[Chile] “O método insurrecional”

Em tempos onde o domínio e o poder atacam cada vez mais forte, e quando parece que não há tempo para refletir e discutir sobre as formas de contra-atacar, este texto vem fazer um convite fundamental: destacar e apresentar propostas sobre os métodos de luta e de organização no combate permanente contra o poder, o Estado e toda forma de autoridade.

Publicado em 1998, o conteúdo apresentado em “O método insurrecional” segue contribuindo para o debate e a ação anárquica insurrecional nos territórios do cone sul de Abya Yala (Latino América) e ao redor do mundo.

Embora no momento possamos discordar com algumas noções e conceitos apresentados pelo companheiro autor do texto, o valor de uma reedição em pleno contexto de pandemia global no ano 2021 responde à necessidade de difundir tensões e propostas para a abordagem da luta pela libertação total e das chamadas lutas de reivindicações parciais desde uma perspectiva anárquica insurrecional.

Neste território denominado $hile intensos dias de revolta generalizada foram vividos a partir de 18 de outubro de 2019. E embora ainda exista um nível significativo de conflito e de luta, foram muitxs xs que se viram envoltos em slogans e bandeiras de esperança a fim de aprovar uma saída política através de um plebiscito para uma nova Constituição, acordo “de paz” destinado a esmagar a revolta por meio da política, da representatividade e delegação por vias institucionais.

Em meio a este contexto, desde a insurreição anárquica e suas décadas de presença neste território, refletimos e atuamos conscientes do que nos aproxima e do que nos separa do contexto geral de revolta, atentxs e abertos à autocrítica para potencializar a coerência entre meios e fins, a geração de redes e a construção de relações de afinidade como ferramentas que tem um lugar importante nas páginas de “O método insurrecional” e permitem enfrentar diferentes desafios e necessidades da luta para intervir na realidade sem maquiar nossa essência anárquica.

E por isso que com a difusão deste texto, editado e colocado em circulação por compas de diversos territórios, seguimos reivindicando e reatualizando a afinidade, a informalidade, a auto-organização, a conflitividade e o ataque permanente como elementos fundamentais da proposta anárquica para a luta contra o Estado e toda forma de autoridade.

Contra toda forma de repressão, delegação, poder e hierarquia. Morte ao poder e que viva a anarquia.

SOLIDARIEDADE COM XS PRESXS ANARQUISTAS E SUBVERSIVXS EM GREVE DE FOME.

>> Baixar aqui:

https://anarquia.info/wp-content/uploads/2021/04/El-metodo-insurreccional.pdf

Tradução > Piwkepan

agência de notícias anarquistas-ana

Com a luz do relâmpago,
Barulho de pingos –
Orvalho nos bambus.

Buson

Algoritmo do TikTok impulsiona contas de extrema-direita, diz relatório

A rede social dissemina até conteúdos conspiratórios que ela mesma considera proibidos

O algoritmo de recomendações do TikTok está direcionando os usuários para conteúdos relacionados à extrema-direita nos Estados Unidos. A descoberta foi divulgada em um relatório do grupo de monitoramento de mídia Media Matters for America.

A pesquisa concluiu que a página “for you” do TikTok, que recomenda vídeos que cada usuário pode gostar, está disseminando publicações de movimentos ligados à extrema-direita, como o QAnon. Grupos como esse, que promovem a desinformação são, em teoria, proibidos na rede social .

Além de recomendar esses conteúdos, o TikTok também está sugerindo aos usuários contas de extrema-direita para seguir. Esse tipo de comportamento do algoritmo pode fazer com que as pessoas mergulhem em uma bolha de desinformação muito difícil de sair, fenômeno que já foi visto em outras redes sociais, como Facebook e  YouTube .

Fonte: https://tecnologia.ig.com.br/2021-03-29/algoritmo-do-tiktok-impulsiona-contas-de-extrema-direita–diz-relatorio.html

agência de notícias anarquistas-ana

Passa um cão
com neve nas costas –
onde a leva?

Stefan Theodoru

[Espanha] Primavera e repressão

A primavera começou com o surgimento de vários casos contra anarquistas em diferentes partes do país: Ruymán da FAGC, alguns anarquistas italianos baseados em Barcelona e “os seis de Zaragoza”.

Na imaginação coletiva, os anarquistas não existem. Somos um monstro do passado, indeterminado, que só aparece em áreas marginais e à noite, como o “bicho-papão”. Mas quando os assuntos atuais são frouxos ou os movimentos sociais estão ativos, os casos contra os anarquistas disparam. Sempre na forma de uma montagem com todo o dispositivo de mídia pronto para repetir e amplificar uma história até que ela seja crível.

No primeiro caso temos o ativista anarquista Ruymán, da Federação Anarquista da Gran Canaria. Ele colabora há anos com o Sindicato de Inquilinas de Gran Canaria. Em seu projeto “La Esperanza”, eles ocupam casas vazias para dá-las às pessoas necessitadas.

Ele é acusado de atacar a autoridade por supostamente ter chutado um dos policiais que o detiveram ilegalmente (sem se identificar). Para isto, ele está sendo solicitado por um ano e seis meses de prisão. Por sua vez, Ruymán denunciou uma surra destes policiais. O Ministério Público rejeitou sua queixa como “flutuante”, apesar do fato de que nos diferentes testemunhos sobre a agressão fala-se de cotoveladas, joelhadas e estrangulamentos e, claro, sempre, como início desta agressão, uma bofetada no rosto. Por outro lado, nada é dito sobre a detenção ilegal porque esses agentes estavam lidando com uma queixa contra Ruymán de “coerção” por um dos inquilinos do projeto “La Esperanza”. Esta queixa foi posteriormente retirada, mas a detenção ilegal ocorreu.

Em relação aos anarquistas italianos, destaca-se o nome de Sara Casiccia, que foi acusada de tentar incendiar uma van da polícia. Bem, aqui a montagem é risível, e segurem-se, porque vamos começar:

– Primeiro ela é presa na Rambla Catalunya com Còrsega e não na rua Valencia onde as altercações acontecem, mas não é surpreendente que no atestado policial eles coloquem a prisão na rua Valencia.

– Ao analisar o vídeo do incidente, o acusado estava vestido de uma maneira completamente diferente daquela descrita na declaração policial, além de não se parecer com a pessoa que ateou fogo na van.

– O grande elo entre todos os detentos é ter um isqueiro da mesma marca. O isqueiro é vendido em um pacote com a marca “Horizon” de tabaco. Um tabaco de enrolar barato.

– Finalmente, os agentes destacaram em seu ataque “o forte cheiro de gasolina nas roupas da acusada” como forte evidência. O caso é tão absurdo que até o Ministério Público se juntou à defesa para pedir a liberdade da acusada.

Não contentes com isso, os meios de comunicação mais infames do Estado estão transmitindo todo tipo de barbaridades infladas como se verdades fossem. Por exemplo, o fato de pertencerem ao movimento dos “okupa” significa que eles estão ligados às drogas e à venda de drogas. Alguns também são descritos como “viciados em drogas” que por sua vez estão “organizados”, sofrendo de dependência e, ao mesmo tempo, estar organizado em um comando é bastante inconsistente. Ter que deixar de lado outras fantasias, como os comandos terroristas anarquistas itinerantes, quando vemos que as pessoas presas vivem na Espanha há anos. Tudo isso polvilhado com acrônimos como ACAB ou CSOA para que o espanhol médio entenda que se sua filha, sobrinha ou primo tem o tecido de roupas impressas assim “devem ser observador”, que “isso não aconteceu com Franco” e “o Alfinete de Múrcia é o que essas crianças precisam”.

O terceiro caso, o dos seis em Zaragoza, também é flagrante. Em 2019, um comício antifascista foi convocado em frente a uma reunião do VOX [partido de extrema direita]. Esta concentração, onde cerca de duzentas pessoas participaram depois de sofrer várias acusações e confrontos policiais, fez com que cerca de oitenta manifestantes se refugiassem na cidade universitária, onde vários deles atiraram objetos contra a polícia causando ferimentos a alguns agentes. A polícia prendeu então seis jovens em diferentes bares próximos à universidade. Um vídeo da mídia “El Heraldo Aragonés” é apresentado sobre o incidente onde até o tribunal provincial admite que “a identificação da identidade das silhuetas que aparecem nas gravações foi impossível para o tribunal devido a sua má qualidade e a falta de luz, dado o momento em que os eventos ocorreram, de modo que não foi possível determinar se o acusado estava ou não presente dentro do grupo violento”, apesar disso, condenaram a seis anos de prisão a esses jovens por agressão a um oficial da autoridade e desordem pública. Os pais desses jovens se organizaram em uma plataforma para lutar contra a sentença.

O ponto comum em todas essas perseguições não é apenas ideologia, mas é e sempre será classe. A coerção pela qual Ruymán é denunciado é um exemplo. Esta denúncia por um “invasor” do projeto “La Esperanza” faz parte das estratégias de uma pessoa deteriorada pela “cultura da pobreza”, algo que a maioria dos juízes e policiais não compreendem, nem jamais compreenderão. As relações com a parte da sociedade que tem sido sistematicamente posta de lado e violada, às vezes por gerações, são falhas, complexas e violentas. Inconsistências e explosões de tom a que o mundo normativo (branco, heterossexual, etc.) agarra para apontar o dedo ao “drogado”, ao cigano, ao “nóia”, e porque não ao ativista, anarquista ou não, que talvez seja aquele que é com eles atingido, e portanto, também pode receber essa violência. Toda perseguição ao anarquismo é feita na chave do ódio aos pobres, assimilando violência e pobreza, dependência e pobreza, vida às margens do sistema e pobreza, autogestão e pobreza, é um coquetel simplista de eficácia comprovada ao longo de séculos de história.

Entretanto, enquanto não estivermos sozinhos contra seu ódio, haverá resistência. Liberdade para os reprimidos.

Fonte: https://cantabria.cnt.es/primavera-y-represion/?fbclid=IwAR3ujOttLr0_GCutMbO6-wMNJse9KiUJr0w3MQyGE50mSB1Kh3UAaUEwe1g

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/02/espanha-madrid-cronica-da-concentracao-em-tirso-de-molina-em-solidariedade-com-os-anarquistas-presos-em-barcelona-e-todos-os-reprimidos/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/23/espanha-pela-retirada-das-acusacoes-e-a-liberacao-de-ruyman-rodriguez/

agência de notícias anarquistas-ana

Da flor o orvalho
nas pétalas: tua face
depois que choraste.

Luiz Bacellar

[Alemanha] Toques de recolher: Todos Para Fora!

Wuppertal. Declaração de alguns anarquistas sobre toque de recolher no contexto da luta contra a pandemia COVID-19 e quais as consequências que podem ser extraídas disso.

Não temos absolutamente nenhuma dúvida de que o vírus Corona é perigoso. Com quase 80.000 mortes na Alemanha, é devastador que tenhamos que mencionar isso. Mas quando criticamos as ações do Estado em relação ao Corona, fazemos a experiência de que partes da chamada esquerda não tem nada melhor a fazer do que colocar as pessoas no canto do negador. Este é frequentemente o nível de discurso que estamos experimentando há mais de um ano. Infelizmente, essas pessoas esquecem que nossos governantes e a economia capitalista que os atende abrem as portas para zoonoses como a Covid-19 em primeiro lugar. Obviamente, essas pessoas se esqueceram de nossos valores básicos emancipatórios. E talvez isso se deva também ao fato de que temem a perda de seus privilégios. Um debate sério, distante da narrativa estatal, parece indesejável para muitos. Mas, em vista da crescente ameaça autoritária, esse debate é absolutamente necessário.

Em 23 de março de 2021 publicamos um comunicado sobre as novas medidas autoritárias do Corona durante a Páscoa. Mas, já dois dias depois, Merkel teve que retomar essas medidas, antes mesmo de serem implementadas. Agora, o governo federal quer alterar a Lei de Proteção Contra Infecções. Há um ano que dizemos que o Estado não nos salvará. Nem em nível estadual, nem federal. Eles dizem “fique em casa”, mas na verdade significa “continue trabalhando”. No entanto, esses planos do governo federal incluem toques de recolher, ao qual nos opomos veementemente. Hoje, a equipe de crise da cidade de Wuppertal anunciou que, se necessário, declarará toque de recolher mesmo sem a nova lei federal. O toque de recolher não protege contra o vírus. Pesquisadores de aerossóis descobriram que o COVID-19 se espalha em ambientes fechados, mas as estatísticas mostram que o número de infecções externa é mínimo. Acreditamos que os toques de recolher concentrarão (por exemplo) o número de pessoas nos supermercados em um período de tempo menor. Os supermercados estarão fechados a partir das 21h00 em diante. Para as pessoas que estão acostumadas a comprar mantimentos depois das 21h00, serão forçadas a fazê-lo antes.

A classe dominante vem provando há anos que não reluta em proibir as pessoas de sua liberdade de movimento. Os migrantes nas fronteiras europeias externas sabem disso muito bem.

Ao contrário de muitos outros, acreditamos que a classe dominante sabe muito bem o que está fazendo. O capital alemão fortaleceu sua posição na competição capitalista durante e após a chamada “Crise do Euro”, não apenas às custas de nossos vizinhos do sul da Europa. No momento, parece bastante claro que isso será ainda mais verdadeiro após a chamada “Crise do Corona”. Por isso as medidas governamentais são impostas quase que exclusivamente na esfera privada. O euro deve continuar a rolar. Essa também é a razão pela qual as escolas devem ser fechadas apenas a partir de uma incidência de 200. Os pais devem continuar a gerar lucros para as empresas e isso não é possível se seus filhos não puderem ir à escola.

Já dissemos mil vezes, mas pensamos que é importante repeti-lo e vamos confirmá-lo aqui mais uma vez: o Estado falhou em proteger as pessoas que vivem e (têm que) trabalhar em asilos, lares de idosos ou acomodações em massa para refugiados. Não que não estejam “sempre tentando”, mas a proteção da vida humana simplesmente não tem o mesmo valor que a manutenção desse sistema econômico nojento.

Uma vez que o Estado não nos salvará, em última análise, não temos escolha a não ser proteger uns aos outros e nos defender contra essa camarilha corrupta que arroga as regras do governo paternal sobre nós. Nossos companheiros do Crimethlnc já declararam na primavera de 2020: “A situação atual provavelmente continuará por meses – toques de recolher repentinos, quarentenas inconsistentes, condições cada vez mais desesperadoras – embora quase certamente mude de forma em algum momento, quando as tensões dentro dela ferverem. Para nos prepararmos para esse momento, vamos proteger a nós mesmos e uns aos outros da ameaça representada pelo vírus, refletir sobre as questões de risco e segurança que a pandemia apresenta e enfrentar as consequências desastrosas de uma ordem social que nunca foi projetada para preservar nosso bem-estar, em primeiro lugar“.

Consideramos o toque de recolher como mais um passo na contínua fascistização do Estado, e isso deve ser combatido com todos os meios necessários.

Já chega!

Organizar!

Todo mundo para fora!

Alguns anarquistas de Wuppertal (Alemanha)

Fonte: https://enoughisenough14.org/2021/04/13/curfews-everybody-out/

Tradução > Bellatrix Anarchy

agência de notícias anarquistas-ana

O gari folheia
o livro de poesias—
Voa passarinho!

Regina Ragazzi

Lançamento: Anarquia e anarquismos: práticas de liberdade entre histórias de vida (Brasil/Portugal)

Organização: José Maria Carvalho Ferreira, João da Mata, Juniele Rabêlo de Almeida

O livro Anarquia e Anarquismos: práticas de liberdade entre histórias de vida (Brasil/Portugal) é uma provocação para o entrecruzamento de fronteiras de diversas áreas de conhecimento e atuação. Os debates promovidos nesta obra contribuem para a ampliação das discussões sobre cultura libertária e narrativas biográficas – a partir das ações e significações anárquicas na história do tempo presente. Aqui, você encontrará uma multiplicidade de análises sobre a anarquia a os anarquismos, em textos de diferentes formas e tamanhos. Longe de esgotar a abrangência e importância do tema, ao longo dos 21 capítulos o leitor é convidado a pensar junto as possibilidades de vida livre no presente.

Este “é, a um só tempo, um livro e uma arma, uma crítica contundente ao capitalismo neo-liberal necropolítico e uma clínica social libertária às axiomáticas constituídas por esse sistema da crise permanente. (…) há um esforço de pensamento conceitual-crítico em que vislumbramos desde a urgente recusa à (…) ideia de utopia, tão cara ao otimismo político imobilizador, a necessários debates sobre como construir práticas anarquistas de educação, passando pela incontornável questão da representação política micro e macro societárias” [Trecho extraído do texto de apresentação do Professor da UFF e Teórico-ativista do Coletivo 28 de Maio, Jorge Vasconcellos].

Anarquia e anarquismos: práticas de liberdade entre histórias de vida (Brasil/Portugal)

Organização: José Maria Carvalho Ferreira, João da Mata, Juniele Rabêlo de Almeida

Páginas: 432

Preço: R$ 59.00

naueditora.com.br

agência de notícias anarquistas-ana

Entre as antenas
E as casas todas iguais –
Quaresmeiras!

Paulo Franchetti

[Espanha] A CGT denunciará na Corte Nacional à empresa ‘Meios e Serviços Telemáticos’ (MST) por se recusar a compensar os custos de teletrabalho ao seu pessoal

A MST é a empresa que recebeu o serviço ao cliente do CaixaBank e, de acordo com a CGT, recusa-se a cumprir as disposições do Decreto Real sobre teletrabalho.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) emitiu uma declaração para anunciar que chamou a atenção de seu assessor jurídico para esta situação de abuso, de modo que a decisão da empresa MST de não concordar em pagar as despesas que seus funcionários geraram com o teletrabalho possa ser levada à Câmara Social da Corte Nacional.

Segundo a organização anarco-sindicalista, desde o início da pandemia de Covid-19 todas as empresas do setor que terceirizaram seus Call Centers para gerenciar o atendimento ao cliente, têm incentivado o teletrabalho para seus modelos, já que esta opção é mais fácil e de segurança técnica ao realizar este trabalho e o risco à saúde a que estas pessoas estão expostas nas plataformas físicas do Contact Center.

Neste sentido, a CGT explica que muitas pessoas que tiveram que continuar trabalhando em casa tiveram que arcar com os custos do mesmo desde março de 2020, e que após a aprovação do Decreto Real sobre teletrabalho, que estabelece que estes custos devem ser arcados pelo empregador e não por seus trabalhadores, agora descobrem que certas empresas se recusam a cumprir com a lei.

A CGT explica que, no caso específico da MST, Pedro Barceló e Jéssica Barceló – proprietários e gestores de topo da organização – argumentaram que não podem pagar a compensação de despesas, como outras empresas do setor, porque o banco não permite que o façam.

A CGT realizou uma reunião de mediação nesta quarta-feira, 14 de abril, no Serviço Interconfederal de Mediação e Arbitragem, juntamente com a CC.OO. e a UGT, que apoiaram a reivindicação dos anarco-sindicalistas, na qual a empresa se recusou novamente a negociar esta compensação e a pagar quaisquer despesas contra o que a lei estabelece.

Para a CGT, o CaixaBank e a MST estão realizando um abuso de sua posição dominante nas relações de trabalho, que já se somam a muitas outras que vêm onerando os trabalhadores ao longo do ano passado. Portanto, a CGT deixou claro que eles irão aos tribunais para alcançar o que os direitos sejam reconhecidos e contra a atitude da direção da MST.

Fonte: https://cgt.org.es/cgt-denunciara-en-la-audiencia-nacional-a-la-empresa-medios-y-servicios-telematicos-mst-por-negarse-a-compensar-los-gastos-de-teletrabajo-a-sus-plantillas/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

velha na fonte –
os cântaros se enchem
o sol se esconde

Carlos Seabra

‘Minha família está morrendo de fome na Venezuela’: mais de 3 mil indígenas warao buscam vida melhor no Brasil

Por Thais Carrança | 15/04/2021

“Falar sobre a Venezuela me deixa com vontade de chorar. Minha família está passando fome agora e começaram a morrer… Estão morrendo adultos e crianças, e não é pela enfermidade de coronavírus, estão morrendo de fome. De fome!”

“Eles me pedem apoio quase todos os dias. Sempre ajudo, mas é uma grande quantidade de gente que me pede: ‘Me manda R$ 100’, ‘Me manda R$ 50’. Muitos estão pedindo, mas eu não tenho dinheiro.”

“Nos caños (afluentes do rio Orinoco), está morrendo gente, está se acabando tudo, acabando roupa, acabando sal, eu não sei como, daqui em diante, não sei como vai ser.”

O relato é de um homem venezuelano de 49 anos da etnia indígena warao e foi colhido em Ananindeua, no Pará, pela Acnur (Agência da ONU para Refugiados).

Os primeiros imigrantes warao chegaram ao Brasil em 2014. Mas esse movimento se intensificou a partir de 2016, com o agravamento da crise na Venezuela.

Os indígenas deixam seu país de origem diante do desabastecimento de itens básicos, da hiperinflação e do aumento da violência, com a ação de grupos armados nos seus territórios, devido ao avanço da mineração na região do Arco Mineiro do Orinoco.

Em 2014, eram pouco mais de 30 warao no Brasil. No início de 2017, já somavam 600 indivíduos. Em março do ano seguinte, o número havia dobrado para 1.200 e, em dezembro do ano passado, a estimativa era de 3.300 indígenas da etnia vivendo em território nacional.

Para se ter uma ideia da relevância de uma comunidade indígena desse tamanho, o Brasil somava 252 povos indígenas em 2016, segundo levantamento do ISA (Instituto Socioambiental). Desse total, apenas 97 povos tinham mais do que mil pessoas.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56759831

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/11/24/venezuela-nunca-pensei-que-passaria-fome-na-velhice-o-drama-de-viver-com-aposentadoria-de-r-7/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/05/31/video-crise-na-venezuela-o-drama-das-pessoas-sem-comida-remedios-e-eletricidade/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/10/29/em-desespero-com-crise-cresce-o-numero-de-suicidios-na-venezuela/

agência de notícias anarquistas-ana

pequenos dedos
das gotas de chuva
massageiam a terra

Carlos Seabra

Novo vídeo | Solidariedade com a Greve de Fome nas Prisões Chilenas

Desde o dia 22 de março 2021, um grupo de pessoas subversivas e anarquistas, presas em 4 cárceres chilenas, está fazendo uma greve de fome contra as medidas repressivas realizadas pelo Estado do Chile. A reivindicação central é a Revogação das últimas modificações feitas na lei 321, que desde 1925 regulamenta o acesso à chamada liberdade condicional no território dominado pelo estado chileno.

Em linhas gerais, com essas modificações, a liberdade condicional, que antes era um direito de todas as pessoas presas, se transformou em um benefício. Os critérios para esse acesso foram ainda mais endurecidos, incluindo a exigência de uma ótima conduta da pessoa presa, avaliada pelos próprios agentes do Estado, e o aumento para a necessidade de ser cumprir 2/3 da pena atrás das grades e não mais metade do tempo, como era antes. Como se não bastasse, as alterações na lei foram aprovadas de forma retroativa, ou seja, todas as pessoas condenadas antes mesmo de sua aprovação passam a ser submetidas a ela.

Como a liberdade condicional deixa de ser um direito e se torna um benefício, como um ato de graça e benevolência da autoridade, isso cria, na prática, um tipo de prisão perpétua encoberta, que atingirá principalmente  as pessoas presas no contexto da guerra social e da insurreição permanente.

A mobilização e a greve de fome também têm como outra reivindicação a liberdade imediata para Marcelo Villaroel, companheiro subversivo que já soma mais de 25 anos atrás das grades. Antes, ele poderia ter acessado à liberdade condicional em 2019, mas com a alteração no decreto de lei 321 a data foi alterada para 2036. Soma-se a isso o fato de que ele é atualmente o único prisioneiro mantido atrás das grades que foi condenado pela justiça militar.

CUMPLICIDADE E SOLIDARIEDADE IRRESTRITA COM COMPAS EM GREVE DE FOME NAS PRISÕES CHILENAS!
PELA REVOGAÇÃO DAS ÚLTIMAS MODIFICAÇÕES NO DECRETO DE LEI 321!
LIBERDADE IMEDIATA PARA MARCELO VILLAROEL!
QUE A SOLIDARIEDADE ATRAVESSE AS FRONTEIRAS DOS ESTADOS E OS MUROS DAS PRISÕES!
NINGUÉM FICA PRA TRÁS!

>> Assista o vídeo (02:06) aqui:

https://kolektiva.media/videos/watch/4188e0bd-1710-480f-9159-b061ace8fce9

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em nosso universo
breve, passa, com pressa! e
graça, a borboleta

Issa

[Grécia] Vitória momentânea do movimento estudantil de ação direta

A recém-aprovada “lei anti-educação” do governo grego que impõe a polícia nas universidades foi adiada em face da resistência e ação direta do movimento estudantil, marcando um recuo temporário das autoridades.

O Estado sofreu uma derrota simbólica devido às massivas, dinâmicas e contínuas mobilizações militantes da comunidade estudantil, com forte presença anarquista, por isso foi temporariamente parado.

Ontem, 14/04, o Vice-Ministro da Educação, Angelos Syrigos, afirmou num programa de televisão que a “lei anti-educação” foi adiada até setembro.

“O governo se engana se pensa que a luta dos estudantes vai parar. Pois, nossa força está na realização de nossos interesses de classe e nossas necessidades sociais, na auto-organização, resistência e afirmação coletiva. É por isso que não vamos dar um passo atrás. O Estado continuará a enfrentar o movimento estudantil e a base social, porque a luta social e de classe não está suspensa”, diz trecho de um comunicado divulgado na internet.

Hoje, 15/04, se realizaram manifestações massivas em Tessalônica (foto), Atenas e noutras cidades contra o projeto de lei que cria um corpo especial de polícia para patrulhar as universidades.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/12/grecia-milhares-de-pessoas-tomam-as-ruas-de-tessalonica-apos-policia-retirar-manifestantes-que-ocupavam-universidade/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/02/26/grecia-milhares-de-estudantes-protestam-contra-nova-lei-de-seguranca-nas-universidades/

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Noite de outono –
Sonhos, roncos,
E grilos.

Suiô

[EUA] Ajuda mútua: três trabalhos clássicos anarquistas visionários

Ajude a PM Press a dar vida às novas edições dos livros de Peter Kropotkin, com belas ilustrações de N. O. Bonzo.

Peter Kropotkin foi o principal teórico do movimento anarquista. Seus livros continuam a influenciar aqueles que buscam uma sociedade baseada na liberdade, igualdade e ajuda mútua. Essas ideias são necessárias agora mais do que nunca.

Este ano, para comemorar o aniversário de 100 anos de sua morte, e apresentar suas ideias a um público mais amplo, estamos publicando três novas edições de seus clássicos. Esses incluem Palavras de um Rebelde, A Grande Revolução Francesa, 1789-1793 e Ajuda Mútua: Um Fator Iluminado de Evolução.

Cada página do livro Ajuda Mútua é lindamente ilustrada pelo artista N. O. Bonzo, e o trabalho desfruta de comentários perspicazes de um elenco de estrelas de pensadores anarquistas, incluindo o último escrito de David Graeber, que deixou este mundo cedo demais, em 2020.

Saiba mais sobre as três edições atualizadas e os seus colaboradores, encomende os livros individualmente, como um conjunto, ou com trabalhos relacionados e escolha pôsteres, tapeçarias, camisetas e bolsas criadas especialmente por N. O. Bonzo. Ajude a trazer esses livros importantes de volta à vida e a garantir que as teorias visionárias de Kropotkin continuem vivas e sejam colocadas em práticas por mais cem anos ou mais.

Mesmo que tenhamos alcançado a meta, mais patrocinadores e suporte colocarão essas obras importantes em mais mãos.

Obrigado por seu apoio!

>> Para colaborar, mais infos, clique aqui:

https://www.kickstarter.com/projects/ww3/mutual-aid-an-illuminated-factor-of-evolution

Tradução > Bellatrix Anarchy

agência de notícias anarquistas-ana

Madrugada fria.
A lua no fim da rua
vê nascer o dia.

Ronaldo Bomfim

[Espanha] “De Mississipi a Madri”: os brigadistas negros que lutaram contra Franco

Nutriram as filas do chamado Batalhão Lincoln, integrado por 2.800 estadunidenses. Apenas superavam a centena e lutavam na Espanha por alguns direitos civis e uma justiça social que lhes recusavam em seu próprio país.

Por Juan Losa | 30/03/2021

Apenas alcançavam a centena. Sua presença naquela Espanha que, agora, boceja e bate, como disse o poeta, resultava um pouco menos que exótica. Abasteciam as fileiras do chamado Batalhão Lincoln, integrado por 2.800 estadunidenses. Um viveiro de antifascistas vindos de uma jovem nação que contava entre suas fileiras com ao menos uma centena de afroamericanos. O triste paradoxo é que lutavam na Espanha por alguns direitos civis e uma justiça social que lhes recusavam em seu próprio país.

A história destes milicianos negros [e da única mulher negra no Batalhão Lincoln, Salaria Kea¹] é a história de um esquecimento. Também de um compromisso inquebrável com a liberdade, conscientes de que derrotar o fascismo seria a primeira de muitas outras batalhas pendentes. A disputa espanhola foi, nesse sentido, a primeira parte de uma mesma revolução que décadas mais tarde, nos anos de 1960, alcançaria seus momentos culminantes nos EUA com o movimento pelos direitos civis.

A literatura, os quadrinhos e os documentários revisitam a jornada destes brigadistas negros que uniram suas forças junto a outros 50.000 voluntários chegados de 54 países. Um desembarque vindo de terras remotas com o objetivo de frear o avanço fascista encarnado pelos golpistas de Franco e seus aliados; a Itália de Mussolini e a Alemanha de Hitler. Não cabia meio termo, as frentes estavam nítidas e era necessário tomar partido.

“Para eles, é uma única luta que vem da escravidão e que segue até nossos dias, como bem sabemos e vemos nas notícias. Naquele momento, quando estoura a Guerra Civil, os afroamericanos, em especial de Chicago e Nova York, entenderam que lutar na Espanha era um modo de combater o racismo que havia em seu próprio país”, explica Alfonso Domingo, responsável junto a Jordi Torrent pelo documentário Heróis Invisíveis, filme que contribui a recompor um relato esquecido.

Heróis Invisíveis nos fala daqueles voluntários vindos de muito longe para lutar pela liberdade e escrever a história de uma aliança legendária, que uniu às pessoas excluídas de um mundo ainda não globalizado, mas que já gerava injustiças e servidões. O documentário conta com um protagonista de exceção, James Yates, quem ao final de sua vida escreveu um livro, De Mississipi a Madri (La Oficina e BAAM), no qual relata as peripécias de um afroamericano nascido no sul dos Estados Unidos que emigra para o norte de seu país, e que mais tarde recairá como voluntário na Espanha.

Aquele livro, que encontrou em Nova York a fotógrafa e escritora Mireia Sentís, fundadora da Biblioteca Afro Americana Madri (BAAM), foi a origem e a inspiração de Heróis Invisíveis. Sentís, Domingo e Torrent se encontraram com frases como esta: “Pela primeira vez na Espanha, como homem negro me senti livre”. Uma confissão, a cargo do próprio Yates, que diz muito da importância que teve a disputa espanhola em sua vida.

“Ele estava lutando por que queria – Aponta Domingo – e o fazia junto à pessoas a quem chamava camarada e junto a um povo irmão, podia comer em qualquer lugar, entrar onde queria, tinha um tratamento de igualdade, algo que ele não tinha vivido nos Estados Unidos e que conseguiu viver na Espanha pela primeira vez durante a Guerra. Mas quando regressou a seu país, o inferno continuava ali…”. Não foi em vão, e assim como lembrou Domingo, Yates sofreu em primeira mão o racismo nos EUA assim que voltou.

“Rir para não chorar”

Outra figura chave junto a Yates é a do poeta, narrador, dramaturgo e correspondente de guerra estadunidense Langston Hughes (1902-1967), cujas crônicas e impressões de sua passagem pela Espanha permitem conhecer em primeira mão a vida daquelas pessoas nas frentes republicanas. Escritos que se demarcam na capacidade da comunidade afroamericana de sublimar sua dor através da música.

“Os horrores das trincheiras, a miséria e a dor de uma sociedade esfarrapada, ao mesmo tempo e que cenas da vida cotidiana, não isentas de humor, em que suas personagens eram capazes de ouvir música e rir, com esse mesmo riso que sempre acompanhava Hughes, inclusive em seus piores momentos, seguindo o tema largamente adotado pela população negra de rir para não chorar”, escreveu a tradutora Maribel Cruzado no prólogo de Escritos sobre Espanha, que recompila pela primeira vez a obra periodística e poética de Langston Hughes inspirada na Guerra Civil.

Junto a Yates e Hughes, emergem outros nomes como o da enfermeira Salarea Kea, nascida no Harlem, que encontrou o amor de sua vida – um soldado irlandês – durante seu desempenho no campo de batalha, ou de Oliver Law, que se converteria no primeiro comandante negro de um batalhão formado em sua maioria por brancos. Também o nome do cantor e ator Paul Robeson, militante do Partido Comunista, que presenteou com sua voz aos soldados no front.

A História em Quadrinhos A Brigada Lincoln (Evolution, Panini Comics) recuperou precisamente a façanha de Oliver Law, um dos primeiros voluntários dos Estados Unidos a se alistar como combatente em defesa da República espanhola, que terminou por se converter, graças à sua experiência militar e suas qualidades de liderança, em capitão de uma companhia de metralhadoras.

A jornada de Law foi registrada com a maestria da mão de Pablo Durá, Carles Esquembre e Ester Salguero, responsáveis por um projeto que recupera e homenageia a figura deste homem e de tantos outros que deram a sua vida pela democracia em um país de que pouco ou nada sabia. Law morreu em 10 de julho de 1937 durante o ataque ao chamado Morro do Mosquito, Villaviciosa de Odón. Sua vida, como a dos demais afroamericanos que jogaram a vida na Espanha, merece ser relembrada.

Fonte: https://www.publico.es/culturas/misisipi-madrid-brigadistas-negros-lucharon-franco.html

Tradução > Caninana

[1] Nota da Tradutora: Referências sobre a participação de Salaria Kea na Revolução Espanhola: https://en.wikipedia.org/wiki/Salaria_Keahttps://www.blackpast.org/african-american-history/african-american-anti-fascists-in-the-spanish-civil-war/

agência de notícias anarquistas-ana

flor amarela,
no vaso, vê o mundo
pela janela

Carlos Seabra

[Reino Unido] Crítica: “Emma Goldman, ‘Mother Earth’ and the Anarchist Awakening”

“Este volume importante e essencial de Rachel Hsu volta às fontes primárias em uma tentativa de permitir que as ideias e ações de Goldman falem por si mesmas.”

by Rachel Hui-Chi Hsu

Notre Dame: University of Notre Dame Press

2021

ISBN 9780268200299

$45.

Crítica por Barry Pateman | Apareceu pela primeira vez na Biblioteca Kate Sharpley através do KSL Spring Bulletin.

É difícil não sentir alguma simpatia por Emma Goldman depois de seu tratamento nas mãos de alguns historiadores e escritores. Com muita frequência, eles recortam as ideias dela para “provar” suas teses preconcebidas ou simplesmente falham em reconhecer a complexidade de “Luz e Sombra” na vida dela, sobre a qual Candace Falk escreve no volume três do Emma Goldman Papers (“Documentos de Emma Goldman”). (“Light and Shadows [‘Luz e Sombra’], 1910-1916”. Stanford: Stanford University Press, 2012). Há, no entanto, algumas evidências de que essa situação está sendo gradualmente remediada além do trabalho “The Emma Goldman Papers”. O “Emma Goldman: Political Thinking In The Streets” (“Emma Goldman: Pensamento Político Nas Ruas”) de Kathy Ferguson (Londres: Rowan e Littlefield, 2011) aceita os princípios subjacentes do anarquismo que conduzia Goldman e seus camaradas e discute como Goldman tentou tornar essas ideias e princípios uma realidade. Agora, este volume importante e essencial de Rachel Hsu volta às fontes primárias em uma tentativa de permitir que as ideias e ações de Goldman falem por si mesmas. É um lembrete oportuno de que Goldman é ela mesma com tudo o que isso significa e não apenas uma frase de inspiração do Facebook, normalmente tirada de contexto.

Como o título sugere, Hsu se concentra nos anos 1906-1917, nos anos da revista “Mother Earth” e nos eventos e iniciativas que foram uma parte fundamental de sua vida. Não pode haver dúvida de que esta revista desempenhou um papel de liderança no mundo do anarquismo de língua inglesa por introduzir e desenvolver ideias anarquistas em partes antes inalcançadas da América e, na verdade, por meio dos correios e pela tradução, em muitas partes do mundo. Hsu é perspicaz ao discutir muitos dos tópicos que preenchem suas páginas: anarquismo, antimilitarismo, feminismo, a luta pela contracepção, lutas trabalhistas, liberdade de pensamento, liberdade de expressão, socialismo, sindicalismo, raça, a natureza do estado americano e um transnacionalismo pragmático, mas inspirador. É realmente uma lista de tirar o fôlego, mas Hsu é rápida em notar que todos esses tópicos provenientes de Goldman e do grupo “Mother Earth” eram sustentados por seu compromisso inabalável como ao anarco-comunismo. Goldman era feminista, por exemplo, porque ela era anarco-comunista e todas essas áreas que eu mencionei se tornaram, ou já eram, uma parte integrante do seu anarquismo. Algumas eram mais importantes do que outras de acordo com as circunstâncias, mas para ela nunca foram separadas ou contraditórias.

Durante esse período, Goldman ganhava a vida com discursos públicos, mas precisamos lembrar que foi durante a linha do tempo deste volume que ela se descobriu como escritora, percebendo que ela tinha a capacidade de expressar ideias complexas de forma forte e direta e foram esses escritos que aumentaram sua reputação imensuravelmente. Dito isso, foi através de seus discursos que a reputação dela também cresceu. Ela embarcou em viagens enormes e exaustivas que cruzaram a América, às vezes falando para um punhado de pessoas, às vezes para grandes e animadas multidões. Ela era uma propagandista em tempo integral e falava sobre qualquer assunto que pudesse atrair uma multidão e de formas indiretas apresentá-los às ideias anarquistas. Ela era deliberadamente provocativa e desafiadora e, na pior das hipóteses ao menos, encorajava as pessoas a pensarem sobre o papel desempenhado pela autoridade em suas vidas.

Devemos também deixar claro, como faz Hsu, que tudo isso não era apenas Goldman. O meio anarquista incluía aqueles que colocaram as cadeiras para a reunião e enfrentaram os efeitos posteriores de sua visita em uma pequena cidade americana, assim como os correspondentes assíduos e a equipe editorial em torno da “Mother Earth”. Ela era frequentemente editada por outros – Alexander Berkman por exemplo – quando ela realizava suas viagens, que lhe exigiam muito, e precisamos estar cientes da dinâmica política entre aqueles próximos à “Mother Earth” para ver como suas ideias se desenvolveram e sua influência em Goldman.

Você vai encontrar tudo isso e mais em “Emma Goldman, ‘Mother Earth’ and the Anarchist Awakening”. Hsu vasculha a “Mother Earth” por informação e não se esquiva das contradições ou complexidades que podemos encontrar lá. Ela está igualmente ciente da importância da cultura impressa para o anarquismo, assim como das animadas e às vezes desafiadoras reuniões públicas que são mencionadas. Ela vê Goldman como uma pioneira cujo anarquismo consiste em uma riqueza que, talvez, só agora esteja sendo totalmente compreendida. O trabalho de Hsu significa que, depois da leitura deste livro, ganhamos um senso real de todos os eventos e ideias que estavam borbulhando e se fundindo durante esses anos críticos.

Há algo mais que Hsu sugere e espera-se que ela decida levar isso adiante em seu trabalho futuro. A saber, que efeito as ideias anarquistas tiveram sobre aqueles que entraram em contato com elas durante esse tempo? Como o grupo de estudos literários, os defensores da liberdade de expressão, aqueles que lutam pela contracepção ou aqueles engajados nas lutas trabalhistas, por exemplo, se viam em relação aos anarquistas que frequentemente trabalhavam com eles? E qual efeito as ideias de Goldman e de outros anarquistas tiveram sobre a sociedade em geral? Como Hsu sugere, o anarquismo de língua inglesa durante esse período – principalmente graças a Goldman e todos aqueles em torno da “Mother Earth” – atraía um público mais amplo do que jamais foi capaz de atrair na América antes e traçar seus efeitos em pensamentos e ações mais amplos seria um projeto emocionante.

Além de compreender e apreciar a mulher difícil, decidida e corajosa que foi Emma Goldman, o trabalho de Hsu analisa o desenvolvimento da complexidade do pensamento anarquista de Goldman (e de outros) revelado por todos aqueles anos de desafios à autoridade em tantas arenas diferentes. Às vezes eles tomavam a ofensiva, mas muitas vezes eram forçados a ficar na defensiva. “Emma Goldman, ‘Mother Earth’ and the Anarchist Awakening” nos permite ver Goldman como ela mesma e não como quem gostaríamos que ela fosse durante, talvez, os anos mais importantes de sua vida. Através do trabalho de Hsu, nós apreciamos Goldman como uma anarquista e pensadora consciente que é parte de um movimento anarquista mais amplo que está em constante reação ao mundo ao seu redor.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/book-review-emma-goldman-mother-earth-and-the-anarchist-awakening/

Tradução > Brulego

agência de notícias anarquistas-ana

Leve esvoaçar
do cabelo da menina.
Aragem do mar.

Benedita Azevedo

[Grécia] Pôster | Manifestação anarquista em Atenas, sábado (17/04)

Contra a pandemia, o terrorismo de Estado e a barbárie capitalista

Contra a crescente exclusão social, pobreza e exploração

Solidariedade com a luta dos e das trabalhadoras da saúde para fortalecer a saúde pública – Requisição direta de unidades privadas de saúde

Solidariedade com os alunos que lutam contra a reestruturação educacional, a repressão e a submissão

Solidariedade com os presos / detidos durante a manifestação em Nea Smyrni que foram torturados e ameaçados de estupro na GADA [principal delegacia policial de Atenas], e liberação imediata dos presos, cuja perseguição é vingativa e visa aterrorizar aqueles que se manifestam e lutam.

Tudo para todos!

Alimentação, saúde, educação, habitação

Auto-Organização Social, Solidariedade de Classe, Combate e Resistência em todos os bairros

Concentração e passeata, sábado 17/04, 17h, no parque de Chipre e Patission

Okupação Lelas Karagianni 37

agência de notícias anarquistas-ana

Lágrima aflora.
Na música lá fora
uma alma chora.

Rogério Viana

[EUA] Saiamos à rua por Mumia Abu-Jamal!

Saiamos à rua por Mumia! O Liberamos ou ele Morre. Mobilização para paralisar a cidade da Filadélfia! 23-25 Abril!

O Estado está lentamente assassinando Mumia Abu-Jamal (injustamente condenado e encarcerado desde 1981) através da negligência médica. Mumia está se recuperando de COVID. Tem insuficiência cardíaca congestiva. Tem cirrose do fígado. Tem uma grave condição de pele.

Seus inimigos querem que ele morra na prisão. NÓS DIZEMOS NÃO!!! Os convidamos a encher as ruas da Filadélfia quando Mumia completa 67 anos no sábado 24 de abril. Que Mumia saiba que lutamos contra o esforço do Estado para assassiná-lo. Apesar da pandemia, éramos milhares que saíram às ruas depois dos assassinatos de George Floyd, Breonna Taylor e Walter Wallace. Agora saiamos para parar o assassinato de Mumia antes de que seja demasiado tarde. No fim de semana também vamos honrar a outros lutadores sociais e recordar a Walter Wallace, assassinado faz seis meses.

Que o Estado saiba: QUEREMOS MUMIA EM CASA!

Conteúdos relacionados:

 https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/26/eua-sigam-lutando-sem-parar-por-mumia-e-nao-se-detenham/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/24/eua-obrigado-por-estender-a-mao/

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o curso d’água,
Perseguindo sua sombra,
Desliza a libélula.

Chiyo-jo

[Itália] Há um século atrás: Errico Malatesta, a greve de fome e a revolução que não aconteceu

Por Susanna Schimperna | 19/03/2021

Exatamente cem anos atrás, em 20 de março de 1921, a sede da polícia, a prefeitura, o governo e o parlamento se encontraram unidos no medo, nunca maior do que então, da eclosão de tumultos intermináveis e simultâneos por toda a península, tumultos orquestrados por anarquistas e parte de um plano que levaria à revolução.

Durante algum tempo o descontentamento popular, causado principalmente pela crise econômica, tinha crescido e tinha feito como porta-voz o Partido Socialista, o Partido Republicano, os sindicatos. E é verdade, as asas extremas dos partidos (além, obviamente, dos anarquistas) tinham como objetivo declarado a revolução. Além disso, havia suspeita – mas não havia provas neste sentido – de ligações entre anarquistas italianos e residentes em Nova York (onde, naquele período, os ataques e manifestações eram diários, especialmente após a prisão, considerada injusta, de Sacco e Vanzetti), bem como subsídios em ouro que, segundo a hipótese da Sede da Polícia, o jornal anárquico Umanità Nuova, teria recebido da Rússia.

Para agitar particularmente as almas, a greve de fome começou por Errico Malatesta, Armando Borghi e Corrado Quaglino, uma greve à qual se juntaram imediatamente muitos outros prisioneiros. Os três estavam na prisão desde 17 de outubro, o primeiro como diretor do Umanità Nuova e os outros como editores. Eles tinham praticamente reunido toda a equipe editorial naquele 17 de outubro, mas então, sob pressão da imprensa e dos deputados socialistas, e na total ausência de provas, pelo menos os homens implicados foram libertados. Os três que permaneceram na cela pressionados para finalmente terem um julgamento, este era o objetivo da greve, e a condição de Malatesta, já avançada em idade e doente, era tão preocupante que se temia que durante a greve de fome não sobrevivesse.

Os anarquistas pediram um protesto em massa, o que não aconteceu porque sindicatos e partidos de esquerda recuaram, mas a indignação havia se tornado geral. Umanità Nuova publicou um relato detalhado de uma tentativa fracassada da Questura de incriminar o acusado com provas falsas, enquanto na Câmara dos Deputados os socialistas perguntaram insistentemente a um Giolitti envergonhado porque Malatesta estava preso.

Todas as informações apontavam para o dia 20 de março como o dia crucial. A inauguração da placa em memória de Luigi Molinari (um advogado anarquista que morreu em 1918) deveria ter sido a ocasião para desencadear a primeira centelha, que seria seguida por todas as outras. Para isso, naquele dia, carabinieri e guardas reais se reuniram em números impressionantes no Cemitério Monumental de Milão, onde prenderam – medida preventiva – quarenta anarquistas.

Não havia um plano para uma insurreição geral. Porém, nas mesmas horas, muitos fascistas que desfilaram pelas ruas de Milão para celebrar os Cinco Dias, e depois de dispersos quando começaram a marchar para o Palazzo Marino, decidiram ir provocar os “vermelhos” em Greco, o bairro tradicionalmente operário, anarquista, comunista.

Para chegar ao bairro Greco, a coluna que cantou e zombou dos Vermelhos foi a Viale Monza na Piazzale Loreto. Aqui uma mulher, Giovanna Maestri, evidentemente de uma opinião diferente, reagiu acenando um pano vermelho de sua janela. Foi o pretexto para iniciar os confrontos violentos. Alguns deles deixaram a rua para ir arrombar a porta de Giovanna, arrombaram a casa, tiraram o pano e o substituíram pela bandeira tricolor. Os outros ficaram para trás para lutar, e o saldo final (de acordo com o relatório da Prefeitura) foi de trinta feridos e dois mortos: Aldo Setti, um fascista, e Margherita Lazzarini, uma socialista.

Não haveria nenhuma revolução e nenhuma decisão em relação ao julgamento. Malatesta e seus companheiros, no entanto, suspenderam sua greve de fome três dias depois, após o ataque ao teatro Diana que deveria ter atingido o promotor Giovanni Guasti e Benito Mussolini, mas em vez disso deixou vinte e um mortos. Um ataque que Malatesta condenou e que mais tarde inspirará um longo artigo no qual ele dirá que a propaganda pelo fato não deve ser confundida com o massacre, e seja qual for a barbaridade que eles tenham feito aos outros, cabe aos anarquistas e homens de progresso manter o confronto dentro dos limites da civilização.

Fonte: https://www.huffingtonpost.it/entry/un-secolo-fa-errico-malatesta-lo-sciopero-della-fame-e-la-rivoluzione-che-non-arrivo_it_60547786c5b6cebf58cde9f0

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

peixes voadores
ao golpe do ouro solar
estala em farpas o vidro do mar

José Juan Tablada

[Espanha] O que é o anarco-sindicalismo? Como usar a tática da Ação Direta?

CNT – Sevilha   

O anarco-sindicalismo é uma corrente de pensamento que surgiu no final do século XIX e no início do século XX. Suas características fundamentais são:

– A intenção de agrupar o mundo do trabalho para a defesa de seus interesses imediatos, e para obter melhorias em sua qualidade de vida. Para este fim, formou sindicatos.

– A criação de uma estrutura na qual não haja líderes ou poder executivo.

– O desejo de uma transformação radical da sociedade, uma transformação que é alcançada por meio da Revolução Social. Sem um propósito transformador não há anarco-sindicalismo.  Outro nome para o anarco-sindicalismo é sindicalismo revolucionário.

Como se diferencia de outros sindicatos e movimentos sociais?

O anarco-sindicalismo está convencido de que as causas da desigualdade social e da injustiça se baseiam no poder, no princípio da autoridade, que faz com que uma minoria mande, disponham da riqueza gerada pela sociedade e mantém seus privilégios através da violência, e a maioria obedece, não tenha nada mais do que o que precisa para sobreviver e sofrer a violência deste grupo minoritário.

Consequentemente, o anarco-sindicalismo, a fim de eliminar a injustiça, opõe-se ao princípio da autoridade, à decisão das elites e à representação máxima do poder: o Estado.

Contra a organização hierárquica e autoritária do Estado – Capital e seu aparelho repressivo, o anarco-sindicalismo se opõe a sua Não-Organização. Isto supõe um processo, no qual as decisões são tomadas a partir da base, no qual as pessoas participam, no qual não há liderança (ou é muito limitada), não há repressão e há plena liberdade e igualdade no intercâmbio de ideias, opiniões e iniciativas.

O anarco-sindicalismo tenta ser o menos parecido possível com o capital-estado.  É, portanto, a mais “anti-organização” do modelo organizacional existente em nossos dias: o modelo autoritário.

A tática da ação direta no anarco-sindicalismo

A palavra tática significa agir no terreno de casos concretos.  Ação direta significa ação sem intermediários.  Solução direta dos problemas pelas partes envolvidas.  A Ação Direta, portanto, rejeita a atividade dos parlamentos, magistrados, comitês, governos, etc., nos assuntos do povo.

O único tipo de ação aprovada no anarco-sindicalismo, é a Tática de Ação Direta, em todos os seus congressos desde 1910. Entretanto, e para ser franco, é preciso admitir que, como os tempos e nossas forças são, às vezes recorremos a um tipo de ação mediada através de nossos escritórios jurídicos e das magistraturas trabalhistas.  Sempre tentamos resolver problemas sem recorrer a tímidos, o que significa deixar nossa soberania nas mãos do sistema judicial, alongando processos que seriam mais rápidos se houvesse uma resposta enérgica e gastando muito dinheiro para manter um sistema legal caro, parasitário, pernicioso e inútil. Mas há momentos em que, por falta de decisão, falta de apoio, falta de pessoas… não há outra escolha senão recorrer a profissionais do direito, ou não fazer absolutamente nada. Por esta razão, algumas vezes foi proposto admitir nos acordos de congressos a utilização, além da ação direta de preferência, de ação mediada quando não há outra escolha.

Este não foi o caso, porque enquanto a Ação Direta for mantida como a única tática que pode ser assumida pela militância anarco-sindicalista, manteremos nosso compromisso com ela, e toda vez que agirmos contra a Ação Direta, saberemos que estamos quebrando um acordo. Se admitirmos uma espécie de tática contra nossa estrutura e digerirmos o indigestível, é possível que quando tivermos força suficiente e pessoas para levar nossas opiniões adiante sem a necessidade de suportar regras legais, deixaremos de vê-la e recorreremos rotineiramente aos tribunais. A ação direta é sempre mais rápida, mais barata e mais eficaz do que o recurso à mediação. Ela tem a desvantagem de exigir mais energia e coragem para realizá-la.

> Trechos extraídos do texto Anarco-Sindicalismo Básico, que está disponível na versão completa em https://libcom.org/files/anarcosindicalismo_b%C3%A1sico.pdf

Fonte: http://periodicoellibertario.blogspot.com/2021/03/que-es-el-anarcosindicalismo-como-usa.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

sob a árvore imóvel,
silêncio de pássaros dormindo;
paz na noite.

Alaor Chaves