[Argentina] “Aniversário no cárcere” | Palavras de Emir, companheiro encarcerado pelo escrache ao jornal El Clarin.

ANIVERSÁRIO NO CÁRCERE

Nunca fui muito amante dos festejos, não há datas que me causem emoção ou alegria, sobretudo considerando todas as datas impostas como “dia de sei lá o quê”. Só são uma prática a mais do mercado para encher seus cofres e para que sigamos distraídos em vidas apáticas. De fato considero nefasto presentear coisas materiais para demonstrar afeto a nossos próximos. Sequer festejo meu aniversário, ainda sendo um dos poucos dias que, sim, me agradava compartilhar com minha gente marcando assim uma nova volta ao sol no calendário gregoriano alheio.

Hoje é um desses dias um tanto particular. É meu primeiro aniversário em um centro legal de detenção e tortura.

E desta vez, ainda que seja meu desejo não poderei estar com minha filha. Nem com Tam, minha companheira de vida, nem com minha velhinha, que são minha esfera privada e as pessoas que me mantêm firme neste momento tão particular.

Vão ser 8 os meses que estou identificado, assinalado, exposto na mídia, vigiado, isolado, controlado, investigado. E 4 os meses que estou sequestrado em celas de diferentes lugares por, sobretudo defender e manter minhas ideias e convicções de que este mundo já era e devemos construir um mundo novo. Não para nós, mas para os que vierem. Sentando bases no comunalismo, no apoio mútuo, no respeito, na solidariedade e nos acordos mútuos.

Acontece que certos “senhores” creem que manter isto significa ir contra seus interesses. E não estão tão equivocados, sabem que lhes acaba o tempo e necessitam exemplificar metendo-nos medo. Me dizem que sou terrorista. Eles que são os terroristas profissionais. Dizem que pretendo meter medo à sociedade, justo eles que em cada discurso, em cada lei, em cada gesto e ação não fazem mais que atentar contra as pessoas e a vida em geral. Bom, creio que, sim, chegue até aqui e ainda que pareça ilógico me orgulho de que me nomeiem como seu inimigo. NÃO OS RESPEITO DE JEITO NENHUM.

Conheci nesta prisão muita gente que merece esse respeito. Convivo aqui com pessoas do povo, aqui não há nenhum grande poderoso ou criminoso legal. Nesta privação de minha liberdade só há gente de baixos recursos, golpeados, sofridos, quebrados, feridos, maltratados. Justamente por esses que me chamam seu inimigo. E então começo a recordar. Por quê? O que fizemos para sermos perigosos? Aqui há pura gente que atenta contra a propriedade privada, mas só em menor grau, muitas vezes para alimentar suas famílias, ou por estarem fartos de ver em suas vitrines ou seus programas, vidas que jamais vão poder comprar. Em meu caso particular será por apoiar sempre lutas genuínas e agir nesse sentido.

Também vendo o arame farpado por uma janela de grades, recordo a todos os compas que estiveram e estão ao meu lado, ainda na distância. Compas que se entregam de corpo e alma em cada atividade, sofrendo todo tipo de carências, mas entregando tudo a troco de nada. Para eles vai meu abraço hoje. Uma saudação fraternal a todos eles, me sinto orgulhoso de caminhar a seu lado.

Apesar de tudo a luta continua. Vale a pena não vender-se a essas merdas. Obrigado a todos os parças e os compas que marcam seu apoio desde Formosa, Salta, Jujuy, Mendoza, San Luis, Chaco, Cordoba, Entre Rios, Neuquen, Rio Negro, Chubut. Aos companheiros internacionalistas do Uruguai, Chile e Alemanha. E a todos os mesmos de sempre de Buenos Aires e arredores que, apesar da tortura que me impõem tenho os sonhos intactos e o devo a seu apoio e newen. Este aniversário é com vocês à distância.

Abaixo os muros das prisões.

Desde um complexo penitenciário ocupado pelo Estado argentino. 30-06-2022.

Emir Acosta

Fonte: https://publicacionrefractario.wordpress.com/2022/07/02/argentina-cumpleanos-en-la-carcel-palabras-de-emir-companero-encarcerado-por-el-escarche-a-el-clarin/#more-17424

Tradução > Sol de Abril

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Venha aqui comigo,
oh pardal sem pai nem mãe.
Venha aqui brincar.

Issa

Lançamento | Autodefesa médica: Panteras Negras e Zapatistas

É com muito prazer que nós da Editora Terra sem Amos lançamos hoje o livro “Autodefesa médica: Panteras Negras e Zapatistas”. A obra, publicada em 2020 pela editora autônoma mexicana “Zine Editorial”, e traduzido pela primeira vez ao português por nós.

A obra reúne discursos e estudos sobre os mecanismo de autonomia da saúde e dos cuidados entre zapatistas e panteras negras, demonstrando as formas de recuperar saberes tradicionais, assim como expropriar de grandes empresas farmacêuticas, médicas e de seguros suas tecnologias e conhecimentos. Não é, assim, um escrito de perspectiva utópica, mas fonte de inspiração para construirmos em nossos territórios e movimentos uma força capaz de retomar nossas capacidades coletivas de cuidado.

“Autodefesa médica” tem o valor de R$15,00 + frete grátis para todo o país, e aos primeiros pedidos, acompanha o pôster “Só o povo salva o povo”. Encomendas em nossa loja online, pelo link da bio ou em https://linktr.ee/tsa.editora

“Para sobreviver, nós mesmos devemos desenvolver meios de detectar e curar as doenças que são fruto da ganância de um punhado de homens que reclamam toda a nossa vida” (Panteras Negras)

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Em morosa andança
Ao léu com meu ordenança —
Contemplação das flores.

Kitamura Kigin

[Arcoverde-PE] O Anarquismo e as Lutas no Semiárido

O anarquismo esteve historicamente vinculado a diversas disputas territoriais, no campo e na cidade. Desde as barricadas da Revolução Espanhola à resistência indígena e campesina na Revolução Mexicana, anarquistas estiveram envolvidos em lutas por justiça, terra y liberdade! Neste sentido, o semiárido pernambucano, região rica em história e tradição combativa, representa um terreno fértil para o enraizamento de um projeto socialista libertário pautado na construção do poder popular.

É sob esse espírito que nós, da Organização Anarquista MARIA IÊDA / CAB, convidamos a todes para se somar em Arcoverde – PE, dia 09.07, sábado, onde esperamos discutir não apenas nossa ideologia, como também trocarmos experiências de luta.

Trabalhadores rurais, funcionalismo publico, estudantes, trabalhadores precarizados e todos os sujeitos que fizeram, fazem e seguirão fazendo a resistência são muito bem vindos ao debate.

Em tempo: estaremos com uma banquinha com materiais libertários!

> O quê: O Anarquismo e as Lutas no Semiárido!

> Quem: Organização Anarquista MARIA IÊDA!

> Onde: Arcoverde – PE, Praça Virginia Guerra!

> Quando: Sábado, 09 de Julho de 2022!

> Horário: A partir das 17h!

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Expectativa!
Pela estrada escura aguardo
chegar a lua cheia

Raymundo Luiz Lopes

 

[São Paulo-SP] “Nós, anarquistas, sempre apoiaremos os povos originários”

Nessa quinta-feira, 30 de junho, membros da Frente Anarquista da Periferia (FAP) foram até a aldeia Takua Ju, em Marsilac, para fazer a entrega das roupas, brinquedos, cobertores e alimentos arrecadados. A presença de vocês no nosso último evento fez com que essa ação fosse possível, além de ter ajudado também a aldeia Tekkoa.

Nós, anarquistas, sempre apoiaremos os povos originários e todos aqueles que são negligenciados e violentados pelo Estado. Em tempos de regressos e frustrações, a nossa união nos dá força e mostra que é possível construir horizontes de dignidade para os nossos.

Para apoiar futuras ações que planejamos na Takua Ju, incluindo o plantio de alimentos e construção de mais uma casa para os moradores, entrar em contato por e-mail (rapperrodrigo@gmail.com).

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não tenho país
nem casa nem riqueza
e como me sinto bem!

Rogério Martins

Lançamento: STAR – Ação Revolucionária das Travestis de Rua, de Sylvia Rivera e Marsha P Jhonson

É com muita felicidade que lançamos hoje a primeira tradução em português do livro “STAR: Ação Revolucionária das Travestis de Rua – sobrevivência, e luta trans antagonista”, um compilado de entrevistas e discursos de Sylvia Rivera e Marsha P. Jhonson. A obra registra parte da História da Street Transvestite Action Revolutionaries (traduzido ao português como “Ação Revolucionária das Travestis de Rua”), um agrupamento de pessoas trans fundado após a Rebelião de Stonewall, que e operava como ferramenta de organização, luta, ajuda mútua e ação direta. A partir da perspectiva de Sylvia Rivera, uma travesti porto-riquenha, e Marsha P. Jhonson, travesti negra estadunidense, conhecemos as dores e felicidades da luta trans que abriram caminhos para um orgulho insurgente e rebelde.

Pra o lançamento, disponibilizaremos apenas 30 cópias da obra, que acompanharão o cartaz “Essas bichas matam fascistas”, em alusão ao Exército de Insurreição e Liberação Queer (TQILA), batalhão LBTQIA+ que lutou na Síria ao lado do povo curdo. A obra, com 128 páginas, tem o valor de R$20,00 e pode ser encomendada em nossa loja online: https://linktr.ee/tsa.editora

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Flor declarada
o vento puxa da mão
pra se perfumar.

Masatoshi Shiraishi

[Itália] Palavras de solidariedade com o companheiro anarquista Alfredo Cospito

Solidariedade revolucionária a Alfredo Cospito

Neste período, fala-se muito de guerra e solidariedade. As imagens dos bombardeios na Ucrânia, ao contrário daquelas dos conflitos que vêm ocorrendo há anos em outras regiões do mundo, têm sido continuamente transmitidas na televisão, nas redes sociais e nos jornais, num frenesi de torcida nacionalista que só fomenta a obtusidade da sociedade em que vivemos, fazendo-nos perder de vista os verdadeiros protagonistas desses terríveis acontecimentos. Quando falamos de guerras e das trágicas consequências delas, não podemos evitar chamar à responsabilidade os governos e as multinacionais que vivem da guerra e especulam sem freio sobre o sofrimento das populações afetadas.

Como anarquistas, a única guerra que apoiamos e perseveramos em contraste com a guerra dos patrões é a guerra social.

Exatamente 10 anos atrás, dois de nossos companheiros, Alfredo e Nicola, não hesitaram em meter uma bala na perna do mago do átomo Roberto Adinolfi, então chefe da Ansaldo Nucleare.

ELES ESTAVAM CERTOS NA ÉPOCA E AINDA ESTÃO CERTOS HOJE!

Foi uma coisa boa e justa golpear uma das muitas pessoas responsáveis por mortificar, assediar e matar os seres vivos.

Alfredo ainda é um prisioneiro e há cerca de um mês ele foi transferido para 41bis e transferido da prisão de Terni para a prisão de Sassari.

Sem vitimização, sem surpresa, isto é o que o Estado sempre fez, se não matar você primeiro, contra aqueles que não pode domar.

O revolucionário anarquista Alfredo Cospito é um deles!

SOLIDARIEDADE REVOLUCIONÁRIA COM ALFREDO!

PELA GUERRA SOCIAL!

PELA ANARQUIA!

Alguns e algumas anarquistas genoveses

Fonte: https://ilrovescio.info/2022/06/06/solidarieta-rivoluzionaria-ad-alfredo-cospito/  

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Derrete-se a neve
e surge uma aldeia inteira
cheia de crianças.

Issa

[EUA] Grupo de supremacia branca Patriot Front marcha por Boston e ataca homem negro

Neste sábado, 02 de julho, um grupo de cerca de 100 membros da Frente Patriota (Patriot Front ), que usavam calças cáqui bege, uniformes de camisa azul e máscaras brancas enquanto empunhavam escudos, marcharam pelo coração da cidade de Boston antes do Dia da Independência, celebrado dia 4 de julho nos Estados Unidos.

O grupo hasteou bandeiras coloniais e norte-americanas de cabeça para baixo junto com algumas faixas representando o Partido Nacional Fascista de Benito Mussolini.

A certa altura, uma briga eclodiu entre vários supremacistas brancos e um homem negro que eles estavam provocando, de acordo com a imprensa local.

“Desde 2019, o Patriot Front é responsável pela grande maioria da propaganda supremacista branca distribuída nos Estados Unidos”, segundo a Liga Antidifamação, que rastreia grupos de ódio. “Um dos grupos supremacistas brancos mais visíveis dos Estados Unidos, o Patriot Front participa de ‘manifestações instantâneas’ localizadas em todo o país.”

No mês passado, 31 supostos membros do grupo foram presos em Idaho depois que as autoridades os acusaram de tentar iniciar um tumulto em um evento do Orgulho LGBT+.

Em janeiro, membros do grupo com sede no Texas também tentaram participar de uma manifestação antiaborto em Chicago carregando uma faixa que dizia: “Famílias fortes fazem nações fortes”.

Fonte: agências de notícias

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Todos dormem.
Eu nado na noite que
entra pela janela.

Robert Melançon

[Holanda] Protesto anticapitalista na Parada do Orgulho Gay de Utrecht

Durante a Parada do Orgulho Gay do Canal em Utrecht, ativistas de múltiplos grupos realizaram um protesto contra o capitalismo do arco-íris.

A Parada do Orgulho Gay de Utrecht foi patrocinada por corporações que não fazem nada para apoiar a comunidade LHBTIQ+ e até mesmo trabalham contra as pessoas queer.

Lá, também haviam barcos com policiais e outros repressores, dois institutos estatais conhecidos por sua discriminação e racismo.

Além disso, um barco exclusivo para partidos políticos, onde todos os partidos políticos que participam das esferas estatais são convidados, mesmo aqueles que têm posições homofóbicas.

Na primeira meia hora do protesto, os ativistas foram confrontados por um grande número de policiais e forçado a deixar o Monicabrug sob a ameaça de serem presos.

Isto mostra que a crítica à oficialesca da Parada do Orgulho Gay está sendo reprimida.

O protesto prosseguiu no cais ao lado da ponte sob o olhar atento de uma enorme força policial.

Não seremos silenciados, não seremos reprimidos.

Libertação queer, não ao capitalismo do arco-íris!

Anarquistas

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A Brisa Que Sopra
É O Melhor Refresco
Neste Dia Quente

Leonardo Natal

Cuba vê oposição fragmentada após condenados por atos

Justiça da ilha mira até ativistas menores de idade e provoca denúncias de torturas por parte de ONGs

Por Sylvia Colombo | 26/04/2022

Em seu apartamento no distrito de Alamar, na capital cubana, Leonardo Otaño, 30, mantém nove plantas em latas antes usadas para comercializar tomates. “Cada uma delas corresponde a uma das vezes em que fui preso ou chamado a depor”, diz o professor e doutorando em história na Universidade de Havana.

“Para cada momento ruim da vida, a gente espera um momento bom, por isso esse pequeno ritual.”

Entre livros e um aquário, o ativista pede desculpas pela falta de arrumação na casa, que ostenta uma foto dele com o papa Francisco, em 2015, quando o pontífice visitou Cuba. Otaño, que integrou o grupo Archipiélago, organizador dos protestos de 11 de julho de 2021 em mais de 50 cidades e da tentativa de manifestação em 15 de novembro –duramente reprimida–, é religioso, mas professa uma “versão progressista, de esquerda, da Igreja Católica”, além de ser admirador da Teologia da Libertação.

“Nada mais distante do que ser de esquerda e progressista do que o regime totalitário que há hoje em Cuba. Sou de esquerda e não aceito que digam que os que estão hoje no poder também são.”

Desde o início da repressão pós-11J, e ainda mais após o fracasso do 15N, Otaño se concentra apenas em amparar as famílias dos presos políticos que vêm sendo condenados por participarem dos protestos.

Dos 1.395 detidos em 11 de julho, 728 continuam presos –e os julgamentos se dão a conta-gotas. Desde então, segundo dados oficiais, 128 pessoas foram condenadas a um total de 1.916 anos de prisão.

Nas últimas semanas, sete jovens, entre 16 e 18 anos, receberam ordens de 19 a 25 anos de internação. Dados compilados pelas ONGs Cubalex, Prisoners Defenders e Anistia Internacional mostram que mais de 40 menores já foram alvo de decisões do tipo, com penas superiores a 15 anos de reclusão. As ONGs também acusam a ocorrência de torturas, privação de luz e comida, além de choques elétricos.

Esperanza (nome fictício), que aceitou falar com a Folha de S.Paulo com a condição de que a reportagem caminhasse com ela pelo Malecón, principal via de Havana, para evitar a impressão de que estava sendo entrevistada, chora ao falar do filho, de 19 anos, condenado a 25 anos de prisão por “distúrbios à ordem pública”.

Ao mesmo tempo que destaca o esforço para obter uma anistia, ela afirma esperar que o rebento entenda o quão duro é para a família ser vigiada em idas ao mercado ou quando os irmãos vão à escola.

Assim que as condenações começaram a ser divulgadas, um grupo de 35 mães passou a atuar na coleta de assinaturas para a petição de anistia e no contato com tribunais e organismos internacionais.

As penas assustam os cubanos, principalmente os de bairros pobres da capital. Se nas ruas de Habana Vieja, o centro turístico, a presença de policiais e de militares é pequena, não é assim em Guanabacoa e Los Pocitos ou no interior do país, especialmente em Camagüey e Holguín, locais com tradição de rebeldia contra o sistema e que se manifestaram com intensidade no 11J.

O líder da ditadura cubana, Miguel Díaz-Canel, afirma não haver presos políticos na ilha e diz que as condenações são por crimes contra a segurança do Estado e por colaboração com forças estrangeiras.

Enquanto conversa com a reportagem, Otaño mostra o bairro em que vive e que resume a degradação do sonho da revolução socialista, em 1959. Alamar foi um projeto encabeçado por Fidel Castro (1926-2016) e reúne prédios de inspiração soviética, com apartamentos pequenos, mas com “tudo que o uma família precisa”. As unidades são praticamente idênticas, e há imagens dos próceres da revolução em cada esquina. “A ideia era construir um bairro onde viveria o ‘homem novo’, que não buscaria ter mais do que os outros”, diz.

A realidade atual, porém, exibe espaços insuficientes, esgoto a céu aberto e reclamações constantes devido a apagões de eletricidade. Moradores de bairros pobres de Havana dizem que a falta de luz chega a durar cinco por horas diárias –no interior, o relato é de dias inteiros sem energia.

De modo geral, a oposição está fragmentada. Há, por exemplo, ativistas que apostam em uma saída institucional, com uma anistia que viria por meio das vias legais. Muitos artistas, que com movimentos como o San Isidro e o espaço Aglutinador lutaram pela liberdade de expressão, deixaram o país.

Em seu ateliê, Sandra Ceballos, 61, oferece uma cadeira à reportagem avisando que não se trata de qualquer cadeira: “É uma das originais da mítica sorveteria Coppelia”, conta, com orgulho. A Coppelia ganhou projeção internacional com o filme “Morango e Chocolate” (1993), dos diretores Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío, uma das primeiras obras a tratar da questão LGBTQIA+ em Cuba.

A sorveteria foi também um esforço pessoal de Fidel, que, determinado a fazer com que os cubanos tivessem “o melhor sorvete do Caribe”, importou em 1966 o maquinário mais moderno na Europa. Hoje um ponto turístico, o local, no entanto, vem perdendo qualidade. O aumento dos preços dos ingredientes e a falta de leite faz com que o produto muitas vezes venha aguado ou com gosto de soja. A história explica por que Ceballos guardou uma cadeira original.

Ex-integrante do Archipiélago, ela não tem esperança de novas manifestações. “As condições existem, mas também temos a certeza de que depois virá outra onda de repressão terrível”, diz. “Agora, com esses meninos condenados a passar mais de 20 anos na prisão, com denúncias de tortura, não tem jeito. Sou pacifista, mas a única maneira de tirar o regime é como eles fizeram com Fulgêncio Batista, em 1959. Com armas, uma guerrilha organizada vinda do interior, e derrubando o poder à força.”

Aqui, a oposição se mostra fraturada outra vez. Otaño diz não querer a derrubada de um totalitarismo com “as armas usadas pelo que pode se tornar outro totalitarismo”. “Afinal, quem disse que se derrubamos o regime que temos agora não surja um Putin? Não queremos isso.”

Ceballos também faz críticas à abertura de espaços culturais com permissão do regime, como a Fábrica de Arte, local de shows e exposições que é a sensação entre jovens. No dia 15, com a casa abarrotada, a Folha de S.Paulo assistiu à apresentação da Interactivo, conjunto de jazz e gêneros caribenhos que vem causando furor. Liderado pelo pianista Roberto Carcassés, o grupo de mais de 30 músicos toca de tudo, mas não fala uma palavra de política.

“Com a situação que vivemos, com artistas presos e exilados, existir um espaço cultural como esse é um absurdo. Também é um horror que artistas façam shows lá sem se manifestar sobre a repressão. Deveria haver uma greve de tudo nesse país –e também da cultura”, diz Ceballos.

Enquanto as condenações calam a oposição, a situação econômica vem se deteriorando. Devido à pandemia de Covid, o PIB de Cuba sofreu uma redução de 11% em 2020, e a inflação chegou a 300%. Apesar da reabertura ao turismo, vem sendo difícil chegar aos níveis anteriores.

A Guerra da Ucrânia também piorou a situação, já que russos chegavam a compor 20% do turismo durante a alta temporada. Neste ano, por exemplo, houve 30 mil cancelamentos de reservas após as restrições impostas a voos de Moscou. Há, ainda, turistas russos sem saber como voltarão para casa.

Para fazer com que o envio de remessas do exterior retome o ritmo, o regime abriu canais para facilitar a saída de cubanos. Firmou com a Nicarágua, por exemplo, um acordo de não exigência de visto ou permissão para viajar, e, assim, desde outubro de 2021, mais de 200 mil cubanos emigraram para o país controlado por Daniel Ortega com a intenção de cruzar legal ou ilegalmente a fronteira com os EUA.

O caminho, porém, com poucos voos diretos para Manágua, custa só com passagens cerca de US$ 2.000 (R$ 9.830) por pessoa. E os coiotes cobram até US$ 10 mil (R$ 48,8 mil) para a jornada. Oficialmente, os EUA afirmam ter recebido no ano passado 32 mil cubanos que hoje estão sob custódia do Estado.

Segundo o Código Penal cubano, que terá uma nova versão neste ano, deixar a ilha de modo ilegal é crime passível a até 30 anos de prisão. O regime, porém, tem feito vista grossa, já que a economia precisa de divisas enviadas do exterior.

O número de “balseros”, que tentam chegar à Flórida por mar, aumentou sete vezes desde o ano passado. Os barcos de patrulha dos EUA vêm circulando com a placa “não se lancem ao mar” e têm devolvido muitos migrantes. O governo Joe Biden diz preferir que a entrada seja feita por terra, mesmo que a definição desses casos seja complicada, do que enfrentando os perigos da travessia marítima.

A ideia de deixar o país tampouco é a mais popular. Yulier (nome fictício), de Los Pocitos, lembra-se da “imensa família” que tem em Cuba e da mãe, que está doente. “Por que tenho de sair?”

Otaño, que viaja com frequência devido à atividade acadêmica, afirma ser errado pensar que o cubano só quer saber de ir embora. “Na verdade, quando viajo, o que mais temo é que me impeçam de voltar.” Ou, como disse o escritor Leonardo Padura, na Europa para promover seu novo livro, “Como Polvo en el Viento”: “Por que eu tenho que sair? Eu cheguei antes”.

Fonte: Folha de S.Paulo

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agência de notícias anarquistas-ana

O vento leva
as folhas e a poeira…
voam as lágrimas

Karen Aniz

Memória | Anarquismo e luta de classes

Por Marcolino Jeremias

Antes os trabalhadores não tinham direitos que hoje consideramos básicos, por exemplo: horário de trabalho limitado (certas categorias trabalhavam até 16 horas ou mais); direito à descanso semanal; higiene de nenhuma espécie nas fábricas e oficinas onde trabalhavam; nenhum tipo de assistência social no caso de sofrerem algum acidente de trabalho e não conseguirem voltar as suas funções (nesse caso a única saída para o trabalhador era pedir esmolas); garantia por tempo de serviço: aposentadoria, férias.

Ninguém na história concedeu esses direitos espontaneamente para os trabalhadores. Cada uma dessas conquistas — que hoje os governos, dos diversos matizes ideológicos, tentam flexibilizar, numa tentativa permanente de suprimir — somente foram alcançadas através do custo de inúmeras mobilizações, greves, trabalhadores sendo presos, torturados e até mortos na luta social. Os anarquistas, homens e mulheres, foram protagonistas em inúmeros episódios da luta de classes no Brasil.

Nessa matéria (imagem em destaque) vemos o conflito do movimento operário com as forças de repressão durante a greve de 1917, no Rio de Janeiro. O jornal afirmava que as autoridades queriam afogar a reação popular, gerada pela fome e pela miséria, através da violência policial. Informava ainda que a Federação Operária do Rio de Janeiro e o Centro Cosmopolita, associações autênticas dos anseios dos trabalhadores, haviam sido arbitrariamente fechadas.

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árvore seca
a lua é a mosca
em sua teia

Aclyse de Mattos

Eleições 2022: A Escolha Entre Um Admirador de Um Militar Torturador ou Um Admirador de Um Ditador Genocida

Em tempos de eleições, onde um dos candidatos favoritos é admirador declarado de um militar sabidamente torturador durante o período da última ditadura, e o outro é admirador declarado de um antigo presidente que foi ditador, vale a pena resgatar a história revelada neste documentário (https://www.youtube.com/watch?v=lS_4RmFL88M), pois a história do militar torturador ainda é lembrada pelos seus opositores, mas a verdadeira história do antigo presidente ditador é ocultada por todos os lados em disputa pelo poder e por todos os livros de História.

O documentário “As Almas Santas da Barragem” (produzido por alunos e professores do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Ceará – IFCE) resgata a história do escandaloso crime contra a humanidade cometido contra dezenas de milhares de sertanejos nordestinos pobres em um campo de concentração no Ceará (isto mesmo, bem antes dos campos nazistas, inclusive), sob a responsabilidade do então presidente Getúlio Vargas.

A obra da Barragem do Rio Patu, projeto do que deveria ser a maior barragem do sertão nordestino, atraiu sertanejos pobres (homens, mulheres e crianças) pela propaganda que prometia trabalho, alimento, água e assistência médica para os trabalhadores, porém, em chegando ao local praticamente isolado da construção, o que encontraram foi o confinamento, o trabalho em condições sub humanas, a ausência de condições mínimas de acesso à higiene, alimentação e água, e a morte por epidemias.

Sabendo-se que Lula é admirador declarado do antigo ditador Getúlio Vargas, pode-se pensar que talvez não seja por acaso que as histórias da obra da Barragem do Rio Patu e a da construção da mega hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, guardem surpreendentes paralelos entre si: assim como no caso da barragem do Patu, também em Belo Monte o maior contingente de trabalhadores atraídos para a obra pela propaganda governamental provinha de populações de sertanejos nordestinos pobres, seduzidos pela promessa de trabalho, comida, água e assistência médica e, também do mesmo modo que ocorreu durante a obra do governo Vargas, durante a obra recente do governo petista os trabalhadores que ali chegavam eram colocados em condições de trabalho “infra legais”, de modo que lhes era exigido regimes de trabalho altamente extenuantes e lhes era negado o direito a folgas e a férias, e isto se agravou a tal ponto que os trabalhadores super explorados ali desencadearam no ano de 2013 uma grande paralisação em dois dos principais canteiros de obras da mega construção, e o governo federal petista então enviou para lá tropas da Força Nacional que reprimiram cruelmente o movimento dos trabalhadores (chegando, inclusive, a perpetrarem o sequestro e “desaparecimento” de um trabalhador), levando-os à base da força a retornarem a se submeter ao trabalho em condições infra legais, conforme atestam várias reportagens jornalísticas publicadas à época, tal como esta:

https://terradedireitos.org.br/noticias/noticias/agencia-publica-trabalhadores-refens-em-obras-bilionarias-da-amazonia/12172

Será “mera coincidência” que tanto a história da Barragem do Patu quanto a de Belo Monte sejam omitidas dos livros escolares?

Não é irônico (ou sórdido) que Vargas tenha recebido a alcunha de “Pai dos Trabalhadores”, e Lula a de “Pai dos Pobres”?

É como eu tenho dito: eleições, vença quem vencer, as ganhadoras serão as mesmas – as de cima.

V.C.C.O.

agência de notícias anarquistas-ana

Menino amuado
quem te deu tamanho bico
foi o tico-tico?

Anibal Beça

[Grécia] Informações sobre a 2ª passeata em solidariedade com o anarquista em greve de fome Yinnis Michalidis (Atenas, 30/06)

Na quinta-feira, 30 de junho, a Assembleia de solidariedade com o anarquista em greve de fome Yinnis Michalidis convocou o “3º Dia Pan-helênico de Ação e Solidariedade para Yinnis Michalidis“. Em Atenas aconteceu a segunda passeata central, que começou a partir do Propylaea, passou por Omonia, chegou à Syntagma e terminou novamente em Propylaea. O número era de aproximadamente 600 pessoas, e foi apoiado por várias organizações e coletivos. A presença policial foi mais uma vez descomunal, com a polícia de choque caminhando do lado esquerdo e direito até o fim do protesto. Sua atitude nesta passeata em particular foi mais provocadora e abusiva. No entanto, a passeata foi concluída normalmente.

O companheiro Yinnis Michalidis, no dia da passeata, estava em seu 39º dia de greve de fome, enfrentando métodos estatais e judiciais repressivos e vingativos, que colocam sua saúde em maior risco de falhas de múltiplos órgãos e danos irreparáveis a cada dia. Lembramos que nosso companheiro já perdeu 21% de seu peso corporal original, e sua saúde já está bastante comprometida. O movimento de solidariedade mais uma vez esteve ativamente ao seu lado, mostrando que a tentativa de exterminá-lo não passará em branco.

A justiça burguesa está mostrando sua verdadeira face. Ao mesmo tempo em que o Tribunal de Apelação de Lamia rejeita o pedido de libertação de Yinnis, o mesmo Tribunal de Apelação decide libertar o assassino impenitente Korkoneas [policial que matou Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, em 6 de dezembro de 2008]. O Estado e o judiciário estão jogando seus “filhos” para os lobos, dando-lhes clemência, piscando-lhes o olho para continuarem seus ataques. Korkoneas teve uma “vida legal anterior”. Yinnis é considerado perigoso por que vai “cometer novos delitos”. Este contraste, especialmente no contexto atual, revela sem margem para dúvidas a real utilidade e essência da justiça civil: Para encobrir a violência repressiva do Estado, para punir e exterminar toda resistência e todo militante.

Apoiamos e continuaremos a apoiar de todo o coração e dinamicamente a luta de nosso companheiro, sem recuar um milímetro, mostrando que a solidariedade prática é nossa arma na luta por sua reivindicação. Permanecer como uma barricada à arbitrariedade estatal e lembrar a todos os lados que Yinnis não está sozinho.

LIBERTAÇÃO IMEDIATA DO ANARQUISTA GREVISTA DE FOME YINNIS MICHALIDIS

Assembleia de solidariedade com o anarquista em greve de fome Yinnis Michalidis

agência de notícias anarquistas-ana

À beira do lago
aliso o brilho da lua
com as mãos molhadas

Eunice Arruda

 

[Grécia] Informe médico do anarquista em greve de fome Yinnis Michalidis

Em 24 de junho de 2022, examinei como seu médico pessoal o detido em greve de fome Sr. Michalidis no hospital de Lamia, que está hospitalizado na clínica de patologia sob guarda.

Do exame clínico, assim como de seus exames de laboratório e paraclínicos, surgem os seguintes resultados: O Sr. Michalidis, em greve de fome há 34 dias, perdeu mais de 21% de seu peso corporal e começou a mostrar graves problemas de saúde.

Mais concretamente, tenho que assinalar que órgãos vitais como o fígado, o coração e o baço já começaram a funcionar mal. O grevista de fome Yinnis Michalidis já tem anemia, trombocitopenia, hipercolesterolemia e hipoalbuminemia.

Tem taquicardia e instabilidade hemodinâmica, transtornos gastrointestinais graves e transtornos da coagulação sanguínea.

Minha avaliação médica é que em muito pouco tempo pode desenvolver uma falha severa das funções de múltiplos órgãos (circulatório, gastrointestinal, respiratório) e uma falha severa e irreversível de órgãos vitais (hepático, renal, insuficiência cardíaca, hemorragia cerebral) que pode conduzir a uma “falha multiorgânica”, uma condição que põe em perigo a vida da pessoa em greve de fome, ou a criação de um dano permanente que dará lugar a importantes incapacidades permanentes.

O Diretor Médico da N.S.S.

Virgopoulou Pantelia

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619538/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/06/20/grecia-extra-o-conselho-de-justica-federal-de-amfissa-rejeita-o-pedido-de-libertacao-do-grevista-de-fome-yinnis-michalidis/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/06/20/grecia-assumindo-a-responsabilidade-pelo-incendio-a-veiculos-de-luxo-em-kaisariani/

agência de notícias anarquistas-ana

A neve cai mais forte
quando me detenho
de noite na estrada.

Kito

[Grécia] Tessalônica: assumindo responsabilidades

O Estado, esgotando sua capacidade reivindicativa, empurra o grevista de fome a uma luta de vida ou morte, uma luta pela liberdade ou a submissão. Os jogos do Ministério de Propaganda e do Conselho Judicial de Amfissa, que pela enésima vez rechaçaram a petição de liberdade provisória do companheiro, demonstram claramente que sua “correção” contra os inimigos declarados do Estado e do capital é o extermínio e a tortura.

Nós, por nossa parte, estamos do lado da dignidade e da liberdade frente ao mundo da opressão, do encarceramento e do poder. Assumimos a responsabilidade como uma mínima mostra de solidariedade com a luta de nosso companheiro e no contexto do dia internacional de ação pelo incêndio de um caixa eletrônico do Eurobank em Agios Pavlos, Tessalônica, na madrugada de sexta feira 24/6.

LIBERTAÇÃO PARA O ANARQUISTA EM GREVE DE FOME YINNIS MICHALIDIS

NINGUÉM SÓ NAS MÃOS DO ESTADO

Anarquistas

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619491/

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agência de notícias anarquistas-ana

O espantalho –
na minha infância
primeiro amigo

Stefan Theodoru

[Espanha] Concentração em Jerez: Não mais mortes na Fronteira, a de Melilla foi um crime

Os trágicos acontecimentos de 24 de junho de 2022 na fronteira entre Nador e Melilla, nos quais morreram 27 pessoas, nos recordam de maneira traumática o fracasso total das políticas migratórias de Marrocos, Espanha e da União Europeia. A externalização das fronteiras e o gasto desmesurado em segurança e militarização NÃO FUNCIONAM.

A violenta atuação policial de um lado e de outro da cerca provocou, até o momento, 27 vítimas mortais confirmadas e centenas de feridos. Sem dúvida, a tentativa de entrada mais sangrenta dos últimos anos, com uma implementação inusitada de violência policial (tanto da Gendarmeria marroquina como da Guarda Civil espanhola) que nos faz pensar em um autêntico massacre ou matança, que se confirmará se uma investigação independente consegue avançar.

Ontem, sábado (25/06), nos unimos desde a CNT Jerez à convocatória da Rede de Apoio a Imigrantes “Dimbali” com o lema “Não mais mortes na Fronteira Sul”, com a intenção de recordar as vítimas deste massacre e de exigir responsabilidades ao Governo espanhol, Reino de Marrocos e UE, além do cumprimento dos direitos humanos.

Fazemos um chamado ao resto dos sindicatos da CNT a mobilizar-se pelos direitos de nossos irmãos migrantes e a denunciar este flagrante caso de violência policial contra nossos irmãos da África que só tentam buscar a vida.

Migrar é um direito!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/concentracion-en-jerez-no-mas-muertes-en-la-frontera-lo-de-melilla-ha-sido-un-crimen/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o monte liso
contra o céu uma só árvore.
Gesto de vitória!

Alexei Bueno

[Espanha] Consequências do militarismo e da guerra

O militarismo e a guerra levam à tortura sistemática e ao assassinato de milhares de civis, à fuga de milhares de pessoas, ao desenraizamento social, ao racismo, à repressão e ao repúdio por parte da população do país que recebe os refugiados. Significa a destruição sistemática do patrimônio histórico e artístico e a destruição dos ambientes naturais, da flora e da fauna. Envolve a morte de centenas de milhares de combatentes do lado beligerante, em sua maioria filhos de trabalhadores e pessoas pobres com poucos recursos, cuja entrada no exército lhes permite escapar da miséria e transformá-los em bucha de canhão.

Militarismo e guerra significam que a indústria de armamento lucra com o armamento dos lados beligerantes. Eles significam que as empresas, empresários e outros gerentes dos quais dependem ganham bilhões de euros fornecendo material de guerra tanto para estados beligerantes quanto para outros estados e alianças militares. Eles envolvem os lobbies da indústria de armas gastando dinheiro para conseguir poder político para legislar em seu benefício.

Militarismo e guerra significam priorizar o financiamento para pesquisa e desenvolvimento de tecnologia aplicada à guerra e à morte, em detrimento de outras pesquisas científicas que possam ter como objetivo a erradicação de doenças, autogestão energética, compreensão e proteção dos ecossistemas do planeta, ou pesquisa social para o benefício material da sociedade como um todo, etc.

O militarismo e a guerra significam que os Estados aumentam os gastos com armamentos em detrimento dos gastos com bem-estar social, saúde e educação. Eles são um ataque frontal à sua ideia do “estado social”, levam ao aumento da precariedade e à incapacidade do estado de atender às necessidades das pessoas. Eles implicam na privatização e elitização de serviços básicos em benefício dos lobbies privados na saúde e educação, e o consequente aumento da agitação social. Eles envolvem a restrição de direitos e liberdades, a afiação do autoritarismo pelos mecanismos coercitivos do Estado (exército e polícia) e o exercício do medo e da repressão.

Militarismo e guerra significam preços mais altos para commodities e energia e, portanto, custos de vida mais altos. Eles significam que somos nós trabalhadores que teremos que pagar mais por menos, que o poder econômico nos espremerá ainda mais para que não sejam afetados, e que a desigualdade aumentará e se aprofundará. Eles significam alimentar o medo do poço sem fundo da exclusão social, a fim de manter os trabalhadores submissos e silenciosos.

Militarismo e guerra significam a destruição sistemática de comunidades e sociedades, e de sua riqueza cultural e social. Significam estender a hegemonia globalizante do capitalismo, roubando e comercializando as terras e os recursos naturais dessas comunidades, forçando-as a permanecer desenraizadas, a fazer parte das engrenagens do capitalismo, tanto como mão-de-obra barata quanto como carne de canhão nas guerras e conflitos armados.

É por isso que os anarquistas defendem a desmilitarização e a dissolução dos exércitos. Acreditamos na prática da solidariedade e o apoio mútuo com todos aqueles que são explorados e despossuídos, e em uma sociedade horizontal de livre federação de produtores e consumidores baseada no trabalho associado e cooperativo. É por isso que denunciamos as barbaridades causadas pelas fronteiras, os Estados, os poderes econômicos e políticos, e as guerras que tanto os beneficiam.

Nem OTAN, nem imperialismo estadunidense ou russo

Contra a indústria da guerra e da morte

Contra a paz social, pela solidariedade e apoio mútuo entre todos os trabalhadores.

Grupo Tierra

Fonte: https://federacionanarquistaiberica.wordpress.com/2022/06/20/consecuencias-del-militarismo-y-la-guerra/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença

Paulo Leminski