[Espanha] O anarquismo, a única ideologia que mata

Há historiadores e historiadoras que leio por prazer ou com fins utilitários (para alguma investigação em andamento) ou por ambos motivos ao mesmo tempo. Tony Judt faz parte do primeiro grupo, algo que talvez repense a partir de agora. Qualquer pessoa dedicada à investigação histórica tem ideologia, não existe uma pessoa que não tenha sua subjetividade, sua visão do mundo, sua maneira de compreender a realidade. Pretender ser objetiva e não estar influenciada por todos esses componentes (e muitos outros como o gênero, a raça, a etnia, a classe social, a nação na qual nasceu, sua religião, etc.) é enganoso e suspeitoso (os que o pretendem chamam historiadores/as “militantes” ao “outro ou outra” como insulto).

Tony Judt não oculta sua opção política social-democrata e escreveu algum livro a respeito como o intitulado “Algo va mal“. Sua opção política, que não é a minha, nunca foi um obstáculo para que tenha lido muitos de seus livros com verdadeiro prazer apesar da distância ideológica que nos separa. O considerei um historiador honesto e para mim isso era suficiente.

Talvez pelos muitos livros que li de Judt me surpreendeu mais o fragmento com o qual me deparei lendo seu livro, “Cuando los hechos cambian“:

“Houve terroristas anarquistas, terroristas russos, terroristas índios, terroristas árabes, terroristas bascos, terroristas malaios, terroristas tamis e muitos mais” (p. 280).

Fiquei tão petrificada que o reli várias vezes para tentar entender por que Judt havia metido no mesmo parágrafo o terrorismo que assinala uma corrente de pensamento, o anarquismo, com o terrorismo localizado em diversos territórios geográficos. Por que Judt sentiu a necessidade de destacar o terrorismo levado a cabo por pessoas anarquistas como se estas não pudessem ser enquadradas em sua nacionalidade respectiva.

Esta afirmação em seguida me recordou o monumento dedicado a Cánovas del Castillo em Madrid assassinado pelo anarquista italiano Angiolillo em 1897. Na base do monumento pode-se ler literalmente:

“Víctima del anarquismo. Murió asesinado en Santa Águeda el 8 de agosto de 1897 (…)”.

Mais recentemente voltei a ler algo parecido quando aconteceram as manifestações em favor da liberdade de Pablo Hasél em Barcelona e na imprensa pude ler que os protagonistas dos protestos e incidentes violentos eram: anarquistas, antifascistas e antissistema. Por que o articulista sentiu a necessidade de destacar como violentas a pessoas anarquistas enquanto utilizou termos nos quais se englobam ideologias diversas, claro as próprias pessoas anarquistas, como antifascista ou antissistema?

Os meios de comunicação e outros instrumentos de poder institucional colaboram sistematicamente em associar a ideia de violência ao anarquismo, algo insano posto que outras ideologias como o liberalismo, o nacionalismo ou o comunismo inspiraram guerras ou atos de repressão que causaram, e seguem causando, milhões de pessoas mortas. Não só consideram que o anarquismo é violento e mata, mas que sistematicamente ignoram ou ocultam o fato de que muitos homens e mulheres anarquistas optaram por não praticar a violência nunca. O caso mais recente (mas há muitos) é um vídeo editado pela Universidade de Zaragoza sobre a anarco-sindicalista, pacifista e fundadora da revista Mujeres Libres, Amparo Poch e Gascón, no qual ocultam quais eram as ideias que inspiraram sua trajetória posto que não mencionam em nenhum momento que era anarquista, nem tão só libertária.

Esse parágrafo de duas linhas de Tony Judt me parece tão pouco honesto, tão manipulador da realidade, que revisarei meu interesse em ler seus livros. Houve pessoas anarquistas que praticaram a violência e houve muitas mais que não o fizeram nunca, o poder institucional sempre estará interessado em associar a violência aos que questionam seu poder e em livrar-se do duro fardo de pessoas mortas que vem acompanhando em seu exercício do poder desde há centenas e centenas de anos.

Laura Vicente

Fonte: http://acracia.org/el-anarquismo-la-unica-ideologia-que-mata/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

De espantalho
Para espantalho,
Voam os pardais.

Sazanami

[Turquia] Estamos convocando para a Federação!

O anarquismo luta pela justiça e liberdade há duzentos anos. Esta luta foi baseada em uma batalha contra o poder de cada indivíduo e da sociedade; contra o Estado, que é o inimigo do povo e contra o capitalismo, que explora o povo. Esta luta é baseada em cem mil anos de um mundo sem Estado em oposição ao mundo estatal de cinco mil anos atormentado pela revolta. O anarquismo derrubará o poder estabelecido e criará uma vida sem poder, pela justiça e liberdade, com o potencial para uma nova realidade.

Nesta geografia, somos nós que tecemos a luta anarquista revolucionária há 12 anos. Somos nós que dizemos “Anarquismo significa se organizar”. Transformamos nossas palavras em ações. Estamos vivenciando passo a passo uma organização anarquista. Em vez de egoísmo e competitividade imposta a cada indivíduo da sociedade, nós cultivamos a solidariedade e a partilha. Em vez de obediência, nós organizamos a rebelião. Salvamos a esperança da ansiedade, caminhamos sobre o medo com coragem.

Estamos em uma luta contra o Estado. Estado significa injustiça. Vamos destruir essa injustiça. Somos armênios, curdos, lazes… Somos a maioria, não a minoria; Somos os povos massacrados confrontados com o Estado. Somos trabalhadores, em uma luta contra os patrões. E toda luta trabalhista é nossa luta. Estamos em uma luta contra a dominação masculina. Somos mulheres, contra o machismo. Somos as cores do arco-íris contra o cinza da dominação masculina. Somos a harmonia da árvore com o riacho, do leão com a gazela. Estamos em uma luta contra o capitalismo, que destrói toda vida e ecossistema. Somos jovens que resistem a todo cativeiro por sua liberdade. Somos aqueles que lutam com a força de nossa juventude. Nós, Anarquistas Revolucionários, somos aqueles que compartilham solidariedade rua por rua, bairro por bairro, somos os organizadores do anarquismo dos sete aos setenta anos. Nós organizamos cada uma das lutas, sem priorizar nenhuma. E nossa luta continua. Dia após dia, o anarquismo está se organizando em nossa região. As redes em diferentes regiões estão se expandindo e se fortalecendo. Agora nos deparamos com uma realidade que estes 12 anos nos trouxeram.

A relação entre as organizações de Ancara e Istambul, que têm operado sob princípios de solidariedade, precisam responder às novas necessidades de uma luta crescente. Vamos experimentar situações semelhantes em novas regiões amanhã. Também precisamos fortalecer os laços de lutas de anarquistas independentes. Precisamos de relações federativas para atender todos esses requisitos e ampliar ainda mais a luta.

O anarquismo organizado, que é nossa tradição, nos mostra isso com centenas de federações que foram criadas em todo o mundo em seus duzentos anos de história. Sim, a realidade que encaramos hoje é a federação.

Nós, como Anarşist Gençlik (Juventude Anarquista), Karala, Devrimci Anarşist Faaliyet DAF (Ação Revolucionária Anarquista), Lise Anarşist Faaliyet LAF (Ação Anarquista no Ensino Médio) e o jornal Meydan declaramos que continuaremos esse luta com a Federação Anarquista Revolucionária para criar um mundo livre cheio de partilha e solidariedade. Chamamos todos para esta luta, para a luta da justiça e liberdade, para levar para o amanhã a tradição emprestada de nossos camaradas. Chamamos a luta para cultivar as sementes do anarquismo em nossas mãos pela Mesopotâmia, Anatólia e Trácia. Estamos convocando para a Federação.

Fonte: https://anarsistfederasyon.org/we-are-calling-to-the-federation/

Tradução > Brulego

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/06/15/turquia-a-policia-ataca-brutalmente-os-estudantes-da-laf-em-istambul/

agência de notícias anarquistas-ana

Longa chuvarada…
Nos matos e nas lagoas,
um canto de vida.

Humberto del Maestro

[Espanha] 1º de Maio 2021: Trabalhar menos para trabalhar todas

Há que exigir que se distribua o trabalho e a riqueza

O 1º de Maio sempre será um dia reivindicativo e de luta como garantia dos direitos: ao trabalho digno; a uma jornada laboral que possibilite conciliar o trabalho com a vida; a um salário e prestações sociais suficientes, tanto quando se tenha emprego como quando não se tenha, mediante uma Renda Básica das Iguais; a pensões adequadas para viver com dignidade, para lutar contra as reformas laborais, os despejos ou as leis mordaça.

O empobrecimento material de milhões de trabalhadores e trabalhadoras, através de mecanismos como o corte massivo das rendas salariais, está gerando uma das sociedades mais desiguais do mundo. Segundo dados do Banco de Espanha, 25% da população do estado espanhol vivia já em risco de pobreza ou exclusão social antes da pandemia. A situação quando esta termine pode ser catastrófica. Isto supõe que 4,5 milhões de lares não possam fazer frente às necessidades tão básicas como pagar um aluguel ou uma hipoteca, manter aquecidas suas casas ou simplesmente comer todos os dias.

Quatro milhões de pessoas em desemprego, às quais o estado nega seu direito mais essencial como classe trabalhadora: o direito de “ganhar a vida”. Tampouco lhes reconhece o estado o direito a umas prestações sociais ou a uma Renda Básica das Iguais suficiente para viver dignamente.

Frente a isso, o ano passado se realizaram quase 25 milhões de horas extraordinárias, das quais não se pagaram mais de 11 milhões. E resulta especialmente demolidor o dado que no caso das mulheres mais da metade das horas extraordinárias não foram retribuídas.

A pandemia, ademais, evidenciou outras vergonhas do sistema. Se pôs o interesse econômico acima da vida das pessoas; se protegeu interesses particulares acima das necessidades da imensa maioria; algumas administrações olharam para o outro lado quando se descumpriam sistematicamente diversos preceitos legais; manga larga para uns e lei do funil para outras. O sistema sanitário, ferido de morte após as contínuas privatizações, se colapsou e, com base nos fatos – que são difíceis –, a saúde privada demonstrou sua enorme incapacidade.

Vêm tempos difíceis, tempos convulsos, tempos onde os interesses das elites tratarão de se impor novamente à classe trabalhadora. No entanto, não podemos permitir que a crise seja paga, uma vez mais, pelos e pelas de sempre. Porque seria intolerável que permitíssemos, como sociedade, um novo resgate às entidades financeiras enquanto as condições de vida da classe obreira seguem se degradando numa velocidade vertiginosa.

Este 1º de Maio, tem que seguir sendo o dia em que milhões e milhões de trabalhadores e trabalhadoras, digamos basta e enchamos nossas vidas cotidianas, não de sofrimento nem desespero, mas de Liberdade, impondo a governos, empresários e poderosos, outra Ordem Social, outro sistema, onde a distribuição do trabalho e da riqueza faça que uma vida digna para todas as pessoas seja possível aqui e agora.

VIVA O 1º DE MAIO!

VIVA A LUTA DA CLASSE TRABALHADORA!

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sobe a piracema…
A continuidade da vida
na contramão.

Teruko Oda

[Chile] Segundo informe de saúde: 22 dias de greve de fome

Há 22 dias do início da greve de fome por 9 companheirxs subversivxs, anarquistas e da revolta, podemos informar que xs companheirxs Tomas, Gonzalo e José largaram a greve por motivos expostos em seus respectivos comunicados. Por outro lado, xs companheirxs continuam em greve de fome contra as últimas modificações no Decreto de Lei 321 e pela liberdade imediata do companheiro Marcelo Villaroel.

Podemos informar que xs companheiros se encontram bem animicamente, mas já apresentando dores constantes de cabeça, cansaço e câimbras. O atual protocolo da gendarmeria considera a retirada de sangue em reiteradas ocasiões, e no caso da companheira Mónica Caballero, contínuos traslados ao hospital penal. Estas medidas ocorrem inclusive várias vezes por semana, produzindo um enorme desgaste físico axs companheirxs.

Considerando que os exames assinalam a veracidade da greve e o sério desgaste que sua realização implica, xs companheirxs decidiram se negar a realizar tais procedimentos, a menos que os considerem necessários e de forma excepcional por conta de seu estado de saúde.

Depois de 22 dias, xs companheirxs já sofreram uma grande perda de gordura, começando agora o processo de perda de massa muscular, já que a diminuição de peso foi reduzida, mas se mantém de forma contínua.

Hoje, 12 de abril, há 22 dias de greve de fome, a situação dxs compas é:

-Cárcere de San Miguel

Mónica Caballero: perda de aprox. 6 kg.

-Seção de Segurança Máxima:

Francisco Solar: perda de aprox. 7,5 kg.

-Prisão de Alta Segurança:

Marcelo Villaroel: perda de aprox. 7 kg.

Joaquín García: perda de aprox. 9 kg.

Juan Flores: perda de aprox. 7 kg.

-Cárcere Santiago 1

Pablo Bahamondes: perda de aprox. 11 kg.

PELA REVOGAÇÃO DAS ÚLTIMAS MODIFICAÇÕES NO DECRETO DE LEI 321!

PELA LIBERDADE IMEDIATA DO COMPANHEIRO MARCELO VILLAROEL!

12 de abril de 2021,

Território dominado pelo Estado chileno

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2021/04/13/segundo-informe-de-saude-22-dias-de-greve-de-fome/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/13/chile-a-luta-continua-e-a-greve-de-fome-tambem/

agência de notícias anarquistas-ana

pássaros cantando
no escuro
chuvoso amanhecer

Jack Kerouac

[Chile] Oficina de anarco feminismo

Desde o Órgão Anarco Feminista (OAF) lhes estendemos o convite para participar em duas sessões da oficina de anarco feminismo onde se apresentarão as principais pensadoras anarquistas em suas reflexões críticas concernentes ao gênero, as mulheres, a sexualidade, entre outros, dentro do sistema patriarcal.

Esta oficina é de vagas limitadas e a primeira sessão acontecerá na quinta-feira, 22 de abril, às 19:00 horas, e a segunda na quinta-feira, 29 de abril, na mesma hora. Nesta oportunidade se utilizará o app Google Meet.

As inscrições devem ser realizadas em nosso correio eletrônico organo.anarcofeminista.stgo@gmail.com e no momento da inscrição e confirmação da participação, lhe será enviado o link do encontro. Esperamos vocês.

Órgão Anarco Feminista (OAF)

agência de notícias anarquistas-ana

De noite minha sombra
Embebe-se na parede —
O grilo cricrila

Ryôta

[Espanha] Fanzine | A solidariedade não é só palavra escrita. Balanço repressivo contra anarquistas no estado espanhol

Índice

• Introdução. Que a solidariedade não seja somente palavra escrita.
• Apontamento sobre como enfrentamos (e como enfrentar) a repressão.
• Caso Bakia: solidariedade, caixas queimando e repressão.
• Operação Arca, G20 e os roubos de Aachen.
• Ocupação, resistência e ação direta no bairro de Grácia: saldo repressivo.
• O estado de direito – No labirinto da prisão de Gabriel Pombo Da Silva.
• Se tem que queimar, que queime.
• Direções de interesse.

Toda arrecadação irá para os companheiros presos devido aos distúrbios pela prisão de Pablo Hasél. Para realizar pedidos podes escrever a localanarquistamotin@riseup.net

Introdução. Que a solidariedade não seja somente palavra escrita

O balanço repressivo dos protestos que estalaram na raiz da prisão de Pablo Hasél, na Catalunha, e mais concretamente em Barcelona, alcançaram o grau de uma pequena revolta ou um estalo de importantes implicações que trouxe vários dias consecutivos de distúrbios em diferentes geografias da península, levando a centenas de prisões em todo o Estado. Centenas de feridos e presos em todo estado nas revoltas do fim de fevereiro. Em Granada, dois companheiros foram presos, já em liberdade condicional. Em Barcelona, 8 anarquistas foram colocados em prisão preventiva acusados de tentativa de homicídio, atribuindo a eles a tentativa de queimar um furgão policial durante os enfrentamentos. Em Madrid e na Catalunha, as detenções continuaram durante semanas depois dos feitos, seguindo a estratégia do estado de “repressão adiada”.

O foco repressivo tem sido colocado em muitos setores, mas desde cedo, os anarquistas que têm tomado parte ativa nas revoltas, cientes do que é subjacente neste estalo não é somente um mero protesto pela liberdade de expressão e direitos democráticos que não reconhecemos nem apoiamos. É um estalo provocado pelo rebote autoritário que os Estados têm operado em todo mundo com a desculpa de uma gestão de pandemia e a consequente pressão que às condições de exploração e miséria que o capitalismo nos submete, acelerando esses processos em suas crises cíclicas.

Recopilamos vários textos que refletem sobre a repressão e a necessidade de continuar a luta, e ser conscientes de que do inimigo, do Estado, só podemos esperar golpes, e que a defesa frente a isto deve ser a continuidade da luta e não cair em categorias próprias da repressão (inocência/culpabilidade) ou o vitimismo. Aqui há uma guerra, não esperemos piedade de jornalistas, políticos, empresários, juízes e policiais. E estas reflexões surgiram da raiz do ciclo repressivo da década anterior (entre 2011 e 2015 aconteceram várias operações antiterroristas em todo estado espanhol contra os ambientes anarquistas). Vários textos de casos de repressão acontecidos recentemente, nos quais as companheiras reprimidas e seus entornos, distantes de se curvar a comodidade da figura da pessoa “represaliada” e vitimizada, tem apostado na continuidade da luta, entendendo a repressão como consequência deste conflito. Não esperemos ser tolerados pelo Estado, nem por seus porta-vozes. A Democracia é isto e não outra coisa.

Não partimos do zero, temos experiências coletivas e comuns que estão longe de ser uma base ou um dogma, são uma coordenada a mais no mapa da revolta, pequenos “cabos guia” no mar de possibilidades, que utilizamos como suporte e auxílio para continuar a luta. Toda arrecadação deste fanzine, será destinada a apoiar os companheiros presos em Barcelona acusados de queimar o furgão policial.

Contudo, a solidariedade não pode se reduzir a um apoio e acompanhamento dos companheiros e companheiras retalhados, nem a bonitas palavras. A solidariedade ativa requer continuar a luta até suas últimas consequências e demonstrar ao Estado, que prender anarquista, não lhe vai sair de graça.

Solidariedade e luta

Península Ibérica. Março 2021

>> Baixar Fanzine [PDF]:

http://barcelona.indymedia.org/usermedia/application/5/fanzine_represi%C3%B3n.pdf

Tradução > Piwkepan

agência de notícias anarquistas-ana

Infância no campo
brincava nas plantações.
Bonecas de milho.

Leila Míccolis

 

[Chile] Ciclo de cinema anarquista: “La Commune”

Continuamos com nossos ciclos de cinema anarquista, nesta ocasião projetaremos todas as quintas-feiras de abril, o filme de Peter Watkins, “La Commune”. Dado que é um longa-metragem de 6 horas aproximadamente, se apresentará em 4 blocos, cada quinta-feira às 19h00.

A seguir uma pequena resenha deste filme:

Paris foi sacudida por múltiplos levantamentos populares durante sua história, os quais se conhecem como Revolução Francesa (1789), as revoluções de 1830 e 1848, a Comuna de Paris de 1871, o levantamento de agosto de 1944, o maio de 1968 e recentemente os distúrbios raciais de 2005 e os protestos dos coletes amarelos de 2020. Cada um destes acontecimentos teve suas particularidades e o uso da violência esteve ligado à necessidade de sobrepujar a repressão estatal.

Este 18 de Março se completaram 150 anos da Comuna de Paris, quando os habitantes da cidade tomaram o controle desta, frente ao colapso do Estado francês, pelo fracasso na guerra Franco Prussiana e a necessidade do povo de melhorar suas condições de vida.

O filme de Peter Watkins narra de maneira absolutamente original os acontecimentos de 1871, mediante a introdução de dois jornalistas televisivos, um oficialista e outra revolucionária, que através de relatos e entrevistas aos protagonistas da revolta, vão mostrando duas visões contrapostas. Assim, este filme não só nos leva a conhecer o fato histórico, mas também a refletir sobre o papel da imprensa oficial e a necessidade de construir canais de difusão antagônicos ao poder.

Sindicato Ofícios Vários Santiago

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/04/22/chile-ciclo-de-cinema-anarquista-online/

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Paineira em flor:
Casa-grande abandonada,
sem telha nem porta

H. Masuda Goga

A luta de um homem negro pela liberdade entre Caribe, Brasil, África e Europa

Por Juliana Sayuri | 10/04/2021

Em 1739, João José registrou um requerimento ao Rei Dom João 5º, de Portugal, reivindicando sua liberdade.

Foi a culminação de uma saga: João José, um homem negro, nascido livre, feito prisioneiro e depois escravizado, àquela altura teria cruzado o Atlântico duas vezes, de Havana (capital da atual Cuba) a São Tomé (maior ilha de São Tomé e Príncipe, na África), do Rio de Janeiro a Londres, até protocolar seu pedido de liberdade em Lisboa.

“Diz João José, homem preto que nascendo livre de pais ingênuos na cidade de Sam Christovão de La Habana Indiaz de Espanha, e servindo nas naus de S. Majestade católica foi aprisionado por hum navio inglês, com os quais navegou alguns tempos, até que indo em outra embarcação arribado a Ilha de S. Tomé conquista deste Reino, fugiu o suplicante […]”, diz um trecho da ação judicial, que está no Arquivo Histórico Ultramarino de Portugal.

“Ingênuos” era a expressão da época para se referir a filhos de escravos que nasceram livres. João José era filhos de pais livres, mas pobres em Havana, principal porto dos colonizadores espanhóis no século 18. Trabalhava como subalterno nas naus do porto, até que foi aprisionado por um navio inglês em alto mar, segundo o documento. Teria trabalhado na nova embarcação por um tempo até aportar na ilha de São Tomé, colônia portuguesa na costa africana.

Lá, José conseguiu fugir, mas, quando foi encontrado pelos portugueses não portava nenhum documento que atestasse sua liberdade (o que era exigido a pessoas negras na época), o que o levou a ser preso novamente. Após passar meses na prisão, ele foi vendido como escravo ao vigário-geral Manoel Luiz Coelho, um posto que é indicado pelo bispo.

Tempos depois, Coelho alforriou José (o que não era incomum de religiosos católicos portugueses) e o levou consigo para o Rio de Janeiro.

José era um homem livre de novo.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-56205439

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sobre os vidros
traços de nariz e dedos
olham ainda a chuva

André Duhaime

Governo espanhol inicia processo de exumação de vítimas no Vale dos Caídos

O governo da Espanha iniciou nesta segunda-feira os procedimentos para a exumação e identificação das vítimas da Guerra Civil (1936-1939) e da ditadura de Franco (1939-1975) que foram sepultadas no Vale dos Caídos, local onde os restos mortais de Francisco Franco ficaram por 44 anos.

No último dia 30 de março, o governo aprovou um subsídio de 665 mil euros para financiar estas obras, necessárias para o acesso e segurança da passagem ao interior dos diferentes níveis das criptas, entre outras execuções, informou o governo em comunicado.

As exumações foram autorizadas em 2016 por um juiz de San Lorenzo de El Escorial, município madrilenho onde está localizado o mausoléu, reconhecendo “o direito a um sepultamento digno” dos irmãos Manuel e Antonio Ramiro Lapeña Altabás, fuzilados pelo regime de Franco em 1936.

O Vale dos Caídos, localizado nas montanhas de Madri a cerca de 50 quilômetros da capital espanhola, foi construído por prisioneiros republicanos que faziam trabalhos forçados.

Franco ordenou a construção deste complexo que abriga os restos mortais de milhares de vítimas da sangrenta Guerra Civil, tanto do lado franquista como da República, que em 1936 era o sistema político legal na Espanha.

Em outubro de 2019, os restos mortais do ditador espanhol, que estavam sepultados no local desde sua morte em 1975, foram exumados e transferidos para um cemitério municipal de Madri, juntamente com os de sua esposa.

No Vale dos Caídos também está sepultado José Antonio Primo de Rivera, líder da Falange, movimento fascista dos anos 1930.

Após a exumação de Franco, o governo espanhol estuda a redefinição do lugar e o futuro da congregação de monges beneditinos localizada no Vale dos Caídos.

Fonte: agências de notícias

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/06/espanha-meu-avo-ja-esta-enterrado-uma-sepultura-digna-para-duas-vitimas-do-franquismo-em-puerto-real-como-exemplo-do-fim-da-memoria/

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Nem laranjas, nem café:
Apenas canaviais
Sob um céu vazio.

Paulo Franchetti

[Espanha] Tribos do Rock se organizam na batalha contra o fascismo

Este movimento começou recentemente, com um breve chamado para unir-se contra o fascismo, feito por Fernando Madina do Reincidentes e Óscar Sancho do Lujuria. Ele pediu que “Se você faz parte de um grupo musical, de uma mídia musical ou de uma sala de concertos e deseja assinar o manifesto, você pode nos contatar através da página do Twitter @rockcontraelfa1 ou enviando uma mensagem privada no Facebook para Oscar Sancho Rubio”.

Que manifesto? Continue lendo e você vai descobrir.

Em poucos dias, mais de 200 bandas se juntaram à proposta (isto quando este texto foi enviado para publicação, na quinta-feira, 08/04/2021). Os organizadores estabeleceram um prazo para comunicar a adesão: 14 de abril, dia em que o Manifesto será tornado público, que apresentará o espírito e as estruturas com as quais eles lutarão pela música a partir da música.

Pela primeira vez, os dois artistas nos enviam o rascunho do Manifesto e nos permitem publicá-lo. Precisamente para “deixar as pessoas saberem do que se trata”, diz Óscar Sancho. Embora a forma como o fazem seja que qualquer banda, entidade ou grupo que trabalha para a música, que gostaria de ler o comunicado – porque estão interessados em fazer parte dele -, eles o enviariam a eles sem qualquer problema.

Abaixo publicamos o Manifesto e uma nota explicativa final escrita pelos dois músicos, tão conhecidos e amados no cenário do rock nacional e internacional. Aviso-os que a nota é importante. Meu olfato de anos me diz que algo grande está vindo (e que os “proprietários de terras” e os “amos” devem começar a ter medo disso).

Projeto de manifesto

“O ROCK GRITA! AGORA E SEMPRE, FASCISMO NÃO!

“Pertencemos a um coletivo que sabe que o futuro será feminista ou não será porque a palavra que nos une, que nos define, é MÚSICA, no feminino: somos MÚSICA.

Pertencemos a um coletivo que está passando por um momento difícil nesta pandemia. Sentimo-nos como pessoas abandonadas a um destino incerto por nosso modo de vida e também incertas para ganhar, em muitos casos, nossa VIDA. Aprendemos que a UNIDADE e o compromisso um com o outro são necessários AGORA mais do que nunca. Que somos uma voz única que representa as PESSOAS e que somente as pessoas estão salvando as pessoas.

Pertencemos a um coletivo que aprendeu a distinguir as promessas vazias das verdades necessárias.

Precisamos distinguir aqueles que prometem, para seu próprio interesse, o que não vão entregar daqueles que realmente ajudarão o povo.

Pertencemos a um coletivo que tem sido criticado, repudiado e marginalizado desde que nasceu porque viemos para dizer VERDADES, para denunciar privilégios que geram desigualdade. Viemos em busca de igualdade, equidade, LIBERDADE, fraternidade.  Denunciamos aquelas pessoas que, nas palavras de Metallica, são os “master of puppets”, ou seja, “donos das marionetes”, e, por essa razão, não gostam de nós.

Não somos uma moda, não somos um “movimento” ou uma corrente, nem mesmo uma contracorrente, não somos “organizados”. Aprendemos a viver como uma tribo, somos uma tribo (uma comunidade irmanada).

Aprendemos a viver com o desdém daqueles que não se importam conosco porque não se importam com os outros e estamos orgulhosos disso e estamos orgulhosos disso.

Somos índios em um filme de cowboy, somos os que têm marcas e tinturas, os que têm os cabelos esquisitos, os que amam a mãe terra… Somos ingovernáveis, impossíveis de domar… Selvagens contra a adversidade, a injustiça e o desprezo… Somos todas as tribos: Cheyenne, Lakota, Apache, Arapahoe, Seminole, Cherokee, Sioux, Comanche… Somos todas as tribos diferentes, mas estamos unidos pela mesma luta. Esta luta que nos faz uma só voz contra o fascismo em todas as suas formas. Levantamos nossa voz não apenas contra o fascismo dos “bigodinhos”, das mãos erguidas e rígidas, aquele fascismo que usava câmaras de gás, campos de concentração ou exterminações de todo tipo… Levantamos nossa voz contra o fascismo que se encobre, aquele fascismo que se disfarça de “lobo em pele de cordeiro”, aquele fascismo que mostra seu casco debaixo da porta de cada uma de nossas casas. Esse fascismo no qual uma mulher nega que a violência masculina existe enquanto proclama que a violência não tem gênero. Aquele fascismo onde vemos uma pessoa cuja pele é negra gritando que não há racismo. Vemos que não se fala de IGUALDADE, de igualdade necessária para que sejamos LIVRES como pessoas. Somente por sermos iguais e livres podemos ser igualmente livres.

SOMOS A TRIBO DO ROCK. Nascemos comprometidos com o ser humano, nunca saímos de moda. Hoje, pedimos a você que medite bem. Os riscos são altos. A máscara do fascismo deve cair. Não se deixe enganar pelas mensagens fáceis que geram desigualdade e privilégio.

SOMOS A TRIBO DO ROCK e hoje queremos dizer-lhes, acreditamos que é necessário dizer-lhes: o fascismo deve ser parado. É URGENTE PARAR O FASCISMO em todas as suas formas. Nossa tribo vai colocar suas guitarras e suas vozes para gritá-lo, alto e claro. Se você ouvir o que cantamos, se concordar com nossa mensagem, pedimos-lhe que faça o mesmo. Mostre que uma canção não é apenas uma canção e VOCÊ, e nós, nos sentiremos melhor.

Se há uma coisa que o ROCK tem sido, desde que nasceu, a partir de sua semente no Blues escravo, é ANTIFASCISTA.

OBRIGADO POR LER ESTE MANIFESTO! OBRIGADO POR COMPARTILHAR NOSSA MENSAGEM!

NÃO AO FASCISMO!

Fernando Madina. REINCIDENTES.

Óscar Sancho. LUJÚRIA”.

Tanto Fernando como Óscar quiseram acrescentar algumas observações – fora do manifesto -, que também publicamos:

“Queremos deixar algumas coisas claras:

Para ser ANTIFASCISTA, NÃO é necessário assinar este manifesto. Além disso, há grupos que estão nesta luta há décadas e não têm nada a provar. Assine quem quiser, porque quer e quem não assinar terá suas respeitáveis razões, viemos a acrescentar.

Não vamos permitir que nenhum partido politize nosso manifesto. Pessoalmente, cada um de nós tem suas próprias ideias, alguns votam em um partido, outros em outro, outros decidem que não votar é o caminho e há até mesmo aqueles que balançam, eles não suportam o fascismo e não vão mais longe. TUDO É RESPEITÁVEL. Este manifesto é apenas um registro que o rock repudia o fascismo e, contra ele, nos verá unidas e unidos.

Este manifesto não pretende ficar aqui, ele pretende avançar, unidos, até onde todos nós decidimos ir. Associar-nos, coletivizar esta luta e evitar protagonismos desnecessários. Não somos um exército com um general (ou dois) na frente, somos os índios cavalgando em paralelo e sacudindo nossas canções até limpar nossa terra de fascismo.

Não permitiremos que, como resultado de tudo isso, sejam feitas listas negras ou que alguém seja apontado por ser ou não ser. Nunca acreditamos em listas (nem mesmo em listas de sucesso) e não acreditamos em fazer listas agora. Somos o Rock!

SOU PORQUE SOMOS.

SEMPRE ANTIFASCISTAS.

VIVA AO ROCK!

ANOTAÇÃO PARA TERMINAR:

Como dito no início, quem quer que deseje aderir, pode fazê-lo através da página do Twitter @rockcontraelfa1 ou enviando uma mensagem privada no Facebook para Oscar Sancho Rubio. Além disso, caso tenham algum problema por esses canais, eles poderiam fazê-lo, eventualmente, escrevendo para lujuriarock@hotmail.com.

Tanto o escritor desta nota – como escritor e poeta que sou – quanto o meio em que escrevo (El Periodic) estão unidos nesta luta tribal contra a sombra que procura escurecer tudo e que só quer parar a dança dos séculos, aquela dança tão musical e tão aberta que nos torna livres e diversificados, aquela que traz as primaveras.

Fonte: https://www.elperiodic.com/opinion/yo-animal/tribus-rock-alinean-para-presentar-batalla-fascismo_7894

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Ah, esta casa —
Pica-paus vêm bicar
Sua madeira.

Bashô

[Colômbia] E se o anarquismo está com a razão?

Por Damián Pachón Soto | 09/04/2021

“Em comemoração dos 100 anos da morte de Kropotkin, faço algumas reflexões sobre o legado e a validade do anarquismo clássico”.

“O anarquismo não é caos e desordem, é que ele aposta na construção de outra ordem; não é que ele dispensa o governo, é que ele aposta no autogoverno; não é que o anarquismo rejeite as instituições, é que ele se propõe a criar novas; não é que ele rejeite toda democracia, é que ele opta pela democracia direta e pelo verdadeiro exercício da soberania popular”.

O primeiro a usar a palavra anarquismo foi o pensador francês Pierre Joseph Proudhon, em seu famoso livro O que é Propriedade? de 1840. Proudhon chegou a afirmar que ser governado significa “ser tributado, inspecionado, pilhado, explorado, monopolizado, roubado, espremido, enganado, roubado, em nome e sob o pretexto da autoridade pública e do interesse geral”. Como pode ser visto, aqui já aparece a aversão do anarquismo contra toda autoridade e contra todo governo vertical e hierárquico que se apresenta como o fundamento ou origem da própria ordem social. Isto é o que levou alguns a associar o anarquismo à desordem e ao caos, já que etimologicamente a palavra significa sem princípio, sem origem. E ainda assim, apesar das diferentes manifestações históricas do anarquismo, incluindo o anarquismo cristão, socialista, comunista e feminista, seus princípios e fundamentos filosóficos são muito mais ricos do que pensam as pessoas que não têm formação filosófica ou cultura política. Vejamos.

O anarquismo implica uma oposição a toda autoridade e poder, o que inclui uma rejeição do Estado. O Estado nada mais é do que uma estrutura de poder criada para a moldagem da comunidade. O Estado não é o produto de nenhum pacto ou contrato social como o pensamento liberal propõe, sem qualquer base empírica e histórica. Ao contrário, o Estado é o produto da força. Nisso, a análise anarquista converge com a de Nietzsche que argumentou que “quem pode comandar, quem por natureza é senhor… O que tem a ver com contratos”! Agora, essa rejeição do Estado implica em si mesma uma rejeição da organização partidária, porque estas estruturas só reproduzem hierarquias sociais, substituindo o poder dos que estão na base pelo domínio de um grupo privilegiado no topo, que, de agora em diante, presumem decidir o que é conveniente para a maioria da sociedade, quando na verdade administram seus próprios interesses e negócios. É por isso que a democracia representativa é uma simulação.

A este respeito, foi Mikhail Bakunin quem deixou os melhores parágrafos sobre os fundamentos teológicos da autoridade, e da relação necessária da igreja com o Estado. Neste sentido, ele também era um filho da Revolução Francesa e da expansão democrática moderna, só que através de outros canais. Bakunin disse: “os homens são escravos de Deus, portanto só podem ser escravos da igreja, e como a igreja santifica o Estado, eles também devem ser escravos do Estado”. É por isso que um ponto nodal da doutrina anarquista era, e com grande coerência, não apenas ser ateu, mas ser antiteísta, porque Deus deve ser nomeado para mostrar como ele prostra o homem. Daí Bakunin ter dito: “Se Deus existe, ele é necessariamente o eterno e supremo, o senhor absoluto, e se esse senhor existe, o homem é um escravo: agora, se ele é um escravo, não há justiça, nem igualdade, nem fraternidade, nem prosperidade possível […] sua existência implica necessariamente a escravidão de tudo o que está abaixo dele. …] Enquanto tivermos um mestre no céu, temos um mestre na terra”. A solução: abolir ou destruir o Estado. Se o Estado nada mais é do que um instrumento de uma classe dominante, na qual um certo anarquismo convergiu com a análise marxista, e se a lei estatal “apenas consolida a despossessão do povo trabalhador”, como argumentou Bakunin, não há outra escolha senão destruí-lo. Em geral, era uma questão de não reproduzir as instituições da democracia burguesa com seu classismo e a submissão que ele implica. Por exemplo, o sufrágio nada mais é do que a renúncia de tomar as coisas nas próprias mãos e deixar a responsabilidade para os outros; também não se deve participar de eleições parlamentares, pois estas nada mais são do que a prostituição da chamada soberania popular; nem exercer o voto, nem manter instituições políticas burguesas modernas, pois estas apenas perpetuam a realidade tal como ela é, já que as instituições são reproduzidas não apenas pela força, mas também pelo hábito e pelos costumes, como pensava Abad de Santillán. Basta lembrar aqui o famoso slogan anarquista: “se as eleições pudessem mudar alguma coisa, elas teriam sido abolidas”.

Alguns desses princípios colocaram o anarquismo contra o marxismo. Por exemplo, embora ambos os movimentos estivessem comprometidos com uma sociedade sem Estado e auto-organizada, é claro que os métodos para alcançar isso eram diferentes. O marxismo propôs usar o Estado durante a ditadura do proletariado para fazer uma transição para uma sociedade não-estatal, ou seja, usar o Estado e virá-lo contra si mesmo até que se dissolva, porque como diz Badiou: “o comunismo é na essência uma organização não-estatal da sociedade”. Mas para os anarquistas, o apelo ao Estado e ao partido foi um erro porque encorajou a verticalidade e o autoritarismo sobre a sociedade. Aqui é necessário lembrar a famosa carta de Kropotkin enviada a Lenin em 4 de março de 1920, onde se mostra, no final, que os anarquistas tinham razão nesta crítica, pois a Revolução Russa havia se tornado autoritária e o centralismo do partido acabou substituindo os sovietes e limitando sua participação, enquanto que encorajava a submissão das classes populares ao partido e ao burocratismo. É por isso que ele recomendou: “A Rússia deve retomar todo o gênio criativo das forças locais de cada comunidade, o que, a meu ver, pode ser um fator na construção da nova vida”.

Mas nesta disputa, ou melhor, nesta “questão de método”, há também a mancha do anarquismo, pois em seu desejo de destruir o Estado e as instituições, alguns destes movimentos, especialmente no final do século XIX, derivaram para o terrorismo: destruição dos símbolos de ordem, assassinatos cruéis, morte de inocentes e, como consequência política, uma forte deslegitimação do movimento, embora sua aventura estivesse – e talvez ainda esteja – longe de ter terminado.

Algumas das apostas anarquistas parecem muito interessantes para hoje. Se aceitarmos hoje que o Estado e a lei são funcionais à manutenção dos privilégios e que reproduzem o imobilismo social, e se aceitarmos que o próprio Estado é um escravo do capital e que é tomado por corporações e grupos econômicos, então devemos aceitar que o próprio Estado é um escravo do capital e que é tomado por corporações e grupos econômicos; se concordarmos que os partidos políticos atuais estão mais interessados em sua disputa pelo poder e em suas guerras interligadas do que em representar e administrar os interesses da sociedade; se percebermos que a política e suas eleições, em sua maioria, são uma pantomima, um circo demagógico e um espetáculo que se reproduz a cada quatro anos e que procura apenas mudar de amos, etc., etc., etc., algumas das apostas anarquistas têm um grande potencial emancipatório. Vamos ver.

Uma sociedade sem Estado e sem lei exige um alto nível de desenvolvimento ético. Não é sem razão que o anarquismo tem sido ligado à filosofia kantiana onde a responsabilidade é o correlato da liberdade. Somente uma liberdade responsável, um exercício da autonomia do indivíduo, um alto senso de convivência e responsabilidade social, tornam supérfluo o direito e o normativismo corporificado nas instituições de controle social – em bom grau. Quanto mais ética for uma sociedade, menos lei ela requer; e, por outro lado, quanto mais forte for a lei penal, menor será a auto-responsabilidade. Somente um fortalecimento da ética, liberdade, responsabilidade, tornam possível o sonhado autogoverno e a autogestão da sociedade anarquista.

É por isso que, para favorecer a autogestão da sociedade, seu autogoverno, o anarquismo se voltou ao federalismo em oposição ao centralismo burocrático; em oposição às estruturas verticais, promoveu as relações horizontais: daí a necessidade de tomar decisões de forma conjunta, de apostar na autogestão, na produção coletiva, na solidariedade e na ajuda mútua, como pensou Kropotkin e como ilustrou em seu clássico livro Apoio Mútuo de 1902. Naquele livro, o naturalista russo mostrou que a ajuda mútua e a cooperação foram fundamentais para a evolução e reprodução da existência humana. De tal forma que não foi apenas a seleção de espécies e a competição que determinaram o sucesso das espécies e dos seres humanos na história, como o darwinismo social havia proclamado aos quatro ventos, e hoje seu neuro liberalismo e a psico política que o endossam e o elogiam. Desta forma, era possível apostar em uma sociedade onde as pessoas trabalhariam três ou quatro horas por semana, onde a produção prejudicial seria eliminada e onde o homem teria suas roupas, sua moradia e seu pão de cada dia, e onde poderia multiplicar suas necessidades artísticas e de prazer, aquelas mesmas necessidades cuja satisfação hoje “só são reservadas para um número menor”. Nessas instituições, as federações e assembleias, assim como nos princípios enumerados, reside em parte o apelo do anarquismo, pois o que ele exige é uma grande capacidade de criar formas alternativas de vida além daquelas que conhecemos ou experimentamos na sociedade capitalista de hoje.

Sem dúvida, o excesso de população mundial, a preponderância atual da sociedade urbana, o produtivismo moderno com seu correspondente consumismo exacerbado, etc., apresentam grandes desafios ao anarquismo, mas também é verdade que o anarquismo, no século 20, evoluiu e permaneceu uma opção válida para o futuro. Basta olhar para as propostas de Carlos Taibo em seu livro Repensar a Anarquia para observar a confluência de sua proposta com outras como as de Bem Viver/Viver Bem, apostas de raiz, os movimentos autonomistas e a implementação de práticas e modos alternativos de política e economia. A estas se somam outras propostas mais complexas, tais como a necessidade de decrescimento, a desurbanização da vida e das relações sociais, a re-ruralização, a recomunização, a necessidade de despatriarcalizar as relações sociais e até mesmo o chamado à destecnologia. Para Taibo, tudo isso é necessário se quisermos evitar o “colapso” ou o que outros chamaram de crise civilizatória em andamento.

Deve-se dizer, finalmente, que o anarquismo não é caos e desordem, é que ele aposta na construção de outra ordem; não é que ele dispensa o governo, é que ele aposta no autogoverno; não é que o anarquismo rejeita as instituições, é que ele se propõe a criar outras novas; não é que ele rejeita toda democracia, é que ele opta pela democracia direta e pelo verdadeiro exercício da soberania popular. Quanto ao resto, deve-se dizer que se o discurso cria subjetividades e estas criam identidades ou identificações que se refletem nas formas de vida, diante do panorama atual não é supérfluo chicotear a imaginação política para vislumbrar outros modos de existência. Isto é totalmente possível, porque enquanto houver homens, há história, e a história é o reino das possibilidades no reino da necessidade… A história está sempre aberta à criação. Parte das ideias do anarquismo pode ser incorporada em uma utopia, uma comunidade imaginada, sempre levando em conta a realidade concreta e a evolução da estrutura aberta e dinâmica da realidade, afinal, como disse Wallerstein: “As imagens do futuro influenciam a forma como os seres humanos agem no presente”. E aí reside a chave para a mudança.

Fonte: https://alponiente.com/y-si-el-anarquismo-tenia-razon/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Ah, o orvalho da manhã –
Completamente invisível
Sobre as flores brancas.

Kakei

Novo vídeo: O Que é Especismo e por quê combatê-lo

O especismo é um sistema de opressão que submete animais não-humanos e nos faz acreditar que temos o direito de maltratá-los, assassiná-los ou escravizá-los. Neste vídeo analisamos e decompomos as formas de funcionamento do especismo: em que áreas, a quem afeta, como se perpetua, como se esconde e se torna invisível, etc.; de uma perspectiva radical e completamente oposta a qualquer outro tipo de opressão.

Este vídeo é livremente baseado no texto “¿Que és el especismo?” ( https://archive.org/details/que-es-el-especismo/mode/2up ) e para se aprofundar sobre especismo e outros sistemas de opressão, repassamos aqui a lista de leitura:

• Adams, Carol (2016). A Política Sexual da Carne.

• Ávila Gaitán, Iván Darío (2016). De La Santamaría y las corralejas a la metafísica occidental, y viceversa. En La Cuestión Animal(ista). Ediciones Desde Abajo.

• C. Jones, Robert (2016). Veganisms. En Critical Perspectives on Veganism (editado por Castricano, Jodey y Simonsen, Rasmus R.). Palgrave Macmillan.

• Fernández, Laura (2018). Hacia Mundos Más Animales. Ochodoscuatro Ediciones.

• Robinson, Margaret (2020). Interseccionalidad entre los valores de lxs Mi’kmaw y de lxs colonxs veganxs. Incluido en Julia Feliz Brueck, Veganismo en un Mundo de Opresión. Ochodoscuatro Ediciones.

• Strings, Sabrina (2019). Fearing the Black Body: The Racial Origins of Fatphobia. New York University Press.

• Cotelo, Salvador (2018). Veganismo: de la Teoría a la Acción. Ochodoscuatro Ediciones.

• Horta, Oscar (2020). Qué es el especismo. En Devenires: Revista de Filosofía y Filosofía de la Cultura.

• Taylor, Sunaura (2017). Beasts of Burden. Animal and Disability Liberation. The New Press.

• Torres, Bob (2014). Por Encima de su Cadáver: La Economía Política de los Derechos Animales. Ochodoscuatro Ediciones.

• El veganismo capitalista no destruirá el especismo. Nor – Euskal Herria Antiespezista.

• Parole de Queer Antiespecista. Rabiosamente Sodomita, Radicalmente Transversal, Especialmente Antiespecista.

>> Assista o vídeo aqui (09:23):

https://kolektiva.media/videos/watch/b2bbb1b0-c2eb-4bf0-aa1e-6c072d4e1113

agência de notícias anarquistas-ana

Na mesma noção de corpos em arte
nós somos um símbolo
Mistério de ser.

Manuela Amaral

[Chile] A luta continua e a greve de fome também!

Mesmo após 3 pessoas deixarem a greve de fome por decisões e motivos pessoais, a mobilização continua com 6 companheirxs que se mantém firmes nesta tática de luta.

São elxs:

Pablo Bahamondes – Cárcere Stgo. 1

Marcelo Villaroel, Joaquín García e Juan Flores – Prisão de Alta Segurança

Francisco Solar – Seção de Segurança Máxima

Mónica Caballero – Cárcere de San Miguel

A LUTA CONTINUA E A SOLIDARIEDADE SE FAZ URGENTE!

PELA REVOGAÇÃO DAS ÚLTIMAS MODIFICAÇÕES NO DECRETO DE LEI  321!

PELA LIBERDADE IMEDIATA DE MARCELO VILLAROEL!

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2021/04/11/a-luta-continua-e-a-greve-de-fome-tambem/

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/12/chile-comunicado-de-jose-duran-e-gonzalo-farias-se-retirando-da-greve-de-fome/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/12/chile-comunicado-de-retirada-da-greve-de-fome-por-tomas-gonzales-quezada/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/09/chile-jornada-de-agitacao-nacional-e-internacional-com-os-presos-subversivos-anarquistas-e-da-revolta-em-greve-de-fome/

agência de notícias anarquistas-ana

O chapéu de palha
Atravessa o milharal –
Que calor!

Yayú 

[Espanha] Começa a tour de apresentações de “Capitalismo Patológico”

Finalmente é hora de apresentar nossa primeira publicação, o livro Capitalismo patológico, o primeiro editado pela Kaxilda Editorial. A apresentação será com seu autor, Corsino Vela, e será uma etapa da turnê que começa em 8 de abril em Barcelona e em 10 de abril em Granollers. No dia 14 de abril estaremos em Zapateneo, em Kaxilda no dia 15, iremos a Bilbao no dia 16 e terminaremos em Santander no sábado 17 de abril.

Os espaços que abrigam as apresentações fazem parte desta pequena grande comuna que sustenta o pensamento crítico, pequenas e grandes fortalezas para resistir ao impasse que reina desde que a Pandemia entrou para pulverizar as formas de resposta social ao descalabro do Estado.

Um Estado que não é sequer capaz de manter suas miseráveis falsas promessas, que se agarra a suas forças de ordem para ordenar o que bagunça todos os dias, que prepara o terreno para demissões maciças e se submete ao desejo de ser mercadoria de vacinas, ao poder do costume, dos bancos e dos produtos farmacêuticos. Seu fracasso absoluto é seu máximo espetáculo diário. Enquanto isso, o capital tece suas regras e dispõe dos governos para reestruturar sua enésima queda implosiva. Nada de novo na frente global.

A linha de frente, o antagonismo que chamamos para discutir com esta turnê, tem que tomar novamente a palavra. Investigar nossa crise e reorganizar o conflito fora das redes de poder, tanto quanto possível a partir desta esquerda do capital, encurralada nas instituições e nos parlamentos.

Com as palavras de Corsino Vela, abrimos o debate que nosso livro vem reivindicar… esperemos que sejam muitos de vocês. Capitalismo Patológico não é “apenas” um livro, é uma enésima, final, chamada para invadir a agora…

“Colocar a pandemia no contexto significa dotá-la de uma dimensão política e significado de classe; primeiro, porque a doença é instrumentalizada politicamente pela classe dominante para o controle social de massa e para dar cobertura e legitimidade a uma reestruturação produtiva por ela comandada; segundo, porque a pandemia não afeta a população proletarizada da mesma forma que afeta as facções dirigentes que se beneficiam da atividade econômica; não afeta os bairros ricos ou pobres ou países da mesma forma. É uma questão eminentemente política, além disso, porque sua gestão foi predeterminada pela política de gastos públicos em saúde nos últimos anos e continua a ser predeterminada pela necessidade de conter o déficit.

Por esta mesma razão, e na eventual recomposição do espaço de intervenção antagônica ao qual a reestruturação pode dar origem, é necessário contemplar, em primeiro lugar, o papel que a inteligência social do know-how demonstrado durante a pandemia por esta abnegada e generosa subjetividade e sua projeção prática, tanto na saúde quanto na subsistência, pode desempenhar. A ruptura com o impasse cultural da esquerda do capital dominante só será possível através da elaboração teórica necessária dessa consciência comunitária posta em prática em situações de emergência e que no estado de normalidade é sistematicamente pervertida pelas relações sociais da produção capitalista. Trazer à luz o potencial transformador desta consciência comunitária prática da força de trabalho, na esfera do trabalho socialmente necessário, é fundamental para que ela não se dissolva em sua recuperação pelo capital com o restabelecimento da normalidade.

A surpresa e o medo não explicam por si só a passividade social para responder à pandemia em uma base que não implicasse a cessão de soberania e autonomia, como se tornou evidente. Esta incapacidade tem a ver com a desativação social do pacto social, mas também com o desgaste das formas de contestação do ciclo de reestruturação das últimas décadas do século XX e sua deriva para a expressão simbólica, ritual e midiática que, no final, nada mais é do que uma exposição de impotência. E, claro, também tem a ver com o esvaziamento progressivo dos laços comunitários na sociedade capitalista avançada, com a privação dos recursos materiais necessários para a autoproteção física e psicológica que estão nas mãos das instituições do Estado.

A falência cultural da esquerda do capital vem de trás; foi engendrada nos últimos anos dentro do ciclo de reestruturação do capitalismo globalizado em crise que a pandemia só fez aparecer de forma palpável ao pôr em questão o aparato conceitual e discursivo remanescente de outra época. Consequentemente, o reconhecimento da paralisia política, cultural e intelectual da esquerda é a condição prévia para superá-la e não se limitar a tematiza-la como material sociológico para alimentar o espetáculo midiático. E também é necessário fazê-lo (auto)criticamente no sentido de colocar sobre a mesa, junto com os fatores que intensificam o processo de proletarização, os fatores não menos objetivos que propiciam a tendência à fragmentação social baseada em interesses corporativos (fixos/precários; discriminação salarial entre homens/mulheres), identidade (nacional ou agregações de gênero e transgêneros), interesses societários ou de grupo (marcas comerciais e emblemas esportivos), ideológicos (religiões e crenças).

No final, a experiência dos limites da sociedade do capital é também a experiência dos limites de suas formas de contestação. Enquanto estas formas de contestação se dobrarem na lógica dominante, sem forçá-la, como demonstram as exigências de natureza sindical, orientadas para a preservação do status da população assalariada e proletarizada, em geral, no âmbito da economia do capital e de suas medidas corretivas, o destino da população proletarizada estará ligado ao do capital, ou seja, seguirá em seu rastro, embora agora, ao contrário da fase expansiva do segundo mundo do pós-guerra, em uma dinâmica de colapso”.

Fonte: https://www.briega.org/es/noticias/comienza-gira-presentaciones-capitalismo-patologico

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

A flor do ipê-roxo
cai deixando saudades.
Ah, a moça da tarde…

Anibal Beça

[Espanha] Alerta de voo de deportação para a Albânia e Geórgia

Confirmamos que na quarta-feira 14 de abril de manhã cedo haverá um voo de deportação para a Albânia (Tirana) e Geórgia (Tblisi). Embora as batidas sejam em todo o Estado, o voo partirá de Madrid.

Este alerta não pretende assustar a população, mas pelo contrário, fornecer informações a todos os vizinhos para que eles possam agir e se organizar coletivamente. Por exemplo:

– Denunciar intensamente as batidas policiais que testemunham (como geralmente acontecem em espaços e meios de transporte públicos).

– Ser cuidadoso, aquelas pessoas em situação irregular com um processo de expulsão aberto ou com uma notificação prévia de expulsão, com as convocações à delegacia de polícia sem motivo aparente ou apenas para “assinar” (sendo acompanhado sempre que possível por um advogado, e de qualquer forma avisando alguém que conheçam para que possam estar atentos e possam reagir se necessário).

– Além disso, intensificando a campanha para as empresas que realizam deportações em voos macro (anteriormente operados pela Air Europa, atualmente Air Nostrum e Evelop – companhia aérea da Ávoris, divisão de viagens do Grupo Barceló), por mar (Transmediterrânea, Baleares e Algérie Ferrie) ou em linhas comerciais regulares (por exemplo, nos voos Air Maroc para Marrocos).

– Finalmente, divulgando a mensagem nas redes sociais, imprimindo o cartaz para fazer adesivos para o metrô, paradas, etc…

>> Para que estes alertas sirvam ao seu propósito – e não como uma ferramenta de medo – é importante que, se você divulgar estas informações, deixe claro em todos os canais o dia exato do voo, para que o alerta não continue a se espalhar após o voo em questão. Todas as informações atualizadas neste blog e no Twitter em @Stopdeportacion e através das hashtags #AlertaVuelo e #StopDeportación.

Fonte: https://www.briega.org/es/noticias/alerta-vuelo-deportacion-a-albania-georgia

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

A chuva passou.
A noite um instante volta
A ser fim-de-tarde.

Paulo Franchetti

[Espanha] Mover-se com cuidado

Por Carlos Taibo

No mundo libertário, os sindicatos têm sido frequentemente objeto de duras críticas, que certamente assumiram perfis diferentes, dependendo do momento. Os mais comuns hoje em dia falam da primazia abusiva que tendem a dar aos salários e ao emprego, da sua recusa em tomar nota das mudanças na condição da classe trabalhadora, do seu distanciamento da condição de mulheres precárias ou imigrantes, ou da importância limitada dada em suas fileiras a problemas como os colocados pelo feminismo e pelo ambientalismo. Embora todas estas deficiências, fictícias ou reais, sejam reveladas muito mais claramente no sindicalismo de pacto, seus sinais também não faltam no alternativo e resistente, cuja presença, além do mais, no que diz respeito à construção de espaços autogeridos e desmercantilizados acaba se revelando infelizes.

Tenho dito muitas vezes que o sindicalismo libertário me parece tanto mais interessante quanto mais ele é capaz de romper as fronteiras do mundo sindical entendido no sentido estrito. Seria bom para mim deixar claro, entretanto, que não seria saudável que esta expansão fora dos muros acontecesse à custa de provocar o desaparecimento da luta sindical. O que acontece com isto é semelhante ao que acontece sob a proteção de uma tese frequentemente expressa pelo que veio a ser chamado de pós-anarquismo. Se este último está certo quando se trata de sublinhar que o poder tem muitas expressões que transcendem a instituição do Estado, tal consideração não parece razoável que deva ser desdobrada no esquecimento aberto do fato de que é necessário continuar contestando, é claro, o Estado compreendido em seu significado mais tradicional e repressivo.

Sendo assim, as críticas indesculpáveis ao que significa sindicalismo não podem levar – seria um exercício de frivolidade – à intenção de jogar pela borda o que o mundo libertário e alternativo está contribuindo hoje neste campo. Seria um presente, que não merece, para os patrões e seus interesses num momento em que o endurecimento planetário das condições de trabalho assalariado deve provocar um ressurgimento do sindicalismo de confronto. Isto parece ainda mais verdadeiro nestes tempos, nos quais, mais uma vez, o que está sendo anunciado são grandes ultrajes em benefício dos habituais. Com ou sem um governo de esquerda.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/moverse-con-tiento/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

sono profundo
coberta de neblina
minha cidade

Alice Ruiz