[Eslováquia] Relatório da primeira Plenária por videoconferência e do Congresso Extraordinário da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT)

O Congresso e Plenária Extraordinária da AIT ocorreu de sexta-feira 25 a domingo 27 de junho de 2021. Devido às restrições da pandemia de Covid-19, ambas as reuniões foram organizadas por videoconferência, e não presencialmente em Bratislava, como planejado inicialmente. A maioria dos afiliados da AIT (Seções e Amigos) puderam comparecer. Como era on-line, nossas reuniões não foram interrompidas por regimes repressivos e vistos de viagem. No relatório abaixo, resumimos o que foi discutido e como Priama Akcia, como a seção anfitriã do IWA-AIT, avalia as reuniões.

Como a agenda é preparada

As Seções IWA-AIT podem colocar moções na agenda da Plenária ou do Congresso. Eles têm vários meses para se reunir e decidir sobre cada item da agenda. Estas decisões são então apresentadas, discutidas e decididas pelos delegados com base nos mandatos feitos por suas organizações (as decisões são tomadas em Congressos/Conferências ou em Referendos). Estes princípios federalistas de organização e tomada de decisões são nossos meios de assegurar que as opiniões apresentadas sejam as de organizações e não as de indivíduos.

As Seções IWA-AIT concordaram antecipadamente que se todos os itens da agenda da Plenária forem concluídos a tempo, seguirá um Congresso Extraordinário. O Congresso tem diferentes tipos de decisões, por exemplo, pode decidir sobre a filiação ou desfiliação de organizações. Congressos regulares são realizados a cada 3 anos, congressos extraordinários são realizados se a necessidade surgir.

Itens formais-organizacionais em pauta

Em geral, há dois tipos de itens na agenda das reuniões da IWA-AIT. Poderíamos simplesmente dizer que um tipo é de natureza prática e o outro é de natureza formal-organizacional. Entre estes últimos estavam itens como a forma de organizar reuniões on-line, pequenas mudanças nos estatutos da IWA-AIT, diretrizes para os delegados para facilitar seu trabalho na preparação dos mandatos ou para tornar mais eficaz a tomada de atas. Além disso, discutimos como tornar o processo de filiação mais rápido, para que as organizações candidatas não tenham que esperar tanto tempo por suas decisões de filiação (3 anos de um Congresso para o outro é um período bastante longo). Os itens padrão da agenda também incluem a eleição de credenciais e comitês de auditoria financeira. Além disso, votamos um relatório geral e financeiro do secretariado da IWA-AIT, atas de congressos anteriores, etc. E, é claro, há itens relacionados a filiações.

Pontos práticos

Itens deste tipo eram uma parte importante da agenda. Avaliamos a Semana Internacional contra Salários não pagos do ano passado, que foi organizada pela IWA-AIT, e acordamos um plano para este ano (11-17 de outubro de 2021).

Discutimos como os treinamentos relacionados ao local de trabalho poderiam ser desenvolvidos e compartilhados entre os afiliados. Por exemplo, vários afiliados destacaram que o treinamento para organizadores de locais de trabalho da Federação de Solidariedade (a seção do Reino Unido da IWA-AIT) foi muito útil para eles (A FS agora também oferece treinamento para organização geral do local de trabalho, organização do local de trabalho feminino, organização em serviços de assistência social e está desenvolvendo treinamento para companheiros LGBT).

Os delegados aprovaram o apoio financeiro para eventos públicos relacionados com o 100º aniversário da IWA-AIT (no final de 2022-2023). Na Polônia haverá uma conferência sobre a história da IWA-AIT, na Eslováquia deverá haver eventos em Bratislava e Košice apresentando práticas diárias, e um evento similar também será realizado em Viena. Haverá uma parte separada no website da IWA-AIT relacionada a esses eventos e serão preparadas publicações sobre a história do anarco-sindicalismo internacional e sobre as organizações que atualmente fazem parte dele.

A Plenária da IWA-AIT também aprovou a criação de um grupo de trabalho que se concentrará na crise climática. Sua função será mapear o problema e as atividades existentes dos sindicatos IWA-AIT, e esboçar possibilidades de ações coordenadas e a declaração anarco-sindicalista geral sobre o assunto.

Novos afiliados da IWA-AIT

A IWA-AIT continua a se expandir. Duas organizações se candidataram para mudar seu status de Amigos para Seções completas: WAS da Áustria e ULET da Colômbia. Dois novos grupos de trabalhadores foram aprovados como Amigos: MK, das Filipinas, e WSI, do Paquistão. Também houve crescimento no Chile e os Amigos da IWA Grupo Germinal se combinaram com grupos de outras cidades e se formaram no sindicato Solidaridad Obrera, que foi confirmado como Amigos da IWA. Assim, hoje existem 21 organizações que fazem parte da IWA-AIT após este Congresso vindos da Europa, Ásia-Pacífico e América do Sul e do Norte.

Seções:

ASF (Anarcho-Syndicalist Federation, Austrália).

ASI (Iniciativa Anarcho-Syndicalista, Srbsko)

BASF (Federação Anarco-Sindicalista de Bangladesh, Bangladesh)

CNT-AIT França (Confederação Nacional do Trabalho, França)

CNT-AIT Espanha (Confederação Nacional do Trabalho, Espanha)

COB (Confederação Brasileira dos Trabalhadores, Brasil)

KRAS (Confederação de Anarco-sindicalistas Revolucionários, Rússia)

NSF (Federação Sindicalista Norueguesa, Noruega)

ÖLS (Örestad Local Selforganisation, Suécia)

PPAS (Confraria de Anarco-sindicalistas Trabalhadores, Indonésia)

PA (Ação Direta, Eslováquia)

SF (Federação de Solidariedade, Reino Unido)

ULET (União Libertária de Estudantes e Trabalhadores, Colômbia)

WAS (Sindicato dos Trabalhadores de Viena, Áustria)

ZSP (Sindicato dos Sindicalistas Poloneses, Polônia)

Organizações com o status de Amigos do IWA:

ARS (Sindicato Autônomo de Trabalhadores, Bulgária; devido à cisão na organização, o próximo Congresso da IWA discutirá seu estado)

MEM (Frente de Solidariedade Libertária, Índia)

MK (Confraria Libertária, Filipinas)

SO (Trabajadores Solidarios, Chile)

WSA (Workers Solidarity Alliance, EUA)

WSI (Iniciativa de Solidariedade de Trabalhadores, Paquistão)

Avaliação

Nosso sindicato, como organização anfitriã, teve que preparar a Plenária IWA-IAW e o Congresso Extraordinário para que o processo da reunião fosse tranquilo em termos de trabalho em rede, elaboração de atas, votação, etc. O Secretariado da AIT nos ajudou a garantir que esta tarefa fosse realizada e que pudéssemos conceber processos que fossem implementados com sucesso e que tornassem o processo de reuniões futuras efetivo, independentemente de estarem on-line ou off-line.

A reunião foi realizada nos idiomas inglês e espanhol e durou mais de 7 horas por dia, o que foi bastante exigente. O uso da plataforma on-line tem suas limitações e não se adequa a todos. Por outro lado, a agenda era bastante longa e se a reunião não tivesse sido por videoconferência, duvidamos que poderíamos ter lidado com tudo. Cada reunião deste tipo requer muita energia e paciência principalmente da parte das pessoas que moderam, fazem atas, contam os votos e traduzem. Nem as reuniões físicas ou on-line não estão livres de dificuldades, mas desta vez elas foram bastante pequenas. Pensamos que esta foi uma das reuniões mais suaves da IWA-AIT, com muitas decisões práticas importantes. E foi ótimo que pudemos tomar decisões junto com nossos camaradas que de outra forma não poderiam chegar a Bratislava devido a problemas de visto de viagem que tornariam a reunião impossível.

A pandemia de Covid-19 afetou todas as organizações da IWA-AIT e impossibilitou que muitos se reunissem, o que, em certa medida, se refletiu nos mandatos das Seções. Alguns deles foram feitos através de referendos, o que pode ser uma forma prática mas, neste caso, insuficiente de tomada de decisão, especialmente com pontos mais complexos que requerem mais do que um voto de Sim ou Não.

Esperamos que durante o próximo Congresso IWA-AIT na Espanha, em 2022, as restrições pandêmicas tenham sido resolvidas. Até lá, muito trabalho construtivo nos espera local e globalmente. Se você estiver na Eslováquia, você também pode participar, talvez começando aqui:

http://www.priamaakcia.sk/zapoj-sa

Fonte: https://iwa-ait.org/node/962

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

no inverno, o vento
dança com as folhas
a seu contento

Eugénia Tabosa

Resistência é vida: nova etapa de luta e organização

Nos dirigimos aos nossos apoiadores e simpatizantes, aos coletivos, organizações e movimentos combativos com os quais mantemos relações fraternas e contatos, assim como, às lutadoras e lutadores sinceros e comprometidos com a causa do povo e da libertação para comunicar sobre nossa nova etapa de luta revolucionária e organização popular.

Após mais de 12 anos de existência da Casa da Resistência, passando por diversas etapas organizativas, decidimos dar um passo à frente, iniciando o processo de construção do Movimento de Unidade Popular, o MUP, uma organização do povo em luta baseada na ação direta, na autogestão e na autodefesa popular. Um movimento popular combativo e revolucionário para organizar a partir dos territórios, do trabalho comunitário e da economia popular, das ocupações e acampamentos, dos locais de trabalho e de estudo, dos comitês populares e núcleos de base nos bairros pobres e favelas, da cultura e da educação popular nas áreas urbanas e rurais o povo pobre e trabalhador para as lutas de libertação e a revolução social.

A Casa da Resistência deixa de assumir, portanto, o caráter que acumulava nesses últimos anos também como organização popular, passando a desenvolver seus projetos e atividades apenas como centro de cultura e sede do Movimento de Unidade Popular na Bahia, com o Comitê de Solidariedade Popular – Feira de Santana se dissolvendo dentro do novo movimento, para o qual nos dedicaremos nos próximos 2 anos à primeira etapa de construção organizacional e programática.

Nessa nova etapa também nos desligamos da FOB, federação nacional na qual iniciamos um processo de participação a partir de 2017, e que após esses anos de construção, avanços, recuos e disputas internas, avaliamos que se esgotou como espaço organizativo e que as diversas contradições que impedem a federação de avançar não podem ser superadas. Apesar de apontar, desde a realização do II ENOPES, para uma transição de construção da FOB como uma organização de massas, proletária e revolucionária, os setores hegemônicos na federação limitaram seu funcionamento através do burocratismo ou do “assembleismo universitário” à uma incapacidade crônica em avançar em um programa popular e revolucionário capaz de atrair e produzir identificação com o povo pobre e trabalhador, produzindo um incontável número de querelas internas, desvios, reproduções do ativismo liberal e degenerações próprias da pequena-burguesia universitária, além de uma leitura quadrada e deslocada da realidade brasileira sobre a “reconstrução do sindicalismo revolucionário” no país.

Apesar de participarmos da coordenação nacional da FOB ativamente nos últimos 2 anos e produzir ou colaborar em boa parte do material nacional público, reconhecendo também seus avanços, diversidade e as próprias limitações atuais causadas pela pandemia de Covid-19, estamos convencidos de que a condição pequeno-burguesa de boa parte de sua militância que limita a federação a mobilizar e atrair quase que exclusivamente um pequeno setor universitário ou do serviço público, fizeram de nossa participação nesse espaço inviável e desnecessária, criando entraves para a construção de base nos bairros pobres, favelas, ocupações urbanas e lutas populares que temos desenvolvido nos últimos anos no interior da Bahia.

Damos início também a um novo projeto de comunicação militante, com a refundação do jornal Ação Direta, histórico periódico anarquista fundando por José Oiticica, que iremos impulsionar agora como uma agência de comunicação popular e revolucionária, jornal impresso e mídias integradas, além de instrumento para a formação política e militante a partir de uma perspectiva socialista, libertária e anticolonial.

Encaramos essas novas tarefas como nosso dever histórico, e convidamos todas e todos os lutadores do povo que tem a Casa da Resistência como referencial político e militante para se somarem nessa construção. Diante do avanço da barbárie neofascista, do genocídio de nosso povo, do massacre permanente da maioria negra e favelada, da situação de miséria e violência contra nossa gente na cidade e no campo, acreditamos que é necessário consolidar novos instrumentos para organizar as lutas concretas pelos direitos e em defesa da vida, rejeitando as ilusões domesticadas e reformistas e construindo a partir da quilombagem e dos organismos de poder do povo o caminho para a guerra revolucionária de libertação popular contra o Estado capitalista e racista, a burguesia e os inimigos do povo, partindo de uma estratégia socialista, revolucionária e favelada.

RESISTÊNCIA É VIDA!
O POVO VENCERÁ!
Casa da Resistência – Centro de Cultura e Luta

Julho de 2021, Bahia – Brasil.

agência de notícias anarquistas-ana

Varrer o chão
E então parar de varrê-lo —
Estas folhas secas.

Taigi

[França] Nova edição revisada e ampliada: “Libertárias | Mulheres anarquistas espanholas”

Indomáveis, insubmissas, rebeldes, mães, operárias, camponesas, sindicalistas, combatentes e guerrilheiras, as libertárias espanholas, desde finais do século XIX e ao longo do século XX, não pararam de afirmar seu desejo de emancipação social em seu próprio nome.

Se a história lembra sobretudo o papel determinante do grupo “Mulheres Livres” no momento da guerra civil e na revolução de 1936-1939, esta obra destaca a pluralidade das formas de lutas e de relatos dessas militantes que testemunham uma verdadeira especificidade do compromisso das mulheres anarquistas espanholas.

Contra a invisibilidade de um combate marcado pela experiência das lutas, das guerras e do exílio, trata-se aqui, por meio das trajetórias de Francisca Saperas, Ana Delso, Antònia Fontanillas Borràs, As Solidárias, Mulheres Livres e muitas outras, de reconstruir uma memória coletiva no feminino, sublinhando o caráter transgeracional do anarquismo espanhol no seio do qual as mulheres tiveram um papel sem precedentes.

Obra coordenada por Hélène Finet.

Textos de David Doillon, Susana Arbizu, Maëlle Maugendre, Guillaume Goutte, Ana Armenta-Lamant Deu, Cristina Escrivá Moscardó, Rafael Maestre Marín, Dolors Marín e Joel Delhom.

Libertarias

Femmes anarchistes espagnoles

272 páginas

18,00€

nada-editions.fr

agência de notícias anarquistas-ana

A sensação de tocar com os dedos
O que não tem realidade –
Uma pequena borboleta.

Buson

Maria Lacerda, uma anarquista que lutava pela educação feminina

Maria Lacerda de Moura, filha de pais espíritas e anticlericais, nasceu em Manhuaçu, no interior de Minas Gerais, em 1887, mas cresceu na cidade de Barbacena. Lá, formou-se professora pela Escola Normal Municipal de Barbacena e iniciou sua trajetória em defesa da alfabetização no país, principalmente através de reformas educacionais.

Logo depois começou a publicar crônicas em um jornal local. Tendo em vista que, no período, as mulheres eram destinadas ao espaço doméstico, Maria Lacerda foi criticada por sua família e pessoas próximas por estar exercendo um papel público fora da realidade feminina. De acordo com Míriam Leite, na biografia Outra Face do Feminismo: Maria Lacerda de Moura, seus familiares constantemente pediam a ela “mais moderação”.

Maria Lacerda se identificava com movimentos pela educação, que miravam um processo de modificação na sociedade. Era adepta da doutrina da não violência e converteu a educação em seu processo de luta social. Adotou o discurso e prática pedagógica dos anarquistas, sendo contra a ideologia dominante da época.

Em 1918, essa percepção ficou ainda mais evidente. Sua preocupação era com a condição feminina e com as maneiras de transformá-la. Procurou resolver o problema dos menores abandonados em Barbacena, despertando o interesse das alunas para a população carente.

Lacerda considerava a escola da época como um “instrumento reacionário do passado conservador e rotineiro”, “inimiga da civilização de liberdade e continuadora da escravidão feminina”. Ela acreditava que a educação feminina estimularia as mulheres à participação social, rompendo sua reclusão.

Depois divulgou as iniciativas associativas de alguns movimentos feministas de que tinha notícia pelos periódicos das cidades maiores. Em 1919,  em uma viagem ao Rio de Janeiro, ela conheceu a bióloga Bertha Lutz, que chegara de um temporada de estudos em Paris e pregava o direito ao voto feminino. Lutz iniciou um movimento com as ideias sufragistas e, junto com Maria Lacerda de Moura, fundou a Liga pela Emancipação Intelectual da Mulher.

Mas por notar o caráter demasiadamente burguês e excludente das pautas defendidas pela Liga – como a inserção do estudo da História da Mulher no currículo básico escolar -, afastou-se do movimento sufragista e também do feminismo, que já considerava esvaziado de seu sentido original.

“A palavra ‘feminismo’, de significação elástica, deturpada, corrompida, mal interpretada, já não diz nada das reivindicações feministas. Resvalou para o ridículo, numa concepção vaga, adaptada incondicionalmente a tudo quanto se refere à mulher. Em qualquer gazela, a cada passo, vemos a expressão ‘vitórias do feminismo’ – referente, às vezes, a uma simples questão de modas”, elaborou, em 1928.

A consciência se intensificou a partir de 1921, quando foi viver em São Paulo e viu de perto as condições de trabalho e de vida do proletariado. Do espanto, veio o envolvimento mais intenso com ideologias de esquerda, em especial o anarquismo. Dentro da imprensa operária, escreveu em publicações anarquistas importantes como o jornal A Plebe e a revista Renascença, além de outros jornais independentes e progressistas como O Combate e O Ceará. Nestes textos, Lacerda falava principalmente de pedagogia e educação, mas não deixava de denunciar a opressão sofrida por mulheres e crianças.

Por suas ideias, foi amplamente criticada principalmente em publicações pró-fascismo, mas também defendida por estudantes de esquerda e até por grandes nomes, como a romancista Rachel de Queiroz. Mesmo após a sua morte, em 1945, Lacerda não entrou para a história oficial. E mesmo em outras esferas, como no feminismo, pouco se fala sobre ela. Entretanto, é inegável sua importância para a educação e o feminismo no Brasil.

Fonte: https://www.opopular.com.br/noticias/infomercial/uniaraguaia-1.2184985/maria-lacerda-uma-anarquista-que-lutava-pela-educa%C3%A7%C3%A3o-feminina-1.2269315

agência de notícias anarquistas-ana

Sem ter companhia,
E abandonada no campo,
A lua de inverno.

Roseki

Live: “Ktarse entre vivências e saberes”

Salve manxs de todas as quebradas, periferias, guetos, malocas e favelas do mundão. Nós do grupo de rap combativo Ktarse, viemos convidar vocês que fortalecem o corre do rap engajado no nós por nós, para estarem acompanhando e interagindo pelo canal do Ktarse os diálogos entre os debaixo na live “Ktarse entre vivências e saberes”. No qual estaremos conversando com diversxs guerreirxs que fortalecem a luta dxs oprimidxs, seja através da cultura hip hop, dos movimentos sociais, da educação popular e libertaria e etc. Estamos se apropriando dessa ferramenta para potencializar as vivências e saberes de quebrada, onde a mídia capitalista e orquestrada pelos inimigos históricos dos debaixo, jamais concederá espaço para que a quebrada expresse sua sabedoria. Acreditamos no potencial dos debaixo e suas vivências e saberes, sabemos o quanto é importante manter a história dos debaixo contada por elxs mesmxs. Somos o povo forte do gueto e estamos juntxs, lado a lado, na luta insurgente pela vida.

E nessa terceira edição estaremos dialogando com o malokeiro da Okupa Alcântara Machado e zagueiro do time Corote Molotov, Carlos Henrique.

Se inscrevam no canal do Ktarse e fortaleça o rap combativo:

https://youtube.com/user/Ktarse

O evento rola no dia 02 de julho, sexta-feira, a partir das 21h00.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/13/novo-som-do-ktarse-libertem-mumia-abu-jamal/

agência de notícias anarquistas-ana

Desolação de inverno —
Ao passar pela pequena aldeia,
Um cão late.

Shiki

[França] Na noite de… ação direta contra a Cigeo

No início de junho, foi realizado um julgamento por conspiração criminosa em Bar-le-Duc contra 7 pessoas. Um julgamento contra adversários do projeto de enterrar resíduos nucleares em Bure, no departamento de Meuse. Para o Estado, a aposta é clara: tentar esmagar, a qualquer custo, qualquer resistência ao projeto de despejo nuclear Bure, um dos elos que faltam na cadeia nuclear francesa e europeia.

Vendida como energia limpa, a energia nuclear é o oposto. Desde a mineração do urânio até o enterramento dos resíduos, tudo é um desastre social e ecológico. Assim como o que a sociedade “totalmente digital” nos promete. O que nos imporá uma produção cada vez maior de eletricidade, uma demanda que aumentará no futuro e que terá que passar pela energia nuclear. As apostas geopolíticas do digital fazem lembrar as que são direcionadas para a energia nuclear: não importa a rejeição em massa que enfrentem, os danos ou os riscos, o Estado embarcou em sua corrida absurda.

Assim, quando a Andra (entidade nacional gestora dos resíduos radioativos) quer se impor em um território, todos os gestores públicos estão envolvidos, para silenciar a oposição à sua raça produtivista: troca de terras, venda de florestas, subsídios de milhares de euros aos departamentos de Meuse e Haute-Marne.

Desde o início, tem havido resistência na área. Primeiro associativa, depois autônoma, desde 2015, esta resistência impede a Andra de fazer o que ela quer. Parece-nos importante acentuar a luta atual, pois este ano é decisivo: marca o fim da investigação da utilidade pública do projeto, que poderia avançar se esta utilidade fosse realmente posta em questão.

Por estas e muitas outras razões, na noite de sexta-feira 11 para sábado 12 de junho, visamos os seguintes atores e infraestruturas:

• Em Nancy, no prédio que abriga a Câmara de Agricultura da região, a SAFER [Société d’aménagement foncier et d’établissement rural – preocupada com a melhoria das estruturas fundiárias e florestais] e os escritórios da seguradora Groupama, reclamante civil no julgamento Bar-le-Duc, onde uma boa dezena de vidros foram quebrados e a inscrição “Foda-se a energia nuclear” foi feita na fachada.

• No Bar-le-Duc, as janelas das dependências do SAFER foram visadas e uma inscrição foi deixada: “Bure zona liberada”.

• Entre as aldeias de Ligny-en-Barrois e Tréveray, a linha ferroviária em desuso que a SNCF quer recolocar em serviço para conectar Cigeo à rede ferroviária nacional, através da estação de Nançois-Tronville, foi danificada em vários lugares, usando um macaco de carro.

Para que este projeto nunca veja a luz do dia, porque não queremos um sistema que destrua cada vez mais, continuamos a atingir as instituições, empresas e infraestrutura que ajudam a Andra a se implantar em Bure. Ainda há tempo!

Sinceramente,

B.O.R.I.S.

Fonte: https://ilrovescio.info/2021/06/20/francia-nella-notte-di-azione-diretta-contro-cigeo/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

nos fios
os pássaros
escrevem música

Eugénia Tabosa

Pré-venda do livro “Kropotkin, A Grande Revolução (1789-1793)”

Não podemos entender a revolução de São Domingos se não a relacionarmos com a francesa. A maior de todas as histórias da Revolução Francesa é a de Michelet. Após a Segunda Guerra Mundial, Daniel Guérin, produziu um estudo cujo centro é o conflito entre Robespierre e os vários movimentos de massa. A melhor obra em inglês continua sendo a de Kropotkin.” – C. L. R. James, em Os jacobinos negros

Depois de dois anos de trabalhos temos o prazer de anunciar a pré-venda do livro A Grande Revolução (1789-1793) de Piotr Kropotkin.

Fruto de mais de 20 anos de pesquisa em arquivos e bibliotecas, Kropotkin reconstrói neste livro a história da Revolução Francesa a partir de uma ótica inédita até então, vista desde baixo, pela perspectiva dos trabalhadores e camponeses.

Historiadores, teóricos e militantes de diferentes épocas e tendências políticas são unânimes em afirmar que esta é, ainda hoje, uma das melhores obras sobre o tema.

Para auxiliar nos custos de gráfica, iniciamos a pré-venda do livro com 20% DE DESCONTO (de R$60 por R$48) até o dia 9 de julho de 2021 e a previsão é que o envio se inicie a partir de 14 de julho (dia da Tomada da Bastilha).

Você pode adquirir o livro no link: https://pag.ae/7Xg8me-66

Ou via PIX: Não esqueça de acrescentar o valor do frete (R$10 – dez reais) na compra. O total fica do livro na pré-venda mais o frete fica R$58 (cinquenta e oito reais).

IMPORTANTE! Não esqueça de informar na descrição da transação o email e o endereço para envio!

Chave PIX: bibliotecaterralivre@gmail.com

Mais informações sobre o livro em: https://bibliotecaterralivre.noblogs.org/pre-venda-a-grande-revolucao-1789-1793/

Biblioteca Terra Livre

agência de notícias anarquistas-ana

nas noites de frio
um bom vinho, um edredon
dois corpos no cio

Cristina Saba

Como uma novela proibida de Lev Tolstói deu início à revolução sexual na Rússia

Por Aleksandra Gúzeva | 08/05/2021

Pai de 13 filhos, Tolstói não foi nenhum santo antes do casamento (o que, aliás, lembra de outro santo: Agostinho). Mas, depois de idoso, o escritor decidiu que o amor carnal era prejudicial e escreveu uma obra de arrepiar sobre seus novos pensamentos: A Sonata Kreutzer.

No final da vida o escritor Lev Tolstói passou por uma transformação espiritual e reviu seus conceitos em relação ao casamento e às relações entre homens e mulheres em geral. Em sua escandalosa novela “A Sonata Kreutzer”, de 1890, que reflete suas ideias no período, ele propunha que se abandonasse completamente o amor carnal. O livro teve um enorme impacto na juventude do final do século 19.

Há quem considere “A Sonata Kreutzer” a melhor obra do conde escritor. Outros, na contramão, rejeitaram as opiniões de Tolstói, e Theodore Roosevelt chegou a dizer que ele era um homem com uma “moral sexual pervertida”.

“Crime de honra”

O protagonista, Vassíli Pozdnichev, conta a um companheiro de viagem no trem que matou a mulher quando, ao voltar de viagem uma noite, encontrou-a tocando música com outro homem. O veredito no tribunal foi que o assassinato foi provocado por adultério e, por isso, seguindo a moral absurda da época, ele foi absolvido.

Depois daquele episódio terrível, Pozdnichev passa por um “renascimento espiritual” e diz ter percebido o “estado perverso da sociedade”: “Não foi naquele dia que a matei, mas muito antes. Assim como eles matam agora, todos, todos…”

Pozdnichev é uma espécie de Bentinho: o livro nunca deixa claro se a mulher foi infiel a ele ou não. Tolstói está muito mais preocupado com sentimentos que com ações. Na epígrafe de “A Sonata Kreutzer”, o autor cita o Evangelho: “Todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela no seu coração.”

“Tolstói acreditava que o infortúnio da família de seus personagens provinha da promiscuidade sexual deles antes do casamento, a qual ensinou-os a esperar da vida familiar a satisfação dos desejos carnais acima de tudo. A decepção leva Pozdnichev a odiar a mulher e ter um ciúme obsessivo”, segundo escreve Andrei Zorin no livro “A vida de Lev Tolstoi” (ainda sem tradução para o português).

Círculo vicioso

Discutindo a educação sexual de meninos e meninas, Pozdnichev nota com amargura o quanto a sociedade laica é “moralmente corrupta”. Entre as pessoas de seu círculo social, é considerado normal e até saudável que os homens “se entreguem à devassidão” antes do casamento.

Pozdnichev compartilha abertamente sua primeira experiência sexual: junto com o irmão, ele foi a um bordel com um grupo de amigos. “Lembro-me de que imediatamente fui tomado por uma tristeza tão profunda que tive vontade de chorar, de chorar pela perda para sempre da minha inocência, das minhas relações com a mulher. Sim, as minhas relações com a mulher se perderam para sempre.” É interessante notar que este episódio é autobiográfico: Tolstói teve uma experiência muito semelhante e a descreveu em seus diários.

Ao mesmo tempo, as mulheres da época eram privadas do “direito” de ter relações sexuais antes do casamento. Mas, na opinião de Pozdnichev, as moças “casáveis” não são melhores que prostitutas: seus pais buscam noivos para elas e fazem de tudo para garantir um casamento vantajoso, mas todos os hobbies das tais moças, seja tricotar ou tocar música, visam apenas a impressionar um futuro marido.

Em relação às roupas femininas, Pozdnichev faz todo um discurso de que milhões de pessoas trabalhavam em fábricas apenas para satisfazer os caprichos das mulheres e criar vestidos que pudessem atrair momentaneamente um cavalheiro. Pozdnichev diz que é uma coisa horrível que as mulheres conquistem os homens com lascívia. “Uma vez que ela domine esse recurso, ela abusa dele e adquire uma terrível supremacia sobre as pessoas.”

Tolstói desiludido com o casamento

Devido a seus pensamentos ousados sobre o casamento e à ousadia de minar os valores familiares, “A Sonata Kreutzer” foi banida pelos censores imediatamente após a publicação. Além disso, nos EUA, a tiragem de jornais que publicaram traduções da novela também foi proibida.

Mas foram justamente as proibições que aumentaram incrivelmente a popularidade do livro. Na época, Tolstói já era uma celebridade internacional, mas com “A Sonata Kreutzer” ele capturou a atenção de toda a sociedade educada, especialmente a dos jovens. A novela passava de mão em mão em segredo, em cópias manuscritas (em uma espécie de precursor do samizdat soviético).

Pozdnichev descreve como se apaixonou pela mulher: mas, depois de um tempo, ele via aquilo apenas como algum passeio de barco agradável ou um vestido atraente da esposa. Depois do casamento, segue-se uma lua-de-mel “vil”, que nada mais é que um “vício legalizado”. E acontece que o marido não tem ideia do tipo de pessoa que a esposa é e fica surpreso ao ver raiva ou outras novas características nela. Eles brigam e discutem, e a única coisa que pode reconciliá-los é o nascimento de filhos.

É justamente na gravidez e nos cuidados dos filhos que Pozdnichev (assim como Tolstói) vê a predestinação da mulher. É por isso que ele fica indignado ao saber que, após o nascimento do quinto filho, os médicos aconselham a mulher a não ter mais filhos – e vê isso como uma violação da lei da natureza.

Além disso, de acordo com Tolstói, a mulher que não planeja engravidar, mas continua a fazer sexo com seu marido e até usa anticoncepcionais, é totalmente imoral. Essa era uma questão que o escritor levava muito a sério: sua mulher também foi aconselhada a não ter mais filhos, mas ele se opôs a que ela tomasse “medidas” para evitar ficar grávida.

Pozdnichev considerava que o melhor caminho a seguir era a abstinência sexual. Seu companheiro de viagem, ouvinte acidental de sua história de vida, exclama: Mas e a raça humana? A isso, o protagonista responde que concorda com os budistas que a vida humana não tem propósito e que vai acabar de qualquer maneira, por isso não haverá mal se acabar porque todos viverão seguindo a “boa moral”.

“Tolstói obviamente rejeitava um significado positivo do casamento, dando um veredito sobre o casamento: a união de um homem e uma mulher consagrada pela tradição cristã”, escreve o pesquisador especializado no conde Pável Bassinski.

Leitura das mulheres emancipadas

Na década de 1890, “A Sonata Kreutzer” foi fonte de contínuo debate. Bassinski escreve que o livro “foi um dos principais pontos de discórdia da década”. O final do século 19 foi uma época em que aumento sem precedentes a emancipação das mulheres. Portanto, não é de surpreender que as leitoras tenham visto outro problema ético na história: por que uma moça deveria permanecer virgem antes do casamento, enquanto seu noivo tinha o direito de gozar de experiência sexual e era até mesmo incentivado pela sociedade a fazê-lo?

Depois de a novela de Tolstói ser lançada, a questão da moralidade sexual passou a ser discutida na imprensa. Uma das primeiras feministas russas, Elizaveta Diakonova, escreveu em seus diários, indignada, que qualquer homem “consideraria uma vergonha para si mesmo” casar com uma mulher que teve relações com outros homens antes dele, enquanto ele próprio considerava normal ter relações sexuais antes do casamento. “E isso ocorre em todo lugar, em toda parte! Tanto na Rússia, quanto no exterior! Oh, meu Deus, meu Deus!”, escreveu Diakonova.

Fonte: https://br.rbth.com/cultura/85340-novela-proibida-de-tolstoi-incentivou-mulheres-a-questionar

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Encontro fugaz.
Neblina abraça o velho
lampião de gás.

Rogério Viana

[Colômbia] Duque propõe uma lei antivandalismo e antidistúrbios

O presidente Iván Duque pediu ao Congresso que aprovasse uma lei antivandalismo e antidistúrbios na próxima legislatura “para que aqueles que promovem estas práticas não fiquem impunes”, disse o presidente durante uma cerimônia de promoção de oficiais da polícia, nesta quarta-feira (30/06).

Ele também afirmou que no país deve haver uma discussão “clara e responsável” para que a sociedade possa diferenciar “o que é e deve ser o protesto pacífico” e apontou que os principais “inimigos” disso são o vandalismo, os distúrbios e o terrorismo urbano.

Ele também indicou que “os vândalos que destroem infraestruturas, destroem o transporte público, que pretendem sequestrar ônibus, que pretendem pendurar cabos que já custaram vidas, são chamados do que são: criminosos e confrontados como são, criminosos”.

Além disso, Duque ressaltou mais uma vez seu apoio à polícia e sua ação durante os protestos, nos quais organizações internacionais denunciaram o uso excessivo da força e ONGs como Temblores e Indepaz acusaram os agentes de cometer 48 dos 75 assassinatos que ocorreram durante a greve nacional.

Fonte: agências de notícias

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Ah, mosca de inverno
– questão de dia ou de hora –
seu último instante?

Masuda Goga

[China] Turismo vermelho

O Partido Comunista da China faz 100 anos de sua fundação. Mas as comemorações não se dirigem apenas a militantes. As atividades do chamado turismo vermelho refletem também a necessidade de rejuvenescer o partido, atraindo o interesse das novas gerações. No começo de junho, o conglomerado Wanda Group, um dos maiores do setor imobiliário do país, inaugurou um parque temático sobre o Partido Comunista em Yan’an, onde ficou sediado o quartel-general do partido por dez anos nas décadas de 1930 e 1940 e para onde muitos se dirigem em busca do turismo patriótico.

Com mais de um quilômetro quadrado, o empreendimento custou cerca de 12 bilhões de yuans (R$ 9,54 bilhões), desembolsados pelo dono da companhia, o bilionário Wang Jianlin, que já compôs as fileiras do Exército e é membro do PC. Nele, mascotes vestidos com fantasias do Exército Vermelho desfilam pela “Rua Vermelha”, uma longa avenida comercial onde os visitantes podem tirar fotos ao lado de estátuas e bonecos dos combatentes do Exército Vermelho e comprar lanches e souvenirs.

Fonte: agências de notícias

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saio de casa
esquecendo a razão
perfume de lilás

Ruby Spriggs

[Canadá] Igrejas católicas em comunidades indígenas são incendiadas

Casos começaram após divulgação da descoberta de restos mortais de 215 crianças em uma escola religiosa

Duas igrejas católicas pegaram fogo nesta quarta-feira (30/06), no Canadá. Com esses incêndios, chega a seis o número de templos religiosos consumidos pelas chamas desde 22 de junho no país, cinco deles localizados em comunidades indígenas.

Os incêndios começaram a acontecer após a divulgação da descoberta, em maio, dos restos mortais de 215 crianças em uma escola católica na Colúmbia Britânica, no Canadá. Na semana passada, também foi anunciado que 751 restos mortais não identificados foram encontrados em uma unidade de ensino ligada aos católicos mas situada em área indígena.

A Igreja St. Kateri Tekakwitha, na Primeira Nação Sipekne’katik, em Edmonton, começou a pegar fogo na madrugada dessa quarta-feira. De acordo com a imprensa local, os bombeiros foram acionados por volta das 4h20 para conter as chamas.

No começo da manhã desta quarta-feira, um outro templo católico pegou fogo no Canadá. Dessa vez, em Edmonton, na província de Alberta. Trata-se da Igreja São João Batista, situada na principal avenida de Morinville.

Outras quatro igrejas já haviam sido incendiadas na semana passada. As duas primeiras – Igreja do Sagrado Coração e a Igreja de São Gregório – foram tomadas pelo fogo em 22 de junho e estão localizadas em comunidades indígenas. Nesta data, o Canadá comemorava o Dia Nacional do Povo Indígena.

Na manhã de 26 de junho, a Igreja de St Ann e a Igreja de Chopaka foram encontradas em chamas. Ambas ficam na Colúmbia Britânica.

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arco-íris no céu.
está sorrindo o menino
que há pouco chorou

Helena Kolody

[Myanmar] Punks birmaneses em pé de guerra

Por Julián Sorel | 20/06/2021

Na última segunda-feira começou o julgamento contra Aung San Suu Kyi, eleita democraticamente em novembro e derrubada em 1º de fevereiro por um golpe de Estado do exército. Em meio à onda de violência que sacode o país, os punks da Birmânia (Myanmar) se organizaram para enfrentar os militares e denunciar a repressão.

Segunda-feira foi o primeiro dia do julgamento da líder birmanesa Aung San Suu Kyi, presa após o golpe de Estado pelas forças militares sob o comando do General Min Aung Hlaing em 1º de fevereiro em Myanmar, a antiga Birmânia. Desde fevereiro, milhares de birmaneses têm protestado nas ruas e entre 800 e 900 morreram violentamente em confrontos com o exército e a polícia. Os punks birmaneses, que surgiram sob a ditadura militar nos anos 90, agora, em meio a protestos inflamados e terror pela possibilidade de uma nova ditadura, estão se destacando com sua revolta forte e determinada. Membros da cena punk birmanesa juntaram-se à resistência que guarda as ruas das principais cidades de Mianmar para impedir que o Tatmadaw – os militares – sequestrassem os manifestantes, enquanto a televisão estatal expõe listas de pessoas a serem presas e a junta militar bloqueia as fronteiras e o acesso à internet. Bandas punk como The Rebel Riot, Kultureshock, The Outcast e The Slingshot, entre outras, formaram o coletivo Cacerolazo (Panelaço), nomeado após a forma de protesto antigovernamental popularizada por esse nome desde os anos 70 em vários países da América Latina. Hoje, a grande repercussão do Cacerolazo birmanês ressoa e, testemunho do descontentamento geral contra a junta golpista militar, abala com seu ritmo indomável todo o território. Assinada pelo Cacerolazo, a música The Night Will Not Be Silenced, composta, escrita e gravada por bandas de punk rock da antiga cidade de Rangoon (agora Yangon), capta o barulho que varre pela Birmânia todas as noites quando, às 20h, os manifestantes começam a bater panelas e panelas. “A noite não será silenciada” é o slogan do tributo às centenas de pessoas mortas pelas forças de segurança desde fevereiro.

A comunidade punk birmanesa organizou o projeto Food Not Bombs, que durante anos, e com maior intensidade desde que os líderes golpistas tomaram o poder em fevereiro, vem distribuindo alimentos para os mais necessitados. Japan Gyi, vocalista da banda Outcast e ativista da Food Not Bombs, foi hospitalizado em março durante uma violenta repressão no bairro da classe trabalhadora de Hlaing Thar Yar, no extremo oeste de Yangon, um dos mais populosos do país e um enclave industrial com centenas de fábricas têxteis chinesas, onde muitos de seus 700.000 habitantes, muitos deles migrantes rurais tentando escapar da pobreza, trabalham. A página Food Not Bombs no Facebook relatou: “Desde o golpe de 1° de fevereiro, nossa comunidade tem estado indignada. Protestamos, e no início o protesto foi pacífico. Após um tempo, o protesto foi violentamente reprimido, pessoas foram presas, espancadas e houveram até mortos. As mortes dos manifestantes estão aumentando de dia para dia. Mesmo assim, não paramos de protestar de todas as maneiras possíveis. Hlaing Thar Yar é o lar de muitas pessoas da classe trabalhadora de todo o país. A junta reprimiu a Hlaing Thar Yar mais do que outras cidades para defender as fábricas chinesas. Em 14 de março, Japan Gyi participou dos protestos em Hlaing Thar Yar. Naquela noite, soldados e policiais chegaram para reprimir e começaram a usar gás lacrimogêneo, balas de borracha e balas reais. Mais de 50 pessoas foram mortas e muitas ficaram feridas. Japan Gyi foi baleado (possivelmente com uma bala de borracha) no braço direito e quebrou um osso. Ele foi levado para o hospital e foi engessado. Seu braço ainda não está bem. Nossa comunidade está preocupada com sua condição. Ele não só é vocalista, mas também toca baixo, bateria e violão. Ele é um jovem importante para nossa comunidade, entregando alimentos com o Food Not Bombs. Estamos todos rezando para que seu braço se recupere. Precisamos de apoio para sua família. Esperamos que ele esteja de volta conosco em breve. Não é apenas o punk que é a trilha sonora para a luta. A canção Kabar Ma Kyay Bu (Não esqueceremos até o fim do mundo), emblemática de outra revolta birmanesa em 1988, com letra e música revolucionárias do clássico do Kansas Dust in the Wind de 1977, está mais uma vez varrendo Myanmar este ano, enquanto os violinos, harpas, violoncelos e trombones dos jovens músicos da orquestra Generation Z MM fazem vibrar o centro de Yangon.

Em Yangon, Kyaw Kyaw, o famoso vocalista do grupo punk Rebel Riot, um conhecido membro dos protestos, estava na mira das forças de segurança. Ele ouviu que seria preso e não se escondeu, mas no dia em que vieram buscá-lo em sua casa, os soldados foram chamados para outra área da cidade onde, por coincidência, 3.000 trabalhadores tinham acabado de entrar em greve. Kyaw Kyaw juntou-se a outros punks para organizar o Cacerolazo e depois produziu One Day, um vídeo gravado com sua banda nas ruas no início da manhã para filmar as imagens antes que os militares pudessem detê-los. Rebel Riot lançou a canção ACAB: “Nós, Rebel Riot, estamos indignados com a injustiça e brutalidade da polícia contra manifestantes pacíficos. Nós protestamos nas ruas e através da música com nosso vídeo ACAB. Não se trata apenas de uma canção. Nele retratamos a violência policial. Esperamos que ela sirva a esta revolução. A letra diz: “Nós não acreditamos no sistema de justiça. Polícia imunda. F**k the police. ACAB”.

Notas

> Você pode conferir The Night Will Not Be Silenced, do coletivo punk yangon punk Cacerolazo, aqui: https://www.youtube.com/watch?v=NNOwIvsNfD4

> Você pode assistir à ACAB, do The Rebel Riot, aqui: https://www.youtube.com/watch?v=wRjL-YD9oYI

> Você pode assistir ao documentário My Buddha is Punk (Andreas Hartmann, 2015), sobre a cena punk birmanesa, aqui: https://vimeo.com/ondemand/mybuddhaispunk

juliansorel20@gmail.com

Fonte: https://www.abc.com.py/edicion-impresa/suplementos/cultural/2021/06/20/punks-birmanos-en-pie-de-guerra/

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/11/27/video-fnb-relata-sobre-a-guerra-civil-em-mianmar/

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Aconchegantes,
Os raios do sol de inverno —
Mas que frio!

Onitsura

[Espanha] Prisão Brians I: Comunicado dos compas presos na manifestação de 27 de fevereiro

Liberdade para o povo de Nabat. Liberdade para todos.

Somos o povo preso após a manifestação de 27 de fevereiro em Barcelona, e dados os numerosos gestos de solidariedade e apoio recebidos, pensamos que é necessário falar com este texto coletivo.

Somos 7 indivíduos com diferentes trajetórias de vida e políticas, embora elas frequentemente coincidam. O que certamente compartilhamos é nossa maneira de ver o mundo e as relações que desejamos entre os indivíduos.

Nós amamos a liberdade, acreditamos na igualdade e na partilha, odiamos o poder e nos opomos à exploração de uma pessoa por outra.

Em resumo, nos reconhecemos no ideal anarquista.

Estamos cientes de que esta montagem policial se deve a nossas ideias. Estávamos e estamos conscientes do conflito social no qual participamos e sabemos que a eleição de nosso inimigo, poder e capital, pode levar a consequências como as que estamos vivenciando atualmente. Não temos medo do ato de vingança deste inimigo, nem somos desmoralizados por ele; ainda estamos – talvez mais do que antes – determinados a fazer o que pudermos para tentar mudar esta horrível situação.

Estamos plenamente conscientes de que nossa batalha está longe de estar vencida. E que, até que esses muros sejam derrubados, outros amantes da liberdade e inimigos da ordem social serão aprisionados.

No entanto, nossas ideias não podem ser trancafiadas. Sua solidariedade rompe estes muros e nós não nos sentimos sozinhos, derrotados ou presos. Até quando nossa luta continuará, seremos sempre livres e não teremos medo de nada.

Agradecemos por todo o calor e força que nos enviam e esperamos poder abraçá-los em breve, sobre as ruínas fumegantes destas paredes.

Albo, Danilo, Emanuele, Ermann, Jeanne, Luca e María

17 de junho de 2021

Fonte: https://presxs27febrer.noblogs.org/post/2021/06/17/cast-catcomunicado-de-lxs-companerxs-17-06-2021/

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/16/espanha-mais-de-300-pessoas-marcham-ate-a-prisao-de-brians-1/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/12/espanha-comunicado-solidariedade-com-xs-detidxs-da-manifestacao-do-27f/

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A lua crescente
Está arqueada —
Que frio cortante!

Issa

20 fotografias coloridas da Segunda República e da Guerra Civil na Espanha

Julius Backman, Joel Bellviure e Tina Paterson são três coloristas que se dedicaram à restauração de imagens históricas. O objetivo deles é “trazer o passado de volta à vida”.

Colorir imagens em preto e branco serve para aproximá-las do presente. Nos últimos anos, a prática da colorização tem aumentado, com a filosofia de “olhar o passado diretamente nos olhos” e “ter em mente que pode acontecer novamente”. Por esta razão, selecionamos um total de vinte fotografias dos coloristas Joel Bellviure, Julius Backman e Tina Patterson. Embora os três artistas realizem esta prática em mais períodos, selecionamos os que nos aproximam de nosso passado recente.

Embora hoje existam aplicativos que já colorem fotos em preto e branco, é fácil que se equivoquem. O processo para fazê-los passa pela contextualização e pesquisa da época, a restauração da fotografia e, finalmente, a colorização no Adobe Photoshop.

>> Para conferir as 20 fotografias coloridas, clique aqui:

https://www.eldiario.es/cultura/20-fotografias-color-ii-republica-guerra-civil-espana_3_8062786.html

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vento transparente
nu
vens

Alexandre Brito

Pré-venda do livro “Unidas nos lancemos na luta: o legado anarquista de Maria A. Soares”

O livro ficará pronto em novembro e será enviado por correio para todo o Brasil.

D e s c r i ç ã o

Com 224 páginas, 40 textos de Maria A.Soares, biografia e prefácios de Beatriz Silvério e Samanta Colhado Mendes.

O nome Maria A. Soares se confunde com a vida de duas irmãs anarquistas e operárias de ofício que viveram no século passado: Maria Antônia e Maria Angelina Soares. Ambas foram costureiras, bordadeiras, tecelãs, atrizes, professoras, publicadoras e ativas militantes. Em Unidas nos lancemos na luta: o legado anarquista de Maria A. Soares, o percurso delas é olhado por meio de seus 40 textos publicados em jornais ou endereçados por cartas. Suas palavras narram momentos da história do movimento anarquista brasileiro e seus encontros transnacionais. Elas falam das greves, da carestia de vida, do anticlericalismo, da educação, dos grupos de teatro, das bibliotecas sociais, do Primeiro de Maio, do caso Simón Radowitzky, das perseguições e prisões.

Contudo, muitas de suas ações estavam dispersas na imprensa operária, tornando essencial uma biografia inédita que liga seus caminhos de luta e de sua família tanto no Brasil quanto na Argentina.

O livro, pensado por anarcofeministas, traz para a experiência em páginas do presente um encontro com as palavras e a vida daquelas que consideramos nossas ancestrais.

Mais infos: contato@tendadelivros.org | tendadelivros.org

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Algumas pessoas.
Folhas caem também
Aqui e ali.

Issa

[Espanha] Fazer sindicalismo não pode ser um delito

• O Tribunal do Penal nº 1 de Gijón, condena a penas de prisão 7 sindicalistas da CNT, “sentença que vamos recorrer”

• “Com esta dura condenação querem mandar uma clara mensagem ao sindicalismo combativo: é uma ameaça direta a toda trabalhadora que queira exercer seus direitos”, assinalou a CNT.

Na semana passada foi publicada a sentença que abordava as mobilizações sindicais que aconteceram no ano de 2017, em apoio a uma trabalhadora, e, apesar de que não havia grande otimismo sobre o fato, segundo a CNT, “este superou as piores previsões: penas de cárcere de três anos e meio, salvo para o ativista Lagarder e uma indenização que supera a solicitada pela promotoria, algo não muito frequente e que alcança a enorme quantia de 125.428,1 euros.”

Os serviços jurídicos da organização anarcossindicalista estão trabalhando, desde o mesmo dia da notificação, no recurso de apelação para que possa corrigir a inaudita severidade que “não deixa de recordar a sentença proferida em seu dia no procedimento que se seguiu contra Cándido e Morala”, assinala a CNT, e que originaria um documentário, “Ni un paso atrás“, lema que “fazemos nosso porque de nenhuma maneira vamos permitir a criminalização da ação sindical que é o único que nós da classe trabalhadora temos para nos defender”, frisa a central anarcossindical.

Ainda que o momento da análise “deixamos para mais tarde, assim como as implicações e estranhas coincidências”, simplesmente recordar que o querelante que ao longo de todo o procedimento pretendeu que o conflito sindical o teria levado a uma crise econômica que o obrigou a abrir um processo de falência, no entanto contou com o melhor da advocacia, tendo se sucedido na defesa de seus interesses, alguns letrados de conhecido renome, o último deles, Javier Gómez Bermúdez, ex-presidente da sala do penal da Audiência Nacional.

Igualmente, dentro da enorme indenização se encontra um item pela perda de uma moradia que, ao menos, no momento da vista do julgamento, seguia em nome dos querelantes… e isso para não falar da sucessão de informes periciais contraditórios que, no entanto, parecem não ter despertado dúvida alguma, apesar de que na última sessão do julgamento foi manifestada pelas defesas a inconsistência das cifras reclamadas. É importante frisar, finalmente, que, ao longo dos meses, que não chegaram a cinco, nos quais se desenvolveu a ação sindical, em nenhum momento houve deterioração de bem algum; não se impediu a circulação da clientela e apesar da presença policial, chamada pelos donos da confeitaria, esta nunca se viu obrigada a intervir…

Entendemos que este caso, no qual a sentença é um passo a mais, nos encontramos ante “a criminalização do exercício mais básico da ação sindical”, frisa a CNT: é um ataque frontal contra todas as trabalhadoras e o sindicalismo em geral, “hoje fomos nós, mas amanhã pode ser qualquer um”.

É tempo de refletir, de seguir trabalhando em nosso modo de entender o sindicalismo, baseado sempre na rua e nos problemas reais e de preparar os melhores recursos possíveis não esquecendo que nada, absolutamente nada, vai nos distanciar de nossa ação em defesa dos direitos da classe trabalhadora: nem um passo atrás!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/hacer-sindicalismo-no-puede-ser-un-delito/?fbclid=IwAR1gi4s5EMnRdwZ689vnL_0HIKQ62cagYz1XQnvAEpNnnn6w4tf3eQsoe20

Tradução > Sol de Abril

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Tormenta hibernal —
O rosto do passante,
Inchado e dolorido.

Bashô