[Itália] Solidariedade Internacionalista

SITUAÇÃO JURÍDICA ATUALIZADA DOS COMPANHEIROS ANARQUISTAS NA REGIÃO ITALIANA ALFREDO COSPITO E ANNA BENIAMINO

Julho 2022.

Julgamento de recurso extraordinário da Scripta Manent

O julgamento de recurso extraordinário da operação Scripta Manent terminou em 6 de julho. O tribunal requalificou o atentado com explosivos contra a escola de cadetes dos Carabinieri em Fossano (Cuneo) em 2 de junho de 2006, reivindicado por Rivolta Anonima e Tremenda / Federazione Anarchica pelo que estavam acusados Anna e Alfredo, como “estragos com motivação política” (art. 285 do código penal), devolvendo o caso ao tribunal de Turim para um novo cálculo agravado da condenação. O restante das sentenças, que oscilam entre 1 ano e 9 meses e 2 anos e 6 meses, foram confirmadas para 11 companheiros; o restante dos acusados foram absolvidos (a absolvição neste caso é firme).

Já chegará o momento de fazer reflexões mais profundas. O que parece evidente é a vontade do Estado de dissolver o movimento anarquista e a luta revolucionária, agravando ainda mais o que surgiu do julgamento de Turim com uma sentença que parece não conter margens para questionamento. Enquanto as contradições nas quais se baseia esta sociedade se tornam cada vez mais ingovernáveis, antes que as tensões sociais tomem formas não administráveis para o poder, o Estado tenta desferir um duro golpe ao movimento e uma advertência aos que não desistem: dois ou três anos para os que escrevem um jornal, dezenas de anos de cárcere e inclusive prisão perpétua para os que passam à ação.

A recente decisão de prender Alfredo no 41 bis, tomada além disso descaradamente em vésperas desta sentença, se inscreve totalmente no marco desta represália do Estado: as decisões estão tomadas, Alfredo deve ser sepultado, literalmente, no cárcere. Suas ideias, seus atos, sua contribuição devem ser silenciados, ignorados, condenados ao esquecimento.

Mas esquecer dos prisioneiros da guerra social significa esquecer a própria guerra: solidariedade revolucionária com os anarquistas Anna Beniamino e Alfredo Cospito.

Morte ao Estado e ao capital,

Viva a anarquia!

Os endereços dos companheiros encarcerados

Anna Beniamino

  1. C. de Roma Rebibbia hembra

via Bartolo Longo 92

00156 Roma – Itália

Alfredo Cospito

  1. C. de Sassari “Giovanni Bacchiddu

carretera provincial 56 nº 4

Localidad de Bancali

07100 Sassari – Itália

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/04/07/italia-renovacao-da-censura-da-correspondencia-do-anarquista-alfredo-cospito/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/06/20/italia-declaracao-de-silvia-e-anna-sobre-o-inicio-de-greve-de-fome-na-prisao-de-laquila/

agência de notícias anarquistas-ana

Hora do almoço.
Pela porta, com os raios de sol,
As sombras do outono.

Chora

[Espanha] Apresentamos o guia prático de Planos de Igualdade e medidas contra a disparidade salarial

O manual foi preparado pelo escritório jurídico confederal e pretende ser uma ferramenta para alcançar uma igualdade real e efetiva.

O novo guia a ser aplicado aos Planos de Igualdade e medidas contra a disparidade salarial visa servir como instrumento jurídico-laboral no âmbito dos processos de negociação dos Planos de Igualdade. O objetivo deste instrumento é lutar contra a desigualdade e a discriminação contra a mulher no local de trabalho, tanto nas empresas quanto na Administração Pública.

Este guia analisa os Regulamentos que desenvolvem e especificam a negociação dos Planos de Igualdade (RD 901/2020), e as medidas contra a disparidade salarial (RD 902/2020). Uma mudança real, a fim de promover o feminismo e a igualdade em matéria trabalhista, não envolve apenas o desenvolvimento de Planos de Igualdade, mas também questões estruturais como a elaboração de um estatuto para todas as trabalhadoras que elimine o emprego temporário, o horário de trabalho a tempo parcial indesejado, a terceirização e a subcontratação, a recuperação de uma maior proteção contra o despedimento, o reconhecimento da relação de trabalho em relação ao falso autônomo e as falsas autônomas, etc., etc., sem esquecer o reconhecimento e a melhoria dos direitos das mulheres e das condições de trabalho e sociais dos empregos feminizados, especialmente os mais invisíveis, como o trabalho realizado por trabalhadoras domésticas, diaristas ou o coletivo de “Kellys” (faxineiras diaristas), entre outros. Além disso, este guia é complementado por outros documentos produzidos pela CGT que podem ser de ajuda para aqueles que enfrentam Planos de Gênero.

Acreditamos que esta ferramenta era muito necessária levando em conta que a realidade laboral das mulheres se reflete em dados como uma em cada quatro trabalhadoras na Espanha vive na pobreza, as mulheres recebem 35% menos pensão, ainda recebem 14% menos salário, 74% do trabalho em tempo parcial é realizado por mulheres, 21,7% das mulheres com mais de 65 anos estão em risco de pobreza em comparação com 16,3% dos homens.

A CGT espera que este manual seja de grande utilidade para toda a classe trabalhadora na defesa de seus interesses trabalhistas.

Fonte: https://cgt.org.es/guia-practica-de-planes-de-igualdad-y-medidas-contra-la-brecha-salarial/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquista-ana

Um só pirilampo
ofusca o pisca-pisca
das luzes do campo.

Sérgio M. Serra

[Grécia] Para o anarquista, prisioneiro político, grevista de fome e meu irmão Yinnis Michailidis

No momento em que escrevo, meu irmão Yinnis Michailidis está em seu 58º dia de greve de fome. Os órgãos vitais de seu corpo estão em perigo iminente de colapso, possivelmente levando a danos permanentes ao seu corpo, ou mesmo à sua morte. Seu único pedido: sua libertação em liberdade condicional, à qual ele tem direito legal já há meses, tendo cumprido o período exigido de sua sentença.

No entanto, até agora os tribunais têm adotado o ponto de vista oposto, o que tem expressado repetidamente na seguinte frase: “perigoso cometer novos atos criminosos por não ter passado um período de tempo suficiente na prisão”. Como e por quem será definido o período suficiente de supervisão correcional, se não pelas leis existentes? Por qual lógica judicial e não judicial Yinnis é considerado em risco de cometer novos crimes, enquanto estupradores e assassinos condenados não e já estão em liberdade?

Além disso, as decisões atrasadas dos tribunais distritais e tribunais de apelação funcionam em detrimento de uma demonstração sem precedentes do poder da justiça de classe. Seria de se esperar uma atitude ainda um pouco mais humana em relação a um grevista de fome, com uma reivindicação legítima, para quem a cada hora que passa está um passo mais próximo de um dano irreparável. É impressionante que a próxima audiência de apelação tenha sido marcada para o 64º dia de sua greve, e também que ninguém saiba quando a decisão correspondente será anunciada.

O absurdo não se detém nas decisões judiciais acima mencionadas. Em um clima ultrajante de deturpação e, neste caso, de supressão da realidade pela grande mídia, esta questão não foi noticiada por eles nem de passagem. Parece inconcebível, se não distópico, que um homem esteja morrendo lentamente com o único objetivo de ter a sua liberdade, ao mesmo tempo em que as únicas fontes de informação sobre este assunto são as poucas mídias online e independentes.

É óbvio que informações públicas em massa sobre esta questão causariam uma tempestade de oposição a seu favor, o que é a razão da indiferença desafiadora e deliberada da mídia controlada pelo Estado. Isto também é comprovado pela multidão que esteve na Praça Syntagma em 14/07, como sinal de solidariedade com Yinnis, o que está em completa contradição com a propaganda silenciosa do Estado.

Creio que qualquer ser humano, como ser racional, caracterizaria esta atitude do Estado, expressa tanto pela mídia controlada quanto pelo executivo e pelo judiciário, como vingativa, provocadora e contrária a qualquer noção possível do Estado de direito e da justiça “cega”. Um prisioneiro político é forçado à morte por suas ideias.

A liberdade de meu irmão e, portanto, sua sobrevivência, está nas mãos do Estado.

19/07/2022

K. Michailidis

agência de notícias anarquistas-ana 

Cerejeira em flor —
De tanto olhar até doem
Os ossos do pescoço.

Nishiyama Sôin

[Grécia] Passeata de solidariedade em Heraklion: Seus julgamentos libertam assassinos, estupradores! Liberdade para os lutadores

LIBERTAÇÃO IMEDIATA DO ANARQUISTA GREVISTA DE FOME DESDE 23/05 YINNIS MICHAILIDIS

O que eu percebo é que roubar um banco e fugir da prisão é muito pior do que estuprar ou assassinar. Especialmente se o estuprador é amigo dos ministros, ou se os assassinos matam crianças ou pessoas marginalizadas.

Afinal de contas, não é o papel do Estado proteger o capital? Também mostrará, ao que parece, uma maior vingança contra alguém que ativamente desafiou a instituição prisão, que semeia o medo que é absolutamente necessário para a disciplina da sociedade.

Quanto a mim, que não tenho acesso a suas vilas com suas suntuosas mesas pagas com subornos, posso saudar este mundo em jejum, mas com a plenitude espiritual do conflito existencial total com seu sistema podre.”

15/07/2022,

Yinnis Michailidis

PASSEATA DE SOLIDARIEDADE, SEXTA-FEIRA 22/07 – HORÁRIO: 19h00, PRAÇA DOS LEÕES

NENHUM PRESO NAS MÃOS DO ESTADO

Anarquistas, antiautoritários de Heraklion

agência de notícias anarquistas-ana

Sob o alpendre
o espelho copia
somente a lua.

Jorge Luis Borges

[Grécia] Quão certo estamos de que não há pena de morte na Grécia?

Estando encarcerado por três anos, experimento diretamente a vingança das autoridades judiciárias nas celas do governo de extrema-direita! O que estamos vivendo hoje como movimento anarquista é claramente uma guerra aberta em todas as frentes conduzida regime.

A atual Junta está realmente mostrando quem são com seu comportamento diário na rua, com leis repressivas sobre passeatas e greves, ao lado de um constante e brutal autoritarismo policial democrático imposto a toda a sociedade. A vingança contra os opositores políticos, aqueles que eles consideram perigosos para seus planos, visa o extermínio político, indo até o extermínio físico daqueles que continuam a resistir.

As simpatias entre os poderosos não são ocultas. Eles libertam seus sujeitos amigáveis como o estuprador de menores Lignadis, Filippidis que repetidamente estuprou mulheres, Korkoneas que assassinou o estudante anarquista de 15 anos Alexandros Grigoropoulos, Hortaria um dos assassinos de Zackie Oh e, é claro, figuras do partido fascista Aurora Dourada, várias das quais já estão em liberdade condicional. Estes são apenas alguns exemplos brilhantes de uma lista interminável. Embora mantendo flagrantemente nosso companheiro Yinnis Michailidis preso, tendo ele já cumprido 3/5 de sua sentença e com direito a liberdade condicional sob suas próprias leis. Levando-o ao seu extermínio físico, matando-o lenta e tortuosamente com a greve de fome. Negam-lhe descaradamente sua justa libertação.

Como prisioneiro político, estou iniciando uma greve de fome de 20/07/2022 até segunda-feira 25/07/2022, quando sua liberdade condicional estará sendo considerada. Contra o status de isenção dos presos políticos.

Libertação imediata do anarquista grevista de fome Yinnis Michailidis.

Pela camaradagem e solidariedade.

Vangelis Stathopoulos, encarcerado na prisão de Larissa.

19/07/2022

agência de notícias anarquistas-ana

A ipoméia
Tomou-me o balde do poço –
Busco água no vizinho.

Kaga no Chiyoni

[Grécia] Grupo anarquista assume responsabilidade por ataque incendiário no Real Media Group

Um portal antiautoritário publicou nesta quarta-feira (20/07) um extenso comunicado de uma organização anarquista chamada “Milhares de Sóis da Noite”, que reivindicou a responsabilidade pelo ataque incendiário no prédio que abriga os escritórios do Real Media Group [um grupo de mídia grego] na madrugada do dia 13 de julho, no subúrbio de Maroussi, no norte de Atenas.

O texto se intitula “A natureza se vinga” e afirma, entre outras coisas, que: “Nós carregamos o dispositivo incendiário para nosso ataque ao Real como se estivéssemos carregando os restos dos mortos da guerra social. Dois anos exatamente após o assassinato de Vasilis Mangos pelo Estado fizemos esta ação e o espírito de Vasilis estava dentro de nós sorrindo”.

Também no texto é mencionado que “nossa ação no Real Group é dedicada de todo coração ao anarquista em greve de fome e companheiro Yinnis Michailidis que desde 23/05 vem exigindo o óbvio: Sua libertação da prisão, já que ele preenche todas as condições para sua libertação tendo cumprido 3/5 de sua pena de acordo com as leis do estado burguês, que os bastardos dos tronos bem polidos do Poder (Executivo-Judiciário) não hesitam em triturar a qualquer momento”.

De acordo com o mesmo texto: “Ao amanhecer do dia 13/07 deixamos um dispositivo incendiário de pequena potência no andar térreo do prédio do lado de fora da porta da Real News – Real Fm. Após a destruição externa da porta, um incêndio deflagrou-se na parte superior do edifício através do duto, resultando na destruição total das instalações da Real News e da Real Fm, bem como de uma empresa de internet localizada no mesmo edifício.

Nossa ação foi planejada de tal forma que nenhuma vida, humana ou não, como um transeunte, residente, animal ou trabalhador/empregado estivesse em perigo”.

Em julho do ano passado, o mesmo grupo realizou um ataque incendiário contra uma concessionária Ford em memória da revolta de George Floyd.

agência de notícias anarquistas-ana

Uma pipa
No mesmo lugar
Do céu de ontem!

Buson

 

[Espanha] Liberdade imediata e incondicional para Yinnis Michailidis, preso político em greve de fome e para todos os presos políticos na Grécia!

Yinnis Michailidis está em greve de fome há quase dois meses na prisão de Malandrinos, junto com ele dezenas de presos políticos estão sendo mantidos como reféns em prisões gregas. Com montagens judiciais, ele foi condenado pelo sistema de justiça da Troika a longos anos de prisão e sua liberdade condicional foi repetidamente negada e até mesmo o direito de estudar, apesar de estar preso há mais de 8 anos e ter cumprido 3/5 de sua pena de 20 anos e 2/5 de sua pena por fuga.

Como Yinnis aponta em sua carta no início da greve de fome: “Esta estratégia de prisão preventiva múltipla sem provas e dissecação de casos individuais foi a ferramenta com a qual o Estado se certificou de que os presos anarquistas permanecessem na prisão sem julgamento mesmo após o período máximo de 18 meses de prisão preventiva ter expirado, ao mesmo tempo em que os assassinos fascistas desfrutavam de sua liberdade após o período de 18 meses de prisão preventiva ter expirado”.

Yinnis é um companheiro que sempre foi solidário com a classe trabalhadora, com outros presos políticos dentro e fora da Grécia, com os refugiados que vieram para a Europa e foram encarcerados em campos de concentração, etc. Hoje ele está recebendo a solidariedade de outros presos que também iniciaram uma greve de fome, manifestações e até mesmo uma coleta internacional de dinheiro, tudo por sua liberdade.

Desde nosso sindicato Solidaridad Obrera del Estado Español queremos enviar nossa solidariedade de classe e nosso compromisso de aprofundar a luta por sua liberdade e a de todos os presos políticos.

A luta pela liberdade de um é uma luta pela liberdade de todos e todas… …até a destruição da última prisão“. – Yinnis Michailidis, detido preventivamente na prisão de Malandrinos, 23/05/2022.

agência de notícias anarquistas-ana

Bananeira ao vendaval de outono –
Noite de ouvir a chuva
Pingando numa bacia.

Bashô

[Grécia] Atualização sobre a saúde do grevista de fome Yinnis Michailidis

O companheiro e grevista de fome Yinnis Michailidis completa hoje 59 dias de greve de fome. Ele já perdeu mais de 24% de seu peso corporal, pois passou de 73 kg em 23/05 para 55,5 kg hoje. A ameaça à sua vida é agora muito alta, pois sua contagem de glóbulos brancos caiu muito abaixo do limite normal inferior (valor: 2,43 com limites de 4,60-10,2 K/UL) levando à imunodeficiência. As plaquetas também estão muito abaixo do limite normal (valor: 90 com limites 142-424 K/UL) e Thrombocytopenia pode causar sangramento interno grave e ameaçador. Com base em seus últimos exames médicos e de acordo com os médicos que o tratam, ele corre o risco de osteoporose grave e já sente dor nas articulações, além disso, ele tem dores fortes no peito ao tentar se mover. Ele já tem um possível problema neurológico permanente em seus olhos, pois o exame neurológico mostrou diplopia em posições extremas devido à falta de nutrientes. Os últimos exames radiológicos e ultrassonografia (em 18/07) mostraram que os órgãos que agora correm risco imediato de danos permanentes são a bílis e o baço, com este último enfrentando uma carga adicional, pois Yinnis tem anemia mediterrânea congênita (talassemia). Finalmente, há uma dor intensa em seu rim esquerdo. Tudo isso é ajudado por seus distúrbios do sono e certamente o espaço de isolamento sensorial no qual ele se encontra, levando à quase total ausência de apoio, cuidado e monitoramento por parte de seus familiares e seu médico pessoal.

Tudo isso torna óbvio que o Estado e a máfia judicial estão assassinando nosso companheiro. É agora que as responsabilidades de todos nós pesam, pois devemos nos colocar no caminho desta tortura que Yinnis está sofrendo com toda a força que temos. É por isso que apelamos a todos para que tomemos as ruas e fortaleçamos as chamadas de protestos nos próximos dias.

MANIFESTAÇÃO CENTRAL DE SOLIDARIEDADE COM O ANARQUISTA  GREVISTA DE FOME Y. MICHAILIDIS QUINTA-FEIRA, 21 DE JULHO, ÀS 19H00, NA CONSTITUIÇÃO, ATENAS

CONCERTO DE SOLIDARIEDADE DOMINGO, 24 DE JULHO, ÀS 20H00, NA PROPILÉIA, ATENAS

REUNIÃO NA CORTE DE APELAÇÃO DE LAMIA DURANTE A AUDIÊNCIA DE APELAÇÃO POR YINNIS NA SEGUNDA-FEIRA, ÀS 11H00 DA MANHÃ.

Assembleia de solidariedade com o anarquista em greve de fome Yinnis Michalidis

agência de notícias anarquistas-ana

Crisântemos brancos –
Tudo ao redor também
É graça e beleza.

Chora

[Grécia] Rouvikonas: Intervenção na Acrópole para o anarquista grevista de fome Y. Michailidis

Quem pode duvidar do caráter da “justiça independente” depois do que testemunhamos nas últimas semanas? Um a um, acusados de crimes hediondos, desde o assassinato de [Alexis] Grigoropoulos até o assassinato de Zac Kostopoulos, acusados de estuprar menores e de abuso cruel de mulheres, estão sendo libertados. Não há dúvida de que o Estado e suas elites estão mostrando uma solidariedade para seus pares que é invejável. Mesmo que não possam encobrir um crime, como fizeram no caso do estupro de Bika na Geórgia pelos filhos de grandes capitalistas, mesmo quando não puderem evitar uma sentença judicial, eles serão libertados. Seca e cinicamente, sem qualquer consideração, e então terão a audácia de pedir que suas decisões judiciais não sejam julgadas.

A solidariedade entre os que estão no topo da pirâmide é uma amarga lição para toda a base social, se existe algo que o cidadão comum deveria imitar é precisamente esta solidariedade. Para a base, é claro, a solidariedade com monstros poderosos como Filippides ou Lignadis nunca fará parte de seus valores éticos. Mas para aqueles que estão sob a repressão do Estado e não pertencem às elites, para aqueles cujo “crime” fazia parte da luta por um mundo melhor, para aqueles que se levantaram contra o poder, a solidariedade é uma via de sentido único.

Um desses casos é Yinnis Michailidis. Um lutador de nossa classe que escolheu responder aos golpes diários e trilhou um caminho de dignidade. Michailidis já cumpriu sua sentença. Oito anos e meio. E agora ele pede, o que é natural, depois de completar sua sentença, que seja libertado da prisão.

Eles não o deixam. Eles o prendem porque o chamam de “suspeito de cometer novos crimes”. Por mais vergonhoso que seja fazer associações entre um militante e um estuprador de menores, a verdade é que se abrem os olhos. Este é precisamente o argumento pelo qual [o estuprador de menores] Lignadis foi libertado da prisão, de que ele não é suspeito de cometer novos delitos. Michailidis permanece na prisão após cumprir sua sentença, porque sempre será um suspeito para o Estado.

Michailidis está em greve de fome desde 23 de maio de 2022. Sua saúde está em estado crítico e a cada dia está ficando mais crítica.

Queremos deixar claro a todos os esbirros lá do Estado, àqueles que podem imaginar um sacrifício para criar o caos e virar a página da agenda política da crise, que estão brincando com coisas muito mais perigosas do que o fogo. Se Michailidis morrer ou ficar aleijado, o governo descobrirá que nossa solidariedade, a solidariedade da base social e do povo da luta, a solidariedade que não pode e não vai tomar decisões judiciais, é capaz de quebrar as engrenagens da história. E para transformá-las rapidamente. E o que quer que nos custe – afinal, se alguém paga o preço mais alto é o próprio Michailidis – o Estado, o “judiciário independente” e sua classe aprenderão sua lição.

É sobre isso que viemos aqui gritar hoje (19/07). Deixe Michailidis sair da prisão, o que é a coisa certa a fazer sob suas leis. E apelamos a toda a base e ao povo da luta para que se mostrem solidários, rugir com repugnância pela libertação dos filhos-rapinas do poder, mas rugir ainda mais alto para um homem de nossa classe que lutou pelos interesses de todos e todas, que já cumpriu quase uma década na prisão e agora joga sua vida aos dados.

Rouvikonas

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619977/

agência de notícias anarquistas-ana

Crisântemo branco –
Sequer um grão de poeira
Ao alcance dos olhos.

Bashô

[Itália] Juan Sorroche condenado a 28 anos de prisão

Com sangue nos olhos

No sábado, 9 de julho, o tribunal de Treviso condenou nosso amigo e companheiro Juan a 28 anos de prisão (mais 3 anos de liberdade condicional, 30.000 euros de indenização à Liga [partido de extrema-direita] e 17.000 euros de custas judiciais), por considerá-lo responsável pelo ataque contra a sede da Liga em Treviso que ocorreu em agosto de 2018.

Após a recente modificação do crime “strage politica” [massacre político] – que prevê o ergastolo [prisão perpétua] – para um ataque explosivo contra a delegacia de carabinieri em Fossano atribuído aos anarquistas Anna e Alfredo, isto é, ao nosso conhecimento, a maior pena já aplicada na Itália por uma ação direta que não causou ferimentos. Entre os inúmeros exemplos possíveis, podemos notar que o crime de “strage politica” não foi sequer aplicado pelo massacre de Capaci¹, enquanto o fascista Traini foi condenado a 12 anos de prisão por atirar em imigrantes, ferindo seis (e na sede do Partido Democrático…). O agravante de “terrorismo” (e do “massacre” sem mortos ou feridos) aplica-se para os revolucionários em geral e para os anarquistas em particular.

Poderíamos também lembrar o que foi dito em grande parte da chamada sociedade civil em 2018 sobre o racismo de Estado, sobre os migrantes segregados em barcos nos portos, sobre as declarações do Ministro do Interior Salvini. Dizemos declarações intencionalmente, porque a prática concreta do racismo de Estado, de acordos criminosos com a Líbia, etc., nunca foi alterada pela cor do governo em exercício. Mas o consenso social em relação ao racismo institucional não é mero enfeite: os tweets periódicos do Capitão levaram a um decreto de segurança que aumenta para 12 anos as possíveis penalidades por piquetes ou bloqueios de rua.

Enquanto nos dias de hoje a água quente está sendo descoberta: que por trás das regras de concorrência do táxi estão às pressões políticas de uma multinacional como a Uber, a questão da “segurança” é fingida como sendo bastante “técnica”. Como se o endurecimento das sanções contra os piquetes não tivesse sido encomendado pelos donos da logística.

Se até agora ninguém recebeu 28 anos de prisão por uma ação como a de Treviso, não foi por causa dos limites judiciais (com a circunstância agravante de “terrorismo” aplicada a cada parte de uma ação – preparação, transporte, uso de materiais “letais” – se você quiser, você pode facilmente obter prisão perpétua), mas por causa dos limites sociais. A mesma razão pela qual ninguém jamais foi condenado a 12 anos de prisão por piquete (mesmo que a lei o permita, pronta para ser aplicada). Aqui está: um sistema em guerra, que vai de Emergência em Emergência, que transforma seus desastres em ocasiões para mais tiranias técnico-militares, tende a ultrapassar os limites resultantes dos ciclos de luta anteriores – bem como a valorização capitalista. Neste sentido, existe um problema urgente de autodefesa coletiva.

O exagero dos anarquistas revolucionários certamente tem sua própria especificidade. A disposição de assumir riscos demonstrada nestas décadas de pacificação social, assim como a ausência de santos no paraíso entre a classe política e intelectual, os expõe particularmente a golpes. Mas aqueles que, dentro da esfera “antagonista”, permanecem indiferentes ao 41 bis aplicado a Alfredo, à possível prisão perpétua para ele e Anna, aos 28 anos de Juan, não só revelarão a sua própria deficiência ética, mas também farão um trabalho muito ruim com eles mesmos. Somente aqueles que se resignam estão a salvo da repressão. Quanto a nós, depois de vinte anos ao seu lado, não o deixaremos sozinho justamente agora. Não é apenas o ódio à dominação humano sobre os humanos e a natureza que faz nosso sangue subir aos olhos, é também o amor por um companheiro cuja coragem, modéstia e doçura viemos a conhecer.

Para escrever para ele:

Juan Antonio Sorroche

Casa Circondarial

Str. delle Campore, 32

05100 Terni TR – Itália

[1] Referência ao atentado de 23 de maio de 1992 em Capaci (Sicília), quando a máfia explodiu o Juiz Falcone e sua escolta em uma rodovia.

Fonte: https://ilrovescio.info/2022/07/14/col-sangue-agli-occhi/

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agência de notícias anarquistas-ana

Mundo de orvalho,
não mais que um mundo de orvalho.
Só que, apesar disso…

Issa

[Espanha] A 40ª graus e trabalhando em pleno sol. Não é uma morte, é um assassinato

Ontem, sábado (16/07), fomos informados da infeliz notícia da morte de um trabalhador de sessenta anos do serviço de limpeza da Prefeitura de Madri, após um golpe de calor que o fez desabar no meio da rua, no início da tarde e a uma temperatura superior a 40ºC, que foi a causa de sua morte.

Quando uma empresa e uma administração permitem que um trabalhador em seus 60 anos trabalhe ao sol, no meio de uma onda de calor, na hora mais quente do dia, e a mais de 40º Cº, não podemos, em nenhuma circunstância, falar de um acidente de trabalho; chamemos as coisas pelos nomes e digamos alto e claro que isto é assassinato, e que este trabalhador é uma nova vítima do terrorismo dos empregadores.

É decepcionante ouvir as declarações de certos políticos que, em vez de serem autocríticos e buscar soluções para garantir que eventos como este não voltem a acontecer, se dedicam a lavar as mãos da situação e a olhar para o outro lado. Como as feitas ontem pela Ministra do Trabalho, Yolanda Díaz, em que ela culpa a morte deste trabalhador pela mudança climática e pela crise climática que dela deriva. Ela desviou o foco da clara responsabilidade da empresa de limpeza em Madri, que não tomou nenhuma medida prévia em termos de prevenção de riscos laborais, dada a onda de calor que estamos atravessando. E isso consistiria em alterar o horário de coleta de lixo e aumentar o número de funcionários, dadas as condições de trabalho.

Na CGT, estamos muito claros de que a mudança climática está afetando nossas vidas. Mudanças drásticas em nosso modelo de produção e em nosso modo de vida são necessárias para tentar conter as consequências do aumento da temperatura da Terra, o que, mais cedo ou mais tarde, nos levará ao colapso. Mas para a Ministra do Trabalho lavar as mãos do problema e usá-lo como desculpa para não assumir a responsabilidade por um evento tão grave é, no mínimo, escandaloso.

Este trabalhador não morreu por causa da mudança climática, ele morreu porque a empresa onde ele trabalhou (URBASER) permitiu que um homem de sessenta anos trabalhasse a mais de 40 graus Celsius. Ele morreu porque uma administração (Câmara Municipal de Madri) permite que a empresa com a qual privatizou este serviço tenha o pessoal trabalhando nestas condições. Está morto porque os governos locais, regionais e estaduais são incapazes de aprovar medidas para evitar essas situações, e apenas se dedicam a lançar recomendações e guias de boas práticas. Ele está morto porque a Inspetoria do Trabalho, que faz parte do Ministério do Trabalho, ignora as reclamações que são registradas com urgência sobre este assunto. Durante semanas, o inspetor não vai aos locais de trabalho para verificá-los.

A precariedade do trabalho em um setor como o de limpeza, que deveria ser público, desencadeia todos os sinais de alarme. Este serviço essencial é deixado nas mãos de empresas privadas, cujo primeiro e último objetivo é enriquecer, e mais uma vez estas empresas colocam os lucros à frente da vida dos trabalhadores, como no caso da morte deste trabalhador.

Da CGT exigimos a implementação de medidas urgentes para regular as duras condições de trabalho ao ar livre devido ao aumento das temperaturas. Quantas mais pessoas têm que morrer antes que o governo faça algo? Exigimos uma investigação rigorosa por parte do Judiciário sobre este caso. E exigimos da empresa URBASER a prestação de contas. É evidente que os protocolos para a prevenção de riscos ocupacionais devido às altas temperaturas não foram cumpridos.

Vamos chamar as coisas pelos nomes. Vamos lutar para que estes eventos não voltem a acontecer. Porque aqueles que estão morrendo são aqueles de nós que estão nos locais de trabalho, nestas condições subumanas e não aqueles que estão nos ministérios lamentando através de sua conta no twitter.

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/a-40-co-y-trabajando-a-pleno-sol-no-es-una-muerte-es-un-asesinato/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Bolha de sabão.
Borboleta distraída…
Colisão no ar!

Fanny Dupré

[São Paulo-SP] Acontece neste sábado, dia 23, a terceira edição do Anarquismo na Periferia | Política Além do Voto

Com muito prazer, nós da Frente Anarquista da Periferia (FAP) anunciamos mais um Anarquismo na Periferia.

Com o intuito de aproximar toda a comunidade dos ideais libertários e da luta política por fora do sistema, estamos divulgando esse evento que vai acontecer ao lado do Terminal Jardim Ângela, Zona Sul, no dia 23 de julho, a partir das 13h00.

Contamos com sua presença para não somente debater, mas construir uma luta política por fora das linhas eleitorais e provar que política se faz fora das urnas, com luta!

agência de notícias anarquistas-ana

uma libélula
pousa em outra libélula
ah, o amor!

Sérvio Lima

Vítimas do nazismo: 8 mil corpos são encontrados em vala comum na Polônia

Descoberta se deu perto de local onde funcionava um campo de concentração

Em um terreno próximo a um antigo campo de concentração nazista da Polônia foi encontrada uma vala comum com cerca de 17, 5 toneladas de cinzas humanas. A informação foi anunciada ontem, 13/07, pelo Instituto da Memória Nacional (IPN), organização polonesa responsável por investigar crimes nazistas e comunistas.

A descoberta se deu em Ilowo Osada, no bosque Bialucki, que fica perto do campo de concentração de Dzialdowo, também conhecido como Soldau. O local fica 150 km ao norte de Varsóvia e foi construído durante a ocupação do país pela Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

Segundo o portal de notícias UOL, desde a invasão da Polônia, em setembro de 1939, o campo de Soldau passou a ser o destino de opositores políticos, membros das elites polonesas e judeus.

Milhares de pessoas foram mortas

Algumas fontes apontaram anteriormente que cerca de 30.000 pessoas teriam morrido em Soldau, número que não pôde ser confirmado por falta de evidências.

Com a descoberta da vala comum, porém, o procurador do IPN, Tomasz Jankowski afirma: “pelo menos 8.000 pessoas morreram aqui”. O cálculo é feito com base no peso dos restos mortais, considerando que dois quilos de cinzas devem corresponder a um corpo.

“As vítimas enterradas nessa fossa provavelmente foram assassinadas por volta de 1939 e pertenciam, em sua maioria, às elites polonesas”, disse Jankowski.

Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/vitimas-do-nazismo-8-mil-corpos-sao-encontrados-em-vala-comum-na-polonia.phtml

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Suave impressão de asas
abrindo em tempo-semente
e pausa suspiro 

Nazareth Bizutti

 

[Grécia] Yinnis Michailidis: estupro sob o assassinato do conceito de justiça

Para a “justiça” grega, um estuprador de crianças (D. Lignadis) após nem mesmo um ano e meio de prisão foi suficientemente punido e não representa um perigo para a sociedade. Um assassino por motivação racial (Ath. Hortarias), em 2 meses de prisão foi suficientemente punido e também não é um perigo. O assassino de Alexandros (Ep. Korkoneas), de 15 anos de idade, não merece prisão perpétua. Outro estuprador (P. Filippidis), ganha prematuramente sua liberdade porque não é considerado perigoso por causa de sua celebridade. Esta é a “epopeia” da entrelaçada “justiça” grega.

Entretanto, para a “justiça” grega, um ladrão de banco anarquista e fugitivo, após quase 9 anos de prisão e 7 meses após cumprir 3/5 da sentença exigida, é “passível de cometer novos atos criminosos por não ter passado tempo suficiente na prisão”.

O que eu percebo é que roubar um banco e fugir da prisão é muito pior do que estuprar ou assassinar. Especialmente se o estuprador é amigo dos ministros, ou se os assassinos matam crianças ou pessoas marginalizadas. Afinal de contas, não é o papel do Estado proteger o capital? Também mostrará, ao que parece, uma maior vingança contra alguém que ativamente desafiou a instituição prisão, que semeia o medo que é absolutamente necessário para a disciplina da sociedade.

E quanto aos assaltos a bancos, agora que estamos empobrecendo, você não tenha nenhuma ideia. Se você quiser estuprar uma criança, se você tiver contato com um ministro, vale tudo! Esta é a mensagem clara da “justiça” grega.

E eu captei a mensagem. Foi por isso que comecei uma greve de fome. Para expor todos aqueles abusos contra mim, que eu enumero no texto de abertura [da greve]. Entretanto, até onde posso ver, eles não precisam de mim. Eles se revelam. Eles nem sequer mantêm os pretextos.

Acho que agora eles estão usando a greve de fome como exemplo. Eles marcaram minha audiência de apelação para 25/07. Nesse dia, contarei 64 dias de greve de fome. O objetivo é claro: esgotar-me. Uma deficiência potencial para mim reforça a mensagem que eles enviam. Talvez também minha eventual morte, que se torna cada vez mais provável a cada dia que passa. Tal distorção do conceito de Direito é impensável. Que eles possam desfrutar de sua “justiça”. Tenham uma boa carreira.

Quanto a mim, que não tenho acesso a suas vilas com suas suntuosas mesas pagas com subornos, posso saudar este mundo em jejum, mas com a plenitude espiritual do conflito existencial total com seu sistema podre.

15/07/2022

Yinnis Michailidis, em greve de fome desde 23/05

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619899/

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agência de notícias anarquistas-ana

Vento refrescante
que se contorcendo todo
chega até aqui.

Issa

[Chile] Dois anos após nosso encarceramento. Palavras de Mónica e Francisco da prisão

Sempre priorizamos não ter intermediários quando se trata de comunicação, que ninguém fale por nós, e nestes dias, como marcamos dois anos desde que aqueles que sustentam a hegemonia do poder e da força nos trancaram nestas covas de concreto chamadas prisões, não serão exceção.

Este segundo ano de prisão trará consigo o fim do período de investigação de nosso processo legal, ou seja, o período no qual a acusação e os dez autores da ação judicial poderiam reunir informações contra nós chegará ao fim. O encerramento da investigação abre um processo intermediário de pré-julgamento.

A investigação judicial contra nós não poupou recursos; a polícia tem feito grandes esforços para não deixar nenhuma pedra por virar. O objetivo conosco é dar uma condenação exemplar que assustará qualquer um que se dedique à prática da violência política, especialmente no que diz respeito à colocação e envio de dispositivos explosivos. Além disso, não somos desconhecidos para os poderosos, fomos colocados no banco dos réus em mais de uma ocasião e deixamos clara nossa posição anárquica sobre todos eles. Nossa situação legal atual está intimamente ligada a nossos procedimentos legais anteriores.

Somos autocríticos de nossos erros em nossas ações, cada um dos quais faz parte de nossa experiência e aprendizado, o que esperamos que também seja útil para os outros. Sentimo-nos parte de um longo caminho de lutas contra a dominação, um caminho histórico que muda de acordo com os diferentes cenários de conflito.

Por muitos anos decidimos caminhar pelos caminhos negadores da anarquia, entendendo a anarquia como uma tensão constante que em sua dialética construtiva/destrutiva não se apresenta como uma verdade absoluta ou como um lugar de chegada.

Nossa vida não está dissociada de nosso enorme desejo de querer viver o máximo possível de acordo com nossas ideias, e assumimos isso com todas as contradições que isso implica, assim como suas consequências.

Nestas cartas, estamos mais uma vez interessados em exaltar e encorajar o ataque contra toda expressão de poder. Somos enfáticos em afirmar que entendemos os atos de vingança e sabotagem como uma necessidade urgente, cuja multiplicação e propagação reforça inegavelmente os espaços anárquicos e as posições de combate. Acreditamos que a aposta deve necessariamente ir para a qualificação do conflito, por deixar os espaços de conforto para ampliar as perspectivas e atingir onde mais dói.

Neste sentido, saudamos todas as ações explosivas realizadas nos últimos meses, que sem dúvida contribuem e reforçam a anárquica guerrilha urbana.

Todo ataque ao poder de uma perspectiva antiautoritária é válido para nós.

A data de nosso julgamento está se aproximando, sabemos que há possibilidades de passar muito tempo sequestrados nas prisões estatais, estamos preparados para isso graças ao apoio fraterno de inúmeros camaradas que, com cada gesto, conseguem iluminar a noite.

Nestes dois anos de prisão fizemos parte da campanha “Prisioneiros anarquistas e subversivos”, concentrando-nos no retorno às ruas de nosso camarada Marcelo Villarroel, que ainda está sob sentença do Ministério Público Militar, perpetuando sua prisão. Colocar Marcelo de volta às ruas certamente será um triunfo que nos fortalecerá e beneficiará a todos os prisioneiros da guerra social. O chamado é multiplicar as ações e gestos de solidariedade revolucionária que permitirão que nosso camarada volte às ruas.

Para nós, o confronto contra a dominação ainda não terminou, apenas mudou sua forma.

Mónica Caballero

Prisão de San Miguel

Francisco Solar

Prisão La Gonzalina-Rancagua

Julho 2022

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/08/05/chile-comunicado-de-monica-e-francisco-sobre-a-luta-nas-prisoes-27-de-julho-2021/

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Nuvem de mosquitos –
As flores da jujubeira
se espalham à volta.

Katô Kyôtai

[EUA] Vislumbres de um movimento trabalhista ressurgente: Nosso informe da Labor Notes ’22

Por Black Rose – Rosa Negra / Comitê de Trabalho

No fim de semana de 17-19 de junho, cerca de 4.000 membros e afiliados de sindicatos se reuniram em Chicago para a Conferência Labor Notes 2022. Devido tanto ao fato de a conferência bianual ter sido adiada para 2020 quanto ao modesto (mas não menos emocionante) aumento da atividade sindical nos últimos meses, particularmente na Amazon e Starbucks, o evento deste ano estabeleceu um novo recorde de participação.

A Labor Notes começou a vida em 1979 como um boletim mensal destinado a desafiar os modelos de negócios e serviços dos sindicatos afiliados à AFL-CIO. O boletim informativo se concentrou em destacar e unir os grupos reformistas de bases desses sindicatos. Hoje, a revista Labor Notes continua a existir, enquanto a Labor Notes, a organização, expandiu dramaticamente seu alcance para apoiar as escolas de treinamento de “arruaceiros” durante todo o ano e tem uma ala editorial, além de sua conferência crescente.

A organização Labor Notes opera no nível sócio-político, ou intermediário, dentro do movimento trabalhista norte-americano (e canadense). Seus objetivos giram em torno do desenvolvimento de uma tendência dentro do movimento trabalhista para a democracia sindical, a ação militante e o reavivamento da greve, a organização agressiva de novos sindicatos, o internacionalismo e a criação de grupos de reforma sindical. Ela não promove a política revolucionária e mantém o foco na unidade em torno dessas táticas sindicais de mais curto prazo. Nas últimas décadas, criou provavelmente a maior tendência de esquerda identificável e consciente nos sindicatos americanos e canadenses, e sua conferência é um dos únicos locais de colaboração nacional entre as bases sindicais.

A conferência em si é um evento de três dias composto de mais de 100 oficinas, mesas redondas e treinamentos que cobrem uma ampla gama de tópicos, desde amplas análises da legislação trabalhista até discussões amigáveis para iniciantes sobre como incentivar companheiros trabalhadores contra táticas de destruição sindical.

Tanto em 2018 quanto em 2022, o Comitê Trabalhista da Rosa Negra (BRRN) enviou membros para a conferência, num esforço para:

  • Construir relacionamentos com outros trabalhadores das indústrias nas quais temos presença ativa, como saúde, construção civil, K-12 e ensino superior, e serviço de alimentação.
  • Expandir nossos conhecimentos práticos e habilidades na organização do local de trabalho.
  • Desenvolver uma melhor compreensão do estado atual das lutas trabalhistas nos EUA.
  • Construir uma presença pública para o anarquismo e perspectivas anarquistas no movimento trabalhista.

Com dois anos de presença, fizemos centenas de novos contatos em nossas indústrias, participamos de vários painéis de conferência, nos conectamos com outros participantes anarquistas e socialistas libertários, e adquirimos valiosas habilidades que aplicamos em nossas próprias lutas.

Na conferência de 2018, a BRRN organizou uma festa semiformal vermelha e preta com palestrantes do sindicato dos trabalhadores da IWW de Burgerville, professores envolvidos na onda de greve Red for Ed, e trabalhadores poloneses da Amazon envolvidos no sindicato anarcossindicalista Inicjatywa Pracownicza (Iniciativa dos Trabalhadores). Embora a BRRN não tenha organizado uma reunião pública na conferência de 2022, pretendemos renovar a prática no futuro.

Embora possam ser feitas críticas legítimas ao Labor Notes em geral e à conferência em particular – que atrai um número significativo de pessoas de sindicatos, que se concentra demais na mudança da liderança dos sindicatos em vez de abordar a necessidade de repensar totalmente a estrutura dos sindicatos de cima para baixo, ou que dá muito espaço a figuras progressistas no movimento trabalhista – descobrimos que o centro de gravidade da conferência são os trabalhadores comuns que enfrentam questões difíceis sobre a melhor maneira de abordar a reconstrução do movimento trabalhista americano. Neste sentido, a Labor Notes é um importante espaço experimental para os trabalhadores discutirem e debaterem estratégias e táticas, e aprenderem uns com os outros sobre o melhor caminho a seguir.

Estas discussões são pontuadas por várias expressões da esquerda organizada, algumas das quais operam abertamente – vendendo periódicos, apresentando mesas ou organizando festas – e algumas delas mantêm um perfil baixo. Enquanto os Socialistas Democratas da América foram de longe a força política dominante na conferência deste ano, ainda há muito espaço para outras tendências à esquerda manobrarem e construírem polos de atração. Os anarquistas podem e devem ter uma presença mais forte entre eles.

O anarquismo tem raízes profundas no movimento operário americano, refletidas particularmente na história de Chicago – onde é realizada a conferência Labor Notes – desde o motim do Haymarket e do Sindicato Central dos Trabalhadores até a fundação dos Trabalhadores Industriais do Mundo e a “ideia de Chicago” da Associação Internacional dos Trabalhadores. Mas, como grande parte da esquerda, os anarquistas têm ligações limitadas com as lutas atuais no local de trabalho, um ponto crucial de influência na luta contra a exploração e a dominação.

Para recuperar a influência que um dia tivemos no movimento trabalhista e desempenhar um papel no desenvolvimento de seu potencial revolucionário, os anarquistas precisam ser integrados em uma ampla gama de lutas e organizações populares no local de trabalho, dentro e fora dos sindicatos burocráticos existentes, e construir exemplos públicos de luta dos trabalhadores anarquistas. Nossa tarefa é reconstruir uma tradição de sindicalismo de classe de baixo para cima, caracterizada pela independência de classe, ação direta, democracia direta, controle das bases, solidariedade e internacionalismo. Acreditamos que neste momento uma parte importante desse trabalho é fazer conexões com outros trabalhadores militantes para estabelecer redes industriais em todo o país que possam apoiar revolucionários isolados, desenvolver e promover uma perspectiva anarquista compartilhada mais forte sobre a organização dos trabalhadores para nossas condições específicas, e preparar uma base para focos maiores de luta revolucionária.

Enquanto a energia, atividade e entusiasmo atuais em torno dos sindicatos marcam um ponto brilhante em tempos de preocupação, estamos longe do movimento de trabalhadores militantes que é urgentemente necessário para enfrentar as crises em cascata que lançaram uma escura sombra sobre o mundo inteiro. Mas continuaremos empenhados em fazer a diferença.

Fonte: http://alasbarricadas.org/noticias/node/48972

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Vento de outono –
Um arco de madeira nua
Vamos encordoar!

Mukai Kyorai