[Espanha] Lançamento: “História da FAI. O anarquismo organizado”, de Julián Vadillo Muñoz

Um exaustivo percurso pela história da FAI, desde seus antecedentes e suas origens até a época da Segunda República e a Guerra Civil.

A Federação Anarquista Ibérica foi fundada em 1927 como uma confluência de grupos anarquistas portugueses e espanhóis (alguns deles no exílio), constituindo a principal organização específica do anarquismo na península ibérica. Desde seu início esteve ligada à CNT e aos movimentos obreiros e sindicais, nos quais desempenhou um papel fundamental. Neste livro Julián Vadillo realiza um exaustivo percurso pela história da FAI, desde seus antecedentes e suas origens durante a ditadura de Primo de Rivera até a época da Segunda República e a Guerra Civil, destacando a influência que tiveram em sua fundação, acontecimentos como a Primeira Guerra Mundial ou a Revolução russa, assim como a importância dos numerosos debates ideológicos e congressos organizados por grupos anarquistas desde princípios do século. Se analisam também em detalhe a repercussão que tiveram publicações como Tierra y Libertad ou Solidaridad Obrera, destinadas a promulgar o pensamento anarquista.

Historia de la FAI

Julián Vadillo Muñoz

Prólogo de Juan Pablo Calero

Los Libros de la Catarata, Colección Mayor, 825. Madrid 2021

256 págs. Rústica 22×14 cm

ISBN 9788413520049

18,00 €

catarata.org

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/07/02/espanha-lancamento-historia-del-anarquismo-en-rusia-de-julian-vadillo-munoz/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/02/20/espanha-lancamento-historia-da-cnt-utopia-pragmatismo-e-revolucao-de-julian-vadillo-munoz/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/03/01/espanha-lancamento-por-el-pan-la-tierra-y-la-libertad-el-anarquismo-en-la-revolucion-rusa-de-julian-vadillo-munoz/

agência de notícias anarquistas-ana

meus dedos-olhos
desvendam sem pressa
doces mistérios

Eugénia Tabosa

[França] Chamado à solidariedade internacional contra a destruição dos Jardins Operários

Os anos que antecederam os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro foram cercados de muitas expectativas. Por um lado haviam aqueles que sonhavam com a projeção do Brasil como uma nova potência, capaz de grandes feitos, como a realização do inédito evento no Brasil, por outro, uma parcela da sociedade sabia que os custos sociais, políticos, ambientais e econômicos de tal evento cairiam sobre a sociedade, em especial sobre os mais explorados: pobres, imigrantes, mulheres.

Como uma cartilha macabra – aplicada incessantemente a favor das grandes construtoras, governos e bancos investidores – os Jogos Olímpicos seguem deixando seu rastro de sangue e destruição por todos os territórios que passam. E a realidade para os Jogos Olímpicos de Paris 2024 não é diferente.

Como relatado na série de reportagens sonoras, intitulada Jardins da Comuna¹, o município de Aubervilliers, o segundo mais pobre da França que conta com uma enorme população de imigrantes, está enfrentando um intenso processo de especulação imobiliária e destruição das áreas comuns, em especial dos Jardins Operários, território fundamental para a garantia da soberania alimentar desta população em condição de vulnerabilidade extrema.

Para tentar conter a destruição deste território, no próximo sábado, dia 17 de abril, haverá uma série de manifestações em defesa dos Jardins.

Como toda luta social, quanto mais pressão e quanto maior a solidariedade internacional, maior a chance de vitória.

Neste sentido, convidamos todas as pessoas solidárias à luta a produzir uma imagem (foto | desenho) com mensagens em apoio as jardineiras e jardineiros de Aubervilliers e as árvores que já estão sendo arrancadas dos jardins (ex. msg.: Ipê amarelo (árvore da sua região) em solidariedade as cerejeiras /  alperces dos Jardins de Aubervielliers), para que estas mensagens possam ser impressas e levadas para as ruas de Paris no sábado (17) para integrar a manifestação.

As imagens podem ser enviadas por email (bibliotecaterralivre@gmail.com) ou postadas no Instagram marcando a @bibliotecaterralivre e @papacapim_sandra e utilizando a hashtag #JO2024

Outra forma de apoiar é assinando a petição: https://www.change.org/p/mairie-d-aubervilliers-jo2024-sauvons-les-jardins-des-vertus

Para escutar os episódios do Jardins da Comuna acesse: https://bibliotecaterralivre.noblogs.org/jardins-da-comuna/

Solidariedade é mais do que uma palavra!

Biblioteca Terra Livre
bibliotecaterralivre.noblogs.org

[1] https://bibliotecaterralivre.noblogs.org/jardins-da-comuna/

agência de notícias anarquistas-ana

Saltando da mesa
a tulipa
foi passear

Eugénia Tabosa

[França] Antifascistas realizam protesto em Paris

Antifascistas tomaram as ruas de Paris neste sábado (10/04) para protestar contra os movimentos de extrema-direita no país, após a recente decisão das autoridades francesas de dissolver o grupo ultranacionalista Génération Identitaire (Geração Identitária).

A marcha unitária começou no início da tarde perto do centro da capital francesa, com gritos de ordem contra o extremismo e forte presença de jovens.

De acordo com a imprensa local, mais de 1.000 pessoas participaram do ato, acompanhadas de perto por um grande número de membros das forças de segurança parisienses.

Organizadores do evento afirmam que, apesar da dissolução da Geração Identitária, sua luta ainda não acabou, já que outros grupos racistas e de extrema-direita continuam atuando no país.

#RiposteAntifasciste #DéfendsTaClasse #ParisAntifasciste #StopExtremeDroite #Antiracisme #Solidarité #Feminisme

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/23/franca-o-estado-dissolve-a-generation-identitaire-propagando-suas-ideias/

agência de notícias anarquistas-ana

Lua de outono –
Passei a noite toda
Andando ao redor do lago.

Bashô

[Chile] Lançamento do livro solidário “1312 palabras por lxs presxs”

Gostaríamos de cumprimentá-los e convidá-los para o lançamento virtual desta compilação de solidariedades escritas e visuais, fruto de uma chamada aberta que foi desenvolvida no ano passado.

Este livro irá beneficiar diretamente xs presxs políticxs da revolta!

Desde já solicitamos a difusão da atividade que será transmitida em todas as nossas redes sociais (facebook, instagram e youtube).

Liberdade já!

Cooperativa La Mocha

cooperativalamocha.wordpress.com

agência de notícias anarquistas-ana

O lago escurece –
Os gritos dos patos
Levemente brancos.

Bashô

[Chile] Convocatória | Primeiro Congresso Internacional de Docências Anarquistas

Serão recebidas apresentações, oficinas ou propostas sobre os seguintes eixos:

 – A prática docente desde a perspectiva anarquista;

– Teoria e prática desde os contextos locais;

– Projetos libertários atuais e seu impacto na educação;

– Didática e lúdica ácrata, dúvidas, propostas e experiências atuais;

– Referenciais teóricos-práticos de didática pedagógica universal;

– A assembleia como discussão e criação nos diferentes níveis, grupos e idades de aprendizagem;

– Apropriação dos elementos escolares à escolaridade ácrata;

– Crítica às estruturas escolares tradicionais;

– Ética libertária e pedagogia;

– Docência e pandemia.

Contato (mais infos): daniibenv@gmail.com

Data limite para receber propostas: 1º de maio.

Data do Congresso: 14 e 15 de maio.

Coletivo Esporádico de Docentes Dissidentes

agência de notícias anarquistas-ana

raios!
alguém rasgou
o terno azul da tarde

Alonso Alvarez

“Ajuda mútua Não caridade nas Filipinas, março de 2021” | Apoiando motociclistas de triciclo e operadores

Já se passou um ano; o povo ainda está com dificuldades econômicas, especialmente a comunidade marginalizada. O governo não tem um plano claro nem apoio para aqueles que estão passando necessidades.

Estamos vivendo novamente lockdown nas áreas de Metrô Manila, Bulacan, Rizal, Laguna e Cavite. Todas as municipalidades implementaram toque de recolher das 18 horas até 5 da manhã, pontos de blitz da polícia uniformizada estão por toda parte e todos que violem determinados protocolos e regulamentações serão penalizados. É a mesma resposta que deram ano passado, para reforçar a segurança e para controlar o movimento das pessoas, sem preparação para lidar com uma crise de saúde e para ajudar as massas de desempregados.

Novamente, igual ao ano passado, muitas pessoas perderam seus empregos, com dificuldades para levar comida às suas mesas e financeiramente falidos. De acordo com a Autoridade de Estatísticas das Filipinas (PSA) há 4 milhões de desempregados e o número aumenta por causa do lockdown rigoroso. A população geral está com dificuldades desde ano passado e um dos setores fortemente atingidos pela crise é o transporte. A maioria dos Jeepney de utilidade pública não estão operacionais, o governo pressiona por modernização e força-os a converter para jeep elétrico (E-jeep). Motoristas e operadores de Jeepney não estão preparados para converter as unidades pois não tem poupanças nem dinheiro suficiente.O governo pressiona por este programa de modernização mas não apoia os motoristas e operadores. A maioria deles acabam mendigando até hoje.

Motociclistas de triciclos também são afetados pela pandemia. Embora alguns deles ainda tenham emprego, o problema é que ainda tem poucos passageiros, e a renda não é suficiente. Outras municipalidades decidiram implementar um regime em que cada unidade de triciclo operasse só três vezes por semana e não todo dia.

Nesse ano todo de desespero, todos deveríamos cuidar um do outro. Ajuda mútua e solidariedade social deveria ser promovida. Apoiar uns aos outros é a forma de sobreviver a esta pandemia.

Nós já sabemos que em tempos de crise o governo é incompetente, corrupto e eles verdadeiramente não se importam. Ainda bem que tem pessoas por aí nos ajudando de alguma forma, 2 quilos de arroz já é bom por dois dias. Então, nós os distribuímos a Buting-Sto. Rosario Pateros Tricycle Operator and Drivers Association, cerca de 30 motoristas se beneficiaram com isto.

Fonte: https://etnikobandidoinfoshop.wordpress.com/2021/04/06/mutual-aid-in-the-philippines-march-2021-supporting-tricycle-drivers-and-operators/

Tradução > Diego Severo

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/19/filipinas-acao-de-apoio-mutuo-para-combater-a-pandemia-do-covid-19/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/04/04/presidente-das-filipinas-manda-matar-quem-descumprir-regras-de-confinamento-por-coronavirus/

agência de notícias anarquistas-ana

lâmpada queimada
onde está a luz
que ali brilhava

Alexandre Brito

[Chile] Memória Negra – 16 de Abril de 2015

16 de abril de 2015, 5 jovens foram assassinados em Santiago de Chile pelos defensores do capital, do negócio, da propriedade privada, para, posteriormente, serem destruídos pela imprensa.

Por que não estão conosco?

Pois bem, porque: “gerou-se uma avalanche”, entraram em massa em um som em uma propriedade privada, onde o produtor que fazia a guarda, mandou atacar a multidão com bastões, água e armas elétricas.

MAIS DE 6 ANOS APÓS ESSE MASSACRE, OS RESPONSÁVEIS CONTINUAM SE VITIMIZANDO E DESMENTINDO A VIOLÊNCIA BRUTAL E PREMEDITADA COM A QUAL ATUARAM.

NOS LEVANTAMOS COM A FERIDA AINDA ABERTA E NOS POSICIONAMOS CONTRA A BESTIALIDADE DESSES ASSASSINATOS CAUSADOS PELA COMERCIALIZAÇÃO DA MÚSICA PUNK QUE ESSA NOITE ESCURA RELEVOU O MALDITO DINHEIRO SOBRE A VIDA DE NOSSOS FILHOS.

Ninguém esperava que uma arremetida como as de costume na porta terminaria com 5 mortos e mais de uma dúzia de feridxs.

Em memória de Ignacio, Daniel, Gastón, Fabián y Robert…

A banda Doom se apresentava no Chile em um som realizado por um conhecido personagem do mundo skinhead, na época sócio e empresário de uma famosa banda punk rock local (Fiskales AdHok).

Este empresário da música, ligado à barras de futebol, realizou seu espetáculo comercial com sua equipe de guardas permanentes de brutamontes ávidos por usar práticas policiais.

Quando se desatou uma avalanche, ávida por não passar pelos guardas, a sede de ser autoridade foi revelando o pior das pessoas que estavam na organização do som. Com bastões e cassetetes, aquelxs que corriam escada abaixo para alcançar às portas de acesso foram espancadxs através de uma grade, depois foram molhados e eletrocutadxs com eletrochoque, produzindo desmaios e paralisia quase como uma reação em cadeia.

Umx a umx foram caindo, esmagando-se enquanto recebiam golpes de corrente conduzidos pela água. Umx a umx foram desmaiando, todos devorados na maré humana presxs numa escada eletrificada.

No final do dia, quatro garotos morreram essa noite e mais um com o passar dos dias. Cinco vidas que poderiam ser de qualquer pessoa próxima, porque a morte era uma chance nas mãos dos mafiosos da organização de um som punk.

Escrevemos estas palavras pensando nos garotos que encontraram a morte em um incidente que evidencia o cidadão-policial, ávido por usar a violência para defender e perpetuar tanto seu papel de autoridade como seus interesses econômicos.

Também estamos indignados com a reação da banda, que em diferentes declarações mostrou seu apoio ao empresário chileno como se fosse um caído em desgraça. Entre empresários, as costas e os bolsos estão sempre cuidados. Num ato irônico, a banda comprometeu recursos para as famílias dos falecidos, fundos que em primeira instância chegariam às mãos do mesmo sujeito que organizou o som, mas depois por meio de uma representante ofereceram uma contribuição monetária com a condição de não apresentar acusações judiciais contra o produtor do evento.

Não pretendemos difamar ou criar conflitos, apenas queremos que se saiba a verdade sobre esta terrível tragédia que ceifou 5 vidas e destroçou os corações de 5 famílias. Ficamos com as lembranças, o abraço de pele viva e o carinho imenso que eles nos deixaram, há nossos esforços para não calar, para não ceder, para não esquecer, em cada dia, em cada liturgia com velas, em cada sonho de liberdade estão as 5 vítimas do “16A”.

Não esqueceremos os mortos no som do Doom, nossa única justiça será a Memória Viva, Memória Ativa, Memória Negra.

NEM ESQUECIMENTO,

NEM SILÊNCIO,

NEM IMPUNIDADE

PELOS MORTOS NO SOM DO DOOM.

agência de notícias anarquistas-ana

gota na água
faz um furinho como
prego na tábua

Carlos Seabra

Live | Já existiam publicações antes do mercado

EPISÓDIO 01: CULTURA VISUAL E PUBLICAÇÕES NA PRIMEIRA REPÚBLICA

Domingo, dia 18 de abril, às 16h, é a primeira de uma série de três Lives do projeto Já existiam publicações antes do Mercado.  Vamos conversar sobre Cultura visual e publicações na Primeira República.  Fernanda Grigolin, Joaquim Marçal de Andrade e José Muniz Jr. conversam com Daniella Origuela.

Já existiam Publicações antes do mercado

Será que realmente apenas nos anos 1920, o Brasil passa a ter produção e distribuição de livros e publicações?  Contar a história do livro a partir de uma data não seria uma vontade institucional de criar um marco para o mercado cujo vínculo é estabelecido junto a um único grupo social?  O projeto Já existiam publicações antes do mercado é uma série de 3 lives que tem como objetivo olhar coletivamente para  os processos de produção, edição e circulação de livros e publicações.

Há algumas décadas pesquisas têm sido feitas sobre mulheres publicadoras, como Maria Firmina dos Reis e Maria Lacerda de Moura, por exemplo. Mulheres que publicaram antes de existirem no mercado e no caso de Maria Firmina antes de existir República.

Na Primeira República, as pessoas anarquistas também tinham atividades essenciais para a cultura visual, para a circulação de opúsculos e jornais, eram publicadores que pensavam seu tempo e praticavam a escrita, como Edgard Leuenroth e Maria A.Soares. Promoviam ações nas quais o livro era um intermediador de processos educativos, culturais e arquivísticos.

Pequenas e médias tipografias eram os lugares gráficos na Primeira República. De lá saíram jornais, opúsculos e livros que eram produzidos por ações coletivas. Esses publicadores artesãos não seriam pessoas que deveríamos retomar para entender o que é fazer um impresso?

Episódio 1: Cultura visual e publicações na Primeira República

Dia 18.04, às 16h

Apresentação: Daniella Origuela

Debatedores: Fernanda Grigolin, Joaquim Marçal de Andrade e José Muniz Jr.

Arte e streaming: Caio César Paraguassu

Chat ao vivo: Aline Ludmila

>> Já se inscreva no nosso canal, ative o sininho por lá:

https://www.youtube.com/channel/UCKr5pDFJvFgIYfBrf46nAbQ

agência de notícias anarquistas-ana

outono
outrora
era outro

Alonso Alvarez

[Chile] Lançamento: “Anarquismo y economía en el siglo XXI”, de Jorge Enkis

O modelo econômico atual demonstrou ser obsoleto, o dinheiro é a fonte para a desigualdade e a exploração, e embora existam várias abordagens econômicas desde o anarquismo de um século atrás, queremos nos concentrar naquelas experiências que hoje podem ter uma aproximação da nossa realidade atual.

Pois o mundo passou por mudanças significativas em todos os seus aspectos, porque a mais importante de todas essas mudanças, continua sendo a satisfação das necessidades de todos os seres que a habitam, um olhar para a recuperação dos recursos naturais, conhecimentos e tecnologia que hoje estão nas mãos e a serviço do capitalismo mundial.

>> Download, impressão e divulgação:

https://editorialautodidacta.org/wp-content/uploads/2021/04/Anarquismo-y-economia-en-siglo-XXI-Jorge-Enkis.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

Neblina? ou vidraça
que o quente alento da gente,
que olha a rua, embaça?

Guilherme de Almeida

[Alemanha] Começa processo contra grupo de extrema direita acusado de terrorismo

Doze réus são acusados de integrar célula terrorista que planejava atentados contra mesquitas e políticos. De acordo com promotoria, meta era “subverter a ordem política e social” da Alemanha.

Começou nesta terça-feira (13/04) em um tribunal na cidade de Stuttgart, no sul da Alemanha, o processo sobre o chamado “Grupo S”. Doze membros de círculos de extrema direita são acusados de formar e apoiar uma organização terrorista. Presos em fevereiro, eles teriam planejado atentados contra mesquitas, requerentes de refúgio e políticos com finalidade de provocar “situações similares a guerra civil”.

O grupo, batizado com o nome de seu suposto líder, Werner S., teria sido formado em setembro de 2019. De acordo com a promotoria, os oito membros fundadores tinham como meta “subverter a ordem política e social” da Alemanha.

Segundo a acusação, os extremistas de direita visavam principalmente muçulmanos. Além disso, teriam considerado usar de violência contra dissidentes políticos.

Um possível ataque ao prédio do Reichstag, sede do Bundestag, o Parlamento alemão, também teria sido cogitado pelo grupo. Os réus teriam se reunido várias vezes pessoalmente e também através de aplicativos de mensagem e por telefone.

Segundo a mídia alemã, investigadores apuraram que pouco antes de ser preso, em fevereiro de 2020, Werner S. tentou comprar um fuzil de assalto Kalashnikov com 2 mil cartuchos de munição, uma metralhadora e granadas de mão. Os supostos terroristas de direita já teriam adquirido 27 armas.

Fonte: agências de notícias

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/16/alemanha-afd-de-partido-contra-o-euro-as-ligacoes-ao-neonazismo/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/07/09/alemanha-grupo-neonazista-freie-krafte-prignitz-planejava-ataques-de-odio-e-vigiava-autoridades/

agência de notícias anarquistas-ana

a folha tomba
no meu ombro
outono

Alexandre Brito

[Espanha] O anarquismo, a única ideologia que mata

Há historiadores e historiadoras que leio por prazer ou com fins utilitários (para alguma investigação em andamento) ou por ambos motivos ao mesmo tempo. Tony Judt faz parte do primeiro grupo, algo que talvez repense a partir de agora. Qualquer pessoa dedicada à investigação histórica tem ideologia, não existe uma pessoa que não tenha sua subjetividade, sua visão do mundo, sua maneira de compreender a realidade. Pretender ser objetiva e não estar influenciada por todos esses componentes (e muitos outros como o gênero, a raça, a etnia, a classe social, a nação na qual nasceu, sua religião, etc.) é enganoso e suspeitoso (os que o pretendem chamam historiadores/as “militantes” ao “outro ou outra” como insulto).

Tony Judt não oculta sua opção política social-democrata e escreveu algum livro a respeito como o intitulado “Algo va mal“. Sua opção política, que não é a minha, nunca foi um obstáculo para que tenha lido muitos de seus livros com verdadeiro prazer apesar da distância ideológica que nos separa. O considerei um historiador honesto e para mim isso era suficiente.

Talvez pelos muitos livros que li de Judt me surpreendeu mais o fragmento com o qual me deparei lendo seu livro, “Cuando los hechos cambian“:

“Houve terroristas anarquistas, terroristas russos, terroristas índios, terroristas árabes, terroristas bascos, terroristas malaios, terroristas tamis e muitos mais” (p. 280).

Fiquei tão petrificada que o reli várias vezes para tentar entender por que Judt havia metido no mesmo parágrafo o terrorismo que assinala uma corrente de pensamento, o anarquismo, com o terrorismo localizado em diversos territórios geográficos. Por que Judt sentiu a necessidade de destacar o terrorismo levado a cabo por pessoas anarquistas como se estas não pudessem ser enquadradas em sua nacionalidade respectiva.

Esta afirmação em seguida me recordou o monumento dedicado a Cánovas del Castillo em Madrid assassinado pelo anarquista italiano Angiolillo em 1897. Na base do monumento pode-se ler literalmente:

“Víctima del anarquismo. Murió asesinado en Santa Águeda el 8 de agosto de 1897 (…)”.

Mais recentemente voltei a ler algo parecido quando aconteceram as manifestações em favor da liberdade de Pablo Hasél em Barcelona e na imprensa pude ler que os protagonistas dos protestos e incidentes violentos eram: anarquistas, antifascistas e antissistema. Por que o articulista sentiu a necessidade de destacar como violentas a pessoas anarquistas enquanto utilizou termos nos quais se englobam ideologias diversas, claro as próprias pessoas anarquistas, como antifascista ou antissistema?

Os meios de comunicação e outros instrumentos de poder institucional colaboram sistematicamente em associar a ideia de violência ao anarquismo, algo insano posto que outras ideologias como o liberalismo, o nacionalismo ou o comunismo inspiraram guerras ou atos de repressão que causaram, e seguem causando, milhões de pessoas mortas. Não só consideram que o anarquismo é violento e mata, mas que sistematicamente ignoram ou ocultam o fato de que muitos homens e mulheres anarquistas optaram por não praticar a violência nunca. O caso mais recente (mas há muitos) é um vídeo editado pela Universidade de Zaragoza sobre a anarco-sindicalista, pacifista e fundadora da revista Mujeres Libres, Amparo Poch e Gascón, no qual ocultam quais eram as ideias que inspiraram sua trajetória posto que não mencionam em nenhum momento que era anarquista, nem tão só libertária.

Esse parágrafo de duas linhas de Tony Judt me parece tão pouco honesto, tão manipulador da realidade, que revisarei meu interesse em ler seus livros. Houve pessoas anarquistas que praticaram a violência e houve muitas mais que não o fizeram nunca, o poder institucional sempre estará interessado em associar a violência aos que questionam seu poder e em livrar-se do duro fardo de pessoas mortas que vem acompanhando em seu exercício do poder desde há centenas e centenas de anos.

Laura Vicente

Fonte: http://acracia.org/el-anarquismo-la-unica-ideologia-que-mata/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

De espantalho
Para espantalho,
Voam os pardais.

Sazanami

[Turquia] Estamos convocando para a Federação!

O anarquismo luta pela justiça e liberdade há duzentos anos. Esta luta foi baseada em uma batalha contra o poder de cada indivíduo e da sociedade; contra o Estado, que é o inimigo do povo e contra o capitalismo, que explora o povo. Esta luta é baseada em cem mil anos de um mundo sem Estado em oposição ao mundo estatal de cinco mil anos atormentado pela revolta. O anarquismo derrubará o poder estabelecido e criará uma vida sem poder, pela justiça e liberdade, com o potencial para uma nova realidade.

Nesta geografia, somos nós que tecemos a luta anarquista revolucionária há 12 anos. Somos nós que dizemos “Anarquismo significa se organizar”. Transformamos nossas palavras em ações. Estamos vivenciando passo a passo uma organização anarquista. Em vez de egoísmo e competitividade imposta a cada indivíduo da sociedade, nós cultivamos a solidariedade e a partilha. Em vez de obediência, nós organizamos a rebelião. Salvamos a esperança da ansiedade, caminhamos sobre o medo com coragem.

Estamos em uma luta contra o Estado. Estado significa injustiça. Vamos destruir essa injustiça. Somos armênios, curdos, lazes… Somos a maioria, não a minoria; Somos os povos massacrados confrontados com o Estado. Somos trabalhadores, em uma luta contra os patrões. E toda luta trabalhista é nossa luta. Estamos em uma luta contra a dominação masculina. Somos mulheres, contra o machismo. Somos as cores do arco-íris contra o cinza da dominação masculina. Somos a harmonia da árvore com o riacho, do leão com a gazela. Estamos em uma luta contra o capitalismo, que destrói toda vida e ecossistema. Somos jovens que resistem a todo cativeiro por sua liberdade. Somos aqueles que lutam com a força de nossa juventude. Nós, Anarquistas Revolucionários, somos aqueles que compartilham solidariedade rua por rua, bairro por bairro, somos os organizadores do anarquismo dos sete aos setenta anos. Nós organizamos cada uma das lutas, sem priorizar nenhuma. E nossa luta continua. Dia após dia, o anarquismo está se organizando em nossa região. As redes em diferentes regiões estão se expandindo e se fortalecendo. Agora nos deparamos com uma realidade que estes 12 anos nos trouxeram.

A relação entre as organizações de Ancara e Istambul, que têm operado sob princípios de solidariedade, precisam responder às novas necessidades de uma luta crescente. Vamos experimentar situações semelhantes em novas regiões amanhã. Também precisamos fortalecer os laços de lutas de anarquistas independentes. Precisamos de relações federativas para atender todos esses requisitos e ampliar ainda mais a luta.

O anarquismo organizado, que é nossa tradição, nos mostra isso com centenas de federações que foram criadas em todo o mundo em seus duzentos anos de história. Sim, a realidade que encaramos hoje é a federação.

Nós, como Anarşist Gençlik (Juventude Anarquista), Karala, Devrimci Anarşist Faaliyet DAF (Ação Revolucionária Anarquista), Lise Anarşist Faaliyet LAF (Ação Anarquista no Ensino Médio) e o jornal Meydan declaramos que continuaremos esse luta com a Federação Anarquista Revolucionária para criar um mundo livre cheio de partilha e solidariedade. Chamamos todos para esta luta, para a luta da justiça e liberdade, para levar para o amanhã a tradição emprestada de nossos camaradas. Chamamos a luta para cultivar as sementes do anarquismo em nossas mãos pela Mesopotâmia, Anatólia e Trácia. Estamos convocando para a Federação.

Fonte: https://anarsistfederasyon.org/we-are-calling-to-the-federation/

Tradução > Brulego

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/02/turquia-devemos-tecer-a-linha-de-luta-revolucionaria-global-contra-a-epidemia-global/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/03/17/grecia-turquia-declaracao-comum-da-apo-e-da-daf-contra-a-guerra-o-fascismo-e-o-racismo-em-solidariedade-com-xs-refugiadxs-e-imigrantes/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/06/15/turquia-a-policia-ataca-brutalmente-os-estudantes-da-laf-em-istambul/

agência de notícias anarquistas-ana

Longa chuvarada…
Nos matos e nas lagoas,
um canto de vida.

Humberto del Maestro

[Espanha] 1º de Maio 2021: Trabalhar menos para trabalhar todas

Há que exigir que se distribua o trabalho e a riqueza

O 1º de Maio sempre será um dia reivindicativo e de luta como garantia dos direitos: ao trabalho digno; a uma jornada laboral que possibilite conciliar o trabalho com a vida; a um salário e prestações sociais suficientes, tanto quando se tenha emprego como quando não se tenha, mediante uma Renda Básica das Iguais; a pensões adequadas para viver com dignidade, para lutar contra as reformas laborais, os despejos ou as leis mordaça.

O empobrecimento material de milhões de trabalhadores e trabalhadoras, através de mecanismos como o corte massivo das rendas salariais, está gerando uma das sociedades mais desiguais do mundo. Segundo dados do Banco de Espanha, 25% da população do estado espanhol vivia já em risco de pobreza ou exclusão social antes da pandemia. A situação quando esta termine pode ser catastrófica. Isto supõe que 4,5 milhões de lares não possam fazer frente às necessidades tão básicas como pagar um aluguel ou uma hipoteca, manter aquecidas suas casas ou simplesmente comer todos os dias.

Quatro milhões de pessoas em desemprego, às quais o estado nega seu direito mais essencial como classe trabalhadora: o direito de “ganhar a vida”. Tampouco lhes reconhece o estado o direito a umas prestações sociais ou a uma Renda Básica das Iguais suficiente para viver dignamente.

Frente a isso, o ano passado se realizaram quase 25 milhões de horas extraordinárias, das quais não se pagaram mais de 11 milhões. E resulta especialmente demolidor o dado que no caso das mulheres mais da metade das horas extraordinárias não foram retribuídas.

A pandemia, ademais, evidenciou outras vergonhas do sistema. Se pôs o interesse econômico acima da vida das pessoas; se protegeu interesses particulares acima das necessidades da imensa maioria; algumas administrações olharam para o outro lado quando se descumpriam sistematicamente diversos preceitos legais; manga larga para uns e lei do funil para outras. O sistema sanitário, ferido de morte após as contínuas privatizações, se colapsou e, com base nos fatos – que são difíceis –, a saúde privada demonstrou sua enorme incapacidade.

Vêm tempos difíceis, tempos convulsos, tempos onde os interesses das elites tratarão de se impor novamente à classe trabalhadora. No entanto, não podemos permitir que a crise seja paga, uma vez mais, pelos e pelas de sempre. Porque seria intolerável que permitíssemos, como sociedade, um novo resgate às entidades financeiras enquanto as condições de vida da classe obreira seguem se degradando numa velocidade vertiginosa.

Este 1º de Maio, tem que seguir sendo o dia em que milhões e milhões de trabalhadores e trabalhadoras, digamos basta e enchamos nossas vidas cotidianas, não de sofrimento nem desespero, mas de Liberdade, impondo a governos, empresários e poderosos, outra Ordem Social, outro sistema, onde a distribuição do trabalho e da riqueza faça que uma vida digna para todas as pessoas seja possível aqui e agora.

VIVA O 1º DE MAIO!

VIVA A LUTA DA CLASSE TRABALHADORA!

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sobe a piracema…
A continuidade da vida
na contramão.

Teruko Oda

[Chile] Segundo informe de saúde: 22 dias de greve de fome

Há 22 dias do início da greve de fome por 9 companheirxs subversivxs, anarquistas e da revolta, podemos informar que xs companheirxs Tomas, Gonzalo e José largaram a greve por motivos expostos em seus respectivos comunicados. Por outro lado, xs companheirxs continuam em greve de fome contra as últimas modificações no Decreto de Lei 321 e pela liberdade imediata do companheiro Marcelo Villaroel.

Podemos informar que xs companheiros se encontram bem animicamente, mas já apresentando dores constantes de cabeça, cansaço e câimbras. O atual protocolo da gendarmeria considera a retirada de sangue em reiteradas ocasiões, e no caso da companheira Mónica Caballero, contínuos traslados ao hospital penal. Estas medidas ocorrem inclusive várias vezes por semana, produzindo um enorme desgaste físico axs companheirxs.

Considerando que os exames assinalam a veracidade da greve e o sério desgaste que sua realização implica, xs companheirxs decidiram se negar a realizar tais procedimentos, a menos que os considerem necessários e de forma excepcional por conta de seu estado de saúde.

Depois de 22 dias, xs companheirxs já sofreram uma grande perda de gordura, começando agora o processo de perda de massa muscular, já que a diminuição de peso foi reduzida, mas se mantém de forma contínua.

Hoje, 12 de abril, há 22 dias de greve de fome, a situação dxs compas é:

-Cárcere de San Miguel

Mónica Caballero: perda de aprox. 6 kg.

-Seção de Segurança Máxima:

Francisco Solar: perda de aprox. 7,5 kg.

-Prisão de Alta Segurança:

Marcelo Villaroel: perda de aprox. 7 kg.

Joaquín García: perda de aprox. 9 kg.

Juan Flores: perda de aprox. 7 kg.

-Cárcere Santiago 1

Pablo Bahamondes: perda de aprox. 11 kg.

PELA REVOGAÇÃO DAS ÚLTIMAS MODIFICAÇÕES NO DECRETO DE LEI 321!

PELA LIBERDADE IMEDIATA DO COMPANHEIRO MARCELO VILLAROEL!

12 de abril de 2021,

Território dominado pelo Estado chileno

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2021/04/13/segundo-informe-de-saude-22-dias-de-greve-de-fome/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/13/chile-a-luta-continua-e-a-greve-de-fome-tambem/

agência de notícias anarquistas-ana

pássaros cantando
no escuro
chuvoso amanhecer

Jack Kerouac

[Chile] Oficina de anarco feminismo

Desde o Órgão Anarco Feminista (OAF) lhes estendemos o convite para participar em duas sessões da oficina de anarco feminismo onde se apresentarão as principais pensadoras anarquistas em suas reflexões críticas concernentes ao gênero, as mulheres, a sexualidade, entre outros, dentro do sistema patriarcal.

Esta oficina é de vagas limitadas e a primeira sessão acontecerá na quinta-feira, 22 de abril, às 19:00 horas, e a segunda na quinta-feira, 29 de abril, na mesma hora. Nesta oportunidade se utilizará o app Google Meet.

As inscrições devem ser realizadas em nosso correio eletrônico organo.anarcofeminista.stgo@gmail.com e no momento da inscrição e confirmação da participação, lhe será enviado o link do encontro. Esperamos vocês.

Órgão Anarco Feminista (OAF)

agência de notícias anarquistas-ana

De noite minha sombra
Embebe-se na parede —
O grilo cricrila

Ryôta

[Espanha] Fanzine | A solidariedade não é só palavra escrita. Balanço repressivo contra anarquistas no estado espanhol

Índice

• Introdução. Que a solidariedade não seja somente palavra escrita.
• Apontamento sobre como enfrentamos (e como enfrentar) a repressão.
• Caso Bakia: solidariedade, caixas queimando e repressão.
• Operação Arca, G20 e os roubos de Aachen.
• Ocupação, resistência e ação direta no bairro de Grácia: saldo repressivo.
• O estado de direito – No labirinto da prisão de Gabriel Pombo Da Silva.
• Se tem que queimar, que queime.
• Direções de interesse.

Toda arrecadação irá para os companheiros presos devido aos distúrbios pela prisão de Pablo Hasél. Para realizar pedidos podes escrever a localanarquistamotin@riseup.net

Introdução. Que a solidariedade não seja somente palavra escrita

O balanço repressivo dos protestos que estalaram na raiz da prisão de Pablo Hasél, na Catalunha, e mais concretamente em Barcelona, alcançaram o grau de uma pequena revolta ou um estalo de importantes implicações que trouxe vários dias consecutivos de distúrbios em diferentes geografias da península, levando a centenas de prisões em todo o Estado. Centenas de feridos e presos em todo estado nas revoltas do fim de fevereiro. Em Granada, dois companheiros foram presos, já em liberdade condicional. Em Barcelona, 8 anarquistas foram colocados em prisão preventiva acusados de tentativa de homicídio, atribuindo a eles a tentativa de queimar um furgão policial durante os enfrentamentos. Em Madrid e na Catalunha, as detenções continuaram durante semanas depois dos feitos, seguindo a estratégia do estado de “repressão adiada”.

O foco repressivo tem sido colocado em muitos setores, mas desde cedo, os anarquistas que têm tomado parte ativa nas revoltas, cientes do que é subjacente neste estalo não é somente um mero protesto pela liberdade de expressão e direitos democráticos que não reconhecemos nem apoiamos. É um estalo provocado pelo rebote autoritário que os Estados têm operado em todo mundo com a desculpa de uma gestão de pandemia e a consequente pressão que às condições de exploração e miséria que o capitalismo nos submete, acelerando esses processos em suas crises cíclicas.

Recopilamos vários textos que refletem sobre a repressão e a necessidade de continuar a luta, e ser conscientes de que do inimigo, do Estado, só podemos esperar golpes, e que a defesa frente a isto deve ser a continuidade da luta e não cair em categorias próprias da repressão (inocência/culpabilidade) ou o vitimismo. Aqui há uma guerra, não esperemos piedade de jornalistas, políticos, empresários, juízes e policiais. E estas reflexões surgiram da raiz do ciclo repressivo da década anterior (entre 2011 e 2015 aconteceram várias operações antiterroristas em todo estado espanhol contra os ambientes anarquistas). Vários textos de casos de repressão acontecidos recentemente, nos quais as companheiras reprimidas e seus entornos, distantes de se curvar a comodidade da figura da pessoa “represaliada” e vitimizada, tem apostado na continuidade da luta, entendendo a repressão como consequência deste conflito. Não esperemos ser tolerados pelo Estado, nem por seus porta-vozes. A Democracia é isto e não outra coisa.

Não partimos do zero, temos experiências coletivas e comuns que estão longe de ser uma base ou um dogma, são uma coordenada a mais no mapa da revolta, pequenos “cabos guia” no mar de possibilidades, que utilizamos como suporte e auxílio para continuar a luta. Toda arrecadação deste fanzine, será destinada a apoiar os companheiros presos em Barcelona acusados de queimar o furgão policial.

Contudo, a solidariedade não pode se reduzir a um apoio e acompanhamento dos companheiros e companheiras retalhados, nem a bonitas palavras. A solidariedade ativa requer continuar a luta até suas últimas consequências e demonstrar ao Estado, que prender anarquista, não lhe vai sair de graça.

Solidariedade e luta

Península Ibérica. Março 2021

>> Baixar Fanzine [PDF]:

http://barcelona.indymedia.org/usermedia/application/5/fanzine_represi%C3%B3n.pdf

Tradução > Piwkepan

agência de notícias anarquistas-ana

Infância no campo
brincava nas plantações.
Bonecas de milho.

Leila Míccolis