[Chile] Lançamento: “Maestros de si mismos”, de Jorge Enkis

Nossa mente não necessita de um acúmulo forçado de conhecimento, nem descobrir nosso eu superior, pois só nos conduz a ilusões e enganos, ao contrário, devemos descobrir a nós mesmos no dia a dia, sem autoridade nem repressão.

Pois devemos analisar e observar cuidadosamente e romper com aquelas influências que condicionam nossos próprios pensamentos para assim nos convertermos em mestres de nós mesmos.

>> Baixe, imprima e divulgue:

https://editorialautodidacta.org/wp-content/uploads/2021/03/Maestros-de-si-mismos-Jorge-Enkis.pdf

editorialautodidacta.org

agência de notícias anarquistas-ana

Manchas de tarde
na água. E um vôo branco
transborda a paisagem.

Yeda Prates Bernis

[Polônia] O vocalista da banda Homomilitia morreu de Covid-19

Wojciech Krawczyk, um dos vocalistas da Homomilitia, ativa banda da cena punk de Łódź (região central da Polônia) nos anos 90, morreu no sábado (20/03) de complicações da Covid-19 após duas semanas no hospital.

Wojtek Krawczyk era vocalista da banda Homomilitia de Łódź. Foi uma das mais importantes representantes das tendências anarcopunk, queerpunk e crustpunk dos anos 90. Atuou como DJ, sob o pseudônimo HC DJ. Também era organizador de gigs e editor do zine Ferment. Foi co-fundador e integrante do AutonomA Sound System. Nos anos 90, também fez parte do Food Not Bombs na cidade de Łódź.

RIP Rest In Punk

>> Homomilitia – 1992-1996 – Discografia:

https://www.youtube.com/watch?v=kTWDjpOYRrc

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nas ramagens embaciadas
o sol
abre frestas

Rogério Martins

[Espanha] Centenas de fotos inéditas da Guerra Civil Espanhola vêm à luz em Barcelona

Museu Nacional de Arte da Catalunha exibe as imagens do conflito feitas por Antoni Campañà, que as escondeu em uma caixa até que seu neto as descobriu em 2018

Por José Ángel Montañés | 18/03/2021

Um terceiro C se uniu, há apenas três anos, às grandes imagens feitas por Agustí Centelles e Robert Capa durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39): trata-se do catalão Antoni Campañà (Arbúcies, 1906 – Sant Cugat del Vallès, 1989), autor de milhares de fotos daquele conflito. Longe do caráter épico do trabalho de Centelles e Capa, as imagens de Campañà se centram no cotidiano da retaguarda e representam uma nova contribuição ao patrimônio fotográfico espanhol.

Três décadas depois da sua morte, um de seus netos encontrou duas caixas vermelhas na garagem da casa dele na cidade de Sant Cugat, vizinha a Barcelona, que estava prestes a ser vendida 2018. Dentro, junto com placas de vidro e outros negativos, havia 1.200 cópias, ampliadas no formato 13 x 18 centímetros. Estavam coladas a cartões com legendas que permitiam identificar mais de 5.000 negativos guardados em outra caixa, que Campañà tinha pedido a seus filhos que nunca tocassem. O fotógrafo ―republicano, catalanista e católico (sempre levava no bolso uma imagem de Nossa Senhora do Carmo) – os tinha escondido por se sentir magoado com o uso propagandístico e repressor que as autoridades franquistas lhe tinham dado. Serviram como prova de crimes dos vencidos contra o novo regime. Novamente, como ocorreu com as malas de Centelles e Capa, uma caixa guardada zelosamente documentava parte de passado espanhol mais recente.

Campañà tampouco era um desconhecido antes de 2018. Dele eram conhecidas 200 imagens publicadas em jornais e revistas. No ano da sua morte, a Fundação La Caixa lhe dedicou uma exposição na qual, entre 90 fotos selecionadas, só havia três sobre a Guerra Civil. As demais refletiam seu vasto trabalho em corridas de automóveis, jogos de futebol e dias de festa, seus temas preferidos. Agora, e até 18 de julho, a exposição La guerra infinita. Antoni Campañà. La tensión de la mirada. 1906-1989 reúne no Museu Nacional de Arte da Catalunha (MNAC) 367 fotografias inéditas, muitas das quais jamais haviam saído do negativo, e material documental que repassa a trajetória deste fotógrafo cabal, que registrou os dois lados do conflito, mas também soube se adaptar à normalidade trazida pelo fim da guerra.

Esta primeira retrospectiva, com curadoria de Arnau González i Vilalta, Plàcid García-Plainas e do neto que descobriu as imagens, Toni Monné, apresenta Campañà como um homem-banda da fotografia: artista, fotojornalista, especialista em revelação, gerente de várias lojas, agente da marca Leica, correspondente da edição espanhola da revista Galería e difusor da teoria fotográfica em artigos e livros. Apesar de seu extenso e elogiado trabalho, Campañà ficou de fora dos livros de história.

Com sua Leica, captou os milicianos que lutavam pela república, como a jovem e sorridente anarquista que, no meio das Ramblas de Barcelona, segura uma bandeira do sindicato CNT. É uma imagem célebre da guerra, porque o próprio sindicato a difundiu, mas até 2019 não havia sido atribuída a Campañà, porque ninguém o considerava um fotógrafo da Guerra Civil. Ele também registrou os refugiados que chegavam da Andaluzia a Barcelona em 1937, como uma mãe malaguenha retratada com seu filho, que recorda a mítica imagem de Dorothea Lange da crise de 1929, e que um jornal de Praga erroneamente situou no cenário da localidade basca de Guernica, bombardeada pela aviação nazifascista durante a guerra espanhola.

Também fez imagens dos devastadores efeitos dos bombardeios em Barcelona, as filas em busca de comida e os refeitórios sociais, o gigantesco enterro do líder anarquista Buenaventura Durruti, o macabro espetáculo das freiras mumificadas expostas na entrada das igrejas, como efeito do saque iconoclasta feito pelos anarquistas, e retratos de libertários tão chamativos que os próprios anarquistas fizeram cartões-postais com eles.

Campañà criou imagens em que não escondeu os vergonhosos protestos de mulheres por falta de alimentos diante de La Pedrera, célebre edifício do arquiteto Antoni Gaudí, onde então funcionava a sede da Secretaria de Abastecimento do Governo regional catalão; nem a enorme violência, refletida nos primeiros cadáveres ou inclusive nos cavalos sangrando em plena praça Catalunya, marco zero da cidade. “Em algumas se nota que Campañà se sente incômodo com o que retrata e, além de fotografar cadáveres, prefere mostrar a vida cotidiana, o sofrimento das pessoas e como elas se adaptam às circunstâncias”, diz seu neto, Toni Monné, para quem seu avô, “de aspecto risonho e dinâmico”, ficou “traumatizado para sempre” pela guerra, “o que o levou a esconder o material, que não falasse dele e não quisesse explorá-lo economicamente”.

Campañà fotografou os dois lados do conflito, sem estar comprometido com nenhum deles. Se em 1936 registrou os anarquistas rumando pela avenida Diagonal em direção à Frente de Aragão, em 1939 também imortalizou a retirada do exército republicano e os desfiles triunfais das tropas vencedoras franquistas pela mesma artéria urbana. Tudo com os contra-plongées (visão de baixo para cima) que tanto apreciava, como fez com sua famosa miliciana.

Ao final da guerra, Campañà trilhou o caminho do exílio, mas, ao passar pela cidade catalã de Vic decidiu voltar e se entregar em um quartel de Barcelona. Lá servia o engenheiro Ortiz Echagüe, grande fotógrafo pictorialista, com quem tinha colaborado no começo de carreira. Assim conseguiu evitar qualquer represália e continuar trabalhando, voltando aos mesmos cenários de antes da guerra.

Em uma de suas imagens de fevereiro de 1939, dias depois da ocupação de Barcelona pelas tropas do general franquista Yagüe, é uma jovem falangista quem, novamente nas Ramblas, tenta colocar um broche em um jovem de terno, que o aceita com um sorriso. Campañà continuou atuando como fotojornalista, apesar de ter tido sua inscrição negada no Cadastro Oficial de Jornalistas. Em 1944, depois da publicação do livro El Alzamiento, la Revolución y el Terror en Barcelona, de F. Lacruz, com fotos dele, decidiu esconder todo o seu material, condenando-o ao esquecimento. “Campañà poderia ter sido Agustí Centelles antes de Agustí Centelles, mas não quis ser a referência gráfica da Guerra Civil”, diz Arnau González.

Apesar de tudo, continuou a retratar com sucesso a nova Espanha, mostrando por exemplo a industrialização do país representada pela inauguração da fábrica de automóveis Seat, por encomenda do seu diretor, novamente Ortiz Echagüe, que queria divulgar as instalações industriais e os carros lá produzidos. Conseguiu ser um grande fotógrafo esportivo. Entre 1954 e 1957, acompanhou a construção do Camp Nou e, ao lado de Joan Andreu Puig, fundou o selo CYP, o primeiro a produzir cartões-postais turísticos coloridos em escala industrial.

Coincidindo com a exposição, o MNAC recebeu em seu acervo, depois da doação da família, 62 bromóleos (um tipo de impressão a óleo) da sua etapa pictorialista – movimento fotográfico que busca aproximar as imagens da pintura. Trata-se de uma técnica que ele aperfeiçoou em 1933 durante um curso que fez na sua viagem de lua-de-mel à Baviera (Alemanha), quando se impregnou da nova visão de Rodchenko e da estética centro-europeia. São imagens, inquietantes e vaporosas, com as quais Campañà conseguiu se tornar um dos fotógrafos artísticos espanhóis mais difundidos e premiados internacionalmente, como duas de suas imagens mais conhecidos até agora: Tração de Sangue, adquirida pelo Governo catalão em 1994 e Espantalho, as duas de 1933, em que une sua paixão pela beleza de um mundo rural e agrário prestes a desaparecer a enquadramentos atrevidos e linhas de composição em vertiginosas diagonais, influenciadas pelas correntes estéticas da Nova Visão alemã e do construtivismo soviético. São os mesmos enquadramentos que manteve em suas fotos da guerra, nas quais sempre procurava um aspecto artístico. Porque, em Campañà, a estética prevaleceu sobre o relato narrativo explícito, mesmo em meio à crueldade da guerra.

Fonte: https://brasil.elpais.com/cultura/2021-03-17/centenas-de-fotos-da-guerra-civil-espanhola-vem-a-luz-em-barcelona.html

agência de notícias anarquistas-ana

janela aberta
com a luz dela
quem não desperta

Estrela Ruiz Leminski

[Reino Unido] “Mate o projeto de lei”

“Kill the bill.” Soa como nome de filme, mas é o slogan de um movimento britânico contra o aumento de poderes da polícia que desembocou em conflito neste final de semana em Bristol. Em português, “kill the bill” significa “mate o projeto de lei”.

Um protesto que reuniu cerca de 3.000 pessoas no centro de Bristol virou tumulto quando cerca de 500 apedrejaram uma delegacia, depredaram e queimaram carros de polícia e atacaram policiais. Ao menos 20 agentes ficaram feridos, 2 dos quais foram hospitalizados. Sete manifestantes foram presos.

“Está na cara que não devemos dar mais poder aos policiais”, afirmam os ativistas que querem derrubar o projeto de lei da polícia, crime, sentença e tribunais.

Apresentada pelo governo de Boris Johnson ao Parlamento na última terça (16/03), a proposta aumenta poderes da polícia para limitar manifestações. Permite, por exemplo, que ela defina a duração de vigílias ou atos que não envolvam passeatas ou interrompam as que fizerem barulho considerado inaceitável.

Os critérios para definir quando manifestações provocam “perturbação grave” seriam estabelecidos pelo próprio Ministério do Interior (responsável por segurança), sem passar pelo Legislativo, o que é visto como concentração excessiva de poder pelos que se opõem ao projeto – mais de 150 entidades assinaram manifestos contra o texto.

Entidades de direitos humanos afirmam porém que o Partido Conservador está se aproveitando da emergência sanitária causada pela pandemia para reduzir liberdades civis no país. Um dos exemplos apontados é que o projeto determina pena máxima de 10 anos de prisão para quem danifique uma estátua, o dobro do previsto para agressões sexuais contra mulheres.

O governo de Boris Johnson afirma que a lei em vigor, de 1986, não tem ferramentas suficientes para evitar danos causados por manifestações que o Ministério do Interior considera abusivas, como as do grupo ambientalista Extinction Rebellion e o movimento antirracismo Black Lives Matter.

As manifestações no Reino Unido acontecem três meses depois que um movimento semelhante ocupou ruas na França, contra a violência policial e proposta de lei de segurança que, segundo os manifestantes, ameaçam as liberdades civis.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

Por este caminho,
Ninguém mais passa —
Tarde de outono.

Bashô

[Chile] Comunicado público de início da greve de fome por parte de companheiros subversivos e anarquistas

Comunicado público de início da Greve de Fome.

Aos povos, indivíduos, comunidades e territórios em luta e resistência.

Aos que se rebelam ante este presente de opressão e miséria.

A nossos grupos, famílias, amigos, cumplicidades, companheiros e amores distribuídos pelo mundo.

A todos!:

Hoje segunda-feira, 22 de março, sendo as 00.00hrs em Santiago do Chile, os prisioneiros da guerra social:

– Mónica Caballero Sepúlveda no cárcere feminino de San Miguel.
– Marcelo Villarroel Sepúlveda
– Joaquín Garcia Chanks
– Juan Flores Riquelme
– Juan Aliste Vega na C.A.S., aderindo mas não em greve dada sua situação médica, todos no cárcere de alta segurança.

– Francisco Solar Dominguez na seção de máxima segurança.

– Pablo Bahamondes Ortiz,
– Jose Ignacio Duran Sanhueza,
– Tomas González Quezada e
– Gonzalo Farias Barrientos nos módulos 2 e 3 do cárcere empresa de Santiago 1, damos por iniciada uma mobilização com características de Greve de Fome Líquida e indefinida por:

– A Revogação do art.9 e a Restituição do art.1 do decreto lei 321!!!

– Saída à rua do companheiro Marcelo Villarroel e de todos os prisioneiros subversivos, anarquistas, da liberação mapuche e da revolta!

De modo simples é que não haja retroatividade na modificação da lei que regula a “liberdade condicional”.

E que esta volte a ser um direito adquirido da pessoa presa e não um benefício como hoje estipula a lei transformada permanentemente em função da razão de estado para manter sequestrados aos que lutam contra a normalidade do existente.

Esta modificação endurece de forma considerável a possibilidade de acessar a chamada liberdade condicional estendendo-se em alguns casos por décadas – afetando a um grande número de pessoas presas que veem como sua condenação se torna perpétua. Por outra parte, ao tornar-se retroativa passa por cima de sua própria legalidade, a dos donos deste mundo enfermo, demonstrando a utilização constante de aberrações político-jurídicas com as que sepultam sob toneladas de cimento e metal penitenciário a pobres, rebeldes e refratários.

Esta nefasta imposição político jurídica toca e afeta diretamente hoje com fúria nosso companheiro Marcelo Vilarelho Sepúlveda que em 2 longos períodos de prisão está a mais de 25 anos preso por ações contra o Estado e o Capital que datam desde fins da década dos 80, 90 e 2000 e que estando encarcerado, ao Estado não bastou suas extensas condenações impostas, desta vez legitimou e fortaleceu novos ordenamentos jurídicos abalando as condenações da antiga e pútrida justiça militar, modificando os prazos de postulação de Marcelo que correspondiam a 2019 para aplicá-lo somente no ano de 2036, aplicando de maneira arbitrária uma prisão perpétua encoberta que pretende tê-lo na prisão por mais de 40 anos contemplando a totalidade do tempo sequestrado.

Desde o encarceramento de décadas, anos e meses, desde o ontem e o hoje, diferentes gerações de companheiros rompemos com qualquer noção vitimista que vincule ao sequestrado como um sujeito passivo constantemente submetido à vontade de seu captor e nos posicionamos para golpear mediante a utilização de nossos corpos como campos de batalha e desde aí combatemos externa e internamente a cotidianidade imposta pelo encarceramento.

O trânsito pela prisão é uma extensão de nossa opção de vida onde o fazer consciente pela liberação total busca concretizar a reflexão em afinidade de ideias que são refletidas em ações, combates e resistências como prática antiautoritária; decisões plasmadas em fatos subversivos, aqui é onde pomos o melhor de cada um: individualidades, núcleos, grupos, piños, coletivos e toda iniciativa antagônica para confrontar o Estado e toda sua maquinaria de repressão, controle e morte como engrenagem articuladora do controle e submetimento sistemático de vidas.

É aqui entre seus muros que estamos infinitamente longe da derrota, e muito menos sós, como gostariam. Continuamos insubmissos, livres e dignos.

Hoje lutamos novamente com nossos corpos como armas frente aos que desejam enjaular e enterrar sob cimento a rebeldia, a dignidade, o amor e a solidariedade. A sociedade autoritária policial, criou o panóptico carcerário onde historicamente confinou os seres que se rebelam ante sua denominada paz social, criaram estruturas de castigo que buscam o controle físico e mental, pretendendo a redução do ser, por medo da violência brutal do isolamento e dos carcereiros, mas nenhum cárcere com suas muralhas alambradas, grades, máxima ou alta segurança, nem lacaios armados poderão submeter os que entregaram sua vida inteira à causa da liberação total.

Estes muros jamais conseguiram silenciar nossos sonhos, nem nossa essência rebelde, menos ainda deterão a maré incontrolável de existências insubmissas que se irmanam e voltam contra todo tipo de governo.

Igualmente propomos como urgências imediatas o fim da prisão preventiva como ferramenta punitiva contra os que se encontram indiciados por ações no contexto de revolta permanente, negando a suposta presunção de inocência durante os prazos investigativos e desta forma tratá-los como culpados, impondo-lhes prisões preventivas extensas inclusive até o momento de serem condenados ou dar por cumprida a condenação.

Rechaçamos também a atual validade das condenações da nazifascista justiça militar chilena viciadas, formuladas sob tortura e sem direito a defesa, sancionadas amplamente à nível internacional durante décadas na qual Marcelo Villarroel e Juan Aliste foram julgados e condenados.

Apesar de que em 2010 o Chile devido à pressão internacional modificou a possibilidade de que civis fossem processados por promotores militares, as condenações anteriores e em particular a dos 90, permanecem vigentes apesar da ampla crítica e rechaço internacional. Igualmente não desconhecemos e acompanhamos a demanda mapuche de aplicar o Convênio 169 da OIT para a situação dos peñi e lamngen presos por lutar.

Esta mobilização conjunta é a confluência entre diversas práticas e tendências informais que se encontram na prisão como continuidade viva de uma longa resistência coletiva e também um aberto chamado a todos os entornos solidários e a todos que se posicionam contra o cárcere e a opressão, a fazer parte ativa nesta luta que é de todos e desde aí encorajamos todo tipo de iniciativas com que se disponha e de onde se esteja para conseguir avanços concretos nesta nova mobilização que empreendemos como passo necessário e impostergável de luta anticarcerária.

Em meio desta avalanche de restrições justificadas pela pandemia a nível internacional chamamos também a todas as expressões afins pelo mundo a manifestar-se como cada qual possa e queira lançando mão da imaginação como único limite.

Abraçando a todos os fugitivos, aos presos dignos que lutam, às famílias que resistem, com memória subversiva, autônoma, libertária, anarquista e insurreta.

Com todos os irmãos e companheiros caídos em combate.

Enquanto existir miséria haverá rebelião!
Morte ao estado e viva a anarquia!
Tecendo redes, multiplicando a cumplicidade avança a ofensiva insurreta e subversiva!
Nem culpados nem inocentes, insurreição permanente!
Contra toda autoridade, autodefesa e solidariedade!
Pela extensão da solidariedade com os presos da guerra social, da revolta e a liberação mapuche!!!
Que os cárceres arrebentem!

Pela revogação do art.9 e a Restituição do art.1 do decreto lei 321!!!
Marcelo Villarroel e todos os presos subversivos, anarquistas, da revolta e a liberação mapuche: à rua!

Mónica Caballero Sepúlveda
Marcelo Villarroel Sepúlveda
Joaquín Garcia Chanks
Juan Flores Riquelme
Juan Aliste Vega
Francisco Solar Domínguez
Pablo Bahamondes Ortiz
José Duran Sanhueza
Tomas González Quezada
Gonzalo Farias Barrientos

Até destruir o último bastião da sociedade carcerária!

Até a liberação total!!

Informativo da mobilização e greve de fome de prisioneiros subversivos e anarquistas.

buscandolakalle.wordpress.com

facebook.com/buscandolakalle

instagram.com/buscandolakalle

E-mail de contato: buscandolakalle@riseup.net

Tradução > Sol de Abril

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O salgueiro se desfolha.
Restos de verduras
Descendo o regato.

Shiki

[Espanha] Pela retirada das acusações e a liberação de Ruymán Rodríguez

No próximo 24 de março a exemplar democracia espanhola celebrará uma nova farsa, um julgamento por outra montagem policial e judicial que só busca esconder outro caso de torturas por parte das Forças e Corpos de Segurança do Estado.

A promotoria pede 1 ano e 6 meses de cárcere, além de 770 euros de multa, a nosso companheiro Ruymán Rodríguez por supostamente ter dado um chute em um guarda-civil no quartel onde o retinha e torturava depois de uma detenção ilegal.

Grupo Anarquista Aurora

CNT-AIT Cartagena

CNT-AIT Veja Baixa

CNT-AIT Murcia

Asamblea Libertaria de Lorca

#RuymánLibertad

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/08/espanha-comunicado-de-apoio-a-ruyman-rodriguez/

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Tarde de outono
Perseguindo folhas ao vento
O gato dançarino

Camila Jabur

[Grécia] Uma faísca de uma célula se espalhou como fogo por toda a sociedade: Dimitris Koufontinas venceu

Declaração da Assembleia de Solidariedade para com o grevista D. Koufontinas sobre o fim de sua greve de fome.

15/03/2021

Em 14 de março, o comunista revolucionário D. Koufontinas encerrou sua greve de fome após 65 dias de resistência. Embora seu pedido de transferência para Korydallos não tenha sido aceito, o movimento e a dinâmica social expressos pela ocasião da greve de fome superaram em muito as demandas em si.

O governo da N.D. (Nova Democracia) deixou claro suas intenções desde o início, buscando sua morte. Isto se expressou através da violação e oportunista contenção das instituições legais e constitucionais acompanhadas pelo fortalecimento do estado policial. Ao ignorar suas próprias leis, os esforços do governo para silenciar essa luta mostraram claramente seu desespero.

No entanto, as contradições sociais e políticas que emergiram dessa luta levaram ao fortalecimento do movimento antagonista em torno de sua justa resistência. Assim, essa luta foi caracterizada por constantes vitórias sobre um aparelho Estatal que ataca os lutadores da resistência e que serve às políticas neoliberais internacionais. São por esses motivos que a luta foi considerada vitoriosa.

Assembleia de solidariedade para com o grevista D. Koufontinas

Tradução > A. Padalecki

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/11/grecia-declaracao-de-prisioneiros-em-apoio-ao-grevista-de-fome-dimitris-koufontinas/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/06/grecia-nao-desistimos-nao-desistimos/

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Em qualquer lugar
Onde se deixem as coisas,
As sombras do outono.

Kyoshi

[França] O Estado dissolve a Genération Identitaire propagando suas ideias

A decisão tomada no Conselho de Ministros na quarta-feira, 3 de março de 2021, de dissolver a organização neofascista Génération Identitaire (Geração Identitária) é sem dúvida uma boa notícia, mas a luta antifascista não se resume ao oportunismo governamental. Se este anúncio provavelmente terá o efeito de desestabilizar o pequeno grupo racista por um tempo, a ineficácia das dissoluções de grupos de extrema-direita para combater a aceitação e promoção de suas ideias no espaço público tem sido demonstrada em inúmeras ocasiões.

Dissolver e depois o quê?

Esta não é a primeira vez que o Estado francês dissolveu uma organização de extrema-direita. A própria Génération Identitaire era herdeira da Unité Radicale (União Radical), que foi dissolvida em 2002. Não faltam exemplos de carreiras políticas dentro de partidos institucionais de direita entre antigos líderes ou ativistas de grupos de extrema-direita, como o que foi dissolvido agora.

Entre os mais conhecidos estão Patrick Devedjian, Gérard Longuet e Alain Madelin, todos eles encarregados de um ministério quando fizeram parte do Mouvement Occident (o resultado da dissolução da seção de Paris da Fédération des Étudiants Nationalistes), conhecida como FÉN por seus múltiplos ataques armados contra organizações de esquerda antes e durante o mês de maio de 68.

A extrema-direita sabe como mudar a embalagem sem tocar em suas receitas. A Generation Identitaire não está mais lá, mas seus ativistas ainda estão presentes e suas ideias estão presentes nos discursos e ações dos líderes dos partidos eleitorais.

Oportunismo e a fantasia do voto de castigo

Se Macron e Darmanin decidiram pôr um fim à Génération identitaire, não é porque suas ideias sejam perigosas para a democracia burguesa. A proximidade de Macron e seus ministros com as ideias e até mesmo com figuras de extrema-direita não precisa mais de qualquer demonstração [1].

Esta dissolução representa o fruto da estratégia macroniana que gostaria de jogar como firewall com LePen. Macron pretende fazer isso das duas maneiras: visando o eleitorado nacionalista e racista, popularizando suas teorias [2], e fingindo ser a única alternativa à vitória do RN [partido de Le Pen] nas eleições presidenciais de 2022.

As ideias fascistas são combatidas nas ruas, não nos salões do Eliseu, nem nas urnas eleitorais.

Esta dissolução dará ao movimento social algum espaço para respirar. Mas não temos nada a esperar de um Estado que administrativamente ataca a extrema-direita enquanto implementa parte de sua agenda. A luta antifascista não se dá no Eliseu. Ela deve tornar-se mais parte dos movimentos sociais, para que a burguesia não possa instrumentalizá-la e assim manter sua capacidade de dominação sobre a sociedade.

União Comunista Libertária, 11 de março de 2021.

Notas:

[1] Ver o artigo da comissão em Alternative Libertaire n°301 Droite-extrême: Le tango mortifère de la Macronie.

[2] Ver o editorial de Alternative Libertaire n°311, Islamo-gauchismo ?

Fonte: https://unioncommunistelibertaire.org/?L-Etat-dissout-Generation-identitaire-tout-en-propageant-ses-idees 

Tradução > Liberto

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Ah, lua de outono —
Andando em volta do lago
Passei toda a noite.

Bashô

[França] Neonazistas atacam uma livraria anarquista em Lyon pela segunda vez em poucos meses

Em dezembro, esta livraria já tinha sido atacada por um grupo de ultra-direita.

Um grupo neonazista vandalizou este sábado (20/03) na cidade francesa de Lyon a livraria La Plume Noire, no que é mais um ataque a este espaço anarquista por grupos de ultra-direita.

A livraria anarquista, localizada no distrito de Croix-Rousse, foi alvo de lançamentos de pedras e outros objetos enquanto realizava uma coleta de fundos de solidariedade para os sem-teto.

Em vários vídeos postados em redes sociais, um grupo de cerca de quarenta pessoas encapuzadas pode ser visto jogando pedras na janela do estabelecimento. Ao deixar a área, eles fazem a saudação fascista.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/12/16/franca-solidariedade-com-nossos-camaradas-vitimas-de-agressao-e-violencia-fascista/

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Tão pequena
E desbotada de chuva
A casa da infância!…

Paulo Franchetti

[Itália] A memória das comunas de Paris e Kronstadt continua viva na luta!

Em 18 de março de 150 anos atrás, nasceu a Comuna de Paris. Cinqüenta anos depois, em 18 de março de 1921, a Comuna de Kronstadt foi sangrentamente reprimida.

A revolta de Paris deu origem à primeira experiência importante de autogoverno popular. Os trabalhadores parisienses se levantaram e aboliram o exército permanente e os órgãos repressivos da ordem autoritária e hierárquica. As fábricas abandonadas pelos proprietários que haviam se refugiado em Versalhes, eram autogeridas pelos trabalhadores. O centro da tomada de decisões políticas eram as assembleias populares, qualquer mandato se tornava revogável. As mulheres foram protagonistas em pé de igualdade com os homens nos processos decisórios e na defesa armada. A repressão, liderada pelo chefe do governo de Versalhes Adoplhe Thiers, foi terrível, pelo menos 30.000 comuneros foram baleados, milhares foram deportados. Os prefeitos telegrafaram: “O chão está repleto de seus cadáveres. Este espetáculo terrível servirá como uma lição.

Em março de 1921, uma greve maciça paralisou Petrogrado. Os trabalhadores lutaram contra a militarização das fábricas, a burocratização, a centralização do poder político implementada pela liderança do partido bolchevique, contra o esvaziamento dos soviets como instrumento de autogoverno, reduzido a uma correia de transmissão do partido comunista. Os marinheiros de Kronstadt, que estavam entre os principais protagonistas da Revolução de outubro, se levantaram e declararam: “Todo poder aos soviets e não ao partido”. Mais uma vez, a repressão atingiu duramente os revolucionários, as tropas do Exército Vermelho lideradas por Lev Trotsky sufocaram com sangue as esperanças de um mundo de pessoas livres e iguais.

A memória das comunas de Paris e Kronstadt continua viva na luta!

Bebamos aos insurgentes de Paris e Kronstadt, e a todas as experiências revolucionárias de autogoverno e autogestão, da Espanha em 1936 aos conselhos de trabalhadores de Turim na década de 1920, dos camponeses da Ucrânia durante a revolução russa aos trabalhadores alemães na década de 1920, dos insurgentes de Budapeste em 1956 às experiências em Chiapas e no Curdistão. Onde quer que os explorados tenham lutado pela liberdade e igualdade, eles se deram suas próprias formas de autogestão, fora e contra o Estado e os patrões.

Viva a Revolução Social!

Viva a Anarquia!

Federação Anarquista de Turim – FAI

Tradução > Liberto

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Noite escura,
chuva fina esconde
a lua cheia.

Fabiano Vidal

[Espanha] Lançamento: “Anarquismo hoy. Resistencia al fascismo global”, de Horacio Suárez

O anarquismo foi denegrido e degradado ao longo de sua história. Desde que se implantou a “democracia”, o consideraram oficialmente como um ideário obsoleto, e suas reivindicações de liberdade para o indivíduo pareciam ter ficado fora de contexto.

Se reconhece, sim, os grandes lutadores anarquistas que transcenderam: Bakunin, Majno, Sacco e Vanzetti – os mártires de Chicago –, Durruti, os anarquistas expropriadores relatados por Osvaldo Bayer, e muitos mais.

Estes pensadores e ativistas libertários, suas convicções, seu estoicismo, sua entrega em defesa da integridade humana estão presentes na memória coletiva, ainda que na atualidade segundo os convencionalismos politicamente corretos seu ideário seja visto como antigo e fora de moda.

Este retrato atual do anarquismo vem demonstrar que hoje mais do que nunca seus postulados têm enorme vigência e, ainda que não sejam ortodoxos, animam a resgatar os debates, tão necessários para que a espécie humana supere este atoleiro que ameaça sua existência.

Anarquismo hoy. Resistencia al fascismo global

Horacio Suárez

Ed. del autor, 2020.

205 págs. Fresado con solapas, 15x21cm.

15,00 €

horacio-suarez.com

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Há trafego intenso —
Vendo o ipê amarelo
Meus olhos descansam.

Sonia Regina Rocha Rodrigues

[Espanha] O 8 de março não é uma festa

Celebramos um 8 de março marcado por um ano de pandemia que se voltou  especialmente contra as mulheres, precarizando ainda mais suas condições de vida. As mulheres das classes populares estiveram na linha de frente, na face mais dura da pandemia, enfrentando majoritariamente o cuidado das pessoas vulneráveis, anciãos, meninas, tanto nas casas como nas residências geriátricas e nos hospitais.

Elas também fizeram parte do exército de trabalhadores cujos postos demostraram ser autenticamente essenciais durante o confinamento frente aos empregos de colarinho branco, que em muitas ocasiões duplicam e triplicam seus salários.

Apesar deste esforço coletivo, as mulheres se viram apontadas pelos meios de comunicação burgueses e pela direita como as responsáveis por difundir o vírus nas manifestações de 8M do ano passado, com dois pesos e duas medidas que esta sociedade patriarcal tem sempre para com as lutas da metade da população. Ninguém acusou os milhares de homens que nesse mesmo dia 8 de março de 2020 foram ao futebol ou abarrotaram os bares.

Ao longo destes doze meses aumentaram os casos de violência machista acrescentados pela tensão do confinamento e as mulheres em prostituição voltaram a sofrer o abandono social e a cara mais amarga do patriarcado e do capitalismo.

Desde que em janeiro o estado espanhol voltou a pôr o contador a zero, o terrorismo machista assassinou 10 mulheres. Esse é o sangrento balanço no momento que escrevemos estas linhas: Alicia, tiro no peito. Laura, Ana, Flora e Margarita, apunhaladas. Conchi, com um machado. Cristina, um tiro na nuca. Benita, atirada em um contêiner. Aintzane, a golpes. Florina, atirada em um rio. Duas outras foram desfiguradas com ácido.

Enquanto a situação das mulheres piora na Espanha (mais violência machista, mais violência sexual, mais desemprego, menores salários…) o movimento feminista institucional se debate nas lutas de poder dos partidos políticos que puseram seu foco nas mulheres trans.

As anarquistas defendemos um feminismo de classe não excludente e que ponha o foco na destruição de todas as relações de poder, também as que historicamente os homens exerceram sobre as mulheres. Nenhuma sociedade é livre se qualquer um de seus integrantes não é livre.

O 8M não é uma festa. É uma jornada de reivindicação que faz parte do movimento obreiro. Nasce em resposta às atrozes condições suportadas pelas mulheres trabalhadoras e que levaram ao incêndio de uma fábrica têxtil de Nova York em 1875, na qual morreram 120 obreiras.

Quase 150 anos depois, as condições vitais enfrentadas pelas mulheres seguem sendo muito duras e injustas. Nos supermercados, nas fábricas, nos hotéis, nos bares e nas casas, as mulheres trabalhadoras têm que se organizar para lutar por seus direitos e acabar de uma vez por todas e para sempre com o patriarcado.

VIVA A LUTA DAS MULHERES!
ABAIXO O PATRIARCADO!

Federação Anarquista Ibérica

federacionanarquistaiberica.wordpress.com

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

poeirão
se levanta no caminho
secam meus olhos

Marcos Amorim

[Chile] Em memória do anarquista Javier Recabarren

Na tarde de 18 de março de 2021, foi realizado um pequeno encontro em memória do companheiro Javier Recabarren, no local onde ele foi atropelado e morto há seis anos por um ônibus de transporte público em Santiago.

Javier, companheiro anárquico, vegano e encapuzado, você foi com 11 anos de vida e viveu mais do que qualquer cidadão médio, lutando contra o especismo, a polícia e a autoridade. Nós o saudamos e o recordamos nas ruas.

Com Javier presente, seguimos em pé de guerra!

agência de notícias anarquistas-ana

um gato perdido
olha pela janela
da casa vazia

Jeanette Stace

18 de Março de 1871: O Nascimento da Comuna de Paris | Uma Narrativa em Celebração aos Seus 150 anos

O ano é 1871. A Revolução acaba de estabelecer um governo democrático na França, após a derrota do imperador Napoleão III na guerra com a Alemanha. Mas a nova República não satisfaz ninguém. O governo provisório é composto por políticos que serviram ao imperador. Eles nada fizeram para atender às demandas dos grupos revolucionários por mudança social, nem não pretendem fazê-lo. Reacionários de direita estão conspirando para restabelecer o imperador ou, na sua falta, algum outro monarca. Somente a Paris rebelde se interpõe entre a França e a contrarrevolução.

 Os partidários da ordem têm um trabalho difícil pela frente. Primeiro, eles precisam fazer o povo francês aceitar os termos impopulares de rendição ditados pela Alemanha. Para forçar o armistício a seus cidadãos, a nova República proíbe os clubes radicais e fecha os jornais, ameaçando Paris com os exércitos combinados de duas nações. Só então, após a emissão de mandados para prender os insurgentes que derrubaram o imperador, é que se realizam as eleições.

Com os radicais na prisão ou escondidos, os conservadores ganham as eleições. O principal vencedor é o banqueiro Adolphe Thiers, o velho inimigo de Proudhon, que ajudou a vender a revolução de 1848 – se não fosse por ele, o imperador não teria sido capaz nem de tomar o poder em primeiro lugar. Impulsionado pelo eleitorado do interior da província, o primeiro ato de Thiers é negociar a paz com a Alemanha a um custo de cinco bilhões de francos.

Isso parece para Thiers um preço barato a pagar para tomar as rédeas do estado – especialmente porque o povo francês estará pagando, não ele pessoalmente. E eles iriam recusar? Ele ainda preferia lutar contra a própria França do que a Alemanha.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://pt.crimethinc.com/2021/03/18/18-de-marco-de-1871-o-nascimento-da-comuna-de-paris-uma-narrativa-em-celebracao-aos-seus-150-anos-1

agência de notícias anarquistas-ana

brasa do tempo
acende quando passas
no pensamento

Carlos Seabra

[Grécia] Convergências das lutas contra o poder

Ainda ontem (17/03) à noite, no coração de Atenas, muita gente saiu às ruas. Mas desta vez a questão da saúde foi trazida à tona. Está fora de questão deixar enfermeiras e médicos lutando sozinhos. Os manifestantes acentuaram o discurso hipócrita das autoridades que, na Grécia como na França, destroem os meios de tratamento e então, procuram fazer com que nos sintamos culpados e nos submetermos a decisões arbitrárias ou mesmo grotescas. O poder funciona como um incendiário, com nossa saúde como com tudo o mais.

Na linha de frente da manifestação, o bloco antiautoritário veio em grande número para apoiar as demandas das trabalhadoras em saúde. Uma grande faixa do Rouvikonas causou sensação. Mas isso não é surpreendente: todos sabem que os membros do grupo anarquista baseado em Exarchia e Kessariani são muito ativos em clínicas médicas autogeridas, iniciativas de coleta e redistribuição de alimentos, cozinhas sociais gratuitas e outras ações concretas de solidariedade, em paralelo com suas ações diretas contra o poder.

E, sobretudo, foi mais um grande momento de convergência de lutas, para além das nossas diferenças, nos antípodas do sectarismo que, muitas vezes, se opõe a nós e nos impede de construir ações comuns e respostas em larga escala. Não será sozinhos ou em um canto, isolados em uma pureza pseudoideológica que conseguiremos mudar o curso da história, mas forjando a sociedade juntos, para além de nossas diferenças no campo social, contra aqueles que fazem este mundo um inferno.

Como diz um dos slogans do Rouvikonas: “A única coisa que temos é um ao outro. Ninguém nos salvará senão nós mesmos, juntos, diversos, às vezes em desacordo em alguns pontos, mas unidos e determinados, diante da deriva autoritária e totalitária que nos ameaça.

Não deixe nossas lutas se dividirem. Não permitimos sermos divididos.

Yannis Youlountas

>> Foto | Na faixa lê-se: “Solidariedade com a luta dos trabalhadores da saúde – Rouvikonas”.

Fonte: http://blogyy.net/2021/03/18/convergence-de-luttes-contre-le-pouvoir-%e2%98%85/

agência de notícias anarquistas-ana

Pássaro curioso
na janela.
Bem-te-vi.

Aprendiz

[Bolívia] A Pandemia é o Capitalismo

Por María Galindo | 13/02/2021

Não estou escrevendo da Bolívia, mas de um território chamado incerteza.

Escrevo do último lugar na fila para obter a vacinação colonial, que em muitos países será aplicada como uma dose de salvação governamental e como um novo contrato sanitário concedido pelo capitalismo através dos Estados a fim de sobreviver.

Escrevo a partir da consciência adquirida em uma panela comunitária, em um pequeno movimento, em uma luta que não cessou de desenhar mapas de saída, localização e encontro.

Escrevo de uma marcha de trabalhadoras sexuais pandêmicas que afirmam que a repressão policial é pior do que o risco de adoecer e o medo de morrer.

Escrevo enquanto, contra minha vontade, me preparo para falar em uma tela fria que gostaria de reaquecer até que ela exploda.

Eu não escrevo com certeza, mas com dúvida, pergunta, intuição e apalpadela.

Não renunciei a sentir este mundo pandêmico sem luvas, e embora tenha aceitado o convite para escrever, estou ciente de que tudo o que digo está sujeito a tornar-se de repente uma declaração ridícula, obsoleta, ingênua ou a perder sua consistência como se fosse gelo derretido.

Ao mesmo tempo, eu poderia aproveitar um tom profético fatalista, profético bíblico ou redentor profético e esperar os aplausos dos corações soltos que nas ruas andam como zumbis em busca desesperada de vozes proféticas.

A pandemia é um fato político não porque seja inventada, inexistente ou tenha sido produzida artificialmente em um laboratório.

A pandemia é um fato político porque está modificando todas as relações sociais em escala global e, portanto, é legítimo e urgente pensar sobre ela e debatê-la politicamente.

A pandemia é um fato político porque é apresentada como consequência de um modelo capitalista global que vai desde sua versão ecocida até sua versão suicida. Ela abre, ou melhor, evidencia, a relação sistêmica entre ecocídio e suicídio.

Submissão de rebanho

A pandemia instalou um léxico padronizado em nível planetário, uniforme e estendido em todos os países. Ela serve para redirecionar a vida social para uma sociedade disciplinar.

Palavra por palavra, a vida está sendo esquadriada para reduzi-la ao medo, à vigilância legitimada do Estado sobre todas as nossas vidas, à dissolução de formas não estatais de colaboração e organização. As únicas formas de colaboração que foram revalorizadas foram reduzidas a uma espécie de paternalismo de bem-estar sem poder político. A amputação do desejo é uma de suas constantes.

Todas estas operações políticas estão ocorrendo através da linguagem pandêmica como um instrumento para nomear e dar conteúdo ao que está acontecendo. Não estamos questionando as medidas de proteção, a necessidade de tomá-las ou a incongruência de muitas delas, mas a forma de nomear todo o universo da pandemia.

Não estou falando de significados ocultos: eles são explícitos e seu efeito destrutivo tem a ver com sua repetição invasiva, com o fato de que os governantes e organizações internacionais são os porta-vozes inquestionáveis e a população, em geral, funciona como uma caixa de repetição.

É uma linguagem que você acaba usando para entender a si mesmo em poucas palavras. Com seu caráter global sem nuances e com seu uso irrefletido sem margem para questionar os significados, ela funciona fascinando as relações sociais.

Mais uma vez, como tantas vezes na história, o direito de citar fatos está sendo usado como uma arma para programar seu conteúdo social.

É nos termos com os quais os fatos estão sendo batizados que reside seu conteúdo ideológico central. Não é um conteúdo ideológico que funciona como uma teoria a ser aceita, debatida ou repensada. É um conteúdo ideológico que funciona como um significado fixo irrefutável e uma realidade direta, que tem um efeito terapêutico de condicionamento comportamental.

Léxico pandêmico

Encontrei cerca de trinta termos que compõem a espinha dorsal do léxico e sua função de condicionamento coletivo do comportamento. No entanto, vou propor a revisão de apenas alguns deles, por razões de espaço:

Biossegurança: um conjunto de medidas que tem a ver com o perigo mortal de contágio. Devemos mudar a palavra “segurança” para “vulnerabilidade”, e o sufixo “bio” para “necro”. Estamos experimentando uma vulnerabilidade a um perigo onipresente, invisível e incontrolável. Se existe uma coisa que não é segura, é a vida. Não podemos falar de biossegurança quando tal termo, na realidade, denomina necro perigo ou biovulnerabilidade.

Distanciamento social e isolamento: Estes não são os dois metros que precisamos para evitar o contágio, mas são o conteúdo da afiação do recinto em si mesmo, do salvar-se longe do “outro”, o que é perigoso por excelência. Todos nós nos tornamos o “outro” do “outro”, tornando a linguagem pandêmica um instrumento de dissolução coletiva. Também funcionou na fascistização social para enfatizar o pequeno grupo familiar ou “bolha” como seu único universo de responsabilidade e significado, usando o inofensivo pronome possessivo “seu” uma e outra vez.

Quarentena: Um termo transportado da Peste Negra na Idade Média para o mundo contemporâneo como indicador de que no século 21 – após várias revoluções tecnológicas – as medidas sociais de cuidado são as mesmas de vários séculos atrás e levam o mesmo nome. Quem a tecnologia serve então? Por que não temos outras ferramentas contemporâneas além das medievais para lidar com uma pandemia?

O toque de recolher, o confinamento: Estes não são os únicos termos que fazem parte do léxico pandêmico e que, nesta parte do mundo, representaram as ditaduras militares que estão em nossa memória viva. Não poderíamos ter usado outras palavras que não estão carregadas de memória ditatorial, ou sua carga ditatorial foi e é socialmente útil para reinstalar o poder absoluto do Estado sobre a população?

Atividades essenciais: A reclassificação das atividades sociais com o qualificativo de “essencial”, deixando de fora todos aqueles que pertencem ao universo do afeto, do desejo, da criatividade e da redução das pessoas ao mundo do trabalho, tem na linguagem pandêmica um efeito cirúrgico de amputação. A única noção válida de vida é “trabalho”. Apenas mudar “essencial” para “funcional” daria um significado diferente à vida cotidiana.

Teletrabalho: O deslocamento do local de trabalho para casa, convertendo o trabalho em um produto que é pago como produto e não como uma atividade que é medida em um determinado número de horas. Isto é o que nesta parte do mundo – seja em Honduras, México ou Brasil – é chamado de “maquila” e “trabalho à peça”, onde você é pago pelo trabalho feito e não por horas de produção. A maquila – um instrumento neoliberal por excelência – usado por grandes transnacionais – especialmente na indústria têxtil – foi transferido para grandes campos de trabalho com a pandemia e recebeu um nome mais suave. Imagine o resultado de renomear o teletrabalho como maquila pandêmica ou exploração domiciliar!

Como o objetivo deste texto é propor desafios, aqui está o primeiro: fazer uma lista completa do léxico pandêmico, dar a cada termo seu verdadeiro significado e renomear o fenômeno que o termo pretende nomear. Isso é para nos acordar, para aguçar nossa criatividade e para respirar rebelião. Os materiais sofisticados necessários são um lápis e um pedaço de papel e se você fizer isso com amigos, o resultado será divertido e explosivo.

Contrato Sanitário Mundial

Antes de receber a vacina, é urgente saber o que estamos recebendo, não para propor desobediência ou não-vacinação, mas para não aceitar passivamente a vacinação como alguém que recebe o ferro de engomar para o gado. Também temos que debater ideologicamente seu sentido político.

A vacinação não é uma solução, não importa o quanto os governos de todo o mundo procurem apresentá-la como tal.

A vacinação é uma solução parcial para a transição para uma nova ordem que ainda não tem um nome. É uma medida de sobrevivência que deixa intacto o questionamento estrutural sistêmico que esta pandemia deve implicar para toda a Humanidade.

A linha de vacinação é um diagrama de hierarquias globais de caráter colonial sem metáforas, mas de forma direta. A ordem de prioridade é a ordem de capacidade de pagamento.

Por sua vez, em cada sociedade, a ordem de vacinação representa internamente o mesmo diagrama de hierarquias sociais: quanto mais na periferia você estiver, mais tarde ou nunca a vacina chegará.

Nestas terras eles começam com o pessoal de saúde porque precisam deles, mas são seguidos pelos militares e a polícia, padres e bispos, deputados e ministros. E se eles não precisassem do pessoal de saúde, seriam também os últimos a recebê-los.

As vacinas são a materialização de poderes supra-estatais que governam o mundo.

Não é a Organização Mundial da Saúde que organiza a distribuição equitativa de vacinas, mas são as empresas que – acrescentando números que já são impossíveis de conceber – organizam a ordem em que as vacinas são fornecidas.

E não pense que por sermos pobres, pagamos menos: estamos pagando os mesmos preços ou preços mais altos para receber doses menores, e os governos os recebem de joelhos como uma grande conquista, prontos para assinar em letras miúdas o que for preciso.

Os governos, por sua vez, fornecem as vacinas como uma injeção intramuscular do governo, um gesto pelo qual você deve ser grato sem reclamar.

Os anúncios de vacinação que são desenvolvidos em contextos nacionais pelos governos fazem você pensar que o que você está recebendo é um benefício governamental.

Os montantes que a compra de vacinas supõe para muitos Estados excedem os investimentos em saúde ou são comparáveis a estes.

As vacinas absorvem os orçamentos de saúde de modo que, uma vez passada a tempestade, os hospitais e as salas de cirurgia ficam tão mal como antes.

As vacinas também representam a privatização do conhecimento, pois os centros de pesquisa que têm os milhões que a pesquisa no campo da biologia ou medicina representa não estão nas universidades públicas ou mesmo nas sociedades capitalistas imperiais, mas diretamente nas empresas que sugam cérebros das universidades.

Tematizar e debater estas questões em torno da vacinação global é considerado suspeito porque, diante da vacina, o que temos que fazer é assinar passivamente um contrato de saúde unilateral como o proposto pelos bancos quando se endividam ou como o que o Estado boliviano exige das trabalhadoras do sexo para dar-lhes permissão para trabalhar.

É este contrato de saúde e sua explicitação que pode conter as lutas que farão sentido no futuro.

Obsolescência política

Os governos se beneficiam da administração dos Estados, mas não governam: eles são administradores secundários de uma ordem colonial-patriarcal-extrativista. Este fato tangível hoje redireciona radicalmente nossas lutas e nossos horizontes.

A clássica diferenciação esquerda-direita para interpretar o campo político tornou-se obsoleta: a fascistização, por exemplo, no léxico abrangeu ambos.

Estamos na transição do regime neoliberal para o regime neoliberal fascista e a esquerda nem sequer o visualiza porque se as categorias de análise e organização social que a esquerda nos oferecia já estavam ultrapassadas, hoje se tornaram obsoletas.

Os chamados governos “esquerdistas” também são governos incapazes de propor um horizonte diferente daquele imposto pelo neoliberalismo. Este fato não é de forma alguma o fim da política, mas o nascimento de uma nova política. Uma nova política que não tem vanguarda, salvadores, condutores e que exige uma alta dose de criatividade de todos nós.

Não é de força que precisamos, mas de consciência de nossa vulnerabilidade.

Os sujeitos sociais estão sendo diluídos pelo cansaço, pela falta de ideias, pelo luto, pela incapacidade ou impossibilidade de reação, enquanto outras pessoas despossuídas estão se reconstituindo como sujeitos sociais com capacidade de interpelação: aquelas pessoas que se voltam para os animais para se reintegrarem como animais, ou aquelas que produzem saúde, alimento ou justiça com suas coletividades são aquelas que não foram paralisadas pelo medo.

Tudo está acontecendo em grande velocidade, mesmo que o tempo tenha parado.

A velocidade da mudança é a velocidade de uma metamorfose profunda.

Interpretar isso correndo o risco de estar errado é nossa aposta.

Fonte: https://www.lavaca.org/mu156/capitalismo-pandemico-lo-que-esta-en-juego-ecocidio-y-suicidio/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Ventinho na flor —
Embala a abelhinha
E também o néctar.

Gustavo D. Schlumberger Ribeiro