[França] Neonazistas atacam uma livraria anarquista em Lyon pela segunda vez em poucos meses

Em dezembro, esta livraria já tinha sido atacada por um grupo de ultra-direita.

Um grupo neonazista vandalizou este sábado (20/03) na cidade francesa de Lyon a livraria La Plume Noire, no que é mais um ataque a este espaço anarquista por grupos de ultra-direita.

A livraria anarquista, localizada no distrito de Croix-Rousse, foi alvo de lançamentos de pedras e outros objetos enquanto realizava uma coleta de fundos de solidariedade para os sem-teto.

Em vários vídeos postados em redes sociais, um grupo de cerca de quarenta pessoas encapuzadas pode ser visto jogando pedras na janela do estabelecimento. Ao deixar a área, eles fazem a saudação fascista.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/12/16/franca-solidariedade-com-nossos-camaradas-vitimas-de-agressao-e-violencia-fascista/

agência de notícias anarquistas-ana

Tão pequena
E desbotada de chuva
A casa da infância!…

Paulo Franchetti

[Itália] A memória das comunas de Paris e Kronstadt continua viva na luta!

Em 18 de março de 150 anos atrás, nasceu a Comuna de Paris. Cinqüenta anos depois, em 18 de março de 1921, a Comuna de Kronstadt foi sangrentamente reprimida.

A revolta de Paris deu origem à primeira experiência importante de autogoverno popular. Os trabalhadores parisienses se levantaram e aboliram o exército permanente e os órgãos repressivos da ordem autoritária e hierárquica. As fábricas abandonadas pelos proprietários que haviam se refugiado em Versalhes, eram autogeridas pelos trabalhadores. O centro da tomada de decisões políticas eram as assembleias populares, qualquer mandato se tornava revogável. As mulheres foram protagonistas em pé de igualdade com os homens nos processos decisórios e na defesa armada. A repressão, liderada pelo chefe do governo de Versalhes Adoplhe Thiers, foi terrível, pelo menos 30.000 comuneros foram baleados, milhares foram deportados. Os prefeitos telegrafaram: “O chão está repleto de seus cadáveres. Este espetáculo terrível servirá como uma lição.

Em março de 1921, uma greve maciça paralisou Petrogrado. Os trabalhadores lutaram contra a militarização das fábricas, a burocratização, a centralização do poder político implementada pela liderança do partido bolchevique, contra o esvaziamento dos soviets como instrumento de autogoverno, reduzido a uma correia de transmissão do partido comunista. Os marinheiros de Kronstadt, que estavam entre os principais protagonistas da Revolução de outubro, se levantaram e declararam: “Todo poder aos soviets e não ao partido”. Mais uma vez, a repressão atingiu duramente os revolucionários, as tropas do Exército Vermelho lideradas por Lev Trotsky sufocaram com sangue as esperanças de um mundo de pessoas livres e iguais.

A memória das comunas de Paris e Kronstadt continua viva na luta!

Bebamos aos insurgentes de Paris e Kronstadt, e a todas as experiências revolucionárias de autogoverno e autogestão, da Espanha em 1936 aos conselhos de trabalhadores de Turim na década de 1920, dos camponeses da Ucrânia durante a revolução russa aos trabalhadores alemães na década de 1920, dos insurgentes de Budapeste em 1956 às experiências em Chiapas e no Curdistão. Onde quer que os explorados tenham lutado pela liberdade e igualdade, eles se deram suas próprias formas de autogestão, fora e contra o Estado e os patrões.

Viva a Revolução Social!

Viva a Anarquia!

Federação Anarquista de Turim – FAI

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Noite escura,
chuva fina esconde
a lua cheia.

Fabiano Vidal

[Espanha] Lançamento: “Anarquismo hoy. Resistencia al fascismo global”, de Horacio Suárez

O anarquismo foi denegrido e degradado ao longo de sua história. Desde que se implantou a “democracia”, o consideraram oficialmente como um ideário obsoleto, e suas reivindicações de liberdade para o indivíduo pareciam ter ficado fora de contexto.

Se reconhece, sim, os grandes lutadores anarquistas que transcenderam: Bakunin, Majno, Sacco e Vanzetti – os mártires de Chicago –, Durruti, os anarquistas expropriadores relatados por Osvaldo Bayer, e muitos mais.

Estes pensadores e ativistas libertários, suas convicções, seu estoicismo, sua entrega em defesa da integridade humana estão presentes na memória coletiva, ainda que na atualidade segundo os convencionalismos politicamente corretos seu ideário seja visto como antigo e fora de moda.

Este retrato atual do anarquismo vem demonstrar que hoje mais do que nunca seus postulados têm enorme vigência e, ainda que não sejam ortodoxos, animam a resgatar os debates, tão necessários para que a espécie humana supere este atoleiro que ameaça sua existência.

Anarquismo hoy. Resistencia al fascismo global

Horacio Suárez

Ed. del autor, 2020.

205 págs. Fresado con solapas, 15x21cm.

15,00 €

horacio-suarez.com

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Há trafego intenso —
Vendo o ipê amarelo
Meus olhos descansam.

Sonia Regina Rocha Rodrigues

[Espanha] O 8 de março não é uma festa

Celebramos um 8 de março marcado por um ano de pandemia que se voltou  especialmente contra as mulheres, precarizando ainda mais suas condições de vida. As mulheres das classes populares estiveram na linha de frente, na face mais dura da pandemia, enfrentando majoritariamente o cuidado das pessoas vulneráveis, anciãos, meninas, tanto nas casas como nas residências geriátricas e nos hospitais.

Elas também fizeram parte do exército de trabalhadores cujos postos demostraram ser autenticamente essenciais durante o confinamento frente aos empregos de colarinho branco, que em muitas ocasiões duplicam e triplicam seus salários.

Apesar deste esforço coletivo, as mulheres se viram apontadas pelos meios de comunicação burgueses e pela direita como as responsáveis por difundir o vírus nas manifestações de 8M do ano passado, com dois pesos e duas medidas que esta sociedade patriarcal tem sempre para com as lutas da metade da população. Ninguém acusou os milhares de homens que nesse mesmo dia 8 de março de 2020 foram ao futebol ou abarrotaram os bares.

Ao longo destes doze meses aumentaram os casos de violência machista acrescentados pela tensão do confinamento e as mulheres em prostituição voltaram a sofrer o abandono social e a cara mais amarga do patriarcado e do capitalismo.

Desde que em janeiro o estado espanhol voltou a pôr o contador a zero, o terrorismo machista assassinou 10 mulheres. Esse é o sangrento balanço no momento que escrevemos estas linhas: Alicia, tiro no peito. Laura, Ana, Flora e Margarita, apunhaladas. Conchi, com um machado. Cristina, um tiro na nuca. Benita, atirada em um contêiner. Aintzane, a golpes. Florina, atirada em um rio. Duas outras foram desfiguradas com ácido.

Enquanto a situação das mulheres piora na Espanha (mais violência machista, mais violência sexual, mais desemprego, menores salários…) o movimento feminista institucional se debate nas lutas de poder dos partidos políticos que puseram seu foco nas mulheres trans.

As anarquistas defendemos um feminismo de classe não excludente e que ponha o foco na destruição de todas as relações de poder, também as que historicamente os homens exerceram sobre as mulheres. Nenhuma sociedade é livre se qualquer um de seus integrantes não é livre.

O 8M não é uma festa. É uma jornada de reivindicação que faz parte do movimento obreiro. Nasce em resposta às atrozes condições suportadas pelas mulheres trabalhadoras e que levaram ao incêndio de uma fábrica têxtil de Nova York em 1875, na qual morreram 120 obreiras.

Quase 150 anos depois, as condições vitais enfrentadas pelas mulheres seguem sendo muito duras e injustas. Nos supermercados, nas fábricas, nos hotéis, nos bares e nas casas, as mulheres trabalhadoras têm que se organizar para lutar por seus direitos e acabar de uma vez por todas e para sempre com o patriarcado.

VIVA A LUTA DAS MULHERES!
ABAIXO O PATRIARCADO!

Federação Anarquista Ibérica

federacionanarquistaiberica.wordpress.com

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

poeirão
se levanta no caminho
secam meus olhos

Marcos Amorim

[Chile] Em memória do anarquista Javier Recabarren

Na tarde de 18 de março de 2021, foi realizado um pequeno encontro em memória do companheiro Javier Recabarren, no local onde ele foi atropelado e morto há seis anos por um ônibus de transporte público em Santiago.

Javier, companheiro anárquico, vegano e encapuzado, você foi com 11 anos de vida e viveu mais do que qualquer cidadão médio, lutando contra o especismo, a polícia e a autoridade. Nós o saudamos e o recordamos nas ruas.

Com Javier presente, seguimos em pé de guerra!

agência de notícias anarquistas-ana

um gato perdido
olha pela janela
da casa vazia

Jeanette Stace

18 de Março de 1871: O Nascimento da Comuna de Paris | Uma Narrativa em Celebração aos Seus 150 anos

O ano é 1871. A Revolução acaba de estabelecer um governo democrático na França, após a derrota do imperador Napoleão III na guerra com a Alemanha. Mas a nova República não satisfaz ninguém. O governo provisório é composto por políticos que serviram ao imperador. Eles nada fizeram para atender às demandas dos grupos revolucionários por mudança social, nem não pretendem fazê-lo. Reacionários de direita estão conspirando para restabelecer o imperador ou, na sua falta, algum outro monarca. Somente a Paris rebelde se interpõe entre a França e a contrarrevolução.

 Os partidários da ordem têm um trabalho difícil pela frente. Primeiro, eles precisam fazer o povo francês aceitar os termos impopulares de rendição ditados pela Alemanha. Para forçar o armistício a seus cidadãos, a nova República proíbe os clubes radicais e fecha os jornais, ameaçando Paris com os exércitos combinados de duas nações. Só então, após a emissão de mandados para prender os insurgentes que derrubaram o imperador, é que se realizam as eleições.

Com os radicais na prisão ou escondidos, os conservadores ganham as eleições. O principal vencedor é o banqueiro Adolphe Thiers, o velho inimigo de Proudhon, que ajudou a vender a revolução de 1848 – se não fosse por ele, o imperador não teria sido capaz nem de tomar o poder em primeiro lugar. Impulsionado pelo eleitorado do interior da província, o primeiro ato de Thiers é negociar a paz com a Alemanha a um custo de cinco bilhões de francos.

Isso parece para Thiers um preço barato a pagar para tomar as rédeas do estado – especialmente porque o povo francês estará pagando, não ele pessoalmente. E eles iriam recusar? Ele ainda preferia lutar contra a própria França do que a Alemanha.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://pt.crimethinc.com/2021/03/18/18-de-marco-de-1871-o-nascimento-da-comuna-de-paris-uma-narrativa-em-celebracao-aos-seus-150-anos-1

agência de notícias anarquistas-ana

brasa do tempo
acende quando passas
no pensamento

Carlos Seabra

[Grécia] Convergências das lutas contra o poder

Ainda ontem (17/03) à noite, no coração de Atenas, muita gente saiu às ruas. Mas desta vez a questão da saúde foi trazida à tona. Está fora de questão deixar enfermeiras e médicos lutando sozinhos. Os manifestantes acentuaram o discurso hipócrita das autoridades que, na Grécia como na França, destroem os meios de tratamento e então, procuram fazer com que nos sintamos culpados e nos submetermos a decisões arbitrárias ou mesmo grotescas. O poder funciona como um incendiário, com nossa saúde como com tudo o mais.

Na linha de frente da manifestação, o bloco antiautoritário veio em grande número para apoiar as demandas das trabalhadoras em saúde. Uma grande faixa do Rouvikonas causou sensação. Mas isso não é surpreendente: todos sabem que os membros do grupo anarquista baseado em Exarchia e Kessariani são muito ativos em clínicas médicas autogeridas, iniciativas de coleta e redistribuição de alimentos, cozinhas sociais gratuitas e outras ações concretas de solidariedade, em paralelo com suas ações diretas contra o poder.

E, sobretudo, foi mais um grande momento de convergência de lutas, para além das nossas diferenças, nos antípodas do sectarismo que, muitas vezes, se opõe a nós e nos impede de construir ações comuns e respostas em larga escala. Não será sozinhos ou em um canto, isolados em uma pureza pseudoideológica que conseguiremos mudar o curso da história, mas forjando a sociedade juntos, para além de nossas diferenças no campo social, contra aqueles que fazem este mundo um inferno.

Como diz um dos slogans do Rouvikonas: “A única coisa que temos é um ao outro. Ninguém nos salvará senão nós mesmos, juntos, diversos, às vezes em desacordo em alguns pontos, mas unidos e determinados, diante da deriva autoritária e totalitária que nos ameaça.

Não deixe nossas lutas se dividirem. Não permitimos sermos divididos.

Yannis Youlountas

>> Foto | Na faixa lê-se: “Solidariedade com a luta dos trabalhadores da saúde – Rouvikonas”.

Fonte: http://blogyy.net/2021/03/18/convergence-de-luttes-contre-le-pouvoir-%e2%98%85/

agência de notícias anarquistas-ana

Pássaro curioso
na janela.
Bem-te-vi.

Aprendiz

[Bolívia] A Pandemia é o Capitalismo

Por María Galindo | 13/02/2021

Não estou escrevendo da Bolívia, mas de um território chamado incerteza.

Escrevo do último lugar na fila para obter a vacinação colonial, que em muitos países será aplicada como uma dose de salvação governamental e como um novo contrato sanitário concedido pelo capitalismo através dos Estados a fim de sobreviver.

Escrevo a partir da consciência adquirida em uma panela comunitária, em um pequeno movimento, em uma luta que não cessou de desenhar mapas de saída, localização e encontro.

Escrevo de uma marcha de trabalhadoras sexuais pandêmicas que afirmam que a repressão policial é pior do que o risco de adoecer e o medo de morrer.

Escrevo enquanto, contra minha vontade, me preparo para falar em uma tela fria que gostaria de reaquecer até que ela exploda.

Eu não escrevo com certeza, mas com dúvida, pergunta, intuição e apalpadela.

Não renunciei a sentir este mundo pandêmico sem luvas, e embora tenha aceitado o convite para escrever, estou ciente de que tudo o que digo está sujeito a tornar-se de repente uma declaração ridícula, obsoleta, ingênua ou a perder sua consistência como se fosse gelo derretido.

Ao mesmo tempo, eu poderia aproveitar um tom profético fatalista, profético bíblico ou redentor profético e esperar os aplausos dos corações soltos que nas ruas andam como zumbis em busca desesperada de vozes proféticas.

A pandemia é um fato político não porque seja inventada, inexistente ou tenha sido produzida artificialmente em um laboratório.

A pandemia é um fato político porque está modificando todas as relações sociais em escala global e, portanto, é legítimo e urgente pensar sobre ela e debatê-la politicamente.

A pandemia é um fato político porque é apresentada como consequência de um modelo capitalista global que vai desde sua versão ecocida até sua versão suicida. Ela abre, ou melhor, evidencia, a relação sistêmica entre ecocídio e suicídio.

Submissão de rebanho

A pandemia instalou um léxico padronizado em nível planetário, uniforme e estendido em todos os países. Ela serve para redirecionar a vida social para uma sociedade disciplinar.

Palavra por palavra, a vida está sendo esquadriada para reduzi-la ao medo, à vigilância legitimada do Estado sobre todas as nossas vidas, à dissolução de formas não estatais de colaboração e organização. As únicas formas de colaboração que foram revalorizadas foram reduzidas a uma espécie de paternalismo de bem-estar sem poder político. A amputação do desejo é uma de suas constantes.

Todas estas operações políticas estão ocorrendo através da linguagem pandêmica como um instrumento para nomear e dar conteúdo ao que está acontecendo. Não estamos questionando as medidas de proteção, a necessidade de tomá-las ou a incongruência de muitas delas, mas a forma de nomear todo o universo da pandemia.

Não estou falando de significados ocultos: eles são explícitos e seu efeito destrutivo tem a ver com sua repetição invasiva, com o fato de que os governantes e organizações internacionais são os porta-vozes inquestionáveis e a população, em geral, funciona como uma caixa de repetição.

É uma linguagem que você acaba usando para entender a si mesmo em poucas palavras. Com seu caráter global sem nuances e com seu uso irrefletido sem margem para questionar os significados, ela funciona fascinando as relações sociais.

Mais uma vez, como tantas vezes na história, o direito de citar fatos está sendo usado como uma arma para programar seu conteúdo social.

É nos termos com os quais os fatos estão sendo batizados que reside seu conteúdo ideológico central. Não é um conteúdo ideológico que funciona como uma teoria a ser aceita, debatida ou repensada. É um conteúdo ideológico que funciona como um significado fixo irrefutável e uma realidade direta, que tem um efeito terapêutico de condicionamento comportamental.

Léxico pandêmico

Encontrei cerca de trinta termos que compõem a espinha dorsal do léxico e sua função de condicionamento coletivo do comportamento. No entanto, vou propor a revisão de apenas alguns deles, por razões de espaço:

Biossegurança: um conjunto de medidas que tem a ver com o perigo mortal de contágio. Devemos mudar a palavra “segurança” para “vulnerabilidade”, e o sufixo “bio” para “necro”. Estamos experimentando uma vulnerabilidade a um perigo onipresente, invisível e incontrolável. Se existe uma coisa que não é segura, é a vida. Não podemos falar de biossegurança quando tal termo, na realidade, denomina necro perigo ou biovulnerabilidade.

Distanciamento social e isolamento: Estes não são os dois metros que precisamos para evitar o contágio, mas são o conteúdo da afiação do recinto em si mesmo, do salvar-se longe do “outro”, o que é perigoso por excelência. Todos nós nos tornamos o “outro” do “outro”, tornando a linguagem pandêmica um instrumento de dissolução coletiva. Também funcionou na fascistização social para enfatizar o pequeno grupo familiar ou “bolha” como seu único universo de responsabilidade e significado, usando o inofensivo pronome possessivo “seu” uma e outra vez.

Quarentena: Um termo transportado da Peste Negra na Idade Média para o mundo contemporâneo como indicador de que no século 21 – após várias revoluções tecnológicas – as medidas sociais de cuidado são as mesmas de vários séculos atrás e levam o mesmo nome. Quem a tecnologia serve então? Por que não temos outras ferramentas contemporâneas além das medievais para lidar com uma pandemia?

O toque de recolher, o confinamento: Estes não são os únicos termos que fazem parte do léxico pandêmico e que, nesta parte do mundo, representaram as ditaduras militares que estão em nossa memória viva. Não poderíamos ter usado outras palavras que não estão carregadas de memória ditatorial, ou sua carga ditatorial foi e é socialmente útil para reinstalar o poder absoluto do Estado sobre a população?

Atividades essenciais: A reclassificação das atividades sociais com o qualificativo de “essencial”, deixando de fora todos aqueles que pertencem ao universo do afeto, do desejo, da criatividade e da redução das pessoas ao mundo do trabalho, tem na linguagem pandêmica um efeito cirúrgico de amputação. A única noção válida de vida é “trabalho”. Apenas mudar “essencial” para “funcional” daria um significado diferente à vida cotidiana.

Teletrabalho: O deslocamento do local de trabalho para casa, convertendo o trabalho em um produto que é pago como produto e não como uma atividade que é medida em um determinado número de horas. Isto é o que nesta parte do mundo – seja em Honduras, México ou Brasil – é chamado de “maquila” e “trabalho à peça”, onde você é pago pelo trabalho feito e não por horas de produção. A maquila – um instrumento neoliberal por excelência – usado por grandes transnacionais – especialmente na indústria têxtil – foi transferido para grandes campos de trabalho com a pandemia e recebeu um nome mais suave. Imagine o resultado de renomear o teletrabalho como maquila pandêmica ou exploração domiciliar!

Como o objetivo deste texto é propor desafios, aqui está o primeiro: fazer uma lista completa do léxico pandêmico, dar a cada termo seu verdadeiro significado e renomear o fenômeno que o termo pretende nomear. Isso é para nos acordar, para aguçar nossa criatividade e para respirar rebelião. Os materiais sofisticados necessários são um lápis e um pedaço de papel e se você fizer isso com amigos, o resultado será divertido e explosivo.

Contrato Sanitário Mundial

Antes de receber a vacina, é urgente saber o que estamos recebendo, não para propor desobediência ou não-vacinação, mas para não aceitar passivamente a vacinação como alguém que recebe o ferro de engomar para o gado. Também temos que debater ideologicamente seu sentido político.

A vacinação não é uma solução, não importa o quanto os governos de todo o mundo procurem apresentá-la como tal.

A vacinação é uma solução parcial para a transição para uma nova ordem que ainda não tem um nome. É uma medida de sobrevivência que deixa intacto o questionamento estrutural sistêmico que esta pandemia deve implicar para toda a Humanidade.

A linha de vacinação é um diagrama de hierarquias globais de caráter colonial sem metáforas, mas de forma direta. A ordem de prioridade é a ordem de capacidade de pagamento.

Por sua vez, em cada sociedade, a ordem de vacinação representa internamente o mesmo diagrama de hierarquias sociais: quanto mais na periferia você estiver, mais tarde ou nunca a vacina chegará.

Nestas terras eles começam com o pessoal de saúde porque precisam deles, mas são seguidos pelos militares e a polícia, padres e bispos, deputados e ministros. E se eles não precisassem do pessoal de saúde, seriam também os últimos a recebê-los.

As vacinas são a materialização de poderes supra-estatais que governam o mundo.

Não é a Organização Mundial da Saúde que organiza a distribuição equitativa de vacinas, mas são as empresas que – acrescentando números que já são impossíveis de conceber – organizam a ordem em que as vacinas são fornecidas.

E não pense que por sermos pobres, pagamos menos: estamos pagando os mesmos preços ou preços mais altos para receber doses menores, e os governos os recebem de joelhos como uma grande conquista, prontos para assinar em letras miúdas o que for preciso.

Os governos, por sua vez, fornecem as vacinas como uma injeção intramuscular do governo, um gesto pelo qual você deve ser grato sem reclamar.

Os anúncios de vacinação que são desenvolvidos em contextos nacionais pelos governos fazem você pensar que o que você está recebendo é um benefício governamental.

Os montantes que a compra de vacinas supõe para muitos Estados excedem os investimentos em saúde ou são comparáveis a estes.

As vacinas absorvem os orçamentos de saúde de modo que, uma vez passada a tempestade, os hospitais e as salas de cirurgia ficam tão mal como antes.

As vacinas também representam a privatização do conhecimento, pois os centros de pesquisa que têm os milhões que a pesquisa no campo da biologia ou medicina representa não estão nas universidades públicas ou mesmo nas sociedades capitalistas imperiais, mas diretamente nas empresas que sugam cérebros das universidades.

Tematizar e debater estas questões em torno da vacinação global é considerado suspeito porque, diante da vacina, o que temos que fazer é assinar passivamente um contrato de saúde unilateral como o proposto pelos bancos quando se endividam ou como o que o Estado boliviano exige das trabalhadoras do sexo para dar-lhes permissão para trabalhar.

É este contrato de saúde e sua explicitação que pode conter as lutas que farão sentido no futuro.

Obsolescência política

Os governos se beneficiam da administração dos Estados, mas não governam: eles são administradores secundários de uma ordem colonial-patriarcal-extrativista. Este fato tangível hoje redireciona radicalmente nossas lutas e nossos horizontes.

A clássica diferenciação esquerda-direita para interpretar o campo político tornou-se obsoleta: a fascistização, por exemplo, no léxico abrangeu ambos.

Estamos na transição do regime neoliberal para o regime neoliberal fascista e a esquerda nem sequer o visualiza porque se as categorias de análise e organização social que a esquerda nos oferecia já estavam ultrapassadas, hoje se tornaram obsoletas.

Os chamados governos “esquerdistas” também são governos incapazes de propor um horizonte diferente daquele imposto pelo neoliberalismo. Este fato não é de forma alguma o fim da política, mas o nascimento de uma nova política. Uma nova política que não tem vanguarda, salvadores, condutores e que exige uma alta dose de criatividade de todos nós.

Não é de força que precisamos, mas de consciência de nossa vulnerabilidade.

Os sujeitos sociais estão sendo diluídos pelo cansaço, pela falta de ideias, pelo luto, pela incapacidade ou impossibilidade de reação, enquanto outras pessoas despossuídas estão se reconstituindo como sujeitos sociais com capacidade de interpelação: aquelas pessoas que se voltam para os animais para se reintegrarem como animais, ou aquelas que produzem saúde, alimento ou justiça com suas coletividades são aquelas que não foram paralisadas pelo medo.

Tudo está acontecendo em grande velocidade, mesmo que o tempo tenha parado.

A velocidade da mudança é a velocidade de uma metamorfose profunda.

Interpretar isso correndo o risco de estar errado é nossa aposta.

Fonte: https://www.lavaca.org/mu156/capitalismo-pandemico-lo-que-esta-en-juego-ecocidio-y-suicidio/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Ventinho na flor —
Embala a abelhinha
E também o néctar.

Gustavo D. Schlumberger Ribeiro

[Grécia] Manifestantes vão às ruas por mais recursos para a saúde pública e contra a violência policial

Milhares de pessoas manifestaram-se esta quarta-feira (17/03) em Atenas para exigir do Governo grego o aumento de recursos para melhorar o sistema de saúde público e o combate à pandemia, e contra a violência policial sob o pretexto de controle das medidas de confinamento.

A manifestação, convocada por diversos sindicatos de médicos e pessoal dos serviços de saúde, associações de estudantes e de professores, organizações esquerdistas e anarquistas concentrou-se em frente ao parlamento de Atenas, na emblemática praça Syntagma, onde milhares de pessoas exigiram um sistema de saúde público eficaz e a requisição forçada das clínicas privadas para o tratamento de doentes com Covid-19.

A Federação de Associações Hospitalares da Grécia (OENGE), uma das principais organizações envolvidas no protesto, criticou o Governo conservador grego por ter fechado as salas de cirurgias para transformá-las em zonas de tratamento para o novo coronavírus, em vez de abrir novas instalações.

Foi também denunciado que estão forçando médicos de diversas especialidades a tratar doentes com Covid-19, e a prescindir de mais contratações.

O Governo argumenta que foram contratados cerca de 10.000 profissionais de saúde durante a pandemia, mas os sindicatos asseguram que, na maioria, são contratos temporários.

Numa referência às clínicas privadas, os manifestantes exigiram a intervenção do Governo para que sejam colocadas à disposição dos doentes infectados.

Fonte: agências de notícias

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/18/grecia-video-marcha-em-daphne-contra-o-terrorismo-estatal-e-policial/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/16/grecia-passeata-contra-a-repressao-estatal-reune-milhares-de-pessoas-em-patras/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/12/grecia-milhares-de-pessoas-tomam-as-ruas-de-tessalonica-apos-policia-retirar-manifestantes-que-ocupavam-universidade/

agência de notícias anarquistas-ana

Casa na serra:
Só um galo anuncia
A madrugada

José Lira

[Espanha] Liberdade para Cristian Mestre

Este é o momento em que todas aquelas pessoas que tomaram as ruas para protestar contra o encarceramento de Pablo Hasél, as tomem desta vez para protestar e exigir a liberdade de nosso companheiro Cristian (Mestre), da CNT-AIT Granada.

Mestre foi detido após os protestos ocorridos em Granada pela liberdade de Hasél, e no último 22 de fevereiro foi decretada sua prisão provisória sem fiança, sem motivo aparente para a dita condenação.

Nos solidarizamos hoje com o companheiro Mestre, com a CNT-AIT de Granada e com todas as pessoas reprimidas por lutar, assim como todas aquelas que sofrem a violência do Estado desde o interior das prisões. Consideramos injusto, hipócrita e uma vitória midiática, que a exigência exclusiva da liberdade de Hasél seja a que monopolize a ocupação das ruas. Ele não é o único reprimido, uma imensa quantidade de companheiros devem passar pelos aparatos punitivos do Estado por lutar e por se expressar. Além disso, a repressão, a miséria e a exploração por parte deste sistema decrépito, recai sobre toda a classe trabalhadora.

Não esquecemos, também, que durante toda a sua história, as prisões na Espanha estão cheias de presos políticos e sociais que hoje exercem importantes lutas e resistências. As ruas devem ser a caixa de ressonância de suas vozes. Solidarizar-se com Hasél sem solidarizar-se com os outros presos, reprimidos e violentados pelo Estado, é uma proclamação vazia e insuficiente.

Hasél não é o único.

LIBERDADE PARA CRISTIAN!

Frente a repressão do Estado, nossa solidariedade e organização!

Abaixo os muros das prisões! Abaixo o Estado e todo o poder!

Fonte: https://www.cnt-ait.org/libertad-cristian-mestre/

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/16/espanha-mais-de-300-pessoas-marcham-ate-a-prisao-de-brians-1/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/12/espanha-comunicado-solidariedade-com-xs-detidxs-da-manifestacao-do-27f/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/09/espanha-mais-uma-vez-o-anarquismo-na-mira-da-repressao-construimos-a-solidariedade-construimos-a-alternativa/

agência de notícias anarquistas-ana

No meio da noite,
um súbito despertar.
Pernilongos a postos.

Renata Paccola

Catar 2022, o Mundial da vergonha: mais de 6.500 trabalhadores mortos desde o início das obras

A maioria morreu em acidentes de trabalho no Catar relacionados com a construção de infraestruturas. A organização só reconhece 37 mortes.

Mais de 6.500 trabalhadores imigrantes perderam a vida no Catar desde 2010, quando o país foi designado como sede do mundial de futebol de 2022 e pôs em marcha a construção de grandes infraestruturas para o evento, segundo revela nesta terça-feira o diário britânico The Guardian.

Cidadãos do Nepal, Sri Lanka, Índia, Paquistão e Bangladesh viajam ao emirado para trabalhar na construção de estádios para sediar os jogos, mas também de hotéis, aeroportos ou linhas de transporte.

As cifras foram conseguidas através dos registros que estes cinco países realizam, mas fora da equação ficam os últimos meses de 2020 e o que passou de 2021, assim como os trabalhadores de outras nacionalidades que também são muito numerosos, como os quenianos ou filipinos, portanto a cifra é maior.

A Índia é o país que registrou o maior número de falecidos com 2.711, seguida pelo  Nepal (1.641), Bangladesh (1.018), Paquistão (824) e Sri Lanka (557).

Os autores esclarecem que é impossível saber quantos destes acidentes de trabalho aconteceram em obras realizadas pela própria organização, que unicamente reconhece 37 falecimentos, dos quais 34 “não estariam relacionados com o trabalho”, uma cifra que os especialistas não consideram que se ajuste à realidade.

“É provável que muitos trabalhadores tenham morrido nestes projetos de infraestrutura para a Copa do Mundo, assinalou no The Guardian o diretor de Fair Square Projects, Nick McGeehan. McGeehan lidera uma organização de advogados especialistas em direitos trabalhistas nos países do Golfo Pérsico e destacou que “uma proporção muito significativa” dos falecidos foram unicamente por causa das obras do Mundial.

Catar conta com mais de dois milhões de imigrantes trabalhando no país. Segundo estes cálculos, 12 deles morreram a cada semana. A maioria é catalogadas como “mortes naturais”, motivadas por deficiências cardíacas ou respiratórios, e sem realizar autópsias no cadáver, ainda que também se registraram suicídios ou mortes por acidente de tráfego.

Uma das causas de uma parte das mortes seriam as elevadas temperaturas do país.

O Governo do Catar se desculpou ante The Guardian em um comunicado no qual asseguram que o número de mortes “é proporcional ao tamanho da força de trabalho migrante” e que nas cifras se incluem trabalhadores que morrem por causas naturais depois de viver muitos anos no emirado. “No entanto, toda morte é uma tragédia e não há nenhum empenho em tentar prevenir cada morte em nosso país”, diz o texto do Executivo que também defende que nos últimos anos a mortalidade diminuiu entre este coletivo e que tem acesso à saúde gratuita e de “primeira classe”.

Fonte: agências de notícias

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/08/15/catar-operario-morre-em-obra-de-estadio-da-copa-do-mundo-de-2022/

agência de notícias anarquistas-ana

Arrastar espantalhos pelo chão
é o que a tempestade
faz primeiro.

Kyoroku

Novidade editorial | Revista Bakunin Vive

É com muito prazer que hoje, no aniversário de 150 anos da Comuna de Paris, nós, do Arquivo Bakunin e do Projeto Obras Completas – Mikhail Bakunin, lançamos a Revista Bakunin Vive, espaço para traduções e retraduções da obra do revolucionário russo Mikhail Bakunin (1814-1876).

Com esta nova publicação periódica, nossa intenção é ampliar a contribuição teórica de Bakunin para a língua portuguesa e compreender o horizonte de possibilidades da ação de agrupamentos e movimentos sociais para a realidade brasileira.

Nesta primeira edição, trazemos um lote de cartas de Bakunin, evidenciando a rede de relações pessoais e políticas articulada após sua fuga do exílio na Sibéria, demonstrando suas tentativas de articulação política com os movimentos revolucionários da Europa. Além disso, a primeira edição de nossa revista conta com a tradução do panfleto “Aliança Universal da Democracia Social”, destinada à juventude russa, refletindo sobre a necessidade e a natureza da revolução naquele país.

Em breve estará disponível online, e sua versão física será vendida pela @editora_lampiao (Distrito Federal) e @tsa.editora (Piauí), pelo valor de R$ 22,00 com frete gratuito para todo o país. Todo o valor arrecadado servirá ao custeio e ampliação do Projeto Obras Completas – Mikhail Bakunin.

agência de notícias anarquistas-ana

sopro-de-vento:
pardais se agarram
nos fios de luz…

Luiz Gustavo Pires

4ª edição da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei)

De 18 a 28 de março de 2021 acontecerá a 4ª edição da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei), e a Biblioteca Terra Livre estará mais uma vez presente nesse evento.

A festa acontecerá inteiramente on-line, devido à crise sanitária pela qual estamos passando, e terá como tema “Livros e Comunas Para Novos Futuros”, em homenagem aos 150 anos da Comuna de Paris. Serão 56 horas de programação virtual, com conferências, bate-papos, apresentações musicais e feira do livro, com mais de 103 editoras independentes.

Durante a Flipei, teremos disponíveis para venda, em nosso site, mais de 15 títulos com desconto de 25%, além dos nossos livros ilustrados e livros de editoras parceiras.

Para mais informações, acessem:

https://flipei.net.br/

https://www.instagram.com/flipeioficial/

Editoras Anarquistas parceiras:

Intermezzo Editorial – https://intermezzoeditorial.minhalojanouol.com.br/

Terra sem Amos – https://linktr.ee/tsa.editora

Editora Entremares – https://entremares.noblogs.org/

Monstro dos Mares – https://monstrodosmares.com.br/

1000 Contra – https://1000contra.com.br/

Biblioteca Terra Livre
bibliotecaterralivre.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

serra nevada,
cumes tocam o céu –
nuvem furada

Carlos Seabra

Charlas y Luchas: o impresso e o gesto de resistência

Por Aline Ludmila

Na tessitura do início do século XX há um fio que entrelaça cinco mulheres anarquistas que viveram em diferentes espaços. Uma costura sensível, traçada nas minúcias da não linearidade, indica como essas diferentes mulheres estavam conectadas por suas histórias de luta. Deixaram um legado, por meio de palavras e gestos de resistência, fundamental para a história do anarcofeminismo.

Uma dessas mulheres é Juana Rouco Buela: anarquista publicadora transnacional. Nasceu em Madrid e ainda jovem se mudou com a mãe para Buenos Aires. Leu, editou e publicou com a mesma avidez com a qual combateu, mostrando-nos que as palavras e os processos de luta estão interligados. Participou de diversos espaços anarquistas e, no borbulhar das reivindicações por melhores condições de moradia em Buenos Aires, foi uma das atuantes da Greve dos Inquilinos. Em suas memórias, ela descreve: “toda a cidade de Buenos Aires foi tomada, e os anarquistas éramos os que controlávamos esse movimento grandioso.

A greve resultou em prisões e deportações de anarquistas, dentre eles, a própria Juana. Era 1907, pouco antes de ser deportada em um navio que a levaria a Espanha, companheiras/os de militância e do Centro Feminino Anarquista se despediam de Juana; momento que ela descreve como sendo emocionante. As prisões e as deportações não conseguiram ofuscar o seu ímpeto, portanto, lembremos de sua história.

Em outro território da América, o fio nos conduz até a região desértica do México onde estava Margarita Ortega Valdés: anarquista sagaz na palavra e na guerrilha. Proveniente da elite mexicana, abdicou desse privilégio ao visualizar a forte desigualdade social que assolava o México.  Deixou para trás o marido e, junto de sua filha, enveredou-se pelos caminhos do movimento anarquista magonista em 1910, abraçando a causa revolucionária e as ações realizadas na fronteira entre o México e os Estados Unidos.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://blog.tendadelivros.org/blog/charlas-y-luchas-o-impresso-e-o-gesto-de-resistencia/?fbclid=IwAR21n7lsq6bxrD1D3gWv_zbfFvEhyHpVDC7iXZdWNLv1YsiSG82Bf7YzYJI

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/17/pauta-aberta-colecao-de-livros-charlas-y-luchas-sobre-mulheres-anarquistas/

agência de notícias anarquistas-ana

Na casca amarela
se esconde em vão a goiaba:
tantos bem-te-vis…

Anibal Beça

[Chile] Fim a militarização do Wallmapu e de todos os territórios

Este 18 de março Solidaridad Obrera del Bio convida às ruas, para juntar-se ao chamado, pois ainda faltam os presos e sobram os milicos.

Desde o estabelecimento da República do Chile independente, nascida dos oligarcas espanhóis que se apoderaram da terra e de seus frutos, utilizando como carne de canhão batalhões de negros, crianças e pessoas pobres do campo e da cidade. O Estado tem mantido uma repressão contra aqueles que tentaram organizar suas vidas, experiências de repúblicas independentes que temos no norte do território e em áreas de fronteira com o povo Mapuche, como foi o caso de Hualqui. Todas essas experiências foram esmagadas pelo centralismo e pela concepção moderna de um Estado nacional ÚNICO.

Assim, o Chile dos oligarcas espalhou-se para o sul, destruindo as comunidades Mapuches e de mestiços que compartilham o mesmo território.

Foi isto que deu início aos gestos emancipatórios de Bilbao e Arco, da sociedade de igualdade, das Sociedades de Resistência, das sociedades mútuas, dos sindicatos e hoje, com as organizações sociais que nascem no calor da luta contra a expansão oligárquica nacional e internacional: silvicultura, abacate, mineração, pesca e tantas atividades monopolizadas pelo grande capital e defendidas desde o Estado pelas forças repressivas.

Após um longo processo desde o V Centenário em 1992, o povo Mapuche iniciou um processo de recuperação da cultura e da terra, antagonizando muitas dessas empresas extrativistas e turísticas que veem seus negócios ameaçados pela expansão da luta territorial Mapuche.

Da mesma forma, nós, o povo mestiço, também nos levantamos contra a expansão da miséria corporativa, organizando a raiva e respondendo aos golpes repressivos com organização. Hoje, muitos dos combatentes que levantaram a voz e tomaram medidas estão na prisão.

Nós, como povo mestiço, já dissemos o suficiente, e nos colocamos em movimento, porque não podemos continuar a suportar como o Chile oligárquico expande mais uma vez seu poder através da militarização, não apenas do Wallmapu, mas de todo o território com a desculpa de proteger a saúde pública.

18 de outubro tem sido o momento de expressão dos sem voz, portanto, chamamos a se juntar a nós para levantar nossa voz através da ação neste 18 de março exigindo o fim da militarização de nossos territórios e pedir na rua as mudanças que não estão sendo feitas nos corredores do Congresso.

FIM A MILITARIZAÇÃO DO WALLMAPU E DE TODOS OS TERRITÓRIOS

FIM DO TOQUE DE RECOLHER

LIBERDADE PARA OS PRISIONEIROS DA REVOLTA

Solidaridad Obrera del Bio

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

De que vinhas
vinham aquelas engarrafadas
paixões que me aniquilam?

Rogério Viana

Videoclipe | “Rap da Comuna de Paris”

Música e letra Cibele Troyano, a partir de aulas e palestras de Alexandre Samis.

L e t r a

Outro dia eu brinquei sem ter lá muita certeza

De inventar um verso ou outro pra Revolução Francesa//

Qual não foi minha surpresa que o rap foi do agrado

Dos vizinhos, da família, dos amigos, namorado

E até de um jornalista que gostou e pediu bis/

Sugerindo um novo rap pra Comuna de Paris

Já feliz e confiante aceitei a sugestão

A ideia é fascinante pois suscita a discussão

Sobre um tema importante que se chama autogestão

E por isso já começo evitando confusão

Pois tem cara desonesto ou ao menos sem noção

Que defende que a Comuna foi uma forma de governo e não foi não.

A Comuna foi um achado, uma experimentação

De uma vida sem Estado, sem governo e sem patrão.

Nossa história se inicia há 150 anos

Quando a França se batia contra o Império Prussiano

Mil oitocentos e setenta na batalha de Sedan

O país é derrotado e não tem mais amanhã

O poder mal se sustenta, o rei  foi capturado

Um governo provisório foi às pressas instaurado

Mas o povo não aguenta mais viver sendo explorado

Nem ser bode expiatório de um sistema fracassado.//

E o novo presidente cujo nome era Thiers

Dá uma ordem de repente que deixou Paris tremer

Pra acabar com os insurgentes contra o império alemão

Ele manda recolher tudo quanto era canhão

Eles eram propriedade de toda a população

Que começa na cidade a sua revolução.//

Quero aqui deixar bem claro que esta grande insurreição

Não foi fato nada raro na história da nação

Pois o povo lá da França já lutava há muito tempo

E sempre teve a esperança de mudar o rumo do vento

A Comuna foi somente um dos muitos resultados

De um conflito precedente que já estava instaurado

E durante alguns dias, ao todo 72,

Paris cria e recria mil medidas sociais

Os serviços de transporte, de saúde e quetais

Passam a ser todos de graça, já não são cobrados mais

Ninguém vive à própria sorte, ninguém mora mais na praça

Todo mundo tem uma casa, o aluguel já não ameaça

Tudo isso sem contar a grande transformação

No sistema de trabalho e também na educação

O ensino ficou laico, aberto a toda criança

O trabalho que era arcaico, obedecendo a ganância de um patrão ou de um feitor

Se tornou autogestão, ficando na liderança do próprio trabalhador.//

E aqui pra completar, pois o tema assim  requer

Eu preciso te falar sobre o papel da mulher

Merece um rap à parte sua participação

Pois sem elas a Comuna não tinha existido não

Elas foram o baluarte dessa experimentação!

Muitas foram as propostas das mulheres na Comuna

O divórcio, o aborto e a livre união

Elas deram sua resposta ao machismo e à opressão

E usaram sua tribuna contra a discriminação

Também foram bem ousadas, na guerra contra o poder

Lutaram nas barricadas, deram a cara pra bater.

Essa história é apagada mas não deixo ela morrer.//

Peço agora sua atenção pra falar por um  momento

Dos artistas da comuna que emprestaram seu talento

No teatro, na pintura, na poesia e na canção

E criaram livremente a sua federação.

Foi assim que a Comuna deu exemplo ao mundo inteiro

Mas eu deixo uma lacuna. Me perdoe companheiro,

Porque o fim não vou contar, pois tragédia não é meu forte

Digo só pra arrematar que tem coisa que a morte

Não consegue apagar nem por lei nem por decreto

E você pode estar certo que isso nunca vai mudar

Mas já estou chegando perto da hora de terminar

Agradeço à gente atenta que me ouviu aqui cantar

E se o adeus você lamenta, uma dica eu vou deixar

No livro Negras Tormentas do Alexandre Samis

Você pode aprofundar aquilo que esta atriz

Tentou aqui te falar da Comuna De Paris.

Me retiro então de cena, mesmo sem  esgotar o assunto

Agradeço ao Lucena… “au revoir” e tamo junto!

>> Confira o videoclipe (03:48) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=PxAHxtW5XEM

agência de notícias anarquistas-ana

O gari folheia
o livro de poesias—
Voa passarinho!

Regina Ragazzi