[EUA] Uma excelente notícia!

Companheiros, segundo a reportagem sobre a audiência de Mumia Abu-Jamal hoje 16 de dezembro, ele ganhou! Não é uma vitória total. Quer dizer, não sairá livre agora, mas é um importante passo adiante.

Desde cedo, ao redor de 100 compas da Filadélfia, Nova York e Nova Jersey se manifestaram sob a chuva na rua, enquanto outros entraram no tribunal. Houve muitos gritos celebrando a chegada à casa de Mutulu Shakur¹ e claro outros gritos e chamados pela liberdade de Mumia.

Como vocês recordarão, a Juíza Lucrecia Clemons havia indicado que iria ratificar sua decisão anterior contra uma audiência probatória para Mumia. Mas isto não aconteceu.

Depois da audiência, Johanna Fernández reportou às pessoas mobilizadas que a juíza não havia tomado uma decisão, o que devemos considerar uma vitória.

Por outro lado, a juíza deu aos advogados de Mumia de 60 a 90 dias para apresentar mais evidências a seu favor. Eles já haviam reportado a compra de testemunhas chaves como o taxista Robert Chobert e a trabalhadora sexual Cynthia White, como verificado nas 6 caixas de evidências encontradas em um armazém da Promotoria. Nesta audiência de hoje anotaram a presença de Kenneth Freeman no carro de Billy Cook, irmão de Mumia. Se supõe que Freeman era a pessoa que assassinou o policial Faulkner.

Uma segunda vitória, diz Johanna Fernandez, é a autorização pela juíza da revisão pela equipe de Mumia de outras 30 caixas de evidências também encontradas na Promotoria.

Em particular, interessa a Clemons as violações do caso Brady, a ocultação de evidências que poderiam ser provas de inocência, e do caso Batson, sobre a discriminação na seleção do jurado.

Se supõe que um fator que influiu na mudança de opinião da juíza poderia ter sido o Escrito Amicus recém apresentado que enfatizou o clima de racismo na Filadélfia no momento da detenção e julgamento de Mumia.

Quem seguiu seu caso durante muitos anos sabe da supremacia branca do juiz Albert Sabo, que disse a um colega, “Eu vou ajudá-los a fritar o negro” (usando a palavra mais depreciativa possível). Também se sabe que aquela madrugada de 9 de dezembro de 1981, Mumia recebeu uma bala no estômago e foi golpeado e pisoteado quase até a morte em um claro caso da violência policial.

Ao escutar a informação sobre as decisões da juíza, as e os compas na rua resolveram trabalhar mais duro que nunca pela liberdade de Mumia nos meses que vem. Sob uma chuva cada vez mais forte marcharam 10 quadras em resposta ao imperativo vocalizado por Gabe Bryant: organizar, fazer estratégias, galvanizar e agitar para que Mumia e todos os presos políticos saiam livres. Gritaram os nomes de Kamau Sadiki, Veronza Bowers, Imam Jamil Al-Amin, Ed Poindexter, Leonard Peltier, Ruchell Magee e Jo-Jo Bowen!

Liberdade PARA MUMIA ABU-JAMAL E TODOS OS PRESOS POLÍTICOS AGORA!

Fonte: https://amigosdemumiamx.wordpress.com/?fbclid=IwAR3E8m_jiKina-LygIFxEPr_DvIKWqhWurofQal3N1aCHEyBwKvyNs4mqD4

Tradução > Sol de Abril

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Ventos nos umbrais
janelas antigas,
modernos varais.

Sandra Maria de Sousa Pereira

[Itália] Declaração de Alfredo Cospito: “Eu não o aceito e não vou desistir”

A seguir, declaração de Alfredo Cospito¹ na audiência de recurso para o recalculo das sentenças no âmbito do julgamento de Scripta Manent (Turim, 5 de dezembro de 2022).

Vou ler apenas quatro linhas. Antes de cair definitivamente no esquecimento sob o regime de 41 bis, deixem-me dizer algumas coisas e depois me calarei para sempre. O sistema judicial da república italiana decidiu que, sendo muito subversivo, eu não poderia mais ter a possibilidade de ver as estrelas novamente, a liberdade. Enterrado definitivamente com prisão perpétua, que não tenho dúvidas que me darão, com a absurda acusação de ter cometido um “massacre político”, por dois ataques de denúncia no meio da noite, em locais desertos, que não deviam e não podiam ferir ou matar ninguém e que de fato não feriram nem mataram ninguém. Não satisfeitos, para além da prisão perpétua sem benefícios, visto que desde a prisão continuei a escrever e a colaborar na imprensa anarquista, foi decidido calar-me para sempre com a mordaça medieval do 41 bis, condenando-me a um limbo sem fim à espera da morte. Eu não o aceito e não vou desistir, e continuarei a minha greve de fome pela abolição do 41 bis e da prisão perpétua até ao meu último suspiro, para tornar conhecidas ao mundo essas duas abominações repressivas deste país. Somos 750 neste regime e também por isso luto. Ao meu lado estão os meus irmãos e as minhas irmãs anarquistas e revolucionárias. Estou habituado à censura e às cortinas de fumaça midiáticas, estas últimas com o único propósito de transformar em monstros qualquer adversário radical e revolucionário.

Abolição do regime de 41 bis.

Abolição da prisão perpétua.

Solidariedade com todos os prisioneiros anarquistas, comunistas e revolucionários do mundo.

Sempre pela anarquia,

Alfredo Cospito

[1] Alfredo encontra-se em greve de fome desde 20 de Outubro resistindo à aplicação do regime 41 bis ao qual a justiça italiana o quer submeter.

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dou de comer ao gato:
o ronrom
estridula sem cessar

Ross Clark

[Chile] Histórias de Natal

Era dezembro de 1940 em Santiago do Chile e os trabalhadores de diversas empresas construtoras se mantinham em greve, se aproximava o fim do ano e a pobreza era grande.

Naquele contexto, o 24, a poucas horas da noite feliz, três indivíduos corretamente vestidos entram com armas de fogo na filial da Av. Brasil da Caja Nacional de Ahorro, em menos de três minutos acessam os cofres, levando grande quantidade de dinheiro que se encontrava armazenada para as festas de fim de ano.

Em 5 de fevereiro de 1941, quatro pessoas são detidas em Valparaíso, os três assaltantes mais o chofer, após serem torturados reconhecem serem os assaltantes da Caja Nacional de Ahorro, mas indicam que o dinheiro o gastaram em bordéis e jogos, a polícia não acredita, já que os conhece de antes e continua torturando-os, até que finalmente se sabe que todo o dinheiro do roubo foi entregue às famílias dos grevistas da construção, para que pudessem se manter durante as festas e os primeiros meses de 1941. O dinheiro nunca foi encontrado, portanto ao não existirem provas, após semanas, todos foram postos em liberdade.

Os assaltantes eram:

– Jorge Agustín Ramírez, integrante da Federación Juvenil Libertaria e impulsionador da greve das imprensas de fevereiro de 1940.

– Jorge Ramírez da Barra, obreiro filiado à Unión de Resistencia de Estucadores (URE) e colunista do jornal anarquista “La Palabra y La Protesta”.

– Antonio Pávez Gomes, sapateiro e militante anarcossindicalista, orador em algumas atividades.

– Hugo Darquín Hernández, chofer durante o assalto, não apresenta filiação política nem sindical.

Fonte: Nuevas Crónicas anarquistas de la subversión olvidada, de Óscar Ortiz

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manhã de vento
na caixa do correio
apenas uma folha seca

João Angelo Salvadori

Não existe oposição institucional ao fascismo: Análises sobre a escalada da violência da extrema-direita no Brasil

Na noite de 12 de dezembro, a violência da base bolsonarista de rua avançou mais um passo em sua radicalização. Uma Delegacia e a sede da Polícia Federal foram atacadas, cinco ônibus e três carros foram incendiados em Brasília como resposta à prisão de um indígena pastor evangélico e bolsonarista acusado de organizar os atos golpistas, praticar ameaças e promover ataques ao Estado Democrático de Direito. O homem que se intitula “líder indígena” mesmo sem o reconhecimento dos povos da sua etnia, teve a prisão decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Quando esses grupos neofascistas começam a adotar táticas de luta radicalizada sem qualquer oposição das polícias, é preciso refletir sobre o futuro dos conflitos políticos por vir. E repensar – mais uma vez – o papel da esquerda radical diante dos avanços do fascismo de rua.

***

No início, a maioria dos atos dos autoproclamados “cidadãos de bem” contestando o resultado das eleições para presidente foram diurnos e compostos por homens, mulheres, idosos e, muitas vezes, crianças para dar um ar de “família” e justificar a falta de ação violenta da polícia que ataca protestos e bloqueios de movimentos de esquerda com ou sem crianças. Já nessa época, alertamos sobre o risco de atribuir falsa legitimidade a certas ações ao tratar como “insurreição popular” os atos bolsonaristas por intervenção militar e anulação das eleições patrocinados por empresários do agronegócio e das indústrias.

Agora, quando ações violentas como linchamentos e até sequestros e torturas se tornam parte do seu repertório de ação, um novo perfil majoritariamente masculino, radicalizado, noturno e disposto ao confronto aberto está se consolidando, segue sem oposição dos movimentos de esquerda e com o apoio quase integral das forças de segurança. É preciso compreender que o fascismo sem oposição nas ruas crescerá como um motim cada vez mais violento.

A esquerda petista, a mídia e alguns juristas acreditam que basta chamar o que está acontecendo de terrorismo e tratar com prisões e penas duras seus participantes. Tal iniciativa é parte do processo pacificador que professa a fé nas leis e nas instituições que nada fizeram até agora para barrar de fato tais ações e deixaram as ruas livres para o fascismo. Como resultado, a imagem de ônibus em chamas, antes o símbolo da luta contra a repressão do estado e a exploração capitalista, vista nos atos contra aumento da tarifa, contra a Copa da FIFA ou contra ações da polícia nas periferias, agora está prestes a se tornar o retrato do “terrorismo de direita”. E o papel de “defensor da lei e da ordem” passa a ser adotado pela esquerda legalista e institucional que em breve estará sob a tutela de um novo governo petista.

De fato, os confrontos do dia 12 mostram que essa direita está disposta a “não deixar ninguém” pra trás e lutar pela libertação de um dos seus integrantes. A Secretaria de Segurança do DF (governo alinhado ao Bolsonaro) alegou não ter efetuado nenhuma prisão para assim “reduzir danos e evitar uma escalada ainda maior nos ânimos”, atestando a eficiência da organização do protesto radicalizado. Dá a impressão até de que seu sucesso confirmaria a tese insurrecional de que “a força de uma insurreição é social, não militar”. Mas é bom lembrar que a motivação e os interesses dessa base radicalizada do bolsonarismo não são populares, isto é, originada dos debaixo: são os mesmos do presidente derrotado, sua família e sua rede de políticos eleitos para cargos no legislativo; além, é claro, do “partido militar” informal responsável pela eleição do representante do seu projeto de poder em 2018.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://faccaoficticia.noblogs.org/post/2022/12/17/nao-existe-oposicao-institucional-ao-fascismo/

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A serra em chuva
Sob o sol poente –
Como não agradecer?

Paulo Franchetti

Comunicado Sobre Nossa Saída da CAB

Comunicamos que, depois de um longo processo de discussão – que envolveu toda a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) e a Coordenação Anarquista Latino-Americana (CALA) –, a Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL, de São Paulo), a Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), a Rusga Libertária (RL, de Mato Grosso) e o Coletivo Mineiro Popular Anarquista (COMPA, de Minas Gerais) tomaram a decisão de sair da CAB.

Apesar de estar se dando de modo respeitoso, essa separação reflete diferenças políticas significativas e visões que, neste momento, consideramos inconciliáveis. O motivo central de nossa saída tem a ver com o balanço que fazemos dos últimos anos da CAB e, também, dos caminhos que entendemos serem necessários para o próximo período de desenvolvimento das lutas sociais e do anarquismo organizado brasileiro. Entendemos que, enfim, é hora de superar o status de coordenação e fundar uma organização política anarquista nacional.

O especifismo brasileiro sempre teve como projeto a fundação de uma organização nacional. A primeira tentativa foi a Organização Socialista Libertária (OSL), que funcionou entre 1997 e 2000. Contudo, não deu certo, já que foi construída de maneira apressada e sem a devida maturidade dos estados e sua militância. A maior conquista desse primeiro processo foi o impulsionamento das experiências estaduais da Resistência Popular (RP), iniciadas em 1999. Foi a partir delas que voltamos a reinvestir no processo político e organizativo, dessa vez, com muito mais calma, fundando, em 2002, o Fórum do Anarquismo Organizado (FAO). Abrimos mão daquela unidade pretendida na OSL e passamos a reunir indivíduos, grupos e organizações em torno apenas do acordo com dois eixos: necessidade de organização e necessidade de trabalho social (de massas).

Como em qualquer processo de construção política, ocorreram os momentos de desacordos, tensões, conflitos e cisões internas. Com a saída da atual União Popular Anarquista (UNIPA) e o fim do Luta Libertária (LL) / Organização Socialista Libertária de São Paulo (OSL-SP), o FAO começou a se renovar internamente a partir de 2009, com a reaproximação da FARJ e de um conjunto de organizações estaduais que haviam se formado sob sua influência e até mesmo com a presença de seus militantes. Todas as organizações dessa rede ingressaram no FAO a partir de 2009; as iniciativas estaduais mais consolidadas (RJ, SP, CE, PR, SC) e outras que iniciavam sua articulação (MG, PE, uma nova reconstrução na BA, entre outros). Nesse processo todo, até a junção com os novos estados consolidados e em articulação, foram muito importantes alguns estados que estiveram (primeira formação na BA e uma articulação em GO) e outros que permaneceram no FAO (especialmente RS, AL e MT), os quais desempenharam protagonismo. Essa fusão permitiu os grandes avanços que culminaram na fundação da CAB, em 2012.

A proposta, naquela ocasião, era dar um passo rumo à organização nacional. Saíamos da organicidade de um fórum (espaço para troca de informes e realização de tarefas em comum) para uma coordenação (articulação nacional de organizações estaduais). Nessa nova etapa, estabelecemos que construiríamos uma organização nacional no médio prazo para fortalecer a luta ideológica e social no Brasil. Queríamos ir unificando as concepções e os processos para, em médio prazo, formar uma organização política anarquista nacional. Essa necessidade de unificação era um desafio complexo, pois o FAO e a rede que se construiu em torno da FARJ remetiam à lógica dos “grupos orgânicos”, proposta no documento “Luta e Organização”, de 1996. Havia, naquele momento, uma pluralidade de concepções e realidades, que fomos homogeneizando a partir de 2009, num movimento que teve continuidade ao longo dos primeiros anos da CAB. Ainda que todos os estados defendessem o especifismo e suas linhas gerais, haviam muitos outros aspectos que necessitavam ser homogeneizados, tanto em termos ideológicos e teóricos, quanto em termos estratégicos e programáticos.

Conseguíamos, até aquele momento, caminhar em nosso projeto, aprofundar a organicidade e os trabalhos sociais, mantendo esse horizonte de uma organização nacional que vinha sendo construída. Diversos aspectos estavam se desenvolvendo e avançando, ainda que parcialmente, na direção da mencionada unidade nacional, consolidando uma nova etapa do nosso projeto organizativo.

Entretanto, há aproximadamente quatro anos, nossas organizações passaram a ver esse movimento de maneira mais crítica, algo que foi se aprofundando e chegou a seu ápice no II CONCAB, de 2021, sediado em São Paulo. Nossa maior crítica é que, de maneira geral, os avanços da CAB haviam se interrompido e estavam se fortalecendo, na coordenação, aquilo que chamamos de “caminhos inconciliáveis” – nos termos que intitularam o próprio documento que iniciou a desvinculação de nossa Regional da CAB – para entender teoricamente o anarquismo e colocá-lo em prática.

As críticas que fizemos à CAB foram diversas, e formalizadas nesse documento. Não é nosso intuito retomar o que foi ali colocado. Basta apontar que o aspecto central de nossa crítica é que, em nossa região (Sudeste/Centro-Oeste), já estávamos funcionando como uma organização política regional, unificando processos, concepções, linhas etc. Entendíamos ser necessário seguir para a nacionalização, conformando, enfim, a organização nacional que estava em nosso projeto, desde 2012. No entanto, para que isso fosse possível, era necessário solucionar o problema dos “caminhos inconciliáveis” que existiam dentro da CAB, os quais passavam por três grandes aspectos: 1.) Concepção de organização política anarquista; 2.) Linha e prática política; 3.) Linha teórica e ideológica. É importante colocar que, para nós, essas críticas também foram apontadas como autocríticas, já que estávamos participando do processo organizativo, tínhamos também responsabilidade nos problemas que apontávamos.

Contudo, em nossa avaliação – que tinha como base todos os debates dos últimos anos nas mais diferentes instâncias da CAB –, haveria grandes divergências às nossas críticas e proposições. Reconhecendo que a CAB tinha cumprido um papel importante para a construção organizativa nacional do anarquismo e que existiam posições distintas, com diferentes gradações, sobre os diferentes pontos que mencionávamos, compreendemos que talvez o melhor caminho fosse dar fim à própria CAB, reconhecendo seu esgotamento como ferramenta. Então, aqueles/as que quisessem avançar em termos organizativos (como na nossa proposta) fariam isso, e aqueles/as que não quisessem conformariam um outro fórum ou coordenação.

Ocorreram intensas discussões e diferentes respostas para nosso documento. No entanto, de modo geral, as demais organizações alinharam-se no sentido de discordar que a dissolução da CAB seria a melhor alternativa. Recusaram, portanto, a proposta de nossas organizações. Nossa militância, sem perspectivas de resolução dos problemas apontados, e evitando acirrar os conflitos, decidiu deixar a CAB. Informamos, nesta ocasião, que pretendemos nos constituir, logo em breve, como organização política anarquista e avançar para a nacionalização.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.anarkismo.net/article/32699

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lavrando o campo:
do templo aos cumes
o canto do galo

Buson

[Espanha] “Lançamento: Casilda revolucionaria | Un cómic sobre la vida de Casilda Hernáez”, de Rubén Uceda

Casilda Hernáez foi uma revolucionária basca e libertária, uma mulher de um fogo que não se apaga, uma lutadora que não perdeu a capacidade de sonhar.

Estas páginas nos contam boa parte de suas vivências e sentimentos atravessando uma das épocas mais convulsas e fascinantes do século passado.

Dito com suas próprias palavras:

Naqueles tempos o mais sublime que se podia ser era obreira internacionalista, era algo que saía do medíocre, um sentimento superior“.

>> Vídeo promocional:

https://www.youtube.com/watch?v=6Eke8K3HR6c

Casilda revolucionaria | Un cómic sobre la vida de Casilda Hernáez

Rubén Uceda

Número de páginas: 50

12,00€

www.todostuslibros.com

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na folha orvalhada,
gota engole gota,
engorda, desliza e cai

Alaor Chaves

Novo vídeo: Princípio da autoridade – Visão Libertária

Neste vídeo quis pegar como base o texto O Paradigma Anarquista na Educação, do professor Silvio Gallo, no qual o autor aborda um conceito a meu ver bem potente para os libertários pensarem a questão da autoridade absoluta na educação.

Silvio não está preocupado em levar a liberdade para um ambiente autoritário e sim partir do princípio da autoridade para ir em direção à liberdade – no qual a destituição da tirania fosse ocorrendo paulatinamente.

Diante disso traço um paralelo com uma observação que fiz em um espaço que estive presente em João Pessoa (Paraíba).

Dentro de uma sociedade altamente hierarquizada e cada vez mais controlada por mecanismos de controle, pensar este princípio da autoridade, sugere um caminho e um terreno muito fértil para pensarmos as nossas liberdades.

>> Veja o vídeo aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=jOywhl4HS-8

>> Apoie, divulgue e colabore com o projeto À Margem

• Ajude o projeto À Margem a se manter firme e forte. Escrever, propor, demanda esforço, dedicação, estudos e tempo.
• Contribua com o pensamento À Margem através do financiamento coletivo: apoia.se/amargemcanal
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ou paypal: margeando.canal@gmail.com
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No olho das ruínas
as íris dos vaga-lumes
sob as tranças de ervas.

Alexei Bueno

[Uruguai] Intervenção e panfletagem na embaixada Italiana de Montevidéu

Na calorosa tarde do domingo 4 de dezembro, intervimos no espaço da embaixada Italiana, situada em um dos bairros mais glamorosos da capital uruguaia; ao mesmo tempo e nas proximidade enchemos de panfletos a praça denominada ¨Leon Tolstoi¨. O lema é claro, liberar o companheiro Cospito do regime torturador e fascista chamado ¨41 BIS¨. No momento da intervenção diferentes vizinhos se mostravam surpreendidos pelo inusitado movimento em um bairro acostumado à paz e tranquilidade que lhes brinda a patrulha contínua e a exagerada quantidade de câmaras de vigilância em cada esquina.

À distância fazemos chegar nossas forças a todos os companheiros na prisão que põem o corpo inquebrantável frente a estas adversidades.

Na Itália, França, Chile, Rojava e todo o mundo… QUE VIVA A ANARQUIA!! ABAIXO AS PRISÕES!!

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As flores na árvore
Esperam de branco
O fruto

Eugénia Tabosa

[Irã] Em memória do companheiro Aref Ghanbarzai, de 15 anos, membro da Federação Anarquista ERA

Aref Ghanbarzai (Ghanbarzehi), era um membro de nossa organização que tinha 15 anos de idade e vivia na cidade de Zahedan, no sudeste do Irã. Foi assassinado por duas balas do regime fascista por resistir à prisão, com as mãos vazias, em seu degradado bairro marginal em 22 de setembro de 2022.

Aref era um militante anarco-egoísta e jovem trabalhador que se dedicou a aprender a ler e escrever em idioma persa. Mostrou grande interesse pelos temas políticos contemporâneos e a história da filosofia em nossas tertúlias.

Não temos uma foto de nosso companheiro, porque estava sem documento de identidade como muitas outras pessoas de Baluchistán.

SEMPRE RECORDAREMOS TUA ORGULHOSA LUTA!

A União Anarco-Egoísta de Sistán e Baluchistán, parte das auto-organizações dentro da Federação Anarquista ERA

Páginas de redes sociais da Federação Anarquista ERA:

https://asranarshism.com/1401/08/25/aref-ghanbarzai-1/

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Não tenho certeza,
mas acho que os grilos gostam
da minha janela.

Humberto del Maestro

 

[Peru] “Um novo crime foi perpetrado”

Um novo crime foi perpetrado e não exatamente contra Pedro Castillo. As vítimas, é claro, são sempre as pessoas comuns, iludidas, que acreditam nos políticos. É bem conhecido que a burguesia peruana é a mais rançosa e racista deste lado do hemisfério. Neste sentido, o supremo desprezo pelos camponeses e pelos pobres remonta a um longo caminho. Mas não vamos ser historiadores. O que temos que fazer como ANARQUISTAS é expressar nossa posição política nesta conjuntura social que tem suas nuances, mas que é uma constante em tempos recentes.

Mas antes, vamos dar uma breve olhada para trás. Pedro Castillo, o ex-presidente, vem das pedreiras do Sutep, o sindicato reformista dos professores, um dos poucos existentes na região. Um homem do campo e um professor rural, ele veio à tona como líder nacional na greve dos professores de 2017 e depois concorreu à presidência do Peru em 2021. Desde o início de seu mandato, Pedro Castillo foi alvo de um ataque sistemático da direita como um todo e de seus jornalistas mercenários, razão pela qual se sabia que seus dias como presidente estavam contados. Foi argumentado que ele era inadequado para um cargo tão alto. Keiko Fujimori, representante da burguesia cavernosa e eterna perdedora das eleições, saiu com toda sua bateria política e midiática para “denunciar” a fraude eleitoral. Encurralada pelas múltiplas acusações contra ela por corrupção, ela jogou todas as suas cartas ao anular as eleições. Era a terceira vez que o governo escorregara por entre seus dedos. Com seu pai cumprindo pena por crimes contra a humanidade e corrupção, a filha do Ditador minou as chances de Pedro Castillo. Ela fez o mesmo quando teve uma grande maioria no Congresso contra o lobista corrupto Pedro Pablo Kuczynski em 2016 e Martín Vizcarra, seu sucessor.

Por outro lado, o país vive em extrema pobreza, que já dura décadas, com um salário mínimo de apenas 1.025 soles (U$ 260), os preços das necessidades básicas e dos alimentos que passam pelo telhado, além de pagar os preços mais caros do gás e dos combustíveis na região, sendo o Peru um país exportador. Além disso, com corrupção generalizada em todos os níveis do Estado. Com juízes e promotores de justiça como criminosos promovidos pelo poder político e econômico. Com horas de trabalho superiores a 10 e 12 horas. A população está simplesmente farta dos políticos. Embora este cenário seja favorável aos políticos e oportunistas para venderem suas panacéias democráticas.

Castillo como político era ingênuo e desajeitado, uma presa do jogo sujo da política e da traição suja da “esquerda”, mas sobretudo de sua própria política marcada pelo interesse pessoal e partidário. Como anarquistas, vemos esses eventos (o que eles chamam de “golpe de Estado” ou “autogolpe”) como um movimento do poder real que eles querem salvaguardar: o poder econômico; todo aquele dinheiro podre e classe empresarial que tenta manter tudo igual para preservar e ampliar seus interesses contra qualquer governo e, acima de tudo, contra um “governo de esquerda”. Sabemos muito bem que a sucessora Dina Boluarte agora representa claramente, como o outro “esquerdista” Ollanta Humala e o próprio Castillo, os interesses de seus mestres. Porque não há nada de revolucionário na esquerda, pois eles só visam o Estado como despojo de suas ambições pessoais e partidárias. Políticos, afinal de contas, que não hesitarão em matar quando estiverem no poder, porque esta é a “política” que os define: subir ao poder e depois ser funcionais ao sistema que os alimenta.

Como revolucionários e anarquistas, fazemos um chamado geral a todos aqueles que querem se opor a este sistema nefasto que cria estes políticos e estes compromissos, estabeleçamos uma verdadeira dissidência contra estes políticos que já estão começando novamente a silenciar manifestações com balas e bombas. Vamos nos unir, comunidades, organizações, indivíduos, trabalhadores e pessoas em geral, para canalizar a verdadeira luta contra o capital e o Estado. Contra todos os políticos, esquerda ou direita, porque qualquer pessoa que assume o papel de político (independentemente da cor da pele ou do fundo) torna-se um parasita e um assassino miserável. Encorajemos a autonomia e a auto-organização diante deste panorama desprezível que tende a ocorrer repetidamente; mas, sobretudo, assumamos a rebelião como um ato contra toda injustiça, a fim de criar organizações sem a lógica do capitalismo.

Centro Social Anarquista Manuel Gonzalez Prada

Lima, 12 de dezembro.

Tradução > Liberto

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A velha mão
segue traçando versos
para o esquecimento.

Jorge Luis Borges

[Uruguai] Foi apresentado o arquivo da militante anarcofeminista María Eva Izquierdo.

“Primeiro, a Virgem Maria, depois Eva, a pecadora”. Terceiro, o sobrenome: Izquierdo. Às vezes os nomes determinam tudo, mesmo que pareça uma contradição à liberdade de María Eva Izquierdo, que não gosta de rótulos.

Vestindo uma camiseta vermelha com a inscrição violeta “Mujer linda es la que lucha” (“Uma bela mulher é aquela que luta”), enérgica, pequena e sinuosa, María Eva cumprimenta a todos que vêm ao El Terruño. Atenta a tudo o que acontece, protagonista e observadora ao mesmo tempo, ela está onde deveria estar, nem um minuto a mais e nem um minuto a menos.

“Toda vida verdadeira é um encontro”, lê um dos muitos sinais que marcam este espaço comunitário que vem operando ininterruptamente em Rincón del Pinar desde 2003. Foi fundado e é dirigido por María Eva Izquierdo e Osvaldo Escribano, que estão ligados ao anarquismo e, no caso de Izquierdo, também ao feminismo há décadas.

O encontro, que aconteceu no sábado passado 26, foi para apresentar o arquivo feminista de María Eva: uma compilação de documentos que ela fez ao longo de sua vida como militante tanto no Uruguai quanto na Argentina (onde ela se exilou durante a ditadura), além de documentos da América Latina em geral.

Os primeiros documentos datam de 1975, mas foi apenas há alguns anos que María Eva e o Grupo de Estudios sobre Trabajo, Izquierdas y Género (Getig) da Facultad de Humanidades da Universidade da República, formada por 11 historiadoras – e historiadores – que pesquisaram a classe trabalhadora no Uruguai e na região durante os séculos XIX e XX, ampliando sua perspectiva ao integrar também os movimentos de mulheres, LGBTI e organizações de bairro, entre outros, como parte inescapável da história da classe trabalhadora.

Durante um ano e meio, vários membros do Getig foram ao El Terruño para organizar seu arquivo com María Eva – entre as outras atividades do grupo.

Há um total de 890 peças documentais organizadas em 57 pastas, divididas em três grandes blocos: Uruguai, Argentina e América Latina. Estes documentos vão desde recortes de imprensa sobre atividades feministas (por exemplo, o chocante protesto nu contra a situação das mulheres afegãs sob o regime Talibã na Praça Libertad em 1999, concebido no Primeiro Encontro de Mulheres Anarquistas no Uruguai) até publicações feministas como La República de las Mujeres, que foi publicado de 1990 a 2007, assim como fotos, folhetos e listas de presença em reuniões. Quando o feminismo estava longe de atingir a “massa crítica” que é hoje na região, havia mulheres que, no entanto, se reuniam para conversar e trabalhar sobre questões que ainda hoje são agudas, como a divisão do trabalho, o acesso ao aborto, a sexualidade. Em seu favor, eles tinham apenas convicção e a recompensa de trabalhar coletivamente para o bem comum.

María Eva foi enfermeira e depois psicóloga social formada no Instituto Pichon-Rivière na Argentina; ali ela também fez parte de experiências revolucionárias como El Bancadero, uma mútua para ajuda psicológica, e uma habitante ativa da classe trabalhadora do bairro de Dock Sud.

Na anarquista Comunidad del Sur, da qual participou entre 1969 e 1974, ela encontrou pela primeira vez o modo de vida a que aspirava, um lugar onde os rígidos estereótipos de gênero que tinha encontrado até aquele momento eram apagados, e as coisas eram feitas de acordo com a capacidade: as mulheres podiam usar máquinas, os homens podiam cuidar das crianças. No entanto, “faltava ainda uma perna”, disse ela durante a atividade: consciência social da invisibilidade das mulheres (“descobri o que aconteceu com Olympe de Gouges graças às feministas, elas não o disseram nas aulas de história”), um interesse que finalmente se concretizou nos anos 80 em Dock Sud, quando as mulheres anarquistas se juntaram às feministas do grupo Tiempo de Mujer, que cresceu a partir de uma creche solidária. María Eva nunca parou, e até hoje, através de seu trabalho, ela mantém o que pensa: “Mudanças sociais importantes acontecem através de mudanças na vida cotidiana”.

A sindicalista têxtil María Julia Alcoba do Cerrado e a parteira e sexóloga Elvira Lutz, com suas longas carreiras e seus próprios arquivos, também estiveram presentes e compartilharam suas experiências. Quando perguntados se suas diferenças de abordagem haviam sido um obstáculo na busca de seus objetivos comuns, María Eva foi categórica: “Estamos em uma época de apagamento de rótulos. Como disse Erich Fromm, ou vamos em direção à vida ou vamos em direção à morte. Necrófilos e biófilos. Neste momento o planeta precisa de biófilos, e não me pergunte qual é a cor deles. Desde que você tenha uma ética, nós vamos juntos.

O arquivo de María Eva Izquierdo está disponível para consulta no espaço El Terruño, em Rincón del Pinar (Abayubá casi Artigas).

Fonte: https://ladiaria.com.uy/feminismos/articulo/2022/11/se-presento-el-archivo-de-la-militante-anarcofeminista-maria-eva-izquierdo/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Silêncio:
cigarras escutam
o canto das rochas

Matsuo Bashô

[Espanha] 16.800 € custa protestar contra a OTAN

A Delegação de Governo de Madrid pede 600 € a cada uma das 28 ativistas antimilitaristas que no passado 28 de junho de 2022 participaram em uma ação direta não violenta na sede da Escola de Guerra do Exército de Terra (Madrid), que converteram em Escola de Paz.

Um nutrido grupo de ativistas antimilitaristas e pacifistas de uma ampla faixa etária, envoltos em ameaçadores uniformes escolares, se reuniu para pintar lemas a favor da paz e contra a OTAN nesta instalação militar, estender duas faixas e realizar danças e cânticos infantis alusivos. Na ação direta, promovida por Desarma Madrid, participou gente vinda de diversas partes do Estado espanhol pertencentes à Alternativa Antimilitarista. MOC, Ecologistas em Ação, Mulheres de Negro contra a Guerra Madrid, Yayoflautas Madrid, CGT, BDS Madrid, Fridays For Future e CSOA La Enredadera. Esta inocente ação se fez coincidindo com a celebração da Cúpula da OTAN em Madrid.

Enquanto que o Ministério de Defesa renunciou a apresentar algum tipo de denúncia, é surpreendente que seja a Delegação de Governo de Madrid a que tome cartas no assunto e comece um processo sancionador por um suposto manchamento de bens imóveis de uso público. Surpreendem os motivos da sanção quando, em primeiro lugar, a fachada ficou muito mais bonita e amável do que era; em segundo, a instituição militar não considerou que a atuação das ativistas fosse digna de denúncia; e em terceiro lugar, a Municipalidade de Madrid se apressou em limpá-lo o que não se dá na limpeza viária diária. Escassas horas depois, estava tudo impoluto.

Durante os dias da Cúpula a cidade de Madrid se viu cercada por uma desmedida implementação de segurança para proteger os altos cargos de uma das instituições internacionais mais militarizadas, a OTAN. Isto é significativo do rechaço social que gera. Além  de supor um gasto para os cofres públicos desmedido, gasto que segue correndo graças às atuações legais que estão levando a cabo. Nos perguntamos se estas propostas de multa também respondem à intenção de preencher o buraco que este evento causou nos fundos do Estado.

A atuação da Delegação de Governo se insere no contexto atual de repressão do protesto, facilitada pela Lei Mordaça, que permite sancionar e perseguir protestos pacíficos como a levada a cabo na Escola de Guerra. Se sancionou indiscriminadamente 28 ativistas acusando-os na maior parte dos casos de supostos delitos que não cometeram.

Os militares dão um passo atrás, consciente de sua impopularidade, e as instituições civis se prestam a fazer o trabalho sujo. A Delegação de Governo se mancha com seu comportamento, não as ativistas. Enquanto a instituição castrense se esconde, as ativistas, desde suas posições não violentas e seguindo os princípios da desobediência civil, assumem as consequências de seus atos, mas não dos que não cometeram. Por isso, se comprometem a levar este processo tão longe quanto possível, com o apoio jurídico das companheiras de Legal Sol, conscientes de que as multas só tem por objeto a repressão e desalentar a outras ativistas de sair à rua a protestar.

Seguiremos protestando, porque o certo é que a guerra começa aqui¸ com sua preparação, o desmedido pressuposto militar e os recursos técnicos, tecnológicos e humanos destinados a sustentá-la, e aqui é onde a pararemos. Seguiremos nos encontrando nas ruas.

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/16-800-e-cuesta-protestar-contra-la-otan/

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/03/espanha-contra-a-cupula-da-otan/

agência de notícias anarquistas-ana

pássaro pousado
no espantalho
aposentado

Millôr Fernandes

Direitos indígenas: conquistas e lutas no Brasil

Mais que cinco séculos depois, tendo vivenciado um dos maiores genocídios conhecidos os povos indígenas seguem tendo suas vidas ceifadas ou sob ameaça. A união e ascensão ao governo de Estado pelos conservadores unidos aos fascistas no Brasil levou ao ataque diário fatal aos povos indígenas. Avançaram pelas caatingas, florestas, matas, pantanal, cerrado, pampas matando a flora e fauna, matando rios, mares e terras.

Com a eleição de 2022, após os resultados confirmando Lula como presidente eleito. Um nocaute de empresas de transporte fechou as rodovias do Brasil. Nas capitais do país, bolsonaristas correram para frente de quartéis exigindo anulação das eleições, intervenção e ditadura militar sob a direção de Bolsonaro.

Apesar de centenas de mortes, com o imperativo da vida, os povos indígenas resistiram e sobreviveram ao ataque do governo fascista de Bolsonaro. Hoje são 897 mil indígenas, 305 etnias e 274 línguas indígenas¹. A previsão é da população indígena alcançar, em 2022, aproximadamente Um Milhão e Quinhentos mil até Dois milhões.

Nesta transmissão contaremos com lutadores e lutadoras dos direitos indígenas pelas etnias:  Gavião, Fulkaxó, Guaitó, Guajajara, Tupinambá atuantes em aldeias nas cidades e nas florestas, caatingas, rios e mares pelo menos em três regiões do país nos seguintes Estados da Bahia, Brasília-DF, Maranhão, Rio de Janeiro, São Paulo.

A seguir nossos convidados e seus temas:

  • Ana Gavião – Território: invasão de madeireiros e caçadores.
  • José Urutau Guajajara – Defesa das terras, Territorialidade, Avanço da Monocultura de Soja-Eucalipto-Gado.
  • Arão da Providência – demarcações de terras, marco temporal.
  • Nankupé Tupinambá Fulkaxó – Literatura Indígena, Literatura Indígena e resistência.
  • Júlio Guaitó – Educação e escolariazação Indígena, pedagogia libertária, casa de reza, soberania alimentar.

ATENÇÃO

Data: domingo 18-12-2022 – Horário: 15h, hora de Brasília.

Realização: Liga Anarquista no Rio de Janeiro – Associada a IFA-Brasil

Apoio: Iniciativa Federalista Anarquista – Brasil / Associada a Internacional de Federações Anarquistas.

[1] https://educa.ibge.gov.br/criancas/brasil/nosso-povo/20507-indigenas.html

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A noite flutua
e as rosas dormem mimosas
aos beijos da lua.

Humberto del Maestro

[Espanha] Livro em solidariedade com Alfredo Cospito

“O rei está nu, o mestre pode e deve sangrar”. Compilação de textos.

Alfredo Cospito, companheiro anarquista preso, está em greve de fome desde 20 de outubro, lutando contra o 41 BIS, o regime em que é condenado a prisão perpétua. Vários companheiros e companheiras iniciaram greves de fome em solidariedade com ele. Não o deixe ser morto.

>> PARA OBTER CÓPIAS OU PARA FAZER CONTRIBUIÇÕES SOLIDÁRIAS ESCREVA PARA:

solidaritycospito ARROBA riseup.net

PREÇO: 10 EUROS.

Não me renderei a suas barras, uniformes e armas. Você sempre me terá como um inimigo inabalável e feroz. Eu não estou sozinho. Eu nunca estarei sozinho. Os anarquistas nunca estarão sozinhos. Milhares de projetos na cabeça, uma esperança no coração que continua a viver mais forte e sempre mais compartilhada“.

CONTRA O 41 BIS E A PRISÃO PERPÉTUA.

ATÉ ESTARMOS TODXS LIVRES.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/12/14/grecia-anarquistas-reivindicam-ataque-a-diplomata-italiana-em-atenas/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/11/25/chile-palavras-de-monica-caballero-em-solidariedade-com-alfredo-cospito/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/11/23/russia-solidariedade-com-alfredo-cospito-dos-anarquistas-de-irkutsk/

agência de notícias anarquistas-ana

Fiapos nos dentes
o rosto todo amarelo
É tempo de manga

Eunice Arruda

[Portugal] Acácio Tomás de Aquino (1899-1998): O testemunho anarquista da violência das prisões atlânticas do fascismo

Acácio Tomás de Aquino (Lisboa, Alcântara, 9 de Novembro de 1899 – Lisboa, 30 de Novembro de 1998), militou nas Juventudes Sindicalistas e depois na Confederação Geral do Trabalho, tendo colaborado também  no jornal “A Batalha” e participado na preparação do 18 de Janeiro de 1934. Preso e deportado primeiro para Angra do Heroísmo, esteve depois 13 anos no Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde.

Acácio Tomás de Aquino nasceu, em Lisboa, no bairro de Alcântara, a 9 de Novembro de 1899 e aí morreu a 30 de Novembro de 1998.  Exerceu várias profissões: operário da construção civil, trabalhador da Câmara Municipal de Lisboa, de 1918 a 1922, e ferroviário, de 1926 até à sua prisão, em 1933.

Foi militante anarco-sindicalista da Confederação-Geral do Trabalho, filiado nos Sindicatos dos Metalúrgicos, dos Trabalhadores do Município e da Construção Civil, entre 1919 e 1933.Foi, ainda, secretário da Federação dos Sindicatos da Construção Civil e da Confederação Geral do Trabalho.

Foi colaborador da imprensa operária e sindical, nos jornais A Batalha e O Construtor. Membro do comité da CGT organizador da greve geral de 18 de Janeiro de 1934, foi preso a 11 de Dezembro de 1933, sob acusação de ter entregue bombas a outro activista na Estação do Rossio, estando, por isso preso quando se deu a greve geral .

Foi condenado a 12 anos de degredo em prisão, pelo Tribunal Militar Especial, no dia 9 de Março de 1934. A 8 de Setembro desse ano seguiu primeiro para Angra do Heroísmo, sendo transferido para o Tarrafal, Cabo Verde, a 23 de Outubro de 1936. Teve um papel preponderante na Organização Libertária Prisional, que agrupava os presos libertários que se encontravam no Tarrafal. Regressou a Portugal a 10 de Novembro de 1949, mas só alcançou a liberdade total, a 22 de Novembro de 1952.

Depois do 25 de Abril de 1974, colaborou com diversas organizações e jornais libertários, sobretudo no jornal A Batalha, que ajudou a renascer, e publica um dos livros mais importantes sobre a vivência dos presos quer em Angra do Heroísmo, quer no Tarrafal, com inúmeros documentos daquela época “O Segredo das Prisões Atlânticas, em que relata também as divergências entre os anarquistas e os comunistas, transcrevendo correspondência entre a Organização Comunista Prisional e a Organização Libertária Prisional, em que critica os comunistas, nomeadamente, Bento Gonçalves, Secretário- geral do Partido Comunista Português, entre outros, acusando-os de colaboracionismo.

Pertenceu à cooperativa editora de A Batalha, ao Centro de Estudos Libertários, ao Grupo Fanal, federado na FARP, e também à URAP, a União dos Resistentes Antifascistas Portugueses, colaborando empenhadamente na trasladação para Portugal dos restos mortais dos antifascistas portugueses mortos no Tarrafal.

No 1º de Maio de 1974 desfilou com o seu companheiro, também ex-militante da CGT,  José Francisco, na Avenida Almirante Reis, na primeira grande manifestação após o 25 de Abril, erguendo a bandeira da Secção de Belém do Sindicato Único Metalúrgico, vermelha listada-a-preto, que tinha guardada e escondida durante todos aqueles anos. Aos dois companheiros, Acácio Tomás de Aquino e José Fransciiso, rapidamente se juntaram dezenas de companheiros nessa primeira e imponente manifestação do 1º de Maio,

Para além de ” O Segredo das Prisões Atlânticas, Lisboa, A Regra do Jogo, 1978″, colaborou também no livro colectivo “O 18 de Janeiro e Alguns Antecedentes, Lisboa, A Regra do Jogo, 1978”, repondo a verdade história sobre a greve geral contra a fascização dos sindicatos.

Ver: “Quatro Itinerários Anarquistas – Botelho, Quintal, Santana e Aquino -, de João Freire, edições A Batalha, 2019.

Fonte: https://memorialibertaria.blogs.sapo.pt/acacio-tomas-de-aquino-1899-1998-o-30046

agência de notícias anarquistas-ana

Cabelos tão brancos:
ancinho que raspa a terra,
colheita de anos.

Alckmar Luiz dos Santos

 

 

Protestos contra a morte de Kostas Fragoulis, um cigano de 16 anos assassinado pela polícia grega

Manifestações massivas contra a morte de Kostas Fragoulis, um cigano de 16 anos, por um policial, ocorreram nesta terça-feira (13/12) em Tessalônica, Atenas e outras cidades gregas.

Desde 5 de dezembro houve grandes protestos em Atenas e Tessalônica e outras cidades do país, após um policial atirar em Kostas Fragoulis, que supostamente tentava sair de um posto de gasolina sem pagar 20 euros.

Em Ioannina, uma delegacia de polícia foi atacada durante um protesto; em Volos, o partido governista Nova Democracia teve sua sede local destruída; em uma estação de metrô de Atenas, um policial foi encurralado e teve que ser resgatado pela escória da unidade especial da OPKE.

Kostas Frangoulis lutou para se manter vivo, mas seu grave ferimento na cabeça foi decisivo para a evolução de sua condição. Kostas Fragoulis acabou morrendo esta manhã no Hospital Hipócrates de Tessalônica, mergulhando sua família em luto.

agência de notícias anarquistas-ana

galho partido
depois da tempestade
caminho de formigas

Alexandre Brito