sido um fantasma que circulava pela Europa continental para o pesadelo dos governantes e que, quando não podia se situar no epicentro da agitação, influenciava na militância antiautoritária do país onde estivesse.

Porém, já com 60 anos, o grande revolucionário se sentia “muito velho, muito doente, muito cansado e, há de se dizer, muito decepcionado”. Bakunin admitia sua derrota: “O mal triunfou e não posso impedi-lo”.

Para ele, o problema não vinha apenas “dos espantosos desastres de que somos testemunhas e das terríveis derrotas das que temos sido vítimas mais ou menos culpadas”, em referência às recentes derrotas operárias e repressões conseguintes, “mas porque, para meu grande desespero, constatei e constato a cada dia, que o pensamento, a esperança e a paixão revolucionária não se encontram nas massas, e quando isso ocorre, por muito que se combata, não se fará nada de nada”.

Bakunin seguia tendo nítida qual era a solução, mas o desengano com as massas o fazia duvidas das possibilidades. Como explicava a Reclus: “É evidente que não poderemos sair desse buraco sem uma imensa revolução social. Mas, como se fará esta revolução? Nunca a reação europeia esteve tão bem armada contra todo movimento popular. Fez da repressão uma nova ciência que é sistematicamente ensinada nas escolas militares aos tenentes de todos os países. E, com que contamos para atacar essa fortaleza inconquistável? As massas desorganizadas. Mas, como organizá-las se não têm sequer o apaixonamento suficiente por sua própria salvação, se não sabem nem o que devem querer e se não querem o único que pode salvá-las”.

Visto em retrospectiva, se pode dizer que o legendário revolucionário tinha razão. A ordem imposta se manteria sem problemas durante várias décadas. Bakunin, em sua desilusão, deixava um espaço para a esperança. “A paciência e a perseverança heroicas” das organizações que mantinham o tipo apesar das derrotas, permitiriam que o socialismo frutificasse de novo a princípios do século XX: “seu trabalho não se perderá – nada se perde neste mundo: as gotas de água, ainda sendo invisíveis, conseguem formar o oceano”. Lamentavelmente, Bakunin não só contemplava essa opção: “Estes imensos Estados militares tem que destruir uns aos outros, e se devorar cedo ou tarde”. “A guerra universal” que previa o velho agitador chegaria a menos de meio século depois.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/contigo-empezo-todo/el-bajon-de-bakunin

Tradução > Caninana

agência de notícias anarquistas-ana

Após urinar,
Um buraco perfeito
Na neve do portão!

Issa

[Itália] Acampamento contra a mina de titânio no Monte Beigua

Nós recebemos e distribuímos: A CAMPANHA CONTRA A MINERAÇÃO DE TITÂNIO NA MONTA DE BEIGUA. A ameaça de uma mina de titânio devastadora…

A ameaça de uma mina de titânio devastadora na área de Piampaludo – Bric del Tarinè continua a avançar. Assim, dos corredores do tribunal administrativo regional, decidimos convidar a todos para um acampamento auto-organizado (nos dias 6-7-8 de agosto) para que se conheçam o território e comecemos a compartilhar espaços desprovidos de qualquer tipo de autoridade na região de Monte Beigua, na Ligúria.

Em breve, serão feitas atualizações e mais informações.

Para contatos: delcoloredellaterra@anche.no

No link o programa em pdf.

Fonte: https://ilrovescio.info/2021/07/05/campeggio-contro-la-miniera-di-titanio-sul-monte-beigua/

agência de notícias anarquistas-ana

O lago da montanha –
Termina do lado leste
A tarde dos patos

Paulo Franchetti

[Espanha] Faz 100 anos | A injusta condenação de Sacco e Vanzetti

Finaliza o processo contra os imigrantes italianos Sacco e Vanzetti com uma resolução determinada pelos preconceitos políticos que os condena à cadeira elétrica

Por Teresa Amiguet | 13/07/2021

Um dos julgamentos mais parciais da história dos Estados Unidos acabou faz cem anos. Em 13 de julho de 1921, dois anarquistas de origem italiana, Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, foram condenados à cadeira elétrica por um roubo a mão armada com duplo assassinato no subúrbio de Boston, do qual eles não se reconheciam culpados.

Após a perseguição nos tribunais, mais de seis anos de alegações e recursos com dois processos repletos de provas mais que duvidosas e desamparo dos acusados. A notória animosidade do juiz responsável, Webster Thayer, que chegou a qualifica-los de “bolcheviques” contribuiu para transformar o processo em uma causa contra o anarquismo que tanto preocupava os conservadores da época.

Apesar da falta de provas definitivas, o veredito, muito influenciado pelo atentado de Wall Street de setembro de 1920, culminou com a execução de Sacco e Vanzetti em 27 de agosto de 1927.

A repercussão internacional do caso surpreendeu a todos: Sacco e Vanzetti, o “bom sapateiro” e o “pobre vendedor ambulante de pescado”, foram reivindicados com greves nos cinco continentes e ainda hoje são homenageados.

Por causa da celebração do quinquagésimo aniversário de sua execução, em 1977, o então governador do estado, o democrata Michael Dukakis, decretou que o 23 de agosto seria a partir de então o dia ‘Em memória de Sacco e Vanzetti’. ‘Não pretendemos determinar se foram culpados ou inocentes, mas sim recordar às pessoas civilizadas a constante necessidade de estarmos atentos contra nossos preconceitos, intolerância contra as ideias não ortodoxas e nossas falhas em defender os direitos das pessoas’, assinalou.

Fonte: https://www.lavanguardia.com/hemeroteca/20210713/7596500/sacco-y-vanzzetti-nicola-sacco-y-bartolomeo-vanzetti-juicios-anarquismo-estados-unidos.html

Tradução > Sol de Abril

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inverno
agasalhar as crianças
ficar mais velho

Alexandre Brito

[EUA] Lançamento: “Film and the Anarchist Imagination”, de Richard Porton

Segunda Edição Expandida

Imagens, ideias e influência do anarquismo no cinema

Aclamado desde o seu lançamento inicial, “Film and the Anarchist Imagination” oferece o relato confiável de filmes com personagens e motivos anarquistas. Richard Porton investiga as muitas formas que os cineastas retrataram as longas tradições do anarquismo de agitação trabalhista e luta revolucionária. Embora reconheça as preferências do cinema por estereótipos anarquistas ridículos, ele se concentra nos filmes que, intencionalmente ou não, refletem ou até mesmo promovem a resistência no local de trabalho, pedagogia anarquista, auto-emancipação, e insurreição antiestatista. Porton vária da era do cinema mudo aos clássicos “Zéro de Conduite” e “Love and Anarchy” a filmes contemporâneos como “The Nothing Factory” enquanto envolve as obras de Jean Vigo, Jean-Luc Godard, Lina Wertmüller, Yvonne Rainer, Ken Loach, entre outros. Para essa segunda edição atualizada, Porton reflete sobre vários tópicos novos, incluindo os retratos negativos do anarquismo nos últimos vinte anos e a adoção contemporânea do pós-anarquismo.

“Tantos filmes do mainstream são, em última análise, propagandas: propagandas de consumismo, violência, relações de gêneros desatualizadas e do sistema capitalista. Esse livro nos lembra que filmes também podem ser rebeldes, não objetivando o fortalecimento, mas sim o enfraquecimento do status quo. Nesta versão atualizada de seu clássico original, Richard Porton traça a evolução das ideias anarquistas e suas influências na forma e conteúdo cinematográficos, explorando uma ampla variedade de trabalhos expressivos projetados para provocar, inspirar e incomodar. Uma celebração bem-vinda e atraente de um gênero subversivo e ainda em evolução.” – Astra Taylor, autora de The People’s Platform: Taking Back Power and Culture in the Digital Age (“A plataforma do povo: retomando o poder e a cultura na era digital”)

“Embora eu seja uma feminista, mas não identificada como anarcofeminista, o Film and the Anarchist Imagination de Richard Porton me inspirou a estudar os textos e filmes que ele analisa brilhantemente, até mesmo a revisitar os meus através de sua perspectiva única.” – Lizzie Borden

Elogios para a edição anterior:

“O estudo astuto e dedicado de Porton fornece um corretivo necessário aos filmes ‘ridiculamente nada sutis’ que reciclam estereótipos e meias-verdades.” – Catherine Saint Louis, Crítica Literária do New York Times.

Richard Porton é editor em Cineaste e lecionou cursos de cinema na College of Staten Island, Hunter College, Rutgers University, e New York University.

Film and the Anarchist Imagination

Segunda Edição Expandida

Autor: Richard Porton

Páginas: 352 páginas

Livro – $27,95

Ebook – $14,95

press.uillinois.edu

Tradução > Brulego

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/09/01/espanha-lancamento-o-cinema-e-a-imaginacao-anarquista-de-richard-porton/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2015/10/16/franca-lancamento-cinemas-libertarios-a-servico-das-forcas-de-transgressao-e-da-revolta/

agência de notícias anarquistas-ana

inútil, inútil
a forte chuva
mergulha no mar

Jack Kerouac

[Espanha] Madrid: Comunicado do Local Anarquista Motín: fechamento temporário

Escrevemos para comunicar que a proprietária do local da rua Matilde Hernández decidiu vender o local onde se situa nosso projeto. Como se não bastasse levarem dinheiro no fim do mês sem fazer nada, agora decidiram vender o local, contribuindo desta maneira para o aumento do preço das moradias do bairro, acelerando a gentrificação, e definitivamente  cedendo um espaço a mais aos ricos em detrimento dos pobres.

Desde a assembleia de gestão do local decidimos abandonar o espaço, já que a oferta que nos fez a proprietária consistia em renovarmos o contrato de aluguel, mas sob a ameaça de que quando vendessem o local seríamos expulsos. Ante esta insegurança apresentada como uma escolha (uma escolha em termos, pois não podemos decidir ficar, só se vamos agora ou esperamos que a proprietária nos expulse) saímos do local. No entanto, isto não quer dizer que o projeto Motín morra, pois Motín sempre foi muito mais que essas quatro paredes. Motín são as atividades que foram realizadas, os debates que se produziram, os encontros que ocorreram, as reflexões que geraram, a leitura dos livros de nossa biblioteca, os projetos que se reuniram nele… Definitivamente, Motín é tudo aquilo que conseguimos  arrebatar ao Estado e ao capitalismo, e recuperá-lo  para nossas próprias vidas. E com tudo isto não se pode acabar tirando-nos de um local.

Nós, as pessoas que fazemos parte da assembleia do projeto temos claro que a luta, de uma maneira ou de outra, deve continuar até que acabemos com todos os exploradores, assassinos e opressores. Por isso, o projeto vai passar por um processo de avaliação destes 4 anos e de reflexão sobre o futuro, sobre qual deve ser nosso próximo passo, sobre nossos acertos e erros, sobre aquilo que pudemos contribuir e possamos contribuir no futuro.

Queremos aproveitar para agradecer a todos e todas que colaboraram para gerar este espaço. Também recordar às pessoas que tem livros da biblioteca emprestados, que os devolvam estes dias para facilitar a mudança.

Agradecimentos a todos e todas e atenção para as próximas notícias.

Nos vemos nas ruas.

Morte ao Estado e viva a Anarquia.

localanarquistamotin.noblogs.org

Tradução > Sol de Abril

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estação vazia
no trem sozinho
um passarinho

Ricardo Portugal

[Espanha] Cuba

A primeira vez que visitei Cuba foi em meados dos anos 90, quando o regime ainda se encontrava no rescaldo do chamado “período especial”. Após o colapso da União Soviética, da qual dependia em grande parte economicamente, a ilha entrou em um período de profunda crise, agravada pelo aperto do bloqueio americano a partir de 1992. Em 2021, a população, cansada de todo tipo de escassez, agravada pela crise sanitária mundial que vem sofrendo há um ano e meio, está tomando as ruas para exercer seu legítimo direito de protesto. Díaz-Canel, sucessor no poder do regime totalitário de Castro, negou sem vergonha a repressão, mas, é claro, exigiu a defesa da “revolução” contra os “opositores”. Eu acho que nunca defendi o regime cubano, embora quando eu era (também) jovem eu ainda quisesse pensar que era algo diferente, não tão sangrento e opressivo como outros sistemas comunistas da Europa Oriental, e que ainda havia alguma esperança de que ele se movesse em direção ao socialismo. Não demorou muito para eu ficar desiludido e, se quisermos fazer uma crítica devastadora, podemos resumi-la na falta de liberdades, na ineficiência econômica do Estado e na total ausência de gestão da sociedade civil em todas as áreas da vida, apesar da propaganda do regime.

Sim, a retórica da Revolução Cubana continuará a insistir em seu caráter socialista e emancipatório. Nunca houve a mínima dica disso, e tornar a revolução subsidiária e dependente do “socialismo” soviético na época deveria ser um sinal gritante de fracasso (ou burla). Em Cuba pude observar a mesma exploração e as mesmas diferenças de classe que em qualquer sistema capitalista, juntamente com a opressão feroz de um regime totalitário. A análise é tão simples quanto que alguns cubanos puderam desfrutar de uma vida com acesso a todos os benefícios, enquanto a grande maioria viveu na escassez e continua a viver até hoje. Os cubanos foram reprimidos a tal ponto que a dependência do turismo, agora inexistente devido à pandemia, levou a um sistema de apartheid no qual eles não podiam desfrutar do conforto daqueles que visitavam a ilha. Sim, alguns dos que ainda defendem o regime aludem ao fato de que qualquer turista é legitimado a julgar a tremenda pobreza da ilha sem levar em conta o bloqueio ianque ou as conquistas da revolução. A evidência do fracasso, incluindo o fracasso moral, é demasiada e, sim, o embargo americano da ilha é tão criminoso quanto o bloqueio ao qual a classe dirigente cubana submete seu povo. Quanto às supostas conquistas, das quais qualquer sistema, por mais repressivo que seja, se vangloria, devemos nos perguntar a nós mesmos a garantia e o nível dessas conquistas e a que preço.

Já no início de 2021, e diante das manifestações pacíficas do povo, o regime implementou regulamentos para proibir os comícios em um constante recuo em medidas autoritárias. Entretanto, ainda não há sinais de conduzir a revolução para uma verdadeira democracia e um socialismo autenticamente emancipatório. As únicas medidas parecem sustentar o estado de coisas e continuar a estabelecer um abismo entre a elite e o povo. É verdade que há 15 anos, com o desaparecimento do punho de ferro de Fidel Castro de cena, algumas reformas foram realizadas, como o levantamento das proibições mais absurdas e a promoção da iniciativa privada na economia. É por isso que algumas pessoas tentaram ver uma deriva do chamado socialismo, que nada mais é do que capitalismo estatal, para um capitalismo privado compatível com a ditadura, ao mesmo tempo em que permanece um sistema tremendamente autoritário. Talvez, diante desta promoção da busca dos interesses próprios de cada indivíduo, que não é outra coisa senão o capitalismo, com a capacidade de se desenvolver em todos os tipos de regimes, sejam eles abertamente autoritários ou sob o pretexto da democracia, estas manifestações sejam uma esperança para a articulação de um movimento cooperativo e libertário em direção a uma sociedade mais humana. Os libertários cubanos, dos quais existem alguns, continuam trabalhando por uma sociedade auto-organizada, sem exploração, sem acumulação de recursos, sem imposições autoritárias e, é claro, unidos pela solidariedade. Não, não é ser um idealista ingênuo, é ser pragmático sem deixar de lado a moralidade diante do horror dos sistemas elitistas nos quais continuamos a viver.

Juan Cáspar

13 de julho de 2021

>> Foto: repressão policial durante os protestos em Cuba

Fonte: https://exabruptospoliticos.wordpress.com/2021/07/13/cuba/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Primeira chuva de inverno —
O macaco também quer
Uma capinha de palha.

Bashô

[País Basco] Cascante recebe este sábado uma homenagem a Lucio Urtubia

FAMILIARES E AMIGOS LEMBRARÃO O HISTÓRICO ANARQUISTA QUE MORREU EM 18 DE JULHO DO ANO PASSADO

Por Javier Encinas | 16/07/2021

Amigos e familiares de Lucio Urtubia Jiménez prestarão homenagem neste sábado ao histórico anarquista que deveria ser realizada em 17 de outubro de 2020, mas que teve que ser adiada devido às restrições impostas na época por causa da Covid. O evento começa ao meio-dia no Parque Romero em Cascante, a cidade onde ele nasceu em 18 de fevereiro de 1931.

A homenagem quase coincide com o primeiro aniversário de sua morte, pois ele morreu em 18 de julho de 2020 com a idade de 89 anos em Paris, a capital onde viveu depois de desertar do serviço militar em 1954.

UM RETRATO DE SUA VIDA

A ideia dos organizadores deste evento é dar um retrato de sua vida através de breves testemunhos de pessoas que tiveram um relacionamento com Urtubia. O objetivo é rever, em pouco mais de uma hora, sua trajetória humana.

A homenagem, que será apresentada pelo advogado Pepe Uruñuela, será aberta com intervenções dos residentes de Cascante e Paris. A seguir, a voz da artista interdisciplinar Esther Ferrer, vencedora do Prêmio Nacional de Artes Plásticas da Espanha em 2008, através de um áudio que ela preparou para a ocasião.

Em seguida, Eduardo Córdoba e Patxi Tuñón, que conheceram Urtubia na denominada Comuna de Louise Michel em Paris, falarão, assim como representantes do Comitê de Apoio aos Presos, do mundo do anarquismo e da solidariedade. José Mari Esparza, da editora Txalaparta, com a qual Urtubia publicou seus dois livros, e Mikel Santos Belatz, autor do quadrinhos El tesoro de Lucio, também estarão presentes.

José María Goenaga e Aitor Arregi, os cineastas que em 2007 repassaram a vida de Urtubia no documentário intitulado Lucio, também estarão presentes.

Os organizadores também estão esperando uma apresentação musical de La Chula Potra.

O evento será realizado a uma distância segura, e pelo menos 200 cadeiras serão montadas para que possa ser seguido com conforto.

Conhecido como o Robin Hood basco por liderar um esquema que roubou cerca de 20 milhões de dólares do First National City Bank falsificando cheques de viagem, Urtubia desertou do exército em 1954 quando estava fazendo seu serviço militar. A partir daí, ele se estabeleceu em Paris, onde entrou em contato com anarquistas e intelectuais como Albert Camus e André Breton, casou-se e teve uma filha.

Fonte: https://www.noticiasdenavarra.com/actualidad/politica/2021/07/16/cascante-acoge-sabado-homenaje-lucio/1165216.html

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agência de notícias anarquistas-ana

Algo de dança
nas algas,
quase canção dos corais.

Yeda Prates Bernis