[Espanha] Villalar V centenário. O eterno legado da rebeldia

Gostaríamos de começar este comunicado compartilhando a dor dos milhares e milhares de famílias que perderam seus entes queridos nesta crise de saúde. Este sindicato não é estranho às consequências desta pandemia, pois é a classe trabalhadora da qual fazemos parte de forma intrínseca, que sofre na linha de frente, vive com os riscos de não parar a maquinaria produtiva e sofre os cortes e privatizações dos serviços públicos. Neste teatro de embaraços que a política parlamentar se tornou, o anarquismo está surgindo hoje como a opção mais honesta para enfrentar o atual estado de coisas. É a classe trabalhadora que está pagando por todas as consequências políticas, sociais e econômicas de uma situação que, naturalmente, não provocamos. Se não acatamos seu regime em 1978 – dissociando completamente nossa organização dos pactos da transição – muito menos o faremos agora, quando seus fundamentos forem abalados e quando seu ícone da democracia estiver vivendo em fuga sob a proteção de uma ditadura islâmica. Não fazer parte deste circo estatal lhe dá a independência necessária para apontar as falhas de um sistema econômico que continua a enriquecer uma elite enquanto degrada o meio ambiente e nega um futuro para as vidas de milhões de seres humanos.

Se no ano passado este sindicato quisesse se posicionar para unir os pontos em comum (humildemente tentando superar a enorme brecha de tempo) que as ideias libertárias têm com a explosão social que levou à Revolução Comunera. Este ano, acreditamos que é mais apropriado olhar para trás e recuperar algumas das lutas que temos dado espaço ou promovido em nosso espaço de Villalar esperando que elas tenham servido para germinar aquela fonte de liberdade que esperamos construir entre todas as almas honestas que anseiam por justiça com letras maiúsculas.

Nosso espaço libertário em Villalar tentou ser um alto-falante tanto para as ideias de libertação que são aglutinadas dentro de nossa organização, quanto para uma multidão de grupos que estão relacionados a nós. Também cuidamos para que opções que por sua natureza foram e são sistematicamente silenciadas pelo poder do Estado em todas as suas ramificações tenham um lugar em nossa casa para expressar livremente sua mensagem. Expor que outro mundo é possível, encorajar afinidade e organização entre iguais ou tornar conhecidas outras formas de gestão baseadas no apoio mútuo e na solidariedade com as quais posicionar o anarquismo ante um mundo cada vez mais violento, injusto e degradado, tem sido e será nosso objetivo não apenas em Villalar, mas no trabalho diário de nossas vidas.

• Diante da degradação ambiental gerada pela produção capitalista, demos voz a coletivos tão próximos de nossas sensibilidades como a plataforma Tierra de Campos Viva, a plataforma em defesa do rio Tajo em Toledo, a Salamanca antinuclear ou a Coordenação contra a usina nuclear de Garoña em Burgos.

• Diante do centralismo econômico e do despovoamento que o acompanha, acrescentamos as razões de nosso mundo rural nas palavras de nossos camaradas da CNT de Teruel e em defesa da gestão coletiva dos bens comuns pela plataforma Stop Expolio.

• Diante da impunidade dos crimes do franquismo, opusemo-nos à nossa memória de trabalhadores apresentando nosso grupo específico de memória histórica de Valladolid. Grupo que está trabalhando junto com outros coletivos de outras latitudes – dentro da CNT – para resgatar do esquecimento e dar valor à nossa fértil história confederal, podendo mesmo desfrutar há alguns anos da presença em Villalar de nosso inesquecível companheiro Felix Padin, que foi uma referência da resistência antifascista.

• Contra a imposição de corporações alimentares, soberania e autogestão, movidas por grupos de consumo próprios ou projetos participativos que quebram as regras do mercado como Bajo el Asfalto está la Huerta (Debaixo do asfalto está a horta).

• Em face da educação privada ou subsidiada, a defesa da escola pública pela plataforma da escola secular ou ir um passo além apoiando a educação gratuita, como nos mostrou o projeto A Escolinha em sua época.

• Diante da reverência e da covardia do Estado espanhol diante de um crime estatal, a firme denúncia do assassinato de José Couso com a presença de seu próprio irmão em nossa tenda.

• Contra a criminalização do protesto e da repressão, compartilhamos a inocência de nossos camaradas Pablo e Jorge, desmantelando ponto por ponto a montagem policial sofrida durante a greve geral de 14N em Logroño.

• Contra o racismo e os muros econômicos, a experiência e a situação dos campos de refugiados na Grécia por pessoas que estavam na linha de frente fazendo trabalho humanitário.

• Diante de suas reformas trabalhistas, acidentes de trabalho e precariedade, tivemos a presença de numerosos setores em luta sob a sigla deste sindicato, desde a greve de limpeza em Madri até a denúncia de bloqueios ou a luta por melhorias nos acordos (como o metalúrgico) onde temos uma forte presença. Diante dos cortes nas liberdades e dos antros ilegais do Estado, das críticas ao sistema prisional e da solidariedade com os prisioneiros.

• Contra a sociedade patriarcal, nosso impulso feminista e militante trazido por nossas corajosas camaradas, participantes diretas na organização de duas greves gerais.

Com este pano de fundo, que entendemos ser muito positivo, nossa melhor homenagem às comunas de todos os tempos e de todos os lugares, é e será a de continuar a luta. A organização dos trabalhadores torna-se essencial para que as razões dos comuns tenham passado por cima do egoísmo e do ódio racista encarnado hoje como ontem na extrema direita, ultra ou sutil. Não é fortuito que enquanto a mídia nos bombardeia com debates alheios à classe trabalhadora, as desigualdades sociais ou econômicas aumentam ou os direitos civis e trabalhistas são violados. A consciência da classe trabalhadora e sua organização entre iguais deve emergir em cada local de trabalho, em cada bairro, em cada cidade, em cada um dos atos em que a bandeira vermelha e preta ilumina uma auréola de esperança nos sonhos de todos os explorados que clamam por resistência contra qualquer forma de opressão. Embora não tenhamos sido capazes de fazer uma chamada ao auge do aniversário que temos diante de nós por causa do estado de alarme, não lhes demos o prazer de nos render como aqueles que perderam suas vidas nestes campos de Villalar 500 anos atrás.

Fonte: https://www.cntvalladolid.es/villalar-v-centenario-el-legado-eterno-de-la-rebeldia/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Era verde ou azul?
Sumiu num piscar de olhos
veloz colibri.

Teruko Oda

Encontro digital | “1º de Maio: Trabalho, Luta e Pandemia”

Sábado, dia 1° de maio, às 19h00. Encontro digital com:

> Gabriel Menezes: Técnico em enfermagem da UPA Jabaquara

> Jully Vasconcelos: Coordenadora do CRESS Seccional Santos, participante do NELCA e CAFI

> Matia Aldane: Entregadora e participante do Despatronados

> Miquelina Veiga: Professora da de Língua Portuguesa da PMSP e participante do CCS

>> Canal do CCS no YouTube:

www.youtube.com/centrodeculturasocial

|| 1° de Maio | Memória || “Um dia de rebelião, não de descanso! Um dia não ordenado pelos vozeros arrogantes das instituições que tem aprisionado o mundo do trabalhador! Um dia em que o trabalhador faz suas próprias leis e tem o poder de executá-las! Tudo sem o consentimento nem aprovação dos que oprimem e governam. Um dia em que com tremenda força a unidade do exército dos trabalhadores se mobiliza contra os que hoje dominam o destino dos povos de toda nação. Um dia de protesto contra a opressão e a tirania, contra a ignorância e a guerra de todo tipo. Um dia para começar a desfrutar oito horas de trabalho, oito horas de descanso, oito horas para fazer o que nos dê vontade.

Essa era a convocatória do 1° de maio de 1886, dia em que 5.000 greves com 340.000 grevistas, se espalharam pelos Estados Unidos. Chicago foi palco de muita luta, repressão, mortes e injustiças.

agência de notícias anarquistas-ana

é quase noitinha
o céu entorna no poente
um copo de vinho

Humberto del Maestro

[Colômbia] Protestos contra reforma tributária têm confrontos entre policiais e manifestantes

Milhares de manifestantes foram às ruas das principais cidades da Colômbia nesta quarta-feira (28/04) durante uma greve nacional em protesto à proposta de reformas tributárias do governo do presidente Iván Duque. Na capital Bogotá, houve choques entre a polícia e manifestantes.

Os protestos foram realizados apesar do apelo das autoridades e da ordem de um tribunal para que eles fossem adiados, por preocupação com uma nova onda de contágios de Covid-19 que tem sobrecarregado os hospitais do país. A Colômbia registrou 490 mortes pela doença nas últimas 24 horas, o número mais alto desde o início da pandemia.

O governo colombiano propõe o aumento e a criação de novos impostos, para indivíduos e empresas. Sindicatos de trabalhadores, professores, organizações civis, representantes de povos indígenas e outros setores rejeitam a proposta, dizendo que as reformas propostas prejudicam a população e não são adequadas em meio à crise provocada pela pandemia de coronavírus.

O presidente Iván Duque rechaçou os atos de violência ocorridos nesta quarta-feira. Ele disse que o governo nacional compreende o direito da população de protestar, mas ressaltou que “também o que vimos hoje em muitos lugares é vandalismo criminoso, é atentar contra a infraestrutura, contra os negócios e outras pessoas, contra os meios de comunicação”.

Bogotá, o epicentro dos protestos desta quarta-feira, registrou tumultos e confrontos. A polícia de choque precisou intervir para impedir a tentativa de um grupo de encapuzados de invadir a sede de um canal de televisão, segundo a Secretaria de Governo. As manifestações e alguns enfrentamentos continuavam por volta das 18 horas, poucas horas antes do toque de recolher, segundo a imprensa local.

Em Cali, cidade a sudoeste de Bogotá, houve tumultos e ônibus queimados. O ministro da Defesa, Diego Molano Aponte, ordenou nesta tarde que o exército desse apoio à polícia para conter os “atos de violência”. Foram enviados para a cidade 554 agentes adicionais da Polícia Nacional; 300 da Esmad (polícia de choque); e 450 soldados do Exército, que terão a missão de “garantir a segurança dos cidadãos, das entidades públicas e do comércio local”, segundo o ministro. A cidade impôs um toque de recolher às 13 horas.

Também em Cali, indígenas derrubaram a estátua de Sebastián de Belalcázar, um conquistador espanhol do século 16. Um porta-voz dos manifestantes disse à imprensa que o monumento foi derrubado em repúdio à violência sofrida historicamente pelos povos indígenas.

Em Medellín, segunda maior cidade colombiana, as manifestações duraram quase oito horas e terminaram quando a polícia de choque disparou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Momentos antes, um grupo tentou derrubar postes com câmeras usadas para detectar infrações de trânsito na cidade, segundo a imprensa local.

Em 2019, colombianos foram às ruas em uma série de grandes protestos contra políticas econômicas e sociais do governo de Iván Duque, que deixa a presidência no ano que vem.

Fonte: agências de notícias

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manhã de vento
na caixa do correio
apenas uma folha seca

João Angelo Salvadori

[Espanha] No trabalho nos exploram, na rua nos reprimem | 1º de Maio, Organiza-te e luta!

O Estado, por meio de seus corpos de repressão, sempre se opôs violentamente a todo avanço em direitos, tanto sociais como laborais, sexuais e de todo tipo. Não esqueçamos que o reconhecimento dos direitos humanos e sociais, foi e é uma conquista dos movimentos sociais na rua, não uma concessão estatal ou patronal, e que não respeita na prática, são vulnerados continuamente.

Os Estados utilizam as leis para legitimar o sistema de exploração baseado nas desigualdades de classe, no qual uma classe social tem o controle da economia e portanto o controle do governo, dos meios de produção, dos meios de comunicação e da justiça, enquanto que outra classe social, a nossa, sacrifica sua vida, submetida a um sistema produtivo que permite à burguesia acumular riquezas de forma infinita a custa de nosso sofrimento.

Enquanto a classe trabalhadora está sofrendo uma das piores crises do capitalismo, com quase 4 milhões de desempegados, 900.000 pessoas ainda em ERTE (mecanismo que garante parte do salário a trabalhadores afastados) e umas condições cada vez mais precárias no mercado laboral, não deixamos de ver como membros da Casa Real, políticos, empresários e demais membros da alta sociedade, de ideologia liberal todos eles, recebem tratamento de favor por parte da justiça ante seus multimilionários crimes, enquanto nossas irmãs e irmãos da classe obreira são perseguidas, agredidas, mutiladas e encerradas por reivindicar direitos e justiça social nas ruas, como é o caso de nosso companheiro de Granada, Mestre, que sofreu prisão preventiva só por levar um frasco de spray na mochila durante uma manifestação pela liberdade de expressão em fevereiro passado, e ainda está em espera de julgamento por essa causa.

Desde os meios de comunicação não deixam de enviar mensagens propagandísticas que tem como objetivo criminalizar o protesto, equiparando quebra de vitrines e queima de lixeiras, a crime, e criando uma opinião pública contraria às reivindicações que acompanham estes atos. Enquanto exigem ao adversário moderação, a ideologia liberal junto a seu modelo econômico capitalista não tem nada de moderados. O capitalismo é na atualidade a maior ameaça para a sobrevivência no planeta, e não só destrói a natureza, destrói as formas tradicionais de vida, a cultura dos povos, e só busca acumular capitais submetendo, escravizando e explorando qualquer coisa que lhe permita seguir crescendo.

Nós que nos opomos e enfrentamos este sistema não somos pessoas violentas, ao contrário, somos pessoas conscientes que buscamos um futuro melhor para as gerações futuras e que aspiramos acima de tudo a justiça social. E é então quando de novo o Estado utiliza a violência, a repressão, o medo, a manipulação…. para acabar com a “dissidência”.

A violência nos vem imposta pelos que levam a ofensiva, que são o Capital e o Estado, mantenedores de todas as formas de opressão sobre o ser humano. O mais básico que nos prometem as constituições liberais é viver com dignidade e autonomia, livres de exploração, de maus tratos e de discriminação, em condições que tornem possível o livre desenvolvimento da personalidade e capacidade pessoal. Isto, que é o prioritário segundo suas próprias leis, é o primeiro que não cumprem. Desafiamos a quem quiser a que nomeie algum partido político, ou algum governo no mundo, que tenha cumprido com esta mínima condição da vida humana. Todos sem exceção a vulneram, porque vivemos em um sistema caduco, insustentável, tanto desde o ponto de vista humano como ambiental, e isto, nenhum governo vai mudar.

O 1º de Maio é uma jornada na qual se reivindicam as conquistas sociais graças a luta obreira, se comemora a luta que iniciaram em Chicago obreiras e obreiros como nós em favor da jornada laboral de 8 horas, e que também foram acusados de violentos, radicais e extremistas pelos mesmos que nos acusam hoje: meios de comunicação burgueses, políticos e empresários. Muitos foram presos, perseguidos, torturados e assassinados pela mesma polícia e o mesmo sistema judicial que nos persegue e nos prende hoje. É que a este sistema não lhe importa que métodos ou estratégias utilizemos para avançar em direitos e justiça social, nos reprimirá igualmente. Porque a paz social que querem nossos exploradores é a paz dos cemitérios: cemitérios cheios de crianças que nascem e morrem escravos trabalhando para as multinacionais, cheios de obreiros mortos nas minas, nas fábricas, ou nos campos, por acidentes, ou por extenuação, cheios de presos que o cárcere assassina de uma forma ou de outra, cheios de meninas e mulheres traficadas, violadas e maltratadas até o suicídio ou o assassinato, e de pessoas que morrem por sua condição sexual, ou sua cor de pele, cheios de vítimas das guerras, ou de catástrofes e de epidemias das quais o capitalismo é diretamente responsável… A manutenção da ordem social, a paz social, não significa sob sua perspectiva mais do que submeter-se às leis e aceitar as profundas desigualdades sociais e os crimes que estas vem a legitimar.

Este 1º de Maio pedimos a liberdade de todas as pessoas detidas e perseguidas por exercer seu direito a manifestação e à liberdade de expressão. Porque a repressão e a violência do Estado sempre a sofremos a classe obreira.

Por um 1º de Maio Anarquista e antirrepressivo.

Tradução > Sol de Abril

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na verde colina
bem mais que o fruto me apraz
a flor pequenina

Antônio Gonçalves Hudson

[Chile] Câmara dos deputados aprova lei de prisão perpétua para quem incendiar veículos de carabineros

Em meados do ano passado, Piñera assinou a lei Juan Barrios que endurece as penas para aqueles que atacam veículos motorizados em clara alusão aos ataques incendiários que afetam os caminhoneiros (florestais) na parte sul do país.

Sentenças que variam de 15 anos e um dia para todos aqueles que atacam um veículo com pessoas dentro e agora tem o fator agravante de prisão perpétua também para aqueles que queimam ou são acusados de atacar veículos de carabineros (policiais).

Amarrar o maior número possível de leis repressivas, proteger ao máximo a institucionalidade aproveitando a desinformação da população, é a intenção clara do período final do governo de Sebastian Piñera, assim se preparando para enfrentar futuros protestos populares que possam surgir.

Estas são as prioridades em tempos de doença e fome deste governo psicopata e criminoso.

#leyjuanbarrios #leyantibarricadas #renunciapiñera #acab #leyesrepresivas

Grupo de Propaganda Revolucionaria – La Ruptura

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tantos outonos
em uma paisagem
chuva nos pinheiros

Alice Ruiz

Lançamento: “Vivir la idea: cultura política anarquista en Costa Rica en la década de 1910”, de José Julián Llaguno Thomas

Sinopse

Este livro explora a configuração do anarquismo na Costa Rica, a partir da perspectiva dos sujeitos que expressam sua simpatia em relação à forma de filosofia social e prática política. E de como as propostas disputavam espaços com as políticas de intervenção do Estado e da Igreja na época do século XX, pois esses atores institucionais tinham suas próprias opções para os setores pobres de intelectuais, trabalhadores e artesãos.

Vivir la idea: cultura política anarquista en Costa Rica en la década de 1910

Autor: José Julián Llaguno Thomas

Páginas: 320

Tamano: 22 cm

Preço: ₡11,000.00

euna.una.ac.cr

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Da flor o orvalho
nas pétalas: tua face
depois que choraste.

Luiz Bacellar

A origem anarquista do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora

Poucas pessoas sabem, mas o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora é uma data de origem anarquista. Sua história possui três anos importantes: 1868, 1886 e 1889. Aqui iremos rapidamente explicar como eles se relacionam e criam essa data.

Em 1868, Mikhail Bakunin e outros revolucionários fundam a Aliança da Democracia Socialista, a primeira organização anarquista. Sua estratégia era fortalecer as organizações sindicais de trabalhadoras e trabalhadores para lutarem contra a exploração dos patrões – estão lançadas as bases para o que será chamado de Sindicalismo Revolucionário.

Em 1886, trabalhadores inspirados pelas ideias do anarquismo e do sindicalismo revolucionário, convocam uma grande GREVE GERAL em várias cidades dos Estados Unidos. Eles pediam a redução de jornada de trabalho para 8 horas diárias, e a data escolhida foi Primeiro de Maio. Na cidade de Chicago, o ato aconteceu sem grandes episódios de violência, mas as manifestações seguiram nos dias seguintes, sendo violentamente reprimidas pela polícia: mais de 100 pessoas perderam a vida. Oito trabalhadores anarquistas foram presos, acusados de liderarem as mobilizações – cinco deles foram condenados à morte.

Em 1889, por conta do episódio de Chicago, a Internacional Socialista passa a adotar o Primeiro de Maio como Dia Internacional da Classe Trabalhadora. Desde então, essa data é marcada por greves e manifestações do mundo todo, contra os governos e os patrões.

Não podemos permitir que suas origens sejam apagadas, transformadas em um simples feriado ou dia de festa. Sua história é socialista e anarquista, e é de luta contra o sistema capitalista!

Dica de leitura:

OASL: “O Anarquismo, o Massacre de Haymarket e os Mártires de Chicago”, 2013 – http://anarkismo.net/article/25449

Na imagem:

Na primeira linha, fotos de Albert Parsons (tipógrafo), Louis Lingg (carpinteiro), Adolph Fischer (tipógrafo), August Spies (tipógrafo) e George Engel (tipógrafo), os Mártires de Chicago, condenados à morte por enforcamento (Lingg se suicidou um dia antes da execução).
Na segunda linha, Michael Schwab (encadernador), Oscar Neebe (funileiro) e Samuel Fielden (operário têxtil), que ficaram presos, mas foram libertados em 1893, com o reconhecimento do Estado que eram inocentes.

anarquismosp.wordpress.com

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As flores na árvore
Esperam de branco
O fruto

Eugénia Tabosa

[Espanha] Concerto ao vivo 1º de Maio

Um ano mais, desde a CGT, organizamos um concerto com motivo do 1º de Maio, Dia Internacional da Classe Trabalhadora. A pandemia continua entre nós, limitando muitas ações e eventos que até a muito pouco tempo desfrutávamos nas ruas e praças de nossos povoados e cidades.

Optamos por comemorar o Primeiro de Maio com nosso já tradicional concerto. Nesta ocasião desfrutaremos das canções de Alicia Ramos e Reincidentes. Será o 1º de Maio, a partir das 17h00, e através da web de Rojo y Negro TV, a televisão da CGT.

Os esperamos a todas.

Viva o 1º de Maio! Viva a luta da Classe Obreira!

cgt.org.es

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o dia abre a mão
três nuvens
e estas poucas palavras

Octavio Paz

Manifesto unificado do 1º de Maio: construir a Greve Geral. Abaixo o governo militar/genocida de Bolsonaro!

O governo de Bolsonaro, Mourão, Paulo Guedes e dos generais a serviço dos capitalistas, latifundiários e banqueiros é o grande responsável pela tragédia que vive o povo pobre e trabalhador brasileiro. O avanço da fome e da situação miséria que já atinge mais da metade da população, o aumento do custo de vida e o maior nível de desemprego da história se somam as milhares de mortes diárias por Covid-19. Com cerca de 400 mil mortes subnotificadas, nossa tragédia real pode ser até 4 vezes maior, com o país se tornando o centro mundial da pandemia.

Em ônibus e metrôs lotados, trabalhos precários e subempregos nosso povo caminha para a morte todos os dias. Entre passar fome ou ser contaminados pela Covid-19, escolhemos lutar pela vida e contra o genocídio. Lutar e vencer os governos e patrões genocidas, para vingar nossos mortos e honrar a memória das milhares de vidas perdidas.

O auxílio emergencial miserável é um escárnio com o trabalhador brasileiro. O aumento nos preços dos alimentos, itens básicos e combustíveis é insuportável. No mesmo país que ganhou 11 novos bilionários durante a pandemia e os ricos furam a fila da vacina, falta oxigênio, medicamentos e vagas nos hospitais para os pobres. A contaminação e as variantes da doença se espalham pelo país. Enquanto isso, as direções das centrais sindicais e dos partidos eleitorais seguem de forma covarde e oportunista se negando a lutar contra o governo militar e genocida de Bolsonaro, interessados apenas nas eleições de 2022.

Para reverter esse quadro e defender nossas vidas é necessário construir desde agora a Greve Geral e organizar a rebelião do povo pobre e trabalhador brasileiro, para: 1) Derrotar nas ruas o governo Bolsonaro/Mourão, os militares e o Congresso Nacional corrupto; 2) Garantir a vacinação imediata de toda a população e medidas sanitárias até a imunização completa contra a Covid-19 no país; 3) Conquistar uma renda básica digna no valor de um salário-mínimo para todos os trabalhadores e famílias pobres, exigir um amplo programa contra a fome, o controle e a fixação dos preços dos alimentos e dos combustíveis, a suspensão das contas de aluguel, energia e água, e; 4) Parar o genocídio do povo negro e pobre nas favelas e periferias, os ataques aos povos indígenas e ao meio ambiente, os despejos e a violência contra os acampamentos e assentamentos camponeses e as ocupações sem-teto.

A Campanha pela Greve Geral é uma articulação nacional que reúne diversas organizações populares, movimentos combativos e coletivos independentes no país, para organizar a ação direta e a mobilização popular permanente com greves, ocupações, barricadas, ocupações, lutas combativas e unidade popular. Nesse 1º de Maio, data histórica de luta de nossa classe e memória dos mártires operários, convocamos os trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, a juventude combativa, os desempregados, as organizações indígenas, o povo negro, as associações de favelas e periferias e todos os lutadores e lutadoras do povo para construir a Greve Geral pela base e organizar a rebelião popular em defesa das nossas vidas e contra o genocídio promovido por esse governo fascista e pelos capitalistas.

CAMPANHA NACIONAL PELA GREVE GERAL

Alternativa Popular – PR ∙ Casa da Resistência – FOB-BA ∙ Coletivo Baixada Anarquista – RJ ∙ Coletivo Carranca – FOB-BA ∙ Coletivo José Oiticica – ES ∙ Coletivo Lima Barreto – FOB-RN ∙ Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil (FOB) ∙ Frente Internacionalista dos Sem Teto (FIST) ∙ Kasa Invisível – MG ∙ Movimento Autônomo Popular (MAP) ∙ Núcleo FOB-PI ∙ Núcleo FOB-MS ∙ Núcleo FOB-SP ∙ Rede Autônoma de Luta pela Educação (RALE) ∙ Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC-FOB) ∙ Sindicato Independente de Trabalhadores/as (SIT) ∙ Sindicato Geral Autônomo do Ceará – FOB (SIGA-CE) ∙ Sindicato Geral Autônomo do Distrito Federal e Entorno – FOB (SIGA-DFE) ∙ Sindicato Geral Autônomo do Rio de Janeiro – FOB (SIGA-RJ) ∙ Sindicato Geral Autônomo de Santa Catarina – FOB (SIGA-SC) ∙ Tendência Autônoma Feminista (TAF)

lutafob.org

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O vento é o tempo:
sopra varre levanta lambe
desfaz o que foi feito.

Thiago de Mello

[Chile] Quarto informe de saúde: 36 dias de greve de fome

Desde 22 de março, xs companheirxs subversivxs e anarquistas Mónica Caballero, Francisco Solar, Joaquín García, Juan Flores, Marcelo Villarroel e Pablo Bahamondes permanecem em greve de fome em 3 prisões diferentes.

Pessoal da equipe médica fez distintas visitas às prisões onde xs companheirxs estão sequestradxs, realizando uma entrevista e um relatório sobre sua situação médica, carcerária e sobre os motivos da mobilização.

Quanto à situação médica, os malestares físicos dxs grevistas têm aumentado, com uma perda média de aproximadamente 11 kg.

Hoje, 26 de abril, há 36 dias de greve de fome, a situação dxs compas é:

– Cárcere de San Miguel
Mónica Caballero: perda de aprox. 8,5 kg.

– Seção de Segurança Máxima:
Francisco Solar: perda de aprox. 11 kg.

– Prisão de Alta Segurança:
Marcelo Villaroel: perda de aprox. 10 kg.
Joaquín García: perda de aprox. 12 kg.
Juan Flores: perda de aprox. 11,5 kg.

– Cárcere Santiago 1
Pablo Bahamondes: perda de aprox. 14 kg.

SOLIDARIEDADE COM XS COMPANHEIRXS EM GREVE DE FOME!

PELA REVOGAÇÃO DAS ÚLTIMAS MODIFICAÇÕES NO DECRETO DE LEI 321, QUE IMPOSSIBILITA A “LIBERDADE CONDICIONAL”.

LIBERDADE PARA MARCELO VILLAROEL!

26 de abril de 2021
Dia 36 da greve de fome.
Território dominado pelo Estado Chileno.

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2021/04/27/quarto-informe-de-saude-36-dias-de-greve-de-fome/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/24/chile-segundo-comunicado-publico-32-dias-de-greve-de-fome/

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Sombra de árvore –
Até mesmo a companhia de uma borboleta
É karma de uma vida anterior.

Issa

[Itália] Primeiro de Maio Anarquista em Turim

Dia de greve e luta: Bloco Vermelho e Negro no desfile de 1º de Maio. Reunião às 9 horas da manhã na Piazza Vittorio Veneto. No final da manifestação nos encontramos no Parque Dora para um momento de convivência livre, com intervenções e almoço em benefício das lutas sociais.

“Um mundo sem patrões, sem exércitos, sem governos, sem fronteiras é possível. Depende de cada um de nós para torná-lo verdadeiro, depende de nós para fazer com que os patrões tenham medo novamente. Não devemos esperar nada de governantes e burocratas inescrupulosos, somente através da auto-organização e da luta podemos viver melhor. Saúde e justiça social andam de mãos dadas”!

Federação Anarquista de Turim

Corso Palermo 46 – Reuniões todas as quartas-feiras às 17h30

FB: https://www.facebook.com/events/308856387456420/

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Ao longo da estrada:
“A próxima descida trará
Mais quaresmeiras em flor!”

Paulo Franchetti

Live | Edgard Leuenroth: um anarquista da publicação e da memória

Episódio 2: Edgard Leuenroth: um anarquista da publicação e da memória

Domingo, dia 2 de maio, às 16h, vamos conversar sobre Edgard Leuenroth e a sua atuação como anarquista, publicador e arquivista. Christina Lopretato e Lúcia Parra são nossas convidadas, a mediação é de Aline Ludmila.

A história da imprensa operária do século XX e a história da tipografia em São Paulo têm Edgard Leuenroth como uma pessoa expressiva e presente. Ele é o tema do segundo episódio do projeto Já existiam publicações antes do mercado. Edgard nasceu em 1881 e a sua militância sempre foi atravessada pela publicação e pela memória do próprio movimento anarquista. Ele atuou como jornalista, editor, tipógrafo, escritor e arquivista.

O nome de Edgard é sempre lembrado quando o assunto é a Greve Geral de 1917. O jornal que criou – A Plebe – no seu primeiro ano de existência foi um dos mais importantes instrumentos da Greve Geral que paralisou a cidade de São Paulo. A edição de 21 de julho de 1917 é particularmente especial, ela traz a memória da greve com uma escrita contundente e o uso da fotografia para dizer: aconteceu, assim foi a greve geral. Edgard conhecia São Paulo como ninguém, sabia onde estava cada Liga Operária e cada fábrica. Sua escrita mesclava o vivido com sua vasta leitura do ideário anarquista.

Edgard esteve em várias fases do movimento anarquista, contribuiu para o processo de criação do Centro de Cultura Social, e até o final de sua vida escreveu e publicou. Seu arquivo que ficava no porão de sua casa era um lugar de recepção de publicações, opúsculos e livros; Edgard era o guardião, o arquivista de um processo coletivo, jamais um protagonista individual. O arquivo após sua morte foi vendido pela família para a Unicamp e muitas das pesquisas sobre o anarquismo existentes naquela universidade acontecem porque houve um porão e um método de arquivar anarquista. A coleção Edgard Leuenroth, que é o embrião do AEL (Arquivo Edgard Leuenroth), tem livros da Maria Lacerda de Moura, os periódicos Nuestra Tribuna e Nosso Jornal – publicações que são fontes da pesquisa da Tenda de Livros há muitos anos.

O legado de Edgard Leuenroth se entrelaça à história social e política brasileira. Ele escrevia com a mesma paixão pela qual editava e compunha em tipografia ou em sua máquina de escrever, fazendo-nos pensar sobre a importância dessas atividades para a cultura visual e sobre o que significa produzir um impresso. Edgard nos provoca a refletir: já existiam publicações antes do mercado e existem publicações que vão muito além do mercado e são essas que nos interessam.

Venha conhecer mais sobre esse anarquista e a sua importância como publicador.

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Episódio 2.:  Edgard Leuenroth: um anarquista da publicação e da memória

Dia 02.05, às 16h

Apresentação: Aline Ludmila

Debatedores: Christina Lopreato e Lucia Parra.

Roteiro: Aline Ludmila e Fernanda Grigolin

Arte e streaming: Caio César Paraguassu

Edição de Vídeos: Fernanda Grigolin

Chat ao vivo: Daniela Origuella.

Fontes consultadas: Arquivo 17, Aquela Mulher, Jornal de Borda e Ael/IFCH – Unicamp

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/15/live-ja-existiam-publicacoes-antes-do-mercado/

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O céu, que é perfeito,
andou jogando em seus olhos
o dom do infinito.

Humberto del Maestro

[Espanha] A CGT transladará seus atos centrais pelo 1º de Maio a Ceuta

A organização anarcossindicalista reivindica uma divisão mais igualitária da riqueza para que todo mundo possa viver com dignidade

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) anunciou que por causa do 1º de Maio, este ano centrará seus atos na cidade autônoma de Ceuta, onde compartilhará ações junto a outras organizações e coletivos sociais.

A CGT entende que o ano que se está deixando para trás, marcado pela pandemia do Covid-19 que tão nefastas consequências trouxe para os coletivos sociais mais empobrecidos e vulneráveis de nossa sociedade, foi determinante para compreender a situação na qual a classe trabalhadora está instalada há muitos anos. Neste sentido, a CGT assinala que o empobrecimento de milhões de trabalhadores e trabalhadoras, através do corte sistemático de seus direitos laborais e sociais, as demissões, a perseguição sindical e o marco jurídico atual, – idealizado e bem alicerçado para reprimir qualquer tipo de protesto –, é já uma realidade inquestionável.

Os anarcossindicalistas voltam a recordar um 1º de Maio mais que a única alternativa que resta às pessoas de classe trabalhadora é a organização, a solidariedade e o apoio mútuo na luta de cada dia. Para isso, dizem desde a CGT, é imprescindível recuperar as ruas, agora mais do que nunca após esta parada que significaram as medidas sanitárias anticovid durante os piores meses da pandemia.

A CGT realiza um chamado para recuperar as ruas e para recuperar a motivação para conseguir romper com este preocupante clima desmobilizador de quem já não deve ter medo a perder nada mais, porque se algo se constatou durante o último ano é que as desigualdades entre ricos e pobres são cada vez maiores.

A CGT chama a participar em todos os atos e ações convocados nos povoados e cidades do Estado espanhol para este 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalho, tendo presente que a luta deve ser constante e sendo conscientes de que nada nem ninguém vai devolver à classe trabalhadora os direitos que lhe foram arrebatados nos últimos anos.

Gabinete de imprensa do Comitê Confederal da CGT

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/14/espanha-1o-de-maio-2021-trabalhar-menos-para-trabalhar-todas/

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um gatinho
um pulo
a borboleta!

Rogério Martins

[Espanha] Lançamento: “La guerra invisible. Moros, afroamericanos y gitanos en la Guerra Civil (1936-1939)”, de Francesc Tur Balaguer

A Guerra Civil Espanhola constituiu — e segue constituindo — uma fonte inesgotável de interesse para os investigadores, os historiadores ou os apaixonados pela história em geral em todo o mundo ocidental desde há quase um século. No caso da Guerra Civil Espanhola, se falou muito das Brigadas Internacionais e da intervenção das potências fascistas da época. É menos conhecido, no entanto, o papel que jogaram os mouros a serviço do Caudilho; ou os afro-americanos que combateram em terras hispânicas pela República. E menos conhecido ainda até há relativamente pouco tempo o papel que jogaram os ciganos na contenda. Uma guerra que teve como saldo a vitória de Franco e que obrigou centenas de milhares de pessoas a exilar-se. O triste é que, inclusive no tratamento dos exilados, há os que se falaram muito (os que cruzaram a fronteira francesa) e outros (os que se refugiaram na África) cujas vivências permaneceram na obscuridade até não muitos anos. Este livro pretende ser, pois, uma modesta contribuição para trazer à luz o sacrifício e o sofrimento de tantas pessoas que foram relegadas ao esquecimento.

La guerra invisible. Moros, afroamericanos y gitanos en la Guerra Civil (1936-1939) – Francesc Tur Balaguer

Collecció Colossus, n. 15, 13×18 cm, 151 p., 2020.

ISBN 978-84-122107-7-4

€8.00

calumnia-edicions.net

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/16/espanha-de-mississipi-a-madri-os-brigadistas-negros-que-lutaram-contra-franco/

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Por entre a neblina
Subindo a Serra Vernal
Bisbilhota a Lua.

Mary Leiko Fukai Terada

[Espanha] Ciclo “História do Anarco-sindicalismo no Estado espanhol”

Desde a Secretaria de Formação gostaríamos de convidá-lo a participar deste ciclo de formação sobre a História do Anarco-sindicalismo no Estado espanhol. Saber quem fomos é transcendental para saber quem somos e quais são nossos sinais de identidade. Nossa luta de hoje deve ser alimentada por esse esforço e sacrifício.

Este mês de abril temos a primeira sessão do ciclo, que terá mais duas sessões nos meses de junho e outubro. Nós o animamos a se inscrever.

QUINTA-FEIRA 29 DE ABRIL

CICLO “HISTÓRIA DO ANARCO-SINDICALISMO NO ESTADO ESPANHOL”.

1ª Sessão: Fim do século XIX à Guerra Civil.

Das 17h00 às 19h00, por José Luís Gutiérrez. Historiador.

Link de inscrição:

Não esqueça que para se inscrever você tem que preencher o formulário no seguinte link:

https://us02web.zoom.us/webinar/register/WN_svxmHKXGRbeh12erk4XHpw

Uma vez feito isso, você receberá um e-mail da aplicação Zoom confirmando sua inscrição para a conferência com o link para a sessão.

Você também receberá outro e-mail da aplicação no dia anterior, bem como uma hora antes do curso.

Para qualquer dúvida, você pode entrar em contato conosco pelo e-mail da Secretaria de Formação: sp-formacion@cgt.org.es

Saudações libertárias.

cgt.org.es

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Procurando pouso
Na rua movimentada,
Borboleta aflita

Edson Kenji Iura

[Espanha] ‘Las Marías’: a cor é política na ditadura cinza

As duas irmãs Fandiño, que sofreram represálias pela Guerra Civil, desafiavam a cada tarde uma sociedade opressora vestidas com suas melhores roupas. Um livro e uma obra de teatro reivindicam a sua valentia.

Por Rocío García | 21/04/2021

Dava as duas da tarde em ponto e as duas irmãs se jogavam nas ruas de Santiago de Compostella. Nunca sem se maquiar, com as bocas bem pintadas de vermelho e vestidas com cores alegres. Sempre de salto alto. Era seu grito rebelde e valente pela dignidade que a Guerra Civil lhes tinha arrebatado. Maruja e Coralia Fandiño, sofreram represálias pela ditadura por ser irmãs de três dirigentes da anarquista Confederação Nacional do Trabalho (CNT) durante o conflito, são um dos exemplos dos danos colaterais dessa luta fratricida, que foi deixando no caminho tantos inocentes.

Uma obra de teatro e um livro reivindicam hoje a trágica vida destas duas costureiras, conhecidas como Las Marías. A diretora do Teatro Espanhol, Natalia Menéndez, dirige Las dos en punto (As duas em ponto), obra que estreia amanhã (22/04/2021) nas Naves del Matadero (Madri), baseada no livro de Esther Carrodeguas, escrito em galego, que em 2015 ganhou o prêmio Abrente de Textos Teatrais, em Rivadávia. A estreia coincide com a publicação do livro em castelhano por Invasoras, com o mesmo título.

As atrizes Mona Martínez e Carmen Barrantes dão vida a estas duas mulheres, sobre um palco giratório por onde caminham incansáveis, muito juntas e sempre com um guarda-chuva colorido no braço. A obra, dividida em três atos, viaja ao longo de 30 anos, que vão desde os cinquenta até os oitenta do século passado.

Peculiares, insolentes e rebeldes, as duas irmãs se negaram a ser esquecidas ou apagadas do mapa por uma cidade cinza, que no pós-guerra lhes deu as costas e as deixou na miséria. Caminhavam a cada dia por essas ruas molhadas e tristes, orgulhosas e desafiadoras, mostrando seus desejos, sua vontade de viver, e também seus medos. “Foram zombadas, violentadas, insultadas, silenciadas, foram vermelhas, foram putas, foram nada”, assegura Esther Carrodeguas (Rianxo, 1979), que se empenhou em buscar a verdade do que escondiam as coloridas e alegres estátuas instaladas na Alameda, hoje convertidas em uma das atrações turísticas de Santiago de Compostella. E o que encontrou foi duas mulheres, Maruja (1898-1980) e Coralia (1914-1983) — uma terceira, Sarita, morreu no início da guerra – filhas de uma família operária, o pai sapateiro e a mãe costureira, e que a guerra quebrou em mil pedaços. Sem trabalho nem renda, foram vítimas da fome e do esquecimento por parte da sociedade e das instituições.

Natalia Menéndez encontrou neste texto a desculpa perfeita para se indagar sobre algo que a obsessiona há tempos, como são os danos colaterais às vítimas inocentes das guerras. “É algo que me corta o coração e me invade uma tremenda tristeza. Las dos em punto reflete bem o que levo tempos querendo tratar. São os resultados dos danos provocados nas guerras a inocentes civis, que parece que não contam. É uma maneira de devolver a dignidade a todas estas pessoas esquecidas”, reflete Menéndez.

É verdade que grande parte da cidade de Santiago de Compostella mostrou um enorme desprezo por estas duas mulheres, reprimidas por uma educação patriarcal, que sonhavam em conhecer o mar e que se apaixonavam a cada momento, mas houve outra, adverte Carrodeguas, que as ajudou em silêncio. “Lhes deixavam comida, dinheiro e inclusive batom nas lojas por onde elas passavam diariamente”, diz a autora, para quem a obra que estreia no Matadero supõe um grito que transcende o caso destas duas irmãs anônimas.

“Nunca fizeram luto. Nunca se deixaram dobrar pela cor cinza. Encontraram a maneira de se vestir como ninguém se vestia até então, fazendo o que ninguém se atrevia. Sua vitória foi esse passeio diário cheio de colorido. Sempre lutei contra a ideia de que esta é uma história local. Las dos en punto é uma história universal sobre a violência social, econômica e institucional. É uma obra sobre a dignidade e o medo da liberdade, aqui e em todo mundo”, adiciona uma emocionada Carrodeguas.

Fonte: https://elpais.com/cultura/2021-04-21/las-marias-el-color-es-politica-en-la-gris-dictadura.html?utm_source=Twitter&ssm=TW_CM_CUL#Echobox=1618988068

Tradução > Caninana

agência de notícias anarquistas-ana

Borboletas
E aves agitam voos:
Nuvens de flores.

Bashô