[Espanha] A Frente Estalinista

Existe uma espécie de união, aparentemente com alguma relevância, e que segue uma estratégia calculada de multiplicação nas redes sociais, que se chama Frente Obrero (Frente Obreira), famosa por ter feito algum escrache ou outro contra os chefes do Podemos (partido político espanhol). Como eles mesmos dizem, não é uma organização estritamente comunista, mas parece sem dúvida ligada a um certo partido marxista-leninista, o enésimo que conhecemos neste abençoado país. Eles não são pessoas para se tomar como piada, já que talvez seu discurso não tenha uma longa jornada intelectual, mas são muito claros sobre a propaganda a ser feita num contexto de crise e se consideram destinados a ocupar o espaço de uma formação do Podemos em franco declínio, o que não parece rebuscado dado o panorama político pré-escolar que estamos sofrendo. De fato, a agressividade e o ressentimento, em relação ao Podemos da chamada Frente Obrero (FO) é tal que muitas vezes eles compartilharam o espaço de debate com os grupos mais reacionários, razão pela qual vieram associá-los à extrema direita e ao fascismo. Este não é o meu caso, já que estes tipos peculiares não escondem de modo algum, não sua ideologia leninista, mas a vindicação do próprio Stalin. Naturalmente, os milhões de mortos produzidos pela URSS viriam a ser propaganda capitalista e, precisamente, o comunismo entrou em declínio para eles com o processo de desestatização nos anos 50, após a morte do ditador. O líder da FO, e acho que também o líder do partido adjunto, é um cara chamado Roberto Vaquero, com alguma lábia e carisma, acho que longe da limitação violenta que certos meios de comunicação quiseram construir.

Vaquero foi, aparentemente, um estudante do próprio Pablo Iglesias, e compartilhou lutas com outros membros proeminentes do Podemos, que hoje ele critica abertamente como vendido ao sistema. Não tenho interesse, é claro, em fazer propaganda para essas pessoas, mas estou interessado no ambiente ideológico no qual grupos como este adquirem alguma relevância. A capacidade dos marxistas de se reinventarem nunca deixou de me surpreender e, precisamente, eu pensei que sua enésima tentativa de voltar a conduzir a história para o lado certo envolvia necessariamente colocar de lado aquele erro genocida que foi Iosif Stalin. Bem, não, estamos agora falando de comunistas que, com duas bolas santas, reivindicam a Rússia estalinista como modelo a seguir, embora seja verdade que repetem como papagaios certos lugares comuns e, é claro, negar a repressão e os crimes como produto de um “paradigma anticomunista”, que não merece nuances. Por outro lado, a aceitação acrítica das teses mais elementares disso, por outro lado, o grande pensador Marx os leva a, naturalmente, continuar confiando cegamente que as condições materiais e o desenvolvimento das forças produtivas farão o capitalismo cair vítima de suas próprias contradições para nos conduzir, impeditivamente, ao paraíso socialista. O mesmo de sempre, já que esse manifesto foi publicado há quase dois séculos, vamos lá.

Não é trivial que esses marxistas-leninistas, capazes de fazer uma pirueta dogmática com salto duplo e voltar atrás, reivindiquem apenas a URSS até os anos 50 e, creio, seu único herdeiro que foi a Albânia de Enver Hoxha (não, ele também não era um ditador e outro homem honesto pró-socialista capaz de romper com a URSS quando ela abandonou o bom caminho). Ou seja, eles abominam todo marxismo heterodoxo e toda práxis supostamente comunista (China, Cuba, Venezuela…), que eles veem apenas como reformismo e capitalismo de estado, o que eu acho que desarma e deixa perplexos os habituais anti-comunistas, que também são bastante grotescos e irritantes. Não, a FO não é nada original, eles simplesmente se colocaram há várias décadas quando o PCE já sofreu cisões com argumentos semelhantes de apoio à Albânia e críticas à URSS e aos países satélites, bem como ao trotskismo, maoísmo e outros ismos “desviantes”. A verdadeira luta, para esses leninistas stalinistas, é claro, a luta de classes, dogma que conduz a história em direção à igualdade social, e eles desprezam todos os outros, que eles genericamente e de certa forma vagamente englobam sob o nome de “pós-modernismo”: feminismo, queerismo, animalismo… Embora duvide que estes ativistas saibam a fundo o que implica o pós-modernismo, é justo dizer que merece outra crítica profunda e minuciosa certa fragmentação da luta pela mudança social, mas longe deve ser deixado para abraçar teses autoritárias já periclitantes. Não vou mencionar a quantidade de estupidezes que Vaquero e seus companheiros mencionam sobre os anarquistas; de fato, neste tipo de recuperação da práxis leninista mais miserável e criminosa, a terminologia em torno da anarquia é usada com profusão e intenções ávidas para rotular tudo o que eles consideram negativo. Eu acho que eles não dão um ponto sem nó.

Dito isto, cuidado com estes elementos, talvez muitos de seus jovens militantes estejam cheios de boas intenções, mas as numerosas crises que o capitalismo implica são terreno fértil para todo tipo de dogmatismo e autoritarismo (de estilo novo ou antigo).

Juan Cáspar

Fonte: https://acracia.org/frente-estalinista/

Tradução > Liberto

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Não tenho certeza,
mas acho que os grilos gostam
da minha janela.

Humberto del Maestro

[Espanha] Lançamento: “Entre el papel y las calles. La prensa obrera en la construcción del anarquismo cubano (1865-1895)”, de Javier Colodrón Valbuena

Em seu início, o anarquismo cubano utilizou a imprensa como plataforma desde a qual difundir seu programa ao longo de toda a Ilha. Através de uma série de campanhas de divulgação e propaganda ideológica, os libertários do final do século XIX conseguiram situar-se como guia do jovem movimento obreiro insular. Esta consolidação não foi tarefa fácil, pois, em seu caminho, os anarquistas tiveram que fazer frente não só à exploração laboral e a censura, mas também ao obstáculo adicional de mover-se dentro de um sistema colonial repressivo no qual conviviam um decrépito modelo de produção escravista e um incipiente capitalismo industrial sustentado sobre uma nova estrutura de relações sociolaborais. Este livro propõe uma aproximação da evolução do anarquismo cubano através da produção jornalística de seus integrantes. A utilização de fontes hemerográficas, arquivísticas e bibliográficas, permitiram reconstruir tanto o discurso libertário como o contexto sociopolítico no qual este foi criado, permitindo determinar o verdadeiro papel jogado pela imprensa escrita na formação e consolidação do primeiro socialismo cubano.

Entre el papel y las calles

La prensa obrera en la construcción del anarquismo cubano (1865-1895)

Javier Colodrón Valbuena

Calumnia Edicions, Col·lecció Tempus Ago, 10. Mallorca 2021

370 págs. Rústica 18×3 cm

ISBN 9788412329452

10,00 €

agência de notícias anarquistas-ana

A cigarra canta
o anúncio de sua morte –
formigas na contra-dança.

Anibal Beça

[Portugal] Agora: Esquerda, Bolchevismo, Esquerdismo e outros “ismos”

Falemos da Esquerda que, como a Direita, é plural e resulta sobretudo das práticas tribunícias parlamentares. A Montagne e a Plaine, Girondinos contra Jacobinos, Conservadores versus Liberais ou Trabalhistas, Republicanos e Democratas, Cartistas contra Constitucionalistas, e tantos outros exemplos.

A partir da abertura da “questão social”, por meados do século XIX, o republicanismo foi, pouco a pouco, cedendo o seu lugar “de esquerda” ao “socialismo”. Proudhon, Marx ou Lenin foram nomes citados com alguma frequência nessas bancadas da esquerda do hemiciclo assemblear ou nos palanques donde os líderes falavam às massas em manifestação de protesto.

Mas à sua direita, exasperado com a inoperância do liberalismo político e no quadro de desespero gerado por uma terrível Guerra e uma não menos desastrosa Depressão econômica, acirraram-se as hostes ultramontanas e nacionalistas. Nasceram então os fasci e os yugo y flechas de arruaceiros e falangistas, os Sturm Aabteilung (SA) e outras suas pálidas cópias, que instalaram a violência nas ruas e massificaram a adoração irracional ao “Chefe”. Agora, num contexto de contraditória abundância-e-desespero, reaparecem manifestações deste tipo. Quem havia de dizer…

O “radicalismo” partidário (republicano e laico) ainda sobreviveu em alguns sítios até ao nosso tempo, enquanto o sector socialista não resistia aos episódios fracturantes das grandes guerras ou às tomadas de poder por meios insurreccionais. Sociais-democratas respeitosos dos processos de escolha democráticos separaram-se definitivamente dos “Bolcheviks” comandados por Lenin e Trotsky, os quais conseguiram guardar e consolidar o governo da “ditadura do proletariado” nos imensos territórios da Grande Rússia. E isto marcou quase o resto do século XX – tal como os seus descendentes Chineses prometem marcar agora o século XXI, fazendo também uso de algum característico pragmatismo Confuciano. 

Os comunistas também têm um Evangelho: os escritos de Karl Marx, que lhes deixou um método de análise sociopolítica, uma utopia longínqua (o Comunismo, da dissolução da propriedade privada, das classes sociais e do Estado) e uma teoria-prática de luta partidária e de exercício do poder. Têm alguma inspiração benévola (vaga, como todas têm de ser), mas agem no Estado como Maquiavel ensinou e, ao mesmo tempo, com cega inflexibilidade burocrática. Por isso, apreciam tanto os militares. Mas comportam-se como uma vulgar seita: só lá entra quem quer; mas só de lá sai quem pode.

Foi já Lenin quem identificou (e estigmatizou) o fenômeno do Esquerdismo. Mas a “doença infantil do comunismo” não se extinguiu. Daniel Cohn-Bendit até a reivindicou: Le Gauchisme, remède à la maladie sénile do communisme (Seuil, 1968). Mas isso foi antes dele ter crescido.

Na realidade, o Esquerdismo reinventa-se sempre, ao sabor das conjunturas: exagerando as reivindicações “da Esquerda”; assumindo todas as “boas causas”, mesmo as impossíveis de resolver nas condições presentes; e só aparenta render-se à realidade quando finalmente participa no poder (a que aspira) mas em posição minoritária, no quadro de um sistema democrático.   

Quanto ao Anarquismo, esse é mais difícil de classificar, embora muitos (e alguns deles próprios) o posicionem na “ultra-esquerda”, perto de certos marxistas não-leninistas. Contudo, seria talvez mais correto situá-los “fora do sistema”, embora existam especiosas variedades para todos os gostos, como nas Artes.

Não vamos decerto transformar todos estes processos numa “questão de linguagem”. Mas lá que as palavras contam, disso podem ter a certeza!

JF / 25.Junho.2021

Fonte: https://aideiablog.wordpress.com/2021/06/25/agora-esquerda-bolchevismo-esquerdismo-e-outros-ismos/

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O som de um rato
Andando sobre o prato —
Que frio!

Buson

[Colômbia] Manifestantes derrubaram estátua de Cristóvão Colombo em Barranquilla

Um grupo de manifestantes se reuniu na tarde desta segunda-feira (28/06) em Barranquilla para protestar contra medidas governamentais e exigir informações sobre os desaparecidos no âmbito da Greve Nacional (Paro Nacional), e derrubou a estátua de Cristóvão Colombo que estava localizada na avenida 50 com rua 56, em frente à Igreja Nuestra Señora del Carmen.

Após o derrubamento do monumento à Colombo, sua cabeça foi removida e começou a ser arrastada pelos manifestantes nas principais vias da cidade.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/05/31/colombia-derrubaram-o-busto-de-andres-lopez-de-galarza/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/05/07/colombia-indigenas-misak-derrubam-estatua-de-gonzalo-jimenez-de-quesada-em-bogota/

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Mais fria que a neve,
Sobre os meus cabelos brancos,
A lua de inverno.

Jôsô

[Espanha] I Simpósio Internacional Ferrer Guardia

120 anos desde a abertura da Escola Moderna Francisco Ferrer Guardia

A comemoração dos 120 anos da abertura da Escola Moderna Francisco Ferrer Guardia, inaugurada em 8 de setembro de 1901, é um bom pretexto para que a Fundação Ferrer Guardia e a Sociedade para a História da Educação dos Países de Língua Catalã se unam para organizar conjuntamente um simpósio internacional, com o objetivo de rever e discutir, a partir de novas perspectivas e contribuições, a tradição e continuidade da pedagogia libertária em nível nacional e internacional.

A Escola Moderna de Barcelona (1901 – 1906) é um pretexto para aprofundar e ampliar os estudos sobre a pedagogia libertária a partir de uma lógica de passado – presente – futuro.

O simpósio será realizado nos dias 8 e 9 de setembro de 2021 (quarta-feira e quinta-feira), coincidindo com a data da comemoração da inauguração da Escola Moderna.

Entendamos que não somos apenas mais uma escola, mas a primeira, e até agora a única, que se recusa a se submeter aos poderosos, que exalta os deserdados, que estabelece a igualdade das classes e dos sexos, que coloca o conhecimento da natureza e a última palavra da ciência ao alcance da inteligência de homens e mulheres, sem respeitar privilégios, como um tributo devido à verdade e à justiça“.

Francisco Ferrer Guardia, discurso na inauguração da Escola Moderna, em 8 de setembro de 1901.

simpósiosiferrerguardia.eu

agência de notícias anarquistas-ana

Manhã de neve.
Até mesmo os cavalos
Ficamos olhando.

Bashô

[Espanha] Ações em Barcelona de 14 a 20 de junho contra a devastação da terra e o aumento da luz

Durante a semana de agitação de 14 a 20 de junho se registraram em Barcelona as seguintes ações:

  • Pichações e lançamento de tinta em uma sede da Endesa no bairro de Sant Andreu onde se pode ler “Fora Endesa de terras ancestrais” e “Endesa rouba e devasta a terra”
  • Pichações e quebra de vários vidros em uma sede da Endesa na rua París com Josep Tarradelles onde se escreveu “Endesa saqueia, rouba, devasta”
  • Pichações em uma estação transformadora da Endesa onde se lê “Endesa rouba, espolia e devasta a terra”
  • Pichações  no bairro de Sants e em Gramanet del Besos contra as empresas extrativistas.
  • Ação na sede do distrito de Ciutat Vella onde se lançou tinta ao edifício institucional e se pichou “O Estado rouba, saqueia e assassina” enquanto se queimaram faturas e contadores da luz diante da porta e se mostrava uma faixa.

Estas são algumas mostras de raiva ainda que certamente houveram mais réplicas em diversos lugares do mundo.

ROUBAM, SAQUEIAM E DEVASTAM A TERRA

SOBE-SE A LUZ ARDEM OS CONTADORES

MORTE AO ESTADO E VIVA A ANARQUIA

A n a r q u i s t a s

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/14/espanha-semana-de-agitacao-contra-a-devastacao-da-terra-e-o-aumento-da-luz/

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As cebolinhas
Lavadas e tão brancas —
Que frio!

Bashô

[França] Eleições: Que Todos Se Mandem

• 65% de abstenção no segundo turno, é um recorde. Os representantes eleitos nas regionais de 2021 não têm nenhuma legitimidade: apenas 35% dos eleitores registrados colocaram uma cédula na urna eleitoral. E culpar os abstencionistas não leva a nada. Para que nomear senhores que nunca ouvem, nem prestam contas uma vez eleitos e que impõem decisões impopulares recorrendo ao 49,3¹ e a granadas? A verdadeira lição dessas eleições é o rejeito massivo de toda a classe política.

• A LREM [partido do Macron] não ganhou nenhuma região e leva uma surra monumental com apenas 3% dos eleitores registrados. De Rugy até caiu em comparação com o primeiro turno! Nenhuma região para o RN [partido de extrema direita] também, apesar de ter sido consideravelmente apoiado pela mídia. A direita Macronista e a extrema-direita Lepenista acumulam dolorosamente um quarto dos eleitores, que já são minoritários. Porém, são estes dois partidos que impõem suas palavras, suas ideias e sua agenda mortífera em todas as mídias há anos.

• A direita radicalizada do LREM conquistou muitas regiões, especialmente a Pays-de-la-Loire. É uma direita tradicionalista, homofóbica e ultracapitalista. Com esta direita na direção da região de Nantes, um impulso será dado para projetos que destroem a ecologia, mais tecnopolícia e sempre menos social. Diante dessa direita e dos demais partidos, vamos organizar a resistência. Votando ou não, o que importa é o que acontece fora das urnas, fora das eleições.

Revolta de Nantes

[1] Artigo da Constituição francesa que permite ao governo adotar rapidamente um projeto de lei.

Tradução > Mawie

agência de notícias anarquistas-ana

As estrelas no lago
Aparecem e desaparecem —
Chuva de inverno.

Sora

[Chile] Sobre a greve de fome na Penitenciária de Rancagua: Comunicado da companheira anarquista Mónica Caballero Sepúlveda

Os últimos dias da primeira semana de Junho, Gendarmería de Chile (Genchi) realizou uma transferência massiva de presos da Penitenciária de Alta Segurança (Cárcel de Alta Seguridad – CAS) até a penitenciária de Rancagua, capital da Região de O’Higgins, quilômetros ao sul de Santiago.

Entre estes reclusos se encontram os Anarquistas e Subversivos: Juan Aliste Vega, Marcelo Villarroel, Mauricio Hernández Norambuena, Juan Flores, Joaquín García e Francisco Solar.

A transferência destes presos está motivada pelas mudanças na infraestrutura da CAS, o que se prolongará aproximadamente por um ano. Uma vez terminadas as obras, os presos serão devolvidos à prisão [em que estavam], segundo a informação entregue pela GENCHI, tempo em que meus companheiros estarão afastados de seu entorno afetivo e político. Desta maneira, não só se castiga ao prisioneiro, por sua vez, também a seus amigxs, companheirxs e familiares.

Além disso, é importante ressaltar que no território dominado pelo Estado Chileno não está permitido o livre trânsito entre regiões pelas medidas para prevenir o contágio de Covid-19.

Na Região Metropolitana existem mais de três penitenciárias em que se poderia ter deixado meus companheiros, talvez os poderosos aproveitaram a transferência para isolar e segregar ainda mais os presos, ou talvez nenhuma das prisões próximas cumpre com as condições de segurança para custodiar os réus de alto risco, ou pode ser simplesmente como outra forma de vingança.

A transferência pode estar justificada com isso e com outros argumentos, o que sim é claro que nenhum movimento de poder é caprichoso. Cada mudança na infraestrutura do presídio, como as transferências de presos, é necessária ser feita com cautela.

Por uma parte, as possíveis mudanças que se realizem na CAS, não podem sinalizar nada de bom para os réus. Poderiam ser realizadas especulações sem fim nas possíveis novas medidas de controle, e talvez eu me torne resumida.

Para prever o que poderia mudar na CAS, há de ter em conta que essa prisão não é e nem nasceu como outra qualquer. O CAS é a prisão da Democracia. Esta foi idealizada no modelo alemão e irlandês na luta contra as organizações revolucionárias.

No ano de 1994 foi inaugurada com um inédito e bom complexo penitenciário em que se tentou implementar um estrito regime interno que contemplava visitas por meio de locutórios, uma hora de pátio, entre outros.

Além disso, a prisão é praticamente imperceptível desde o exterior, e consegue ser mais isolada e invisibilizada.

Por outra perspectiva, não há nitidez em que condições carcerárias ou regime estariam os presos transferidos. A Penitenciária de Rancagua é concessionada, vale dizer que grande parte de seu funcionamento depende de empresas externas, diferente da CAS que dependia quase completamente de entidades estatais. Isto se traduz, entre outras coisas, por exemplo, em que a comida da prisão é trazida por uma empresa externa como Sodexo, o que não provê as mínimas condições nutricionais. A isto, se soma que nas prisões concessionadas o ingresso de jumbo (pacotes com alimentos e outros materiais vindos de fora da prisão) por parte de amigxs e familiares é restrito em praticamente todo tipo de alimentos, livros, etc.

Atualmente, todos os presos transferidos são mantidos fechados 24 horas em suas celas, isso se manteria durante catorze dias por possível contágio de Covid, medida completamente injustificada, já que eles não manterão contato com nenhum outro preso que não seja de seu mesmo módulo, não terão contato com o resto da população penal. Diante deste cenário de total isolamento e novo regime carcerário, os presos começaram uma greve de fome líquida, exigindo fim das condições de clausura absoluta e melhoras em sua qualidade de vida.

Entre os presos mobilizados estão os companheiros anarquistas e subversivos, que há pouco mais de um mês de terminar uma greve de fome de cinquenta dias, fazem que seu estado de saúde possa se tornar mais complexo.

Com estas palavras, realizo um chamado a todas as individualidades e coletivos anticarcerários, antagônicos, antiautoritários a estarem cientes da situação dos companheiros anarquistas e subversivos transferidos à prisão de Rancagua, nossos companheiros presos não podem nunca se sentir sozinhos.

Mão aberta ao companheiro.

Punho fechado ao inimigo.

Solidariedade ativa e combativa.

Mónica Caballero Sepúlvedapresa Anarquista.

Primeiros dias de junho de 2021

Tradução > Caninana

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/16/chile-ante-uma-nova-greve-de-fome-mobilizacao-e-luta-desde-a-prisao-empresa-de-rancagua/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/10/chile-compas-em-greve-de-fome-na-prisao-de-rancagua-promovem-disturbios-contra-o-regime-interno-ao-qual-o-estado-quer-submete-los/

agência de notícias anarquistas-ana

A lua fria —
Sobre o templo sem portão,
O céu tão alto.

Buson

[Espanha] Participação no último Congresso da CNT França

Uma delegação da CGT participou no último Congresso da CNT França em 26 e 27 de junho passado em Dijón (França)

A Confederação Nacional do Trabalho da França é uma organização anarcossindicalista com uma ampla tradição histórica prévia, mas constituída como tal desde 1946. Nos dias de hoje, a organização conta com mais de 800 filiadas e filiados onde coincidem militantes históricos e gente jovem de diferentes setores industriais.

Após vários anos de debate interno, a convocatória do último congresso teve que ser atrasada pela pandemia do COVID-19. Finalmente, o espaço autogestionado de Les Tanneries em Dijón proporcionou um excelente local de acolhida para este comício.

A CGT, como organização anarcossindicalista membro da Coordenação Vermelho e Negra junto a CNT-F e organização irmã, foi convidada a participar no Congresso da CNT-F. A delegação formada deliberadamente para o congresso foi formada pelo Secretário Geral, a Secretaria de Relações Internacionais e o diretor do Gabinete de formação confederal. Uma vez em Les Tanneries, a delegação foi acolhida pelo atual secretariado internacional, junto ao sindicato alemão FAU. Durante a maior parte do sábado 26, se apresentaram e debateram as moções antipatriarcais relativas à participação das mulheres e a proposta de criação de grupos de trabalho. Após finalizar o debate e as votações, as duas delegações internacionais presentes saudaram o congresso e expuseram a realidade social e sindical local que cada uma estava desenvolvendo. Posteriormente trataram das propostas e moções internacionalistas.

Durante o mesmo congresso, tivemos a possibilidade de nos encontrar com o Secretariado Internacional da CNT-F e seus diferentes grupos de trabalho e com a FAU alemã para intercambiar nossas propostas de luta, as dificuldades encontradas e a aposta na Coordenação Vermelha e Negra mais além da Europa.

Finalmente, na manhã do domingo, foi ratificado o secretariado permanente em funções, mantendo-se tanto a secretaria geral em Sergio como o secretariado internacional nos companheiros Tristán e Valentín.

Secretaria de Relações Internacionais

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Primeira chuva de inverno —
O macaco também quer
Uma capinha de palha.

Bashô

Lançamento: “Memórias de um revolucionário”, de Piotr Kropotkin

S i n o p s e

Neste livro o autor não se compraz em contemplar a si próprio. Não é daqueles que gostam de falar da sua pessoa e quando o faz é contrafeito e com uma certa timidez. Aqui não se encontram confissões que revelam o homem íntimo, nem sentimentalismo ou cinismo. O autor não fala de suas virtudes nem de seus vícios; não revela ao leitor nenhuma intimidade vulgar. Não nos fala de amores e as suas relações com o belo sexo são tão pouco mencionadas que só incidentemente sabemos que ele é casado. É pai e pai carinhoso, mas menciona-o apenas uma vez, quando faz um resumo rápido dos últimos dezesseis anos da sua vida. Tem mais interesse em mostrar-nos a psicologia dos seus contemporâneos do que a sua e no seu livro encontramos a psicologia da Rússia: da Rússia oficial e das massas populares, da Rússia que luta pelo progresso e da Rússia reacionária. Prefere contar a história dos seus contemporâneos a contar a sua; por isso a narração da sua vida contém a história da Rússia da sua época como também a história do movimento operário da Europa, na última metade do século. Quando se analisa a si próprio, vemos refletir-se nele todo o mundo exterior.

Memórias de um revolucionário

Autor: Piotr Kropotkin

Editora: CCS

Ano: 2021

405 págs

R$ 45,00

ccssp.com.br/livrariaccs

agência de notícias anarquistas-ana

nuvem de mosquitos
o ar se move
vento nenhum

Alice Ruiz

[França] BNF: sonhos de concreto e salários de papelão

A Biblioteca Nacional da França (BNF) quer fechar o espaço de Bussy e construir outro no Triângulo de Gonesse, contornando as preocupações ambientais e sociais. Os funcionários – abalados por um suicídio em Tolbiac no verão passado – estão se mobilizando.

Nos últimos anos, uma série de protestos irrompeu em um dos principais estabelecimentos do Ministério da Cultura, contra revezes sociais e predações capitalistas de todo tipo. Há menos de um ano, em 3 de agosto de 2020, o suicídio de um agente no local de Tolbiac chocou o pessoal, que imediatamente apontou o dedo à administração, falta de pessoal e falta de recursos. Sete dias mais tarde, uma greve eclodiu.

Em 26 de março, na CHSCT, um relatório de investigação conjunta também apontou para a administração. Resposta da administração: depois de tentar invalidar as conclusões do relatório, planeja agora reexaminar suas recomendações à luz de uma auditoria encomendada a uma empresa privada e pretende concentrar-se nas condições de trabalho dos trabalhadores do depósito. Assim, depois de procurar se livrar de qualquer responsabilidade pela prevenção de riscos psicossociais, a instituição está financiando uma auditoria com grandes despesas, a fim de legitimar uma nova reorganização da obra.

300 empregos a menos em dez anos

O verdadeiro problema é que desde 2009, com a revisão geral das políticas públicas (RGPP), sua lógica infernal de restrições orçamentárias e cortes de empregos, a BNF perdeu cerca de 300 posições. Esta é a principal causa de sofrimento no local de trabalho: falta de pessoal, reorganizações, aumento do uso de contratos precários, terceirização e prestadores de serviços externos, desintegração de grupos de trabalho e condições de trabalho, e novas formas de gestão.

As falhas e a inação são ainda mais graves no contexto da crise sanitária, o que agrava as dificuldades. A gerência se apressa sistematicamente para anunciar a todos mais aberturas de espaço e um aumento do horário de trabalho. Os CHSCTs não são mais nada além de espaços para repassar decisões pré-estabelecidas. Entretanto, o pessoal de vários locais conseguiu se reunir em grande número em outubro (até 200 funcionários) para protestar contra as condições de trabalho sob o 2º confinamento e para tentar se opor à reabertura ao público, que finalmente ocorreu em 24 de novembro.

Aluguel de espaço para eventos

Os cortes no orçamento estão forçando a BNF a procurar ideias para se safar. Uma dessas ideias é alugar espaço para eventos privados, uma política que está em voga nas instituições públicas, especialmente museus. Para este fim, a BNF está estudando a liberação de uma torre inteira em seu espaço mais prestigiado, François-Mitterrand. A administração também está considerando fechar um ou ambos os locais de conservação e armazenagem: Bussy-Saint-Georges (77) e Sablé-sur-Sarthe (72).

O espaço Bussy-Saint-Georges, inaugurado há vinte anos, conta com pessoal principalmente de lojistas, mas também de profissionais na restauração de documentos, restauração audiovisual, reprodução digital e pesquisa bioquímica e laboratórios de descontaminação. Cerca de cinquenta funcionários – muitos dos quais haviam sido convidados a se mudar para as proximidades – tomaram medidas para salvar o local e para rejeitar a deterioração das condições de trabalho. Além das manifestações e reuniões informativas, houve uma campanha criativa de protesto, com cartazes e figuras de papelão espalhados pelo espaço, para denunciar a hemorragia de pessoal.

Um escândalo adicional: o local que substituiria Bussy-Saint-Georges poderia ser construído no atual Triângulo de Gonesse, onde há anos se trava uma luta contra o desenvolvimento de obras de concreto e a destruição de terras agrícolas! Além de ser um projeto caro em termos de dinheiro público e prejudicial à vida dos funcionários que seriam solicitados a se mudar, ou que seriam “acompanhados” em um novo projeto profissional, ele também promete ser destrutivo para o meio ambiente.

De fato, o sítio Bussy-Saint-Georges – e isto foi planejado desde o início – tem terreno suficiente para construir uma extensão. Mas a administração quer que a cidade e as autoridades locais contribuam com um terço do financiamento para a nova edificação! Como esta solução parece ter sido descartada em Bussy, a administração está dizendo ao pessoal que seria “não competitiva”… Eles são tanto cínicos quanto absurdos!

A mobilização é apoiada pela SUD-Cultura, o ministério tem sido questionado mas – sem surpresa – se recusa a assumir e a “interferir”. Também foram feitos contatos com o movimento de defesa do Triângulo de Gonesse.

Nicolas Pasadena (UCL Montreuil)

>> Trabalhadores precários em luta: a bienal 2018-2019 <<

Em dezembro de 2019-janeiro de 2020, os agentes da BNF participaram do movimento de defesa da aposentadoria ao lado dos grevistas do Louvre, da Ópera e de Versalhes. Como outras instituições culturais, a BNF foi bloqueada em 23 de janeiro de 2020.

Esta mobilização fez parte de um ciclo de lutas aberto na primavera de 2018 com a CGT-FSU-SUD intersindical, que havia obtido vários compromissos, incluindo o reforço do quadro de pessoal.

A luta continuou: ao lado da SUD-Cultura, os trabalhadores temporários haviam continuado as “greves de sábado”, as ações e o questionamento do público (leia-se “BNF: Les précaires à la pointe de la grève perlée”, Alternative libertaire, março de 2019). A tenacidade e a luta tinham feito concessões importantes de uma administração que, por falta de meios, dizia não a tudo. O conflito havia terminado em maio de 2019, com um acordo que triplicou o número de regularizações em contratos permanentes, e tornou permanente mais trabalhadores do armazém!

Fonte: https://www.unioncommunistelibertaire.org/?BNF-des-reves-de-beton-et-de-salarie-es-en-carton

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

nuvens insultam o céu,
aves urgentes riscam o espaço;
pingos começam a molhar.

Alaor Chaves

19 J | “Na capital paulista e em tantos outros municípios, anarquistas também estiveram presentes”

Condutas reacionárias

São Paulo, 19 de junho. Manifestantes se concentraram na Avenida Paulista para mais um ato contra o homem que senta no trono do palácio. Partidos políticos, movimentos sociais, coletivos, sindicatos e até anarquistas estiveram presentes. Diferente da maioria dos manifestantes, xs libertárixs não se entusiasmam com palanques eleitorais e carros de som. Enfatizam ser irrelevante exigir o auxílio emergencial de 600 reais, mais vacinas e a saída do homem que senta no trono do palácio. Sabem que a democracia coexiste com práticas fascistas. Foram às ruas para potencializar práticas de resistências e atiçar revoltas. Grupos mais combativos desceram a rua da Consolação tremulando bandeiras negras. Deslocaram uma caçamba para o meio da rua e montaram uma pequena barricada. Não vacilaram em atacar instituições bancárias. Em seguida, os autoritários de plantão apareceram. Estes, assim como a grande imprensa e os verde-amarelo, recuperaram, mais uma vez, a dicotomia entre “cidadãos ordeiros” e “vândalos”. Policiam e pretendem governar as condutas nas ruas. Nenhuma novidade. Muitas vezes, os autoritários utilizam o guarda-chuva vermelho como escudo. As condutas fascistas têm cor SIM.

Política

Em São Paulo, teve cidadão-polícia que partiu pra cima dxs anarquistas, xs acossaram, agrediram, tentaram intimidar. O protagonismo foi do MTST, que também atropelou os indígenas na linha de frente da manifestação. Teve manifestante polícia desfazendo barricada, limpando pixo e inquirindo sobre o conteúdo de lambe-lambes. Teve liderança de manifestante cidadão-polícia no carro de som clamando para a polícia do Estado punir “quem fez coisa errada”. Teve muitos cartazes e panfletos pedindo a prisão do homem que senta no trono do palácio, imitavam os que circularam na mesma avenida em 2015 e 2016 contra o governo da ocasião. Teve bandeira nacional à venda, envolvendo corpos, no ar e aos montes no bloco da UMES (União Municipal dos Estudantes Secundaristas). Teve partidos de esquerda e movimentos sociais de minorias disputando quem “começou o fim do governo” atual. Teve muita gente declarando vitória…

Antipolítica

Manifestações ocorreram em centenas de cidades e levaram centenas de milhares de pessoas às ruas. Na capital paulista e em tantos outros municípios, anarquistas também estiveram presentes. Em alguns lugares, desafinaram em meio aos democráticos protestos. Chamados de blocos combativos, autônomos ou antifascistas, vibraram pelas ruas de Londrina, Porto Alegre, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Santos, Rio de Janeiro, Vitória… Alguns, fizeram aliança com autonomistas e comunistas… Teve também libertárixs apartadxs de blocos, balançando bandeiras negras, vermelho e negras, roxo e negras, com “A”s na bola cortando os protestos ou mais afastadxs. A presença viva dxs anarquistas afirma suas diferenças. Nada de tolerância pluralista ou de disputas. Explicitam que o alvo da luta não é apenas o atual governo, mas o Estado, as polícias, o extermínio que se pratica há mais de 520 anos e as condutas que os sustentam.

Fonte: Flecheira Libertária – N° 632 – 22 de Junho de 2021 – nu-sol.org

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/28/nota-de-repudio-nos-contra-nos-nao-faz-sentido/

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A chuva passou.
A noite um instante volta
A ser fim-de-tarde.

Paulo Franchetti

[Canadá] Solidariedade aos prisioneiros anarquistas, libertem todos eles!

No verão de 2020, três estudantes do ensino médio – Bogdan Andreev, Denis Mikhaylenko, e Nikita Uvarov, todos de 14 anos – foram presos na cidade de Kansk em Krasnoyarsk, região da Sibéria, dentro das fronteiras reivindicadas pelo estado russo. Os três garotos foram acusados de formar uma organização terrorista e de conspirar, entre outras coisas, para construir uma maquete da sede da polícia secreta russa (FSB) no jogo MineCraft e depois explodi-la. É mais crível, eles serem acusados de demonstrar solidariedade com Azat Miftakhov, um estudante de graduação em matemática em Moscou e anarquista, atualmente com 28 anos. Miftakhov foi acusado inicialmente de construir uma bomba de fumaça que foi jogada em um escritório do partido político governante um ano antes. Mais recentemente, ele foi sentenciado a seis anos de prisão em uma “colônia penal”. Andreev, Mikhaylenko e Uvarov estão todos aguardando o julgamento.

Em 13 de junho, nós levantamos uma faixa que dizia “Solidariedade aos Prisioneiros Anarquistas, Libertem Todos Eles” do lado de fora do consulado russo em Montreal, localizado na avenue du Musée, 3655. Fizemos isso em parte para marcar a ocasião do dia em solidariedade a Marius Mason e todos os prisioneiros anarquistas de longa data em 11 de junho, mas também para sinalizar nosso desejo de manter em mente a situação na Rússia, onde até mesmo pessoas muito jovens enfrentam o risco de entrar no sistema prisional e, talvez, como resultado, nunca mais sair.

Nossos pensamentos vão para todos os nossos camaradas presos, anarquistas ou não.

Fogo nas prisões!

Fonte: https://mtlcounterinfo.org/solidarity-with-anarchist-prisoners-free-them-all/

Tradução > Brulego

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/04/eua-dia-internacional-de-solidariedade-com-xs-presxs-anarquistas-de-condenacao-longa-11-de-junho/

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sussurro sem som
onde a gente se lembra
do que nunca soube

Guimarães Rosa

[Chile] Lançamento: “Anarquismo e diversidade funcional”, de Jorge Enkis

Uma comunidade livre deve ajudar a fomentar e potencializar as habilidades cognitivas, físicas e intelectuais daqueles que por origem genética apresentam uma deficiência, síndrome ou deficiência por condições externas ou internas, estão limitados as suas atividades e restringidas por um sistema que não foi esboçado para todos.

Um sistema ou comunidade que incapacita jamais poderá ser livre, o reconhecimento e a prática integral e equitativa devem fomentar a participação para uma futura comunidade anárquica e inclusiva.

>> Baixe, imprime e divulgue:

editorialautodidacta.org

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fera ferida
nunca desiste –
luta pela vida

Carlos Seabra

Balanço da FOB-SP sobre o ato de 19 de junho: “Que daqui para frente seja ainda maior e mais forte!”

Ao longo das últimas semanas, a FOB-SP vem construindo uma frente de luta junto a diversas organizações do campo combativo com o objetivo de denunciar os ataques à classe trabalhadora, exigindo vacina, salários, auxílio emergencial real, o fim dos despejos e das demissões e a garantia de emprego a toda a população.

Tanto no dia 29 de maio quanto no 19 de junho, o bloco convocado pela FOB-SP e demais forças da frente se concentrou na praça do ciclista, ganhou força e adesão e marchou em direção ao MASP para demarcar sua linha política combativa e antieleitoreira.

Nas duas ocasiões, nós da FOB-SP realizamos o enforcamento e queima do boneco judas de Bolsonaro, em um ato simbólico mas efetivo de promover a saída combativa e denunciar qualquer falsa promessa de “Fora Bolsonaro” através do Congresso ou das eleições.

No 19J, seguimos até o ponto de encontro de outro bloco combativo no intuito de juntar esforços e garantir uma maior unidade, tão necessária no momento. Lá, incendiamos a bandeira do país que dá sustentação a este podre governo: a bandeira yankee do imperialismo Estadunidense, maiores inimigos dos povos da América Latina há décadas.

Logo em seguida, seguimos em marcha até a Rua da Consolação, onde parte da manifestação ocupou a segunda faixa da avenida, levantando barricadas e impondo ao ato um caráter mais radicalizado e popular. Compreendemos a justeza das ações e nos colocamos sempre em sua defesa.

Este processo rapidamente gerou atrito entre os manifestantes e motoristas que ali passavam, fato que seria facilmente resolvido, porém militantes do MTST atacaram alguns manifestantes no intuito de desocupar a via e proteger as forças de repressão. Condenamos fortemente esta ação por seu caráter reacionário de criminalização da luta popular e linha auxiliar da polícia.

Diante deste ataque acreditamos que, ao invés de aceitarmos a posição de vítimas que tentam nos impor a todo custo, devemos praticar a autodefesa revolucionária e organizar o revide, assim como fazemos diante dos ataques das forças de repressão. Como FOB-SP, sempre nos colocaremos em defesa da justa ação das massas e jamais recuaremos diante de ameaças ou tentativas de intimidações por parte de qualquer organização. Nos defenderemos como for preciso, revidando qualquer ataque na mesma altura.

Ao final do ato, a polícia jogou bombas de gás lacrimogênio em direção aos manifestantes do bloco combativo e dispersou a manifestação, atuando em claro alinhamento com as forças políticas do campo reformista, que sempre encerram os atos de forma festiva, em praça pública e distante de qualquer órgão do Estado que deva ser responsabilizado (secretarias, palácios, sedes…).

A FOB-SP tentou seguidas vezes levar o ato até a prefeitura, mas provocações por parte da polícia foram respondidas precipitadamente e acabaram contribuindo para o encerramento da manifestação na praça Roosevelt, cumprindo assim a expectativa do governo, da polícia e do reformismo de manifestações inofensivas, momentâneas e politicamente vazias.

Por isso, é preciso que o bloco combativo e todos os companheiros e companheiras de luta tenham clareza dos objetivos políticos e mantenham o alinhamento tático para não contribuir com os reformistas que buscam sempre esvaziar o ato e seu conteúdo político, instrumentalizando as manifestações para suas candidaturas eleitorais.

Apesar desses problemas, entendemos que o ato foi, mais uma vez, vitorioso. Nosso bloco combativo cresce a passos largos e seu apoio também. As diversas organizações e forças combativas se somam e atuam cada vez mais em conjunto. Impusemos, nas duas manifestações, a linha política correta e comunicamos nossas reivindicações classistas e combativas. Que daqui para frente seja ainda maior e mais forte!

Convidamos a todos e todas para se organizarem junto à FOB e somarem nos atos e nas lutas que virão.

Construir o Sindicalismo Revolucionário!

Organizar a Greve Geral e a Rebelião!

Derrotar o governo militar e o capitalismo!

Construir o Socialismo!

Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil – SP

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/28/nota-de-repudio-nos-contra-nos-nao-faz-sentido/

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as pálpebras do gato
ao ritmo das gotas
do candelabro

Valentin Busuioc

[Chile] Deste espaço amplificamos as vozes aprisionadas de nossxs camaradas sequestradxs nas prisões do estado

Sem falsificar ou negar a realidade da ofensiva e da resistência coletiva a toda a estrutura político-legal-policial-jornalístico do Estado e do capital, na cotidiana e milimetricamente xs nossxs camaradas se mantêm em luta concreta e real; nosso apelo continua a ser a extensão da solidariedade e cumplicidade com todxs aqueles que resistem com dignidade à investida da prisão e a investida da sociedade carcerária. Também incentivamos a multiplicação de gestos e atos de luta contra xs prisioneirxs, a proliferação de iniciativas autônomas de memória, resistência e subversão, sempre no contexto da guerra social contra o Estado, a prisão e o capital.

Anos de encarceramento não foram capazes de derrotar xs camaradas subversivxs e anarquistas que hoje fazem um caminho coletivo dentro e fora da prisão em todo o mundo e com a mesma linguagem de guerra.

Continuaremos a espalhar, multiplicar e fazer ouvir a voz insurrecionalista, a voz insurrecional de dentro das prisões, unindo vontades, construindo uma verdadeira resistência à prisão política de sentenças longas com posições firmes e claras, sempre em frente à luta, buscando às ruas e a libertação total!

Morte ao Estado, longa vida à anarquia!

Enquanto a miséria existir, haverá rebelião!

Pela extensão da solidariedade com xs prisioneirxs subversivxs e anarquistas, da revolta e da libertação mapuche!

Buscandolakalle, notícias de prisioneirxs subversivxs e anarquistas em luta nas prisões chilenas.

buscandolakalle.wordpress.com

buscandolakalle[@]riseup.net

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a criança nua
de tudo cata no lodo
farrapos de lua

Pedro Xisto