[Chile] 12ª Jornadas Libertárias em Concepción

Em julho, realizaram-se as 12ª Jornadas Libertárias, uma iniciativa que se desenvolve desde o ano de 2002. Em suas primeiras versões, foram organizadas pela Coordenadora Regional Anarquista, dando continuidade a essa experiência, posteriormente, o Grupo Anarquistas Germinal. Nesta oportunidade, o eixo temático foi “Identidade, Território e Cultura Anarquista”.

O objetivo dessas jornadas foi gerar um espaço de encontro, reflexão e construção coletiva em torno das identidades libertárias, das experiências territoriais de organização e das expressões culturais do anarquismo no Chile e na América Latina. Para isso, contamos com o espaço social Eskombr@, um lugar que há 19 anos desenvolve um importante trabalho territorial e libertário no setor de Lorenzo Arenas.

As jornadas realizaram-se nos dias 8, 15 e 22 de julho. Previamente, elaborou-se a propaganda e prepararam-se os materiais e insumos necessários para cada encontro. A metodologia consistiu em uma exposição inicial de aproximadamente vinte minutos, seguida de um espaço de conversação aberto a todes os presentes, promovendo a troca de experiências e a reflexão coletiva.

A primeira jornada abordou o tema “Como habitamos nossos territórios?”, iniciado por Tadeo, integrante do grupo Mawizako e membro do SOV Fronteira do Biobío. Sua exposição realizou um percurso histórico sobre como o capital tem transformado os territórios, usando a utilização dos mapeamentos coletivos como forma de recuperar o controle dos mesmos, incorporando também a ideia dos corpos como territórios em disputa. Posteriormente, Fito, do Grupo Germinal, facilitou uma conversa guiada por perguntas sobre os distintos conflitos ambientais presentes na região.

A segunda jornada coincidiu com um intenso temporal de chuva. Apesar de muitas pessoas terem perguntado se a atividade seria suspensa, ela foi realizada igualmente e, de maneira inesperada, a assistência aumentou. A conversa foi guiada por Carlos, que apresentou o tema “Psicanálise e psicologia: seu papel na sociedade de controle”. Tratou-se de uma exposição que, desde uma perspectiva crítica, abriu um interessante debate sobre saúde mental, subjetividade e esquizoanálise, gerando uma reflexão ampla e participativa.

A terceira e última jornada centrou-se na pergunta “O que é ser anarquista hoje?”. A conversa transitou por diversos temas, entre eles o estallido social (a explosão social), as contribuições de David Graeber e a proposta de uma antropologia anarquista, bem como as relações entre liberdade e poder. O diálogo estendeu-se por um longo tempo, demonstrando o interesse de todes os participantes em aprofundar esses debates.

Durante a jornada, também foi feita uma pausa musical a cargo de Desorden Habitacional, companheiro do SOV Fronteira do Biobío, que interpretou canções muito alinhadas com o espírito das jornadas. Esse momento foi acompanhado por sopaipillas (bolinhos de abóbora fritos) recém-fritos, preparados pelos companheirxs do Eskombr@, além de alguns biscoitos que uma companheira levou para compartilhar, fortalecendo o ambiente fraterno e comunitário do encontro.

Após a pausa musical, retomou-se a conversa, voltando à pergunta “Como estamos habitando nossos territórios?”, permitindo que os assistentes relacionassem as discussões dos três encontros com suas próprias experiências organizativas, comunitárias e cotidianas.

Em termos gerais, as jornadas foram avaliadas de forma muito positiva. Apesar das condições climáticas adversas, a participação foi crescendo em cada sessão: começou-se com cerca de 18 pessoas no primeiro encontro e finalizou-se com 25 participantes na última jornada, que demonstraram grande interesse em dialogar, compartilhar experiências e construir reflexão coletiva. Embora as atividades estivessem programadas entre as 19h e as 21h, as conversas geralmente se prolongavam até perto das 22h, refletindo o entusiasmo e o compromisso de quem compareceu.

Estas 12ª Jornadas Libertárias reafirmaram a importância de manter espaços autônomos de formação política, diálogo e construção comunitária. Da mesma forma, abrem a possibilidade de continuar ampliando as atividades de reflexão, debate e difusão das ideias anarquistas, fortalecendo o trabalho territorial e os vínculos entre aqueles que buscam construir alternativas antiautoritárias a partir da prática cotidiana.

solidaridadobrera.ch

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Velho casarão.
Iluminam o interior
raios de luar.

Fanny Dupré

[Espanha] Ceuta, Marrocos e a utilização da classe trabalhadora como arma política

Da CNT, exigimos:
 
• O esclarecimento das cerca de cem mortes ocorridas na fronteira.
• A libertação dos detidos.
• Transparência informativa total.
• A libertação de todos os presos políticos das cadeias de Marrocos.
• O fim da ditadura de Maomé VI.
• O fim do apoio do governo espanhol a essa ditadura.
• A proibição dos grupos parafascistas que parasitam cada crise política.
• A reabertura dos passos fronteiriços de Ceuta e Melilha que estavam abertos antes da COVID.
• A revogação da Lei de Estrangeiros.
 
Queremos começar solidarizando-nos com os familiares e amigos de todas as pessoas falecidas e das famílias com pessoas presas.
 
As recentes tensões entre os Estados espanhol e marroquino voltam a colocar Ceuta no centro de um conflito que, mais uma vez, se apresenta como uma simples questão de soberania nacional e de controle fronteiriço. No entanto, desde a CNT entendemos que essa abordagem oculta o verdadeiro problema e desvia a atenção de quem sofre as consequências: a classe trabalhadora. Tanto a de um lado quanto a do outro lado da fronteira.
 
Os governos da Espanha e de Marrocos utilizam a fronteira como um instrumento de negociação política. O Estado marroquino emprega o controle dos fluxos migratórios como elemento de pressão diplomática, enquanto o Estado espanhol responde reforçando a militarização das fronteiras e endurecendo as políticas migratórias, “terceirizando” dessa forma essa política fronteiriça de mortes, fazendo concessões à ditadura de Maomé VI.
 
Concessões como a legitimação de seu regime ditatorial, que conta com centenas de presos políticos, que pisoteia a legalidade internacional, como a validação da ocupação militar do Saara Ocidental, com seu rastro de violações dos Direitos Humanos. No meio dessa disputa entre Estados ficam milhares de pessoas trabalhadoras obrigadas a migrar pela repressão política, pela pobreza, pela precariedade, pela falta de oportunidades ou pelas consequências de um modelo econômico profundamente desigual. É essa desigualdade que, de fato, cria as fronteiras. Sem essa desigualdade, não há “fronteira”.
 
Essa situação é aproveitada pela extrema direita que aponta as pessoas migrantes como causa dos problemas sociais. O fato de a chegada de pessoas migrantes se tornar um conflito internacional é uma decisão política do capital e dos governos que o administram.
 
Nesse sentido, existe uma clara aliança de fato entre a extrema direita xenófoba, que defende os capitalistas e aponta os migrantes, e a ditadura do rei de Marrocos, ao qual, como está visto, pouco importa o seu próprio povo. Não é coincidência que há apenas alguns dias o ditador tenha batizado com o nome de “Donald Trump” uma autoestrada que pretende construir no Saara Ocupado. Saara ocupado, lembremos, com a ajuda militar que o Estado de Israel presta ao Estado marroquino.
 
A classe dominante utiliza deliberadamente a escassez planejada de recursos públicos para confrontar uns trabalhadores com os outros. Enquanto se privatizam os serviços públicos, se limita o investimento social, empregando esse dinheiro em gasto militar, e se favorece a acumulação de lucros privados, alimenta-se o discurso de que o problema são aqueles que chegam em busca de uma vida melhor. Assim, desvia-se a responsabilidade de quem realmente concentra a riqueza e toma as decisões econômicas.
 
As pessoas migrantes não são nossas inimigas. Também não o são os trabalhadores e trabalhadoras marroquinos, cuja exploração responde à mesma lógica que sofrem aqueles que trabalhamos no Estado espanhol. A competição entre trabalhadores não surge da migração, mas de um sistema econômico que precisa de mão de obra precarizada, sem direitos e facilmente explorável para pressionar para baixo as condições laborais do conjunto da classe trabalhadora. Nesse sentido, apoiamos as regularizações em massa que melhoram as condições de vida, que concedem direitos e que evitam essa mesma competição entre trabalhadores que tanto deseja a extrema direita.
 
Como organização anarcossindicalista, rejeitamos tanto o nacionalismo espanhol quanto o marroquino. Nenhum Estado representa os interesses da classe trabalhadora. Frente àqueles que utilizam as fronteiras para defender interesses geopolíticos ou econômicos, reivindicamos a solidariedade internacional entre aqueles que vivem do nosso trabalho.
 
A resposta não pode ser o fechamento de fronteiras, a militarização, nem o confronto entre povos. Também não pode consistir em aceitar que os serviços públicos permaneçam deliberadamente subfinanciados enquanto se aumenta o gasto militar pela submissão às políticas de Trump e se aumenta a riqueza de uma minoria. A única saída favorável para a maioria social passa por socializar a riqueza, garantir serviços públicos suficientes para todas as pessoas e fortalecer a organização da classe trabalhadora, independentemente de sua origem ou nacionalidade.
 
Desde a CNT consideramos irrenunciável o direito de migrar: a ONU reconhece o direito de buscar asilo político diante da perseguição. Nós consideramos irrenunciável, além disso, o direito de migrar para fugir de uma situação de miséria, também para melhorar as condições de vida ou simplesmente pelo mero prazer de conhecer novos lugares e culturas. Nesse sentido, não deve ter mais direito de se mover pelo mundo uma pessoa da Finlândia do que outra do Senegal, Colômbia, Espanha ou Marrocos.
 
Defendemos a abolição das fronteiras, como de fato ocorre a nível mundial com os cidadãos europeus que podem se mover pelo mundo livremente. Como de fato ocorre entre os países que não têm grande desigualdade entre eles, como Espanha e Portugal.
 
Nesse sentido, o ocorrido em Ceuta é uma fuga em massa da ditadura de Maomé VI, comparável ao êxodo que provocou a queda do Muro de Berlim. Assim como as pessoas da Ucrânia, as de Marrocos devem ter o direito de poder fugir de uma ditadura apoiada pelos EUA, Israel e, como não para de repetir Pedro Sánchez, pelo governo espanhol.
 
Mas também defendemos o direito de não migrar: ninguém deveria ser obrigado a abandonar seu país pela repressão política e pela miséria. Nesse sentido, é significativo que a fuga de milhares de pessoas tenha ocorrido enquanto o rei exaltava sua monarquia absoluta em seu palácio em Tetuão, na “festa do trono”, a poucos quilômetros de onde morriam afogadas dezenas de pessoas.
 
Nas cadeias de Marrocos há centenas de presos políticos, como os companheiros do Hirak, como Nasser Zefzafi, condenado a vinte anos por pedir hospitais públicos e Direitos Humanos. Essa fuga em massa não teria ocorrido se Maomé VI – apoiado por Pedro Sánchez – não encarcerasse centenas de pessoas por pedir coisas tão fundamentais como saúde pública. Ainda se desconhece o paradeiro das centenas de detidos dos protestos pela saúde pública que ocorreram em Marrocos no outono passado.
 
Por isso, frente à estratégia dos Estados e do capital de nos dividir segundo nossa nacionalidade, origem ou situação administrativa, a tarefa do sindicalismo de classe é organizar-se onde existe a exploração: nos centros de trabalho, nos bairros e em todos os espaços onde a classe trabalhadora vive e luta. A CNT reafirma seu compromisso com a organização de todas as pessoas trabalhadoras, nascidas aqui ou chegadas de qualquer lugar do mundo, impulsionando a solidariedade entre sindicatos e organizações operárias de ambos os lados do Estreito.
 
Nesse sentido, dirigindo-nos concretamente às pessoas do norte da África, em ambos os lados da fronteira, para que façam parte da CNT ou formem seções da CIT.
 
Fazemos um chamamento a todos e a todas que sejam contra a política criminosa de fronteiras da Europa e contra a ditadura do Makhzen. A praça da entrada da medina de Tetuão deve voltar a ser do povo, e este palácio, junto ao que o ditador tem em Nador e ao de Al Hoceima, devem ser expropriados para o povo, para que assim as crianças que estão na rua tenham comida e teto.
 
Convocamos a unir-se ao povo de Guelaya, seja de “El Pueblo” ou de Beni Ensar. Ao povo do Garb, sejam de Ceuta, Tânger, El Haus, Tetuão ou Anyera, contra o rei aliado de Israel, contra as fronteiras, contra os fascistas.
 
Convocamos à união dos trabalhadores de todo o Magrebe com os trabalhadores da Península Ibérica.
 
Frente àqueles que levantam fronteiras para proteger privilégios e semear o confronto entre povos, respondemos com internacionalismo, apoio mútuo e ação direta. Porque nossa bandeira não é a de nenhum Estado: é a da emancipação da classe trabalhadora.
 
cnt.es
 
Tradução > Liberto
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/08/03/espanha-ceuta-os-estados-jogam-a-classe-trabalhadora-morre/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
os teus cabelos
por travesseiro
como dormirei?
 
Rogério Martins
 

[Espanha] Ame Cádiz. Odeie o fascismo.


O fascismo não se discute, ele se destrói” – Buenaventura Durruti

Não permitamos que os discursos de ódio envenenem nossas cidades, nossos bairros, nossas salas de aula ou nossos locais de trabalho.

É hora de enfrentar todos os movimentos patriarcais, xenófobos e fascistas. É hora de expulsar de nossas vidas todos esses defensores da burguesia e do Estado que lançam seu veneno racista contra a classe trabalhadora, tentando dividi-la e direcionando seu ódio aos migrantes.

É hora de nos auto-organizarmos, de não deixar nenhuma agressão sem resposta. Contra o fascismo, contra toda exploração, contra toda autoridade.

Pelo Comunismo Libertário. Pela Anarquia

União Anarcossindicalista UAS AIT

Confederação Anarcossindicalista – AIT IWA

agência de notícias anarquistas-ana

Noite de garoa —
Sobrepõe-se ao céu fechado
o clarão da Lua

Sérgio Bernardo

Lançamento – ERROZINE 04

Do protesto urbano ao território: Centro de Cultura Social, anarcopunk e Semente Negra + Entrevista com Josimas Ramos (ex-Execradores/Água/No Gods No Masters) + Festival Cultive Resistência 2026

Por Raphael Sanz

Superamos a maldição dos fanzines, segundo a qual as publicações não ultrapassam a terceira edição – e está oficialmente lançada a quarta edição do ERROZINE!

Nesta nova edição – a primeira de 2026 – trazemos na pauta a importância de cultivarmos espaços livres e territórios autônomos para criarmos, por nós mesmos e com as nossas comunidades, horizontes de vida e luta mais interessantes num mundo cada vez mais opressor.

A edição é dividida em quatro partes.

  • Na primeira parte, “Do protesto urbano ao território: Centro de Cultura Social, anarcopunk e Semente Negra”, recontamos a história do Centro de Cultura Social de São Paulo (CCS), grupo de difusão de saberes anarquistas fundado em 1933 e ainda em atividade (com sede no centro de SP). Além de ter sido um importante ator, historicamente falando, na sobrevivência das ideias (e pessoas) anarquistas a duas ditaduras, também ficou marcado pela sua relação com a cultura punk e a formação do que ficou conhecido como “anarcopunk”. Falamos sobre a importância de figuras como Jaime Cubero e contamos como os anarquistas usaram um pequeno sítio para driblar as repressões de duas ditaduras.
  • A edição também traz uma entrevista com Josimas Ramos (ex-Execradores/Água/Semente Negra/No Gods No Masters), que viveu esse encontro entre punks jovens e vovôs anarquistas na virada dos 80 para os 90, e que hoje está à frente do Espaço Cultural Semente Negra, um espaço anarquista e punk em Peruíbe (SP) onde realiza uma série de atividades em parceria com as comunidades vizinhas, incluindo a Terra Indígena Piaçaguera.
  • A última parte do fanzine faz um apanhado da cobertura que fizemos do Festival Cultive Resistência 2026, realizado dentro do Semente Negra.
  • E como não podia faltar, um pouco de arte também é sempre bom. Nas páginas 10 e 11, centrais, você encontra um baita pôster do LAIDEA – artista gráfico de BH ligado à Kasa Invisível – sobre o tema da edição: Ocupe o mundo!

 

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Frete para todo o Brasil

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agência de notícias anarquistas-ana

Flauta,
cascata de pássaros
entornando cantos úmidos.

Yeda Prates Bernis

[Belém-PA] 2ª Plenária de Construção da Campanha NÃO VOTE, LUTE!

O SIGA-PA convida seus filiadxs, simpatizantes e aliadxs para participarem da construção desta campanha, que terá o objetivo de fortalecer o povo para ser o principal agente de mudanças, promovendo autonomia e ação direta como reais alternativas para melhoria da sociedade. Através do uso constante e massificado destas táticas, a política eleitoral burguesa revelará sua inutilidade para a classe trabalhadora, podendo ser substituída por uma democracia direta e federalista de trabalhadores.

Aqui não estamos falando sobre votar nulo ou problematizar suas decisões eleitorais, pois estes fatores apenas manterão o status quo e a ordem opressora com poder centralizado pelos interesses da elite. Aqui estamos falando sobre como a organização da base e ação autônoma é muito mais importante e eficaz do que votar. A questão central é: quando estiver preocupadx e gastando sua energia em promover políticos que possivelmente esquecerão das comunidades e das suas promessas, tome um banho de água fria e se preocupe em ousar, lutar e vencer! Não vote, lute!

agência de notícias anarquistas-ana

dos ramos altos no rio
caem suavemente
farrapos do sol poente

Rogério Martins

Anarquismo eurocêntrico e anarquismo antirracista.

Por Carlos Ferreira de Araujo Junior [1]

O antirracismo é um dos fundamentos do anarquismo contemporâneo. É impossível falar da luta anarquista sem falar da luta contra o racismo. Mas nem sempre foi assim. Entre o fim do século 19 e o início do século 20, o anarquismo era bastante influenciado por discursos racialistas, eugenistas e pelo darwinismo social de autores como Lombroso, Spencer e Le Bon.

O criminalista Cesare Lombroso (1835-1909) defendia que criminosos nasciam predestinados aos delitos e que suas características biológicas, hereditárias e determinantes, como traços faciais e anatomia craniana, evidenciavam inclinações a condutas criminosas. Já Herbert Spencer (1820-1903) aplicava a teoria da seleção natural, da sobrevivência do mais apto, às sociedades humanas. Esta teoria legitimava a “superioridade” do continente e da “raça” europeia sobre os demais povos. Por último, Gustave Le Bom (1841-1931) defendia a hierarquia de raças e a aversão a mestiçagem. Todos estes “cientistas” moldaram o pensamento racialista e o eurocentrismo. O anarquismo do período também sofreu influências destas ideias.

Num artigo escrito sobre o Treze de Maio, João Crispim, um dos pseudônimos do anarquista espanhol Primitivo Soares (1883-1947), mais conhecido como Florentino de Carvalho, afirmou que os negros não eram tão evoluídos/civilizados quanto os brancos, devido às suas anatomias cranianas, similares às dos símios, determinando, assim, a existência de uma vida vegetativa [2] nestes indivíduos.

No livro, Sicários do Jornalismo (1923), o anarquista português Joaquim Mota Assumpção (1879-193?) afirmou que à medida que o Brasil se afasta do tipo europeu, representando na sua base étnica pelos portugueses, cai na incurável barbárie do negro e do índio. [3]

Os anarquistas brasileiros também foram influenciados pelas ideias racialistas europeias. Orlando Correia Lopes (1872-1927), anarquista gaúcho, lamentava que o carnaval tivesse perdido a estética europeia cheia do “luxo exibicionista de algumas cidades da Itália” e ter dado lugar ao “misto de festas mundiais, adaptação de cultos ruidosos e africanismos de danças comiciais e sensuais, de nenhum valor estético para mim”. [4] As danças de origem africanas “sem valor estético” para o anarquista eram: o lundu, o cateretê, o batuque e o maxixe, de origens afro e indígenas.

Maria Lacerda de Moura (1887-1945) foi uma das mais influentes anarquistas brasileiras e do mundo. Publicou obras fundamentais como A Mulher é uma Degenerada (1924), onde criticou a “misoginia científica”, e Civilização: Tronco de Escravos (1931), onde fez um panorama pessimista dos “progressos” da humanidade. Moura teceu acertadas críticas antifascistas, anticlericais e anticapitalistas, porém, a autora conseguiu se livrar das influências higienistas e eugenistas. Para a libertária, o carnaval popular carioca, não o carnaval “limpinho” dos clubes sociais frequentado pelas altas elites, era uma festa imunda, geradora de tragédias, prostituições, degenerações do corpo, lascívia, DST’s etc. [5] Além disso, Maria Lacerda de Moura criticou a dançarina negra Josephine Baker (1906-1975), como exemplo de decadência cultural. A artista franco-americana foi uma das maiores antirracistas e antinazistas que o mundo conheceu, atuando e recolhendo informações que levaram à prisão e morte de diversos fascistas e nazistas.

Os comentários dos libertários e libertárias acima refletem o pensamento eurocêntrico e cientificista do início do século 20. O negro, o indígena e o oriental eram vistos como corpos desprovidos de intelectualidade, de racionalidade e de dignidade. Eram corpos passivos, permissivos, emotivos, mas nunca conduzidos de forma autônoma por eles mesmos.

Além da cultura, as experiências libertárias, horizontais, voluntárias, autônomas não-europeias, como os quilombos e as alianças entre povos originários foram desconsideradas como efetivos exemplos de experiências libertárias. Para muitos imigrantes anarquistas e libertários brancos brasileiros, o proletariado brasileiro, majoritariamente negro, era visto como desprovido de “razão”. As irmandades negras, terreiros, sambas, batuques, blocos carnavalescos, sociedades dançantes, maracatus e tantos outros espaços de sociabilidades eram considerados espaços inferiores quando comparados ao verdadeiro santuário da superioridade e racionalidade operária: o sindicato.

Negros e negras anarquistas começaram a perceber e apontar preconceitos cotidianos dentro do movimento anarquista. Somente na década de 1970, o anarquismo começou a adotar as práticas antirracista como bandeira de luta. Periódicos como Inimigo do Rei e Barbárie, por exemplo, foram pioneiros na renovação do anarquismo. As críticas pós-estruturalistas, os movimentos negros e as lutas anticoloniais fizeram com que os libertários refletissem até que ponto a liberdade que tanto defendiam não seria uma “versão leve” do discurso iluminista eurocêntrico. 

Por muito tempo, e ainda há quem teime, os anarquistas desconsideraram a questão racial.  Sem os questionamentos e as críticas contra colonialistas, o anarquismo permanecerá uma narrativa inofensiva ao liberalismo, ao racismo e as inúmeras formas de fascismos atuais.

[1] Historiador. Bibliografia: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), libertários e socialistas negros no Brasil

[2] A REBELIÃO. N.2.09/05/1914.

[3] ASSUMPÇÃO, Motta. Os Sicários do Jornalismo. P.134-135. Ano: 1923.

[4] NA BARRICADA. Data: 23/09/1915. N.16

[5] MOURA, Maria Lacerda. Civilização: Tronco de Escravos. 1931. P.109. UFCG.

agência de notícias anarquistas-ana

meio dia
dormem ao sol
menino e melancias

Alice Ruiz

Pré-venda. Revolta e antipolítica: anarquia! Acácio Augusto.

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Título: Revolta e antipolítica: anarquia!

Autoria: Acácio Augusto

Prefácio: Camila Jourdan

Posfácio: Facção Fictícia

Orelha: Nilson Oliveira

Página: 200

Formato: 13 x 21 cm

Imagens: 9

Lançamento: 25.09.26

D e s c r i ç ã o

Revolta e antipolítica: anarquia!

Revolta e antipolítica reúne textos escritos ao longo de diferentes anos (entre 2013 e 2023), compondo um panorama crítico das formas contemporâneas de repressão, segurança e resistência política no Brasil e no mundo. A partir de episódios concretos — como a repressão aos aprendizes da Fábrica de Cultura da Brasilândia, a violência policial em manifestações e os desdobramentos de junho de 2013 — o livro analisa como a segurança se tornou a lógica dominante das democracias atuais.

Os ensaios dialogam com autores como Foucault, Proudhon, Bakunin, Camus e Passetti para examinar a centralidade da polícia como tecnologia de governo, os limites da representação política e a transformação da crise em forma de gestão. O livro também discute a emergência de práticas anarquistas hoje: dos black blocs às associações de afinidade, das heterotopias às experiências de autodefesa e autogestão, compreendendo a revolta não como etapa de uma revolução futura, mas como prática cotidiana que recusa as tecnologias contemporâneas de governo.

A obra é particularmente relevante para o debate público de 2026 por tratar de temas que permanecem urgentes: a expansão dos regimes securitários, a naturalização da vigilância, o uso cotidiano da força policial e o esvaziamento das promessas democráticas. Ao mesmo tempo, oferece uma leitura das formas libertárias de vida, destacando como certos gestos — de recusa, de confronto, de invenção —continuam a produzir brechas de liberdade mesmo em contextos marcados pelo controle.

S u m á r i o

prefácio: formas de vida anárquicas (Camila Jourdan)
qual democracia? – sobre como a busca por segurança está solapando a liberdade
lutas anarquistas hoje: entre a utopia e as heterotopias
anarquia contemporânea e cultura libertária: a antipolítica dos anarquistas
a antipolítica em junho de 2013: uma pequena minoria de vândalos
revolta e antipolítica em Bakunin
revoltas: greve geral de 1917 e jornadas de junho de 2013
não temer a ruína: a atualidade da revolução espanhola como prática libertária
cem anos depois: um novo fascismo?
abolir a polícia, uma antipolítica
posfácio: 
contra a polis, contra a política e seus falsos críticos (Facção Fictícia)

Contatooi@crocodilo.press | crocodilo.press

agência de notícias anarquistas-ana

Morcego em surdina
morde e sopra o velho gato.
Não contava o pulo…

Anibal Beça

[Itália] Reverter a historiografia eurocêntrica. As “mulheres-sombra” etíopes e a luta antifascista na África

Nos jornais burgueses geralmente se lê sobre antifascismo apenas no aniversário de 25 de Abril, data que para nós, almas anárquicas, marca apenas uma vitória parcial na conquista da liberdade. A resistência anarquista fez do antifascismo internacional a sua própria moral. Quando se fala em antifascismo, a memória pública europeia continua a contar uma história incompleta e cômoda demais para as consciências ocidentais. O imaginário dominante situa a luta contra o fascismo quase que exclusivamente entre as montanhas italianas, nas cidades ocupadas da Europa Ocidental ou nas frentes da Segunda Guerra Mundial. Até mesmo as experiências de antimilitarismo popular nascidas no nosso Sul, como as revoltas do movimento “Non si parte” [Não se parte] contra o alistamento forçado, lideradas por Maria Occhipinti em Ragusa em janeiro de 1945 (quando, mesmo grávida, deitou-se diante das rodas de um caminhão militar que estava recrutando jovens à força), acabam relegadas a notas marginais de uma história escrita pelos Estados e pelos exércitos brancos. É uma narrativa parcial, que tende a começar em 1939 e a se concluir com a derrota militar das potências do Eixo em 1945. No entanto, a guerra global contra o fascismo começou bem antes, e um dos seus primeiros, mais importantes e trágicos campos de batalha foi o continente africano.

Em 1935, a invasão italiana da Etiópia representou um divisor de águas histórico. O regime fascista buscava o seu próprio império (assim como as outras potências europeias) através de uma guerra de conquista brutal, fundada no racismo biológico, no expansionismo militar e na pretensa superioridade civilizatória europeia. Aquela agressão não foi uma guerra colonial comum como as do século anterior. Foi a manifestação concreta e moderna do projeto fascista: domínio total, hierarquização racial e militarização da sociedade.

A Etiópia ocupava uma posição simbólica enorme. Junto com a Libéria, era um dos pouquíssimos Estados africanos que haviam preservado a sua independência durante a violenta partilha colonial do continente. Para milhões de africanos e para as populações negras da diáspora, a Etiópia era a prova viva de que a dominação branca não era inevitável. A resistência etíope, frequentemente suprimida pela historiografia europeia, constituiu uma das primeiras grandes experiências de luta armada contra o fascismo. Justamente por isso, o ataque de Mussolini teve uma ressonância dolorosa e enorme para além das fronteiras do Corno de África, mobilizando corações e consciências em todo o mundo.

A guerra de invasão foi caracterizada por uma violência impiedosa. O exército italiano recorreu sistematicamente a bombardeios contra civis e ao uso de armas químicas proibidas pelas convenções internacionais. Gás mostarda e gases tóxicos foram despejados deliberadamente sobre aldeias, cursos d’água, áreas agrícolas e formações da resistência, com efeitos devastadores. As estimativas mais credíveis falam de centenas de milhares de vítimas etíopes durante os anos de ocupação; uma tragédia imensa que ainda hoje ocupa um espaço marginal nos nossos livros de história.

Entre os episódios mais sombrios esteve o massacre de Yekatit 12, em fevereiro de 1937, em Adis Abeba. Após um atentado fracassado contra o vice-rei Rodolfo Graziani, as autoridades coloniais desencadearam uma vingança cega: por três dias, a população civil foi trucidada, bairros inteiros foram devastados e milhares de pessoas foram mortas simplesmente por serem etíopes. A isso se somaram outras chacinas horríveis, como a da gruta de Zeret, onde centenas de resistentes e civis que ali haviam buscado refúgio foram gaseados e massacrados pelas tropas italianas. Esses eventos demonstram que o colonialismo fascista não foi uma administração autoritária paternalista, mas um sistema fundado no terror. O mito consolador dos “italianos boa gente”, enfim, pertence a mentiras nacionalistas, não à realidade da história.

Diante dessa máquina de guerra, a resistência etíope, frequentemente suprimida pela historiografia europeia, constituiu uma das primeiras grandes experiências de luta armada contra o fascismo. Camponeses, comunidades locais, combatentes irregulares e líderes religiosos opuseram uma resistência tenaz. Apesar da disparidade esmagadora de meios, a guerrilha nunca parou, impedindo o regime de consolidar o controle sobre o território.

Enquanto as democracias europeias escolhiam o caminho do apaziguamento e a Sociedade das Nações demonstrava toda a sua impotência diante da agressão — uma impotência que lembra, de forma especular, aquela demonstrada hoje pelas instituições internacionais diante dos massacres contemporâneos em Gaza, no Sudão, em Mianmar —, milhares de africanos já morriam combatendo o fascismo. A guerra da Etiópia foi, em todos os sentidos, o primeiro capítulo da resistência global antifascista.

Nessa luta, um papel fundamental e profundamente humano foi desempenhado pelas mulheres etíopes, demasiadas vezes apagadas. Não foram espectadoras nem figuras de retaguarda. Foram protagonistas ativas: empunharam armas, organizaram redes de apoio logístico, transportaram munições, cuidaram dos feridos, garantiram as ligações clandestinas entre as aldeias e os partisans, escreveram poemas que incentivavam à resistência. Segundo as pesquisas históricas, cerca de um terço dos/das partisans oficialmente reconhecidos/as após a libertação eram mulheres. Algumas assumiram papéis de comando militar, desmontando a ideia de uma guerra totalmente masculina.

Essa memória foi resgatada com força pela literatura contemporânea. No romance O Rei Sombra, de Maaza Mengiste, as “mulheres-sombra” representam justamente aquelas que a história oficial quis empurrar para as margens. Muitas protagonistas da luta antifascista africana foram esquecidas não porque estavam ausentes, mas porque uma historiografia colonial, patriarcal e branca escolheu não contá-las. Para elas, resistir assumia um significado duplo: era luta contra o invasor e contra um sistema que queria impor simultaneamente o domínio colonial e a submissão de gênero. A sua experiência continua sendo uma das primeiras manifestações de um antifascismo capaz de entrelaçar oposição ao racismo, emancipação social e autodeterminação.

Essa diferença de perspectiva é fundamental. Os Estados ocidentais, que mais tarde se apresentariam como os libertadores do mundo do fascismo, continuavam a governar impérios coloniais fundados na exploração e na segregação. Mas para grande parte do mundo colonizado, a luta contra o fascismo e a luta contra o colonialismo eram exatamente a mesma coisa.

Essa contradição explodiu dramaticamente no momento da vitória aliada. Enquanto na Europa se celebrava 1945 como o triunfo da “liberdade”, milhões de pessoas nos territórios coloniais continuavam a sofrer violências, trabalho forçado e negação de direitos civis. A vitória sobre o nazifascismo conferiu às potências europeias uma autoridade moral renovada, permitindo que França, Grã-Bretanha, Bélgica e outras potências vencedoras (ex. EUA) se apresentassem como os “bonzinhos”, defensores da liberdade e da civilização, enquanto continuavam a governar vastos impérios construídos sobre uma violentíssima dominação colonial.

Um caso emblemático ocorreu em 1º de dezembro de 1944 no campo militar de Thiaroye, no Senegal. Os tirailleurs sénégalais (atiradores senegaleses), soldados africanos que haviam combatido na Europa para libertar a França do nazismo, reivindicavam o pagamento das indenizações prometidas. A resposta do exército francês foi a violência militar: os veteranos foram fuzilados a sangue frio, deixando no terreno centenas de mortos (talvez 400). Homens que haviam derrotado o fascismo eram tratados como súditos no momento em que pediam dignidade, simplesmente o seu pagamento, não medalhas coloridas, nem reconhecimentos institucionais.

Poucos meses depois, em 8 de maio de 1945, enquanto as cidades europeias dançavam pelo fim da guerra, nas cidades argelinas de Sétif, Guelma e Kherrata, as manifestações pacíficas que pediam autonomia (movidas também pelo sentimento de “libertação” na Europa) foram reprimidas com sangue pelas autoridades francesas com uma brutalidade inaudita, provocando milhares de mortos. O dia da libertação europeia coincidiu com um dos mais sanguinários massacres coloniais da história na África. Isso deveria nos fazer refletir, não?

O fim da guerra na Europa não marcou, portanto, o fim das estruturas de domínio. As subsequentes guerras de libertação nacional, da Argélia ao Quênia, de Moçambique a Angola, foram a continuação dessa mesma luta contra sistemas que compartilhavam com o fascismo o racismo institucional, a violência militar e o culto à autoridade. O ponto interessante é que não se tratava simplesmente de reivindicar a independência estatal; em muitos casos, emergiam também aspirações sociais radicais, formas de autorganização comunitária e práticas coletivas que colocavam em questão não apenas o colonialismo, mas toda forma de poder autoritário.

De uma perspectiva libertária, essa história evidencia que o antifascismo não pode ser reduzido à defesa de um Estado contra outro. Se o fascismo é a expressão extrema da hierarquia, do nacionalismo e da militarização, então o antifascismo deve necessariamente rejeitar o colonialismo e o racismo em nível global.

Hoje, enquanto nas nossas sociedades reemergem soldados saudosistas de Vannacci e retóricas autoritárias reafloram ciclicamente dos esgotos da história, também o continente africano se vê confrontado com novas formas de autoritarismo, extrativismo e fronteiras militarizadas que separam o Norte e o Sul do mundo. Mas as mobilizações populares, os movimentos juvenis por justiça social e as lutas feministas na África demonstram que essa tradição de resistência não desapareceu. Onde está a nossa solidariedade internacional com eles? Será mesmo possível que tenha sido toda embarcada nas Flotilhas e não reste mais nada?

Lembrar o antifascismo africano significa romper uma narrativa eurocêntrica e falar de uma luta antifascista global que nunca terminou. A liberdade não se comemora em rituais de Estado, é uma prática cotidiana de oposição a toda forma de domínio. Das montanhas etíopes de 1935 às ruas do mundo contemporâneo, a guerra global antifascista e a resistência contra o militarismo, o colonialismo e a exploração devem continuar sob o signo da solidariedade internacional.

Gabriele Cammarata

Fonte: https://umanitanova.org/ribaltare-la-storiografia-eurocentrica-le-donne-ombra-etiopi-e-la-lotta-antifascista-in-africa/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

No ninho do sabiá
há quatro bocas
que não param de piar

Eugénia Tabosa

[Espanha] XVIII Encontro do Livro Anarquista de Salamanca

Nos dias 14 e 15 de agosto de 2026 será realizada uma nova edição do XVIII Encontro do Livro Anarquista de Salamanca. Uma iniciativa que atinge a maioridade, consolidando-se com força como referência para a difusão do pensamento libertário em nosso território.

Mais um ano em que haverá espaço para debates, mesas com editoras e distribuidoras oferecendo textos críticos, livros, folhetos, fanzines, panfletos e revistas. É a vocês que dirigimos este primeiro anúncio: para que possam confirmar sua presença e para que possamos esclarecer quaisquer dúvidas, escrevam para nosso e-mail: encuentrosalamanca@gmail.com

Montar um estande no Encontro do Livro Anarquista de Salamanca não acarreta custos; além disso, disponibilizamos mesas e cadeiras (na medida do possível), que montamos e desmontamos em conjunto com vocês: os participantes e solidários. Como já é habitual, o evento acontece na rua, com sombra, uma fonte e um parque para a diversão dos mais jovens.

Nós os incentivamos a participar desse encontro de companheirismo, confraternização e tanta humildade que, ao longo de todas essas edições, procuramos que ninguém fique indiferente e que vocês tenham a acolhida que merecem.

Publicamos a seguir a programação de atividades do XVIII Encontro do Livro Anarquista de Salamanca, que também pode ser consultada no site oficial do evento.

encuentrosalamanca.blogspot.com

agência de notícias anarquistas-ana

despedida no parque —
o menino acena
com o chocolate

Odair de Morais

[Portugal] Chamada para a Feira Anarquista do Livro de Lisboa 2026

A Feira Anarquista do Livro de Lisboa volta a 19 e 20 de Setembro na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, na Mouraria, onde reunimos várias pessoas, coletivos, editoras e distribuidoras num espaço de encontro, luta, criação e reflexão coletiva sobre as diferentes formas de expressão do anarquismo.

Aqui, acolhemos todos os mundos e criamos laços e afinidades. Queremos que este seja um espaço que anseia pela libertação social e contra toda e qualquer dominação.

Este ano gostaríamos de dar uma atenção especial ao 90º aniversário da revolução social no território dominado pelo estado espanhol, e fazemos um apelo a conteúdos e iniciativas neste âmbito.

Se gostavas de promover conversas, lançamentos de livros, intervenções artísticas ou ter uma bancas de livros e materiais subversivos, preenche o formulário aqui https://framaforms.org/inscricao-para-feira-anarquista-do-livro-de-lisboa-2026-1783363070

As propostas, sejam de banca ou de actividade, deverão de algum modo estar ligadas aos anarquismos e o prazo de inscrições termina a 15 de agosto.

Se quiseres falar conosco, usa o nosso e-mail (feiranarquistadolivro@riseup.net) ou as nossas redes sociais.

agência de notícias anarquistas-ana

sombra da luz
na lua e na rua
alvo do lago

Alice Ruiz

[Espanha] Inauguração do Ateneo Lumbre Libertaria

Inauguramos este espaço dedicado à cultura operária, à ação social e anarcossindicalista e ao movimento libertário em Villarrobledo.

No próximo dia 7 de agosto, às 19h, convidamos todas as pessoas que se identificam com essas ideias e práticas a conhecer o Ateneo Lumbre Libertaria e seus projetos. Além disso, teremos a apresentação da obra coletânea: “Revolução Social e Economia Autogerida na província de Albacete, Socialização, Coletivização e Controle Operário (1936-1939)”.

Esta iniciativa surge do Núcleo de Villarrobledo da Confederação Anarcossindicalista de Albacete, filiada à AIT, e esperamos que, por meio da participação e da autogestão, o espaço se torne uma referência de apoio mútuo e solidariedade na região.

Esperamos por vocês. Saúde e um abraço libertário.

Minha pátria é a liberdade.

Minha bandeira é a razão.

Meu caminho é a verdade.

agência de notícias anarquistas-ana

Lua-desta-noite
brilha no céu escuro —
reflexo nos lagos

Wilson Lavor

Envio de cartazes para XVI Feira Anarquista de SP

Solicitamos a todas as pessoas que forem contribuir enviando cartazes para XVI Feira Anarquista de SP, não o façam usando IA (inteligência artificial), pois existem discussões destacando aspectos negativos que envolvem a preservação do meio ambiente e outros pontos.

Nossa intenção é estimular a criatividade e produção autônoma de arte, para a criação de novos imaginários e novos mundos.

Aguardamos ansiosas e ansiosos pelas colaborações!

Reiteramos que as sugestões de temas para os cartazes deste ano são as seguintes:

• 150 anos da morte de Mikhail Bakunin

• 150 anos do nascimento de Virgínia Bolten

• 145 anos do nascimento de Lima Barreto

• 140 anos do Primeiro de Maio

• 120 anos do 1º. Congresso Operário Brasileiro

• 100 anos da morte de Kaneko Fumiko

• 100 anos do nascimento Jaime Cubero

• 90 anos da Revolução Espanhola

• 20 anos dos Crimes de Maio

São sugestões! Não existe restrições a criação artística.

Para participar, envie seu trabalho para: feiraanarquista@gmail.com (coloque sua @ pra gente divulgar nas redes também).

Todos os trabalhos realizados e enviados para o e-mail – até final de outubro – serão exibidos em uma exposição realizada durante a Feira.

Informações que devem constar no cartaz:

– Título: XVI Feira Anarquista de São Paulo

– Data: 12 de dezembro de 2026

– Horário: 10h – 19h

– Local: @arco_coop ARCO Escola-Cooperativa, Rua Corinto, 652 – Butantã, São Paulo/SP

Se você quer contribuir financeiramente com qualquer valor para construção da XVI Feira Anarquista de SP a chave PIX é feiraanarquista@gmail.com

– Organização: @bibliotecaterralivre | @centro_de_cultura_social | @bibliotecanelca

agência de notícias anarquistas-ana

Mãe, posso pedir?
Me conta mais uma história
pra eu dormir!

Menino Maluquinho

[México] EUA cria ofensiva aberta contra anarquistas e antifascistas em diversos países

Por Santiago Navarro F | 31/07/2026

O governo de Donald Trump dá uma guinada estratégica redefinindo sua doutrina de Segurança Nacional e sua política externa ao classificar diversas expressões políticas sob o conceito de “terrorismo político de extrema esquerda”, um caminho que orienta sua agenda em matéria de segurança com os países que considera seus aliados. O objetivo é investigar, desarticular e perseguir certos movimentos sociais.

Sob a liderança do secretário de Estado Marco Rubio, no dia 16 de julho passado, foi realizada a Reunião Ministerial sobre o Ressurgimento do Terrorismo Político, através da qual conseguiu reunir no Salão de Conferências Loy Henderson – o maior espaço de reuniões do Departamento de Estado – delegações de 66 países, sob a narrativa de combater os “terroristas de extrema esquerda”. Entre os países participantes figuram Espanha, Argentina, Canadá, Alemanha, Itália, Chile, Uruguai e Israel.

Este fórum não é um fato isolado, mas sim parte de uma estratégia mais ampla desenhada e executada pela Casa Branca, equiparando “atos de terrorismo doméstico” a “assuntos prioritários para as forças de ordem federal” dos Estados Unidos, conforme estipula o Memorando Presidencial de Segurança Nacional N.º 7 (NSPM-7).

O NSPM-7 é o sustentáculo do evento presidido por Marco Rubio, mas, sobretudo, dos compromissos assumidos nesta ofensiva conjunta contra o denominado “terrorismo de esquerda”. O Memorando já havia sido assinado pelo presidente Trump desde setembro de 2025, no qual instrui todas as agências de inteligência e organismos de segurança dos EUA, bem como os encarregados de administrar a justiça, a desmantelar, desfinanciar e processar as redes qualificadas como “terroristas de extrema esquerda”.

Segundo o NSPM-7, o objetivo é “investigar, processar e desarticular entidades e indivíduos envolvidos em atos de violência política”.

De acordo com Trump, o móvel da determinação tomada em termos de classificar certos grupos de “extrema esquerda” foi o assassinato de Charlie Kirk – influente comentarista conservador que foi abatido por um disparo no mesmo mês de setembro –, classificada pelo mandatário como “horripilante”.

Este também tem sido o catalisador principal pelo qual foi convocado o encontro Ministerial, onde Marco Rubio atacou o que classificou como “ponto cego” histórico na doutrina antiterrorista ocidental, justificando que “a violência de extrema esquerda tem sido erroneamente classificada pela academia e pela mídia como um ‘excesso trágico de idealismo'”.

Na mira

Sob a mesma linha e, seguindo a rota da nova doutrina de segurança dos EUA, Stephen Miller, assessor de segurança nacional da Casa Branca, não hesitou em denegrir o movimento antifascista (antifa) e grupos afins, apontando-os como uma “infecção” que busca a derrubada dos sistemas de governo ocidentais, instando os aliados a não cederem aos apelos de “liberdades civis” desses atores.

O Departamento de Estado dos EUA classifica como “terroristas de esquerda” diversos grupos anarquistas e antifascistas, que se somaram aos protestos contra o genocídio de Israel em relação à Palestina. Os mesmos que saíram às ruas em favor dos direitos dos migrantes. São os que se manifestaram pelo assassinato de George Floyd, nas mãos de um oficial de polícia, em 2020 em Minneapolis, Minnesota. São os mesmos que saíram às ruas após o assassinato do migrante mexicano Lorenzo Salgado Araujo, neste mês de julho de 2026, depois que ele faleceu, após receber disparos de agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).

O Departamento de Estado classificou diretamente diversos grupos sob os termos de “extrema esquerda” como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) e Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT). Entre os grupos apontados destacam-se:

Antifa Ost, (também conhecido em inglês como Antifa East) é denominado pelas autoridades alemãs e agências de inteligência como o “Grupo Lina E”. Um grupo militante com sede na Alemanha.

Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional (Informal Anarchist Federation/International Revolutionary Front). Um grupo anarquista militante que opera principalmente na Itália, com afiliados autoproclamados na Europa, América do Sul e Ásia.

Justiça Proletária Armada (Armed Proletarian Justice). Um grupo anarquista e “anticapitalista” de origem grega.

Autodefesa de Classe Revolucionária (Revolutionary Class Self-Defense). Um grupo anarquista e “anticapitalista” também de origem grega.

Convergência

O governo de Trump se preocupa, sobretudo, com a convergência entre esses movimentos, por isso, desde maio passado, executou com os grupos de segurança deste país e outros países convidados o Workshop Inaugural de Aplicação da Lei contra o Terrorismo, um fórum projetado para que profissionais de segurança dos EUA e do exterior compartilhem avaliações de ameaças e melhores práticas operacionais.

Entre os objetivos traçados nesses encontros com os países aliados está o intercâmbio de informações de inteligência, o fortalecimento de mecanismos de extradição e perseguição policial seletiva, sob a narrativa de unificar esforços.

De modo que a estratégia derivada do NSPM-7 não se limita a uma declaração política, mas responde a um plano de ação que implica a participação de múltiplas agências federais. Entre eles, o Grupo de Trabalho Conjunto contra o Terrorismo (JTTF) do FBI, que coordenará uma “estratégia nacional integral” para investigar e desarticular essas redes nos EUA.

Esta iniciativa despertou alarmes de diferentes setores, principalmente de organizações sem fins lucrativos. O escritório de advogados WilmerHale alertou que a medida poderia “impulsionar uma série de ações, incluindo revisões do status de isenção fiscal de organizações e, potencialmente, investigações criminais” contra “fundações, doadores individuais e outras organizações sem fins lucrativos”.

Os resultados da cúpula

A estratégia dos Estados Unidos tem sido encaminhar as delegações estrangeiras para homologar suas políticas de segurança com as diretrizes e interesses dos EUA. O embaixador Gregory LoGerfo, coordenador do Escritório de Contraterrorismo, detalhou pelo menos três resultados concretos da reunião ministerial, os quais envolvem seus aliados.

Durante a reunião ministerial, pressionou-se os parceiros internacionais para que “alinhem seus próprios marcos legais” para impedir que esses grupos operem ou se desloquem através de suas fronteiras livremente. Para isso, serão bloqueados vistos para aqueles que sejam considerados pertencentes a esses grupos. O veto de entrada seria para os EUA, mas também para seus países aliados.

Destaca-se também que, mediante o Workshop de Aplicação da Lei de Contraterrorismo, cuja próxima sede será a Alemanha, busca-se integrar as bases de dados de inteligência das polícias locais para “mapear” as atividades dissidentes globais, focando-se na proteção de redes de transporte e energia. Portanto, serão traçadas as rotas de intercâmbio de capacidades e de coordenação operacional das agências policiais e de inteligência dos países aliados.

Além disso, “em dezembro [2025], anunciamos o programa ‘Recompensas pela Justiça’, que oferece até 10 milhões de dólares em troca de informações que permitam desarticular o financiamento desses grupos”, disse Marco Rubio no evento ministerial.

O Caso da América Latina

No que concerne à região latino-americana, Marco Rubio recordou que “o terrorismo político de extrema esquerda não é uma novidade moderna dos últimos tempos”, e mencionou grupos que hoje são partidos políticos abertos, como os Tupamaros, os Montoneros, as FARC. Mas também a grupos armados que ainda estão vigentes, como o Exército de Libertação Nacional da Colômbia (ELN) e o Sendero Luminoso do Peru, vinculando-os a supostas redes de inteligência do regime cubano e redes de apoio iranianas.

“Não é uma ficção inventada por políticos conservadores. Na verdade, durante a maior parte da era moderna, foi a forma dominante de violência política. Todos os nossos amigos aqui presentes no evento Ministerial – provenientes das nações do hemisfério ocidental – recordam as décadas de sequestros, atentados a bomba, assassinatos e execuções”, afirmou o secretário de Estado dos EUA.

México

Apesar da pressão para unificar o discurso antiterrorista na região, o governo mexicano declinou do convite para assistir à ministerial. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, argumentou que o enfoque da reunião era “mais político do que realmente relacionado ao combate a grupos criminosos”.

Diante disso, a resposta do embaixador Gregory D. LoGerfo foi manter o “convite aberto”, evidenciando a insistência de Washington em somar seu vizinho do sul ao seu esquema de segurança.

Arcabouço legal transnacional

Sob a perspectiva da doutrina de segurança estadunidense, a reunião ministerial de 2026 representa um sucesso diplomático que “fecha as brechas” ajustando as agendas de segurança. “Podemos identificar e mapear esta ameaça e reconstruir nossa arquitetura antiterrorista para derrotá-la. Assim como fizemos juntos antes, agora devemos fazê-lo novamente juntos”, afirma taxativo o secretário Marco Rubio.

No entanto, analistas críticos advertem que, ao definir de maneira tão ampla o “terrorismo de extrema esquerda” – incluindo conceitos como o “sabotagem econômica” e a “incitação” –, os Estados Unidos estão construindo um arcabouço legal transnacional que lhe permitirá perseguir a dissidência política e pressionar governos soberanos para que adotem sua agenda de segurança interna.

A cúpula de Washington deixa claro que os Estados Unidos buscam exportar sua política para que o resto dos países a façam sua. “É fácil destruir grandes coisas; é muito mais difícil criá-las. Os inimigos da civilização só são capazes da primeira. Só são capazes de destruir grandes coisas. A única coisa que conhecem é a destruição. Mas nós construímos grandes coisas juntos. Fizemos isso uma e outra vez. Sabemos o que devemos fazer”, conclui Marco Rubio.

Fonte: https://avispa.org/eeuu-crea-ofensiva-abierta-contra-anarquistas-y-antifascistas-en-diversos-paises/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

A lua surge
por cima dos prédios baixos.
Ah, contemplação.

Elciane Lima Paulino

[EUA] Centenário de Sacco e Vanzetti em 2027: Chamada para membros do comitê e eventos

Em 1927, Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti foram assassinados judicialmente pelo estado de Massachusetts. Esses dois imigrantes italianos, trabalhadores e anarquistas, dedicaram suas vidas a iluminar o caminho rumo a um mundo livre da exploração capitalista e da opressão sob governos autoritários. Após um julgamento longo e totalmente injusto, no qual foram condenados por homicídio e roubo, os dois homens foram executados na cadeira elétrica em 23 de agosto. Seu cortejo fúnebre foi o maior encontro em Massachusetts até 2002, e suas palavras e coragem inspiraram gerações de pessoas em todo o planeta a lutar por um futuro melhor.
 
Sacco e Vanzetti morreram cheios de esperança, sabendo que pessoas como você continuariam sua luta.
 
Agora, convocamos você a assumir a tocha que Sacco e Vanzetti carregaram há 100 anos.
 
Hoje, a classe capitalista está tão gananciosa e implacável como sempre, com bilionários assumindo o papel dos barões ladrões de outrora. Eles causam estragos por todo o mundo, espremendo a humanidade até a última gota de lucro que conseguem extrair.
 
Governos autoritários continuam a assassinar e oprimir os fracos, vulneráveis e marginalizados, visando especificamente os trabalhadores estrangeiros e reservando um ódio especial para os idealistas políticos que sonham com um mundo melhor.
 
Desde 2006, a Sociedade de Comemoração de Sacco e Vanzetti realiza eventos anuais para perpetuar a memória e os sonhos de Sacco e Vanzetti. Nas últimas duas décadas, temos trabalhado com movimentos sociais atuais para destacar as conexões entre as lutas de um século atrás e as de hoje.
 
O ano de 2027 se aproxima rapidamente, e estamos nos preparando para tornar esse ano uma celebração especial e memorável do legado de Sacco e Vanzetti. No entanto, não podemos conseguir isso sozinhos.
 
A Sociedade de Comemoração de Sacco e Vanzetti convida você a se juntar ao Comitê do Centenário ou a participar de outras ações comemorativas.
 
Estamos procurando organizadores, artistas, músicos, acadêmicos e todas as pessoas que queiram dar uma mãozinha.
 
Agosto de 2027 será o mês de Sacco e Vanzetti em Boston, com eventos culturais e políticos. Junte-se a nós na preparação desses eventos do centenário.
 
Se você não puder se juntar a nós em Boston, pedimos que realize eventos comemorativos em suas próprias cidades e municípios. Esses eventos podem incluir protestos, exibições de filmes relacionados a Sacco e Vanzetti, encenações de peças teatrais, leituras públicas das cartas de Sacco e Vanzetti ou de outros textos, e manifestações em apoio aos trabalhadores migrantes e presos políticos. Envie-nos informações sobre seus eventos e nós ajudaremos a promovê-los.
 
Também realizaremos dois eventos em agosto de 2026:
 
Domingo, 23 de agosto, às 17h: Dia de Solidariedade com os Presos Políticos em homenagem a Sacco e Vanzetti.
 
Junte-se a nós e aos nossos aliados em um evento híbrido (presencial/online) para escrever cartas aos presos políticos atuais.
 
Domingo, 30 de agosto, às 15h
Manifestação e palestras no Boston Common
 
Para mais informações ou para participar, acesse committee@saccoandvanzetti.org
 
saccoandvanzetti.org
 
Tradução > Reno Moedor
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/02/04/franca-chamada-de-trabalhos-para-o-coloquio-internacional-sacco-e-vanzetti-1927-2027-em-montpellier/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Tão pequena
E desbotada de chuva
A casa da infância!…
 
Paulo Franchetti

Atendimentos jurídicos de agosto de 2026

A Federação Anarquista Capixaba (FACA), comprometida com xs exploradxs e com o fortalecimento das lutas sociais no âmbito local, anuncia a realização de atendimentos jurídicos gratuitos nos dias 7 e 14 de agosto. Para assegurar um acolhimento qualificado e uma organização eficiente, todas as consultas serão realizadas exclusivamente mediante agendamento prévio, que deverá ser solicitado pelo endereço eletrônico fedca@riseup.net.

Reiteramos o convite para que todas as pessoas que necessitem desse suporte procurem a Federação, dando continuidade ao movimento de aproximação e confiança que já vem sendo construído coletivamente.

A FACA se reafirma, assim, não apenas como um espaço de acolhimento, mas como um instrumento político e combativo a serviço das pessoas oprimidas que ocupam, vivem e resistem no território atualmente dominado pelo estado do Espírito Santo.

Federação Anarquista Capixaba – FACA

Filiada à União Anarquista Federalista – UAF

federacaocapixaba.noblogs.org

fedca@riseup.net – X: @FacaBrasil

agência de notícias anarquistas-ana

Ventos exibidos,
que cantam fortes, uivantes,
também desafinam…

Leila Míccolis

[Itália] As palavras são pedras, as pedras são palavras

Após a confirmação da prisão preventiva de Pietro, companheiro anarquista preso na operação de 16 de junho.
 
Enquanto ainda passam nas telas de toda a Itália as imagens do assassinato de Abderrahim Fakir, no Pilastro, por dois policiais; enquanto os assassinos de farda que mataram Fakir vão gozar do “escudo penal” introduzido por este governo para as forças de segurança; enquanto um lojista milionário que assassinou duas pessoas atirando pelas costas, o “joalheiro Roggero”, vira o ícone pop de um fascismo supremacista que não deve nada ao trumpismo; enquanto no “país do Duce” [Predappio] centenas de fascistas de camisa preta desfilam para comemorar o aniversário de um ditador; enquanto o governo “demite” mais um pacote de leis liberticidas contra “os maranzas”, para aniquilar de vez todo impulso de rebelião juvenil, eis que, enquanto tudo isso acontece (e infelizmente haveria muito mais a dizer), o Tribunal de Revisão de Bologna decide (23/07) que um companheiro anarquista deve permanecer na cadeia, no Presídio de Alta Segurança de Terni, por “posse de panfletos terroristas”.
 
Sem querer diminuir a importância da palavra escrita e de sua difusão, e sem querer ceder à indignação democrática, nos parece, no entanto, um dever (além de necessário para extravasar um pouco de náusea) concentrar nossas energias nesta fotografia: o país em que vivemos é um Estado policial cada vez mais preparado para a eliminação do dissenso interno (eliminação também física) e cada vez mais racista, colonialista, fascista.
 
Esse fato, que não é novidade para quem, ao longo dos anos, teve um certo olhar crítico sobre o mundo, com a contestação cada vez mais frequente (especialmente para aquelas pessoas acusadas de “terrorismo islâmico”) do artigo 270 quinquies-ter, está realmente marcando uma virada repressiva inédita mesmo para estas desoladas terras itálicas.
 
O “terrorismo da palavra” está atingindo principalmente anarquistas e solidários aos palestinos, mas, como sempre, depois dos bodes expiatórios fáceis de jogar nos jornais, passaremos à sua aplicação mais ampla.
 
Neste momento de raiva e incredulidade, devemos nos manter firmes com o exemplo que nos enviam os companheiros prisioneiros em todo o mundo (do Chile à Grécia, passando pela Palestina e pela Itália), que resistem firmemente apesar da situação mais desfavorável possível, como o companheiro Alfredo Cospito, sepultado no 41-bis.
 
Firmes e serenos e orgulhosos desses companheiros e das ideias que carregam no coração, ideias que agora, no papel impresso, valem a prisão: defendê-las é ainda mais importante e necessário.
 
O inimigo é cada vez mais impiedoso, cabe a nós sermos cada vez mais unidos na diversidade, mas unidos pela alegria raivosa de querer ver cancelado este mundo de opressão e violência como o mais infame dos pesadelos da humanidade.
 
Que o calor do verão não nos obscureça os pensamentos e os sonhos, que a raiva não nos cegue, mas nos faça afinar a mira, que a tristeza por mais um irmão atrás das grades não nos imobilize, mas nos estimule a prosseguir com alegria nas (também) suas escolhas de luta e de vida!
 
Pietrino livre e selvagem!!
Todxs livres!
Força amigxs, companheirxs, irmãs e irmãos, avante com tudo!!

 
— Caixa Antirrepressão Capitão ACAB —
capitanoacab@insiberia.net
 
Fonte: https://piccolifuochivagabondi.noblogs.org/le-parole-sono-pietre
 
Tradução > Liberto
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/07/27/italia-operacao-de-16-de-junho-o-tribunal-de-revisao-se-manifestou-pietro-permanece-na-prisao/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Da minha cama
Ouço coruja cantar
Sono vai embora
 
Evelyn Karen Neumann